sábado, 14 de abril de 2012

Espanha adverte Argentina sobre possível nacionalização da YPF

O governo espanhol advertiu na sexta-feira a administração da peronista populista Cristina Kirchner que tomará todas as medidas possíveis para defender os interesses do país caso a nacionalização da companhia petrolífera YPF, controlada pela Repsol, se concretize. A vice-presidente e porta-voz do governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, disse que ainda não havia sido informada sobre essa decisão do Executivo argentino, mas que se fosse real seria "muito negativa para os interesses espanhóis". "As medidas não se anunciam, se adotam. Espero que este governo não tenha que adotá-las, mas, sem nenhuma dúvida, se for preciso fazer, vamos fazer", assegurou a vice-presidente ao ser perguntada sobre o que o governo de Madri deverá fazer caso a nacionalização da YPF, controlada em 57,4% pela Repsol, seja concluída. Soraya também disse que o Executivo presidido por Mariano Rajoy "está trabalhando intensamente", embora com discrição, neste assunto desde janeiro. "A obrigação do governo é defender com todos os instrumentos os interesses geral da Espanha", ressaltou. Segundo Soraya, a nacionalização da companhia petrolífera não afetaria somente os interesses da Espanha, mas também poderia gerar uma "preocupação em toda comunidade internacional".

Construtora diz que realocação dos dutos no Itaquerão está concluída

A Odebrecht, empresa responsável pela construção do Itaquerão, palco da abertura da Copa do Mundo-2014, anunciou na sexta-feira que os novos dutos da Transpetro já foram instalados na arena corintiana. A empresa divulgou também que os dutos antigos já foram retirados. De acordo com a Odebrecht, os trabalhos de relocação e de retirada dos dutos não afetaram o cronograma das obras, que registram um avanço de mais de 32%, devendo ser concluídas até dezembro de 2013. A retirada dos dutos do futuro estádio do Corinthians foi um dos principais imbróglios que atrapalharam a construção do estádio. A Odebrecht e a Petrobras não queriam assumir o custo do desvio dos dutos da estatal. Desde 16 de janeiro, as obras da arena corintiana estão sendo feitas em três turnos. O primeiro tem início às 7h30 e o último só termina às 5h30. Com isso, a arena fica paralisada por menos de duas horas por dia.

Presidente do Goldman Sachs recebe US$ 16,2 milhões em 2011

O pagamento ao presidente-executivo do Goldman Sachs, Lloyd Blankfein, aumentou 14,5%, para US$ 16,2 milhões em 2011, apesar de um forte declínio no lucro e no preço da ação do banco durante o ano, deixando a empresa mais vulnerável a ataques a suas políticas de pagamento. O aumento do pagamento de Blankfein inclui prêmios em ações em exercícios anteriores que venceram em 2011, e portanto não reflete a quantia com a qual o conselho do Goldman o premiou por conta de sua performance no ano passado. O Goldman apresentou um outro número, US$ 12 milhões, como a quantia que Blankfein recebeu devido a sua performance no ano passado. Esse número reflete um declínio de 35,5% ante 2010, quando Blankfein recebeu US$ 18,6 milhões em pagamentos devido a sua performance. O valor de US$ 16,2 milhões vem de uma fórmula que a Securities & Exchange Comission, órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, exige que empresas usem ao registrar pacotes de pagamento em documentos arquivados. Tanto a fórmula da SEC e a do Goldman incluem um salário de US$ 2 milhões e um bônus em dinheiro de US$ 3 milhões. A fórmula da SEC também reflete US$ 454,3 mil que Blankfein recebeu no ano passado em benefícios, como seguro de vida, um carro e um motorista. Qualquer que seja o valor utilizado, é provável que o pacote de pagamento de Blankfein atraia atenção dentro e fora do maior banco de investimentos de Wall Street, que cortou os empregos de milhares de funcionários no ano passado devido a sua fraca performance. O Goldman lucrou US$ 2,5 bilhões no ano passado, uma queda ante US$ 3,6 bilhões em 2010, e o preço de sua ação caiu 46% em 2011, em meio a uma desaceleração no setor de bancos de investimentos.

Obra em área do encontro dos rios Negro e Solimões é interditada

Encontro das águas dos rios Solimões e Negro
A Justiça Federal do Amazonas determinou na última quinta-feira a interdição das obras realizadas pela empresa Amazon Aço na margem direita do encontro dos rios Negro e Solimões, distante ao menos 15 quilômetros do centro de Manaus. A decisão, que prevê pena de R$ 100 mil, atendeu uma ação do Ministério Público Federal. De acordo com a sentença, a obra está localizada no entorno do perímetro do fenômeno natural, tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) como bem cultural brasileiro pelo seu alto valor paisagístico. A interdição da obra é a primeira decisão da Justiça Federal do Amazonas reconhecendo o tombamento. Em 2011, a 7ª Vara Agrária e Ambiental anulou o tombamento argumentando que faltou a realização de audiências públicas. Em seguida, uma liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, restaurou a proposta do Iphan. Com a liminar, o tribunal impediu a construção de um porto na área do entorno do encontro. O Iphan ainda não homologou o tombamento. A área protegida do fenômeno dos rios Negro e Solimões, formadores do Amazonas, demarcou 10 quilômetros contínuos. Nesse percurso, as águas escuras e as barrentas não se misturam, formando a maior atração turística da Amazônia. Segundo a ação, a empresa Amazon Aço construía um galpão com um porto para recebimento de cargas na região próxima à Lagoa do Aleixo. A obra, conforme a investigação, degradou a área de preservação permanente (APP) e várzea do rio Amazonas.
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Presidente nacional do PT chancela aliança em Belo Horizonte com PT e PSDB

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, chancelou na sexta-feira, em Belo Horizonte resultado do encontro do PT de Belo Horizonte que recentemente aprovou tese de formação de chapa com o PSB na disputa pela prefeitura da capital mineira, mesmo com o PSDB na aliança. Com carta do PSB-MG no bolso do paletó, em que o partido do prefeito Marcio Lacerda (PSB) concorda com reivindicações petistas contidas em resolução aprovada pelo diretório municipal, inclusive a de dar a vaga de vice ao PT, Falcão referendou a chapa PSB-PT. A oficialização desse ato, contudo, só deve acontecer no novo encontro do PT-BH, no próximo domingo. A ida de Falcão a Minas foi uma forma de tentar enfraquecer os petistas que ainda resistem à presença dos tucanos na aliança e, como pretexto, querem que o PT deixe de apoiar a reeleição de Lacerda e lance candidatura própria.

Fernando Arruda Botelho, da Camargo Corrêa, morre em acidente de avião

Fernando Arruda Botelho
Fernando de Arruda Botelho, de 63 anos, acionista do grupo Camargo Corrêa e um dos empresários mais conhecidos do País, morreu nesta sexta-feira em um acidente de avião na zona rural de Itirapina (a 230 quilômetros de São Paulo), na região de São Carlos. Além do acionista, também morreu Sérgio Luiz Robattino, piloto da Morro Vermelho Taxi Aéreo, empresa administrada pelo grupo. A aeronave, de pequeno porte, caiu por volta das 12h25 em uma plantação de cana de açúcar e pegou fogo. O local do acidente é próximo à represa de Broa, região onde o empresário tinha uma propriedade. O acionista era casado com Rosana Botelho, uma das três filhas de Sebastião Camargo, fundador do grupo Camargo Corrêa. O executivo já foi vice-presidente do grupo e junto com os outros dois genros de Sebastião, Luiz Roberto Ortiz Nascimento e Carlos Pires Oliveira Dias, comandava as atividades das empresas. Atualmente, Botelho não tinha cargo administrativo no grupo. A queda foi próxima ao aeródromo Dr. José Augusto de Oliveira Botelho, inaugurado por Fernando Botelho nos anos 1980 para uso exclusivo e de alguns particulares. O local tem uma pista de 1.500 metros. Apaixonado por aviação, o empresário fundou o Instituto Arruda Botelho, em Itirapina (SP), que em parceria com Sesi, Senai e USP construiu réplicas do Demoiselle, segundo avião criado por Santos Dumont, depois do 14 BIS.

Dilma pede a Lula cautela com CPI do Cachoeira por temer reflexo no governo

A presidente Dilma Rousseff reuniu-se nesta sexta-feira, por duas horas e quarenta minutos, na subsede da Presidência, na Avenida Paulista, em São Paulo, com o ex-presidente Lula, para pedir a ele que tenha cautela ao incentivar a CPI do Cachoeira, que investigará laços de políticos e agentes privados com o contraventor Carlos Augusto Ramos, acusado de comandar uma rede de jogos ilegais. A presidente teme que as investigações respinguem em seu governo. Ao lado do presidente do PT, Rui Falcão, Lula tem sido um dos principais incentivadores da CPI do Cachoeira. Eles entendem que com a CPI será possível provar que não houve o Mensalão, maior escândalo do governo do PT, ocorrido em 2005, em que parlamentares da base aliada votavam a favor de projetos de interesse do Palácio do Planalto em troca de uma remuneração mensal, conforme o relatório da CPI dos Correios. Embora não tenha se manifestado publicamente sobre a CPI, há informações de bastidores do governo de que Dilma acha que existe uma possibilidade forte de a CPI prejudicar sua administração. A visão é compartilhada por petistas mais comedidos, que temem a utilização da CPI como palco de vingança política. Essa idéia foi reforçada depois da volta de Dilma dos Estados Unidos. Recados do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), e do senador Delcídio Amaral (PT-MS) que chegaram à presidente classificam a CPI como “de alto potencial destrutivo”. “O alcance dessa CPI é inimaginável. Só a empresa Delta Construções (que aparece nas gravações telefônicas feita pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, e recebeu R$ 4,13 bilhões do governo federal por obras do Programa de Aceleração do Crescimento - PAC) está presente em quase todo o País, principalmente na construção e reforma de estradas”, disse o senador Delcídio. “Eu já fiz vários alertas sobre isso. Estão brincando com fogo”, afirmou ainda o senador petista. Delcídio foi o presidente da CPI dos Correios, que apurou o escândalo do Mensalão, e sabe que, uma vez em funcionamento, o desdobramento das investigações é algo incontrolável. A conversa entre Lula e Dilma teve início às 15h10 e terminou às 17h50. Desta vez, o ex-presidente é que foi se encontrar com Dilma, no gabinete de trabalho da presidente em São Paulo. Para auxiliares da presidente, ela quis falar com Lula para demonstrar a preocupação com a CPI e com a agitação política que pode ocorrer no Senado, que ainda tem de votar projetos de interesse do governo. Entre eles, a flexibilização da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o que permitirá a mudança no indexador que corrige as dívidas dos Estados com a União. Entre os auxiliares mais próximos, Dilma deixou a impressão de que está aborrecida com a forma como o PT está se comportando em relação à CPI. Primeiro, não concorda que as investigações possam servir para que o partido tente se vingar de uma parte dos meios de comunicação; segundo, acha que a agenda do governo tem caminhos próprios que envolvem acordos com a oposição e não é a mesma do PT; terceiro, não quer paralisar o Congresso. “A CPI não tem nenhum objetivo de vingança, de acerto de contas. É um instrumento do Congresso para apurar circunstâncias que envolvam agentes políticos, agentes públicos ou privados”, disse Rui Falcão nesta sexta-feira, em Belo Horizonte.