domingo, 1 de junho de 2008

Uso da capacidade da indústria brasileira chega a seu maior nível

O nível de uso da capacidade instalada da indústria brasileira subiu em maio para 85,6%, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). O nível de uso da capacidade da indústria brasileira voltou a crescer no meio dos temores já manifestados pelo governo de que o forte crescimento da demanda interna supere a produção industrial do País e provoque desabastecimento e inflação. Segundo a Fundação, o nível de uso da capacidade subiu 0,5% desde abril (85,1%) e 1,2% desde maio do ano passado (84,4%). O indicador não era tão elevado desde dezembro do ano passado, quando chegou a 86,7%, mas ainda está longe do recorde alcançado em novembro de 2007 (87,2%). Apesar de o indicador ter começado a cair no começo do ano graças à entrada em operação de novas fábricas, o forte crescimento do consumo brasileiro, que vem impulsionando a economia do País desde 2006, voltou a fazê-lo subir. De acordo com um estudo anterior da FGV os industriais brasileiros calculam que, com os investimentos previstos, sua capacidade de produção aumentará 11% este ano e 22% entre 2008 e 2010.

Petrobras aumenta participação na Braskem

A Petrobras anunciou na sexta-feira que aumentou sua participação acionária na Braskem. A partir de agora tem 30% do capital votante da petroquímica. Antes tinha 8,1%. No capital total da Braskem, a Petrobras ampliou sua participação de 7,1% para 23,1% do total. O acordo foi aprovado na sexta-feira pela assembléia de acionistas da Braskem. Em contrapartida, a Braskem integrou as participações da Petrobras no capital da Copesul (37,3%), Ipiranga Petroquímica (40%), Ipiranga Química (40%) e Petroquímica Paulínia (40%). Com o acordo, a Odebrecht passa a ter 45% do capital votante da Braskem, com 30% para a Petrobras, 15,1% para a Norquisa, e 9,7% para outros acionistas.

Schincariol investe R$ 160 milhões em nova fábrica de cerveja

O Grupo Schincariol inaugurou na sexta-feira, em Horizonte (CE), a 14ª fábrica da empresa, com capacidade para produzir até 200 milhões de litros de cerveja por ano. A empresa informou que, no início, a produção ficará concentrada nas garrafas de 600 ml da Nova Schin. A abertura, que vai custar R$ 160 milhões, faz parte do plano de investimento de mais de R$ 1 bilhão na empresa. Segundo Gilberto Schincariol, do Conselho de Administração, a companhia pretende investir mais R$ 20 milhões nesta unidade do Nordeste e, em breve, passar a produzir, ainda, cervejas em lata e refrigerantes em garrafas pet. A Schincariol é a segunda cervejaria do País, com participação de 12,9% no mercado nacional. Em 2007, a empresa fechou com receita bruta de R$ 4,5 bilhões, o que representou uma alta de 24% sobre 2006, e lucro líquido de R$ 114,1 milhões. O grupo produz 4 bilhões de litros de bebidas no ano, incluindo cervejas, sucos, refrigerantes e águas, em 13 Estados.

Governador de Roraima diz que governo Lula acoberta interesses internacionais

O governador de Roraima, José de Anchieta Júnior (PSDB), disse na última quinta-feira, em palestra no Clube da Aeronáutica, que o governo Lula acoberta interesses internacionais no caso da reserva indígena Raposa/Serra do Sol. Conferencista de seminário intitulado "Amazônia e a Realidade Brasileira", Anchieta Júnior afirmou que a demarcação contínua de terras indígenas em Roraima, defendida pelo governo Lula, interessa às grandes potências, que agem na Amazônia por meio de Ongs. "Al Gore (ex-vice-presidente dos Estados Unidos) discute a soberania e a propriedade da Amazônia. Ele disse que a Amazônia não pertence aos brasileiros, pertence ao mundo. François Mitterrand, ex-presidente da França, pensava da mesma forma. John Major, ex-primeiro-ministro britânico, no Reino Unido, também. São representantes das grandes potências mundiais que têm pensamentos desse tipo com relação à nossa Amazônia. O índio não atrapalha a soberania. O que atrapalha é a demarcação em área contínua deixando só eles. Tem que somar a presença do índio e do não-índio", disse Anchieta Junior. O governador de Roraima afirmou ainda que a "política indigenista do governo Lula é caótica, incoerente e irresponsável". E continuou: "A política equivocada de demarcação de áreas indígenas, esvaziando as fronteiras, é perigosa para a soberania nacional. O índio não precisa de mais área. Precisa de dignidade, cidadania e apoio. A política distorcida do governo federal, de dar terra aos índios e não dar condições de vida a eles, não se justifica". Para ele, a decisão de destinar aos indígenas terras contínuas poderá resultar em mortes: "Estou tentando evitar uma tragédia no nosso Estado. O que as Ongs queriam era o cadáver de um indígena, para dizer que o brasileiro não cuida de seus índios”. Presente ao evento, o prefeito de Paracaima (município em Roraima) e líder arrozeiro, Paulo César Quartiero (DEM), disse que o governo faz terrorismo de Estado na região e chamou o ministro da Justiça, Tarso Genro, de terrorista: "O terrorismo é feito por seu terrorista-mor, que se chama Tarso Genro. Esse é terrorista. Nós simplesmente estávamos pedindo a judicialização da questão. Nós somos escravos da lei. Já o ministro mandou um exército de policiais federais que se porta em Roraima como nós fôssemos Iraque e eles fossem marines, oprimindo nossa população".

Deputado Álvaro Lins preso e solto por decreto legislativo aprovado às pressas

O deputado estadual Álvaro Lins (PMDB-RJ), preso na quinta-feira pela Polícia Federal, durante a Operação Segurança Pública S.A., que desarticulou um esquema de lavagem de dinheiro, facilitação de contrabando e corrupção, sai livre na sexta-feira, logo após a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro aprovar a toque de caixa um projeto de resolução que considerou inconstitucional a sua prisão. O projeto foi aprovado com 40 votos favoráveis, 15 contrários e nenhuma abstenção. Para ser aprovado, o projeto precisava de 36 votos. A Assembléia do Rio de Janeiro tem 70 deputados, 17 deles do PMDB, a maior bancada. Conforme os picaretas corporativistas da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, Álvaro Lins tem foro privilegiado tem foro privilegiado e por isso sua prisão precisa da aprovação da Casa Legislativa para ser efetivada. Ocorre que ele foi preso em flagrante pela Polícia Federal, o que é previsto em lei. Documentos encontrados em sua casa comprovam o envolvimento de Álvaro Lins em um esquema de ajuda a criminosos, conforme a Polícia Federal. O presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, criticou a revogação da prisão de Lins: "Traz perplexidade à sociedade a possibilidade de se cassar uma decisão proferida pelo Judiciário por um ato político, que tem muito mais a aparência de corporativista e coleguismo inoportuno do que uma reação a uma suposta decisão arbitrária e ilegal da Justiça". O Tribunal Regional Federal da 2ª Região decretou a prisão de dez pessoas, e o Ministério Público Federal denunciou 16, incluindo o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PMDB). Para a Polícia Federal e a Procuradoria da República, Álvaro Lins e Garotinho mantiveram um esquema com policiais corruptos que protegia os contraventores Rogério Andrade e Fernando Iggnácio na guerra pelo controle de caça-níqueis no Rio de Janeiro. Os bens de Álvaro Lins foram seqüestrados.