segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Aterro sanitário de Curitiba é lacrado e lixo agora vai para novos aterros

Aterro da Caximba, em Curitiba

Sob ordem judicial, a prefeitura de Curitiba viu-se obrigada, nesta segunda-feira, a lacrar o aterro sanitário da Caximba,que recebia o lixo de Curitiba e outras 18 cidades da região metropolitana. Com o fechamento, encerraram-se 21 anos de uso do aterro da Caximba, alvo de polêmica por poluir o ambiente e incomodar com o mau cheiro os vizinhos. O local deveria ter sido fechado há 11 anos, mas sucessivas ações judiciais prorrogaram seu funcionamento até a saturação total. Para complicar, a licitação para escolher uma nova área e a abertura de uma usina de reciclagem está paralisada também por ordem judicial. O Tribunal de Justiça determinou na semana passada que a fase final do processo seja refeita, o que impede que o consórcio de empresas vencedoras assuma o serviço pelos próximos 25 anos. Para evitar um apagão na coleta de resíduos, duas áreas particulares, uma em Curitiba e outra na cidade de Fazenda Rio Grande, na região metropolitana, foram licenciadas de forma emergencial para continuar a receber os dejetos. Em Curitiba, o aterro sanitário pertence à empresa Cavo, é pequeno e fica localizado bem ao lado do presídio estadual, causando gigantesco desconforto para a massa carcerária. Já em Fazenda Rio Grande o aterro pertence à empresa Estre, é absolutamente novo e tem capacidade para receber o lixo gerado por Curitiba por mais de 20 anos. São cerca de 2.400 toneladas de lixo por dia recolhidos nos 19 municípios.

Sérgio Cabral defende que PMDB negocie políticas públicas, não cargos

O governador reeleito do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, defendeu nesta segunda-feira que o PMDB tenha como prioridade na relação com a presidente eleita Dilma Rousseff a discussão de políticas públicas. Segundo ele, a nomeação de quadros do partido para o governo deve ser consequência da agenda programática. Como um carioca verdadeiro, Sérgio Cabral comprovou que é mesmo piadista. Disse ele: "O PMDB é um partido que tem que se notabilizar a partir de agora como um partido que discute políticas públicas, e não cargos. Nomes são consequências de políticas públicas, e nós temos que dar liberdade para a presidente Dilma governar, respeitando a coalizão, mas com liberdade de escolha". O governador disse também que o PMDB não será um "partido de coação", e sim um "partido de apoio": "Eu fico muito feliz de ver o Michel Temer como vice-presidente da República, e tenho certeza que, junto com o Michel e com os companheiros do PMDB que pensam dessa maneira, que é a grande maioria, nós vamos construir uma política pública diferenciada". Qualquer um tem direito de se atirar no chão e se dobrar de rir lendo o que fala Sérgio Cabral. Cabral ressaltou também o papel de destaque que o Rio de Janeiro teve na eleição presidencial, servindo de referência para algumas das propostas de Dilma. "Quando na história desse país, em uma campanha presidencial, teve um candidato a presidente dando exemplos positivos do Rio de Janeiro? O Rio foi citado na UPP [Unidade de Polícia Pacificadora, na UPA 24h, na conquista das olimpíadas... Isso é um fenômeno novo." Cabral voltou a citar a parceria entre prefeitura, governo do Estado e Presidência da República, bastante destacada em sua campanha, ao comentar o bom desempenho de Dilma nas urnas. No Estado, ela obteve 60,48% dos votos válidos, contra 39,52% de Serra. "A vitória político-eleitoral que tivemos no Estado é muito substantiva, porque é a tradução do reconhecimento da população a uma lógica de fazer política, de gerir a coisa pública, que eu creio que será um dos maiores legados que eu poderia deixar, que é a necessidade de integração para que as coisas aconteçam com qualidade e velocidade", disse.

Após barrar cargueiros, Alemanha proíbe todos os vôos de passageiros vindos do Iêmen

O governo alemão decidiu nesta segunda-feira proibir todos os vôos de passageiros procedentes do Iêmen, medida emitida pelo Ministério dos Transportes no mesmo dia em que o Reino Unido anunciou uma reunião de segurança de emergência e que os Estados Unidos enviaram uma equipe de investigação à Sanaa, capital iemenita. Com o envio de seus especialistas ao Iêmen, Washington reforçou ao governo daquele país que cabe aos Estados Unidos liderar os esforços de investigação, indicou o chefe de contraterrorismo americano, John Brennan. Ainda no domingo, a Alemanha já havia barrado a entrada em seu território de todos os vôos de carga oriundos do Iêmen, de acordo com o ministro do Interior, Thomas de Maiziere. "O governo federal afirma que, a partir de agora, nenhuma carga procedente do Iêmen entrará na Alemanha", declarou o ministro após a descoberta de dois pacotes com explosivos procedentes deste país e destinados aos Estados Unidos. A França também anunciou no sábado a suspensão da entrada de carga aérea procedente do Iêmen. O governo britânico discutirá em particular medidas para reforçar a segurança no transporte de cargas, cujas normas são atualmente bem menos rigorosas do que o de passageiros. O artefato encontrado no aeroporto de East Midland só foi detectado pelas autoridades em uma segunda inspeção na carga transportada pela aeronave. A associação de pilotos de companhias britânicas diz que vem alertando há muito tempo as autoridades do país sobre a falta de segurança nesse tipo de vôo. Segundo seu secretário-geral, Jim McAuslan, os controles são em geral "redundantes" no transporte de passageiros, e os recursos poderiam ser melhor empregados. Segundo o governo britânico, as bombas encontradas poderiam ter derrubado os aviões em que se encontravam caso tivessem sido acionadas. Os Estados Unidos enviaram uma equipe de investigadores ao Iêmen para ajudar nas buscas pelos suspeitos de terem despachado os artefatos no aeroporto de Sanaa, que tinham como destino duas sinagogas em Chicago. Uma porta-voz da companhia aérea Qatar Airways afirmou que as duas bombas encontradas viajaram em dois diferentes vôos comerciais, de passageiros, antes de serem detectadas. As duas bombas escondidas em cartuchos de impressora modificados foram recebidas no centro de operações em Doha, capital do Qatar, antes de serem transportadas em dois diferentes vôos comerciais. Uma das bombas foi interceptada e descoberta ainda na segunda escala, em Dubai, num avião da FedEx, e o outro somente no aeroporto de East Midlands, no Reino Unido, numa aeronave da UPS (United Parcel Service), duas empresas globais de logística. Acredita-se que um fabricante de bombas da Arábia Saudita está trabalhando com a filial iemenita da Al Qaeda. Ele é um dos principais suspeitos da operação. Ibrahim Hassan al Asiri, que está no topo de uma lista de terroristas da Arábia Saudita, é o irmão de um terrorista morto no ano passado, quando tentava explodir uma bomba para assassinar o chefe da autoridade de combate ao terrorismo na Arábia Saudita, o príncipe Mohammed bin Nayef.

Ativistas dizem que Sakineh corre risco de ser executada em breve

A iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, que atraiu as atenções do mundo inteiro ao ser condenada à morte por apedrejamento sob a acusação de adultério, corre o risco de ser executada em poucos dias, denunciaram ativistas de direitos humanos. De acordo com o presidente da associação Refugiados Políticos Iranianos na Itália, Karimi Davood, a ONG recebeu do Irã informações sobre uma aceleração na execução da iraniana: "Podemos estar na vigília do enforcamento". Davood explicou que Teerã enviou a Tabriz, a cidade onde estão presos o filho de Sakineh, Sajjad Ghaderzadeh, e seu advogado, Javid Houtan Kian, uma ordem para não soltá-los até que seja efetivada a pena. A iraniana havia sido inicialmente condenada à morte por apedrejamento, pena que foi suspensa em agosto, mas autoridades anunciaram em setembro que o castigo havia mudado para o enforcamento. Com isso, passaria a valer o crime mais grave pelo qual Sakineh era acusada, o de ter sido cúmplice no assassinato do marido. Logo depois que a informação foi divulgada, o Ministério de Relações Exteriores iraniano rejeitou que a decisão de executar Sakineh fosse definitiva e garantiu que os procedimentos legais ainda não estavam concluídos. De acordo com Davood, o que o governo do ditador fascista islâmico Mahmoud Ahmadinejad busca é "enforcar Sakineh em segredo e deixar o mundo diante de um fato consumado", o que causa "grande preocupação". A porta-voz do Comitê Internacional contra o Apedrejamento, Mina Ahadi, afirmou que também recebeu indicações deste tipo.

Empresário Abilio Diniz escreve carta aberta e pede "grande governo" para se candidatar a cargo

O empresário supermercadista Abilio Diniz, presidente do Conselho de Administração do Pão de Açúcar, divulgou nesta segunda-feira carta aberta aos 145 mil funcionários, manifestando apoio à eleição de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República. Diniz é cotado para assumir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio no governo da petista. Isso já é um péssimo sinal, porque Abílio Diniz é um representante do setor de serviços. Ele não produz um ovo, um litro de leite, um quilo de feijão, ele só vende, e põe sobrepreço nos produtos. Ele não é da produção. Por consequência, é um tipo incapaz de raciocinar com a cabeça no desenvolvimento de uma política industrial, porque o negócio dele é consumismo. Em junho, sua mulher, Geyze Diniz, promoveu encontro com um grupo de 38 socialites e "executivas de influência" na sala de estar de Abílio Diniz, em favor da candidatura de Dilma Rousseff. Em março, durante um evento do grupo, Abilio Diniz havia se declarado um eleitor da petista.

Lupi diz que qualificação do trabalhador será maior desafio da pasta no governo Dilma

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), afirmou nesta segunda-feira que a qualificação dos trabalhadores será o principal desafio da pasta no governo da presidente eleita, a neopetista Dilma Rousseff (PT). Segundo o ministro, o compromisso deve ser assumido tanto pelo governo quando pela iniciativa privada. "O Brasil está na ponta da geração de emprego, mas temos um grande gargalo na qualificação profissional. Hoje muitos setores já estão completamente afunilados", disse o ministro, que citou a construção civil, a hotelaria e os serviços como exemplos de setores que enfrentam carência de trabalhadores qualificados. O ministro disse ainda acreditar que a geração de empregos durante o mandato da presidente eleita deva ser recorde, principalmente por causa da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, ambos sediados no Brasil. O olhar desse indivíduo sobre o mundo do trabalho é lastimável, ele só mira o trabalhado menos qualificado.

Dilma reúne coordenação política da campanha para discutir governo de transição

A presidente eleita Dilma Rousseff (PT) reuniu-se na manhã desta segunda-feira com a coordenação política de sua campanha discutindo o governo de transição e sua agenda para os próximos dias. A expectativa é de que a equipe de transição seja anunciada na quarta-feira, tendo como coordenador político o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e o ex-ministro Antonio Palocci como coordenador técnico. A primeira reunião já pode ocorrer na sexta-feira. Alguns assessores afirmam que a presidente eleita deve tirar uma folga a partir desta terça-feira até sábado, no Rio Grande do Sul. No fim de semana, a petista volta a Brasília para acompanhar a comitiva do presidente Lula em uma viagem à África e à reunido do G-20. Dilma tem uma verba de R$ 2,8 milhões e poderá contratar 50 funcionários para o governo de transição, que vai da proclamação da eleição (que em geral ocorre dois dias após o pleito) até 31 de dezembro.