domingo, 26 de outubro de 2014

Istoé/Sensus: Aécio Neves tem 52,1% e Dilma, 47,9%

Pesquisa realizada entre os dias 24 e 25 de outubro e divulgada na noite deste sábado pela revista IstoÉ em parceria com o Instituto Sensus mostra o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, à frente da candidata do PT, Dilma Rousseff. Aécio Neves apareceu com 52,1% das intenções de votos válidos, ante 54,6% na pesquisa anterior, divulgada na sexta-feira. Dilma ficou com 47,9% das intenções de votos válidos, ante 45,4% na pesquisa anterior. Se for considerado o número total de votos, Aécio Neves aparece com 45,7% e Dilma com 42%. O levantamento mostrou também que Aécio Neves tem índice de rejeição de 35,3%, enquanto Dilma tem 42,5%. A pesquisa realizou 2 mil entrevistas em 136 municípios, abrangendo as cinco regiões do País. A margem de erro é de dois pontos para mais ou dois pontos para menos. O nível de confiança é de 95%. Seu registro na justiça eleitoral é BR-01193/2014.

Aécio pede que Polícia Federal apure ameça de morte nas redes sociais contra ele e sua família

O candidato do PSDB, Aécio Neves, denunciou a Polícia Federal, neste sábado, que ele e sua família estão sendo alvo de ameaças de morte nas redes sociais. Em nota divulgada agora à noite, a coligação do candidato informou que, durante a tarde, após confirmada a visita do senador a São João del Rei, pessoas do campo político contrário à sua candidatura presidencial passaram a divulgar as mensagens. Um dos autores que pregam “morte aos Neves”, segundo investigações preliminares, seria um professor da Universidade Federal de São João Del Rei. “É lamentável o clima de intolerância estimulado pela campanha adversária, baseada em mentiras e calúnias, que levou a essa situação de agressividade jamais vista na democracia brasileira” diz a nota. Informa ainda que a Polícia Federal, que já se encontrava na cidade para investigar o uso da estrutura física da Universidade Federal de São João Del Rei para divulgar material calunioso contra o senador, irá apurar também essas ameaças, a pedido da assessoria jurídica da coligação, que pleiteia a apuração da relação entre os autores das ameaças e os interesses políticos defendidos. Na primeira postagem em uma página no Facebook, um homem diz: “morte aos Neves”. Um outro internauta vai além: “É isso ai! Morte aos Neves e a tudo que representam”. Em seguida, ao saber que a Polícia Federal estava na cidade investigando o caso, um professor fez um alerta, em letras com caixa alta, pedindo que cessassem as agressões pois a PF estava na cidade. “Querido, por favor, a situação é grave. Não poste nada de política, siglas, nomes de candidatos. Grave, gravíssimo, estado de alerta. Não poste nada, a tarde está pesada”. Outra pessoa escreve e tenta defender Aécio: “essa é a questão sim, pois também se trata de uma calúnia dizer que a federalização da UFSJ se deve unicamente a Aécio. E é uma atitude errônea usar isso como propaganda. E sim Alexandre, aproveitamos que a Polícia Federal esta´na cidade”.

sábado, 25 de outubro de 2014

EX-ADVOGADO DA CAMPANHA DE DILMA, QUE ESTÁ NO TSE, CENSURA CAMPANHA PUBLICITÁRIA DA VEJA E CONCEDE DIREITO DE RESPOSTA AO PT. REVISTA RECORRE AO SUPREMO



O TSE decidiu censurar a publicidade habitual que a revista VEJA faz de suas edições, a exemplo de qualquer outro veículo de comunicação. Por quê? Porque traz a reportagem informando que, segundo Alberto Youssef, Dilma Rousseff e Lula sabiam da roubalheira na Petrobras. O texto também informa que o doleiro se dispôs a ajudar a polícia a localizar contas secretas do PT no Exterior. Segundo o ministro Admar Gonzaga, “ainda que a divulgação da VEJA apresente nítidos propósitos comerciais, os contornos de propaganda eleitoral, a meu ver, atraem a incidência da legislação eleitoral, por consubstanciar interferência grave em detrimento de uma das candidaturas”. Gonzaga foi advogado da campanha presidencial de Dilma em 2010. A justificativa é absurda: “em detrimento de uma das candidaturas” por quê? Quer dizer que, se houvesse um outro doleiro que disse algo parecido sobre o PSDB, aí tudo bem? Uma revista agora fica obrigada a fabricar escândalos “do outro lado” quando topa com o escândalo “de um dos lados”? O nome disso é censura. A ABI (Associação Brasileira de Imprensa) classificou a decisão provisória do TSE de “inconstitucional”. Segundo a entidade, “a intervenção do TSE, além de extemporânea, fere a liberdade de imprensa, agride o Estado de Direito e conspurca os princípios que regem a atividade econômica em nosso país”.
Direito de resposta?
Admar Gonzaga está mesmo inquieto. Há pouco, concedeu à campanha de Dilma direito de resposta, determinando que o site da VEJA publique a contestação da reportagem. A revista recorreu ao Supremo contra as duas decisões.
Tenham a santa paciência. Parece que está caracterizado um ânimo de perseguição do PT contra a VEJA. Como o ministro Admar Gonzaga explica o fato de que, neste sábado, Folha e Estadão tenham publicado reportagens que endossam o que publicou VEJA, sem que os petistas tenham recorrido à Justiça?
A decisão do ex-advogado da campanha de Dilma embute um entendimento sobre o papel da imprensa: proteger candidatos de si mesmos, de suas respectivas trajetórias, de seus atos. O que ele queria? Que a revista tivesse escondido a informação?
Lembro aqui dois dispositivos constitucionais.
Inciso IX do Artigo 5º da Constituição:
“IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;”
Artigo 220:
“A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 1º – Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.
§ 2º – É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.”
Ou Admar Gonzaga não leu esses dois trechos ou decidiu não concordar com eles. Por Reinaldo Azevedo

Argentina condena 15 à prisão perpétua por mortes na ditadura

Alguns dos vinte e um homens acusados ​​de crimes contra a humanidade durante a ditadura militar da Argentina são fotografados na sala do tribunal de julgamento, na cidade de La Plata

Quinze pessoas, entre militares da reserva e civis, foram condenadas à prisão perpétua por violações dos direitos humanos cometidas durante a ditadura na Argentina (1976-1983). A condenação aconteceu na sexta-feira, em um tribunal de  La Plata (62 quilômetros da capital Buenos Aires). Outras quatro pessoas foram sentenciadas a doze e treze anos de prisão e dois réus foram absolvidos. O grupo foi acusado de torturar e matar 135 pessoas, entre elas, a filha de Estela de Carlotto, líder da organização Avós da Praça de Maio, grupo que luta para encontrar familiares desaparecidos durante a ditadura. Segundo a acusação, as violações dos direitos humanos aconteceram em um centro clandestino de detenção, conhecido como "La Cacha", na periferia de La Plata. Estela Carlotto compareceu ao julgamento acompanhada do neto Guido Montoya, de 36 anoso qual reencontrou recentemente, após quase quatro décadas de busca. Os dois se abraçaram, enquanto o público aplaudia a leitura da sentença. O julgamento foi transmitido pela internet pelo Centro de Informação Judicial. Em seus 37 anos de existência, a organização Avós da Praça de Maio, fundada por Carlotto, conseguiu devolver a identidade de 115 bebês roubados na ditadura. Outros 400 filhos de presos políticos desaparecidos são procurados até hoje. Este ano, Carlotto recebeu distinções e reconhecimento internacional por seu trabalho humanitário na organização. Entre os réus condenados, o ex-chefe da polícia de Buenos Aires, Miguel Etchecolatz, que acumulou a segunda condenação à prisão perpétua. Além dos militares da reserva, também foram julgados membros do Serviço Penitenciário e civis, como o ex-funcionário do regime Jaime Smart. Desde que foram anuladas as Leis de Anistia no país, há dez anos, 547 ex-militares e ex-policiais foram condenados. Dos ditadores, o único ainda vivo é o ex-general Reynaldo Bignone, de 85 anos, que cumpre seis condenações por graves violações dos direitos humanos. Cerca de 30.000 pessoas desapareceram na ditadura, segundo grupos argentinos de defesa dos diretos humanos.

Debate na Globo bateu recorde de interações no Facebook

O debate presidencial com Aécio Neves e Dilma Rousseff, exibido na noite de sexta-feira pela Rede Globo, bateu recorde de interações no Facebook entre todos os debates das eleições deste ano. Ao todo, foram 19,9 milhões de comentários, posts e compartilhamentos. O número é praticamente o mesmo da soma das interações na rede social de todos os debates do primeiro turno juntos: 20 milhões. No debate do primeiro turno na Globo, haviam sido registradas 12,9 milhões de interações, ou seja, quase a metade do vista na noite passada. Segundo o Facebook, nas três horas do confronto ( duas horas de exibição e mais uma hora posterior) foram registrados mais de 6,6 milhões de comentários por hora, ou 36,6 mil por minuto. Considerando os dados desde o início da campanha eleitoral, em 6 de julho, foram geradas 594,4 milhões de interações no Facebook. O recorde anterior havia sido registrado durante as eleições indianas, realizadas no início de 2014, de 227 milhões. O volume brasileiro foi, porém, 2,6 vezes maior do que o registrado na Índia, que tem uma população seis vezes maior que a do Brasil e acumulou 227 milhões de interações durante a campanha deste ano. O Brasil já havia batido o volume indiano no primeiro turno, quando somou 346 milhões de interações. Somente no segundo turno, período de 21 dias, foram geradas 248,4 milhões de interações na rede. Nos 91 dias de campanha do primeiro turno houve 3,8 milhões de interações diárias, contra 13 milhões no segundo (3,4 vezes maior). Segundo levantamento feito pelo Facebook e pelo Social Bakers, nestas eleições, três em cada cinco eleitores brasileiros têm conta na rede social e metade dos brasileiros presentes na rede gerou algum tipo de interação sobre eleições durante a campanha. Na disputa por fãs na rede social, Aécio venceu. O candidato tucano já começou a campanha na frente, com 800.000 fãs, contra 508.500 da presidente. Na medição feita neste sábado, dia 25 de outubro, Aécio contava com 3.350.822 fãs, 4,1 vezes mais do que no início da campanha. Já a candidata à reeleição, fechou com 1.805.325 fãs, 3,5 vezes maior.

Ato de apoio a Aécio Neves reúne multidão na Avenida Paulista

Manifestação de apoio ao candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, leva centenas de eleitores para a avenida paulista, neste sábado (25), em São Paulo

Um ato de apoio ao candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, reuniu pelo menos 8.000 pessoas neste sábado na Avenida Paulista, em São Paulo, segundo informações da Polícia Militar. Já os organizadores do evento contabilizaram 12.000 pessoas. A caminhada começou às 15 horas no vão livre do Masp e seguiu pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio, até o Parque do Ibirapuera. "É um momento histórico, do qual São Paulo vai se lembrar para sempre", afirmou ao site de VEJA o senador eleito José Serra, que participou da marcha. O tucano conquistou nestas eleições uma vaga no Congresso com mais de 11 milhões de votos. Também participaram do evento Eduardo Jorge (PV), derrotado na corrida pelo Planalto, o vereador tucano Andrea Matarazzo e o deputado federal Walter Feldman (PSB), porta-voz da Rede, grupo político da ex-senadora Marina Silva. Em terceiro lugar na corrida presidencial, Marina declarou apoio a Aécio neste segundo turno. Nas ruas, famílias com crianças, idosos e jovens acompanhavam o carro de som e empunhavam faixas de apoio ao candidato, além de diversos exemplares da revista VEJA desta semana, cuja reportagem de capa revela que o doleiro Alberto Youssef, um dos pivôs de um megaesquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propinas a políticos e partidos desvendado pela Operação Lava Jato, afirmou em delação premiada à Polícia Federal que Dilma e Lula tinham conhecimento do assalto aos cofres da Petrobras. O ato foi organizado pelas redes sociais e grupos de discussão do WhatsApp com o hashtag #vemprarua, a mesma usada pelos manifestantes que protestaram em 2013. “No entanto, ao contrário daqueles atos, queremos mudar o Brasil por vias institucionais, pelo voto”, afirmou ao site de VEJA o empresário Rogério Chequer, de 46 anos, um dos quatro organizadores do evento. “Queremos mudança partidária e esperamos que esse movimento seja aproveitado para incluir pessoas que têm interesse político no debate pelas reformas do país.”

Ex-ministro de Dilma parabeniza vândalos que atacaram prédio da Abril

No Twitter, Orlando Silva elogia ataque ao prédio da Editora Abril

Ex-ministro de Lula e Dilma, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB) parabenizou os vândalos que depredaram na noite desta sexta-feira o prédio da Editora Abril, que publica VEJA, em São Paulo. As pichações foram assinadas pela União Juventude Socialista (UJS), ligada ao PCdoB. Em sua edição desta semana, VEJA revela depoimento prestado na última terça-feira pelo doleiro Alberto Youssef, que atuava como banco clandestino do petrolão, em que ele implica a presidente e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, no esquema de corrupção. Pelo Twitter, Silva classificou o ato de vandalismo como “corajoso” e afirmou sentir "orgulho" da depredação promovida pelo grupo. Em 2011, Orlando Silva foi defenestrado do comando do Esporte após VEJA revelar a existência de um esquema organizado pelo PCdoB na pasta para desviar dinheiro público usando ONGs amigas como fachada. O então ministro foi apontado como mentor e beneficiário dessa engrenagem. 

Datafolha: Aécio sobe e empata tecnicamente com Dilma

Candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB)

Pesquisa Datafolha divulgada na tarde deste sábado aponta que o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, recuperou terreno na véspera das eleições e está tecnicamente empatado com a presidete-candidata Dilma Rousseff (PT), no limite da margem de erro de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. Segundo o levantamento, encomendado pelo jornal Folha de S. Paulo e pela TV Globo, a petista lidera a corrida com 52% das intenções de votos válidos (excluídos brancos, nulos e os eleitores indecisos), e o tucano tem 48%. Na sondagem anterior, feita pelo instituto, nos dias 22 e 23, Dilma marcava 53%, e Aécio tinha 47%. Se considerados os 5% de eleitores que pretendem votar em branco ou nulo e outros 5% de indecisos, Dilma tem 47% das intenções de voto, e Aécio, 43%. O instituto entrevistou 19.318 eleitores, em 400 municípios brasileiros, na sexta-feira e neste sábado. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral com o número BR-1210/2014.
Pesquisa eleitoral 25/10

As pesquisas: Aécio está em ascensão. Ou: Melhor enfrentar as dificuldades andando institucionalmente para a frente, com o tucano, do que para trás, com Dilma

Quem vai ganhar a eleição? Não sei. Espero que seja Aécio Neves, do PSDB. Certas ou erradas, as respectivas pesquisas dos dois institutos mais conhecidos, Ibope e Datafolha, captam o que parece inequívoco: o tucano está recuperando votos. Vários fatores podem ter contribuído para isso. Um deles, certamente, é o debate da TV Globo, com 30 pontos de audiência, coisa digna, assim, de um jogo entre Corinthians e Flamengo. O desempenho de Aécio, reconhecem os próprios petistas, foi arrasador; o de Dilma, constrangedor. Se havia gente em dúvida sobre quem parece mais competente para dirigir o país, não foi difícil tomar uma decisão. Há, sim, o efeito da reportagem publicada por VEJA na sexta-feira. Segundo Alberto Youssef, Dilma e Lula sabiam das lambanças ocorridas na Petrobras. A propósito: agora não é mais só a VEJA. A Folha e o Estadão reafirmaram a apuração da revista, como se isso fosse necessário. Estamos lidando com fatos, não com o boatos, desde a primeira hora. Se alguém mentiu, não foi a imprensa.  O PT, Lula e Dilma vão processar também os dois jornais? Dilma foi à TV, no horário eleitoral, demonizar a revista, estimulando uma verdadeira campanha do ódio contra a publicação. No dia seguinte, uns 10 ou 12 truculentos foram à porta da Editora Abril para protestar. Até aí, vá lá. Mas fizeram a seu modo: picharam a área externa do prédio, rasgaram exemplares da revista, pediram “controla social da mídia” — outro nome para a censura. Sim, eram eleitores de Dilma. Ela não mandou ninguém quebrar nada, é claro. À medida, no entanto, que uma presidente da República sataniza abertamente uma publicação que apenas cumpriu o seu dever,  é evidente que está emitindo um sinal. Aliás, a presidente emite um péssimo sinal também para a hipótese de ter um segundo mandato. A exemplo do que já faz o seu partido, é possível que queira governar com a faca nos dentes, num ambiente em que terá metade do eleitorado na oposição, uns 20% que se abstiveram, quase 10% que não votaram em ninguém, uma economia com crescimento perto de zero, pressão inflacionária, baixos investimentos… Se ganhar, Dilma vai ter de arcar com as consequências de ter exercitado o discurso do ódio, do rancor e do confronto. Esses fatores todos, tudo indica, estão pesando na reta final. Vamos ver. Em dois dias, a distância no Ibope e no Datafolha caiu dois pontos: é de seis a favor da petista no primeiro instituto (53% a 47%) e de quatro, na margem de erro, no segundo: 52% a 48%. No MDA, Aécio aparece numericamente à frente 50,3% a 49,7%. Acho, sim, que a diferença tende a ser apertada e torço para que esteja em curso uma onda pró-Aécio — ou que a onda sempre tenha existido e jamais tenha sido percebida por alguns institutos. É o melhor para o Brasil. A vida do futuro governante não será fácil, qualquer que seja o eleito. Mas é melhor enfrentar as dificuldades andando institucionalmente para a frente — com Aécio — do que para trás, com Dilma. Por Reinaldo Azevedo

Aécio se recupera, diminui distância no Ibope, empata no Datafolha e está numericamente à frente de Dilma no MDA

Segundo o Ibope, o tucano Aécio Neves (PSDB) tem 47% dos votos válidos, e Dilma Rousseff (PT), 53% — uma diferença de seis pontos. Há dois dias, a distância apontada pelo instituto era de 8. No Datafolha, a petista tem 52%, e o tucano, 48%, uma diferença de quatro pontos — que está na margem de erro. Há dois dias, a diferença, nesse caso, era de seis. Tudo aponta para uma recuperação de Aécio. Já a pesquisa CNT/MDA mostra empate técnico, mas com Aécio na frente: 50,3% a 49,7%. Voto daqui a pouco.

Doleiro desmaia na carceragem e é levado para UTI em Curitiba

O doleiro Alberto Youssef foi encaminhado neste sábado, 25, para a UTI do hospital Santa Cruz em Curitiba, após sofrer forte queda de pressão na hora do almoço, chegando a desmaiar na carceragem após a refeição. A suspeita é de ele que tenha sofrido um enfarte, mas o doleiro ainda será submetido a exames cardiológicos. “É o estresse pelo qual está passando, é natural. Mas não tem diagnóstico ainda”, afirmou o advogado de defesa do doleiro, Antonio Figueiredo Basto. Caso se confirme o enfarte, essa será a terceira vez que ele sofre de parada cardíaca desde que caiu no radar da Polícia Federal. A primeira foi no ano passado, quando ainda era monitorado pela PF, sem saber. Nas conversas interceptadas com autorização judicial, ele e seus subalternos comentam o episódio em que o doleiro esteve internado por conta do coração. Já em 2014, após ser preso, ele teve outra internação em julho, quando chegou a passar por um cateterismo. Principal alvo da Operação Lava Jato, que teria lavado cerca de R$  10 bilhões, o doleiro está preso na carceragem da Polícia Federal no Paraná. Ele é acusado de liderar um esquema de desvio de dinheiro público e pagamento de propinas a políticos envolvendo a Petrobrás. Alvo de 4 ações penais na Justiça Federal do Paraná, Youssef decidiu fazer uma delação premiada e vem prestando depoimentos ao Ministério Público Federal, nos quais revelou que o ex-presidente Lula  teria dado uma ordem em 2010 ao então presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, para que ele resolvesse uma pendência com uma agência de publicidade suspeita de integrar o esquema de corrupção na estatal. O doleiro, contudo, não apresentou nenhum detalhe ou prova. Os depoimentos estão sendo tomados em sigilo e ainda serão submetidos ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, que vai decidir se homologa ou não o acordo. Caso seja homologado, o doleiro poderá conseguir atenuar sua pena.

Doleiro diz que Lula mandou pagar agência envolvida na corrupção. A ordem de Lula para Gabrielli: "Pague essa merda !"

Os jornalistas Ricardo Brandt e Fausto Macedo, no Estadão deste sábado, contam que o  doleiro Alberto Youssef afirmou nos termos de sua delação premiada que o então presidente da República, o alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista, durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr. em seu livre "Assassinato de Reputações") deu ordem em 2010 ao então presidente da Petrobras, o petista José Sérgio Gabrielli, para que ele resolvesse uma pendência com uma agência de publicidade suspeita de integrar o esquema de corrupção na Petrobrás. “O Lula ligou para o Gabrielli e falou que tinha que resolver essa merda”, revelou o doleiro em um dos seus vários depoimentos que vem prestando à Justiça a fim de tentar reduzir sua pena ao colaborar com as investigações da Operação Lava Jato.

Aécio vence rigorosamente todos os embates com Dilma nesta sexta; tucano faz na Globo o melhor debate da série, e Dilma, o pior

Nunca antes na história desta eleição o tucano Aécio Neves tinha se saído tão bem num debate, e a petista Dilma Rousseff, tão mal. Ele é, nem petista pode negar, um debatedor mais competente do que ela, mas a desproporção jamais havia sido tão gritante. No encontro da Globo, Aécio foi melhor do que a média de Aécio, e Dilma, pior do que a média de Dilma. A presidente-candidata estava com o raciocínio confuso, mais do que de hábito, o discurso lhe saía truncado, as ideias, aos borbotões, sem um eixo organizador. Se é assim que ela pensa no dia a dia da administração, muita coisa se explica.

Dilma, a rigor, levou um direto no queixo logo no primeiro embate, ficou atordoada e não conseguiu mais se recuperar. O tucano abordou a reportagem publicada por VEJA, segundo a qual o doleiro Alberto Yussef confessou à Polícia Federal e ao Ministério Público que ela e Lula sabiam das lambanças ocorridas na Petrobras. O candidato do PSDB disse que daria a Dilma a chance de se explicar e perguntou: “A senhora sabia?” Dilma resolveu atacar a revista VEJA e anunciou que tomará decisões na Justiça. Na réplica, Aécio lamentou a resposta, criticou a sordidez dos ataques de que foi vítima e indagou se a adversária se orgulhava da campanha que fez. Dilma não respondeu; tartamudeou. O massacre se anunciava. Não vai aqui, acreditem, torcida ou juízo ditado por afinidades eletivas. Revejam o confronto. Dilma não conseguiu vencer um único embate.
Sobre a “questão VEJA”, uma nota rápida: neste sábado, outros grandes veículos de comunicação fazem relatos parecidos, alguns até com detalhes novos. A exemplo do que faz a revista, atribuem as informações a Alberto Youssef, fornecidas no curso da delação premiada. Dilma pretende processar todos eles ou tem especial predileção por VEJA?
Notem: acho que os petistas podem destacar aspectos virtuosos de sua gestão ao longo de 12 anos. Não estão no terceiro mandato, com chances reais de conquistar o quarto, porque só cometam equívocos. Por que, então, precisam apelar com tanta determinação ao que não aconteceu, atribuindo aos adversários o que não fizeram? Resposta: porque esse é e sempre foi o jogo de Lula; o jeito que ele tem de fazer política.
Dilma disse que FHC deixou como herança uma inflação maior do que a que herdou — é falso! Que o governo (de novo!) tucano proibiu a construção de escolas técnicas. É falso. Atribuiu ao PSDB a responsabilidade por Minas ser a segunda unidade da Federação mais endividada do país. É falso. A dívida é a segunda, mas a gestão do partido, que pegou o Estado quebrado, reduziu o endividamento em 37%. A presidente-candidata disse ainda que os tucanos não têm apreço pelo salário mínimo. É falso. Nas gestões FHC, o aumento real passou de 85%. Segundo Dilma, seus adversários são contra o Enem. Ocorre que ele foi criado na gestão Paulo Renato — ministro de Educação de FHC. A petista voltou a chamar as ETECs de São Paulo, nas quais se inspira o Pronatec, de escolas experimentais. Falso! São 217 escolas, com 221 mil alunos.
Dilma levou algumas invertidas inesperadas porque o adversário já conhecia a resposta e tinha planejado o contra-ataque. Aécio perguntou se ela continuava a achar José Dirceu um herói ou se considerava justa a punição que lhe foi aplicada. A presidente-candidata fez o que dela se esperava: devolveu com o que chama de “mensalão mineiro”. Coube ao tucano o arremate: um dos coordenadores da campanha da petista em Minas é Walfrido dos Mares Guia, peça-chave do que ela chama mensalão mineiro. Então Dilma acredita que esse tal crime aconteceu, mas chama seu principal organizador para a coordenação de sua candidatura em Minas?
O momento emblemático se deu no confronto sobre a corrupção. Um dos indecisos quis saber o que era preciso fazer para combatê-la. Cada candidato elencou as suas medidas e coisa e tal, mas Aécio partiu para a política: a mais eficaz das medidas, disse ele, é mesmo tirar o PT do poder.
Dilma perdeu feio até quando parecia que poderia ganhar. Quando se debate a questão das aposentadorias, Aécio afirmou que pretende criar um meio de acabar com o fator previdenciário. Mais uma vez, convidou Dilma para o corpo a corpo, e ela foi, afoita: afirmou que o dito-cujo foi criado no governo FHC. É verdade. E Aécio concordou. Só que ele lembrou que o Congresso aprovou o fim do fator, mas que Lula vetou. Xeque-mate.
Quantos votos o bom desempenho num debate muda ou conquista? Ninguém sabe. O fato é que Aécio está no segundo turno, contra a previsão de todos os institutos de pesquisa. E foi, sem dúvida, o melhor debatedor da jornada. Venceu o embate. Vamos ver agora o que acontece nas urnas. Para encerrar: o debate da Globo teve quase audiência de novela: 30 pontos. Foi um banquete para os indecisos.
Caso os principais institutos de pesquisa voltem a cometer erros gritantes, já dispõem de uma boa desculpa: foi o debate da Globo que mudou tudo! Por Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Déficit das contas externas quase triplica e chega a US$ 7,9 bilhões, o maior desde 1947

Nem mesmo a alta de quase 10% do dólar – que poderia impulsionar as exportações e frear os gastos – fez com que o Brasil não registrasse o pior rombo nas contas externas em setembro. Muito pelo contrário. O déficit cresceu nada menos que 186% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado de todas as trocas de serviços e comércio com o restante do mundo ficou negativo em US$ 7,9 bilhões: o maior desde 1947, quando o Banco Central começou a registrar os dados. O rombo acumulado nos últimos 12 meses representa 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB). É a pior relação desde fevereiro de 2002. O déficit de setembro veio muito acima do previsto pelo Banco Central. A aposta da autarquia era de um resultado negativo de US$ 6,7 bilhões. Essa disparada do rombo das contas externas foi provocada pelo déficit da balança comercial em setembro de US$ 940 milhões. O País ainda gastou US$ 4,7 bilhões em serviços. Praticamente a metade disso é de gastos com viagens internacionais. Apesar do dólar mais caro, o brasileiro bateu novamente um recorde de despesas em viagens ao Exterior. Só em setembro, o turista deixou US$ 2,4 bilhões lá fora: nunca o Banco Central registrou uma gastança desse tamanho nesse mês. É ainda o segundo maior gasto para qualquer mês. Só perde para julho, período de férias escolares. "Houve uma redução da corrente de comércio tanto das exportações quanto das importações. Agora, em setembro, houve queda maior das exportações. A gente pode atribuir isso a perda de preços de itens importantes da nossa pauta", explicou o chefe do departamento econômico do Banco Central, Túlio Maciel. No ano, as chamadas transações correntes acumulam um rombo de US$ 62 bilhões. É outro recorde. Em outubro, deve ser registrado um novo déficit de 6,6 bilhões, segundo a projeção do Banco Central. Mesmo com a sequência de dados negativos, o Banco Central repete que não há preocupação em relação à situação das contas externas brasileiras. "O fundamental aqui é olhar as condições de financiamento. E essas condições estão confortáveis", garantiu Maciel. Ele refere-se aos investimentos que chegam no País. Apesar de estar mais dependente de capitais especulativos, o Brasil recebe uma boa quantidade de recursos de boa qualidade. E em setembro, houve surpresa positiva: os investimentos estrangeiros diretos, aqueles que chegam para ampliar a capacidade de produção das fábricas, foram de US$ 4,2 bilhões. A expectativa do Banco Central era de uma entrada de US$ 3 bilhões.

Nível dos reservatórios cai mais e fica abaixo do registrado em 2001, ano do racionamento

As previsões do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para o nível de reservatórios das usinas e crescimento do consumo de energia em outubro pioraram, segundo informativo divulgado nesta sexta-feira, diante do cenário de estiagem que afeta o país. Segundo o ONS, o nível dos reservatórios do Sudeste — responsáveis por cerca de 70% da capacidade do País — chegou a 20,32% da capacidade de armazenamento, pior que os 21,4% verificados ao fim de outubro de 2001, ano do racionamento. O Operador reduziu a projeção para os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste ao fim do mês para 18,4% de armazenamento, ante previsão anterior de 19%. As chuvas esperadas para a região em outubro devem ser equivalentes a 62% da média histórica, ante 67% previstos na semana passada. No Nordeste, as represas devem encerrar o mês a 15,2% de armazenamento, sendo que as afluências em outubro ficarão muito abaixo da média, a 36%. O Norte terá chuvas equivalentes a 75% da média e o nível das represas no fim do mês deverá ser de 33,7%. No Sul, onde está chovendo acima da média, as represas devem fechar o mês a 85,7% de armazenamento, ante 90,56% verificado atualmente. O ONS já opera de forma a mitigar a redução do nível dos reservatórios das hidrelétricas, reduzindo a geração e acionando praticamente todas as termelétricas disponíveis no País. Com a elevação das temperaturas que já vem ocorrendo, o consumo de energia também segue em trajetória ascendente diante do aumento do uso de equipamentos de refrigeração. O ONS estima alta de 3% no consumo em outubro ante mesmo mês do ano passado. A previsão anterior era de alta 2,4%. Com a piora das projeções hidrológicas, o preço da energia no mercado à vista — chamado Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) — se manteve no teto de R$ 822,83 para a semana entre 25 e 31 de outubro, segundo comunicado divulgado nesta sexta pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O valor vale para todos os submercados.

Gasto de brasileiros no Exterior é recorde em setembro

Brasileiros gastaram 11,1% a mais em setembro deste ano em relação ao ano passado

O Banco Central mostrou, em sua Nota do Setor Externo divulgada nesta sexta-feira, que os brasileiros consumiram no Exterior 2,387 bilhões de dólares, valor 11,1% superior ao visto no mesmo mês de 2013. Os dispêndios também foram recorde para meses de setembro e o segundo maior resultado mensal de toda a série histórica, só perdendo para julho deste ano, com 2,41 bilhões de dólares gastos lá fora. Na outra ponta, os turistas estrangeiros deixaram no Brasil 493 milhões de dólares, queda de 2,4% ante o mesmo mês de 2013. Com isso, o saldo líquido (quanto os brasileiros gastaram a mais do que os estrangeiros) foi de 1,894 bilhão de dólares em setembro, número 15,3% maior do que o visto em igual período do ano passado. O aumento de gastos de brasileiros aconteceu mesmo com a forte oscilação do dólar ante o real. Segundo a agência Reuters, no mês passado, o dólar avançou 9,33%, fechando em 2,44 reais, a maior valorização mensal da moeda americana desde setembro de 2011. Considerando o ano todo, o saldo líquido (diferença das despesas dos estrangeiros e brasileiros) ficou negativo em 14,213 bilhões de dólares, 4,4% a mais do que no mesmo período de 2013. De janeiro a setembro, os brasileiros já consumiram 19,641 bilhões de reais (alta de 5,3% ante 2013), enquanto os turistas de fora despenderam 5,427 bilhões de dólares no Brasil (avanço de 7,7%).

Justiça condena seis envolvidos na "máfia dos sanguessugas"

Ambulância

Três empresários, dois ex-deputados federais e um vereador acusados de desviar recursos públicos destinados à saúde na chamada “máfia dos sanguessugas”, esquema descoberto pela Polícia Federal em 2006, foram condenados a até 13 anos de prisão pelos crimes de corrupção e estelionato. A sentença foi proferida na noite de quinta-feira pelo juiz federal Ali Mazloum, titular da 7ª Vara Federal Criminal em São Paulo. De acordo com o Ministério Público Federal, autor da ação, a fraude consistiu em desviar verbas de emendas parlamentares que seriam destinadas à compra de ambulâncias e materiais hospitalares para uma associação, dirigida por um dos acusados. A entidade havia firmado convênio com o Ministério da Saúde apresentando informações falsas sobre sua finalidade e área de atuação. A participação dos deputados consistiu em aprovar as emendas no Congresso por meio do recebimento de propina. Depois que o dinheiro era repassado à instituição para a compra das ambulâncias, os empresários combinavam com as empresas vinculadas ao grupo - que participariam da licitação - para fraudarem o processo. O diretor da associação, por sua vez, permitia que pessoas indicadas pelos parlamentares atuassem na elaboração de processos licitatórios fraudulentos, possibilitando a consumação dos crimes e consequente divisão do dinheiro entre todos os envolvidos. Segundo a denúncia, bens usados eram adquiridos como novos, além de estarem com preços superfaturados e, em muitos casos, os equipamentos que deveriam guarnecer as ambulâncias sequer eram comprados. Segundo a sentença, os ex-deputados federais Marcos Roberto Abramo, pastor da Universal, e Wagner Amaral Salustiano aprovaram emendas para liberar as verbas. O então dirigente da empresa ABC Saulo Rodrigues da Silva, pastor da Universal e atual vereador em Ribeirão Preto, fraudou as concorrências, e a ABC contratou as empresas controladas pelo esquema, segundo a sentença. Darci José Vedoin, Luiz Antônio Vedoin e Ronildo Pereira Medeiros foram condenados por corrupção ativa e estelionato e tiveram penas de 13 anos e cinco meses de prisão. A Justiça considerou que os ex-congressistas Marcos Abramo e Wagner Salustiano cometeram o crime de corrupção passiva. As punições deles foram de oito anos e de seis anos e oito meses de reclusão, respectivamente. A pena de Saulo Rodrigues foi de quatro anos e dois meses de prisão, por estelionato. O juiz Mazloum ressalta que o esquema, montado a partir do ano 2000, “era apenas um jogo de cartas marcadas, uma encenação teatral tendo como cenário uma ilusória prestação de serviços sociais, de modo a ludibriar a vigilância normalmente empregada pelo Poder Público”. Em valores atualizados, a decisão aponta um prejuízo em torno de 2,5 milhões de reais causados à União. A denúncia narra ainda que o núcleo criminoso formado pelos empresários atuava em diversas regiões do País. Eles contatavam prefeituras e representantes de entidades privadas, convidando-os a fazer parte das fraudes. No Congresso Nacional, também articulavam com os parlamentares visando conseguir as emendas para a aquisição de ambulâncias. Os três empresários foram condenados, cada um, a mais de 13 anos de reclusão, em regime inicial fechado, e pagamento de pena pecuniária. Os ex-deputados e o vereador receberam as penas de reclusão de 8 anos, 6 anos e 8 meses e 4 anos e 2 meses, respectivamente, todas em regime semiaberto. Foi determinada ainda a reparação dos danos causados à coletividade no valor de 500.000 reais para cada um dos réus, além da perda de sete veículos em favor da União. Os acusados poderão apelar da sentença em liberdade.

Cade aprova compra da Tyson do Brasil pela JBS

Operações da Tyson Foods no Brasil devem ser adquiridas por US$ 175 milhões

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a aquisição pela JBS da Tyson do Brasil Alimentos, empresa norte-americana de abate e produção de carne de frango in natura, de acordo com despacho publicado nesta sexta-feira no Diário Oficial da União. A JBS anunciou no fim de julho um acordo para a compra a divisão de aves da Tyson Foods no Brasil e no México por 575 milhões de dólares, em mais um passo para a expansão da sua carteira de ativos no segmento. Em documento enviado ao Cade, as partes informaram que o negócio possibilitará para a JBS a absorção de novas oportunidades decorrentes da expectativa de crescimento do mercado nacional de carne de frango. "Adicionalmente, a operação permitirá o aumento da presença da JBS no mercado internacional por meio de suas exportações". A companhia informou que as operações da Tyson Foods no Brasil seriam adquiridas por 175 milhões de dólares pela subsidiária JBS Foods, com aumento de cerca de 350 milhões de dólares na receita anual. Fundada em 2008, a Tyson do Brasil possui três unidades de processamento completamente integradas (duas em Santa Catarina e uma no Paraná).

SUS deve incluir mais três medicamentos contra hepatite C

Hepatite: doença é caracterizada por uma inflamação do fígado, que pode ser causada por infecções (virais, bactérias), pelo uso de álcool, de medicamentos e de drogas ou por doenças hereditárias ou autoimunes

Três novas drogas para o tratamento de pacientes com hepatite C devem ser incorporadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) no próximo ano. O Ministério da Saúde encaminhou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) um pedido para que priorize a análise para o registro dos medicamentos. Simultaneamente, foi enviada à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) solicitação para que seja avaliada, também em caráter prioritário, a inclusão dos remédios no SUS. "Isso não vai tirar o rigor na análise. Solicitamos apenas que seja feita de forma mais rápida”, disse o ministro da Saúde, Arthur Chioro. As drogas sofosbuvir, daclatasvir e simeprevir, se aprovadas, passariam a ser consideradas como de primeira escolha: seriam prescritas para pacientes logo no primeiro estágio do tratamento. "Estudos científicos mostram que, com elas, o tempo de tratamento seria menor do que o das drogas convencionais. Os efeitos colaterais são bem menores e, além disso, o uso é oral. As drogas atuais são injetáveis”, disse Chioro. Se o registro for concedido pela Anvisa e a Conitec considerar que as drogas trazem benefícios suficientes, o tratamento poderá ser ofertado para cerca de 60 000 pacientes nos próximos dois anos. O cálculo leva em consideração a expectativa de aumento de pessoas com diagnóstico da doença e a inclusão de pacientes com HIV também infectados pela Hepatite C. "As novas drogas podem ser usadas por soropositivos, algo que não acontece com as drogas atualmente ofertadas no sistema”, disse o ministro.  A análise da incorporação teve como ponto de partida pedidos feitos pelas associações de pacientes e por sociedades médicas. Chioro informou que alguns pacientes já conseguiram na Justiça o direito de receber, pelo SUS, os medicamentos. O vírus da hepatite C pode ser transmitido por meio da transfusão de sangue, pelo compartilhamento de material para uso de drogas ou de higiene pessoal, como lâminas de barbear e depilar, além de alicates de unha e objetos usados em tatuagens, por exemplo. Estima-se que a doença afete entre 1,4% e 1,7% dos brasileiros, a maioria acima de 45 anos de idade. "Pessoas dessa faixa etária tiveram na infância maior risco de exposição ao vírus. Não havia regras rígidas para transfusão de sangue, transplantes e até mesmo injeções eram reutilizadas”, afirmou Chioro.

Banco Société Générale planeja deixar o Brasil

Banco francês realizou duas importantes aquisições no mercado nacional: a compra dos bancos Pecúnia, dona da marca Credial, e Cacique

Banco francês realizou duas importantes aquisições no mercado nacional: a compra dos bancos Pecúnia, dona da marca Credial, e Cacique (John Schults/Reuters/VEJA)
O grupo francês Société Générale, dono dos bancos Cacique e Pecúnia, está se preparando para deixar o Brasil. A instituição financeira começou há quatro meses a negociar seus ativos, afirmaram fontes ao jornal O Estado de S. Paulo. Com um patrimônio líquido consolidado de 1 bilhão de reais (dados de 2013), as operações do Société Generale no Brasil tem fechado no vermelho nos últimos anos. Grandes bancos de varejo, como Bradesco, Santander e Itaú, foram apontados como possíveis interessados. Segundo fontes, os negócios do banco no Brasil chegaram a atrair o interesse de fundos internacionais, mas as negociações não avançaram por questões regulatórias. A venda de parte de ativos do banco também não está descartada. Procurado, o Grupo Société Générale informou, por meio de sua assessoria, que "não comenta sobre especulações ou rumores de mercado". Os bancos Bradesco e Santander também não comentaram o assunto. O Itaú negou que esteja olhando os ativos do banco francês no país. No Brasil desde 1967, o banco realizou duas importantes aquisições no mercado nacional entre 2006 e 2007, com a compra dos bancos Pecúnia, dona da marca Credial, e Cacique, respectivamente, para entrar em crédito consignado. Até então, o Société Générale atuava no Brasil como banco de investimento. O banco Pecúnia abriu portas para a instituição atuar em operações voltadas para o financiamento de automóveis, além de serviço de crédito a lojas de construção civil e vestuário. Com o Cacique, um dos líderes em crédito consignado, o banco francês expandiu sua atuação em financiamento ao consumidor. A compra desses ativos, àquela época, foi considerada relevante para o banco, uma vez que as operações de crédito consignado estavam restritas aos bancos independentes, segundo fontes de mercado. "Hoje, grandes bancos de varejo, como Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, atuam fortemente nesse mercado, esvaziando as operações de instituições independentes, como o Société", disse uma pessoa familiarizada com o assunto. Com a crise financeira de 2008, muitos bancos estrangeiros com atuação no Brasil começaram a rever seu posicionamento. "Era comum bancos estrangeiros captarem recursos de fora mais barato. No entanto, os spreads (a diferença entre o que os bancos pagam na captação de recursos e o que eles cobram ao conceder um empréstimo) no Brasil diminuíram muito", disse a mesma fonte: "Esse é o mesmo dilema de outros bancos estrangeiros que atuam no mercado brasileiro". A subsidiária brasileira do banco francês é competitiva no país em financiamento de máquinas e equipamentos para a indústria e também em aeronaves, mas essa operação não se sustenta sozinha, segundo fontes. Segundo maior banco listado da França, o Société Générale começou a reduzir o número de agências no mercado francês a partir do segundo semestre deste ano, como parte de um processo para enxugar custos. A instituição também começou a reduzir o horário de expediente bancário, em caráter de teste, uma vez que tem caído o número de clientes que vai ao banco. No início de 2013, o banco francês anunciou uma reestruturação global em seu corpo de executivos, após reportar prejuízo no ano anterior, reflexo da fraqueza da economia da zona do euro. No segundo trimestre deste ano, o banco teve alta de 7,8% em seu lucro líquido na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os ganhos subiram para 1,03 bilhão de euros, ante 955 milhões de euros do mesmo período anterior. A receita, no entanto, recuou 3,7%, para 5,89 bilhões de euros no período.

Aécio Neves: Depoimento de doleiro indica caixa dois na campanha de Dilma

O candidato à Presidência da República pelo PSDB,  Aécio Neves, fez declaração à imprensa, nesta sexta-feira (24), no Rio de Janeiro, sobre as denúncias publicadas na revista Veja

O candidato à Presidência da República pelo PSDB,  Aécio Neves, fez declaração à imprensa, nesta sexta-feira (24), no Rio de Janeiro, sobre as denúncias publicadas na revista Veja (Marcos Fernandes/Divulgação)
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou nesta sexta-feira que considera "extremamente graves" as informações reveladas por VEJA sobre o depoimento prestado na última terça-feira pelo doleiro Alberto Youssef, pivô do megaesquema de lavagem de dinheiro desmontado pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato. Como narra a reportagem, o doleiro, que atuava como banco clandestino do petrolão, implica a presidente Dilma Rousseff (PT) e Lula, seu antecessor, no esquema de corrupção. Em coletiva concedida no Rio de Janeiro, Aécio afirmou que, se comprovadas, as informações prestadas por Youssef confirmam que "houve operação de caixa dois na campanha presidencial do PT". VEJA revelou que Youssef afirmou à PF que Dilma e Lula sabiam das irregularidades na Petrobras, que era usada de forma sistemática para desviar recursos que abasteciam os caixas do PT e de outros partidos aliados. Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal, também foi preso por sua participação nos desvios. Ele e Youssef firmaram um acordo de delação premiada, o que os obriga a comprovar as afirmações que fizerem para ter a pena reduzida. “A denúncia é extremamente grave. A delação premiada é um instrumento que apenas assegura benefícios se vier acompanhada de comprovações das denúncias. É preciso que nos alertemos, porque a primeira etapa da delação feita por Paulo Roberto Costa foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal, portanto acreditando nas informações que ali foram prestadas”, afirmou o presidenciável, em rápido pronunciamento em um hotel no Leblon, Zona Sul do Rio, onde se prepara para o debate da TV Globo, nesta noite. Aécio destacou ainda o encontro narrado pelo doleiro com um integrante da coordenação da campanha presidencial do PT para tratar da repatriação de 20 milhões de reais que seriam usados na campanha de Dilma. “Se comprovado isso, é a confirmação de que houve operação de caixa dois na campanha presidencial do PT. É algo extremamente grave que tem que ser confirmado, mas é preciso que seja também apurado”, disse. O tucano também criticou a postura de Dilma: o PT tentou censurar reportagem de VEJA sobre o depoimento de Youssef, mas teve o pedido negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Infelizmente até agora a única manifestação do PT foi pela censura. Essa não é certamente a resposta que os brasileiros aguardam e o TSE negou provimento a essa solicitação. O Brasil aguarda esclarecimentos cabais e definitivos”, afirmou. Em nota, a coligação de Aécio listou quatro delitos que, se comprovadas as informações de Youssef, terão sido cometidos pelo PT — corrupção passiva, corrupção ativa, peculato e prevaricação. "Tais fatos são por si só graves e indicam, caso confirmados,  o cometimento de diversos crimes pelos dirigentes do PT. Vale dizer que, ao se confirmar que todas as infrações narradas pelo doleiro ocorriam com o conhecimento dos Srs. Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Vana Rousseff, há que se realizar um aprofundamento das investigações para verificar a sua participação nos ilícitos, seja como partícipes, coautores ou beneficiários. Importante ressaltar que, de qualquer forma, há responsabilidade criminal a ser perquirida", informou a nota. A coligação também destaca a revelação da tentativa da campanha petista de repatriar recursos estrangeiros, citada por Youssef, argumentando que isso pode levar à "extinção" do PT. "Por fim, é necessário apurar se a repatriação de recursos financeiros do exterior se concretizou, ainda que por meio de outro operador, pois, caso se confirme o ingresso de 20 milhões de reais de recursos ilegais em benefício da campanha de Dilma Rousseff, restará caracterizado o abuso de poder econômico nestas eleições. Além disso, a obtenção de recursos de procedência estrangeira por partido político poderá levar à extinção do Partido dos Trabalhadores".

PT alega "cansaço" de Vaccari para tirar tesoureiro de Itaipu; ele é apontado como operador do Petrolão pelo doleiro Youssef

João Vaccari Neto, bancário, tesoureiro do PT, ex-presidente da Bancoop, em 2010

João Vaccari Neto, bancário, tesoureiro do PT, ex-presidente da Bancoop, em 2010 (Sergio Dutti/AE/VEJA)
Arrastado para o centro do escândalo do petrolão, o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, vai pedir afastamento do cargo que ocupa no Conselho de Administração da Itaipu Binacional. Embora o grupo de conselheiros se reúna apenas a cada dois meses, conforme o regimento da usina, o partido alega que a decisão se deve a “cansaço”. Vaccari foi apontado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa de ser o elo do PT com o megaesquema de desvio de dinheiro da estatal, mas continua a fazer parte, oficialmente, do grupo de conselheiros da hidrelétrica indicados pelo governo federal. Vaccari comunicou ao partido que deixará o cargo de confiança antes de terminar seu mandato de quatro anos. As reuniões do conselho ocorrem alternadamente, no Brasil e no Paraguai. Ele recebe cerca de 20.000 reais mensais pela função. "Eu sei pelo Vaccari, meses atrás, que ele não pretende continuar. Na próxima reunião do conselho de Itaipu ele vai comunicar a saída dele no final do governo Dilma, embora o mandato dele vá até 2016", disse o presidente nacional do PT, Rui Falcão. "Ele está lá desde 2002, está cansado e quer se dedicar integralmente [ao partido]. Está cansado de se dividir entre atividades diferentes". Por enquanto, o partido poupou Vaccari. A presidente Dilma esquiva-se de comentar o caso do tesoureiro, afirmando não ter mandato para falar sobre decisões do partido - ele, no entanto, tem funções de confiança na campanha. Falcão disse que as acusações contra o tesoureiro são "vagas" e que "não há nenhuma razão para afastá-lo da sigla".

É mentira! Advogado de Youssef não desmentiu VEJA

Na VEJA.com: O advogado Antonio Augusto Figueiredo Basto, coordenador da defesa do doleiro Alberto Youssef, disse nesta sexta-feira que está impedido de se manifestar sobre as declarações de seu cliente. A mais recente edição de VEJA traz uma reportagem revelando que Youssef disse à Polícia Federal e ao Ministério Público que tanto o ex-presidente Lula como a presidente Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobras. O depoimento foi prestado na última terça-feira na presença de um delegado e de um procurador da República. Basto explicou que, devido ao segredo de Justiça, não pode comentar o processo de delação premiada de Youssef e nem fornecer qualquer detalhe sobre as declarações do doleiro. “Sobre a reportagem, o que eu disse é que não concordo com o vazamento dos depoimentos. Mas isso, num país que tem imprensa livre, cabe às autoridades investigar quem vazou”, disse o criminalista.

O senhor nega que Alberto Youssef tenha dito que o Lula e Dilma sabiam dos desvios na Petrobras?
Eu acho que as minhas declarações estão sendo usadas politicamente. Não posso me manifestar sobre um fato que é sigiloso. Nunca desmenti a reportagem da revista. Eu não posso desmentir um fato sobre o qual não posso me manifestar.
Mas o senhor tem conhecimento do teor do depoimento prestado na terça-feira.
O que estou dizendo é que não posso confirmar o teor dos depoimentos porque eles são sigilosos.
A reportagem de VEJA afirma que as declarações foram prestadas na presença de um procurador e de um delegado.
Sobre a reportagem, o que eu disse é que não concordo com o vazamento dos depoimentos. Mas isso, num país que tem imprensa livre, cabe às autoridades investigar. A imprensa é livre para divulgar o que apura, mas não posso me manifestar sobre um conteúdo que é sigiloso, sobre o qual não tenho autorização para falar. A defesa sabe de tudo que é dito nos depoimentos, mas não se pronuncia nem para desmentir nem para confirmar. Por Reinaldo Azevedo

ATENÇÃO - ATENÇÃO - MATÉRIA DA VEJA NA INTEGRA - YOUSSEF DIZ QUE LULA E DILMA SABIAM DE TUDO

EM VÍDEO - As declarações de Youssef sobre Lula e Dilma foram prestadas na presença de um delegado, um procurador da República e do advogado

EM VÍDEO - As declarações de Youssef sobre Lula e Dilma foram prestadas na presença de um delegado, um procurador da República e do advogado (Ilustração Lézio Jr./VEJA)
A Carta ao Leitor desta edição termina com uma observação altamente relevante a respeito do dever jornalístico de publicar a reportagem a seguir às vésperas da votação em segundo turno das eleições presidenciais: “Basta imaginar a temeridade que seria não publicá-la para avaliar a gravidade e a necessidade do cumprimento desse dever”. VEJA não publica reportagens com a intenção de diminuir ou aumentar as chances de vitória desse ou daquele candidato. VEJApublica fatos com o objetivo de aumentar o grau de informação de seus leitores sobre eventos relevantes, que, como se sabe, não escolhem o momento para acontecer. Os episódios narrados nesta reportagem foram relatados por seu autor, o doleiro Alberto Youssef, e anexados a seu processo de delação premiada. Cedo ou tarde os depoimentos de Youssef virão a público em seu trajeto na Justiça rumo ao Supremo Tribunal Federal (STF), foro adequado para o julgamento de parlamentares e autoridades citados por ele e contra os quais garantiu às autoridades ter provas. Só então se poderá ter certeza jurídica de que as pessoas acusadas são ou não culpadas.
Na última terça-feira, o doleiro Alberto Youssef entrou na sala de interrogatórios da Polícia Federal em Curitiba para prestar mais um depoimento em seu processo de delação premiada. Como faz desde o dia 29 de setembro, sentou-se ao lado de seu advogado, colocou os braços sobre a mesa, olhou para a câmera posicionada à sua frente e se pôs à disposição das autoridades para contar tudo o que fez, viu e ouviu enquanto comandou um esquema de lavagem de dinheiro suspeito de movimentar 10 bilhões de reais. A temporada na cadeia produziu mudanças profundas em Youssef. Encarcerado des­de março, o doleiro está bem mais magro, tem o rosto pálido, a cabeça raspada e não cultiva mais a barba. O estado de espírito também é outro. Antes afeito às sombras e ao silêncio, Youssef mostra desassombro para denunciar, apontar e distribuir responsabilidades na camarilha que assaltou durante quase uma década os cofres da Petrobras. Com a autoridade de quem atuava como o banco clandestino do esquema, ele adicionou novos personagens à trama criminosa, que agora atinge o topo da República.
Comparsa de Youssef na pilhagem da maior empresa brasileira, o ex-diretor Paulo Roberto Costa já declarara aos policiais e procuradores que nos governos do PT a estatal foi usada para financiar as campanhas do partido e comprar a fidelidade de legendas aliadas. Parte da lista de corrompidos já veio a público. Faltava clarear o lado dos corruptores. Na ter­ça-feira, Youssef apre­sentou o pon­­to até agora mais “estarrecedor” — para usar uma expressão cara à pre­sidente Dilma Rous­seff — de sua delação premiada. Perguntado sobre o nível de comprometimento de autoridades no esquema de corrupção na Petrobras, o doleiro foi taxativo:
— O Planalto sabia de tudo!
— Mas quem no Planalto? — perguntou o delegado.
— Lula e Dilma — respondeu o doleiro.
Para conseguir os benefícios de um acordo de delação premiada, o criminoso atrai para si o ônus da prova. É de seu interesse, portanto, que não falsifique os fatos. Essa é a regra que Yous­sef aceitou. O doleiro não apresentou — e nem lhe foram pedidas — provas do que disse. Por enquanto, nesta fase do processo, o que mais interessa aos delegados é ter certeza de que o de­poente atuou diretamente ou pelo menos presenciou ilegalidades. Ou seja, querem estar certos de que não lidam com um fabulador ou alguém interessado apenas em ganhar tempo for­necendo pistas falsas e fazendo acu­sações ao léu. Youssef está se saindo bem e, a exemplo do que se passou com Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras, tudo indica que seu processo de delação premiada será homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na semana passada, ele aumentou de cerca de trinta para cinquenta o número de políticos e autoridades que se valiam da corrupção na Petrobras para financiar suas campanhas eleitorais. Aos investigadores, Youssef detalhou seu papel de caixa do esquema, sua rotina de visitas aos gabinetes poderosos no Executivo e no Legislativo para tratar, em bom português, das operações de lavagem de dinheiro sujo obtido em transações tenebrosas na estatal. Cabia a ele expatriar e trazer de volta o dinheiro quando os envolvidos precisassem.
Uma vez feito o acordo, Youssef terá de entregar o que prometeu na fa­se atual da investigação. Ele já con­tou que pagava em nome do PT mesadas de 100 000 a 150 000 reais a ­parlamentares aliados ao partido no Congresso. Citou nominalmente a ex-mi­nistra da Casa Civil Gleisi Hoff­mann, a quem ele teria repassado 1 mi­lhão de reais em 2010. Youssef disse que o dinheiro foi entregue em um shopping de Curitiba. A senadora ne­gou ter sido beneficiada.
Entre as muitas outras histórias consideradas convincentes pelos investigadores e que ajudam a determinar a alta posição do doleiro no esquema — e, consequentemente, sua relevância pa­ra a investigação —, estão lembranças de discussões telefônicas entre Lula e o ex-deputado José Janene, à época líder do PP, sobre a nomeação de operadores do partido para cargos estratégicos do governo. Youssef relatou um episódio ocorrido, segundo ele, no fim do governo Lula. De acordo com o doleiro, ele foi convocado pelo então presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, para acalmar uma empresa de publicidade que ameaçava explodir o esquema de corrupção na estatal. A empresa quei­xa­va-­se de que, depois de pagar de forma antecipada a propina aos políticos, tive­ra seu contrato rescindido. Homem da confiança de Lula, Gabrielli, segundo o doleiro, determinou a Youssef que captasse 1 milhão de reais entre as empreiteiras que participavam do petrolão a fim de comprar o silêncio da empresa de publicidade. E assim foi feito.
Gabrielli poderia ter realizado toda essa manobra sem que Lula soubesse? O fato de ter ocorrido no governo Dilma é uma prova de que ela estava conivente com as lambanças da turma da estatal? Obviamente, não se pode condenar Lula e Dilma com base apenas nessa narrativa. Não é disso que se trata. Youssef simplesmente convenceu os investigadores de que tem condições de obter provas do que afirmou a respeito de a operação não poder ter existido sem o conhecimento de Lula e Dilma — seja pelos valores envolvidos, seja pelo contato constante de Paulo Roberto Costa com ambos, seja pelas operações de câmbio que fazia em favor de aliados do PT e de tesoureiros do partido, seja, principalmente, pelo fato de que altos cargos da Petrobras envolvidos no esquema mudavam de dono a partir de ordens do Planalto.
Os policiais estão impressionados com a fartura de detalhes narrados por Youssef com base, por enquanto, em sua memória. “O Vaccari está enterrado”, comentou um dos interrogadores, referindo-se ao que o do­leiro já narrou sobre sua parceria com o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto. O doleiro se comprometeu a mostrar documentos que comprovam pelo menos dois pagamentos a Vaccari. O dinheiro, desviado dos cofres da Petrobras, teria sido repassado a partir de transações simuladas entre clientes do banco clandestino de Youssef e uma empresa de fachada criada por Vaccari. O doleiro preso disse que as provas desses e de outros pagamentos estão guardadas em um arquivo com mais de 10 000 notas fiscais que serão apresentadas por ele como evidências. Nesse tesouro do crime organizado, segundo Youssef, está a prova de uma das revelações mais extraordinárias prometidas por ele, sobre a qual já falou aos investigadores: o número das contas secretas do PT que ele operava em nome do partido em paraísos fiscais. Youssef se comprometeu a ajudar a PF a localizar as datas e os valores das operações que teria feito por instrução da cúpula do PT.
Depois da homologação da de­lação premiada, que parece assegurada pelo que ele disse até a semana passada, Youssef terá de apresentar à Justiça mais do que versões de episódios públicos envolvendo a presidente. Pela posição-chave de Youssef no esquema, os investigadores estão con­fiantes em que ele produzirá as provas necessárias para a investigação prosseguir. Na semana que vem, Alberto Youssef terá a oportunidade de relatar um episódio ocorrido em março deste ano, poucos dias antes de ser preso. Youssef dirá que um integrante da ­coor­­denação da campanha presidencial do PT que ele conhecia pelo nome de “Felipe” lhe telefonou para marcar um encontro pessoal e adiantou o assunto: repatriar 20 milhões de reais que seriam usados na cam­panha presidencial de Dilma Rous­seff. Depois de verificar a origem do telefonema, Youssef marcou o encontro que nunca se concretizou por ele ter se tornado hóspede da Polícia Federal em Curitiba. Procurados, os defensores do doleiro não quiseram comentar as revelações de Youssef, justificando que o processo corre em segredo de Justiça. Pelo que já contou e pelo que promete ainda entregar aos investigadores, Youssef está materializando sua amea­ça velada feita dias atrás de que iria “chocar o país”.
DINHEIRO PARA O PT 
Lula Marques/Folhapress/VEJA
Alberto Youssef também voltou a detalhar os negócios que mantinha com o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, homem forte da campanha de Dilma e conselheiro da Itaipu Binacional. Além de tratar dos interesses partidários com o dirigente petista, o doleiro confi rmou aos investigadores ter feito pelo menos duas grandes transferências de recursos a Vaccari. O dinheiro, de acordo com o relato, foi repassado a partir de uma simulação de negócios entre grandes companhias e uma empresa-fantasma registrada em nome de laranjas mas criada pelo próprio Vaccari para ocultar as operações. Ele nega

ENTREGA NO SHOPPING
Sérgio Lima/Folhapress/VEJA
Alberto Youssef confirmou aos investigadores o que disse o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, sobre o dinheiro desviado da estatal para a campanha da exministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT-PR) ao Senado, em 2010. Segundo ele, o repasse dos recursos para a senadora petista, no valor de 1 milhão de reais, foi executado em quatro parcelas. As entregas de dinheiro foram feitas em um shopping center no centro de Curitiba. Intermediários enviados por ambos entregaram e receberam os pacotes. Em nota, a senadora disse que não recebeu nenhuma doação de campanha nem conhece Paulo Roberto Costa ou Alberto Youssef
ELE TAMBÉM SABIA
Sérgio Lima/Folhapress/VEJA
Durante o segundo mandato de Lula, o doleiro contou que foi chamado pelo presidente da Petrobras, José sergio Gabrielli, para tratar de um assunto que preocupava o Planalto. Uma das empresas com contratos de publicidade na estatal ameaçava revelar o esquema de cobrança de pedágio. Motivo: depois de pagar propina antecipadamente, a empresa teve seu contrato rescindido. Ameaçado pelo proprietário, Gabrielli pediu ao doleiro que captasse 1 milhão de reais com as empreiteiras do esquema e devolvesse a quantia à empresa de publicidade. Gabrielli não quis se pronunciar
CONTAS SECRETAS NO EXTERIOR
VEJA
Desde que Duda Mendonça, o marqueteiro da campanha de Lula em 2002, admitiu na CPI dos Correios ter recebido pagamentos de campanha no exterior (10 milhões de dólares), pairam sobre o partido suspeitas concretas da existência de dinheiro escondido em paraísos fi scais. Para os interrogadores de Alberto Youssef, no entanto, essas dúvidas estão começando a se transformar em certeza. O doleiro não apenas confi rmou a existência das contas do PT no exterior como se diz capaz de ajudar a identifi cá-las, fornecendo detalhes de operações realizadas, o número e a localização de algumas delas.
UM PERSONAGEM AINDA OCULTO
VEJA
O doleiro narrou a um interlocutor que seu esquema criminoso por pouco não atuou na campanha presidencial deste ano. Nos primeiros dias de março, Youssef recebeu a ligação de um homem, identifi cado por ele apenas como “Felipe”, integrante da cúpula de campanha do PT. Ele queria os serviços de Youssef para repatriar 20 milhões de reais que seriam usados no caixa eleitoral. Youssef disse que chegou a marcar uma segunda conversa para tratar da operação, mas o negócio não foi adiante porque ele foi preso dias depois. Esse trecho ainda não foi formalizado às autoridades.
Crédito: Broglio/AP/VEJA
ATÉ A MÁFIA FALOU - Tommaso Buscetta, o primeiro mafi oso a fazer delação premiada. Na Sicília, seu sobrenome virou xingamento
​Quem delata pode mentir?
Alexandre Hisayasu
A delação premiada tem uma regra de ouro: quem a pleiteia não pode mentir. Se, em qualquer momento, fi car provado que o delator não contou a verdade, os benefícios que recebeu como parte do acordo, como a liberdade provisória, são imediatamente suspensos e ele fica sujeito a ter sua pena de prisão aumentada em até quatro anos.
Para ter validade, a delação premiada precisa ser combinada com o Ministério Público e homologada pela Justiça. O doleiro Alberto Youssef assinou o acordo com o MP no fi m de setembro. Desde então, vem dando depoimentos diários aos procuradores que investigam o caso Petrobras. Se suas informações forem consideradas relevantes e consistentes, a Justiça - nesse caso, o Supremo Tribunal Federal, já que o doleiro mencionou políticos - homologará o acordo e Youssef será posto em liberdade, como já ocorreu com outro delator envolvido no mesmo caso, Paulo Roberto Costa. O ex-diretor da Petrobras deu detalhes ao Ministério Público e à Polícia Federal sobre o funcionamento do esquema milionário de pagamento de propinas que funcionava na estatal e benefi ciava políticos de partidos da base aliada do governo. Ele já deixou a cadeia e aguarda o julgamento em liberdade. O doleiro continua preso.
Até o ano passado, a lei brasileira previa que o delator só poderia usufruir os benefícios do acordo de delação ao fi m do processo com o qual havia colaborado - e se o juiz assim decidisse. Ou seja, apenas depois que aqueles que ele tivesse incriminado fossem julgados é que a Justiça resolveria se o delator mereceria ganhar a liberdade. Desde agosto de 2013, no entanto, esses benefícios passaram a valer imediatamente depois da homologação do acordo. “Foi uma forma de estimular a prática. Você deixa de punir o peixe pequeno para pegar o grande”, diz o promotor Arthur Lemos Júnior, que participou da elaboração da nova lei.
Mais famoso - e prolífero - delator da história recente, o mafi oso Tommaso Buscetta levou à cadeia cerca de 300 comparsas. Preso no Brasil em 1983, fechou acordo com a Justiça italiana e foi peça-chave na Operação Mãos Limpas, responsável pelo desmonte da máfi a siciliana. Depois disso, conseguiu proteção para ele e a família e viveu livre nos Estados Unidos até sua morte, em 2000.

Aécio Neves quer investigação sobre caixa dois de R$ 20 milhões na campanha da petista Dilma

"A denúncia é extremamente grave e tem que ser confirmada, mas é preciso que seja também apurada", afirmou o candidato tucano, que acusou o PT de tentar censurar a publicação. "O Brasil merece uma resposta daqueles que governam o País. Infelizmente, a única manifestação foi pela censura, pela retirada de circulação da maior revista nacional. Essa não é, certamente, a resposta que os brasileiros aguardam" (Declaração de Aécio Neves)

O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, convocou a imprensa para falar sobre as acusações publicadas nesta sexta-feira (24) pela revista "Veja". Ele disse que os relatos são " extremamente graves" e que apontam para a possibilidade de caixa 2 na campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). "Hoje a revista 'Veja' reproduz um trecho do depoimento do doleiro Alberto Youssef que diz que a presidente da República e o ex-presidente Lula sabiam do esquema de corrupção na Petrobras", disse o tucano. Segundo a revista, que adiantou sua publicação para esta sexta, Youssef disse em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, no seu processo de delação premiada, que Dilma e Lula tinham conhecimento do esquema de desvio de dinheiro na Petrobras. Ele chamou atenção para a indicação feita pela revista de que a cúpula da campanha de Dilma solicitou, segundo Youssef, o repatriamento de US$ 20 milhões para financiar a campanha presidencial deste ano. "Se comprovado, é a prova de que houve caixa dois nessa campanha", disse Aécio, acrescentando que a delação premiada só se reverte em benefício para o réu se ele comprovar as acusações, insinuando que as afirmações de Youssef devem ter lastro em provas. Aécio acrescentou ainda que a única manifestação do PT sobre as denúncias foi "pela censura", já que o partido tentou retirar a revista de circulação. O ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Admar Gonzaga negou nesta sexta um pedido apresentado pela coligação de Dilma para que fossem retirados do Facebook links e menções à reportagem da revista "Veja" desta semana. Para o ministro, o pedido da coligação de Dilma não é cabível, uma vez que se baseou num dispositivo legal que só valerá para as eleições do ano que vem. Na peça, os advogados do PT dizem que "Veja" antecipou sua edição com o objetivo de "agredir" a imagem de Dilma e "afetar a lisura do processo eleitoral".  O tucano gravou um depoimento sobre o caso para seu programa eleitoral da noite, o último antes do segundo turno.