terça-feira, 4 de maio de 2010

Associados depõem na CPI da Bancoop em São Paulo

Em uma sessão que se estendeu por oito horas, os deputados estaduais que compõem a CPI da Bancoop na Assembléia Legislativa de São Paulo ouviram nesta terça-feira o depoimento de cinco cooperados prejudicados pela entidade. De acordo com o advogado Valter Picazio Júnior, representante de quatro dos depoentes, em torno de 8,5 mil famílias foram lesadas. Do total, cerca de 3 mil nem sequer receberam os imóveis. "Nosso objetivo, por meio da CPI, é buscar uma alternativa para a solução do problema", afirmou. O primeiro a ser ouvido nesta terça-feira foi Laurindo Belice, que abriu a sessão da CPI por volta das 11 horas. Em depoimento de 50 minutos, o microempresário paulista contou que em 2004 comprou um apartamento na região do Brooklin, por meio de financiamento da cooperativa. O mutuário pagou R$ 62 mil pelo imóvel, que não lhe foi entregue. Assim como no depoimento que prestou em março ao Congresso Nacional, Belice mostrou aos parlamentares um cartaz com a foto do empreendimento da cooperativa e reclamou que pagou a quantia "por um pedaço de papel". Na sequência, falou o escritor Ignácio de Loyola Brandão. A mulher dele, cooperada da Bancoop, pagou R$ 100 mil por um apartamento para a filha do casal na região da Bela Vista, na capital paulista. Em um depoimento de cerca de 20 minutos, Ignácio de Loyola Brandão disse que se sentiu "impotente" ao se dar conta de que o prédio não sairia do sétimo piso. O escritor afirmou que continua a receber boletos de cobrança e tentou, mas não conseguiu, marcar audiência com o ex-presidente da Bancoop e tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. O terceiro a ser ouvido foi Eduardo Mazer, morador do condomínio de casas Villas da Penha, construído pela Bancoop na zona leste da capital. No depoimento de cerca de meia hora, o mutuário afirmou que dos 250 cooperados do grupo que contrataram a cooperativa, metade não recebeu o imóvel e a outra metade tem de desembolsar R$ 150,00 mensais para sanar problemas de acabamento nos imóveis. Em seguida, depuseram Antônio Leone Maria, que recebeu um apartamento incompleto no Jardim Anália Franco e com um ano de atraso, e Pedro Galuchi, que teve quatro imóveis financiados pela Bancoop por R$ 500 mil e não recebeu a escritura de nenhum. Para as próximas sessões da CPI, são aguardados os depoimentos do ex-funcionário da cooperativa Hélio Malheiro, do empresário petista "aloprado" Freud Godoy, cuja empresa de segurança prestou serviços para a Bancoop, e do doleiro Lúcio Bolonha Funaro. Também deve ser ouvido Ricardo Secco, pai da atriz Deborah Secco, que está envolvido no escândalo.