segunda-feira, 30 de março de 2015

Petrobras não consegue medir o tamanho do roubo ocorrido nos governos do PT, balanço continua em aberto


Em mensagem do presidente aos acionistas e investidores para as assembléias geral ordinária e extraordinária a serem realizadas em 29 de abril, a Petrobrás afirma que, em função das investigações da Operação Lava Jato, ainda não é possível concluir e apresentar as demonstrações financeiras revisadas do terceiro trimestre de 2014 e as anuais auditadas, "apesar dos melhores esforços empregados". Como consequência, a assembléia se restringirá a deliberar sobre a eleição dos administradores e membros do conselho fiscal. A Petrobrás poderá perder o grau de investimento pela agência Standard & Poor's se deixar de divulgar seu balanço auditado até o dia 30 de abril. Após esse período, a agência deverá colocar a classificação de risco da estatal em revisão. De acordo com as regras do mercado, a companhia tem até o final de abril para divulgar os números de 2014 devidamente auditados. Após essa data, disse a Petrobrás anteriormente, a empresa ainda terá de 30 dias a 60 dias, dependendo do contrato de dívida, para cumprir essa obrigação. Ou seja, o balanço anual auditado deve ser emitido até o final de maio de 2015, segundo a empresa. Caso contrário, credores poderão pedir a antecipação do vencimento da dívida. A Petrobrás já perdeu o grau de investimento pela Moody's e o corte por uma segunda agência obrigará alguns fundos, que apenas podem manter em carteira papéis que sejam grau de investimento por duas agências, a desovarem suas posições. Envolvida em um escândalo de corrupção, a petroleira não publicou até agora seus resultados auditados do terceiro trimestre, depois que a auditora PricewaterhouseCoopers (PWC) se recusou a assinar o documento. Agora corre contra o tempo para divulgar também o balanço do quarto trimestre auditado, incluindo as perdas estimadas com corrução, reveladas pelas investigações da Operação Lava Jato.

Governo da petista Dilma atrasa verba e faz escolas técnicas suspenderem Pronatec

Escolas técnicas participantes do Pronatec decidiram suspender as aulas do programa e demitir professores, devido aos atrasos no pagamento do governo federal. A gestão Dilma Rousseff ainda não repassou recursos equivalentes às aulas de novembro, dezembro e janeiro. Até 2014, a União pagava até 45 dias após cada mês letivo. O atraso fez com que os colégios Augustus (MG) e Futura (PR) suspendessem as aulas, à espera da normalização dos pagamentos. As escolas possuem, respectivamente, 300 e 220 estudantes. Os institutos federais de Minas Gerais e o de Farroupilha (RS) também chegaram a suspender as atividades, mas já retornaram, após pagamento de parte do atrasado. Dificuldades orçamentárias fizeram com que o governo atrasasse repasses desde o fim de 2014. Outro problema no Pronatec é que a União ainda não informou às escolas quantos novos alunos poderão ingressar no programa neste ano. As aulas foram adiadas em um mês, com previsão agora para início em junho. Os colégios já se preparam para receber menos alunos. Dificuldades no programa fizeram com que fossem demitidos professores nos colégios Factum, Cristo Redentor e Senac, no Rio Grande do Sul. Nos dois primeiros, o corte ficou em 10%. O Senac informou que foram 35 docentes. Questionado sobre os problemas no Pronatec, o Ministério da Educação disse apenas que, na semana passada, já trabalhava para fazer o pagamento de dois dos três meses atrasados. O programa foi uma das principais bandeiras de Dilma nas eleições. “Estávamos recorrendo a empréstimos bancários, mas isso tem um limite. E o Ministério da Educação nunca deixa claro quando pagará”, afirmou o diretor do Futura (PR), Marcos Aurélio de Mattos. Aluno do curso de massoterapia no colégio, Jeverson Branski, de 36 anos, disse entender a situação da escola: “O Pronatec é uma ótima política de educação, mas está com esse problema de recursos. Demoraremos mais para nos formar e trabalhar na área". O colégio Augustus (MG) afirmou que não possui mais caixa, por isso suspendeu as aulas. A escola já prevê que, dos 300 alunos, devem voltar apenas 100, pois muitos se frustraram com a situação. “Tivemos de demitir 10% dos professores, suspender investimentos. Como organizar as atividades nesse cenário de incertezas?”, disse a diretora do colégio Factum (RS), Bárbara Nissola.

DISSECANDO A VIGARICE INTELECTUAL DE UM ESQUERDISTA SENSÍVEL. OU: RENATO JANINE RIBEIRO

O ministério de Dilma Rousseff é ruim, com exceções que já destaquei aqui. Acho que Katia Abreu (Agricultura), Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Joaquim Levy (Fazenda — sim, ele…) têm condições de fazer um bom trabalho dentro do que é possível fazer. Para a Educação, Dilma tinha nomeado um político chegado a algumas artes circenses: Cid Gomes! Deu no que deu. Agora, ela atingiu o fundo do poço: Renato Janine Ribeiro, o petista que não ousa dizer o nome do seu partido, assume a pasta.

Janine quer-se apenas um pensador da ética. Já está na Internet o vídeo de um recente colóquio de que participou — há menos de um mês — em que diz que Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, não pertence ao mundo civilizado; em que canta as glórias de Gramsci e exalta o fato de o PT querer se constituir como força hegemônica e em que faz uma apreciação cretina e covarde do pensamento de Olavo de Carvalho. É cretina porque ligeira, bucéfala. É covarde porque Carvalho já o chamou para o debate, e ele fugiu. Prefere o conforto dos pequenos convescotes, na companhia de outros, suponho, mais ignorantes do que ele próprio.
O ministério de Dilma era composto de uma maioria de pessoas incompetentes. Mas faltava alguém muito incompetente. Agora já tem: Renato Janine Ribeiro. Trata-se de um mistificador. Exercita a pior forma de petismo, que é o da brasa encoberta, que se disfarça de tolerante. No pé deste post, vocês encontram o longo e chato vídeo em que o homem expõe seu pensamento. Quem tiver paciência para assistir ao troço perceberá os vários momentos em que Janine, o ético, flerta com a censura. Prestem especial atenção ao momento em que ele fala da “classe média”. No fundo, ele também tem nojo dessa fatia da sociedade, mas acha que o PT precisa tratá-la de forma diferente, precisa aprender a… fingir que a respeita.
Reproduzo abaixo um texto publicado neste blog no dia 25 de janeiro de 2010. Ele disseca a alma deste patriota, que tanto tem contribuído para transformar as universidades públicas brasileiras em centros da incompetência doutrinária. Divirtam-se. As circunstâncias em que o escrevi ficam claras. Evidencio, assim, o que penso desse tal Janine, o covardão que fugiu do pau com Olavo de Carvalho porque prefere atirar pelas costas. Clicando aquivocê tem acesso a tudo o que já escrevi sobre este senhor.
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Escreverei um texto sobre um artigo escrito pelo esquerdista Renato Janine Ribeiro no Estadão neste domingo. Ficou longo, meus caros, muito longo. E alguns leitores podem dizer: “Pô, Reinaldo, esse cara é irrelevante!”. Em si, é mesmo! Acontece que eu quero dissecar um método. Antes, leitores podiam, às vezes, ser acusados de patrulhar o articulista. Estamos, como vocês verão, diante de um fato inédito: o articulista resolveu patrulhar os leitores. Vamos ver.
Janine é uma versão sensível, com alguns fricotes pós-modernos, de Marilena Chaui. As coisas que ela pretende nos dizer privatizando Spinoza, ele nos diz analisando a novela das oito… Mas não se deve subestimá-lo por isso. Afinal, foi um capa-preta da poderosa Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), onde não deixou saudade. Pensa como petista, escreve como petista, fala como petista. Até aí… Só que ele gosta de dizer que não é petista. Aí não dá. Trata-se do petismo que não ousa dizer seu nome, né? Que prefere ficar no armário.
Achava já ter visto de tudo em matéria de trapaça intelectual. Engano! Não é que, neste domingo, Janine resolveu dar uma bronca em leitores do Estadão e em alguns comentadores do jornal na Internet? É! Vocês entenderam direito! Feito aquela tia do colégio que investigava se você estava com o uniforme e portava a carteirinha de acesso ao prédio, ele resolveu distribuir pitos em leitores que, a seu juízo, andam a dizer inconveniências. Professor de Ética e Filosofia da USP, agora ele se dispõe a ensinar a sobrinhos do jornal que julga malcriados o que é o “verdadeiro Estadão”. E, para fazê-lo, Janine, como se verá, não abre mão da mentira.
Antes que eu disseque, com aquela paixão com que um entomologista fatia um escarabeídeo coprófago, as bobagens que ele escreveu, cumpre notar que há algo de realmente espetacular no fato de ele escrever no Estadão e querer patrulhar os comentários dos leitores. Janine é uma flor olorosa (lá para eles) da esquerda universitária brasileira. É verdade que ele se ocupa pouco de economia — não deve saber a diferença entre Taxa Selic e uma fatia de mortadela — e da política mais propriamente partidária. Ele é da turma que faz a guerra de valores; que tenta nos convencer de que atravessou os umbrais do novo homem — homem, mulher, bicho ou coisa — e vislumbrou o futuro. Com fala mansa, costuma fazer digressões sobre os sentimentos com a seriedade de uma cartomante e a frivolidade de um acadêmico.
Nos jornais da grande imprensa — aquela coitada que costuma ser malhada nas universidades —, “intelectuais” como ele estão presentes em nome da diversidade, da pluralidade, do debate… E esses, atenção!, são os nossos valores, os da sociedade liberal, que gente como Janine tanto despreza. Vocês sabem: o liberalismo é muito estreito para as ambigüidades do “novo homem”… Já nos veículos deles — sejam os da esquerda ideológica, os da esquerda venal ou os dos sindicatos —, não há espaço para divergência, não!!! Entenderam? Em nome dos nossos valores, aceitamos que eles venham nos esculhambar; em nome dos deles, a divergência jamais seria publicada. Eles têm a licença que jamais concederiam a quem lhes dá a… licença!!! Agora ao artigo, que tem o sugestivo e arrogante título de ”Para quem não conhece o ‘Estado’”. Espero que o Departamento de Marketing do jornal não o contrate. Ele em vermelho; eu em azul.
Tenho lido, nas cartas de leitores a O Estado de S. Paulo e sobretudo nos comentários de internautas em sua página na web, observações de pessoas sem muita noção do que é este jornal. Usam expressões preconceituosas, carregadas de ódio pela esquerda (que chegam a chamar de “subversiva”) e até de simpatia pela ditadura militar.Como se nota, pessoas de quem Janine discorda “não têm noção”. Na URSS, por exemplo, eram consideradas, muitas vezes, loucas. Posso, por exemplo, dizer o que for de quem tem “ódio pela direita”, menos que seja uma questão de preconceito. Prefiro considerar que é uma questão de escolha. Na imprensa dos amiguinhos de Janine, há expressões carregadas de “ódio pela direita”, e ele não vai lá posar de bedel da ideologia. Quanto a chamar a esquerda de “subversiva”, qual é o problema? Quando o MST invade uma propriedade, ao arrepio da Constituição e das leis, e destrói um laboratório de pesquisa — e o faz com financiamento público e sob a tutela de um órgão do governo —, estamos, sem dúvida, diante de um crime, mas também de um ato de subversão da ordem. A menos que Janine ignore o sentido que as palavras têm. Quando a canalha do mensalão comprou partidos de porteira fechada, fraudando as regras do Poder Legislativo, estávamos, sem dúvida, diante de um ato subversivo: subvertia a democracia. Quanto à simpatia pela ditadura militar, dizer o quê? Não padeço desse mal, como todos sabem. Lutei contra ela e sofri algumas conseqüências não muito agradáveis por isso, embora fosse quase um moleque. Mas nunca vi Janine dar pito na canalha esquerdista que tem simpatia pelo comunismo ou, sei lá, por Hugo Chávez.
É preciso lembrar, a esses leitores e a todos os mais jovens, o papel do Estado durante a ditadura. Não é segredo que o jornal apoiou a deposição do presidente João Goulart. Não é segredo que, na sua oposição ao getulismo, projeto político que comandou a política brasileira de 1930 a 1964, o Estado acreditou na necessidade de um regime de exceção breve e eficaz.Trata-se de um dos parágrafos mais vigaristas da imprensa brasileira em muitos anos. E QUE OFENDE A LUTA DO ESTADÃO CONTRA AS DITADURAS. O Getúlio de 1930 era aquele que rompia o status da chamada República Velha. Em 1932, já estava claro o seu projeto ditatorial, a que se opuseram o estado São Paulo e o jornal O Estado de S. Paulo.
Acontece que o marxismo bocó que toma conta da USP ainda hoje — em Pequim, eles morreriam de rir se soubessem que há uma universidade em que as ciências sociais ainda são dominadas por marxistas — firmou a doxa de que a Revolução Paulista de 1932 foi reacionária, entenderam? Mera reação dos barões que não se conformavam com o surgimento de um Brasil moderno… ISSO É UMA EVIDÊNCIA DO ÓDIO QUE ESSA CANALHA SEMPRE TEVE À DEMOCRACIA E AO ESTADO DE DIREITO. Para eles, progressista, em 30, era um governo que tocava o país com leis de exceção, sem Constituição.
Em 1937, o getulismo se torna uma ditadura escancarada, arreganhada. A ditadura de Getúlio matou, torturou, trucidou, censurou, colou-se ao fascismo de modo evidente. Mas a esquerda o elegeu o grande mártir contra as elites. Para tanto, uma alma de tirano como a de Luiz Carlos Prestes colaborou bastante. Foram o Partido Comunista e seus historiadores que inventaram um “Getúlio Progressista”. Mas entendo: afinal, ele era um estatista, e essa gente tem ódio ao capital privado, ódio à liberdade, ódio ao capitalismo. O Getúlio que veio depois, que acabou se matando, já era outro. E o João Goulart, que se apresentou como seu herdeiro, decidira levar a subversão — Janine deve ficar com os pêlos todos arrepiados diante da palavra — para dentro do governo.
Afirmar que o Estadão se opôs ao getulismo de 1930 a 1964 faz tábula rasa de 34 anos de história, colocando o jornal na contramão, então, do que seria um projeto popular, democrático quem sabe. Ocorre que, de 1930 a 1945, tivemos pelo menos 10 anos de ditadura. É que Janine pertence àquela turma que se opõe apenas a certas ditaduras.
Contudo, mesmo quem discorda dessa opção deve reconhecer que o Estado acreditava nela. Foi uma escolha de valores. Não foi uma adesão oportunista, como, por exemplo, a do governador de São Paulo em 1964. Por isso mesmo, tão logo o regime militar começou a adotar medidas das quais o jornal discordava, ele criticou-o. A história do Estado é a de um jornal que viveu na oposição mais tempo do que na situação.
Ele mordeu no parágrafo anterior; aqui, ele decide dar uma assopradinha. E deixa claro que discorda da opção do jornal — suponho que, para ele, o Estadão deveria ter apoiado o golpe do Estado Novo e suas brutalidades. Exagerando na linguagem melosa, afirma que o jornal fez uma “escolha de valores”. DE QUAIS VALORES, MEU SENHOR? É preciso dizer. Quem disse “não” a João Goulart disse “não” a quais valores?
Mais que isso. No fatídico 13 de dezembro de 1968 – quando já se esperava o anúncio da medida mais liberticida da História do Brasil, o Ato Institucional número 5 -, a edição do Estado foi apreendida por ordem do governo. Dela constava um editorial que ficaria célebre, Instituições em frangalhos, hoje disponível no site, que responsabilizava o marechal Costa e Silva, ditador da época, pela crise em que vivíamos. Tratava-o com respeito – “sua excelência” do começo ao fim -, mas não hesitava em chamar o regime de ditadura militar.
Atenção, leitores! Houve um período no Brasil, com efeito, em que:
- foram fechados o Congresso Nacional, as Assembléias Legislativas e as Câmaras Municipais;
- houve intervenção federal dos Estados;
- houve intervenção federal em jornais;
- estabeleceu-se censura prévia à imprensa;
- proibiu-se o Supremo Tribunal Federal de conceder habeas corpus a presos políticos;
- políticos tiveram seus direitos políticos cassados;
- acusados de subversão poderiam ser condenados à morte;
- teatro e cinema estavam submetidos à censura prévia;
- o presidente da República podia emendar a Constituição como lhe desse na telha;
- a tortura de presos políticos era prática regular nas cadeias.
É o AI-5 o que vai acima? Não!!! É o Estado Novo do santo Getúlio Vargas, que durou de 1937 A 1945. Mas Janine, que não entende zorra nenhuma de história — ou entende, mas prefere a distorção —, pretende que houve um continuum histórico de 1930 a 1964. É o sumo da vigarice intelectual.
Como se nota, o AI-5 foi apenas a segunda “medida mais liberticida da história do Brasil”. A primeira foi a Constituição fascistóide de 1937 — que, nota-se, Janine deve aplaudir. Porque omite que Getúlio foi um ditador asqueroso, alinhado com os vários fascismos europeus.
Quando me perguntam: “Pô, por que você é tão duro com esses caras?”. Em primeiro lugar, porque eles querem. Em segundo, porque acho a mentira asquerosa. Eles dizem essas porcarias nas salas de aula para estudantes, deformando gerações. Quantos saberão que a ditadura de Getúlio dispunha de um repertório de repressão mais vasto do que o próprio AI-5? Isso livra a barra desse ato? UMA OVA! Isso apenas evidencia que as ditaduras, todas elas, são detestáveis. Não para Janine. Não para as esquerdas.
Esse confisco de uma edição não foi apenas simbólico. Nos anos que se seguiram, o Estado foi o diário brasileiro a amargar o mais longo período de censura prévia de nossa História. É digno de nota que se recusou a se autocensurar. Deixou bem separadas as posições do reprimido e do repressor. Nem café, diz a legenda, dava aos censores. Também se recusou a substituir as matérias proibidas por outras, palatáveis. Como a censura não deixasse saírem em branco as colunas cortadas, publicou em seu lugar trechos de Os Lusíadas. Seu jornal irmão, o Jornal da Tarde, tratado com igual rudeza, colocava receitas de cozinha nas páginas censuradas. O engraçado, dizia-se, é que leitores distraídos do Jornal da Tarde teriam reclamado que as receitas não davam certo… Mas a grande maioria entendeu o que acontecia.
Depois de fraudar a história, o momento de puxar o saco de quem, na prática, acabou de enxovalhar, fazendo crer que o jornal se opôs ao projeto, sei lá, democrático do getulismo — aquele, vocês sabem, de 1930 a 1964. Janine pertence àquela categoria que aposta na insegurança das elites brasileiras, que se deixariam seduzir por seu charme… acadêmico (???).
Com os ventos dos anos 70, o jornal mudou várias de suas opções antigas. Publicou uma histórica entrevista com Celso Furtado, o que talvez não fizesse 20 anos antes.
Os homens que comandaram a resistência no Estadão certamente não vão se ocupar de corrigir as patacoadas de Janine. Afirmar que o jornal não publicaria entrevista de Celso Furtado 20 anos atrás faz supor que o veículo foi se penitenciando, fazendo o mea-culpa, a autocrítica. A maioria dos esquerdistas é viciada nessa droga!
Tudo isso mostra uma honra que ninguém pode negar ao Estado: é um jornal que teve e tem convicções. Podemos discordar – ou não – de suas posições, mas ele jamais compactuou com a repressão, com a tortura, com a censura.
Ele, de fato, não! Mas quem poupa o Estado Novo de críticas e o coloca apenas como um dado da história que vai de 1930 a 1964 compactua com a repressão, com a tortura e com a censura. Assim, fica demonstrado que Janine compactua com o repressão, a tortura e a censura…
Hoje, se o jornal não apóia a Comissão da Verdade proposta no 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, terá suas razões para isso. Eu, pessoalmente, defendo a apuração da verdade, para que todos os brasileiros saibamos o que aconteceu e para que a (má) História não se repita – só para isso.
É verdade! Já imaginaram como seria vergonhoso haver no futuro alguém que chamasse a ditadura militar de “democracia”, como, na prática, faz Janine com o Estado Novo? Quem não defende a apuração da verdade? Mas não pode ser a verdade só das esquerdas, não é mesmo? Ademais, este senhor precisa tomar cuidado com essa palavra. Não é o seu forte.
Mas de uma coisa tenho certeza: as razões do Estado nada têm em comum com as daqueles que aplaudem a tortura, que ainda usam a palavra “comunista” como insulto contra todos os de quem discordam, que gostariam até mesmo de expulsá-los do País que é de todos nós.
Quem é que aplaude a tortura? Aplaude a tortura, reitero, quem chama o Estado Novo de democracia. Quanto aos comunistas… Eis um bom debate. Todos concordamos que nazistas combinam com cadeia, não? Por que devemos ser mais tolerantes com os comunistas? Só porque, em matéria de morticínio em massa, eles conseguem ser ainda mais produtivos? Como Janine é meigo!!! “O país é de todos nós…” É? Também é dos nazistas, xenófobos, racistas??? “Comunista” como metáfora, metonímia ou simplesmente xingamento é só uma questão de justiça histórica. Ou o nosso “novo homem” sensível pretende resgatar a palavra de uma história que matou 35 milhões da URSS, 70 milhões na China e 3 milhões no Camboja?
Aqui está o recorte entre a democracia e a não-democracia. Aprendemos com a ditadura. Sabemos que ela é uma caixa de Pandora: quando se solta o demônio do autoritarismo, ele devasta. Isso ensina que é essencial termos liberdade para divergir. Nos anos 50 e 60, muitos achavam que a democracia era mero meio para valores mais importantes – para uns, a sociedade ocidental e cristã, para outros, a sociedade sem classes.
Argumento falacioso. A moderna sociedade ocidental e cristã não se descola da democracia, e esta nunca foi um valor tático para ela. Já os comunistas, estes, sim, sempre a tomaram como um simples instrumento. Querer igualar as duas posturas é mais um absurdo num texto de absurdos.
Creio que o longo período de trevas ensinou, a quem o viveu, que a democracia não pode ser rifada em função de outros valores. A democracia não é meio. Ela é um fim em si, um valor fundamental.
Sei.
O curioso é que, em que pese a absurda censura judicial que afeta esse jornal há meio ano, hoje não há mais nenhuma instância estatal que possa punir a expressão de opiniões. Isso é muito bom – e por isso mesmo soa tão chocante a ilegalidade que é a censura ao Estado.
Não há porque, felizmente, os que se opõem aos “novos comunistas” impediram “O partido” de criar um conselho de censura disfarçado de Conselho Federal de Jornalismo. Não há porque o Programa Nacional de Direitos Humanos, que Janine defende neste texto, não é lei e, espero, jamais será. Porque ele recria a censura no Brasil.
Mas, voltando ao fim da repressão política pelo Estado brasileiro, isso não quer dizer que nossa sociedade tenha reconhecido o direito à divergência. Um espírito maniqueísta, opondo bem e mal, domina muitos cidadãos que falam sobre política, costumes e o que seja em nosso país.
Bilu, tetéia… Discordar de Janine, vejam só, é ser maniqueísta. Ele escreve um artigo para dar pito nos leitores do Estadão; chama-os, na prática, de defensores da tortura e da ditadura, mas combate o maniqueísmo…
Por incrível que pareça, nesse ponto o Estado brasileiro e suas instituições parecem mais adiantados que a sociedade. Comecei este artigo criticando opiniões de leitores e internautas, justamente porque eles condenam seus desafetos com mais rapidez do que faria qualquer tribunal, hoje, em nosso país.
Não! Isso quem faz é Janine; quem poupa um ditador de seus crimes neste texto é Janine!
Em outras palavras, a democracia por vezes está mais forte nas leis e nas instituições do que no povo do qual – segundo o artigo 1º de nossa Constituição – ela emana. Ela ainda é um texto, mais que uma prática. Mas palavras, com a força da lei ou a da imprensa, não são pouca coisa. Pode demorar, mas elas acabam surtindo efeito.
Os esquerdistas, devidamente preservados pelo autor neste artigo, nunca viram problema em, como dizer?, mudar o povo, nem que fosse na base da porrada, para preservar a lei dos camaradas — hoje companheiros.
Disse Stendhal em 1817, ao saber da Revolução de Pernambuco (no seu único texto em que menciona o Brasil), que a liberdade é contagiosa. É como a peste e o único meio de acabar com ela, ironiza ele, é “lançar os pestíferos ao mar”. Já sofremos essa tentativa de extermínio. Hoje, graças a quem se opôs à ditadura, vivemos a boa contaminação pela liberdade.
Notem que Janine não escreve “graças a quem se opôs ÀS DITADURAS”. Se o assunto envolve o Estadão, esse plural é fundamental. Para ele, houve apenas um regime ditatorial no país. E, obviamente, seria ocioso indagar a Janine se, na opinião dele, os terroristas que atuaram na VPR (a ex-organização de Dilma e Carlos Minc), na ALN (de Paulo Vannuchi) e no MR-8 (de Franklin Martins) estavam se opondo “à ditadura” ou lutando por “uma outra ditadura”. Ele vai dar um passo miudinho e acusar o interlocutor de “maniqueísmo”. Assim como seu texto é mentiroso sobre a ditadura do Estado Novo, ele também não está interessado na verdade sobre o Regime Militar. Ele quer uma Comissão da Verdade que possa, enfim, transformar a mentira em história oficial. Como Stálin fazia com as fotografias. Que os leitores no Estadão não caiam nesse truque vulgar. Janine é um mau professor de história. E uma mau professor de democracia.
https://www.youtube.com/watch?v=hBzcT4uMpJY
Por Reinaldo Azevedo

Liga Árabe aprova criação de Força Militar Conjunta

Os líderes das 22 nações da Liga Árabe autorizaram a criação de uma força militar conjunta para conter o extremismo e a instabilidade política no Oriente Médio em meio à operação liderada pela Arábia Saudita contra os rebeldes contrários ao governo no Iêmen. Em uma reunião em Sharm El Sheikh, no Egito, os líderes concordaram que a Força Militar Conjunta Árabe adotará uma ação contra as ameaças a paz e segurança de qualquer Estado-membro da Liga Árabe, de acordo com uma declaração final apresentada neste domingo, no fim de uma cúpula de dois dias. A participação na Força Militar Conjunta será opcional, destacou o comunicado. A criação da força, que deverá levar meses, era esperada pelo presidente egípcio Abdel Fattah Al Sisi, desde fevereiro, quando o braço líbio do grupo terrorista Estado Islâmico decapitou 22 trabalhadores egípcios, na Líbia. O Egito respondeu com ataques aéreos contra os locais ocupados pelos militantes na cidade líbia de Derna. O projeto da força conjunta ganhou nova urgência depois que rebeldes Houthi, apoiados pelo Irã, tomaram grandes partes do Iêmen, desencadeando temores entre as nações árabes em torno da influência iraniana na região. Sisi, que presidiu a reunião de cúpula, disse que a criação da força seria o primeiro passo de uma estratégia para lutar contra o que chamou de uma ameaça a "existência e identidades" dos países membros da Liga Árabe.

Ibsen Pinheiro é eleito presidente do PMDB do Rio Grande do Sul

Com o apoio do governador José Ivo Sartori, o deputado estadual Ibsen Pinheiro foi aclamado neste domingo presidente do PMDB do Rio Grande do Sul. Ibsen Pinheiro, de 79 anos, já havia comandado o diretório do partido no Estado entre 2010 e 2012. Ele sucederá ao deputado Edson Brum, hoje presidente da Assembléia Legislativa. A escolha de Ibsen para o cargo teve forte influência de Sartori. Ainda em dezembro, quando o PMDB teve a possibilidade de estender o mandato de Edson Brum sem eleição devido a uma decisão da direção nacional, movimentos políticos do partido pressionaram pela realização de um novo pleito. Sartori era um dos que queria evitar uma disputa interna, mas que preferia Ibsen, e não Brum, no comando da sigla. Edson Brum e o deputado federal Alceu Moreira cogitaram concorrer, mas fecharam um acordo para evitar o desgaste de uma nova eleição e puderam indicar nomes para a Executiva.

Governador José Ivo Sartori passa por Santa Maria e tem encontro com prefeito Schirmer

O governador José Ivo Sartori esteve em Santa Maria no sábado. Após participar da abertura oficial da Colheita da Soja em Tupanciretã, Sartori chegou a Santa Maria e reuniu-se com o prefeito Cezar Schirmer. O encontro ocorreu na Base Aérea de Santa Maria e durou cerca de uma hora. Os dois conversaram sobre a situação econômica do governo estadual gaúcho. "Sartori tem se mostrado um grande parceiro dos municípios, mesmo com todas dificuldades que vem enfrentando", afirmou Schirmer. Deve ter sido uma estocada irônica. Schirmer é candidatíssimo a vaga no Tribunal de Contas do Estado. Por isso se empenhou tanto para a aprovação das contas de sua primeira administração. E para isso fez um acordo com o PT, aprovando as contas da última administração petista. Ou seja, eles se "entendem" quando se trata do deles.

Governo petista contrata obras sem projeto

O Regime Diferenciado de Contratação (RDC), uma esperteza criada no governo Lula para dar “celeridade” ao Programa de Aceleração do Crescimento, permite que o governo “queime etapas” em licitações e contrate empreiteiras que sequer têm projeto para realizar obras. Isso permite que empresas façam ofertas apenas para vencer a licitação e depois estabeleçam os custos reais do projeto através de aditivos. A refinaria de Abreu e Lima, por exemplo, que inicialmente custaria cerca de R$ 2 bilhões, ganhou mais de R$ 18 bilhões em aditivos. Através do RDC, só o vencedor da licitação tem a obrigação de criar um projeto para a obra; e o custo real só aparece após sua conclusão. Na prática, o governo legalizou o superfaturamento: aditivos são sempre aprovados já que sem pagamentos as obras não andam.

Brasil vai reformar usina térmica por R$ 60 milhões e doar para a Bolívia

Em meio a uma crise de energia sem precedentes no País e em busca de fontes alternativas para evitar um racionamento, o governo brasileiro vai gastar R$ 60 milhões para reformar e doar uma usina térmica para a Bolívia. O Ministério de Minas e Energia está nas tratativas finais para viabilizar a negociação. A usina térmica Rio Madeira pertence à Eletronorte, uma das empresas do grupo Eletrobras. Inaugurada em 1989, ela foi uma das responsáveis por abastecer os estados de Rondônia e Acre por 20 anos. Com potência de 90 megawatts, o empreendimento fica em Porto Velho (RO) e é capaz de fornecer energia para uma cidade de 700 mil habitantes. A usina precisa passar por uma "recauchutagem geral" para entrar novamente em operação. Antes de doá-la, a Eletronorte vai converter a usina para gás natural, combustível abundante na Bolívia. Essa reforma, com o transporte e montagem na Bolívia, custará R$ 60 milhões. O dinheiro já foi transferido pelo governo para a Eletronorte, responsável pela reforma. Uma usina térmica nova, com capacidade de 100 MW, custa hoje em torno de R$ 100 milhões. A transação está prestes a ser concluída pela estatal e depende apenas de um sinal verde do Ministério de Minas e Energia. A doação da usina faz parte dos compromissos bilaterais assumidos entre os dois países. A térmica Rio Madeira foi desativada em outubro de 2009, quando o Estado de Rondônia foi conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e passou a ser abastecido por hidrelétricas, que produzem energia mais barata. Em janeiro de 2014, a fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) constatou que a usina, embora desligada, tinha condições de operar parcialmente. Seu prazo de concessão acabava apenas em 2018. No entanto, "devido ao alto custo de operação, esta dificilmente seria despachada". Por essa razão, a Aneel declarou os bens da usina como "inservíveis à concessão de serviço público". Em 2010, cada megawatt-hora (MWh) produzido pela usina custava R$ 846,98. Atualmente, a térmica mais cara em operação no Brasil é a de Xavantes, também a movida a óleo diesel, com custo de operação de R$ 1.167,00 por MWh. A conclusão da Aneel deu aval para a continuidade das negociações, que agora estão em fase final. Segundo uma fonte da Eletrobras a par do assunto, trata-se de uma "térmica de qualidade ruim", por isso o Brasil não faria questão de ficar com a planta. A transferência de R$ 60 milhões foi autorizada por meio da Medida Provisória 625/2013. O ministério informou ainda que os trâmites necessários para operacionalizar o acordo deveriam ser informados pela Eletronorte. Já a empresa declarou que o governo deveria se pronunciar sobre o assunto, já que se trata de uma negociação internacional. O pedido de doação da termelétrica foi feito diretamente pelo ditador boliviano, o indio cocaleiro Evo Morales, em uma reunião bilateral com Dilma Rousseff - a primeira entre os dois - durante a primeira Cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos (Celac), na Venezuela, em dezembro de 2011. No encontro, Evo explicou à presidente os problemas de energia e os apagões constantes enfrentados por seu país e pediu ajuda. Apesar de ser um dos maiores produtores de gás do mundo, a Bolívia não tem os equipamentos para transformá-lo em energia elétrica. Dilma prometeu ceder então à Bolívia a termelétrica Rio Madeira, que estava sem uso no Brasil, mas que precisava ser reformada. O contrato seria de empréstimo por 10 anos, renováveis. Na prática, no entanto, o empréstimo se transformaria em uma doação, já que o custo de devolver a usina para o Brasil dificilmente compensaria. Maior fornecedor de gás ao Brasil, o governo da Bolívia já aumentou duas vezes o preço do metro cúbico enviado ao País, mas garante o abastecimento de outras usinas brasileiras. Além disso, o Brasil quer viabilizar a construção de uma hidrelétrica binacional, na divisa entre os dois países. Trata-se de um projeto antigo e discutido há anos pelos dois governos, sem ter nenhuma decisão prática até hoje. O governo ainda terá que elaborar um memorando de entendimento para fazer a cessão formal à Bolívia, o que só deve acontecer quando a usina estiver pronta para ser enviada aos bolivianos. A Bolívia continua sofrendo com apagões, especialmente no interior do país, para onde deve ser enviada a termelétrica do Rio Madeira.

domingo, 29 de março de 2015

Direita vence eleições departamentais na França

A direita consagrou-se vencedora das eleições departamentais da França deste domingo (29), desferindo um duro golpe no Partido Socialista (PS), do presidente François Hollande, segundo estimativas dos institutos de pesquisa. Essa eleição é considerada o primeiro teste para o pleito presidencial marcado para 2017. De acordo com as primeiras sondagens, a coalizão formada por UDI (centro) e UMP (direita), sigla do ex-presidente Nicolas Sarkozy, teria conquistado de 64 a 70 dos 101 departamentos franceses, ao passo que a esquerda teria ganho de 27 a 37 departamentos. A ultradireitista Frente Nacional, de Marine Le Pen, apesar de ter obtido diversas cadeiras, provavelmente não teve votos suficientes para dirigir um dos departamentos. Até agora, a esquerda administrava 61 dos 101 departamentos. A abstenção registrada girou em torno de 50%, segundo projeções. O pleito elege os representantes de conselhos de 98 dos 101 departamentos da França, responsáveis pelas decisões sobre proteção à infância, aos idosos e aos deficientes físicos. Também é de responsabilidade do órgão a manutenção de bibliotecas, museus e escolas locais.

Jornal Clarín revela existência de contas que ligariam Argentina, Venezuela e Irã

Contas bancárias em três diferentes instituições internacionais ligam os governos de Argentina, Venezuela e Irã, informou a edição do jornal "Clarín" deste domingo (29). Essa relação reforçaria a tese do promotor morto Alberto Nisman de que o Irã teria negociado favores com o governo argentino, como a tentativa de retirar alertas vermelhos da Interpol sobre suspeitos de participar de um atentado em Buenos Aires, em 1994. Outra hipótese é que o Irã pagaria em segredo à Argentina para ter acesso a tecnologia nuclear. A reportagem afirma que a ex-embaixadora da Argentina na Venezuela e ex-ministra da Defesa e Segurança, a peronista e ex-terrrorista montonera Nilda Garré, manejava duas contas bancárias no Irã que chegaram a ter depositados US$ 48 milhões. Tudo teria começado, segundo o "Clarín", em 2004, com a criação de uma conta para intercâmbio de pagamentos de petróleo e produtos industriais entre Venezuela e Argentina. Ela teria sido aberta no banco suíço UBS e fechada, a pedido do banco, em 2010. Uma segunda conta para as transações entre os dois países funcionaria no banco americano Felton Bank (hoje CNB), aberta em 2005. Entre 2005 e 2010, segundo o "Clarín", essa conta teria movimentado US$ 61 milhões. Garré, segundo o jornal, seria uma das titulares das contas. Em abril de 2010, o embaixador argentino na Venezuela, Eduardo Sadous, afastado do cargo, denunciou que haviam desaparecido US$ 90 milhões dessa conta. Ele também afirmou haver uma diplomacia paralela entre os dois países, feita fora dos canais oficiais. Com o fechamento da conta no UBS e as denúncias do diplomata, a transferência de dinheiro ganharia outro caminho, dessa vez partindo de uma instituição iraniana. Em fevereiro de 2011, de acordo com o "Clarín", duas contas teriam sido abertas no banco Tejarat. Elas teriam recebido depósito inicial de US$ 48 milhões e também seriam administradas por Garré.

Eletrobras reduz prejuízo no 4º trimestre para R$ 1,174 bilhões

A Eletrobras reduziu o prejuízo no quarto trimestre para 1,174 bilhão de reais, ante 5,4 bilhões de reais no mesmo período do ano anterior, informou a companhia na noite de sexta-feira. A receita operacional líquida da empresa teve crescimento de 64,3% na comparação anual, para 9,781 bilhões de reais, com as receitas da Celg D, cuja aquisição do controle acionário foi aprovada por acionistas em setembro. Desconsiderando esse efeito, a receita operacional líquida foi de 8,522 bilhões de reais de outubro a dezembro do ano passado. Na comparação com o terceiro trimestre de 2014, as receitas oriundas da comercialização de energia no mercado de curto prazo subiram 120%, do lado da geração. Na distribuição, a receita de fornecimento subiu 189,2%. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) das empresas controladas da Eletrobras ficou positivo em 1,753 bilhão de reais no quarto trimestre, ante Ebitda negativo de 1,088 bilhão no terceiro trimestre.

Preguiça da CPI da Petrobras espanta, diz deputado

Integrante da CPI aberta pela Câmara para investigar o escândalo de corrupção da Petrobras, o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) afirmou que a comissão tem tomado depoimentos inúteis, que nada acrescentam à investigação, em lugar de convocar pessoas que, segundo ele, poderiam acrescentar informações novas. "A preguiça dessa CPI me espanta. Ouvir a Graça Foster durante um dia todo foi de uma inutilidade... Podia ouvir o Júlio Camargo, o próprio Youssef, o Milton Pascowich e o próprio Antonio Palocci", afirma o deputado, em referência a pessoas que a comissão não convocou e estão sob investigação na Operação Lava Jato. Para ele, PMDB, PSDB e PT estão evitando convocar pessoas que possam comprometer as legendas em seus depoimentos. Nesta semana, Valente afirma que vai insistir nas convocações que propôs e também na convocação de Palocci, ex-ministro da Casa Civil no primeiro governo de Dilma Rousseff. Neste sábado, a revista "Isto É" publicou uma reportagem dizendo que consultorias do ex-ministro para empresas que têm contratos, diretos ou indiretos, com a Petrobras teriam sido usadas para desviar R$ 100 milhões da estatal para o PT. "Vamos também ativar essa convocação. Vamos insistir no Palocci, vamos ver", afirma o deputado. Autora de um dos requerimentos de convocação de Palocci, a deputada Eliziane Gama (PPS-MA) afirma que partidos da base do governo têm evitado não só essa convocação como também a de José Dirceu, que foi ministro da Casa Civil de Lula. "Nós, partidos de oposição que integramos a CPI, precisamos insistir na aprovação desses requerimentos", diz a deputada.

BRF vai recorrer 'em todos os âmbitos' por ter sido citada na operação Zelotes da Policia Federal

A BRF, empresa criada a partir da fusão entre Sadia e Perdigão, informou que “tomará todas as providências necessárias para resguardar seus interesses em todos os âmbitos” por ter sido citada entre as empresas investigadas na operação Zelotes da Polícia Federal. Grandes empresas de vários setores, entre elas a BRF, são investigadas na Operação Zelotes por suspeita de pagar ou negociar suborno a conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) para apagar ou reduzir débitos em discussão com a Receita. De acordo com os investigadores, a lista de empresas sob suspeita pode diminuir ou aumentar, a depender das provas colhidas no inquérito. Por ora, nenhuma denúncia foi ajuizada.

Renan adia ida de Henrique Alves para o Ministério do Turismo

Insatisfeito com a perda de influência na Esplanada, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi o responsável por segurar a ida para do ex-presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para o Ministério do Turismo. Embora a nomeação de Henrique Alves seja considerada certa pelo Palácio do Planalto, o atual ministro do Turismo, Vinícius Lages (PMDB), é um afilhado político de Renan, que ainda não deu o aval para a troca. Deputado federal por 11 mandatos consecutivos e derrotado na eleição para o governo do Rio Grande do Norte no ano passado, Henrique Alves deve ir para a Esplanada por ser aliado próximo do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Mas, para colocá-lo no Turismo e desalojar Lages, Dilma precisa contemplar Calheiros com mais espaço. O presidente do Senado e seus aliados do PMDB trabalham para emplacar um nome no Ministério da Integração Nacional, pasta com grande capilaridade no Nordeste, mas que hoje é comandada pelo PP, que está enfraquecido por ser a legenda com o maior número de representantes investigados pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da Operação Lava Jato. Na última quinta-feira (26), Calheiros se reuniu com o ex-presidente e alcaguete Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista, durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações"), em São Paulo. No encontro, ele queixou-se muito de que falta diálogo ao Planalto com a base e que as negociações com o governo Dilma são pouco objetivas. No PMDB, é unânime a avaliação de que a legenda não participa do núcleo decisório do Planalto, e que mesmo a criação de uma “coordenação político institucional”, com a presença do vice-presidente Michel Temer, presidente nacional do PMDB, e do ministro peemedebista Eliseu Padilha (Aviação Civil), entre outros, não trouxe melhora na relação com a base. O anúncio de que Henrique Alves viraria ministro era esperado para a última sexta-feira (27), mesmo dia em que Dilma escolheu seu tesoureiro de campanha, Edinho Silva (PT), para comandar a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e o filósofo Renato Janine Ribeiro para substituir Cid Gomes (PROS) à frente do Ministério da Educação. Mas a nomeação não ocorreu. Com a economia estagnada e o governo enfraquecido pela conflagração da sua base, Calheiros, antes considerado por aliados da presidente uma garantia de estabilidade no Congresso, passou a confrontar abertamente o governo. O principal motivo da rebelião é a sua inclusão entre os políticos que tiveram inquéritos abertos no STF nas investigações de envolvimento nas denúncias de pagamento de propinas a políticos na Petrobrás. Mas não é só: também entram na conta do descontentamento do peemedebista a demissão, em fevereiro, do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, ligado a Calheiros, e os impactos do ajuste fiscal em Alagoas, Estado governado por Renan Filho (PMDB).

Dilma "tenta acertar", mas "não da maneira mais fácil", diz Levy

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou em evento fechado na terça-feira, em São Paulo, que a presidente Dilma Rousseff demonstra um “desejo genuíno” de acertar, mas não o faz “da maneira mais fácil” e “efetiva”. Na noite deste sábado, ele divulgou nota em que diz ter sido mal interpretado. A frase, divulgada neste sábado pelo portal da Folha de S.Paulo, foi dita em inglês, para dezenas de alunos da escola de negócios da Universidade de Chicago - e segundo várias lideranças políticas pode contribuir para enfraquecer o governo em um momento em que ele já está fragilizado. Políticos de vários partidos já admitiam, na noite deste sábado, que ele será convidado a se explicar melhor na audiência a que comparecerá, terça-feira, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Aos estudantes, Levy afirmou na terça-feira: “Acho que há um desejo genuíno da presidente de acertar as coisas, às vezes, não da maneira mais fácil... Não da maneira mais efetiva, mas há um desejo genuíno”. No original, segundo alguns dos presentes, mencionou “a genuine desire by the president to get things right, sometimes not the easiest way, but...Not the most effective way, but there is this genuine desire”. Era um comentário paralelo, quando ele abordou pontos do ajuste fiscal. A presidente Dilma Rousseff foi informada sobre a fala de Levy por volta das 18 horas deste sábado. O Palácio do Planalto avisou que não se pronunciaria a respeito. Os ministros responsáveis pela articulação política do governo também não quiseram comentar. No início da noite, o ministro reagiu à divulgação de sua fala com uma nota “pessoal” em que lamentava a interpretação dada ao que havia dito. Ele afirmou: “O ministro sublinha que os elementos dessa fala são os seguintes: aqueles que têm a honra de encontrarem-se ministros sabem que a orientação política do governo é genuína, reconhecem que o cumprimento de seus deveres exige ações difíceis, inclusive da exma. sra. presidente, Dilma Rousseff, e eles têm a humildade de reconhecer que nem todas as medidas têm a efetividade esperada”. A avaliação entre lideranças da oposição, assim que a fala de Levy foi divulgada, era de era de que os desafios para o governo só vão aumentar. Para o deputado Antonio Imbasshy (PSDB-BA), a declaração de Levy joga mais peso na audiência que o ministro terá na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, na próxima terça-feira. Segundo o parlamentar, os senadores certamente pedirão que ele detalhe seu comentário. “A única coisa de que eu discordo (na fala de Levy) é que, ao invés de ser “às vezes”, é “quase sempre” (que Dilma não age de forma eficaz). O ministro foi muito generoso”, ironizou o parlamentar baiano. Segundo Álvaro Dias (PSDB-PR), “o principal ministro dizer isso publicamente desarruma o governo”. O peemedebista Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) atribuiu à falta de formação política de Levy o seu novo “sincericídio”. Esta não é a primeira vez que o ministro faz comentários negativos para o Planalto. Há um mês, ele chamou de “grosseira” a iniciativa de se desonerar a folha de pagamentos. No dia seguinte, Dilma Rousseff disse que o ministro tinha sido “infeliz” ao usar a expressão.

Rebeldes xiitas são 'marionetes do Irã', diz presidente do Iêmen

O presidente do Iêmen, Abed Rabbo Mansour Hadi, afirmou no sábado que os rebeldes xiitas que o obrigaram a fugir do país são "marionetes do Irã", culpando diretamente a república islâmica pelo caos político vivido pelo país nos últimos dias. Os comentários foram feitos durante uma cúpula de líderes árabes realizada na cidade costeira de Sharm el-Sheikh, no Egito. O encontro ocorreu dois dias depois de o presidente iemenita fugir do país em meio ao avanço dos rebeldes xiitas, conhecidos como houthis. Os líderes do Egito, da Arábia Saudita e do Kuwait culparam o Irã de se intrometer em "assuntos de países árabes" ao, supostamente, dar apoio aos xiitas iemenitas. "O Iêmen, em sua hora mais escura, nunca enfrentou um desafio à sua existência e uma ameaça à sua identidade como os que enfrentam agora", afirmou el-Sisi: "Isso ameaça a nossa segurança nacional, e nós não podemos ignorar as suas consequências para a identidade árabe". Mais incisivo, Hadi desafiou diretamente o Irã e pediu que seus partidários se levantem em um protesto pacífico contra os houthis. "Eu digo para os fantoches do Irã e todos aqueles que os apóiam... Vocês destruíram o Iêmen com sua imaturidade política e com a fabricação de crises nacionais e locais", atacou Hadi. Enquanto isso, uma reportagem de uma emissora local iemenita controlada pelos houthis classificou Hadi como um "fantoche" da Arábia Saudita. Hadi também disse que os ataques aéreos lançados pela Arábia Saudita e seus aliados contra os houthis não devem parar até que os rebeldes se rendam e devolvam as armas que roubaram dos depósitos do exército. O monarca da Arábia Saudita, rei Salman, prometeu anteriormente que a campanha militar no Iêmen não iria terminar até que a segurança e a estabilidade fossem restauradas. Durante o sábado, aviões de guerra sauditas realizaram dezenas de ataques a instalações militares em todo o país, tendo como alvo instalações dos houthis em torno de Sanaa, Marib, Dhamar e Lahj, informaram autoridades de segurança. O porta-voz da coalizão árabe, Ahmed Asiri, disse a jornalistas que autoridades sauditas também estavam rastreando as atividades de ao menos dois grupos rebeldes nas fronteiras com o Iêmen. Asiri reiterou, no entanto, que a coalizão "não vai permitir" que os houthis cruzem a fronteira.

Ùltimas palavras do piloto para o copiloto do Airbus da Germanwings: "Abra essa maldita porta"


As últimas palavras registradas na caixa preta do Airbus da Germanwings revelam o drama do piloto tentando voltar à cabine. "Abra esta maldita porta!", gritou ele para o copiloto Andreas Lubitz, que insistiu em direcionar o avião de encontro aos Alpes na França, matando os 150 passageiros. As investigações também continuam revelando detalhes da vida do copiloto do voo 4U9525 da Germanwings. Segundo novos detalhes revelados neste domingo, 29, Andreas Lubitz sofreria de escolamento de retina. A informação foi revelada pelo jornal alemão Bild, segundo o qual não há certeza entre os investigadores se os problemas de visão eram decorrentes de causas físicas ou psicológicas. Segundo o Bild, os investigadores encontraram provas de que Lubitz temia perder a visão, aparentemente, devido a um descolamento de retina. Entretanto, não ficou claro se o problema oftalmológico tinha uma causa orgânica ou era decorrente de uma doença psicossomática, quando problemas físicos são causados ou agravados por fatores psicológicos, como o estresse, por exemplo. O Die Welt, outro veículo alemão, citou um investigador sênior dizendo que o copiloto de 27 anos "era tratado por vários neurologistas e psiquiatras", acrescentando que diversos medicamentos foram encontrados em seu apartamento, na cidade alemã de Dusseldorf. Segundo o jornal, a polícia também teria descoberto anotações pessoais que mostravam que Lubitz sofria de "graves sintomas de estresse excessivo". A Lufthansa, empresa controladora da companhia aérea de baixo custo para a qual o copiloto trabalhava, declarou não ter conhecido que Lubitz sofria de qualquer doença psicossomática ou física. Um porta-voz da promotoria de Dusseldorf se recusou a comentar os vários relatos da imprensa, acrescentando que não haveria nenhum anúncio oficial antes de hoje. DNA. Paralelamente aos trabalhos da procuradoria alemã, investigadores franceses avançaram na análise dos restos humanos encontrados na região do acidente e encontraram DNA de 78 pessoas, mais da metade do total que ia a bordo do voo 4U9525. Os nomes relativos aos DNAs, no entanto, ainda não foram divulgados. A determinação depende do cruzamento de dados extraídos no laboratório de campanha de Seyne-les-Alpes das mostras recolhidas de parentes das vítimas. Essa segunda etapa não acontecerá até que todos os restos mortais tenham sido recolhidos. Quando isso ocorrer, será possível identificar cada um dos passageiros. Os dispositivos médico, psicológico e logístico de apoio às famílias das vítimas do acidente do avião é mantido em funcionamentos nos Alpes franceses. Os trabalhos são feitos no ritmo já determinado por esses profissionais, que contam com 50 voos de helicóptero diários e 50 pessoas trabalhando em terra. De acordo com o Brice Robin, da Promotoria de Marselha, para acelerar as buscas a previsão é de que se abra um caminho para que veículos possam circular e que conduzirá até o epicentro da tragédia, o que pode facilitar os trabalhos. Contudo, não há previsão de que eles terminem em menos de dez dias. Somente ao fim desse processo que os corpos serão entregues a seus parentes. É possível, ainda, que a Justiça ordene análises complementares do piloto e do copiloto, como orienta o protocolo habitual em qualquer acidente.

REDE VAI PEDIR REGISTRO NO TSE ATÉ O FINAL DE ABRIL


Após dois dias reunidos em Brasília para discutir ações para os próximos meses, os membros do Elo Nacional da Rede Sustentabilidade informaram que vão ingressar no Tribunal Superior Eleitoral até o fim de abril com as assinaturas necessárias para sua validação como partido. Segundo o porta-voz da agremiação, Basileo Margarido, 80 mil assinaturas estão em processo de certificação. Para a concessão do registro pela Tribunal Superior Eleitoral, faltam 32 mil. “Até o final de abril devemos ingressar com as assinaturas validadas que faltam para que o TSE possa analisar e julgar o pedido de registro da Rede Sustentabilidade”, afirmou Basileo Margarido, observando que cerca de 450 mil assinaturas já foram reconhecidas pelo TSE em 2013. "Oitenta mil estão em processo de certificação nos cartórios. Então, temos grande margem, mais que o dobro do que falta, considerando que nem todas as assinaturas serão validadas pelos cartórios”, acrescentou. O porta-voz da Rede disse que a coleta de assinaturas também continuará até o registro do novo partido. Ele também afirmou que, até lá Marina Silva, maior expoente da agremiação, continuará filiada ao PSB, partido ao qual se integrou para participar da campanha presidencial de 2014, após a Rede Sustentabilidade não conseguir o registro. Basileo Margarido explicou que, após receber o pedido, o TSE tem 30 dias para o julgamento, e depois disso a Rede Sustentabilidade pretende se dedicar à sua organização. Segundo o porta-voz, a Rede já é um partido de fato, com instâncias já constituídas em mais de 20 Estados. “Temos uma série de ações que terão de ser adotadas para transformar as filiações políticas em filiações partidárias, de acordo com a legislação eleitoral partidária. Temos até final de maio para adotar e preparar o partido para aprofundar sua organização, inclusive considerando as eleições de 2016”, salientou. Em relação a outros partidos que pediram recentemente registro ao TSE, ou estão na iminência de fazê-lo, Basileo Margarido disse que não os vê como concorrentes atrás de um mesmo nicho de eleitores desiludidos com a política em vigor no País: “Não vemos um partido político como um nicho. Temos nossas propostas, nossas ideias, nosso ideário, nosso manifesto, nosso estatuto que dialoga com as grandes questões da sociedade. Então, não vejo competição".

PARTIDOS RECEBERAM R$ 557 MILHÕES DE EMPREITEIRAS DA LAVA JATO


O conjunto das empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato foi responsável, em média, pela doação de 40% dos recursos privados canalizados para os cofres dos três principais partidos do País — PT, PMDB e PSDB — entre 2007 e 2013. No período, as legendas, somadas, receberam pelo menos R$ 557 milhões de 21 empresas envolvidas no escândalo. Em valores absolutos, o PT foi o principal beneficiado pelos repasses oficiais do cartel acusado de superfaturar obras na Petrobras. Mas o cerco ao grupo também ameaça as finanças do maior partido de oposição: 42% das doações privadas recebidas pelo PSDB vieram das empresas investigadas. É nesse contexto de crise de financiadores que o Congresso decidiu triplicar a destinação de recursos públicos para o Fundo Partidário, que banca parcialmente o funcionamento das legendas. Na votação do Orçamento da União, há duas semanas, a dotação do fundo foi elevada de R$ 290 milhões para R$ 868 milhões. No período de sete anos, o PT recebeu R$ 321,9 milhões das empreiteiras investigadas, em valores atualizados pela inflação. O PSDB recebeu menos da metade: R$ 137,9 milhões. Os dados se referem somente às doações feitas aos diretórios nacionais dos partidos. A Operação Lava Jato, que investiga desvios e superfaturamentos de contratos de empreiteiras com a Petrobras, desvendou a existência de um cartel formado por quase todas as grandes empresas de construção do País. Cinco delas — Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa, Grupo Odebrecht e OAS — respondem por quase 77% dos repasses feitos pelas empresas investigadas aos três partidos nos últimos anos. As doações do chamado cartel da Lava Jato estão sob os holofotes da Justiça por causa da suspeita de que camuflavam pagamentos de propina. Com base em depoimentos de envolvidos no escândalo, o Ministério Público Federal afirma que repasses oficiais feitos ao PT eram, na verdade, pagamento em troca de benefícios em contratos firmados com a Petrobras. Outros partidos, como o PMDB e o PP, teriam se utilizado de canais diferentes para coletar recursos desviados. Augusto Mendonça, diretor do Grupo Setal, entregou à Justiça Federal recibos de doações partidárias e eleitorais feitas por suas empresas para o PT entre 2008 e 2012. Segundo ele, era dessa forma que se dava o pagamento de propinas desviadas da Petrobras. Mendonça foi preso e assinou um acordo de delação premiada com os promotores. Paulo Roberto Costa, que também colabora com as investigações em troca de redução de penas, já declarou em depoimento que as doações aos partidos são, na verdade, "empréstimos" cobrados posteriormente na forma de benefícios em seus negócios com o governo. 

Perigo à vista

mangabeira unger
Mangabeira impressiona a presidente
Dilma anda encantada com Mangabeira Unger. Está impressionada com sua capacidade de formulação. Já até pediu que a ele que dê aulas a outros ministros. Por Lauro Jardim

Time de peso

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Sanchez: secretário acusado de participar de mortes de palmeirenses
Andrés Sanchez contratou um time de peso para assessorá-lo na Câmara. O secretário parlamentar Alex Gomes é réu pelo assassinato de dois torcedores da Mancha Alviverde. Gomes, o Minduim, foi acusado de ser coautor da morte de André Lezo e Guilherme Moreira, a pauladas e golpes com um ferro, em março de 2012. Andrés diz repudiar o ataque e respeitar a ação judicial, mas defende a presunção de inocência de Minduim. Já o assessor André Oliveira foi anotador do jogo do bicho no passado. Por Lauro Jardim
PERGUNTA - Qual é mesmo o ramo de negócios do "empresário" Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians e amigo de Lula X9?

Explode a bolha populista e a desaprovação de Dilma sobe para 55% no Nordeste


O forte aumento da rejeição ao governo Dilma Rousseff no Nordeste ocorre no mesmo momento de uma perda importante do dinamismo na região, que chegou a crescer a velocidades "chinesas" ao longo da década passada. Segundo o Datafolha, o índice de ruim/péssimo de Dilma saltou de 11% para 55% de outubro a março no Nordeste. O período coincidiu com a disparada da inflação medida regionalmente e com a primeira queda em vários anos do saldo líquido de empregos formais na região. Embora ainda conserve desempenho superior à média nacional, a atividade no Nordeste vem convergindo para o baixo ritmo do resto do país. A região também perde terreno em áreas intensivas em mão de obra, como a construção civil. Alguns grupos regionais já reveem abruptamente suas expectativas. Em 2014, o Nordeste concentrou 30% das demissões na construção civil, setor que cortou 106 mil vagas no país. O recuo de 3,4% na média nacional foi menor que o de 4,6% na região nordestina. Cortes nas verbas e nos pagamentos de obras de infraestrutura e do Minha Casa Minha Vida são alguns dos principais motivos para o aumento das demissões na região, avalia Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção da FGV/Ibre. Diante do novo cenário, um dos principais grupos do setor de material de limpeza do Norte e Nordeste, o Raymundo da Fonte -detentor da popular marca Brilux -, readequou sua projeção de crescimento para 2015, de 12% para 5%. "Há uma acomodação do mercado e queda no consumo. Se conseguirmos manter o ritmo de produção e não demitir, já vai ser muito bom", diz o diretor comercial do grupo, Romero Longman. "As pessoas colocaram o pé no freio, comprando em quantidade menor e buscando marcas mais baratas", afirma Teobaldo Costa, presidente da Associação Baiana de Supermercados e dono do grupo Atakarejo, o maior do segmento na Bahia. Segundo o Datafolha, o Nordeste concentra a maior proporção de eleitores que votaram em Dilma em outubro e que agora consideram seu governo ruim/péssimo: 24% estão "frustrados", ante a média nacional de 16%.  "A rejeição maior vem da frustração com a economia, do medo do desemprego e da percepção da inflação fora do controle. Tudo temperado pelos escândalos de corrupção", afirma Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha.

PT quer esconder a sigla atrás de uma "frente" nas eleições de 2018


Preocupado com o desgaste da imagem do partido, o comando petista discute a adoção de um caminho que, na prática, poderá encobrir sua sigla, PT, nas futuras eleições. Segundo petistas, o ex-presidente Lula é um dos incentivadores da criação de uma frente inspirada no modelo uruguaio: uma grande coalização que reuniria sindicatos, associações, outros partidos, ONGs e outras entidades de movimentos sociais. Por essa fórmula, as candidaturas seriam lançadas em nome da coalizão, não mais pelos partidos que a integram. No Uruguai, a Frente Ampla, que congrega diferentes legendas e grupos sociais, governa o país desde 2005. É composta por siglas autônomas sob o comando de uma direção unificada. O ex-presidente José Mujica, por exemplo, é do partido MPP. Mas sua candidatura foi lançada pela frente. O presidente do PT, Rui Falcão, afirma que essa solução será tema de debate no 5º congresso do partido, em junho, na Bahia. Ele diz, no entanto, que a intenção não é apagar a sigla PT das disputas majoritárias, mas reanimar a discussão interna e atrair movimentos sociais. "Vejo com simpatia a ideia de que, no bojo da reforma política, se abra espaço para a criação de um movimento que leve a uma experiência como a da Frente Ampla, no Uruguai, e a da Concertação, no Chile", disse, numa alusão também à aliança que, em 1988, derrotou o ditador Augusto Pinochet. Assessor especial da Presidência e um dos conselheiros de Lula, Marco Aurélio Garcia afirma que o PT precisa discutir "uma política mais complexa" de organização partidária. "A Frente Ampla é uma das alternativas que contam com nossa simpatia. Eu e Lula já conversamos muito sobre esse sistema", diz. Segundo Garcia, "o momento é adequado" para isso, desde que também haja uma reflexão mais profunda sobre o partido. Para explicar o funcionamento do sistema aos petistas, a secretaria de assuntos internacionais do PT está organizando uma palestra com um representante da Frente Ampla uruguaia. Esse debate expressa um esforço de Lula em busca de uma saída para a crise petista, acentuada agora pela baixa popularidade de Dilma e pelas acusações contra membros do partido na Operação Lava Jato. Embora a proposta enfrente resistência interna, a discussão de um novo modelo poderia atrair movimentos sociais em defesa do governo.  Segundo petistas, Lula tem repetido que Dilma "não pode sair do governo pela porta dos fundos". Ao pregar a renovação, ele tem dito que o "operário de fábrica de hoje é totalmente diferente do da década de 70". O ex-presidente conhece bem o modelo uruguaio. Em 2011, foi até orador de honra no aniversário de 40 anos da frente do país vizinho. Outro simpatizante do modelo é o ex-ministro Tarso Genro (PT-RS). Em suas conversas, ele diz que uma "boa frente política para o país deve se inspirar no segundo turno que elegeu a presidente Dilma Rousseff", incluindo, por exemplo, "do economista Luiz Carlos Bresser-Pereira a Lula; do deputado Jean Wyllys ao ex-ministro Roberto Amaral". Na opinião de Tarso Genro, essa frente poderia funcionar a partir de 2018, ano da próxima eleição presidencial.

PT enfrenta adversário do mesmo nível: Eduardo Cunha


(O Globo) O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tinha ido dormir às 3h da madrugada. Às 8h de quarta-feira, estava de pé na porta da residência oficial para receber O GLOBO. Meia hora antes, na sala decorada com porta-retratos com imagens das quatro filhas, do filho e da mulher, já havia se reunido com o deputado Hugo Motta (PMDB-PB), indicado por ele para presidir a CPI da Petrobras. Pediu ao garçom uma vitamina, pôs no prato uma fatia de melão — que ficou praticamente intocada —, e passou a discorrer com acidez sobre erros da presidente Dilma Rousseff, mostrando-se bem à vontade na condição de “bicho-papão” do governo e do PT. Fez um resumo da relação do partido dele, o PMDB, com o governo: “Na prática, a gente finge que está lá (no governo). E eles fingem também (que o PMDB está no governo)". Eduardo Cunha afirma que seu poder vem do cargo que ocupa e da percepção de que, para chegar ali, ele derrotou o governo e a oposição. Diz achar que Dilma se cercou de pessoas fracas, mas nega que ele e o presidente do Senado, Renan Calheiros tenham tomado o comando do País. 
O senhor defende a redução pela metade dos ministérios. É declaração de guerra ao Planalto?
Eu não estou fazendo crise! Os ministros (do PMDB) não têm ministério (relevante). Sempre foi assim. Na prática, a gente finge que está lá (no governo). E eles fingem também (que o PMDB está no governo).
O PMDB tem dito que não quer mais cargos no governo. É real?
Ninguém quer. Para quê? Você acaba apadrinhando, tem que ser tudo técnico, né? Só que é ladrão técnico, não é ladrão político. Eu conheço ladrões técnicos, muitos ficam buscando os políticos, e muitos (políticos) são inocentes e apoiam. Alguns, eventualmente, podem até ter motivos escusos, não vou dizer que só tem santo. Mas, com certeza, esse ladrão não diz para ele o que está fazendo. Fica um monte de pilantra circulando os políticos, pedindo apoio. Para ficar livre do cara, você diz que apoia. E os caras são ladrões, que querem ter apoio para roubar.
A oposição diz que, na prática, quem está governando é o PMDB, e não Dilma...
Quem tem a caneta? É ela. Quem edita medidas provisórias? É ela. Quem libera o Orçamento? É ela. Quem nomeia e indica a cargo? É ela. Então, é ela quem governa. A devolução da MP 669, do ajuste fiscal, pelo Renan, foi um gesto político. Tanto que o governo revogou a MP, para poder mandar o projeto de lei.
O senhor diria que governo está em colapso político e gerencial?
Não diria que ele está em colapso gerencial. Eu diria que ele está em uma inércia de comunicação. Ele pode até estar gerenciando, mas não comunica o que está fazendo. Eu acho que o governo passa a sensação de estar parado. Ou de não ter o que fazer. A Petrobras foi responsável por 1% do PIB de perda este ano. A Petrobras está parada. O Comperj mandou 19 mil embora. Tem gente na rua pedindo esmola lá (em Itaboraí, RJ). Foi embora a perspectiva de o Rio produzir 85% do petróleo do país, e hoje não refina nem 10%, de poder agregar renda, desenvolvimento. E o processo econômico do Rio é dependente do petróleo. Então, o meu estado está em situação complicadíssima. A gente vê essa paralisia em vários lugares. Ela (Dilma) tem que responder a essa paralisia com ação.
Dilma está conseguindo governar?
Não acho que ela esteja parada. Acho é que está todo mundo no meio de uma crise política que não acaba.
De onde veio a crise?
Essa eleição foi muito diferente das outras três eleições do PT. Eles não tiveram hegemonia eleitoral, mas uma vitória apertada. E não entenderam esse processo. A crise começou no dia em que a presidente ganhou a eleição. Ela não disse o que ia fazer com o país. Isso foi gerando a crise política. Ficou claro e nítido que eles estavam fazendo uma opção de enfraquecer a todos nós.
A presidente não soube manter a base política construída por Lula?
Ela tinha a estrutura e não precisava implodi-la. A leitura que foi feita quando veio aquela operação Tabajara, do Kassab (Gilberto Kassab, ministro das Cidades, que patrocina a criação do PL, visto pelo PMDB como uma tentativa de diluir seu poder), que não podia dar certo. Porque não ia achar uma turma de pessoas experientes da política que assistisse isso acontecer. Eu ouvi uma frase ótima outro dia: “Dá 60 deputados para o Kassab para ver se ele não ia ficar igual”. Kassab virou formador de partido.
Formador de partido para barganhar com o governo?
Eu não quero acusar o Kassab. Foi a opção que ele fez e, se deram corda para ele, quem deu a corda é que está errado. Cada um propõe o que quiser. Quem aceita, ou não, é o outro.
Isso influenciou a crise política?
No dia da eleição, ela (Dilma) foi erraticamente discutir reforma política com plebiscito, e optou por esse caminho de formar um partido falso, inexequível. E isso jamais ia ter sustentação política. Ele (Kassab) foi ajudado por todo mundo para fazer aquele partido.
Foi uma tentativa de a presidente ficar mais independente de Lula e do PT?
Eu acho que não foi contra o Lula. Foi contra a gente mesmo, contra o PMDB.
Mas o PMDB já estava independente na Câmara antes de começar a formação desse novo partido...
Mas a independência do PMDB na Câmara foi por outro movimento errado dela. Ali juntaram dois problemas. Do período eleitoral em que o PT queria a hegemonia e não abria mão. O resultado é que Lindbergh Farias acabou em quarto lugar no Rio. Ao mesmo tempo, aquela reforma ministerial da desincompatibilização (substituição dos ministros que deixaram os cargos para se candidatar em 2014), usar aquilo para acerto eleitoral do PT? Reagimos e ficamos independentes.
Essa ação para afastar o PMDB partiu da presidente ou do PT?
Não sei se foi estratégia do círculo dela. Quando você escolhe as pessoas para fazer parte do seu círculo de intimidade, naturalmente escolhe em qual linha atuar. Pepe Vargas e Miguel Rossetto (ministros da articulação política) não estão no padrão de um processo desse tamanho. Você deve colocar pessoas do mesmo tamanho que você ou maiores. É erro de formação de equipe.
Mercadante tem comando?
Eu não convivo naquela intimidade para saber. Ricardo Berzoini (Comunicações) tem uma doutrina ideológica forte, é patrocinador da regulamentação da mídia, da radicalização dos atos políticos e continua no núcleo do processo. Jaques Wagner (Defesa) pode não estar com poder, mas está no bojo da articulação. É mais maleável.
A articulação precisa de alguém que tenha coragem de enfrentar a presidente e dizer onde está errando?
É preciso ter uma articulação que busque a integração de todos e não deixar prevalecer um ponto de vista. Dilma saiu da máquina. É a primeira presidente da República que não foi parlamentar. Ela não conhece o Congresso.
É hora de pôr alguém de fora do PT?
O problema não é ser ou não do PT, mas de comportamento. Briguei com o (deputado) Henrique Fontana durante a minha campanha, porque não pode o líder do governo dar uma coletiva contra mim, líder do PMDB. Eles, às vezes, misturam muito o papel de PT com governo.
O senhor já pensou em assumir a Presidência da República?
Essa pergunta você sabe que não vou responder, não vou cair nessa (risos).
Basta que duas pessoas viajem para o senhor assumir a Presidência.
Para quê? Para ficar lá cinco minutos e só? Vou usar a caneta para quê? Se o Cid (Gomes) ainda fosse ministro, eu podia demitir o Cid. Mas não vou poder nem demitir o Cid.
O senhor é oposição ou governo?
Nesse momento, sou o presidente da Câmara. Não posso me comportar nem como oposição, nem como governo. Tenho que me comportar como poder independente. Preguei na minha campanha que ia ser independente, não ia ser submisso, e que daria governabilidade. Vou cumprir o meu programa.
O senhor divide opiniões. O senhor é anjo ou demônio?
Eu sou o Eduardo Cunha (risos). Não sou nem anjo, nem demônio. Sou coerente com o que falo.
Controla a CPI e impediu a convocação de Fernando Baiano (apontado como operador do PMDB na Petrobras), como dizem seus adversários?
Não é verdade. Quem controla uma CPI? Por mim, pode convocar quem quiser. O que houve foi a conscientização de não trazer pessoas presas para cá. O caso do Renato Duque é diferente, porque ele ainda não estava preso quando o convocaram.
O senhor está tranquilo quanto às acusações dos delatores?
Absolutamente tranquilo. (Meu advogado) falou que o (doleiro) Youssef fala que não me conhece. Que não tem absolutamente nada contra mim. Forçaram a barra do Youssef perguntando de mim, aí ele fala que ouviu do Júlio Camargo. Ele não me acusa de nada. Diz que não me conhece, não sabe nada de mim.
Mas seu nome foi incluído.
A partir de agora, estou em guerra aberta com o (procurador-geral da República, Rodrigo) Janot. Tudo é possível. Vamos ver até que nível que vai. Ele me escolheu. Está muito claro.
É o maior escândalo do País?
Além de ser inacreditável, foi o maior escândalo de corrupção do mundo. O que mais me incomoda é a gente olhar que tem um escândalo desse tamanho e achar que todo mundo está igual. É a percepção que passa quando abre um inquérito para um e para o outro que não roubou.
O senhor acusou o governo de atuar para te incriminar...
Eu já disse que tinha a mão do governo. Já acusei claramente.
O Congresso atual é conservador?
Ele é! O Congresso é conservador na sua maioria porque a sociedade é conservadora em sua maioria.
Eduardo Cunha é conservador?
Sou um político de centro, que acredita no mercado. Busco essa linha. E sou conservador de costumes sim. Defendo a tese da vida e da família. Aborto, todo mundo é contra. A questão não é só evangélica. É católica. Cristãos que defendem a vida.