sábado, 6 de abril de 2013

Depois de mais de dois anos vacilando, governo do peremptório petista Tarso Genro decide fazer a PPP da Rodovia do Parque


Já na segunda metade do seu governo, o peremptório petista Tarso Genro resolveu sair de cima do projeto de PPP da Rodovia do Parque, ligando Porto Alegre a Sapiranga, em um trajeto de 70 quilômetros. A ex-governadora Yeda Crusius (PSDB) deixou-lhe o projeto arredondado, tudo amarrado pela Odebrecht, com quem os acertos finais nunca são impossíveis, mas enfiado na camisa de força da DS (Democracia Socialista, grupelho trotskista abrigado dentro do PT), o governador petista corcoveou o tempo todo e só agora dirá que, sim, é possível fazer a rodovia. Esse é o jeito petista de governar.

STF concede liminar e garante aumento de 11% para 13,5% no desconto da previdência sobre salários dos funcionários públicos gaúchos

Os servidores estaduais gaúchos passarão a contribuir com 13,25% do salário para a previdência, em vez dos 11% em vigor. O presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa, suspendeu a liminar do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que impedia a cobrança da contribuição de 13,25%, aprovada pela Assembleia Legislativa. A liminar é válida até o trânsito em julgado da ação movida pela União Gaúcha em Defesa da Previdência Pública. A entidade poderá recorrer ao pleno do Supremo para tentar derrubar a liminar de Joaquim Barbosa. O peremptório governador petista Tarso Genro vai ampliar o assalto ao bolso dos funcionários públicos gaúchos.

Yeda Crusius rebate críticas e diz que faltou ao peremptório Tarso Genro culpar dom Pedro I pelo desastre do seu governo


Culpada pelo governador Tarso Genro, juntamente com Antônio Britto (PMDB), pela atual crise financeira do Estado, Yeda Crusius (PSDB) rebateu as críticas e afirmou que "mais conquistas" não foram possíveis na sua gestão porque o PT e o governo federal petista sabotaram programas como o Duplica RS, a construção da ERS-010 e a adoção um novo modelo prisional em Canoas, sempre por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs). A ex-governadora tucana defendeu o déficit zero, revelou que está terminando um livro para contar detalhes dos bastidores do Piratini durante a crise deflagrada por denúncias de corrupção do então vice-governador Paulo Feijó e, com ironia, afirmou que o atual governo precisa assumir os seus atos sem "transferir responsabilidades", em referência ao saque de R$ 4,2 bilhões feito pelo peremptório petista Tarso Genro da conta dos depósitos judiciais para custear a máquina estatal.
Confira a entrevista de Yeda Crusius para o jornal Zero Hora:
ZH — Como a senhora avalia o saque de R$ 4,2 bilhões feito pelo governo Tarso da conta dos depósitos judiciais do Estado?
Yeda Crusius — Isso é uma decisão do governo, de política global. Só posso dizer que ela é desnecessária. No nosso governo, provamos que dava para ter equilíbrio nas finanças públicas e pagar as contas. Não é preciso gastar mais do que se arrecada. O chamado déficit zero, que aos poucos as pessoas vão entendendo, é um caminho para investir, para fazer políticas sociais, políticas econômicas. Não é preciso estourar de novo as finanças públicas. Conquistamos o déficit zero no segundo ano de governo, em dezembro de 2008, e depois disso o Rio Grande do Sul cresceu muito. Pegamos um Estado que não conseguia pagar a sua folha. Do momento em que assumimos até o momento em que saímos, com R$ 9 bilhões nos cofres, seja dinheiro do caixa único ou dos depósitos judiciais, provamos que era possível investir em todas as áreas. Nunca havia se gastado tanto quanto gastamos, mas gastávamos de acordo com o que arrecadávamos. Essa é a primeira regra. Logo que assumimos, fizemos um ajuste nas despesas de custeio, que é o que suga os cofres públicos. O investimento era quase zero, e estamos voltando a isso. Fizemos ajuste ao cortar 30% dos cargos de confiança, e eles não fizeram falta. E cortamos 30% do custeio. Nunca qualquer outro Estado do Brasil havia feito um ajuste desse porte. Nós fizemos isso como primeiro ato, dizendo que gastaríamos nas atividades fim do governo estadual. E não nas atividades meio. Fizemos a reestruturação da dívida, se paga hoje muito menos do que se pagou no passado. Não me venham falar de dívida. Isso é lero-lero. Isso é enrolation. Houve uma reestruturação de dívida que permite ao Estado pagar menos. Fizemos isso com a dívida global, o Banco Mundial nos permitiu uma reestruturação inovadora e única. Trocamos dívida de sete anos por dívida de 30 anos, com taxa de juros infinitamente menor. O problema é que estão fazendo dívida outra vez. Toda vez que se tem déficit anual, alguém cobre, e se gera dívida. Esses R$ 4,2 bilhões são dívidas. Alguém vai ter de pagar um dia. Isso é um problema estrutural que mudamos. Com boa gestão financeira, o Estado passou a ser realmente o Rio Grande do Sul para o Brasil e para o mundo.
ZH — A senhora acredita que as políticas financeiras do seu governo foram engolidas pelas circunstâncias atuais?
Yeda — Mas esse era o propósito. O propósito era tentar apagar as estatísticas de boa gestão. Em quatro anos, não acreditaram que era possível fazer. Mostramos que era possível. O futuro haverá de dizer. A nossa opção foi por custeio. A avaliação vem pelos indicadores de violência, criminalidade, educação, saúde. E, infelizmente, esses indicadores estão piorando. O PIB decresceu.
ZH — Devido aos reajustes salariais ao funcionalismo, a folha crescerá 15% em 2013 e a inflação será de 5,5%. Os baixos salários de determinadas categorias justificam o risco dessa disparidade?
Yeda — Não é um dado que vai responder pelo modelo aplicado. Esse modelo atual é de gastos acima das receitas. O dado claro é a proposta que este governo tem de gastar a mais do que arrecada. Só de depósitos judiciais, serão R$ 4,2 bilhões. E não será para gastar em investimento. Eles já afirmaram que o orçamento do Estado não é para investir. É só para pagar pessoal.
ZH — O PT diz que o déficit zero se concretizou pela falta de investimento. Como a senhora responde?
Yeda — Eu não preciso analisar isso. A história já registrou. Nós gastamos mais do que qualquer outro governo. Isso é manobra diversionista. Afirmam coisas para alguém responder.
ZH — Ontem o governador Tarso Genro culpou o seu governo e o de Antônio Britto pela atual crise.
Yeda — Mas eu senti falta de uma coisa: faltou o dom Pedro I na crítica dele. Faltou na provocação dele o dom Pedro I.
ZH — O atual governo deveria promover reformas estruturais para diminuir a dívida?
Yeda — Não é o objetivo deles fazer reformas. E os problemas estruturais estão em todos os Estados, são típicos do Brasil, como a questão da Previdência. A causa do saque não se deve a nenhum problema estrutural. É uma decisão de gastar. É diferente. Em parte, eles receberam os problemas estruturais equacionados. É o caso da dívida global.
ZH — A senhora já decidiu se voltará a concorrer em 2014?
Yeda — Não, ainda não. Primeiro eu preciso acabar de escrever os meus dois livros que estão quase no fim.
ZH — Qual o tema dos livros?
Yeda — O primeiro é mais de caráter pessoal, com uma experiência de vida inteira que permitiu o sucesso do governo. Fomos reconhecidos pelo Rio Grande do Sul, pelo Brasil e pelo mundo. O resto é política. E o outro é um conjunto de inovações que foram feitas no nosso período de governo. Um deles é o déficit zero, que precisa ser melhor esmiuçado. Mas principalmente o Gabinete de Transição que fiz para enfrentar a crise da gravação apresentada (o vice-governador Paulo Feijó gravou o então chefe da Casa Civil, Cezar Busatto, dizendo que Banrisul e Daer financiavam partidos) na CPI. O primeiro livro é com tópicos que explicam que as inovações praticadas em quatro anos respondem pelo sucesso do governo. Entramos com caixa zero e nunca culpamos ninguém. Quando resolvemos nos candidatar, sabíamos o que iríamos encontrar. Não venham agora querer colocar a culpa em alguém. Que respondam pelo que fazem, assim como eu respondi pelo que fiz.
ZH — O que a senhora pretende contar do Gabinete de Transição montado à época da crise da gravação do Feijó?
Yeda — Eu vivi como governadora um período de "news of the world". Colocaram 15 segundos de uma gravação e decapitaram, jogaram na fogueira, paralisaram. Escândalo tem valor. Venderam muitos escândalos. Foram 15 mil horas gravadas e saíram 15 segundos, escolhidos a dedo. Quando foi apresentada parte daquela gravação do Feijó feita com o Busatto, o Estado parou. Foi uma coisa inacreditável. Era preciso tomar uma atitude. Era o vice-governador gravando o chefe da Casa Civil e editando fitas para apresentar na CPI. Eu resolvi, como parlamentarista que sou, fazer um Gabinete de Transição até acabar a CPI para mostrar a população que tinha governo, que os partidos de base estavam apoiando. Eu pedi a cada partido um representante e, de modo aberto, fizemos uma audiência com toda a sociedade, com sindicato de professores, de trabalhadores, nomes como Paulo Brossard, os institutos de pensar dos partidos políticos. Foi um período em que ouvimos a sociedade para nos analisar. Não houve problema de governabilidade. Houve um período muito crítico e triste de vender escândalos, um atrás do outro, sempre a mesma coisa. E, quando acabou a CPI, reabrimos o Piratini. Mas, neste período, o Gabinete de Transição respondia pelas decisões grandes. Na verdade, era um conselho que operava. Ele não era só para constar. Sobre o Gabinete de Transição, falei esses dias com o Fernando Henrique. Ele disse: "Tu tem de publicar isso".
ZH — A senhora mantém a convicção de que conexões de Brasília conspiraram contra o seu governo ou as crises foram motivadas por causas reais?
Yeda — Não, aquilo foi o de menos. Aconteceu que o governo não foi mais de pires na mão para Brasília. Acabou esse período. Fizemos um governo de ajuste de contas e não fomos mais de pires na mão para Brasília, que prometia e não dava, prometia e não cumpria, mas nós cumprimos. Fizemos a ponte do Arruda em dez meses, a ERS-471, pagamos precatórios, fizemos de tudo. Naquele período, Brasília deixou de ter a importância do poder central que impede o Rio Grande de fazer as coisas. Ninguém nos impediu de fazer nada, apesar do jogo político. A gente já poderia ter 360 quilômetros de rodovias duplicadas, com redução de acidentes, com pedágio desde 1º de janeiro de 2009 30% mais barato. Por que ele (Tarso) está pagando esse pedágio? Por que impediram a gente de pagar 30% mais barato com o Duplica RS? Não teria mais dívida com empreiteiros. Eles impediram o Rio Grande do Sul de fazer ainda mais, mas eles não nos impediram de crescer. Eu acho que a gente cresceu 10% em 2009, eu não me lembro, mas era um crescimento chinês. O que nós mostramos é que é importante Brasília cumprir as regras. E, mesmo quando politicamente os líderes estaduais fizeram tentativas de não deixar as coisas acontecerem, nós fomos maioria, fomos um conjunto de partidos que levou adiante o nosso plano de governo. Poderia ter sido ainda melhor, certamente, se não tivessem impedido alguns programas de transformação do custo Rio Grande, como o Duplica RS. Esse é o mais claro. Ou se tivéssemos conseguido mudar o modelo do sistema prisional, com aquela PPP em Canoas que já estaria operando com três mil vagas.
ZH — Quando a senhora diz que impediram as suas políticas, se refere ao PT ou ao governo federal?
Yeda — O governo federal simplesmente atende o interesse dos seus aliados. Eu não nomino o PT. O ministro dos Transportes, que era do PR, nem era do PT, e depois foi defenestrado, ele disse que não ia aceitar o Duplica RS com base em lei na Assembleia. São os aliados que atendem interesses. O Rio Grande se atrasou. Eles impediram um novo sistema prisional e também a ERS-010, coisas de um país desenvolvido.

A imprensa promove uma verdadeira caça a Feliciano, que é presa fácil. Já Genoino e João Paulo são mais serelepes. Ou: Eu lhe conto uma historinha pessoal sobre um chefe rigoroso


Título de uma chamada na homepage da VEJA.com e também o da reportagem a que ele remete fazem um retrato preciso do momento: “Feliciano antecipa depoimento e escapa da imprensa”. O verbo “escapar”, no caso, é perfeito porque, de fato, se está diante de uma caçada. Amplos setores da imprensa, por razões que tenho debatido aqui, caçam Feliciano com o propósito de cassar o seu mandato.
Leiam o que vai na VEJA.com. Volto em seguida.
O depoimento do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira foi antecipado em uma hora, sem que a imprensa soubesse. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, acusado de estelionato, falou por cerca de meia hora a um juiz que representava o ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo. Feliciano iniciou seu depoimento por volta  de 13h30. A assessoria do parlamentar afirma que ele chegou mais cedo ao Supremo, antes das 13h, e que por acaso o promotor do caso e o juiz já estavam disponíveis, o que permitiu a antecipação do depoimento. Na véspera, o relator havia determinado que a audiência se daria a portas fechadas para evitar a presença de manifestantes e jornalistas. O deputado é acusado de não comparecer a dois cultos após receber 13.300 reais de cachê. A denúncia foi feita em 2009 pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul. Ele nega as
irregularidades. “Foi um desacordo comercial e o valor já foi devolvido. Confiamos no Supremo”, diz o advogado Rafael Novaes. Agora, o processo contra o deputado entrará em sua fase final. (…)
Voltei
Escrevi um longo texto sobre a caça às bruxas promovida pela imprensa. Em muitos aspectos, Feliciano é uma presa fácil. Já José Genoino e João Paulo Cunha, deputados do PT condenados pelo STF, são membros da Comissão de Constituição e Justiça. Para eles, nem beijo na boca nem escarro, para lembrar Augusto dos Anjos. São mais serelepes. Seus valores, digamos, mais gerais, coincidem com os do jornalismo tornado militância. Assim, que importa que tenham sido condenados por corrupção ativa e formação de quadrilha (Genoino) e corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato (João Paulo)? O que importa é que são, afinal, favoráveis ao casamento gay, certo?, e a mais alguns itens da pauta considerada “progressista”. Feliciano vira presa fácil, sim. Ele mexe com os piores preconceitos de muitos jornalistas, que ainda vomitam a besteira de que a religião é o ópio do povo. Marx levou muito gente a acreditar que a história tem direção e sentido definidos, e isso a muitos pareceu razoável. Já acreditar em Deus lhes soa coisa de gente atrasada… Não é que as redações estejam lotadas de marxistas, o que suporia apego à teoria e algumas horas queimando as pestanas com livros — ainda que em versão eletrônica. Dispensam-se até mesmo os saberes acumulados pelas esquerdas ao longo dos anos. Tudo o que interessa é fazer justiça com o próprio teclado: “Quem é o bonzinho da história? Ah, é Fulano? Então tá”. E se parte para o
esmagamento dos “maus”. Conto os fatos, os milagres, mas omitirei os respectivos nomes dos santos. Eu exercia um cargo de chefia numa redação. Um jornalista fez uma reportagem sobre um grupo religioso bastante sectário, extremista mesmo, que havia passado por um racha. Já lá se vão uns 20 anos. Li o texto, pareceu-me ok, tudo devidamente ponderado, todos os lados ouvidos, nada de preconceito embutido contra esse ou aquele. A reportagem tinha, no entanto, um quadro ilustrativo com uma espécie de síntese do pensamento da tal organização. O meu assistente jogou na página. Eu não o tinha lido. Ocorre que havia lá, com efeito, um erro de informação. Nem sei se eu teria percebido se tivesse lido com antecedência. A direção da tal organização acionou a chefia. Não era nada de grave, mas o grupo alegava que se tratava de preconceito. O comando da redação começou a pegar no meu pé, exigindo explicações: “Como isso veio parar aqui? Quero as justificativas do repórter”. Ocorre que o dito-cujo, um ótimo profissional, havia entrado em férias. Estava em algum lugar da… Capadócia! Vinte anos! Falamos da era pré-e-mail. Lá vou eu acionar família, o diabo a quatro, para tentar achar o cara. Nada! Não houve dia em que o patrão não cobrasse: “Cadê a resposta?” A impaciência já começava a se voltar contra mim, suspeito de incompetência por não conseguir achar o repórter. As pessoas envolvidas talvez se lembrem e sabem que falo a verdade. Como eu estava na chefia da editoria e como alguma resposta precisava ser dada, fiz o óbvio: “Eu estava no comando e publiquei; mereço a punição, e a gente resolve isso”. Não era heroísmo babaca, não! É que entendo assim as coisas. Não servia. O patrão queria a explicação do responsável. Ainda hoje, acho que se tratou de um excesso, de um exagero, em razão de uma questão que era irrelevante. Mas prefiro mil vezes aquele rigor ao que vai hoje em dia: “Prendam os suspeitos de sempre”. Estava muito claro que estávamos lá para buscar a máxima objetividade possível nas matérias informativas, não “para fazer justiça”. Essa não é a tarefa de jornalista. Essa é uma tarefa da sociedade, por meio de seus canais de representação e dos Poderes constituídos. Qualquer um tem o direito de achar Feliciano, Schopenhauer, Reinaldo Azevedo ou Machado de Assis um bando de idiotas. Quando se tem a tarefa de passar adiante uma informação, é preciso fazer um esforço brutal para se despir dos juízos de valor e se ater aos fatos.  É assim que aprendi. É assim que deve ser. “Olhem que fala…”  “Olhem que fala! É o cara que adora expelir regras (usam outro verbo por aí), que opina sobre tudo, que chama Lula de ‘apedeuta’”. Sim, sou eu mesmo! Faço uma página escancaradamente opinativa. Ninguém cai aqui por acidente. Não mais. Ou vem com a recomendação de quem gosta ou com a de quem odeia — raramente se chega aqui movido pela neutralidade nem-nem. Milhares de leitores deste blog vem em busca de uma opinião, da minha — nem que seja para me desqualificar. É do jogo. Nunca precisei atribuir a alguém que reprovo o que ele não disse para combatê-lo. Gosto de fazer “vermelhos-e-azuis” para que o leitor tenha acesso àquilo que contesto. Raramente, só em coisas sem importância, recorro ao discurso indireto: “Fulano disse que…” Prefiro pegar as aspas, a literalidade, com o devido contexto, para, então, dizer o que penso. Se gostam ou não, se acham a minha crítica justa ou não, aí é outro papo. Já escrevi uma dezena de vezes que Feliciano não seria meu candidato a presidir comissão nenhuma. Ele chegou aonde chegou em razão das feitiçarias eleitoreiras do petismo. Nada me liga a Feliciano. Mas tudo me liga à defesa do estado democrático e de direito. O que se tenta fazer ao arrancar o deputado da comissão é golpe contra o Parlamento. Lastimo que haja parlamentares empenhados em operar essa baixaria, inclusive do PPS, partido de oposição que se perdeu nessa história; que não está reconhecendo a natureza do jogo. Agora já se fala abertamente em resolver a questão cassando o mandato de Feliciano por quebra de decoro. O simples flerte com essa possibilidade é um escândalo. Quero discordar de Feliciano com ele podendo exercer as prerrogativas que lhe foram conferidas pela Constituição e pelo Regimento da Câmara. Jornalista que defende a sua cassação por delito de opinião, por mais que despreze o seu ponto de vista (essa é outra história), está oferecendo a própria cabeça à guilhotina. Hoje, punir um jornalista por pensar isso e aquilo é difícil, embora não impossível. Mas pode ser mais fácil. Na sociedade americana, a que levou mais longe a liberdade de expressão, esse debate não seria nem mesmo possível. É evidente que grupos se manifestam contra a opinião de políticos. Aconteceu não faz tempo, quando um cretino fez uma afirmação estúpida sobre estupro. Mas ninguém vai lá meter o pé no Capitólio, sapatear sobre a mesa de uma comissão ou tentar cassar um mandato parlamentar
porque a opinião expressa foi considerada incorreta ou desinformada. O jornalismo que flerta com esse tipo de coisa perdeu as referências e também a vergonha na cara.

“O PT e Dilma abrem mão da comunidade evangélica nas próximas eleições”


O pastor Silas Malafaia, que se tornou também alvo da militância que pretende tirar o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, escreveu no jornal Folha de São Paulo de sexta-feira um artigo sobre o tema. Encerra o texto com uma conclusão: “PT e Dilma Rousseff estão sinalizando que abrem mão da comunidade evangélica nas próximas eleições.” Seguem trechos do texto. "Por que tanta pressão para que Marco Feliciano não continue na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados? Discordar é um direito, porém não podemos ser contra alguém em tudo só porque não gostamos dessa pessoa. Eu mesmo tenho divergências com Feliciano, mas não permito que as diferenças se sobreponham ao meu senso de justiça e caráter. E, por trás dessa perseguição que mobilizou a opinião pública e a imprensa, sei que existe um sórdido jogo político para esconder questões sérias. (…) Toda essa mobilização (contra Feliciano) tinha um motivo maior: desviar os holofotes do PT. Afinal, enquanto se discutia a posse de Feliciano na CDHM, dois deputados condenados pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Mensalão, João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP), tornaram-se membros da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, a mais importante comissão da Câmara. No currículo desses parlamentares do PT constam condenações por corrupção. Mas, a imprensa se voltou apenas para o caso do deputado que fez declarações infelizes (…). Independentemente de concordar ou não com as declarações de Feliciano, não posso esquecer que ele foi eleito pelo povo e que tem o direito de expressar a sua opinião, sendo resguardado pelo inciso IV, do artigo 5º da Constituição Federal. Mais do que isso, a Carta Magna lhe garante o direito à liberdade religiosa (incisos VI e VIII do mesmo artigo) (…) Pergunto: se a oposição pode acusar os que discordam deles de homofóbicos e racistas, por que o povo evangélico não pode chamar essa perseguição de evangelicofobia? Dentro desse Estado democrático de direito, onde a maioria é cristã, a democracia só vale para a minoria? O fato é que os ativistas gays e seus defensores não suportam o debate. Pode-se falar mal do presidente da República, do Judiciário, dos católicos, dos evangélicos, mas, se criticarmos a prática homossexual, somos rotulados de homofóbicos. O crime de opinião já foi extinto de nosso país com o fim da ditadura militar. (…) Diante dessas manifestações, só podemos chegar a uma conclusão: PT e Dilma Rousseff estão sinalizando que abrem mão da comunidade evangélica nas próximas eleições".

Ministro Joaquim Barbosa sobre caso do deputado federal Pastor Marco Feliciano: “Isso é a democracia”

"O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, disse nesta sexta-feira que a eleição do deputado federal Pastor  Marco Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara é legal, mas ressaltou que as manifestações contra o parlamentar também são legítimas. “Isso é a democracia”, disse Joaquim Barbosa, que proferiu a aula magna de início de semestre na Universidade de Brasília. Após sua palestra, o ministro respondeu a perguntas de estudantes. Uma jovem quis saber a opinião de Joaquim Barbosa sobre o caso Feliciano. O presidente do Supremo disse que a pergunta era uma “saia justa”, mas afirmou que seu posicionamento é “muito simples”. “O deputado Marco Feliciano foi eleito pelos seus pares para assumir um determinado cargo dentro do Congresso Nacional, na Câmara. Os deputados assim o fizeram porque está prevista regimentalmente essa possibilidade”, afirmou o ministro, antes de complementar: “A sociedade tem também o direito de se exprimir, como vem se exprimindo, contrariamente à presença dele neste cargo. Isso é democracia”. Fazendo menção à universidade, o ministro disse que sua resposta sobre o caso Feliciano “é a resposta de quem viveu durante anos e anos nesse ambiente de liberdade”. O presidente do Supremo foi ovacionado assim que chegou ao centro comunitário da UnB, onde centenas de alunos o aguardavam. Ele foi aplaudido por diversas vezes durante seu discurso. O ministro sugeriu aos alunos que “leiam tudo”, especialmente a Constituição. “Nós precisamos criar um sentimento constitucional nesse país”, afirmou. Joaquim Barbosa foi homenageado pelo Diretório Central dos Estudantes com uma placa que concede o título de “estudante emérito” da UnB. O presidente do Supremo e relator do processo do Mensalão do PT disse que o acórdão do julgamento deve sair em breve, mas não estabeleceu um prazo. “Deve sair nos próximos dias. Vai sair, tem que sair”, declarou Joaquim Barbosa. Apenas o ministro Celso de Mello não concluiu a revisão de seu voto do processo. É o que falta para a publicação do acórdão que permitirá aos réus a apresentação dos últimos recursos antes do cumprimento da sentença.

“O céu do meu Brasil tem mais estrelas, lará-lá-la; o sol do meu país, mais esplendor, lará-lá-la…”


Do jornalista Reinaldo Azevedo - O lulo-petismo, por intermédio agora da Comissão da Verdade, nomeada por Dilma, tenta caminhos para promover a revanche com o regime militar, quase 50 anos depois de instalado. Já escrevi e reitero: imaginem se, em 1995, em vez de cuidar do Plano Real, Fernando Henrique Cardoso tivesse se empenhado em se vingar de Getúlio Vargas… Os petistas querem alimentar a revanche, mas é impressionante a forma como mimetizam a parte mais cafona do regime militar: a patacoada do Brasil Grande, do “ninguém segura este país”. Em 1970, a dupla Dom e Ravel, cuja obra acabou adotada pela ditadura, compôs a música “Eu te amo, meu Brasil”. Era, na verdade, uma marcha militar. A gravação que fez mais sucesso foi a do grupo “Os Incríveis”, que acrescentaram um caco à letra: “Escola, marche!”. Segue um vídeo que está no Youtube. Volto depois.

Voltei
Muito bem! Dilma resolveu refletir sobre o Brasil grande nesta sexta-feira. A música de Dom e Ravel é de 1970. O Brasil havia acabado de ganhar a Copa do Mundo, tornando-se o único tricampeão. Entre 1968 e 1973, a taxa média de crescimento do país ficou acima de 10%. No ano passado, crescemos abaixo de 1%, mas o que importa é a mística, né? Segundo Aloizio Mercadante, o PIB não tem muita importância… Segue texto publicado na VEJA.com. Volto para encerrar.
Brasil é “insuperável dentro e fora de campo”, afirma Dilma
A presidente Dilma Rousseff se empolgou ao dar o pontapé inicial na inauguração da Arena Fonte Nova, em Salvador, nesta sexta-feira. Em tom ufanista, Dilma ignorou os atrasos nas obras para a Copa do Mundo de 2014 e disse que o Brasil está provando que tem não apenas o melhor futebol do mundo, mas também a melhor organização de grandes torneios. “Somos um país conhecido por ser insuperável no campo, mas estamos mostrando que somos insuperáveis também fora de campo”, discursou. A inauguração da nova versão do mais tradicional estádio baiano é, para Dilma, sinal de que “estamos dando um passo importante para transformar a preparação da Copa do Mundo em um legado para o país”. Dilma fez uma rápida vistoria nas instalações antes da cerimônia de inauguração, que contou com a presença dos operários envolvidos na construção. O estádio baiano deverá receber três jogos da Copa das Confederações, em junho deste ano, e outros seis na Copa do Mundo, em 2014. A presidente estava acompanhada do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, do governador da Bahia, Jaques Wagner, além do prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto. O primeiro jogo da Arena Fonte Nova acontecerá no domingo e reunirá os dois principais times do estado: Bahia e Vitória. Salvador é a terceira cidade-sede a ter seu estádio inaugurado para a Copa das Confederações – as outras são Fortaleza (Castelão) e Belo Horizonte (Mineirão). As obras na capital baiana começaram em junho de 2010 e incluíram a demolição do antigo estádio, a construção de uma nova arena e a criação de um novo edifício garagem. A Arena Fonte Nova tem capacidade para 55.000 pessoas. O empreendimento foi realizado por meio de uma parceria público-privada entre o governo e uma concessionária formada pelas empresas Odebrecht e OAS.
Concluo
Os petistas ainda vão reeditar o lema “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Atenção! A rede suja da Internet já faz isso. Todos os dias, chegam a este blog centenas de mensagens conclamando este jornalista a deixar o Brasil: “Já que você não gosta do nosso (?) país, por que não vai embora?”

Coréia do Norte pede a países que deixem embaixadas


A Coréia do Norte instalou dois mísseis de alcance intermediário em lançadores móveis e os escondeu na Costa Leste do país, afirmou nesta sexta-feira a agência sul-coreana Yonhap, citando fontes militares. A informação dá força às especulações de que a Coreia do Norte está pronta para lançar um míssil. Diplomatas britânicos foram informados, pelo governo de Pyongyang, que sua segurança não poderá ser garantida após 10 de abril, no caso de um conflito — reforçando orientação anterior de desocupação de todas as embaixadas no país. Na quinta-feira, a CNN divulgou imagens e conversas interceptadas que mostravam a movimentação da Coréia do Norte com o transporte de mísseis, lançadores e combustíveis para a Costa Leste. Em resposta, a Coréia do Sul deslocou nesta sexta-feira dois navios de guerra com capacidade para interceptar mísseis balísticos para sua costa. Segundo declarou um porta-voz do ministério da Defesa para a agência de notícias sul-coreana, os destroieres com 7.600 toneladas foram divididos entre a Costa Leste e a Oeste do país e estão equipados com o sistema de radar Aegis, capaz de detectar e destruir mísseis em sua trajetória. Nos últimos dias, o regime comunista transportou dois mísseis do tipo Musudan para a Costa Leste, levando os Estados Unidos a enviar seu avançado sistema de defesa de mísseis à sua base de Guam, no Oceano Pacífico. A Coréia do Sul e os Estados Unidos estão monitorando de perto a Costa Leste, onde estariam os mísseis Musudan, já instalados nos lançadores. Segundo a Yonhap, eles podem alcançar entre 3.000 e 4.000 quilômetros e seriam capazes de atingir a base americana de Guam. Contudo, o radar sul-coreano pode localizar milhares de alvos até 1.000 quilômetros de distância. “Se o Norte lançar um míssil, nós localizaremos sua trajetória”, disse uma autoridade do Exército sul-coreano. Nesta sexta-feira, a agência oficial de notícias da China, Xinhua, informou que a Coreia do Norte recomendou a todas as embaixadas estrangeiras que considerem a possibilidade de retirada de seu pessoal de Pyongyang. A informação foi confirmada pela Rússia e, logo depois, pela Grã-Bretanha — que, depois de ser avisada sobre o prazo de segurança, diz estar analisando “os próximos passos”.

A imprensa brasileira, com medo da regulação e assediada por patrulhas internas e externas, está se tornando uma agente da ditadura do falso consenso: emburrece o debate, sataniza a divergência e lincha pessoas por delito de opinião. Ou: Beijo na boca não pode ser a outra forma do escarro

Do jornalista Reinaldo Azevedo - Um deputado que não pensa segundo os cânones de certa militância política assume uma comissão da Câmara. Tem início uma campanha para esmagá-lo, à qual adere quase toda a imprensa, ao arrepio de qualquer fundamento que orienta a boa prática jornalística. O secretário particular de um governador de Estado emitiu, antes ainda de ocupar a atual função, opiniões políticas distintas daquelas consideradas “progressistas”. Um colunista de jornal se sente no direito de cobrar desculpas desse governador, e o veículo no qual ele trabalha dá início a uma campanha de desmoralização do funcionário. Um senador, possível candidato à Presidência da República, chama o, digamos, “evento” de 1964 de “revolução”, e tem início uma patrulha agressiva porque, sustenta-se, o certo seria chamar de “golpe”. Pessoas e forças políticas que se oponham às posições consideradas “corretas”, quando não ignoradas, são impiedosamente ridicularizadas, tratadas como idiotas, vistas como expressões do atraso. A democracia brasileira está doente, e o nome dessa doença é intolerância. A imprensa, que deveria denunciá-la, transformou-se em agente do linchamento da divergência. Com medo da regulação, assediada por patrulhas internas e externas, torna-se, a cada dia, mais refém dos grupos de pressão e das militâncias organizadas. Quando não é ativamente fascitóide, é de uma pusilanimidade espantosa. Fecho este parágrafo assim: não existe esta sociedade de um lado só em nenhum lugar do mundo — ou, para ser mais preciso, em nenhuma democracia do mundo. Sociedade de massa de um lado só é fascismo. Se um dia o PT conseguir emplacar o “controle social da mídia” (algum controle virá, fiquem certos; lembro que o projeto defendido pelo partido numa resolução do Diretório Nacional prevê controle de conteúdo), não terá tanto trabalho assim. Restará uma cidadela ou outra a colonizar, a domesticar, a domar, a dominar, a esmagar. O que Hugo Chávez conseguiu na Venezuela por meio da violência está sendo paulatinamente conquistado pelos petistas no Brasil por meio da cooptação e da ocupação das redações por uma forma de militância política que já dispensa a carteirinha de filiação. A fantasmagoria imaginada por Gramsci (que ele achava ser a redenção da humanidade, o tarado!) começa a se materializar. O teórico comunista italiano afirmava que o “Príncipe” moderno não era mais, obviamente, aquele de Maquiavel. O “Moderno Príncipe” era o partido político. E ele sintetizou, então, como seria a sociedade sob o comando dessa força — eu não resisto à provocação — verdadeiramente satânica: “O Moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa, de fato, que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio Moderno Príncipe e serve ou para aumentar o seu poder ou para opor-se a ele. O Moderno Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume”. Bingo! É a definição do totalitarismo perfeito. Na sociedade antevista por Gramsci, é impossível pensar fora dos limites do que estabelece, então, esse “Moderno Príncipe”. Desaparecem as noções de crime e de virtude. Esse ente de razão dirá quando cada ato é o quê, de sorte que, sob certas circunstâncias, pode-se tomar o crime por virtude e a virtude por crime. A verdade desse coletivo passa a ser o imperativo categórico. Afirmei que a causa gay está sendo usada como ponta de lança de uma ação maior contra a democracia representativa, comentei um texto de Vladimir Safatle (aquele humanista que toma um nascituro por uma lombriga). Ele chama a ação fascitóide contra Feliciano (e não! Eu não concordo com o deputado) de “o primeiro embate”. Segundo Safatle, as ações contra o parlamentar representam uma “profunda discussão” sobre “a sociedade que queremos”. Por alguma estranha razão, o seu “nós” — ele se refere aos brasileiros — não inclui o “eles”. O seu “nós”, de uma sociedade que chama “radicalmente igualitária”, exclui os que pensam de forma diferente porque seriam apenas manifestações do atraso. Trata-se da reiteração do pior lixo produzido pelas esquerdas em sua história. Foi com essa visão de mundo que o comunismo se tornou a maior máquina de matar que a civilização conheceu. Subjacente a esse pensamento está a convicção de que a humanidade tem um sentido e uma direção — no artigo, ele sugere que até a história tem uma moral intrínseca — e caminha segundo alguma lei da evolução. E, é evidente, a esquerda estaria no comando desse processo; estaria aí para acelerar a história. Como bom esquerdista, Safatle nem aprendeu nada nem esqueceu nada. Sou, no entanto, realista e reconheço que eles estão avançando. Safatle mesmo só se tornou colunista fixo de jornal depois de ter tido a ousadia de especular, num artigo, sobre as virtudes da ação terrorista como um campo pouco explorado de um humanismo alternativo. Ele resenhava o livro de um delinquente intelectual chamado Slavoj Zizek. E, o que não me surpreendeu, conseguiu piorar o original. Vejo o noticiário de TV, leio jornais, revistas, sites… Escolhas políticas, valores ideológicos de grupos, patrulhas as mais odientas, tudo aparece como se estivéssemos diante de verdades universais. Nos dias de hoje, também o “Moderno Príncipe” de Gramsci passou por um aggiornamento. As minorias formam as células, que se organizam na rede, que é o partido. Aquilo que Marina gostaria de fazer, o PT já fez. Faz sentido. Ela é de lá. É que tem mais ambições do que o permitido… Poder-se-ia, ao menos, constatar, ainda que isso não mudasse o caráter autoritário do que está em curso: “Pô, Reinaldo, vivemos nesse mundo sem contraditório, mas reconheça que o Brasil está uma maravilha; estamos no caminho certo!”. Pois é. Não estamos! Um país que não debate, que vive da reiteração das mesmas verdades, que sataniza o conflito de idéias, que busca eliminar a divergência, vai dar em quê? O governador Geraldo Alckmin indicou para seu secretário particular um jovem advogado chamado Ricardo Salles. Não sei a idade, mas deve estar na casa do 30, 30 e pouquinhos. Não participou, portanto, do golpe militar de 1964. Antes de ser indicado para a função, integrou um grupo chamado “Endireita Brasil” — que era público, não clandestino. Ainda que pareça exótico aos ignorantes convictos, existe uma direita democrática. Já houve um tempo em que jornalistas sabiam quem era Churchill e ignoravam a Beyoncé da época, seja lá quem for essa… Frases ditas por Salles num debate no Clube Militar foram escandalosamente retiradas do contexto e lhe atribuíram o que não disse: ele teria negado a existência de tortura durante o regime militar. Não negou. Também se noticia em tom de escândalo o fato de que criticou os rumos tomados pela Comissão da Verdade. Mais: em algum momento, ele teria chamado a presidente Dilma de terrorista — o que ele nega. Não se reproduziu texto nenhum seu com essa afirmação. Marcelo Rubens Paiva, colunista do Estadão e filho do deputado Rubens Paiva — que desapareceu em janeiro de 1971, sequestrado pela ditadura —, passou a pedir a cabeça de Salles, campanha endossada de maneira mais do que indiscreta pelo Estadão, por meio de reportagens. Marcelo foi além e exigiu, imaginem só!, uma “retratação” de Alckmin. De súbito, parecia que o governador e seu secretário eram, sei lá, dois agentes da ditadura. Marcelo já andou me criticando por aí. Respondi com bom humor. Ele pode achar que não tenho o direito de pensar o que penso, mas defendo o direito que ele tem de pensar o que pensa. Na minha República, haveria pessoas como ele; na sua, desconfio que eu seria banido. Ele pode achar que assim seria porque é melhor do que eu. Prefiro achar que assim seria porque sou mais tolerante do que ele, ainda que eventualmente ele possa ser melhor do que eu. Acho absolutamente compreensível que ele tenha uma percepção especialmente aguda, dura mesmo, daquele período. Certamente não foi fácil para ele e para sua família. Eu defendo a Lei da Anistia e acho um absurdo que a Comissão da Verdade esteja forçando a mão para ir além do que estabelece essa lei e a que criou a própria comissão. Mas me coloco na situação de Marcelo e me pergunto se eu também, vivendo o que ele viveu, não pensaria algo parecido. Tivessem sequestrado meu pai, seu corpo não tivesse aparecido até hoje, com a memória do sofrimento da família… Talvez eu quisesse revanche. Faço essa observação para deixar claro que não arbitro sobre questões e dores pessoais. “Não é questão só pessoal; é também política!”, poderia objetar um indignado apressado. Sim, eu sei. Mas nem a dor de Marcelo o autoriza a cassar de alguém o direito à opinião. Tampouco o autoriza a cobrar do governador uma retratação. Por quê? Com base em quê? E, se é de política que estamos falando, indago: o filho de Rubens Paiva cobrou, alguma vez, retratação de Lula por sua proximidade com alguns próceres do regime militar, incluindo signatários do AI-5? Exigiu retratação de Fernando Haddad por ter se abraçado a Paulo Maluf na eleição para a Prefeitura de São Paulo — ou também Marcelo, a exemplo de Marilena Chaui, acha que, agora, “Dr. Paulo” deixou de ser um homem da ditadura para ser apenas um engenheiro? Salles não tem uma fatia do governo do Estado. Maluf tem um fatia da Prefeitura. Salles tem apenas uma opinião. Maluf é poder. Sem jamais relativizar os fortes motivos que tem Marcelo, eu me pergunto em que medida o passado está sendo usado para cuidar de demandas que dizem respeito ao presente. Estou tratando de matéria de fato, não de opinião: em 2013 (e desde 2003), é o PT que está próximo de fiéis servidores da ditadura, não Alckmin ou o PSDB. O governador não participou do golpe, tampouco seu secretário, que talvez tenha nascido já na década de 80. Tenta-se fazer um escarcéu porque Salles seria “crítico” da Comissão da Verdade. Eu também sou. E daí? E fui perseguido pela ditadura, o que não é o caso de boa parte dos patrulheiros. Alguns tontos nem sabem do que estão falando. O grupo começou os trabalhos anunciando que ignoraria o próprio texto que o instituiu. Existe para apurar também os crimes de grupos terroristas. Já deixou claro que não vai fazê-lo. O respeito à Lei da Anistia é pressuposto de sua existência. Paulo Sérgio Pinheiro, o coordenador da comissão — e outros membros se manifestaram nesse sentido —, já evidenciou o seu inconformismo com esse limite. A questão não é só de gosto, mas também jurídica. A Lei da Anistia é parte do arcabouço legal que instituiu a Constituinte no País. Ademais, anistia — e já houve outras — quer dizer esquecimento (no quer tange às questões criminais e políticas), não absolvição. Ora, então não se pode ser um crítico da Comissão da Verdade — ou mesmo se opor à sua existência na esfera da opinião (já que nada se pode fazer a respeito) — sem que isso transforme o indivíduo num agente da ditadura? Tenham paciência! Salles nega que tenha chamado a presidente Dilma de “terrorista”. Acredito nele. Também já me atribuíram tal coisa, e nunca ninguém encontrou o texto. O que escrevi, sim, e escrevo de novo agora, é que ela pertenceu a dois grupos terroristas. A presidente não é, obviamente, terrorista. A militante Dilma Rousseff foi. Não é matéria de gosto, mas de fato. Claro, claro, sempre se pode argumentar que o Colina e a VAR-Palmares, que lutavam por uma ditadura comunista e mataram inocentes em sua trajetória, só queriam democracia. Essa é certamente a conclusão a que a Comissão da Verdade já chegou — daí que não vá investigar os crimes de organizações do gênero. Mas essa é só uma das mentiras que vai contar essa comissão. Qual é o problema do nosso jornalismo em encarar os fatos? Dilma tem orgulho de sua biografia. Já deixou isso claro mais de uma vez. É ilegítimo que pessoas possam ter uma abordagem crítica, negativa se for o caso, sobre o seu passado? Por quê? Porque Salles pensa o que pensa, isso faz dele um agente da ditadura, um homem conivente com a tortura, alguém impossibilitado de exercer a função que exerce? Um jornalismo que se entrega a essas especulações há muito abandonou a sua missão. Está fazendo campanha eleitoral antecipada. Na quinta-feira, foi a vez de o senador Aécio Neves (PSDB-MG) entrar na dança. Num evento do seu partido, num dado momento, referiu-se a 1964 como “revolução”. A patrulha imediatamente apareceu: “Ah, ele chamou golpe de revolução”; “revolução é como os militares chamaram o seu golpe”. Ora, até outro dia, os mesmos jornais que davam curso a essa questão ridícula referiam-se, em editoriais, àquele período como “Regime Militar”, e ao golpe como “Movimento Militar de 64”. E não era por imposição da censura nenhuma! Era evidente que o senador não estava fazendo uma escolha política. Referiu-se àquele tempo por uma das expressões pelas quais ficou conhecido. Nada além disso. A conversa mole que se seguiu é só mais uma manifestação desses tempos estúpidos, de embotamento da inteligência. Sem contar que foi Tancredo Neves um dos protagonistas do fim do regime militar. E não que essas coisas não devessem ser debatidas. Desafio qualquer historiador a provar, com dados objetivos e exposição de critérios do que seja uma coisa e outra, que 1930 tenha sido uma “revolução” e 1964 “um golpe”. Aí o tontinho patrulheiro se assanha: “Lá vai o Reinaldo tentar provar que os militares fizeram revolução”. Não, Zé Mané! Eu afirmo que 1930 também foi GOLPE, escancarado sete anos depois. Não existe revolução sem povo! De resto, povo por povo, havia muito mais em 1964 do que em 1930. A República brasileira, como sabe qualquer estudioso, foi inaugurada com uma quartelada. Então por que 1930 é “revolução”, o ditador Getúlio Vargas é um herói, e 1964 é “golpe”, e os militares passam por esse processo de banditização? Por ideologia rasteira. Os nossos historiadores se debruçaram sobre 1930 e enxergaram ali o confronto entre progressistas e reacionários, entre o Brasil arcaico e o Brasil moderno. Como se chegou à conclusão — e nem contesto o mérito — de que houve um avanço, então é “revolução”. Já 1964 foi apenas “golpe” porque se entendeu que a nova ordem veio obstar a ascensão das camadas populares revolucionárias… As camadas populares revolucionárias não passavam de meia dúzia de radicais, que não resistiram ao primeiro tiro. Aliás, não se disparou em 1964 tiro nenhum. Também a ambicionada “revolução socialista” não tinha… povo! Um amante da objetividade é obrigado a indagar se os pobres brasileiros melhoraram ou pioraram de vida com o “golpe”. A pergunta pode ser feita ao metalúrgico Lula, depois sindicalista, que viveu a era do milagre e tinha, como já confessou em entrevista, o seu “carrinho”. Ia namorar de táxi, ele contou — um luxo a que o trabalhador brasileiro não se entrega ainda hoje. O mesmo critério que chamou de “revolução” a ditadura inaugurada em 1930 — “é o moderno vencendo o arcaico” — poderia transformar em “revolução” também o movimento de 1964. Também nesse caso o “moderno vencia o arcaico”. Ah, mas, no regime militar, houve tortura e morte. E durante o Estado Novo? Ora… O Brasil precisa é de mais debate, não de menos; o Brasil precisa é de mais divergência, não de menos; o Brasil precisa é de mais dissenso, não de menos. E precisa de mais respeito às regras do estado democrático e de direito, não de menos. E olhem que isso tudo pode ser feito com muito beijo na boca. Que as bocas se beijem como expressão da tolerância, não para ofender aquele de quem se discorda. Beijo na boca que ofende, modificando um pouco o que disse o poeta, é só a outra forma do escarro.

CAMPO DE GÁS NO MEDITERRÂNEO ABRE UM NOVO HORIZONTE ENERGÉTICO PARA ISRAEL


O campo de Tamar, localizado nas águas do Mar Mediterrâneo pertencentes ao Estado de Israel, começou a produzir gás natural para o país com a promessa de torná-lo independente em energia depois de dois anos de escassez. Em 2011, o surgimento de revoltas políticas no Egito fez com que o país interrompesse um acordo de abastecimento de gás com Israel. Com a produção do novo campo, o Estado judeu terá independência energética por pelo menos três anos, além de se tornar um exportador líquido de gás, segundo o Ministério de Fontes Energéticas e de Água. De acordo com o Banco de Israel, a produção de gás do campo de Tamar deve elevar o crescimento econômico do país em 1 ponto porcentual. Levando em conta a produção de gás, o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter expansão de 3,8% em 2013; ao excluí-lo, Israel deve crescer 2,8% este ano, ante expansão de 3% no ano passado. "Este é um dia importante para a economia de Israel", disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em comunicado: "É algo que vai incrementar a economia de Israel juntamente com todos os cidadãos israelenses". A maior parte do gás de Tamar, cujo campo é estimado em 9 trilhões de pés cúbicos (cerca de 0,25 trilhões de metros cúbicos), será inicialmente usada por uma empresa estatal de energia elétrica. A estatal está endividada e teve recentemente de aumentar os preços por causa da escassez de gás. Desde que o gás vindo do Egito foi interrompido em 2011, a companhia elétrica teve de buscar por fontes mais caras de energia, como o diesel. O Estado de Israel criou recentemente um fundo soberano para lucros provenientes do campo de gás de Tamar e de outro campo próximo, Leviathan, que deve começar a produção no final desta década.