sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Vítimas de estupro durante a ditadura chilena rompem o silêncio

Após 37 anos do golpe militar no Chile, milhares de mulheres vítimas de estupro na ditadura de Augusto Pinochet romperam o silêncio sobre a violência sexual que sofreram no regime e que até agora se mantinha oculta. Após ser reaberta em fevereiro passado, a Comissão sobre Prisão Política e Tortura, que em 2005 constatou mais de 28 mil casos de tortura cometidos durante o regime militar, recebeu milhares de testemunhos de presos desaparecidos, executados e vítimas de prisão e tortura que agora deverá estudar. Este é o caso das mulheres que foram violentadas de forma sistemática e generalizada durante a ditadura (1973-1990), e que até agora não tinham compartilhado suas experiências por vergonha, pudor e medo de enfrentar um passado que desejam esquecer. Entre aquelas que estão decididas a pôr um ponto final nesta situação está Patricia Herrera, militante do Partido Socialista que foi detida na noite de 27 de junho de 1974 "por pensar diferente". Patricia, que na época era uma estudante universitária de 19 anos, sempre contou sua história por "compromisso moral e ético com as pessoas que já morreram". "Desde o momento em que você é presa, colocam uma venda nos olhos e amarram você. Você perde a condição de ser humano. Eu senti que estava morrendo, que caía em um buraco onde não havia presente, passado e futuro, não havia nada. Foi minha primeira morte", relatou. Essa mulher, que nunca deixou de lutar nem perdeu a esperança pela vida, foi levada a um centro de detenção e tortura que havia nessa época em Santiago, na Praça da Constituição, em frente ao Palácio de La Moneda, onde a estupraram sistematicamente com uma arma apontada para ela, nos 11 dias em que ali esteve. "A primeira noite foi a pior", lembra. Amarrada e vendada sobre um colchonete, resistia inutilmente para evitar que os guardas a violentassem na presença de seus companheiros também detidos, entre os quais estava seu namorado: "Foi atroz, o pior dia da minha vida". Dali, Patricia Herrera foi levada ao centro de tortura da rua Londres, aonde chegou quase inconsciente por causa de uma infecção que não lhe permitia nem ficar sentada. Seguiu para um local secreto onde se transformou em "desaparecida", antes de ser levada a um campo de concentração. Apesar de ter sofrido todo tipo de humilhação, aprendeu a sobreviver: "Aprendi que algo é bom dependendo de onde vier, e eu vinha de algo muito terrível. O ser humano se acomoda a tudo e pode sobreviver". Em 2 de setembro de 1975, Patricia foi libertada e partiu para o exílio. Ao chegar a Paris, fez um grande esforço para superar o que acabara de viver. "Tenho 20 anos, é verão e há flores em todas as partes. Estou aqui, viva, 'bola pra frente'!", pensou consigo mesma. Após um mês de hospitalização, retomou os estudos, fez doutorado, trabalhou como ativista pró-direitos humanos e viajou para Cuba onde se apaixonou e teve uma filha, até que, em 1991, pôde voltar a um Chile "totalmente diferente daquele que tinha deixado". Retomou sua vida, voltou à mesma casa onde a detiveram. "Há coisas que nunca são esquecidas. Ninguém pode sair de tudo isso sem marcas", reconhece essa mulher que sempre teve claro por que lutava. "Não sou uma pobre mulher. Sou alguém que sofreu prisão, tortura e exílio e que não se arrepende de nada na vida". Catalina Palma é outra que também não lamenta o que fez. Também militante do Partido Socialista, foi detida em 25 de novembro de 1975, em Buenos Aires, vítima da Operação Condor. "Você nunca pensa que vai ser presa e torturada. Por isso é capaz de fazer as coisas, porque não tem sentimento de medo", explicou Catalina ao lembrar o calvário na prisão argentina onde permaneceu um ano submetida a torturas e todo tipo de violência sexual. "Tinha medo, estava aterrorizada. Só pensava em viver e sentir", conta. Apesar disso, Catalina, que passou o aniversário de 27 anos na prisão, refez sua vida durante o exílio na Inglaterra, teve um filho e voltou em 1986 ao Chile, onde hoje trabalha na Comissão Nacional de Pesquisa Científica e Tecnológica. Como Catalina e Patricia, 3.399 mulheres romperam o silêncio e apresentaram seus casos perante a comissão presidida pelo bispo Sergio Valech e cujo trabalho permitiu em 2005 que 27.255 pessoas tivessem acesso a medidas de reparação. Quase todas foram vítimas de violência sexual e 316 reconheceram ter sido violentadas, segundo dados fornecidos pela Corporação Humanas, um centro de estudos que promove os direitos da mulher e que reivindica que a violência sexual seja considerada uma forma de tortura. "O que tradicionalmente se relaciona à tortura são as queimaduras e os golpes" porque predomina "um olhar absolutamente machista", disse Carolina Carreras, presidente dessa organização. A Corporação Humanas critica que não haja um só processo judicial que revele a autêntica dimensão deste tipo de agressão. "Na memória deste país e das atrocidades da ditadura, é necessário aparecer a violência sexual, porque isso nos garante que ela nunca mais ocorra", concluiu.

PT do Amapá protestou contra a participação de Lula em programa de adversários

A participação do presidente Lula no horário eleitoral pedindo votos para os candidatos ao Senado no Amapá, Gilvam Borges (PMDB) e Waldez Góes (PDT), de coligações adversárias à coligação PT-PSB, levou o PT do Amapá a escrever uma carta aberta à direção nacional do partido e à coordenação da campanha de Dilma. O documento foi divulgado antes de operação da Polícia Federal deflagrada nesta sexta-feira, que levou à prisão do governador do Estado, Pedro Paulo, e de mais 17 pessoas. Na carta, os petistas amapaenses falam do constrangimento que estão passando por causa da atitude de Lula. Dizem que estão sendo motivo de chacotas no Twitter, blogs e jornais e pedem "encarecidamente" aos "companheiros" Lula, Dilma, ministros de Estado e membros da direção nacional que respeitem as decisões e deliberações do PT do Amapá e gravem programas de rádio e televisão para os candidatos da coligação PT-PSB, Camilo Capiberibe (governo) e João Capiberibe e Marcos Roberto (Senado), e não mais para os adversários. No documento, o PT do Amapá informa que tentou coligar com o PP e com o PDT e que isso só não foi possível porque foi tratado pelos dois como partido de segunda categoria, sendo forçado então a coligar-se com o PSB. De fato, os petistas do Amapá não passam de um bando de bobos para Lula e Dilma.

PDT expulsa prefeito de Dourados após denúncia

O prefeito de Dourados (MS), Ari Artuzi, preso na semana passada acusado de corrupção, foi expulso do PDT. A decisão adotada pela Executiva Estadual do partido dissolveu também o Diretório Municipal e nomeou uma comissão provisória para reorganizar o partido na cidade. De acordo com o presidente estadual da sigla, deputado federal Dagoberto Nogueira, Artuzi é a figura principal em evidências de corrupção divulgadas nos últimos dias pela Polícia Federal e pela imprensa de todo o País, com grave ato de indisciplina partidária.

TSE nega pedido de veto a propaganda de Serra

O ministro Joelson Dias, do Tribunal Superior Eleitoral, negou pedido de liminar para a suspensão de propaganda eleitoral do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, divulgada na TV. Segundo o recurso, a propaganda acusaria a candidata do governo, Dilma Rousseff, de ser a responsável pelo aumento nas tarifas de energia elétrica. O ministro negou também o direito de resposta à candidata. A coligação de Dilma alega que a propaganda é negativa e inverídica, já que quem detém competência para regular o setor é a Agência Nacional de Energia Elétrica.

Polícia Federal lacra Assembleia Legislativa e prefeitura de Macapá durante operação no Amapá

Durante a Operação Mãos Limpas, deflagrada nesta sexta-feira em Macapá, a Polícia Federal lacrou vários órgãos públicos para cumprir mandados de busca e apreensão. Quem chegava para trabalhar era informado pela Polícia Federal que não podia entrar. Entre as instituições públicas lacradas estiveram a Assembléia Legislativa, o Tribunal de Contas do Estado, a Prefeitura de Macapá, as secretarias de Estado da Educação e da Saúde e o Centro de Processamento de Dados (Prodap). O presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Amanajás (PSDB). que é candidato ao governo, estava no município de Oiapoque, extremo norte do Amapá e fronteira com a Guiana Francesa.

Superior Tribunal de Justiça ordena que a Polícia Federal fique de boca fechada

Por determinação do Superior Tribunal de Justiça, a Polícia Federal cancelou o briefing que daria na tarde desta sexta-feira, em Brasília, para detalhar sobre as prisões ocorridas no Amapá, dos envolvidos no esquema de desvio de dinheiro público. O Superior Tribunal de Justiça explicou que o inquérito corre em segredo de Justiça.

Após voltar atrás em queima do Alcorão, pastor dá prazo para imã

O pastor americano Terry Jones, que planejou promover uma queima de exemplares do Alcorão em sua igreja na Flórida, estabeleceu um prazo ao imã encarregado da mesquita que pode ser construída no Marco Zero em Nova York para cancelar a obra no local. Um porta-voz do pastor discursou nesta sexta-feira à imprensa em frente à igreja, na cidade de Gainesville, para dizer que o pastor tinha determinado como prazo 15h20 local (16h20 de Brasília) ao imã Feisal Abdul Rauf para que este anunciasse a construção da mesquita em outro local, menos polêmico que o ponto onde ficavam as Torres Gêmeas. O porta-voz não esclareceu quais seriam as consequências caso o imã não cumpra o prazo. "Queimar o Alcorão é ruim, mas é muito pior construir um centro islâmico perto do lugar onde estavam as Torres Gêmeas", disse T.K. Paul, porta-voz do polêmico pastor.

Lula diz que "ignorância" fez Serra não investir no Samu

Em mais uma etapa do embate entre PT e PSDB na disputa eleitoral, o presidente Lula criticou nesta sexta-feira o candidato José Serra, e o acusou, de forma indireta, de agir com "pura ignorância" quando governador de São Paulo. Sem citar o nome de Serra, em inauguração da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Vila União, em São Bernardo do Campo (SP), Lula fez questão de lembrar de um evento ocorrido em 25 de março em Tatuí (SP) para entrega de 600 ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O presidente aproveitou o exemplo para criticar a atitude de governos estaduais e prefeituras que se recusam a participar de projetos do governo federal por conta de diferenças partidárias. "É pura ignorância", disse: "Quem paga o pato é o povo brasileiro". Ao falar sobre as UPAs que serão inauguradas em diversas cidades da região metropolitana da São Paulo, o petista também provocou o prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab (DEM), embora não o tenha citado nominalmente: "Só não tem UPA em São Paulo porque parece que eles não querem".

Serra promete elevar salário mínimo para R$ 600,00 se for eleito

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, prometeu nesta sexta-feira aumentar o salário mínimo para R$ 600,00 caso seja eleito. "Vou entrar num assunto muito importante para a população, especialmente para a população trabalhadora, se eu for eleito presidente da República, o salário será de R$ 600,00. Há condições para isso", disse José Serra, durante caminhada em uma área popular, a Praça do Relógio, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro. Acompanhado do candidato a vice-presidente em sua chapa, Índio da Costa (DEM), Serra caminhou por 30 minutos e comentou a violação do sigilo fiscal do seu genro Alexandre Bourgueois: "Sem grandes surpresas. Essa tem sido a metodologia do crime contra as pessoas".

Ministério Público do Rio de Janeiro denuncia quatro pela morte do filho da atriz Cissa Guimarães

A promotora Marisa Paiva, da Promotoria de Justiça de Investigação Penal, ofereceu nesta sexta-feira denúncia à Justiça do Rio de Janeiro contra quatro acusados de envolvimento no atropelamento e assassinato do músico Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, no dia 20 de julho, na zona sul da capital fluminense. Rafael Bussamra, o motorista do carro que atropelou e matou Rafael Mascarenhas, foi denunciado por homicídio doloso (quando há intenção de matar), corrupção ativa, por fugir do local do acidente, participar de corrida não autorizada em via pública e tentar induzir a erro, em caso de acidente com vítima, o agente policial. O jovem já havia sido indiciado no inquérito da 15ª Delegacia de Policia, da Gávea. Os outros denunciados são o pai dele, Roberto Bussamra, seu irmão, Guilherme, e o amigo Gabriel Henrique de Sousa Ribeiro. Roberto foi denunciado por corrupção ativa e por tentar induzir a erro o policial. Guilherme foi denunciado apenas por este último crime e Gabriel, por participação em corrida não autorizada. Em razão da conexão dos demais crimes com o de homicídio doloso, todos devem ser julgados pelo Tribunal do Júri.

Servidora da Receita diz que "esquentou" violações a pedido da Corregedoria

A servidora Ana Maria Rodrigues Caroto Cano, da Receita Federal, alegou, em depoimento à Polícia Civil, ter sido orientada pela Corregedoria do órgão a "esquentar" o acesso ao sigilo de contribuintes que tiveram seus dados fiscais acessados ilegalmente na agência de Mauá, na Grande São Paulo. Ana Maria é uma das suspeitas de acessar ilegalmente declarações de contribuintes a partir da senha da chefe da Receita na cidade. Segundo informações da Polícia Civil de São Paulo, a servidora e seu marido, José Carlos Cano Larios, foram detidos para prestar depoimento sobre a suspeita de que estariam induzindo os contribuintes a assinar procurações com o objetivo de justificar os acessos ilegais. Em depoimento, eles disseram que seguiam orientação da Corregedoria da Receita. A agência de Mauá foi palco da quebra de sigilo fiscal de quatro tucanos, de Verônica Serra e do genro do presidenciável tucano, José serra. Todos os acessos partiram do computador da servidora Adeildda Ferreira dos Santos, que junto com Ana Maria teria livre acesso a senha da chefe da Agência, a servidora Antonia Aparecida Neves Silva. Na semana passada, o jornal O Estado de S. Paulo revelou a estratégia do comando da Receita para abafar a violação do sigilo fiscal de Verônica, ocorrida dia 30 de setembro de 2009 em uma agência de Santo André. Por 20 horas, a Receita sustentou a versão de que ela pedira seus dados, mesmo sabendo que a violação ocorrera com uma procuração falsa. A suspeita de que Ana Maria e Larios estariam tentando "esquentar" os acessos surgiu depois da denúncia de um contribuinte, que disse ter sido procurado por Larios com um pedido para assinar uma procuração autorizando o acesso a seus dados fiscais. A denúncia levou os investigadores ao escritório de Larios, onde foram encontradas 23 procurações preenchidas, mas não assinadas, de pessoas que a polícia suspeita que tiveram seus dados fiscais acessados sem procuração na agência de Mauá.

Recursos destinados a órgãos investigados pela Polícia Federal no Amapá somam R$ 800 milhões

Segundo comunicado da Controladoria-Geral da União, a soma de recursos destinados entre 2009 e 2010 a órgãos investigados pela Polícia Federal no Amapá está perto dos R$ 800 milhões. A operação Mãos Limpas foi desencadeada nesta sexta-feira e culminou na prisão de 18 pessoas, entre elas o governador do Estado, Pedro Paulo Dias, do PP, e o ex-governador Waldez Góes, do PDT. A investigação conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria Geral da União apontou esquema de desvio de recursos federais que envolvia diversos órgão públicos, como o Tribunal de Contas do Estado, a Assembléia Legislativa e a Prefeitura de Macapá. Entre os ilícitos detectados pela CGU, constam direcionamento de licitações com aquisições de veículos e equipamentos a preços superiores aos valores de mercado; sobrepreço na execução de obras e serviços de reformas em delegacias de polícia e do 2º Batalhão de Polícia Militar; inclusão de itens indevidos na composição do BDI em contratos para execução de obras; desvio de finalidade na aplicação de recursos de convênios e fraudes em licitações para contratações de empresas de serviços de vigilância e limpeza.

Receita Federal escondeu violação do sigilo do genro de Serra

A Receita Federal escondeu por cinco dias a procuração falsa usada para violar o sigilo fiscal do genro de José Serra, Alexandre Bourgeois. Desde a última segunda-feira, a delegacia da Receita Federal em Santo André sabia que o contador petista Antônio Carlos Atella Ferreira usou uma procuração falsa para retirar as declarações de renda de Alexandre Bourgeois no dia 30 de setembro de 2009, mesmo dia em que adotou a prática igual para violar os dados de Verônica Serra. Na quarta-feira, a Receita Federal divulgou uma nota à imprensa em que negava a violação do sigilo fiscal do genro do candidato do PSDB. "No caso do contribuinte Alexandre Bourgeois houve acesso apenas aos seus dados cadastrais e não quebra de seu sigilo fiscal como noticiado pela Agência Estado", afirmou. A nota tentou minimizar a revelação do portal www.estadao.com.br de que os dados de Alexandre Bourgeois haviam sido violados na agência de Mauá. Naquele mesmo dia, a Receita Federal já sabia da procuração falsa que violou os dados de Alexandre Bourgeois em Santo André. É o que comprova um ofício assinado nesta sexta-feira por Heloísa de Castro, delegada da Receita Federal em Santo André. No documento, ela informa à Corregedoria da Receita Federal que entregou a procuração falsa na segunda-feira, dia 6, para a Polícia Federal, atendendo a um pedido de busca nas procurações usadas por Atella, portanto, dois dias antes da nota que negou a violação do sigilo fiscal do genro de Serra. Não é a primeira vez que a Receita Federal esconde uma informação desse tipo.

Vice-presidente José Alencar é internado na UTI com problemas respiratórios

O vice-presidente da República, José Alencar (PRB), foi internado nesta sexta-feira no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, com problemas respiratórios. De acordo com nota divulgada pelo hospital, José Alencar apresenta quadro de "edema agudo de pulmão" e está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Cardiológica. A nota informa ainda que o vice-presidente "responde bem" ao tratamento. José Alencar, de 78 anos, luta contra um câncer desde 1997 e já passou por 15 cirurgias. A equipe médica responsável pelo tratamento do vice-presidente é coordenada pelos médicos Paulo Hoff, Roberto Kalil Filho e Paulo Ayroza Galvão. Ao final de agosto, Alencar havia sido internado no mesmo hospital por conta de um quadro infeccioso. Após receber tratamento, o vice-presidente deixou o hospital no dia 2 de setembro. O quadro de saúde de José Alencar é estável, segundo boletim médico do hospital. Em meio ao tratamento quimioterápico, ele passou mal na manhã desta sexta-feira, ainda em Brasília, e foi internado às 11h30 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Cardiológica do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, com edema agudo de pulmão. Há uma semana, Alencar havia deixado o hospital após mais uma sessão de quimioterapia. Na semana passada, o vice-presidente dividiu um andar do Sírio-Libanês com o ex-governador Orestes Quércia (PMDB) e o senador Romeu Tuma (PTB).

Dilma aprova ação da Polícia Federal que prendeu ex-governador elogiado por Lula

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff (PT), elogiou a operação da Polícia Federal que prendeu 18 pessoas, entre elas, o ex-governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), candidato ao Senado para quem Lula pediu votos, em depoimento na TV, na noite de quinta-feira. A petista afirmou que o governo Lula combate a corrupção "doa a quem doer". Waldez Góes e o atual governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), que concorre à reeleição, foram presos com mais 16 pessoas sob acusação de participar do desvio de R$ 300 milhões de verbas destinadas à educação. A operação da Polícia Federal foi batizada como "Mãos Limpas". "A operação é absolutamente de acordo com o que sempre fizemos. A gente tem tido em relação à Polícia Federal, à CGU e a todos os órgãos de investigação a seguinte orientação, sempre foi a do presidente Lula: desmantele esquema de corrupção doa a quem doer", disse a candidata, durante entrevista coletiva em Porto Alegre. Na véspera das prisões, a campanha de Góes exibiu, na propaganda de TV, um depoimento de Lula. Em 28 segundos, o presidente diz que "quando for presidenta, Dilma vai precisar de senadores que ajudem a aprovar seus projetos". O presidente pede ao eleitor amapaense para votar no pedetista "que está com Dilma".

Presidente do Tribunal de Justiça assume governo do Amapá após prisão de governador

Presidente do Tribunal de Justiça asume governo do Amapá após prisão de governador
O presidente do Tribunal de Justiça do Amapá, desembargador Dôglas Evangelista Ramos, assumiu nesta sexta-feira o governo do Estado do Amapá depois da prisão do governador Pedro Paulo Dias (PP) na Operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, que investiga esquema de desvio de recursos da União. Com a prisão do governador, o terceiro na linha sucessória seria o presidente da Câmara Legislativa do Estado, Jorge Amanajás (PSDB), mas ele está impedido de assumir o cargo porque concorre ao governo do Amapá. Pedro Paulo Dias havia assumido o governo do Amapá no último mês de abril, quando o governador Waldez Góes (PDT) se licenciou para concorrer às eleições ao Senado. Góes também foi preso pela Polícia Federal, acusado de participar do esquema de desvio. Após a confirmação da polícia de que Pedro Paulo Dias havia sido preso, o desembargador se reuniu com o procurador de Justiça do Estado, Iaci Pelais, e assumiu o governo.

Ministério Público Federal no Mato Grosso denuncia 36 por exploração ilegal de madeira

O Ministério Público Federal em Mato Grosso ofereceu denúncia contra 36 pessoas por crime contra o meio ambiente, formação de quadrilha, fraude contra o sistema financeiro e falsidade ideológica. Segundo o órgão, "a quadrilha chefiada pelo ex-prefeito de Vila Rica, Leonídio Benedito das Chagas, grilava terras e explorava de forma ilegal madeira da Fazenda Califórnia, além de usufruir de recursos do BNDES, por meio de documentos falsos". Conforme a denúncia, para executar o esquema o grupo se dividia em três grupos. O primeiro comandava as fraudes, manipulando documentos fundiários necessários à comercialização das terras. O grupo contava com auxílio técnico de engenheiros, que cuidavam da inserção de dados incorretos nos mapas e memoriais, permitindo que a quadrilha deslocasse coordenadas geográficas de localização de títulos de outras propriedades para dentro da Fazenda Califórnia. Os documentos falsos eram usados na escrituração e registro imobiliário dessas fazendas, em cartórios de São Félix do Araguaia (MT) e Vila Rica (MT). De posse dos documentos fraudados, um segundo grupo de integrantes da quadrilha conseguia nos bancos acesso a linhas de financiamentos do BNDES, que eram utilizadas para exploração da madeira da floresta, localizada em área de proteção especial. De acordo com dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Fazenda Califórnia está localizada em área de preservação da Floresta Amazônica. Um terceiro grupo explorava e contratava pessoas para efetuar derrubadas e extrair madeira ilicitamente da área de reserva legal. Os procuradores calculam que o prejuízo ambiental provocado pelos crimes na Fazenda Califórnia somam R$ 228,9 milhões. O procurador da República responsável pelo caso, Mário Lúcio de Avelar, afirma que dois denunciados tiveram um papel fundamental para a concretização dos crimes. O ex-prefeito de Vila Rica, Leonídio Benedito das Chagas, participou de todas as negociações irregulares do bando. Avelar relata que a investigação constatou que o ex-prefeito "era um conhecido destruidor de floresta da região, e que só nos anos de 2001 e 2005 foi o principal responsável pelo desmatamento de 1.010 hectares de floresta nativa, dentro da área de preservação na Amazônia Legal". O engenheiro João Sérgio Sturmer fez pelo menos 13 memoriais descritivos ideologicamente falsificados, que foram utilizados pelo grupo para validar escrituras públicas, contratos particulares e registro imobiliários.

Quase 30 milhões entraram na classe média durante governo Lula

Quase 30 milhões de pessoas ingressaram na nova classe média entre 2003 e 2009. O dado foi divulgado nesta sexta-feira pelo coordenador do Centro de Políticas Sociais da FGV (Fundação Getulio Vargas), Marcelo Néri. De acordo com a pesquisa, na época da crise a classe C cresceu mais do que as demais, chegando no ano passado a abranger 94,9 milhões de brasileiros, ou seja, mais da metade da população. Ainda de acordo com o levantamento "A Nova Classe Média: o Lado Brilhante dos Pobres", a soma da população das classes A, B e C passa de 61%. Em 1992, as classes D e E somavam 61% da população. "Em seis anos, 35,6 milhões de pessoas foram incorporadas às classes A, B e C, o que equivale a mais da metade de um país como a França. Desse total, 10% foram registrados no ano passado, que foi o ano da crise", explicou Néri. Ele definiu o período 2008/2009 como um ano de crise para as elites, mas não para as estatísticas sociais. Neri revelou que a renda dos brasileiros mais pobres avançou mais que a dos mais ricos no ano passado. Os 40% mais pobres tiveram ganho de 3,15% e os 10% mais ricos, de 1,09%. Os cálculos foram feitos com base na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio). Na média, a renda per capita dos brasileiros cresceu 2,04% entre 2008 e 2009. De 2003 a 2008, a renda per capita dos brasileiros cresceu mais que o do PIB (Produto Interno Bruto). Enquanto o PIB avançou 3,78% ao ano e a renda se amplicou em 5,23% ao ano, em termos per capita (descontado o crescimento populacional). Ano passado, o PIB per capita caiu 1,5% (por conta da crise, mas a renda medida pela Pnad subiu 2,04%.

Comitê do PT recebeu dossiê sobre filha de Serra

O comitê da pré-campanha da candidata à Presidência Dilma Rousseff teve em mãos um dossiê sobre a filha do adversário José Serra (PSDB) com documentos reunidos pelo PT paulista. Tal papelada havia sido utilizada pelo partido em 2005 para solicitar ao Ministério Público a abertura de inquérito sobre uma empresa de Veronica Serra e do marido, Alexandre Bourgeois. O nome de Veronica voltou ao noticiário da campanha presidencial na semana passada. A Receita admitiu que a filha do candidato tucano teve as declarações de bens e de renda violadas, a partir de procuração falsa. Serra tem responsabilizado Dilma pela quebra de sigilo. O jornal Folha de S. Paulo teve acesso a cerca de cem páginas do dossiê do PT paulista sobre Veronica. É o resultado de pesquisa em cartórios de registros de documentos, na Junta Comercial de São Paulo e em sites na internet. Não há nesse lote de papéis indício de quebra de sigilo bancário ou fiscal. A papelada circulou no "grupo de inteligência" que no início do ano trabalhava para o comitê de Dilma, equipe que foi desmantelada quando a imprensa noticiou sua existência e as tratativas de contratar "arapongas" para espionar oponentes e até mesmo aliados. O material é idêntico ao que o partido havia encaminhado cinco anos antes ao Ministério Público estadual e à Procuradoria da República de São Paulo. O pedido de abertura de inquérito foi uma iniciativa do então líder da bancada petista na Assembleia Legislativa, Cândido Vaccarezza. Hoje ele é deputado federal, líder do governo na Câmara e apontado como um dos favoritos a ocupar a presidência da Casa a partir de 2011. Em junho de 2005, Vaccarezza chegou a propor uma CPI na Assembléia para investigar uma suspeita levantada pelo PT de que a empresa de Veronica e do marido havia sido favorecida em leilões na CPTM (companhia de trens), no Metrô e na Sabesp (empresa de saneamento). As apurações do PT a respeito de Veronica começaram logo após o primeiro turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo, em 2004. Serra era o candidato do PSDB e viria a ganhar a disputa contra a então prefeita petista Marta Suplicy (PT). Em 2005, a Procuradoria da República paulista abriu procedimento administrativo (investigação prévia presidida por um procurador) para averiguar "crimes contra a ordem tributária e fraude em licitação" desses leilões. O procedimento deu origem a uma ação judicial, que passou a tramitar na 8ª Vara Federal Criminal paulista. Contudo, em 2006, o próprio procurador responsável pelo caso pediu o arquivamento da ação. Veronica e seu marido não chegaram a ser chamados nem acusados de nenhuma irregularidade. O caso foi arquivado na Justiça Federal e no Ministério Público em 2008.

Grupo RBS admite que usou serviços do sargento Rodrigues para espionagem

Casou uma enorme surpresa a nota do grupo RBS (Grupo Brasil Sul de Comunicações), publicada na página 18 do jornal Zero Hora, admitindo que o sargento brigadiano César Rodrigues de Carvalho espionava pessoas a seu serviço. O reconhecimento público da RBS é inédito na imprensa brasileira e tem efeitos devastadores para a credibilidade do grupo jornalístico do Rio Grande do Sul. É inacreditável que um grupo de comunicação reconheça que incentivava uma prática de violação constitucional de direitos das pessoas que eram espionadas pelo sargento a seu serviço. Mais inacreditável, ainda, que a RBS admita que "privatizava" os serviços de segurança do Estado para satisfação de seus interesses, não interessa de que tipo. Jamais a RBS informou a seus leitores que utilizava esse tipo de fonte para rechear as suas reportagens. No texto, diz a nota de RBS: "Rodrigues era fonte de informações à imprensa”. Ou seja, usa um eufemismo, troca “RBS” por “imprensa”. E então admite as relações permissivas que mantinha com o sargento. Os dados informados pelo sargento para a RBS referiam-se a pessoas envolvidas em ocorrências, inquéritos policiais e processos judiciais, com a finalidade de embasar matérias jornalísticas. Agora fica faltando que a RBS admitia os tipos de relações carnais que entretém com a Polícia Federal e com o Ministério Público Estadual. Quanto à Polícia Federal, no mínimo em duas oportunidade os veículos de comunicação do grupo jornalístico foram avisados para dar cobertura a ações policias que estavam em curso: na Operação Rodin, para que fossem fotografadas algemadas pessoas de grande destaque público, as quais foram providencialmente desembarcadas do camburão na frente do prédio da Superintendência do órgão, na Avenida Ipiranga, a poucos metros da sede do Grupo RBS, e agora durante o desenrolar da operação de investigações no Banrisul, quando os repórteres da RBS puderam fazer providenciais gravações da operação de apreensão de documentos na agência de publicidade SLM. No outro caso. No caso do Ministério Público Estadual, parece que ele "terceirizou" suas operações mais espetaculosas em benefício da RBS. Muitas dessas operações são derivadas de atuações de promotores da "área do grampo", ou seja, especialistas em operação do "Guardião", sistema de escuta de gravações de telefonemas, torpedos e e-mails. E ainda tem mais: esta RBS, assim como o Ministério Público Estadual, mostram uma grande seletividade na escolha de seus alvos. Por exemplo: investigam e "escracham" um sargentinho da Brigada Militar, mas deixaram, deixam, de investigar o major brigadiano Fábio Duarte Domingues, que bisbilhotava para o PT durante a CPI do Detran, em 2009, na Assembléia Legislativa. Os grandes beneficiários imediatos da arapongagem do major, cedido pela Brigada Militar para a coordenadoria do PT, eram os deputados estaduais petistas Bohn Gass e Stela Farias. É insuportável esta situação para os gaúchos. Mas os tempos são muito estranhos, tão estranhos que a OAB se acumplicia com esta desídia do Ministério Público, com seu tremendo silêncio. O Brasil já viveu uma ditadura. Muitas das pessoas que aí estão na área pública viveram no tempo da ditadura militar e a combateram. Mesmo quando havia gigantescas dificuldades para se fazer qualquer movimento de oposição, as pessoas encontravam brechas para se opor à ditadura. Hoje, impera a total canalhice, da imobilidade geral. E são fatos como esse que solapam a democracia todos os dias no País.