domingo, 29 de abril de 2012

Argentina faz revista na casa do ex-ditador Jorge Videla

A justiça argentina realizou uma operação na casa do ex-ditador Jorge Videla e de outros ex-chefes do regime militar (1976/83) e recolheu documentação que poderia ser útil em causas de violação aos direitos humanos. A polícia "coletou uma enorme quantidade de documentação ainda não analisada e em grande parte desconhecida", anunciou uma fonte judicial sobre as operações realizadas entre a sexta-feira e o sábado nas residências de Videla, seu ministro do Interior, Albano Harguindeguy, e o ex-general Omar Riveros. Os agentes encontraram peças com etiquetas de "Secreto", vídeos, agendas, fitas cassetes, manuscritos e cartas dos serviços de inteligência. Videla, que foi presidente do regime entre 1976 e 1981 e que já tem duas condenações à prisão perpétua, admitiu em um livro ter participação no desaparecimento de "sete ou oito mil pessoas" para evitar protestos dentro e fora do país. "Digamos que eram sete ou oito mil pessoas que deveriam morrer para ganhar a guerra contra a subversão", disse Videla ao jornalista Ceferino Reato, que o entrevistou durante vinte horas entre outubro de 2011 e março de 2012 em uma cela da prisão federal dentro do quartel militar de Campo de Maio. As operações foram ordenadas pela justiça federal de San Martín, na província de Buenos Aires, no marco de uma causa que investiga o papel de Riveros, ex-diretor do Instituto Militar, em sequestros de funcionários de companhias automobilísticas, como a americana Ford e a alemã Mercedes Benz, entre outras.

Brasil recebeu cerca de 5 milhões de turistas em 2010, mostra IBGE

Em 2010, 5,2 milhões de turistas estrangeiros entraram no País - um patamar considerado "baixo" pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quando comparado a outros países como a França (76,8 milhões), os Estados Unidos (59,7 milhões), a China (55,7 milhões) e a Espanha (52,7 milhões). Os dados fazem parte da Pesquisa de Serviços de Hospedagem 2011, divulgada na última semana pelo IBGE. O estudo anterior foi publicado em 28 de fevereiro e se restringia aos municípios das capitais. O levantamento inclui também as regiões metropolitanas das capitais e as regiões integradas de desenvolvimento (Rides). A expectativa, segundo o instituto, no entanto, é que haja aumento significativo no ingresso de turistas estrangeiros com os grandes eventos internacionais programados para ocorrer no País - como a Copa das Confederações (em 2013), a Copa do Mundo (em 2014) e os Jogos Olímpicos de 2016.

Portos terão R$ 500 milhões para reduzir burocracia secular

O governo federal vai gastar R$ 500 milhões até o final de 2014 para informatizar o gerenciamento dos principais portos do País, sem investir em infraestrutura. O pacote inclui instalação de radares e câmeras de monitoramento de navios e condições climáticas - um sistema já antigo no Exterior, mas ainda inexistente no Brasil. Todo complexo portuário brasileiro movimenta atualmente 800 milhões de toneladas de mercadorias por ano e responde por 96% das importações e exportações nacionais. Na maioria dos portos do País, no entanto, toda a demanda - que cresce anualmente o dobro do PIB - ainda passa por processos burocráticos de "um século atrás", segundo o diretor de Sistemas e Informações Portuárias da SEP (Secretaria de Portos), Luis Cláudio Montenegro. Com a combinação entre volume de cargas e métodos ultrapassados de gestão, a demora para se liberar uma carga no Brasil pode chegar a 17 dias, também segundo a pasta. Comandada pelo ministro Leônidas Cristino, a Secretaria de Portos afirmou que os investimentos representam uma forma de ganhar capacidade nos portos com menor prazo e sem precisar investir na infraestrutura. Implantada em Santos, Rio de Janeiro e Vitória (ES) desde o ano passado e colocada em prática no início deste mês na Bahia - Salvador, Aratu e Ilhéus - , o Porto Sem Papel é a primeira dessas medidas. O programa substitui 112 formulários que tinham de ser preenchidos com cerca de mil itens de informação sobre cada tipo de carga. A previsão é colocar o sistema em operação nos 34 portos nacionais até 2013 ao custo de R$ 114 milhões. Outro símbolo de atraso nos portos brasileiros é que nenhum deles possui monitoramento com VTMIS, em funcionamento há cerca de 20 anos em terminais estrangeiros como o de Roterdã, na Holanda. Trata-se de um sistema para gerenciamento de tráfego de navios, com radares, câmeras e bóias, que transmite informações de forma eletrônica e imediata sobre o trânsito das embarcações. O equipamento, inclusive, monitora condições climáticas na região portuária para auxiliar nas atracações. Santos será o primeiro a receber a novidade, que custará, em média, R$ 30 milhões em cada porto. Há ainda planos para investir R$ 115 milhões para implantar em ao menos 12 grandes portos nacionais um método informatizado para o gerenciamento do tráfego dos caminhões nas entradas de cada terminal.

Plataforma de petróleo inclina na baía de Guanabara

Uma plataforma de perfuração da empresa Transocean inclinou cerca de três graus, na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, por volta das 23 horas de sábado. Segundo a Capitania dos Portos, funcionários que estavam na embarcação tiveram que ser resgatados às pressas e levados para o píer Mauá. O número de trabalhadores socorridos não foi divulgado. A Capitania dos Portos ainda não sabe os motivos do acidente. A Transocean afirmou ao órgão que "a inclinação foi causada pela admissão de água em uma das pernas da plataforma". O embarque de água foi controlado. No início da tarde deste domingo, dois rebocadores da Marinha utilizavam cabos de aço na tentativa de retornar a plataforma Artic I à sua posição vertical para impedir uma inclinação ainda maior. Até as 13 horas, a embarcação continuava adernada ligeiramente para um dos lados.

Cachoeira queria levar senador para conhecer Berlusconi

As escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal mostram que o empresário do jogo Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, tinha uma atuação diversificada. O empresário, segundo o inquérito que está no Supremo Tribunal Federal, tentou articular uma visita do senador Demóstenes Torres (ex-DEM) à Itália, a convite do primeiro-ministro Sílvio Berlusconi. O empresário também recebia muitos pedidos exóticos, como conseguir um estágio para o filho de um amigo na equipe Ferrari. Em 16 de junho, Cachoeira conta para Demóstenes que a visita do senador à Itália estava prosperando. Combinam como fazer para Demóstenes ser convidado pelo governo italiano. "A Deise é amiga do Berlusconi. Ela vai estar lá no Palácio, ela vai falar. Como você gostaria que fosse? Um convite dele?", pergunta o empresário. "Pode ser, eu vou na hora", responde o senador. Cachoeira orienta o amigo: "Ele te convidando, você tem que chamar a imprensa nacional. Aí, você pede desculpa, né? Em, nome do povo brasileiro". Demóstenes se anima: "Faço isso com todo o prazer". A conversa foi gravada uma semana após a libertação do terrorista italiano Cesare Battisti, que causou um mal-estar diplomático entre Brasil e Itália. Em outra conversa, Cachoeira fala com Gleyb sobre a viagem de Demóstenes: "Ele vai pedir desculpa em nome do povo brasileiro. Mas o convite tem que ser do Berlusconi, com passagem para ele ir". Os assuntos são variados. No dia seguinte, Demóstenes pede para Cachoeira viabilizar uma forma de trazer da Argentina uma mesa de jantar que sua mulher, Flávia, quer comprar. O empresário diz que ele pode comprar. Em 5 de junho, um homem identificado como Ibraim pede que Cachoeira tente aproximar um amigo dele do piloto brasileiro de F-1 Felipe Massa, para colocar um filho como estagiário na Ferrari.

PV anunciará apoio à candidatura de Serra nesta semana

O PV será o primeiro partido a aderir formalmente à campanha do ex-governador José Serra, pré-candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo. O anúncio deverá ser feito nesta semana. Atraído para a órbita do tucano pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD), o PV prepara a apresentação de um documento, assinado pela bancada de vereadores e dirigentes da sigla, para formalizar o apoio a Serra. Segundo integrantes do partido, não há mais arestas políticas e a formalização da aliança depende apenas da conciliação da agenda de Serra com a dos presidentes municipal e nacional do PV, Carlos Camacho e José Luís Penna, respectivamente. O gesto que selou o acordo foi feito pelo PSDB na última quarta-feira, quando aliados de Serra conseguiram convencer a Executiva Municipal do partido a desistir de um processo na Justiça contra dois vereadores que deixaram o partido e se filiaram ao PV em 2011. Em abril do ano passado, os vereadores Gilberto Natalini e Ricardo Teixeira se uniram a outros quatro tucanos e deixaram o PSDB para fortalecer a base do prefeito Gilberto Kassab na Câmara.

Advogado de Demóstenes e Perillo: “Ministros do STF precisam de coragem para anular tudo”

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro diz que a Polícia Federal produziu provas ilegais contra o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e o governador Marconi Perillo (PSDB-GO) nos inquéritos que levaram o empresário Carlos Cachoeira à prisão em fevereiro. Kakay, como o advogado é mais conhecido, foi contratado para defender Demóstenes e Perillo. Ele afirma que os dois só poderiam ter sido investigados com autorização dos tribunais superiores em que têm foro privilegiado. Segundo o advogado, ao usar as escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal como elementos para pedir a abertura de investigações contra eles, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, deu um “presente” à defesa.

Grupo comprou lote de vinho raro para Demóstenes

Caronas em jatinhos, presentes do exterior e vinhos de milhares de dólares faziam parte do arsenal que o empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, usava na troca de favores com políticos e servidores, afirma a Polícia Federal. A íntegra do inquérito que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) e áudios da Operação Monte Carlo mostram que em agosto de 2011 Cachoeira e seu assessor Gleyb Ferreira da Cruz conversam sobre um vinho Cheval Blanc, safra 1947. A bebida, que já teve uma garrafa especial leiloada por mais de R$ 500 mil, seria comprada para o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), ao custo de até US$ 2.950,00 a unidade. A diferença de preço se daria por causa de algumas “imperfeições” nas garrafas. Numa ligação a Gleyb, Demóstenes autoriza ligar para Las Vegas (EUA) para encomendar cinco garrafas: “Mete o pau aí. Para muitos é o melhor vinho do mundo, de todos os tempos”. E completa: “Passa o cartão do nosso amigo aí, depois a gente vê”. Gleyb então informa a Geovani Pereira da Silva, contador do grupo de Cachoeira, que comprou cinco garrafas para o “professor” -que a PF diz ser Demóstenes. Eles comemoram o negócio dizendo que as cinco unidades saíram por menos de US$ 14 mil. Ao comentar que cada garrafa da safra custaria R$ 30 mil no Brasil, demonstram surpresa. “O quê que é isso? Esse povo deve estar louco”, diz um deles. “Sem noção, né?”, responde o outro. Em páginas da internet, o Cheval Blanc, safra 1947, é citado como um dos vinhos mais desejados e mais falsificados do mundo. O inquérito afirma que o grupo de Cachoeira também ofereceu a Demóstenes caronas em jatinhos. Outra que recebeu favores foi Eliane Pinheiro, então chefe de gabinete do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Cachoeira pediu que assessores a levassem ao aeroporto, onde embarcaria para Las Vegas com Geraldo Messias (PP), prefeito de Águas Lindas (GO). Após a viagem, o prefeito agradece a Cachoeira. “Sou fiel a você no pouco e no muito. O que você mandar fazer você tem que pensar duas vezes porque é ordem, tá certo?”, diz Messias.

Cachoeira agiu para “acalmar” Pagot

O grupo de Carlinhos Cachoeira pediu a intervenção de um aliado do ex-diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transpores), Luiz Antônio Pagot, para acalmá-lo e evitar que ele atacasse o senador Demóstenes Torres (ex-DEM). A Polícia Federal interceptou conversas telefônicas na Operação Monte Carlo, em julho de 2011, quando uma série de suspeitas de corrupção no Dnit levou à queda do então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e de Pagot. Escutas telefônicas mostram que Acácio Rozendo, aliado de Pagot, recebeu R$ 24 mil em sua conta, em abril de 2011, repassados por uma empresa do grupo de Cachoeira. O servidor também era ligado ao então diretor da Delta Construções para o Centro-Oeste, Cláudio Abreu. Pagot fora convocado a dar esclarecimentos na Comissão de Infraestrutura do Senado sobre denúncias de superfaturamento em obras do Dnit. Em 5 de julho de 2011, depois das 23 horas, Demóstenes avisa Cachoeira: “Pagot hoje tava bravo, mandando recado aqui pra todo mundo”. No dia 11, pergunta se Cachoeira tem novidades sobre Pagot. “Não, lá tá tranquilo. Pode ir lá. Blairo Maggi mandou falar que não tem nada não. Blairo que manda nele, uai”, assegura o empresário. Mas liga imediatamente para Cláudio Abreu, da Delta, e relata a situação. “Nosso amigo está preocupado com Pagot amanhã. Não sabe se vai lá ou deixa de ir”, comenta Cachoeira. Abreu faz uma sugestão: “Ele não faz parte da comissão. Se eu fosse ele, não iria”. Uma hora depois, o empresário informa que Demóstenes faz parte da comissão e orienta Abreu a falar com Blairo para acalmar Pagot. O diretor da Delta afirma que pediu para Acácio falar com Blairo. Duas horas mais tarde, Demóstenes recebe a boa notícia de Cachoeira. “Professor? O Acácio teve lá com ele (Pagot). Agradeceu e disse que vai falar só tecnicamente”.

Cavendish orientava ação de seu diretor no trato com Agnelo Queiroz

O inquérito da Operação Monte Carlo da Polícia Federal indica que o presidente licenciado da Delta Construções, Fernando Cavendish, tinha conhecimento e estimulava a forma pela qual o ex-diretor Cláudio Abreu conduzia os negócios da empresa no Centro-Oeste. Abreu, demitido pela Delta após a operação, é apontado pela Polícia Federal como integrante do suposto esquema de corrupção comandado pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Na última terça, Abreu foi preso pela Polícia Civil do Distrito Federal sob a acusação de fraude em licitações. “A empresa tinha um diretor no Centro-Oeste, Claudio Abreu. Sou presidente do conselho, no Rio. Não sei o que está acontecendo em Goiás, no Nordeste, no Norte”, disse ele, emendando: “Nesse período todo de escuta, não tem uma única conversa que dê um indício de que eu tinha conhecimento dessa movimentação. O Claudio, nessa amizade com Cachoeira, extrapolou os limites da autorização dele na Delta". Grampos da Polícia Federal que constam do inquérito em tramitação no Supremo Tribunal Federal indicam o contrário. Em meio a uma crise política no Distrito Federal, o diretor da Delta relata a Cachoeira, em janeiro, que Cavendish o orientou a ter “cuidado”, porque estava sendo visado pela imprensa. “O segundo mais visado, disparado em relação a qualquer outro diretor, pela sua audácia e por tudo aí é você, porra. Então você tem que tomar cuidado”, diz Cavendish a Abreu, segundo relato do ex-diretor a Cachoeira. Abreu pergunta a Cavendish, então, se deveria recuar. “Não, não é recuar. Você tem que tomar cuidado e criar uma rede de proteção a isso”, diz Fernando Cavendish, sempre segundo o relato de Abreu a Cachoeira. Na ocasião, a Delta e o governo Agnelo Queiroz estavam em disputa. A empreiteira cobrava faturas atrasadas relativas a contrato de coleta de lixo em Brasília, mas, segundo as gravações, Agnelo não aceitava acordo devido a rixa com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) - a quem associava à Delta.

Agnelo enviou emissários a Cachoeira

Assessores do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), figuram como mensageiros do petista em diálogos com Carlinhos Cachoeira e seus aliados, apontam as investigações da Polícia Federal na Operação Monte Carlo. Nas conversas, eles levam supostos recados de Agnelo e tratam de interesses da organização criminosa no governo. Apontado no inquérito como o “01 de Brasília”, o próprio governador teria enviado, via Cachoeira, um aviso ao senador Demóstenes Torres para que críticas a seu respeito cessassem. A informação aparece no resumo de um dos telefonemas entre o contraventor e o ex-diretor da Delta Construções, Cláudio Abreu, em 6 de julho de 2011. “Te contei ontem que o coisa… mandou um recado para o Demóstenes (de) que, se bater nele, vai contar que reuniu lá no apartamento dele para pedir obras?”, questiona Cachoeira. “Você comentou ontem comigo. Uai, negar, né, doutor? Chamou o cara de mentiroso, safado”, responde Abreu. A PF diz que os dois, provavelmente, falam de Agnelo e não informa que situação teria motivado a ameaça. O ex-subsecretário de Esporte João Carlos Feitosa, o Zunga - que pediu demissão após a revelação de que teria solicitado uma conversa entre o governador e Cachoeira - figura nas escutas como interlocutor de Agnelo em outra circunstância. Em 16 de junho de 2011, o contraventor é avisado pelo araponga Idalberto Matias, o Dadá, de que Zunga dissera que o “01, Magrão” precisava lhe falar. Segundos depois, Cachoeira liga para o assessor de Agnelo, querendo saber do que se trata. De acordo com a Polícia Federal, Zunga queria saber se Demóstenes trabalhava para convocar o governador a prestar explicações sobre algum caso no Congresso. E pede para Cachoeira interceder junto ao senador. “Parece que o amigo seu aí, o careca, tava com um negócio de fazer um pedido de convocação. Verifica se tem fundamento isso”, solicita. Questionado sobre qual seria o motivo da convocação, ele responde: “Negócio que estava envolvido um pessoal grande do partido. Vou ‘puxar’ melhor e, se for verdade mesmo, ele (Agnelo) pediu para você se pode ajudar. Fica ruim chamar ele (sic)”, diz. Segundo a Polícia Federal, Zunga negociou com a organização de Cachoeira nomeações no Serviço de Limpeza Urbana dias antes da posse de Agnelo e intermediou, junto ao ex-chefe de gabinete do petista, Cláudio Monteiro, conversa de Demóstenes com o então governador eleito. O objetivo do senador seria tratar de interesses do grupo, como indicam as escutas.

Brasil aguarda resposta da Bolívia quanto a denúncias de maus-tratos

O Ministério das Relações Exteriores disse no sábado que aguarda resposta do governo boliviano quanto a denúncias de maus-tratos, invasão de casas, mortes de gados e expulsões ocorridas contra brasileiros por militares da Bolívia na fronteira com o Brasil. Os abusos e violações teriam ocorrido na última quarta-feira. Um dia depois, o Brasil enviou representantes do governo federal, da Polícia Federal e do governo do Acre até a cidade de Capixaba, a 77 quilômetros ao sul de Rio Branco. Na sexta-feira, o encarregado de negócios da Embaixada do Brasil em La Paz, Eduardo Sabóia, foi recebido na Chancelaria boliviana, e o secretário-geral das Relações Exteriores, Ruy Nogueira, conversou com o vice-ministro de Relações Exteriores boliviano. Em meio à crise, o Itamaraty disse que aguardará um pronunciamento oficial do governo de Evo Morales. O governo do Acre manifesta preocupação recorrente com a segurança dos brasileiros na fronteira com a Bolívia. O problema é antigo e foi detectado há cerca de quarto anos. Uma das origens da crise é uma lei da Bolívia que estabelece que estrangeiros não podem ser proprietários de terras em uma faixa de 50 km da fronteira. Para tentar sanar o problema, um acordo entre os dois países foi fimado para colocar em prática de forma pacífica a retirada de brasileiros do território. Ainda no final de março o governo de Evo Morales decidiu enviar mais de 3,2 mil militares às ruas de diversas cidades do país em uma tentativa de conter o aumento da violência. A medida foi tomada após moradores da cidade andina de El Alto protestarem contra a insegurança. A motivação do protesto foi o assasssinato de dois jornalistas, estrangulados em um ônibus quando se dirigiam ao trabalho.

Petroleira YPF garante abastecimento de gás na Argentina

A companhia petroleira YPF, que sofre intervenção do governo argentino e está em vias de expropriação, informou no sábado que disporá do gás natural liquefeito (GNL) necessário para abastecer a demanda local, apesar da decisão da espanhola Repsol de cancelar as entregas do combustível. A equipe que realiza a intervenção na petroleira, liderada pelo ministro argentino do Planejamento, Julio de Vido, afirmou em nota que "serão dispostos 5 milhões de metros cúbicos adicionais por dia" mediante o aumento da produção local e o incremento da compra de gás da Bolívia. No final do ano passado, a empresa pública argentina de energia Enarsa tinha acertado com a Repsol o fornecimento de 10 dos 81 carregamentos de GNL que previa importar em 2012 para enfrentar o déficit de produção local e a primeira entrega estava agendada para 14 de maio. Em meio à controvérsia pela decisão do governo argentino de expropriar 51% das ações da YPF, que era controlada pelo grupo espanhol, a Repsol anunciou na sexta-feira à Enarsa a suspensão da entrega de gás liquefeito.

Cachoeira caiu na gargalhada ao ver lista com membros de CPI

Um dos interlocutores do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, afirma que ele caiu na gargalhada ao ver a lista de parlamentares que fazem parte da CPI que o investigará no Congresso. Cachoeira, que está preso na penitenciária da Papuda, em Brasília, teria afirmado estar curioso para saber as perguntas que alguns integrantes, que conhece, farão no dia em que ele for depor na comissão. A comissão, composta por 16 deputados e 16 senadores, vai investigar as relações do empresário de jogos ilegais com políticos e agentes privados.

Demóstenes tratou de processo da Celg no Supremo

Em uma conversa entre o senador Demóstenes Torres e o contraventor Carlinhos Cachoeira, gravada pela Polícia Federal, o parlamentar comemora uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, em uma ação bilionária envolvendo a Companhia Energética de Goiás (Celg). "Conseguimos puxar para o Supremo uma ação da Celg aí, viu? O Gilmar mandou buscar", afirmou o senador, que avaliou que Mendes conseguiria abater cerca de metade do valor da dívida da Celg com uma decisão judicial. "Dependendo da decisão dele, pode ser que essa Celg se salva (sic), viu? Ele que consegue tirar uns dois... três bilhões das costas da Celg". Cachoeira responde: "Nossa senhora! Bom pra caceta, hein?". Gilmar Mendes observou que o relatório da PF ressalta que "não há qualquer referência de ilegalidade no procedimento de Demóstenes" com ele. "Este diálogo, dentre outros, serve fundamentalmente para demonstrar que Demóstenes Torres tem o hábito de informar Cachoeira de sua atuação política", diz o documento.

Senador diz que dívida será paga ao Banco do Brasil em 30 anos

O senador Demóstenes Torres, (sem partido-GO) informou, por meio do seu advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que financiou o apartamento pelo Banco do Brasil em 30 anos e que terá o salário descontado em R$ 9 mil por mês. O advogado de Demóstenes, porém, não quis enviar cópia do holerite do senador para comprovar o registro do desconto. O restante do pagamento pelo apartamento - R$ 400 mil - foi pago à vista pela mulher dele, Flávia. Com relação à reforma do apartamento, Kakay informou que não comentaria áudios da Operação Monte Carlo. O advogado da Construtora Orca, Brandão de Souza Passos, afirmou que a negociação foi legal e registrada. “Nem sei se poderia falar isso. Nosso diretor (Wilder Morais) estava assim com problemas conjugais, pensou em comprar esse imóvel para uso próprio, mas depois reatou com a esposa, a relação durou mais um pouquinho e aí o senador se interessou e comprou". Wilder era casado com Andressa Mendonça, atual mulher de Carlinhos Cachoeira.

Governador Sérgio Cabral diz que "jamais imaginou" que a Delta fizesse negócios com Cachoeira

O governador Sérgio Cabral (PMDB) disse no sábado, por nota, que “jamais imaginou” que a Delta Construções – que faturou R$ 1,5 bilhão em contratos com o governo do Estado em cinco anos – “fizesse negócios com um contraventor no Centro-Oeste brasileiro”. A declaração foi divulgada pela assessoria de Imprensa do governo no segundo dia em que o deputado federal Anthony Garotinho (PR/RJ) publicou imagens em seu blog que mostram momentos de intimidade entre o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o dono da Delta, Fernando Cavendish. As ligações entre a construtora e o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foram reveladas pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. No filme publicado por Garotinho, Cabral e a primeira-dama, Adriana Ancelmo, sugerem uma data de casamento aos então namorados Cavendish e Jordana Kfouri – que morreu, no ano passado, na queda de um helicóptero que seguia para resort na Bahia, onde seria comemorado o aniversário do empresário. Também fazem parte do encontro o secretário de Saúde, Sérgio Côrtes, e a mulher dele, Verônica. No post, Garotinho escreve que não sabe dizer se o “suntuoso restaurante” em que houve o encontro fica em Paris ou em Montecarlo. A publicação das novas imagens levou o governador a se pronunciar pela primeira vez de forma mais direta a respeito do envolvimento de Cavendish com Cachoeira. “Nunca neguei minha amizade com o empresário Fernando Cavendish. Jamais imaginei e, muito menos tinha conhecimento, que a sua empresa fizesse negócios com um contraventor no Centro-Oeste brasileiro. Nunca na minha vida misturei amizade com interesse público”.

Demóstenes avisou Cachoeira de ação contra caça-níqueis

Relatório da Polícia Federal mostra que o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) informava com antecedência o empresário Carlinhos Cachoeira de operações a serem realizadas pelo Ministério Público contra o grupo do contraventor. Segundo o inquérito que está no Supremo Tribunal Federal, às 23h11 do dia 20 de junho de 2011, o senador, que é procurador de Justiça, avisou Cachoeira de uma ação de combate ao jogo ilegal. "Eu fui informado é que o Ministério Público Federal aí em Goiás vai fazer operação conjunto com o MP Estadual, é, em cima de caça-níquel viu? Parece que tem, eles tinham uma investigação independente, independente mesmo daquela outra que foi pra Justiça Federal, certamente eles vão usar a Polícia Federal né, então você fica de olho aí", afirmou Demóstenes. "Quem te falou?", perguntou Cachoeira. "O de sempre", disse o senador.

Primeira-dama do Piauí é eleita conselheira do Tribunal de Contas do Estado

A mulher do governador do Piauí, Wilson Martins (PSB), foi eleita na sexta-feira conselheira do Tribunal de Contas do Estado, órgão fiscalizador do uso de verbas públicas pelos agentes políticos. Formada em enfermagem e em direito, Lilian Martins, de 55 anos, é deputada estadual pelo PSB e ocupava até sexta-feira a Secretaria da Saúde do Estado. Elegeu-se com os votos de 25 dos 29 deputados presentes à sessão. Ao todo, 14 candidatos disputavam a vaga aberta pela morte, em acidente aéreo no mês passado, do conselheiro Guilherme Xavier Neto. A primeira-dama do Piauí acompanhou a votação no Legislativo e se disse preparada para o posto: "A minha história me credencia para o cargo no TCE", afirmou.

Arábia Saudita recebe familiares de Bin Laden deportados do Paquistão

As autoridades da Arábia Saudita acolheram três viúvas, filhos e netos do ex-líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama Bin Laden, morto em 2011, por "motivos humanitários", informou no sábado o jornal da comunidade árabe internacional "Asharq al Awsat". Uma fonte do alto escalão saudita disse que o país aceitou "por questões humanitárias o pedido das três esposas e filhos do dirigente extremista para retornar do Paquistão, depois que foi comprovado que eles não estiveram envolvidos nas atividades de Bin Laden". A fonte revelou que as autoridades de Riad concederam documentos de viagem para as duas esposas sauditas, e um visto para sua mulher iemenita, que viajou com seus filhos. O jornal informou que a família de Bin Laden chegou na sexta-feira à Arábia Saudita após permanecer retida por cerca de um ano no Paquistão, acusada de entrar ilegalmente em território no país. O embaixador iemenita em Islamabad explicou que as três mulheres viajaram a bordo de um avião privado fretado por parentes de Bin Laden na Arábia Saudita. Além disso, contou que a esposa iemenita de Bin Laden pretende realizar uma breve peregrinação muçulmana na Arábia Saudita e depois retornar para o Iêmen para se reunir novamente com sua família.

BTG Pactual fica com 30% da rede de academias Bodytech

O banco de investimentos BTG Pactual anuncia na segunda-feira sua entrada na sociedade proprietária das redes de academias de ginástica Bodytech e Formula. O banco fará um aporte de capital suficiente para ficar com 30% de participação. O sócio majoritário continua sendo a Accioly Fitness, empresa que tem entre seus sócios os empresários Alexandre Accioly, João Paulo Diniz, Luiz Urquiza e o técnico de vôlei da seleção masculina, Bernardinho. Com a nova configuração, a Accioly Fitness terá participação de 64,2%. Os demais 5,8% ficam pulverizados entre pequenos sócios. O valor do aporte na rede de academias não foi divulgado, mas a estimativa de analistas é que tenha ficado em cerca de R$ 200 milhões após o IPO realizado pelo grupo. É a primeira vez que o banco investe no setor de fitness, que teve faturamento em torno de R$ 2,2 bilhões em 2011. "Com a proximidade da Copa e da Olimpíada, a perspectiva é que esse mercado possa triplicar", diz Luiz Urquiza, um dos sócios e diretor-presidente da Bodytech. Atualmente, o BTG Pactual tem participação acionária em 25 empresas de setores variados, de redes de hospitais a montadoras de automóveis. O grupo Bodytech tem 33 academias em funcionamento (três delas da rede Fórmula) e outras 22 em construção (dez Fórmula), com previsão de abertura em 2013. São 65 mil alunos matriculados. A entrada do BTG é o primeiro passo para o IPO da rede de academias. Isso deve ocorrer até 2015.

PT se alia a ex-tucano em Curitiba

O diretório do PT em Curitiba confirmou no sábado a formação de aliança com o ex-tucano Gustavo Fruet (PDT) que é pré-candidato à prefeitura de Curitiba. Fruet foi deputado federal pelo PSDB, líder da oposição ao governo de Lula (2003-2010) e um dos relatores da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investigou o mensalão, em 2005. O apoio à aliança com o ex-tucano foi comandado pelos ministros Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Paulo Bernardo (Comunicações), que tiveram que enfrentar a resistência dos filiados contra o antigo opositor.

Demóstenes quadruplicou patrimônio com apartamento de R$ 1,2 milhão

Quatro meses depois das eleições de 2010, o patrimônio do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) praticamente quadruplicou. O parlamentar comprou do seu suplente, o empresário Wilder Morais, um apartamento em um dos prédios mais luxuosos de Goiânia (GO), no valor de R$ 1,2 milhão. A transação imobiliária ocorreu três meses após a Construtora Orca, de propriedade de Wilder, comprar o imóvel de outra empresa goiana. Em 2010, quando se reelegeu senador, Demóstenes declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 374 mil. Na relação de bens apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral não havia nenhum imóvel. O parlamentar listou um carro de R$ 102,4 mil e R$ 63,3 mil em contas bancárias. Informou ainda ter duas aplicações financeiras que não chegavam a R$ 10 mil. Os valores apresentam uma pequena redução quando comparados aos que o parlamentar declarou ter em 2006, quando ele concorreu ao governo de Goiás. Naquela época, Demóstenes informou que morava em uma casa no Jardim América, bairro classe média de Goiânia, com a ex-mulher, Leda Torres. O valor estimado do imóvel era de R$ 70 mil e, a área de lazer vizinha ao sobrado, R$ 65 mil. A certidão do Cartório de Registro de Imóveis de Goiânia mostra que o senador pagou R$ 400 mil à vista pelo apartamento de luxo. O restante teria sido financiado pelo Banco do Brasil. No entanto, o contrato de compra e venda não foi registrado. Ocupando todo o 15º andar do Edifício Parque Imperial, o apartamento tem 701 metros quadrados, com living, sacadas, biblioteca, sala de jantar, lavabo, sala de estar, saleta, quatro áreas de serviços, dois quartos de empregada, suítes com closet, rouparia, louceiro, copa, cozinha e depósito. O imóvel fica no Setor Oeste, um dos mais nobres de Goiânia. Corretores imobiliários ouvidos pelo Estado afirmaram que o apartamento estaria estimado em R$ 2 milhões.

Brasileiros pagam R$ 194,8 bilhões de juros bancários por ano, ou R$ 3,6 mil por cliente

Os brasileiros gastam R$ 194,8 bilhões por ano com pagamento de juros de empréstimos bancários. Isso equivale a dizer que, se todas as 54 milhões de pessoas com conta em banco hoje tivessem buscado crédito no sistema financeiro, cada uma teria um gasto anual de R$ 3,6 mil. Essa cifra corresponde à despesa só com juros, sem considerar a amortização do empréstimo principal. Os cálculos da despesa com juros foram feitos pelo presidente da empresa de classificação de risco Austin Rating, Erivelto Rodrigues, a pedido do jornal O Estado de S. Paulo. Para chegar a esse resultado, foram consideradas cinco linhas de crédito: cheque especial, crédito pessoal, crédito consignado, aquisição de veículos e de bens. Os saldos e as respectivas taxas de juros cobradas em cada linha usadas no cálculo estão disponíveis no relatório de crédito de março do Banco Central. Ficaram de fora o crédito imobiliário e o cartão de crédito. Os dados mostram que, para as linhas analisadas, o gasto com juros cresceu 60% em três anos. Em março de 2009, a despesa anual com juros das linhas de crédito analisadas era de R$ 121,5 bilhões e, em março deste ano, atingiu R$ 194,8 bilhões. No mesmo período, o saldo das operações de crédito correspondentes cresceu 85%: de R$ 264,5 bilhões em março de 2009 para R$ 490,7 bilhões em março deste ano. "O ritmo de aumento do gasto com juros foi menor do que o aumento do volume dos empréstimos feitos ao consumidor exclusivamente por causa da redução da taxa básica de juros, Selic, já que o spread ficou estável no período", ressalta Rodrigues. Em março de 2009, a Selic efetiva, que é o parâmetro do custo de captação dos bancos, estava em 11,7% ao ano. Em março deste ano, era de 9,4%. A queda é de 2,3 ponto porcentual. Durante esse período, o spread, que é a diferença entre o custo de captação e de empréstimo, ficou estável em torno de 28%.

Vice-governador denuncia arapongagem do seu governador, Agnello Queiroz, do PT do Distrito Federal

Receoso de que tenha sido bisbilhotado dentro do próprio governo do Distrito Federal, o vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB) decidiu pedir formalmente ao Superior Tribunal de Justiça e à Procuradoria-Geral da República explicações sobre a suposta rede de espionagem ilegal que teria sido montada na Casa Militar. A suspeita azedou a relação do governador Agnelo Queiroz com o vice, que comanda no Distrito Federal o principal partido da base aliada. Segundo denúncias da oposição, um núcleo de inteligência, supostamente montado pelo coronel Rogério Leão, chefe da Casa Militar do governador petista, teria quebrado sigilos pessoais de cerca de 80 pessoas e grampeado autoridades, jornalistas e políticos, de adversários a aliados de Agnelo. Entre eles estariam o deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR), o jornalista Edson Sombra, que edita um blog crítico ao governo e o próprio Filippelli, maior beneficiário de um fracasso de Agnelo.

Assembléia gaúcha julgará queixa ética apresentada pelo PSDB contra deputado Lindenmeyer

O PSDB protocolou queixa na Comissão de Ética da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul contra o deputado estadual Alexandre Lindenmeyer, do PT de Rio Grande. A queixa refere-se ao fato de que Lindenmeyer votou contra o piso do magistério na Assembléia e depois seu escritório de advocacia mandou carta aos professores para defendê-los. Até agora a Comissão de Ética da Assembléia não recebeu queixa igual que o PPS prometeu protocolar.

Demóstenes avisou Cachoeira de ação contra caça-níqueis

Relatório da Polícia Federal mostra que o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) informava com antecedência o empresário Carlinhos Cachoeira de operações a serem realizadas pelo Ministério Público contra o grupo do contraventor. Segundo o inquérito que está no Supremo Tribunal Federal, às 23h11 do dia 20 de junho de 2011 o senador, que é procurador de Justiça, avisou Cachoeira de uma ação de combate ao jogo ilegal: “Eu fui informado é que o Ministério Público Federal aí em Goiás vai fazer operação conjunto com o MP Estadual, é, em cima de caça-níquel viu? Parece que tem, eles tinham uma investigação independente, independente mesmo daquela outra que foi pra Justiça Federal, certamente eles vão usar a Polícia Federal né, então você fica de olho aí”. “Quem te falou?”, perguntou Cachoeira. “O de sempre”, disse o senador, que acrescenta: “Bom ele falou, eu num sabia que eles tinham investigação, então ele num sabe o tamanho que é né, chamaram pra fazer operação, possivelmente eles já tem tudo pronto né". O procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres, é irmão do senador. Ele nega saber de irregularidades e diz ter rompido com o senador por conta do caso Cachoeira. Três minutos depois, Cachoeira e Demóstenes voltam a falar pelo telefone, quando o senador disse: “Turma de baixo informou que foi pedido pra fazer uma operação conjunta”. Encerrada a conversa, Cachoeira telefonou ao delegado da PF Fernando Byron, apontado pela Operação Monte Carlo como informante do esquema ilegal. O empresário de jogos então repassou ao delegado a informação que recebera de Demóstenes: “O MP Federal avisou o Estadual que vai ter uma operação, cê tá sabendo?”. “Não, não, vou ver”, respondeu o delegado. Cachoeira então deu mais detalhes e indaga Byron: “É nessa área sim, queria que você desse uma olhada, não é nada que você pediu, não?”. O delegado, que seria informante do esquema, acalmou o empresário: “É reunião de rotina mesmo, não de operacionalidade”. Segundo a investigação, Fernando Byron, que trabalhava em Goiânia, era consultado por Cachoeira toda a semana para saber sobre as atividades da PF na região. As gravações mostram ainda que o grupo de Cachoeira soube, ainda em janeiro, que poderia haver operação no Distrito Federal e em Goiás.

Senador foi acionado para transferir presos

Um diálogo gravado pela Polícia Federal no dia 3 de março de 2011 mostra que o empresário Carlinhos Cachoeira pediu ajuda ao senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) para transferir policiais militares acusados de integrar um grupo de extermínio no Estado. A interceptação telefônica reforça a suspeita da Polícia Federal sobre um possível envolvimento do esquema Cachoeira com o crime organizado. Os policiais estavam detidos no presídio federal de Campo Grande (MS), após serem presos em uma outra operação da Polícia Federal realizada em fevereiro de 2011, a Sexto Mandamento. A ação da polícia apontou, à época, a existência de um grupo de extermínio entre policiais militares goianos. Na conversa, Cachoeira pede que Demóstenes ligue para o governador de Goiás, Marconi Perillo, para que interceda em favor dos presos por meio de Ronald Bicca, ex-procurador-geral do Estado. No diálogo, o senador responde que o Ministério Público precisaria dar um parecer aprovando a transferência, e que era “só esperar o procurador assumir, que ele já falou com a turma para dar parecer favorável”. Dez dias depois, o irmão de Demóstenes, Benedito Torres, assumiu o cargo de procurador-geral do Ministério Público Estadual, ou seja, chefe dos promotores que atuaram na operação e que deveriam dar o parecer. Todos os pareceres, porém, foram contrários à transferência, que, mesmo assim, foi autorizada pela Justiça. Os presos foram transferidos para Goiânia em junho de 2011.

Senador recebeu R$ 3 milhões do grupo de Cachoeira, afirma procurador

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, diz que o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) recebeu R$ 3,1 milhões do esquema do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. “O valor total repassado para o parlamentar foi de R$ 3.100.000,00, diz Gurgel. Segundo relatório do Ministério Público Federal, interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo indicam que “R$ 1 milhão foi depositado na conta de Demóstenes”. Para a defesa do senador, a conclusão do procurador é “irresponsável e falsa”. Gurgel afirma que ao longo da apuração “fica evidente que os vínculos que unem o senador a Carlos Cachoeira extrapolam em muito os limites éticos exigíveis na atuação parlamentar, adentrando a seara penal”. Ele sustenta que Demóstenes agiu para favorecer economicamente o empresário.

Com Cachoeira, Demóstenes combina “bater” em Gurgel, um “sem vergonha”

Investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) chamou o procurador-geral, Roberto Gurgel, de “sem vergonha” durante o escândalo do caso Palocci, em 2011. Áudios mostram que, em conversa com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o parlamentar afirmou que tinha de “bater” em Gurgel para ele não se animar a investigá-lo. Segundo a Polícia Federal, a interceptação foi feita na manhã seguinte a um pronunciamento no Senado em que Demóstenes criticava a atuação do procurador-geral, que arquivou a investigação contra o ex-ministro da Casa Civil do governo Dilma Rousseff, Antonio Palocci, por enriquecimento ilícito a partir de consultorias supostamente prestadas por sua empresa, a Projeto. A representação foi feita pelos partidos de oposição. Na ocasião, o senador foi um dos maiores críticos à postura de Gurgel. “Se não der nele, ele (Gurgel) começa a pegar a gente também, você entendeu? Agora, se ele está cumprindo obrigação do governo, agora ele inocenta o governo e depois pega um da oposição. Isso é sem vergonha. Se não bater nele, ele anima”, disse Demóstenes, em conversa às 10h06 do dia 7 de junho de 2011. Cachoeira elogiou o discurso do parlamentar e ressaltou que o procurador ficou “desmoralizado” depois da fala do senador. Na época em que Demóstenes criticava Gurgel, a Polícia Federal já havia remetido ao procurador peças do inquérito da Operação Vegas, que demonstravam a proximidade entre o senador e Cachoeira.

O TRIUNFO DA VERDADE: e os ratos pariram… mais ratos!

Do site do jornalista Reinaldo Azevedo - Inquérito sobre Demóstenes vaza na íntegra e evidencia o que os decentes já sabiam: jornalista da VEJA estava apenas fazendo seu trabalho. Ou: como senador tentou abafar repercussão de reportagem da revista sobre a Delta a pedido de Cachoeira Leiam com muita atenção! O ministro Ricardo Lewandowski autorizou o envio à CPI da íntegra do inquérito que investiga as relações do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) com Carlinhos Cachoeira. A investigação corre em sigilo de justiça. A imprensa publicar informações que estão nessa condição NÃO É NEM DEVE SER crime. Mas vazá-las é, sim, ato criminoso! E, no entanto, se as informações chegam aos jornalistas, a sua obrigação é divulgá-las. Nesse caso — curioso, não? —, ninguém indagou: “Qual é a fonte?” Gente que respeita a lei é que não é, certo? Mas a informação veio para o bem. Os ratos, mais uma vez, pariram, como lhes é natural, ratos. Atenção! NÃO HÁ, PORQUE NÃO HOUVE, E VOCÊS PODEM VER POR CONTA PRÓPRIA, UMA SÓ INFORMAÇÃO, UMA SÓ CONVERSA, UM SÓ DIÁLOGO que revelem o jornalista da VEJA a fazer qualquer outra coisa que não buscar informações que eram do interesse público. Não há uma só sugestão que deixe o profissional da revista em situação incômoda, vexatória ou algo assim. Muito pelo contrário. AQUILO QUE OS VAGABUNDOS PROMETERAM — O FIM DOS TEMPOS, O SUPOSTO CONLUIO ENTRE A REVISTA E ALGUNS CRIMINOSOS — ERA, EVIDENTEMENTE, FALSO! Ao contrário: nas vezes em que a reportagem de VEJA falou com Carlinhos Cachoeira ou alguém de seu esquema, estava interessada em obter informações que protegiam os cofres públicos da ação de larápios. É uma fantasia idiota a história de que ele era a única fonte. Quando chegou a vez de o próprio Cachoeira virar reportagem, a revista não hesitou. Foi a primeira a publicar matéria sobre os vínculos do senador Demóstenes Torres com o bicheiro. E isso é apenas fato, que petralha nenhum consegue eliminar da história. Um repórter honesto pode falar com uma fonte suspeita 10, 20, 200 vezes (esse número, aliás, é uma fantasia!). E NÃO se corrompe nas 10, nas 20, nas 200 vezes. Se Lula falou alguma vez com Carlinhos Cachoeira, isso eu não sei. O que é fato? Na CPI dos Bingos, Rogério Buratti, amigo de Antônio Palocci, denunciou que o PT recebeu R$ 1 milhão do contraventor pelo caixa dois — os tais recursos não-contabilizados. A fonte é um petista! O caso Delta, Demóstenes e VEJA Os ratos se deram mal. O inquérito evidencia justamente o contrário do que eles vinham alardeando. E de modo muito impressionante! Prestem atenção! A revista que começou a chegar aos leitores no dia 7 de maio de 2011 trouxe a primeira grande reportagem sobre o fantástico crescimento da Delta (aqui e aqui). Aliás, é a revista em que dois empresários denunciam a “promiscuidade total” entre Sérgio Cabral e Fernando Cavendish — as fotos de Paris são muito eloquentes a respeito, não? Pois bem… Basta ler o inquérito para notar que Carlinhos Cachoeira e seus rapazes se mobilizaram para “abafar” a repercussão da reportagem. E quem se encarregou da operação abafa, embora, publicamente, parecesse fazer o contrário, foi justamente Demóstenes Torres. Leiam este trecho do diálogo (em vermelho). RESUMO Conversam sobre a reportagem da VEJA relacionada à DELTA. CARLINHOS orienta DEMÓSTENES a evitar tocar no assunto. CARLINHOS: oi, doutor. DEMÓSTENES: fala professor. E aí tudo bem? CARLINHOS: bom demais, a sogra não resistiu. DEMOSTENES: é (… ) CARLINHOS: viu a matéria da DELTA aí? DEMÓSTENES: isso, estou te ligando por isso, avisar o pessoal que está todo mundo em cima, ALVARO DIAS, não sei que, pan, pan…. E o que vai acontecer lá não tem jeito de aprovar nada, certo?, nós vamos fazer um requerimento, mas requerimento é convite, o cara pode recusar, agora o grande negócio é que chama a atenção do ministério público prá cima deles. (…) CARLINHOS: é mas eu não gosto da (…) A coisa é o seguinte: eu convivo com eles direto, não tem essa ligação com o ZE DIRCEU, ele comprou a empresa daqueles dois bandidos lá. E os caras dizendo que ele não pagou, e fez isso aí. DEMÓSTENES: eles vão fazer barulho, vai sair um requerimento prá convidar, talvez o FERNANDO se antecipasse soltando a nota, dizendo que isso é mentira, que é um problema empresarial, que nunca teve isso e tal, tal. E pula fora, melhor alternativa. Agora o grande assunto no congresso vai ser isso, tentando chamar, tentando fazer isso e tal, já avisei a imprensa que não tem jeito de convocar, só tem jeito de convidar, porque não é autoridade, numa dessa aparece esses dois bandidos querendo palco e faz o regaço. CARLINHOS: mas parece que eles não vão… Voltei O que o diálogo acima evidencia é justamente Carlinhos Cachoeira infeliz com uma reportagem da VEJA que punha em maus lençóis os seus amigos da Delta. E a razão é simples: QUEM EDITA A VEJA NÃO SÃO AS SUAS FONTES, SEJAM ELAS PESSOAS DE ÍNDOLE DUVIDOSA OU AS CARMELITAS DESCALÇAS. Das fontes, VEJA quer informações. Ponto. O que me impressiona nessas conversas, confesso, mesmo depois de tudo o que sabemos, é a atuação de Demóstenes. O diálogo acima é do dia 8 de maio de 2011. No dia seguinte, a imprensa noticiava, como se vê abaixo, num trecho do jornal O Globo, que o senador iria pedir investigação. Leiam (em azul): Os líderes da oposição no Senado querem ouvir os empresários Fernando Cavendish, presidente da Delta Construções, e os ex-donos da Sigma Engenharia,José Augusto Quintella Freire e Romênio Marcelino Machado, para que ele falem sobre o suposto tráfico de influência do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. Em reportagem da revista Veja desta semana, Freire e Machado afirmam que Dirceu foi contratado por Cavendish, para que o ex-ministro o aproximasse de pessoas influentes no governo do PT. A reportagem afirma ainda que Cavendish teria dito que, com “alguns milhões seria possível comprar um senador” para conseguir um bom contrato com o governo. O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), vai procurar o PSDB e o PPS para, numa ação conjunta da oposição, apresentarem requerimento de convite aos empresários. Para Demóstenes, caberia requerimento à Comissão de Constituição e Justiça ou à de Fiscalização e Controle.”Vamos conversar com os senadores da oposição, para tentar um requerimento conjunto. O problema é que não temos número suficiente para aprovar na comissão, caso o governo queira impedir. Se nada vingar, vamos pedir que o Ministério Público averigue as denúncias”, disse Demóstenes. Não é impressionante? Eu mesmo reproduzi trecho da matéria do Globo no clipping do blog. Ocorre que o senador estava dando um jeito, como revelam as conversas, justamente de impedir qualquer investigação. No dia 9, em nova conversa com Cachoeira, ele mostra satisfação porque a matéria da VEJA “não deu em nada” e faz alusão justamente à reportagem do Globo, que reproduzo acima: RESUMO CARLINHOS diz que DEMOSTENES vai trabalhar nos bastidores do SENADO para abafar a reportagem da VEJA relacionada à DELTA. DEMÓSTENES: ah num deu em nada não cê viu né? Eu arrumei um… uma maneira de fragilizar o discurso. Eu… Única coisa que saiu foi no GLOBO dizendo que eu ia procurar o PPS e o PSDB, pra fazer um convide pros empresários, mas eles rumaram no DIRCEU. Todo mundo, e o resto num saiu porra nenhuma, e hoje eu num vou lá, é capaz que esse trem daqui pra quarta morre, falou? CARLINHOS: é, ta bom. Eles viram a reportagem do GLOBO e me ligaram já. DEMÓSTENES: É, num saiu nada, fala pra eles que num saiu nada que o trem era. Eles queriam um barulhão, falou? CARLINHOS: tá bom. Obrigado aí. DEMÓSTENES: um abraço, tchau. E então? O senador parece orgulhoso de ter levado a imprensa no bico, de ter enganado todo mundo. Como se vê, a relação de Carlinhos Cachoeira com a cúpula da Delta é de absoluta proximidade. Ele foi procurado pelo comando da empresa — conversaram até sobre a matéria do Globo. E um dado relevante: notem que o contraventor estava garantindo que os dois empresários que denunciaram Cavendish e que acusaram a proximidade da empresa com Zé Dirceu, se convidados, não iriam ao Senado. Isso é preocupante. Dois dias depois de a matéria da VEJA ter sido publicada, a conversa sugere que ambos já tinham sido “contatados”… Eu me orgulho de dizer que acreditei em Demóstenes ao ler no Globo, naquele dia, que ele queria investigar o esquema da Delta. Orgulho-me porque todos os valores que ele enunciava e anunciava no Senado estavam e estão corretos. Eu e milhões de pessoas achamos isso. Parece que ele não levava aquelas convicções a sério, o que não depõem contra elas, mas contra ele. Como resta evidente das duas conversas, também o seu empenho em investigar não era verdadeiro. Ao contrário: ele estava atuando a pedido de Cachoeira para impedir que a apuração prosperasse. Fui o único enganado??? Acho que não… Chego a duvidar de que ele tenha noção do mal que fez e que está fazendo não exatametne à oposição, mas aos valores da democracia liberal que ele dizia encarnar. Agora, a imprensa Mais uma vez, fica evidente que a tentativa de linchamento de jornalistas da VEJA é obra de obscurantistas, que odeiam, na verdade, a liberdade de imprensa. Algumas estrelas do jornalismo investigativo, que têm até uma associação, deveriam vir a público para dizer se fontes que revelaram algumas das maiores falcatruas destepaiz, como diria aquele, estavam no convento das Carmelitas Descalças. Aliás, uma personagem emblemática estará na CPI do Cachoeira: o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL). Eram anjos aqueles todos que forneceram aos petistas, que os vazaram para a imprensa, documentos contra o governo? São decentes alguns “companheiros” infiltrados em bancos públicos, que quebram o sigilo de desafetos do partido? Jornalistas que passaram anos sustentado a veracidade do Dossiê Cayman estavam dialogando com professores de Educação Moral Cívica? VEJA só publica reportagens depois de apurar os fatos. Eurípedes Alcântara já escreveu um detalhado texto a respeito dos procedimentos da revista. A qualidade moral da fonte não faz a qualidade da informação. Como eu já havia escrito anteriormente neste blog, falar com o papa não nos faz santos; falar com bandidos não nos torna criminosos. Em qualquer dos casos, há de haver apuração. As de VEJA são rigorosas — ou Dilma, supõe-se, não teria demitido seis ministros e uma penca de funcionários do Dnit. Mas é compreensível, claro!, que Lula, cuja campanha recebeu R$ 1 milhão de Cachoeira pelo caixa dois, segundo revela um companheiro seu, esteja empenhado agora em tirar a Delta da CPI para investigar a imprensa… Investigar por quê? O inquérito já é público. Qual é acusação? Qual é a suspeita? O que há além da tentativa de intimidação? “Ah, segundo a Polícia Federal, foi o pessoal do Cachoeira que forneceu a fita do circuito interno do hotel em que Zé Dirceu aparece se reunindo com autoridades da República…” E daí? Se foi ou não, a Constituição protege o sigilo da fonte. Que jornalista nestepaiz, de posse daquela fita, não a tornaria pública? Se um ex-deputado, cassado por corrupção, chamado pelo Procurador Geral da República de “chefe de quadrilha” e hoje notório lobista — o nome politicamente correto é “consultor” — despacha com figurões do governo e do Congresso, em reuniões clandestinas, a informação deveria ser amoitada, ainda que tivesse mesmo sido fornecida por alguém de índole suspeita? Ora… O profissional de VEJA não precisa que um inquérito da Polícia Federal ateste que faz o seu trabalho dentro das regras do jogo e de acordo com a ética da profissão. Durante alguns dias, no entanto, a vagabundagem a soldo especulou à vontade. Eis aí! O que sai de relevante do inquérito no que diz respeito à VEJA é o esforço de Carlinhos Cachoeira para abafar reportagem da revista sobre a Delta. Sempre a Delta — a construtora que os petistas não querem investigar. Petistas, sempre os petistas — aqueles que, confessadamente, receberam R$ 1 milhão pelo caixa dois de Carlinhos Cachoeira".

Governador do Amazonas pede fiscalização em quatro contratos com a Delta

O governador do Amazonas, Omar Aziz (PSD), determinou abertura de comissão especial para fiscalizar quatro contratos de R$ 143,8 milhões com a construtora Delta para locação de veículos para a Polícia Militar do Estado. Dos quatro contratos vigentes até 2014, dois deles, no valor de R$ 24,2 milhões, foram realizados sem licitação. São 252 veículos alugados pelo governo, dos quais 60 estão nas ruas desde o ano passado. O custo unitário do aluguel varia entre R$ 8.500,00 e R$ 14,4 mil. A decisão do governador é uma reação a dois inquéritos civis abertos pelo Ministério Público Estadual para apurar suspeitas de irregularidades nas licitações, sobrepreço nas locações e uso de placas reservadas (frias) nos carros da Delta.

Justiça permite que Ambev utilize o termo "zero" em seus refrigerantes

O Tribunal de Justiça de São Paulo negou recurso que defendia a exclusividade do uso da expressão "zero" pela Coca-Cola. Proposto pela empresa, a ação requeria o impedimento da Ambev de utilizar o termo em seus produtos. Em sua defesa, a corporação alegou o pioneirismo no registro da marca, realizado em 2004 junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). Ainda, sustentaram que a marca diferenciaria seus produtos dos da Ambev. Relator do recurso, o desembargado Francisco Loureiro afirmou, em seu voto, que a palavra é utilizada para descrever o tipo de refrigerante, sendo, assim, insuscetível de registro, conforme previsão da Lei de Propriedade Intelectual (Lei nº 9.279/96). Ainda em seu voto, Loureiro destacou que "não têm as apelantes o direito de impedir que outros concorrentes ostentem em seus rótulos a palavra "zero", usada frequentemente não apenas em refrigerantes, mas também em outros tipos de bebidas e alimentos em geral".

Promotoria pede anulação do projeto do Porto Olímpico no Rio de Janeiro

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ajuizou ação civil pública nta sexta-feira para anular o concurso Porto Olímpico, devido a constatação de irregularidades. O concurso foi lançado em novembro de 2010 para escolher a melhor proposta arquitetônica para o projeto de revitalização da Região Portuária do Rio de Janeiro para as Olimpíadas de 2016. O promotor Rogério Pacheco Alves, subscritor da ação, requereu liminarmente que a Justiça impeça a contratação dos vencedores e que condene os dois primeiros colocados a restituírem os prêmios recebidos. Os vencedores são integrantes do conselho deliberativo do IAB-RJ (Instituto dos Advogados do Brasil). O IAB-RJ, em conjunto com o Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos, era responsável pela realização do concurso. O edital proibia a participação de integrantes do conselho administrativo do instituto, mas não mencionava nada sobre a participação de integrantes do conselho deliberativo. De acordo com a ação, a partir da análise das atas das reuniões do conselho deliberativo do IAB-RJ ficou comprovado que o Porto Olímpico foi inúmeras vezes tema de deliberação, o que permitiu o conhecimento antecipado de informações pelo vencedor. O conselho deliberativo tinha ainda mais dois conselheiros envolvidos no concurso: a coordenadora e um jurado. A ação é resultado do inquérito instaurado ano passado após a ouvidoria do Ministério Público receber inúmeras reclamações sobre o concurso. O edital estipulava premiações entre R$ 20 mil e R$ 80 mil para os quatro melhores projetos, escolhidos por comissão julgadora composta por quatro jurados indicados pelo município e cinco indicados pelo IAB-RJ.

Aécio Neves se irrita com pergunta sobre indicação de prima de Cachoeira

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) encerrou uma entrevista coletiva na sexta-feira após ser questionado se iria pedir apuração sobre a indicação que fez de uma prima do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a um cargo no governo de Minas Gerais, no ano passado. Aécio foi questionado se, a exemplo do que fez o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que solicitou investigação da Procuradoria-Geral da República para se defender das acusações de envolvimento com Cachoeira, também pediria uma apuração sobre o episódio envolvendo seu nome. "Atendi a um pedido do líder do Democratas (na época, o senador Demóstenes Torres), uma pessoa altamente qualificada. Talvez mais do que você, pela qualidade da sua pergunta", disse ele, respondendo de maneira agressiva, grosseira e arrogante à pergunta do repórter. Após a declaração, Aécio encerrou a entrevista. Em ocasiões anteriores, questionado sobre o assunto, o senador mineiro afirmou que na época em que Demóstenes fez o pedido, não sabia do envolvimento do senador com Cachoeira e chegou a dizer que se sentia "traído".

Garotinho publica fotos de Cabral com dono da Delta

O deputado federal e ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PR), começou a publicar a partir de quarta-feira uma série de fotos e vídeo em seu blog nas quais aparecem o governador Sérgio Cabral (PMDB) e parte do seu secretariado confraternizando com o dono da construtora Delta, Fernando Cavendish, durante viagem a Paris. Segundo Garotinho, rival político de Cabral, as fotos são parte de uma "minissérie" com mais de 80 imagens e seis vídeos, que ele veiculará nos próximos dias. Entre os retratados com Cavendish está o secretário da Casa Civil, Régis Fichtner, integrante de uma comissão encarregada nos últimos dias de rever os contratos da Delta com o Estado e examinar a possibilidade de declarar a construtora inidônea - o que a impediria de participar de novas licitações. Também aparecem nas fotos os secretários dos Transportes, Julio Lopes, de Governo, Wilson Carlos, e da Saúde, Sérgio Côrtes. Imagens mostram os dois últimos e Cavendish com guardanapos amarrados na cabeça. A assessoria de Cabral informou que as fotos foram feitas na ocasião de um jantar no Clube Inglês a convite do barão Gérard de Waldner, casado com a brasileira Sílvia Amélia de Waldner, e que os convidados eram do anfitrião. Segundo a assessoria, o jantar ocorreu em visita oficial nos dias 14 e 15 de setembro de 2009, na qual Cabral fez campanha pela candidatura do Rio de Janeiro à Olimpíada e foi condecorado com a Legião de Honra pelo Senado francês. A Delta disse que as fotos mostram "minutos de descontração entre empresários e pessoas que ocupam postos públicos e têm convívio social". Desde que Cabral assumiu, a Delta recebeu do Estado R$ 1,16 bilhão, o triplo dos cinco anos anteriores. Cabral é amigo de Cavendish. Em 2011, os dois viajaram num jatinho do empresário Eike Batista para o aniversário do dono da Delta. A viagem veio a público devido a acidente de helicóptero em que morreram a mulher, a cunhada, um enteado de Cavendish e sua babá, além da namorada de um filho de Cabral.

Conselho da Petrobras finaliza troca de nomes na diretoria da estatal

Controlado pela União, o Conselho de Administração da Petrobas anunciou a mudança de dois diretores da companhia --Engenharia e Abastecimento-- numa vitória da nova presidente da Petrobras, Graça Foster, que conseguiu a nomeação de nomes de técnicos de carreira e de sua confiança. Para o lugar de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento, foi nomeado José Carlos Cosenza, que hoje é gerente-execuitivo da diretoria, o segundo na hierarquia. Engenheiro químico, está há 36 anos na estatal. Já ocupou gerências (segundo escalão, abaixo de diretores) nas áreas no Brasil e no Exterior. Trata-se da segunda diretoria mais importe da estatal. Sua nomeação também teve como objetivo "afagar" Costa - e o PMDB a quem o ex-diretor é ligado. Sua saída foi atribuída ao descontentamento da presidente Dilma com atrasos na construção de imporantes projetos, como a refinaria de Pernambuco e a o Comperj (refinaria-petroquímica no Rio e Janeiro). Outra mudança foi na diretoria de Engenharia, Tecnologia e Materiais, responsável pela elaboração de projetos e grandes licitações. Saiu Renato Duque e o escolhido foi Richard Olm, atualmente gerente-executivo da diretoria de Exploração e Produção e muito ligado a Graça. Ambos superam nomes mais cotados para os cargos nos últimos dias. Para o Abastecimento, os preferidos eram Carlos Thadeu Fraga, responsável pelo Cenpes (centro de pesquisa) e Nilo Vieira, presidente do Comperj, para o Abastecimento. Na Engenharia, Duque, que é vinculado ao PT e a ao ex-ministro José Dirceu, indicou Roberto Gonçalves, seu "número dois". Duque conta com a simpatia de Dilma, mas já havia pedido para sair há mais de um ano. A nomeação de Olm foi uma tentativa de escolher tirar o viés político da indicação e atender à demanda de Graça Foster. Por falta de consenso para um substituto, foi postergada a saída do diretor internacional Jorge Zelada.

Serra diz que Aécio foi generoso sobre candidatura em 2014

O ex-governador de São Paulo, José Serra, pré-candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, disse na sexta-feira que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi generoso ao citá-lo como possível candidato do partido à Presidência da República em 2014 em entrevista ao programa "Poder e Política". Serra afirmou que esta possibilidade não está cogitada e que ele pretende cumprir na íntegra o mandato de prefeito se vencer a eleição. Disse Serra, de maneira irônica: "Não poderia esperar mais do Aécio se não essa manifestação de generosidade. Mas, de fato, não está na minha agenda concorrer em 2014. Não cogito me candidatar a presidente. Vou me candidatar a prefeito para exercer meu mandato durante quatro anos". Serra trabalha para afastar os comentários sobre uma possível renúncia para concorrer a presidente em 2014, sonho que nutria antes de decidir disputar a prefeitura de São Paulo.

Diretor de abastecimento da Petrobras confirma saída do cargo

Paulo Roberto Costa antecipou-se à reunião do Conselho de Administração da Petrobras, na sexta-feira, e divulgou sua saía da Diretoria de Abastecimento da estatal. O colegiado, controlado por representantes da União, reuniu-se em São Paulo para definir, entre outras questões, a nova composição da diretoria da estatal. A mudança de Costa foi a única definida pela presidente Dilma Rousseff, insatisfeita com atrasos em obras de refinarias. Costa, porém, nega demissões. "Não existe a palavra demitido. Mudou o presidente e Graça Foster assumiu em janeiro. É de praxe em qualquer administração fazer mudanças. Quando eu cheguei na área de abastecimento eu mudei todos os gerentes da área de abastecimento". Segundo o executivo, a mudança segue a reorganização da diretoria da estatal. "É natural. No início, quando Graça Foster assumiu, em fevereiro, saiu o Guilherme Estrela, agora está saindo o Paulo, o Renato Duque (Serviços) e o Jorge Zelada (Internacional), só restou o diretor financeiro (Almir Barbassa), que mais à frente deve sair, imagino. Só ficou ele dos diretores antigos". "Não tem nada demais. A minha saída daqui não tem nada que me desabone, então não é demissão. Foi feita mais de uma etapa. Podia ter sido feito quando ela entrou, mas ela resolveu fazer mais de uma parcela", disse.

Código Florestal desagrada pequenos produtores, diz Contag

O presidente da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), Alberto Broch, afirmou na sexta-feira que o novo Código Florestal, aprovado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira, desagradou os trabalhadores da agricultura familiar. A principal crítica é em relação à ausência de uma diferenciação entre pequenos e grandes produtores. "Não se pode colocar numa legislação agrária como se todo mundo fosse igual. Veja só, um agricultor que tem cinco hectares, que tem um riozinho que passa lá, terá a mesma legislação que alguém que tem 10 milhões de hectares. Nós sempre primamos por uma diferenciação para agricultura familiar", disse Broch, que participou de audiência com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. Broch disse ainda que aproveitou o encontro para pedir a Dilma que observe a possibilidade de estabelecer um tratamento diferenciado para os pequenos produtores.

STF libera cópia de inquérito sobre Demóstenes a comissões

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, autorizou na sexta-feira o envio de cópia do inquérito que investiga o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) à CPI do caso Cachoeira. As informações, segundo Lewandowski, poderão ser compartilhadas com o Conselho de Ética do Senado e com a comissão de sindicância da Câmara, que investigam o suposto envolvimento de Demóstenes e de deputados com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O ministro pede que a CPI observe a manutenção do sigilo das informações uma vez que o inquérito corre em segredo de Justiça. Lewandowski diz que a comissão deve observar as "restrições de publicidade inerentes aos feitos sob segredo judicial", assim como a lei que regulamenta as interceptações telefônicas no País - que também prevê o sigilo. O presidente da CPI, senador Vital do Rego (PMDB-PB), disse que vai pedir a cópia do inquérito nesta segunda-feira. E prometeu cumprir a determinação de Lewandowski no que diz respeito ao sigilo. Quá, quá, quá...... o País inteiro já conhece o inquérito na íntegral. "Eu tenho obrigação que a comissão esteja pronta para receber documentos e guardá-los com a mesma responsabilidade do Supremo", disse. O acesso aos documentos do inquérito era considerado como ponto de partida para os trabalhos da CPI.