terça-feira, 18 de junho de 2013

PETISTA GILBERTO CARVALHO DIZ: "SE NÃO FORMOS SENSÍVEIS, VAMOS FICAR NA CONTRAMÃO DA HISTÓRIA"

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, o petista Gilberto Carvalho, prestou esclarecimento no Senado sobre suposta investigação paralela à sindicância da Casa Civil, em caso de tráfico de influência. Em tom cuidadoso, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou que os representantes do Poder Público precisam estar atentos às novas formas de manifestação popular que têm tomado conta do país nos últimos dias. Segundo ele, as mobilizações em diversas capitais comprovam um “descontentamento geral”.  "Seria pretensão achar que a gente compreende o que está acontecendo. Temos que entender a complexidade do que está ocorrendo”, disse Carvalho ao destacar a existência de motivações variadas e de múltiplas lideranças no movimento que tomou as ruas de diversas cidades.

GRUPELHO DE MANIFESTANTES PERMANECE EM FRENTE AO PALÁCIO DOS BANDEIRANTES

Um grupo de cerca de 30 participantes do protesto da noite de segunda-feira contra o aumento da tarifa de transporte público em São Paulo permanece acampado em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, no bairro do Morumbi, na zona sul da cidade. No início da manhã de terça-feira, os manifestantes bloquearam uma das faixas da Avenida Morumbi, no sentido Ponte Morumbi, que passa sobre a Marginal Pinheiros, entre a Avenidas Giovani Gronchi e Padre Lebret.

HADDAD DIZ QUE CONGELAR TARIFA EM R$ 3,00 CUSTARÁ R$ 8,6 BILHÕES À PREFEITURA DE SÃO PAULO

A revogação do aumento de R$ 0,20 nas tarifas de ônibus em São Paulo e o congelamento das passagens em R$ 3,00 irá custar, em 2013, R$ 1,425 bilhão em subsídios. Outros R$ 2,085 terão de ser gastos em 2014 para manter o sistema em funcionamento. Para 2015, o valor do repasse necessário para segurar a tarifa ainda em R$ 3,00 será de R$ 2,392 bilhões, e novos R$ 2,714 bilhões em 2016. Os números foram transmitidos pelo prefeito petista Fernando Haddad aos integrantes do Movimento Passe Livre e do Conselho da Cidade, em reunião na manhã desta terça-feira, na sede da prefeitura. Antes da apresentação dos custos, os "conselheiros" que usaram a palavra foram unânimes em pedir ao prefeito uma volta atrás no reajuste. "Eu tenho de ser transparente e mostrar à cidade o que essa decisão significa, respondeu o prefeito, ao fechar a reunião. Esse dinheiro em subsídios terá de sair de algum lugar, caso contrário o sistema não irá continuar funcionando. Antes de Haddad, o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tato, mostrou o peso proporcional dos custos do sistema de ônibus da capital na composição da tarifa. Mais de 48% do preço de um bilhete se destinam ao pagamento de pessoal, como motoristas e cobradores. O lucro das empresas de transporte coletivo não é superior a 7% do valor da passagem, segundo informação da Prefeitura. - Você espreme, espreme, mas não conseguirá tirar todo o subsídio necessário apenas do próprio sistema. Eu terei de ver o que terá de ser cortado no orçamento, sinalizou o prefeito. Tato demonstrou que, com a introdução do bilhete único em São Paulo, na gestão da prefeita Marta Suplicy, entre 2001 e 2005, o preço médio das passagens de ônibus, hoje, na capital paulista, é pouco superior a R$ 2,00.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO DIZ QUE POLÍTICOS PRECISAM SE APROXIMAR DO POVO

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou nesta terça-feira que as manifestações que reuniram cerca de 250 mil pessoas em 28 cidades brasileiras mostram que a população está descrente dos políticos, que continuam sem fazer algo para solucionar os problemas que são fonte dos protestos. “Há uma certa descrença nos caminhos políticos, então os partidos políticos que quiserem se recompor com o povo têm que chegar mais perto do povo e sentir qual é a demanda”, disse Fernando Henrique Cardoso durante abertura de uma exposição na Câmara dos Deputados pelos 25 anos do PSDB. Para o ex-presidente, apesar de não haver uma pauta única de reivindicações entre os manifestantes, ficou claro que a grande fonte de descontentamento vem da ausência de serviços adequados que deveriam ser prestados pelos governos, especialmente em um momento em que a economia não vai tão bem e os preços estão subindo.

VATICANO RECONHECE SEGUNDO MILAGRE DE JOÃO PAULO II

A comissão de teólogos da Congregação para a Causa dos Santos do Vaticano aprovou a atribuição de um segundo milagre ao beato João Paulo II, um passo importante para a sua canonização, indicaram nesta terça-feira fontes vaticanas. O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, não quis confirmar a informação. A decisão deve ser posteriormente confirmada por uma comissão de cardeais e autorizada por decreto pelo Papa Francisco, segundo o complexo processo de canonização. Com a atribuição do segundo milagre ao Papa polonês, morto em 2005, se acelera o processo para a canonização que, segundo a imprensa italiana, deve acontecer em meados de outubro. Em abril, os médicos do Vaticano reconheceram a cura inexplicável de uma mulher. Uma comissão de sete médicos da Congregação para as Causas dos Santos validou a cura apresentada pelo monsenhor Slawomir Oder. O processo canônico para que uma pessoa seja proclamada santa requer o reconhecimento por exame clínico de um milagre para a beatificação (efetiva desde maio de 2011 no caso de João Paulo II) e a confirmação de outro para a canonização. Karol Wojtyla poderá ser canonizado até o final deste ano, o "Ano da Fé" lançado por seu sucessor Bento XVI. Durante os funerais de João Paulo II, após 27 anos de pontificado, um dos mais longos da história, a multidão gritou "santo subito".

BRASILEIROS LOTAM PRAÇA DE BARCELONA APOIO A PROTESTOS NO PAÍS

A Plaza Catalunya, ponto central de Barcelona sempre visitado por turistas, ficou verde e amarelo. Nesta terça-feira, cerca de 500 pessoas, na maioria brasileiros, Participaram de um ato em solidariedade aos eventos que acontecem nos últimos dias em São Paulo e outras cidades do País contra o aumento das tarifas no transporte público, mas principalmente contra a repressão policial. "Não é porque estamos longe que não apoiamos o Brasil", disse uma das manifestantes no centro do grande círculo que se formou no local. Entre cartazes escritos ali mesmo no improviso, a maioria dos manifestantes pediu atenção dos europeus aos acontecimentos no Brasil, criticou a realização da Copa do Mundo e até convocou Neymar, que recentemente foi contratado pelo grande clube da cidade catalã, o Barcelona: "Neymar, vem pra rua, porra!", dizia um dos cartazes.

NA AUSTRÁLIA, 500 PROTESTAM EM APOIO ÀS MANIFESTAÇÕES BRASILEIRAS

Ao som do Hino Nacional, a comunidade brasileira de Sydney, na Austrália, se reuniu no Hyde Park, um dos principais parques da área central da cidade, em um ato pacífico de apoio aos protestos que vêm ocorrendo no País. Carregando cartazes e gritando palavras de ordem, cerca de 500 manifestantes brasileiros e australianos pediram mais investimentos em saúde e educação e o fim da corrupção, impunidade e violência policial. Surpresos com a dimensão do protesto, os organizadores lembraram que o objetivo inicial era reunir cerca de 20 amigos, mas 1,8 mil pessoas confirmaram presença. "Superou todas as nossas expectativas. Estamos do outro lado do planeta, mas cansamos de ficar só olhando e compartilhando coisas no Facebook. É muito importante o povo brasileiro saber que tem apoio no mundo inteiro", declarou Júlio Lustosa, um dos organizadores da manifestação.

EMBRAER TRIUNFA NA FEIRA DE LE BOURGET

Junto aos gigantes da aeronáutica mundial, como o europeu Airbus ou a norte-americana Boeing, que anunciaram pedidos multimilionários no salão aeronáutico de Le Bourget, as fabricantes de jatos regionais como a brasileira Embraer, a canadense Bombardier e o europeu ATR também ocupam um lugar importante em um mercado em plena expansão. "O mercado dos aviões de média e longa distância resistiu bem à crise, mas os demais mercados, incluindo o dos aviões regionais, enfrentou tempos difíceis", segundo Nick Cunnigham, analista aeronáutico da Agency Partners. Contudo, hoje "a produção volta a ser colocada em prática" para as fabricantes de aeronaves regionais, apesar da concorrência dos A320 da Airbus ou do Boeing 737, disse Christophe Menard, analista da Kepler Cheuvreux.  Como lembra o europeu ATR, 30% dos passageiros aéreos do mundo (900 milhões de pessoas) viajam em distâncias inferiores a 550 km, ou seja, no raio de ação dos aviões regionais. Na segunda-feira, na estréia do salão de Le Bourget, a poucos quilômetros do norte de Paris, a Embraer lançou sua nova geração de aviões regionais batizada de E2 com 100 pedidos firmes e 215 intenções de compra. A companhia americana de transporte regional SkyWest e a empresa americana de aluguel de aviões ILFC figuram entre os clientes desses novos aparelhos. A ILFC assinou um protocolo de compra para 25 E190-E2 (108 lugares) e 25 E195-E2 (até 144 lugares), com uma opção para outros 50 aviões. Diversas companhias da África, Ásia, Europa e América Latina manifestaram também sua intenção de comprar 65 destes novos aviões E2. A família E2 da Embraer oferece mais lugares que a geração atual e consome menos combustível. As três versões desta família E2 (E175, E190 e E195) entrarão em serviço entre 2018 e 2020. A Embraer pretendia lançar há algum tempo um novo avião de alcance regional maior que a série atual, mas teve que renunciar ao projeto ano passado. A empresa acabou optando pela modernização da atual série. No mesmo segmento de aviões regionais, o ATR, filial do grupo aeroespacial europeu EADS e de Finmeccanica, anunciou pedidos nesta terça-feira de 2,1 bilhões de dólares, em particular para a companhia de aluguel dinamarquesa Nordic Aviation Capital. A ATR reivindica 65% da participação de mercado dos aviões regionais de menos de 90 pessoas e suas aeronaves concorrem diretamente com os CRJ 700, CRJ 900 e Q400 da canadense Bombardier e com os E jets 170 e 175 da Embraer.

POLÍCIA FEDERAL DIZ QUE JUIZ INVENTOU O PRÓPRIO SEQUESTRO

De vítima de sequestro relâmpago, que teria ocorrido a um mês das eleições de 2012, o juiz Paulo Hamilton Siqueira Junior, do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, passou à condição de suspeito por comunicação falsa de crime e pode se tornar alvo de investigação policial. Na semana passada, a Justiça Federal determinou a remessa para o Superior Tribunal de Justiça dos autos do inquérito em que é colocada em xeque, até sob ironias, a versão de Siqueira Júnior, que alega ter sido atacado por dois homens em uma motocicleta, nos Jardins, na noite de 5 de setembro de 2012. Ele integra lista tríplice em poder da presidente Dilma Rousseff para uma cadeira de magistrado eleitoral efetivo em São Paulo. Siqueira Júnior é substituto pela segunda vez consecutiva. Seu mandato expira nesta quinta-feira. Relatório de Inteligência da Polícia Federal concluiu pela inexistência do sequestro, após análise de imagens de equipamentos de segurança. Diz o relatório: "De fato, as imagens colhidas dos circuitos de vigilância eletrônica arrancam pelas raízes toda a credibilidade da versão de um sequestro, uma vez que as incongruências entre o que foi narrado pelo magistrado e as imagens colhidas são patentes". A Polícia Federal não aponta os motivos que teriam levado o juiz a forjar a história do sequestro porque não podia fazer essa investigação. A transferência do caso para o Superior Tribunal de Justiça foi decretada porque Siqueira Júnior, como juiz do TRE, tem foro privilegiado. Foi pedido acesso a extrato telefônico do magistrado e levantamento junto às estações rádio base da operadora do celular de Hamilton para mapear seus movimentos naquela noite. A justiça considera que essas medidas configuram quebra do sigilo telefônico, por isso declinou da competência em favor do STJ, instância competente para investigar o magistrado. A história de Siqueira Júnior é repleta de furos e incoerências, na avaliação da Polícia Federal. Ele disse que foi cercado por dois estranhos na Alameda Ribeirão Preto. Um estranho teria apontado arma de fogo e obrigado o juiz a permitir que o outro entrasse em seu carro. O segundo homem teria dito que "iria fazer uma coisa" e que "o sequestro seria rápido". O juiz contou que teve que dirigir até a Rua Haddock Lobo, onde parou o carro perto de uma caixa dos Correios e a ele foi ordenado que postasse ali um envelope. Depois, segundo o juiz, ao descer do carro, o suposto sequestrador disse. "Boa sorte no eleitoral". A Polícia Federal foi acionada pela presidência do TRE que chegou a levantar a suspeita de crime com motivação política. O TRE tem sete juízes. Dois assentos são exclusivos da classe jurista, para advogados, caso de Hamilton, sócio titular de escritório. Foram dois os envelopes, de cor branca, que chegaram ao TRE após o suposto sequestro, um destinado ao próprio Siqueira Júnior, o outro à juíza Clarissa Campos Bernardo, também advogada. A Polícia Federal recolheu um pedaço de papel com frases desconexas. "Nós gostamos do Paulo Alcides, Lucon, Nuevo Campos, Galdino. Cuidado dra. Clarissa - dr. Paulo Hamilton. É muito fácil plantar prova. Pegue leve na decisão. Sejam felizes, prof. Paulo??????" "A autoridade policial constatou diversas contradições no relato da vítima", destaca a Justiça Federal. "A vítima teria omitido informações importantes, as quais, inclusive, foram citadas pela testemunha Clarissa Campos Bernardo, também juíza do TRE/SP, destinatários do envelope postado pela vítima". O relatório da Polícia Federal é categórico ao rechaçar a história do juiz eleitoral Paulo Hamilton Siqueira Júnior. "Se as provas materiais são os meios objetivos que levam o espírito a atingir a verdade, as imagens supra-anexadas, bem como as filmagens que seguem anexas, se prestam para plantar a percepção de uma realidade indubitável, a de que não houve nenhum sequestro". O documento tem doze páginas e treze fotos.

PETISTA GILBERTO CARVALHO NÃO EXPLICA INVESTIGAÇÃO PARALELA DO PALÁCIO DO PLANALTO SOBRE A AMANTE DE LULA, ROSEMARY NORONHA

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, o petista Gilberto Carvalho, esquivou-se nesta terça-feira de dar explicações sobre a tentativa de sabotagem da investigação sobre a ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo, Rosemary Noronha. Ele foi ouvido em uma audiência blindada, armada de forma teatral pela base governista, na Comissão de Fiscalização e Controle do Senado. Reportagem de VEJA revelou no mês passado como a investigação realizada pela Casa Civil que, após dois meses de trabalho, resultou na abertura de um processo disciplinar por enriquecimento ilícito contra Rose, foi alvo de investidas que partiram do Palácio do Planalto para que a apuração ficasse inconclusa. A Secretaria-Geral montou uma investigação paralela contendo uma série de advertências e ressalvas sobre o trabalho da comissão de sindicância. Nas raras vezes em que foi questionado sobre o tema central da audiência, Carvalho classificou a investigação paralela como um “acompanhamento de correição” realizado pelo governo. Apenas o senador tucano Aloysio Nunes (SP) fez questionamentos diretos sobre o episódio, os demais integrantes gastaram o tempo elogiando Carvalho e o governo Dilma Rousseff. “As respostas foram completas e Vossa Excelência aqui manifesta um procedimento e boas atitudes. As respostas foram precisas e mostram os seus valores”, disse o petista Eduardo Suplicy, que sequer questionou o ministro sobre os desvios cometidos pela amante de Lula, Rosemary Noronha. “Posso assegurar que a ação da Ciset (Secretaria de Controle Interno da Presidência da República) restringiu-se à ações de acompanhamento de correição. Não fizemos nenhum tipo de investigação ou de acompanhamento”, disse o ministro. O petista Gilberto Carvalho, porém, não explicou como o processo de investigação foi conduzido, e afirmou apenas que todos os casos passam pelos mesmos trâmites. “A Ciset tem necessariamente que abrir um processo correicional de acompanhamento de qualquer investigação que seja feita no âmbito da Presidência da República. Cem por cento dos casos passam por isso”, afirmou. “O que a Ciset fez foi contribuir para que não houvesse nenhum tipo de nulidade possível a ser alegada pela defesa do caso da senhora Rosemary.” No depoimento, o petista Gilberto Carvalho afirmou ainda que Rose realizou diversas viagens no cargo e, em uma delas, ficou hospedada na Embaixada de Roma, ao lado de seu marido, regalia exclusiva a importantes autoridades, para “contribuir no papel de apoio ao cerimonial” e com a tarefa de “recepcionar ministros”: “Nunca tive conhecimento de outras atividades de Rose porque não havia prestação de contas sobre esse episódio”.  O ministro ressaltou que teve relação de amizade com Rose Noronha no período em que atuou na sede do PT paulista e que não sabe dizer porque ela o citou como testemunha no processo que responde por seus desvios quando era chefe de gabinete da Presidência.

GOVERNO LANÇA PROPOSTA DE NOVO CÓDIGO DE MINERAÇÃO E REAJUSTA ROYALTIES PARA ATÉ 4%

Na tentativa de destravar o setor de mineração, alvo de burocracia histórica e de defasagem na cobrança de tarifas de empresas exploradoras de minério, a presidente Dilma Rousseff oficializou nesta terça-feira, em cerimônia no Palácio do Planalto, o envio ao Congresso de projetos de lei com propostas para o novo marco regulatório para a exploração de jazidas. Uma das principais novidades do texto é o reajuste da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), o royalty pago pelas mineradoras para a exploração das jazidas. “Estamos construindo no Brasil um ambiente de grande segurança para vultosos investimentos de longo prazo. O Brasil cresce e se moderniza quando cria marcos regulatórios para setores estratégicos de sua economia”, disse a presidente durante o anúncio. Pela proposta apresentada pelo Executivo, nos futuros contratos haverá um título único para exploração de minérios, e não mais a concessão separada de alvarás de pesquisa e depois de uma portaria de lavras. “Juntamos alvará e concessão de lavra porque o processo vai abranger blocos de áreas. A pesquisa vai ser uma fase dentro da concessão, esse procedimento dá mais segurança jurídica”, disse o secretário de Geologia, Mineração e Transformação do Ministério de Minas e Energia, Carlos Nogueira. De acordo com a proposta do governo, a exploração de áreas poderá ser autorizada por licitação ou chamada pública. Serão licitadas, de acordo com o texto do projeto, áreas em que o estado entende que tem que ter planejamento forte e atuante. A ideia, ao impor o processo licitatório à concessão de direitos minerários, é incentivar a competição no setor. As chamadas públicas, por sua vez, ocorrerão em áreas com pouco conhecimento geológico ou em que não haja interesse de planejamento estratégico. Outro regime previsto no novo Código de Mineração é o de autorização de exploração mineral, que será voltado a agregados de construção civil, como areia e pedra, corretivos de solos e minerais de mercado interno, por exemplo. Pelos projetos gestados no Executivo, os royalties da mineração terão alíquota de até 4% do faturamento bruto das empresas. Atualmente, as alíquotas variam de 0,2% a 3% e incidem sobre o faturamento líquido - total das receitas de vendas do minério com exclusão de alguns itens, como tributos incidentes sobre a comercialização do minério (ICMS, PIS e Cofins) e despesas com transportes e seguro. Por afetar diretamente os custos de produção, esse deve ser um dos pontos de discordância que o empresariado vai apontar. A nova calibragem da compensação foi decidida a partir da necessidade de aumentar a arrecadação de União, estados e municípios. Em 2012, conforme dados do Instituto Brasileiro da Mineração (Ibram), que representa as mineradoras, a arrecadação da CFEM alcançou a cifra de 1,832 bilhão de reais. Os maiores estados produtores de minério, de acordo com o recolhimento dos royalties, são Minas Gerais (53,2%), Pará (28,6%) e Goiás (4,1%). Também no texto do novo Código Brasileiro de Mineração enviado ao Congresso Nacional está a criação de uma agência reguladora para acompanhar o setor. A idÉia é que ela substitua o atual Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), que nos últimos anos acumulou críticas pela paralisia e excesso de burocracia. Ao longo dos últimos anos, desde 2011, o DNPM não mais concedeu licenças de pesquisa para localizar, qualificar e quantificar substâncias minerais esperando a nova legislação do setor. A inércia da autarquia congelou novos investimentos e foi responsável por um cenário de insegurança jurídica entre os empresários. O governo chegou a propor – sem sucesso – que os pedidos paralisados simplesmente fossem anulados, e as áreas entrassem automaticamente no processo de licitação, o que provocaria confusão, uma vez que muitas companhias já gastaram milhões de reais em prospecção. Em maio, após a publicação de algumas exigências extras, o governo retomou - ainda a passos lentos - a concessão de autorizações de lavra para a exploração de minério. “Era preciso estabelecer, em bases sólidas e com responsabilidade, a participação do estado e da iniciativa privada na exploração dos recurso minerais, que a Constituição de 1988 definiu como bens da União. Era necessário um ambiente favorável a investimentos”, disse o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Além da agência reguladora, o governo propõe, nos projetos de lei, a criação do Conselho Nacional de Política Minerária (CNPM), colegiado que vai determinar, por exemplo, que tipos de jazidas serão licitadas e que áreas terão autorização para exploração de recursos minerais. No desenho do governo sobre o novo Código de Mineração (o texto poderá ser alterado sucessivas vezes no Congresso Nacional), as empresas exploradoras terão prazo determinado de exploração e poderão atuar no território conquistado em leilão pelo período de 40 anos, prorrogáveis por mais 20 anos. Para o Palácio do Planalto, a proposta acaba com um cenário de exploração infinita de minas e jazidas. Mesmo com as novas regras para o setor, está mantida, por ora, a partilha dos royalties na proporção de 12% para a União, 23% para os estados e 65% para os municípios onde o empreendimento é executado. Mas, no Congresso, não há garantias de que esses percentuais permanecerão intactos. É que a base de sustentação do governo Dilma Rousseff anda às turras com o Palácio do Planalto e reclama de falta de interlocução com o Executivo. Na avaliação de líderes partidários, o Congresso pode utilizar o Código de Mineração para um novo “round” de enfrentamento na disputa por benefícios cobrados a partir da exploração de minério. Para minimizar as críticas de que o Planalto inibe a discussão de matérias importantes, o governo optou por enviar o novo marco por meio de projeto de lei com regime de urgência. Ao contrário do que ocorreu com as novas regras do setor portuário, por exemplo, enviadas ao parlamento por meio de medida provisória, os debates via projeto de lei não sofrem o risco de perder a validade por falta de votação.

MINISTRO PETISTA ALEXANDRE PADILHA DIZ NÃO TER PRESSA PARA DEFINIR SUA CANDIDATURA AO GOVERNO DE SÃO PAULO

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta terça-feira "não ter pressa" sobre a definição da candidatura para a disputa do governo do Estado de São Paulo. "Se tem alguém que não tem pressa sou eu. Tenho 41 anos e vários desafios", disse, quando questionado sobre a declaração do ministro da Justiça, o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo, que o apontava como principal nome para a disputa. Padilha emendou dizendo que o partido é suficientemente maduro, tem várias lideranças que seriam ótimos candidatos. Entre elas, citou a ministra do Turismo, Martha Suplicy, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o próprio Cardozo e o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho.

DOIS MIL SE REÚNEM EM LONDRES PARA APOIAR PROTESTOS NO BRASIL

Cerca de dois mil brasileiros participaram da manifestação em Londres em apoio aos protestos realizados no Brasil nos últimos dias. O evento terminou na tarde desta terça-feira nas proximidades do Parlamento britânico. Entre os manifestantes da capital inglesa, muitos protestavam contra os gastos nas obras relacionadas aos eventos esportivos, corrupção e o aumento da tarifa do transporte publico no Brasil. A polícia londrina acompanhou o evento, mas a ação foi pacífica e não foram registrados problemas. Inclusive, muitas crianças estiveram no local. Quase não havia estrangeiros e a ação foi realizada praticamente apenas com brasileiros. A manifestação aconteceu ao lado do Parlamento e foi o terceiro local escolhido pela organização. Inicialmente, a ação ocorreria em frente à Embaixada do Brasil, mas o local pareceu pequeno diante da adesão ao evento organizado pelas redes sociais. Tentou-se Trafalgar Square, mas a polícia não autorizou. Então, escolheu-se a praça ao lado do Parlamento, onde fica o famoso Big Ben.

EQUIPE LOTUS DA F-1 VENDE 35% DO SEU CONTROLE A UM GRUPO ÁRABE-AMERICANO

A Lotus anunciou nesta terça-feira a venda de 35% de suas ações ao Infinity Racing Partners Limited, grupo que conta com investidores dos Estados Unidos e de Abu Dabi. As ações foram negociadas pelo grupo Genii Capital, que detinha 100% da equipe da Fórmula 1 sediada em Enstone, na Inglaterra. Apesar da venda, o grupo segue no controle da equipe, liderada pelo presidente Gerard Lopez. Pelo acerto, o CEO da Genii Capital, Eric Lux, mantém seu assento no Conselho de diretores. "Os resultados da Lotus continuaram a crescer neste ano. Esperamos pelo investidor certo, que ajudará a nos impulsionar na briga pelo título do Mundial de Construtores", afirmou Lux. "Na Infinity Racing, encontramos um parceiro com as conexões certas, a expertise tecnológica e o alcance global no maiores mercados com o apoio necessário para atingir seus objetivos. Estamos ansiosos para trabalhar com eles", declarou.

ROBERTO GURGEL DEFENDE RETIRADA DA PEC 37 DE PAUTA DO CONGRESSO NACIONAL

O procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, defendeu nesta terça-feira a retirada de pauta da PEC 37/2011, Proposta de Emenda à Constituição que elimina poderes de investigação do Ministério Público. Gurgel afirmou, durante a reunião do Colégio de Procuradores da República, que é "impossível" discutir uma proposta alternativa ao texto em tramitação no Congresso em uma semana. O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, marcou para o dia 26 a votação do texto. "O Ministério Público está unido em defesa de suas prerrogativas, que interessam sobretudo uma sociedade que está cansada da impunidade", disse. Gurgel apóia a discussão de uma proposta de regulamentação da investigação: "O que não aceitamos é que o MP fique proibido de investigar. A construção de um novo modelo, contudo, demanda mais tempo".

SUPREMA CORTE DA ARGENTINA DECIDE QUE É INCONSTITUCIONAL A REFORMA DA MAGISTRATURA PROPOSTA PELA INCOMPETENTE PERONISTA POPULISTA CRISTINA KIRCHNER

A Suprema Corte argentina declarou nesta terça-feira como inconstitucional a reforma do Conselho da Magistratura, órgão que tem poderes para indicar e destituir juízes. A proposta da presidenta peronista populista e muito incompetente Cristina Kirchner, transformada em lei pelo Congresso (de maioria governista), ampliava de 13 para 19 o número de membros do conselho e determinava que a maioria deles (12) seria escolhida por voto direto este ano. Ao propor a reforma, Cristina Kirchner disse que queria “democratizar a Justiça”. Mas, a oposição criticou duramente o projeto, alegando que o governo iria “politizar o Judiciário” para garantir a escolha de juízes “amigos” e garantir vereditos a seu favor. A votação para os membros do Conselho da Magistratura coincide com as prévias de agosto para as eleições legislativas de outubro. Os candidatos ao órgão Judiciário, a exemplo dos candidatos à Câmara dos Deputados e ao Senado, teriam que integrar uma lista, decidida pelos partidos políticos. O atual Conselho da Magistratura e integrado por seis legisladores (do governo e da oposição) indicados pelo Poder Legislativo, dois advogados, três juízes (eleitos por seus pares), um acadêmico (eleito por um conselho de universidades nacionais) e um representante do Executivo.

DILMA SE REÚNE COM LULA EM SÃO PAULO

A presidente Dilma Rousseff reuniu-se nesta terça-feira com o ex-presidente Lula em São Paulo. O encontro ocorreu no Hotel Sheraton, na zona sul da capital. Também participaram da reunião o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e o presidente do PT, Rui Falcão. O tema da reunião não foi divulgado. Nenhum dos participantes falou com a imprensa após o término do encontro. Dilma chegou à Base Aérea de São Paulo às 14h30. Alguns dos participantes  do encontro foram vistos deixando o local às 17h40. Em nota divulgada nesta terça-feira no Instituto Lula, o ex-presidente  disse que as manifestações e o movimento social não são coisa de polícia, mas sim de mesa de negociação: “Ninguém em sã consciência pode ser contra manifestações da sociedade civil, porque a democracia não é um pacto de silêncio, mas sim a sociedade em movimentação em busca de novas conquistas”.

JUIZ DETERMINA REINTEGRAÇÃO DE POSSE EM FAZENDA OCUPADA PELOS ÍNDIOS NO MATO GROSSO DO SUL

A Justiça Federal de Campo Grande concedeu reintegração de posse ao proprietário da Fazenda Esperança, ocupada desde o dia 31 de maio por índios da Comunidade Taunay-Ipegue. A fazenda, localizada em Aquidauana, a 143 quilômetros de Campo Grande (MS), é reivindicada pelos índios como parte do seu território tradicional. Em 2000, a Funai expediu relatório reconhecendo a área como tal. A decisão proferida pelo juiz federal da 1ª Vara de Campo Grande, Renato Toniasso, na última sexta-feira, foi publicada nesta terça-feira. Toniasso determina que a Funai faça a desocupação espontânea do imóvel. Somente após esse prazo, seria autorizada o uso de força policial. Os advogados de Nilton Carvalho Filho, dono da Fazenda Esperança, entraram com pedido de reintegração de posse no dia 3 de junho. Toniasso tomou a decisão após consultar o proprietário da fazenda, a Funai, a comunidade indígena e o Ministério Público Federal, partes envolvidas na questão. A Comunidade Indígena Taunay-Ipegue e a Funai alegaram que "o perigo da demora de uma decisão desocupatória é infinitas vezes menor que a execução de uma medida reintegratória" e disseram que a área é objeto de processo administrativo de reconhecimento como território de ocupação tradicional indígena e que o relatório de identificação e delimitação já foi aprovado pela Funai. O Ministério Público Federal solicitou prazo para tratativas amigáveis visando à solução do conflito. Em seu despacho, o juiz entendeu que “o fato de o processo administrativo de demarcação e ampliação da Terra Indígena Taunay-Ipegue estar em fase adiantada não permite aos índios tomarem a posse da área demarcada antes do desfecho final dessa demarcação” e considerou que “eventual tentativa de conciliação, a ser presidida por este juízo, teria praticamente nenhuma chance de sucesso, e implicaria dispêndio inútil de recursos públicos e particulares dispêndios de tempo e dinheiro pela Justiça e pelas partes envolvidas”.

CMN AMPLIA CRÉDITO PARA PRODUTORES DE ALIMENTOS QUE PRESSIONARAM A INFLAÇÃO

Os produtores de alimentos que pressionaram a inflação no início do ano terão acesso a mais financiamento agrícola. O Conselho Monetário Nacional permitiu que esses produtores peguem até R$ 2 milhões emprestados nas linhas de financiamento de custeio agropecuário. Originalmente, cada agricultor podia financiar até R$ 800 mil. O Conselho Monetário Nacional ampliou esse limite para R$ 1 milhão, mas autorizou que os produtores de batata inglesa, cebola, feijão, mandioca, tomate, folhagens e legumes peguem mais R$ 1 milhão além do teto, totalizando R$ 2 milhões. De acordo com o Ministério da Fazenda, a medida beneficiará os produtores de culturas específicas, “cuja produção deve ser incentivada para redução da inflação de alimentos”. O limite de R$ 2 milhões também abrangerá os agricultores inscritos no Cadastro Ambiental Rural, que prevê normas rígidas de manejo ambiental dos cultivos. Para as linhas de investimento, o limite individual foi reajustado de R$ 300 mil para R$ 350 mil, independentemente do tipo de cultura. O secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, João Rabelo, disse que a equipe econômica analisou os produtos que subiram mais que a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos últimos cinco anos. “Esses alimentos, que sofrem com maior sazonalidade, foram contemplados com o limite adicional de crédito”, explicou. O Conselho Monetário Nacional também aprovou uma resolução que estimula os bancos a liberar mais crédito para os alimentos que pressionaram a inflação. O conselho introduziu mudanças nas fórmulas que definem o quanto dos recursos de compulsórios (depósitos que os bancos são obrigados a recolher ao Banco Central) as instituições financeiras devem destinar para as linhas de crédito a essas culturas. O conselho também facilitou a obtenção de financiamentos para os agricultores médios. As taxas de juros das linhas de crédito do Programa de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) caíram de 5% para 4,5% ao ano. O limite de crédito por beneficiário foi ampliado de R$ 500 mil para R$ 600 mil nas operações de custeio e de R$ 300 mil para R$ 350 mil nas operações de investimento.

PREJUÍZO COM VANDALISMO NO PAÇO IMPERIAL, NO RIO DE JANEIRO, É ESTIMADO EM R$ 15 MIL

As pichações e vidraças quebradas no prédio do Paço Imperial, no centro do Rio de Janeiro, vão custar cerca de R$ 15 mil. A estimativa é do diretor da instituição, Lauro Cavalcanti. Segundo ele, o dinheiro será sacado do fundo do próprio Paço Imperial para recuperar 25 vidraças e pintar as paredes, que foram pichadas pelos manifestantes. Os vidros são revestidos com uma película especial para reduzir a incidência de luz solar. “Os danos, graças a Deus, não foram muitos. Mas todo o episódio é lamentável. Por outro lado, desencadeou na internet uma campanha de declaração de amor ao Paço Imperial que já está com 30 mil seguidores”, disse Cavalcanti. O Paço Imperial abrigou a família imperial e detém até hoje patrimônio histórico valioso, incluindo carruagens originais usadas pelos nobres e suas famílias. O local é aberto à visitação pública todos os meses do ano, com exposições gratuitas, e conta também com uma livraria voltada à cultura e à música, além de um café.

INTERVENÇÕES DO BANCO CENTRAL NÃO SEGURAM CÂMBIO E DÓLAR FECHA EM ALTA DE 0,56%

As intervenções do Banco Central (BC), que ofertou dólares no mercado futuro, não conseguiram conter a alta da moeda norte-americana. O dólar comercial fechou esta terça-feira (18) em R$ 2,1782 para venda, com alta de 0,56% e no maior nível desde 30 de abril de 2009. Esta foi a terceira sessão seguida em que a moeda norte-americana encerra em alta. A princípio, a cotação caiu com as atuações seguidas do Banco Central. Pela manhã, a autoridade monetária vendeu US$ 4,49 bilhões em leilões de swap cambial tradicional (que equivalem à venda de dólares no mercado futuro) depois que o dólar chegou a R$ 2,1832, na máxima do dia. Depois das operações do Banco Central, o dólar chegou a cair a R$ 2,1605, por volta das 13h20. No entanto, a cotação voltou a subir nas horas seguintes, até se aproximar de R$ 2,18 no fim da sessão. Mais cedo, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse que o Brasil está preparado para a alta do dólar. Segundo ele, o câmbio flutuante protege as reservas internacionais dos choques externos. Tombini ressaltou que as pressões sobre o dólar intensificaram-se com a reunião do Federal Reserve (Fed).

PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA ACIONA O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL CONTRA BENEFÍCIOS À FIFA NA LEI GERAL DA COPA

A Procuradoria-Geral da República entrou com ação no Supremo Tribunal Federal pedindo o cancelamento de vários itens da Lei Geral da Copa. Aprovada em junho do ano passado, a norma tem regras para a Copa das Confederações, em andamento, a Copa do Mundo de 2014 e a Jornada Mundial da Juventude, que será realizada em julho. O relator do caso é o ministro Ricardo Lewandowski. Elaborado pela subprocuradora-geral Deborah Duprat, recentemente dispensada do cargo de vice na Procuradoria-Geral da República, o documento aponta três inconstitucionalidades na Lei da Copa, entre elas, duas que favorecem diretamente a Fifa, organizadora do evento. “Não é possível vislumbrar nenhuma razão que justifique o tratamento diferenciado da Fifa e de seus relacionados”, diz trecho do parecer. O primeiro item atacado é o que delega à União a responsabilidade civil por todos os danos relacionados a acidentes de segurança nos eventos, isentando a Fifa de questionamentos. Para a Procuradoria-Geral da República, a Administração Pública não pode assumir responsabilidades sem nexo de causalidade bem definido. O Ministério Público também questiona a isenção tributária concedida à Fifa na tramitação de processos judiciais. Segundo Deborah Duprat, “a isenção concedida não se qualifica como um benefício constitucionalmente adequado, mas como um verdadeiro favorecimento ilegítimo”. O terceiro ponto criticado pela Procuradoria-Geral da República é o pagamento, desde abril, de prêmio e auxílio mensal aos ex-jogadores que participaram das copas nas quais o Brasil saiu vencedor, em 1958, 1962 e 1970. “As vantagens concedidas são de índole estritamente privada, não envolvendo nenhum projeto de interesse do povo”, destaca Duprat. Ela também aponta ilegalidade na falta de indicação da previsão orçamentária para os pagamentos.

DÓLAR FECHA EM R$ 2,17 E TEM A MAIOR COTAÇÃO DESDE ABRIL DE 2009

O Banco Central atuou novamente no câmbio sem sucesso, nesta terça-feira, na sua tentativa de conter a valorização da moeda norte-americana. O dólar avançou 0,55% no mercado à vista do Banco Central, no qual encerrou valendo R$ 2,1760 na compra e R$ 2,1780 na venda. Esse patamar é o mais elevado desde 30 de abril de 2009, quando a cotação terminou a R$ 2,1810 na venda. Em 2013, a moeda dos Estados Unidos apresenta alta de 6,59%. Apesar da perspectiva de redução do programa de estímulo econômico nos Estados Unidos, que deve resultar em escassez de dólares no mundo, a pressão de alta da moeda no momento é um fenômeno localizado apenas no Brasil. Esse movimento foi desencadeado no fim de maio após declarações desastrosas do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que não estava preocupado com a alta do dólar. Neste período, o dólar subiu 5,12%. No Exterior, porém, a moeda dos Estados Unidos teve nesta terça-feira outra jornada de baixa.

MINISTÉRIO PÚBLICO GAÚCHO PEDE ARQUIVAMENTO DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL CONTRA PREFEITO CEZAR SCHIRMER PELO INCÊNDIO DA BOATE ASSASSINA KISS

A Procuradoria de Prefeitos do Ministério Público do Rio Grande do Sul encaminhou à 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, nesta terça-feira, o parecer pelo arquivamento da investigação sobre a possível responsabilidade criminal contra o prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer (PMDB), pelo incêndio da boate assassina Kiss. Cezar Schirmer foi indiciado pela polícia do peremptório governador petista, Tarso Genro. Os 55 volumes do inquérito produzido pela polícia do peremptório petista Tarso Genro foram devolvidos ao Tribunal de Justiça.

LEIAM ESTE TEXTO BRILHANTE, DA BRILHANTE PROFESSORA JANAÍNA CONCEIÇÃO PASCHOAL, DA USP. É SOBRE QUANDO O “TERRITÓRIO LIVRE” SE ENCONTRA COM O CONSTRUTIVISMO NA TERRA DO NUNCA

Janaína Paschoal
Neste País de analfabetos funcionais e de ignorantes fundamentais, é fantástico descobrir-se que existem algumas mentes iluminadas, como a de Janaína Conceição Paschoal, professora de Direito Penal da USP (Universidade de São Paulo). Leiam este artigo abaixo escrito por ela, e que serve para compreender o que alguns chamam de momento de "mal estar na cultura" no Brasil. "Desde que ingressei na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em 1992, intriga-me ouvir que a USP e, por conseguinte, o Largo, constitui território livre. Sempre tentei compreender o que essa liberdade significaria. Ao compor a diretoria do Centro Acadêmico “XI de Agosto”, já comecei a questionar esse tal território livre, buscando modificar o trote, muitas vezes, humilhante e até perigoso, como ocorria nas Carruagens de Fogo (“brincadeira” em que o calouro era obrigado a beber continuamente e a correr no chão molhado, ao som da música clássica de idêntico nome). Também me voltei contra o “Pendura”. Eu, que nunca fui comunista, nem lulista nem petista, confesso, não me conformava com o fato de jovens, majoritariamente de classe média, se sentirem no direito de entrar em um restaurante e dizer ao dono, com muita naturalidade, que simplesmente não iriam pagar. E ai da autoridade que lhes dissesse o contrário! Cheguei a participar do tal “Pendura”, mas, imediatamente, senti que aquilo não era direito. Em 1997, quando iniciei o doutoramento e comecei a auxiliar os professores na graduação, já conversava com os alunos sobre o sentido da “Peruada”. Por que, afinal, eles não podiam fazer seu Carnaval sem beber até cair? À resposta pronta de que se tratava de tradição, instintivamente, passei a responder que tradição também se modifica. Até hoje, meus alunos não acreditam que nunca participei da “Peruada” e, às vezes, me “acusam” de ser evangélica. Já professora concursada, nas últimas aulas do curso, normalmente, dedico um tempo perguntando aos alunos o que eles querem para as suas vidas. Nessa era dos textos curtos, das mensagens cifradas, da informação fácil, é muito difícil conseguir que eles leiam um artigo de dez páginas, em português. Há algumas semanas, quando uma de minhas turmas não leu um projeto de lei de três páginas, eu os avisei sobre o perigo de serem manipulados, pois quem não lê, quem não conhece, acredita apenas no mensageiro. Costumo dizer aos meus alunos que o estudante que realmente crê estar em um território livre será o promotor que acredita que pode denunciar o outro por dirigir embriagado, mas ele próprio está autorizado a beber e baixar um aplicativo da internet para saber onde estão os bloqueios policiais. Esse aluno será o juiz que acredita que ganha pouco e tem direito de viajar para o Nordeste sob o patrocínio de empresas cujas causas julga, e assim por diante. Quando alguns alunos invadiram e depredaram a Reitoria, e grande parte dos professores achou natural aquele espetáculo de liberdade de expressão, eu escrevi para a Folha de S. Paulo o texto intitulado “Quem é elitista”, apontando que esse tipo de comportamento é decorrente da certeza de que, realmente, a universidade constitui um território livre e que apenas os pobres, que precisam trabalhar e estudar à noite e que têm os seus salários descontados para pagar os estudos do pessoal da USP, podem ser abordados por estarem fumando maconha na esquina. É interessante. Ao mesmo tempo em que os intelectuais denunciam que o Direito Penal serve apenas para punir pobre, contraditoriamente, aceitam que só pobres sejam penalizados. A lei não diz respeito a eles próprios. Coincidência ou não, os atuais protestos se iniciaram após a rejeição da denúncia referente à invasão da Reitoria da USP. Pois bem, quando começaram as manifestações, e os discursos dos líderes surgiram, imediatamente, identifiquei o dogma do território livre. Foram muitas as notícias de violências e abusos, e eu tive relatos de pessoas que estavam, por exemplo, no Shopping Paulista e foram surpreendidas por rapazes encapuzados, que exigiam o fechamento das lojas, sob o brado de que estavam “tocando o terror”. Chamou minha atenção o fato de uma das pessoas que fizeram tais relatos ter dito que logo percebeu que não seriam criminosos, pois eram pessoas bem vestidas. Para alguém que estuda Direito Penal, há anos, esse tipo de frase dói, pois é a confirmação de que a sociedade não quer mesmo punir atos, mas estereótipos. Se a garotada da periferia tivesse tomado a Paulista, ninguém acharia exagero a Polícia Militar tomar providências. Percebe-se que mesmo quem estava indignado contemporizava, pois, afinal, amanhã, pode ser seu filho. De novo, o dogma do território livre. Na véspera do protesto em que a Polícia Militar reagiu, conversei com uma senhora, que julgo esclarecida, e fiquei surpresa com seu encantamento frente ao brilho do neto, que aderira às manifestações a fim de lutar pelos mais necessitados. Ontem, durante uma reunião com amigos, quando todos cobravam apoio ao movimento, tomei a liberdade de dizer que não acredito ser esse o melhor caminho. Apesar de destacar estar convencida de que houve excessos da polícia, sobretudo no caso do tiro mirado no olho da jovem jornalista, situação que caracteriza lesão corporal dolosa, de natureza grave, ponderei que devemos ser cautelosos, pois nem toda prisão foi descabida, e os manifestantes podem estar servindo de massa de manobra. A reação dos colegas foi surpreendente. Alguns, lembrando a importância dos jovens em todas as mudanças sociais, destacando sua própria luta contra a ditadura, chegaram a se emocionar, falando de seus próprios filhos como grandes políticos, verdadeiros heróis, pessoas esclarecidas, apesar dos vinte e poucos anos. Sendo uma criatura insuportavelmente crítica, sobretudo comigo, passei a noite pensando se não teria sido injusta com os manifestantes e insensível com os colegas. Afinal, se todos estão tocados com a beleza deste momento, parece razoável que os pais estejam orgulhosos da lucidez de suas crias. Mas essa experiência, sofrida, de magoar os colegas, aos quais, nesta oportunidade, peço desculpas, foi muito importante para eu poder ver algo que ainda não estava claro. As gerações passadas também tinham esse sentimento arraigado de território livre, de que a lei vale apenas para os outros e não para os iluminados da USP. No entanto, no passado, havia o contraponto de pais que impunham limites; pais que diziam mais NÃOs do que SIMs; pais que ensinavam os deveres antes de falar sobre os direitos. O fenômeno que nos toma de assalto é preocupante. Une-se o dogma do território livre com a geração “construtivismo”. Chegam à idade adulta os garotos que nunca ouviram um NÃO, os garotos que sempre puderam se expressar, ainda que agredindo o coleguinha, ou chutando a perna de um adulto em uma loja. Chegam à idade adulta os garotos cujos pais vão à escola questionar por quais motivos os professores não valorizam a genialidade de seus filhos. Pais que realmente acreditam que seus filhos, aos vinte anos, são verdadeiras sumidades e têm futuro por possuírem vários seguidores no Twitter. Nossos iluminados já avisaram que, se a tarifa de ônibus não baixar, vão continuar a parar São Paulo. Quem vai lhes dizer não? A Polícia não pode, nem quando estão queimando carros e constrangendo pessoas. Os professores, salvo raras exceções, incentivam, em um saudosismo irresponsável, para dizer o mínimo. E os pais, entorpecidos pela necessidade de constatar o sucesso da educação conferida, acham tudo muito lindo e vão às ruas acompanhar a prole, pedindo algo indefinido e impalpável. Nestes tempos em que falar em Deus é crime, peço a Deus que eu esteja errada e que, realmente, não tenha alcance para perceber a importância e a beleza deste momento histórico. Há duas décadas, quando o presidente do Centro Acadêmico “XI de Agosto” me destacou para falar algumas palavrar para recepcionar Lindbergh Farias, pouco antes de sairmos em passeata pela derrubada de Collor, eu peguei o microfone e disse: “Nós vamos a essa passeata porque a causa é justa, mas sua cara bonita não me engana”. Por pouco não fui destituída do cargo. Creio que meus colegas de chapa nunca me perdoaram. Há alguns anos, durante uma cerimônia em que todos reverenciavam o então ministro da justiça, Márcio Tomaz Bastos, eu o questionei sobre a quebra do sigilo do caseiro Francenildo. Cortaram-me a palavra e, até hoje, há quem não me cumprimente direito pela absurda falta de sensibilidade e educação. A maior parte dessas pessoas apoia e estimula os atuais protestos e propala que o Mensalão não passou de uma ficção. Tenho enviado comentários para a Imprensa, dizendo que os grupos que estão estimulando esses jovens a irem para as ruas estão torcendo muito para aparecer um cadáver em São Paulo, pois é só disso que precisam para tentar tomar também o estado. Eu, por amar todos os meus alunos, os que concordam e os que não concordam comigo, estou bastante preocupada com essas forças ocultas, que manipulam nossos jovens marxistas de twitter. Quando digo isso, costumo ouvir, mais uma vez, que estou fora da realidade, que é o PT que está na berlinda. Afinal, os protestos não estão apenas em São Paulo, estão no país inteiro. É verdade, mas tem alguém, que dialoga muito bem com as massas, que precisa de um argumento palatável para voltar em 2014. E, segundo consta, funcionários da Presidência da República, subordinados a Gilberto Carvalho, foram organizadores e fomentadores do protesto. Não é a oposição que Dilma deve temer. A oposição simplesmente não existe. Apenas as cobras que cria no próprio Palácio, ou das quais não pode se livrar, é que, no futuro próximo, têm condições de picá-la. Algumas pessoas me perguntam como posso ser liberal em alguns aspectos e conservadora em outros. Em regra, quando recebo esse tipo de questionamento, procuro compreender o que o interlocutor entende por “conservador” e por “liberal”. Não sei como etiquetar, mas acredito que todo educador, seja o de casa, seja o da escola, deve mostrar ao pupilo que existem direitos e existem deveres. E que ninguém pode tudo. Talvez o que esteja prejudicando o país seja justamente esse sentimento generalizado de território livre. Os manifestantes de hoje podem ser os políticos de amanhã. Se não lhes dissermos “não” agora, como impor limites no futuro? Talvez eu seja apenas uma canceriana pouco romântica. Talvez esteja velha demais para perceber a grandeza dessa novidade que invade o país. Tomara! Mas esses 21 de USP e quase 15 de docência me permitem afirmar que são jovens muito promissores, mas ainda são garotos de vinte anos, que não estão acostumados a ouvir um “não”. Se não posso pedir razoabilidade aos pais e aos professores, peço, encarecidamente, à imprensa que tenha cautela ao estimulá-los, pois não temos instrumentos para fazê-los parar. Teremos que, pacientemente, aguardar que eles se cansem do que pode ser uma grande brincadeira".

MANIFESTANTES VÂNDALOS QUEIMAM ÔNIBUS EM PORTO ALEGRE, E CARRIS RETIRA FROTA DAS RUAS DE PORTO ALEGRE

Após ter tido um ônibus queimado e depredado na Avenida João Pessoa durante o protesto pela redução nos preços das passagens em Porto Alegre, a empresa Carris decidiu tirar a frota de circulação na cidade na noite desta segunda-feira. Cerca de 420 ônibus foram recolhidos, de acordo com o diretor-presidente Sérgio Zimmermann. A frota foi recolhida para a garagem da empresa até que se garanta a segurança. Os manifestantes colocaram fogo no ônibus na Avenida João Pessoa, em Porto Alegre, na altura do Parque da Redenção, após queimar contêineres e jogar pedras e pedaços de pau em uma viatura da Brigada Militar. Mais cedo, eles já haviam tentado depredar dois ônibus que estavam parados na avenida.

PROTESTO EM PORTO ALEGRE CHEGOU AO FIM COM CINCO ÔNIBUS DEPREDADOS, 56 CONTÊINERES INCENDIADOS E 38 PRESOS

A manifestação que era para ser pacífica, em Porto Alegre, descampou para uma verdadeira batalha campal na noite desta segunda-feira, quando um grupo de encapuzados partiu para atos de vandalismo e de provocação à Brigada Militar. Pelo menos 36 pessoas foram presas, seis feridos foram atendidos no Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, 52 contêineres foram incendiados, cinco ônibus foram depredados e, somente na Avenida Sete de Setembro, cinco agências bancárias tiveram sus vidraças quebradas.

GOVERNADOR DE BRASÍLIA, DO PT, MOSTRA FOTOS DE SEIS LÍDERES DOS TUMULTOS DE DOMINGO NO ESTÁDIO MANÉ GARRINCHA, SÃO TODOS FUNCIONÁRIOS DO PALÁCIO DO PLANALTO

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do PT, denunciou nesta segunda-feira que o serviço secreto de sua Polícia Militar identificou os cinco principais líderes das violentas manifestações que ocorreram na tarde de domingo, na entrada do estádio Mané Garrincha, em Brasília. O inacreditável acontece. Agnelo Queiroz diz que esses baderneiros são todos do PT, e funcionários do Palácio do Planalto, funcionários de cargos em comissão dentro do centro do poder, trabalhando ao lado da presidente Dilma Rousseff. A ação perpetrada por eles é digna de agentes de provocação infiltrados. O método usado por eles é muito similiar ao que militares da linha dura utilizavam na ditadura militar, para justificar o endurecimento do regime. Os acusados pelo governador petista Agnelo Queiroz, pelos tumultos e pela tentativa de invasão ao Estádio Mané Garrincha, também conforme o delegado Jorge Xavier, diretor geral da Polícia do Distrito Federal, os acusados são os seguintes: Gabriel Santos Elias seria o líder e teria sido  exonerado em maio, é líder do movimento "Copa para Quem?", de estudantes e ex-estudantes da Universidade de Brasília UnB; Mayra Cotta Cardozo de Sousa, assessora especial da Secretaria Executiva; Danniel Gobbi Fraga da Silva, especialista da assessoria internacional do ministro Gilberto Carvalho (secretário-geral do Planalto); João Vitor Rodrigues Loureiro, assessor da subchefia de Assuntos Jurídicos; Gustavo Moreira Capela, assessor do gabinete do ministro Gilberto Carvalho. Em sua página no Facebook, Elias se apresenta como assessor da subchefia de Assuntos Parlamentares da Presidência da República. A polícia procura líderes de um "Movimento de Trabalhadores Sem Teto" (MTST), também envolvidos, para prestar esclarecimentos.