terça-feira, 8 de julho de 2008

Polícia Federal diz que Naji Nahas tinha informações privilegiadas do Fed

O empresário Naji Najas, preso nesta terça-feira na Operação Satiagraha, deflagrada pela Polícia Federal, tem como fonte um funcionário do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) que lhe passava informações privilegiadas. O dado foi confirmado pela Polícia Federal. Segundo relato do juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, no documento que determina as prisões, Nahas teria como saber, com antecedência, a decisão do Fed acerca da taxa básica de juros do país. A operação da Polícia Federal investiga o desvio de verbas, corrupção e lavagem de dinheiro. "Pessoa possivelmente estando em New York teria antecipado para Naji Robert Nahas a queda da taxa de juros, controlada pelo Fed americano, em até 0,5%. No dia 18.09.2007, esta informação, segundo a autoridade policial, teria se confirmado na medida em que "os mercados financeiros de todo o planeta reagiram com surpresa a queda de 0,5% da taxa de juros americanos'", afirma o juiz. O delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal, responsável pela investigação, disse que Najas tinha um "megacontato" no Fed, e que a descoberta de tal informação causou surpresa. Queiroz afirmou que durante a investigação foram encontrados indícios de que Nahas, com informação privilegiada, manipulava ganhos também no mercado financeiro internacional. A decisão do juiz Sanctis menciona ainda que Naji Nahas, "aparentemente", sabia da descoberta do megacampo de petróleo de Tupi, na bacia de Santos, três meses antes da divulgação. Em conversa interceptada pela Justiça, Nahas falava sobre um portifólio de informações privilegiadas que teria. "Anote-se, também, os diálogos entre Naji Robert Nahas e Miguel, no qual o primeiro solicita para comprar mais ações, embora Miguel o tenha alertado que estariam caindo, ao que Nahas diz para fazer o que ele estaria mandando e para não comentar nada", afirma o texto. Nascido no Líbano e naturalizado brasileiro, o megainvestidor Naji Nahas chegou ao Brasil na década de 70, depois que casou com uma brasileira. Em 1989, foi acusado de ser um dos responsáveis pela quebra da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Apesar da acusação, Nahas foi inocentado seis anos depois. Também foi envolvido na disputa societária da Brasil Telecom ao trabalhar como consultor da Telecom Itália, que foi uma das interessadas na compra da companhia telefônica brasileira.

Polícia Federal quis prender repórter da Folha de S. Paulo que informou sobre a Operação Satiagraha

A Polícia Federal em Brasília pediu à Justiça, como parte da Operação Satiagraha, a prisão da jornalista Andrea Michael, do jornal Folha de S. Paulo, por vazamento de informação sigilosa. Além da prisão da jornalista, a Polícia Federal solicitava busca e apreensão de documentos na casa da repórter, que trabalha na sucursal do jornal em Brasília. A Justiça negou o pedido da Polícia Federal. O argumento dos federais era o de que a jornalista, há dois meses, vazou a Operação Satiagraha. Na verdade, o que os policiais chamaram de vazamento foi uma reportagem publicada na Folha sobre as investigações que resultaram na Operação Satiagraha. Em reportagem publicada em 26 de abril, Andrea Michael antecipou que a Polícia Federal estava investigando Daniel Dantas e outros diretores do banco Opportunity por crimes financeiros. A Polícia Federal confirmou que a informação da repórter era correta: todas as pessoas citadas por ela foram presas na Operação Satiagraha. De acordo com a Polícia Federal, as informações foram passadas para a jornalista por um grupo de policiais que queria alertar Daniel Dantas sobre a operação. Por isso, a prisão da jornalista foi pedida. O procurador da República Rodrigo De Grandis não concordou com o pedido de prisão feito pela Polícia Federal, mas inacreditavelmente corroborou o pedido de busca e apreensão na casa da repórter. O objetivo, segundo ele, era saber quem foi sua fonte, o que é uma flagrante violação constitucional, tanto que o juiz Fausto Martin De Sanctis respeitou o princípio constitucional que garante ao jornalista o sigilo da fonte e não acolheu o pedido. A situação no País lulista e na gestão do ministro Tarso Genro, da Justiça, chegou a tal ponto que a Polícia Federal teve a pretensão de querer prender uma jornalista porque ela estava cumprindo a sua obrigação, a de noticiar o que conseguiu apurar. Parece que a Polícia Federal enlouqueceu na era do imperativo e peremptório ministro Tarso Genro.

Ministério Público Federal acusa Daniel Dantas de tentativa de suborno sobre um delegado

O banqueiro Daniel Dantas tentou subornar um delegado da Polícia Federal para evitar as investigações que levaram à sua prisão, acusou o Ministério Público Federal. De acordo com nota distribuída pelo Ministério Público Federal, Daniel Dantas ofereceu, por meio de dois intermediários, US$ 1 milhão a um delegado da Polícia Federal para que seu nome, o de Verônica Dantas, irmã do banqueiro, e de Carlos Rodemburg, sócio e vice-presidente do Banco Opportunity, fossem retirados das investigações. De acordo com os promotores, o fato foi informado ao juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, que autorizou que os contatos entre o delegado e os intermediários continuassem sem que fosse dado o flagrante de corrupção. O objetivo seria a obtenção de mais provas. O delegado da Polícia Federal chegou a receber 129 mil reais dos intermediários do banqueiro. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal informaram que irão apurar o vazamento de informações sigilosas que levaram Daniel Dantas a tentar o suborno do delegado.

Ex-mulher relatou ao Ministério Público a estreita relação entre Pitta e Nahas

O cerco da Polícia Federal a Celso Pitta, ex-prefeito de São Paulo, foi fechado a partir de denúncias que sua ex-mulher, Nicéa, fez ao Ministério Público de São Paulo. Ela revelou, em depoimento formal, que Pitta mantinha "estreita relação" com o investidor Naji Nahas. Segundo a Polícia Federal, grampos telefônicos mostram que remessas de valores em espécie para Pitta foram realizadas por determinação de Nahas a doleiros. Pitta foi preso em sua residência, no Jardim Paulista, por ordem do juiz federal Fausto Martin De Sanctis, titular da 6.ª Vara Criminal Federal, especializada em processos sobre crimes financeiros. Segundo Nicéa, um filho do investidor, Fernando Nahas, "entregava envelopes para seu ex-marido". Ela revelou que certa vez abriu um desses envelopes encontrando documentos que comprovam sociedade entre Nahas e Pitta na offshore Yukon River, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. O doleiro Lúcio Bolonha Funaro, identificado como "Maluquinho" nos diálogos gravados, seria um dos fornecedores de dólares para Nahas. Funaro teria sido sócio da Guaranhuns Empreendimentos e Participações S/C Ltda e apontado como o doleiro do Mensalão, esquema de corrupção montado pela direção do PT (José Genoíno, Delubio Soares, Silvinho “Land Rover” Pereira) para a compra de apoios políticos de parlamentares e partidos ao governo Lula.

Supremo vetou à CPI dados que levaram à prisão de Daniel Dantas

As informações que permitiram à Polícia Federal prender o sócio-fundador do Banco Opportunity, Daniel Dantas, poderiam ter vindo à tona há três anos, durante as investigações das CPIs dos Correios e do Mensalão. Em 2005, a base do governo Lula tentou revidar os ataques da oposição investigando Daniel Dantas e possíveis ligações com integrantes do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na época das privatizações das teles. Os lulistas e os membros dos partidos subalternos da base aliada conseguiram nas CPIs dos Correios e do Mensalão aprovar um requerimento para ter acesso ao disco rígido (HD) de um computador do Banco Opportunity, apreendido pela Polícia Federal durante a Operação Chacal, que investigou o esquema de espionagem da Kroll Associates a membros da administração federal. Esse é o mesmo disco rígido que alimentou as investigações da Polícia Federal que resultaram na Operação Satiagraha. Depois de aprovado o requerimento, Daniel Dantas recorreu ao Supremo Tribunal Federal para que as informações fossem mantidas sob sigilo. Dois dias depois de protocolado o pedido, a ministra Ellen Gracie concedeu liminar, vetando o acesso da CPI ao material.

Petista Luiz Eduardo Greenhalgh diz que advogou para Daniel Dantas dentro da lei

O ex-deputado federal petista Luiz Eduardo Greenhalgh declarou nesta terça-feira ter sido contratado como advogado criminalista pelo sócio-fundador do Banco Opportunity, Daniel Dantas e afirmou ter atuado na defesa do empresário "nos estritos marcos da legalidade e da ética profissional". "Fui contratado por Daniel Dantas para assisti-lo na qualidade de advogado criminalista, atividade que exerço há mais de 30 anos", afirmou o petista Greenhalgh em comunicado. "Atuei na defesa de meu cliente nos estritos marcos da legalidade e da ética profissional”. Greenhalgh afirma desconhecer as razões que motivaram o envolvimento de seu nome nas investigações: "Não tive acesso aos autos. O que sei foi pela imprensa e pela entrevista dos promotores”. E acrescentou: "Nem mesmo durante a ditadura militar fui envolvido numa investigação por conta de minha atuação na defesa de meus clientes. A violação às prerrogativas do advogado é prática inadmissível no Estado Democrático de Direito”. O curioso é um petista como ele, que chegou a concorrer à presidência da Câmara dos Deputados pelo PT, falar assim do governo do seu companheiro Lula. Conforme o procurador da República Rodrigo de Grandis, responsável pelas investigações, Luiz Eduardo Greenhalgh é "o elo" entre o grupo formado por Daniel Dantas com os poderes Executivo e Legislativo. Grandis disse que as interceptações telefônicas feitas na operação mostram que o ex-deputado era, inclusive, chamado por dois apelidos: Leg e Gomes. O procurador lamentou o fato de o juiz ter indeferido os mandados de prisão, busca e apreensão referentes a Luiz Eduardo Greenhalgh.

Tarso Genro se diz surpreso com decisão de juiz que pediu para Supremo investigá-lo

O ministro da Justiça, Tarso Genro, classificou nesta terça-feira de "equívoco extremo" a interpretação da Justiça Federal de que há elementos para que ele e a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sejam incluídos entre os investigados no inquérito aberto pela Polícia Federal para apurar o vazamento do dossiê clandestino feito pela Casa Civil contendo gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de dona Ruth Cardoso, já falecida. O ministro disse, peremptoriamente, que ficou "surpreso" ao constatar que o juiz José Airton de Aguiar Portela, da 12ª Vara Federal do Distrito Federal, remeteu o processo ao Supremo Tribunal Federal com o pedido para que ele e Dilma sejam investigados. "O procurador fez um exame e pediu ao Supremo que faça uma investigação.

Preço do petróleo perde quase US$ 10,00 em relação a recorde de cotação

O preço do petróleo caiu mais de US$ 5,00 nesta terça-feira. Em relação ao recorde de US$ 145,85, registrado durante sessão na semana passada, já se perdeu quase US$ 10,00. Os preços cederam com a melhora do desempenho do dólar, as preocupações menores sobre a oferta mundial da commodity e o enfraquecimento de um furacão. O barril do petróleo cru para entrega em agosto, negociado na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês), encerrou a sessão desta terça-feira cotado a US$ 136,04, em queda de 3,77% em relação ao fechamento anterior. Em Londres, o barril do petróleo Brent também teve uma jornada de forte queda, negociado a US$ 136,43 no ICE (International Exchange Futures). O recuo foi de US$ 5,44 ante o fechamento da sessão anterior. Na semana passada, o preço chegou a US$ 146,69. Em dois dias, a commodity perdeu mais de US$ 8,00 na Europa.

Volks Caminhões abre terceiro turno e contrata 1.300 trabalhadores em Resende

A Volkswagen Caminhões e Ônibus informou nesta terça-feira que vai abrir o terceiro turno de produção em setembro e gerar até 1.300 empregos adicionais na unidade de Resende (RJ). O anúncio foi feito por Roberto Cortes, presidente da montadora. Segundo a companhia, para ampliar de 220 para 300 veículos produzidos ao dia, a montadora investirá R$ 50 milhões até o final de 2008. Os primeiros 800 contratados começam nas próximas semanas e recebem treinamento para o novo turno. Hoje, a fábrica de Resende conta com 4.500 funcionários, e monta 220 veículos ao dia. Inaugurada em novembro de 1996, começou suas operações com 220 empregados em um turno, montando um único veículo ao dia. O aumento na produção e nas vendas ficou mais intenso a partir de 2000, quando a montadora lançou uma linha completa de caminhões. Em outubro de 2004, foi aberto o segundo turno de produção, que agora está perto da sua capacidade máxima. A empresa conquistou, a partir de 2003, a liderança em vendas no mercado brasileiro de caminhões acima de cinco toneladas. Em 2007, a empresa produziu 47 mil unidades. A previsão é de que a marca termine o ano de 2008 com um volume recorde próximo a 60 mil veículos.

Ministro Lobão diz que mineradoras pagam poucos royalties

O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, disse nesta terça-feira que os royalties pagos pelo setor mineral são baixos. Durante audiência na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, Lobão disse que o governo Lula ainda não tomou nenhuma decisão para aumentar o valor, mas que o ministério entende que poderiam ser maiores. "Até tenho feito manifestações nesse sentido e não tenho agradado a muita gente. Não tomei ainda nenhuma decisão, mas entendo que os royalties são baixos, poderiam ser melhores", afirmou ele. Lobão defendeu ainda a criação de uma agência reguladora para o setor mineral, nos moldes da ANP (Agência Nacional do Petróleo). O ministro voltou a dizer que o regime de concessão de áreas para mineração deverá ser melhorado. Um dos pontos criticados pelo ministro é a inexistência de prazo para que a exploração do território concedido inicie. Lobão disse que o Código Brasileiro de Mineração deverá ser revisto. "O código é antigo, é bom que pelo menos ele seja atualizado. Estamos em fase de constituição de um grupo, estudando um modelo para aperfeiçoar as leis que temos hoje”.

CCJ do Senado aprova projeto que torna inelegíveis candidatos com "ficha suja"

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal aprovou nesta terça-feira o projeto de lei complementar que torna inelegíveis candidatos com "ficha suja" na Justiça. Em votação simbólica, a maioria dos integrantes da comissão se mostrou favorável às mudanças na legislação para restringir a candidatura de políticos condenados na Justiça em qualquer instância. O projeto segue agora para votação no plenário do Senado, mas ainda precisa ser aprovado pela Câmara para entrar em vigor. O texto não deve ser aprovado pelo Congresso a tempo de vigorar nas eleições municipais de outubro, embora o Senado esteja disposto a colocar a matéria em votação no plenário esta semana, antes do início do recesso parlamentar de julho. O projeto prevê prazos variados para a inelegibilidade dos candidatos, de acordo com o crime cometido por cada um. O novo texto impede a candidatura de políticos já condenados na Justiça, em qualquer instância, por crimes eleitorais, corrupção, improbidade administrativa ou com penas superiores a dez anos de detenção, como homicídios e estupros, entre outros.

BNDES libera R$ 193,4 milhões para ampliação da rede G. Barbosa

O BNDES aprovou um financiamento de R$ 193,4 milhões para a empresa varejista G. Barbosa. O plano de investimentos prevê a implantação de 18 novas lojas, expansão de cinco unidades e a modernização da rede. O grupo, que tem lojas em Sergipe, Bahia e Alagoas, prevê a abertura de 4.874 novos empregos diretos, crescimento de 56% no quadro de pessoal da empresa. O financiamento corresponde a 70% do investimento total a ser realizado pela G. Barbosa, de R$ 276,3 milhões. Os R$ 82,9 milhões restantes são recursos próprios da empresa. Das 18 novas lojas a serem implantadas, três serão no formato hiper (com área de vendas acima de 5.000 metros quadrados); nove, no formato hiper compacto (área de vendas na faixa de 2.500 a 5.000 metros quadrados); três, no formato super (área de vendas na faixa de 800 a 2.500 metros quadrados); e três terão o formato eletroshow (área de vendas na faixa de 100 a 250 metros quadrados). Segundo dados da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), a G. Barbosa está posicionada entre as cinco maiores empresas do setor no País.

Deputado federal Paulinho da Força Sindical nega participação nas fraudes no BNDES

O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical (PDT-SP), rebateu nesta terça-feira que tenham ocorrido fraudes no BNDES. Acusado de desviar recursos da instituição, Paulinho disse ser "impossível ter fraudes no BNDES". Para justificar sua afirmação, ele leu uma longa nota da instituição, informando que as decisões no órgão são tomadas de forma colegiada. Paulinho disse ainda que conhece o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, há mais de 20 anos, e também o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Segundo o deputado, ele tem uma "relação de amizade" com os dois. Ambos foram sugeridos por Paulinho como suas testemunhas de defesa no Conselho de Ética da Câmara. Paulinho negou também que João Pedro de Moura (flagrado por câmeras da Polícia Federal 39 vezes na área dos gabinetes da Câmara) seja seu assessor parlamentar. Segundo ele, Moura presta serviços a uma empresa que tem contratos com a Força Sindical. "Não tenho como responder pelos atos de João Pedro de Moura", afirmou o deputado. "João Pedro cuida para nós de prestação de contas, de qualificação profissional para várias entidades sindicais", disse Paulinho, que fez sua defesa oral no Conselho de Ética. Ao iniciar sua defesa, Paulinho da Força Sindical pediu desculpas aos colegas se eventualmente foi "agressivo e arrogante". Depois, afirmou que "as coisas no meio sindical não são flores": "Para mim é muito difícil estar aqui agora. Meu lugar é estar nas ruas, na porta das fábricas. Por isso peço desculpas se por ventura me comportar de forma pouco convencional. Minha vida só me permite lutar. Eu sou inocente do que me acusam. Se eu corro, eu perco o que tenho de melhor, a minha dignidade. Nunca usei meu mandato irregularmente".

Ditador Raúl Castro reabre transporte de Cuba para empresas privadas

O governo do ditador Raúl Castro voltará a conceder "nos próximos dias" licenças para a operação de transporte privado após nove anos de suspensão desta modalidade de concessão implantada em Cuba em meados dos anos 90. A nova medida se soma às reformas econômicas introduzidas por Castro desde que assumiu a Presidência do país, em 24 de fevereiro, e que representaram uma ligeira abertura da margem de atuação da iniciativa privada em alguns setores. O ministro de Transporte cubano, Jorge Luis Sierra, disse que "foi decidido e será implementada nos próximos dias a aprovação de licenças operacionais de transporte pelos portadores privados". Sierra afirmou que as licenças abrangerão as transportadoras nas zonas rurais do país, onde "não vai chegar o transporte que está chegando agora" à ilha e às áreas urbanas. "Uma a uma serão aprovadas as licenças, será dado o combustível, fixada a tarifa, estipulada a rota e o horário. É como se fosse um ônibus público para a zona rural", disse ele. As licenças operacionais de transporte foram criadas em 1996 por decreto-lei, em pleno "período especial", como se chama em Cuba a profunda crise econômica que atingiu o país com o fim da União Soviética e do bloco socialista europeu.

DEM amplia número de candidatos a prefeito de capitais nas eleições deste ano

Nas eleições municipais deste ano, o Democratas terá mais candidatos à prefeitura de capitais do que teve nas eleições anteriores, quando ainda se chamava PFL. Para o DEM, quanto mais candidaturas em médias e grandes cidades em 2008, maiores são as chances de ampliar o número de deputados federais nas eleições de 2010. "Há vinculação direta entre as eleições municipais e as disputas proporcionais seguintes", disse o presidente nacional da sigla, o deputado federal Rodrigo Maia (RJ). Pelo raciocínio dele, quanto mais votos os candidatos a prefeito do partido conseguirem neste ano, maior é a probabilidade de aumentar a bancada na Câmara dos Deputados. O objetivo do partido é repetir 2002, quando elegeu a segunda maior bancada da Casa. Em 2006, o PFL elegeu 65 deputados federais (19 a menos que em 2002), tornando-se a quarta bancada na Câmara dos Deputados. Hoje, com o troca-troca de partidos, o DEM está com 53 deputados.

Decisão do Supremo faz CPI amenizar relatório sobre crise carcerária

Os integrantes da CPI do Sistema Carcerário aprovaram nesta terça-feira o texto-base do relator, o deputado federal Domingos Dutra (PT-MA), que responsabiliza 31 autoridades, em sete Estados, pela crise no sistema carcerário. Inicialmente, o documento pedia o indiciamento dessas pessoas, mas a medida acabou suavizada devido a uma decisão do Supremo Tribunal Federal que impediu a CPI de pedir o indiciamento de dois juízes. Conforme o Supremo, a CPI não tem competência para pedir o indiciamento de juízes (dois magistrados de Campo Grande - MS). "Mesmo com a mudança da redação (de indiciamento para responsabilização), o enquadramento jurídico dos tipos penais vai ser mantido. Entre os nomes da lista estão pessoas ligadas aos casos da prisão de uma adolescente entre homens na cadeia de Abaetetuba (PA); de torturas relatadas no Piauí; e dos presos achados dormindo ao lado de porcos na Colônia Penal Agrícola do Mato Grosso do Sul. De São Paulo há dois advogados suspeitos de entrar em unidades prisionais com celulares para beneficiar o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Fiat vai interromper produção e dispensar funcionários temporariamente na Itália

A Fiat vai fechar quatro de suas cinco unidades de produção na Itália por três semanas entre setembro e novembro (uma semana a cada mês do período) devido à queda nas vendas. Os fechamentos deverão acarretar a dispensa temporária dos funcionários das unidades afetadas, com salários reduzidos (o número de empregados afetados pela medida não foi informado). As vendas de carros na Itália caíram 19,5% em junho, e os registros de veículos da Fiat no país caíram 16,5%. A queda é atribuída ao fim de um programa do governo do ano passado, de subsídio na troca de um carro usado por um novo.

Ministro do Equador renuncia após intervenção em canais de TV

O ministro da Economia do Equador, Fausto Ortiz, renunciou nesta terça-feira depois de o governo ter anunciado intervenção em ao menos dois canais de televisão, devido a dívidas das empresas com o Estado. O presidente Rafael Correa se reuniu na madrugada com funcionários do governo para decidir o bloqueio dos bens do antigo Filanbanco, que faliu na crise bancária de 1999, considerada a pior da história do país, e cujas perdas chegam a US$ 661 milhões (R$ 1,05 bilhão). De acordo com um funcionário que esteve nessa reunião, Ortiz não concordou com a intervenção nos canais. A programação desses canais de televisão às vezes criticava o governo populista de Rafael Correa. A renúncia acontecido após uma discussão entre o presidente e o ministro. O governo mandou a polícia às sedes dos canais, tirou a programação do ar e designou um novo chefe de reportagem para ao menos um dos canais. A medida foi imediatamente condenada pelos equatorianos, que desconfiam de que o presidente Rafael Correa queira limitar a liberdade de expressão. Os proprietários do Filabanco, os irmãos Roberto e William Isaias, são acusados de desviar dinheiro que o Estado destinou ao banco. Ambos vivem nos Estados Unidos. O Equador solicitou sua extradição, para que sejam julgados no país. A intervenção, que afetou as populares redes Gamavisión e TC Televisión, ambos canais abertos nacionais, foi determinada pela Agência de Garantia de Depósitos (AGD) para comprovar se os canais são de propriedade de um grupo que protagonizou uma quebra bancária há uma década. A agência estatal também tomou as instalações em Quito de um pequeno canal de televisão a cabo, Cablevisión.

Candidato do PMDB defende adoção de bilhete único no Rio de Janeiro

Quarto colocado nas pesquisas e com possibilidade de ter a candidatura impugnada, o ex-secretário Eduardo Paes, concorrente do PMDB à prefeitura do Rio de Janeiro, defendeu nesta terça-feira a adoção do bilhete único na capital fluminense. Ele afirmou que vai investir recursos municipais para ajudar na compra de novas composições para os trens que trafegam no Rio de Janeiro. Além disso, prometeu adotar o bilhete único para integrar os sistemas de transportes da cidade. "A integração dos serviços vai humanizar este sistema", disse. Levantamento do Datafolha divulgado no último domingo aponta o senador Marcelo Crivella (PRB) como líder na corrida municipal carioca, com 26%, seguido por Jandira Feghali (PCdoB), com 17%, e Solange Amaral (DEM), com 10%. Eduardo Paes aparece em quarto lugar, somando 9% das intenções de voto. Fernando Gabeira (PV) tem 7%.

Venda de carros importados cresce 249% no semestre

As vendas de carros importados das empresas ligadas à Abeiva (Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores) fecharam junho em 3.437 unidades no atacado, 45,64% mais em relação ao mês anterior, quando foram comercializados 2.360 veículos. Sobre junho de 2007 (825), a alta foi de 316,6%. As empresas filiadas à entidade são BMW, Chrysler, Dodge, Effa Motors, Ferrari, Jeep, Kia Motors, Maserati, Pagani, Porsche e Ssangyong. Assim, as associadas à Abeiva fecharam o primeiro semestre do ano com a venda acumulada de 13.522 unidades, 249,14% a mais em relação aos 3.873 veículos comercializados no mesmo período do ano passado.

Especialista militar afirma que Israel pode atacar o Irã dentro dos próximos seis meses

Apesar da instabilidade no Oriente Médio e do preço do petróleo em alta, um ataque contra as instalações nucleares do Irã por parte de Israel se torna cada vez mais provável, conforme opinião de Ilan Berman, vice-presidente do American Foreign Policy Council. "Não é uma questão de pesar os benefícios de agir nesse momento, que é realmente ruim", disse Berman: "A questão é se o Irã com tecnologia nuclear é grave o suficiente para demandar ação”. Para Berman, autor do livro "Tehran Rising: Iran's Challenge to the United States" ("A Ascensão de Teerã: O desafio do Irã para os EUA"), é improvável que os Estados Unidos ataquem o país persa. O fato de ser ano eleitoral, a baixa popularidade do presidente George W. Bush e um relatório das agências de inteligência do país, afirmando que Teerã desistiu de produzir armas nucleares, estão entre os motivos apresentados por ele. No entanto, segundo o especialista, para Israel, o Irã representa uma "ameaça existencial". O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad atacou Israel publicamente em várias ocasiões, dizendo que o país deveria ser "riscado do mapa" e que o Holocausto nazista seria "uma invenção sionista". O analista explica que Israel, após esperar por muito tempo que os Estados Unidos tomassem a frente, começou a pensar "como seria se eles tomassem a iniciativa". O especialista cita o exercício militar realizado por Israel há algumas semanas, considerado uma simulação de ataque aéreo contra o Irã. Berman diz acreditar que o período "favorável" para um ataque está acabando. "Os israelenses não acham que, se houver uma administração de Barack Obama e, possivelmente, se houver uma administração de John McCain, terão tanta liberdade de movimento quanto têm agora", explica Berman.

IBGE reduz previsão da safra para 143,6 milhões de toneladas

A safra nacional de grãos deverá totalizar 143,6 milhões de toneladas em 2008, informou nesta terça-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A estimativa prevê volume recorde para a safra, que pela projeção, será 7,9% maior do que as 133,1 milhões de toneladas verificadas em 2007. A nova estimativa da safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas é referente a junho de 2008, e indica uma produção 0,5% abaixo da previsão de maio, que ficara em 144,3 milhões de toneladas. A estimativa de área plantada de grãos para 2008 (47,1 milhões de hectares) deverá crescer 3,9% sobre a de 2007. Entre os produtos avaliados, soja, milho e arroz deverão ocupar as maiores áreas em 2008: respectivamente, de 21,2; 14,4 e 2,9 milhões de hectares. Esses produtos representam 90% da produção estimada de grãos. A maior produção está prevista para a região Sul, com 60,4 milhões de toneladas. Em seguida vem o Centro-Oeste (49,4 milhões de toneladas), Sudeste (17,2 milhões de toneladas), Nordeste (12,8 milhões de toneladas) e Norte (3,8 milhões de toneladas). Na comparação com 2007, o IBGE projeta produção maior para 17 dos 25 produtos investigados no levantamento, entre os quais o arroz (11,0%), café (27,3%), cana-de-açúcar (14,0%) e feijão 2ª safra (34,6%). Também deverão apresentar safra superior a 2007 a mamona (64,8%) e o trigo (28,3%). A estimativa é de queda para as produções de algodão (-2,5%), batata-inglesa 1ª safra (-2,1%), cebola (-4,2%), feijão 1ª safra (-6,3%), feijão 3ª safra (-6,3%), laranja (-2,8%), mandioca (-0,9%) e triticale (-4,6%).

Ruas de Itabuna estão tomadas pelo lixo

As ruas de Itabuna (BA) amanheceram cobertas de lixo nesta terça-feira. Do centro para a periferia, e nas áreas comerciais, as montanhas de lixo se multiplicam, por causa da greve de dois dias dos garis. Um dos locais mais prejudicados com a sujeira é o centro comercial, a maior central de abastecimento da cidade. Os comerciantes protestaram contra os prejuízos, porque os consumidores estão fugindo das nuvens de moscas, urubus e dos cachorros que fazem a festa com a sujeira espalhada no local. No bairro Maria Pinheiro, na periferia, a sujeira invadiu calçadas e até as ruas. À tarde, os garis pararam o trânsito na Avenida Cinqüentenário, a principal da cidade, para denunciar os problemas com a empresa Ecolimp, responsável por cuidar da limpeza urbana. Os garis querem o recolhimento do FGTS (atrasado há cerca de dois anos), o pagamento do salário de junho, a cesta básica e o vale transporte, atrasados há dois meses. A Ecolimp alega que a Prefeitura atrasa o pagamento. Segundo o prefeito, Fernando Gomes, o município gasta mais de R$ 600 mil por mês com o serviço e nada deve à empresa.

Polícia Federal prende banqueiro Daniel Dantas, Celso Pitta e Naji Nahas

A terça-feira o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta; o investidor Naji Nahas, e o banqueiro Daniel Dantas, do Banco Opportunity. A Operação Satiagraha também investiga o desvio de verbas públicas, embora nenhum dos três presos tenha sido acusado por esse crime. Os policiais cumprem 24 mandados de prisão e 56 de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e em Brasília. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Daniel Dantas foi preso no Rio de Janeiro, junto com sua mulher, cunhado e irmã. A Polícia Federal apreendeu quatro carros importados, sendo que três deles possivelmente são de Naji Nahas, além de documentos e um cofre. A Justiça decretou as prisões temporárias de dez pessoas ligadas a Daniel Dantas: Verônica Dantas (irmã e parceira de negócios); Carlos Rodemburg (sócio e vice-presidente do Banco Opportunity); Daniele Ninio, Arthur Joaquim de Carvalho, Eduardo Penido Monteiro, Dorio Ferman, Itamar Benigno Filho, Norberto Aguiar Tomaz, Maria Amália Delfim de Melo Coutrin e Rodrigo Bhering de Andrade. Do grupo de Nahas, foram decretadas a prisão de mais dez pessoas: Fernando Nahas (filho), Maria do Carmo Antunes Jannini, Antonio Moreira Dias Filho, Roberto Sande Caldeira Bastos, os doleiros Carmine Enrique, Carmine Enrique Filho, Miguel Jurno Neto, Lúcio Bolonha Funaro e Marco Ernest Matalon, e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta. Também foi decretada a prisão preventiva de duas pessoas. Uma delas, Hugo Chicaroni, já foi presa. Ambas, a mando de Daniel Dantas, teriam oferecido, segundo o Ministério Público, US$ 1 milhão para um delegado federal que participava das investigações para que ele tirasse alguns nomes do inquérito. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal pediram ainda a prisão do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado federal, por sua participação na organização criminosa. Porém, o juiz federal Fausto de Sanctis entendeu que não existiam fundamentos suficientes para decretá-la. O advogado do banqueiro Daniel Dantas, Nélio Machado, acusa representantes do governo Lula de perseguição sobre seu cliente. Ele disse acreditar que a operação da Polícia Federal é decorrência da briga societária envolvendo Brasil Telecom e a Telecom Itália. "Sei que há documentos na Itália que deixam comprometidos personagens do governo Lula, e esse episódio pode ter gerado uma vingança contra o meu cliente", afirmou ele. Nélio Machado negou ligação direta de Daniel Dantas com Naji Nahas e Celso Pitta. Mas, ele admitiu que Naji Nahas prestou serviços à Telecom Itália na disputa judicial entre a empresa e a Brasil Telecom. O advogado disse ainda que não há motivos para que Daniel Dantas seja preso por supostas ligações com o esquema do mensalão. "Se houvesse alguma ligação do meu cliente com o mensalão, ele teria sido denunciado pelo Supremo Tribunal Federal", observou. Machado, no entanto, admitiu que Marcos Valério intermediou contratos de publicidade com a Telemig e a Brasil Telecom. Segundo a Polícia Federal, as investigações começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda descobriram que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas. Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve. Os presos na operação devem ser indiciados sob as acusações de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha.

TRE do Rio de Janeiro reconhece filiação ao PMDB de filha do casal Garotinho

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro reconheceu nesta segunda-feira a filiação ao PMDB da filha dos ex-governadores Anthony Garotinho (PMDB) e Rosinha Matheus (PMDB). Segundo entendimento do tribunal regional, Clarissa Barros Assed Matheus de Oliveira nunca teve intenção de se afastar do PMDB. O tribunal regional julgou procedente o recurso apresentado por Clarissa para que fosse reconhecida a filiação requerida ao Diretório municipal do Rio de Janeiro para concorrer à uma vaga na Câmara Municipal. A decisão foi unânime.

Arlindo Chinaglia nega que pretenda substituir Temporão no Ministério da Saúde

Apontado como virtual candidato a ministro da Saúde, o presidente da Câmara dos Deputados, o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP), rechaçou nesta segunda-feira a hipótese de trocar a Casa Legislativa por um cargo no Executivo. Incomodado com as informações que ele estaria negociando a troca, o petista disse que havia conversado com o titular da pasta, José Gomes Temporão, e apelou para que não usem seu nome para especulações. Chinaglia disse ter conversado com Temporão e desmentido as informações de que gostaria de sucedê-lo.

Brasil demanda investimentos de R$ 140 bilhões em PCHs

O presidente da Associação Brasileira dos Pequenos Produtores de Energia Elétrica, Ricardo Pigatto, disse nesta segunda-feira que o Brasil demandará nos próximos 15 anos investimentos de R$ 140 bilhões para a construção de PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas). Pigatto participou de audiência pública na Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para debater mudanças nas regras para autorização das usinas. Segundo Ricardo Pigato, esse valor corresponde ao necessário para construir usinas que somarão 28.123 MW, dos quais mais de 10.000 MW já foram identificados. Pigatto teme, no entanto, que algumas modificações propostas na resolução da Aneel possam afastar investidores interessados. Ele reclama, por exemplo, da proibição de que a empresa responsável pelo projeto de viabilidade tenha mais do que 20% de participação na sociedade que construirá a usina. O presidente da Aneel, Jerson Kelman, disse que a intenção das novas regras é evitar que empresários que ganham a concessão não construam a usina. Muitas vezes, a concessão é revendida e usada para especulação financeira.

Justiça condena corregedor investigado pela Operação Anaconda

O corregedor-regional da Polícia Federal de São Paulo, Dirceu Bertin, foi condenado a quatro anos e oito meses de reclusão por prática de corrupção passiva e violação de sigilo funcional. O corregedor era investigado pela Operação Anaconda, de 2003, que investigava venda de sentenças na Justiça Federal de São Paulo. Com a decisão, do juiz federal substituto Luiz Renato Pacheco Chaves de Oliveira, da 4ª Vara Criminal Federal, Bertin também deverá pagar 185 dias-multa (1/4 do salário mínimo vigente na data dos fatos por cada dia-multa). Foi decretada ainda a perda do cargo de corregedor-regional. A condenação teve como base escutas telefônicas feitas entre janeiro e agosto de 2003 que, segundo a Justiça, comprovam as acusações contra Bertin. Segundo denúncia do Ministério Público Federal, Bertin retardou indevidamente a instauração de um procedimento disciplinar administrativo contra o delegado da José Augusto Bellini e o agente César Herman Rodriguez, utilizando a influência do seu cargo.

TCU aponta problemas na proteção de terras indígenas e conflito entre Ibama e Funai

O Tribunal de Contas da União constatou falta de articulação entre órgãos oficiais e comprometimento da vigilância das terras indígenas. O tribunal também afirma que a Funai (Fundação Nacional do Índio) não conta "com instrumentos necessários à realização do seu trabalho, como poder de polícia, informações sistematizadas e coordenação entre políticas de proteção dos índios". As constatações estão em auditoria divulgada pelo tribunal nesta segunda-feira. O objetivo do Tribunal de Contas da União foi avaliar o ingresso de pesquisadores, ONGs e missões religiosas em comunidades indígenas brasileiras. O ministro Augusto Sherman entende que é necessário desenvolver mecanismos de coordenação entre as políticas de proteção dos povos e autorizações para o ingresso de agentes nas terras indígenas. "A sistemática de autorização precisa ser aperfeiçoada para proporcionar efetiva proteção. É necessário definir maior participação e responsabilidade das unidades regionais e fortalecer as ações de acompanhamento", afirmou no processo. O Tribunal de Contas da União aponta conflitos entre o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e a Funai sobre unidades de conservação e terras indígenas no mesmo território prejudicam o diálogo entre as instituições. Para o tribunal, "ações predatórias de desmatamento ocorrem há décadas". O tribunal determinou à Funai que envie, em 60 dias, um plano de ação para adotar recomendações do Tribunal de Contas da União para melhorar o monitoramento e a vigilância das terras. O planejamento deverá ser elaborado em conjunto com o Ibama, a Polícia Federal e administrações executivas regionais da Funai. Para o Ministério da Justiça, o Tribunal de Contas da União recomendou a adoção de providências para regulamentar o poder de polícia à Funai, com a criação de uma categoria específica. O ministério deverá dar prioridade à reestruturação do órgão, pois "a estrutura atual dificulta a execução e organização das ações", diz o documento do tribunal.

Senado se dispõe a votar projeto sobre "ficha suja", mas proposta não deve valer em 2008

O projeto que proíbe a candidatura de políticos com "ficha suja" na Justiça não deve ser aprovada pelo Congresso a tempo de vigorar nas eleições municipais de outubro. Embora o Senado esteja disposto a colocar a matéria em votação esta semana, antes do início do recesso parlamentar de julho, o projeto que torna inelegíveis candidatos que respondem a processos na Justiça ainda precisa passar pela Câmara antes de entrar em vigor. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, senador Marco Maciel (DEM-PE), convocou sessão extraordinária da comissão para esta terça-feira, às 14 horas, para colocar a matéria em votação. Maciel admitiu à Folha Online que, se não houver consenso sobre o projeto, pode adiar a votação do texto para quarta-feira, o que atrasaria ainda mais a análise da matéria no plenário do Senado Federal. "Se não houver consenso, poderemos postergar, já que temos que paralisar as votações na comissão amanhã no máximo às 17 horas para que os senadores votem no plenário da Casa", afirmou.

Bolívia prepara nova licitação para certificar reservas de gás

O governo da Bolívia lançará uma nova licitação para buscar uma empresa de consultoria que certifique as reservas de gás natural do país, após duas tentativas fracassadas realizadas em meses anteriores. Nas duas oportunidades anteriores, as únicas consultoras do mundo que trabalham nesses processos de certidão informaram ao governo que estavam com agenda de trabalho sem espaço para assumir os trabalhos na Bolívia. O governo "tem interesse e expectativa" em uma certidão "para conhecer exatamente as reservas provadas e prováveis de gás do país". A Bolívia mantém como vigente um relatório apresentado em janeiro de 2005 pela companhia norte-americana DeGolyer and MacNaughton, que atesta ao país um total de 48,7 trilhões de pés cúbicos, dos quais 26,7 trilhões são jazidas de gás provadas e 22 trilhões prováveis. Os 48,7 trilhões representam um terço dos 150 trilhões que teoricamente possui a Venezuela, detentora das maiores reservas da América do Sul. Em meados de 2006, o governo boliviano rompeu o contrato com essa empresa de consultoria norte-americana após acusá-la de conduzir politicamente seu relatório para essa gestão, após assinalar uma queda das reservas provadas de gás do país, de 26,7 para 18 trilhões de pés cúbicos.

Advogado vai recorrer ao Supremo para tentar impedir extradição de Cacciola

O advogado Carlos Ely Eluf, que defende o ex-banqueiro Salvatore Cacciola, protocolou nesta segun da-feira, no Supremo Tribunal Federal, um habeas corpus para tentar evitar a extradição de seu cliente. Na semana passada, Eluf enviou o documento por sedex, mas com a greve dos Correios o recurso foi retido na empresa e não chegou ao tribunal. O advogado disse que a paralisação contribuiu para que ele pudesse estudar mais o processo e incluir novos elementos no habeas corpus. No recurso judicial, o advogado deverá argumentar que Cacciola é um único entre 12 réus que deverá aguardar o processo com a prisão preventiva decretada. Para Eluf, isso não é justo. Na última sexta-feira, o governo brasileiro anunciou a extradição do ex-banqueiro, condenado no Brasil a 13 anos de prisão pela prática de crimes. O último recurso de Cacciola foi recusado pela Corte de Apelação de Mônaco. Cacciola foi preso pela Interpol em Mônaco, em setembro do ano passado, enquanto passava um final de semana de lazer, longe da Itália, país pelo qual tem a nacionalidade e de onde não poderia ser extraditado para o Brasil por conta de acordos diplomáticos. Autoridades federais afirmam que, em no máximo 15 dias, Cacciola deverá chegar ao Brasil e ser entregue à Justiça. Em 1999, quando o Banco Central promoveu uma maxi-desvalorização do Real, os bancos Marka e FonteCindam receberam socorro de R$ 1,5 bilhão. O argumento para o repasse foi o de que, sem respaldo do caixa público, poderia haver crise de confiança no sistema financeiro nacional, com a iminente quebra de instituições. Em 1999, o banco Marka quebrou com a desvalorização cambial. Mas contrariando o que ocorria no mercado, o Marka e o banco FonteCindam assumiram compromissos em dólar. O banco de Cacciola, por exemplo, investiu na estabilidade do real e tinha 20 vezes seu patrimônio líquido comprometido em contratos de venda no mercado futuro de dólar. O Banco Central socorreu as duas instituições, vendendo dólares com cotação abaixo do mercado, tentando evitar que quebrassem. Em 2005, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, condenou Salvatore Cacciola, à revelia, a 13 anos de prisão. O então presidente do Banco Central, Francisco Lopes, recebeu pena de dez anos em regime fechado e a diretora de Fiscalização do Banco Central, Tereza Grossi, pegou seis anos.

Balança comercial começa julho com superávit de US$ 305 milhões

A balança comercial registrou superávit de US$ 305 milhões na primeira semana de julho (entre os dias 1º e 6), segundo divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O valor é 67,09% menor que o registrado no mesmo período do ano passado (US$ 927 milhões). O saldo é resultado de exportações de US$ 3,187 bilhões, o equivalente a uma média por dia útil de US$ 796,8 milhões, e importações de US$ 2,882 bilhões, com uma média por dia útil de 720,5 milhões de dólares. Na comparação de 2007 para 2008, porém, a média das exportações cresceu 24,1%, enquanto a média das importações aumentou 47,1%. No ano, a balança acumula um superávit de US$ 11,655 bilhões, com exportações de US$ 93,832 bilhões e importações de US$ 82,177 bilhões. O saldo acumulado até a primeira semana de julho é 45,8% que o registrado no mesmo período do ano passado, quando o saldo estava em US$ 21,504 bilhões.

Embraer bate recorde de entrega de aviões no primeiro semestre

A Embraer informou nesta segunda-feira que bateu recorde de entrega de aviões no primeiro semestre deste ano. Foram 97 no período, sendo 52 no segundo trimestre. Com isso, a empresa mantém sua estimativa de entregar entre 195 e 200 aviões em 2008. A carteira de pedidos firmes também atingiu nível recorde no primeiro semestre, ao alcançar a cifra de US$ 20,7 bilhões. "A linearidade apresentada na produção de aeronaves da Embraer tem reduzido diferenças em relação à quantidade de aeronaves entregues entre os trimestres do ano e como conseqüência um melhor planejamento financeiro e equilíbrio do seu fluxo de caixa", disse a empresa em nota ao mercado. Dos 52 aviões entregues no segundo trimestre, 43 foram no segmento de Aviação Comercial, e as nove restantes na de Aviação Executiva.

Dívida externa brasileira cai 2% em maio e desce para R$ 97,6 bilhões

A dívida pública federal externa recuou 2,04% em maio, na comparação com abril, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira pelo Tesouro Nacional. Ela atingiu R$ 97,58 bilhões. Somando-se a dívida externa à interna (subiu 1,71% em maio, atingindo R$ 1,239 trilhão), a dívida pública federal atingiu em maio R$ 1,337 trilhão, com alta de 1,43%. De acordo com a nota do Tesouro, a queda na dívida externa se deveu basicamente à valorização do real ante outras moedas que compõem o endividamento nacional, além do cancelamento de títulos recomprados pelo Tesouro no seu programa de resgate antecipado de dívida durante o segundo bimestre do ano.

Anac recebe documentação sobre mudança na VarigLog

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que recebeu a documentação sobre a mudança de composição societária da Volo do Brasil, controladora da VarigLog. De acordo com a agência, no entanto, a análise desse material não deve ser realizada enquanto valer uma decisão da Justiça de Brasília, que impediu a Anac de iniciar o processo de cassação da concessão da companhia enquanto a briga entre os sócios da empresa não for resolvida. A Anac já havia informado que vai recorrer dessa decisão. Agora, a Volo do Brasil informou uma nova composição societária, com Chan Lup Wai Ohira, chinesa naturalizada brasileira e irmã de Lap Wai Chan, representante do fundo norte-americano de investimentos Matlin Patterson no Brasil. A Volo tem outro novo acionista, o brasileiro Peter Marcussen Miller, que é funcionário do Matlin. O Matlin tinha originalmente 20% do capital votante da VarigLog e os 80% restantes eram dos brasileiros Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel. Mas, a sociedade foi desfeita após decisão da Justiça de São Paulo.

Ingrid Betancourt recomenda ao presidente Uribe “abrandar o tom” com que trata as Farc

Ingrid Betancourt recomenda ao presidente Uribe “abrandar o tom” com que trata as Farc
O presidente colombiano, Alvaro Uribe, deveria abrandar o tom quando trata com a organização terrorista e traficante Farc, disse nesta segunda-feira a refém libertada Ingrid Betancourt, pedindo a ele que rompa com a linguagem do "ódio". Ingrid Betancourt foi resgatada na semana passada, depois de passar mais de seis anos na selva como refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, em uma espetacular operação de inteligência militar que comprova o amplo sucesso da linha dura adotada por Uribe contra o terrorismo. As Farc ainda mantêm centenas de reféns sequestrados, e Ingrid Betancourt, que viajou a Paris 48 horas após sua libertação, disse que Uribe deveria mudar sua postura para ajudar a conseguir a libertação deles. "O presidente Uribe, e não apenas ele, mas a Colômbia como um todo, deveriam mudar algumas coisas", disse Ingrid Betancourt à rádio RF1, fazendo sua primeira crítica pública ao antigo rival político desde que foi libertada. "Acho que é chegada a hora de mudar a linguagem do radicalismo, do extremismo e do ódio, as palavras muito fortes que causam mágoa profunda a um ser humano", falou, acrescentando que são necessários tolerância e respeito. "Chega um momento em que é preciso concordar em conversar com as pessoas que odiamos", disse ela. Ingrid Betancourt foi candidata rival de Uribe na eleição presidencial de 2002 e sequestrada antes da eleição. Uribe saiu vitorioso e foi reeleito em 2006, depois de a Constituição receber uma emenda para autorizá-lo a ter um segundo mandato. Ingrid Betancourt foi pródiga em elogios a Uribe após sua libertação, mas seu ressurgimento da selva vem motivando especulações de que ela poderia voltar à política e candidatar-se novamente à Presidência na próxima eleição. O jornalista Reinaldo Azevedo, em seu blog no site da revista Veja, dia a esse respeito: “Ingrid Betancourt desandou a falar bobagens nesta segunda sobre as Farc e as escolhas do governo Álvaro Uribe, que ela disse ser excessivamente duro com os terroristas - para sintetizar a bobajada. Aí os leitores me perguntam: “Bateu uma Síndrome de Estocolmo na mulher?” Não, gente. Trata-se de uma outra doença, bem diferente: chama-se “Síndrome de Paris”. Uma informação: há mais maoístas em Paris do que em Pequim. Aliás, na capital chinesa, eles não querem nem ouvir falar nesse assunto. Bastaram três dias ouvindo a língua de Robespierre e Marat para Ingrid começar a ficar com o coração mole com a bandidagem, para começar a simpatizar com assassinos. Huuummm... Não custa lembrar que Nicolas Sarkozy – que decepção! – ofereceu o que ele chama “asilo” para os seqüestradores. Asilo? Só aos terroristas colombianos, ou o presidente francês pretende estender o benefício a similares de outras origens? Xiii, gente, é uma questão antiga essa! Aliás, provocou uma briga dos diabos entre Jean-Paul Sartre e Albert Camus, que era um francês nascido na Argélia, um pied-noir. Pesquisem a respeito. Os amigos existencialistas tinham lá as suas divergências filosóficas, mas o que pegou mesmo foi o processo de independência da Argélia, que se deu com violência extrema de ambos os lados – tanto do governo francês como dos líderes anticolonialistas. Sartre, equivocado como sempre em política, via ali o triunfo dos oprimidos da terra, um dos últimos suspiros do colonialismo europeu etc e tal. Camus antevia o horror. Adivinhem: deu o horror. A Argélia só não é uma ditadura islâmica porque é uma ditadura militar. A França é um celeiro de delírios que se realizaram em terras distantes. Pol Pot, o facínora do Camboja, teve professores... franceses. Fabrice Delloye, ex-marido de Ingrid, que saiu pelo mundo demonizando o governo Uribe, é um diplomata francês. Lembram-se? Quando Uribe autorizou o ataque aos terroristas acoitados no Equador, ele chamou a ação do presidente colombiano de “asquerosa”. Mais: acusou-o de impedir qualquer negociação para libertar os reféns. Ele foi o grande responsável por ter transformado Uribe, que também é vítima, em algoz. Diplomata francês? Pois é. Há mais antiamericanos no Quai d’Orsay do que em Bagdá. E é a proximidade de Uribe com os Estados Unidos que os franceses não suportam, mesmo os que, a exemplo de Sarkozy, nunca foram de esquerda”. Está ao, está explicado.

Ingrid Betancourt vai receber a Legião de Honra francesa

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, confirmou a informação de que a ex-refém franco-colombiana Ingrid Betancourt, que passou seis anos no cativeiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), organização terrorista e traficante de cocaína, receberá a Legião de Honra (Légion d'honneur). Criada em 1802 pelo então cônsul francês Napoleão Bonaparte, a medalha é a mais alta honraria da República Francesa. Ingrid Betancourt receberá a condecoração na festa nacional da França, o 14 de julho, Dia da Bastilha. Ingrid Betancourt também deverá fazer um discurso na Assembléia Nacional, o Congresso da França, nesta quarta-feira.

Morre desembargador investigado na Operação Furacão

Morreu nesta segunda-feira, no Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Regueira, que estava afastado das funções no Tribunal Regional Federal da 2º Região desde a Operação Furacão, da Polícia Federal, realizada no ano passado. Regueira chegou a ser preso por suspeita de ter negociado sentenças judiciais que favoreceram a máfia do jogo do bicho e dos caça-níqueis no Estado. O magistrado negava as acusações, disse que nunca manteve contato com a cúpula do bicho e reclamou de "humilhações" que teria sofrido na carceragem da Polícia Federal em Brasília, onde ficou preso. Afastado das funções pelo Conselho Nacional de Justiça até o fim das investigações, Regueira sentiu-se mal no domingo e foi levado para o Hospital Copa D'Or, na zona sul do Rio de Janeiro. Ele chegou à unidade com sintomas de pneumonia e morreu nesta segunda-feira, vítima de infecção generalizada. O desembargador tinha 58 anos.

Invasões de sem-terra ultrapassam 7.500 em 19 anos

O levantamento “Geografia das Ocupações de Terras”, atualizado nesta segunda-feira pelo Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (Nera), instituição vinculada à Universidade Estadual Paulista (Unesp), cobrindo o período que vai de 1988 (quando entrou em vigor a atual Constituição, que atribui ao governo federal a tarefa da reforma agrária) a 2007, mostra que nesses 19 anos ocorreram 7.561 invasões de propriedades rurais no País, uma média de quase 400 por ano. Dá mais de uma invasão por dia. O estudo constata que o mapa de assentamentos do governo não bate com o mapa das invasões. Trata-se do mais amplo estudo sobre o assunto já realizado no Brasil, com o cruzamento de informações de três instituições que fazem medições dos conflitos: Comissão Pastoral da Terra (CPT), Ouvidoria Agrária Nacional e Dataluta (braço estatístico do Nera). Além de apontar números gerais, ele também identifica regiões e cidades onde os sem-terra mais atuaram. Os números confirmam que o pior cenário localiza-se no Pontal do Paranapanema, no oeste do Estado de São Paulo. As invasões ali começaram na década de 80, ganharam força com a chegada do MST, nos anos 90, e ainda não pararam. Dali se irradiam para Estados próximos, como Mato Grosso do Sul. O historiador norte-mericano Clifford Welch, um dos coordenadores do levantamento, observou que ganham força no País ações em áreas onde o agronegócio mais se expande. "A expansão do agronegócio, especialmente da soja, que subiu do Rio Grande do Sul, passou por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, expandiu-se para Goiás e Minas Gerais e hoje ganha espaço na Bahia, reduziu bastante o espaço para os pequenos agricultores", disse ele.