segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Canadá anuncia sanções contra Maduro e outros venezuelanos


O governo do Canadá anunciou na sexta-feira a imposição de sanções financeiras ao ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e outras 39 figuras-chave do governo do país sul-americano. O objetivo é “enviar uma clara mensagem de que o comportamento antidemocrático tem consequências”. O Ministério das Relações Exteriores canadense disse que as sanções afetam indivíduos que são responsáveis “pela deterioração da democracia na Venezuela”. A lista de pessoas afetadas inclui 40 nomes, entre os quais se destacam, além de Maduro, Tibisay Lucena (presidente do Conselho Nacional Eleitoral), Elías Jaua (ministro da Educação), Tareck el Aissami (vice-presidente) e Tarek Saab (procurador-geral). 

As sanções impõem o congelamento de ativos e a proibição de que indivíduos no Canadá e canadenses fora do país tenham relações financeiras com as 40 pessoas da lista. A ministra das Relações Exteriores canadense, Chrystia Freeland, declarou que “o Canadá não permanecerá em silêncio enquanto o governo da Venezuela roubar os direitos democráticos fundamentais do povo”. 

Ainda segundo o Ministério das Relações Exteriores, as pessoas sancionadas “tiveram um papel-chave em enfraquecer a segurança, estabilidade e integridade das instituições democráticas da Venezuela”. “Estas ações decisivas são resposta ao aprofundamento, por parte do governo da Venezuela, da guinada para a ditadura”, destacaram as autoridades canadenses. 

A decisão do Canadá, que vem na sequência de determinação similar dos Estados Unidos, ocorre após meses de protestos contra o governo de Maduro, no qual pelo menos 125 pessoas morreram. Críticos dizem que o ditador mergulhou a nação em sua pior crise econômica e a levou à beira da ditadura. 

A Venezuela enfrenta há três anos uma escassez de produtos alimentícios que fez com que diversos itens fossem vendidos no mercado informal. Sua inflação também chegou a níveis astronômicos, próximos a 700%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Celso de Mello autoriza abertura de inquérito contra o petista Lindbergh Farias


O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, autorizou na sexta-feira a abertura de um inquérito para investigar indícios de corrupção passiva pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e outras três pessoas. O caso é um desdobramento da Operação Lava Jato e tramita sob segredo de Justiça no STF desde novembro de 2016. A presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, determinou a redistribuição do processo depois de o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, não ver conexão direta com a investigação que apura desvios na Petrobras. 

No sorteio eletrônico, o ministro Luís Roberto Barroso foi escolhido para ser o relator do caso, mas se declarou impedido. Depois de uma nova distribuição, o processo chegou ao gabinete do ministro Celso de Mello, em agosto deste ano.

Conselho aprova resolução que libera mais risco na previdência privada

O Conselho Nacional de Seguros Privados aprovou na sexta-feira (22) mudanças que permitem que fundos de previdência invistam até 100% em ações e também cobrem taxa de performance, o que antes era vedado. A principal delas é a definição do proponente qualificado, baseado na figura do investidor qualificado da instrução 554 da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

A autarquia define o qualificado como pessoas físicas ou jurídicas com aplicações financeiras que superem R$ 1 milhão. Esse participante poderá comprar fundos que invistam até 100% em ações. Antes, o máximo percentual de exposição do risco era de 49%. Sem essa definição, as seguradoras hesitavam em desenhar produtos voltados a esse público.

"Essa mudança dá maior flexibilidade para a criação de produtos especialmente neste ambiente de taxa de juros mais baixa, em que o investidor vai ter que buscar ganho maior", afirma Edson Franco, presidente da Fenaprevi (federação das entidades do setor).

Os demais participantes poderão comprar planos que invistam em fundos com até 70% de exposição a renda variável. Outra mudança é a possibilidade de cobrança de taxa de performance pelos fundos de previdência, taxa que já é comum em outras categorias de fundos, como multimercados e ações. Antes, só era possível cobrar taxa de administração e outras, como taxa de entrada e saída. A taxa de performance é vista por especialistas como uma maneira de estimular o gestor a obter um desempenho superior ao das referências do mercado.

"É uma modernização para ajudar a colocar produtos com outro perfil no mercado, a desenhar produtos mais modernos, que já são comuns em outras indústrias de fundos e que vão ter oportunidade de ter esses produtos no arcabouço da previdência", afirma Franco. Houve mudança também na contratação de benefício, com famílias de produtos chamadas PGBL Programado e VGBL Programado.

O cliente poderá mudar a forma de recebimento dos recursos ao longo do período de acumulação, afirma Franco. "São produtos que dão mais flexibilidade para os clientes na contratação de aposentadorias. Hoje, quando contrata, o cliente fica engessado. Será possível contratar renda vitalícia tradicional e fazer ajustes no meio do caminho, diminuindo ou aumentando o valor da aposentadoria", ressalta o presidente da Fenaprevi.

Para entrar em vigor, as resoluções devem ser convertidas ainda em circulares, mas Franco acredita que a partir do ano que vem já haverá no mercado produtos desenhados com as novas configurações. Segundo Carlos de Paula, diretor de Supervisão de Conduta da Susep, as novas regras buscam desenvolver o mercado de previdência no Brasil. "Esse é mais um passo importante para o setor e para a sociedade, além de tornar o sistema mais ágil, menos burocrático e em certa medida inovador".

Algumas alterações são mais técnicas, como a atualização da tábua biométrica. Para César da Rocha Neves, titular da coordenação-geral de monitoramento de conduta da Susep, as regras podem ajudar a diminuir a concentração no mercado de seguradoras. "No caso do PGBL, em 2016, dez seguradoras eram responsáveis por 97% do total de contribuições e em relação ao VGBL, quatro seguradoras respondem por 92% dos prêmios", diz.

As discussões em torno da reforma da previdência têm impulsionado as transferências de planos entre seguradoras. A chamada portabilidade, que é quando o cliente pede para transferir seus recursos de uma seguradora para outra, cresceu 7,5% no semestre em relação ao mesmo período do ano passado.

Em volume, o aumento nessa mesma comparação é mais expressivo: 42,8%, somando R$ 7 bilhões. No primeiro semestre do ano, a captação líquida - diferença entre aportes e saques - nos planos de previdência privada ficou positiva em R$ 24,3 bilhões, de acordo com dados da Fenaprevi (federação das entidades do setor).

Apesar disso, o número representou queda de 4,9% na comparação com os seis primeiros meses do ano passado. A indústria ainda é bastante concentrada em planos VGBL, que responderam por 91,47% dos aportes no primeiro semestre. Os PGBL representaram 7,76% - os planos de acumulação tradicionais receberam o 0,77% restante.

Justiça autoriza uso de força policial para paralisar obras da usina hidrelétrica de Belo Monte



O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) autorizou o uso de força policial para garantir que a ordem de paralisar as obras da hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira (PA), seja cumprida, em obediência à decisão proferida no último dia 13. O acórdão com a decisão foi publicado no Diário Oficial da Justiça no dia 20 e divulgado nesta sexta-feira (22). Na decisão, que equivale a uma sentença judicial de primeira instância, o TRF1 afirma que a suspensão da licença de instalação de Belo Monte vale “até que sejam implementadas as medidas ordenadas, cabendo ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) fiscalizar e avaliar o seu fiel cumprimento”, diz a sentença. “Inclusive, com a utilização de força policial, se necessário for”, de acordo com a decisão.

Em ofícios expedidos à Norte Energia e ao Ibama, o desembargador Antônio Souza Prudente determinou a “imediata paralisação das obras de construção do referido empreendimento hidrelétrico, sob pena de multa pecuniária no valor de R$ 100 mil por dia de atraso”. A suspensão das atividades foi determinada após a constatação de irregularidade no projeto das casas oferecidas aos atingidos pelo impacto da usina. Segundo o TRF1, a Norte Energia, responsável pelo empreendimento, descumpriu as condicionantes impostas no licenciamento ambiental. Entre as irregularidades estão o tamanho e o material utilizado para a construção das residências.

Em 2012, a empresa disse aos atingidos que as casas oferecidas, em Altamira, teriam três tamanhos diferentes: 60 metros quadrados (m²), 69 m² e 78 m², de acordo com o tamanho da família que fosse deslocada. Posteriormente, a construtora informou que todos os imóveis teriam o mesmo tamanho: 63 m² e que as casas seriam feitas em concreto pré-moldado, em vez de alvenaria como havia sido anunciado.

Outro problema identificado foi a localização dos assentamentos. Uma das condicionantes do licenciamento previa distância máxima de dois quilômetros entre o local de reassentamento e as moradias originais dos atingidos. A regra, no entanto, não foi cumprida, levando os atingidos a ficar excessivamente distantes de locais de trabalho e estudo e sem opções para se locomover. 

Obras do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, foram superfaturadas em R$ 106 milhões


Um possível superfaturamento de R$ 106,4 milhões nas obras do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha levou o Tribunal de Contas do Distrito Federal a determinar a abertura de Tomada de Contas Especial. A intenção é averiguar o valor levantado, que faz referência ao período de janeiro de 2013 a fevereiro de 2015. Esses tribunais de contas são grandes inutilidades, incapazes de impedir desvios de recursos públicos em grandes obras públicas, antes e durante suas execuções. 

Entre gestores e servidores da Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital) e da Terracap (Companhia Imobiliária de Brasília), 24 pessoas são apontadas como responsáveis pelo suposto prejuízo aos cofres públicos, além dos integrantes do Consórcio Brasília 2014. Todos têm prazo de 30 dias, contados a partir do recebimento da notificação oficial, para apresentar defesa à Corte ou recolher e restituir o valor do débito aos cofres públicos.

O Plenário fez, ainda, uma série de exigências à Novacap, como a elaboração de um plano de ação para sanar os defeitos nos acabamentos e na acessibilidade do estádio. As causas do superfaturamento apontado no Relatório Final de Auditoria, que traz um total de 11 achados, incluem possíveis irregularidades, tais como o pagamento de serviços que não foram efetivamente prestados, valores acima dos praticados pelo mercado, presença de serviços indevidos no contrato, diversas falhas nos acabamentos, superfaturamento por erros nos reajustes contratuais, irregularidades nos recebimentos da obra e inadequação geral da acessibilidade do estádio.

A equipe do Tribunal de Contas do Distrito Federal verificou, por exemplo, que 113.574,92 metros de cabos de energia foram devidamente instalados no estádio. O Governo do Distrito Federal, no entanto, pagou por 238.319,36 metros do mesmo tipo de cabo, quantidade quase 210% maior do que a utilizada. Foi considerado péssimo o estado dos vestiários e sanitários dos atletas: piso trincado, desníveis inadequados, restos de obra, paredes descascadas, ralos obstruídos, interferências e danos construtivos.

Além disso, as larguras dos degraus das arquibancadas são insuficientes para acomodar um pé de tamanho mediano, o que pode causar acidentes entre os torcedores. Em outra área estava prevista a instalação de granito, mas a fiscalização encontrou cimento queimado. Também foram constatados desnivelamento de paredes, pisos e tetos, falta de homogeneidade de pilares e vigas e degraus despadronizados. Em resumo, uma obra que é um descalabro absoluto, e que foi aceita assim mesma para os jogos da Copa do Mundo. Que desgraça é o Brasil com esse tipo de funcionalismo público. 

Temer escolhe Carnelós para substituir Mariz em sua defesa


O presidente Michel Temer escolheu o advogado criminalista Eduardo Carnelós para substituir Antônio Cláudio Mariz de Oliveira no comando de sua estratégia de defesa diante da nova denuncia apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República). O peemedebista se reuniu nesta sexta-feira (22) com o advogado criminalista, na capital paulista, para comunicar a sua escolha. Mariz havia sugerido pelo menos quatro nomes ao presidente para substituí-lo, entre eles o de Carnelós. Nesta sexta-feira (22), a coluna Painel antecipou que Mariz deixaria o comando da defesa do presidente. A decisão foi tomada às vésperas do recebimento pela Câmara dos Deputados da nova denúncia contra o presidente. A acusação usa diversos trechos da delação premiada de Lúcio Funaro, de quem Mariz já foi advogado, e cita pessoas físicas e jurídicas para as quais ele atuou. O afastamento formal de Mariz foi negociado com Temer. No bastidor, ele permanecerá como conselheiro de confiança do presidente.

domingo, 24 de setembro de 2017

Juiz Marcelo Bretas proíbe o bandido Sérgio Cabral de exercer cargo público até o fim de sua vida


Se quiser voltar à vida pública, assumir um cargo de diretor ou membro de conselho de administração, o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB) vai precisar esperar até pelo menos os 80 anos de idade. O juiz federal Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal do Rio de Janeiro, impôs a ele 45 anos e 2 meses de condenação. Deste total, a pena do bandido peemedebista se divide em 24 anos pelo crime de corrupção passiva, 13 anos por lavagem de dinheiro e 8 anos e 2 meses por organização criminosa.

"Para os réus condenados pela prática do crime de lavagem de capitais, como efeito secundário da condenação, decreto a interdição do exercício de cargo ou função pública de qualquer natureza e de diretor, de membro de conselho de administração ou de gerência das pessoas jurídicas referidas no artigo 9º da Lei 9.613/98, pelo dobro do tempo da pena privativa de liberdade aplicada, consoante determina o artigo 7º, II da mesma lei", sentenciou Marcelo Bretas.

Como Sérgio Cabral foi condenado a 13 anos por lavagem de dinheiro, o dobro do tempo fora da função pública alcança os 26 anos. Ele está com 54 anos de idade, ou seja, até os 80 - se até lá voltar às ruas - não poderá buscar cargo eletivo ou nenhuma função na administração.

O juiz da Lava Jato, no Rio de Janeiro, determinou ainda: "Decreto a interdição do exercício de cargo ou função pública pelo prazo de oito anos subsequentes ao cumprimento da pena, consoante determina o art. 2º , § 6º, da Lei 12.850/2013". O bandido peemedebista érgio Cabral está preso desde novembro do ano passado. O ex-governador do Rio de Janeiro está custodiado em um presídio em Benfica, na capital fluminense. 

Neste processo, o Ministério Público Federal apontou corrupção e lavagem de dinheiro usando obras do governo do Estado que receberam recursos federais a partir de 2007. A força-tarefa da Lava Jato, no Rio de Janeiro, identificou fraudes sobre as obras de urbanização em Manguinhos (PAC Favelas), construção do Arco Metropolitano e reforma do estádio do Maracanã para a Copa de 2014.

O juiz Marcelo Bretas determinou que sejam mantidos presos, além de Sérgio Cabral, os condenados Wilson Carlos (ex-secretário de Governo), Hudson Braga (ex-secretário de Obras) e Carlos Miranda (apontado como operador do esquema). Mesmo também condenados, tiveram as prisões revogadas os réus Luiz Carlos Bezerra, José Orlando Rabelo, Wagner Jordão Garcia, Luiz Paulo Reis e Paulo Fernando Magalhães Pinto Gonçalves. O réu Pedro Miranda foi absolvido.

Esta é a segunda condenação de Sérgio Cabral na Lava Jato. Em junho, o juiz federal Sérgio Moro condenou a 14 anos e 2 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. O peemedebista foi acusado por recebimento de propina de pelo menos R$ 2,7 milhões da empreiteira Andrade Gutierrez, entre 2007 e 2011, referente as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), da Petrobras.

Mansão em Mangaratiba do bandido Sérgio Cabral vai a leilão no dia 3 de outubro


Na casa do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), e da ex-primeira-dama, a garota do Leblon, Adriana Ancelmo, apelidada por ele de "Riqueza", em Mangaratiba, no litoral sul fluminense, as imagens sacras dividem espaço com obras do artista plástico Romero Britto, o rei da cafonália, presentes em quase todos os cômodos. No corredor que leva às cinco suítes do imóvel — três delas com vista para o mar da praia São Braz —, há um quadro com o rosto de Adriana Ancelmo, pintado pelo pernambucano, que fica em uma extremidade; na outra ponta está a homenagem ao super bandido Sérgio Cabral. É o colorido das obras do artista super-cafona, o preferido de dez entre dez novos ricos brasileiros, que quebra o branco e os tons pastéis que predominam na casa.

O imóvel, ainda repleto de fotografias da família e outros objetos pessoais, vai a leilão no dia 3 de outubro. O lance mínimo é de R$ 8 milhões, valor pelo qual a casa com 462 metros quadrados de área construída foi avaliada pela Justiça. Contando a área externa, com duas piscinas, sauna e churrasqueira, são mil metros quadrados. Se não for arrematado, um segundo certame será realizado em 11 de outubro. Neste caso, o lance mínimo passa a ser de R$ 6,4 milhões — o equivalente a 80% do valor de avaliação.

Os sete bens do super bandido Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo, a Garota do Leblon, a serem leiloados, estão avaliados em R$ 12,5 milhões. O dinheiro será usado para ressarcir os cofres públicos. A decisão foi do juiz Marcelo Bretas, que entendeu que os bens poderiam se depreciar e perder valor. Na quarta-feira, ele condenou o ex-governador a 45 anos e 2 meses de prisão — a pena de Adriana é de 18 anos e 3 meses.

Um tour pela mansão revelou o quanto a família é fanática pelo Vasco da Gama e algumas preciosidades na biblioteca do  bandidão Sérgio Cabral. Em uma mesma pilha de livros estão as obras “Antologia da Maldade”, de Gustavo Franco e Fabio Giambiagi, “Estado de Crise”, de Zygmunt Bauman e Carlo Bordoni, e “Flanando em Paris”, de José Carlos Oliveira. O livro sobre a capital francesa traz à memória as constantes referências do falecido colunista Jorge Bastos Moreno, morto em junho, que sempre ironizava a predileção do ex-governador por Paris.

Na cozinha, com fogão industrial, há três geladeiras. Uma delas é da Cervejaria Itaipava, do mesmo modelo visto em bares, e que remete às investigações da Lava-Jato que ligam a empresa a pagamentos de propina e doações ilegais para a campanha do ex-governador.

Quem arrematar a mansão vai levar a geladeira da Itaipava, outros eletrodomésticos, móveis e eletrônicos que lá estão. E eles não são poucos. Ainda há dois carrinhos de golfe que eram usados para locomoção pelo condomínio Portobello, onde fica o imóvel. É lá, aliás, que muitos investigados na Lava-Jato compraram ou alugaram casas, entre eles o empreiteiro Fernando Cavendish e o empresário Arthur Cesar Menezes Soares Filho, conhecido como “Rei Arthur” — os dois são acusados de pagar propina a Sérgio Cabral para obter contratos com o governo.

O ex-governador já deu festas no imóvel durante o réveillon, com DJ contratado, diversos secretários e mergulho no mar para celebrar o novo ano. Mas, na maior parte do tempo, a mansão serviu mesmo para o refúgio da família durante os finais de semana, quando eles usavam o helicóptero do governo do estado para o deslocamento entre o Rio de Janeiro e Mangaratiba.

Lá, a família Cabral poderia usar a lancha Manhattan Rio, que o Ministério Público Federal apontou ser do ex-governador, apesar de estar em nome de um ex-assessor. A embarcação, com 24 metros de comprimento, foi avaliada em R$ 4 milhões e também será leiloada. Na parte interior, há TV, aparelhagem de vídeo, geladeira e fogão. São dois deques, duas suítes, duas cabines laterais com camas de solteiro, um bar lounge, uma sala de estar, uma sala de jantar e quatro banheiros. No certame, o leiloeiro Renato Guedes vai receber ainda lances para três veículos, um jet ski e uma embarcação de menor porte.

Os lances serão presenciais, na sede da Justiça Federal do Rio, mas podem ser feitos pela internet (www.rioleiloes.com.br), desde que o cadastro tenha sido feito até 24 horas antes do leilão. A regra de pagamento para os bens é a mesma: ao menos 25% do valor arrematado como entrada, e o restante em até 30 parcelas. Quem quiser fazer lances poderá agendar uma visita à mansão de Sérgio Cabral. Entretanto, a empresa responsável pelo certame faz a checagem de dados do interessado, incluindo a renda. 

População de Israel atinge 8,7 milhões de pessoas



Na véspera do novo ano judaico, a população de Israel registrou 8.743.000 pessoas, de acordo com dados divulgados pelo Bureau Central de Estatística (CBS), na segunda-feira antes de Rosh Hashanah. Desde o ano passado, a população de Israel aumentou cerca de 156 mil pessoas. Essa população equivale a pouco mais de dois terços dos habitantes do Rio Grande do Sul. 

De acordo com a CBS, a população judaica é de 6.523.000 habitantes e representa 74,6% da população. A população árabe tem cerca de 1.824.000 pessoas e representa 20,9% da população. Os cristãos não árabes, os membros de outros religiosos e os que se registraram como não tendo religião são 396.000 e representam 4,5%. 

Examinando os locais de residência preferidos dos israelenses, a CBS descobriu que 74,2% dos israelenses vivem nas cidades, 14,9% nos conselhos locais, 10,1% nos conselhos regionais e 0,8% vivem em áreas sem um status municipal oficial. Mas, mesmo sendo o território de Israel relativamente pequeno, a maioria ainda é desabitada. Somente 5,6% de sua área é construída, com 20% da terra usada para agricultura, 2,4% composta de água e 7,3% composta de florestas, bosques e parques nacionais. A terra restante é composta por áreas abertas, terreno rochoso, áreas escavadas e terrenos cobertos de vegetação. 

Os dados mostram ainda que existem cerca de 2.470.200 famílias em Israel, com uma média de 3.1 pessoas por família. Em 2016, 181.405 bebês nasceram em Israel. A CBS descobriu que a taxa geral de fertilidade, 3.11, é a mais alta entre os países da OCDE. 

A população de Israel também aumentou graças à imigração de 25.977 pessoas em 2016, sendo 57% da ex-União Soviética. A CBS também examinou a qualidade de vida em Israel. A receita média por família é de NS 18.671 (US$ 5.000) no mês, antes dos impostos e NS 15.427 (US$ 4.380) após os impostos. A maioria dos israelenses possui suas casas, com 67,6% morando em um apartamento próprio e 39,9% pagando uma hipoteca. Cerca de 2,2 milhões de alunos estudam no sistema educacional de Israel: 517 mil na educação pré-escolar, cerca de um milhão no ensino fundamental e cerca de 713 mil no ensino médio. Em geral, 88% dos israelenses disseram que estavam muito satisfeitos ou satisfeitos com suas vidas. Cerca de 1,1 milhão (21%) se sentem estressados sempre ou frequentemente. Cerca de 340.000 (6%) se sentem solitários com freqüência. Trinta e quatro por cento disseram ter dificuldade em cobrir suas despesas mensais.

Maior torre de energia solar do mundo é construída em deserto de Israel

Com 250 metros de altura, torre da usina heliotérmica de Ashalim produzirá energia limpa para 125 mil casas. Na paisagem das areias do deserto do Negev, no sul de Israel, uma torre de 250 metros de altura – o equivalente a um prédio de 50 andares – se destaca. Trata-se da torre da usina solar de Ashalim, parte do esforço das autoridades israelenses para produzir, até 2020, 10% de sua energia através de fontes renováveis; hoje, este porcentual é de 2,5%. A mais alta do mundo em um projeto de energia solar térmica concentrada (Concentrating Solar Power – CSP), a torre de Ashalim é circundada por 50.600 espelhos controlados por computador (heliostatos), distribuídos por uma área de 3 quilômetros quadrados. Esses espelhos acompanharão a movimentação do sol de modo a refletir luz sobre uma caldeira localizada no alto da torre, durante o maior tempo possível ao longo do dia.

A radiação solar infravermelha capturada pelos espelhos e refletida sobre a caldeira criará um processo térmico de vapor que moverá enormes turbinas, gerando energia elétrica “limpa”. Quando pronta, no primeiro trimestre de 2018, a usina de Ashalim produzirá 121 megawatts de energia solar, suficientes para iluminar 125 mil casas, evitando a emissão anual de 110 mil toneladas de dióxido de carbono. “A eletricidade será gerada a partir do vapor da mesma forma que geraria uma usina de gás ou de carvão, mas a energia não vem de combustíveis fósseis e sim do sol. É uma obra de porte para quem quer investir em energia limpa”, diz o engenheiro uruguaio Jacinto Durán-Sanchez, diretor-geral da usina solar.


Os espelhos serão controlados remotamente até mesmo por telefones celulares dos engenheiros e diretores. Diariamente, a areia do deserto acumulada sobre eles terá de ser retirada. “Os heliostatos vão estar inclinados, levando os raios de sol e o calor até a caldeira para levar a água a um vapor de 600 graus. Cada heliostato tem seu comando individual e remoto. Entre os espelhos há torres de wi-fi para assegurar que estejam conectados 24 horas por dia”, explica o engenheiro argentino Claudio Nutkiewicz, outro latino-americano envolvido no projeto.

No mundo, existem atualmente apenas 10 usinas heliotérmicas com capacidade superior a 121 MW. A maior é a de Ivanpah, no deserto do Mojave (EUA), inaugurada em 2014, com capacidade projetada de 392 MW. Mas ela conta com três torres de 190 metros de altura cada uma (40 andares), que recebem luz de 173.500 heliostatos.


O projeto de Israel é mais humilde no número de espelhos (um terço), mas inova ao contar com apenas uma torre dez andares mais alta – que teria potencial maior na produção energética com custo menor do que o de erguer diversas torres. Novos megaprojetos com torres altíssimas (ao invés de várias mais baixas) estão em andamento. Uma delas, na Austrália, chegará perto da de Ashalim. A Aurora Solar Energy terá uma torre de 227 metros de altura (48 andares). 

A usina solar (ou heliotérmica) de Ashalim tem custo estimado de US$ 570 milhões e, faz parte de um projeto mais amplo, o Megalim, uma joint-venture entre a General Electric (GE), a BrightSource (empresa americana de energia solar que também construiu a usina de Ivanpah) e o fundo israelense Noy (que investe em infraestrutura, com participação do Banco Hapoalim, o maior do país).

No total, o projeto é estimado, em US$ 820 milhões, incluindo mais duas obras complementares: uma para armazenamento de energia solar de noite e outra de uma usina com tecnologia fotovoltaica para produzir ainda mais energia. Juntos, os três projetos solares gerarão cerca de 310 MW – cerca de 2% das necessidades de Israel.

Frota de veículos do Paraná cresce 80% em 10 anos



A frota de veículos do Paraná quase dobrou em dez anos. Em julho de 2007 o Estado contava com 3.846.310 veículos em circulação. No mesmo mês deste ano, o Paraná atingiu o total de 6.949.166 unidades em circulação, um aumento de mais de 80%. Os dados foram divulgados pelo Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), na semana passada, como parte das comemorações da Semana Nacional do Trânsito, que começou na segunda-feira passada e será encerrada nesta segunda-feira (25). 

“Este número crescente gera maiores congestionamentos, poluição do ar e problemas de saúde pública”, explica o diretor-geral do Detran, Marcos Traad. Em Curitiba, a frota de veículos cresceu 39,48% nos últimos dez anos. De 1.005.066 em julho de 2007 subiu 1.401.866 no mesmo mês de 2017. Ao longo da semana passada, várias ações foram realizadas pelos órgãos públicos para chamar a atenção de motoristas e pedestres no Estado. Uma delas foi entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado, quando mais de 100 blitze foram feitas pela Polícia Militar em todo o Estado.

A Polícia Militar abordou cerca de 5 mil pessoas e encaminhou 53 flagradas alcoolizadas em todo o Estado, além de lavrar 254 infrações. O encerramento da Semana do Trânsito será feira com uma exposição na Boca Maldita, em Curitiba. No local, haverá um carro acidentado para chamar atenção da população sobre os acidentes de trânsito no Estado.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Morre o icônico publicitário Luiz Sales, aos 83 anos


Morreu nesta sexta-feira, aos 83 anos, o publicitário Luiz Sales, irmão de Mauro Salles e ex-presidente de icônica agência Salles/Interamericana, uma das principais empresas do setor no país nos anos 1970 e 1980. Engenheiro agrônomo de formação, Luiz Sales voltou-se para a publicidade ainda nos anos 1960. Ajudou o irmão a fundar, em 1966, a Mauro Salles Publicidade – rebatizada Salles/Interamericana em 1976 -, empresa que presidiu por duas décadas, sempre como uma das cinco maiores do segmento no País. Sales também foi presidente da Associação Brasileira das Agências de Propaganda (Abap) e da Federação Nacional das Agências de Publicidade (Fenapro), além de ter sido membro do conselho do Grupo Pão de Açúcar. Atuou ainda vice-presidente do primeiro conselho deliberativo da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). 

Luiz Sales ficou na Salles/Interamericana até 1994 e depois passou a atuar como consultor de comunicação, por meio da LMS Counseling, dedicada a ajudar companhias a lidar com situações complexas. Em 2000, Luiz Sales juntou-se aos também publicitários Alex Periscinoto e Sérgio Guerreiro e ao jornalista Walter Fontoura para fundar a SPGA Consultoria de Comunicação, que, além de prestar serviços de relações públicas, já aconselhou presidentes de empresas, entre elas Vale, Votorantim, Basf e Bradesco. 

Esse trabalho no alto escalão das empresas foi uma das marcas de Luiz Sales, segundo Washington Olivetto, sócio da WMcCann. “Ele tinha contato direto com os presidentes das grandes empresas, o que era muito útil na hora de captar clientes. Era um grande homem de negócios e, ao mesmo tempo, um gentleman no trato com as pessoas”, lembrou o publicitário. 

Para o publicitário, o grupo Salles foi, ao lado de empresas como a DPZ, um dos responsáveis pela profissionalização do mercado brasileiro, a partir dos anos 1960. “Eles pavimentaram o caminho para quem veio depois, como eu”, disse.  A exemplo do que ocorreu com a DPZ – hoje DPZ&T -, a Salles deu o primeiro emprego para importantes nomes do mercado brasileiro. O publicitário José Luiz Madeira, ex-sócio e presidente do conselho da AlmapBBDO, contou ao jornal “O Estado de S. Paulo” que sua primeira oportunidade, ainda muito jovem, foi na Mauro Salles Publicidade. “Foi lá que eu entendi que o meu futuro profissional não seria escrevendo textos, mas o olhar para a necessidade do consumidor".  

A marca Salles continua a existir até hoje, dentro do grupo Publicis Brasil, como Salles Chemistri. A entrada de um grupo internacional na agência ocorreu ainda nos anos 1990, quando a Salles/Interamericana foi vendida para a DMB&B, então parte do grupo multinacional BCom3. Foi nessa época que a agência passou a se chamar Sales DMB&B e, posteriormente, Salles D’Arcy. Depois de o grupo BCom3 ter sido comprado pela rede francesa Publicis, em 2002, a companhia passou a se chamar Publicis Salles Norton. Em 2005, a agência passou a se chamar apenas Publicis, mas manteve um braço de varejo chamado Salles Chemistri, que continua a funcionar até os dias atuais. A cerimônia de sepultamento de Luiz Sales está marcada para este sábado, com uma missa a ser realizada a partir de 10h, no Cemitério Gethsêmani. Sales deixa a esposa, Maria Rosa, quatro filhos e 12 netos.

Procurador Eduardo Pelella diz que está à disposição de Raque Dodge para "esclarecimentos"


O procurador regional Eduardo Pelella se colocou à disposição da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para “qualquer esclarecimento”. Chefe de gabinete do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Pelella foi citado em uma conversa entre o procurador regional Sidney Madruga, que integrava a equipe de Dodge, e a advogada Fernanda Tórtima, que defende a JBS. No diálogo, flagrado pelo jornal Folha de S. Paulo em um restaurante de Brasília, Madruga diz a Fernanda que a “tendência” na Procuradoria Geral da República é investigar Eduardo Pelella. 

Na mensagem a Raquel, Pelella afirma que, “a exemplo do que ocorreu durante todo o período de transição, estou à disposição para qualquer esclarecimento que se entenda necessário”. A investigação a que Sidney Madruga se referia provavelmente se daria sobre a atuação de membros do gabinete de Janot nas tratativas para a delação premiada de executivos da JBS. O acordo de colaboração foi rescindido após o ex-procurador-geral entender que os delatores Joesley Batista e Ricardo Saud omitiram “fatos ilícitos que deveriam ter sido apresentados por ocasião da assinatura dos acordos”. 

Nesta sexta-feira, Madruga pediu exoneração do cargo de coordenador do Grupo Executivo Nacional da Função Eleitoral (Genafe), para o qual havia sido nomeado por Raquel Dodge. De acordo com a assessoria da PGR, o pedido de exoneração da equipe foi apresentado “com a finalidade de evitar ilações impróprias e indevidas”. 

JBS ofereceu R$ 1 milhão para filha de ministro do STJ para obter sentença favorável


As investigações identificaram mensagens em que advogados da JBS traçavam estratégias que sugeriam negociação de sentenças em tribunais superiores. Em um dos casos relatados, o diretor jurídico do grupo, Francisco de Assis e Silva, combinava com a advogada Renata Araújo, contratada pela empresa para atuar nos processos em curso nas cortes de Brasília, os detalhes de uma proposta a ser feita a Anna Carolina Noronha, a Ninna, advogada e filha do ministro João Otávio Noronha, um dos mais antigos integrantes do Superior Tribunal de Justiça e o atual corregedor do Conselho Nacional de Justiça. 

O ministro tinha em mãos um processo milionário de interesse do conglomerado. Nas mensagens ficava acertado que eles fariam uma proposta financeira pela ajuda de Ninna: 100.000 reais mais 1% do valor da causa se houvesse êxito. João Otávio Noronha, que chegou a proferir uma decisão contra o pleito da JBS, rechaçou qualquer possibilidade de parceria entre sua filha e a advogada Renata. 

De um conjunto de documentos em poder do Ministério Público Federal, surgiu outra evidência de que, no mínimo, a proposta financeira foi feita à filha do ministro. Há um e-mail de dezembro de 2015 no qual Renata Araújo deixa claro que já havia conversado com Ninna Noronha sobre dois processos, fixando os valores que ela receberia em caso de sucesso e expondo o método que seria utilizado para manter tudo isso em segredo.

PT suspende Palocci por ter falado no "pacto de sangue" de Lula com o empreiteiro propineiro


O Diretório Nacional do PT decidiu nesta sexta-feira suspender por 60 dias das atividades partidárias o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil, o "porquinho" petista e comunista trotskista Antonio Palocci. O motivo da medida é o depoimento de Palocci ao juiz federal Sergio Moro em um processo da Operação Lava Jato, no qual o ex-ministro disse que o poderoso chefão da organização criminosa petista e ex-presidente Lula firmou um “pacto de sangue” com o grande babalorixá baiano corruptor Emílio Odebrecht em troca de um “pacote de propinas”, que incluía 300 milhões de reais em propina para “atividades políticas”. 

“Ao mentir, sem apresentar provas e seguindo um roteiro pré-estabelecido em seu depoimento na 13ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba, no último dia 6 de setembro, Palocci colocou-se deliberadamente a serviço da perseguição político-eleitoral que é movida contra a liderança popular de Lula e o PT. Desta forma, rompeu seu vínculo com o partido e descomprometeu-se com a sua militância”, diz a resolução aprovada nesta sexta-feira. Partindo do PT, nada a estranhar.  

Embora tenham aprovado a suspensão, integrantes da direção petista dizem, de forma reservada, que a punição é inócua já que Antonio Palocci está preso desde setembro do ano passado e afastado há anos das funções partidárias. Além disso, na última segunda-feira, o diretório municipal do PT de Ribeirão Preto, onde o ex-ministro é filiado, instaurou uma comissão de ética para apurar o caso, sob ameaça dos diretórios estadual de São Paulo e nacional. Na prática, o PT de Ribeirão Preto, deu início ao processo de expulsão de Palocci. “Como abriram uma comissão de ética para ele em Ribeirão Preto, usamos o estatuto e suspendemos por 60 dias”, explicou a presidente nacional do PT, senadora comunista Gleisi Hoffmann (PR). 

Ao contrário do PT de Ribeirão Preto, que num primeiro momento chegou a dizer que Palocci havia entregado Lula “sob tortura”, a comunista Gleisi Hoffmann entende que o ex-ministro mentiu a Moro para, em troca, obter a redução da pena de 12 anos a qual foi condenado na Lava Jato. “Este não é o entendimento nosso. Somos muito diretos dizendo que Palocci mentiu para negociar a redução da sua pena. Não acho que agiu sob tortura”, disse Gleisi. 

O ex-ministro negocia um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. Ele conta em seus depoimentos que, em 2010, quando já coordenava a campanha da ex-presidente Dilma Rousseff, encontrou-se várias vezes com Lula para entregar “pequenas quantias” pedidas por ele. Os maços de dinheiro variavam, conforme Palocci, entre 30.000 reais, 40.000 reais e 50.000 reais. Os valores eram entregues em lugares previamente combinados e usados pelo ex-presidente para custeio de despesas particulares.