domingo, 27 de dezembro de 2009

Spread bancário custa R$ 261 bilhões aos brasileiros

Em 12 meses de crise financeira global, o chamado spread bancário custou R$ 261,7 bilhões às empresas e consumidores brasileiros, cujo pagamento deve ser feito ao longo de dois anos. Se a diferença entre a taxa de juros cobrada por bancos e financeiras e a taxa que eles pagam para captar recursos (spread) seguisse os padrões internacionais, esse custo cairia para R$ 71,5 bilhões, o que representa uma redução de R$ 190,2 bilhões. As informações são de um estudo inédito feito por José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Feito com base em dados do Fundo Monetário Internacional, o trabalho mostra que o spread médio brasileiro é o maior em um grupo de 40 países cujas metodologias de cálculo dos juros se assemelham à adotada pelo Banco Central do Brasil (média ponderada). Em agosto, o spread médio cobrado no País era de 26,77 pontos porcentuais, enquanto no Chile estava em 6,04 pontos e na Itália, em 4,39 pontos. O custo mais baixo foi apurado no Japão, onde o spread representava apenas 1,28 ponto porcentual. "Confirmamos o que já é um consenso: o spread brasileiro é uma aberração", afirma Roriz Coelho.

Pesquisa Datafolha aponta que Fogaça é o terceiro prefeito mais bem avaliado

Foi divulgada neste domingo mais uma pesquisa Datafolha realizada em dezembro que mostra o ranking de nove prefeitos de capitais. A lista inclui São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Fortaleza, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis. Mas uma vez o nome de Beto Richa (PSDB), de Curitiba (PR), aparece no topo como o mais popular entre os prefeitos de nove capitais do País, com 84% de ótimo/bom, nota média de 7,9 e permanece isolado na ponta. Em segundo-lugar aparece o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), eleito em 2008 numa coalizão que uniu petistas e tucanos, com 50%, nota média de 6,4. Já o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), surge bem cotado, situado em terceiro lugar.

"Xerifes virtuais" patrulham fronteira do Texas com o México

Quando John Spear chega em casa após um dia de trabalho como vendedor em Nova York, ele se senta na frente do computador, acompanhado de uma garrafa de cerveja, e começa a patrulhar a fronteira dos Estados Unidos. E para fazer isso, ele não precisa sair do sofá. Ele é uma das dezenas de milhares de pessoas em todo o mundo que estão se voluntariando para patrulhar o trecho de cerca de 2.000 quilômetros entre o Texas e o México pela internet. O polêmico Programa de Monitoramento Virtual da Fronteira do Texas, que já custou US$ 4 milhões, convida civis para visitar o site Blueservo.net e observar transmissões ao vivo de 21 câmeras de vigilância instaladas ao longo da fronteira. Os simpatizantes da idéia vêem o projeto como um passo adiante nos esforços dos Estados Unidos para combater a imigração ilegal, o tráfico de drogas e a violência na fronteira. Desde que o site foi ao ar, em novembro de 2008, ele já recebeu mais de 50 milhões de visitas, e mais de 130 mil pessoas se registraram para se tornar "xerifes virtuais". Essas pessoas estão localizados em lugares tão diferentes como Austrália, México, Colômbia, Israel, Nova Zelândia e Reino Unido. A crescente preocupação com a fronteira ocorre em meio aos temores de que a violência relacionada ao tráfico de drogas esteja ultrapassando a fronteira entre o México e os Estados Unidos. Até agora, 21 detenções já foram feitas graças ao programa, que é operado pela TBSC (Coalizão de Xerifes de Fronteira do Texas). A maioria das prisões foi por tráfico de drogas, levando à apreensão de 2.140 quilos de maconha. O senador estadual democrata Eliot Shapleigh, da cidade fronteiriça de El Paso, diz que o programa é um desperdício de dinheiro. Ele argumenta que as câmeras na fronteira "convidarão os extremistas a participar da caçada virtual de imigrantes." O site Blueservo.net diz aos usuários o que eles devem procurar: grupos apertados em barcos tentando cruzar o rio Grande, indivíduos carregando mochilas ou pacotes, carros estacionados em áreas isoladas e pessoas rastejando pelo caminho. Se os xerifes virtuais observam qualquer coisa suspeita, eles apertam um botão no site e enviam uma mensagem para o xerife da localidade correspondente. O xerife local decide então se investiga pessoalmente o local ou se repassa a informação para a Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos.

Nestlé quer dobrar de tamanho no Brasil até 2012

Quando estourou a crise, no final de 2008, o presidente da Nestlé, Ivan Zurita, estabeleceu a meta de crescer pelo menos 3%, independentemente do tamanho do tombo da economia mundial e brasileira. Agora, a empresa tem planos de crescer ainda mais, segundo Zurita. Decidido a ganhar mercado, investiu agressivamente em marketing e em novos produtos. Quando o crédito secou, assumiu o papel de banco, socorrendo 44 mil fornecedores. Investiu R$ 800 milhões na compra de fábricas, em parcerias e na construção de novas linhas e de novas fábricas, como a de Araraquara (SP). O esforço se traduziu em crescimento de mais de 10%. O faturamento saltou de R$ 14 bilhões para R$ 15,5 bilhões. "Crescemos uma Danone neste ano", diz Zurita, que não descarta crescer duas Danone no próximo ano: "Se pudermos, vamos crescer 20%. Queremos dobrar de tamanho até 2012".

Chacina de brasileiros no Suriname

Ao menos sete brasileiros morreram em consequência de um ataque de moradores locais em Albina, no norte do Suriname, na véspera do Natal, segundo o relato do padre brasileiro José Vergílio, que visitou o local. De acordo com o relato do missionário, um grupo de brasileiros foi atacado com machados e facões como represália pelo assassinato de um surinamês, supostamente esfaqueado por um brasileiro após uma briga. Segundo o padre, a briga começou durante uma festa na qual havia mais de mil pessoas reunidas. Os relatos iniciais informaram que um total de 81 brasileiros foram transportados de Albina para Paramaribo, incluindo 14 feridos nos ataques, 7 deles em estado grave. De acordo com informações do governo surinamês, ao menos 20 mulheres foram estupradas e mais de 120 pessoas tiveram que ser retiradas às pressas da cidade após os ataques contra trabalhadores estrangeiros, que também vitimou imigrantes de origem chinesa. Segundo o ministro para a Polícia Chandrikapersad Santokhi, os moradores começaram a atacar brasileiros cerca de uma hora após o esfaqueamento de um cidadão surinamês e a violência acabou também se voltando a lojas pertencentes a chineses. "Fujam que vai acontecer uma tragédia! Tranquem-se nos quartos!" Eram aproximadamente 22 horas da noite de Natal e Regiane Carneiro de Oliveira, de 26 anos, estava na lanchonete do alojamento de garimpeiros brasileiros às margens do rio Maroni, em Albina, no Suriname. Uma amiga sua entrou gritando que um brasileiro havia matado um "moreno" e os surinameses prometiam vingança. Não houve tempo para pensar em nada. Logo em seguida encostou um carro do qual saltaram seis homens armados com facões e machados que bradavam: "Vamos acabar com todos os brasileiros!". Regiane se salvou pulando no rio, e das águas escuras viu os surinameses atacarem quem não tinha sido suficientemente rápido. "Pareciam uns animais partindo pra cima do povo. Cena de guerra. Era pedrada, facada. Vi gente com o rosto todo cortado. Prenderam algumas pessoas em salas do hotelzinho, despejaram gasolina e atearam fogo", conta. Demorou duas horas para chegar ajuda. Fazia apenas três dias que ela se encontrava lá. Depois da passagem de ano, pretendia rumar para Saint Laurent du Maroni, na margem oposta, já Guiana Francesa, onde continuaria no garimpo, trabalho que abraçou há um ano, depois de partir de Boa Vista, Roraima. Um avião da FAB decolou às 7 horas deste domingo de Brasília rumo ao Suriname, levando a bordo dois funcionários do Ministério de Relações Exteriores para ajudar os brasileiros que foram vítimas de um ataque de um grupo de surinameses. O ministério disse não ter o número oficial de vítimas do ataque e mantém informação deste sábado de que 14 brasileiros ficaram feridos. O governo brasileiro, segundo o Itamaraty, aguarda a investigação realizada pela polícia do Suriname. O brasileiro Paulo da Silva, que testemunhou o ataque, disse que ao menos quatro pessoas teriam morrido na ação. Facões e machados foram utilizados no ataque contra os brasileiros, realizado durante a noite de Natal. Além disso, os surinameses estupraram mulheres no incidente, ocorrido em Albina, que fica a 150 quilômetros de Paramaribo. O incidente foi motivado por um crime supostamente cometido por um brasileiro, gerando uma reação dos "marrons", como são chamados os descendentes quilombolas no país, segundo o embaixador brasileiro no Suriname, José Luiz Machado e Costa. Albina, que tem cerca de 10 mil habitantes, tem um grande contingente de brasileiros que vão trabalhar com garimpo no outro lado da fronteira, o que é proibido pelas leis daquele território, que ainda pertence aos franceses. Além de atacar os brasileiros, o grupo invadiu um shopping center e outras lojas da cidade. Os moradores locais chegaram a incendiar algumas lojas e bombeiros de Saint Laurent du Maroni, na Guiana Francesa, ajudaram a extinguir as chamas.

Ministro Stephanes diz que Plano Safra será antecipado e terá juros menores

O governo federal quer antecipar o Plano Agrícola e Pecuário 2010/2011 para maio (os dois últimos planos foram lançados no final de junho e no início de julho) e dar melhores condições de juros e seguro aos produtores. A intenção do governo é a de evitar prejuízos aos produtores rurais, que muitas vezes só conseguem financiamentos com atraso e têm um custo maior de produção, disse o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. "Devemos criar políticas de incentivo para alguns programas em função dos compromissos assumidos para diminuir a emissão dos gases de efeito estufa", disse o ministro. Segundo Stephanes, o governo deve diminuir as taxas de juros e reduzir o prêmio de seguro para quem adotar tecnologias mais sustentáveis, como o plantio direto na palha, além de avançar em políticas de incentivo a plantação de lavouras que sejam compatíveis com a atividade dos pecuaristas e a recuperação de pastagens. O ministro disse ainda que o programa de recuperação de pastagens, lançado no ano passado, que ofereceu cerca de R$ 1 bilhão em crédito, teve pouca procura.

Programa "Minha Casa, Minha Vida" termina o ano com apenas 22,9% da meta cumprida

O programa "Minha Casa, Minha Vida", lançado pelo governo Lula em março, terminou o ano com contratos de 229,9 mil moradias no País. O número mostra que o governo atingiu pouco mais de 22,9% da meta proposta de construir 1 milhão de habitações. O mercado imobiliário esperava que o número atingisse pelo menos 400 mil moradias até o fim deste ano. A quantia foi garantida pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, em outubro. Segundo pesquisa produzida pela Caixa Econômica Federal, com dados calculados até o dia 21 de dezembro, dessas 229,9 mil moradias, 60,3% (139,9 mil) estão sendo financiadas por famílias com renda de até três salários mínimos. Outros 28,7% (66,2 mil) dos financiamentos são destinados para quem recebe entre três e seis salários mínimos. E o restante, 10,3% (23,8 mil) das unidades habitacionais, foi contratado por pessoas que têm renda entre seis de dez salários mínimos. Os contratos já assinados pela Caixa Econômica Federal somam R$ 11,6 bilhões.

Yeda Crusius tem a pior avaliação em ranking de governadores

Pesquisa Datafolha mostra que a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, tem a pior avaliação em um ranking de dez governadores. O mineiro Aécio Neves (PSDB) é o mais popular na lista. O levantamento foi realizado entre os dias 14 e 18 deste mês. Yeda Crusius ficou atrás até do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. A governadora do Rio Grande do Sul teve média de 3,9, contra 4,8 de Arruda. Veja o ranking: 1) MG - Aécio Neves - PSDB - 7,5; 2) PE - Eduardo Campos - PSB; 3) CE - Cid Gomes - PSB; 4) SP - José Serra - PSDB - 6,6; 5) SC - Luiz Henrique - PMDB; 6) BA - Jaques Wagner - PT - 6,5; 7) PR - Roberto Requião - PMDB; 8) RJ - Sérgio Cabral - PMDB; 9) DF - José Roberto Arruda - sem partido - 4,8; 10) RS - Yeda Crusius - PSDB - 3,9. O eleitorado gaúcho tem um comportamento quase esquizofrênico. É incapaz de aprovar um governante e reconduzí-lo ao cargo, apesar desse governante estar realizando um grande trabalho. O eleitorado gaúcho escolhe sempre pelo oposto, pela descontinuidade política e administrativa, por consequência, pelo atraso. Antonio Britto, que foi um excelente governador, foi repudiado pelos gaúchos. Sobre Antonio Britto: se quase todos os gaúchos falam hoje ao telefone, em qualquer lugar do Estado, devem isso a Antonio Britto.

Governo Lula gastou mais de R$ 697 milhões com diárias de ministros e servidores públicos

O governo Lula gastou este ano mais de R$ 697 milhões só com o pagamento de diárias para ministros e servidores públicos em viagens nacionais e internacionais. É o que indica levantamento oficial que ainda não inclui as despesas de dezembro. Os gastos com diárias este ano são quase 30% maiores do que o total do ano passado. Os 36 ministros receberam quase R$ 925 mil. O que mais gastou foi Edson Santos, da Igualdade Racial, que ganhou R$ 67 mil. O ministro que menos recebeu foi Alfredo Nascimento, dos Transportes.

Cardeal colombiano quer se reunir com chefe terrorista das Farc na Europa

O cardeal Darío Castrillón sugeriu na última sexta-feira a realização de um encontro com o chefe maior das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, organização terrorista e traficante de cocaína), o terrorista Alfonso Cano, em algum país da Europa. O objetivo, segundo ele, é discutir possíveis soluções para o conflito armado interno colombiano. "Existe a possibilidade de assegurar a segurança se houver um diálogo que possa ser aqui, na Europa. Essa possibilidade existe", disse o cardeal. Segundo Castrillón, sua idéia já conta com o aval do governo colombiano e do papa Bento 16. "O senhor presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, estaria de acordo com a realização deste encontro, buscando sempre o melhor para o país", explicou o cardeal colombiano, que está em Roma. Esses padres da Igreja Católica são engraçados. Mexem-se rapidamente quando a organização terrorista pratica um crime altamente infame, como o assassinato por degola, na semana passada, do governador da província de Caquetá, Luis Francisco Cuéllar, de 69 anos.

Cuba confirma mil casos da gripe suína e alerta para novo surto

Na noite de Natal, as autoridades de saúde cubanas lançaram novos alertas para reforçar as medidas preventivas perante uma segunda onda da gripe suína, doença que já deixou 41 mortos e cerca de mil infectados no país. O vice-ministro de Saúde Pública, Luis Estruch, advertiu que o fim do ano e o início de 2010 é alta temporada no turismo e de maior movimento de estudantes e colaboradores cubanos no Exterior. "Temos, até o momento, menos de mil casos confirmados. Pode ser que existam mais, mas só os avalizados por uma amostra virológica são aceitos como dados oficiais", disse o vice-ministro. Estruch, responsável pelas áreas de higiene, epidemiologia e microbiologia, pediu que se fortaleça o controle sanitário nos portos e aeroportos, lembrou que em Cuba os primeiros casos da gripe suína foram detectados em maio, com o retorno de três estudantes mexicanos, e que já em setembro a doença era vista em todo o país.

Promotora de Brasília teria recebido propina de R$ 1,6 milhão

Em depoimento à Polícia Federal, o ex-secretário de Relações Institucionais do governo Arruda, Durval Barbosa, disse ter pago propina à promotora Deborah Guerner, no valor total de R$ 1,6 milhão, sempre com dinheiro em espécie. Segundo o delator Durval Barbosa, o dinheiro foi entregue por ele à promotora em quatro ocasiões e se destinava a pagamentos para o Ministério Público autorizar a prorrogação de contratos com empresas de coleta de lixo e a liberar a realização de obras irregulares. No depoimento, Durval Barbosa afirma que Deborah lhe dizia que iria dividir o dinheiro com o procurador-geral de Justiça do Distrito Federal, Leonardo Bandarra. Durval Barbosa disse que nunca tratou desse assunto com Bandarra. De acordo com Durval Barbosa, o pagamento de propina a Deborah começou em 2005, no governo Joaquim Roriz. Ele disse ter conhecido Deborah por intermédio de Cláudia Marques, então assessora especial de Roriz, depois mantida no cargo pelo governador José Roberto Arruda. Cláudia Marques também prestou depoimento e confirmou todas as denúncias contra Deborah Guerner feitas por Durval Barbosa. No depoimento, Durval Barbosa contou que foi a promotora Deborah quem lhe deu um celular para uso exclusivo para conversas com ela. E não o contrário, conforme havia publicado a revista Época com base em informações de investigadores. O aparelho foi encaminhado para perícia no Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal.