quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Ministério Público pede que TCU investigue as operações da Petrobras com a refinaria de Pasadena


Do jornalista Reinaldo Azevedo - O leitor certamente se lembra daquela que é, a meu juízo, uma das mais escandalosas ações do petismo realizadas na Petrobras: a compra e venda de uma refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos. Pode haver consequências. Antes, vamos lembrar o caso, No dia 15 de dezembro, publiquei um post intitulado “ESCÂNDALO BILIONÁRIO NA PETROBRAS – Resta, agora, saber se, ao fim da apuração, alguém vai para a cadeia! Ou: Quem privatizou a Petrobras mesmo?“  Recupero a história em 13 passos: 1 - em janeiro de 2005, a empresa belga Astra Oil comprou uma refinaria americana chamada Pasadena Refining System Inc. por irrisórios US$ 42,5 milhões. Por que tão barata? Porque era considerada ultrapassada e pequena para os padrões americanos; 2 - ATENÇÃO PARA A MÁGICA – no ano seguinte, com aquele mico na mão, os belgas encontraram pela frente a generosidade brasileira e venderam 50% das ações para a Petrobras. Sabem por quanto? Por US$ 360 milhões! Vocês entenderam direitinho: aquilo que os belgas haviam comprado por US$ 22,5 milhões (a metade da refinaria velha) foi repassado aos “brasileiros bonzinhos” por US$ 360 milhões. 1500% de valorização em um aninho. A Astra sabia que não é todo dia que se encontram brasileiros tão generosos pela frente e comemorou: “Foi um triunfo financeiro acima de qualquer expectativa razoável”. 3 - um dado importante: o homem dos belgas que negociou com a Petrobras é Alberto Feilhaber, um brasileiro. Que bom! Mais do que isso: ele havia sido funcionário da Petrobras por 20 anos e se transferiu para o escritório da Astra nos Estados Unidos. Quem preparou o papelório para o negócio foi Nestor Cerveró, à frente da área internacional da Petrobras. Veja viu a documentação. Fica evidente o objetivo de privilegiar os belgas em detrimento dos interesses brasileiros. Cerveró é agora diretor financeiro da BR Distribuidora; 4 - a Pasadena Refining System Inc., cuja metade a Petrobras comprou dos belgas a preço de ouro, vejam vocês!, não tinha capacidade para refinar o petróleo brasileiro, considerado pesado; para tanto, seria preciso um investimento de mais US$ 1,5 bilhão! Belgas e brasileiros dividiriam a conta, a menos que… 5 - a menos que se desentendessem! Nesse caso, a Petrobras se comprometia a comprar a metade dos belgas — aos quais havia prometido uma remuneração de 6,9% ao ano, mesmo em um cenário de prejuízo!!! 6 - e não é que o desentendimento aconteceu??? Sem acordo, os belgas decidiram executar o contrato e pediram pela sua parte, prestem atenção, outros US$ 700 milhões. Ulalá! Isso foi em 2008. Lembrem-se que a estrovenga inteira lhes havia custado apenas US$ 45 milhões! Já haviam passado metade do mico adiante por US$ 360 milhões e pediam mais US$ 700 milhões pela outra. Não é todo dia que aparecem ou otários ou malandros, certo? 7 - É aí que entra a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, então presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Ela acusou o absurdo da operação e deu uma esculhambada em Gabrielli numa reunião. DEPOIS NUNCA MAIS TOCOU NO ASSUNTO. 8 - a Petrobras se negou a pagar, e os belgas foram à Justiça americana, que leva a sério a máxima do “pacta sunt servanda”. Execute-se o contrato. A Petrobras teve de pagar, sim, em junho deste ano, não mais US$ 700 milhões, mas US$ 839 milhões!!! 9 - depois de tomar na cabeça, a Petrobras decidiu se livrar de uma refinaria velha, que, ademais, não serve para processar o petróleo brasileiro. Foi ao mercado. Recebeu uma única proposta, da multinacional americana Valero. O grupo topa pagar pela sucata toda US$ 180 milhões. 10 - Isto mesmo: a Petrobras comprou metade da Pasadena em 2006 por US$ 365 milhões; foi obrigada pela Justiça a ficar com a outra metade por US$ 839 milhões e, agora, se quiser se livrar do prejuízo operacional continuado, terá de se contentar com US$ 180 milhões. Trata-se de um dos milagres da gestão do petista Sérgio Gabrielli: como transformar US$ 1,204 bilhão em US$ 180 milhões; como reduzir um investimento à sua (quase) sétima parte. 11 - Graça Foster, a atual presidente, não sabe o que fazer. Se realizar o negócio, e só tem uma proposta, terá de incorporar um espeto de mais de US$ 1 bilhão; 12 - diz o procurador do TCU, Marinus Marsico: “Tudo indica que a Petrobras fez concessões atípicas à Astra. Isso aconteceu em pleno ano eleitoral”; 13 - Dilma, reitero, botou Gabrielli pra correr. Mas nunca mais tocou no assunto.
Voltei
Pois bem! Informa hoje o Estadão - O Ministério Público apresentou ao Tribunal de Contas da União representação contra a Petrobrás sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006. O procurador Marinus Marsico encaminhou ao ministro-relator do TCU, José Jorge, pedido para que apure responsabilidade da companhia no negócio. Após meses de investigação, o procurador considerou que houve gestão temerária e prejuízo aos cofres públicos. (…) A representação é uma denúncia, o pontapé inicial de um processo formal. “A representação foi encaminhada e saiu como sigilosa, pois contém informações que poderiam ser consideradas de ordem comercial. Mas defendo que não seja confidencial”, disse Marsico.

Denúncia faz Dilma desistir de nomeação do peemedebista Gabriel Chalita para Ministério


O Palácio do Planalto decidiu excluir o deputado federal Gabriel Chalita (SP) da reforma ministerial preparada pela presidente Dilma Rousseff. Ele era cotado para assumir a pasta de Ciência e Tecnologia após ter apoiado a candidatura de Fernando Haddad em São Paulo no 2º turno, mas foi descartado após as acusações de que teria recebido propina quando era secretário da Educação do Estado, na gestão Geraldo Alckmin (PSDB). Para compensar o PMDB, Dilma planeja pôr o partido do vice-presidente Michel Temer no Ministério dos Transportes, hoje comandado por Paulo Sérgio Passos, que é do PR, embora a direção da legenda diga que ele integra a “cota pessoal” da presidente. A idéia de Dilma é abrigar o deputado Leonardo Quintão, do PMDB de Minas Gerais, na vaga hoje ocupada por Passos, mas ela ainda não bateu o martelo sobre a indicação. Leonardo Quintão abriu mão da candidatura a prefeito de Belo Horizonte, no ano passado, para apoiar o petista Patrus Ananias, que perdeu a eleição para Marcio Lacerda (PSB), aliado do senador Aécio Neves (PSDB). O deputado fez o gesto atendendo a um pedido de Dilma. Agora, o governo poderá pagar a fatura. O dilema da presidente é onde abrigar o PR . Dilma disse a parlamentares que não quer transformar o ministério em um “paulistério”, com maioria dos representantes de São Paulo, e pediu a auxiliares indicações de outros Estados, principalmente de Minas Gerais. Hoje, dos 38 ministros, 11 são de São Paulo.

A mais recente grosseria de Lula: “FHC deveria ficar quieto”


O ex-presidente Lula não mediu as palavras ao rebater as críticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que na segunda-feira havia chamado a presidente Dilma Rousseff de “ingrata”. “Eu acho que o Fernando Henrique Cardoso deveria, no mínimo, ficar quieto”, disse Lula, em São Paulo. “O que ele deveria fazer é contribuir para a Dilma continuar a governar o Brasil bem, ou seja, deixa ela trabalhar. Ela sabe o que faz. Não é todo dia que o País elege uma mulher presidente”, afirmou o petista. Sobre uma possível candidatura do senador Lindbergh Faria (PT-RJ) à sucessão do governador Sérgio Cabral (PMDB), Lula desconversou. “Gente, como é que eu vou saber? Eu não acompanho nem a política do Estado de São Paulo. Eu, depois que deixei a Presidência, parei de acompanhar a política”, disse. A guerra verbal entre os ex-presidentes, que envolveu ainda a presidente Dilma Rousseff, começou há uma semana, quando o PT divulgou uma cartilha que celebrava os dez anos do PT no comando da Presidência. O texto, que continha exageros e omissões, traçava um retrato totalmente favorável ao governo petista e desdenhava da administração tucana (1995-2002). Em 19 de fevereiro, Fernando Henrique reagiu, e disse que a postura do PT era “coisa de criança” e uma “picuinha”. No dia seguinte, foi a vez de Lula e Dilma atacarem novamente o ex-presidente tucano e seu partido durante o evento oficial que celebrava os dez anos do PT no poder. Lula disse que  “nós do PT não temos medo da comparação, inclusive no debate da corrupção”. Já Dilma afirmou que o PT não herdou nada do governo anterior: “Nós construímos”. Na segunda-feira, foi a vez de Fernando Henrique reagir quando questionado sobre os ataques de Dilma e Lula. “O que a gente pode fazer quando a pessoa é ingrata? Nada. Cospe no prato em que comeu”, disse Fernando Henrique, ao ser questionado sobre o discurso de Dilma.