sexta-feira, 23 de agosto de 2013

PETISTA LOTADO NO PALÁCIO DO PLANALTO TEM PRISÃO DECRETADA POR ESTUPRO DE MENORES VULNERÁVEIS

O petismo excede, sempre. O jornalista Hugo Marques, da revista Veja, divulgou na noite desta sexta-feira que a Justiça em Realeza, no Paraná, decretou durante o dia a prisão preventiva do petista Eduardo André Gaievski, assessor especial da Casa Civil da Presidência da República. Ele é acusado de estuprar menores vulneráveis. Ex-prefeito de Realeza, no Paraná, ele é investigado  por estupro de vulneráveis. Um inquérito que tramita em segredo no fórum da cidade reuniu depoimentos de supostas vítimas. Segundo os relatos, o então prefeito oferecia dinheiro a meninas pobres em troca de sexo. “Eu tinha 13 anos de idade e o prefeito foi me buscar no colégio para levar para o motel”, diz J. S., uma das vítimas, que hoje está com 17 anos. O prefeito, segundo os relatos, aliciava as garotas usando mulheres mais velhas para convencê-las a manter relações com ele. “A gente era ameaçada para não contar nada a ninguém”, diz A.F., que tinha 14 anos quando foi levada ao motel Jet’aime pelo prefeito três vezes, recebendo entre 150 e 200 reais em cada uma delas. P.B., outra suposta vítima, contou que saiu com o prefeito várias vezes em troca de um emprego na prefeitura. “Hoje tenho depressão e vivo a base de remédios”, conta a moça, que está com 22 anos: “Quando ele enjoou de mim, fui demitida". Eduardo Gaievski foi prefeito por dois mandatos, entre 2005 e 2012. Em janeiro, a convite da ministra Gleisi Hoffmann, ele assumiu o cargo de assessor especial do ministério, encarregado de coordenar programas sociais importantes, como o de combate ao crack e o de construção de creches. Seu gabinete fica no quarto andar do Palácio do Planalto.

IBOPE APONTA QUE APROVAÇÃO AO GOVERNO DILMA SOBE DE 31% PARA 38%

A avaliação positiva do governo da soberana bolivariana petista Dilma Rousseff (PT) recuperou parte da aprovação perdida após as manifestações populares de junho. Pesquisa Ibope/Estado divulgada nesta sexta-feira mostra que a taxa de ótimo/bom do governo cresceu de 31% para 38% desde 12 de julho. Ao mesmo tempo, as opiniões de que o governo é ruim ou péssimo caíram de 31% para 24%. A avaliação de que o governo é "regular" permaneceu em 37%. A recuperação ocorreu principalmente no Sul e no Sudeste, onde as taxas de aprovação cresceram 12 e 11 pontos porcentuais, respectivamente. Para a CEO do Ibope Inteligência, Marcia Cavallari, a recuperação de parte da popularidade de Dilma está relacionada ao refluxo das manifestações de rua, principalmente no Sudeste. "Os protestos diminuíram de tamanho e de alvo. A presidente não está mais no foco das manifestações", afirma Marcia Cvallari. Ajudou também a melhoria de alguns indicadores econômicos, como a redução da inflação e do desemprego, e o aumento da confiança do consumidor. Em comparação com os números divulgados pelo Datafolha há duas semanas, a aprovação ao governo foi de 36% para 38%. A pesquisa Ibope-Estado foi feita entre os dias 15 e 19 de agosto. Foram 2.002 entrevistas face a face, feitas na residência dos entrevistados. A pesquisa foi feita em 143 municípios de todas as regiões do Brasil.

COMPRA DE MANSÃO E PENSÃO CUSTAM A RENAN CALHEIROS O DOBRO DO SEU SALÁRIO

As despesas do presidente do Senado Federal, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), com a compra da mansão de um empreiteiro por R$ 2 milhões e o pagamento de pensão a uma filha vão consumir 87% da renda declarada pelo senador, de R$ 51,7 mil. Os gastos representam mais que o dobro do salário que ele recebe como congressista, de R$ 21,3 mil líquidos. Se cumpridas essas obrigações, o senador terá para viver R$ 6,3 mil mensais, ou 13% de tudo o que diz ganhar em atividades públicas e privadas. Para os padrões de Brasília, o valor impõe hábitos espartanos a um chefe de Poder. A capital é a terceira cidade de maior custo de vida do País, segundo estudo da consultoria americana Mercer, divulgado em 2011. Renan Calheiros comprou em maio uma mansão de 404 metros quadrados construída no Lago Sul, área mais valorizada de Brasília. No mercado, segundo imobiliárias, o imóvel custaria pelo menos R$ 3 milhões, 50% mais que o registrado em cartório. O negócio foi feito com o construtor Hugo Soares, por meio de um contrato paralelo cujos detalhes não constam da escritura.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DESMASCARA SEGUNDA LENDA MAIS FAMOSA DE MINAS GERAIS: O PINÓQUI DA COPASA. A PRIMEIRA CONTINUA SENDO A DO ET DE VARGINHA, REVITALIZADO PELA SOBERANA BOLIVARIANA PETISTA DILMA ROUSSEFF

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais, por unanimidade, anulou na quinta-feira o processo movido contra o senador e ex-governador Aécio Neves (PSDB-MG) por uma promotora de Justiça que questionava os critérios de investimento do Saúde durante parte de seu período à frente do governo do Estado (o mandato se estendeu de 2003 a 2010). A ação judicial questionava se os 4,3 bilhões investidos em saneamento por empresa pública do Estado poderiam ser considerados gasto em saúde, mas adversários do presidenciável tucano e blogs alugados espalhados por toda parte acusavam-no de “desvio de dinheiro público” — como se o ex-governador tivesse desviado, para si, dos cofres públicos. Na decisão, os desembargadores – os mesmos que julgaram o recurso  técnico anterior – questionaram as motivações da promotora, que, segundo a decisão, não tinha competência legal para mover a ação. Registraram também que, na mesma época, diversos outros  Estados seguiram o mesmo procedimento sem infringir qualquer lei. O processo decidido pelo Tribunal de Justiça mineiro é algo a que estão sujeitos quaisquer ex-governantes: a uma ação de iniciativa do Ministério Público estadual, no caso tendo à frente a promotora Josely Ramos Pontes, que questionou, junto à Justiça, os critérios dos investimentos em saúde feitos por Aécio Neves como governador. O principal ponto do processo era impugnar que fossem considerados investimentos em saúde, além do dinheiro dos cofres estaduais aplicados no setor, os recursos próprios aplicados pela estatal Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) em saneamento básico (água e esgotos).

MAIS UM DO GOVERNO CORRE PARA A BOUTIQUE DA SAÚDE, AFIF QUEBRA O COTOVELO E PASSA POR CIRURGIA NO HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS, TUDO PAGO PELOS BRASILEIROS, É CLARO

O ministro Guilherme Afif ( Micro e Pequena Empresa), que também atua como vice-governador de São Paulo, está internado desde a última quarta-feira no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, a boutique da saúde no Brasil. Ele quebrou o cotovelo direito e teve que passar por um procedimento cirúrgico. Segundo seus assessores, ele caiu no momento em que realizava uma corrida próximo ao hotel onde mora, em Brasília. Segundo boletim médico, foi preciso instalar pinos no braço do ministro e, agora, ele se recupera da cirurgia que corrigiu a fratura. “O estado geral do paciente é bom”, informa o documento. Atendido pelos médicos Sérgio Checchia e Roberto Manssur, Afif segue internado sem previsão de alta.

CONTRATAÇÃO DE MÉDICOS É ILEGAL, DIZ PROCURADOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO

A contratação de quatro mil médicos cubanos sem concurso público e o pagamento deles serão investigados pelo Ministério Público do Trabalho. Em um primeiro momento, será aberto um procedimento investigatório que pode levar a um processo, caso alguma irregularidade na conduta da contratação ou na prática da profissão seja constatada. Entre as irregularidades que podem ocorrer estão o desrespeito à jornada de trabalho, as condições de exercício da profissão e a remuneração abaixo do salário mínimo (R$ 678,00 atualmente). A investigação do Ministério Público foi motivada pela preocupação expressa pelo Conselho Federal de Medicina de que a contratação desses profissionais desrespeitaria a legislação do Trabalho e os direitos humanos. Um ponto que gera questionamentos é o fato de a bolsa de R$ 10 mil paga aos profissionais cubanos ser repassada ao governo da ilha, com a intermediação da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para posterior pagamento aos médicos, o que poderia levar os profissionais a receber valores abaixo do que é permitido pela lei brasileira. O procurador do Ministério Público do Trabalho alega que o repasse do salário dos médicos a Cuba é ilegal. “A CLT estabelece que o empregador é aquele que contrata, dirige e assalaria”, afirma o presidente da Coordenadoria Nacional de Combate às Fraudes das Relações do Trabalho, José de Lima Ramos Pereira. Pela Constituição Federal, a contratação deveria acontecer via concurso público, que está no artigo 37. A lei prevê também um processo específico em caso de urgência na escolha de profissionais. “A degradação do sistema de saúde já vem há muito tempo. O governo não pode querer resolver de um ato só uma situação que já é tão grave”, avalia Pereira.

NARCOTERRORISTAS DAS FARC SUSPENDEM NEGOCIAÇÕES DE PAZ

Os narcoterroristas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram a suspensão das negociações de paz com o governo do país. A informação da “pausa” foi dada nesta sexta-feira e os representantes afirmaram que é preciso analisar “os alcances da proposta governamental”. De acordo com o projeto apresentado ao Congresso colombiano, um referendo seria organizado para dar legitimidade aos acordos entre Farc e governo. Caso seja aprovada, a consulta popular acontecerá junto com as eleições de 2014. Os guerrilheiros não deram detalhes sobre o tempo de suspensão. “Queremos agir com responsabilidade”, disse o comunicado à imprensa. As tratativas são realizadas em Havana, Cuba, como forma de “campo neutro”.

PETISTA LUCIANO COUTINHO TERÁ DE EXPLICAR DINHEIRODUTO DO BNDES PARA EIKE BATISTA

O presidente do BNDES, o petista Luciano Coutinho, vai ao Senado na próxima terça-feira para explicar os empréstimos feitos ao grupo EBX, de Eike Batista. A audiência é promovida pela Comissão de Assuntos Econômicos e está marcada para começar às 11h30. A gestão do petista Luciano Coutinho é questionada por diversos parlamentares por ter liberado empréstimos a Eike Batista e feito operações com títulos do Tesouro Nacional. A estimativa é que o grupo EBX, praticamente falido, tenha conseguido pegar R$ 10,4 bilhões no BNDES nos últimos anos. O privilégio, segundo especialistas, não pode ser justificado – já que o banco faz empréstimos com recursos públicos e juros subsidiados, quando não deveria.

DOCUMENTOS COLOCAM GOOGLE, MICROSOFT, FACEBOOK E YAHOO EM SAIA JUSTA

Um julgamento de outubro de 2011, tornado público na última quarta, está causando a maior saia justa nas maiores empresas de tecnologia do mundo, Google, Microsoft, Facebook e Yahoo. A decisão da Foreign Intelligence Surveillance (Fisa), uma espécie de agência de monitoramento internacional dos Estados Unidos, responsabilizou a Agência Nacional de Segurança do país (NSA) pelo desrespeito à privacidade dos americanos por não ser capaz de separar a comunicação “puramente doméstica” da estrangeira. De acordo com a Fisa, as empresas mencionadas repassavam todo tipo de informação dos usuários, americanos ou não, para o governo dos Estados Unidos. Google, Yahoo, Microsoft e Facebook se adequaram a uma nova certificação da NSA para continuar recebendo dinheiro pelas informações repassadas ao órgão. Essas cerificações seriam revalidadas anualmente e um comunicado da NSA de dezembro de 2012, classificado como top secret, confirma a relação entre as empresas e o governo. Ele demonstra preocupação com a grande quantia devida aos “fornecedores” do programa de espionagem, Prism. “Os problemas do ano passado provocaram múltiplas extensões de validade dos certificados, que custaram milhões de dólares aos fornecedores do Prism em cada uma das extensões” do prazo. A situação piora, pois as empresas negam a existência de tal acordo com o governo desde junho, quando o jornal britânico, The Guardian, divulgou a bisbilhotagem americana. Entretanto, as provas fornecidas pelo ex-espião da NSA, Edward Snowden, e os documentos revelados recentemente pelo próprio governo americano as desmentem. Questionadas pelo The Guardian, as empresas tentam explicar o inexplicável. Dizem que o repasse das informações era feito por “obrigação legal” e não com o objetivo de vendê-las.

DILMA PASSA MAIS DE DUAS HORAS COM JORNALISTA CUBANÓFILO QUE PREPARA LIVRO SOBRE LULA

O jornalista Fernando Morais se encontrou nesta sexta-feira com a soberana bolivariana petista Dilma Rousseff para realizar uma entrevista que entrará no seu próximo livro, sobre o ex-presidente Lula. A conversa durou aproximadamente duas horas e meia e girou em torno da vida de Lula entre 1980, quando foi preso, e 2010, fim de seu segundo mandato. “Vim falar com ela sobre livro do Lula que estou escrevendo”, contou o jornalista, que é conhecido pelo apelido que tinha quanto trabalhava na redação do Jornal da Tarde: "Fernando B". O "B" é fácil de imaginar o que significa. “Estou ouvindo todo mundo que conviveu com ele nesse período, não só na área política, mas também na área sindical, porque o período precede a Presidência”, informou o jornalista cubanófilo, adorador da ditadura sanguinária dos irmãos comunistas Castro. Fernando B sempre teve adoração por esses tipos de personagens. Por exemplo, na década de 80 ele era amigo do palestino Farid Sawan, da antiga OLP, um antissemita militante, com o qual se deliciava fumando charutos cubanos. Fernando "B" contou que tem viajado com Lula durante todo esse tempo: “Viajei o mundo inteiro com ele, aproveitar viagem de avião ajuda muito, porque você tem muito tempo para conversar dentro, sem telefonema”.

PROCEMPA SUCATEADA

Venceu no último dia 17 o contrato de manutenção e evolução da prefeitura de Porto Alegre com a empresa paranaense ABL System. Assim, o sistema 156, que conecta os moradores da capital gaúcha com os serviços fornecidos pela prefeitura, pode entrar em colapso a qualquer momento. Ninguém se atreve na Procempa ou no gabinete do prefeito José Fortunati (PDT) a tomar qualquer iniciativa no sentido de resolver a situação. Ou seja, é mesmo uma situação de desgoverno.

O VALENTÃO PETISTA ALEXANDRE PADILHA DIZ QUE VAI ATÉ O FIM NO TRABALHO ESCRAVO DOS MÉDICOS CUBANOS. QUANTA CORAGEM, NÃO É MESMO?

Alvejado por críticas envolvendo a “importação” de médicos estrangeiros, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, saiu em defesa, nesta sexta-feira, do programa do governo federal que vai trazer os profissionais do exterior — incluindo brasileiros formados em outros países. Também disse que, mesmo diante das pressões de entidades de classe e do Ministério Público do Trabalho, irá “até o fim” para garantir a viabilidade do projeto. “Vamos até o fim. O que nos move é levar médicos para onde não existem médicos no País. Eu sei a diferença entre um médico perto do paciente, perto da comunidade. Isso faz a diferença em qualquer situação”, disse o ministro ao recepcionar os primeiros estrangeiros que chegaram em Brasília para participar do Programa Mais Médicos. Os 244 profissionais formados no Exterior selecionados na primeira fase do Mais Médicos começaram a chegar ao Brasil nesta sexta-feira. No grupo, 145 são estrangeiros. No início da próxima semana eles começam um curso sobre saúde pública brasileira e língua portuguesa antes de serem enviados aos municípios onde vão trabalhar. A idéia é que todos os 1.096 médicos com diplomas do Brasil e os 244 com diplomas estrangeiros sejam alocados em 516 municípios e 15 distritos sanitários indígenas. Em Brasília, os profissionais desembarcaram no aeroporto internacional Juscelino Kubitscheck às 15h17, em um vôo da companhia aérea portuguesa TAP. Para o ministro, não procedem as críticas de que os profissionais seriam mal preparados — embora o governo tenha preferido não provar objetivamente isto, ao liberar os médicos estrangeiros da prova de reconhecimento do diploma, conhecida como Revalida. “Todos têm experiência em atuar em áreas rurais ou em atenção básica e valorizam o que é mais importante em um médico: o contato humano, o atendimento, ouvir as pessoas”, afirmou, como se estivesse se referindo a psicólogos e não a médicos. Embora o Programa Mais Médicos tenha tido baixíssima adesão — das 15 450 vagas ofertadas, houve apenas 1 096 inscritos — o governo federal já lançou o edital para a segunda fase do projeto, esperando a adesão de novos municípios e de médicos brasileiros e estrangeiros. O Ministério da Saúde, que havia declarado publicamente a desistência de “importar” médicos cubanos, usou o fracasso do programa como desculpa para recorrer a uma parceria pouco transparente com o governo de Raúl Castro, com intermediação ainda mais nebulosa da Organização Panamericana de Saúde (Opas), para trazer os profissionais de Cuba ao país. Parte dos cubanos desembarca no Brasil neste final de semana em aviões da Força Aérea Brasileira. Todos os profissionais estrangeiros e brasileiros com diploma do exterior ficarão hospedados em alojamentos militares, longe dos olhos do público. Questionado sobre o caso específico de médicos cubanos, que terão parte dos recursos do programa destinados a financiar o governo de Raúl Castro, o ministro Alexandre Padilha atribuiu as críticas a um alegado e imaginário “preconceito” contra os profissionais. “Não admitimos e não faz parte da cultura brasileira ter preconceito em relação a qualquer país ou a qualquer povo. A medicina de Cuba é reconhecida, principalmente na atenção básica. O Ministério da Saúde vai acompanhar de perto as condições individuais de cada médico para poder viver, atuar tranquilamente, sem ter preocupações”, explicou.

OS DESCOLADOS DO AVAAZ, LIDERADOS PELO ÉTICO ABRAMOVAY, APELAM AO PRECONCEITO CULTURAL, DE CLASSE, IDEOLÓGICO E RACIAL E USAM A IMAGEM DE TIRIRICA, SEM PEDIR AUTORIZAÇÃO, PARA DEFENDER REFORMA POLÍTICA QUE INTERESSA AO PT


Tiririca, e não Zé Dirceu, é usado pelo Avaaz como exemplo ruim da democracia brasileira. É preconceito cultural, de classe, racial e ideológico — além de apropriação indébita da imagem alheia
Vocês sabem como são os “independentes” do Brasil, não é mesmo? Costumam independer de tudo, inclusive dos fatos. É o caso do site Avaaz, que, no Brasil, é comandado pelo petista Pedro Abramovay, ex-secretário nacional de Justiça (gestão Márcio Thomaz Bastos), de quem também foi assessor especial. Já então indicado por José Eduardo Cardozo para a Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (esse nome é péssimo, convenham!), concedeu, antes de tomar posse, uma entrevista ao Globo onde propunha que também os pequenos traficantes, a exemplo dos simples consumidores de drogas, não fossem presos. Dilma não gostou e o demitiu. É um dos mais fanáticos defensores da descriminação das drogas. De quais? De todas, ora!
Abramovay pertence àquele grupo de carnívoros petistas que gostam de se disfarçar de pavão. Suas teses costumam ter sempre a aparência vistosa dos interesses do povo. Basta que se submeta o que pretende a uma análise, ligeira que seja, e lá está ele a serviço do partido. Compõe a turma que aposta que mais vale uma guerra de valores do que o confronto político. E eles faz isso muito bem. O Avaaz é um dos seus instrumentos. Ainda que possam existir lá uma petição ou outra contra esta ou aquela figuras ou teses do PT e da esquerda, trata-se apenas de tributos irrelevantes que a virtude presta ao vício… Em essência, o site, no país, serve ao partido principalmente e às esquerdas de modo geral. Esse Abramovay é tão ético, mas tão ético, que deu curso a um petição para cassar o registro profissional de psicólogo do pastor Silas Malafaia, mas tirou do ar uma petição que pedia o contrário. E assim procedeu justamente quando a petição pró-Malafia superava a outra. E ainda fez praça disso, dizendo-se orgulhoso. Os seus abduzidos, ora vejam!, aplaudiram a sua coragem de defender a própria covardia e de admitir que, na prática, usava uma entidade internacional para perseguir aqueles de quem não gosta.
Acho que ele já está bem caracterizado, não? Petista, peixinho de Márcio Thomaz Bastos, defensor da descriminação das drogas, favorável à liberdade para “pequenos traficantes”, chefão do site Avaaz. Mas muito independente.
Ao ponto
Muito bem! Abramovoy deu início a uma petição em defesa de uma reforma política que institui uma aloprada votação em dois turnos para o Poder Legislativo. Nem entro em minudências porque a ideia é de tal sorte esdrúxula, que restará como peça do folclore nacional — ainda que conte com a assinatura da OAB. Bem, vênia máxima, não é primeira bobagem em que a entidade se mete. No Rio, ela quase anda de braços dados com os black blocs. Adiante…
A proposta não para aí, não. De substantivo mesmo, o que Abramovay e seus abduzidos iluminados querem é o financiamento público de campanha, só que numa roupagem moderninha. Só as doações de pessoas físicas seriam permitidas, limitadas a R$ 700 (por que esse valor e não R$ 631? Não tenho a menor ideia; deve ser algo de caráter místico). As empresas, então, estariam proibidas de doar. Faltaria dinheiro. Aí o Estado entraria com a sua parte — como se já não houvesse hoje grana pública das eleições via Fundo Partidário e renúncia fiscal para as emissoras que veiculam os horários político e eleitoral gratuitos. É coisa que passa fácil dos R$ 600 milhões por ano.
Ora, ora, como é que o dinheiro público seria distribuído? Há de haver um critério. A mesma grana para todo mundo é impossível, certo? Ou legendas de aluguel viverão no paraíso. O mais provável é que o tamanho das bancadas federais determine o percentual de distribuição. Quem ganha? O PT em primeiro lugar, e o PMDB em segundo.
Mais: com a proibição das doações de empresas privadas, aconteceria o quê? O óbvio. Aumentaria brutalmente o caixa dois de campanha. Eis a tese de Abramovay. Eis a tese da OAB.
O petista chique Abramovay acha que Tiririca faz mal à democracia. Será que Abramovay faz bem?
Preconceito asqueroso
Todo mundo sabe como Tiririca foi eleito e com que campanha. Mas vejam só: não se tem notícia, não que eu saiba, de que ele tenha se metido em alguma lambança ou atuado de forma ingênua em alguma tese ruim para o país. Jamais votaria nele, por certo. Mas é Tiririca quem concorre para desmoralizar a democracia brasileira ou João Paulo Cunha e José Genoino (que se recupere! Trato aqui de política), que, mesmo processados pelo STF, integraram nada menos do que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara? João Paulo chegou a presidi-la. É Tiririca quem desmoraliza a democracia brasileira ou um ministro da Saúde que decide importar mão de obra escrava?
Pois a imagem em defesa da nova proposta, usada pelo Avaaz como anti-exemplo, é justamente a de Tiririca. Muito ético, o Avaaz nem sequer pediu autorização nem ao deputado nem ao artista popular. A propósito: se Tirirca é a imagem da distorção política porque, com 1,35 milhão de votos, ajudou a eleger quem voto não tinha (aliás, um dos beneficiários foi o notório delegado Protógenes Queiroz…), por que, então, não usar a imagem de Chico Alencar (PSOL), que, com 2409.671 votos no Rio, levou para a Câmara o ex-BBB Jean Wyllys, que obteve ridículos 13.016 votos? O sistema é ruim quando elege Tiririca, mas é bom quando elege Jean Wyllys? Que tal comparar a atuação parlamentar — não a gritaria midiática — desses dois deputados?
Tratar, a esta altura, Tiririca com esse viés é só uma manifestação asquerosa de preconceito, a que esses descoladinhos de esquerda da elite brasileira se entregam à vezes, com o seu narizinho empinado de quem viu a coisa. É preconceito cultural — Tiririca tem fama de ignorante. É preconceito de classe: Tiririca tem cara de pobre. E, não sei não, é possível que subjaza, ainda que de modo sutil, o preconceito racial: Tiririca é mulato. E é preconceito ideológico: Tiririca não é de esquerda nem fala em nome de alguma minoria.
A proposta que o senhor Abramovay e seu site defendem, que conta com a chancela estúpida da OAB, entregaria o cofre das eleições ao PT e arreganharia as portas para o caixa dois — coisa na qual o PT já provou ser igualmente bom.
Em suma, a tese defendida por Abramovay é outra droga. Assinar a petição corresponde a se tornar um fiel servidor de José Dirceu. Por Reinaldo Azevedo

ESCÂNDALOS DO DESGOVERNO DO PREFEITO JOSÉ FORTUNATI NÃO CANSAM DE VIR À TONA, A PROCEMPA É UM SACO SEM FUNDOS DE DESMANDOS

O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), nomeou como CC (cargo em comissão) na Procempa o filho de Enio Roberto Dias dos Reis (na foto), presidente da ATP (Associações dos Transportadores de Passageiros), o advogado Edson Coelho Reis, com salário de R$ 15.625,25 e mais benefícios. Já seria, no mínimo, estranhíssimo, uma vez que a ATP é tradicional financiadora de campanhas eleitorais de políticos em Porto Alegre. O presidente da ATP, Enio Reis, tem um sítio na zona sul de Porto Alegre onde reúne vereadores e outros políticos regularmente, para partidas de futebol seguidas de churrascadas regadas a uísque de boa qualidade. Se o homem é tão rico, por que seu filho precisaria de uma CC na prefeitura de Porto Alegre, no governo de José Fortunati? Mas, a situação se apresenta ainda mais complicada quando se descobre que a ATP integra agora a carteira de clientes corporativos da Procempa. Desde maio deste ano os serviços de circuitos especializados Metrolink estão interligando redes da ATP e de algumas empresas de ônibus de Porto Alegre, utilizando conexões de rádio digital e fibra ótica da Infovia Procempa. Atualmente estão ativos quatro circuitos: dois que interligam a sede da ATP com as empresas Viação Gasômetro de Transportes e Viação Belém Novo e os demais, que  interligam a sede da ATP com sua filial na Rua Uruguai e também com o DataCenter da Procempa para transporte de dados a servidores hospedados pela EPTC. O gerente comercial da companhia, Marcos Bein, informa que a ATP está analisando uma proposta comercial para ampliar os serviços com a Procempa,  para que também utilize os serviços de acesso à internet em substituição ao fornecido por outra operadora de Telecom. O filho de Enio Reis trabalha no setor jurídico da Procempa, que é chefiado por ele. Portanto, os contratos entre a ATP e a Procempa passam, obrigatoriamente, por ele. O governo de José Fortunati já está intimado pela Justiça estadual, em ação movida pelo Ministério Público, a promover a licitação para a concessão dos serviços de transporte de passageiros em Porto Alegre. Imagine, agora, a vantagem que levariam as atuais prestadoras do serviço, que operam as conceções sem licitação há mais de 30 anos, sobre as outras concorrentes, em uma próxima licitação. Que tal, hein? E os contratos entre a Procempa, a ATP e as empresas que constituem esta associação precisam passar pelo Departamento Jurídico, que é chefiado pelo filho do dono da ATP, Edson Coelho Reis. Que tal, hein? Dá para entender que tenham sucesso os movimentos comandados por essa entidade clandestina denominada Passe Livre, um braço do PSOL.

ASSEMBLÉIA DA PELEGADA PETISTA DO CPERS, SEM QUALQUER REPRESENTATIVIDADE, DECRETA GREVE NA EDUCAÇÃO PÚBLICA GAÚCHA A PARTIR DE SEGUNDA-FEIRA

Aconteceu de novo, como é absolutamente comum há 35 anos. A pelegada do Cpers (não mais de 2.000 supostos professores, de um contingente de 80 mil professores), presente na assembléia realizada na tarde desta sexta-feira, no Auditório Araújo Viana, decretou mais uma greve geral a partir de segunda-feira no ensino público do Rio Grande do Sul. Há 35 anos essa pelegada petista não faz outra coisa do que destruir sistematicamente a educação público gaúcha, que bateu lá no fundo do poço em qualidade, em resultados. As promessas e o alinhamento ideológico dos dirigentes do Cpers com o PT, conduziram os professores estaduais a uma oposição selvagem contra o governo tucano de Yeda Crusius, inclusive com uma tentativa de invasão da casa dela), e a uma campanha fervorosa em favor da eleição do peremptório petista Tarso Genro. Depois de eleito, ele traiu miseravelmente o seu compromisso com os professores petistas, e se recusou a pagar o piso salarial nacional que ele próprio havia sancionado como ministro da Justiça no governo Lula.

MÃO DE OBRA ANÁLOGA À ESCRAVIDÃO, SIM! OU: ESTATUTO DO ESTRANGEIRO SERÁ USADO PARA MANTER CATIVOS OS MÉDICOS CUBANOS. OU AINDA: A ÚNICA MERCADORIA QUE CUBA COMERCIA É GENTE. E O GOVERNO DO PT COMPRA

Leio na Folha que “O procurador José de Lima Ramos Pereira, que comanda no órgão a Coordenadoria Nacional de Combate às Fraudes nas Relações de Trabalho, disse que a forma de contratação fere a legislação trabalhista e a Constituição.” E se registra uma fala do procurador: “O Ministério Público do trabalho vai ter que interferir, abrir inquérito e chamar o governo para negociar”. A chamada precarização do trabalho, considerando-se as leis brasileiras, está dada já pela natureza do contrato que os cubanos manterão com o Brasil. Ramos Pereira explica por que a contratação dos cubanos é “totalmente irregular”. Diz ele: “A relação de emprego tem de ser travada diretamente entre empregador e empregado. O governo será empregador na hora de contratar e dirigir esses médicos, mas, na hora de assalariar, a remuneração é feita por Cuba ou por meio de acordos. Isso fere a legislação trabalhista.” A reportagem da Folha ouve ainda o auditor fiscal do Trabalho Renato Bignami, que afirma ser prematuro acusar as condições de trabalho dos cubanos no Brasil de análogas à escravidão. Diz ele: “Não são só os salários aviltantes que são considerados para essa situação. Há fatores como jornadas exaustivas e condições degradantes.” Ramos Pereira está certo. Os contratos ferem a legislação brasileira. Já Bignami está errado. Estamos, sim, diante de um trabalho análogo à escravidão. Pior: o Estatuto do Estrangeiro (Lei 6.815) acabará atuando em favor dos mercados de escravos (o governo cubano) e os compradores (o governo brasileiro). Já chego lá. Antes, algumas questões. Em primeiro lugar, consultem, quando houver tempo, as considerações do próprio Ministério do Trabalho sobre as características do trabalho análogo à escravidão. Nem todas precisam ser satisfeitas para que ele esteja caracterizada. Bastam algumas — ou, sei lá, uma única, mas que defina a relação. Dou um exemplo: a servidão por dívida. Ainda que o trabalhador tivesse as melhores condições, com toda a proteção, e morasse numa casa confortável, haveria trabalho análogo à escravidão se estivesse preso ao patrão por uma dívida impagável, que lhe tivesse sido imposta como precondição para conseguir o emprego. É claro que as coisas não acontecem desse modo. Esse tipo de servidão quase sempre é acompanhada das piores condições. Estou apenas raciocinando por hipótese para demonstrar que a essência do trabalho análogo à escravidão é a agressão à liberdade de ir e vir — ainda que fosse no paraíso. E é o que acontecerá com os cubanos. O roubo que será praticado pelo governo cubano é, claro!, relevante. Igualmente escandaloso é o fato de que o governo brasileiro está “comprando” um lote de profissionais de um mercados — no caso, o Estado cubano, que usa essa mão de obra como fonte de divisas. Países costumam ganhar dinheiro vendendo tecnologia ou com os royalties que ela rende; costumam ganhar dinheiro vendendo commodities; costumam ganhar dinheiro vendendo manufaturados; costumam ganhar dinheiro por intermédio de multinacionais, que fazem a remessa de lucros para as matrizes. Não se tem notícia, no mundo moderno — ou me citem um exemplo —, de um país que obtenha dividendos vendendo a mão de obra de milhares de pessoas. Trabalho análogo à escravidão, sim.

Famílias
Lá no manual do Ministério do Trabalho, vocês verão que há um capítulo sobre a família dos trabalhadores. Nos locais onde se explora a mão de obra análoga à escravidão, os familiares costumam ser parte da equação porque, também eles, dividem com o trabalhador explorado os abrigos precários que servem de moradia. Romper a relação corresponderia, pois, a deixá-los ao relento. Melhor um teto caindo aos pedaços do que teto nenhum. 
No caso dos cubanos, a família também é parte da equação, mas de modo um pouco distinto. Os profissionais chegarão sem as suas respectivas famílias. Não se trata de uma opção, mas de uma imposição. A tirania cubana não lhes dá licença para deixar a ilha. Assim, mantém a garantia de que esses profissionais jamais desertarão. Ora, essa situação é muito diferente, em essência, daquela outra? Em certo sentido, é ainda pior: se um médico cubano pedisse asilo ao Brasil, não estaria apenas expondo seus entes queridos a agruras. Estaria condenado a não vê-los nunca mais. E, sabemos, sempre estará a possibilidade de o governo brasileiro repetir a atuação gloriosa de Tarso Genro e manda-los de volta para o colo dos facinorosos Fidel e Raúl Castro, como fez com aqueles dois pugilistas. Assim, os médicos cubanos — ainda que todos filiados ao Partido Comunista e considerados “quadros” do socialismo (mas a gente sabe como são essas coisas nas ditaduras) — não são livres para ir e vir. Não são livres para fazer suas escolhas. Não são livres para decidir que destino dar às suas respectivas carreiras e vidas. Em Cuba, fiquei sabendo a partir de depoimentos dados por esses médicos a venezuelanos que conheço, há duas formas de recrutamento: existe os que se apresentam voluntariamente para a tarefa, e há aqueles que são “escolhidos” pelo partido, sem a possibilidade de dizer “não”. A commodity de Cuba é gente; a manufatura de Cuba é gente. Os tiranos exportam e reimportam quem lhes der na telha. Têm a vida desses profissionais na mão.
Estatuto do Estrangeiro
Vi o ministro Antonio Patriota a dizer que não há nada de errado nesse tipo de contrato e que é uma vontade da sociedade brasileira. Já que ele não se envergonhou, senti vergonha em seu lugar, uma vez que compartilhamos, ao menos, a nacionalidade. Os cubanos que chegarão ao Brasil vão receber um visto provisório, o que lhes impõe limitações severas para trabalhar — que, noto, são adotadas por todas as democracias. É que as democracias de fato não costumam importar escravos… Uma relação que, em tudo, caracteriza trabalho análogo à escravidão recebe, então, o reforço involuntário do Estatuto do Estrangeiro (Lei 6.815). Eles entrarão no Brasil com visto temporário, que pode ser de até dois anos, prorrogável por mais um ano. O Artigo 100 da referida lei estabelece nesse caso (em azul):
Art. 100. O estrangeiro admitido na condição de temporário, sob regime de contrato, só poderá exercer atividade junto à entidade pela qual foi contratado, na oportunidade da concessão do visto, salvo autorização expressa do Ministério da Justiça, ouvido o Ministério do Trabalho.
Eis aí: ainda que quisesse exercer alguma outra função, não poderia.  A ditadura cubana e a ma-fé do governo brasileiro se aproveitam de uma lei que, em si, não é discricionária para manter o trabalho análogo à escravidão.
E se evidência faltasse…
De reto, se evidência faltasse, há uma outra, escandalosa, ditada pela natureza dos fatos. O Brasil abriu a inscrição para receber os médicos, inclusive os estrangeiros. Por que os cubanos não se apresentaram? Porque não podiam. Porque não são livres para isso. Mas não são por quê? Quem os impede? Ora, o ente que detém a titularidade de sua mão de obra, que fala em seu lugar, que assina em seu lugar, que decide em seu lugar, que recebe o pagamento pelo trabalho em seu lugar: o estado cubano. E é com esse ente que o Brasil celebrou o acordo. Há médicos de sobra em Cuba e sei lá mais onde? Que o Brasil, então, abra as suas portas, que submeta os candidatos aos testes devidos, que eles busquem revalidar aqui seus diplomas e que passem a atuar como indivíduos livres. Ocorre que o PT não escolheu a liberdade, mas a escravidão. Se esse negócio prosperar sem uma resposta firme do Ministério Público do Trabalho, ele estará para sempre desmoralizado. Quero ver com que cara vai tentar combater o trabalho análogo à escravidão que remanesce, sim, em cartas áreas do país. Terá de dizer por que essa é uma prerrogativa do governo do PT. Por Reinaldo Azevedo

AINDA O ABORTO, A NOVELA "AMOR À VIDA", O PROGRAMA "NA MORAL", A NOVA OPRESSÃO DAS MULHERES E O VERDADEIRO DESAFIO AO SENSO COMUM

Não acompanho a novela. Nesta quinta, assistia ao capítulo em razão de circunstâncias excepcionais. Mas sei o que vai lá, como quase todo mundo. Contam-me que um par de maridos quer ter um filho e que teria escolhido uma amiga para ser, sei lá como chamar, a “barriga solidária”. A inseminação artificial não deu certo. Então um deles resolve dar uma transadinha, coisa excepcional, com a moça. Trata-se, parece, de um “sacrifício” em benefício da causa. AÍ ela engravida. O combinado, segundo entendi, é que a criança terá dois pais e uma mãe. Entendo. A mesma novela que faz merchandising pró-aborto, com dados escandalosamente mentirosos, cria uma fábula moderna — sim, claro, virão conflitos pela frente, mas nada que gente descolada, resolvida e superior não consiga enfrentar nos capítulos finais — sobre uma família diferenciada… O mesmo folhetim que defende o direito ao aborto transforma em heróis os praticantes de uma ética de exceção. Isso e que é “amor à vida”, não é mesmo? Claro, claro! O reacionário sou eu. Essa gente toda é progressista. Pena eu não saber disso quando escrevi o primeiro post. A coisa, então, é ainda mais grave do que eu pensava. A peroração pró-aborto alegava uma suposta defesa dos direitos das mulheres. Afinal, estariam morrendo como moscas em razão de uma legislação atrasada, que seria imposta pela religião. Então tá. Que mulher é essa exibida na novela, que se apaixona por um gay, aceita transar com ele para fazer um filho, com o propósito de que essa criança seja criada a três? Até onde entendi, o pai biológico do bebê gosta mesmo é de homem. Se aceita o “sacrifício”, instrumentaliza a paixão da moça. Ela, por sua vez, fica feliz com as migalhas de afeto e ainda dará um filho a seu macho. Assim se traduz o “respeito às mulheres”, supostamente expresso naquele discurso com estúpidas pretensões didáticas? Uma mulher que faz de seu útero uma espécie de mala, onde se põem e de onde se podem tirar fetos como quem guarda badulaques ou deles se livra está mesmo sendo respeitada? Gays são uma coisa. A cultura gay é outra, completamente distinta. E esta, não é preciso ser muito agudo para perceber, continua, eis o fato, a tratar as mulheres como seres de segunda grandeza — ainda que possa, às vezes, não se dar conta disso. Também me pediram pra ver, e eu vi, o programa Na Moral, conduzido por Pedro Bial. Tratou, nesta quinta, das várias identidades sexuais e coisa e tal. Bial chamou de “desbravadora” um senhor casado, pai de três filhos, que passou, há poucos anos, a se vestir de mulher — e, segundo entendi, a ter uma vida sexual compatível com essa mudança. Cada um faça o que quiser de si. Mas que se tenha claro que a moral de exceção, se vista como regra, acabará por fazer da regra a exceção. Vale para o sexo e para qualquer outra coisa. O programa de Bial só vai ao ar porque existem regras, não porque existem exceções. A regra faz a natureza, que independe do humano, e os sistemas que dele são dependentes. Mas isso fica, se ficar, para outra hora. Meu ponto é outro. Lá estava o marido que virou mulher sem deixar de ser marido. A seu lado, a sua mulher, que mulher continua. Já na casa dos 60 e poucos, que alternativa afetiva tinha aquela senhora? No fim das contas, ainda que de calça apertada e colorida e brincões na orelha, o seu marido-mulher continua a ser o macho que impõe a sua vontade. A ela resta aceitar ou ver sua família se desfazer. Dois dos três filhos estavam presentes. Chamados a dar seu depoimento, a moça, vê-se, sofre de modo eloquente. O rapaz não consegue ir além da tartamudez. “Reinaldo está chocado porque essas coisas aparecem na TV.” Não mesmo! Mas me pergunto se a inteligência de Pedro Bial e sua competência para fazer TV — eu o considero uma dos melhores da sua geração, ainda que ele possa me considerar um dos piores da minha; pouco me importa — eliminam o aspecto para mim deletério e indelével de um programa com essas características: uma exposição de raridades — ou, se quiserem, de exemplaridades — de um novo circo, que é o do politicamente correto. Só que, consoante com os novos tempos, a exceção é exibida como aquilo que não é: uma alternativa. E só por isso o homem-mulher é chamado de “desbravadora”. Como ignorar que ele-ela exercia ali, afinal, a vontade que o macho impôs à fêmea? À tal “esposa”, coube apenas condescender. Afinal, a cultura gay é mesmo coisa de macho. Nesse circo, a mulher segue sendo coadjuvante. Nota à margem: até naqueles filmecos estarrecedores do Ministério da Educação, que Dilma acabou vetando, homens que decidem se vestir de mulher reivindicam o direito de usar o… banheiro feminino! Não se conhece o contrário: lésbicas querendo usar o banheiro masculino. Na cultura machista, ser mulher não é um grande negócio. Na cultura gay, ser mulher é um péssimo negócio.

Sem contraditório
Estou chamando a atenção para o fato de que o chamado “combate ao preconceito”, quando exercido sem contraditório — e contraditório mesmo, não simples arapuca para pegar um dos lados do debate —, acaba gerando, por óbvio, preconceitos novos. Alguém perguntará: “O que é, nesse caso, o contraditório? O direito de ser preconceituoso?” É evidente que não! O contraditório, nestes dias, consiste em abordar os temas, da política à moral, com olhos não militantes, com olhos não corporativos, com olhos não interessados na demanda. São tantas as microcausas em trânsito que estamos perdendo alguns valores universais que fizeram as modernas democracias. Quando “Amor à Vida” — que, reitero, dramatiza o esforço de um par de gays para ter um filho, usando o útero da amiga como uma mala — transforma o repúdio ao aborto numa caricatura grosseira, alguns séculos de história estão sendo jogados no lixo, entre a militância e a ignorância. Recomendo ao autor da novela, Walcyr Carrasco — e o faço de boa vontade, não e tom de agravo — que leia “The Rise of Christianity: a Sociologist Reconsiders History”, de Rodney Stark. Escrevi uma longa resenha na VEJA em 2007. As mulheres — e as mulheres pobres — foram as primeiras entusiastas do cristianismo, Walcyr, justamente porque aquela “seita” se opunha ao aborto, e isso, para elas, era, com frequência, a diferença entre a vida e a morte. As tragédias, como as pestes, fortaleceram a religião porque a solidariedade entre os crentes — precursores das ONGs realmente não governamentais — salvou vidas. Aquele repto anticristão na novela ignora o fato de que, por exemplo, a Igreja Católica, somados os leitos, é o maior hospital do mundo; somados os desembolsos das instituições católicas, é a entidade que mais investe em pesquisa no mundo; é a maior escola do mundo; é a maior entidade de assistência social do mundo. “O que você quer, Reinaldo? Que uma novela das 21h fique repetindo dados estatísticos?” Não! Contento-me que a instituição que mais salva vidas, mundo afora, não seja tratada como homicida. Por ano, mais de 100 mil cristãos são assassinados no mundo por uma única razão: porque são cristãos. Na moral, Pedro Bial! Atacar os valores cristãos é muito fácil. Na moral, Pedro Bial, excepcional mesmo, nestes dias, seria exibir suas virtudes. Aí, sim, estaríamos diante de algum desafio ao senso comum. Ao menos ao senso comum militante. Por Reinaldo Azevedo

BRASIL PODE IMPORTAR MAIS TRIGO DO PARAGUAI

A série de restrições impostas recentemente pelo governo argentino à exportação de trigo levou representantes de moinhos brasileiros a procurar produtores paraguaios. O primeiro encontro em busca de novos fornecedores foi realizado na quarta-feira, em Ciudad del Este (PY), vizinha a Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, e contou com a participação de membros da Câmara Paraguaia de Exportadores e Comercializadores de Cereais e Oleaginosas (Capeco). De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a redução no volume de trigo argentino para exportação se deve à adoção de alíquotas diferenciadas (mais altas para o trigo em grão e menores para a farinha e a mistura de trigo), à limitação da cota para a venda do produto a outros países em 4 milhões de toneladas e a recente suspensão dos embarques. Em 2012, somente o Brasil importou dos argentinos mais de 5 milhões de toneladas do grão.

CADA MÉDICO CUBANO CUSTARÁ R$ 21.291,66 E NÃO R$ 10 MIL. CONHEÇA OS CÁLCULOS

Economista, ex-prefeito do Rio de Janeiro e ex-secretário da Fazenda do governo de Leonel Brizola, o também ex-deputado federal Cesar Maia fez as contas e produziu o seguinte comentário sobre a vinda dos médicos de Cuba: "Aparentemente precisamos de Mais Matemática também, além do Mais Médicos. Ninguém fez as contas? R$ 511 milhões para 4 mil médicos cubanos por seis meses, de setembro de 2013 a fevereiro de 2014, segundo anunciou o ministro candidato Padilha. Então serão R$ 21.291,66 por médico por mês e não R$ 10.000,00 como anunciado para os não cubanos. E o dinheiro vai pra Cuba e não para os médicos. O governo cubano é que vai decidir quanto cada médico vai ganhar (normalmente, R$ 700,00, o valor local), ou seja, estamos importando "serviços" cubanos. Os irmãos Castro agradecem penhoradamente pela grana, porque ficará com a diferença - em dólar forte.  Quanto ganha um médico concursado no Brasil? São aqueles médicos que, quando Chávez quis mudar, já era tarde.

A RESPOSTA INDECOROSA DE PADILHA. OU: GOVERNO DOARÁ A CUBA, POR ANO, R$ 320 MILHÕES DA VERBA DA SAÚDE, MAS NADA FEZ PARA IMPEDIR A PERDA DE 41 MIL LEITOS DO SUS

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, deu nesta quinta uma resposta indecorosa sobre o contrato que o Brasil firmou com Cuba para a importação de médicos. Já chego lá. Antes, vamos a algumas outras considerações. Houve algumas reações, ainda tímidas, no Congresso Brasileiro à absurda, estúpida mesmo!, importação de escravos-militantes cubanos, que chegarão ao Brasil disfarçados de médicos. Como se sabe, cada um deles custará R$ 10 mil aos cofres públicos. O dinheiro, no entanto, será enviado à ditadura cubana — R$ 40 milhões por mês —, e os brucutus de Fidel e Raúl Castro é que pagarão os médicos. Oficialmente, a tirania repassa aos profissionais de 25% a 40%. De fato — os repórteres investigativos podem escarafunchar —, esse percentual chega, no máximo, a 20%. Ou por outra: cada cubano que chegar aqui renderá R$ 8 mil limpos para o governo da ilha. O convênio com o Brasil, assim, carreará para o caixa de Cuba R$ 320 milhões por ano. Trata-se de dinheiro público, E DA SAÚDE!!!, financiando um regime policial. A reação dos parlamentares, no entanto, ainda é modesta, pífia mesmo! Se a cúpula tucana disse alguma coisa, não foi forte o bastante para gerar notícia. Entendo essas almas: “Vai que a população goste…”. Quando não se tem convicção e só se reage de acordo com a oportunidade, os maiores absurdos prosperam sob o silêncio cúmplice daqueles que deveriam ser especialmente vigilantes. O nome do que se vai praticar aqui — e não se ouvirá um pio das esquerdas, é claro! — é trabalho similar à escravidão, que viola, de forma explícita, a Convenção 29 da Organização Internacional do Trabalho. É o padrão de moralidade Marilena Chaui, aquela que odeia a classe média e a considera reacionária, menos, adverte essa gigante do pensamento, quando vota no PT. Assim, o trabalho escravo explorado por companheiros e pela tirania de Cuba é, na verdade, uma coisa muito bacana, progressista mesmo. Vou estudar esse caso. Não é possível que uma barbaridade como essa não chegue às barras dos tribunais. “Ah, mas alguém precisa fazer esse trabalho; se esse é o único caminho.” É verdade! No passado, alguém precisava cuidar da lavoura de cana no Brasil… No século 21, o governo do PT revigora a ética do trabalho do século 17: “A necessidade faz a escravidão”. Lixo moral!

A resposta de Padilha
No geral, a imprensa trata Padilha a pão de ló. O próprio jornalismo está muito menos escandalizado do que deveria. Imaginem se um governo considerado de direita firmasse acordo semelhante com outro governo, também de direita. Não tardaria a se ouvir o grito: “Fascistas!”. E a companheira Maria do Rosário, aquela sempre tão preocupada com o trabalho escravo? Ontem, sei lá que indagação se fez a Padilha para desse uma resposta indecente: afirmou que caberia aos municípios dar moradia e alimentação aos médicos e que o governo federal acompanharia isso de perto. Perfeito! O governo cubano vai roubar R$ 8 mil de cada profissional, que ficará com minguados R$ 2 mil, e quem vai arcar com as consequências são os quebrados municípios brasileiros. Que essa imoralidade tenha prosperado em protoditaduras como a Venezuela, Equador e Bolívia, vá lá. Mas na democracia brasileira? É inaceitável.
A queda de leitos
Informei ontem aqui que, nos 11 anos do governo do PT, houve uma redução de 15% nos leitos hospitalares. Só entre 2007 e 2012, foram fechados 4.770. O leitor Rodrigo Netto me envia um link de texto publicado na VEJA.com em 13 de setembro do ano passado em que se lê o seguinte:
“O número de leitos hospitalares no Brasil sofreu uma redução de 10,5% entre 2005 e 2012, segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM). Em levantamento divulgado nesta quinta-feira, o órgão aponta que, em sete anos, houve uma redução de 41.713 leitos hospitalares no Sistema Único de Saúde (SUS). O estado mais prejudicado pela queda é Mato Grosso do Sul, com uma perda de 26,6% dos leitos. O levantamento do CFM foi feito com base nos dados apurados junto ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde.”
Ele quer saber, em suma, qual número está certo. Infelizmente, Rodrigo, os dois estão certos. O meu texto trata do número total de leitos fechados (públicos e privados). A reportagem da VEJA.com se refere à queda do número de leitos do SUS. Isso significa que hospitais privados deixaram o sistema porque não conseguem conviver com o valor ridículo da tabela. Entendeu? As Santas Casas, por exemplo, estão à beira da falência. A cada atendimento que fazem do SUS, seu déficit aumenta. O País que vai transferir R$ 320 milhões por ano da verba do setor de saúde para a ditadura cubana assistiu, inerme, à perda de mais de 41 mil leitos do SUS em sete anos. E o atual comando das oposições fica de bico fechado, temendo que uma crítica mais dura a esse descalabro acabe sendo impopular. Por Reinaldo Azevedo

O LIVRO "DIRCEU" E UMA FÁBULA REVISITADA NA ERA DO MENSALÃO

Eu criei uma fábula. Aproveita, é verdade, parte de uma outra, muito conhecida. Um cordeiro estava bebendo água num riacho. O terreno era inclinado e, por isso, havia uma correnteza forte. Quando ele levantou a cabeça, avistou uma alcateia, que, como vocês sabem, é o coletivo de lobos. A turma também bebia. — Como é que você tem a coragem de sujar a água que nós bebemos? — perguntou um deles, que afetava certa seriedade compenetrada, sem esconder, pelo ar famélico, que estava havia alguns dias sem comer e procurava algum animal apetitoso para matar a fome. — Senhor — respondeu o cordeiro —, não precisa ficar com raiva porque eu não estou sujando nada. Bebo aqui, uns vinte passos mais abaixo, é impossível acontecer o que o senhor está falando. — Você agita a água — continuou o lobo ameaçador — e sei que você andou falando mal de nós no ano passado. — Não pode ser — respondeu o cordeiro. No ano passado, eu ainda não tinha nascido.O lobo pensou um pouco e disse:— Se não foi você, foi seu irmão, o que dá no mesmo.— Eu não tenho irmão — disse o cordeiro. Sou filho único.— Alguém que você conhece, algum outro cordeiro, um pastor ou um dos cães que cuidam do rebanho, e é preciso que a gente se vingue. — Mas o senhor acha que é justo que seja eu a pagar por isso?— Não acho, nem eu, nem os meus companheiros aqui. Espere um minuto.O lobo, então, improvisou ali uma espécie de assembleia ou tribunal informal junto com a sua companheirada. Minutos depois, voltou à carga.— Vamos lhe dar uma chance, hein?— Diga, senhor.— Vamos lhe fazer uma pergunta. Se você acertar, pode partir em paz.— Se eu errar…O lobo não respondeu. Apenas deu um sorriso seco e ameaçador. E indagou:— Qual é a exata extensão deste rio, da nascente à foz?—18.785 metros.A alcateia começou a uivar de satisfação.— Errou!— Errei?— Sim.— E como eu vou saber se o senhor está certo?O lobo, então, aproximou-se do cordeiro, afetou uma seriedade superior, tirou da pelagem do rabo um verbete da Wikipedia e exibiu para o cordeiro.— Tá vendo? São 18.587 metros. Você inverteu os três últimos algarismos.— Acho que vocês estavam em busca de um pretexto. Isso não muda o fato de que eu bebia água morro abaixo e de que a acusação que me fizeram é falsa.— Um lobo pesquisa com tanto afinco não por amor à precisão, mas por amor à sua profissão, que é ser lobo.
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Essa minha fábula ainda não tem conclusão. Vai ser escrita pelo tempo. Na Folha de hoje, Carlos Andreazza, editor executivo da Editora Record, escreve um artigo que vocês têm de ler. Ele se refere ao livro “Dirceu – A Biografia” e a algumas reações que se seguiram ao texto.
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Todo o trabalho biográfico está sujeito a erros. É preciso reconhecê-los e repará-los imediatamente, com seriedade e energia, na exata mesma medida em que se deve repelir — chamando pelo que é, lembrando o momento em que se dá — a ação coordenada dos que tentam minar a credibilidade de uma notável e já consagrada reportagem. Como editor de Otávio Cabral em “Dirceu”, posso afirmar e reafirmar o que norteou a produção e a publicação do livro — marcos, aliás, que fundamentam os 70 anos do Grupo Editorial Record: a busca da verdade; o compromisso com a correção; a inegociável cultura da independência; o valor da liberdade; o desejo incontornável de contar histórias importantes e de difundir informações decisivas, da melhor forma, por meio do melhor texto. Não é à toa, portanto, que já tratamos da próxima biografia a ser escrita por Otávio Cabral: porque, para muito além de seu talento e da promissora carreira de autor, é um jornalista honesto, competente, que está, antes e acima de tudo, a serviço da própria consciência – isto, algo cada vez mais raro. Ainda que todos os erros apontados por Mario Sergio Conti em “piauí”, e repercutidos por Morris Kachani nesta Folha, procedessem, e ainda que aquilo que de fato estava errado não tivesse merecido reparo imediato (e anterior ao texto de Conti), não seria um inventário ressentido de miudezas — levantamento espantoso, que talvez só o biografado pudesse fazer igual — a derrubar o primoroso trabalho jornalístico de Otávio Cabral em “Dirceu”. Agora que o mensalão volta à pauta do Supremo e, pois, às manchetes dos jornais, momento em que parece haver, em diversas frentes, uma ofensiva por desqualificar tudo quanto possa ser inconveniente aos condenados, urge ressaltar que picuinha nenhuma, por habilidosa que seja, logrou apontar um só erro estrutural — uma só falha grave, de peso — capaz de comprometer sequer minimamente o conjunto do memorável trabalho de apuração jornalística e de reconstituição histórica de Otávio Cabral em “Dirceu”. Ninguém precisa reconhecer a relevância de se produzir e publicar uma biografia não autorizada como essa num país acovardado como o Brasil, em que os espaços para o exercício do contraditório mínguam progressivamente e em que bárbaros muito bem remunerados pelo Estado partilham a coragem de ser sempre a favor. Pode-se bancar uma bem-sucedida carreira de repórter de gabinete com mentiras e rabo preso, mas não se alcança um sucesso como o de “Dirceu” – exatos 37 mil livros vendidos em menos de três meses – senão com verdade e clareza. Nesta hora em que o destino de graúdos está em xeque e em que se investe pesadamente na mistificação, convém atentar para o risco de que a dita imprensa livre – mais ou menos sem perceber – sirva de cavalo aos que se valem do jornalismo para pervertê-lo em obscurantismo e atraso. É muito bom ser independente, mas sem jamais nos esquecermos de que há quem não o seja. Por Reinaldo Azevedo

A SAÚDE E A INCOMPETÊNCIA DO PT. OU: OS LOUCOS DE TÃO POBRES E POBRES DE TÃO LOUCOS. QUEM LIGA PRA ELES?

A incompetência do governo petista na área da saúde cobra o seu preço. Em 11 anos, uma redução de 15% a taxa de leitos hospitalares (públicos e privados) por mil habitantes. Entre 2005 e 2012, o SUS perdeu mais de 41 mil leitos. Isso quer dizer que os hospitais privados pediram seu descredenciamento porque não conseguem conviver com a tabela miserável paga pelo sistema. Atender à demanda do SUS, desde que se faça um serviço de qualidade, implica endividar-se. Há 2,3 leitos hospitalares por mil habitantes no Brasil. A Organização Mundial de Saúde recomenda de 3 a 5. Já é uma realidade dramática. Quando, à incompetência, se juntam a ideologia rombuda e a mistificação, então se tem o desastre. Na área psiquiátrica, a situação é muito pior. Nesse caso, juntou-se à incompetência mais rombuda a ideologia perturbada. Atenção!  Há apenas 0,15 leito psiquiátrico por mil habitantes no país. É a metade do que se tinha quando o PT chegou ao poder. E já era pouco. Nos países civilizados, a média é de um leito psiquiátrico por 1.000. Isso quer dizer que o Brasil tem menos de um sexto do necessário. Esses poucos leitos, de resto, estão concentrados nas regiões Sul e Sudeste. Nunca houve, reitere-se, um número adequado de leitos, e eles sempre foram, com raras exceções, de péssima qualidade. A turma da reforma psiquiátrica aproveitou a incompetência do governo para impor a sua agenda: “Feche-se tudo! Internar é desumano!” Em vez de cobrar a humanização do tratamento e recursos para que se fizesse o trabalho adequado, os iluminados decidiram deixar os doentes a vagar por aí, entregues à própria sorte. E por que isso não aparece? Porque ninguém dá bola para loucos de tão pobres e pobres de tão loucos (sim, parafraseio Caetano, quando pensa direito), não é mesmo? Eles não têm voz. Quando a questão é debatida, não há como chamar os pacientes para participar. Eles não têm representantes. Homens e mulheres pobres continuam a acorrentar em casa seu doentes — correndo o risco de ser presos, acusados de tratamento desumano e cárcere privado. Mas, agora, tudo será resolvido. Os cubanos estão chegando. Por Reinaldo Azevedo