sábado, 5 de fevereiro de 2011

Irã anuncia que possui a maior refinaria do Oriente Médio

Refinaria Arak
O Irã dispõe da maior refinaria do Oriente Médio após a inauguração neste sábado de um novo trecho de seu complexo petroleiro de Arak, no centro do país. A capacidade da refinaria de Shazand, perto de Arak, deve alcançar os 250 mil barris diários de petróleo até setembro, quando será finalizada a última parte das obras, contra os 170 mil barris diários iniciais. Esta expansão da refinaria requereu um investimento de US$ 3,3 bilhões, e foi financiada em parte pela companhia petroleira chinesa Sinopec, que contribuiu com 33% do montante. O complexo de Shazand terá capacidade para produzir até setembro 16 milhões de litros de gasolina diários, ou seja, 12 milhões a mais que os atuais. O Irã, submetido a severas sanções internacionais que afetam o setor petroleiro em resposta ao seu controverso programa nuclear, iniciou o desenvolvimento de sua capacidade de produção de gasolina e de outros produtos petroleiros para alcançar o autossuficiência. Ainda que seja o segundo maior produtor de petróleo da OPEP (Organização de Países Exportadores de Petróleo), o Irã ainda precisava importar cerca de 20 milhões de litros de gasolina diários na primavera de 2010, ou seja, um terço de seu consumo. Ao mesmo tempo em que lançou a extensão de cerca de seis refinarias, incluindo a de Arak, Teerã reconverteu no verão passado vários complexos petroquímicos, que lhe permitiram alcançar a autossuficiência em gasolina em setembro. O complexo petrolífero fica ao lado da usina nuclear de Shazand (veja no mapa abaixo).


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Escutas clandestinas são achadas na Assembléia do Paraná

Uma varredura realizada na manhã deste sábado na Assembléia Legislativa do Paraná descobriu três centrais de escutas clandestinas montadas nos gabinetes do presidente da Casa, deputado Valdir Rossoni (PSDB), e do primeiro secretário, deputado Plauto Miró (DEM). Os equipamentos foram apreendidos pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), da Polícia Civil, e encaminhados para perícia técnica da Polícia Científica. Rossoni responsabilizou a antiga equipe de segurança por não ter detectado e desmontado o esquema. Os antigos seguranças, que exerciam cargo de confiança, foram exonerados na segunda-feira. Em razão da exoneração, a Polícia Militar ocupou o prédio e passou a fazer a segurança dos deputados e funcionários. "Ou os seguranças foram negligentes no trabalho ou coniventes com o crime", disse o deputado: "Armaram essa estrutura para tentar fazer algo contra nós, veja o grau de bandidagem a que o Paraná chegou". O técnico em dispositivos eletrônicos da empresa de segurança Embrasil, Antônio Carlos Walger, considerou os equipamentos "incomuns" e de "alta tecnologia". De acordo com ele, são israelenses, custando entre R$ 20 mil e R$ 50 mil, e foram instalados recentemente no forro das salas.

Venezuela poderá financiar 40% de refinaria no Brasil em abril

A estatal PDVSA (Petróleos da Venezuela) acredita que cumprirá "em março ou abril" todos os requisitos necessários para assumir 40% da refinaria que construirá e explorará no nordeste do Brasil junto à Petrobras, informou o ministro Rafael Ramírez na sexta-feira. "Seguimos avançando nos trâmites para nossa incorporação" à refinaria Abreu e Lima e "temos uma estreita comunicação com a Petrobras", disse Ramírez em um encontro com jornalistas. "Constituímos um grupo de bancos para cumprir com as garantias exigidas. São questões financeiras, e esperamos estar para março ou abril em condições de cumprir com os requisitos para assumir 40% do empréstimo do BNDES e dar nossa contribuição de capital, que são US$ 480 milhões neste ano", acrescentou. A participação da PDVSA no projeto foi posta em dúvida há alguns meses no Brasil, quando foi divulgado que a estatal venezuelana atrasou-se em apresentar as garantias ao BNDES para que ele aprovasse o financiamento de sua participação na refinaria. Até agora não entrou com um centavo sequer nas obras.

TSE pede que Supremo analise pedido para suspender decisões do ministro Marco Aurélio Mello

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Ricardo Lewandowski, pediu que o Supremo Tribunal Federal analise o pedido da vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, para suspender três decisões do ministro Marco Aurélio Mello, que integra a Corte. Nas ações, ele determinou a recontagem de votos e do quociente eleitoral de deputados federais e estaduais de Rondônia. A solicitação de Sandra Cureau foi protocolada no Tribunal Superior Eleitoral, mas o presidente do tribunal eleitoral entendeu que a competência para avaliar o caso seria do Supremo. "Reconheço, por outro lado, a natureza eminentemente constitucional do tema versado nesta ação. Isso porque, em última análise, discute-se a maneira pela qual se concretizará a vontade popular exercida por meio do voto", disse. Além de atuar no Supremo, Marco Aurélio também compõe o Tribunal Superior Eleitoral. As decisões do ministro atenderam pedidos do PTB, PP e PV e provocaram a posse de dois candidatos. Com a decisão de Marco Aurélio Mello, o Tribunal Regional Eleitoral empossou Natan Donadon (PMDB-RO) como deputado federal. Ele, que foi barrado pela Lei da Ficha Limpa e acabou liberado por uma liminar do STF, assumiu a vaga de Marcos Rogério (PDT). Mauro de Carvalho (PP-RO) ficou como a vaga de deputado estadual para Edvaldo Rodrigues Soares (PMDB). De acordo com o Ministério Público Eleitoral, as liminares concedidas pelo ministro "configuram grave lesão à ordem pública", uma vez que "levaram à alteração dos quocientes eleitorais e, portanto, do resultado das eleições, impedindo, inclusive, que parlamentar já diplomado" tomasse posse no dia 1º de fevereiro deste ano.

Plataforma da Petrobras que parou após incêndio volta a operar

A Petrobras informou na sexta-feira que a plataforma Cherne 2, localizada na bacia de Campos, retomou sua produção normal na última quarta-feira. A produção estava paralisada desde a noite de 19 de janeiro, quando ocorreu um incêndio no módulo de bombas de transferência de óleo. O incêndio não feriu os funcionários nem afetou o meio ambiente. No ano passado, a Petrobras já havia enfrentado problemas com plataformas como a P-33, que chegou a ser interditada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo), e a P-35, que registrou um princípio de incêndio. A Petrobras ressalta que profissionais lotados na plataforma, junto com técnicos de gerências da estatal, concentraram esforços para recuperar os equipamentos danificados de acordo com procedimentos técnicos e padrões de segurança operacional rigorosos. A plataforma representa menos de 0,5% da produção da estatal.

Ministro da Justiça diz que aviões não tripulados começarão a monitorar fronteira

O ministro da Justiça, o "porquinho" José Eduardo Cardozo, afirmou na sexta-feira que Vants (veículos aéreos não tripulados) devem começar a operar na fronteira do Paraná com o Paraguai ainda neste mês. O objetivo é reforçar o combate ao crime na fronteira. A declaração foi feita em Curitiba, onde o ministro se reuniu com o governador Beto Richa (PSDB) para discutir a segurança da fronteira com o Paraguai e a integração entre os governos federal e estadual no combater à violência. "A única forma de termos uma revolução da segurança pública do País será agindo de forma mais integrada, com a ação conjunta da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, das Forças Armadas, das polícias estaduais, entre outros órgãos", disse o ministro "porquinho".

Bombeiro tinha plano para matar juízas no Mato Grosso do Sul

A descoberta de um plano para matar duas juízas de Ponta Porã (cidade localiza a 425 quilômetros de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul) levou o Ministério Público Federal a pedir a transferência para um presídio federal do policial bombeiro acusado de chefiar uma quadrilha de tráfico internacional de drogas e armas. Atualmente no Presídio Militar de Campo Grande, Ales Marques foi preso em flagrante em julho do ano passado e denunciado pela Procuradoria juntamente com outros 17 integrantes de sua quadrilha. "Investigações revelaram que Ales, mesmo preso, arquiteta a morte de desafetos e de juízes federais que atuam nos processos nos quais é acusado de liderar quadrilha de tráfico internacional de drogas", diz a Procuradoria da República. Os processos contra Marques tramitam na 1ª Vara Federal de Ponta Porã. Tanto a juíza titular, Lisa Taubemblatt, quanto sua substituta, Lidiane Maria Oliva Cardoso, receberam ameaças atribuídas ao bombeiro. A nota qualifica como "estarrecedor" um episódio flagrado pela Polícia Federal em 14 de janeiro, quando o bombeiro deixou o presídio em uma viatura da Polícia Militar para, com três policiais, "cumprir uma diligência" em uma chácara em Campo Grande. "Ales Marques - sem algemas ou qualquer identificação da sua condição - e os policiais ingressaram no imóvel, contra a vontade do ocupante e sem mandado judicial, onde passaram a fazer buscas, sem especificar o que procuravam", diz a representação da Procuradoria da República. A Polícia Federal filmou toda a ação e, segundo a Procuradoria, "colheu dados que reforçaram as suspeitas da existência de planos de Ales Marques para assassinato dos magistrados e de um esquema de corrupção envolvendo a chefia da escolta de detentos do Presídio Militar de Campo Grande". Além da transferência do detento para uma unidade federal, preferencialmente de outro Estado, a Procuradoria pede que a Polícia Federal instaure inquérito para apurar os crimes de ameaça e coação contra as juízas e que sejam tomadas "providências para resguardar a integridade dos magistrados".

Paraguai extradita traficante da quadrilha de Fernandinho Beira-Mar

O Ministério da Justiça recebeu na sexta-feira a extradição, pelo Paraguai, de Erineu Domingos Soligo, que responde na Justiça brasileira aos crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Foragido da Justiça brasileria há dez anos, Soligo é conhecido por ser um dos homens de confiança do traficante Fernandinho Beira-Mar. Ele foi preso em 2009 no Paraguai. Em 2010, o nome do criminoso foi incluído na operação Infra-Red da Interpol, a maior ação da entidade visando à busca e prisão dos principais foragidos da justiça brasileira pelo mundo. Soligo foi encaminhado ao presídio federal de Campo Grande (MS), por ser considerado de alta periculosidade. Desde 2003 havia suspeitas de que Soligo encontrava-se em território paraguaio, e o pedido de extradição foi feito pelo Ministério da Justiça naquele ano. Contudo, somente em 2009 sua prisão foi efetivada no país vizinho, como resultado de operação conjunta entre o Ministério da Justiça, Polícia Federal e a polícia paraguaia.

Rei espanhol dá título de marquês a Mario Vargas Llosa

O rei da Espanha, Juan Carlos I, concederá o título de marquês ao escritor peruano Mario Vargas Llosa, ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 2010, e ao técnico Vicente del Bosque, que em 2010 levou a seleção espanhola a converter-se em campeã do mundo de futebol. Os títulos de marqueses, publicados na sexta-feira no Boletim Oficial do Estado, e que são transmitidos para os descendentes, foram concedidos também ao catedrático Aurelio Menéndez e ao empresário Juan Miguel Villar Mir. O monarca reconheceu o trabalho de Vargas Llosa por sua "extraordinária contribuição, apreciada universalmente, à literatura e à língua espanhola". Quanto ao treinador, foi elogiado por sua "grande dedicação ao esporte espanhol e sua contribuição ao fomento dos valores esportivos". O rei da Espanha concede os títulos nobiliárquicos em raras ocasiões. Llosa, que tem a nacionalidade espanhola desde 1993, agradeceu o gesto do rei, mas disse que nasceu plebeu e morrerá plebeu: "É um gesto muito carinhoso, eu agradeço ao rei e à Espanha e, ao mesmo tempo, quero dizer que eu nasci plebeu e vou morrer plebeu".

Petista Fernando Pimentel diz que câmbio não vai mudar

O ministro do Desenvolvimento, o petista Fernando Pimentel, afirmou na sexta-feira que o cenário do câmbio no Brasil não deve mudar. De acordo com ele, a importância do Brasil hoje no cenário internacional fortalece o real. "Nós não podemos ter a ilusão de que o cenário vai mudar em relação ao câmbio, porque países fortes têm moedas fortes. Então não vamos ter a ilusão de que o câmbio vai se desvalorizar de uma hora para outra", disse ele, após reunião com empresários e membros do governo para discutir inovação no País, realizada na CNI (Confederação Nacional da Indústria). De acordo com Pimentel, o Banco Central e o Ministério da Fazenda estão tomando as medidas possíveis para assegurar o câmbio num "nível razoável": "Mas esse nível sempre será muito mais valorizado do que foi em décadas passadas". Além disso, ele ressaltou que o Brasil não vai igualar suas condições de trabalho às de países asiáticos para ganhar competitividade. A China, por exemplo, é conhecida por seus baixos salários e altas jornadas impostas a seus trabalhadores. O País enfrenta hoje um forte aumento nas importações por conta da grande valorização do real. Fernando Pimentel como ministro confirma que entende mesmo é de como bloquear uma caminhonete station wagon Plymouth blindada com uma fusqueta. Foi o que ele quis fazer no início de 1970, em Porto Alegre, para sequestrar o cônsul norte-americano Curtis Cutter. Fernando Pimentel integrava um comando da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), o mesmo grupo terrorista de Dilma Rousseff.

Sem patrocínio da Petrobras, Instituto Baleia Jubarte suspende pesquisa

O maior centro de conservação de baleias no Brasil, o Instituto Baleia Jubarte, demitiu metade de seus funcionários e suspendeu suas pesquisas. O motivo é a falta de repasse de verbas da Petrobras, principal patrocinadora de suas atividades. Situação semelhante atravessam três outras organizações de pesquisa de animais marinhos: a Fundação Mamíferos Aquáticos, o Projeto Golfinho Rotador (ambos em Pernambuco) e o Projeto Tamar, na Bahia. Todos eles aguardam desde setembro a renovação de convênios com a Petrobras, que diz estar analisando os resultados obtidos pelos projetos entre 2007 e 2010 "para definir a melhor forma de continuidade das parcerias". Os projetos foram "adotados" pela estatal por lidarem, desde os anos 1980, com a conservação de chamadas "espécies-bandeira", animais grandes e carismáticos, com os quais o público se identifica facilmente. Dos quatro projetos, apenas o Tamar (de conservação de tartarugas-marinhas) tem uma parcela significativa de renda própria. Todos os outros tiram 50% ou mais de sua receita da Petrobras. A situação mais crítica é a do Baleia Jubarte. Cerca de 60% da receita da ONG vem do convênio. Com o fim do repasse, 18 funcionários (de 42) foram demitidos e o centro de visitantes, na Praia do Forte, será fechado no dia 20. Apenas dois cientistas permanecem no instituto, na base de Caravelas, sul da Bahia.

Financial Times elogia mudança de estilo de Dilma em relação a Lula

Um editorial publicado na sexta-feira pelo diário econômico britânico "Financial Times" elogia o início do governo da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e a mudança de estilo em relação ao antecessor, o falastrão Lula. Para o jornal, o primeiro mês de governo de Dilma já demonstrou que as previsões de que ela seria simplesmente uma continuação do governo Lula foram "apressadas". O editorial afirma que ela "rompeu com as políticas de seu antecessor de várias maneiras animadoras". "Um dos aspectos menos atraentes da Presidência de Lula foi sua aproximação com o Irã e sua recusa em falar sobre os abusos aos direitos humanos por lá. Essa postura tornou difícil as relações cordiais com os Estados Unidos", comenta o texto. Para o jornal, Dilma "está revertendo essa posição".

França anuncia nova busca por destroços de avião da Air France

A França anunciou que iniciará no próximo dia 18 uma nova fase de buscas pelos destroços do avião da Air France que caiu no Oceano Atlântico em 2009. Essa nova operação, a quarta iniciativa desde a queda do avião na noite de 31 de maio, cobrirá uma área de 10 mil quilômetros quadrados que ainda não foram explorados nas buscas anteriores, anunciou na sexta-feira, em Paris, o ministro francês dos Transportes, Thierry Mariani. O vôo AF 447 desapareceu após decolar do Rio de Janeiro rumo a Paris, com 228 pessoas a bordo. A operação está prevista para durar até julho. A Air France e a Airbus devem financiar as buscas, que vão custar US$ 12,5 milhões (R$ 20,8 milhões). Se a fuselagem for localizada, será lançada uma operação para a retirada dos destroços, financiada pelo governo francês. O governo espera encontrar nos destroços as caixas-pretas do avião, consideradas fundamentais para desvendar as causas da catástrofe. A nova área delimitada para as buscas do Airbus A330-200 é mais vasta do que a da fase anterior, que havia sido de 2 mil quilômetros quadrados e posteriormente estendida a 6 mil quilômetros quadrados. As três fases anteriores permitiram vasculhar até o momento cerca de 7 mil quilômetros quadrados, declarou Jean-Paul Troadec, diretor do Escritório de Análises e Investigações, que investiga o acidente.

Cuba libertará presos políticos que rejeitam desterro na Espanha

A ditadura de Cuba irá libertar em breve dois dos onze presos políticos que rejeitaram o desterro na Espanha, informou na sexta-feira a Igreja Católica no país. Os dois opositores, que fazem parte dos 52 que a ditadura genocida da dinastia facínora dos irmãos Castro prometeu libertar depois de um diálogo com a igreja, mediado pelo governo espanhol, são Angel Moya, marido de Berta Soler (uma das líderes das Damas de Branco), e Guido Sigler, irmão do preso político Ariel Sigler, libertado em junho e que viajou para os Estados Unidos. Moya poderá seguir em Cuba, enquanto Sigler pretende ir para os Estados Unidos, informou um comunicado. O ditador cubano, Raúl Castro, prometeu no ano passado libertar 52 dissidentes listados pela Anistia Internacional. Desde julho, foram libertados gradualmente 41 deles, dos quais a maioria foi desterrada para a Espanha com seus familiares. As libertações de Moya e Sigler, segundo a nota do Arcebispo de Havana, dão "continuidade ao processo". Após estas libertações, ainda seguirão presos nove dos 75 dissidentes detidos em 2003 e condenados a penas de entre 6 e 28 anos em uma operação conhecida como "Primavera Negra". Na quinta-feira, dois presos políticos cubanos se declararam em greve de fome para pressionar a ditadura pela libertação de 11 opositores que se negam a aceitar uma oferta de partirem para o exílio. A greve foi iniciada no dia 1º por Diosdado González e Pedro Argüelles. A mulher de González, Alejandrina García, já estava em jejum desde 28 de janeiro.

Jardineiro confessa assassinato de ativista gay de Uganda

A polícia de Uganda afirmou na sexta-feira que o jardineiro Enock Nsubuga, de 22 anos, confessou ter matado a marteladas o ativista gay David Kato em 26 de janeiro passado. Nsubuga disse ter cometido o crime por desavenças pessoais com Kato e a polícia descartou relação com o ativismo de Kato. Em  Uganda, a homossexualidade é crime. A polícia deteve Nsubuga na tarde da última quarta-feira, mas disse seguir sua pista há dias. Ele é um ex-prisioneiro e trabalhava no jardim da casa de Kato na época do crime. Depois de detido, Nsubuga admitiu ter matado Kato. Segundo o relato da polícia, Nsubuga explicou que Kato havia oferecido dinheiro para que mantivessem relações sexuais, mas nunca pagou. Ele disse então que pegou o martelo do banheiro da casa e atingiu o ativista. A polícia descartou então crime de ódio, como especulado, e disse que dinheiro foi a motivação primária. Nsubuga tem uma longa ficha criminal e sua última prisão foi por roubar um celular. Ele foi visto por testemunhas na casa de Kato na noite do dia 25 de janeiro, horas antes do crime. Testemunhas disseram à polícia que um homem entrou na casa de Kato aproximadamente a 1 hora de 26 de janeiro de 2011, bateu duas vezes na sua cabeça e fugiu em um veículo. Kato morreu a caminho do Hospital Kawolo. O nome de Kato apareceu ao lado de outros gays em um artigo do jornal ugandense "Rolling Stone", no ano passado, sob o título "Enforque-os". Muitas pessoas relataram ter sofrido agressões após a publicação de seus nomes e fotos e Kato chegou a dizer à rede de TV CNN que temia por sua vida.

Grupos islâmicos da Jordânia pedem governo parlamentar

Líderes de grupos islâmicos da Jordânia pediram ao rei Abdullah que aprove reformas políticas que conduzam à formação de um "governo parlamentar", informou na sexta-feira um comunicado da organização nazista islâmica Irmandade Muçulmana. A nota fornece informações a respeito da reunião que o monarca manteve na quinta-feira com o líder do grupo, Hamam Said, e com o secretário-geral de seu braço político, a Frente de Ação Islâmica (FAI), Hamzeh Mansur, assim como outros dirigentes políticos. "O movimento islâmico deixou claro que as reformas políticas deveriam começar com uma lei eleitoral moderna que adote um sistema de representação proporcional e conduza à formação de um governo parlamentar", diz o comunicado. Atualmente, o rei se encarrega de nomear os ministros, que costumam ser escolhidos entre personalidades da vida pública devido à ausência de grandes coalizões ou partidos políticos no Parlamento, dominado por grupos tribais e pequenas associações.

Defesa do terrorista Battisti investe contra presidente do Supremo

Os advogados do terrorista italiano Cesare Battisti, condenado a prisão perpétua em seu país, acusaram o presidente do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso, de cometer ato ilegal ao manter o italiano preso, em petição protocolada na última sexta-feira no Supremo. Trata-se de um pedido de reconsideração contra a determinação de Peluso para que o terrorista continue preso em Brasília, mesmo depois de o ex-presidente Lula ter autorizado a permanência do italiano no Brasil. Para a defesa, o terrorista Battisti é vítima de "constrangimento ilegal" pela "recusa do presidente do Supremo em executar ato formal de sua competência". Os advogados de Battisti afirmam que o ato de Peluso "constitui violação autônoma ao direito de liberdade". O texto sustenta que a continuidade da prisão ocorreu sem que a decisão de Lula de negar a extradição tivesse sido alvo de questionamento. Ao lembrar que Peluso foi contra deixar o desfecho do caso para Lula, a defesa diz que ele manteve Battisti preso por se sentir contrariado: "Não pode o Presidente do Supremo Tribunal Federal descumprir, de ofício, a decisão do Presidente da República por discordar dela".

Pressão e taxas de colesterol caem nos países mais ricos

O mundo está mais gordo, mas começa a controlar a pressão e o colesterol. Entre 1980 e 2008, houve uma pequena queda na média global desses dois índices, segundo a pesquisa publicada hoje no "Lancet". As regiões onde a queda da pressão foi mais expressiva estão no mundo desenvolvido: Estados Unidos e Canadá, especialmente entre os homens, e Austrália e Nova Zelândia, para as mulheres. Mas o mundo tem ainda 1 bilhão de hipertensos (pessoas com pressão sistólica acima de 140 mmHg e diastólica além de 90 mmHg). Os países no oeste africano estão no topo dos níveis de pressão, com média de 135 mmHg para mulheres e 138 mmHg para homens. No Brasil, são as mulheres que levam os índices de pressão para baixo. Entre elas, a média caiu de 133,6 mmHg para 124,9 mmHg. Entre os homens, os números caíram de 136 para 133 mmHg. O colesterol, que cai no mundo ocidental desenvolvido, está em alta no Oriente, com destaque para Japão e China, ainda que os índices continuem baixos em relação a outras regiões. O problema é a mudança de estilo de vida, segundo o cardiologista Raul Dias dos Santos, diretor da área de lípides do InCor (Instituto do Coração): "Há uma ocidentalização da dieta nesses países, com maior consumo de gordura saturada. Tradicionalmente, os habitantes dessas regiões têm um risco menor de doenças coronárias. O aumento do colesterol faz esse risco crescer".

FAO e França alertam para risco de motins por alta dos alimentos

O encarecimento dos alimentos cria "riscos de motins" por fome, advertiram França, que exerce a presidência do G20, e Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), em coletiva de imprensa realizada na sexta-feira, em Roma. "Existe um risco real de motins de fome", declarou o ministro francês da Agricultura, Bruno Le Maire, em coletiva de imprensa conjunta com Jacques Diouf, diretor-geral da FAO. Na quinta-feira, a FAO anunciou que os preços dos alimentos tinham alcançado um nível histórico em janeiro e podiam continuar aumentando. Os preços subiram em janeiro 3,4% em relação a 2010, estabelecendo-se em 231 pontos no índice da FAO, o ponto mais alto desde que a organização da ONU estabeleceu esse indicador em 1990. Em 2007 e 2008, registraram-se "motins da fome" em diversos países africanos assim como no Haiti e nas Filipinas, coincidindo com os preços recordes dos cereais. Nessa época, o índice dos preços dos alimentos da FAO estava em 200 pontos.

População obesa mundial dobrou em três décadas

Com os Estados Unidos liderando a tendência, a obesidade no mundo dobrou entre 1980 e 2008, de acordo com uma pesquisa global publicada na sexta-feira pela revista "Lancet". Há 31 anos, 4,8% dos homens e 7,9% das mulheres tinham índice de massa corporal acima de 30, o que configura obesidade. Três anos atrás, 9,8% dos homens e 13,8% das mulheres já tinham passado dessa marca. Assim, mais de um adulto, em cada grupo de dez, está obeso. O estudo, conduzido por pesquisadores do Imperial College London e de Harvard, com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Fundação Bill e Melinda Gates, é dividido em três partes: obesidade, pressão arterial e colesterol. Foram pesquisados dados de 199 países e territórios, desde 1980 até 2008. O Brasil acompanhou a tendência de alta da proporção de gordos. A China também é destaque, com aumento do índice de massa principalmente entre os homens. Apesar de os hábitos alimentares terem muito a ver com isso, os processos de urbanização e automatização têm culpa maior, segundo o endocrinologista Bruno Geloneze, coordenador do laboratório de metabolismo e diabetes da Unicamp: "O gasto energético foi muito reduzido. Não precisa ir muito longe. Sua bisavó, quando tomava suco, espremia a laranja. Hoje, é só abrir a geladeira". Outra questão importante é a privação de sono. De acordo com Geloneze, de 50 anos para cá, o mundo está dormindo duas horas a menos por noite, o que tem ligação direta com o peso. "Há uma desregulação do gasto energético, da produção de hormônios da saciedade e uma ativação da glândula suprarrenal, que faz adrenalina e cortisol. Tudo isso facilita o ganho de peso", diz o endocrinologista.

Dilma aceita antecipar já parte do aumento do saláriio mínimo do próximo ano

O governo da petista Dilma Rousseff vai propor aos sindicalistas incluir em sua proposta para o salário mínimo um mecanismo que permita a antecipação, quando o reajuste não representar ganho real, de valores a ser pagos em anos seguintes. A estratégia seria usada agora para resolver o impasse com as centrais sindicais. Enquanto o governo insiste em R$ 545,00 as centrais querem R$ 580,00. A votação do tema no Congresso Nacional será o primeiro teste da fidelidade da base aliada. Apesar de insistir em R$ 545,00 a equipe de Dilma aceita antecipar parte do reajuste que será concedido em 2012, mas só fará essa negociação se o Congresso e os sindicalistas aceitarem a criação do mecanismo que antecipe aumentos reais. O mecanismo pode ser incluído na medida provisória que será enviada ao Congresso com o valor de R$ 545,00 e oficializando a regra atual de reajuste como definitiva até 2023, com revisões de quatro em quatro anos. Pela regra, o mínimo é reajustado pela inflação, acrescido da variação do PIB de dois anos antes. Lula havia fixado o mínimo em R$ 540, corrigido pela inflação prevista para 2010 naquele momento (5,88%), sem aumento real porque o País não cresceu em 2009. Só que o índice ficou em 6,46%, o que faz o salário subir para R$ 543,00. Dilma arredondou para R$ 545,00.

Amazônia teve a pior seca dos últimos cem anos

A seca de 2010 da Amazônia foi a pior dos últimos cem anos. E a quantidade de CO2 emitido pelas árvores mortas pode ser parecida com as emissões dos Estados Unidos. As constatações são de estudiosos britânicos da Universidade de Leeds e de brasileiros do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). Eles publicaram um artigo na revista "Science". O grupo de pesquisadores, liderado pelo britânico Simon Lewis, mostrou que a seca de 2010 foi mais intensa e afetou uma área maior que a estiagem de 2005, até então considerada recorde em várias décadas. No ano passado, uma área de 3 milhões quilômetros quadrados foi atingida pela estiagem, contra 1,9 milhão quilômetros quadrados em 2005. Os cientistas fizeram um cálculo do desvio da média de chuvas comuns nas estações secas da Amazônia (chamado de desvio padrão). "A intensidade da seca foi maior em 2010 em relação à média", explica o biólogo Paulo Brando, do Ipam, um dos autores do trabalho. A segunda parte do estudo, explica ele, verificou quais as consequências dessa seca do ponto de vista dos estoques de carbono. Aí vem a outra má notícia: com as secas, a floresta emitirá mais CO2 do que absorverá. Os pesquisadores relacionaram os dados de seca de 2010 com o crescimento das árvores (a partir de dados de campo coletados em 2005). A conclusão foi que a seca do ano passado pode emitir 5 bilhões de toneladas de CO2 para a atmosfera em 2010 e nos próximos anos. Isso não acontece de uma vez, já que a decomposição das árvores mortas é um processo lento. Para se ter uma idéia do que isso significa: a emissão da queima de combustíveis fósseis dos Estados Unidos é de 5,4 bilhões de toneladas por ano. Em condições "normais", estima-se que a Amazônia absorva 1,5 bilhão de toneladas de CO2 da atmosfera. "A seca de 2010 talvez tenha matado as árvores que já estavam vulneráveis por causa de 2005", explica Brando. "Pode ser que a floresta se recupere, mas ainda não fomos para campo medir. Ainda temos muito trabalho de campo pela frente", diz.

Agressor de chargista dinamarquês é condenado a nove anos de cadeia

Um tribunal dinamarquês condenou um somali a nove anos de prisão na sexta-feira depois de considerá-lo culpado por tentativa de terrorismo e de assassinato pelo ataque a um chargista que desenhou uma caricatura do profeta Maomé. "Mohammed Geele foi condenado a nove anos de prisão e será expulso definitivamente da Dinamarca" depois de concluir sua sentença, informou a juíza Ingrid Thorsboe, do tribunal localizado no centro da cidade de Aarhus. O somali de 29 anos "também precisa pagar uma multa de US$ 1.830,00 para Kurt Westergaard, assim como cobrir os custos do julgamento", completou. O tribunal considerou Geele culpado por tentativa de assassinato contra o cartunista de 75 anos. Os promotores pediram 12 anos de prisão e deportação, além de proibição de retornar à Dinamarca, enquanto a defesa pediu apenas seis anos de prisão e que ele não fosse obrigado a sair do país. WesterGaard, que atualmente tem 75 anos, foi ameaçado de morte várias vezes desde que seu jornal, "Jyllands-Posten", publicou, em 30 de setembro de 2005, uma caricatura satírica representando o profeta Maomé vestido com um turbante em forma de bomba com o pavio aceso. O episódio ocorreu na noite de 1º de janeiro de 2010, quando o somali, que viajara naquele dia de trem desde Copenhague, entrou na casa do caricaturista em Viby, nas proximidades de Aarhus. Alarmado com o ruído, Westergaard (que estava cuidando da sua neta de 5 anos) refugiou-se em um banheiro que converteu em bunker de segurança e, dali, chamou a polícia, enquanto o somali tentava abrir a porta a machadadas. A polícia chegou poucos minutos depois, e o agressor ainda atacou um dos agentes, que responderam com tiros e feriram uma perna e uma mão do somali.

Apagão deixou sete Estados sem luz

O apagão que atingiu o Nordeste na madrugada de sexta-feira foi provocado pelo desligamento simultâneo de seis linhas de transmissão de 500 KV que alimentam a região, de uma subestação em Pernambuco e do sistema de geração das usinas de Paulo Afonso, na divisa dos Estados da Bahia e Alagoas, e de Xingó, entre Alagoas e Sergipe. Ao todo, sete Estados do Nordeste foram afetados. Segundo o diretor-geral da ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Hermes Chipp, a causa do apagão ainda é desconhecida, mas pode estar ligada a uma falha no sistema de proteção. Um relatório técnico sobre o que aconteceu na madrugada será divulgado na terça-feira. Apenas o Maranhão e Piauí não foram afetados. O problema começou às 23h08 e o fornecimento só foi plenamente restabelecido às 3 horas quando a energia voltou em Natal (RN). Os problemas começaram com o desligamento de uma linha de transmissão de 500 KV, entre as usinas hidrelétricas de Sobradinho e Luiz Gonzaga (ex-Itaparica), e de parte da subestação Luiz Gonzaga, em Jatobá (PE). Essa pane, porém, não foi suficiente para provocar falta de energia, suprida por outras linhas. Uma inspeção não constatou nenhuma falha. Logo em seguida, entretanto, outras cinco linhas de transmissão e o restante da subestação também desligaram. No momento do corte o consumo no Nordeste era de 8.600 MW.

PT monta futuro do mensaleiro José Dirceu caso ele seja inocentado pelo Supremo

O PT já desenha um rascunho para o futuro de José Dirceu (PT-SP) caso ele seja inocentado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Mensalão do PT, no segundo semestre. José Dirceu sairia em viagem pelo Brasil, muitas vezes ao lado do ex-presidente Lula. Em 2012, iria para o Ministério da Saúde, substituindo Alexandre Padilha, que viria para São Paulo disputar a prefeitura. Então tá....

Líder supremo do Irã saúda "levante islâmico" no mundo árabe

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, saudou na sexta-feira o que denominou de "movimento islâmico de libertação" no mundo árabe, e aconselhou a população do Egito e da Tunísia a se unir em torno da religião e contra o Ocidente. "O despertar do povo islâmico egípcio é um movimento islâmico de libertação e eu, em nome do governo iraniano, saúdo o povo egípcio e o povo tunisiano", disse o aiatolá Ali Khamenei a fiéis em Teerã, durante as orações da sexta-feira. "Os eventos atuais no norte da África, no Egito, Tunísia e outros países têm uma significação particular para nós", declarou Khamenei durante a oração da sexta-feira na Universidade de Teerã. Ele comparou a situação atual nesses dois países com o triunfo da revolução islâmica no Irã, em 1979, e se referiu a ambos os casos como "o despertar islâmico".

Ministro Luiz Fux já deu decisão contrária a lei da ficha-suja

O futuro ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, já decidiu duas vezes que um político barrado pela Lei da Ficha Limpa pode disputar eleições. Nessas decisões, argumentou que não houve má-fé nas irregularidades que causaram a condenação. Fux será o voto decisivo no Supremo sobre a validade da lei. A partir dele, o Supremo pode mudar o entendimento sobre a validade imediata da regra. Fux decidiu sobre a Ficha Limpa em cima de três recursos que tramitavam no Superior Tribunal de Justiça contra condenação de políticos. O ministro entendeu que só pode ficar inelegível quem foi condenado por colegiado, como diz a lei, mas desde que tenha havido má-fé. A Ficha Limpa não discrimina os casos de "má-fé", mas dá margem para juízes e ministros interpretarem caso a caso se há necessidade de tornar o acusado inelegível. Nessas decisões, Fux não tratou da polêmica que travou o julgamento no Supremo, que discute se a lei da Ficha Limpa pode retroagir. Fux só decidiu provisoriamente se a inelegibilidade trazia prejuízos ao acusado.

Fusão de gigantes do aço mundial indica onda de consolidação

Os planos da Nippon Steel Corp e da Sumitomo Metal Industries de criar a segunda maior produtora de aço do mundo, atrás apenas da ArcelorMittal, espalharam expectativas de maior consolidação do setor, e fez as ações de siderúrgicas japonesas avançarem na sexta-feira. Na véspera, Nippon Steel e Sumitomo haviam anunciado que vão se fundir no próximo ano com o objetivo de cortar custos e acelerar a expansão no Exterior. O acordo, da ordem de US$ 11 bilhões, é marcado pela Nippon Steel adquirindo a rival menor Sumitomo Metal. Excesso de capacidade tem sido um problema de longa data para a indústria siderúrgica global, mas grandes fusões não têm ocorrido desde a criação da gigante ArcelorMittal em 2006. A China, maior produtora mundial de aço, espera ter mais de 60% da capacidade de produção doméstica sob controle de suas dez maiores siderúrgicas até 2015, o que leva a crer que fusões devem ocorrer naquele país também.

É nisto que dá o estatismo defendido pela escória esquerdista

De acordo com participantes de uma reunião entre dirigentes peemedebistas com o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, que começou na noite da última quarta-feira e terminou às 2 horas da última quinta-feira, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), deu berros ao saber que Dilma escolheria Decat para Furnas. “A Câmara não aceita perder Furnas para o Senado”, disse Henrique Alves, segundo relato de um dos presentes. Dessa reunião participaram, além de Henrique Alves e Palocci, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), e o vice-presidente Michel Temer. O encontro foi realizado em um apartamento de Temer, em um hotel que fica a menos de 600 metros do Palácio da Alvorada. No fim da tarde de quinta-feira foi feita nova reunião entre os mesmos participantes, quando o nome de Decat foi confirmado. Pelo relato percebe-se a atuação direta do petista Antônio Palocci, o primeiro-ministro em ação. Ninguém estava em um prédio oficial, decidindo os destinos da Nação, em horário de expediente. Era um daqueles arranjos privados da coisa pública, em ambiente também privado, varando a noite. Tudo pelo bem da pátria. Esse é o terceiro governo de uma linhagem petista que vive satanizando as privatizações, apenas para se ver o uso que faz das empresas estatais. Quem nessas reuniões privadas, realizadas em hotel, altas horas da madrugada, estava lá querendo servir ao público, e quem lá querendo se servir do bem público? É para isso que o PT tanto defende a estatização. Quanto maior o tamanho do Estado, maior o botim para ser descarnado a bocadas por petistas e aliados.

Sócia de Furnas omitiu sua origem em paraíso fiscal

A Companhia Energética Serra da Carioca, empresa pivô da crise em Furnas, omitia seu sócio controlador e não apontava a origem do dinheiro investido na construção de uma hidrelétrica em Goiás em sociedade com a estatal. Apesar dessas suspeitas, levantadas em relatório do corpo técnico do BNDES, Furnas comprou da empresa a participação no negócio da hidrelétrica. Pagou pelas ações, em agosto de 2008, cerca de R$ 80 milhões. Oito meses antes, a Serra da Carioca havia entrado no negócio desembolsando apenas R$ 7 milhões pelas mesmas ações. A estatal diz que não teve prejuízo porque a empresa já havia investido R$ 75 milhões no empreendimento. Mas não divulgou documento comprovando o aporte. As dúvidas sobre a  idoneidade da companhia vieram à tona quando ela foi apresentada por Furnas ao BNDES como sua nova sócia. O BNDES já havia aprovado financiamento de R$ 587 milhões para a obra, mas passou a reavaliar seu aval. Na época, o banco pediu informações sobre o quadro societário da Serra da Carioca. Na relação de sócios estavam os empresários João Alberto Nogueira e Sérgio Reinas, com 5% das ações cada um, e a Gallway Projetos e Energia do Brasil, com 90%. A controladora da Gallway era a Atlantic Energy Private Foundation com 99,99%. A Serra da Carioca omitiu que a Atlantic, sediada nas Antilhas Holandesas (paraíso fiscal), pertencia a Nogueira. Mas ao ser pressionada pelos técnicos do BNDES confirmou a informação. A Atlantic não aparecia no Imposto de Renda do empresário.

Família Sarney também emplaca o “Pipoca” no setor elétrico

O presidente de Furnas, Flávio Decat, não é o único amigo de Fernando Sarney na cúpula do setor elétrico, área que tem a especial predileção do clã. Também tem o “Pipoca”. Quem é o “Pipoca”? O ministro Edison Lobão (PMDB) trouxe de volta ao Ministério de Minas e Energia um assessor que foi grampeado pela Polícia Federal ao conversar com o filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), sobre pedidos de favores. Na época das gravações, Antonio Carlos Gomes Lima, o Pipoca, como é conhecido, era assessor especial de Lobão na pasta. Ele deixou o cargo em 2009, depois de a imprensa noticiar suas relações com o empresário Fernando Sarney. Segundo as conversas, Pipoca recebe ordens de Fernando, que ditava compromissos e marcava encontros na agenda do ministro, além de pedir nomeações em cargos comissionados. O assessor de Lobão não era o alvo da polícia, mas foi apontado pela Polícia Federal como interlocutor frequente do principal investigado, Fernando Sarney, já indiciado sob acusação de falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e outros crimes. A nomeação de Pipoca, que reassumiu o comando da assessoria de comunicação da pasta, foi publicada no Diário Oficial em janeiro. Ao deixar o Ministério de Minas e Energia, em 2009, ele foi para a Eletrobras, outro reduto da família Sarney, como assistente da presidência, e ganhou uma cadeira no conselho de administração da Eletronuclear. Funcionário do governo do Maranhão, Pipoca negou envolvimento com as ações investigadas pela Polícia Federal e afirmou que foi cedido ao Ministério de Minas e Energia pela Eletrobras em janeiro deste ano. Disse que mantém relação de amizade com a família Sarney há 30 anos e que fez por Fernando Sarney o que faria “por outra pessoa”.

Vai pra casa, Battisti!

Os advogados do terrorista italiano Cesare Battisti pediram ao Supremo Tribunal Federal que reconsiderasse a manutenção da prisão de seu cliente. Mas, parece que decidiram também perder o juízo. No texto, acusam frontalmente o presidente da Corte, ministro Cezar Peluso, ao dizer: "Não pode o Presidente do Supremo Tribunal Federal descumprir, de ofício, a decisão do Presidente da República por discordar dela”. Para a defesa do terrorista Cesare Battisti, Peluzo age por capricho. É uma acusação grave. Ora, não cabe ao presidente da República descumprir, de ofício, a decisão do Supremo, segundo a qual cabia a Lula atuar “de acordo com o tratado de extradição”, o que o falastrão evidentemente não fez, usando como apoio um parecer vesgo da Advocacia Geral da União que, mais uma vez, agride o estado democrático italiano ao inferir que o terrorista seria perseguido em seu país, sem qualquer comprovação disso.

Ser cubano, algo inacreditável, conheça o paraíso dos socialistas (A)

Com o desafio de passar um mês em Havana com apenas 15 dólares, o repórter norte-americano Patrick Symmes narra seu mergulho na sociedade cubana e os diversos "jeitinhos" a que precisou recorrer para obter comida, se locomover e até mesmo para destilar rum caseiro. Ponha para rodar o CD ou DVD do Buena Vista Social Club, e comece a ler. Deixe a mente livre, e sinta as maravilhas do socialismo saudadas há 60 anos por esquerdopatas doentiamente mentirosos.

"NAS DUAS PRIMEIRAS DÉCADAS da minha vida, acho que nunca passei mais de nove horas sem comer. Mais tarde, fiquei sujeito a períodos mais longos de fome, mas sempre voltei para casa, fui recebido com festa, comi tudo o que quis, no momento que quis, e recuperei o peso que tivesse perdido. Além disso, segui a trajetória habitual de uma vida americana, ganhando meio quilo de peso por ano, década após década. Quando decidi ir a Cuba e viver por um mês consumindo apenas aquilo que um cubano comum pode consumir, meu peso havia atingido 99 quilos; nunca tinha sido tão alto. Em Cuba, o salário médio é de US$ 20. Médicos chegam a ganhar US$ 30, e muitas outras pessoas ganham só US$ 10. Decidi que me concederia o salário de um jornalista cubano: US$ 15, a renda de um intelectual oficial. Sempre quis ser um intelectual, e US$ 15 representava uma vantagem significativa sobre os proletários que constroem paredes de alvenaria ou cortam cana por US$ 12, e quase o dobro dos US$ 8 da pensão de muitos aposentados. Com esse dinheiro, eu teria de comprar minha ração básica de arroz, feijão, batata, óleo, ovos, açúcar, café e tudo o mais de que precisasse. A primeira meia hora em solo cubano foi passada nos detectores de metais. Depois, como parte de um novo regime de vigilância que eu não havia encontrado em meus 15 anos anteriores de visita ao país, passei por um interrogatório intenso, porém amadorístico. Não era nada pessoal: todos os estrangeiros que chegaram no pequeno turboélice vindo das Bahamas foram separados do grupo e extensamente interrogados. Como em Israel, um agente à paisana me fez perguntas detalhadas, mas que não versavam sobre assuntos importantes. ("Para que cidade você vai? Onde ela fica?"). O objetivo era me provocar, revelar incoerências ou causar nervosismo. Ele não olhou minha carteira ou perguntou por que, se eu planejava passar um mês em Cuba, tinha menos de US$ 20 comigo. O olhar do agente se voltou aos demais passageiros. Eu tinha passado. "Trinta dias", eu disse à senhora que carimbou meu visto de turista. O prazo máximo. Havia uma placa pendente do teto do aeroporto, com o desenho de um ônibus. Mas nada de ônibus. Só mais tarde, explicou a mulher da cabine de informações. Haveria um ônibus -só um- naquela noite, por volta das 20h, para levar os funcionários do aeroporto de volta a suas casas. Eu teria de esperar seis horas. O centro de Havana fica a 16 quilômetros do aeroporto. Porque um táxi custaria US$ 25 --ou seja, mais que o meu orçamento para todo o mês--, eu teria de ir a pé. A mesma mulher tirou do bolso do uniforme duas moedas de alumínio, e me deu: 40 centavos de peso, o equivalente a dois centavos de dólar. Na rodovia, a alguns quilômetros do aeroporto, eu talvez encontrasse um ônibus para a cidade. E em Havana eu poderia encontrar, ou teria de encontrar, uma maneira de sobreviver por um mês. Ergui a mochila aos ombros e comecei a caminhar, com as moedas de alumínio tilintando no bolso. Saí do terminal e atravessei o estacionamento, chegando à via de acesso. Comecei a caminhar pela estrada, deixando o mundo externo para trás a cada sólido passo. A intervalos de alguns minutos, táxis se aproximavam, buzinando, ou carros particulares paravam ao meu lado e me ofereciam uma jornada até a cidade por apenas metade do preço oficial. Eu continuei caminhando, devagar, deixando para trás os velhos terminais e contemplando os campos de vegetação esparsa. Os outdoors trombeteavam mensagens do passado: Bush terrorista. Depois de caminhar 40 minutos, cruzei por sobre os trilhos da ferrovia em uma passarela e, ao chegar à rodovia, tive sorte. O ônibus para Havana estava no ponto. Passada uma hora, eu havia chegado ao centro de Havana e estava de novo caminhando, em busca de um velho amigo.

Ser cubano, algo inacreditável, conheça o paraíso dos socialistas (B)

RACIONAMENTO As primeiras pessoas com quem conversei na cidade --desconhecidos que vivem perto da casa do meu amigo-- mencionaram o sistema de racionamento. Sem que eu perguntasse, eles me mostraram suas cadernetas de racionamento e se queixaram bastante. A caderneta -conhecida como "libreta" - é o documento fundamental da vida cubana. Quase nada mudou no sistema de racionamento: ainda que agora seja impressa em formato vertical, a caderneta é idêntica às emitidas anualmente durante décadas. O que mudou foi a tinta: havia menos texto na caderneta. O número de itens era menor, e as quantidades também eram menores, menos do que em 1995, a época de fome do "Período Especial". Desde então, a economia cubana se recuperou, mas o sistema cubano de racionamento ainda não. Em 1999, o ministro do Desenvolvimento de Cuba me disse que a ração mensal oferecia comida suficiente para apenas 19 dias, mas previu que esse total logo subiria. Na verdade, caiu. Ainda que hoje o volume total de alimentos disponíveis em Cuba seja mais alto e o consumo de calorias per capita também tenha crescido, isso não se deve ao racionamento. O crescimento ocorreu em mercados privatizados e hortas cooperativas, e por meio de importações maciças; a produção de alimentos pelo Estado caiu 13% no ano passado e a ração encolheu junto. A opinião geral é de que a ração mensal hoje só dá para 12 dias de comida. A minha viagem serviria para que eu fizesse o meu próprio cálculo: como alguém pode sobreviver durante um mês com comida para apenas 12 dias?

Ser cubano, algo inacreditável, conheça o paraíso dos socialistas (C)

CADERNETA Cada família recebe uma caderneta de racionamento. As mercadorias são distribuídas numa série de mercearias (uma para laticínios e ovos, outra para "proteínas", outra para pão; a maior delas cuida dos enlatados e outros produtos embalados, de café e óleo a cigarros). Cada loja conta com um administrador que anota na caderneta a quantidade de produtos retirada pela família. Os vizinhos do meu amigo - marido, mulher e neto - receberam a ração padronizada de produtos básicos, que consiste, por pessoa, em:
Dois quilos de açúcar refinado
Meio quilo de açúcar bruto
Meio quilo de grãos
Um pedaço de peixe
Três pãezinhos
Riram muito quando perguntei se recebiam carne de vaca. "Frango", disse a mulher, mas isso provocou uivos de protesto: "Qual foi a última vez que recebemos frango?", o marido questionou. "Pois então, é verdade", ela disse. "Já faz alguns meses." A ração de "proteína" é distribuída a cada 15 dias e consiste numa carne moída de misteriosa composição, que inclui uma bela proporção de pasta de soja (se a carne for suína, a mistura recebe o falso nome de "picadillo"; se for frango, é conhecida como "puello con suerte", ou frango com sorte). A ração basta para o equivalente a quatro hambúrgueres por mês, mas até aquele momento, em janeiro de 2010, cada um só havia recebido um peixe - em geral, uma cavala seca e oleosa. E há os ovos. A mais confiável das fontes de proteínas, eles são conhecidos como "salva-vidas". Antigamente, a ração era de um ovo por dia; depois, um ovo a cada dois dias; agora, é de um ovo a cada três dias. Eu teria dez deles como ração para o mês seguinte. Meu amigo me conduziu a uma residência particular no bairro de Plaza, onde eu alugaria um apartamento por um mês - a única despesa que deixo fora de minhas contas aqui. O apartamento era espartano, em estilo cubano: dois cômodos, cadeiras sem almofadas, um fogareiro de duas bocas numa bancada e um frigobar. No meu segundo dia, comecei comendo um bagel de gergelim, e distraidamente o devorei inteiro, como se fosse possível comprar outro. De acordo com um aplicativo de contagem de calorias instalado em meu celular, o bagel tinha 440 calorias. Tudo que comi pelos 30 dias seguintes foi anotado com ajuda do pequeno teclado, registrado, tabulado em termos diários e semanais, dividido em proteínas, carboidratos e gordura, avaliado por meio de gráficos de barras. Um homem ativo do meu tamanho (1,88 metro, 95 quilos) precisa de cerca de 2,8 mil calorias diárias para manter o peso. Eu ainda não tinha conseguido quaisquer outros suprimentos de comida, e concluí meu café da manhã quando a faxineira de meu senhorio me deu dois pequenos copinhos de café muito açucarado (75 calorias).

Ser cubano, algo inacreditável, conheça o paraíso dos socialistas (D)

Da mesma forma que os cubanos aproveitam lacunas nos regulamentos para sobreviver, decidi explorar minha evidente condição de estrangeiro em meu benefício, e passei o dia entrando e saindo de hotéis nos quais poucos cubanos estão autorizados a entrar. Isso me dava acesso a ar condicionado, papel higiênico e música. Passei pela segurança no Habana Libre, o antigo Hilton, e subi de elevador até o topo, que oferecia lindas vistas de Havana ao crepúsculo. A boate ainda não estava aberta, mas entrei mesmo assim; apanhei um ensaio em curso. Um roqueiro russo, com uma banda de apoio de mais de 30 músicos, estava passando o som do show que faria mais tarde. O hotel serviu chá e água mineral em garrafas aos músicos, e aproveitei a oportunidade para beber bastante. O sabor adstringente do chá - mediado por muito açúcar - finalmente começou a fazer sentido para mim. Era a bebida dos noviços em um mosteiro, das pessoas famintas e enregeladas. Seu objetivo é matar o apetite. Havia restos de um lanche. Encontrei apenas um sanduíche e meio de queijo, abandonado em um guardanapo perto da seção de cordas; coloquei o guardanapo no bolso. Caminhei por uma hora, atravessando Havana para voltar ao meu quarto, passando por dezenas de lojas novas - açougues, bares, cafés, pizzarias e outros prolíficos fornecedores de alimentos vendidos apenas em moeda forte. Detive-me por longo tempo, contemplando os imensos peitos de peru expostos na vitrine de uma das lojas. Quando enfim cheguei ao meu quarto, os sanduíches se haviam desintegrado no meu bolso, em uma massa de migalhas, manteiga e queijo sintético, mas os comi mesmo assim, devagar, prolongando a experiência. Eu sempre havia desdenhado os cubanos que se dispõem a aplaudir o regime em troca de um sanduíche, mas, já no meu segundo dia na ilha, eu me sentia disposto a denunciar Obama em troca de um biscoito. Na manhã do terceiro dia, caminhei mais de duas horas por Havana em busca de comida, queimando 600 calorias, o equivalente aos sanduíches consumidos um dia antes. Eu havia presumido, erroneamente, que poderia simplesmente comprar a comida de que precisaria para o mês. No entanto, por ser norte-americano, eu era inelegível para o racionamento, nos termos do qual o arroz custa dois centavos de dólar o quilo. Como "cubano" vivendo com salário de US$ 15 ao mês, eu não teria como comprar comida fora do sistema, nas dispendiosas lojas que vendem alimentos em dólares. Os cubanos chamam essas pequenas lojas, que vendem de tudo, de pilhas e carne bovina a óleo de cozinha e fraldas, de "el shopping". Depois de horas de frustração, e incapaz de comprar qualquer comida, voltei de ônibus ao apartamento. Eu não tinha almoçado. Tentei ler, mas só havia trazido livros sobre dificuldades e sofrimento, como "Les Misérables". Comecei com um panorama mais fácil e bem humorado sobre uma vida solitária e repleta de privações, "Sailing Alone Around the World", de Joshua Slocum, e li 146 páginas do livro em meu primeiro dia. Slocum atravessou o Atlântico em um veleiro comendo pouco mais que biscoitos e postas de carne de peixe voador, acompanhados por café, e fiquei especialmente satisfeito quando, ao chegar ao Pacífico, ele descobriu que havia uma infestação de mariposas em sua reserva de batatas, e teve de lançar as valiosas provisões ao mar. Mas depois disso ele costumava fazer absurdos como preparar um cozido irlandês ou apelar a uma reserva de vitela defumada comprada na Tierra del Fuego. Um navio de passagem chegou a lhe lançar uma garrafa de vinho espanhol, certa vez. Bastardo sortudo. Se eu continuasse a ler no ritmo daquele primeiro dia, livros seriam mais uma das provisões que eu esgotaria antes do prazo. Por fim, já que não conseguia mais ficar parado, corri para fora da casa e, seguindo uma dica, encontrei uma casa a alguns quarteirões de distância em cujo portão havia um cartaz com a palavra "café". Na parte traseira da casa havia uma janela gradeada, e eu passei o equivalente a 40 centavos de dólar pela janela. Uma mulher me serviu um pãozinho com apresuntado. Um copo de suco de papaia me custou mais 12 centavos de dólar. Embora eu tentasse comer devagar, o almoço desapareceu em questão de minutos. A esse ritmo - 50 centavos de dólar por refeição -, minha reserva de dinheiro seria consumida rapidamente, e saí daquele quintal prometendo a mim mesmo que jantaria quase nada. De manhã, notícias piores me aguardavam quando tentei me vestir. Descobri que o zíper de minha calça estava enguiçado. Como parte do meu esforço para parecer e me sentir cubano, só havia levado duas calças na bagagem. Calças são um dos muitos itens não alimentícios também distribuídos como parte da ração, e isso em geral quer dizer apenas uma calça por ano. A maioria dos cubanos se vira com apenas um ou dois exemplares de cada peça de roupa. Por isso, o zíper quebrado teria de ser reparado - em janeiro, não havia distribuição de calças. Depois do fracasso de alguns esforços nada competentes para consertar o zíper sozinho, compreendi que teria de gastar dinheiro, ou trocar alguma coisa, pelo trabalho de um alfaiate. Café da manhã: duas xícaras de café açucarado. Total de 75 calorias.

Ser cubano, algo inacreditável, conheça o paraíso dos socialistas (E)

MERCADO No quarto dia, saí para comprar comida, experiência ridícula. Por sorte, o apartamento que aluguei ficava perto do maior e melhor mercado de Havana, que não é nem tão grande e nem tão bom assim. O mercado era um "agro", ou seja, um sacolão. Há quem compare esses mercados às feirinhas de produtos orgânicos norte-americanas, mas não havia conversa amistosa entre comprador e vendedor, e sim um ruidoso, lotado e barulhento corredor repleto de bancas vendendo todas o mesmo estreito elenco de produtos, a preços aprovados pelo Estado: abacaxis, berinjelas, cenouras, pimenta verde, tomate, cenoura, iúca, alho, bananas-da-terra e não muito mais. Numa sala separada, havia carne de porco à venda, pilhas trêmulas de carne rosada e pálida, manipulada por homens de mãos nuas. Carne era um produto além de meu alcance, embora houvesse "gordura" à venda por US$ 1 (27 pesos) o quilo. Esperei na fila para converter todo o meu dinheiro - 18 pesos conversíveis, a moeda forte cubana - em pesos comuns. A pilha de cédulas desgastadas e sujas que resultou da transação equivalia a 400 pesos, ou cerca de US$ 16, pela cotação do mercado negro de Havana. Enfrentei as multidões e comprei uma berinjela (10 pesos), quatro tomates (15), uma cabeça de alho (2) e algumas cenouras (13). No balcão da padaria, a mulher que atendia me disse que pães só podiam ser vendidos a portadores de cadernetas de racionamento - mas mesmo assim me vendeu cinco pãezinhos, avidamente apanhando cinco pesos de minha mão. Só fui bem tratado pelo vendedor de tomates, que me ofereceu um tomate de brinde.

Ser cubano, algo inacreditável, conheça o paraíso dos socialistas (F)

DOIS PESOS Cuba tem duas moedas, o peso valioso, oficialmente conhecido como CUC, e chamado de cuc, fula, chavita e convertible; ele foi introduzido para eliminar a presença de moeda estrangeira no país e seu valor deveria equivaler ao do dólar norte-americano, em termos gerais, ao menos antes da comissão de 20% cobrada pela conversão. A outra moeda é o humilde peso comum (conhecido como peso). Os salários dos cubanos são pagos em pesos comuns, e para comprar qualquer coisa importante eles precisam convertê-los em CUC, à taxa de 24 por um. Uma caixinha de macarrão frito no bairro chinês de Havana custava "72/2,5", em pesos comuns e CUC, respectivamente, e o preço nos dois casos representava cerca de 15% da renda mensal média. Comprei 1,5 quilo de arroz por pouco mais de 10 centavos de dólar, e um saco de feijão vermelho. Com isso, a conta final subiu a catastróficos US$ 2, por uma quantidade de comida que produziria apenas algumas refeições. Alguns moleques me seguiram até a saída, murmurando "camarão, camarão, camarão", em um esforço para me vender alguma coisa. Do lado de fora, um homem viu que eu me aproximava e subiu numa árvore, descendo com cinco limões que me ofereceu. (Não era um limoeiro, e sim o lugar em que guardava seus produtos de mercado negro.) Cheguei em casa cambaleando com o peso do arroz e dos legumes, com cara, segundo a mulher de meu senhorio, de homem divorciado a ponto de começar vida nova.

Ser cubano, algo inacreditável, conheça o paraíso dos socialistas (G)

DINHEIRO As calorias acumuladas inevitavelmente me levaram a refletir sobre o outro lado da equação: dinheiro. Como eu conseguiria sobreviver dali a duas semanas, se a cada vez que fizesse compras gastasse US$ 2? Eu continuava a fazer tudo a pé, o que me custava 60 minutos apenas para chegar aos hotéis de turistas em Vedado (nos quais não encontrei mais nenhum sanduíche extraviado), ou para encostar o rosto contra as grades de ferro de algum restaurante, assistindo, em companhia de quatro ou cinco cubanos, à banda que tocava mambo para os estrangeiros. A cada dia eu era abordado por cubanos que, de uma ou outra maneira, me pediam dinheiro. E sabia que minhas escolhas pessoais seriam igualmente desagradáveis, algumas semanas adiante. Será que eu deveria me posicionar em uma esquina e pedir dólares a desconhecidos? Até que ponto uma pessoa precisa estar faminta para se tornar parecida com a adolescente pela qual passei em uma calçada de Vedado naquela tarde; ela trazia um bebê no colo, mas se voltou para mim e disse: "Deseas una chica sucky sucky?"

Ser cubano, algo inacreditável, conheça o paraíso dos socialistas (1)

CAFÉ Se era questão de chupar alguma coisa, eu já sabia exatamente o quê. Apanhei-me contemplando os Ladas que passavam, para ver se as tampas de seus tanques de gasolina tinham trancas. Com uma mangueira e um recipiente plástico, eu poderia obter cinco litros de gasolina e vendê-la por intermédio de um amigo no bairro chinês. Mas todos os carros de Cuba têm trancas nas tampas do tanque de combustível, ou ficam protegidos atrás de portões trancados, à noite. Já havia homens demais, e bem mais durões que eu, envolvidos nesse tipo de trabalho. Cuba não é terra para ladrões amadores. Eu precisava de café, mas nenhuma loja tinha estoque desse produto essencial. Nem mesmo a loja do meu bairro que opera com moeda forte tinha café, e visitas repetidas aos supermercados que vendem em dólares, em Vedado, e às lojas de diversos hotéis resultaram em zero café, por todo o mês. Certa vez vi um pacote de meio quilo de Cubacafe, a marca de exportação, à venda em um cinema da Velha Havana. Mas custava 64 pesos, e mesmo que a abstinência de café estivesse me matando, eu não tinha como pagar tão caro, ou andar toda aquela distância de novo. Da janela do meu banheiro, percebi que a loja de produtos racionados estava aberta, e fui até lá. Em uma prateleira, havia cinco sacos de café. Eram da marca doméstica, Hola, um café claro, em contraposição ao pó escuro do Cubacafe, e o preço era de pouco mais de um peso pelo primeiro pacote de 100 gramas, e de cinco pesos por pacote adicional. Havia cerca de uma dúzia de pessoas disputando o pão e o arroz, e por isso pude estudar as duas lousas nas quais a loja anunciava os produtos disponíveis. A maior delas mencionava os produtos básicos - os primeiros dois quilos de arroz custam 25 centavos de peso; cada comprador pode comprar um quilo adicional por 90 centavos de peso. O limite de compras era de três quilos de arroz ao mês, para prevenir que as pessoas comprassem arroz e o revendessem em busca de lucros. A lousa menor informava sobre os "produtos liberados", e continha uma lista menor de coisas como cigarros e outros bens que podem ser adquiridos sem restrições. Eu disse "el último", e tomei lugar na fila por trás do comprador que antes era o último. Logo chegou uma mulher com uma sacola plástica nas mãos e disse "el último", e se tornou a última da fila. O homem que me atendeu sorria mas parecia agitado. Era alto, negro, e usava uma barba rala, mal cuidada. Quando pedi café, fez um gesto negativo com as mãos. Não era preciso explicar: um estrangeiro não tem direito a ração, e de qualquer jeito não havia café. Tentei ganhar tempo, esticando uma conversa à qual ele só respondia com gestos. Perguntei se não havia café em parte alguma, e disse que havia procurado por toda a cidade, sem encontrar. Acrescentei que realmente gostava de café. Sabe? "Os cubanos bebem muito café", ele por fim respondeu. Tendo estabelecido uma conexão, eu acenei com a cabeça e perguntei se não seria possível conseguir café em algum lugar. "Não", ele respondeu. Sério? Talvez alguém, em algum lugar? Nem precisa ser muito. Ele meneou a cabeça; o gesto do talvez. Quem? "A Sra. __", respondeu. E onde posso encontrá-la? Como se estivesse guiando um cego, ele saiu de trás do balcão, me apanhou pelo braço e me conduziu até a rua. Caminhamos apenas 10 passos, sem mudar de calçada. Ele entrou na primeira porta, e distraidamente apertou o traseiro de uma mulher que estava passando. ("Ei!", ela exclamou, furiosa. "Quem você acha que é?") Paramos na porta de um apartamento localizado imediatamente atrás da loja de produtos racionados. Ele bateu. A porta foi aberta por uma mulher com um bebê no colo. "Café", ele disse. Paguei com uma nota de 20 pesos. Ela me deu um pacote de Hola e cinco pesos de troco. "Só isso?" Era três vezes mais que o preço cobrado na loja, a alguns passos de distância, mas descobri mais tarde que os cubanos também têm de pagar o mesmo ágio. O homem fez que sim com a cabeça. Seu nome era Jesús. Voltamos à loja. "Pão?", perguntei. Ele perguntou ao seu chefe, que respondeu com um "não" em volume alto o bastante para que a loja toda ouvisse. Perguntei de novo. Ele repetiu a pergunta ao chefe. Não ouvi um novo não. Passei-lhe a nota de cinco pesos e recebi cinco pãezinhos. Depois disso, pude comprar tudo que queria. Em companhia de Jesús, ninguém perguntava coisa alguma. Ninguém me pediu para ver minha caderneta de racionamento, nas compras dos itens básicos, e pelo resto do mês paguei o mesmo preço que os cubanos, pela mesma merda de comida.

Ser cubano, algo inacreditável, conheça o paraíso dos socialistas (2)

PEDESTRE No sexto dia, fui a pé aos subúrbios, saindo de meu bairro, Plaza, e passando por Vedado rumo ao oeste, e pelo imenso cemitério de Colón, que abriga os mausoléus e os anjos alados das famílias ricas do passado cubano, bem como os sepulcros de concreto da classe média. Um jovem chamado Andy caminhou comigo por algum tempo, entusiasmado por aprender mais sobre os Estados Unidos. ("todos queremos viver lá"); ele me convidou para conhecer a barbearia de um amigo. Mais tarde, de novo sozinho, passei por alguns cafés, e estudei com atenção todas as pequenas barracas. Uma delas oferecia "pão com hambúrguer" por 10 pesos, o menor preço que havia visto até então. Mas ainda assim seria um gasto alto demais para aquele dia. Entrei para o mundo dos pedestres de longo percurso, e percorri uma dúzia de avenidas e mais de 20 ruas ao longo de uma hora; encontrei a pequena ponte sobre o rio Almendares que separa Havana propriamente dita da Grande Havana. Os exilados costumam falar com nostalgia sobre o Almendares, cujo percurso tortuoso é marcado por vinhas e imensas árvores, mas sempre o vi como deprimente ou até mesmo um tanto assustador: uma fronteira úmida e lodosa entre a cidade decadente e as grandes (e dispendiosas) casas dos subúrbios a oeste. De uma ponte baixa perto do oceano, consegui ver o que restava da paisagem marinha: uma dúzia de cascos de navios naufragados, alguns barcos dilapidados usados como moradia, e galpões abandonados que no passado serviam como abrigos de embarcações. Só havia dois barcos em movimento: uma lancha da polícia e um pequeno iate sem mastros de cerca de seis metros de comprimento, aparentemente incapaz de chegar à Flórida. Virei à direita na Miramar, passando por algumas das maiores mansões de Cuba e diversas embaixadas. É a região "dos endinheirados, das empresas estrangeiras e das pessoas com linhagem", diz uma prostituta no romance "Havana Babylon". "Viver em Miramar, mesmo que em um vaso sanitário, é sinal de distinção".

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COMIDA ROUBADA Fui perseguido por duas mulheres que acenavam com uma lata imensa de molho de tomate e gritavam "15 pesos! É para os nossos filhos!" Não parei, mas depois percebi que havia cometido um erro. Ao preço de 15 pesos por uma lata em tamanho restaurante, o molho de tomate seria uma pechincha. Comida roubada é a mais barata. E nada poderia ser mais normal em Cuba do que caminhar carregando uma lata gigante de alguma coisa. Poucos quarteirões adiante, cheguei por acaso ao Museu do Ministério do Interior. A equipe era formada por mulheres com o uniforme do Minint, com ombreiras verdes e saias na altura do joelho. Informaram-me que o ingresso custava dois CUC. Eu não tinha como pagar, é claro. E quanto custa o ingresso para os cubanos? Pergunta errada. Ninguém pechincha com o Minint. Eu disse que voltaria outro dia, mas fiz hora no saguão de entrada, que serve como local para exposição: uma bancada de metralhadoras, fotos da grande sede do Minint, perto do meu apartamento, e citações em letras grandes de frases de Raúl Castro e outras autoridades, com elogios aos patriotas do Minint por protegerem o país. Uma das mulheres, que usava o cabelo preso em um coque severo, estava me observando. Embora eu não tivesse fotografado nada e nem tomado notas, ela parecia astuta.
"Quem é você?", ela perguntou.
Eu sorri e comecei a caminhar para a saída.
"Você é jornalista?", ela quis saber.
"Turista", disse, olhando por sobre os ombros e caminhando apressado para a saída.
"Você tem credencial para vir aqui?", ela me perguntou, de longe.
Continuei a caminhar rumo oeste, por mais meia hora. Estava coberto em suor quando cheguei à casa de Elizardo Sánchez, um dos alvos do Minint.

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PROGRESSO Quando contei a Sánchez que havia caminhado até sua casa, como parte de um plano para passar 30 dias vivendo e comendo como um cubano, ele me mostrou sua caderneta. "O nome disso é caderneta de suprimentos", disse ele, "mas é um sistema de racionamento, o mais duradouro do mundo. Os soviéticos não tiveram racionamento por tanto tempo quanto os cubanos. Nem mesmo o racionamento chinês durou tanto". A escassez surgiu logo depois da revolução; o sistema para a distribuição controlada de bens básicos já estava em funcionamento em 1962. Depois de 50 anos de Progresso, o país está falido, na prática. Em 2009, ervilhas e batatas foram retiradas da ração e os almoços baratos nos locais de trabalho foram reduzidos às dimensões de lanches rápidos. "Havia rumores sobre retirar coisas da ração, ou eliminar o sistema de vez", disse Sánchez, sobre boatos que cativam os cubanos. Mas esses rumores desapareceram em 1º de janeiro de 2010, quando novas libretas foram distribuídas, a exemplo de todos os outros anos.

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ARTES DOMÉSTICAS Sánchez mantém alegre ignorância quanto às artes domésticas. "Dois quilos de arroz a 25 centavos", ele disse, tentando recordar sua ração mensal. "Acho. E mais meio quilo a 90 centavos. Acho. Vamos perguntar às mulheres. Quanto a isso, elas dominam". Ele chamou a mulher com quem vive, Barbara. Além de trabalhar como advogada em defesa de prisioneiros políticos, ela cozinha e ajuda sua mãe e uma sócia a manter uma padaria na cozinha de sua casa. Elas compraram uma saca de trigo "à esquerda", o que significa que se trata de farinha roubada, comprada de um contato. O custo foi de 30 pesos. Com isso e uma porção de carne moída comprada clandestinamente no açougue, elas fazem pequenas empanadas vendidas a três pesos a unidade, ou cerca de oito por US$ 1. É assim que Cuba se ajeita: as lojas de produtos racionados têm moradores dos bairros como funcionários; eles roubam ingredientes e os vendem aos vizinhos, que produzem alguma coisa com eles e revendem a esses e outros vizinhos. Oito empanadas seriam um bom almoço, mas US$ 1 era preço fora do meu orçamento. Barbara me deu duas delas, e eu as demoli com uma mordida. Ela ouviu com expressão neutra, quando expliquei minha tentativa de viver dentro dos limites do racionamento. "É um bom plano de dieta", comentou. Outro dissidente que estava visitando a casa, Richard Rosello, entrou na conversa. Ele tem um caderno no qual anota os preços dos produtos nos mercados paralelos, também conhecidos como mercados clandestinos ou mercados mala preta. "Um problema é a comida", disse Rosello. "Mas também temos o problema de como pagar a conta de luz, o gás, o aluguel. O preço da eletricidade está de quatro a sete vezes mais alto que no passado". Elizardo paga cerca de 150 pesos por mês de eletricidade - um quarto do salário médio cubano. Como sobreviver, portanto? "Os cubanos inventam alguma coisa", disse Barbara. Um dos truques é vender os bens racionados, comprados a baixo preço, pelo valor de mercado. Foi assim que enfim consegui comprar minha porção de 10 ovos. Sem a caderneta de racionamento, não tinha como comprá-los legalmente. Mas ao anoitecer do dia anterior, eu havia esperado perto da loja de ovos local, onde troquei um olhar com uma mulher idosa que estava saindo com 30 ovos - um mês de suprimento para três pessoas. Ela os comprou a 1,5 peso por unidade, e me vendeu 10 deles por dois pesos cada. Voltou à loja e imediatamente comprou mais ovos, lucrando três ovos e alguma sobra de dinheiro com a transação. Os dois caminhamos de volta para nossas casas cuidadosamente, com medo de desperdiçar toda a ração mensal de proteína por conta de um único tropeço. Barbara aproveitou para apontar um erro terrível em meu plano. Nos últimos anos, a maioria das fontes fora de Cuba reporta que a ração inclui 2,5 quilos de feijão preto. Mas há anos isso não é verdade. A porção do mês era de apenas 200 gramas. Dez mil calorias haviam desaparecido do meu mês em um piscar de olhos. Para atenuar o golpe, Barbara decidiu me convidar para um "típico" almoço cubano. O primeiro prato é arroz - a dois ou 2,5 quilos por mês, esse grão é o alimento básico da dieta cubana. A porção diária de arroz reservada a cada cidadão poderia ser guardada em uma lata de leite condensado. Trata-se de arroz vietnamita de baixa qualidade, conhecido como "creole", "feio" ou "microjet", este último termo uma referência zombeteira a um dos planos de Fidel para irrigar safras agrícolas por meio de um sistema de aspersão por gotas. O almoço típico inclui meia lata de arroz (a outra metade fica para o jantar); era uma massa grudenta, mas minha fome ajudou a considerá-lo saboroso. Depois, uma terrina de sopa de feijão. Cada terrina continha apenas alguns feijões, mas o caldo era rico, reforçado com ossos de boi. ("20 pesos o quilo, para os ossos", disse Barbara. "Muita gente não tem como comprá-los".) Eu não comia carne bovina havia seis dias. Depois, ela me deu meia batata doce. "Muito melhor que a batata comum, em termos de nutrição!", disse Elizardo, de algum lugar do corredor. Também me serviram um ovo frito, ainda que Elizardo tenha apontado, em novo grito, que "se você comer um ovo hoje, não poderá comer amanhã". Ou depois de amanhã. O ovo caiu muito bem. Dadas as dimensões reduzidas do meu estômago, a refeição toda, incluindo as duas pequenas empanadas, pareceu perfeitamente adequada. Mastiguei os ossos, extraindo pequenos pedaços de carne. Era minha melhor refeição em alguns dias. Barbara guardou cuidadosamente o óleo da frigideira. Richard, com seu caderninho de preços, expôs a matemática dessa forma de alimentação. Uma "cesta mensal" de comida racionada (que dura apenas 12 dias) custa 12 pesos por pessoa, de acordo com as contas do governo. Nos 10 dias seguintes de cada mês, as pessoas precisam comprar o mesmo volume de comida por 220 pesos, nos diversos mercados livres, paralelos e negros. E ainda assim isso só conduz o cidadão ao 22º dia do mês. As despesas mensais envolvidas em manter o mesmo padrão de alimentação seriam de 450 pesos - o que supera a renda de milhões de cubanos, e isso sem incluir roupas, transportes ou produtos para a casa. inguém mais consegue comprar pratos e xícaras. Eles são roubados de empresas estatais, quando possível, e vendidos no mercado negro. Quanto a roupas, é preciso comprá-las usadas, em mercados de troca conhecidos como troppings, um trocadilho com o apelido das lojas que vendem em moeda forte. Pessoas cuja comida acaba e vasculham latas de lixo ou se tornam alcoólatras para atenuar a dor, disse Richard. Elizardo voltou à sala. "Não estamos falando do Haiti, ou do Sudão", disse. "As pessoas não caem nas ruas, mortas devido à fome. Por quê? Porque o governo garante dois ou 2,5 quilos de açúcar, que tem alto teor calórico, e uma porção diária de pão, e arroz suficiente. O problema em Cuba não é a comida ou as roupas. É a completa falta de liberdade cívica, e portanto de liberdade econômica, o que é exatamente o motivo para que exista a libreta, para começar". Como no resto do mundo, o problema da comida na verdade é um problema de acesso, de dinheiro. E o problema de dinheiro é um problema político. No sétimo dia, eu repousei. Deitado na cama com Victor Hugo, perdido na contemplação daquele teste da bondade humana, era fácil esquecer por uma hora que minhas gengivas doíam, que minha garganta estava repleta de saliva. Havana está mudando, como as cidades costumam. A região central foi colocada sob o controle de Eusebio Leal Spengler, o historiador da cidade. Leal recebeu prioridade especial para materiais de construção, mão de obra, caminhões, ferramentas, combustível, encanamentos e até mesmo torneiras e vasos sanitários. Mas não é por isso que as pessoas o amam. Em lugar disso, explicou meu amigo, o acesso "privilegiado" a suprimentos significa simplesmente que há mais para roubar. Uma amiga estava reformando a casa na esperança de alugar aposentos para estrangeiros, e passados alguns minutos ouvimos um caminhão freando na rua, e o estrondo de uma grande buzina. O marido dela me fez um sinal apressado, e abrimos juntos a porta da frente. Havia um caminhão parado à porta. Em 60 segundos, três pessoas, entre as quais eu, descarregaram 250 quilos de sacos de cimento Portland. O marido passou algum dinheiro ao motorista, notas amarfanhadas, e o caminhão partiu imediatamente. O caminhoneiro havia faturado com material de construção destinado a alguma obra. Passamos meia hora transferindo o cimento a um canto escuro de um quarto dos fundos, recobrindo os sacos com uma lona, porque as letras da embalagem eram impressas em azul, o que configura propriedade do Estado. Os sacos com letras verdes são destinados à construção de escolas. Os sacos reservados ao uso dos cidadãos comuns vêm impressos em vermelho, e custam US$ 6 a unidade, nas lojas do Estado. Ao contrário da maioria dos funcionários cubanos, Leal de fato fez diferença na vida dos cidadãos. Reconstruiu os velhos hotéis; meus amigos roubaram 250 quilos de cimento para construir seu novo bangalô para turistas. Restaurou um museu, e meus amigos roubaram telhas de zinco para os telhados. Enviou caminhões carregados de madeira ao bairro, e metade da carga desapareceu. Tudo é propriedade do Estado. As pessoas se apoderam de tudo. Um sistema de racionamento operando em modo reverso. Ajudar no roubo do cimento foi meu primeiro grande sucesso. Por meia hora de trabalho, recebi um prato imenso de arroz com feijão vermelho, acompanhado por uma banana e uma porção de picadillo - pelo menos 800 calorias.

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SEGUNDA SEMANA A segunda semana foi mais fácil. As duas pequenas prateleiras do apartamento estavam bem abastecidas de arroz e feijão, algumas batatas doces compradas por 1,70 peso o quilo, e minha garrafa de uísque contrabandeado, ainda pela metade. Eu tinha nove ovos, depois oito, e depois sete, ainda que a geladeira fora isso estivesse vazia. Deixei de lado luxos como os sanduíches (ou sanduíche - comprei só um, e a despesa ainda me causava pesadelos). No décimo dia, constatei que me restavam 100 pesos. Como no caso dos ovos, eu era capaz de imaginar uma lenta e cuidadosa redução ao longo dos próximos 20 dias, mas tanto meu orçamento quanto minha dieta podiam ser arruinados caso eu tropeçasse e deixasse uma gema cair no chão. Tudo dependia de quanto o arroz duraria. Já que só me restavam cinco pesos por dia para gastar, eu não poderia mais fazer compras grandes durante a minha estadia. Aprendi a controlar o apetite e a passar sem me deter pelas filas de cubanos que adquirem pequenas bolas de farinha frita a um peso. Meu único luxo foi uma barra de manteiga de amendoim endurecida, produzida artesanalmente por agricultores, que comprei por cinco pesos em um agro. Com cuidado, essa barra de tamanho equivalente a seis colherinhas de amendoim moído rusticamente e pesadamente açucarado podia durar até dois dias. É normal ver os campesinos mais pobres mascando essas barras, que eles embrulham cuidadosamente e guardam depois de cada mordida.

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TRABALHO Outra coisa que eu tinha em comum com a maioria dos cubanos é que absolutamente não trabalhei durante meus 30 dias. O que significa que trabalhei muito e com grande frequência em meus projetos pessoais. Carreguei cimento e removi cascalho por dinheiro, e escrevi bastante, mas não se tratava de trabalho para o Estado, o tipo de trabalho computado nas contas da Cuba oficial, onde mais de 90% das pessoas são funcionários do Estado. Por que procurar emprego? Ninguém leva seu trabalho a sério, e a piada mais velha de Havana continua a ser a melhor: "Eles fingem que nos pagam, nós fingimos que trabalhamos". Os cubanos que ignoram convocações oficiais ao trabalho podem ser acusados de serem "elementos perigosos", um delito vago e passível de pena de até quatro anos de prisão. Ser um elemento perigoso é um "pré-crime", disse Elizardo Sánchez - como se a polícia tentasse cortar pela raiz as atitudes negativas antes que a pessoa tenha a oportunidade de cometer um crime real. Há campanhas regulares para deter os jovens que tentem evitar o trabalho estatal e o serviço militar, e este ano elas se provaram especialmente vigorosas, um sinal de nervosismo. "Não é fácil se esconder do governo", disse Sánchez. "Os meninos precisam se registrar para futuro serviço militar aos 15 anos de idade. Às vezes tentam mudar de endereço, mas não funciona. Para um jovem, é difícil permanecer escondido. Cuba é uma sociedade de arquivos. Da primeira série em diante, a polícia pára crianças nas ruas e lhes solicita documentos de identidade. Podem fazer contato pelo rádio e pegar a ficha completa".

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CARAMELO Com isso, eu tinha tempo de sobra. Naquela noite, ouvi música ao longe e encontrei uma série de palcos montados ao longo da rua 23, e assisti a um bom show de rock sob a luz da lua. Sentei-me no pedestal de alguma obscuridade heróica - uma mãe estendo os braços para entregar o filho à batalha. Depois de algum tempo, uma menininha de sete ou oito anos se aproximou e sentou perto de mim.
"Caramelo?", disse. (Doce?)
"Não tenho".
"Nenhum?"
"Nada".
"Mas nenhum, mesmo?"
"Não".
Então vieram as perguntas usuais: de onde você vem, onde mora, por que está por aqui. E de novo: "Não tem dinheiro nenhum?"
"Não tenho".
"Mas os estrangeiros sempre têm muito dinheiro".
"Sim, tenho dinheiro no meu pais. Aqui, vivo como se fosse cubano".
"Me dá um peso?"
Não posso. A verdade, pequena, é que estou no meio de um jogo. Estou fingindo ser pobre. Estou vivendo como seus pais, por algum tempo. Não como há nove horas. Nos 11 últimos dias, comi 12 mil calorias a menos do que minha dieta normal disporia. Meu dentes doem muito. Ou, traduzido para o espanhol: "Não".

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MIL CALORIAS Por fim, voltei para casa, onde uma celebração muito desejada me aguardava. Era sexta-feira, a noite da semana em que eu comeria carne. Ainda que o dia até aquele momento tivesse sido um de meus piores - apenas mil calorias até as 21 horas, e longas caminhadas - , estava determinado a compensar tudo aquilo com um banquete. Preparei arroz, e cozinhei uma batata doce na panela de pressão - que os cubanos apelidam de "aquela que Fidel nos deu", porque foram as panelas distribuídas como parte de um esquema de economia de energia. Também tomei uma preciosa dose de uísque com gelo (250 calorias), tudo isso acompanhado por arroz e feijão que sobraram do dia anterior. Por necessidade, servi apenas porções pequenas. Do refrigerador, tirei minha proteína: um dos quatro filés de frango empanados a que tinha direito para o mês. Acendi o fogão com cuidado, e fritei o filé até que sua crosta ficasse escura, ainda que ao serví-lo o interior estivesse frio e úmido. Não era carne de frango. Não era nem mesmo a "mistura de frango" que a embalagem dizia ser. Os principais ingredientes mencionados eram pasta de soja e trigo. Uma inspeção mais cuidadosa revelou que o teor de carne de frango era zero. Eu estava comendo uma esponja empanada, com apenas 180 calorias. Ah, meu reino por um McNugget. Por fim, cruzei a barreira das duas mil calorias pela primeira vez em 10 dias - por pouco. Descontando os muitos quilômetros de caminhadas e alguns minutos de dança, retornei à familiar referência das 1,7 mil calorias. Mas pelo menos estava de barriga cheia quando fui dormir. Ou era o que eu imaginava. Depois de duas horas de sono, acordei com insônia, a companheira da fome. Fiquei na cama da uma da manhã até o alvorecer, cinco horas de briga contra mosquitos e de leitura de Victor Hugo e Alexandre Dumas père. Ainda assim, não é possível comparar minha situação a uma fome real. Como aponta Hugo: "Por trás da arte de viver com muito pouco, está a arte de viver com nada". Mergulhei nos milhares de páginas da França do século 19, em dois escritores que descrevem revoluções, marchas forçadas e fome real. "Quando a pessoa não comeu", escreve Hugo, "a sensação é muito estranha... Ela rumina aquela coisa inexprimível, a amargura. Uma coisa horrível, que envolve dias sem pão e noites sem sono". E assim chegou a aurora, minha 12ª.

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TELEFONEMA Repentinamente, sorte e felicidade. Na noite seguinte, eu estava sentado à porta do meu edifício, observando a rua, quando meu vizinho se aproximou vindo do beco, trazendo um telefone. Um telefonema. Para mim. Era a amiga de um amigo, em visita a Cuba com seu namorado. Os dois eram claramente norte-americanos, do tipo "que bom que nós existimos", e eu imediatamente farejei a possibilidade de uma refeição grátis. O casal havia chegado a Havana e, porque não conheciam a cidade e nem falavam espanhol, me convidaram para jantar. Saímos a passeio pelas ruas de Vedado, e eu evitei cuidadosamente pedir comida, tentando parecer estóico. Jantamos em um restaurante para turistas, e pela primeira vez desde minha chegada comi carne de porco. Na tarde seguinte, voltamos a nos encontrar. Eu os levei a uma cerimônia de iniciação na Santería, uma hora de tambores e calor sufocante em um pequeno apartamento, durante a qual pelo menos três pessoas foram possuídas por espíritos. Depois, recebi novo convite para jantar em um restaurante elegante. Mais carne de porco! Os cubanos preparam lechón, um inocente leitãozinho, marinado em um molho de alho e laranjas azedas, e cozinham o prato por muitas horas; a carne fica macia a ponto de poder ser comida com a colher. Para acompanhar a reluzente proteína e gordura, serviram-nos arroz com feijão, exatamente aquilo que eu comia duas vezes por dia em meu apartamento. A porção servida equivalia a quatro refeições para mim, expliquei. "Desculpe", disse o namorado enquanto se servia, "mas vou comer sua quinta-feira". Como as centenas de cubanos a quem servi de anfitrião ao longo dos anos, tive de trabalhar pela minha comida. Falei sobre a história dos cultos afrocubanos. Sobre a história de edifícios que nunca visto. Sobre a ilha vista pelos olhos de Capone, Lansky, Churchill e Hemingway. Fiz piadas sobre o socialismo. Discorri sobre a arte do racionamento. O segredo do daiquiri. Nas duas noites, comi carne de porco, acompanhada por arroz e feijão e um par de coquetéis. A despeito da carne, não registrei grande avanço nas calorias consumidas - apenas 2,1 mil ao dia, ante minhas 1,7 mil usuais. Mas as refeições ajudaram meu bem estar psicológico. Eu havia conseguido uma folga, como que um feriado, depois da ansiedade causada pela redução de meu estoque de alimentos básicos.

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LIXO Na manhã seguinte, encontrei uma mulher vasculhando meu lixo. Ela estava em busca de garrafas de vidro ou qualquer outra coisa de valor. Dei-lhe minhas calças de zíper enguiçado. Ela tinha 84 anos, a idade de minha mãe, e vivia com uma aposentadoria de 212 pesos ao mês, ou pouco mais de US$ 8. Vasculhava latas de lixo em busca de produtos aproveitáveis - para fúria de minha faxineira, que considerava ter direito ao conteúdo das latas - e trabalhava como colera, ou profissional de espera em filas, para cinco famílias moradoras do quarteirão. Ela levava suas cadernetas de racionamento à bodega, retirava e entregava os mantimentos a elas, e por esse trabalho recebia cerca de 133 pesos. Estava usando uma bombinha de asma que custava 20 pesos, ou cerca de 75 centavos de dólar, mas apenas a primeira dose era comprada a esse preço; se a pessoa precisasse de mais de uma ao mês, teria de recorrer ao mercado negro, pagando alguns dólares por unidade. Para agradecer pelas minhas calças, ela informou que a padaria "livre" tinha estoque. Estava falando da padaria não racionada, onde qualquer pessoa está autorizada a comprar pão. O preço é quatro vezes mais alto que o das padarias racionadas, mas há muito mais pão. Apanhei uma sacola plástica e caminhei oito quarteirões (passando por três padarias racionadas que estavam fechadas) para comprar um pão inteiro por 10 pesos. No meu caminho de volta, uma mulher que ia na direção oposta perguntou: "A padaria tem pão?", e acelerou o passo, diante da resposta. Depois, quando passei por dois homens que jogavam xadrez sob uma figueira, um deles fez a mesma pergunta. "Sim, há pão", respondi. Os dois guardaram as peças, enrolaram o tabuleiro e se foram na direção da padaria. Meu café da manhã havia sido uma pequena e dura banana da terra, comprada de um homem em um beco. Com café e açúcar, ela representava menos de 200 calorias. O almoço consistiu de um ovo acompanhado por duas fatias do pão que eu tinha comprado, ou seja, mais 380 calorias. Eu tinha US$ 3 na carteira, e mais 17 dias para sobreviver. Um erro catastrófico. Andei a tarde toda, e o teor de açúcar no meu sangue estava baixo. Quando passei por um beco curto no qual havia um cartaz com a palavra "pizza", parei e pedi uma. A pizza básica - um disco de 15 centímetros de massa tenuamente recoberto de ketchup e um pouquinho de queijo -  custa 10 pesos, mas cedi a um impulso e pedi uma especial, com chorizo. Assim, meu lanche custaria 15 pesos. No meu apartamento, coloquei a pizza na mesa e a contemplei, horrorizado. Os 15 pesos equivaliam a horríveis US$ 0,60, e estourariam meu orçamento. Pelo mesmo montante, eu poderia ter comprado quilos de arroz. Contemplando a minúscula pizza, menor que uma fatia de pizza norte-americana, comecei a tremer e tive de me sentar. De repente, comecei a chorar. Por bons 10 minutos, solucei e me amaldiçoei. Imbecil! Tolo! Idiota!

Ser cubano, algo inacreditável, conheça o paraíso dos socialistas (12)

TENSÃO Eu havia gasto um quinto do dinheiro que me restava por impulso, e agora só tinha 64 pesos para viver pelos próximos 17 dias. O que me aconteceria? O que eu comeria quando meus feijões, cujo estoque já estava baixo, acabassem? E se eu cometesse outro erro? E se fosse roubado? Como chegaria ao aeroporto no último dia se não tivesse nem mesmo alguns centavos para pagar o ônibus? Chorar libera não só tensão e medo como endorfinas. A pizza e eu esfriamos juntos. Comi com cuidado, usando garfo e faca, e bebendo água gelada. A "refeição" durou menos de dois minutos. Foi o ponto mais baixo do meu mês. Algum tempo depois, bateram à minha porta. A filha de um dos vizinhos estava do lado de fora. "Patri!", ela gritou. "Patri!" Abri a porta e ela me entregou uma caixa de sapatos. Era pesada, e estava envolta em fita adesiva. Um visitante havia passado por lá - outro norte-americano que estava em visita a Cuba -, e quando a abri encontrei um bilhete da minha mulher e do meu filho pequeno, e três dúzias de biscoitos de chá feitos em casa. Comi 10 deles. Da emboscada à fuga. Das lágrimas à paz. Da danação à alegria. Racionei o restante dos biscoitos: cinco ao dia até que o estoque se reduzisse, e depois dois ao dia; por fim, desmontei a caixa com uma faca e comi as migalhas que encontrei nos cantos.

Ser cubano, algo inacreditável, conheça o paraíso dos socialistas (13)

ESPELHO Uma vez por dia, eu cedia à vaidade e me olhava no espelho sem camisa, vendo um homem que não contemplava há 15 anos. Eu havia perdido primeiro dois, depois três, por fim quatro quilos. Mas estômago e mente se ajustaram com facilidade assustadora. Minha primeira semana havia sido dolorosa e acompanhada por uma fome mortal. A segunda, dolorosa e apenas moderadamente faminta. Agora, na terceira, ainda que estivesse comendo menos que nunca, me sentia tranquilo, tanto física quanto mentalmente. O dia havia sido o pior da viagem até aquele momento, com apenas 1,2 mil calorias consumidas, o equivalente ao que os prisioneiros norte-americanos recebiam dos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Voltei à casa dos meus amigos ladrões de cimento e, depois de uma longa espera, a mulher me cozinhou um jantar generoso, rolando de rir da minha "experiência". Ela fritou (em óleo roubado de uma escola) uma porção de carne de frango moída (comprada de um amigo que a roubara), e serviu com arroz "feio" da ração e uma pequena beterraba. Depois da refeição, ela até me fez gemada, mas em porção cubana - um golinho, em uma xícara pequena de café. Também comi algumas colheradas de papaia (um peso a porção, em um mercado barato que ela recomendou), cozido com xarope de açúcar. "É impossível", ela disse, sobre minha tentativa de ser oficialmente cubano. Para sobreviver, todo mundo precisa de "algo extra", alguma renda excluída do sistema. O marido dela alugava um quarto para um turista sexual norueguês. A vizinha vendia almoços a trabalhadores de uma empresa cujo refeitório fora fechado recentemente. A mãe dela caminhava pelas ruas com uma garrafa térmica e xícara, vendendo cafezinhos. Uma vizinha na rua ao lado roubava óleo de cozinha e revendia por 20 pesos a garrafa de meio litro. Outra vizinha roubava carne de frango e a vendia por 33 pesos o quilo. ("Boa qualidade, preço muito bom, você devia comprar", ela aconselhou.) A refeição que ela serviu foi a única que comi naquela dia, e as calorias consumidas foram compensadas por uma espantosa caminhada não através de Havana, mas em torno da cidade, um circuito extenso pelas ruas carcomidas, passando por grandes hotéis, casas encardidas, pessoas dormindo sem teto e sentadas em caixotes, sem descanso, as horas da manhã, tarde e noitinha girando, pelas largas avenidas e becos estreitos, passando por Plaza, Vedado, Centro, Velha Havana e chegando a Cerro, antes de voltar a Plaza de novo, três, seis, 10, 13 quilômetros, passando pela estação rodoviária, estádio de futebol, os sapatos furados de tanto andar, até que voltei para dormir. Meus pés estavam doloridos. Mas meu estômago não tinha queixas. Eu costumava dizer que, em Cuba, 10% de tudo era roubado, para revenda ou reaproveitamento. Agora creio que a proporção real seja de 50%. O crime é o sistema. Na calçada diante da minha loja de produtos racionados, um dia, vi um adolescente com cabelo cortado em estilo punk, sentado em seu reluzente Mitsubishi Lancer, de motor ligado, e brincando com o que achei ser um iPhone. "Não é um iPhone", ele me corrigiu. "É um iPod Touch". O aparelho é vendido por US$ 200, ou 5,3 mil pesos. Algumas pessoas têm dinheiro, mesmo aqui. A única certeza é a de que não ganham esse dinheiro de nenhuma maneira legítima. Caminhei até o amplo hotel Riviera, cujo salão de jogos de azar foi fechado devido à nacionalização apenas um ano depois de inaugurado. (O proprietário, Meyer Lanski, disse, famosamente, que "tive azar nos dados".) Pesei-me na balança da academia de ginástica: 90 quilos. Em 18 dias, eu havia perdido quase cinco quilos, um ritmo de redução de peso que teria resultado em hospitalização nos Estados Unidos. A caminho de casa, uma mulher perguntou onde passava o ônibus P2. Atrapalhei-me para responder. "Ah, achei que você fosse cubano", ela disse. Mude de peso, mude de nacionalidade. Ri de seu engano e continuei andando, mas não demorou um minuto para que ela me seguisse. "Ei, me leve para almoçar", ela disse. "Onde você quiser". Fiz que não com a cabeça. "Almoço", ela disse, enquanto eu me afastava. "Jantar. Como preferir". Em casa, abri a geladeira e contei os cinco ovos que me restavam. Como a mulher em busca do P2, eu havia me tornado direto. Caminhei três quilômetros até Cerro, um bairro perigoso. Passei por um beco no qual restos enferrujados de caminhões repousavam, por um estádio esportivo derruído, por um parque de vegetação descuidada, por um bosque, e cheguei à porta de entrada do Ministério do Interior. É o famoso edifício com uma estátua gigante de Che Guevara. Dois soldados de boinas vermelhas estavam de guarda. O edifício do Minint costuma ser fotografado o tempo todo, devido à escultura de Che que o tornou famoso, mas ninguém quer entrar. Ignorei os guardas e continuei caminhando pelo asfalto rachado da imensa Plaza da Revolución. Do lado oposto, caminhando com cuidado, passei pela entrada de um edifício baixo mas colossal, posicionado ao final de uma larga esplanada. Era o Conselho de Estado, o núcleo do sistema revolucionário; nele, Raúl Castro comanda o trabalho dos principais funcionários cubanos. Soldados das forças especiais armados de pistolas e cassetetes protegem a entrada; o governo se sente seguro a ponto de ter apenas um par de pistolas me separando de Raúl. Caminhando a esmo, e ocasionalmente em círculos, passei por Cerro e outros bairros até encontrar a casa de Oswaldo Payá, um dos mais importantes dissidentes de Cuba. Falamos de política, cultura, neoliberalismo e direitos humanos, mas o que me chamou a atenção foi sua situação econômica pessoal. "Meu salário é de 495 pesos por mês", disse. "Isso equivale a cerca de 10 refeições para quatro ou cinco pessoas. Os salários não cobrem um quinto de nossas necessidades alimentícias. Um sanduíche de 10 pesos e um refrigerante de um peso consomem metade do meu salário diário. Se somarmos a despesa de ir ao trabalho e voltar para casa, e os meus três filhos que estão na escola, precisamos de 10 a 12 pesos por dia para transporte, ou seja, 50% a 60% da renda familiar total". Ele sobrevive graças a um irmão que vive na Espanha e envia dinheiro. "O paradoxo é que os trabalhadores são as pessoas mais pobres de Cuba. Vivemos todos pior que o sujeito que vende cachorro quente no posto de gasolina da esquina" (uma empresa autorizada a vender em moeda forte). A maioria das pessoas não tem CUC, e voltam para casa famintas a cada noite. "Não digo que tudo em Cuba seja ruim, ou terrível. Temos esquemas de distribuição para alimentar os pobres, para conceder benefícios. Mas essa é outra forma de dominação, mantendo as pessoas pobres para sempre. Se minhas mãos estivessem livres, eu abriria um negócio e me sustentaria sozinho". Perguntei-lhe onde alguém poderia conseguir dinheiro para um iPod Touch ou qualquer das outras engenhocas, produtos de luxo, carros moderno, aparelhos de som e roupas elegantes que são cada vez mais comuns em Cuba. "Viver de salário equivale a ser pobre", disse. "Todos precisam roubar o sistema para sobreviver. É a corrupção tolerada da sobrevivência". Uma minúscula classe média emergiu: "Empresários, quase todos antigos funcionários do governo, pessoas que operam restaurantes. São todos ligados ao regime. A maioria ex-militares ou funcionários do Ministério do Exterior, e assim por diante. Pessoas bem conectadas. Estão dentro do sistema. São intocáveis". E existe um terceiro grupo, incrivelmente pequeno e "indescritivelmente" próspero, dentro da liderança, "com casas grandes, viagens ao Exterior, tudo. O povo cubano sabe que esse grupo existe, mas ninguém jamais os vê, não há como".  Ao longo de uma hora de conversa, sua mulher, Ofelia, empregada doméstica e também ativista dos direitos humanos, me serviu um copo de suco de abacaxi. Quando o assunto estava se esgotando, Oswaldo insistiu que eu voltasse para uma refeição e um mojito, "quando quiser". Não saí da cadeira. A conversa sobre futuras refeições me deixou com água na boca. Ofelia percebeu, e logo ouvi o ruído de fritura na cozinha. Comemos sopa de tomate, arroz e lentilhas amarelas. Ela serviu uma porção de proteína, uma mistura cinzenta que pensei ser picadillo do governo porque tinha gosto de soja e restos de alguma coisa que um dia tivesse sido um animal. Mas Ofelia tirou a embalagem da cesta de lixo. Era carne de peru "separada mecanicamente" produzida pela Cargill, dos Estados Unidos, parte das centenas de milhões de dólares em produtos agrícolas vendidos a Cuba a cada ano sob uma cláusula de isenção do embargo. Era quase intragável, mesmo com a fome que eu sentia, mas Ofelia tinha um sorriso largo nos lábios. "Muito melhor que o peru que comprávamos antes", disse. Quando eu estava saindo, Oswaldo tentou me dar 10 pesos. "Qualquer cubano faria isso por você", disse. Ele me aconselhou a gastar o dinheiro em comida, mas recusei, devolvendo as notas. Não podia aceitar dinheiro de uma fonte, ainda que meus escrúpulos não se estendessem a recusar uma refeição. Ele insistiu. No final, para evitar a caminhada de volta à minha casa, aceitei uma moeda de um peso para o ônibus. Oswaldo caminhou comigo pelas ruas de seu bairro perigoso, repletas de adolescentes que nos encaravam, e me levou ao ponto de ônibus. "Use calças compridas", foi seu conselho final. Só turistas circulam de shorts.