sábado, 30 de janeiro de 2010

Mantega descarta risco de inflação no Brasil

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, descartou na sexta-feira, em Davos, na Suíça, que existam pressões inflacionárias no Brasil, como ocorre na China, e assegurou que o País está em processo de crescimento sustentável com controle fiscal e monetário. "O Brasil está tendo um processo de crescimento sustentável, porque são mantidos os fundamentos, cuidamos muito da questão monetária e da questão fiscal", afirmou Mantega em Davos, no Fórum Econômico Mundial. "Não temos maiores preocupações" a respeito da inflação, disse o ministro, lembrando que a alta do índice de preços ao consumidor foi de 4,31% em 2009, e que a projeção para 2010 é de 4,5%.

Ministro Guido Mantega diz que déficit em conta corrente deve enfraquecer o real

O Brasil não está preocupado com o déficit em conta corrente, que deve ter o benefício de desvalorizar o real, disse na sexta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele também garantiu que os estímulos fiscais, na forma de cortes de impostos e isenções, não serão renovados. "Não estamos preocupados com isso porque temos grandes reservas", afirmou Guido Mantega. "Esse déficit auxiliará na taxa de câmbio, uma vez que pode haver uma desvalorização do real", o que torna as exportações mais competitivas, especulou ele. O governo enfrentou forte pressão de exportadores no ano passado para que tomasse medidas que evitassem uma apreciação excessiva do real.

Vale vai pagar US$ 785 milhões para adquirir ações da Fosfertil

A mineradora Vale anunciou na sexta-feira que fechou acordo para compra de ações da Fosfertil (fertilizantes fosfatados), de posse da Yara Brasil Fertilizantes (15,46% do capital social). Na última quarta-feira, a empresa brasileira já havia anunciado a aquisição da Bunge Fertilizantes, que já detém participação direta e indireta de 42,3% no capital total da Fosfertil. Para exercer o direito de comprar as ações da Fosfertil de posse da Yara, a Vale terá que desembolsar um montante de US$ 785,12 milhões. A empresa afirma que foi usado o mesmo preço pago à Bunge Participações e Investimentos e Heringer para adquirir suas participações na Fosfertil. Segundo a Vale, a conclusão do acordo ainda está dependente da "efetiva aquisição do negócio de fertilizantes do grupo Bunge no Brasil". O acordo inclui ainda as ações de emissão da Fertifos Administração e Participações. Na última quinta-feira a Vale informou a compra da Bunge Fertilizantes por US$ 3,8 bilhões.

Felipe Massa vai estrear nova Ferrari nesta segunda-feira

O brasileiro Felipe Massa vai estrear o F10, novo carro da Ferrari, nesta segunda-feira no circuito Ricardo Tormo, próximo a Valência (Espanha). Os diretores da equipe explicaram que decidiram adiar de quinta-feira para 1º de fevereiro as voltas que Felipe Massa faria para gravar imagens para patrocinadores. A idéia inicial era que, após o adiamento de quinta-feira, Massa pilotasse o carro na sexta-feira, mas o gelo e a neve que se acumularam no circuito. "Os técnicos se preocupam não tanto com o asfalto, mas com as saídas de emergência, cobertas de neve e gelo. É desnecessário, portanto, correr riscos inúteis, talvez arruinando parte do carro", diz a nota da Ferrari. O Mundial de F-1 começa no dia 14 de março, com o GP do Bahrein.

Jorge Hage diz que Lula não ignorou o Tribunal de Contas da União ao liberar obras irregulares

O ministro Jorge Hage, da Controladoria Geral da União, afirmou na sexta-feira que apóia o veto do presidente Lula ao Orçamento de 2010 que liberou quatro obras da Petrobras consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas da União. Em nota, o ministro disse que a decisão do presidente não tem o intuito de "desobedecer nem ignorar" o Tribunal de Contas da União e faz parte do jogo democrático: "Em primeiro lugar, não se trata de desobedecer nem ignorar relatório do Tribunal de Contas da União. Trata-se, isto sim, de exercer uma prerrogativa constitucional. Ali também está previsto o procedimento que se segue ao veto, ou seja, sua apreciação pelo Congresso, que pode derrubá-lo, se essa for a vontade da maioria. Essas são as regras da democracia", disse ele. Segundo o ministro, as obras foram liberadas porque há uma divergência entre os métodos utilizados pelo Tribunal de Contas da União e por técnicos do governo para avaliar os empreendimentos. E esse é o personagem que foi escolhido para fiscalizar as ações do governo. Que tal?!!!

Presidente do Banco Central europeu diz que crise econômica quase virou uma depressão

O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, disse na sexta-feira, em Davos, que se subestima que a crise financeira e econômica esteve muito perto de ser uma depressão. Em discurso no Fórum Econômico Mundial, Trichet considerou que foi possível evitar uma grande depressão econômica, graças à enorme ajuda pública e à atuação dos bancos centrais dos dois lados do Atlântico e no mundo todo. "Subestima-se que estivemos muito perto de uma depressão total", disse Trichet: "Os governos colocaram na mesa um nível de risco para os contribuintes que foi necessário para evitar a depressão", segundo Trichet. "Se quisermos criar emprego o mais rápido possível, precisamos de confiança, algo que os bancos centrais tentam restaurar". Trichet ainda informou que agora é necessário avançar na regulação do sistema financeiro.

Polícia Federal aplica nova punição a Protógenes Queiroz por publicar nota em blog

A Corregedoria da Polícia Federal aplicou uma nova punição ao delegado Protógenes Queiroz. Segundo a Portaria 007/2010, o delegado federal fundamentalista Protógenes Queiroz foi suspenso por dois dias por ter publicado em seu blog uma nota afirmando que foi afastado pelo Ministério da Justiça das atividades de delegado para "possivelmente" favorecer o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Com a decisão, o delegado vai sofrer um desconto no salário pelos dias sem trabalhar. Afastado da função de delegado desde março, Protógenes Queiroz coordenou a Operação Satiagraha contra Daniel Dantas, o ex-prefeito Celso Pitta (morto em novembro passado) e o investidor Naji Nahas. Todos foram soltos depois. A Operação Satiagraha, recheada de ilegalidades, investiga supostos crimes financeiros atribuídos ao banqueiro. Após a ação da Polícia Federal, ele passou a responder processo disciplinar por suspeita de vazamento de informações e cumpre funções administrativas. Apesar da projeção nacional, ele foi afastado da investigação e acabou virando alvo de um inquérito da Polícia Federal que investiga desvios legais praticados durante a Operação Satiagraha. Entre os problemas na investigação estaria a utilização irregular de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Também há suspeita de que delegado fundamentalista Protógenes Queiroz tenha espionado, ilegalmente, autoridades dos Três Poderes. O delegado se filiou em setembro do ano passado ao PCdoB e deve se lançar candidato a deputado federal nas eleições de outubro.

Polícia Federal aplica nova punição a Protógenes Queiroz por publicar nota em blog

A Corregedoria da Polícia Federal aplicou uma nova punição ao delegado Protógenes Queiroz. Segundo a Portaria 007/2010, o delegado federal fundamentalista Protógenes Queiroz foi suspenso por dois dias por ter publicado em seu blog uma nota afirmando que foi afastado pelo Ministério da Justiça das atividades de delegado para "possivelmente" favorecer o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Com a decisão, o delegado vai sofrer um desconto no salário pelos dias sem trabalhar. Afastado da função de delegado desde março, Protógenes Queiroz coordenou a Operação Satiagraha contra Daniel Dantas, o ex-prefeito Celso Pitta (morto em novembro passado) e o investidor Naji Nahas. Todos foram soltos depois. A Operação Satiagraha, recheada de ilegalidades, investiga supostos crimes financeiros atribuídos ao banqueiro. Após a ação da Polícia Federal, ele passou a responder processo disciplinar por suspeita de vazamento de informações e cumpre funções administrativas. Apesar da projeção nacional, ele foi afastado da investigação e acabou virando alvo de um inquérito da Polícia Federal que investiga desvios legais praticados durante a Operação Satiagraha. Entre os problemas na investigação estaria a utilização irregular de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Também há suspeita de Protógenes ter espionado, ilegalmente, autoridades dos Três Poderes. O delegado se filiou em setembro do ano passado ao PCdoB e deve se lançar candidato a deputado federal nas eleições de outubro.

Petrobras reverte prejuízo e tem saldo comercial de US$ 2,8 bilhões

A Petrobras registrou superávit de US$ 2,8 bilhões em sua balança comercial, ao longo de 2009. O resultado reverte prejuízo de US$ 927 milhões observado em 2008, na comercialização de petróleo e derivados. Em termos de volume, foi verificado um saldo de 156 mil barris/dia, ante 102 mil barris/dia em 2008. O resultado foi atribuído pela estatal à redução das importações de óleo diesel, aliada ao aumento da produção da companhia, e ao maior volume exportado. Ao longo do segundo semestre de 2008, dois fatores atingiram fortemente as exportações da estatal a ponto de fazer a empresa ter registrado deficit naquele ano: a menor demanda global pela commodity e seus derivados e a brusca queda do preço no mercado internacional, que chegou a bater na casa dos US$ 30,00. Já em 2009, o panorama global não teve alteração significativa, o volume aumentou, mas os preços seguiram baixos. Porém, o País reduziu fortemente suas importações, em especial de óleo diesel, já que as chuvas permitiram que as usinas termelétricas fossem acionadas em um ritmo bem menor do que em 2008, além da própria diminuição da demanda causada pelos efeitos na crise no País.

Aneel decide mudança no cálculo de reajuste de luz na terça

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) vai decidir na próxima terça-feira a mudança na metodologia de reajuste das tarifas de energia elétrica. Após meses de discussão e uma audiência pública, a alteração será feita por meio de um aditivo nos contratos de concessão com as distribuidoras de energia. Aprovada a alteração, a nova metodologia passará a valer imediatamente. Em fevereiro, 7 das 64 distribuidoras brasileiras passarão por processo de reajuste, já seguindo o método de cálculo revisado. Dessas distribuidoras, cinco atuam em São Paulo, uma na Paraíba e a outra no Espírito Santo, abrangendo um total de 600 mil casas. As distorções no cálculo de reajuste provocaram cobrança indevida aos consumidores de R$ 1 bilhão por ano, desde 2002.

CPI da Corrupção na Câmara do Distrito Federal adia mais uma vez eleição de novo presidente

O vice-presidente da CPI da Corrupção na Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputado Batista das Cooperativas (PRP), cancelou pelo segundo dia consecutivo a eleição do novo presidente da comissão. A expectativa é que a escolha do novo ocupante do cargo ocorra na próxima quinta-feira, deixando a CPI mais uma semana sem atividade. Líder do governo na Câmara local, Batista afirmou que o novo adiamento foi motivado porque o DEM ainda não indicou o substituto da deputada Eliana Pedrosa (DEM), que renunciou na quinta-feira à vaga do partido na CPI. Outro argumento é que a direção da Casa não publicou no Diário Oficial da Câmara Legislativa a nova composição das bancadas, provocada pelo fim do bloco do PPS com o PMDB, anunciado na terça-feira, e que retirou da presidência da CPI o deputado Alírio Neto (PPS). Segundo o deputado, a separação dos partidos exige uma nova arrumação e, portanto, pode influenciar diretamente na composição da CPI.

Lula realiza bateria de exames neste sábado no InCor

O presidente Lula vai realizar às 8 horas deste sábado exames no InCor (Instituto do Coração), em São Paulo. Ele se recupera de uma crise de hipertensão que teve na noite de quarta-feira no Recife (PE). Lula também está tomando diuréticos e antibiótico para combater uma gripe mal curada.

Hamas acusa Israel de matar alto comandante em Dubai

O grupo terrorista islâmico palestino Hamas, que controla a faixa de Gaza, acusou Israel de ter assassinado um alto comandante militar seu, Mahmoud Al Mabhouh, em Dubai. O irmão de Al Mabhouh também acusou Israel pelo assassinato e disse que o chefe militar foi morto enforcado ou eletrocutado. Al Mabhouh foi morto no último dia 20 de janeiro, segundo disse o porta-voz do Hamas, Izzat al-Rishq, na capital síria de Damasco. Rishq disse que Mabhouh era um "importante" membro das brigadas Izz el-Deen al-Qassam, braço militar do Hamas com nome inspirado no chefe religioso sírio que lutou contra as forças coloniais britânicas na Palestina, na década de 1930. Ele disse que Mabhouh, que vivia na Síria desde 1989, foi assassinado um dia após chegar em Dubai. Em comunicado divulgado em Gaza, o grupo terrorista palestino acusa Israel de querer se vingar pela morte de dois soldados israelenses e afirma que a ação foi executada pelo Mossad, o serviço secreto israelense no Exterior. Já o irmão do alto comandante disse ao jornal israelense "Haaretz" que ele pode ter sido eletrocutado ou estrangulado. Fayek Al Mabhouh disse que a equipe médica que examinou o seu irmão determinou que a causa da morte foi uma descarga elétrica de grande potência na cabeça. Mabhouh foi um dos fundadores, em 1988, das Brigadas Izz el-Deen al-Qassam e pode estar por trás do sequestro de dois soldados israelenses na revolta palestina de 1989. Nascido no campo de refugiados de Jabalia, em Gaza, foi deportado pelo Exército israelense para a Síria, em 1989, após passar por prisões israelenses.

Camargo Corrêa retira proposta de fusão com a Cimpor

O grupo Camargo Corrêa decidiu retirar a proposta de fusão com a Cimpor anunciada no dia 13 de janeiro, mas informou que segue interessada na cimenteira portuguesa e que continua estudando "ativamente" alternativas ao negócio. "A Camargo Corrêa mantém-se seriamente interessada numa solução de criação de valor com a Cimpor", informou a companhia, que propôs ter na fusão uma participação inferior a 50%. A proposta do grupo ainda previa a distribuição aos acionistas da cimenteira de um dividendo extraordinário no valor de até 350 milhões de euros, além da aquisição de uma participação entre 15% e 25% na Cimpor como condição prévia à fusão. A retirada segue a determinação da comissão de valores mobiliários portuguesa de que a Camargo Corrêa deveria retirar ou reformular a proposta aos moldes da oferta pública da CSN pela totalidade das ações da produtora de cimento.

Veja o Outro Mundo Possível na Venezuela

Do jornalista Reinaldo Azevedo: "Abaixo há um vídeo impressionante. Não li nada a respeito na chamada “grande imprensa” no Brasil — que, na média, cobre mal a crise na Venezuela. Trata-se de uma final de beisebol, esporte tão importante para os venezuelanos quanto é o futebol no Brasil, entre os times Caracas e Magallanes, de Valencia. O evento ocorreu no domingo passado, dia 24, no Estádio Universitário, em Caracas. Um grupo de estudantes começa a gritar “1, 2, 3, Chávez tas ponchao”, gíria que quer dizer “fora do jogo”. A palavra de ordem toma o estádio e é repetida num coro de milhares de vozes. Esse grito é intercalado com outro: “Sucio/ sucio/ sucio”: “Sujo/ sujo/sujo”. Manifestação semelhante já havia acontecido em Valencia, e a polícia desceu o sarrafo. No domingo, apesar da presença de policiais da tropa de choque (vê-se um deles no vídeo), nada pôde ser feito. Era impossível descer o porrete no estádio inteiro. Imagens assim não podem mais ser exibidas na TV da Venezuela.
Chávez tem o controle de 75% da radiodifusão. E o que resta de transmissão privada está subordinada a uma lei ditatorial, que dá ao tirano o poder de simplesmente retirar a emissora do ar, como fez na semana passada com seis TVs a cabo, inclusive a RCTV Internacional. A TV de sinal aberto do grupo já havia sido cassada. E Chávez pode alegar o que bem entender. No caso em particular, afirmou que elas desrespeitaram a lei quando se negaram a transmitir um discurso seu a militantes bolivarianos. Mas há também a possibilidade de acusá-las de incitamento à subversão. Em suma: o Bandoleiro de Caracas intervém quanto e onde quiser. Sufocados, levando porretada nas ruas, impedidos de se organizar institucionalmente, proibidos de se reunir em praça pública sem prévia autorização, os venezuelanos que discordam do governo encontraram uma maneira de informar ao mundo a sua luta por democracia: o jogo de beisebol. Os protestos são filmados e ganham o mundo. Também tem sido assim no Irã, onde a imprensa vive sob severa censura. Nesse caso, as novas tecnologias, como celulares, acabam sendo aliadas da democracia. O governo Chávez está derretendo, e o regime assume, cada vez mais, características de um ditadura militar — a despeito de todos os truques vagabundos por ele empregados para alegar que está no poder porque foi eleito. A infra-estrutura venezuelana entrou em colapso. O país enfrenta racionamento de água e de energia. Os mercados “estatais” estão desabastecidos, e a população corre para estocar comida; a inflação, que já era alta, cresceu por causa da desvalorização da moeda; Chávez prossegue com suas nacionalizações, o que se tem traduzido por aumento da ineficiência; a indústria está desaparecendo, e a agricultura, na prática, acabou. Ele se sustenta com o assistencialismo agressivo que a receita do petróleo permite, o apoio de milícias armadas e o suporte, por enquanto ao menos, dos militares. Acuado pelo óbvio desastre que é seu governo e por rachas na cúpula bolivariana, ele ameaça radicalizar. Há três dias, ao visitar o Fórum Social Mundial, reunido em Porto Alegre, Lula saudou os “governos progressistas” da América Latina. Certamente a Venezuela estava entre eles. Demonstrei aqui como a categoria exaltada pelo demiurgo reunia, na verdade, ditaduras e protoditaduras. Embora tente negar às vezes, o petista é hoje o mais importante aliado incondicional de Hugo Chávez no mundo. “Incondicional”, sim; não adianta negar. Não há maluquice que este delinqüente tenha proclamado que não tenha recebido o apoio sem reservas do governo do Brasil: do alinhamento escancarado com as Farc, fornecendo-lhe dinheiro e armas, à tentativa de patrocinar um golpe em outro país, com tentou fazer em Honduras. A mais recente contribuição de Lula ao tirano foi patrocinar a aprovação no Senado do ingresso da Venezuela no Mercosul — que, note-se, dispõe de uma cláusula que exclui países que não respeitem a democracia. O mais curioso e que os delinqüentes nativos — refiro-me aos nossos — que pregam a “democratização” dos meios de comunicação querem uma legislação semelhante à venezuelana. E, sendo assim, é claro que sonham com uma democrata à moda Chávez para poder aplicá-la com eficiência. Vejam ali no que deu a democracia chavista: a população opta por protestar em estádios porque, nas ruas, tem de enfrentar os brucutus armados com ferros medievais. A Venezuela é a pátria dos sonhos daqueles fedidos e fedidas do Fórum Social Mundial. Eles dizem: “Um outro mundo é possível”. É claro que é. A depender dessa gente, pode ser muito pior. Chávez é a prova. A minha fórmula é outra: outros mundos são sempre possíveis, mas nenhum é aceitável fora da democracia representativa e do estado de direito".

AMORIM E O CHINELO

Do jornalista Reinaldo Azevedo: "Em breve, um de vocês ainda me dirá: “Reinaldo, pode começar a falar mal de baratas, porque, de Celso Amorim, a gente já sabe tudo”. Pois é. Eu vou entender quando isso acontecer. Mas sou um desses temperamentos inconformados, obsessivos até. Fazer o quê? Ainda que eu dobrasse a dose do Zyban, continuaria a pensar a mesma coisa a cada vez que visse Celso Amorim: “Cadê o meu chinelo?” Vocês certamente se lembram que Lula comparou os protestos contra as fraudes eleitorais no Irã, admitidas até pelos aiatolás, com chororô de torcida cujo time é derrotado. Pois bem. Ontem (quinta-feira), duas pessoas foram executadas no país por terem participado dos protestos. Vai ver Lula acha que torcedor inconformado merece mesmo é a forca. O Brasil, como sabem, estendeu o tapete vermelho para Mahmoud Ahmadinejad, um financiador do terrorismo em Israel, no Líbano e no Iraque e verdugo de seu próprio povo. O ministro da Defesa deste senhor é ninguém menos do que Ahmad Vahidi, que participou do atentado terrorista contra a entidade judaica Amia, na Argentina, em 1994; morreram 85 pessoas — a maioria crianças de uma creche. O vagabundo é procurado pela Interpol. Não obstante, o Brasil está disposto, como diria Amorim quando rasteja nos eufemismos, a manter “relações construtivas” com o Irã. Lula ainda acabará conhecendo as execuções de perto, vocês vão ver. Por que isso? Amorim se encontrou ontem, em Davos, no dia das execuções dos dois “torcedores” de oposição, com Manouchehr Mottaki, ministro das Relações Exteriores do Irã. Leiam trecho de reportagem do Jornal Nacional. Volto em seguida: À tarde, o chanceler brasileiro se encontrou com o ministro das Relações Exteriores do Irã. Nesta quinta-feira (28) cedo, o governo iraniano executou dois oposicionistas condenados por subversão depois dos protestos contra o resultado da eleição presidencial do ano passado, quando Mahmoud Ahmadinejad foi reeleito. O chanceler iraniano não quis comentar as execuções por não ser da área dele. Para o ministro Amorim, o fato de o Brasil ser contra a pena de morte não significa rompimento com as nações que agem de forma diferente: “Nós temos assuntos, para conversar com o Irã, de interesse comum, bilateral, mas temos também de interesse mais global. Nós temos conversado com o Irã sobre questões como a nuclear, tentamos ver se ajudamos, o que não é fácil”. Comento - Eu não esperaria que o Brasil rompesse com o Irã porque há pena de morte naquele país. Embora eu seja absoluta e radicalmente contrário a tal punição em qualquer lugar, reconheço que ela é aplicada também por democracias. Mas não contra “subversivos”!!! Isso é coisa de ditaduras. E o Irã é uma ditadura, apesar das eleições. Notem que ele não tem a grandeza nem mesmo de expressar um lamento, nada! Foi logo sacando da algibeira as razões de estado. Sua resposta é semelhante à que Lula deu quando indagado se não se sentia constrangido em receber um negador do holocausto judeu. Ele disse que não, que se tratava da relação de dois estados e que ele não podia pautar as suas ações em razão do conflito entre judeus e árabes. A fala é indecente. E os iranianos não são árabes, mas persas. Leio essa fala de Amorim, vejo seu ar aparvalhado na TV e lembro que este senhor foi um dos líderes a pedir punições severas para o governo interino de Honduras, que havia acabado de depor um golpista. Até agora, o Brasil não reconhece as eleições, limpas e democráticas, e o novo governo. Manuel Zelaya, o chapeludo maluco, já foi anistiado e está vivendo como nababo num pequeno paraíso na República Dominicana. Amorim não pode suportar a democracia hondurenha, mas é interlocutor de facínoras iranianos. Nega-se a dialogar com quem tem as mãos limpas, mas chafurda na poça de sangue derramado por Ahmadinejad e Ahmad Vahidi. O que terá a dizer a respeito aquela colunista que é sua porta-voz oficiosa? EU EXIJO QUE O GOVERNO DO MEU PAÍS SEJA UM POUCO MAIS SOLENE QUANDO FALA DA MORTE. SE NÃO FOR POR CONVICÇÃO, QUE SEJA POR DECORO!"