domingo, 9 de janeiro de 2011

Indústria perde R$ 17,3 bilhões e deixa de criar 46 mil vagas com importações

Pressionada pelas importações, a indústria brasileira de transformação perdeu R$ 17,3 bilhões de produção e deixou de gerar 46 mil postos de trabalho em apenas nove meses de 2010. A informação é de um estudo inédito da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que mediu o impacto que o processo de perda relativa do setor na formação do Produto Interno Bruto (PIB) apresenta na economia brasileira. Em dois anos, o chamado coeficiente de importação, que mede o porcentual da demanda interna suprido por produtos vindos do Exterior, subiu quase dois pontos. Passou de 19,6%, no acumulado de janeiro a setembro de 2008 (pré-crise), para 21,2%, no mesmo período de 2010. Se o setor não tivesse perdido participação para os produtos estrangeiros, as importações do setor cairiam de R$ 232,4 bilhões para R$ 215,1 bilhões, segundo a Fiesp. Ao mesmo tempo, a produção doméstica subiria de R$ 1,055 trilhão para R$ 1,072 trilhão. Esse crescimento da produção, de 1,6%, geraria aumento de 0,58% do emprego industrial. "O País não pode se dar ao luxo de abrir mão de sua indústria na sua estratégia de desenvolvimento", afirma o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. No fim dos anos 1980, a indústria de transformação representava 27% do PIB brasileiro. Hoje, baixou para 16%, calcula a Fiesp com base na nova metodologia do Instituto Brasileiro de Geografia Estatísticas (IBGE), adotada a partir de 2007. "É uma equação difícil de ser resolvida e não tem solução de curto prazo", diz Paulo Francini, diretor do departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp. "Além do problema do cambio valorizado, há a questão do custo Brasil, que acentua a perda de competitividade da nossa indústria". Não é de hoje que a indústria vem perdendo espaço. "O País está se desindustrializando desde 1992", diz o ex-ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser-Pereira. Para ele, o Brasil perdeu a possibilidade de "neutralizar a tendência estrutural à sobreposição cíclica da taxa de câmbio" quando fez a abertura financeira, no quadro de acordo com o FMI: "Em consequência, a moeda nacional se apreciou, as oportunidades de investimentos lucrativos voltados para a exportação diminuíram, a poupança caiu, o mercado interno foi inundado por bens importados e muitas empresas nacionais deixaram de crescer ou mesmo quebraram".

Colômbia extradita a "rainha das anfetaminas"

O governo colombiano extraditou para os Estados Unidos na sexta-feira Beatriz Elena Henao, que estava na lista da Interpol das 10 mulheres mais procuradas do mundo. Conhecida como a "rainha das anfetaminas", Beatriz agora será julgada pela corte de Nova York por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Ela é acusada de enviar grandes quantidades de anfetamina para os Estados Unidos, Espanha e Holanda. Segundo a polícia colombiana, o fato de Beatriz falar inglês, alemão e holandês, além do espanhol, facilitava suas transações no mercado internacional de drogas. Ela teria vendido mais de 300 mil unidades da droga. A colombiana, que tem 45 anos e é formada em ciência política, é considerada o contato internacional do cartel de drogas liderado por Javier Antonio e Luis Enrique Calle Serna, conhecidos como os irmãos Comba. Os dois filhos de Beatriz também estão presos, um na Espanha, por homicídio, e outro na Holanda, por tráfico de drogas. O governo informou que 168 colombianos foram extraditados para os Estados Unidos no ano passado, sendo a grande maioria (148) por tráfico de drogas.

Dilma herda 21,8 mil cargos de livre nomeação

Enquanto PT e PMDB estabeleceram uma trégua temporária na briga pelo segundo escalão do governo, as contratações para cargos de livre nomeação continuam a ocorrer. Apenas na sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores nomeou 15 comissionados, a Secretaria Geral da Presidência da República indicou quatro e o Gabinete Pessoal da Presidência outros cinco. Ao todo, a Esplanada abriga atualmente 21.768 cargos de livre nomeação, os chamados DAS (Direção e Assessoramento Superior). A conta chega a cerca de R$ 1 bilhão, por ano. Durante o governo do ex-presidente petis Lula foram incorporados 3.394 novos comissionados nos ministérios, secretarias, fundações e autarquias ligadas ao Executivo. Hoje, os salários individuais dos comissionados variam, em média, de R$ 10,6 mil a R$ 21,3 mil, dependendo do nível da função exercida, situada em uma escala que vai de 1 a 6.

Brasileiros venderam rins a rede de tráfico

Seis mil dólares pelo rim de um brasileiro. Foi o que um grupo de traficantes internacionais pagou a mais de cem brasileiros para venderem seus rins. Os órgãos eram então transportados até a África do Sul e de lá revendidos especialmente para pacientes de Israel, por até US$ 120 mil, 20 vezes mais do que os brasileiros recebiam. O esquema, que no Brasil foi desarticulado pela Polícia Federal na Operação Bisturi, em 2003, rendeu aos traficantes e ao hospital mais de US$ 4 milhões. A empresa que promovia o esquema já foi condenada a pagar mais de US$ 1 milhão em multas diante de um tribunal na África do Sul. Documentos do processo revelam uma rede internacional que retirou rins até mesmo de menores de idade no Brasil. O fenômeno preocupa tanto a Interpol quanto a Organização Mundial da Saúde, que insistem na necessidade de um tratado internacional para atacar o problema. Em geral, os criminosos têm um sistema bem organizado e se aproveitam da pobreza de certas regiões do planeta. Por enquanto, as organizações criminosas são apenas processadas em seus países, sem que toda a rede seja desmantelada. No caso que envolve o Brasil, os traficantes de órgãos são alvo de um processo legal na África do Sul e a empresa tida até então como uma das melhores administradoras de hospitais do continente - a Netcare - revelou que de fato atuou na compra e venda de rins. Documentos dos investigadores mostram que a rota do tráfico tinha origem no Brasil, mais precisamente na periferia do Recife. Entre 2001 e 2003, 109 brasileiros venderam rins ao grupo sul-africano. A maioria das cirurgias ocorreu no conceituado Hospital St. Augustine, em Durban. As confissões e confirmações do esquema ocorreram no fim de novembro, depois de sete anos de negativas por parte dos suspeitos. Os documentos mostram que os "doadores" assinavam declarações indicando que a pessoa que receberia o órgão era seu parente. Por dentro do esquema. Uma das principais testemunhas que determinaram as circunstâncias do tráfico foi Samuel Ziegler. Pelos autos do processo, ele foi uma das oito pessoas acusadas de envolvimento com o tráfico e confessou que era o tradutor no Brasil para a compra dos rins. Confessou as mais de 50 acusações contra ele e confirmou que sabia que o que fazia era ilegal. Quatro cirurgiões, um médico e dois outros ex-empregados da Netcare também são acusados de participação no esquema. Diante da confissão do tradutor, o diretor regional da Netcare, Ian Goble, admitiu o envolvimento do hospital. Mas, apesar da condenação, o tribunal de Durban aceitou trocar a pena de prisão dos envolvidos, entre eles o presidente da Netcare, Richard Friedland, pelo pagamento de US$ 1 milhão.

Deputado gaúcho quer tornar Ronaldinho "persona non grata" no Rio Grande do Sul

O deputado estadual Gilmar Sossella (PDT-RS) não gostou do desfecho das negociações entre Grêmio e Ronaldinho Gaúcho no sábado. Torcedor do clube, em seu site oficial Sossella disse que vai propor à Assembleia Legislativa que o jogador seja declarado "persona non grata" no Rio Grande do Sul. Segundo texto no site, a moção de repúdio deve ser protocolada nesta segunda-feira. "No Rio Grande do Sul, a palavra e o fio do bigode valem mais do que um contrato", diz Sossella. O deputado, reeleito para seu segundo mandato, ainda cita que "esta é a segunda vez que o jogador trai o clube", em referência à transferência de 2001, quando Ronaldinho, ainda com contrato vigente no Grêmio, assinou um acordo com o Paris Saint-Germain, da França. O caso acabou em batalha judicial. O presidente do Grêmio, Paulo Odone, que também é deputado estadual (PPS), anunciou oficialmente no sábado que desistiu da contratação de Ronaldinho, transformando-se em o "otário da década", permitindo que o Grêmio fosse enganado pela segunda vez por Ronaldinho e seu irmão em menos de 10 anos. Na década de 80, a Assembléia Legislativa gaúcha, por iniciativa do então deputado estadual Cesar Schirmer, aprovou moção que declarava o presidente da República, José Sarney, "persona non grata" no Rio Grande do Sul. Ronaldinho vai tomar uma chuva de moedinha quando vier jogar pelo Flamengo contra o Grêmio no Estádio Olímpico. Mas, em Porto Alegre, todo mundo acredita que ele não virá, que alegará algum tipo de lesão para escapar desse jogo.

Na UTI há nove dias, Dom Evaristo Arns tem discreta melhora em quadro infeccioso

Dom Paulo Evaristo Arns, de 89 anos, arcebispo emérito de São Paulo, entrou em seu décimo dia na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital Santa Catarina, região central de São Paulo. Ele apresentava, no sábado, "discreta melhora" no quadro infeccioso nos pulmões. O religioso foi admitido no dia 1º, após se queixar de dores e desconforto na região abdominal. Foi, então, submetido a uma cirurgia para extrair a vesícula biliar. Segundo boletim médico, ele está na UTI para se recuperar do processo infeccioso pulmonar.

TSE já encaminhou ao Supremo 25 recursos de enquadrados na Ficha Limpa

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Ricardo Lewandowski, permitiu que 25 recursos de candidatos barrados pela Lei da Ficha Limpa sejam julgados no Supremo Tribunal Federal. Segundo o TSE, ele analisou até agora 29 recursos extraordinários pertinentes à inelegibilidade de candidatos. Desse montante, ordenou que 25 (86,2%) fossem encaminhados para o Supremo, que poderá reverter as decisões judiciais de primeiro grau. Lewandowski decidiu que três recursos não poderão avançar para a última instância. Em um caso, a parte interessada desistiu do processo. Nove recursos vêm de candidatos que respondem processo por compra de votos ou captação ilícita de recursos em campanhas anteriores.

Dilma manda retirar Bíblia e crucifixo do seu gabinete no Palácio do Planalto

Em sua primeira semana na Presidência da República, Dilma Rousseff fez mudanças em seu gabinete. Substituiu um computador por um laptop e retirou a Bíblia da mesa e o crucifixo da parede. Durante a campanha eleitoral, ela se disse católica e foi atacada pelos adversários sob a acusação de ter mudado suas posições religiosas. Na verdade, sempre foi atéia e comunista. A presidente também trocou móveis para deixar o ambiente "mais confortável". Os estofados coral, usados no Palácio do Catete no governo Vargas, foram substituídos por poltronas e um sofá da linha Navona, do arquiteto Sergio Rodrigues. Dilma começou a trabalhar às 9h30. O primeiro compromisso é com Helena Chagas (Comunicação Social) para se informar; a seguir, com o chefe de gabinete, Gilles Azevedo; depois com Antonio Palocci (Casa Civil). A presidente não tolera atrasos. Pede objetividade e não gosta de expressões como "eu acho". Apesar do estilo rígido, um interlocutor que acompanhou os primeiros dias de Lula no poder diz que a sensação é de que Dilma está "mais à vontade".

Argentina liberta 500 escravos em campos de soja e milho nos pampas

As autoridades argentinas localizaram nos últimos dias pelo menos 500 camponeses que realizavam trabalho escravo em campos de soja e milho nos pampas da Argentina. A última operação judicial permitiu localizar na sexta-feira cerca de 276 camponeses que realizavam trabalhos em condições de "redução à servidão" em três fazendas na província de Buenos Aires, o coração dos pampas, indicou o organismo estatal. Na maior das três fazendas, da empresa Status Ager, situada perto da região de Ramallo (195 quilômetros ao norte), cerca de 150 camponeses, incluindo nove adolescentes, "estavam reduzidos à servidão" e viviam em "casas feitas de placa de metal em pleno sol, sem instalações elétricas, nem elementos de segurança", detalhou o Ministério. Os outros 126 camponeses foram encontrados em outros dois campos dos pampas em condições semelhantes. Aos trabalhadores foi prometido um pagamento de 2.700 pesos (R$ 1.145,00) por hectare desflorado, mas, ao chegar nos campos, este valor caiu para 1.300 pesos (R$ 550,50), e a comida consumida era descontada deste valor, segundo os camponeses. A maioria dos trabalhadores são das províncias de Santiago del Estero e Tucumán.

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Avião argentino com 900 quilos de cocaína é detido na Espanha

Três argentinos que levavam 900 quilos de cocaína em um avião de transporte médico foram presos no aeroporto El Prat, em Barcelona. Dois dos presos são filhos do ex-chefe da Força Aérea Argentina durante o governo de Carlos Menem (1989-1999), o falecido brigadeiro José Juliá. Um deles, Gustavo Juliá, é sócio de uma companhia aérea especializada em transportes de material médico. O co-piloto, Gastón Miret, é filho do brigadeiro José Miret, que foi secretário de Planejamento durante a última ditadura argentina (1976-1983). O nome do terceiro detido, irmão de Juliá, não foi divulgado.

Com experiência de 40 anos de plenário, deputado Henrique Eduardo Alves é aliado incômodo do governo

Às vésperas de completar 40 anos na mesma função, a de deputado federal, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) coleciona derrotas nas disputas para o Executivo e tem no bastidor político de Brasília o seu habitat. Henrique Eduardo Alves, aos 62 anos, tomará posse de seu 11º mandato consecutivo como deputado federal em fevereiro. Hoje, ele é líder da bancada do PMDB na Câmara e o nome mais cotado pelo partido para presidir a Casa a partir de 2013. Decano da Câmara, ele só perde em números de mandatos, segundo a Casa, para quatro ex-deputados. Das tentativas frustradas de atuar no Executivo, a de 2002, quando se deu como certa sua indicação para a vice de José Serra (PSDB) na chapa à Presidência, foi a mais notória. A aspiração ruiu após a revista "IstoÉ" publicar afirmação da ex-mulher de que ele tinha US$ 15 milhões no Exterior. Alves chamou a história de "delírio" e sumiu de cena. Rita Camata (PMDB-ES) foi indicada em seu lugar. Porta-voz nas últimas semanas da reação peemedebista pela manutenção do espaço do partido no governo Dilma Rousseff, Alves desempenha hoje o papel em que sempre demonstrou maior desenvoltura, o de articulador político de bastidores, notadamente de interesses partidários e de aliados. Liderou o movimento, no PMDB, para elevar o salário mínimo para acima dos R$ 540,00 oferecidos pelo governo, no fim do mandato de Lula. O deputado é herdeiro político de um dos principais clãs nordestinos, montado pelo ex-governador e ex-ministro Aluísio Alves (1921-2006), cassado pelo Ato Institucional nº 5. Apesar disso, Alves acabou, no decorrer dos anos, "destronado" dentro do clã pelo primo Garibaldi Alves Filho, que foi prefeito de Natal, presidente do Senado, duas vezes governador e, desde o dia 1º, é o ministro da Previdência de Dilma. "O Garibaldi não tem rejeição, é uma pessoa conciliadora, uma pessoa que agrega. Eu, por ser filho do maior líder popular do Estado, tive que brigar mais", diz. Quatro anos antes de morrer, o pai do deputado deu a sua explicação: o sobrinho Garibaldi teria herdado a liderança popular; o filho, "a articulação política". Adversários também têm sua versão: a de que Alves priorizou viagens e a vida em Brasília ou no Rio de Janeiro, o que lhe rendeu fama de bon-vivant. "Já o Garibaldi é aquela coisa, não perde um casamento, batizado ou enterro", afirma um deles.

Para Estados Unidos,situação da Varig estava prestes a se tornar "muito confusa", revela WikiLeaks

O jornal Folha de S. Paulo publicou uma série de caborgramas da embaixada dos Estados Unidos no Brasil para Washington, relatando a situação da Varig, no primeiro governo Lula. Os textos estão em inglês, ex-funcionários da Varig, pilotos, comissários de vôo, aposentados da companhia, que foram deixados na miséria pelo governo lulopetista, podem agora ler esses telegramas e verificar a versão do governo norte-americano, que estava muito a par da situação da Varig e sua evolução, em permanente contato com o governo brasileiro. Uma coisa é certa: o quadro funcional inteiro da Varig confiou na direção de seu sindicato petista, pensando que assim estaria a salvo. Deu no que se viu. Enquanto isso, petralhas preconceituosos diziam que o governo petista não tinha interesse em salvar a Varig, porque só as elites viajavam de avião. O tamanho da irresponsabilidade e boçalidade desse gente é incomensurável. A situação econômico-financeira da Varig era plenamente equacionável. Mas, o governo lulopetista quis destruir a companhia, e gerar uma crise no setor aéreo que permanece até hoje. Centenas de pilotos e co-pilotos brasileiros foram obrigados a procurar emprego no Exterior. O governo Lula prolongou a agonia da Varig por cerca de dois anos, temendo a repercussão negativa que a quebra da companhia provocaria nas eleições de 2006. A revelação consta nos telegramas enviados pela Embaixada dos EUA em Brasília para Washington e obtidos pelo site WikiLeaks. A análise sobre a preocupação eleitoral foi construída com base em conversas do embaixador John Danilovich com o vice-presidente e ministro da Defesa na época, José Alencar, e mais fontes não identificadas do Palácio do Planalto. O caso Varig é citado em ao menos 13 telegramas. Na maioria, os diplomatas mostram preocupação com temas de interesse das empresas dos Estados Unidos de aluguel de avião, como a ILFC e os braços financeiros de Boeing e GE, credores da Varig. O caso Varig, em especial a condução da venda em leilão judicial, foi considerado "bizantino" pelos americanos, que também ironizaram a incoerência entre o discurso e a prática do governo Lula. O governo dizia que não ia ajudar, mas prolongava a agonia, por meio das estatais Infraero (que administra aeroportos) e BR Distribuidora (fornecedora de combustível), ao renovar linhas de crédito ou tolerar a falta de pagamentos. O embaixador Danilovich também conta ter ouvido de fonte palaciana, em dezembro de 2004, argumento que justificaria a atitude de não socorrer a Varig: "Por que um governo liderado por um presidente do Partido dos Trabalhadores deveria subsidiar uma empresa mal administrada que atende a elite (o pobre não tem dinheiro para voar)?" Os telegramas trazem ainda uma revelação. Segundo o relato de Danilovich, em dezembro de 2004, durante reunião com o vice-presidente da Boeing, Thomas Pickering, José Alencar afirmou que uma das soluções em estudo seria dividir a parte boa da Varig entre TAM e/ou Gol. A Gol não tinha aparecido publicamente como parte de solução em estudo pelo governo. Porém a empresa acabou sendo a solução ao adquirir a Nova Varig, em 2007. A aquisição evitou, mais uma vez, a falência da companhia, ameaçada pela disputa entre os sócios brasileiros e o fundo Matlin Patterson, dos Estados Unidos. Na conversa, José Alencar classificou de "um horror" a situação financeira da Varig. Adiar uma solução para o caso Varig, segundo relatos que o embaixador diz ter colhido, teria outra vantagem, além da questão eleitoral: dar tempo para TAM e Gol se prepararem para assumir as rotas internacionais. Em 10 de junho de 2005, com a pressão dos credores donos de avião aumentando, Danilovich declarou: "Antevemos que a atual crise rapidamente se tornará muito pública e muito confusa". Quatro dias depois, o embaixador era procurado pela Varig, à época liderada por David Zylbersztajn e Omar Carneiro da Cunha, que lhe fez apelo para tentar impedir que a ILFC entrasse com ação de retomada de aviões por falta de pagamento. Como o embaixador não se comprometeu, em 17 de junho, data em que a ILFC planejava retomar as aeronaves, a Varig entrou em recuperação judicial, ficando protegida do arresto dos aviões. A ILFC, subsidiária da seguradora AIG, era o credor americano mais aguerrido. A Boeing, parceira antiga da Varig, apoiou o plano. Não por benevolência, mas por questão de imagem. "Dada a popularidade da Varig no Brasil, a Boeing não queria ficar com a fama do vilão que levou a empresa à falência", escreveu o encarregado de negócios Philip Chicola em julho de 2005. Esse papel coube à ILFC. Os informes constam nos milhares de despachos diplomáticos que o WikiLeaks começou a divulgar em novembro. A Folha e outras seis publicações têm acesso ao material antes da divulgação no site da organização. A seguir os telegramas da Embaixada americana, em inglês. Clique no link para ter acesso ao arquivo: http://tinyurl.com/38wfhvl

Cosan assina acordo para a compra das duas usinas da Zanin

A Cosan S.A. assinou na sexta-feira um acordo com os sócios da Usina Zanin para a compra das duas unidades do grupo localizadas em Araraquara (a 288 quilômetros de São Paulo) e Prata (a 635 quilômetros de Belo Horizonte), no Triângulo Mineiro. O memorando de entendimentos tem prazo de 45 dias e visa aquisição total das quotas de capital, avaliadas em R$ 142 milhões, além de todo o passivo financeiro, estimado em R$ 236,6 milhões (dívidas). Atualmente, apenas a unidade de Araraquara produz etanol e açúcar. Na safra 2010/11, o grupo processou 2,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e produziu 100 milhões de litros de álcool e 150 mil toneladas de açúcar. A unidade de Prata (greenfield) ainda não entrou em operação. A aposta do grupo era que as operações começassem em 2009. No entanto, os efeitos da crise financeira mundial no Brasil adiaram os planos e levaram as unidades à venda. A empresa já é proprietária da Usina Tamoio, em Araraquara, e opera outras 22 unidades somente no Estado de São Paulo. Na região de Ribeirão Preto, são cinco usinas espalhadas em Igarapava, Sertãozinho, Guariba, Ibaté, além da unidade de Araraquara. De acordo com o memorando, a formalização do negócio vai depender da análise da Cosan de contratos da Zanin com bancos credores, além de questões ambientais e verificação da capacidade de produção. A Usina Zanin opera desde 1946 em Araraquara e atualmente emprega cerca de 1.300 pessoas. A negociação inclui apenas as usinas e maquinário (colhedoras, tratores, entre outros). As terras da família, estimadas em 25 mil hectares, continuarão produzindo cana para venda exclusiva à Cosan.

Governador de Santa Catarina diz que oposição errou ao agir apenas no Congresso

Um dos únicos dois governadores do DEM no País, Raimundo Colombo, que assumiu o governo de Santa Catarina na semana passada, diz considerar um erro a oposição "congressual" que é feita e defendeu que ela passe a acontecer "na sociedade". Eleito no primeiro turno no Estado em que o ex-presidente Lula defendeu, na campanha, "extirpar" o DEM da política, Colombo disse que tentará uma relação harmônica com a presidente Dilma Rousseff e que oposição e governo devem "cumprir seu papel sem radicalismo". Disse ele: "Acho que oposição é tão nobre quanto governar. As duas funções são necessárias para a sociedade. Cada um tem que cumprir o seu papel sem radicalismo. Nunca vi briga política construir creche, hospital, ponte, escola".

Estrela petista monstruosa macula gramado da Granja do Torto em Brasília

Na imagem abaixo você pode verificar o absurdo cometido na Granja do Torto, uma das residências presidenciais em Brasília, pela passagem devastadora do petismo no poder, no Brasil. A família Lula implantou um gigantesca e grotesca estrela petista no gramado da Granja do Torto, como se aquilo pertencesse ao PT ou aos petistas. Entretanto, a família número um do petismo quis se apossar do espaço para aplicar a sua marca infame. Hoje, o mundo inteiro, pelo Google Earth, pode verificar essa manifestação de barbárie, incultura, grosseria, estupidez e manifestação de totalitarismo.

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Após transferência de título para São Paulo, Ciro Gomes retorna seu domicílio eleitoral para o Ceará

Depois de mudar seu domicílio eleitoral para São Paulo, em 2009, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) vai voltar a ter seu domicílio eleitoral no Ceará, Estado pelo qual se elegeu. Quando era pré-candidato à Presidência, Ciro Gomes transferiu o seu título eleitoral por uma decisão do PSB e um pedido do ex-presidente Lula. Ele disse que ainda não fez a transferência por estar cumprindo "tempo legal" e que está sem um projeto político. O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará informou que o deputado ainda não solicitou a transferência. No diretório estadual do PSB, a mudança ainda também não foi formalizada. Entre uma transferência e outra, é necessário o período de um ano, com comprovação de três meses de residência no novo local. Ciro Gomes manifestou anteriormente sua insatisfação por ter mudado seu domicílio. Chegou a dizer que o ato tinha sido "um erro". O PT fez gato e sapato com o neocoronel cearense Ciro Gomes, e o deixou de mãos abanando.

Ação popular pede extradição de Cesare Battisti

Uma ação popular no Supremo Tribunal Federal pede a suspensão da decisão do ex-presidente Lula e a extradição do terrorista italiano Cesare Battisti. A ação, apresentada por Fernando Destito Francischini, deputado federal eleito pelo PSDB do Paraná, será analisada pelo ministro Gilmar Mendes, relator do pedido de extradição feito pela Itália. Segundo Francischini, ao afastar a extradição, o governo brasileiro estaria dando causa a "grave crise diplomática com o governo da Itália", diante da possibilidade de levar o caso à Corte Internacional de Haia e de afetar um tratado comercial e militar "destinado a movimentar R$ 22,1 bilhões" entre as duas economias. O deputado eleito lembra que a extradição de Battisti foi deferida pelo Supremo e que sua rejeição violaria a moralidade administrativa, por ser "movida por pauta puramente ideológica" e por desrespeitar tratados e convenções internacionais ratificados e internalizados pelo Brasil.

Já deu para perceber em poucos dias a diferença em termos de discrição entre Dilma e Lula

Dilma Rousseff completou uma semana na Presidência do Brasil e desde sua posse, em 1º de janeiro, não foi vista em público nem fez declarações, em um estilo de governar que nada lembra seu onipresente antecessor, o falastrão Lula. O silêncio de Dilma com a imprensa vai além desta semana, pois a última vez que fez declarações a jornalistas foi em Seul, no início de novembro de 2010, quando acompanhou Lula na cúpula do G20 na condição de presidente eleita do Brasil. Após a grande cerimônia de posse, que foi também a despedida de Lula, a nova presidente manteve uma enorme discrição e também impôs um intenso ritmo de trabalho, próprio de sua personalidade mais técnica que política. No seu primeiro dia, Dilma se dedicou a uma agenda de compromissos com autoridades estrangeiras que assistiram a sua posse. Na segunda-feira reuniu sua equipe política e desde então teve encontros a portas fechadas com muitos de seus ministros, convocados para uma primeira reunião conjunta no dia 14 de janeiro. Ela já adotou algumas medidas no setor financeiro e prepara outras para reduzir a presença do Estado na atividade econômica, que foi impulsionada nos últimos dois anos, para conter os efeitos da crise global. O ministro Guido Mantega disse que o governo prepara um forte corte do gasto público, que afetará todos os ministérios.

Montadoras com fábrica no Brasil respondem por 84% dos carros importados

As montadoras com fábricas instaladas no Brasil, como Fiat, Volkswagen, GM e Ford, foram responsáveis por 83,9% dos automóveis e comerciais leves importados que entraram no País em 2010. Os dados divulgados na sexta-feira pela Abeiva (Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores) apontam que as 30 filiadas à entidade trouxeram 105,9 mil carros, o que corresponde a 16,1% do total (657,3 mil). "São as montadoras com fábrica no Brasil que estão fazendo crescer as importações", ressalta José Luiz Gandini, presidente da entidade que representa as marcas Aston Martin, Audi, Bentley, BMW, Chana, Chery, Chrysler, Dodge, Effa Changhe, Effa Hafei, Ferrari, Hafei Motor, Haima, JAC Motors, Jaguar, Jeep, Jinbei, Kia Motors, Koenigsegg, Lamborghini, Land Rover, Lifan, Maserati, Mini, Pagani, Porsche, Spyker, SsangYong, Suzuki e Volvo. A Anfavea, que representa as montadoras com fábrica no País, contabilizou que o saldo comercial da indústria automotiva brasileira ficou mais uma vez negativo em 2010, com 158 mil veículos importados a mais do que os exportados montados, considerando na conta também ônibus e caminhões. O resultado foi o pior da série histórica iniciada em 1990. A maior parte dos importados trazidos por essas montadoras vem da Argentina e do México, com os quais há acordos comerciais para isenção na alíquota de importação de 35%, de acordo com a logística de produção de cada empresa. A fatia desses dois países, no entanto, vem diminuindo ao longo dos anos, tendo caído de 69,3% no acumulado de janeiro a novembro de 2009 para 63,7% no mesmo período deste ano.

Felipe Melo agora chuta cabeça de rival e é suspenso por três jogos

O volante brasileiro Felipe Melo, da Juventus, foi suspenso por três partidas no Campeonato Italiano por chutar a cabeça do jogador Massimo Pacci, do Parma, durante a partida da última quinta-feira. O lance aconteceu aos 17minutos do primeiro tempo na derrota de 4 a 1 da Juventus, em Turim. Depois de disputar uma jogada, Felipe caiu e, na sequência, acertou com o pé a cabeça do marcador. Recebeu o cartão vermelho instantaneamente.  Assim, Felipe Melo viveu uma situação parecida à da Copa do Mundo, quando foi expulso na derrota da seleção brasileira para a Holanda, pelas quartas de final, ao pisar em Arjen Robben. Com a punição, o brasileiro desfalcará a equipe nas partidas contra o Napoli, Bari e Sampdoria. Esse cara é furioso.

Jobim critica posição dos Estados Unidos sobre fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina

O ministro Nelson Jobim criticou na sexta-feira a posição dos Estados Unidos sobre a chamada "tríplice fronteira" do Brasil com Paraguai e Argentina. Jobim disse que os norte-americanos sustentaram "equivocadamente" que a região fosse um reduto do grupo terrorista islâmico Hizbollah. Para o ministro, há apenas "pequenos contrabandistas" na região. "É falso se afirmar que nós tenhamos terroristas na tríplice fronteira. O que temos são pequenos contrabandistas que estão sendo resolvidos, problema de contrabando, eventual criminalidade marginal que se dá naquela região", disse Jobim.

Ministro nega crise entre PT e PMDB e classifica como "indevida" cobrança por lugar na coordenação de governo

O ministro das Relações Institucionais, o petista Luiz Sérgio, qualificou de "indevida" a cobrança do deputado Henrique Eduardo Alves (RN) para que o PMDB tenha assento na coordenação política do governo. Ele negou, porém, que haja uma crise entre PT e PMDB em torno do preenchimento de cargos no segundo escalão. "Há uma certa movimentação porque os novos ministros chegam e fazem algumas mudanças que são naturais. Isso pode levar a alguma inquietação, que dá sensação de crise, mas ela não existe", afirmou. Acredite quem quiser....