sábado, 8 de setembro de 2012

Argentina identifica corpo de chileno desaparecido

Cientistas forenses argentinos finalmente identificaram um corpo mutilado, que foi levado do mar para as praias uruguaias em 1976, época em que a ditadura militar argentina realizava os terríveis "vôos da morte" e jogava presos políticos dos aviões no mar ou no rio da Prata. A Equipe Forense Argentina identificou os restos mortais como os do chileno Luis Guillermo Vega Ceballos, militante do Partido Revolucionário dos Trabalhadores do Chile. Vega Ceballos foi detido em Buenos Aires em 9 de abril de 1976, junto com sua esposa argentina Laura Gladis Romero, que estava grávida. O corpo de Gladis Romero nunca foi encontrado. A descoberta da análise foi anunciada no final da noite da quinta-feira, em Montevidéu, no Uruguai. A secretária da Comissão de Paz da Argentina, Graciela Jorge, disse que a descoberta "fecha um pequeno capítulo" na história da chamada "guerra suja" que as ditaduras militares de direita do Cone Sul, e particularmente a argentina, travaram com fúria contra os grupos terroristas de esquerda na década de 1970. O corpo de Vega Ceballos mostrava claros sinais de torturas quando foi levado pelo mar para a costa do Uruguai. Na época, o Uruguai também já era governado por uma ditadura. O corpo havia sido mutilado e o cadáver tinha as mãos amarradas. A despeito do Uruguai também ser então governado por uma ditadura, as autoridades locais tiraram as impressões digitais do cadáver antes de sepultá-lo. Graciela Jorge disse que métodos semelhantes foram usados para identificar mais dois corpos, dos oito que foram arrastados para a costa uruguaia. Os dois outros corpos identificados eram dos argentinos Horácio Abeledo e Roque Montenegro. Segundo testemunhas, as vítimas eram drogadas antes dos vôos e depois jogadas vivas dos aviões.

Estados Unidos designam rede Haqqani como organização terrorista

O governo dos Estados Unidos passou a classificar a partir de sexta-feira a rede islamita Haqqani, criada no Paquistão, mas que também opera no Afeganistão, como uma organização terrorista estrangeira, disseram funcionários do Departamento de Estado. Segundo eles, a secretária de Estado, Hillary Clinton, assinou o documento, que será enviado ao Congresso. O Congresso pressionou Hillary a assinar o relatório até domingo. Segundo funcionários do governo paquistanês, a decisão é politicamente complicada. Um funcionário graduado da inteligência paquistanesa disse que a decisão da administração Obama poderá atingir as relações entre os Estados Unidos e o Paquistão e ter um impacto negativo sobre o processo de paz com o grupo fundamentalista Taleban. Os Estados Unidos e o Paquistão divergiram durante anos sobre o papel da rede Haqqani. Washington criticou o governo de Islamabad por dar liberdade de ação à Haqqani na região tribal do Waziristão do Norte, enquanto o governo paquistanês afirma que combate a insurgência islamita e não pode enfrentar a rede Haqqani ao mesmo tempo.

PIB da Grécia recua 6,3% no segundo trimestre

A economia da Grécia contraiu-se em um ritmo mais acelerado do que o estimado anteriormente, confirmando que o país permanece em recessão, em meio à queda dos gastos do governo e das exportações. Segundo dados divulgados pela agência de estatísticas Elstat, o PIB grego encolheu 6,3% no segundo trimestre deste ano, em relação ao mesmo intervalo de 2011. A estimativa inicial, divulgada no mês passado, era de queda de 6,2% no período. Ainda na mesma base de comparação, o PIB grego recuou 6,5% nos três primeiros meses de 2012 e teve contração de 7,3% entre abril e junho de 2011. A abertura dos números mostra que o consumo total caiu 7,2% no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, após recuar outros 7,1% nos três primeiros meses de 2012, na mesma base de comparação. Entre abril e junho deste ano, o consumo do governo caiu 3,7% e o consumo das famílias recuou 8,0%, também em base anual.

Fernando Henrique Cardoso admite "cansaço" de eleitor com PSDB

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou na quinta-feira que a polarização entre PSDB e PT em São Paulo "levou a uma fadiga de material" no cenário político paulista. A isso se soma "um pouco de cansaço do eleitorado com a predominância do PSDB por longo tempo" no poder. Os tucanos estão no governo do Estado há 18 anos. Na prefeitura, em parceria com Gilberto Kassab (PSD), há oito. Ele não faz uma relação direta entre esse "cansaço eleitoral" e a recente queda do candidato tucano José Serra nas pesquisas. O que se percebe, diz ele, "é que o Russomanno subiu. Os outros estão praticamente no mesmo lugar". E quanto a Serra? "Ele já tinha caído antes, mas parou, se estabilizou em outro patamar". A avaliação ocorre no momento em que tanto Fernando Henrique Cardoso quanto a presidente Dilma Rousseff (PT) entram na campanha gravando mensagens para os respectivos candidatos, Serra e Fernando Haddad. E o fazem nesse cenário de que fala o ex-presidente, marcado por surpresas para os dois partidos, pois, na contramão do que ambos esperavam, seus candidatos estão bem atrás do líder de todas as pesquisas de intenção de voto, Celso Russomanno (PRB).

Família Collor de Mello tem dois candidatos adversários em Alagoas

Duas décadas após romper com o falecido irmão, Pedro Collor, o ex-presidente e atualmente senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) volta a enfrentar um membro da família. Desta vez, nas urnas. Seu sobrinho Fernando Afonso Lyra Collor de Mello (PSD), filho de Thereza Collor de Mello e Pedro, é candidato a vice-prefeito de Atalaia, a 47 quilômetros de Maceió. E enfrenta o candidato Manoel da Silva Oliveira, do PTB, apoiado pelo senador Collor de Mello.

Ministros citam o petista mensaleiro José Dirceu em votos do Banco Rural

A participação em reuniões com o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, serviu de prova para três ministros do Supremo Tribunal Federal condenarem por gestão fraudulenta a ex-presidente e acionista do Banco Rural, Kátia Rabello. A referência reforça a tese do Ministério Público de que o petista José Dirceu era o mentor e chefe do esquema do Mensalão do PT. Os ministros Marco Aurélio Mello, Rosa Weber e Carlos Ayres Britto afirmaram que os encontros de Kátia Rabello com José Dirceu foram mais um elemento a contribuir para a convicção de que os empréstimos de R$ 32 milhões feitos pelo banco ao PT e às empresas de Marcos Valério, operador do Mensalão do PT, eram simulados e foram fundamentais para o esquema. Para eles, o Banco Rural teria interesse em interferir no processo de levantamento da liquidação extrajudicial do Banco Mercantil de Pernambuco. Segundo o Ministério Público, essa medida poderia render R$ 1 bilhão ao Banco Rural. Na quinta-feira, ao votar, Marco Aurélio Mello usou o encontro com José Dirceu para condenar a cúpula do Banco Rural. "Esse contexto é condizente a assentar-se a culpa de Kátia Rabello e (do ex-vice-presidente operacional) José Roberto Salgado, não pelas simples condições que tinham em termo de cargos no banco, mas dos contatos mantidos com Marcos Valério e com o chefe do Gabinete Civil da Presidência da República José Dirceu, outro acusado neste processo", disse ele. Rosa Weber já tinha citado os encontros na quarta-feira. Ela destacou que as reuniões foram marcadas por Marcos Valério, que faria "lobby" para o Banco Rural. Por isso, na visão dela, seria "inverossímil" que a cúpula do banco não tivesse conhecimento das fraudes nas operações de crédito. Na quarta-feira, o presidente do Supremo também fez referência indireta às reuniões entre Kátia Rabello e José Dirceu.

Canadá suspende relações diplomáticas com o Irã

O Canadá suspendeu suas relações diplomáticas com o Irã, anunciou na sexta-feira, em nota oficial, o ministro de Relações Exteriores do país, John Baird. "As relações diplomáticas entre Canadá e Irã foram suspensas. Todo o pessoal diplomático canadense deixou o Irã, e os diplomatas iranianos em Ottawa receberam aviso para deixar o país em um prazo de cinco dias", afirmou Baird. O ministro disse que o Irã "é a ameaça mais significativa para a paz e a segurança mundial hoje em dia", citando o programa nuclear iraniano e a assistência militar de Teerã ao governo sírio de Bashar Assad. "O regime iraniano está proporcionando assistência militar para apoiar o regime de Assad, se nega a cumprir as resoluções da ONU relativas a seu programa nuclear, habitualmente põe em perigo a existência de Israel e se envolve em uma retórica racista antissemita que incita o genocídio", declarou Baird. Além disso, o ministro acusou o Irã de ser "um dos piores infratores do mundo em matéria de direitos humanos" e de dar "refúgio e suporte material a grupos terroristas". "Por outra parte, o regime iraniano demonstrou um desprezo flagrante da Convenção de Viena e sua garantia de proteção para o pessoal diplomático. Dadas as circunstâncias, o Canadá já não pode manter uma presença diplomática no Irã", ressaltou. Ottawa já tinha expressado no passado sua preocupação com as atuações do governo iraniano e havia imposto várias sanções econômicas contra o país islâmico.

Sem-terra invadem cinco fazendas no Pontal do Paranapanema

Integrantes da organização terrorista MST da Base, dissidência do Movimento dos Sem-Terra (MST), e de sindicatos de trabalhadores rurais, iniciaram uma jornada de lutas pela reforma agrária com a invasão, na sexta-feira, de cinco fazendas no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado de São Paulo. De acordo com as lideranças, a mobilização faz parte da ação unitária dos movimentos sociais e está alinhada aos protestos contra a corrupção no Dia da Independência. Durante a madrugada, cerca de 250 militantes ocuparam a fazenda Célia Maria, em Marabá Paulista. Em sequência, foram invadidas as fazendas Bandeirantes, em Paulicéia; Mondengo, no município de Arco-Íris; e Clarice, em Iacri. Outra área rural foi ocupada em Presidente Bernardes. Segundo o chefete Luciano de Lima, as ações visam pressionar o governo federal para que ele destine terras para assentamentos. "Estamos no meio do mandato do governo Dilma e a reforma agrária está esquecida", disse o chefete.

Serra acusa Dilma de usar cadeia de rádio e televisão para fazer política

O candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, disse nesta sexta-feira que a presidente Dilma Rousseff "está usando a cadeia nacional de televisão para fazer política eleitoral". A declaração foi uma resposta ao pronunciamento da presidente na noite de quinta-feira, quando ela criticou o modelo de privatizações adotado na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Serra disse que não está surpreso com a atitude da presidente: "Isso não é novidade. O PT sempre teve essa prática". O tucano também disse ser normal que um presidente apareça nas eleições, mas criticou o fato de a participação ter sido feita durante um pronunciamento oficial.

Serra cita Mensalão do PT em seu programa eleitoral

O candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, aproveitou o horário eleitoral gratuito na TV do feriado de 7 de Setembro para citar o caso do julgamento dos réus do Mensalão do PT pelo Supremo Tribunal Federal. Sem citar diretamente o PT, o candidato provocou: "Não adianta dizer que faz o bem, agindo mal". E continuou: "Eu falo isso porque São Paulo e o Brasil estão vendo o Supremo julgar o mensalão, mandando pra cadeia um jeito nefasto, maléfico de fazer política". Antes de entrar no tema polêmico, Serra se apresentou como alguém de origem pobre, mas que desde cedo descobriu os valores do esforço pessoal, do trabalho e do mérito, para então destacar que trazia "arraigado" em seu caráter o "valor da honestidade". O programa de José Serra ainda fez outras provocações ao PT, ao citar que ele não usa "truques de computador, nem planos mirabolantes", mas que propõe o que é possível e tenta melhorar o que já existe, citando os CEUs e a ampliação do Bilhete Único para trens e metrô. Mas insistiu no tema da ética: "Um país, uma cidade, se faz com projetos, com políticas públicas, obras, mas acima de tudo, se faz com honra, se faz com decência".

Jaguar Land Rover congela plano para fábrica no Brasil

A Jaguar Land Rover decidiu suspender temporariamente seu plano para construir uma fábrica no Brasil, segundo o jornal britânico "Financial Times". O executivo-chefe da empresa, Ralf Speth, disse na quinta-feira que a fábrica não faz mais sentido após o Brasil decidir que não é mais possível usar incentivos fiscais estaduais para atrair investimentos estrangeiros. "A diferença entre a importação de carros ou produzir os carros localmente, de repente, desapareceu", disse Speth. Ele disse esperar que autoridades brasileiras venham com uma nova medida nas próximas semanas. A companhia havia dito, em julho, que estudava montar o carro Land Rover Freelander no Brasil para evitar as altas taxas de importação para veículos estrangeiros. Atualmente, a Jaguar Land Rover produz a maioria de seus veículos em três fábricas na Inglaterra. Mas a montadora está expandindo sua base de produção ao Exterior em resposta ao aumento das vendas. Ela já monta Freelanders na Índia e aguarda a aprovação de uma joint venture com a Chery para construir carros da Jaguar e da Land Rover na China. Após a compra da Jaguar Land Rover pela indiana Tata Motors, a montadora está investindo 5 bilhões de libras esterlinas.