domingo, 27 de março de 2011

Israel pede explicações à Argentina sobre acordo com Irã

O governo de Israel pediu explicações neste domingo à Argentina a respeito das informações publicadas em uma revista sobre a existência de um pacto secreto com o Irã para "esquecer" os atentados de 1992 e 1994 contra alvos judeus em Buenos Aires. "Estamos esperando uma resposta oficial sobre as informações", disse Yigal Palmor, porta-voz do Ministério de Exteriores israelense.  O jornal israelense "Haaretz" disse que o governo pode adiar uma visita a Israel do chanceler argentino Hector Timerman, que estaria diretamente envolvido na questão. Com a mesma precaução se expressou Ashley Perry, porta-voz do vice-ministro de Exteriores israelense, Dany Ayalon, que se encontra nos Estados Unidos. Segundo a revista Perfil, publicada em Buenos Aires, o governo da presidente argentina, Cristina Kirchner, "estaria disposto a suspender de fato a investigação dos dois ataques terroristas no país, que destruíram as sedes da Embaixada de Israel e da Asociación Mutual Israelita Argentina (Amia) em Buenos Aires", em 1992 e em 1994. Nos dois atentados, atribuídos por Israel a grupos terroristas islamitas relacionados com o Irã, morreram mais de uma centena de pessoas. A Perfil baseia sua informação em "um documento até agora secreto", e "recentemente entregue pelo ministro das Relações Exteriores do governo nazista islâmico do Irã, Ali Akbar Salehi, ao ditador Mahmoud Ahmadinejad". "O chanceler iraniano assegura em seu relatório ao presidente Ahmadinejad que a Argentina já não está mais interessada em resolver os dois atentados, mas que por outro lado prefere melhorar suas relações econômicas com o Irã", diz a revista.

Laranjas compram rádios e TVs do governo federal

Empresas abertas em nome de laranjas são usadas frequentemente para comprar concessões de rádio e TV nas licitações públicas realizadas pelo governo federal. Por trás dessas empresas, há especuladores, igrejas e políticos que, por diferentes razões, ocultaram sua participação nos negócios. De 91 empresas que estão entre as que obtiveram o maior número de concessões, entre 1997 e 2010, 44 não funcionam nos endereços informados ao Ministério das Comunicações. Entre seus “proprietários”, constam, por exemplo, funcionários públicos, donas de casa, cabeleireira, enfermeiro, entre outros trabalhadores com renda incompatível com os valores pelos quais foram fechados os negócios. Há muitas hipóteses para explicar o fato de os reais proprietários lançarem mão de laranjas em larga escala. Camuflar a origem dos recursos usados para adquirir as concessões e ocultar a movimentação financeira é um dos principais. As outras são evitar acusações de exploração política dos meios de comunicação e burlar a regra que impede que instituições como igrejas sejam donas de concessões. Também existe outra regra que explica o uso de laranjas: a proibição de que um mesmo dono tenha mais de três emissoras de rádio e televisão. Não há informação oficial de quanto a venda das concessões públicas movimentou. De 1997 a 2010, o Ministério das Comunicações pôs à venda 1.872 concessões de rádio e 109 de TV.

Governo sírio derruba estado de emergência vigente há 48 anos

As autoridades sírias decidiram neste domingo derrubar o estado de emergência, que restringe as liberdades políticas, vigente desde 1963 e execrado pela população, ao mesmo tempo em que anunciaram um discurso do ditador Bashar Assad, "muito em breve". Por outro lado, reforços militares entraram neste domingo em Latakia, importante cidade costeira no noroeste da Síria, com o objetivo de conter os franco-atiradores entrincheirados nos telhados, que desde sexta-feira já mataram quatro pessoas, entre elas dois policiais, e feriram 150. Buthaina Shaaban, assessora do ditador Assad, revelou que "a decisão de revogar a lei do estado de emergência já foi tomada, mas ela não soube dizer quando será aplicada. A lei do estado de emergência, que entrou em vigor em 1963, ano em que o Partido Baath chegou ao poder, impõe restrições à liberdade de associação e movimento e permite a prisão de "pessoas que ameaçam a segurança". Além disso, libera o Estado para interrogar pessoas, vigiar as comunicações e censurar a imprensa. Rami Abdelrahman, diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, expressou satisfação ao saber do fim do estado de emergência, e estimou que pelo menos 2.000 pessoas devem ser libertadas das prisões assim que a decisão entrar em vigor. "Todas as pessoas condenadas pela Alta Corte de Segurança do Estado devem recuperar a liberdade, já que este tribunal de exceção foi criado em função da lei", explicou. No sábado, dois oficiais das forças de segurança foram mortos e 70 militares ficaram feridos em confrontos na cidade de Latakia. Dezenas de veículos e lojas foram queimados, o que levou o exército a intervir. No sábado, Busaina Shaaban acusou "alguns refugiados palestinos do campo de Ramel, perto de Latakia, que querem criar a discórdia religiosa ao disparar contra as forças de segurança e os manifestantes", para aumentar a tensão entre eles.