quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Aécio Neves diz que sempre haverá espaço para uma 'figura da dimensão política' de Serra

O senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou nesta quinta-feira que sempre haverá espaço para uma "figura da dimensão política" do candidato derrotado à Presidência, José Serra (PSDB). "Acho absolutamente natural que o governador Serra continue participando do processo político", afirmou o mineiro, sobre o discurso o discurso do tucano após as eleições. Ao admitir a derrota, Serra sinalizou que não deixará a vida pública: "A minha mensagem de despedida não é um adeus, mas um até logo". Aécio Neves também minimizou o fato de não ter sido citado por Serra no discurso de despedida: "Ele fez a citação nominal de algumas figuras que estavam ali presente". Imitando o seu avô Tancredo Neves em todo começo e final de campanha, o playboy Aécio "Silvério dos Reis" Neves foi rezar na igreja da Serra da Piedade, na Caetés (MG). Para o ex-governador, o PSDB deve aproveitar o momento para fazer um diagnóstico. "O PSDB, em pelo menos, 10 Estados brasileiros é do ponto de vista regional frágil", disse. Ele afirmou que, apesar da derrota na disputa presidencial, o partido se fortaleceu: "Se PSDB não venceu eleitoralmente uma disputa que já se apresentava muito difícil, o PSDB se fortalece politicamente".

Alckmin teme que Aécio atue absoluto como porta-voz da oposição

O governador eleito Geraldo Alckmin (PSDB-SP) disse que é sua obrigação trabalhar junto com o governo de Dilma Rousseff. Na segunda-feira ele telefonou para a presidente eleita, colocando-se à disposição e propondo parcerias no Estado. Um dos mais fiéis aliados de José Serra na disputa pela Presidência, Alckmin alegou que, passada a disputa, os eleitos têm o dever de governar. Segundo Seabra, o telefonema é um sinal claro de que Alckmin pretende assumir liderança e não deixar o senador eleito por Minas Gerais, Aécio "Silvério dos Reis" Neves atuar, absoluto, como porta-voz da oposição.

Guido Mantega critica plano de US$ 600 bilhões dos Estados Unidos e alerta sobre orçamento brasileiro

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticou nesta quinta-feira a decisão do Federal Reserve de injetar mais dólares na economia norte-americana e mostrou preocupação com as discussões do Orçamento brasileiro para 2011. Segundo ele, a medida do Fed de comprar mais US$ 600 bilhões em títulos do governo tem "resultado duvidoso" se o objetivo é incentivar a recuperação econômica. "Esse crédito não está indo para a produção, o consumidor americano não está tomando crédito, o investidor não está tomando crédito para investir. Esse excesso de crédito acaba desvalorizando a moeda americana", disse a jornalistas. "O único resultado é desvalorizar o dólar para que tenha uma competitividade maior no comércio internacional. Tanto é verdade que hoje temos um déficit comercial com os Estados Unidos", acrescentou Mantega, reiterando que levará o tema para discussão na reunião de líderes do G20 (o grupo das 20 maiores economias do mundo), na próxima semana. Ele afirmou que, embora todos desejem a recuperação da economia norte-americana, "não adianta ficar jogando dólar de helicóptero". Mantega disse ainda que vê com preocupação o aumento das estimativas de receita no Orçamento brasileiro de 2011 pelo Congresso. De acordo com ele, a revisão não está baseada em fatos concretos.

Lula deixa para Dilma marcos regulatórios e diz não garantir vaga a ministros

Durante reunião ministerial nesta quinta-feira, o presidente Lula disse que deixará para o próximo governo o envio ao Congresso dos marcos regulatórios em discussão, como o da mídia e da mineração. Os dois temas não tem consenso dentro do governo e são repelidos pela sociedade civil, como no caso da imprensa. Lula pediu, no entanto, que os ministros dessas áreas encontrem uma solução encaminhada para o governo Dilma. "A Casa Civil tem que concluir esse processo de definição de um processo de várias medidas com os ministérios o mais rápido possível e isso vai ser apresentado para a equipe de transição da propriedade de se enviar ou de tomar essas medidas no final desse governo", disse o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais). Aos ministros, Lula pediu que concluam um balanço dos oito anos de sua gestão que será registrado em cartório. "Será o legado dos oito anos e o presidente quer tornar isso público e vai marcar uma data em dezembro para registrar isso com os ministros em cartório", afirmou.

Presidente da OAB-SP critica "atitudes xenofóbicas" de estudante contra nordestinos

O presidente da OAB de São Paulo, Luiz Flávio Borges D'Urso, divulgou nesta quinta-feira nota de repúdio às declarações de uma universitária que escreveu ofensas a nordestinos em redes sociais. D'Urso criticou as "atitudes xenofóbicas" contra "nossos irmãos do Nordeste" e destacou que as mensagens são graves, especialmente vindas de uma estudante de Direito. "Não podemos tolerar atitudes xenofóbicas, racistas, preconceituosas e intolerantes nas redes sociais. Insultar ou pedir a morte de quem quer que seja, receberá nosso repúdio, especialmente vindo de uma estudante de Direito que, ao invés de buscar a paz social, por divergência política incitou outras pessoas ao ódio, cujo alvo foram os nossos irmãos do Nordeste", afirmou D'Urso. A jovem, que estuda direito na Faculdades Mackenzie, postou no Twitter e no Facebook mensagens agressivas contra quem é do Nordeste, logo após confirmada a vitória de Dilma Rousseff (PT). "Nordestino não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!", disse ela no Twitter. No Facebook, afirmou: "Deem direito de voto para nordestinos e afundem o país de quem trabalhava para sustentar os vagabundos que fazem filho para ganhar o Bolsa 171". As duas contas foram deletadas no começo da semana, após ela ser alvo de críticas de outros usuários das redes sociais. A estudante também apagou seu perfil no Orkut, onde chegou a se desculpar pelas mensagens contra nordestinos. Esse advogado Luiz Flávio Borges D'Urso deveria também criticar os petralhas que, em blogs da campanha da petista Dilma, chamaram os paulistas de "bestas". Mas, é claro que ele não fará isso, nem a OAB paulista, porque transformaram-se todos aparelhos do PT. Na melhor das hipóteses, eles se deixam patrulhar pelo petralhismo, que procura tornar a manifestação da jovem desastrada estudante de Direito como se fosse uma posição das oposições. Essa é a grande canalhice em curso.

Papa aprova criação de primeiro seminário cubano em meio século

O papa Bento 16 manifestou sua alegria nesta quinta-feira com a inauguração do novo seminário de Havana, o primeiro construído pela Igreja Católica cubana após 50 anos. "Espero que a criação do seminário vele por uma esmerada preparação humana, espiritual e acadêmica da instituição rumo ao Ministério Sacerdotal", declarou o papa em mensagem enviada em seu nome ao cardeal de Havana, Jaime Ortega. O Seminário "San Carlos e San Ambrosio", que fica a 17 quilômetros da capital cubana, foi inaugurado na quarta-feira pelo ditador cubano, Raúl Castro. Em sua mensagem, o pontífice orientou aos formadores e os seminaristas: "Peço que se identifiquem a cada dia com os sentimentos de Cristo, por meio da oração assídua, da séria aplicação ao estudo, da digna celebração dos sacramentos e do testemunho de seu amor como autênticos discípulos e missionários do evangelho da salvação", disse ele. Bento 16 pediu a proteção de Nossa Senhora da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba, para o novo projeto e abençoou os cubanos.

Papa Bento 16 diz que Igreja Católica precisa de "purificação e reformas"

O papa Bento 16 disse nesta quinta-feira que a Igreja Católica passa por "provações e sofrimentos" e precisa de "purificação e reformas", em uma mensagem em ocasião do quarto centenário de canonização de São Carlos Borromeu. Em um texto endereçado ao arcebispo de Milão, cardeal Dionigi Tettamanzi, o pontífice assinalou que a instituição necessita de uma "conversão pessoal e comunitária" para atuar "com clara certeza no poder da oração e da penitência". Mesmo no tempo de Borromeu, que participou do Concílio de Trento (1545-1563), o qual buscava promover a união na igreja, e da Contra Reforma em seguida ao cisma protestante, o "rebanho de Deus atravessava tempos dolorosos e difíceis", afirmou o papa. "Muitas eram as desordens a serem sancionadas, muitos os erros para corrigir, muitas as estruturas para renovar, e todavia São Carlos" decidiu começar "pela própria vida" e "foi capaz de trabalhar em destaque notável e heróico nos estilos de vida que eram característicos da sua dignidade mundana". "Ele tinha consciência de que uma séria e confiável reforma deveria começar pelos pastores, para que tivesse efeitos benéficos e duradouros no interior do povo de Deus", afirmou o líder máximo da Igreja Católica. O papa, que em 20 de novembro nomeará 24 novos cardeais (inclusive o brasileiro Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida), recomendou a "sacros ministros, presbíteros e diáconos fazer de suas vidas um corajoso caminho de santidade, a não temer a exaltação daquele amor confiante em Cristo pela qual o bispo Carlos se dispôs a esquecer de si mesmo". Também nesta quinta-feira, o chefe de Estado do Vaticano celebrou uma missa de sufrágio pelos cardeais e bispos falecidos durante o ano, na qual pediu aos fiéis que saibam distinguir "a relatividade daquilo que é destinado a passar, diante daqueles valores que não conhecem a usura do tempo".

José Roberto Arruda participa de acareação com delatores do Mensalão de Brasília

O ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, acusado de ser o chefe do Mensalão de Brasília, esteve nesta quinta-feira pela primeira vez frente a frente com os delatores do esquema que abalou a política local. Por cerca de uma hora, José Roberto Arruda participou de acareação junto com os delatores Durval Barbosa e Edson Sombra, principais testemunhas do Mensalão de Brasília. Os três foram ao Conselho Nacional do Ministério Público, que investiga a participação de promotores no esquema de coleta e distribuição de propina. Eles foram convocados a pedido da promotora Deborah Guerner, principal investigada pelo Conselho Nacional do Ministério Público. Durval Barbosa era secretário de Relações Institucionais do governo Arruda quando, no ano passado, decidiu colaborar com a Justiça em troca de delação premiada. Edson Sombra, por sua vez, foi o pivô da prisão de Arruda no início do ano, quando o ex-governador foi acusado de tentar suborná-lo. Todos mantiveram as versões sobre a atuação da promotora, com exceção de um "ponto controverso". Segundo o delator do Mensalão de Brasília, Durval Barbosa, o ex-chefe do Ministério Público do Distrito Federal, Leonardo Bandarra, teria recebido mais de R$ 1,6 milhão, além de mesada, para interferir no Ministério Público e impedir investigações sobre os contratos do lixo. De acordo com Barbosa, a promotora Deborah Guerner seria a intermediária da negociação. Um das conversas, segundo depoimento de Barbosa, foi feita na sauna da casa da promotora. José Roberto Arruda, por sua vez, acusa o ex-governador e inimigo político Joaquim Roriz (PSC) de ter pago propina para a promotora Deborah Guerner. Arruda disse ter ouvido da promotora que Roriz lhe pagou R$ 2,4 milhões, divididos em três prestações de R$ 800 mil, para que não fosse investigado por irregularidades em sua gestão. O ex-governador depôs na condição de testemunha.

Entrada de dólares em outubro é a segunda maior do ano

A entrada de dólares no Brasil alcançou em outubro o segundo maior resultado do ano, apesar das medidas anunciadas pelo governo Lula para taxar investimentos estrangeiros no País. Dados do Banco Central mostram uma entrada de US$ 6,9 bilhões no mês passado. Somente em operações financeiras, foram US$ 5,1 bilhões. Ou seja, pura especulação, fundos especulativos procurando no Brasil a mais alta remuneração do planeta, devido aos juros do País. Esses dois resultados estão atrás apenas dos registrados em setembro, quando o fluxo de moeda estrangeira para o País foi influenciado  pela capitalização da Petrobras. Na época entraram US$ 16,7 bilhões no país em operações financeiras.

Proposta de governadores de recriação da CPMF é rejeitada pela OAB

A proposta feita por governadores do PSB à presidente eleita, Dilma Rousseff, de recriação da CPMF, o "imposto do cheque" derrubado pelo Senado em 2007, foi repudiada pela OAB, sub-aparelho do PT. Segundo o presidente da ordem, Ophir Cavalcante, a carga tributária já é extremamente excessiva. "Jogar novamente no colo da sociedade a responsabilidade pela saúde, enquanto a máquina pública só aumenta seu gigantismo, é preocupante. A OAB vê com extrema preocupação essa proposta que está sendo introduzida na pauta política do País", disse ele. Para Ophir Cavalcante, a questão da saúde precisa ser discutida dentro do contexto da reforma tributária. Dilma Rousseff afirmou na última quarta-feira que não enviará ao Congresso projeto de recriação da CPMF, mas sinalizou que pode vir a apoiar proposta semelhante por parte dos governadores, no caso, os governadores eleitos do PSB, que são uma linha auxiliar do PT, só fazem o que é mandado pelo Palácio do Planalto.

Centrais sindicais apresentam pedido para salário mínimo de R$ 580,00

As centrais sindicais apresentaram nesta quinta-feira ao relator do Orçamento da União de 2011, senador Gim Argello (PTB-DF), o pedido para o reajuste do salário mínimo dos atuais R$ 510,00 para R$ 580,00 no ano que vem. Os sindicalistas afirmam que, como há uma sobra de R$ 17 bilhões na proposta orçamentária de 2011, há espaço para o valor do mínimo crescer além dos cerca de R$ 540,00 previstos pelo governo federal. "Achamos que o Orçamento tem dinheiro sobrando, que tem que ir para as pessoas que mais precisam que são os aposentados e quem ganha o salário mínimo. Vamos jogar tudo na negociação", disse o presidente da Força Sindical, deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). Gim disse que vai atuar como intermediário entre as centrais e o governo para chegar a um reajuste "possível" em 2011. A pelegada sindical está toda ouriçada no País. Na campanha eleitoral José Serra se comprometeu a dar um salário mínimo de R$ 600,00 e a pelegada sindical mafiosa petista caiu em cima. Agora pedem quase o que Serra disse que era possível pagar.

Coréia do Norte comunista ainda sofre com insuficiência de alimentos

Muitas crianças na Coréia do Norte, país comunista paupérrimo e ultra-isolado, estão subnutridas e a assistência alimentar oferecida ao governo norte-coreano é insuficiente, disse uma alta autoridade da ONU nesta quinta-feira. "Eu vi muitas crianças que já estavam perdendo a batalha contra a subnutrição", disse Josette Sheeran, diretora-executiva do Programa Mundial de Alimentos da ONU, em Pequim, depois de retornar da capital norte-coreana, Pyongyang. "Seus corpos e mentes estão atrofiados e realmente sentimos a necessidade lá. Queremos ter certeza que alcançaremos as crianças mais vulneráveis", acrescentou. "Estamos muito preocupados porque nosso programa é financiado em apenas 20%. Estamos sofrendo interrupções na distribuição de suprimentos," disse ela, sem dar maiores detalhes. Inundações nos últimos anos prejudicaram a produção doméstica na Coréia do Norte, que enfrenta uma escassez crônica de alimentos e vem dependendo de ajuda da Coréia do Sul, China e do Programa Mundial de Alimentos da ONU. Mas sanções extensivas contra a Coreia do Norte devido ao seu programa nuclear dificultaram os esforços para atrair assistência alimentar. A fome dos anos 1990 matou um estimado número de 1 milhão de pessoas no país, na época em que tinha 22 milhões de habitantes. Cerca de 6,2 milhões da atual população da Coreia do Norte de 23 milhões precisam da comida do estrangeiro, senão morrem de fome. Esse é o sucesso do comunismo. Basta comparar com o desenvolvimento da Coréia do Sul, coladinha à outra.

Brasil fica em 73º lugar entre 169 países na lista de desenvolvimento humano da ONU

O Brasil ocupa a 73ª posição no ranking do IDH 2010 (Índice de Desenvolvimento Humano), em uma lista que traz 169 países. A colocação indica que o País apresenta desenvolvimento humano elevado, de acordo com relatório divulgado nesta quinta-feira pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). A categoria superior a essa, e máxima, é a dos países de "desenvolvimento humano muito alto". Segundo a Pnud, não é possível fazer uma comparação com o resultado brasileiro em 2009. Isso porque neste ano o relatório traz o "novo IDH", calculado a partir de metodologia e dados diferentes. O índice continua a ser composto por três dimensões: educação, saúde e renda. Na saúde, a variável usada ainda é a expectativa de vida, mas houve mudanças nos dados relativos à educação e à renda. O "IDH antigo" levava em conta a alfabetização e as matrículas no primário, ensino médio e superior. O "novo IDH" é calculado com base nos "anos médios de estudo" (número médio de anos de educação recebidos por pessoas com 25 anos ou mais) e nos "anos esperados de escolaridade" (número de anos de escolaridade que uma criança na idade de entrar na escola pode esperar receber).

Governadores do PSB defendem nova CPMF

Reunidos em Brasília, governadores do PSB defenderam nesta quinta-feira que a saúde ganhe uma nove fonte de financiamento. Na opinião dos socialistas, o setor está totalmente necessitado e só deve melhorar com mais dinheiro em caixa. Eles discordam, no entanto, se o tributo deve ser a CSS (Contribuição Social para a Saúde) ou se a volta da extinta CPMF (Contribuição Provisória Sobre a Movimentação Financeira). Na opinião do governador do Ceará, Cid Gomes, o mais adequado seria aprovar ainda este ano no Congresso Nacional a CSS, tributo que está sendo discutido com a alíquota de 0,1% destinado apenas para a saúde. "A depender de mim, a CPMF não volta, fica apenas a CSS. O claro é a necessidade do financiamento para a saúde, a União precisa de recursos a mais e o setor não pode esperar", disse. Já o presidente nacional do PSB, o governador de Pernambuco Eduardo Campos, disse que a CPMF deve voltar. O PDB é uma correia de transmissão do PT, que faz aquilo que é mandado pelo Palácio do Planalto.

Polícia Federal vai prorrogar novamente investigação sobre caso da petista Erenice Guerra

A Polícia Federal vai prorrogar por mais 30 dias o inquérito que investiga tráfico de influência na Casa Civil. O prazo se encerra neste sábado. A perícia ainda não concluiu a análise dos computadores usados por servidores do governo vinculados ao esquema. Entre os computadores periciados está o utilizado pela ex-ministra petista Erenice Guerra. Ela era secretária-executiva da Casa Civil e braço direito da então ministra Dilma Rousseff quando seus filhos e assessores da pasta montaram uma empresa de lobby que negociava contratos com o poder público. A Polícia Federal já ouviu mais de 30 pessoas no inquérito. Ninguém foi indiciado até agora. Ninguém deve levar fé nessa investigação da Polícia Federal, pela simples razão de que ela se transformou em um aparelhão do PT, é a polícia política do PT.

Procuradoria move ação contra quatro militares acusados por tortura na ditadura

Mortes ou desaparecimentos forçados de pelo menos seis pessoas, além de tortura contra outras 19 pessoas detidas pela Oban (Operação Bandeirantes) são as acusações que levaram o Ministério Público Federal a entrar com ação civil pública contra quatro militares reformados (três das Forças Armadas e um da Polícia Militar de São Paulo). Os réus são os militares reformados Homero Cesar Machado, Innocencio Fabricio de Mattos Beltrão e Maurício Lopes Lima, das Forças Armadas, e o capitão reformado João Thomaz, da Polícia Militar de São Paulo. A ação narra 15 episódios de violência promovida por agente estatal que vitimaram fatalmente pelo menos seis militantes políticos, entre eles Virgílio Gomes da Silva, o Jonas, apontado como líder do sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick. O Ministério Público Federal se baseou em depoimentos dados a tribunais militares por várias vítimas da Oban e informações mantidas em arquivos públicos. São citados os casos de Frei Tito, que se suicidaria quatro anos depois por sequelas da tortura, e da presidente eleita Dilma Rousseff, presa e torturada em 1970. Dentre os episódios narrados, destaca-se a violência sofrida pela família de Virgílio Gomes da Silva. Sua esposa Ilda, seu irmão Francisco e três dos quatro filhos do casal foram presos pela Oban. Ilda não só foi torturada como obrigada a assistir a aplicação de choques elétricos em sua filha Isabel, então com quatro meses de idade. O episódio foi narrado pela revista Veja de 21/2/79 e por Frei Betto no livro "Diário de Fernando - Nos Cárceres da Ditadura Militar Brasileira". A ação visa a declaração da responsabilidade civil dos militares, além de pagamento de indenização à sociedade, cassação das aposentadorias e ajuda com os gastos da União com indenizações para as vítimas. Além dos pedidos contra os acusados, o Ministério Público Federal também pede que a União e o Estado de São Paulo reparem danos imateriais, mediante um pedido de desculpas formal a toda a população em relação aos casos reconhecidos na ação. União e Estado deverão ainda tornar públicas todas as informações relativas às atividades desenvolvidas na Oban, inclusive a divulgação dos nomes completos de todas as pessoas presas ilegalmente ou legalmente pelo órgão, nomes de todos os torturados e de todos que morreram naquelas dependências, o destino dos desaparecidos e os nomes completos de quem contribuiu financeiramente para a sua atuação. Criada e coordenada pelo Comando do II Exército em 1969 e 1970, auge da repressão, a Oban visava agrupar o trabalho de repressão política estadual e federal, até então disperso entre as Forças Armadas e as polícias civis, militares e federal. Criado em São Paulo após a edição do AI-5 (Ato Institucional nº 5/68) e sob o comando do exército, o projeto ficou conhecido pelo uso da tortura como meio rotineiro de investigação e de punição de dissidentes políticos. Com base na experiência da Oban, as Forças Armadas criaram os Doi-Codi (Destacamento de Operações de Informação dos Centros de Operações de Defesa Interna) em todo o País que, a partir de 1970, centralizaram a repressão.

Lula pede que ministros "facilitem" processo de transição e se disponham a ajudar Dilma

Lula cobrou da Casa Civil mais empenho na coordenação das ações do governo até o fim de sua gestão "porque a coisas não estão andando como imaginamos que deveria andar". A Casa Civil é comandada por Carlos Eduardo Esteves, que assumiu a pasta no lugar da Erenice Guerra, demitida que deixou o cargo após as acusações de envolvimento com um esquema de tráfico de influência. Lula deixou para trocar Esteves depois da eleição para que o assunto não fosse alvo da campanha eleitoral, mas ainda não o fez. Ainda não há previsão se a troca de fato ocorrerá. Depois de pedir aos ministros que ajudem na transição, Lula passou a falar de economia e criticar a guerra cambial. "Vou à reunião do G20 e o grande problema que nós temos hoje na economia mundial é a guerra cambial", disse. Em seguida, a transmissão saiu do ar.

Movimentação do PMDB faz partidos pedirem seus "lotes" no governo Dilma

A movimentação do PMDB para ampliar seu espaço no governo de Dilma Rousseff já provoca reação nos demais partidos da aliança que deu sustentação à candidatura. PP e PTB não a apoiaram oficialmente, mas vão brigar por espaço no Executivo. Líderes de PR, PP e PTB discutem a montagem de um bloco no Congresso para ter mais peso não só na atuação legislativa, mas na negociação por cargos. Para congressistas do PR, a legenda precisa manter o Ministério dos Transportes, que é cobiçado pelo PMDB e pelo PT. Mas também falam em crescimento. "Fomos o primeiro partido a declarar o apoio a Dilma, em nenhum momento ficamos fora do palanque. Por isso, ao menos temos que manter o mesmo espaço no governo", disse o deputado federal Luciano Castro (PR-RR). A lógica é a mesma no PP, "dono" do Ministério das Cidades. "Não queremos nada de faz de conta. Queremos, sim, sempre crescer.  Não seria demais ficarmos com mais um ministério", disse Ciro Nogueira (PI). Dirigentes do partido dizem que até aceitam ceder a pasta que hoje ocupam desde que ganhem outras duas. A linha de pedidos é a mesma no PTB. O senador Gim Argello (DF) lembra que a legenda será a terceira maior bancada da base no Senado. Nas discussões para a formação de um bloco no Congresso, os três partidos conversam também com o PSC.

PSB discute espaço no governo Dilma

A Executiva Nacional do PSB esteve reunida nesta quinta-feira, em Brasília, para discutir a participação que terá no futuro governo da presidente eleita Dilma Rousseff. Ao chegar, dirigentes do partido preferiram não fazer cobranças, mas fizeram questão de lembrar que a legenda sempre foi uma aliada, estando sempre ao lado do presidente Lula. "O interesse do PSB nesse momento é ajudar a presidente eleita. Faremos tudo que for possível para que ela faça um excelente governo. Temos confiança que ela vai saber montar a sua equipe. Ela sabe do padrão e da relação como aliado que o PSB tem. Até porque ela viu o nosso apoio ao presidente Lula. Sempre nos colocamos para colaborar, nunca nos colocamos para constranger ou trocar apoio político por esse ou aquele cargo", disse o presidente do partido e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, coronelzinho nordestino igual ao que foi seu avô, Miguel Arraes. O governador esteve reunido na noite de quarta-feira com o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra.

Lula reúne ministros para discutir governo de transição e decisão do Banco Central dos Estados Unidos

O presidente Lula abriu a reunião ministerial desta quinta-feira anunciando que vai discutir, além do governo de transição, a decisão do banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, de injetar na economia americana um montante de US$ 600 bilhões até o segundo trimestre de 2011. Após a apresentação de Lula, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, começou a fazer uma avaliação da economia, afirmando que o crescimento deste ano deve ficar entre 7,5% e 8%, o melhor ano dos dois mandatos do presidente e dos últimos 25 anos. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, não compareceu porque está em viagem ao Exterior. Na véspera, Lula e Dilma tinham acusados os Estados Unidos e a China de promoverem uma guerra cambial e essa medida é uma das que causa maior preocupação aos países. Na avaliação de especialistas, o pacote do FED estimulará os maiores fundos de hedge do mundo a trazer ainda mais dinheiro para o Brasil, porque da maior taxa de juros do planeta que vigora no Brasil. Para o país, a medida terá como efeito nova rodada de apreciação do real, impondo mais uma derrota às tentativas do governo de controlar o fluxo de capitais do Exterior. É derrota porque esses imbecis se recusam a impor um imposto do tamanho dos juros aos capitais especulativos que procuram o país.

Começou! Cid Gomes defende Aécio Neves para presidente do Senado

O governador reeleito do Ceará, o neocoronel Cid Gomes (PSB), defendeu nesta quinta-feira que a presidente petista eleita Dilma Rousseff acerte um pacto entre os partidos da base aliada para levar o tucano Aécio Neves, eleito senador por Minas Gerais, à presidência do Senado. “Seria um belo aceno”, disse Cid Gomes. Segundo Cid Gomes, não se trata de “cooptar” a oposição, e sim de fazer um “pacto” pela governabilidade. É mesmo?!!!! Mais um que acha que o País não precisa de oposição, não deve ter oposição, que todo mundo deve estar no mesmo grande balaio das negociatas inventado pelo petismo. “Não estou falando em cooptar a oposição, trazer o DEM e o PSDB para o governo. Falo em fazer um pacto para que estruturas do Poder possam ser compartilhadas”, disse ele. Cid Gomes fala em discutir propostas que a oposição tenha para o Brasil e incluí-las, em parte ou totalmente, no projeto governista. Isso é o que se chama de emascular a oposição, ou torná-la eunuca, fazê-la responsável pelos sucessos ou insucessos do governo. Em contrapartida, a oposição ajudaria a aprovar projetos de interesse do governo: “Oposição por oposição, sinceramente não acho que tem que ter isso, não. Nós temos que ter propostas para o Brasil”, disse o neocoronelzinho cearense. É isso, o sujeito quer também controlar o ímpeto oposicionista de quase 80 milhões de eleitores brasileiros que não aceitaram a candidata do lulismo. Para Cid Gomes, existem vários tipos de oposição, a raivosa, a ideológica, e a bem-intencionada. “Oposição sempre existirá, mas tem que estar num patamar abaixo das preocupações fundamentais com o País”. O neocoronelzinho ainda quer definir o tipo de oposição que a oposição deverá fazer.

As promessas de Dilma e o dinheiro do bolso dos brasileiros

A petista Dilma Rousseff fez duas promessas solenes: melhorar a saúde e diminuir impostos. Eleita há quatro dias, a volta da CPMF já está sendo debatida, o que é um espetáculo de velocidade. Na terça-feira ela havia negado a possibilidade. Na quarta-feira ouviu em silêncio e coletiva-espetáculo montada por Lula no Palácio do Planalto, a qual serviu para ele demonstrar o quanto odeia a oposição. A petista Dilma deu a entender que os governadores é que serão convocados para pressionar o Congresso, e que a reivindicação por uma nova CMPF parte dos governadores. Mentira deslavada, Lula acionou a base de governadores eleitos do PSB, um braço auxiliar do PT, para que estes assumissem a paternidade da idéia, que na verdade é dele e de sua equipe. Agora, com imensa maioria no Congresso, o governo Dilma não terá dificuldade para impor mais este imposto à população, sem que nada venha a melhorar na saúde. O dinheiro do novo imposto será desviado para formar superávit privário, como sempre. Veja o que Dilma prometeu na área da saúde durante a sua campanha: criação de 500 UPAs; criação de policlínicas regionais; ampliação da distribuição gratuita de remédios; clínicas de prevenção do câncer por todo o Brasil; Rede Cegonha no Brasil inteiro, que compreende: a - clínicas da mulher; b - maternidades de alto e baixo risco; c - UTI neonatal; d - Samu Bebê e Samu Cegonha. Esse negócio é como as casas de Dilma. Ela prometeu 1 milhão, entregou 10% e anunciou mais 2 milhões durante a campanha.

Marco Alba é candidato a assumir o controle do PMDB gaúcho

Vai acontecer no dia 16 de dezembro a eleição do novo Presidente do PMDB do Rio Grande do Sul. Além dos deputados federal Ibsen Pinheiro (em fim de mandato) e estadual Márcio Biolchi, também o deputado estadual Marco Alba resolveu entrar na disputa. Na verdade, Marco Alba é outra "criatura" de Eliseu Padilha. Marco Alba, deputado estadual originário de Gravataí, foi o mais votado da lista do PMDB e comandou a virada histórica de José Serra na região metropolitana. Ele cumpriu mandato com êxitoso na Secretaria da Habitação do governo Yeda Crusius (PSDB). A candidatura de Marco Alba já tem o apoio de 30 prefeitos.

PMDB gaúcho apoiará o governo Dilma Roussef

Antes da eleição do novo diretório e da nova executiva do PMDB do Rio Grande do Sul, o partido terá que decidir a posição que tomará em relação ao governo Dilma Roussef. No partido já há consenso de apoio. O PMDB gaúcho respaldará qualquer convite de Dilma para que o deputado federal Mendes Ribeiro Filho integre o Ministério. Com isso, é claro, ficará também resolvido o problema do secretário geral do partido, deputado federal Eliseu Padilha, que não conseguiu se reeleger. Como primeiro suplente, ele assumirá o mandato se Mendes Ribeiro Filho for escolhido para um ministério.

Nova deputada do PT atrasa prestação de contas e poderá não ser diplomada.

Se o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul estiver decidido a fazer valer a lei, a nova deputada Ana Inês Afonso, do PT de São Leopoldo, não será diplomada, já que entregou sua prestação de contas fora do prazo. Ela fez uma campanha milionária no Vale do Sinos. Ana Inês Afonso, uruguaia de nascimento, é cunhada do prefeito Ary Vannazy, do PT de São Leopoldo.

Auditores da Receita protestam contra punições

A crise institucional na Receita Federal, aberta com a violação de dados protegidos por sigilo fiscal, está longe de acabar, ameaçando se estender no início do governo da presidente eleita, Dilma Rousseff (PT). A Medida Provisória (MP) 507, que prevê punições mais duras para os servidores que vazarem informações protegidas por sigilo fiscal, abriu um novo flanco de instabilidade no Fisco. Em protesto, a categoria iniciou nesta quinta-feira um movimento nacional para mudar o texto da MP, que só deverá ser votada no próximo ano. Os auditores decidiram não acessar durante todo o dia com as suas senhas os sistemas informatizados da Receita para chamar atenção para o problema e, "no limite", não descartam a greve. Eles querem ser ouvidos pela equipe de transição da futura presidente. Os auditores alegam que a MP traz insegurança para o trabalho de fiscalização do combate à sonegação, porque o ônus da prova de acesso imotivado de dados protegidos por sigilo fiscal caberá ao servidor. Para o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita (Sindifisco Nacional), Pedro Delarue, a MP foi feita de forma açodada pelo governo para dar uma resposta política aos casos de vazamento de informações durante a campanha eleitoral, quando dados de familiares de José Serra e do vice-presidente do PSDB foram violados. "Não podemos ser prejudicados em nome de uma resposta que o governo quis dar à sociedade", criticou o sindicalista petista. Uma das preocupações dos auditores é com o artigo 3º da MP, que trata de punições, inclusive com demissão, se houver acesso imotivado aos dados dos contribuintes. O dirigente sindical ressalta que numa investigação de uma empresa, por exemplo, o fiscal faz diversos acessos aos dados do contribuinte e nem todas as informações acabam sendo usadas no processo. "Anos depois fica difícil para o servidor lembrar de todos esses acessos", ponderou Delarue. Ele podia contar uma do papagaio também, para ver se a gente acredita.

Aécio Neves diz que PSDB tem de ter projeto antes de ter candidato

O senador tucano eleito por Minas Gerais, Aécio Neves, que passou a ser conhecido como o "Silvério Reis" da política mineira, disse nesta quinta-feira que, antes de ter um nome para concorrer à Presidência da República em 2014, o PSDB precisa definir um "projeto" a ser apresentado ao eleitorado do País. Ou seja, ele já está colocando seu nome na raia. Foi dessa forma que ele se manifestou sobre as colocações o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e também pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (SP). Ambos defendem que o PSDB antecipe para 2012 a escolha do seu candidato a presidente. "Temos que deixar que o tempo, com naturalidade, coloque aquelas alternativas que vão conduzir um projeto, mas, antes de ter um nome, temos que ter um projeto. Não podemos deixar novamente para o início do processo eleitoral a difusão das nossas idéias e das nossas propostas," afirmou Aécio "Silvério dos Reis" Neves. Segundo ele, o PSDB elegeu oito governadores que terão "papel extremamente importante" nas discussões programáticas que virão pela frente e que precisão estar afinados com suas bancadas no Congresso, onde essas discussões se darão. "O PSDB tem a responsabilidade e todas as condições, ao lado dos seus aliados DEM e PPS, e de outros que virão, de construir com tranquilidade e com serenidade um projeto alternativo para o país", disse Aécio Neves, que afirmou não ter a pretensão de ser líder da oposição: "Eu não me autoproclamo líder de absolutamente nada". Leia-se: está exatamente reivindicando para si o papel de liderança do processo sucessório em 2014. Aécio Neves afirmou que tem "delegação" do eleitorado mineiro para atuar no Senado em favor dos interesses de Minas Gerais e na busca de uma agenda de reformas, como a política e a tributária, que vislumbre o que chama de "refundação da Federação", a redistribuição de recursos com Estados e municípios. Quando ele fala em nome de Minas Gerais, significa dizer que Minas Gerais pensa ter um projeto para o País. O próprio Aécio Neves admite: "Não é agenda de um governo, é agenda de um País". O playboy mineiro é um bobo. Quanto mais cedo ele colocar a sua cabeça para fora, mais ansiosamente a petralhada o atacará e o desmoralizará. E essa é uma tarefa que não parece difícil, dados os hábitos e amizades de Aécio Neves.

Fernando Collor bancou 24% do custo de sua campanha

O senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) doou R$ R$ 810 mil para a própria campanha para o governo de Alagoas. Ele ficou em terceiro lugar na disputa e não chegou a disputar o segundo turno. A campanha de Collor arrecadou R$ 3.391.067,50 e gastou exatamente o mesmo valor, segundo prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral. O candidato bancou cerca de 24% do custo de sua campanha. O maior doador da campanha do ex-presidente foi o Diretório Estadual do PTB-AL, que recebeu R$ 1 milhão do Banco Alvorada, R$ 500 mil da Brasken e R$ 54,5 mil do próprio candidato. Do total arrecadado pelo diretório (R$ 1.574.490,00), 99,8% foi doado para a campanha de Collor (R$ 1.572.327,50). Entre os doadores da campanha estão três funcionários comissionados do gabinete do senador. Segundo a prestação de contas, eles doaram o equivalente a R$ 15,3 mil em serviços ou bens (doação não financeira). Três doações de R$ 22 mil, em dinheiro, foram feitas por três comissionados do senador ao diretório estadual do PTB-AL. Collor declarou à Justiça Eleitoral em julho ter um patrimônio de R$ 7,74 milhões.

Alemanha ordena primeira mulher rabino desde o Holocausto

Rabina Alina Treiger

Pela primeira vez em 75 anos, uma mulher foi ordenada rabino nesta quinta-feira na Alemanha, marcando a retomada de uma comunidade judaica devastada pela Shoah (Holocausto). Alina Treiger, de 31 anos, originária da Ucrânia, tornou-se rabina durante cerimônia emocionante em uma sinagoga do oeste de Berlim, que contou com a presença do presidente, Christian Wulff. Ela é a segunda mulher ordenada na Alemanha. A primeira, também do mundo, a conseguir o título foi Regina Jonas, em 1935. Ela foi assassinada em Auschwitz, em 1944, aos 42 anos. "Enchamos nossos corações de amor. Estejamos unidos no amor pelo Bem e pela vontade de impedir a violência e o conflito", disse Alina Treiger durante uma "oração para a Alemanha" pronunciada ao término de sua ordenação. No fim de novembro, Alina Treiger deve assumir a direção da comunidade da cidade de Oldenburg, próxima à Holanda. Ela afirma encarnar "a união de três culturas, a judaica, a alemã e a da antiga União Soviética". Nascida em Poltava, uma cidade de 300 mil habitantes que hoje pertence à Ucrânia, Alina Treiger estudou no colégio Abraham Geiger, de Postdã, próximo a Berlim. Criado em 1999, foi o primeiro seminário rabínico da Europa Continental desde o Holocausto. A trajetória da jovem mulher é símbolo da comunidade judaica alemã que, das cinzas da Shoah, tornou-se hoje uma das mais dinâmicas do mundo e é 90% composta por membros originários da extinta União Soviética. Após a queda do Muro de Berlim, a Alemanha abriu suas portas para os judeus do antigo império soviético, vítimas de um forte antissemitismo, fornecendo a eles a nacionalidade alemã. "Na Ucrânia, a religião era esquecida pela metade", contou Alina Treiger. Desde 1989, cerca de 220 mil judeus da antiga União Soviética chegaram à Alemanha, que contabilizava, na época, 30 mil judeus, contra cerca de 600 mil antes de Adolf Hitler chegar ao poder em 1933. As comunidades judaicas na Alemanha contam hoje com 110 mil membros, quatro vezes mais do que há 20 anos, segundo o Conselho Central de Judeus da Alemanha. Em Berlim, a comunidade judaica conta 11 mil membros, dois terços derivados da então União Soviética. A ordenação, chamada semikha, é acessível às mulheres unicamente no judaísmo liberal. As raras mulheres rabinos estudaram, em sua maioria, nos Estados Unidos. "É um dia extraordinário!", entusiasmou-se o rabino Daniel Freelander, vice-presidente da União do Judaísmo Progressista da América do Norte. As primeiras ordenações de rabinos na Alemanha depois do Holocausto ocorreram em 2006.

Banco Central Europeu confirma que não vai mais seguir política monetária do Fed

O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, confirmou nesta quinta-feira que não vai relaxar mais a política monetária do organismo e, por isso, não vai seguir os passos do Federal Reserve americano. Na entrevista coletiva após a reunião do conselho de governo, Trichet disse que a entidade vai manter sua estratégia de retirada gradual das medidas excepcionais aplicadas na crise, já que a situação nos mercados financeiros está se normalizando e a economia se recuperando. O Fed anunciou um controvertido plano de estímulo monetário mediante a compra de bônus no valor de US$ 600 bilhões para baratear os empréstimos e impulsionar a tímida recuperação econômica dos Estados Unidos. "As medidas não-convencionais são, por definição, de natureza temporária", argumentou Trichet. Por isso, o conselho de governo do Banco Central Europeu observará todos os eventos e informará em dezembro sobre o futuro da provisão de liquidez e a forma de adjudicação, o que se conhece como medidas não-convencionais, anunciou Trichet. O BCE mantém também o controverso programa de compra de dívida pública que iniciou em maio para apoiar o bom funcionamento do mercado de bônus públicos, que sofre atualmente tensões pela crise de endividamento européia.

PSDB quer oposição "forte" a Dilma, mas sem prática do "quanto pior, melhor"

Em carta encaminhada nesta quinta-feira a militantes, candidatos e colaboradores do PSDB, o presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), defende que o partido faça uma oposição "forte" à presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), mas sem a prática do "quanto pior, melhor". Mesmo depois de o presidente Lula afirmar que a oposição foi "raivosa" durante seu governo ao fazer a "política do estômago", o neocoronel nordestino Sérgio Guerra adotou um tom ameno ao propor a fiscalização do governo Dilma. O presidente do PSDB afirma, na carta, que as urnas deram ao PSDB a "obrigação" de fazer oposição ao governo Dilma, com a defesa de bandeiras tradicionais dos tucanos, como a liberdade de pensamento e do respeito às leis. "Nunca fomos, e não seremos agora, a favor do quanto pior melhor. Entretanto, as urnas deram ao partido a obrigação de fazer uma oposição forte, sem concessões. E para defender bandeiras como a defesa da liberdade de pensamento e do respeito às leis, nós precisamos, mais do que nunca, da ajuda permanente de vocês", diz na carta. Sérgio Guerra pede o apoio dos aliados para fiscalizar o novo governo a partir de janeiro de 2011: "A luta pela democracia não se faz só em época de eleição, mas todos os dias, em todos os lugares, reais ou virtuais. Para essa grande tarefa de fiscalização do governo e de difusão dos nossos ideais, contamos com vocês". Na carta, o tucano diz ainda que o PSDB "saiu maior, mais forte e unido" das eleições ao eleger oito governadores e manter bancadas "representativas" no Congresso e Assembléias Legislativas. Ou seja, ele já está propondo a política do "cavalherismo", o que nunca pode acontecer com adversários como o PT e os petistas.

Embraer faz contrato com Republic Airways para vender 24 jatos

A Embraer (EMBR5) informou nesta quinta-feira que concluiu com a Republic Airways Holdings as negociações do contrato para a venda de até 24 jatos Embraer 190, incluindo mais 24 opções, com direitos de conversão para o modelo Embraer 195. Segundo nota da companhia, seis dos 24 E-Jets são ordens firmes. As outras 18 aeronaves deverão ser confirmadas até 15 de abril de 2011. Os novos E-Jets - Embraer 190 AR com 99 assentos e Embraer 195 AR com 116 assentos, serão operados pela Frontier Airlines, transportadora de baixo custo de Republic adquirida pelo grupo em 2009.

Pirelli investirá US$ 300 milhões no Brasil até 2013

A Pirelli, fabricante italiana de pneus, vai investir US$ 300 milhões na expansão da capacidade de suas cinco fábricas no Brasil nos próximos três anos. Segundo a companhia, os recursos envolvem a ampliação de sua produção de pneus para caminhões, ônibus e carros de passeio em 30%. No segmento de agronegócio, a expansão será de 20%. Atualmente a produção anual da Pirelli no País é de 21,2 milhões de pneus, distribuída em três fábricas, localizadas nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Bahia. Os investimentos fazem parte do plano de investimentos de US$ 600 milhões previsto para a América Latina. No México será inaugurada uma nova fábrica, avaliada em US$ 210 milhões, e na Argentina a produção receberá reforço de US$ 100 milhões. No mundo, a Pirelli estima investimentos de US$ 1,9 bilhão em três anos. Até 2015, a companhia espera que dois terços do faturamento venham da América Latina e de outras economias emergentes.

Israel faz acordo com a Renault para testar carro elétrico

Renault elétrico, sem emissões
Em 2011, Israel e Dinamarca serão os primeiros mercados em que os motoristas de veiculos elétricos poderão parar em um posto de troca rápida de baterias. O unico carro compatível com o sistema de trocas de bateria será o  Renault Fluence ZE (zero emissões). A empresa Better Place será o operador exclusivo dos postos. A Renault já começou o teste para avaliar em clima quente dois protótipos do Renault Fluence ZE em Israel para bateria refrigerada a ar. Os carros também serão testados como os dois primeiros trocadores robóticos de baterias da Better Place. Sem duvida, os fabricantes de automovéis do mundo inteiro estarão observando cuidadosamente se o sistema da Better Place será um sucesso ou um fracasso. Até agora só a Renault-Nissan Alliance se comprometeu com o esquema de troca de bateria da Better Place. Para este sistema ser técnica e financeiramente viável, os fabricantes de automóveis terão que adotar um único tipo de formato para bateria afim de evitar um numero inimaginável de tipos de baterias nos estoques dos postos de troca. Outra questão técnica é a distribuição do calor. As baterias Renault-Nissan são refrigeradas a ar, enquanto várias outras fábricas estão usando refrigeração pela água para manter a temperatura na esperança de melhorar a performance e tempo de vida.

Mesmo dizendo absurdos, Lula ainda acerta mais do que os jornalistas

O momento mais interessante da entrevista coletiva que Lula deu no Palácio do Planalto, na manhã desta quarta-feira, acompanhado pela presidente eleita Dilma Rousseff, teve momentos que se poderia chamar de hilário. Por exemplo, o que está contido entre 18min47s e 22min55s do video abaixo.

Um jornalista, chamando a própria questão de “perguntazinha”, indaga: "Presidente, o quadro no Congresso agora vai ser um Congresso muito mais favorável à presidente Dilma do que foi com o senhor, que o governo vai ter muito aliados tanto na Câmara quanto no Senado. O senhor acha que ela vai ficar menos refém de oligarquias do Nordeste, por exemplo?" Lula respondeu daquele seu jeito: "Ô meu filho, eu vou dizer uma coisa pra vocês de coração! O Congresso é a cara da sociedade. Eu fico olhando vocês aqui, o Congresso é a média da cara de vocês. É isso. O Congresso é a média… É a síntese da sociedade brasileira. Tem gente de todo o espectro social, tem gente de todas as origens, tem de gente de todas as cores, tem gente de todos os Estados. A gente tem o hábito de tentar menosprezar, muitas vezes por preconceito. As pessoas são eleitas. Cê tem um cidadão que é eleito com 10 milhões de votos, outro que é eleito com mil, com um milhão de votos. Quando eles chegam aqui, cada um vale um voto, não tem melhor ou pior. Um presidente da República, ele se relaciona com a força política eleita. Ele não se relaciona com a força política que ele gostaria que fosse eleita. Então, a companheira Dilma, a nossa futura presidente, ele vai ter de se relacionar com os 81 senadores que estão aí, do DEM, do PTB, do PT, do PMDB, do PSB, ou seja, ela não vai inventar. Ela não pode criar um novo partido e criar novos senadores. São os que estão aí. E todos têm direito a um voto. Ela vai se reunir com Congresso Nacional e com uma Câmara do mesmo jeito. Ela não pode dizer: ‘Não, eu não quero aquele deputado, tem de vim outro’. Mas foi ele que foi eleito. Ela vai ter de conversar. Ela vai ter de conversar com o companheiro do PCdoB e vai ter de conversar com o Tiririca. Vai ter de conversar com o PP e vai ter de conversar com o PCdoB, com a oposição e com a situação. Essa é a lógica do jogo. Sabe? O que ela vai ter melhor do que eu tive? Ela vai ter, teoricamente, uma bancada mais consolidada na Câmara dos Deputados e vai ter uma bancada mais consolidada no Senado. Certamente, nós teremos alguns senadores com menos raiva do que alguns que saíram. Só o fato de o cidadão não ter raiva, só o fato de o cara ser civilizado e, ao invés de gritar, conversar; ao invés de querer bater, negociar, isso já é meio caminho andado. É importante lembrar que nós aprovamos tudo que nós queríamos no Congresso Nacional, com exceção da CPMF, que, embora a gente teve maioria, faltou um voto só para a gente ganhar a CPMF. Mas agora, essa nova safra de governadores que vão vir aí, eles vão dizer para vocês o que eles vão querer. E todo mundo sabe que vai precisar de dinheiro para a saúde. Se alguém souber da onde que é possível tirar dinheiro, que nos diga”. Depois de uma resposta dessas, cabe um comentário. Quer dizer, ilustre repórter, que um Senado menos oposicionista final, haverá de tornar Dilma menos refém do que foi Lula das “oligarquias do Nordeste”? Ilustre repórter, esclareça: desde quando as “oligarquias do Nordeste” atrapalharam Lula? Elas estiveram com ele desde sempre, são suas aliadas. A grande base que Dilma terá no Congresso será formada justamente de parlamentares eleitos no… Nordeste. Portanto, segundo a lógica do ilustre jornalista, Dilma será mais refém do que o próprio Lula. Mas a resposta do Babalorixá é estupenda. O Congresso, é verdade, é uma síntese do país. Aliás, Dilma e Lula também são. E com os jornalistas não é muito diferente, não. Foi preciso que Lula dissesse que seu governo aprovou o que bem quis no Congresso. Ora, se aprovou, então cadê aquela oposição sabotadora de que ele falara minutos antes? Lula admitiu por conta própria o que cumpria ao jornalismo interrogar, contradizendo-se, e os ilustres jornalistas são incapazes de apontar a contradição do reizinho. Ou seja, como ele mesmo diz, são iguais aos parlamentares nordestinos dos quais parecem desgostar tanto. Se o Congresso é a média do que vai na sociedade, então os oposicionistas que o compõem merecem ser tratados com o devido respeito. Lula já havia satanizado os adversários, diante do silêncio cúmplice e freqüentemente sorridente dos ilustres jornalistas. Compreensivo, Lula tratou de exaltar a rica fauna da Casa na qual, no passado, ele via 300 picaretas. E a única personalidade que citou como um dos exemplos do que pode ser o Congresso foi “Tiririca”, momento em que botou a mão no ombro de Dilma, como a lhe recomendar expressamente que tratasse o palhaço com o respeito merecido. A propósito: citar Tiririca como representante da média nacional, e dado que havia dito que os jornalistas presentes são expressão dessa mesma média, leva-nos a indagar: onde estariam os Tiriricas entre os jornalistas? Conclusão lógica, todos os jornalistas que ali estavam são Tiriricas. Isso é o jornalismo de hoje. Isso é o presidente de hoje. A oposição reagiu nesta quarta-feira mesmo à declaração de Lula de que DEM e PSDB foram “raivosos” durante os seus oito anos de governo e fizeram a “política do estômago” para prejudicá-lo na Presidência da República. Com a promessa de manter as críticas ao futuro governo de Dilma Rousseff (PT), mas sem ataques imediatos, líderes oposicionistas afirmaram que Lula enfrentou uma oposição “tranquila” no Congresso mesmo em momentos de crise, por isso teve uma reação infundada. “O presidente está novamente usando da ironia de baixo calão que lhe é peculiar. Precisa aprender que a democracia pressupõe convivência, inclusive de opostos. A futura presidente merecerá da oposição o mesmo tratamento respeitoso, atencioso, dentro dos princípios que permitam que termine o seu mandato”, disse o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR) afirmou que Lula teve a “oposição que pediu a Deus”, sem motivos para reclamar. “A oposição foi excessivamente generosa, responsável, construtiva. O que incomoda o presidente até hoje foi a única derrota que ele teve no Congresso, a derrubada da CPMF". Para o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), Lula teve uma oposição “compreensiva” no seu mandato, mas insistiu em ataques durante a campanha eleitoral. Não dá para esquecer que Lula fez uma ameaça nada velada aos governadores eleitos de oposição. Prestem atenção a este trecho da entrevista, quando ele já havia dito o diabo sobre a oposição: “Eu acho que a oposição tem um outro papel, e ela pode fazer isso, até porque a oposição governa Estados importantes da federação e sabe que a relação institucional entre Estados e o governo federal tem que ser a mais harmoniosa possível porque senão todos perdem”. Aquela conversa de que Lula nunca viu a cor partidária do governante é mentirosa, evidentemente. Os seus aliados sempre foram mais bem-aquinhoados com verbas públicas e investimentos. O governo Dilma terá uma maioria folgada no Congresso. Não obstante, Lula sabe que as oposições elegeram 10 governadores, vão governar 52% da população e uns 60% do PIB. E se essa gente decide realmente atuar como um partido de oposição, segundo as regras da democracia? Aí Lula afirma que “todos perdem”. Que “todos” é esse? É evidente que se trata de uma ameaça descarada aos governadores. Mais adiante, ao falar sobre a CPMF, voltou a falar sobre os governadores, que também têm interesse numa saúde melhor. A entrevista coletiva foi um bate-papo, em que Lula falou o que bem entendeu, com aquele seu jeito desabrido de sempre, a simpatia habitual, os gracejos dirigidos a jornalistas, que a todos encantam, as simplificações e, no fim, uma nota de inacreditável descortesia com José Serra, o que provocou, evidentemente, o riso dos ilustres jornalistas. Embora Lula concedesse uma entrevista com o peito humildemente estufado de quem tivesse vencido o pleito por, sei lá, 83% a 17%, a verdade verdadeira é que teria bastado que 6,05% dos eleitores votantes mudassem de lado para que fosse tragédia o que agora é triunfo. Lula disse: “O que eu queria pedir à oposição é que, a partir do dia 1º de janeiro, contra mim não tem problema, podem continuar raivosos, podem continuar do jeito que sempre foram, mas, a partir do dia 1º de janeiro, que eles olhassem um pouco mais o Brasil; que eles torcessem para que o Brasil desse certo; que eles ajudassem o Brasil a dar certo; que, cada vez que tome uma atitude, ao invés de prejudicar o presidente, eles prejudiquem a parte mais pobre da população que precisa do governo e que precisa das políticas públicas do governo. Então eu espero, eu não vou falar aqui em unidade nacional, porque essa é uma palavra já queimada, já mal usada, mas eu queria apenas pedir a compreensão, é que, dentro do Congresso Nacional, a nossa oposição não faça contra a Dilma a política que fez comigo, a política do estômago, a política, eu diria, da vingança, a política do ‘trabalhar para não dar certo’. Eu acho que a oposição tem um outro papel, e ela pode fazer isso, até porque a oposição governa estados importantes da federação, e sabe que a relação institucional entre estados e o governo federal tem que ser a mais harmoniosa possível porque senão todos perdem". Trata-se de um discurso autoritário, que sataniza os adversários. É uma clamorosa mentira histórica afirmar que foi esse o comportamento das oposições durante o seu governo. Ao contrário: o que hoje qualquer pessoa razoável tem claro é que faltou justamente “opor-se”. Os brasileiros devem olhar para o resultado também das eleições nos Estados Unidos. Lá, os republicanos derrotados há dois anos por Obama decidiram que iriam fazer uma implacável, diária, sem trégua. Agora colheram uma retumbante vitória sobre o presidente populista que não consegue resolver os problemas do país. É isso que se espera aqui, que a oposição desempenhe o seu papel com muita veemência, o tempo todo. Lula não quer isso, é claro, e já está procurando vacinar todo mundo antecipadamente, tentando emascular a oposição antes mesmo do começo dos mandatos dos novos parlamentares.

Deputado federal Mendes Ribeiro Filho diz que "PMDB vai fazer o que a Dilma disser"

O deputado federal gaúcho reeleito Mendes Ribeiro Filho apoiou Dilma Rousseff desde o início, mesmo com o fato de o PMDB gaúcho ter apoiado José Serra no segundo turno. Segundo ele, "o Rio Grande do Sul será muito bem beneficiado com a Dilma no governo". Mendes Ribeiro ainda afirmou: "O PMDB vai fazer o que a Dilma nos mandar fazer. Nenhum partido com tantas contradições consegue chegar tão longe como o PMDB. Mas desta vez teremos uma participação no governo Dilma como em nenhum outro". Segundo Mendes Ribeiro, a participação sempre se deu de maneira não legítima: "Desta vez o PMDB é vice-presidente, é comprometido com o governo, não tem que olhar cargos, mas assumir a responsabilidade de governar o Brasil". Para o peemedebista, Michel Temer é um articulador político que "ninguém pode abrir mão, ele não foi presidente da Câmara por três vezes de graça".

Tarso Genro anuncia Carlos Pestana como chefe da Casa Civil

Tarso Genro anunciou peremptoriamente na tarde desta quarta-feira o nome do ex-vereador petista Carlos Pestana como chefe da Casa Civil de sua futura adminsitração. O ex-vereador Pestana coordenou a campanha do governador eleito ao Piratini. Tarso revelou também que o ex-superintendente da Assembléia Legislativa, o petista João Motta, será o secretário do Planejamento.

Tarso Genro convida formalmente o PDT a integrar seu futuro governo

O peremptório petista Tarso Genro convidou formalmente o PDT a integrar o seu futuro governo para cargos de primeiro escalão. A reunião com os pedetistas ocorreu na sede do partido, na rua Félix da Cunha, no bairro Floresta, em Porto Alegre. O PDT reconhece que há uma tendência em participar do governo do peremptório petista Tarso Genro, mas que a resposta oficial será dada ao governador eleito após o encontro do diretorio estadual da legenda, que será realizado no dia 21. O prefeito de Porto Alegre José Fortunati (PDT) solicitou, na reunião, que o apoio do PT a sua reeleição como prefeito em 2012 fosse retirada da pauta de discussão. O apoio do PDT é importante para o governo de Tarso conquistar maioria na Assembléia Legislativa.

Deputados federais eleitos gastaram R$ 28,6 milhões nas campanhas no Rio Grande de Sul

Deputados federais eleitos pelo Rio Grande do Sul gastaram R$ 28,6 milhões nas campanhas. Dos 31 eleitos, 13 declararam terem gasto mais de R$ 1 milhão. Poucos gastaram menos de R$ 500 mil. Os dados são retirados das declarações entregues ao Tribunal Regional Eleitoral. O candidato que ficou com a última vaga na Câmara dos Deputados, Alexandre Roso, foi o que declarou menos gastos, entre os eleitos. Ele declarou R$ 185 mil de despesas e conseguiu 28 mil votos. O segundo mais econômico entre os eleitos foi um dos mais votados. Danrlei, do PTB, gastou R$ 196 mil e fez uma votação expressiva, de cerca de 173 mil votos. Quem mais gastou foi o deputado federal José Otávio Germano, do PP: R$ 2,467 milhões. Ele é conhecido como "Fala, liderança".

Empresária confessa que deu ajuda a grupo de espionagem da campanha de Dilma

O empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, conhecido como Bené, confirmou à Polícia Federal, na última sexta-feira, que deu no primeiro semestre uma "ajuda" à casa onde funcionou a coordenação de comunicação da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT), dirigida pelo jornalista Luiz Lanzetta. Benedito contou que frequentava a casa, no Lago Sul, duas vezes por semana. O local, segundo ele, também era frequentado por petistas. Lanzetta deixou a campanha em junho após vir à tona o escândalo da quebra do sigilo fiscal dos tucanos. O empresário Benedito de Oliveira é sócio de empresas que têm contratos com o governo federal, entre elas Dialog Eventos e Gráfica Brasil. Juntas, faturaram mais de R$ 214 milhões desde 2004. As empresas são alvos de investigação do Tribunal de Contas da União e da Controladoria-Geral da União por suspeitas de irregularidades em licitação e prestação de serviços. Benedito bancou os custos de uma casa no Lago Sul da pré-campanha de Dilma. "Era apenas uma ajuda na questão administrativa para a empresa de Lanzetta", afirmou, em depoimento prestado na sexta-feira sobre a violação do sigilo fiscal de tucanos. "Que por conta dessa ajuda frequentava a casa onde estaria instalada a empresa de Lanzetta e que a imprensa chamava de comitê de campanha", afirmou. Ele disse que, embora não fosse um comitê oficial, era "comum a presença de membros do partido do PT na referida casa". No local, funcionou o bunker de comunicação então comandado por Lanzetta. O empresário e o jornalista participaram do encontro em Brasília no restaurante Fritz, em abril deste ano, com o jornalista Amaury Ribeiro Jr. e mais duas pessoas. Naquele dia, teriam discutido o dossiê que Amaury preparou contra pessoas ligadas a José Serra (PSDB), então candidato a presidente contra Dilma Rousseff. O jornalista foi indiciado pela Polícia Federal por ter encomendado e financiado a violação do sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, da filha e do genro de Serra e outros tucanos.

Pesquisador renuncia por censura no Arquivo Nacional

Dificuldades no acesso a documentos do regime militar durante o período eleitoral levaram o historiador Carlos Fico a renunciar ao cargo que ocupava no projeto Memórias Reveladas, que reúne informações sobre a ditadura. O professor acusa o Arquivo Nacional de impedir a consulta dos papéis, "sob a alegação de que jornalistas estariam fazendo uso indevido da documentação, buscando dados sobre os candidatos envolvidos na campanha eleitoral". Carlos Fico, que é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e era presidente substituto da Comissão de Altos Estudos do projeto, enviou nesta quarta-feira sua carta de renúncia ao presidente do Arquivo, Jaime Antunes. O historiador afirma que uma de suas alunas solicitou acesso a documentos do período do regime militar e foi informada por um funcionário de que "os acervos estavam fechados". Na semana passada, o professor enviou um novo requerimento de consulta aos arquivos e também teve o pedido negado. Segundo Carlos Fico, uma funcionária pediu que ele entrasse em contato com o diretor-geral do Arquivo Nacional na última sexta-feira, último dia da campanha eleitoral. "Não é normal que um pesquisador precise se dirigir ao diretor-geral para ter acesso a documentos. É um procedimento burocratizado", afirma: "Para mim, são evidentes os motivos pelos quais eu teria que esperar até o dia 29, com o término da campanha". O projeto Memórias Reveladas foi oficialmente criado em 2009 pela Casa Civil da Presidência da República. Na nota de apresentação da instituição, a então ministra Dilma Rousseff define o projeto como "um marco na democratização do acesso à informação". Carlos Fico garante que as informações solicitadas por ele e por sua aluna não têm qualquer relação com os candidatos que disputavam o segundo turno das eleições até o último domingo. "Eu interpreto essa medida como um excesso de cautela, uma coisa completamente sem sentido. Essa é a razão da minha renúncia", diz ele. Para o historiador Carlos Fico, o acesso a documentos referentes ao regime militar está cercado de procedimentos burocráticos, que antecedem o episódio do período eleitoral. Ele alega ainda que a decisão de manter documentos em sigilo em nome da privacidade dos indivíduos citados nos papéis prejudica o trabalho de pesquisadores e o resgate da memória da sociedade brasileira.

Israel suspende cooperação com Unesco devido a decisão sobre local sagrado

O governo de Israel decidiu nesta quarta-feira suspender a cooperação com a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em protesto contra a decisão do órgão de que a tumba de Raquel, um local sagrado para os judeus, em Belém, na Cisjordânia, também é uma mesquita. O vice-ministro israelense de Relações Exteriores, Daniel Ayalon, declarou que Israel "suspendeu sua cooperação com a Unesco até que o órgão anule sua decisão", qualificada como "uma nova tentativa de deslegitimar Israel, urdidos pela Autoridade Palestina". "Decisões como esta distanciam ainda mais o processo de paz e prejudicam a reputação da Unesco", continua o funcionário em um comunicado de seu gabinete. O conselho executivo da Unesco adotou em 21 de outubro cinco resoluções sobre os territórios palestinos e árabes ocupados por Israel. Uma delas envolvia a "mesquita Bilal Bin Rabah/Tumba de Raquel em Belém", terminologia rechaçada por Israel. A tumba em que, segundo a tradição, repousam os restos mortais da matriarca bíblica Raquel, terceiro lugar sagrado do judaísmo, também é sacra para os muçulmanos. O enclave está sob controle do Exército israelense na cidade autônoma palestina de Belém. A Tumba dos Patriarcas, chamada pelos islâmicos de mesquita de Ibrahim (nome muçulmano de Abraão), é um local sagrado tanto para os judeus como para os muçulmanos. Segundo a tradição, nela estão enterrados Abraão e seus primeiros descendentes.

Procuradora pede devolução de folhetos contra o PT

A vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, pediu a revogação da liminar concedida pelo Tribunal Superior Eleitoral que culminou com a apreensão de um milhão de cópias do "Apelo a todos os Brasileiros", folheto que a Diocese de Guarulhos, na Grande São Paulo, mandou fazer condenando a descriminalização do aborto com recomendação aos eleitores para que não votassem em Dilma Rousseff (PT). O parecer da procuradora foi entregue ao Tribunal Superior Eleitoral no dia 30, um dia antes do segundo turno das eleições. Ela se manifestou pela devolução "de todo material" à Mitra Diocesana de Guarulhos. A apreensão ocorreu dia 17 de outubro. Cumprindo ordens do ministro Henrique Neves, do Tribunal Superior Eleitoral, a Polícia Federal (polícia política do PT) vasculhou a Editora Gráfica Pana, na capital paulista, onde encontrou os folhetos. A operação foi provocada por representação da campanha da petista Dilma. Segundo a representação, liminarmente acolhida pelo TSE, o conteúdo do apelo "é eminentemente político, contendo alusões claras à Presidência da República" que teriam o intuito de "denegrir a imagem da candidata do PT perante o eleitorado, por meio da propaganda eleitoral com conteúdo político, negativo, ofensivo e falso". O PT sustentou ainda que "do ponto de vista eleitoral, as ilações jamais poderiam ter sido levadas a efeito pelas autoridades eclesiásticas, pois há posicionamento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na linha de que a Igreja não faz política partidária". Em sua manifestação a procuradora Sandra Cureau destaca que a diocese afirmou nos autos que o documento é verdadeiro e foi aprovado pelo Conselho Regional Episcopal Sul 1, designado pela CNBB. A procuradora assinala que a controvérsia "diz respeito apenas à caracterização do panfleto elaborado pela Comissão em Defesa da Vida da Regional Sul 1 da CNBB como propaganda eleitoral e à possibilidade de que seu conteúdo seja objeto de fiscalização pela Justiça Eleitoral". "O regime jurídico da propaganda eleitoral tem como uma de suas finalidades assegurar a igualdade entre os candidatos no pleito eleitoral e impedir que a vontade do eleitor seja conduzida de forma ilegítima, pela utilização de artifícios ou mesmo de abuso de poder", observa Sandra. "No entanto, esse regime jurídico não impede que grupos sociais manifestem suas opiniões ante ao pleito eleitoral e ao posicionamento dos candidatos a cargos eletivos e seus respectivos partidos". Sandra Cureau é categórica: "Da detida análise dos panfletos apreendidos verifico que, embora os mesmos tenham caráter claramente político e exprimam posicionamento quanto às eleições, à medida que recomendam votos ''somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários ao aborto'', seu conteúdo não pode ser conceituado como propaganda eleitoral, pois não foi elaborado por candidato ou partido político". Para a procuradora, "a mensagem (dos folhetos da Diocese de Guarulhos) nem mesmo é propriamente orientada à conquista de votos, até porque não indica voto em qualquer candidato, mas à divulgação de idéias e diálogo político sobre tema bastante controvertido na sociedade brasileira e que, por muitas razões, ocupou considerável espaço nessa disputa eleitoral". Segundo ela, "a manifestação de pensamento sobre o aborto ou qualquer outro tema, seja expressando posicionamento favorável ou contrário, é assegurada pela ordem constitucional e nada há de ilegal em escrutinar os posicionamentos dos partidos políticos, candidatos, apoiadores, sobre temas polêmicos, apenas porque se trata de período eleitoral". Bom, e agora como é que fica? O PT fez uma representação que falseou a verdade, o Tribunal comprou a versão petista, e uma parcela da Igreja Católica não pôde cumprir sua missão porque seus panfletos estavam retidos judicialmente. É para isso que servem juízes, para cercear a liberdade de pensamento e da livre expressão das idéias? E juízes que sequer são capazes de saber que a CNBB é apenas uma instituição privada, que não fala pela Igreja? Aliás, a fala do Papa Bento XVI a bispos brasileiros, na antevéspera da eleição, em Roma, deixou bem claro o papel da Igreja e de seus pastores. Quem paga o prejuízo agora?

Argentina recorre à Casa da Moeda brasileira para imprimir pesos

A direção do Banco Central da Argentina pediu à Casa da Moeda brasileira que imprima as notas de 100 pesos para evitar a falta da cédula diante do esperado aumento do consumo no fim do ano. É a primeira vez que a Argentina pede esse tipo de ajuda ao Brasil. "A Casa da Moeda argentina está no seu limite de produção e não tem capacidade tecnológica para ampliar a fabricação de notas. Por isso, a decisão de recorrer ao Brasil", disse um assessor do Banco Central argentino. Na prática, a Argentina enviará para a Casa da Moeda brasileira a quantidade de papel necessária para a impressão e, depois, cuidará do controle de qualidade das cédulas, antes da sua distribuição no mercado. A decisão de recorrer à Casa da Moeda brasileira foi tomada na última segunda-feira, durante reunião do diretório do Banco Central argentino, em Buenos Aires. A Casa da Moeda do Brasil e a Casa da Moeda da Argentina possuem um acordo chamado de União Transitória de Empresas que, segundo o Banco Central argentino, prevê este tipo de socorro.

Lula prorroga mandato de presidente da Anatel por mais um ano

O presidente Lula decidiu prorrogar por mais um ano o mandato de Ronaldo Sardenberg na presidência da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). O mandato dele no comando da agência se encerraria nesta quinta-feira. Lula não irá indicar ninguém para a vaga do conselheiro Antonio Bedran, cujo mandato como conselheiro se encerra também nesta quinta-feira. O presidente disse que vai deixar para a sua sucessora, Dilma Rousseff, fazer a nomeação. Lula também decidiu manter no cargo o presidente dos Correios, David José de Matos. Ele foi indicado para a vaga pela petista Erenice Guerra, que deixou o governo após denúncia de tráfico de influência.

Câmara paulistana adia votação de projeto que eleva salário de Kassab

A Câmara de São Paulo se dividiu na tarde desta quarta-feira e não conseguiu aprovar nem rejeitar o projeto da Mesa Diretora que eleva o salário do prefeito Gilberto Kassab (DEM) em 95% e o dos 25 secretários municipais em 283%. Para ser aprovado ou rejeitado, eram necessários 28 votos (mais da metade dos 55 vereadores), mas, dos 41 presentes, 20 votaram contra e 19 votaram a favor, dois se abstiveram. Se o projeto fosse aprovado, a remuneração de Kassab passaria de R$ 12.384 para R$ 24.117 e a dos secretários iria de R$ 5.344 para R$ 20.499. Já o salário da vice-prefeita, Alda Marco Antônio, subiria de R$ 5.504 para R$ 21.705. A proposta cria um parâmetro permanente, usando como base o salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal, R$ 26.723,00. O prefeito poderia receber até 90,25% do valor pago a um ministro do Supremo.

MEC quer rever veto a livro de Monteiro Lobato

O ministro da Educação, Fernando Haddad, pedirá que o Conselho Nacional de Educação reveja o parecer que recomendou restrições à distribuição do livro "Caçadas de Pedrinho", de Monteiro Lobato, em escolas públicas. O conselho sugeriu que a obra não seja distribuída pelo governo ou, caso isso seja feito, que contenha uma "nota explicativa", devido a teor racista. Haddad disse ter recebido diversas reclamações de educadores e especialistas contra a decisão do Conselho Nacional de Educação. "Foram muitas manifestações para que o MEC afaste qualquer hipótese de censura a qualquer obra", afirmou. Ele disse não ver racismo na obra, mas ainda assim não descartou a possibilidade de editoras redigirem as notas explicativas sobre o contexto em que determinada obra foi escrita quando isso for considerado necessário. Para o ministro, qualquer que seja a decisão do CNE, ela deverá valer para todos os livros e não para apenas um específico. Publicado em 1933, "Caçadas de Pedrinho" relata uma aventura da turma do Sítio do Picapau Amarelo na procura de uma onça-pintada. Conforme o parecer do CNE, o racismo estaria na abordagem da personagem Tia Nastácia e de animais como o urubu e o macaco. "Estes fazem menção revestida de estereotipia ao negro e ao universo africano", diz a conselheira que redigiu o documento, Nilma Lino Gomes, professora da UFMG. Entre os trechos que justificariam a conclusão, o texto cita alguns em que Tia Nastácia é chamada de "negra". Outra diz: "Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão". Em relação aos animais, um exemplo mencionado é: "Não é à toa que os macacos se parecem tanto com os homens. Só dizem bobagens". Por isso, Nilma sugere ao governo duas opções: 1) não selecionar para o PNBE obras que descumpram o preceito de "ausência de preconceitos e estereótipos"; 2) caso a obra seja adotada, tenha nota "sobre os estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos raciais na literatura". E desse tipo de besteira é feita a educação nacional. Que monumental ignorância..... Imagine cada livro de Machado de Assis esperando um "parecer" desses tipos do Conselho, ordenando que contenha "nota explicativa" dizendo que o autor era "monarquista" e "escravista". Essa gentalha petista não tem limites.

Procuradoria recorre contra sentença que extinguiu processo sobre venda de sentenças

O Ministério Público Federal em São Paulo recorreu da decisão da juíza substituta da 1ª Vara Federal Criminal de São Paulo, que extinguiu o processo penal contra doze denunciados na Operação Têmis, da Polícia Federal, que investigou uma "quadrilha" que supostamente vendia sentenças judiciais com o objetivo de fraudar a Receita Federal e, em menor escala, permitir o funcionamento de bingos. A juíza Paula Mantovani, após receber a denúncia da Procuradoria e iniciar o processo, extinguiu o caso sem julgamento de mérito e declarou as provas nulas (notadamente interceptações telefônicas) colhidas contra os acusados. Para os procuradores Marta Pinheiro de Oliveira Sena e Roberto Antonio Dassié Diana, responsáveis pelo recurso, não poderia um Juízo de primeiro grau decidir em sentido contrário uma questão que já havia sido decidida em instâncias superiores, nesse caso o Tribunal Regional Federal da 3ª Região e o Superior Tribunal de Justiça. Segundo o Ministério Público, a regularidade das interceptações telefônicas já havia sido reconhecida pelo TRF e pelo STJ quando houve o recebimento parcial da denúncia, em 2009. Por unanimidade, o Superior Tribunal de Justiça afastou a nulidade das interceptações telefônicas e suas prorrogações. A Justiça Federal de São Paulo recebeu a denúncia da Procuradoria em setembro de 2009. Em seu despacho, a juíza reconheceu a existência de justa causa como condição da ação penal. Os réus foram denunciados por diversos crimes, entre eles formação de quadrilha, tráfico de influência, Corrupção ativa, exploração de prestígio e fraude processual. Posteriormente, antes da sentença de mérito, a juíza voltou atrás e afirmou que a justa causa não estava mais presente. Ao anular o processo, a magistrada sustentou que a autorização da quebra de sigilo telefônico dos acusados teve por fundamentação apenas a delação premiada de uma testemunha, e que isso, no seu entender, não seria suficiente para as quebras de sigilo sem outras diligências.