domingo, 26 de maio de 2013

Marina Silva busca apoio no Rio Grande do Sul para criar seu novo partido

A candidata a presidente Marina Silva falará na noite desta segunda-feira no teatro da UFRGS, em um dos eventos da programação Fronteiras do Pensamento. Marina Silva precisa alcançar 500 mil assinaturas para criar o seu partido, a Rede de Sustentabilidade. Ela já conseguiu cerca de 400 mil assinaturas. No Rio Grande do Sul, esses esforços estão sendo conduzidos pelo ex-deputado federal Jorge Uequed, e por sua filha Gisele, que concorreu a prefeita de Canoas nas eleições do ano passado, ficando em segundo lugar. Neste domingo, Marina Silva fez uma peregrinação pelo Parque da Redenção, em Porto Alegre, em busca de assinaturas para a criação do partido.

JUIZA DE ESTÂNCIA VELHA ENCERRA INSTRUÇÃO DE PROCESSO DE QUADRILHA PETISTA QUE CONTRATOU ASSASSINATO E ABRE PRAZO PARA MEMORIAIS

PETEZADA DE ESTÂNCIA VELHA CONVERSA NOS BOTECOS DA CIDADE QUE O COMPANHEIRO TARSO GENRO NÃO VAI DEIXAR IR A JULGAMENTO NO TRIBUNAL DO JURI A QUADRILHA PETISTA QUE ENCOMENDOU ASSASSINATO DE ADVERSÁRIO POLÍTICO
É insistente o rumor em Estância Velha, reverberado nos botecos da cidade, que o governador do Rio Grande do Sul, o peremptório petista Tarso Genro, não permitirá o envio a julgamento dos quatro membros da quadrilha petista que contratou o pistoleiro Alexsandro Ribeiro para assassinar o colunista Mauri Martinelli e o então vereador João Valdir de Godoy (o Duduzinho). Martinelli foi efetivamente atacado pelo pistoleiro, que disparou sobre ele as 15 balas do pente de uma pistola austríaca Glock 380. Sete balas atingiram o corpo do colunista, que escapou milagrosamente da morte. Nos dias subsequentes, várias tentativas de tocais foram montadas contra o então vereador João Valdir de Godoy, que escapou das mesmas porque desconfiou. Na última quinta-feira, a juíza local, Rosali Terezinha Chiamenti Libardi, expediu Nota de Expediente na qual encerrou o período de instrução do processo nº 095/2.09.0000179-3, ajuizado no dia 6 de março de 2009, dando prazo às defesas dos réus para que apresentem seus memoriais. É o seguinte o conteúdo da nota de expediente:
"254/2013 23/5/2013 Vara Judicial da Comarca de Estância Velha
Nota de Expediente Nº 254/2013
095/2.09.0000179-3 (CNJ 0001792-24.2009.8.21.0095) - Justiça Pública X Claci Campos da Silva (pp. Silvana Nunes Nogueira) e Jaime Dirceu Antonio Schneider (pp. Tânia Marli Jungbluth) e Jauri de Matos Fernandes (pp. Italo Fernando de Azevedo Gall) e Luis Carlos Soares (pp. José Nicolau Lottermann e Marcia Elisa Bitarello Gudaites) X M.M. (pp. Claudenir Oliveira Souza).
Em tese, o recurso interposto pela ré não encontra respaldo legal, contudo, ciente da interposição do AI. Declaro encerrada a instrução. Às defesas para memoriais por prazo sucessivo de 05 dias.
Estância Velha, 23 de maio de 2013"
Depois disso, ela deverá marcar data para o julgamento pelo Tribunal do Juri. O que tem alimentado as esperanças dos petistas, que afirmam nos botecos de Estância Velha que os réus não irão a julgamento no juri popular, é a súbita transferência do promotor local, Marcelo Tubino Vieira, para a insignificante comarca de São Gabriel, na Fronteira Oeste. Marcelo Tubino Vieira conhece tudo sobre esse processo. Ele atuou no mesmo devido ao fato de o antigo promotor local, Paulo Vieira, ser "amigo fraternal" do réu Jaime Schneider. conforme declarado por escrito em outros processos. Assim, ficou impedido de atuar na investigação. Também o juiz anterior de Estância Velha, Nilton Luis Elsenbruch Filomena, ficou impedido de atuar no processo porque tinha os mesmos laços de "amizade fraternal", igualmente declarado em processos. Jaime Schneider era secretário municipal de Planejamento na prefeitura de Estância Velha, nas gestões do prefeito petista Elivir Desiam, vulgo "Toco" (hoje ele é presidente da estatal municipal Fenac, de Novo Hamburgo), que contratou como CC, durante os oito anos em que esteve na Prefeitura, a mulher do juiz (ambos também eram "irmãos" na loja maçônica local). Juiz e promotor já foram removidos da cidade. Também contribui para os comentários dos petistas locais, e a certeza que eles formaram, a decisão do governador, o peremptório petista Tarso Genro, de reconduzir ao cargo o Procurador-Geral do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Eduardo de Lima Veiga, demonstrando assim que é pessoa de sua confiança. entre os membros da quadrilha denunciada, o réu Luis Carlos Soares (vulgo "Viramato") era vereador do PT e presidente do partido na cidade na época da contratação do pistoleiro e do atentado realizado contra a vítima Mauri Martinelli. Este é um caso similar ao de Santo André, em São Paulo, com a diferença de que, no Rio Grande do Sul, há testemunha de que houve envolvimento direto do PT, de gente do PT, do presidente do partido, na contratação de pistoleiro para eliminar adversário político.

Ministra Eliana Calmon, ex-corregedora do CNJ avisa, querem revisar julgamento do Mensalão do PT e mensaleiros podem escapar da prisão

A ex-corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, mostrou-se cética em relação à possibilidade de os condenados à prisão no processo do Mensalão do PT irem efetivamente para a cadeia. Após o julgamento no Supremo Tribunal Federal, todos os 25 condenados na ação apresentaram embargos. Perguntada se as prisões aconteceriam, ela respondeu: "Eu não sei. Agora as coisas começam a ficar muito tumultuadas, porque já se fala em embargos infringentes para haver uma mudança. Os jornais noticiam que, pelo menos quatro ministros já se posicionaram à favor dos embargos infringentes", declarou Eliana Calmon, em Salvador, na sexta-feira. Ela alegou ter “uma posição como magistrada, como técnica do Direito” sobre os embargos infringentes. Explicou que eles existem em todos os tribunais: "Mas quando a decisão é de ordem fracionária, ou seja, em um tribunal, uma turma ou um grupo de turmas que formam uma sessão, julga alguma coisa e essa decisão está em divergência com a jusrisprudência que lhe deu outra turma, outra sessão. Existindo, assim, a necessidade que um órgão maior, mais abrangente examinar para dar a palavra final". No caso do Mensalão, a decisão que está sendo questionada é a do plenário do Supremo: "Isso, então, não seria um recurso, mas um pedido de revisão. Não teríamos, então, um recurso, pois um recurso é para outro órgão de categoria superior hierarquicamente decidir". A ministra entende que o Supremo já fez o julgamento do caso, mas se a coisa será apreciada novamente, “isso começa a ficar um pouco preocupante”.

Caixa confirma: sem motivo, um dia antes do boato, antecipou depósito da Bolsa Família para todos os beneficiários

Um dia antes do início dos boatos que causaram filas e tumultos em 13 Estados brasileiros, a Caixa Econômica Federal alterou, sem aviso prévio, todo o calendário de pagamento do Bolsa Família. Todos os benefícios, em um total de R$ 2 bilhões, foram liberados de uma só vez nas contas das 13,8 milhões famílias atendidas. A informação, confirmada pela Caixa, contraria a versão que o banco estatal vinha divulgando desde o início do caso. A liberação de todos os benefícios se deu na sexta-feira da semana retrasada, dia 17. No dia seguinte, movidas por boatos sobre o fim do programa e um suposto pagamento extra pelo Dia das Mães, entre outros, milhares de pessoas foram a agências para sacar o benefício. O tumulto, que incluiu depredação de caixas eletrônicos, levou petistas a acusar a oposição de estar por trás dos boatos sobre o fim do programa. Segundo a regra oficial, o pagamento do Bolsa Família é feito de forma escalonada, seguindo a ordem do último número no cartão. Em maio, por exemplo, aqueles com cartão de final "1" receberiam o pagamento a partir do dia 17, e, assim por diante, até os com o final "0", no dia 31.

Governo federal é perdulário ao comprar passagens aéreas, diz auditoria da CGU

Um levantamento da Controladoria-Geral da União encontrou indícios de desperdício e falta de planejamento generalizados na compra de passagens aéreas pelo governo, um tipo de despesa que vem crescendo desde o início da gestão Dilma Rousseff e já consumiu R$ 1,2 bilhão. Ao analisar uma amostra de 49,5 mil bilhetes emitidos para servidores e autoridades, os auditores descobriram que a maioria dos órgãos federais adquire os voos a preços inflados e com pouca antecedência. A CGU fez um pente-fino em viagens dos três trechos mais requisitados do País (Brasília-São Paulo, Brasília-Rio e Rio-São Paulo). Foram analisados dados do segundo semestre de 2011 pelo Observatório da Despesa Pública, braço da Controladoria Geral da União que monitora como o governo faz determinados pagamentos. Os dados terminaram de ser compilados no fim de abril deste ano. No trecho Brasília-São Paulo, com 18,1 mil vôos, as distorções nos preços alcançam 155%. Enquanto o Ministério do Turismo, o mais econômico nas compras, paga R$ 181,00 por bilhete, em média, com 24 dias de antecipação, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que figura como a mais perdulária, gasta R$ 461,00 - comprando passagens com nove dias de antecedência, em média. No Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), cada bilhete custou R$ 389,00 com antecipação média de cinco dias. A aquisição a valores mais altos é uma conduta padrão: no trecho Brasília-São Paulo, nada menos que 49 dos 62 órgãos pesquisados gastaram ao menos 50% mais, em média, que o Turismo. No eixo Brasília-Rio, as diferenças alcançam 146%. Na Fundação Nacional de Saúde (Funasa), cada voo custou R$ 220, com 10 dias de antecedência média, ante R$ 543 no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, ligado ao Ministério do Meio Ambiente, e R$ 525 na Agência Nacional de Cinema (Ancine). O Jardim Botânico e a Ancine adquiriram as passagens apenas dois e quatro dias antes das partidas, respectivamente. Nessa rota, a mais solicitada pelos servidores e autoridades, 40 dos 78 órgãos federais fiscalizados gastaram, em média, 50% mais que a Funasa, a mais franciscana ao voar. Embora uma portaria do Ministério do Planejamento determine que as compras sejam feitas ao menor preço e que os vôos sejam registrados com antecedência mínima de 10 dias no Sistema de Concessão de Diárias e Passagens, o levantamento da Controladoria mostra que 85% dos órgãos emitem os bilhetes em prazo menor.  Quando o governo compra a tarifas mais altas, não promocionais, o contribuinte perde, mas o servidor tem a chance de ganhar mais pontos nos programas de milhagem e de fazer remarcações sem o pagamento de taxas extras. Na ponte Rio-São Paulo, com 5,8 mil vôos, houve órgão que comprasse com antecedência média de três dias, caso do Ministério do Esporte. Não por acaso, cada vôo da pasta custou ao contribuinte R$ 591,00, mais que o dobro do pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que antecipou as emissões em oito dias. Reservando quatro e cinco dias antes, respectivamente, a Ancine pagou R$ 616,00 e a Fundação Nacional de Artes (Funarte), a menos econômica no trecho, R$ 683,00.

Corte da Ilha Jersey manda 1,45 milhão de libras de Maluf para São Paulo

A Corte da Ilha de Jersey repassou 1,45 milhão de libras (cerca de R$ 4,5 milhões) de empresas offshores ligadas à família do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) para os cofres do município de São Paulo. A liberação ocorreu na sexta feira, para uma conta dos advogados da Prefeitura, em Londres. Nesta terça feira , os advogados vão providenciar a transferência do valor diretamente para o Tesouro paulistano. A quantia faz parte do montante global de US$ 28,3 milhões - cifra atualizada com juros e correções, além de multas - que a Corte de Jersey mandou as empresas Kildare e Durant, controladas pelos Maluf, devolverem até junho aos cofres públicos municipais. O dinheiro das offshores está bloqueado em uma instituição financeira e será todo transferido para São Paulo. Maluf foi condenado em Jersey por "fraude em ampla escala" - segundo o Ministério Público paulista, quando exercia o cargo de prefeito de São Paulo, entre 1993 e 1996, Maluf desviou dinheiro de grandes obras viárias, como a Avenida àguas Espraiadas. A Justiça de Jersey concluiu que Maluf sabia que o dinheiro depositado nas contas de fundos em nome das empresas era de origem fraudulenta e que ele e seu filho Flávio enriqueceram ilicitamente. Para a Justiça de Jersey, Maluf foi "o fraudador e também o arquiteto e principal beneficiário das estruturas que receberam e mantiveram os fundos".

Serviços de inteligência conheciam suspeitos de terem matado soldado britânico

Os dois assassinos do soldado Lee Rigby, esfaqueado em uma rua de Londres — Michael Adebolajo, de 28 anos, e Michael Adebowale, de 22 — eram conhecidos dos serviços de inteligência britânicos. Rigby era um soldado de 25 anos que combateu no Afeganistão. Na noite da última sexta-feira, um amigo de Adebolajo foi preso após conceder uma entrevista ao programa Newsnight, da BBC. A Polícia Metropolitana de Londres disse que a prisão não está diretamente ligada ao assassinato do soldado. Abu Nusaybah disse ao programa que Adebolajo teria rejeitado, há seis meses, uma proposta para trabalhar para o MI5, o serviço de inteligência britânico. A oferta teria sido feita depois que Adebolajo voltou de uma viagem ao Quênia, na África, de onde ele chegou com comportamento "diferente", segundo Nusaybah. Ele disse que Adebolajo teria dado indicações de que sofrera agressões físicas e abusos sexuais durante o interrogatório feito pela polícia no Quênia.

Brasil perdoa dívida de US$ 900 milhões de 12 países africanos

O porta-voz da Presidência da República, Thomas Traumann, anunciou no sábado a anulação de US$ 900 milhões de dívidas de 12 países africanos. "Ter relações especiais com África é estratégico para a política externa brasileira", disse ele. O anúncio foi feito durante reunião da União Africana em Adis Abeba, capital da Etiópia. Os países mais beneficiados com esta anulação de dívida serão a República do Congo, cuja dívida é US$ 352 milhões, e a Tanzânia, com US$ 237 milhões de dólares, acrescentou o porta-voz. Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe também estão entre os países beneficiados, assim como a Costa do Marfim, o Gabão, a Guiné-Conacri e a República Democrática do Congo. O porta-voz explicou que a medida visa dinamizar as relações econômicas entre o Brasil e África. Segundo o Governo brasileiro, as trocas comerciais entre o Brasil e África foram em 2012 de cerca de 25 bilhões de dólares.

Ministério Público denuncia ex-prefeito do PT de Bento Gonçalves, seus bens estão indisponíveis, mas ele não foi preso

O ex-prefeito Roberto Lunelli, o ex-secretário de Finanças, Olívio Barcelos de Menezes, ambos do PT, além de Raymundo Theodoro Carvalho de Oliveira, da Fundação Universitária José Bonifácio, do Rio de Janeiro, foram denunciados na quinta-feira pelo Ministério Público, porque cometeram  crimes de dispensa de licitação, emissão de declaração falsa em documento público w desvio de verba pública em proveito próprio ou alheio. O Ministério Público também ajuizou ação civil pública por improbidade administrativa com pedido liminar para a indisponibilidade de bens. As investigações foram realizadas em conjunto pela Promotoria de Justiça Criminal de Bento Gonçalves e a Promotoria de Justiça Cível, com base em auditoria do Tribunal de Contas do Estado. O então prefeito, com apoio de Menezes, que à época era diretor de compras da Secretaria Municipal de Finanças, contratou com dispensa ilegal de licitação a Fundação, para uma consultoria para a venda da folha de pagamento da prefeitura em 2010. Olívio Barcelo de Menezes assinou documentos como se fosse Secretário de Finanças, sendo que foi empossado no cargo depois da data da assinatura. Além de ter contrato para mais um ano e meio junto ao Banco Santander, o serviço sequer foi realizado, conforme resultado da auditoria do Tribunal de Contas do Estado. Mesmo assim, foi feito o pagamento de R$ 870 mil em julho do ano passado, sendo que o contrato havia sido suspenso ainda em dezembro de 2011.  A ação civil pública pede o ressarcimento integral dos valores aos cofres públicos, além de multa de dez vezes o salário recebido à época dos fatos.

Juiz cassou o mandato do prefeito do PMDB de Cruz Alta

A Justiça Eleitoral de Cruz Alta, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul, cassou os mandados do prefeito Juliano da Silva, do vice Moacir Marchesan e do vereador Rafael Braga, todos do PMDB. A decisão, em primeira instância, foi divulgada na tarde de sexta-feira pelo juiz Ricardo Tjader. Segundo a Justiça Eleitoral, eles foram condenados pela compra de votos nas eleições de outubro do ano passado. O prefeito também vai responder a processo porque não teria se desvinculado totalmente do cargo de administrador do hospital São Vicente de Paulo, que ocupava antes da eleição. Os envolvidos também terão que pagar multas que variam entre R$ 1,5 mil e R$ 40 mil.Prefeito e vice podem recorrer da decisão sem deixar os cargos. Já o vereador Rafael Braga será afastado imediatamente do Legislativo. Na segunda-feira (27) devem ser feitos os cálculos da anulação dos votos dele pra saber se o partido, o PMDB, mantém a vaga na Câmara de Vereadores ou passa para outro partido.

Suplicy, patético, rasteja diante de Lula para garantir sua vaga de candidato ao Senado por São Paulo

É patética e vergonhosa a carta enviada pelo senador Eduardo Suplicy ao ex-presidente Lula, o verdadeiro chefe do Mensalão do PT, porque o parlamentar paulista do PT ajoelha-se diante do seu líder para pedir perdão pelo que acha que Lula pode não ter gostado, e suplica pela confirmação do seu nome como candidato à reeleição para a vaga de senador por São Paulo. É a este nível de degradação que políticos são reduzidos quando não são capazes de enfrentar corajosamente a adversidade, manter a integridade e dar adeus ao líder que desonrou sua história e irá inevitavelmente para o lixo da história como escroque sem escrúpulos. Leia a carta:
Caro presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
Sempre teríamos na transparência de nossos atos e na ética da vida pública os valores fundamentais do PT, foi o que muitas vezes ouvi de você. Nesses 33 anos de militância honrei esses valores e objetivos.Quero lhe transmitir pessoalmente a minha disposição de ser candidato ao Senado em 2014 e naquela casa continuar a honrar o PT. Tenho procurado marcar um encontro pessoal, há meses, mas por alguma razão tem sido sempre adiado. Gostaria de relembrar que, em 2011, quando éramos cinco os pré-candidatos a prefeito de São Paulo, você convocou os demais para dialogarem com você no Instituto Lula para que desistissem em favor de Fernando Haddad. Imagino que tenha avaliado que não precisava conversar comigo. Há cerca de duas semanas, conforme soube pela imprensa, houve reunião no Instituto Lula, em que estiveram presentes os presidentes nacional e estadual, Rui Falcão e Edinho Silva, outros importantes dirigentes, e pelo menos oito prefeitos do PT. Não fui convidado, embora ali se tenha discutido a campanha de 2014, os procedimentos para a escolha do nosso candidato ao governo de São Paulo, ao Senado e possíveis coligações. Segundo o divulgado, os presentes teriam solicitado à direção organizar uma pesquisa de opinião para saber qual o candidato a governador mais viável. Ademais, cogitou-se a possibilidade de que eu pudesse ser candidato a deputado federal para fortalecer a legenda do PT, com a informação de que caberia a você convencer-me desta alternativa. Considero justo que o PT me aponte como candidato ao Senado. Por uma questão de respeito à minha contribuição para o PT desde a sua fundação e também por ter sido eleito por votações cada vez maiores para o Senado, em 1990 com 4.229.706 votos, 30%; em 1998 com 6.718.463, 43,07%; em 2006, com 8.986.803 votos, 47,82%. Poderemos fazer uma prévia aberta a todos os filiados e eleitores interessados em participar como mais e mais se faz em todos os países democráticos. Lembro que José Dirceu certa vez defendeu que nossas prévias deveriam ser abertas a todos os eleitores. Há apenas uma hipótese de eu abrir mão de disputar o Senado em 2014: caso você queira disputar. Por respeito aos seus oito anos como Presidente da República, por já ter disputado uma prévia com você em 2002 e você ter ganho por larga margem. Sempre observei que você acompanhou com grande interesse tudo o que se passa ali, pois sempre comentou conosco que costumava assistir à TV Senado. Acredito que considere algo positivo tornar-se Senador". Eduardo Matarazzo Suplicy. A carta é de uma baixeza repugnante.

Dilma admite falha da Caixa nos boatos sobre Bolsa Família e puxa orelha de Maria do Rosário

Depois de acusar a oposição de espalhar boatos sobre o fim do Bolsa Família, o governo iniciou um recuo em seu discurso sobre o assunto. No sábado, durante visita a Etiópia, na África, a presidente Dilma Rousseff afirmou que a apuração em curso sobre o episódio avalia a possibilidade de ter ocorrido uma "falha" no pagamento dos benefícios pela Caixa Econômica Federal. A Caixa, que não admitiu falha sua ao antecipar os pagamentos sem aviso prévio, volta atrás e admite antecipação de pagamentos. "Usamos a tecnologia da informação mais sofisticada possível com o Bolsa Família. Nós somos humanos; pode ter tido falhas. A Polícia Federal e a segurança da Caixa vão procurar todos os motivos e elencá-los", disse Dilma. "O que fazemos é garantir que seja o menos possível de ser objeto de falha interna". Na mesma entrevista, a presidente desautorizou membros do governo a fazer acusações sobre a autoria dos rumores sobre o fim do programa federal. "Jamais faria manifestação nesse sentido", disse. E acrescentou: "Ninguém no governo está autorizado a dizer qualquer coisa sobre esse processo". É uma guinada no discurso oficial. Na segunda-feira, a ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, a petista Maria do Rosário, acusou a oposição de espalhar rumores sobre o fim do Bolsa Família.

Procuradoria da República acusa ministro Pimentel de ter desviado R$ 5 milhões da Prefeitura de Belo Horizonte

O ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento), um dos mais próximos da presidente Dilma Rousseff e cotado para coordenar sua campanha à reeleição, é acusado pela Procuradoria-Geral da República de ser “autor de delitos” e ter “concorrido ativamente” para o desvio de R$ 5 milhões da Prefeitura de Belo Horizonte em 2004, quando era prefeito da cidade. O caso está sob a relatoria do ministro José Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal. Ele deve apresentar seu voto ao plenário do tribunal, que decidirá se abre ação penal. O inquérito analisa as circunstâncias da contratação, pela Prefeitura de Belo Horizonte, da Câmara dos Dirigentes Lojistas local para implantar o projeto “Olho Vivo”, que previa a instalação de 72 câmeras para coibir crimes no centro da cidade. O documento da Procuradoria, datado de março de 2012, é assinado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e sua mulher, Cláudia Sampaio, e acusa diretamente o ministro: “O denunciado (Pimentel) concorreu ativamente para o desvio dos R$ 5 milhões em favor da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte”.

STF ordena quebra de sigilos bancários de delegado Protógenes e do empresário Demarco; origem do site de Paulo Henrique Amorim também será investigada

O Supremo Tribunal Federal decidiu dar curso à investigação que pretende apurar se a operação Satiagraha foi patrocinada e conduzida por empresários interessados em alijar o banqueiro Daniel Dantas do mercado de telecomunicações do Brasil. O ministro Dias Toffoli atendeu uma lista de pedidos feitos pela Procuradoria-Geral da República. Entre eles estão a quebra de sigilo bancário do ex-delegado e deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) e do sigilo telefônico do empresário Luís Roberto Demarco. O jornalista Paulo Henrique Amorim terá investigada a origem do seu blog. Demarco, ex-sócio de Daniel Dantas no grupo Opportunity, foi o homem designado pela Telecom Italia para defender seus interesses no Brasil e combater os de Daniel Dantas. Protógenes Querioz, atuando como delegado da Polícia Federal, conduziu a operação Satiagraha, que investigou supostos crimes financeiros de Daniel Dantas e de seu grupo empresarial. Paulo Henrique Amorim, em conexão com Demarco e Protógenes, conduzia uma campanha de mídia contra Dantas. Demarco e Amorim estariam a serviço da Telecom Itália, sócia de Daniel Dantas na Brasil Telecom, com quem disputava o controle acionário da operadora. Entre outras ordens, o ministro do Supremo determinou a expedição de carta rogatória à Itália, para obtenção das conclusões dos processos conduzidos pela Procuradoria da República de Milão. Nesse processo, apurou-se que da empresa Telecom Italia foram desviadas altas somas destinadas a subornar autoridades, políticos, policiais e jornalistas do Brasil. Entre os executivos da empresa na Itália, responsáveis pelo “propinoduto”, alguns já foram presos, outros ainda respondem processos e um se suicidou. Embora já se saiba da condenação dos corruptores, até hoje as autoridades brasileiras evitaram ir atrás dos corrompidos. Será quebrado o sigilo bancário também de José Zelman que, segundo Protógenes, foi quem lhe doou três imóveis (dois apartamentos, um no Guarujá, outro em Foz do Iguaçu e mais uma garagem), no curso da operação Satiagraha. A Receita Federal deverá fornecer as declarações de Imposto de Renda de Protógenes e Zelman, de 2005 a 2008. Além da quebra de sigilo telefônico de todas as linhas identificadas como sendo de Protógenes e Demarco, serão levantadas também as ligações feitas e recebidas pela Nexxy Capital (empresa de Demarco) e números da própria Polícia Federal. Dos aparelhos celulares, além das ligações serão recuperados os SMS disparados ou recebidos. As superintendências da Polícia Federal em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro deverão informar se Luís Roberto Demarco ingressou nos prédios entre janeiro de 2007 e dezembro de 2008 — e a finalidade das visitas. A empresa de Demarco será investigada também na Junta Comercial de São Paulo.

Os lobistas José Dirceu e Erenice Guerra se juntam para facilitar negócios de seus clientes com o governo federal

José Dirceu, antes de ser condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha, era o “consultor” preferido das grandes empreiteiras, das empresas de telefonia e de bancos. Erenice Guerra, há menos tempo no mercado, tem seu nicho de atuação nas empresas e fundos de pensão com interesses ligados ao Ministério de Minas e Energia, onde trabalhou. O empresário Flávio Nunes Rietmann é um ex-executivo do banco Cruzeiro do Sul, liquidado no ano passado pelo Banco Central. Ele também é dono de uma corretora de valores e negocia títulos de pouca liquidez. No início de março, o empresário participou de uma reunião no escritório de Erenice Guerra. O encontro, segundo confidenciou um dos presentes, foi agendado por José Dirceu. Rietmann queria a ajuda da ex-ministra para passar à frente títulos a um fundo de pensão, numa operação que poderia movimentar mais de 100 milhões de reais. As partes envolvidas dividiriam uma comissão de 10% sobre o valor final do negócio. Numa demonstração de poder, pelo telefone, Erenice convocou ao seu escritório Fábio Resende, diretor da Previnorte, o fundo de pensão dos funcionários da Eletronorte. O funcionário chegou em poucos minutos, ouviu uma breve explanação sobre o negócio e recebeu uma ordem: “É para comprar”. (…)

Trazer médicos é a solução mais simples, diz o petista trotskista Marcio Pochmann

O ex-presidente da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea, uma espécie de Ibope estatal do PT) e atual presidente da Fundação Perseu Abramo, o petista trotskista Márcio Pochmann, criticou na sexta-feira a decisão do governo de trazer médicos de outros países para trabalhar no Brasil. "Essa é a solução mais simples, mas não pode ser uma saída para enfrentar a dramática situação da baixa qualidade da mão de obra no País", disse, em evento em São Paulo. De acordo com Pochmann, a medida, no entanto, deve ser considerada, caso o País não tenha condições de resolver a questão e isso "trave o crescimento". Apesar de reconhecer que há carência de médicos no Brasil, ele afirmou que é preciso se certificar de que os profissionais estrangeiros, realmente, vão querer se deslocar para os lugares mais carentes. "Há um risco de centralizar em grandes cidades", afirmou. Pochmann disse ainda que a dificuldade é de ordem estrutural, mas que a administração federal tem trabalhado nos últimos anos para diminuir esse déficit. "Já há um movimento de descentralização das universidades. O Brasil passou de cem para 300 cidades com universidades", afirmou.

Chinaglia convoca reunião para enterrar CPI da Petrobras

O líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), convocou uma reunião para esta segunda-feira, com objetivo de tentar "enterrar" a Comissão antes de ela ser instalada. Dos 199 deputados que apoiaram a criação da Comissão, 120 são da base aliada, sendo que o PMDB ajudou com 52 assinaturas. Em razão de a CPI já ter sido protocolada na Mesa Diretora da Câmara, não há mais a possibilidade de retirada das assinaturas. Para o governo impedir a criação da comissão, que ainda deve aguardar uma fila com 15 outros pedidos, é preciso que o governo consiga convencer pelo menos 100 dos 199 deputados a assinarem outro requerimento pedindo o fim da CPI. "Nunca vi, em nenhum país do planeta, a base aliada assinar uma CPI. Quero ter uma conversa franca para ouvir dos líderes o que eles querem", disse Chinaglia. O petista foi enfático: "Eu vou trabalhar contra a CPI".  Alguns deputados da base receberam na sexta-feira ligações da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, perguntando se tinham assinado o requerimento para criação da CPI. "Ligaram pedindo a confirmação. Acho que entendi o recado", disse um integrante do PMDB, sob condição de sigilo.

Dilma hospedada em hotel de luxo durante visita à Etiópia

A presidente Dilma Rousseff se hospedou em hotel de luxo na Etiópia, onde foi participar das comemorações dos 50 anos da União Africana com mais 22 chefes de Estado durante o final de semana. As diárias mais em conta para essa época não saem por menos de US$ 1 mil, inflacionadas pelas comemorações do Jubileu de Ouro da União Africana. Segundo afirmou o gerente de serviço a um hóspede, o hotel emprega 950 etíopes e conta com outras 50 pessoas de diferentes nacionalidades nas áreas de gerenciamento. Um rápido passeio revela a suntuosidade das instalações, com obras de arte espalhadas por paredes, fontes de água, piscinas e mobiliário novíssimo. Há restaurantes variados, piscinas e spa - por 700 Birr etíopes (R$ 77), é possível desfrutar o spa e receber uma massagem de 45 minutos. Por 363 birr (R$ 40), degustar uma salada - cifras inalcançáveis para a quase totalidade da população etíope. Por conta do Jubileu de Ouro da União Africana, o hotel impôs uma cota para cada comitiva presidencial - no Sheraton, ficaram Dilma e pessoas próximas à presidente; o restante, incluindo ministros, foram alojados em outros lugares. O super hotel é propriedade do xeique Mohammed Al-Amoudi - cuja riqueza é estimada em US$ 13,5 bilhões. Segundo a revista Forbes, Mohammed, de 68 anos, é atualmente o maior investidor individual na Etiópia, com apostas no ramo de hotelaria, minas de ouro e agricultura. É filho de pai saudita e de mãe etíope e teria investido uma cifra bilionária para erguer o Sheraton Adis Abeba, aberto há 15 anos em uma área isolada do centro da cidade e considerado o melhor hotel do país. "Estar aqui é como de sair de Adis Abeba. A sensação é: 'Estou farta de toda essa pobreza, então vamos passar um domingo aqui", afirmou uma hóspede. "Os etíopes acham o máximo do hotel, até os pobres têm o maior orgulho dele."

Legado do ex-presidente não reelegerá Dilma, diz Rui Falcão

Em seminário sobre a trajetória do PT nas cidades brasileiras, o presidente nacional do partido, Rui Falcão, disse na sexta-feira que o legado do ex-presidente Lula e do atual governo não é suficiente para reeleger a presidente Dilma Rousseff em 2014 e que será preciso apresentar à sociedade uma proposta que vá além da continuidade do que foi feito em três mandatos petistas. Falcão citou pesquisas que indicam que a maioria da população acredita que o programa Bolsa-Família será mantido mesmo que outro partido chegue ao poder. "A população acha que outro governo também daria continuidade ao bolsa-família. Em parte é positivo, porque a população vê como conquista inamovível no sentido de que nenhum governo teria coragem de abolir. Por outro, significa que apenas o que nós já fizemos não é suficiente para garantir uma reeleição. O legado do presidente Lula foi um dos principais elementos para a eleição da companheira Dilma, além de suas qualidades pessoais, seu discurso, sua trajetória. Mas hoje simplesmente esse legado é insuficiente. Precisamos acenar com o futuro. Que novas propostas nós oferecemos para a sociedade para que ela veja no nosso governo não só manutenção do que foi conquistado, mas novas possibilidades de continuar avançando? O futuro não é o que fizemos, com alguns acréscimos. É um aceno para mudanças", discursou o presidente do PT. Falcão defendeu, então, o que considera duas bandeiras prioritárias do partido: a reforma do sistema político eleitoral, com mudanças como o financiamento público de campanhas, e a "democratização dos meios de comunicação". Rui Falcão também falou sobre a nomeação do novo ministro para o Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso: "Espero que, nessa nova composição, os embargos possam ser apreciados e o processo revisto no Supremo. O mensalão foi o pior episódio que tivemos, que levou a elite a criminalizar companheiros do partido". Falcão também respondeu ao presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, que disse que os partidos no País são "de mentirinha". "Que ele diga isso em relação aos outros, mas não vamos admitir que fale do PT", disse o líder petista. Ao lado do senador Lindbergh Farias, pré-candidato do PT ao governo do Rio que tem sofrido pressão do PMDB do governador Sérgio Cabral para desistir da disputa e apoiar o atual vice-governador Luiz Fernando Pezão, Rui Falcão evitou acirrar a tensão entre petistas e peemedebistas do Rio de Janeiro. "Não há contradição entre PT e PMDB, temos trabalhado em conjunto. As candidaturas postas são legítimas, não há nenhuma hostilidade nossa", afirmou.

Número de homicídios no estado de São Paulo cai 4,22%

O número de homicídios dolosos no Estado de São Paulo caiu 4,22% em abril, ao passar de 379 no ano passado para 363 registrados este ano. As estatísticas de criminalidade foram divulgadas na sexta-feira pela Coordenadoria de Análise e Planejamento da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Na capital houve queda (-7,7%) no total de homicídios, que passou de 103 em abril de 2012 para os atuais 95. Os assassinatos caíram na região metropolitana de São Paulo (2,3%) e no interior (3,17%). Segundo o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Fernando Grella Vieira, os dados são uma confirmação do que o governo havia afirmado sobre a tendência de queda nas taxas de homicídio. “São Paulo e todas as regiões têm registrado, desde o início do ano, uma tendência de queda. O aumento dos homicídios em janeiro de 2013 comparado com o de 2012 foi 17%. Ao longo do ano o índice de aumento foi caindo e agora chegou à queda”. Grella avaliou que a tendência de redução está associada ao trabalho desenvolvido pelas polícias Militar e Civil, que apresentaram recordes de produtividade nas prisões feitas e nas apreensões de armas e drogas. Segundo as estatísticas em abril, em todo o estado, foram presas 14.605 pessoas em abril deste ano enquanto no mesmo mês do ano passado foram 12.444, o que equivale a aumento de 17,37%. Na capital o total de prisões foi 3.313 contra 2.586, 28,11% a mais. “Nós estamos fazendo desde março reuniões bimestrais com os chefes de polícia e o trabalho vai virar um programa de cobranças de metas e de resultados que vai embasar o pagamento de bonificações que o governador Geraldo Alckmin anunciou na quarta-feira, explicou o secretário.

Confaz revoga norma e adia fim da guerra dos portos

O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) aprovou nos últimos dias uma norma que adia em três meses o fim da guerra dos portos. Em reunião na última quarta-feira, o órgão, composto pelos secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal, cancelou a obrigação de as empresas discriminarem, nas notas fiscais, o material importado nas mercadorias. De acordo com o Confaz, a anulação da norma foi provocada pela discussão em torno da divulgação de informações sigilosas de empresas nas notas fiscais, porque a especificação dos componentes importados nas mercadorias permite que concorrentes identifiquem o custo das mercadorias importadas e calculem as margens de lucros utilizadas por determinada empresa ao subtraírem essas despesas do preço final do bem. Em compensação, o conselho tornou obrigatória a declaração do conteúdo importado das mercadorias na Ficha de Conteúdo de Importação (FCI). O documento ficará guardado nas empresas, sendo apresentado apenas ao Fisco estadual em caso de fiscalização. A mudança vale a partir de agosto. Cobrado quando uma mercadoria passa de um Estado para outro, o  Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) interestadual tem sido usado como instrumento de guerra fiscal por estados que oferecem descontos na alíquota ou financiam o pagamento do imposto. No caso das mercadorias importadas, alguns governos estaduais diminuíram o tributo para estimular o movimento nos portos, portos secos e aeroportos locais, dando origem ao que ficou conhecido como guerra dos portos. No fim do ano passado, o Senado aprovou resolução que unifica em 4% a alíquota do ICMS interestadual para as mercadorias com pelo menos 40% de conteúdo importado, isso reduz o espaço para a concessão de incentivos fiscais e, na prática, elimina a guerra dos portos. De acordo com o governo, esse foi o primeiro passo para a reforma do ICMS, que prevê a unificação do imposto interestadual para as mercadorias não industrializadas (nacionais e importadas) e está em discussão no Congresso. A unificação do ICMS para os bens importados, no entanto, tem encontrado dificuldades para ser aplicada devido às empresas que recorrem à Justiça. As companhias alegam que a discriminação do conteúdo importado das mercadorias expõe os custos e as margens de lucros, divulgando informações confidenciais das empresas.

CFM quer carreira federal para resolver a falta de médicos em regiões carentes

O Conselho Federal de Medicina propôs na sexta-feira a criação de uma carreira federal de médico. O cargo exigiria dedicação exclusiva e poderia ser solução para a carência de profissionais em áreas mais carentes do Brasil. Para o conselho, ao contrário do que diz o Ministério da Saúde, há médicos em número suficiente para atender à demanda brasileira. Pela proposta, entregue ao Ministério da Saúde e a parlamentares, o governo criaria o Programa de Interiorização do Médico Brasileiro, em caráter emergencial e transitório, com duração de 36 meses, e levaria os profissionais para cidades com até 50 mil habitantes, nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O plano destinado a fixar médicos em pequenas cidades, inclui melhorias em infraestrutura, instalação de unidades de Pronto-Atendimento e de laboratórios de análises clínicas. O Ministério da Saúde contrataria médicos provisoriamente. Ao fim dos 36 meses, a proposta sugere que a criação de uma carreira de estado, nos moldes da carreira de juiz, na qual o médico receberia o piso, que hoje está em torno de R$ 20 mil, para ter dedicação exclusiva ao serviço público e trabalhar 40 horas semanais. “Com um plano de cargos, carreiras e salários a gente acha que coloca em lugares remotos médicos, que teriam perspectiva de uma carreira até chegar em alguns postos em cidades maiores e até mesmo em capitais”, avaliou Emmanuel Cavalcanti , um dos vice-presidentes do conselho. A entidade de classe propõe também a criação de carreira federal para enfermeiros, dentistas, farmacêuticos e bioquímicos. Recentemente, o Ministério da Saúde disse que pretende trazer 6 mil médicos cubanos para atuar nas áreas mais carentes do Brasil. Além disso, o governo estuda atrair médicos espanhóis e portugueses. Para o ministério, faltam médicos no Brasil. O conselho de medicina não concorda e sustenta que há médicos em número suficiente para suprir a demanda. De acordo com o Ministério da Saúde, o plano proposto pelo conselho será avaliado, embora venha adotando políticas para valorizar o profissional e levá-lo para regiões com déficit de profissionais. Sobre a proposta de criação de uma carreira federal, a pasta informou que têm estimulado a implantação de planos de cargo e salário nos municípios e Estados.

Dólar no mercado paralelo argentino dispara

O dólar no mercado paralelo argentino voltou a disparar na sexta-feira hoje diante da informação de que os bancos iriam restringir a retirada de divisas com cartão de crédito no Exterior. O Banco Central informou que não há uma resolução oficial neste sentido, mas confirmou que foram feitas reuniões com representantes das instituições financeiras para discutir a melhor forma de controlar a fuga de capitais. A pedido do governo, a empresa Visa (que representa mais da metade do mercado de cartões de crédito na Argentina) reduziu na sexta-feira os limites de saques no Exterior a US$ 50,00 mensais em países limítrofes e US$ 800,00 por mês no resto do mundo. Os novos limites vão afetar o turismo nos países vizinhos. O argentino que for a uma praia brasileira nas férias, só terá direito a retirar R$ 100,00 por mês para gastar em lugares que não aceitam cartão, como a barraca que aluga sombrinha e vende cerveja”, disse o economista Fausto Spotorno: “Os argentinos vão acabar comprando dólar no mercado negro, aumentando a brecha em relação ao dólar oficial”. Desde outubro de 2011, quando foi reeleita presidenta, Cristina Kirchner está impondo medidas para restringir as operações de câmbio. Quem quiser comprar moeda estrangeira (incluindo reais) tem que provar que vai viajar e obter autorização da Administração Federal de Rendas Públicas (Afip) – a Receita Federal argentina. Os cartões de débito argentinos já não podem ser usados para fazer saques no exterior e as compras com cartões de crédito são taxadas em 20%. Ainda assim, muitos argentinos achavam que valia a pena viajar até a Colônia e para o Uruguai para sacar dólares com o cartão de crédito e trazê-los de volta à Argentina. A moeda norte-americana chegou a valer dez pesos no mercado paralelo – duas vezes mais que o dólar oficial. O vice-ministro da Economia, Axel Kicillof, admitiu que os argentinos têm US$ 40 bilhões guardados em casa ou em cofres nos bancos – o equivalente às reservas do Banco Central. Na Argentina, poupar em dólar é um hábito que já dura 50 anos. “É a forma como os argentinos se protegem da inflação. Desde os anos 1970, tivemos várias desvalorizações, hiperinflação e confisco de depósitos bancários”, explicou o ex-ministro da Economia, Roberto Lavagna:  “Ao primeiro sinal de desconfiança, os argentinos compram dólares, que guardam fora do sistema financeiro”. Desta vez, o motivo de desconfiança foi a intervenção do governo, em 2007, no Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) – o órgão estatal que mede o aumento de custo de vida. Com a nova medição, a inflação oficial será 11% este ano – menos da metade dos 23% estimados por economistas privados e sindicalistas. O governo vem endurecendo os controles de câmbio para frear a saída de dólares: apesar das restrições, no primeiro trimestre deste ano os argentinos sacaram US$ 120 milhões no exterior (quatro vezes mais que em todo 2012). Com a notícia da redução dos limites de saque com cartão de crédito, o dólar paralelo – que tinha baixado de dez pesos para 8,43 pesos – voltou a subir hoje para 8,95 pesos.

Embrapa testa a capacidade de bioinseticida contra o mosquito da dengue

Empregados e colaboradores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Recursos Genéticos e Biotecnologia aplicaram na sexta-feira, nos prédios que compõem o Parque Estação Biológica, na sede da empresa, em Brasília, o bioinseticida Bt-horus SC. O objetivo foi testar a capacidade do produto no combate às larvas do mosquito Aedes aegypti transmissor da dengue. De acordo com a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), houve um aumento de 680% no número de casos este ano em Brasília e nas cidades do Entorno. Antes da aplicação do bioinseticida, a Embrapa organizou atividades de conscientização sobre os riscos da dengue e seu principal vetor (o Aedes aegypti), proferida pela pesquisadora Rose Monnerat, responsável pelo desenvolvimento do Bt-horus. Em seguida, empregados e colaboradores foram divididos em grupos e seguiram para uma inspeção nas dependências da Embrapa em busca dos focos de proliferação das larvas do mosquito. Segundo Rose Monnerat, o produto contém uma bactéria entomopatogênica, ou seja, específica para controlar o mosquito transmissor da dengue e borrachudos em locais que acumulam água, como plantas, lagos e caixas d'água.  A aplicação é inofensiva à saúde humana, aos animais e ao meio ambiente. Cada grupo de servidores ficou responsável por uma área dentro da sede da Embrapa, que abrange mais de 20 mil m² de área. Integrantes do Laboratório de Bactérias Entomopatogênicas (LBE) coordenaram a aplicação do bioinseticidade.

Livro apresenta 1.200 casos de camponeses mortos e desaparecidos na ditadura militar

Cerca de 90 trabalhadores rurais sem terra acompanharam, na sexta-feira, o  lançamento do livro Camponeses Mortos e Desaparecidos: Excluídos da Justiça de Transição. A obra pretende auxiliar a Comissão Nacional da Verdade (CNV) no reconhecimento oficial de 1.196 casos de camponeses mortos e desaparecidos no campo em função das diversas formas de repressão política e social entre setembro de 1961 e outubro de 1988, período indicado pela Lei 9.140/1995 – a primeira a reconhecer que pessoas foram assassinadas pela ditadura militar (1964-1985). Apesar do número expressivo (3,5 vezes acima do total de reconhecidos oficialmente como mortos por perseguição política), apenas 51 casos foram analisados pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) e, desses, 29 tiveram a causa da morte relacionada à questão política. “É importante para os trabalhadores rurais, para os camponeses brasileiros recuperar essa história, porque muito dessa história ainda é atual e o Estado tem a responsabilidade de apurar os crimes e, com a Comissão da Verdade, fazer com que isso seja colocado a limpo”, disse o coordenador do projeto Direito à Memória e à Verdade, Gilney Viana, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), que elaborou o estudo que resultou no livro em parceria com a Comissão Camponesa da Verdade. De acordo com o livro, há mortes durante o regime militar e também durante o regime civil. Quatro pessoas foram assassinadas antes do golpe de abril de 1964; 756 foram mortas durante a ditadura (sendo 432 na abertura política após 1979); e 436 após março de 1985, na transição civil (governo Sarney). Segundo o documento, o aumento da violência no campo a partir da distensão e ao longo da chamada Nova República tem a ver com a organização política dos trabalhadores rurais. Os Estados que acumulam o maior número de pessoas assassinadas (lideranças ou não) são o Pará (342 mortes); o Maranhão (149 mortes); a Bahia (126 mortes); Pernambuco (86 mortes) e Mato Grosso (82 mortes). Mais de 96% dos assassinados eram homens. Grande parte das mortes não ocorreu pelas mãos dos “agentes do Estado” (policiais e militares), 15% do total (177 casos); mas por “agentes privados” (milícias e pistoleiros contratados). Na avaliação de Viana, a participação de agentes do Estado nem sempre é tão clara porque, no campo, a repressão acabava sendo exercida pelos latifundiários. "O poder do Estado lá era delegado a um fazendeiro, a um coronel que atuava às vezes como preposto da ditadura. É uma situação política que exige uma nova interpretação da lei que criou a Comissão dos Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil", defendeu.

Polícia Federal acha empresa de telemarketing que espalhou boato do fim da Bolsa Família

Em menos de uma semana de investigação, a Polícia Federal descobriu indícios de que uma central de telemarketing com sede no Rio de Janeiro foi usada para difundir o boato de que o Bolsa Família, o principal programa social do governo federal, iria acabar. Mensagem de voz distribuída pela central anuncia o fim do programa, conforme dados do inquérito aberto no início da semana a partir de uma determinação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A descoberta reforça a tese de que a ação tenha sido organizada. A polícia tentará agora descobrir quem contratou os serviços de telemarketing e se, de fato, existe algum grupo com interesse político-eleitoral por trás da tentativa de se assustar os beneficiários do Bolsa Família. A polícia decidiu também interrogar as 200 primeiras pessoas a fazer saques logo após o início da disseminação dos boatos sobre o fim dos programas. A polícia quer saber como cada um deles foi informado sobre o fim do programa. "Está comprovado o uso do telemarketing", disse uma fonte que está acompanhando de perto as investigações. Os boatos sobre o falso fim do programa começaram a ser difundidos no sábado retrasado e provocaram uma corrida em massa à agências da Caixa Econômica Federal, pagadora do benefício. Os primeiros saques foram feitos no Maranhão, Pará e Ceará por volta de 11 horas do sábado retrasado, 30 minutos depois do registro de uma das ligações da central de telemarketing sobre o falso fim do programa. No dia seguinte, os terminais da Caixa registravam 900 mil saques no valor total de R$ 152 milhões. A presidente Dilma Rousseff classificou a ação de criminosa. Cardozo disse que a hipótese mais provável é que se tratava de uma manobra orquestrada. A ministra da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Maria do Rosário, chegou a afirmar, no twitter que os boatos teriam partido da oposição. Líderes da oposição reagiram e passaram a levantar suspeitas sobre setores do governo que, no fim das contas, acabariam obtendo dividendos políticos com o caso. Os investigadores do caso tentam se manter longe dos embates políticos, mas não descartam que o episódio tenha alguma conotação eleitoral. O Bolsa Família tem sido motivo de debate nas principais eleições nos últimos anos. A partir do aprofundamento sobre o uso do telemarketing e de declarações dos beneficiários, a polícia entende que poderá esclarecer o caso.

Três países da América do Sul e México formam a Aliança do Pacífico… E o Brasil vai ficando prisioneiro de um Mercosul que é só atraso de vida

Enquanto o Brasil segue amarrado a um Mercosul que só existe para criar embaraços, mais um bloco econômico se consolidou. Chile, Colômbia, México e Peru formaram a Aliança do Pacífico: “Instruímos que se conclua a redução tarifária de todo o universo de bens e que ao menos 50% tenham taxa zero desde a entrada em vigência de um acordo, no próximo 30 de junho”, afirmou, segundo informa a Folha, Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia. Por aqui, o Brasil segue enfrentando a má vontade da Argentina e amarrado a um bloco que o impede de firmar acordos bilaterais. Desde 1991, quando se tornou membro do Mercosul, o Brasil fechou, ATENÇÃO”!, três acordos bilaterais: com Israel, Egito e… Palestina! Só o primeiro está em vigência. Parece piada, mas é assim mesmo. Até 10 de janeiro de 2013, a OMC tinha registrados nada menos de 543 acordos bilaterais. Estavam em vigência 354 deles — a metade havia sido firmada a partir de 2003. É interessante notar que o Peru integra o novo bloco. O presidente Ollanta Humala, inicialmente um nacionalista com inclinações bolivarianas, parece ter cedido ao pragmatismo. Herdou um país que estava na rota do crescimento e não fez, até agora, nenhuma besteira, distinguindo-se dos pterodáctilos que sobrevoam o continente. A presença do México no grupo facilita a negociação de todos esses países com o Estados Unidos e com a União Europeia. Só Banânia vai ficando para trás… Afinal, sabem como é, os petistas têm uma missão evangelizadora. Contam com a retomada da Rodada Doha, agora que há um brasileiro no comando da OMC, para mudar o comércio mundial. Com ambições mais modestas, o resto do mundo vai firmando acordos regionais e bilaterais. Por Reinaldo Azevedo

Briga do PMDB com o PT poderia ser para valer; o País sairia ganhando…

Sempre que o PMDB briga com o PT e com o governo, o país fica mais próximo da moralidade. O diabo é que, como numa música breganeja que ouvi ontem num táxi, “Quando a gente fica junto, tem briga/ Quando a gente se separa, saudade (…)”. Vale dizer: eles sempre reatam — porque é natureza do PMDB voltar para os braços de quem está no poder. Qual é o busílis desta feita? Boa parte dos peemedebistas da Câmara decidiu assinar um requerimento que pede uma CPI para apurar irregularidades na Petrobras, especialmente a compra e venda de ativos no exterior. Endossam o pedido 199 deputados (é necessário um mínimo de 171). Do total, 120 pertencem a partidos da base aliada — 52 são peemedebistas; vale dizer: 63% da bancada de 82 deputados do partido. A CPI é só um recado, é só um sinal. Ainda que prosperasse, não seria para já. Há dez pedidos na frente. O PMDB só está deixando claro à presidente Dilma, por intermédio dos deputados, que está descontente com o governo. Por isso assina um requerimento de CPI. Infelizmente, é para negociar mais adiante. É claro que a Petrobras está a merecer uma CPI faz tempo. Basta contrastar a realidade da empresa hoje (e suas perspectivas) com as fantasias deixadas por José Sérgio Gabrielli, ex-presidente. Mais: ainda está sem solução o escândalo de Pasadena: a operação de compra de uma refinaria nos EUA resultou num prejuízo para a empresa de quase US$ 1,2 bilhão. Até o PMDB sabe disso. Logo, se as mágoas acumuladas do PMDB resultassem numa CPI da Petrobras, algum bem se poderia fazer ao país e até mesmo à empresa — no médio e no longo prazos ao menos. Mas o mais provável é que não aconteça nada e que o governo ceda aqui e ali, pacificando o partido. É claro que vai mal um país em que a moralização de uma empresa ou a investigação de operações suspeitas — e essas coisas deveriam ser obrigações — são empregadas como moeda de troca. O texto poderia ser este: “Ou vocês cedem a alguns dos nossos pleitos, ou vamos começar a fazer o certo e a cumprir o papel que nos atribuiu o eleitor”. Por Reinaldo Azevedo

Futuro ministro do STF é um dos emblemas do pensamento politicamente correto; Dilma decide dar uma resposta aos “conservadores”

A questão que não quer calar é uma só — ou, agora, se me permitem, a “questão são duas”, a depender da velocidade com que as coisas avancem no Supremo: como Luís Roberto Barroso, o novo indicado para o Supremo (e certamente será aprovado pelo Senado), vai se comportar no caso do mensalão? O outro enigma é Teori  Zavascki. Fato número um, e vamos ver o peso que isto tem: há muito tempo ele é um dos prediletos de Márcio Thomaz Bastos para a o cargo. Bastos, como se sabe, é ex-ministro da Justiça e atual advogado de mensaleiro (José Roberto Salgado). Não se pode dizer, no entanto, que Barroso fosse o preferido do establishment petista. Havia outros à frente. Mas é certo que, numa dimensão, digamos assim, gramsciana, o partido não tem do que reclamar. Barroso é afinadíssimo com a metafísica petista e com os valores que o partido pretende transformar em imperativos categóricos. Currículo, sem dúvida, ele tem. Inclusive no pensamento politicamente correto — ou politicamente engajado; já chego lá. Cumpre lembrar, antes de tudo, que Barroso foi a estrela da advocacia que atuou em favor do terrorista Cesare Battisti, “convocado” que foi para auxiliar Luís Eduardo Greenhalgh. Já escrevi o suficiente sobre esse caso, como sabem. Barroso faturou a causa por um voto, e o Brasil ficou com um bandido a mais à solta em suas plagas. UMA NOTA À MARGEM – Caso os mensaleiros não obtenham sucesso em sua empreitada, o futuro ministro do STF certamente não se alinhará com aqueles que pretendem evocar o Pacto de San José da Costa Rica, né? Afinal, a Corte Europeia de Direitos Humanos rejeitou os recursos de Battisti e declarou que ele havia tido, sim, à diferença do que se noticiou por aqui, amplo direito de defesa. Sigamos. Barroso atuou ainda em favor da pesquisa com células-tronco embrionárias, união civil de homossexuais e do aborto de anencéfalos. Estivéssemos nos EUA, ele seria apontado como “um liberal”, segundo o vocabulário que se emprega lá. Aqui, o sinônimo é “esquerda”, eventualmente “progressista” na novilíngua que se passou a usar por aí. Há que se destacar que, num momento em que os conflitos de valores se tornaram uma pauta quente no Brasil, Dilma escolhe um nome que, obviamente, vai na contramão dos, deixem-me ver como chamar, “valores tradicionais” — e, obviamente, nada tenho contra os “valores tradicionais”. Muito pelo contrário. Barroso é um dos mais vistosos emblemas do “progressismo” em matéria de direito. Mas, dados os nomes que andaram circulando por aí, afirmo: dos males, o menor… O advogado é também o mais midiático de todos eles. Aos 55 anos, já pertence à geração que tem página na Internet, onde faz digressões sobre direito, poesia, música… A gente fica sabendo, por exemplo, que ele gosta de Beethoven, de Ana Carolina e de Taiguara. Tá bom. Em sua página, o futuro ministro do Supremo opina sobre isso e aquilo — tanto que há lá uma seção chamada “opiniões”. No texto sobre o aborto de anencéfalos, escreve: “A interrupção da gestação constitui tema controvertido em todas as partes do mundo. No Brasil, a questão da descriminalização do aborto ainda aguarda um debate público de qualidade e sem preconceitos. Porém, deve-se deixar claro que a antecipação terapêutica do parto não constitui aborto, à vista da falta de potencialidade de vida extra-uterina do feto". É… Uma das minhas especialidades é arrancar o glacê das palavras para me concentrar na substância. Qualquer um que diga que o debate sobre o aborto deve ser feito “sem preconceitos” é defensor do aborto. É claro que as pessoas têm o direito de ter esse ponto de vista. O que me incomoda é considerar que o outro só pode pensar de modo diferente por “preconceito” — classificação que busca, obviamente, desqualificar o adversário intelectual. Nota: “antecipação terapêutica do parto” é eufemismo detestável. O nome é aborto mesmo, terapêutico ou não. Mesmo sendo um dos preferidos de Márcio Thomaz Bastos, não sei como Barroso se comportaria no caso do mensalão. Uma coisa é certa: ele é um das mais vistosas reputações do pensamento politicamente correto no Brasil. Pensem aí uma “causa progressista”, qualquer uma: Barroso será a favor. Ao nomeá-lo, Dilma certamente procurou dar uma resposta àquilo que as esquerdas chamam “onda conservadora no Brasil” — que, de resto, não existe. Mas agora existe um ícone para combatê-la… Por Reinaldo Azevedo

Uma restrição severa e algumas questões de ordem intelectual e técnica a Barroso, futuro ministro do Supremo

Ai, ai, ai… Alguns ministros do Supremo Tribunal Federal falam demais. E, tudo indica, isso não vai mudar com a chegada de Luís Roberto Barroso, tão logo assuma a sua cadeira na corte. Ele nem está lá ainda e, vejam só, já está movimentando o noticiário com opiniões. Nesta segunda, decidiu criticar o ativismo judicial, conforme informa VEJA.com. E é evidente que o fez se referindo a decisões tomadas por seu futuros parceiros de corte. Não assumiu ainda, mas se comporta como ombudsman do tribunal do qual fará parte. É bem verdade que expressou uma opinião num seminário, que já estava agendado. Mas o convite feito por Dilma antecedeu o discurso que tinha pronto. Teria dado tempo de arrumar as coisas para não passar a impressão de que chega à Corte como um juiz dos juízes. E o que disse ele no tal seminário? Prestem atenção: “Em uma democracia, decisão política deve tomar quem tem voto (…) O Judiciário deve ser deferente às escolhas feitas pelo legislador e às decisões da administração pública, a menos que — e aí, sim, se legitima a intervenção do Judiciário — essas decisões violem frontalmente a Constituição. Aí, sim, por exceção e não por regra, o Judiciário pode e deve intervir". Analisar discursos é a minha praia. Submeter a literalidade ao contexto é a minha obsessão. Se saio por aí a dizer que é preciso ter mais respeito pela Lei da Gravidade, ninguém há de achar que sou louco por acreditar nela, mas minha fala só fará sentido se estiver em curso alguma tentativa de burlá-la, certo? Se anunciou em praça pública: “Todos os homens públicos devem ser honestos”, é fato que ninguém divergirá do conteúdo, mas a proposição só encontrará a devida recepção se nem todos os homens públicos estiverem sendo honestos. Assim, ainda que Barroso tenha dito o óbvio, é certo que está dizendo, por contraste, que o Judiciário não está sendo “deferente” às escolhas feitas pelo legislador, o que até pode ser uma crítica pertinente, mas já descabida para quem vai ocupar uma cadeira já reservada. Seria simplesmente inconcebível que um candidato à Suprema Corte nos EUA se desse a tal desfrute. Num momento em que forças não exatamente iluministas do Congresso se insurgem contra o Supremo, a crítica é, para dizer pouco, inoportuna. Barroso foi, por exemplo, um dos militantes, na área do direito, para que se reconhecesse como “constitucional” a união civil entre homossexuais e em favor do aborto de anencéfalos. Então falemos um pouco de “ativismo judicial”. Então é o caso de debater se vamos definir como “ativismo judicial” a prática do Poder Judiciário que invade a competência do Poder Legislativo ou se ativismo judicial é aquilo que cada um de nós acha que seja. O parágrafo 3º do Artigo 226 da Constituição estabelece, por exemplo: “§ 3º – Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento". Parece que o doutor Barroso, como advogado — e certamente assim seria se membro da Corte já fosse —, considerou que a vontade do legislador não tinha sido suficientemente clara, não é?, ao considerar, e não tenho modo menos tautológico de escrever isto, que “homem é… homem”, e “mulher, mulher”. Vários saltos triplos carpados hermenêuticos levaram o STF a considerar que, não existindo normas contraditórias na Carta, se o Artigo 5º garante a igualdade de direitos, então o Parágrafo 3º do Artigo 226 ou foi revogado ou não vale. À época, fiz uma pesquisa bastante extensa. Não encontrei corte nenhuma no mundo democrático que fosse dada a interpretar a Constituição CONTRA A SUA PRÓPRIA LETRA. Recentemente, num abuso que me parece espetacular, o Conselho Nacional de Justiça obrigou (?) os cartórios a celebrar o casamento gay propriamente. Que se note: sou favorável, sim!, ao casamento gay. Mas, não sendo a união civil ou casamento direitos naturais, e sim pactos socialmente definidos (a exemplo de boa parte das leis e normas), há o Poder que deles se encarrega, não? E entendo que esse Poder é o Legislativo. Sem que uma emenda fosse aprovada pelo Congresso, mudando a Constituição, parece-me óbvio, evidente, que o Supremo invadiu uma área de competência do Legislativo. Da mesma sorte, afiguram-se como escancaradamente inconstitucionais as cotas raciais, com as quais, estou certo, doutor Barroso concorda. Ou todos os homens são iguais perante a lei ou não são. Corrigir eventuais desigualdades de fato com leis suplementares de reparação para determinados grupos, vá lá. Mas suprimir direitos de uns para fazer justiça a outros (é o caso das cotas), aí me parece um estupro constitucional e moral. Brancos estão sendo punidos, sob o pretexto de corrigir desigualdades, porque brancos. É uma Justiça bastarda! Não obstante, doutor Barroso não vê nisso ativismo judicial, mas matéria de justiça apenas. Pergunto ao jurista, futuro ministro: o Legislativo também não deixou clara a sua vontade, no Código Penal, ao definir as hipóteses de aborto legal? Lá está: em caso de estupro e de risco de morte da mãe. E só. Mas doutor Barroso foi um dos patrocinadores da legalização do aborto de anencéfalos. Nesse caso, ele militou ferrenhamente para que o Supremo emendasse, por sua conta e sem competência para tanto, o Código Penal. A nossa Constituição, como ele sabe, protege a vida sem reservas, deixando para a lei as exceções que estão… na lei. Nesse caso, no entanto, ele achou que estava tudo certo e ainda fez peroração sobre a decisão em sua página na Internet. Mais do que isso: em sua página na Internet, diz que é chegada a hora de debater a questão sem preconceitos. Ele certamente é favorável à descriminação do aborto e acha que quem discorda dele é preconceituoso. Advogado capaz ele é, sem dúvida. Burro não é, de modo nenhum, daí que tenha aberto a janela, em sua fala, para o ativismo judicial. Ele seria inaceitável “a menos que — e aí, sim, se legitima a intervenção do Judiciário — essas decisões violem frontalmente a Constituição.” Entendi… Então voltamos à vaca fria: EU ENTENDO QUE VIOLA FRONTALMENTE A CONSTITUIÇÃO O QUE SE CHOCA COM O CONTEÚDO EXPLÍCITO DA CONSTITUIÇÃO OU COM O SEU ESPÍRITO, NO CASO DA NÃO EXPLICITAÇÃO.
- a Carta é explícita ao definir os termos da união civil;
- a Carta é explícita ao declarar a igualdade dos homens diante da lei;
- a Carta é explícita ao defender a vida.
No entanto, nesses três casos, doutor Barroso preferiu o caminho do “ativismo judicial”. Não me parece correto, prudente ou ético acusar o “ativismo judicial” quando a gente discorda do Supremo e aplaudi-lo quando a gente concorda, não é mesmo? “E você, Reinaldo? É coerente?” Se quiserem, até me desculpo por isto, mas sou, sim. Eu, que chamei de bolivariana e fascista a proposta petista de submeter decisões do Judiciário ao Congresso ou a referendo, não obstante, já critiquei severamente essas invasões de competência. Está lá, nas páginas 313 a 318 do livro “O País dos Petralhas II”. Meu alinhamento automático é com a Constituição e com as leis. Não sou do tipo que transforma em princípio universal aquilo com que concorda e em mero preconceito aquilo de que discorda. Podem procurar na Internet. Fui o primeiro a classificar a escolha de Barroso como a opção por um “progressista”. Dilma tinha decidido, afirmei, afrontar os “conservadores”. Não tratei seu currículo com menoscabo, é evidente. Apenas cumpri uma das minhas tarefas de jornalista, que é investir na compreensão crítica. Quem aplaude ou vaia é plateia. Eis que, nesta sexta, pego os jornais e vejo lá: Dilma, dizem, escolheu um progressista — e a palavra nem trazia aspas, nada! Progressistas, por certo, querem progresso. Logo, discordar do doutor Barroso, doravante, passará a ser manifestação de atraso. Vou encerrando. Reitero a minha restrição à fala impertinente do futuro ministro, que, parece-me, pode ter sido bastante apreciada por algumas alas brucutus do Congresso. E deixo as minhas questões ao “progressista”: quando o Supremo legisla e aprova cotas, união civil gay e aborto de anencéfalos, Vossa Senhoria, futuro Vossa Excelência, não vê ativismo judicial? Ou ativismo judicial só existe quando Vossa Senhoria discorda da decisão? Como vocês veem, quem me obriga a fazer tais indagações é a lógica, são os fatos. Por Reinaldo Azevedo

Márcio Thomaz Bastos, o petista, faz um duro ataque ao Ministério Público, que já foi um grande parceiro do PT

Então… A Constituição que aí está é de 1988. Os petistas só chegaram ao poder em 2003. Durante, portanto, longos 15 anos, o País conviveu com o Ministério Público e suas, admito, não muito claras prerrogativas. O petista Márcio Thomaz Bastos, hoje advogado de mensaleiro, jamais levantou a voz. Ao contrário. Os petistas eram aliados de alguns setores radicalizados do MP, que passaram a atuar como correias de transmissão do partido. Muitas pessoas tiveram a vida quase destruída por essa atuação conjunta, em associação com a imprensa. Os que não se lembram da atuação do procurador Luiz Francisco (foto) devem fazer uma pesquisa na Internet. O PT jamais o criticou. Formavam uma equipe. O PT, justiça se faça aos fatos, não procurou confronto com o Ministério Público até explodir o caso do mensalão. Aí as coisas se complicaram. Aí o partido descobriu que era preciso fazer alguma coisa. E assim o encontramos agora, um fanático defensor da PEC 37. Leiam o que informa José Ernesto Credendio, na Folha Online
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O ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos afirmou nesta sexta-feira (24) que o Ministério Público é seletivo ao abrir inquéritos criminais porque seus membros preferem casos com grande repercussão. “O objetivo do Ministério Público é selecionar casos, os que dão mídia, dão glória, saem no ‘Jornal Nacional’. Não querem amassar barro”, afirmou o advogado. Thomaz Bastos participou de seminário realizado pela Polícia Federal para discutir a PEC 37, proposta de emenda constitucional que impede promotores de abrir inquéritos criminais. A PF é um das principais defensoras da proposta. O diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Coimbra, participou do evento. Na avaliação do ex-ministro, a PEC é justamente uma reação ao “número absurdo de procedimentos de investigação criminal que surgiram no Brasil”. De acordo com ele, os promotores abrem uma investigação “que começa dos culpados e vai adiante até que se consegue comprovar suficientemente” um crime. Em um discurso duro, Thomaz Bastos ainda declarou que “chamar isso de PEC da Impunidade [nome dado aos grupos contrários à proposta] é jogo retórico, se não for uma bobagem". Por Reinaldo Azevedo

Volume de comércio mundial cresce 0,7% no primeiro trimestre

O volume de comércio mundial cresceu 0,7% no primeiro trimestre deste ano ante o trimestre anterior, repetindo o ritmo de expansão verificado no quarto trimestre de 2012, em meio ao crescimento modesto da economia global, segundo relatório publicado na sexta-feira pelo Escritório de Análise de Política Econômica da Holanda. o documento, que é mensal, o escritório informou também que o volume de comércio cresceu 0,2% em março, após recuar 1,1% em fevereiro. "O crescimento das exportações nas economias avançadas e das importações em economias emergentes foi positivo, como resultado de um notável aumento no ritmo de expansão das exportações do Japão e, em menor grau, na zona do euro, e pela alta das importações na Ásia emergente", comenta a nota. Os dados são acompanhados de perto por formuladores de política, inclusive por uma série de bancos centrais, porque representam a primeira medida disponível do comércio global. Segundo o escritório, as exportações do Japão subiram 2,8% em março ante fevereiro, enquanto as vendas externas da zona do euro avançaram 1,3% e os embarques dos Estados Unidos caíram 1%. Já as importações das economias asiáticas em desenvolvimento subiram 3,5% na comparação mensal.

Banco Central informa que crédito atinge R$ 2,452 trilhões em abril

O estoque de operações de crédito do sistema financeiro subiu 1,1% em abril ante março e chegou a R$ 2,452 trilhões, informou o Banco Central, na sexta-feira. No trimestre encerrado em abril, a carteira cresceu 3,7% e, no acumulado do ano, houve alta de 3,6%. Em 12 meses, a elevação foi de 16,4%. e acordo com a autoridade monetária, o crédito livre cresceu 0,5% no mês e 11,1% em 12 meses, enquanto o direcionado aumentou 1,9% e 24,6% em 12 meses. No crédito livre houve crescimento de 1,0% para pessoas físicas no mês, 2,1% no acumulado do ano e 9,2% em 12 meses. Para as empresas, no crédito livre, houve estabilidade no mês e altas de 0,5% no ano e de 13,1% em 12 meses. O total de operações de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) passou de 53,9% em março para 54,1% no mês passado.

Volume de vôos cresceu 153% em 10 anos no País

Rodrigo Santana, assessor da presidência da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), afirmou na sexta-feira que o crescimento no volume de vôos no Brasil foi de 153% entre 2002 e 2012, com uma média de expansão anual de 10%. No mesmo período, ressaltou, o crescimento global foi de 46%. "Isso pode ser explicado em parte pela redução no preço das passagens", disse Santana, que representou o presidente da Anac, Marcelo Guaranys, no Latin American Airport Seminars, em São Paulo. "Houve uma redução média de 43% no preço das passagens aéreas entre 2002 e 2012. "Hoje, o custo que o passageiro desembolsa para voar 1 km é menos da metade do que era em 2002", acrescentou, sem mencionar os valores. Santana ressaltou que, apesar de ter se expandido muito acima da média mundial, há espaço para crescimento do transporte aéreo no Brasil. "O índice de utilização ainda é baixo. Em primeiro lugar no mundo, estão os Estados Unidos, onde as pessoas voam em média cinco vezes por ano. No Brasil, essa média é de 0,9", disse ele.

Força Sindical quer correção monetária no FGTS

A Força Sindical pretende entrar com uma ação coletiva para pedir a correção monetária sobre os depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) dos trabalhadores representados pelos sindicatos com recomposição financeira das possíveis perdas. Segundo a entidade, estas perdas chegam a 88,3%. "Só nos últimos dois anos, as perdas chegam a 11%", informou a Força Sindical na sexta-feira, em nota. Conforme a entidade, os trabalhadores perderam cerca de R$ 50 bilhões entre 1999 e 2012 com a "manipulação" da TR, que incide no cálculo dos juros do FGTS. "Desde 1999, o FGTS dos trabalhadores brasileiros está sendo corrigido de maneira errada", diz a nota. De acordo com a Força Sindical, situação semelhante aconteceu em 2001, quando os trabalhadores ganharam ações na Justiça sobre as correções dos planos Collor e Verão. "E o governo teve que abrir negociação e pagar as correções", diz a entidade.

Redução da dívida dos Estados não está em negociação, diz Mantega

O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira que a redução da dívida dos Estados não está em negociação. De acordo com o ministro, o afrouxamento da dívida significaria a violação da Lei de Responsabilidade Fiscal e criaria uma situação fiscal instável. "Aquilo que o governo se comprometeu é mudar o indexador da dívida dos estados, porque isso vai diminuir a dívida. Agora, fazer uma redução significa viola a Lei de Responsabilidade Fiscal", disse Mantega após almoçar com lideranças empresariais: "Você criar uma situação fiscal instável, aumentar o gasto corrente dos Estados, isso nós não queremos. O que nós queremos é aumentar os investimentos e isto está sendo cumprido por meio do espaço fiscal que nós estamos dando para eles". Mantega ressaltou que o executivo federal não concorda com a emenda, no projeto de lei de reforma do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que reduz a dívida dos Estados. "A negociação está no Congresso, a proposta que nós tínhamos nós já fizemos e está lá tramitando. O governo não está negociando a redução da dívida dos Estados. Não está em negociação. É justamente esse ponto que está no projeto de lei complementar que nos fez ficar com a intenção de retirar o projeto", ressaltou.

Petrobras anuncia desistência da venda de ativos na Argentina

A diretoria executiva da Petrobras desistiu da venda de ativos da companhia na Argentina por não considerar adequadas as propostas oferecidas. A informação foi divulgada na noite de sexta-feira pela estatal. Em nota, a empresa informa que, em face do andamento das negociações envolvendo os ativos, "decidiu pela não aprovação da operação de venda a partir das propostas obtidas". Ainda no comunicado, a empresa sustenta que a decisão "não altera seu plano de desinvestimentos, constante do Plano de Negócios e Gestão 2013-2017. Com ele, a expectativa da estatal é arrecadar US$ 9,9 bilhões até 2017". A decisão foi tomada na reunião de sexta-feira da diretoria executiva. Na última quarta-feira, em Brasília, a presidente da estatal, Graça Foster, informou que a Petrobras pretendia continuar operando na Argentina, apesar de estar analisando a venda de parte de seus ativos no país. Em audiência na Câmara dos Deputados, Graça Foster disse que a empresa estava na Argentina "há muitos anos" e que não pretendia sair de lá "de forma alguma". Na Argentina, a Petrobras tem, entre outros, ativos de geração elétrica, uma rede de distribuição, gasodutos e a refinaria de Baía Blanca.

Eduardo Campos diz que PT quer destruir sua candidatura

Em conversa com deputados estaduais, o governador Eduardo Campos (PSB-PE) disse que está havendo um "esforço incomum" do PT e do governo federal para evitar sua candidatura à Presidência no ano que vem. "Eu sei que eles vão me jogar na cerca, mas eu vou arrebentá-la", disse a interlocutores. No Recife, Campos foi a estrela de um evento que reuniu integrantes de Assembleias de todo o País na última quinta-feira. Nele, voltou a falar como candidato e repetiu o bordão de que "o Brasil pode mais". O desabafo contra o PT e o governo federal se deu em conversas reservadas. Ao longo do dia, deputados participaram de audiências com o governador e fizeram fila para cumprimentá-lo. Nos últimos dias, num sinal interpretado por aliados como uma tentativa de estrangular a sua candidatura, governadores do PSB manifestaram apoio à reeleição de Dilma. Foi o caso de Camilo Capiberibe (AP), Renato Casagrande (ES) e, como já fizera antes, Cid Gomes (CE). Para o deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS), líder do PSB na Câmara e um dos principais defensores da candidatura de Eduardo Campos, as resistências no próprio partido "têm o dedo do governo e de gente do PT". "Infelizmente, é uma pressão velada que tem interferido na reflexão de muitos quadros nossos. Pressão sobre projetos, financiamentos, uma série de coisas", disse o deputado anteontem.Para o Palácio do Planalto, a candidatura de Campos representa um desconforto ao projeto de reeleição de Dilma, já que o pernambucano poderia abocanhar votos no Nordeste e aumentaria a probabilidade de segundo turno. Na última quinta-feira, Eduardo Campos fez uma palestra de mais de duas horas para deputados estaduais na qual foi interrompido por aplausos ao menos dez vezes. O tema era "equilíbrio federativo e desenvolvimento sustentável". No entanto, o governador passou boa parte do discurso listando as realizações de sua gestão, apresentada como réplica do que pode ser feito pelo País. Pela manhã, Eduardo Campos teve reuniões com deputados estaduais. Falou em "fazer uma reflexão sobre o momento da vida brasileira", "enfrentar os gargalos de infraestrutura" e aumentar as receitas para Estados e municípios, citando o que fez no governo. "Foi extraordinário. Ele falou aquilo que nós, parlamentares, prefeitos e vereadores, queremos discutir", disse o deputado estadual Joares Ponticelli (PP-SC). Campos também repetiu que é preciso reconhecer avanços dos governos Dilma, Lula e Fernando Henrique Cardoso, a quem atribuiu os méritos no controle da inflação na década de 1990.

Rose atuou para agilizar credenciamento de curso de medicina da mulher do médico do Lula

Documentos reunidos pela sindicância do Palácio do Planalto revelam detalhes sobre como a ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo Rosemary Noronha atuou para obter no Ministério da Educação (MEC) o reconhecimento do curso de Medicina da Univix, grupo de faculdades no Espírito Santo. A protegida de Lula conduziu o processo do início ao fim: recebeu o pedido para acelerar os trâmites no ministério, fez contato com o ocupante de um cargo de chefia e o encaminhou à autora do pedido, a médica Cláudia Cozer, mulher de Roberto Kalil Filho, médico particular de Lula e de Dilma Rousseff. O MEC diz que o curso ainda não foi reconhecido. A atuação de Rose aparece numa troca de e-mails obtidos pela comissão de sindicância que identificou suposto tráfico de influência praticado pela ex-servidora. Em fevereiro e em junho de 2012, Cláudia Cozer repassou ao e-mail institucional de Rose o pedido feito por Eliene Gava Ferrão, diretora acadêmica da Univix. A diretora pedia a publicação de portaria com o reconhecimento do curso de Medicina, que tem apenas a autorização de funcionamento, desde 2005. "O processo encontra-se na Secretaria de Educação Superior para análise final", diz o e-mail da diretora da Univix. Rose, então, acionou Rogério dos Anjos Araújo, que exercia a Assessoria Parlamentar da Educação. O e-mail ao chefe da Assessoria Parlamentar explica que o processo se encaminha para o fim. "A meu ver está tudo ok. Acredito que depende mesmo é do seu Chefe", escreveu Rosemary ao servidor do MEC. Um dia depois, em 20 de julho de 2012, a então chefe de gabinete da Presidência deu uma resposta a Cláudia: "Já estou com a resposta da Faculdade do ES. Quando puder liga. Bjokas (sic)."  O curso de Medicina é o mais caro na Univix, que tem 16 graduações: R$ 3,98 mil, por mês. No fim de 2011, uma comissão do MEC visitou a instituição para analisar se determinadas obrigações assumidas com o ministério haviam sido cumpridas. O último ato burocrático para chancelar o curso, o seu reconhecimento, viria em seguida. Ao GLOBO, a diretora acadêmica da Univix confirmou o pedido a Cláudia. - O reconhecimento do curso foi aprovado, mas não saiu a portaria. Recorri a Cláudia para agilizar a publicação - disse Eliene. A diretora afirmou não ter feito o pedido a Cláudia em razão do marido ou da proximidade a Rose. Cláudia é endocrinologista de Rose. Cláudia confirmou que repassou o e-mail da diretora da Univix a Rose, o que classifica como um ato de "ignorância". Roberto Kalil Filho, por sua vez, sustentou não ter "conhecimento nenhum sobre o assunto".- Kalil não tem nada a ver com essa história - disse Cláudia. O servidor que recebeu o pedido de Rosemary no MEC afirmou que a conhecia "apenas de vista" e que a solicitação de reconhecimento do curso de Medicina não foi atendida. Rogério dos Anjos deixou a Assessoria Parlamentar do ministério e assumiu, em março, a assessoria especial da Secretaria de Educação da cidade de São Paulo. - Não sei a quem ela se refere (quando cita um "chefe" no e-mail). De qualquer forma, a faculdade não cumpria os requisitos e o reconhecimento não foi aprovado - afirmou Anjos.

O lobby de Lula pelo "bem" da África

Ativistas internacionais e moradores de uma região de Moçambique acusam a Vale de violar os direitos humanos no país africano. A ONG Human Rights Watch. (HRW) publicou um relatório em que denuncia a empresa brasileira por reassentar populações em locais onde não há água e a comida, O grupo exige que a empresa e o governo brasileiro tomem providências para remediar os problemas. Um dos países mais pobres do mundo, Moçambique vem atraindo bilhões de dólares em investimentos na exploração de seus recursos naturais - sobretudo, carvão e gás. O boom econômico levou ao deslocamento forçado da população local, em meio a protestos e acusações de que as empresas e o governo não cumpriram o que fora prometido. Além da Vale, o relatório - intitulado o que é urna casa sem comida - contempla outras companhias, como a anglo-australiana Rio Tinto e a indiana Jindal Steel. A Vale ganhou contratos para explorar a província de Tete, em Moçambique. Mas, para conduzir seus trabalhos, foi obrigada a despejar 1,3 mil famílias de suas casas. Tete tem cerca de 23 bilhões de toneladas de reservas de carvão, na sua maioria inexploradas. A empresa brasileira, junto com o governo de Moçambique, reassentou essa população em outras regiões. Entre 2009 e 2010, essas famílias foram levadas para uma aldeia recém-construída. Passados dois anos, a população está em pé de guerra com a empresa. "Apontamos nossos direitos e necessidades. Mas eles (Vale) simplesmente vão-se embora e nunca mais voltam com uma resposta", disse Malosa, uma das mulheres reassentadas. "Mão temos comida e não temos dinheiro para comprar comida", acusou. Na avaliação da HRW, essas empresas "desenraizaram comunidades agrícolas" que, em. sua maioria, eram autossuficientes. Agora, estão em terrenos áridos longe dos rios. Nisha Varia, pesquisadora da Human Rights Watch, defende que o governo brasileiro deve "monitorar a conduta de suas empresas em Moçambique em relação aos direito humanos, exigindo que elas relatem publicamente os impactos nos direitos humanos das suas operações". Diante da frustração, os protestos ganham espaço. O primeiro ocorreu em janeiro de 2012, com 500 moradores da aldeia de reassentamento da Vale bloqueando a ferrovia que liga a mina de carvão da Vale ao porto da Beira. Novos protestos acabaram ocorrendo em abril e neste mês. "Não é possível culpar apenas o governo moçambicano", disse Maria Laura Canineu, diretora da HRW responsável pelo Brasil. "As empresas têm obrigação de dar assistência à população." A Vale reconheceu parte dos problemas e, segundo o documento, "assumiu o compromisso de melhorar a qualidade de vida dessas pessoas".

O Complexo do Alemão e o complexo da imprensa. Ou: Afinal, para que servem os jornalistas?

Os traficantes voltaram a dar, explicitamente, as ordens no Complexo do Alemão. Na verdade, nunca deixaram de fazê-lo. O comércio foi fechado na quinta-feira, e quase 12 mil crianças ficaram sem aula. A se dar crédito ao discurso oficial e ao oficialismo que tomou conta de setores majoritários da imprensa nesse caso, isso não deveria ter acontecido. Supostamente, já se havia superado essa fase; já se estava num outro patamar. Sim, os meus críticos têm razão num particular: “Você fica aí sentado na sua cadeira; nunca foi ao Alemão para ver de perto a vida das pessoas!”. É verdade! Nunca fui. Sabem a importância que isso tem? Nenhuma! Zero! Respondo a essa restrição com um caso extremo, para ser didático: um correspondente de guerra que coloque as bombas da hora acima da história e da lógica fará um péssimo trabalho. Estará vivendo o conflito quase na carne sem entender nada. O caso da Síria, em curso, é ilustrativo. Demorou um tanto até que se percebesse que o carniceiro Bashar Al Assad está sendo confrontado por forças que consagram, desgraçadamente, os métodos do… carniceiro Bashar Al Assad!!! E quem impediu o mundo de enxergar isso com clareza, infelizmente, foi gente que estava lá. Experimentar a realidade pode ser um caminho muito curto e convincente para o equívoco. Nascemos, é verdade, como tabula rasa, mas a segunda amamentação já começa a nos irrigar de relações causais e lógica. O verdadeiro aprendizado é aquele que se transforma em conceito. Há várias maneiras de exercer uma determinada atividade profissional, e isso sempre depende do propósito que se tenha. Jornalismo, por exemplo! Destaco duas, nenhuma delas dolosa — como veem, excluo de saída os que são pagos com dinheiro público para exercer o gênero encomiástico e para difamar os inimigos da Coroa. A imprensa pode, diante de um determinado caso, qualquer um, fazer uma abordagem crítica, independente, ressaltando os aspectos positivos (se houver) de uma determinada medida oficial, e os negativos, se houver também. É claro que os sinais de “mais” e de “menos” têm um ponto que serve como referência. Afinal, como é sabido e como está consagrado nas democracias, veículos de comunicação — e, nos tempos da Internet, sites, blogs, portais etc. — têm uma linha editorial. Fiquemos num caso já clássico: devemos ter menos ou mais estado na economia? Alguns preferirão a resposta dada por Deng Xiao Ping, como exemplo máximo do pragmatismo virtuoso: “Não importa a cor do gato; o importante é que cace ratos”. Parece bom, mas não é! Se o gato exigir ser dono da casa para caçar ratos, então não é um bom gato. No caso da China, a eficiência do bichano só é possível porque o regime é tirânico. A eficiência de uma tirania é algo com que devamos nos conformar? Escolhas, escolhas… Eu, por exemplo, acho que não. Prefiro o regime de liberdades públicas dos EUA, ainda que a democracia traga consigo algumas, como chamarei?, deseconomias. O livro-caixa é um instrumento do estado democrático, não o seu senhor. Falei até agora de uma postura, a crítica — aquela que é feita segundo a ótica de quem não é poder. Entendo ser ela um dos pilares da democracia. Há uma segunda, que, reitero, também é não dolosa: é a colaborativa, a engajada. Nesse caso, o papel da imprensa seria o de linha auxiliar do estado. Em vez da crítica, considerada constrangedora, por que não a abordagem senão elogiosa, mas afirmativa ao menos? Afinal, se todos queremos o bem do Rio, do país, da humanidade, há de haver entre nós o lugar do consenso. Muita gente, de boa-fé, sem qualquer ânimo para a censura, reprova o papel da imprensa, que sempre estaria interessada na má notícia, nos aspectos negativos da realidade, porque, dizia-se antigamente, quando esta era uma questão pertinente, “vende mais jornal”. A ilação embutia um pressuposto: o de que o leitor tinha um lado masoquista — eventualmente sádico no caso de que a má notícia não lhe dissesse respeito. Participei, há muitos anos, de uma tertúlia profissional, equivocada desde a convocação, para que se debatesse esse assunto. E se chegou, então, a uma formulação editorial que vinha até com uma chancela gráfica: “Boa Notícia”. Vale dizer: incorporava-se como verdade a crítica infundada de que a “má notícia” era o nosso filão principal e de que seria preciso treinar o olhar para importunar menos o leitorado, eventualmente as “otoridades”, com assuntos desagradáveis. É claro que foi um tiro n’água. Os meios estavam errados, e os meios sempre qualificam os fins. Um jornalismo que vivesse, ainda que com bons propósitos, da mera justificação do presente não tardaria a incorporar, ele mesmo, a lógica do poder. Em vez de exercitar um conjunto de valores, passaria a ser o administrador de um conjunto de estratégias para, então, preservar O poder e se conservar NO poder. Não tardaria a considerar que todos os males do mundo — ou, vá lá, do país — decorreriam do dissenso; da ação deletéria de pessoas ou grupos que, em vez de colaborar com o bem comum oficialmente definido, dedicam-se à sabotagem. Não é uma tentação que esteja apenas na cabeça dos estúpidos e dos venais. Um homem inteligente e inegavelmente talentoso como Máximo Gorki justificou e aplaudiu todos os crimes de Stálin. Escreveu um livro exaltando, por exemplo, a construção de Belamor, o canal entre os mares Báltico e Branco. Foi feito com a mão de obra escrava dos prisioneiros. Nada menos de 170 mil pessoas! Vinte e cinco mil morreram em um ano e meio… Gorki acreditava sinceramente no socialismo… A honestidade da convicção não faz a boa obra. Se o jornalismo abre mão da crítica, contribui para a esclerose do poder. O consenso é, nas democracias, o que a censura é nas ditaduras. Lidei, até agora, com ideias gerais, com valores, com conceitos. A minha crítica, insistente e persistente, ao modelo de segurança pública adotado no Rio de Janeiro não tinha e não tem origem no simples ânimo da discordância, na divergência como fetiche ou alegoria de mão. Tampouco decorre de alguma restrição de natureza ideológica — embora eu ache legítimo o debate ideológico, deixo claro. Levar o estado ao território ocupado pelo narcotráfico é, para mim, uma questão de princípio. Os arquivos estão aí. Os textos que escrevi antes mesmo da existência deste blog estão devidamente impressos. Eu os tenho todos. Quero-me um dos primeiros que lançaram justamente a questão da “recuperação do território”. Os morros do Rio e a periferia de algumas grandes cidades do Brasil eram — ou são ainda, no mais das vezes — “países” dentro de um país, regidos por leis particulares. Não fosse assim, o tráfico não decretaria o fechamento do comércio e das escolas, como voltou a fazer no Complexo do Alemão. Nunca me opus, por óbvio, à chegada das ditas “unidades pacificadoras” às favelas do Rio — que o eufemismo influente passou a chamar de “comunidades”. Não gosto, e escrevi isso desde o primeiro dia, do nome. “Unidade pacificadora” por quê? Vai se celebrar a paz entre quem e quem? Quem é o “outro lado” admitido, então, como interlocutor aceitável no acordo — já que “a paz” supõe, necessariamente, a concordância entre as partes? O nome é ruim porque traz, implícita, a ideia de que se reconhece o narcotráfico como força beligerante legítima. Conceitualmente, o que se está a fazer é admitir que a realidade “de fato” constitui a realidade possível. E, obviamente, não posso concordar com isso. Uma polícia nunca é “pacificadora”, então. Ela deve ser a encarnação da ordem democrática. Ela é, como já escrevi aqui, a democracia que veste uniforme e que tem o monopólio, entre os civis, do uso da força. Por que a questão conceitual é importante? Porque ela enseja uma prática. Ao se admitir que uma polícia “pacifica”, em vez de reprimir o crime, admite-se também que os traficantes — ou aqueles que se beneficiam da desordem — não precisam ser punidos por seus atos porque isso, afinal de contas, seria investir na guerra, no confronto, num modelo supostamente velho de segurança pública, com resultados comprovadamente perniciosos. Ora, o que estava errado, antes, não era o confronto com o crime, mas a prática de incursões nos morros para, depois, deixar a população ao deus-dará. O que estava errado — e este problema ainda não foi resolvido — era a corrupção policial. E não só no Rio de Janeiro, é evidente. O que sempre critiquei, de maneira quase isolada, e continuo a criticar, é o fato de a “pacificação” do Rio trazer consigo a prática — nefasta, deletéria, absurda — de espantar bandidos em vez de prendê-los. Ou, então, de permitir que continuem a exercer suas atividades criminosas, desde que não aos olhos do público. O que previ — E, REITERO, OS ARQUIVOS ESTÃO AÍ — desde o primeiro momento está em curso: não tardaria para que as unidades de segurança do estado passassem a conviver com o crime organizado numa espécie de pacto de não agressão, eventualmente quebrado quando “radicais” de um lado ou de outro exorbitam, vão além daquilo que foi pactuado. Ora, os criminosos mais notórios que são desalojados das “áreas pacificadas” vão, é claro!, aterrorizar as não pacificadas — e há mais de 1.200 “comunidades” no Rio! Quantas contam com UPPs? Vinte poucas? Niterói que o diga. Um bando de criminosos fugidos de favelas do Rio foi preso no Paraguai. Ainda que pareça estúpido fazê-lo, é preciso deixar claro: sou crítico dos aspectos deletérios da política de segurança, não do que há de virtuoso nas escolhas feitas. Mas não só isso: também sou crítico de uma certa visão deslumbrada, marqueteira, propagandística, de que se encontrou uma “nova forma” de combater a violência. As UPPs, propaganda e aspectos negativos à parte, nada mais são do que policiamento preventivo e comunitário. A novidade, no caso, está no fato de esse policiamento ter chegado àquelas áreas, coisa que se deve aplaudir. O Rio não inventou nada de novo — está cumprindo uma obrigação do estado. E, obviamente, reconheço o esforço nesse sentido. Mas continuo a achar insano o entendimento de “pacificação” que se traduz também numa política deliberada de não prender criminosos — a não ser em casos excepcionais, que rendem holofotes. É claro que essa escolha se dá num momento em que o lobby em favor da legalização das drogas — já não é mais da simples descriminação — assume uma força inédita na imprensa. Nesse caso, as palavras de “paz” de José Mariano Beltrame e Sérgio Cabral soam como música aos ouvidos, pulmões, lábios, narizes… Noto que se vai formando um “consenso” em favor de uma legalização que, atenção!, não existe em lugar nenhum do mundo, nem na Holanda, para citar o caso extremo da liberalidade. Os marginais que ainda assombram as “comunidades” seriam, nessa versão, apenas “pequenos traficantes”, que só pressionariam e onerariam o sistema prisional se fossem trancafiados. Nessa perspectiva, eles seriam, antes de mais nada, vítimas de um modelo caduco de combate às drogas. Se elas fossem legais, a realidade seria outra. Assim, esses supostos empiristas insistem em saber como seria um mundo em que tudo fosse permitido. Destituídos de um pensamento econômico elementar, não se dão conta de que aqueles que escolhem atuar no tráfico, pequeno ou grande, escolhem um atividade mais rentável do que a remuneração de um trabalho legal. Se a venda de entorpecentes, então, fosse legal, também a remuneração dos que se dedicassem a esse ramo cairia, nivelando-a, sei lá, com a recebido por quem vende sorvete ou sanduíche. Ocorre que que aquele que escolheu o tráfico não estava contente com seu nível de renda nem enxergou, na legalidade, uma alternativa ou um caminho para um ganho suplementar. Antes de optar pelo tráfico, meus caros, ele optou pelo crime. Se as drogas forem legais, escolherá outra atividade criminosa que remunere adequadamente as suas ambições e o seu risco. Não é a ilegalidade de substâncias que faz os criminosos; os que decidem delinquir encontram nela um caminho. Se não estiver disponível, eles se decidirão por outro: crimes contra o patrimônio, latrocínios, exploração sexual, imaginem aí… O que alimenta o ciclo da criminalidade não é a ilegalidade da droga, mas a impunidade — seja lá qual for o delito praticado. E haveria, é certo!, o desastre social e de saúde pública decorrente da legalização, com a maior exposição de crianças e adolescentes a drogas que predispõem os usuários para o tudo ou nada. O aumento de latrocínios no Brasil inteiro, podem apostar, decorre da epidemia do crack. Volto ao leito. Num momento, pois, favorável à legalização das drogas, uma política como a do Rio — que entende a “pacificação” como o não confronto com o crime; que se orgulha de “ocupar comunidades” sem enfrentamento com a bandidagem — surge como a resposta supostamente inatacável, consensual, de mero bom senso, ao problema da violência. Ela só desagradaria a pessoas como eu — e mais a uns dois ou três — que nunca estão contentes com nada; que preferem “falar mal” a colaborar; que escolhem apontar problemas em vez de aplaudir soluções; que são movidas pelo espírito de porco do dissenso, não pelas virtudes do consenso. Pois é… Poderia responder como naquela música: “Esse cara sou eu…”. Mas não serve. Em primeiro lugar, há mais divergência na sociedade (ainda que os partidos de oposição não o percebam…) do que supõe o coro dos contentes — e são muitos “os caras e as caras”. Em segundo lugar, mas não menos importante, considero, como queria Drummond, “a enorme realidade”. Os episódios recentes no Complexo do Alemão me dão — e a outros que preferiram o caminho do dissenso — razão. E já que falei no poeta: “O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente”. No fim das contas, a gente até pode perguntar: “Mas para que servem os jornalistas?”. José Dirceu, por exemplo, tem ideias muito claras a respeito. Por Reinaldo Azevedo