segunda-feira, 6 de julho de 2015

PMDB SONDA ‘GOVERNO TEMER’ E PSDB TOPA

A alta cúpula do PMDB procurou partidos de oposição, como o PSDB, para uma “consulta” que ilustra o declínio do governo Dilma: sondam sobre a posse, em definitivo, do vice Michel Temer. Tucanos reagiram bem: “melhor do que está agora”, disse um cacique. Peemedebistas já argumentam abertamente que o atual governo do PT “acabou” e que o País precisa encontrar uma saída para a crise de governabilidade. Com as sondagens, o PMDB pretende blindar Michel Temer diante de eventual impeachment de Dilma ou mesmo se ela renunciar ao cargo. O argumento é que Dilma pode cair por impeachment ou renúncia. “É uma absoluta inaptidão para governar”, diz um alto cacique do PMDB. Dilma pode sair do cargo pela via judicial: ministros do TSE avaliam denúncia de financiamento de sua campanha com dinheiro roubado. O rompimento do PMDB com o PT, defendido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, pode ser a “pá de cal” do governo Dilma.

domingo, 5 de julho de 2015

Empresário dono do Schahin acusa Eduardo Cunha de esquema de corrupção nas suas empresas


Dono de um conglomerado citado na Operação Lava-Jato como integrante de um esquema de pagamento de propina na Petrobras e sob crise financeira, o presidente do grupo Schahin, Milton Schahin, decidiu falar. Ele recebeu O GLOBO em seu escritório na Avenida Paulista, em São Paulo e, sem rodeios, afirmou que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), vem patrocinando um esquema de perseguição às suas empresas. A ação, segundo ele, é capitaneada pelo empresário Lúcio Bolonha Funaro, com suporte de um grupo de parlamentares ligados a Cunha. O presidente da Câmara nega qualquer interferência no episódio. Cunha morou num flat em Brasília que era de propriedade de Funaro. Este, por sua vez, afirmou que trata do assunto apenas com a polícia e o Poder Judiciário. No entanto, admitiu que procurou parlamentares para denunciar o grupo Schahin. Para Schahin, é o poder político de Cunha que tem permitido a Funaro, seu principal desafeto, acionar a metralhadora giratória contra as atividades das empresas do grupo. O cerco teria começado há sete anos e, segundo ele, está agora se repetindo na CPI da Petrobras. Na Câmara, há registros de uma sucessão de requerimentos apresentados por parlamentares ligados a Cunha relacionados ao grupo Schahin. Questionado sobre o motivo de tantos pedidos de informações e investigação apresentados na CPI contra suas empresas, Milton responde: "Vejo como pura sacanagem do Funaro. Agora você me pergunta: como o Funaro pode ter tanta força? Porque o Eduardo Cunha está por trás. Temos uma pendência muito grande com Funaro, e a ligação de Cunha com ele é muito conhecida". E prossegue: "O que é estranho é a Câmara se meter na briga entre duas empresas. O que deputados têm a ver com uma disputa judicial entre empresas?" A briga com Funaro data de 2008. A construtora Schahin foi contratada para construir a pequena central hidrelétrica (PCH) de Apertadinho, em Rondônia. Formou um consórcio com a EIT. Quando entregou a obra, a barragem rompeu, causando danos ambientais e obrigando cerca de 200 famílias a deixarem suas casas de forma preventiva. O acidente causou uma longa briga judicial. Funaro, que representava a empresa Gallway, contratante do empreendimento, teria, na versão de Milton Schahin, prontificado-se a mudar a seguradora da obra, ainda quando o serviço estava sendo executado. A seguradora foi alterada, mas, segundo Schahin, o seguro não foi pago — informação contestada por Funaro. Com o rompimento da barragem, Funaro foi cobrar a Schahin pelo prejuízo. A empreiteira alega que a causa do acidente foram falhas no projeto, fora da responsabilidade dela. Teve início uma disputa judicial que, segundo cálculos do próprio Funaro, está acima de R$ 1 bilhão. Além do apartamento de Brasília, uma ligação de Cunha com Funaro é o ex-presidente da Cedae Lutero de Castro Cardoso, que ocupou o cargo por influência de Cunha. Cardoso assessorou a Gallway, que lucraria com a hidrelétrica de Apertadinho e da qual Funaro se apresentava como representante. "Funaro entrou na Justiça contra a Schahin. Estranhamente, começaram a surgir iniciativas de deputados ligados a Eduardo Cunha para constranger, intimidar a Schahin. Passamos a ser chamados para prestar esclarecimentos em diversas comissões. Aí entra Eduardo Cunha e alguns interesses. Simultaneamente, eles, Cunha e Funaro, abrem o flanco, e Lúcio Funaro abre ação judicial na Petrobras para bloquear nossas contas. Levantamento na base de dados da Câmara demonstrou que já foram apresentadas 33 proposições contra o grupo, o primeiro em 2008, dois meses após o acidente em Rondônia. São requerimentos diversos, a maioria apresentada na Comissão de Finanças e Tributação: esclarecimentos sobre a venda do banco Schahin para o BMG, investigação dos contratos firmados pela Petrobras com subsidiárias do grupo, como a EIT, Soratu Drilling, Bearfield Drilling, Riskle Holdins, Casablanca Internacional e South Empire, contratos em obra de gasoduto. O que há em comum em todos os requerimentos: eles são assinados por cinco políticos que eram deputados na época, todos do círculo de convivência política de Cunha: Solange Almeida, Nelson Bornier, Alexandre Santos, João Magalhães, todos do PMDB, e Carlos William (PTC-MG). Apesar de a hidrelétrica em questão ser em Rondônia, a maioria dos parlamentares que pediu investigação do projeto é do Rio. Solange pediu a convocação dos envolvidos na Comissão de Seguridade Social e Família. A então deputada usou como justificativa prejuízos de famílias atingidas pela barragem. Ela é uma antiga aliada de Cunha, a quem apoiou na campanha de 2014, quando já havia se tornado prefeita de Rio Bonito (RJ). Em março deste ano, O GLOBO revelou dois requerimentos da Câmara assinados por Solange que reforçam acusações do doleiro Alberto Youssef contra Eduardo Cunha. Em delação premiada, ele afirmou que Cunha era um dos beneficiários de propinas relacionadas a um contrato de aluguel de um navio-plataforma da Samsung e da Mitsui, que teria como representante no Brasil o executivo Júlio Camargo, outro investigado na Lava-Jato que se tornou delator em troca de redução de pena. Nos requerimentos da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, Solange pressiona publicamente a Mitsui e Camargo. O motivo, segundo o doleiro, seria uma suposta pressão para que as empresas retomassem o repasse de propinas que havia sido interrompido. Apesar de ter negado qualquer relação com o episódio, Cunha figura nos registros da Câmara como “autor” dos arquivos em que foram redigidos os dois requerimentos. Registros do sistema de informática da Câmara foram requeridos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que lidera o inquérito aberto contra Cunha no âmbito da Lava-Jato, autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No fim de maio, quando os irmãos Schahin foram convocados a prestar depoimento na CPI da Petrobras, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) indagou Milton Schahin sobre o episódio da convocação dele por Solange. O empresário preferiu ficar em silêncio. Ao GLOBO, disse que, desde o episódio de Apertadinho, vem sendo pressionado a fazer um acordo com Funaro. Perguntado por que não fechou um acordo, disse: "Por que vou fazer negócio com bandido?" Desde o rompimento da barragem da hidrelétrica de Apertadinho, em Vilhena, Rondônia, em 9 de janeiro de 2008, o grupo Schahin foi alvo de mais de 30 iniciativas de deputados ligados ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Foram diversos tipos de ações em comissões da Casa, de requerimentos de informação a pedidos de investigação e até um capítulo inteiro dedicado à empresa na CPI destinada a investigar a formação de tarifas de energia elétrica, setor no qual o grupo não atua. Na atual CPI da Petrobras, há vários pedidos de investigação contra o grupo, além da quebra de sigilos fiscal, bancário e telefônico, e até um pedido de busca e apreensão nos escritórios da companhia, que não foi atendido pela Policia Federal. O deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), outro aliado de Cunha, é dos mais ativos nesse sentido. Alguns requerimentos não têm a ver com o objetivo da CPI, que é apurar superfaturamentos e pagamentos de propinas na petroleira. Na CPI da tarifa elétrica, em 2009, o relator Alexandre Santos (PMDB-RJ) incluiu um capítulo sobre Apertadinho no documento final. Quando apresentou requerimentos, alguns parlamentares se insurgiram. Foi o caso de Arnaldo Jardim (PPS-SP), engenheiro, para quem a construção de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH), obra realizada pelo consórcio Schahin-EIT em Apertadinho, nada tinha a ver com o objeto da CPI. Ele lembrou que as PCHs pouco influem na tarifa elétrica cobrada país afora. Sua opinião foi desconsiderada. Essa mesma contrariedade foi manifestada em 2011 pelo então deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) e por Vanderlei Macris (PSDB-SP) durante audiência pública convocada por Nelson Bornier (PMDB-RJ) para discutir na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara supostas irregularidades na compra do banco Schahin pelo BMG. Entre os convidados estavam, além do presidente do banco, Carlos Eduardo Schahin (que não compareceu), Lúcio Bolonha Funaro, que se apresentou como presidente da Royster S/A, empresa que, segundo a Receita Federal, atua na área de administração de fundos por contratos ou comissões. O então deputado Carlos William (PTC-MG) foi um dos mais atuantes sobre esse caso na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. Ele subiu à tribuna para criticar a atuação da Schahin, apresentou pedido de investigação dos contratos firmados entre a Petrobras e subsidiárias da empreiteira, além de solicitar que o Tribunal de Contas da União examinasse documentos suspeitos envolvendo o grupo. Durante participação na comissão, Funaro discorreu sobre Apertadinho. Devanir e Macris reclamaram que a obra em Vilhena nada tinha a ver com a venda de um banco. Mas Alexandre Santos, que conduzia os trabalhos, alegou que o convidado dispunha de 20 minutos para abordar qualquer tema. Este ano, na CPI da Petrobras, Altineu Côrtes (PR-RJ), sub-relator para apurar suposto superfaturamento na construção de refinarias, voltou a apresentar requerimentos de informação usados no passado contra a empresa. O conglomerado Schahin está se desconstruindo. Fundado em 1966, chegou a ter 10 mil funcionários. Agora, tem menos de mil. Na sede da empresa, na Avenida Paulista, em São Paulo, trabalhavam 300 profissionais. Hoje, não chegam a 30, de acordo com o presidente do grupo, Milton Schahin. Em abril deste ano, depois que a Operação Lava-Jato chegou à Schahin, o grupo pediu recuperação judicial para 28 empresas do conglomerado. O processo envolve um passivo de R$ 6,5 bilhões. Na semana passada, outra solicitação no mesmo sentido, desta vez para a subsidiária de petróleo e gás. 

JUIZ SERGIO MORO LIDERA UMA REVOLUÇÃO NO COMBATE À CORRUPÇÃO NO BRASIL.

O avanço irrefreável da Lava Jato desloca o centro de poder de Brasília para Curitiba, contam na edição deste final da revista Época os repórteres Thiago Brozatto, Leandro Loyola e Diego Escostoguy. Leia tudo, porque vale a pena:
Nas noites dos últimos dias, o juiz federal Sérgio Fernando Moro, da 13a Vara Federal de Curitiba, após botar os filhos para dormir e checar os últimos e-mails do dia, dedicava-se, quando ainda tinha forças, à leitura de uma coletânea de artigos sobre os 20 anos da Operação Mãos Limpas. A megainvestigação logrou o que parecia impossível: expurgar do Estado italiano organizações mafiosas centenárias. Os acertos - e os erros - dos juízes italianos ajudavam Moro a refletir sobre as melhores estratégias para conduzir a Operação Lava Jato. Como fechar os casos ainda em aberto e, ademais, como avançar naqueles que se avizinham rapidamente? Nas mesmas noites, não muito longe da casa do juiz, mas no frio da carceragem da Polícia Federal em Curitiba, para onde fora transferido, dividindo cela com o doleiro Alberto Youssef, Nestor Cerveró, o ex-diretor internacional da Petrobras condenado a cinco anos de prisão por Moro, tinha ataques de pânico. Pressionado pela família, especialmente pelo filho, Cerveró cedeu. Resolveu cojitar o que sabe, como apostavam Moro e os procuradores da força-tarefa da Lava Jato. E Cerveró sabe muito. Cerveró chamou os procuradores e, à revelia de seu advogado, começou a negociar os termos para se tornar o 20º delator da Lava Jato. Segundo políticos, empresários, investigadores e lobistas da Petrobras, somente duas pessoas podem esclarecer, entre outros contratos inexplicáveis na Área Internacional, a infame operação de compra da Refinaria de Pasadena, há quase dez anos. Nela, a Petrobras perdeu cerca de US$ 800 milhões. Uma é o operador Fernando Baiano, ligado ao PMDB e que atuava em parceria com Cerveró. Baiano está preso, Ele, porém, não exibe nenhum sinal de que pode vir a talar. A outra pessoa é o próprio Cerveró. De acordo com essas fontes, ouvidas por ÉPOCA nos últimos anos e, também, nos últimos dias, Cerveró, se falar o que sabe, sem esconder nenhum fato, pode causar um estrago político devastador, ainda mais considerando-se o acúmulo incessante de provas da Lava Jato nas semanas recentes. Tanto Baiano quanto Cerveró confidenciaram - e não agora a essas fontes que a operação de Pasadena além de outras na Diretoria Internacional beneficiaram o presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB, parlamentares do PT e até o empresário José Carlos Bumlai, um dos melhores amigos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em miúdos: beneficiaram todos aqueles que o indicaram ao cargo, como já se comprovou que era a prática nas demais diretorias. Bumlai, que freqüentava a intimidade do petista, falava em nome de Lula durante o segundo mandato do petista. E tinha relações estreitas com o grupo Schain, que obteve contratos na Petrobras com a ajuda de Cerveró. Todos os citados sempre negaram qualquer relação imprópria com Cerveró. Edson Ribeiro, o advogado de Cerveró, chegou a Curitiba na quinta-feira da semana passada, disposto a fazer de tudo para demovê-lo da delação, O advogado disse a Cerveró ter certeza de que os executivos da Odebrecht, também presos na Lava Jato, conseguirão decisões judiciais favoráveis no recesso do Judiciário, daqui a alguns dias, seja no Superior Tribunal de Justiça, seja no Supremo Tribunal Federal. Se gente como Marcelo Odebrecht sair da cadeia, raciocina o advogado, outros sairão em seguida, como Cerveró. Até a noite da sexta-feira, os argumentos do advogado não foram suficientes para convencer Cerveró. Ele continua negociando os termos da delação com os procuradores. E demonstra uma mágoa especial pela presidente Dilma Rousseff. Sente-se abandonado por ela - que, como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, aprovou a compra da refinaria de Pasadena. Em suas defesas entregues às autoridades, Cerveró alega que a responsabilidade pelo investimento em Pasadena é do Conselho de Administração da estatal. Ou seja, de Dilma. A iminência da delação de Cerveró, decidida nos gabinetes e nas celas de Curitiba, revela como, no Brasil de 2015, o poder sobre os rumos da nação deslocou-se, momentaneamente, para a capital do Paraná. Se levada a cabo, a delação de Cerveró terá impacto em gente do calibre de Lula e Dilma. Por isso, um rastilho silencioso de pólvora - e pânico - acendeu-se até Brasília. Políticos e empresários poderosos ficam à mercê, mais uma vez, como acontece desde outubro, com as delações de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, de fatos sobre os quais eles não têm o menor controle - e, muitas vezes, nem sequer compreendem. Essa mudança, ainda que temporária, nas regras do jogo, no controle da situação, explica parte das falas e ações destemperadas de políticos experientes, como Lula, ou até aqui cautelosos com o verbo, como Dilma. A combinação de crises pela qual passa o Brasil hoje converge, cotidianamente, para Curitiba. Os rumos das principais decisões políticas neste momento definem-se, mesmo com uma economia malparada e um governo anêmico, pelo que acontece na Operação Lava Jato. A sucessão de provas, de delações, as imagens quase semanais de tesoureiros e executivos sendo presos pela polícia sobrepõem-se a qualquer processo político e econômico em Brasília. Por uma razão simples: as decisões de Curitiba põem em risco a sobrevivência dos principais partidos e políticos do Brasil. O mesmo vale para as principais empreiteiras do País. Nenhum gabinete, portanto, concentra tanto poder neste momento no Brasil quanto aquele no 2° andar na Avenida Anita Garibaldi, 888. É de lá que despacha Sergio Moro, o cérebro e centro moral da Lava Jato. A Operação, na verdade, envolve dezenas de procuradores da República, delegados e agentes da Polícia Federal, equipes na Procuradoria-Geral da República, em Brasília, além do ministro do Supremo. Teori Zavascki. Todos têm poder para definir, em alguma medida, os rumos das centenas - isso, centenas - de casos de corrupção investigados na Lava Jato. Alguns casos tramitam em Brasília - aqueles que envolvem políticos com foro no Supremo. Mas a maioria fica em Curitiba e de lá não sai. Moro alia virtudes raríssimas para a missão: preparo jurídico, pensamento estratégico, inflexibilidade de princípios, coragem moral e disciplina de trabalho. Entra cedo, sai tarde e prossegue na lida mesmo de casa. Alguns dos procuradores da força-tarefa compartilham, em maior ou menor grau, as mesmas características. Estudaram muito, trabalham sem parar e entendem que estão fazendo história. Após mais de um ano de Lava Jato, já está claro que esses homens e mulheres - pelo tamanho dos presos, pela força das provas, pelos nomes envolvidos e pelo dinheiro recuperado - estão promovendo uma revolução na luta contra a grande corrupção no Brasil. O método, a estratégia e a disciplina para manter o foco nos alvos certos, como Cerveró ou Marcelo Odebrecht, demonstram que essa revolução, cujo acúmulo intenso de fatos desnorteia até o observador mais atento, irá longe. A partir das delações capitais de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, em outubro do ano passado, surgiu a obtenção de mais provas, como extratos bancários de contas em paraísos fiscais e a confissão dos demais envolvidos. O efeito cascata, irrefreável, parece destinado a parar apenas quando todos os envolvidos no petrolão, esse esquema que envolvia empresas inescrupulosas e políticos corruptos, estejam identificados e devidamente processados. É uma réstia de esperança para um povo que precisa, desesperadamente, acreditar novamente em seu sistema político. Engana-se, porém, quem pensa que Moro ou os procuradores da Lava Jato tenham ganas de pegar Lula ou Dilma. Na visão deles, e que as provas de fato oferecem (até o momento), Lula e Dilma não eram chefes de uma organização criminosa. Não que ambos não tenham responsabilidade pela sustentação política do petrolão - pelo aval, no mínimo, tácito aos resultados de suas decisões fisiológicas, de distribuição irresponsável de cargos na Petrobras. Mas a decisão de distribuir diretorias da estatal não é crime. O petrolão é, pelo que as evidências apontam até o momento, um esquema horizontal, organizado entre empresários corruptores e funcionários públicos corruptos. Entre as duas partes, havia operadores de partidos políticos e doleiros. Todos ganhavam, especialmente os políticos dos partidos (PT, PMDB e PP, sobretudo) que controlavam os cargos. Não havia chefes. Havia apenas cúmplices na roubalheira. Há muitas novidades, no entanto, a caminho. Nestor Cerveró, o quase certo 20º delator, trará apenas parte delas. A 164 fase da Lava Jato não tarda. E ela será decidida em Curitiba, para desespero do poder em Brasília. Na segunda-feira, numa rara noite bastante fria em Brasília, em um centro de convenções afastado de tudo, Lula se reuniu com cerca de 50 parlamentares petistas por mais de três horas. Vinte deles se inscreveram para falar. Depois, Lula também talou. Estava surpreendentemente calmo. Falou um pouco sobre a situação difícil do governo e do PT para, em seguida, assumir a função de animador de auditório, a tentar vender a seus comandados a ideia de que é possível sair do atoleiro no qual o governo e o partido estão graças à crise econômica, à Operação Lava Jato e a diversos erros e fragilidades. "Não tem o que fazer. O procurador (geral da República, Rodrigo Janot) já disse que vai durar mais uns dois anos", disse Lula aos parlamentares. O Lula que chegou no dia seguinte â casa do presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB, também era só paz e amor. Lá, tomou café da manhã com a cúpula do PMDB, formada por Renan, Eunício Oliveira, Romero Jucá e o ex-presidente José Sarney, além do líder do governo, Delcídio Amaral. De bom humor, Lula disse que "um padre" foi o responsável por vazar seu desabafo sobre o PT e o governo. Ninguém entendeu nada."Parecia o Lula do mensalão: estava humilde", diz um dos participantes - em 2005, acossado pelos estragos do mensalão, Lula se escorou em Sarney e no PMDB, que então adentrou seu governo para não mais sair. Ao contrário dos vários encontros anteriores com os mesmos personagens, no mesmo lugar, pelo menos dois deles ocorridos neste ano, Lula não falou mal de Dilma, nem mesmo de Mercadante. Retomou a veia conciliadora que ficara para trás, para tentar unir os cacos da relação do PMDB com Dilma. "Renan, eu sei que você tem mágoa de coisas que podem ter sido feitas. Mas as instituições precisam se unir. O Brasil não pode ficar assim", disse. Renan, todos sabem, atribui ao governo o fato de ter sido incluído no rol dos investigados pela Operação Lava Jato - na verdade, sua mágoa é pelo fato de Dilma não ter segurado seu afilhado Sérgio Machado na presidência da Transpetro. Todos na casa de Renan estavam incomodados com a Operação Lava Jato. "Não é possível que as instituições estejam tão fracas, a ponto de o Supremo ter uma decisão alterada por um juiz de primeira instância", disse um dos presentes, em referência ao Juiz Sergio Moro. O ex-presidente José Sarney lembrou o exemplo da Suprema Corte americana na eleição de 2000: o então vice-presidente Al Gore venceu a eleição contra George W. Bush na recontagem dos votos, mas, a partir do momento em que a Suprema Corte decidiu em favor de Bush, Gore e seus aliados nada fizeram. O pessoal da reunião acha que Moro e a Lava Jato precisam de um breque desse tipo do Supremo. Lula foi cobrado por isso, dada sua influência de ter nomeado ministros do Supremo. Mas até ele se mostrou surpreso — deu a entender que não espera mais deter a Lava Jato. "O José Rainha (líder de uma parte do Movimento Sem-Terra) foi condenado a 31 anos e não vai para a cadeia", disse Lula. "Como pode os caras que nem foram condenados estarem presos?" Os "caras" que preocupam Lula são os empreiteiros. Em especial, Leo Pinheiro, da OAS, já solto, e Marcelo Odebrecht, ainda na cadeia, seus mais próximos parceiros. Há anos, quem importa no poder e na economia no Brasil sabe que Lula trabalhava para as empreiteiras, em especial para a Odebrecht. Como ÉPOCA demonstrou há um mês, Lula fez lobby pelas empreiteiras em países da América Central e da África, para que obtivessem obras em boa parte financiadas com recursos do BNDES. As mesmas empreiteiras que, hoje, estão no chão devido ao escândalo que sangrou bilhões da Petrobras e distribuiu para o PT, o PP e o PMDB. No momento, Lula está fragilizado. A Lava Jato prendeu seus amigos empreiteiros por causa desse esquema, aqueles amigos que podem fazer revelações incômodas. O executivo Leo Pinheiro não é uma preocupação, mas Marcelo Odebrecht é considerado mais instável. Para piorar, nos últimos meses Lula percebeu que Dilma não se esforça para evitar que os efeitos da Lava Jato atinjam a ele e a seus oito anos de governo. Lula precisa se salvar. A saída é tentar reagrupar o PT a seu redor-exatamente o oposto do que havia feito no desabafo no encontro com os religiosos. Com água nos calcanhares, Lula enxerga em Dirceu, este com água no nariz, um desfecho possível. Ao longo da semana, o nome do ex-ministro José Dirceu liderava a bolsa de apostas dos novos presos da Lava Jato. O falatório foi decorrente de duas delações que deixaram o petista numa sinuca: a de Ricardo Pessoa, da UTC, e a de Milton Pascowitch, operador da Engevix. Ambos relataram que os pagamentos para Dirceu não tinham uma contraprestação de serviços - e que ele recebeu dinheiro inclusive quando estava preso. A iminente prisão do ex-ministro mensaleiro foi tão grande que seu advogado, Roberto Podval, entrou com um pedido de habeas corpus preventivo, com o objetivo de evitar que Dirceu pudesse voltar ao regime fechado. O pedido foi negado. Além disso, a defesa do ex-ministro começou a se mobilizar para levantar provas no Peru de que suas consultorias de fato existiram - e não foram de fachadas. Segundo pessoas próximas de Dirceu, boa parte do dinheiro recebido por meio de sua empresa JD Assessoria e Consultoria era usada para fretar jatinhos particulares para fazer viagens pelo Brasil, já que ele evitava pegar voos comerciais, pois tem receio de ser vaiado, e para pagar hospedagens em hotéis luxuosos onde costumava passar alguns dias ao lado de sua namorada. Nesse cenário, Lula percebeu que o discurso de raiva contra seu PT e o governo de Dilma causou-lhe um efeito ruim. Boa parte dos petistas não abaixou a cabeça em obediência, como sempre fazia. No momento em que o governo vai mal, Lula sabe que pode carregar a culpa pelo fracasso do governo Dilma. Para Dilma, que não deve ser candidata a mais nada, o fracasso pode ser apenas uma derrota pessoal Mas, para Lula, pode matar seu projeto de um novo período na Presidência. Ele tem muito mais a perder do que ela. Com seus amigos empreiteiros na cadeia, paira sobre Lula o medo de ver uma mera menção a seu nome em algum depoimento. Lula precisa de apoio. Reatar com o PT para se salvar é uma parte da saída. A outra parte começa com a conversa com o PMDB. Os líderes do PMDB são saudosos de Lula. Sempre lembram que ele lhes prometeu, em dois encontros em 2014, um deles no hotel Blue Tree, em Brasília, e outro no hotel Meliá, em São Paulo, que seria candidato a presidente no lugar de Dilma. Depois voltou atrás. A intenção de Lula é combater os efeitos negativos da Lava Jato em sua imagem, na do governo e do PT com o que ele sabe fazer melhor: discursos e propaganda. Não por acaso, Lula esteve com o marqueteiro-mor do PT, João Santana, antes da reunião com os parlamentares, em Brasília. À noite, Lula estabeleceu que os petistas devem aproveitar programas do governo para fazer "agendas positivas". Entre os programas estão o Plano Nacional de Educação, o Plano Safra, o plano de concessões, o plano de assentar famílias da reforma agrária. Lula quer que os parlamentares organizem eventos em seus Estados para discutir principalmente o Plano Nacional de Educação e a renovação do PT, pretextos para ele viajar pelo país e fazer discurso, uma pré-campanha eleitoral Lula também quer que os parlamentares petistas partam para o "enfrentamento" com a oposição. "Com a mesma agressividade que a oposição ataca o governo, afirma o líder do PT na Câmara, José Guimarães. Lula está preocupado com a possibilidade de uma derrota fagorosa do PT na eleição municipal de 2016. É preciso começar a trabalhar para limpar um pouco a barra do PT para, pelo menos, reduzir o prejuízo que hoje os petistas acreditam que será grande. Está muito longe, mas é óbvio que Lula já pensa também em 2018. Apenas quem não entendeu o poder de Curitiba pode pensar em 2018. No gabinete do juiz Moro, só se pensa em 2015.

'Não' vence plebiscito na Grécia e país rejeita proposta de credores europeus


Em um resultado surpreendente, o voto pelo "não" venceu o plebiscito na Grécia neste domingo (5), rejeitando a proposta de socorro financeiro dos credores internacionais. Com 100% dos votos apurados, 61,31% optaram pelo "não" e 38,69% pelo "sim". O placar amplo contrariou todas as pesquisas, inclusive as realizadas neste domingo e divulgadas após o fechamento das urnas que previam uma vitória apertada do "não". Com isso, os gregos rejeitaram a proposta de socorro internacional feito pelos credores, no caso, FMI (Fundo Monetário Internacional), BCE (Banco Central Europeu) e o bloco europeu. Logo após os primeiros números serem divulgados, simpatizantes do Syriza, partido de esquerda do primeiro-ministro Alexis Tsipras, começaram a celebrar o resultado na praça Syntagma, no centro de Atenas. A vitória do "não" representa um fortalecimento de Tsipras no seu país, já que ele convocou o plebiscito no último dia 27 depois do fracasso nas negociações em Bruxelas. Neste domingo, ele afirmou que "ninguém pode ignorar a vontade do povo", e voltou a dizer que a consulta era uma vitória contra a "chantagem". Ao mesmo tempo, no entanto, o resultado pode aumentar a pressão para a Grécia deixar a zona do euro, principalmente se não chegar a algum tipo de acordo com o bloco nos próximos dias. Tsipras tem dito que a Grécia não deixará a moeda única e que pretende retomar as negociações nesta segunda-feira (6) em busca de uma solução para o país. O ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, afirmou neste domingo acreditar na possibilidade de um consenso em 24 horas. A questão é como os líderes europeus vão reagir: se pretendem sentar à mesa novamente com a Grécia ou, diante do recado do povo grego, romper definitivamente as relações. A chanceler alemã, Angela Merkel, tem um encontro marcado com o presidente francês, François Hollande, nesta segunda-feira (6) em Paris. O principal drama dos gregos no curto prazo é o risco de colapso bancário a partir de terça-feira (7), quando as agências do país reabririam depois de uma semana de fechamento e controle de capital. O governo precisa de um novo socorro emergencial do Banco Central Europeu para sua liquidez bancária, caso contrário, sem moeda no caixa, corre sério risco de ser forçado a emitir nova moeda em breve, conforme alertaram autoridades europeias nos últimos dias. O resultado do plebiscito fez com que o ex-premiê grego Antonis Samaras anunciasse sua renúncia como líder do partido de oposição Nova Democracia depois da sonora vitória do "não". "Nosso partido precisa de um novo começo. A partir de hoje, estou renunciando a liderança do Nova Democracia", disse Samaras em comunicado transmitido pela televisão.

Prisões preventivas: nada a ver com as delações, dizem juristas


De acordo com a Justiça Federal do Paraná, neste momento da operação Lava Jato há 27 réus presos em regime fechado. Para os críticos da operação, não há motivos para mantê-los atrás das grades. Segundo eles, trata-se apenas de uma forma de coagi-los a colaborar com as investigações. Para usar uma palavra que tira o sono dos acusados, transformá-los em "delatores". A tese, no entanto, não se ampara na prática. O mais bombástico dos delatores recentes, Ricardo Pessoa, firmou o seu acordo apenas duas semanas depois de ter sido liberado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal - ou seja, tomou a decisão no conforto de sua casa. O histórico das decisões judiciais do caso também desmonta a tese: fossem abusivas as prisões decretadas pelo juiz federal Sérgio Moro, os tribunais superiores já teriam expedido centenas de decisões favoráveis aos réus. Mas, até agora, dos 315 pedidos de habeas corpus registrados (incluindo pedidos de soltura de presos e questionamentos sobre a legalidade de provas e até sobre a quem cabe julgar o processo), apenas três foram acatados pelo ministro do STF Teori Zavascki. Ele expediu três ordens de soltura, dos ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque, que voltaram a ser presos em seguida, e de Ricardo Pessoa, no mês passado, quando outros oito réus foram liberados como efeito dessa mesma decisão. Das centenas de outros habeas corpus impetrados com teores variados nenhum foi aceito até o momento. "As prisões têm sido decretadas motivadamente com base em outros argumentos, passíveis ou não de críticas, mas não como instrumento de pressão para forçar delações", diz o jurista Miguel Reale Junior. E completa: "É preciso lembrar que a maioria das delações foram feitas com réus soltos, a começar a de Ricardo Pessoa, libertado pelo STF e só depois tendo firmado acordo de colaboração". Visão semelhante é compartilhada pelo ex-presidente do STF Carlos Velloso. Diz ele: "A prisão cautelar tem base na lei e sempre cabem recursos, que devem ser utilizados a tempo e modo. Esses recursos têm sido utilizados e as prisões têm sido mantidas pelos tribunais, inclusive pelo STF." Para o advogado Fabio Medina Osório, presidente do Instituto Internacional de Estudos de Direito de Estado, a prisão preventiva é uma forma eficiente de evitar que os acusados venham a atrapalhar a investigação, dado seu poder e escopo de influência. Em liberdade, eles poderiam atuar para destruir mapas, planilhas, registros e toda variedade de material que pode ser usado para comprovar o esquema. É preciso lembrar que apenas os relatos feitos nas delações não bastam: os réus colaboradores devem apresentar documentos capazes de sustentar o que dizem. Por fim, a prisão preventiva impede que os envolvidos continuem a praticar os delitos pelos quais estão sendo investigados. "Não interpreto arbitrariedade alguma nas decisões e muito menos pressão ou suposta coação para que alguém celebre acordos de colaboração premiada", afirma. Segundo o Medina Osório, o acordo de delação se tornou uma linha de defesa dos envolvidos na Lava Jato. "A colaboração premiada é uma estratégia dos próprios advogados, que chancelam essa postura e cooperam com as autoridades, buscando obter legítimos benefícios aos seus clientes", diz. A delação premiada está prevista em lei desde os anos 1990, apenas em 2013 foi detalhada, obrigando, por exemplo, o delator a falar somente a verdade, sob pena de ter o acordo anulado, e criando a necessidade de que cada acordo seja homologado na Justiça. Embora seja novidade no Brasil, é um instrumento bastante usado em países de boa prática democrática, como Espanha, Portugal, Chile, Argentina e Colômbia. É a delação que tem permitido à Justiça criar instabilidade nas organizações criminosas do mundo todo, uma vez que os criminosos não sabem em quem confiar. Tal dificuldade faz com que o risco de ser pego é maior, o que faz com que a prática da corrupção se torne cada vez mais cara. "Estamos falando de corrupção, lavagem de capitais, fraudes licitatórias, evasão de divisas e outros crimes em larga escala, com tentáculos institucionais, incluindo o financiamento ilícito de campanhas eleitorais. A resposta do Judiciário tem de ser contundente", afirma Medina Osório.

A conta secreta para Lula

A Veja desta semana mostra a movimentação em uma conta secreta aberta na Suiça por empreiteiros da Lava Jato para pagar propina. Segundo Ricardo Pessoa, foi dela que saíram 2,4 milhões de reais que abasteceram a campanha de Lula em 2006. O dinheiro foi desviado de obras da Petrobras e chegou ao país de forma clandestina e ilegal. Para provar sua delação, Pessoa apresentou extratos ao MPF. A conta foi batizada de “Controle RJ 53 – US$”. Além de financiar ilegalmente a campanha de Lula, a conta servia para pagar propinas a operadores do PT na Petrobras, como Pedro Barusco. Quem acertou o repasse à campanha de Lula foi José Filippi, ex-tesoureiro do PT e tesoureiro da campanha de Dilma em 2010.

Os EUA fizeram bem em grampear Dilma

Os primeiros grampos da NSA no Brasil, de acordo com o Correio Braziliense, ocorreram em 14 de dezembro de 2010, às vésperas da posse de Dilma Rousseff. Os Estados Unidos grampearam uma presidente desconhecida, exceto por seu passado terrorista e violentamente antiamericano, para descobrir seus eventuais vínculos com governos terroristas e violentamente antiamericanos. Fizeram muito bem.

As apostas do PSDB

José Serra aposta que Dilma Rousseff vai cair. Ele disse, segundo a Folha de S. Paulo: “Há uma combinação rara de crises que se auto-alimentam. Na política, a tempestade não se dá apenas no Congresso, mas dentro do PT. É o governo mais fraco de que tenho memória. Perto dele, a gestão Jango parece ter tido uma solidez de granito”...

O governo está no chão

Quatro caciques peemedebistas se encontram regularmente para discutir a crise: Renan Calheiros, Romero Jucá, Eunício Oliveira e José Sarney. Segundo a Folha de S. Paulo, “o diagnóstico feito reservadamente é que o governo está no chão, sem capacidade de se levantar, e eles não têm condições de ajudar o Palácio do Planalto a superar a crise”. O diagnóstico não é tão reservado assim, tanto que foi parar no jornal...

Alckmin, o gênio de Pinda

Por falar em Geraldo Alckmin: foi ele quem convidou Marta Suplicy a ingressar no PSDB, para tentar torpedear candidatos tucanos à prefeitura de São Paulo próximos a José Serra. É o gênio de Pindamonhangaba. PS(DB): Marta disse que foi Aécio a convidá-la, dizem leitores. Perguntem-se se Aécio desmentiria a ex-petista em público e, além disso, faria um convite pelo PSDB de São Paulo, sem aval do governador. O Antagonista confirma a informação.

O rompimento é público

Eduardo Cunha vai passar a defender publicamente o rompimento definitivo do PMDB com o governo. A Folha de S. Paulo informa que a relação com Dilma Rousseff, que já vinha piorando, “tornou-se insustentável com a decisão do PT de questionar no Supremo suas decisões no comando da Câmara”.

Os 91% de Michel Temer

Michel Temer passou a receber dirigentes partidários e parlamentares que já falam abertamente em derrubar Dilma Rousseff. Um assessor do vice-presidente disse à Folha de S. Paulo: “Ninguém quer sair na foto com quem tem 9% de aprovação. Os partidos começaram a procurar os 91%”. O movimento para derrubar Dilma Rousseff está tão adiantado que o PMDB já consultou juristas para defender a posse de Michel Temer caso o TSE casse o diploma da presidente. A campanha de Michel Temer teve um tesoureiro próprio, por isso ele deve ser poupado pelo TSE.

Só o impeachment pode salvar a economia

Demorou um bocado, mas o empresariado finalmente compreendeu aquilo que O Antagonista repete todos os dias: a única saída para a economia é o afastamento de Dilma Rousseff. Folha de S. Paulo: “Empresários, que antes rejeitavam uma ruptura por recear a instabilidade econômica, agora procuram caciques do Congresso para sondar o terreno e para dizer que não botam mais fé no ajuste fiscal”. E: “Nas últimas semanas, Temer, Cunha, Jucá e outros peemedebistas passaram a ser procurados por empresários que querem saber a possibilidade de um impeachment”. O Antagonista é péssimo para ganhar dinheiro, mas sempre soube que Dilma Rousseff era ainda pior.

Joaquim Levy na Sibéria

Antes de cair, Dilma Rousseff vai tentar uma última cartada: livrar-se de Joaquim Levy. Resultado? O Brasil vai virar uma Grécia e a presidente será enxotada do Palácio do Planalto. O movimento para derrubar Joaquim Levy ainda está no comecinho, mas já pode contar com vazamentos na Folha de S. Paulo. O jornal publicou neste domingo que “Joaquim Levy tem recebido pouca atenção da presidente. Recentemente, um funcionário notou que nem os incontáveis e-mails diários ela anda respondendo”. Mais: “Nas reuniões internas de governo, o ministro da Fazenda passou a ser constantemente questionado pelos colegas e pela própria chefe. A discordância aumentou à medida que a crise econômica acelerou a queda na popularidade de Dilma Rousseff”. As fontes da reportagem, evidentemente ligadas a Aloizio Mercadante, assopraram que há um “climão” dentro do governo e que Joaquim Levy foi mandado para a “geladeira” ou para a “Sibéria”. Mais ainda: “Nos bastidores, Levy já foi visto se referindo ao PT como ‘aquela agremiação’”. Prepare-se, portanto. Antes de entregar o poder, “aquela agremiação” vai terminar de destruir a economia do país.

A Orcrim da Orcrim

"80% da cocaína que entra na Europa vem do porto de Santos". O cálculo foi feito pelo procurador Nicola Gratteri, um dos mais respeitados da Itália, nesta reportagem de Maria Zuppello, publicada em The Guardian. A reportagem mostra também que o narcotráfico, no Brasil, é controlado pela Ndrangheta, a máfia calabresa, que não é minimamente incomodada pelo governo.

Aécio e a expectativa

Aécio segue como presidente do PSDB. Recebeu 99,3% dos votos e ficará mais dois anos à frente do partido. Afirmou que não foi “derrotado por um partido, mas por uma organização criminosa”: “Este grupo político caminha a passos largos para a interrupção do mandato”, discursou. Esperamos ação.

​O encontro da Lava Jato com o BNDES

Delegados da Lava Jato pediram na semana passada nova quebra de sigilo de empréstimos no exterior do BNDES às empreiteiras. Eles querem todos os dados sobre os financiamentos dos últimos 20 anos e informações que não estão no portal de transparência do banco. Diz o Estado de Minas: "Os policiais querem uma planilha eletrônica com informações como descrição do empreendimento; valor; prazos de carência e de financiamento; taxas de juros e de execução da obra; garantias; formas de medição e de pagamento das parcelas do crédito. Também querem saber quem são os responsáveis pela assinatura do contrato, inclusive quais pessoas físicas e outras empresas representam e eventuais parceiros e “intervenientes” no negócio. A Polícia Federal ainda pede ao banco qual o “critério de escolha” da empresa responsável pela obra”.

A Grécia decidiu sair da Europa

O "Não" de Alexis Tsipras venceu o referendo com 60% dos votos. Agora Angela Merkel tem o álibi perfeito para expulsar a Grécia da União Européia. Se isso for feito, terá valido a pena.

PT por mais 40 anos

Aécio Neves: "Não cabe ao PSDB antecipar a saída da presidente da República. Não somos golpistas. (...) O desfecho dependerá muito mais da força dessas instituições - Ministério Público, Tribunal de Contas, tribunal eleitoral e poder Judiciário como um todo - do que da ação do PSDB". De fato, se o Brasil dependesse da ação do PSDB, o PT continuaria no poder por mais quarenta anos.

Só faltou uma palavrinha

Fernando Henrique Cardoso: “Não somos donos do que vai acontecer nas próximas semanas ou nos próximos meses, mas estamos prontos, sim, para assumir o que vier pela frente. Precisamos ir até o fim para que o Brasil seja passado a limpo. Seja qual for o caminho pelo qual tenhamos que passar, o PSDB e seus aliados terão um caminho"...

Autoridades de Mônaco alertaram que Zelada quis ocultar fortuna

Um dossiê do Principado de Mônaco informou a força-tarefa da Operação Lava Jato que o ex-diretor de Internacional da Petrobras, Jorge Luiz Zelada, preso na quinta-feira, 2, pela Operação Lava Jato, tentou deslocar sua fortuna de 10,8 milhões de euros - atualmente congelados - para uma subconta sediada em um banco naquele paraíso fiscal. Zelada solicitou que a subconta recepcionasse a carteira de títulos da Rockfield International AS, por ele constituída no Panamá e da qual é beneficiário econômico efetivo. Mas a estratégia do ex-diretor da Petrobras não deu certo. Segundo Mônaco, a instituição financeira (Julius Baer Bank) "não quis dar seguimento a essa solicitação". Os dados sobre Zelada foram enviados ao Brasil pelo Serviço de Informação e Controle dos Circuitos Financeiros do Governo do Principado de Mônaco. O alerta de Mônaco sobre os movimentos de Zelada é datado de 15 de janeiro de 2015. No capítulo "fatos relevantes", o documento destaca que, desde junho de 2014, Jorge Luiz Zelada é objeto de investigação por parte das autoridades judiciais brasileiras. "De acordo com o inquérito policial, ele (Zelada) teria favorecido a empresa brasileira Odebrecht em processos de licitação quando era diretor Internacional da companhia petrolífera brasileira, a Petrobras, função que ocupou de 2008 a 2012". Sucessor de Nestor Cerveró na área Internacional da Petrobras - cota do PMDB na estatal -, Jorge Luiz Zelada foi detido em caráter preventivo por ordem do juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações criminais decorrentes da investigação da Lava Jato. Ele é alvo da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, sob suspeita de ter recebido propinas de empreiteiras acusadas de cartelização, fraudes em licitação e lavagem de dinheiro. Mônaco revelou, ainda, que Zelada mantém relações financeiras com o banco Julius Baer desde 2011, quando da abertura da conta em nome da empresa panamenha Rockfield International. Segundo o relatório de Mônaco, o objetivo da abertura da conta empresarial no Principado era a recepção de ativos por ele mantidos originalmente na Suíça, no banco Lombard Odier Darier Hentsch CIE para investimentos. Mônaco anotou também que o Ministério Público da Suíça teria aberto, em abril de 2014, um inquérito para investigar a prática de lavagem de dinheiro envolvendo Zelada "devidos a atos de corrupção no caso Petrobras após denúncia da Unidade de Informações Financeiras da Suíça". Um mês depois do alerta às autoridades brasileiras, o Principado - acolhendo requerimento da força-tarefa da Lava Jato - bloqueou o dinheiro do ex-diretor depositado no Julius Baer Bank. Na ocasião, o procurador federal Deltan Dallagnol, que integra a força-tarefa, declarou. "Se nós tivéssemos o crime de enriquecimento ilícito, nós estaríamos oferecendo acusação criminal contra Zelada. Porque não o temos, devemos prosseguir nas investigações até alcançarmos provas consistentes para que, aí sim, possamos formular acusações criminais". Na avaliação de Deltan Dallagnol, o enriquecimento ilícito deveria ser classificado como crime: "É uma das lacunas do nosso sistema jurídico".

Auditoria na BR Distribuidora aponta irregularidade em licitação com a UTC

Auditoria interna na Petrobras Distribuidora, a BR, identificou irregularidades no processo de licitação de três obras executadas pela UTC Engenharia que somam cerca de R$ 650 milhões. O dono da empreiteira, Ricardo Pessoa, e a BR são investigadas pela Operação Lava Jato por suspeita de direcionamento de contratos. A BR confirmou que foram identificados "indícios de inconformidades com as normas da companhia para a realização de processos licitatórios". Conforme a subsidiária da Petrobras, os relatórios integrais das apurações foram enviados, em maio deste ano, ao Ministério Público do Rio de Janeiro e à Procuradoria-Geral da República. Os contratos com a UTC foram assinados na gestão do atual presidente da BR, José Lima de Andrade Neto. Na nota, a companhia negou que ele tenha sido responsabilizado no relatório de auditoria pelas irregularidades. Lima Neto foi indicado para o cargo na BR pelo ex-ministro de Minas e Energia e senador Edison Lobão (PMDB-MA) e do senador Fernando Collor (PTB-AL), ambos investigados pela Operação Lava Jato. Antes de assumir a BR, Neto trabalhava com Lobão no ministério como chefe da Secretaria de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis. Em um curto período de três meses, a UTC foi contratada para fazer a base de distribuição de Porto Nacional; base de distribuição de Cruzeiro do Sul e flutuantes. A auditoria concluiu que os contratos foram superfaturados; que a BR enviou carta convite a apenas meia dúzia de empresas para participar da obra, embora seu cadastro tenha mais de 30 firmas habilitadas para esse tipo de serviço e que, em alguns itens de preço, a UTC aplicou o mesmo valor do orçamento da Petrobras, inclusive em decimais. A UTC também teria inflado o número de litros por tanque. Alvo da operação Lava Jato, o dono da UTC disse em depoimento de delação premiada que repassou R$ 20 milhões a aliados do senador Fernando Collor como comissão por contrato de R$ 650 milhões fechado entre sua empresa e a BR Distribuidora. O delator contou que a oferta de contrato para a UTC foi feita pelo ex-ministro Pedro Paulo Leoni Ramos, amigo do ex-presidente da República, em conversa com o então diretor da BR, o engenheiro José Zonis. Conforme a BR, a auditoria foi realizada entre fevereiro e março deste ano, "após a Petrobras Distribuidora tomar conhecimento, por meio da imprensa, das denúncias de irregularidades nas atividades da construtora". E prosseguiu: "É importante destacar que a investigação interna não identificou qualquer responsabilidade de nenhum membro da diretoria da Petrobras Distribuidora e nem de seu presidente, José Lima de Andrade Neto, pelas inconformidades apontadas. A BR reitera que "todo o contato com a UTC durante o processo licitatório e de assinatura do contrato foi realizado exclusivamente pela área técnica competente".

Preso há duas semanas, Marcelo Odebrecht dormiu quatro noites em corredor

Na última quarta-feira (1º), Marcelo Odebrecht, herdeiro e presidente do grupo empresarial que carrega o sobrenome de sua família, quis falar com um policial. Pediu que deixasse aberta a porta da cela onde está preso há duas semanas, na sede da Polícia Federal, em Curitiba. Queria circular pelo menos no corredor. Preso sob a acusação de participar do esquema de corrupção na Petrobras, o empreiteiro utilizou esse espaço nas quatro primeiras noites que passou na cadeia. Ele foi um dos presos que dormiram nos colchões colocados no chão do corredor devido à superlotação da carceragem. As portas voltaram a se fechar após a libertação dos executivos que tinham sido alvo de mandados de prisão temporária. Marcelo Odebrecht foi transferido para uma cela de 12 metros quadrados, que divide com dois executivos de sua empresa, Rogério Araújo e Cesar Rocha, presos em caráter preventivo como ele. Ou seja, cada um com espaço de 4 metros quadrados. O espaço de Marcelo Odebrecht é o mais organizado da cadeia, com roupas dobradas e livros empilhados. Ele tem apreço pela arrumação, segundo policiais da carceragem, e precisa comer barras de cereal a cada três horas por ser hipoglicêmico. O empreiteiro se distrai lendo e fazendo anotações. Quando foi detido na sua casa, em São Paulo, quis levar um caderno, mas foi proibido. Nesta semana, reclamou da escuridão no local e ouviu de um agente: "Isso é uma cela. Você está preso". Pessoas que mantêm contato com o presidente da Odebrecht afirmam que ele demorou a aceitar a situação. Na noite em que chegou à carceragem da Polícia Federal, levou bronca de um agente. Segundo um dos presentes, ele se encostou "largado na parede" para ouvir as instruções dos policiais. No dia seguinte, ao ser levado para fazer exames médicos, teria colocado as mãos no bolso e exibido um sorriso, enquanto outros presos se mantinham sérios e com as mãos para trás, como havia sido ordenado. O presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, preso no mesmo dia que Marcelo Odebrecht, é descrito por policiais como "simples e agradável". Entre os poucos desejos que Azevedo expressou na carceragem esteve o de comer chocolates com marzipã. O pedido foi atendido na quarta (1º), único dia da semana em que os presos podem receber visitas de familiares, guloseimas e roupas limpas. Na quarta anterior (24), Marcelo recebeu a visita da mulher, Isabela. No encontro, teve direito de abraçá-la, o que é permitido apenas uma vez por mês. As conversas geralmente ocorrem no parlatório, onde um vidro separa os presos. A comunicação é feita por telefone. No prédio da Polícia Federal em que estão os empreiteiros há outros presos da Lava Jato, como o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró. Os dois grupos estão em alas separadas e até as duas horas diárias de banho de sol no pátio ocorrem em períodos diferentes. Há oito presos da Lava Jato no Complexo Médico Penal, em Pinhais. Embora tenham inicialmente reclamado da transferência, muitos agora preferem a penitenciária, porque ali podem almoçar com visitas, fazer a própria comida e ver TV dentro da cela. O mais antigo do grupo é o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano. Detido há oito meses, chama atenção pelo zelo com limpeza. Anda sempre com um pano ou escova a tiracolo. Quando sentam na sua cama, tem que virar o lençol. Lá também estão os ex-deputados André Vargas, Luiz Argôlo e Pedro Corrêa. Vargas não perdeu o humor. Recentemente, quando jogava cartas com Argôlo e Corrêa, um agente perguntou se estava ganhando. "Aqui não dá, só tem político", respondeu. Há também quem saiu mas não se esqueceu dos que ficaram. Sérgio Mendes, da empreiteira Mendes Júnior, libertado no final de abril após ter permanecido cinco meses detido, mandou construir uma caldeira no local para garantir banho quente aos presos.

Navio-plataforma Cidade de Itaguaí, de Petrobras, chega ao campo de Tupi

O navio-plataforma FPSO Cidade de Itaguaí já está ancorado na Área de Iracema Norte do campo de Tupi, no pólo Pré-Sal da Bacia de Santos, litoral do Estado do Rio de Janeiro, informou na sexta-feira, 03, a Petrobras. Conforme o comunicado, a unidade tem capacidade de produção de 150 mil barris de óleo por dia e compressão de 8 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. A produção de petróleo no campo tem previsão de ser iniciada ainda no terceiro trimestre deste ano. Ainda segundo a nota da estatal, ancorado a 240 km do litoral do Rio de Janeiro, em profundidade d'água aproximada de 2.240 metros, o FPSO Cidade de Itaguaí será conectado a oito poços produtores e nove poços injetores. O gás natural será exportado para terra via gasoduto submarino. Além disso, a unidade tem capacidade de armazenamento de 1,6 milhão de barris de petróleo e capacidade de injeção de 264 mil barris de água por dia. Com conteúdo local de 65%, o Cidade de Itaguaí teve 12 módulos construídos no Brasil, sendo 10 no canteiro da Empresa Brasileira de Engenharia (EBE), em Itaguaí (RJ) e dois no canteiro da Schahin, em São Sebastião (SP). A integração dos módulos foi realizada no estaleiro BrasFELS, em Angra dos Reis. O navio-plataforma foi contratado junto ao consórcio Schahin/Modec, responsável pela conversão do casco, construção e integração dos módulos e pela operação da unidade. A área de Iracema Norte do campo de Tupi está localizada no bloco exploratório BM-S-11, no pólo pré-sal da Bacia de Santos. O BM-S-11 é desenvolvido em parceria, na qual a Petrobras é líder e operadora do consórcio, com participação de 65%. As outras parceiras são a BG E&P Brasil Ltda, com 25%, e Petrogal Brasil SA, com 10% de participação.

Lei Eleitoral dá ao TSE o poder de cassar diploma de Dilma Rousseff

O receio do PT em relação ao processo que corre contra a campanha da reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) no Tribunal Superior Eleitoral é que ele dispensa os debates sobre impeachment. Se o tribunal entender que a campanha foi financiada por dinheiro ilegal, pode cassar o diploma da presidente e de quem mais tiver responsabilidade sobre o fato. A discussão no TSE acontece por representação ajuizada pelo PSDB contra a reeleição da presidente Dilma. O pedido se baseia no parágrafo 2º do artigo 30-A da Lei Eleitoral (Lei 9.504/1997), segundo o qual “comprovados captação ou gastos ilícitos de recursos, para fins eleitorais, será negado diploma ao candidato, ou cassado, se já houver sido outorgado”. Já o inciso XIV artigo 22 da Lei das Inelegibilidades (Lei Complementar 64/1990) determina que, julgada procedente a representação, o tribunal que a julgou determinará a cassação do diploma do candidato eleito e determinará sua inelegibilidade pelos próximos oito anos. Outra grande preocupação do partido da presidente é o fato de o TSE ter autorizado a Corregedoria-Geral Eleitoral a ouvir delatores da operação “lava jato”, que investiga denúncias de corrupção em contratos de empreiteiras com a Petrobras e com órgãos da administração pública. Alberto Youssef, acusado de ser doleiro desse esquema, e Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, já foram ouvidos pelo TSE. Ambos fizeram acordo de delação premiada na “lava jato” e são as principais fontes de informação da Polícia Federal. Esta semana, foi autorizada na corte a oitiva de Ricardo Pessôa, executivo da construtora UTC, uma das envolvidas na “lava jato”.

Renan Calheiros corteja José Serra para um vôo solo em 2018

Em meio à crise do governo Dilma Rousseff, partidos da base aliada já começam a articular candidaturas próprias ao Palácio do Planalto em 2018. O senador José Serra (PSDB-SP) é cortejado por parte do PMDB, com quem tem jogado afinado no Senado, e o PDT abriu conversa com Ciro Gomes (PROS). Com o fim da aliança com o PT já decretada por líderes como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o PMDB está de olho em Serra pelo alto índice de conhecimento nacional dele depois de ter disputado duas eleições presidenciais, em 2002 e 2010. O partido aposta na disputa interna no PSDB, que tem mais dois pré-candidatos, o senador Aécio Neves (MG) e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. As conversas têm sido conduzidas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que tem dado destaque a Serra na Casa, encampando projetos propostos pelo tucano. Renan tem chamado Serra para presidir grupos de trabalho, como o do “pacto nacional pela defesa do emprego”. Serra nega a existência de negociações com o PMDB e diz, em conversas reservadas, que ainda é cedo para discutir 2018. O tucano tem dito que o segundo mandato de Dilma está ainda no começo e que a divulgação desse assunto atrapalha seu trabalho legislativo. No relato de pessoas próximas ao senador, ele não vai tomar qualquer decisão em meio às incertezas sobre o governo Dilma. Em outra frente, o presidente do PDT, Carlos Lupi, conversou esta semana com os irmãos Ciro e Cid Gomes (PROS). Ele já havia se reunido recentemente com o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, que faz parte do mesmo grupo político.Lupi afirmou que o PDT pretende ter candidato próprio à Presidência em 2018, mas negou que a negociação com Ciro passe por esse ponto: — Primeiro vamos discutir o projeto, depois, o nome. Pode ser o (senador) Cristovam Buarque (PDT-DF). Questionado se Ciro seria um nome para a Presidência, porém, pelo PDT, Lupi diz que sim: — Não tem veto a ninguém. O movimento no PMDB em torno de filiações não se resume a Serra. Os peemedebistas do Senado estão às turras com o vice-presidente da República, Michel Temer, que é o presidente do partido, por causa da senadora Marta Suplicy (sem partido-SP), que deixou o PT. O PMDB do Senado quer filiar Marta para lançá-la à prefeitura de São Paulo, mas Temer insiste na aliança com o PT para a reeleição do prefeito Fernando Haddad (PT) com o peemedebista Gabriel Chalita de vice. Marta pretende se filiar ao PSB e tem dito que o PMDB “fechou as portas” para ela quando aderiu à gestão de Haddad.

China retira embargo a mega navios de minério da Vale

A China disse na sexta-feira que irá permitir que navios gigantes, com capacidade para 400 mil toneladas, atraquem nos portos do país, oficialmente encerrando mais de três anos de embargo que havia afetado principalmente o transporte de minério da brasileira Vale. Quatro portos, Qingdao, Dalian, Tangshan Caofeidian e Ningbo, serão autorizados a receber os cargueiros depois que eles atendam alguns requisitos técnicos, disse o órgão chinês de planejamento, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, segundo um comunicado conjunto com o Ministério dos Transportes. Os navios gigantes da Vale, conhecidos como Valemax, que foram projetados para cortar custos de frete marítimo entre Brasil e China, foram barrados pelo governo de Pequim no início de 2012 sob a alegação de preocupações com segurança. Uma porta-voz da Vale não quis comentar a mudança das regras. Sinais de relaxamento das restrições começaram a aparecer em setembro, depois que a Vale assinou um acordo para vender e depois locar navios com a China Ocean Shipping (Cosco), maior conglomerado de transporte marítimo do país. Em fevereiro a China divulgou regras reconhecendo navios com 400 mil toneladas de capacidade. Um Valemax que já foi de propriedade da Vale ancorou esta semana no porto de Dongjiakou, em Qingdao. O navio Yuan Zhuo Hai, que agora pertence a uma joint venture na qual a Cosco participa, foi comprado em maio. A capacidade dos Valemax de levar carregamentos direto para a China cortam os custos em 4 a 6 dólares por tonelada, o que é crucial para a mineradora no atual momento de margens apertadas devido à baixa nos preços do minério.

Cerveró, ex-diretor da estatal, negocia fazer delação premiada

Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da Petrobras, iniciou as negociações de um possível acordo de delação premiada na quarta-feira (1º). A conversa entre Cerveró, advogados da defesa, procuradores e representantes da Polícia Federal aconteceu na tarde de quarta-feira na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Pela manhã, ele havia recebido visita da esposa. Pessoas próximas à família afirmaram que a decisão de negociar deve-se ao estado de saúde do ex-diretor. Preso desde janeiro, ele vem sofrendo ataques de pânico, apesar de tomar medicação para ansiedade e ter acompanhamento de psiquiatra. Na quinta-feira (25), o ex-diretor retornou do Complexo Médico Penal, em Pinhais, para a sede da Polícia Federal, em Curitiba, onde passou a dividir a cela com o doleiro Alberto Youssef. Pessoas que tiveram contato recente com Cerveró afirmam que não é raro vê-lo usando roupas sujas. Os problemas psiquiátricos geraram questionamentos sobre as reais contribuições de uma eventual delação. Em maio, Cerveró foi sentenciado a cinco anos de prisão em regime fechado pelo crime de lavagem de dinheiro. O ex-diretor também é figura central na compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, e é suspeito de receber US$ 40 milhões de propina para intermediar a contratação de navios-sonda. Por ser apontado como um dos arrecadadores do PMDB, sua eventual delação é vista como um dos principais caminhos para se chegar a caciques do partido, como o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. A advogada de Cerveró, Alessi Brandão, disse que "no momento" não pode falar do acordo. Cerveró sempre negou as acusações à CPI da Petrobras e à Justiça.

Auditoria aponta que o governo do Maranhão pagou por obras de hospital inexistente, com recurso do BNDES

Uma auditoria realizada por um grupo de trabalho criado pelo governo do Maranhão aponta que a gestão anterior, da sinhazinha Roseana Sarney, pagou por serviços não executados em um hospital ainda em início de obras no município de Rosário (a 67 km de São Luís). O hospital deveria ser erguido à margem da BR-135, a 5 km da sede da cidade de Rosário. A auditoria aponta que, dos R$ 4,8 milhões já pagos pela Secretaria de Saúde, foram feitos serviços que justificariam apenas o pagamento de R$ 591 mil, que seriam por medições iniciais. O prejuízo estimado aos cofres públicos foi de R$ 4,2 milhões. No local há apenas uma área de terra, com mato e sem nenhum tijolo erguido. O trabalho foi conduzido pela Secretaria de Transparência, que entregou o documento à Polícia Civil, ao Ministério Público Estadual e ao Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) do Maranhão. Uma auditoria especial também será realizada para aprofundar as investigações do caso. Segundo os auditores, apenas 3,2% do cronograma da obra foi executado, mas 26% do contrato já foi pago. Os recursos - R$ 18,2 milhões - para o Hospital de Rosário estão sendo financiados pelo BNDES. "Evidências indicam que as liquidações das despesas foram feitas de má-fé, uma vez que os atestados dos serviços não foram respaldados por boletins de medição e notas fiscais fidedignas, já que não correspondem aos trabalhos efetivamente executados", diz o relatório. O documento aponta ainda ausência de estudos técnicos, paralisação da obra sem manifestação da administração, incapacidade dos projetos de engenharia e arquitetura e falta de estimativas de custos de operação e manutenção do hospital. O ex-secretário de Saúde do Maranhão e cunhado da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), Ricardo Murad, então responsável pela obra, classificou o relatório como "factoide com informações manipuladas" e negou superfaturamento. Em nota, ele disse que os R$ 4,8 milhões foram pagos por serviços executados pela construtora. Murad alega que R$ 1,1 milhão foi usado para serviços de instalações provisórias, mobilização de equipamentos, levantamentos geotécnicos e topográficos e administração. Já os serviços de terraplenagem tiveram custo total de R$ 3,2 milhões. "As medições que justificaram os valores faturados podem ser facilmente comprovadas pela empresa gerenciadora do BNDES. Não há possibilidade contratual de pagamentos terem sido feitos sem a aprovação da gerenciadora do BNDES", diz. O ex-secretário acusa o atual governo de suspender a obra por interesse político.

A socialite Marta Suplicy se filiará ao PSB no dia 15 de agosto

Depois de adiar seu ingresso no PSB, que estava prevista para acontecer no mês passado, e ensaiar uma aproximação com o PMDB, a senadora paulista Marta Suplicy (sem partido), até recentemente petista, finalmente acertou com a cúpula pessebista que assinará sua ficha de filiação no dia 15 de agosto. A decisão foi tomada nesta sexta-feira, 3, em reunião no Recife da qual participaram o presidente nacional da sigla, Carlos Siqueira, e o vice-governador de São Paulo, Márcio França, que controla a legenda no Estado. A idéia da partido é organizar um grande ato na periferia da capital paulista para criar um fato político. Na ocasião ela será anunciada como pré-candidata ao lado dos principais quadros do PSB no País. A expectativa é de que até Renata Campos, viúva de Eduardo Campos, morto em agosto de 2014, esteja presente. Ex-prefeita da capital paulista e ex-ministra da Cultura, Marta deixou o PT no fim de abril depois de fazer duras críticas ao partido. Segundo aliados, apesar das conversas da senadora com o PSB, havia o temor de que França pudesse obstruir as negociações com outros partidos para tentar manter a sigla na órbita do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Na conversa de sexta, a senadora recebeu garantias de que comandará o diretório paulistano do PSB, terá espaço na direção estadual da sigla e ouviu que sua candidatura será prioritária em 2016. “Não me incomodo com o fato de ela conversar com o PMDB. Ela não pode ignorar um partido tão grande”, diz Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB. Segundo pessoas próximas à senadora, a aproximação com o PMDB cumpriu um papel estratégico de forçar uma garantia concreta do PSB de que ela não será refém do projeto político de Alckmin em 2016 e 2018. Além da dificuldade de conseguir o comando do PMDB na capital, ocupado pelo secretário municipal de Educação, Gabriel Chalita, aliado do PT, o eleitorado fiel a Marta Suplicy na periferia mostrou resistência ao partido de Michel Temer. Desde que sinalizou que romperia com o PT e passou a criticar abertamente a presidente Dilma Rousseff, Marta vem sendo assediada por vários partidos de oposição. Até o PSDB, rival histórico da ex-prefeita, tentou se aproximar. Em uma conversa no Senado, Marta recebeu um convite do senador Aécio Neves para se filiar ao partido, mas respondeu que seus eleitores “não entenderiam uma guinada de 180°”. Apesar de declinar do convite, ela estreitou as relações com os tucanos e até já articulou um pacto de não agressão na disputa pela capital no ano que vem. Dirigentes do PSDB paulista vão além e garantem reservadamente que apoiarão a senadora se ela passar para o segundo turno contra Fernando Haddad (PT) ou Celso Russomanno (PRB). Caso um tucano passe, a legenda espera contar com apoio dela. A rotina de Marta no Senado mudou desde que ela entrou em confronto aberto com o PT e o governo. “Quem diria que eu um dia estaria andando de braços dados com o Serra e o Aloysio no Senado”, brincou recentemente a senadora durante uma visita a um bairro da periferia paulistana. Quando questionada sobre sua “mudança de lado”, a resposta estava na ponta da língua: “Estamos unidos pelo interesse de São Paulo”. Em um gesto de boa vontade, Marta chegou a convidar o vereador Andrea Matarazzo, pré-candidato do PSDB à prefeitura , para escrever um artigo em seu site. Matarazzo, no entanto, recusou a oferta.