sábado, 1 de agosto de 2015

Petrobras recupera R$ 139 milhóes desviados por ex-funcionários

A Petrobras assinou nesta sexta (31) dois termos de recebimento de recursos recuperados pela Operação Lava Jato, no valor de R$ 139 milhões. O ex-gerente da estatal e delator Pedro Barusco devolveu R$ 69 milhões –oriundos de propina paga pela holandesa SBM, que constrói plataformas de petróleo. O restante veio do ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, também delator.  Foi a segunda cerimônia de ressarcimento. Na primeira, a estatal recebeu R$ 157 milhões. Após o evento, o presidente da Petrobras, o petista Aldemir Bendine (amigo da Valdirene), disse ter esperanças de recuperar todo o valor desviado – estimado em R$ 6,2 bilhões.

POLÍCIA FEDERAL INDICIA O EX-DIRETOR DA PETROBRAS, JORGE ZELADA, POR SUSPEITA DE CORRUPÇÃO


A Polícia Federal indiciou na sexta-feira (31) o ex-diretor Internacional da Petrobras, Jorge Zelada, por suspeita de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O indiciamento, feito com a conclusão do inquérito policial sobre Zelada na Operação Lava Jato, foi enviado ao Ministério Público Federal no Paraná, que vai analisar as provas e decidir se oferece denúncia contra o ex-diretor ou se arquiva a investigação. Zelada foi preso preventivamente no início de julho, durante a 15ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Operação Mônaco, em referência a operações financeiras do ex-diretor no Exterior. No pedido de prisão, os procuradores argumentaram ao juiz federal Sergio Moro que, entre julho e agosto de 2014 –após a deflagração da Lava Jato, portanto–, Zelada transferiu 7,5 milhões de euros (cerca de R$ 25 milhões) que estavam escondidos na Suíça para uma conta no principado de Mônaco, com o objetivo de impedir o bloqueio dos valores. Para o Ministério Público, essa movimentação demonstrou "inequívoco propósito atual do investigado de continuar a ocultar o produto de seus crimes e dificultar a investigação". Relatório da Receita Federal mostra que Zelada nunca declarou oficialmente ter ativos no Exterior. O advogado de Zelada, Renato de Moraes, afirma que o cliente nega as acusações, mas que só pode fazer sua defesa a partir do momento em que todas as provas sejam juntadas aos autos. Ele argumenta que o inquérito foi concluído de uma forma "açodada" e que, no despacho, o delegado diz que ainda há documentos a juntar. Por isso, diz Moraes, Zelada ficou calado no depoimento que prestou na última sexta-feira. "Minha orientação para que não respondesse às indagações se deve ao fato de não conhecer ainda todos os documentos", afirmou o advogado. Anteriormente, Zelada havia negado possuir contas em Mônaco.

E-mail indica aval da Eletronuclear a cartel


E-mail entregue pela empreiteira Camargo Corrêa ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) cita conversas de executivos de construtoras com a Eletronuclear sobre as estratégias e os preços que seriam apresentados pelo cartel que rateou licitação de Angra 3. As tratativas são de novembro de 2013, dois meses antes da licitação. Funcionários da Eletronuclear teriam orientado os executivos suspeitos de formar o cartel a produzir uma proposta na qual somente um dos consórcios, formado por Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Odebrecht e UTC Engenharia, levaria os dois lotes em disputa. O acerto era que, posteriormente, o grupo desistiria de um dos lotes, repassando-o às outras integrantes do esquema com o objetivo de aumentar o preço do contrato o máximo possível. Os documentos do Cade não descrevem, contudo, quais executivos da Eletronuclear participaram das negociações na ocasião. Além das quatro empreiteiras, são apontadas como participantes no cartel a Queiroz Galvão, a Empresa Brasileira de Engenharia (EBE) e a Techint. Elas foram delatadas pela Camargo Corrêa, que firmou na sexta-feira, 31, um acordo com o Cade para colaborar com a investigação de conluio nas obras de Angra 3, em troca de punição menor. No relatório, o Cade explica que as construtoras queriam que cada consórcio ganhasse um dos lotes. Como os preços de cada grupo eram muito próximos, isso poderia, no entanto, revelar combinação prévia. Por isso, os emissários da estatal defenderam nas conversas a estratégia de um só ganhador para os dois lotes e o recuo futuro. Foi o que ocorreu. "Em conversa com o cliente (Eletronuclear) notou-se desconforto (…) Reformulou-se, então, a decisão", diz o e-mail. Conforme o relatório do Cade, havia uma hierarquia no cartel. Os executivos que atuavam no "altíssimo escalão", fixando preços e dividindo o mercado, eram Flávio David Barra (Andrade Gutierrez Energia), preso na semana passada pela Polícia Federal por suposto envolvimento nos desvios em Angra 3; Dalton Avancini (Camargo Corrêa), que colabora com o conselho; Fábio Andreani Gandolfo (Odebrecht); Petrônio Braz Junior (Queiroz Galvão), Ricardo Ourique Marques (Techint) e Renato Ribeiro Abreu (EBE), além do dono da UTC, Ricardo Pessoa, delator da Lava Jato. No nível "alto escalão", Antônio Carlos D'Agosto Miranda (UTC) e Henrique Pessoa Mendes Neto (Odebrecht) fariam os contatos políticos, inclusive com o almirante Othon Luiz Pinheiro, então chefe da Eletronuclear - também preso pela PF, suspeito de obter propina das empresas. O documento diz ainda que o diretor de Geração da Eletrobrás, Valter Cardeal, indicado pela presidente Dilma Rousseff, questionou o almirante sobre os preços, que seriam superiores ao de outras obras, como hidrelétricas. Cardeal é tratado nas mensagens de empreiteiros como "Eclesiástico" e "Sua Santidade". "Othon Luiz Pinheiro da Silva teria justificado tal discrepância alegando que o orçamento de Angra 3 já havia sido aprovado pelo TCU e que as obras de montagem de hidrelétricas não poderiam servir de parâmetro", diz o relatório do Cade. 

Eduardo Cunha põe a correção do FGTS na pauta de votações


O projeto que estabelece o aumento da correção dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) foi incluído na pauta de votações do plenário da Câmara dos Deputados, que retoma os trabalhos nesta segunda-feira (3), após duas semanas de recesso. O texto propõe que o dinheiro depositado no fundo tenha uma remuneração igual à da poupança, o que, na prática, significa que o rendimento subiria de cerca de 3% ao ano para aproximadamente 6%. A nova taxa, se aprovada, valerá para os depósitos feitos a partir de 2016. A possível mudança divide opiniões. De um lado, o governo afirma que a mudança pode gerar impacto negativo no financiamento da casa própria. Do outro, os deputados autores do projeto e o próprio presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dizem que os trabalhadores devem ter uma remuneração maior dos recursos aplicados no fundo. Para entrar em vigor, a proposta deve ser aprovada pela Câmara e pelo Senado, além de sancionada pela presidente Dilma Rousseff. 

VALTER CARDEAL LICENCIA-SE DA ELETROBRÁS; ELE FICARÁ AFASTADO ATÉ FINAL DAS INVESTIGAÇÕES DA HOGAN LOVELLS

Também na mira da Polícia e do Ministério Publico Federal, o diretor de Geração da holding Eletrobras, o gaúcho Valter Cardeal, e o diretor de Planejamento e Engenharia da Eletronorte, uma subsidiária do grupo, Adhemar Palocci, resolveram afastar-se dos cargos, porque pediram licença até outubro, quando serão concluídas as investigações internas. As buscas internas não elidem as ações da Polícia e do Ministério Público Federal. Ambos são alvos de denúncias publicadas na imprensa pelo suposto envolvimento em esquemas de corrupção. As investigações internas são conduzidas pelo escritório de advocacia internacional Hogan Lovells.

BRIGADIANOS RECOMENDAM QUE POVO GAÚCHO NÃO SAIA DE CASA NA SEGUNDA-FEIRA. AS CIDADES SERÃO ENTREGUES AOS BANDIDOS.

A nota assinada poor Asstbm, Abamf, Abergs, Ferpmbm, Abservalebm, todas representando militares da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, e entidades de Sapucaia, Sapiranga e Torres, avisa que não cumprirão mais ordens do governo de José Ivo Sartori: "Não podemos cumprir ordens de quem não cumpre a lei e comete crime de desobediência". Em resumo, militares estão em estado de sublevação, insubordinação, rebelião. São os maiores crimes cometidos por quem é militar. O governador José Ivo Sartori é o comandante em chefe da Brigada Militar. Portanto, não resta mais dúvidas: José Ivo Sartori precisa convocar a Força Nacional de Segurança e o Exército, do contrário o Rio Grande do Sul vai conhecer a barbárie a partir de segunda-feira, entregue para a bandidagem. Nota lançada também na sexta-feira pelos brigadianos e bombeiros de nível médio aconselha a população a não sair de casa na segunda-feira, nem mesmo para trabalhar, porque todos permanecerão aquartelados. O território gaúcho será terra de ninguém. As cidades serão entregues aos bandidos. É reação ao atraso nos soldos, decretado hoje por Sartori. No dia 5, brigadianos e bombeiros terão nova assembléia para medidas mais duras, inclusive greve geral. Em nota, os brigadianos de nível médio advertem: "Só sairemos para casos de urgência e emergência, a chamado, voltando em seguida aos quartéis".

Vamos fechar o Congresso e entregar o Legislativo para Catta Preta, Youssef e afins! Ou: Todos os adversários de Dilma estão no paredão. Que coincidência, não!?

Ora, vamos fechar o Congresso Nacional?! O que lhes parece? O Poder Legislativo passará a ser exercido por Beatriz Catta Preta, Alberto Youssef e tipos correlatos. Que tal? Se uma advogada diz que desistiu até da carreira porque se sentiu ameaçada por uma convocação para depor na CPI da Petrobras, declaremos o Legislativo do Brasil um Poder criminoso! Como boa parte da imprensa não gosta de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, a gente já aproveita e o pendura num guindaste, pelo pescoço, com se faz no Irã. No guindaste ao lado, estará Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado. Mais ao fundo, igualmente enforcados, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro e Vital do Rêgo, três ministros do TCU que podem recomendar a rejeição das contas do governo. Reinando sobre toda coisa viva, Dilma Rousseff. Mas reinando para quê? Ora, pra nada, como de costume. Vocês notaram? Um a um, todos os “inimigos” do Planalto estão na mira, certo? Agora só falta, deixem-me ver, abater uns dois ou três no TSE, que é a outra frente que pode criar constrangimentos para a presidente. E aí estará tudo perfeito. Confesso-me algo chocado com a acolhida que teve em certos setores da imprensa a estupefaciente entrevista concedida por Catta Preta ao Jornal Nacional na noite de quinta. Nada contra a coisa em si, claro! Se ela queria falar, o JN deve ouvir. A questão é saber se alguém que apela ao STF para não ter de dar declarações a uma comissão de inquérito — a OAB o fez por ela, eu sei — pode apelar ao programa jornalístico de maior audiência do País para acusar essa mesma comissão de praticar crimes. Ou não foi isso o que ela fez? Ou ela tratava de mero sentimento, assim…, um temor não mais do que subjetivo? Agora virou moda. A ordem parece ser mesmo deslegitimar a CPI. Interessa a quem? Antonio Figueiredo Basto, advogado de Alberto Youssef e de Julio Camargo — aquele homem de muitas verdades premiadas —, enviou uma petição ao juiz Sergio Moro pedindo o cancelamento da ida do doleiro a Brasília na semana que vem. A CPI, CORRETAMENTE, DIGA-SE, marcou uma acareação entre ele e Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento. Sabem o que Basto alegou? Que a integridade física do delator estará em risco se isso acontecer. Mas Basto não parou por aí. Pela segunda vez, ele voltou a desferir um violento ataque a autoridades do Legislativo — já havia atacado Eduardo Cunha nas alegações finais em favor de Camargo. Está escrito lá: “O seu (da CPI) raio de abrangência não pode se perder, para distorcer o instituto com fins de politicagem de ocasião ou propósitos revanchistas. Nestas circunstâncias, o deslocamento de Alberto Youssef à capital federal compromete sua própria segurança, colocando em xeque sua integridade física e moral!”. Doutor Basto diga o que quiser, e não será este jornalista a contestar o direito de defesa — ao contrário: tenho sido atacado por alguns idiotas justamente porque não transijo nisso. Mas eu não reconheço o seu direito de tentar cassar uma prerrogativa do Poder Legislativo. É surrealista o que está em curso. Fazendo de conta que a CPI não tem o poder para convocar seu cliente e já se antecipando a uma decisão judicial, Basto avança e diz que Youssef “não vai se submeter ao teatro de horrores de uma CPI notoriamente comprometida com interesses não republicanos, onde os personagens protagonizam uma tragicomédia encenada sob o cenário revanchista de ameaças veladas e vinganças rasteiras”. Quais ameaças veladas? Quais vinganças rasteiras? Com a devida vênia, atitudes como essa de Basto e a da doutora Beatriz é que transformam a questão numa chanchada macabra. Sim, existem diferenças entre os depoimentos que precisam ser esclarecidas. Lembro uma: Paulo Roberto diz que Antonio Palocci lhe pediu R$ 2 milhões para a campanha de Dilma em 2010 e que o doleiro liberaria o dinheiro. Este afirma que nunca aconteceu. Um dos dois está mentindo. Quem? Que coincidência notável, não é mesmo? Uma a uma, as frentes em que Dilma pode vir a enfrentar problema estão mergulhadas em denúncias e dificuldades. Que se apure tudo, claro! Que se noticie tudo, claro! Mas que se diga tudo, claro! Sei o que escrevi, e não retiro uma vírgula de nada. Acho que Eduardo Cunha fez um excelente trabalho na Câmara, e entendo os motivos por que é alvo do ódio do PT e de outros tantos. Se cometeu crimes, que pague! Mas lembro que, inicialmente, integrou a “Lista de Janot” em razão de um depoimento cediço e meio confuso de um policial. Não entendi, então, por que Janot não incluiu a própria Dilma no rol. A explicação que ele deu à época é furada, está demonstrado pela Constituição e pela jurisprudência do Supremo. Julio Camargo, ex-cliente de Beatriz e atual cliente de Basto, entrou na história, contra Cunha, bem depois. Até porque, já como delator premiado, negou o pagamento de propina ao deputado. Mais tarde, mudou a versão — e continuo sem saber se ele mentiu para a sua então defensora em algum momento ou se os dois mentiram juntos para a Corte. Pedi a ela que me mandasse uma resposta. Não mandou. A minha dúvida persiste. Escrevi na minha coluna na Folha, nesta sexta-feira, que os interlocutores estão desaparecendo. Pululam irresponsáveis por todo canto. Agora, já não se poupam também as instituições na busca desesperada para salvar e cortar cabeças. As ações de intimidação atingem hoje a Câmara, o Senado, o TCU e a CPI da Petrobras. E será preciso resistir. Ou, daqui a pouco, será preciso entregar a “Politéia” aos homens de negro para que, finalmente, a gente possa ter uma ditadura de virtuosos. Por Reinaldo Azevedo

Polícia Federal pede soltura de 2 presos; o Ministério Público, a prisão preventiva. Para soltar, Sérgio Moro exige prova de inocência

Apareceu uma divergência, o que tem sido raríssimo, na trinca Polícia-Federal-Ministério Público-Sergio Moro. Diz respeito às prisões do vice-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva e do executivo da Andrade Gutierrez Energia Flávio Barra. Os dois estão em regime de prisão temporária desde domingo. O Ministério Público pede a decretação da prisão preventiva, mas a Polícia Federal afirmou não ver razões para que continuem mesmo na temporária. Para lembrar: uma empresa de Othon, a Aratec, afirma ter prestado serviços a empreiteiras, o que justificou o pagamento, pelas empreiteiras, de R$ 4,5 milhões. Afirma a delegada Erika Mialik Marena o que segue: “Com o cumprimento das medidas judicialmente determinadas, e, não tendo sido possível ultimar as análises que permitiriam concluir pela efetiva ocorrência do quanto narrado por DALTON AVANCINI, seja quanto ao conluio para fraudar o caráter competitivo da licitação para a construção de ANGRA 3, seja quanto ao eventual pagamento de vantagens indevidas a servidores da ELETRONUCLEAR, deixamos de representar pela prorrogação da prisão temporária de OTHON LUIZ PINHEIRO DA SILVA e FLAVIO DAVID BARRA, já que entendemos que, com as medidas de busca e apreensão já realizadas e com as oitivas já feitas daqueles diretamente envolvidos, foi atendido o fim da segregação temporária, sem embargo de outros elementos já de posse do i. Parquet federal que possam melhor delimitar o quadro probatório dos fatos aqui investigados”. Como se vê, a Polícia Federal, sem entrar no mérito de inocência e culpa, que é descabido nessa fase do inquérito, não vê razões para manter presos os dois, ainda que considere necessárias novas diligências. A PF diz claramente que não encontrou as evidências narradas por Dalton Avancini, ex-presidente da Camargo Corrêa — que fez delação premiada. O juiz não escolheu nem a leitura da Polícia Federal nem a da Ministério Público. Sua saída intermediária, por enquanto, foi prorrogar a prisão temporária da dupla por mais cinco dias, embora pareça tentado a concordar com o Ministério Público.
Escreveu Moro:
“Em princípio, diante do histórico de falsidade nessa investigação, é necessário apresentar mais do que eventuais contratos, mas também prova dos serviços de consultoria ou engenharia prestados, com, se possível, provas que possam atestar que não foram produzidos a posteriori”. Assim, segundo Moro, dado que há “muita falsidade nessa investigação”, cabe aos que estão em prisão temporária provar a sua inocência. Por Reinaldo Azevedo

O grave e o gravíssimo

José Eduardo Cardozo disse que considera grave a denúncia de Beatriz Catta Preta no Jornal Nacional. O Antagonista acha gravíssimo o ministro da Justiça atuar junto ao STJ para o tribunal conceder habeas corpus a Marcelo Odebrecht.

A integridade de Alberto Youssef

Os advogados de Alberto Youssef enviaram uma petição ao juiz Sergio Moro alegando que a sua “integridade física” corre risco caso seja levado à CPI da Petrobras. Eles pediram o cancelamento de da acareação com Paulo Roberto Costa, marcada para a próxima quinta-feira. Youssef já havia criticado a CPI que, segundo ele, aprovou requerimentos de um “pau mandado” de Eduardo Cunha para quebrar o sigilo de sua família. “(A CPI) não pode se perder, para distorcer o instituto com fins de politicagem de ocasião ou propósitos revanchistas. Nestas circunstâncias, o deslocamento de Alberto Youssef à capital federal compromete sua própria segurança, colocando em xeque sua integridade física e moral", dizem os advogados.

"Dentro de suas atribuições"

A Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público arquivou a reclamação disciplinar feita por Lula contra o procurador Valtan Timbó Mendes Furtado. Furtado instaurou um PIC para apurar tráfico de influência de Lula para a Odebrecht em obras financiadas pelo BNDES. O corregedor nacional do MP, Alessandro Tramujas, disse que não houve irregularidades nas deliberações do procurador. Ele “agiu dentro de suas atribuições”, de acordo com Tramujas.

Fernando Pimentel visita, Bené arrecada

Fernando Pimentel, em 17 de outubro de 2013, visitou a Caoa, uma concessionária da Hyundai que ganhou 218 milhões de reais do BNDES. Cinco dias depois, de acordo com documentos obtidos pela Época, a mesma Caoa repassou 240 mil reais a Bené, o tesoureiro clandestino de Fernando Pimentel. Os pagamentos prosseguiram por oito meses, totalizando 2,21 milhões de reais. A maior parte do dinheiro da Caoa foi recebida por Bené por meio de empresa de fachada Bridge: 1,46 milhão de reais. Diz a Época: “Essa empresa foi o primeiro foco da investigação da Polícia Federal, por ter sido usada para comprar um avião para Bené – o mesmo que foi alvo de uma batida policial em outubro do ano passado. O diretor é Ricardo Guedes. À Polícia Federal, ele disse que sabia apenas de um empreendimento, para a exploração de garimpo em Serra Pelada – nada a ver com as proezas tecnológicas contratadas pela Caoa”.

O predecessor de Bené

A reportagem da Época sobre os pagamentos da Caoa a Bené, o tesoureiro clandestino de Fernando Pimentel, esqueceu-se de dizer que a Caoa já havia sido denunciada pela própria Época por pagamentos altamente suspeitos a Antonio Palocci, em 2010, quando ele era coordenador da campanha de Dilma Rousseff, madrinha de Fernando Pimentel. Lembrando: “Em 1º de julho de 2010, já no auge de suas atividades na campanha, Palocci fechou um contrato com a Caoa. No papel, o petista foi contratado para ajudar o empresário Carlos Alberto Oliveira Andrade na avaliação de oportunidades de negócios com a China e na ampliação de produção de veículos. Conforme o próprio grupo Caoa admitiu, porém, as consultorias de Palocci não vingaram – nenhum acordo relevante foi fechado. Mesmo assim, o ex-ministro levou uma bolada. De julho a dezembro de 2010, ele recebeu da Caoa 4,5 milhões de reais”.

O milionário de Ibiza

Época: “As férias do senador petista Delcídio do Amaral em Ibiza, Espanha, realmente não estão nada fáceis. Depois de ter se envolvido num barraco na boate Pacha e chamado de 'ladrão' por brasileiros que estavam no local, desta vez ele também não teve sossego durante o almoço com a família no restaurante Juan Y Andrea, na ilha de Formentera, nos arredores de Ibiza, onde só se chega de barco ou lancha, e um grupo de brasileiros começou a tirar foto do político. O local é o preferido dos milionários em Ibiza”. 


"Ladrão!"

As contas pragmáticas de Lula

“Lula já faz seus cálculos ante um possível impeachment de Dilma... ou eventual renúncia. A familiares o cacique petista confessou estar arrependido de tê-la escolhido como pupila. Dilma revelou-se incontrolável, pouco competente e está destruindo sua ‘herança política’. ‘Eu errei feio. Poderia ter escolhido o Jaques Wagner ou qualquer outro’, diz. Para ele, a melhor solução é ‘Dilma sair logo’. Nessa equação, Michel Temer assume a Presidência com o compromisso de não disputar a reeleição em 2018. Até lá, Lula espera uma recuperação econômica que crie condições para voltar”.

Lava Jato investiga Mercadante

O antagonista Claudio Dantas publica na IstoÉ: “Outro provável foco de irregularidades na área sob controle de Othon Pinheiro da Silva é o projeto do submarino nuclear, o Prosub. Coube ao presidente da Eletronuclear a elaboração do projeto de aquisição de submarinos franceses. O pacote orçado em 28 bilhões de reais inclui a compra de quatro Scorpéne de propulsão a diesel e o desenvolvimento conjunto com a estatal DCNS de um modelo de propulsão nuclear, que será montado num estaleiro em Itaguaí, no Rio de Janeiro. A Odebrecht foi escolhida pela Marinha para construir o estaleiro, mas não houve licitação. Esse negócio foi conduzido por outro militar, o coronel Oswaldo Oliva Neto, irmão do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante. A investigação do Ministério Público Federal reúne indícios de que Oliva Neto possa ter atuado como operador de Mercadante, que ao assumir a pasta de Ciência e Tecnologia pressionou para a realização de uma nova licitação para Angra 3. Coronel reformado, Oliva Neto ocupou até 2007 o cargo de chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência. Desde então, ele reativou a Penta Prospectiva Estratégica e passou a prestar consultoria em todos os grandes projetos do governo do PT na área de defesa, não só na compra dos submarinos, mas dos helicópteros franceses EC-725 e em projetos da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Em 2010, Penta se uniu à Odebrecht Defesa e Tecnologia, criando a Copa Gestão em Defesa. Depois foi adquirida a Mectron, que igualmente firmou sem concorrência contrato com a Amazul Tecnologias de Defesa, estatal de projetos criada por Dilma para atuar no Prosub. A Lava Jato puxará agora o fio desse novelo que pode levar a identificar possível tráfico de influência de Mercadante e eventual uso da empresa de consultoria de seu irmão para recebimento de propina”.

Erenice Guerra no Eletrolão (e também no Petrolão e no Carfão)

Claudio Dantas, nosso repórter predileto, revela as conexões da turma de Dilma Rousseff com o Eletrolão: “Os investigadores já têm indícios de envolvimento de gente de confiança da petista. Há informações, por exemplo, de que boa parte dos contratos de equipamentos de Belo Monte era antes negociada num escritório de advocacia – ou lobby – abrigado num imponente edifício de linhas modernistas e fachada de concreto na quadra 8 do Lago Sul, bairro nobre de Brasília. O imóvel está situado a apenas uma quadra do escritório de advocacia de Erenice Guerra. E não é mero acaso. Além da ex-ministra de Dilma, segundo investigadores, também frequenta o local o advogado Joaquim Guilherme Pessoa e o empresário Marco Antonio Puig, ligado à empresa LWS envolvida numa investigação de fraudes em contratos de informática nos Correios. Puig teria relação com o diretor da Eletrobras Valter Cardeal, outro apadrinhado de Dilma. O consórcio construtor de Belo Monte é liderado pela Andrade Gutierrez em parceria com Odebrecht, Camargo Correa, Queiroz Galvão e OAS, as mesmas do clube do bilhão, além de outras cinco menores. A Polícia Federal sabe que no mesmo local também eram negociados projetos para captação de investimento de fundos de pensão e acertos para a anulação de multas fiscais no Carf, que já é alvo de outra operação. Erenice, dizem os investigadores, também atuou na comercialização de energia. Ela chegou a se associar informalmente ao ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau e ao lobista Alexandre Paes dos Santos no Instituto de Desenvolvimento de Estudos e Projetos Econômicos”. 

A POLÍCIA FEDERAL VAI BATER NA PORTA DO PALÁCIO DO PLANALTO

Claudio Dantas, na IstoÉ, mostra como o Eletrolão vai derrubar Dilma Rousseff: “Em julho de 2007, Dilma Rousseff reuniu alguns ministros num comitê que tinha como missão fixar novas metas para o programa nuclear brasileiro. Aficionada às questões do setor elétrico, Dilma puxou para si o papel de coordenadora do grupo. O trabalho resultou num plano que previa, dentre tantas metas ambiciosas, a conclusão das obras da usina nuclear de Angra 3, paralisadas nos anos 80. No comando operacional da empreitada estava o presidente da Eletronuclear, almirante Othon Pinheiro da Silva, que se tornou na semana passada o principal alvo da 16ª fase da Lava Jato. Embora o militar tenha surgido como a face mais visível do esquema, a PF tem elementos que podem fazer com que as investigações atinja outras personagens muito próximos da presidente Dilma. ‘É possível que a gente chegue aos políticos’, disse o delegado Igor Romario de Paula”. Chegar aos políticos é quase um eufemismo. Ao mergulhar no setor elétrico, a Polícia Federal vai bater na porta do Palácio do Planalto”.

Joesley e Lula com venezuelanos

Ontem, Wesley Batista, do JBS-Friboi, disse à BBC Brasil que mal conhecia Lula, que ele e seu irmão, Joesley, só o conheceram quando Lula já era ex-presidente. E, mesmo assim, superficialmente. Releiam o trecho que publicamos: "Lula foi presidente por oito anos. Só o encontrei uma vez nesse período, em uma reunião setorial no palácio, com 30 pessoas na sala, ministros, CEOs, etc. Não tenho certeza sobre meu irmão (Joesley Batista), mas acho que ele nunca encontrou o Lula quando ele era presidente. Fomos conhecê-lo depois, porque nos chamaram no Instituto Lula justamente para explicar isso (os rumores). Eles perguntaram: "Que diabos é isso? São vocês que estão falando isso?" Respondemos: "De jeito nenhum, presidente Lula, achamos isso um negócio sem pé nem cabeça". A superficialidade do relacionamento dos irmãos Wesley e Joesley com Lula pode ser verificada na foto abaixo. Joesley acompanhou Lula, ou foi acompanhado por ele, numa viagem de negócios à Venezuela. Lula é também lobista da JBS-Friboi? 


Joesley Batista, em frente a Lula, com hermanos. Lula é lobista do JBS-Friboi?

O elenco não muda

Sobre o eletrolão, Erenice Guerra, "a mulher da Dilma", é suspeita de ter feito lambanças na comercialização de energia. De acordo com a reportagem de Claudio Dantas, ela se associou informalmente a ao ex-ministro Silas Rondeau ao lobista Alexandre Paes dos Santos. Só para lembrar: o lobista Alexandre Paes dos Santos é aquele que andou fazendo negócios com Lulinha e, depois, teve de pagar indenização ao filho de Lula por ter dito à Veja que o rapaz era um "idiota", uma "decepção". O elenco não muda.

Eduardo Cunha determina que a Câmara dos Deputados abra processo contra a advogada Beatriz Catta Preta na Justiça


O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou que determinará à Procuradoria Parlamentar da Casa que acione a advogada Beatriz Catta Preta na Justiça. Será feita uma interpelação judicial para que a advogada esclareça que tipo de ameaça teria sofrido da CPI da Petrobras. Interpelações judiciais são medidas inócuas, no máximo poderiam ser consideradas preparatórias para uma ação judicial. “A sua acusação atinge a CPI como um todo e a Câmara como um todo, devendo ela esclarecer ou ser responsabilizada por isso. Determinarei a Procuradoria Parlamentar da Câmara que ingresse com a interpelação judicial semana que vem, independente da CPI”, afirmou Eduardo Cunha em sua conta no Twitter. Ele afirmou ainda ser uma obrigação da Câmara cobrar que Beatriz Catta Preta esclareça as ameaças. Será pedido que ela informe por meio da interpelação judicial que ameaças sofreu e quem foi o autor. Essa é mesmo uma obrigação, porque a advogada acusou de modo vago, impreciso, genérico, um órgão da Câmara dos Deputados e todos os seus membros. Beatriz Catta Preta anunciou que abandonou a advocacia, em entrevista ao Jornal Nacional da TV Globo, após supostamente ter recebido “ameaças veladas” da CPI. Ela tomou a decisão depois de ser convocada pela comissão e um de seus clientes, o lobista Júlio Camargo, ter alterado seu depoimento em delação premiada passando a acusar Eduardo Cunha de receber propina de US$ 5 milhões. O presidente da Câmara nega e afirma que Camargo foi pressionado pelo Ministério Público Federal a mudar o depoimento e acusá-lo. Eduardo Cunha também usou sua conta no Twitter para questionar as afirmações do governo sobre uma “pauta bomba” que estaria sendo preparada por ele no Congresso para a volta do recesso parlamentar, a partir da próxima semana. Eduardo Cunha afirmou que a pauta é definida com os líderes partidários e afirmou que o Congresso não pode ser culpado pela crise econômica fazendo críticas ao governo por não ter cortado gastos. “Não é culpa do Congresso a paralisia da economia, a recessão, os juros elevados e a queda de arrecadação pela situação de descontrole. O governo não cortou gastos, só reduziu os investimentos e poderia ter reduzido ministérios e os cargos de confiança da sua máquina. Mesmo que a economia disso não fosse tão significante, o exemplo seria um importante sinal para a sociedade”, escreveu. Eduardo Cunha disse ter consciência do momento de crise econômica e pautar sua atuação por posições contrárias ao aumento de gastos públicos. Afirmou que foi definida com os líderes a pauta das próximas semanas, que incluem a mudança no índice de correção do FGTS e a proposta que dá autonomia à defensoria pública, propostas que são vistas pelo governo como negativas por ampliarem os gastos. “A tentativa de colocar nas minhas costas uma chamada pauta bomba para prejudicar as contas públicas não tem o menor sentido”, disse. “Todas as matérias são levadas antes ao colégio de líderes” complementou. Eduardo Cunha afirmou que como presidente não vota nas matérias e ressaltou que no caso do reajuste do Judiciário, vetado por Dilma, não houve nem votação em plenário porque o governo não recorreu da derrota sofrida na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. 

sexta-feira, 31 de julho de 2015

A preventiva do almirante

Os procuradores da Lava Jato pediram a prisão preventiva do almirante Othon Luiz Pinheiro ao juiz Sérgio Moro. Eles afirmam que Pinheiro não conseguiu comprovar serviços prestados por sua empresa, a Aratec, que justifiquem os pagamentos de 4,5 milhões de reais recebidos pelas empreiteiras.

A verdade

As delações premiadas estão sendo motivadas pelo excelente trabalho de investigação do Ministério Público Federal e da Polícia Federal e pelas penas duras que o juiz Sergio Moro está impondo aos corruptos que optam pelo silêncio. Atribuí-las às prisões preventivas é faltar com a verdade.

CPI mantém convocação de Catta Preta. Faz bem! Eu era contra até ontem; agora, sou a favor. E explico, como sempre, por quê

Eu me opunha à convocação da doutora Beatriz Catta Preta pela CPI da Petrobras até ontem. Depois da entrevista que ela concedeu ao Jornal Nacional, passei a ser a favor. Eu não quero que ela vá lá revelar o valor dos seus serviços. Também não lhe cabe dizer a origem do dinheiro daqueles que pagam seus honorários. Não é a ela que cabe fazer esse tipo de investigação. O Estado dispõe de instrumentos para isso. Agora, eu quero que a doutora Beatriz vá à CPI para dizer quem a ameaçou e de que modo. Lembrando sempre que um advogado não dispõe de prerrogativas para fazer falso comunicado de crime. A CPI manteve a convocação da doutora e fez muito bem. Dado o novo contexto, a OAB deveria aprová-la, em vez de tentar obstá-la. Na entrevista eivada de absurdos concedida ao Jornal Nacional, a doutora disse com todas as letras, nesta quinta-feira: “Depois de tudo que está acontecendo, e por zelar pela segurança da minha família, dos meus filhos, eu decidi encerrar a minha carreira na advocacia. Eu fechei o escritório”. Em seguida, pergunta-lhe o repórter César Tralli: “A senhora consegue identificar de onde vem essa intimidação que a senhora enxerga tão claramente hoje?”. E ela responde: “Vem dos integrantes da CPI, daqueles que votaram a favor da minha convocação”. Raramente ou nunca, estivemos diante de um absurdo de tal natureza, de tal monta. A doutora Beatriz está dizendo, sim, que está fechando o escritório e mudando de profissão, pensando na segurança de sua família, e as intimidações — que são, então, ameaças — estariam partindo de membros da CPI. Só porque ela foi convocada? Não é possível. A doutora Beatriz tem de ir à CPI para dizer quem, na comissão, a ameaça e por que uma simples convocação pode ser caracterizada como um molestamento até a sua família. Isso nada tem a ver com sigilo no exercício da profissão. Igualmente considero fora do sigilo uma questão que me parece elementar. Se Julio Camargo fala a verdade agora, quando diz que Eduardo Cunha (PMDB-RJ) recebeu US$ 5 milhões de propina, então mentia antes, quando negava. A pergunta é óbvia: ele mentira também para a advogada ou ambos mentiam, unidos, para a Justiça? Não tem jeito. Doutora Beatriz e a OAB têm de ter clareza quando as coisas ultrapassam o limite do aceitável. Se há deputados na CPI que fazem ameaças, eles precisam ser denunciados e banidos da vida pública. E ela terá a chance de anunciar seus nomes em rede nacional. Todos estaremos atentos. Se não foi ameaça dessa ordem, mas, como ela disse, uma coisa indireta, que, ainda assim, revele como se deu. Eu tenho curiosidades que, espero, também estejam na mente dos deputados, e nenhuma delas tem a ver com sigilo profissional ou com especulações sobre a origem dos ganhos da advogada. EMBORA, ATENÇÃO, TUDO LHE POSSA SER INDAGADO. ELA NÃO É OBRIGADA A RESPONDER O QUE FIRA O CÓDIGO DE SUA PROFISSÃO. ESTÁ LÁ RESGUARDADA POR DECISÃO DO SUPREMO.
1 – A primeira questão é aquela já anunciada: Camargo mentiu para ela, ou ambos mentiram para a Corte?
2 – Dê exemplo de uma ameaça que a senhora ou sua família tenham sofrido.
3 – Em tempos de WhatsApp, e-mail, comunicação online, por que a senhora não desmentiu desde o primeiro dia a pretensão de se mudar para a Miami?
4 – Por que a senhora usou o verbo “fugir” para se referir à possível mudança para os EUA? A senhora fugiria de quem?
5 – A senhora não considera um despropósito abandonar a profissão em razão de ameaças que a senhora mesma diz terem sido indiretas?
6 – Não pergunto sobre nenhum caso em particular, mas em tese: na sua experiência profissional, diria que um delator premiado deve ter direito a quantas versões?
7 – Um advogado que cuida de várias delações premiadas não pode acabar cuidando das várias versões, de modo a evitar contradições entre elas?
8 – Procedem os comentários que circulam nos meios jurídicos segundo os quais a senhora é uma espécie de quarto elemento da força-tarefa?
9 – A senhora era vista até a semana retrasada como uma aliada e uma amiga do Ministério Público. A senhora tem receio de que isso possa mudar?
10 – Digamos que a senhora estivesse desgostosa com a Lava Jato e deixasse os clientes. Mas por que deixar a profissão? O que a impediria de exercê-la em outros casos? Os descontentes com a operação a perseguiriam até em outros processos?
11 – Como uma pessoa acostumada a defender pessoas, a senhora acha que faz sentido o ataque dirigido à CPI?
12 – A senhora reconhece a legitimidade do Congresso Nacional e das Comissões Parlamentares de Inquérito?
13 – A senhora tem ciência se, em algum momento, clientes a procuraram por indicação de algum membro da força-tarefa? Se isso acontecesse, seria ético, na sua opinião?
14 – A senhora teve alguma relação com o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) antes desse episódio?
15 – Por que a senhora acha que se fizeram especulações só sobre seus honorários, não sobre o de outros, que também cuidaram de delações premiadas?
16 – Antes de a senhora tomar a drástica decisão que tomou, foi procurada por algum emissário de Eduardo Cunha para alguma conversa?
17 – Seu marido participa, de algum modo, da conversa ou da abordagem dos acusados que a procuram para fazer delações?
18 – Com o apoio da imprensa, da OAB e até de ministros da STF, a senhora não acha que há certo exagero em aparecer como vítima de uma CPI?
19 – O que a senhora acha que deve acontecer com alguém que, sendo beneficiário da delação premiada, mente?
20 – A senhora pretende dar início à carreira de roteirista?
Por Reinaldo Azevedo

LEILÃO DA BACIA DE PELOTAS PODE RENDER ATÉ R$ 1,8 BILHÃO


Se os 51 blocos da Bacia de Pelotas, licitados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), forem arrematados pelo valor mínimo, serão arrecadados R$ 500 milhões. Considerando que os investimentos para exploração devem ser superiores a R$ 1,3 bilhão, serão aportados, no mínimo, R$ 1,8 bilhão. A estimativa é da diretora geral da ANP, Magda Chambriard, que se reuniu com o vice-governador José Paulo Cairoli nesta quinta-feira no Palácio Piratini. Chambriard afirmou que 21 empresas já se habilitaram e destas, a metade são grandes empresas nacionais, com participação de mais de oito países. A executiva esteve no Rio Grande do Sul anunciando a 13ª Rodada de Licitações da ANP, prevista para 7 de outubro, que oferecerá 266 blocos em 22 setores de 10 bacias sedimentares, num total de aproximadamente 125 mil quilômetros quadrados, localizados em dez estados brasileiros. No Rio Grande do Sul serão 51 bacias, consideradas novas fronteiras. Em terra serão oferecidos sete blocos na Bacia do Amazonas e 22 na do Parnaíba, consideradas como novas fronteiras, com vocação para gás natural. Em bacias maduras, foram incluídos 71 blocos na Bacia Potiguar e 82 na do Recôncavo. O total de blocos terrestres é de 182. Blocos no mar, a rodada vai oferecer áreas em bacias sedimentares da margem leste brasileira. Na Região Nordeste, serão 10 blocos na Bacia de Sergipe-Alagoas, quatro na de Jacuípe e nove na de Camamu-Almada. Na Região Sudeste, foram incluídos sete blocos na Bacia do Espírito Santo e três na de Campos. Na Região Sul, 51 blocos na Bacia de Pelotas. O total de blocos marítimos é 84. A ANP continua com a estratégia de diversificar áreas exploratórias no país, além de atrair empresas de diferentes perfis.

SARTORI MANDA PAGAR APENAS R$ 2.150,00 POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO DO EXECUTIVO

Os funcionários e servidores públicos estaduais do Executivo que consultaram seus extratos de conta corrente nesta manhã, constataram que a secretaria da Fazenda depositou apenas R$ 2.150,00 como pagamento parcial de salários. O governo ainda não anunciou nada, mas fará isto a qualquer momento, quando deverá anunciar de que modo pagará o restante da folha. Os funcionários e servidores do Legislativo, Executivo e Ministério Público receberam seus salários integrais.

Desconstruindo Beatriz Catta Preta 1: uma história da carochinha. Ou: Quem será a Beatriz de Beatriz? Ou ainda: A quem ela anunciou que não vai fugir?

Vamos lá. Começo pelo óbvio e não mudei de idéia: continuo a me opor à convocação da doutora Beatriz Catta Preta pela CPI da Petrobras porque acho que isso abre a porta para relativizar o direito de defesa. E fui o primeiro na grande imprensa a me insurgir contra isso. Como me insurgi contra a tentativa de transformar Dora Cavalcanti em ré. Mas daí a acreditar no conteúdo da entrevista de Beatriz, concedida a Cesar Tralli, que foi ao ar no Jornal Nacional desta quinta, vai uma diferença abissal. A criminalista Beatriz poderá procurar com lupa nos meus posts uma só acusação contra ela. Não haverá. Não é do meu feitio. Não sou procurador, delegado ou juiz. Eu lido com a lógica e com os fatos que apuro. Não acreditei em uma palavra do que ela disse. Nada! E esse é um direito que eu tenho. E não acreditei porque a sua narrativa é um apanhado de absurdos e de despropósitos. Mais: serve para demonizar a CPI da Petrobras — e, por consequência, o Congresso. Quer dizer que doutora Beatriz acha um absurdo falar a uma CPI, mas pensa ser razoável jogar acusações ao vento no Jornal Nacional? Antes que avance: tudo certo com a entrevista de Cesar Tralli. Fez boas perguntas, não todas as boas que poderia, e, a meu juízo, intencionalmente ou não, contribuiu para revelar o que acho ser peça de ficção. De saída, eu tenho uma questão para a doutora Beatriz. Se ela quiser responder, publico. É um dos pontos centrais do imbróglio. Se Julio Camargo, seu ex-cliente, falou a verdade quando afirmou ter pagado US$ 5 milhões em propina ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, então esse mesmo Camargo mentiu nos depoimentos iniciais, já sob delação premiada. Doutora Beatriz, me conte: ele mentiu para a senhora ou vocês dois mentiram para a Corte? Essa resposta precisa ser dada, não é mesmo? Eu sou muito atento à linguagem. Eu tenho apreço pelo sentido das palavras. Tralli quis saber por que Camargo negava antes o pagamento de propina a Cunha e só o admitiu depois. Ela respondeu: “Receio. Ele tinha medo de chegar ao presidente da Câmara”. E pergunta o JN: “E por que ele muda de ideia? O que o faz mudar de ideia?”. Aí Beatriz dá a resposta impossível, leiam: “A colaboração dele, a fidelidade, a fidedignidade da colaboração, o fato de que um colaborador não pode omitir fatos, não pode mentir, o levaram então a assumir o risco. Aquele risco que ele temia, e levar todos os fatos então à Procuradoria-Geral da República”. Entendi. O medo fez Camargo mentir. E uma súbita coragem, saída sabe-se lá de onde, o fez falar a verdade? É nesse ponto que caberia e cabe a pergunta que não quer calar: “A senhora sabia que ele estava mentindo?” A propósito: quem mente por medo uma vez não pode mentir uma segunda em razão de um medo ainda maior? Pergunta agora ao mundo jurídico: uma delação premiada pode ser um “work in progress”? Um advogado acerta os termos de uma delação premiada ou de uma conta de chegada, alterando a narrativa ao sabor dos ventos e da metafísica influente? É assim que se faz no resto do mundo? Ninguém precisa me responder. Eu sei a resposta. Não é.
O verbo “fugir”
Doutora Beatriz estava logo ali, em Miami. Como diria Gilberto Gil na excelente música “Parabolicamará”, para ela mandar uma mensagem ao Brasil, leva “o tempo que levava a Rosa para ajeitar o balaio, quando sentia que o balaio ia escorregar”. Deixou que prosperasse por aqui a informação de que havia fechado o escritório, que se mudaria para aquela cidade americana, de que trabalharia lá, onde tem (ou tinha?) um escritório. E nada de desmentido. Ao contrário: foram se acumulando os boatos de que teria sido ameaçada por Cunha etc. — versão que ela endossa, ainda que de forma enviesada. Bastou que começassem a surgir por aqui notícias sobre a sua impressionante proximidade com a força-tarefa de Curitiba, sobre o modo como trabalharia alinhada com o Ministério Público — de sorte que seu escritório é chamado por alguns de “anexo da força-tarefa” — e sobre a abordagem algo heterodoxa que seu marido faz com os clientes, e ela decide desmentir, então, a informação de que deixaria o País, o que poderia ter feito logo no primeiro dia. E, ora vejam, a primeira pergunta feita a ela — o que pode ser parte da combinação para conceder a entrevista (e não há mal nenhum nisso!) — é esta: “A senhora está morando em Miami?”.
E ela responde:
“De forma alguma. Eu saí de férias. Aliás, eu costumo sair de férias e viajar pra lá, sempre que os meus filhos estão em período de férias escolares. Nunca cogitei sair do país, ou fugir do país como está sendo dito na imprensa". Foi ela quem usou o verbo “fugir”, não a imprensa. Fiquei com a impressão, e tenho o direito de tê-la, de que ela está mandando um recado a alguém — alguéns?: “Não vou fugir!”. Fugir de quê? Ela é uma penalista. Conhece o peso dessa palavra. Certamente não está dizendo a seus supostos perseguidores “que não vai fugir”, certo? Ademais, desde que com os devidos papéis, não há nada de errado em morar em Miami, especialmente alguém que se diz sob perseguição. A negativa não precisa de ênfase. Beatriz é incapaz de dizer que tipo de ameaça sofreu. Afirmou: “Não recebi ameaças de morte, não recebi ameaças diretas, mas elas vêm de forma velada. Elas vêm cifradas”. Certo! E isso fez, meus caros, atenção, com que ela desistisse não só dos clientes: BEATRIZ USOU O JORNAL NACIONAL PARA ANUNCIAR QUE ESTÁ DEIXANDO A ADVOCACIA! Também nesse caso, pareceu-me um recado: “Ok, pessoal, estou fora dessa profissão. E não vou fugir”. Sugiro a Beatriz que arrume uma Beatriz em benefício de uma narrativa mais verossímil. Por Reinaldo Azevedo

Desconstruindo Beatriz Catta Preta 2: Demonizando Cunha e a CPI da Petrobras. Ou: Direito de Defesa e justas prerrogativas não justificam ataque ao Congresso

No despacho em que autorizou Beatriz Catta Preta a não responder a perguntas na CPI que digam respeito ao sigilo profissional — e essa é uma garantia que tem de ser mantida —, escreveu Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo: “Com efeito, para se preservar a rigidez do devido processo legal, e, em especial, o equilíbrio constitucional entre o Estado-acusador e a defesa, é inadmissível que autoridades com poderes investigativos desbordem de suas atribuições para transformar defensores em investigados, subvertendo a ordem jurídica. São, pois, ilegais quaisquer incursões investigativas sobre a origem de honorários advocatícios, quando, no exercício regular da profissão, houver efetiva prestação do serviço”. Nada a objetar. Mas eu lamento a ligeireza — e, agora a doutora há de entender a dureza, vinda de um discípulo de Montesquieu — com que ela dispensou à CPI da Petrobras o tratamento de antro de bandidos. Pode ser vício profissional. Sua profissão a obriga a ficar perto deles, e ela pode ter confundido as coisas. O direito de defesa e as prerrogativas de um advogado não dão a ninguém licença para enxovalhar uma instituição chamada Congresso Nacional. Perguntou Cesar Tralli: “A senhora consegue identificar de onde vem essa intimidação que a senhora enxerga tão claramente hoje?”. E ela responde: “Vem dos integrantes da CPI, daqueles que votaram a favor da minha convocação”. Aí, não! Aí a doutora foi longe demais. Revejam o releiam a entrevista. Está aqui. Ela não está apontando uma simples pressão ou, sei lá, uma intimidação quase burocrática. Não! Ela disse com todas as letras: “Depois de tudo que está acontecendo, e por zelar pela segurança da minha família, dos meus filhos, eu decidi encerrar a minha carreira na advocacia. Eu fechei o escritório”. As palavras, reitero, fazem sentido. No discurso da doutora, a sua família está sob ameaça, e a intimidação “vem dos integrantes da CPI”. Calma lá! Estamos falando de um instrumento legítimo de investigação do Poder Legislativo, suprapartidário, submetido ao escrutínio público muito mais do que os acordos de delação premiada, não é mesmo? Ou estou enganado? Então um dos Poderes da República, numa de suas tarefas mais importantes — comissões de inquérito —, passará a ser tratado agora como ameaça? O País derrubou um presidente da República depois de CPI; já investigou narcotraficantes; máfias disso e daquilo… Nunca vi advogados desistirem não apenas da causa, mas também da carreira porque… AMEAÇADOS POR DEPUTADOS!!! Com a devida vênia, doutora… Desiste da profissão quem se desilude — e não me parece que alguém especializado em delações premiadas faça o gênero desiludido — ou quem não pode exercê-la em razão de algum óbice de natureza ética conhecido ou por conhecer. Não é o caso, certo? Nem que fosse para advogar em favor de ONGs de criancinhas pobres, sei lá…, que sentido faz abandonar a advocacia só porque foi convocada por uma CPI? O Brasil não é a Coréia do Norte. O Brasil não é a Venezuela. O Brasil não é Cuba. O Brasil não é a China. Eu mesmo escrevi aqui contra a convocação. A OAB se insurgiu contra ela. Lewandowski se manifestou com dureza. É o caso de emprestar a essa decisão o peso de uma grande conspiração que se passa nas sombras — que, obviamente, teria Eduardo Cunha como personagem ausente, mas muito presente? Ora… O fato de ele ser o malvado predileto da imprensa, creio, não leva jornalistas a engolir qualquer coisa. Ainda que boa parte dos que cobrem a Lava Jato o faça com muita convicção e pouca Constituição. Tralli fez a câmera dar um giro pelas amplas salas, em região nobre de São Paulo, agora vazias, que abrigavam o escritório de Beatriz. Tudo desmontado a toque de caixa, sumariamente, sem hesitação. Engraçado… Pensei comigo: é um modelo de negócio chegando ao fim. Qual negócio? Ora, as delações premiadas que ali se celebravam. Pensei em Julio Camargo. Se ele receber um prêmio, premiar-se-á necessariamente também a mentira. Afinal, ou mentia antes, ao tempo em que, segundo diz sua defensora, tinha medo de Cunha, ou mente agora, quando não tem mais medo — não de Cunha ao menos… Antonio Fernando de Souza, o procurador-geral da República da primeira fase do Mensalão e hoje advogado de Cunha, foi duro com a entrevista. Chamou-a de “coisa montada”. E, contestando Beatriz, disse ter a certeza de que não existe prova nenhuma que ligue seu cliente a irregularidades. Hugo Motta (PMDB-PB), presidente da CPI, afirmou que a convocação foi suprapartidária. Os advogados conhecem o que penso — só neste blog, há nove anos. Jamais condescendi, e assim é desde que entrei na profissão, com qualquer agressão ao direito de defesa, pouco importando a ideologia do acusado ou do réu ou sua condição econômica — pedreiro ou empreiteiro. Esse ou aquele reclamam. Não posso fazer nada. Como já disse, eu não combato os petralhas só porque eles são eles. Eu combato também os seus métodos. Defendo as prerrogativas de Beatriz e de qualquer outro defensor. Mas não dá para silenciar diante de uma entrevista que vai bem além das raias do absurdo. Eu continuo querendo saber por que doutora Beatriz Catta Preta deixou os clientes e abandonou a advocacia. Eu quero agora saber a quem, segundo entendi, ela estava enviando o recado, dizendo que não vai fugir. Eu quero saber se, dada a primeira versão de Camargo, que ela agora diz ser falsa, ele mentia para ela ou os dois mentiam para o Ministério Público e para a Justiça. Por Reinaldo Azevedo

Justiça aceita denúncia do MPF contra os controladores da Laep

Marcus Elias: denunciado
Marcus Elias: denunciado
A Justiça Federal em São Paulo aceitou a denúncia feita pelo Ministério Público Federal contra os controladores da Laep Investments por crimes contra o mercado de capitais e sistema financeiro, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A lista de indiciados é encabeçada por Marcus Elias. Ele e os outros controladores da Laep são acusados de causar um prejuízo de 2,5 bilhões de reais aos investidores e foram proibidos de continuar a atuar no mercado de capitais até o julgamento da ação. Por Lauro Jardim

"Ameaças veladas"

Beatriz Catta Preta ao JN:
- "Saí de férias, jamais cogitei sair do país" (negando que tenha se mudado para Miami);
- "Por zelar pela segurança da minha família, resolvi encerrar a minha carreira";
- "Não recebi ameaças diretas, mas veladas" (sobre integrantes da CPI da Petrobras);
- "Aumentou essa pressão, essa tentativa de intimidação" (sobre a convocação para a CPI da Petrobras, depois da delação de Júlio Camargo);
- "Ele tinha receio de falar tudo" (explicando o motivo pelo qual Júlio Camargo não delatou Eduardo Cunha nos primeiros depoimentos).
A advogada, embora não tenha citado nomes, aponta o dedo para o presidente da Câmara e os seus paus-mandados. Mônica Bergamo ficou empolgada porque deve achar que o PT tem a ganhar com isso. Não tem. O Antagonista trará outros aspectos dessa história no devido momento.