segunda-feira, 14 de outubro de 2013

JUÍZA CASSA MANDATO DO PREFEITO E VICE DE CAPÃO DA CANOA

A juíza Liniane Mog da Silva, da comarca de Torres, emitiu sentença nesta segunda-feira cassando os mandatos do prefeito, Valdomiro Novaski (PDT), e seu vice, Atilar Gerstner (PSB), de Capão da Canoa (RS), principal balneário do litoral gaúcho. A juíza Liniane Mog da Silva atuou no caso devido ao fato de seus colegas juízes Ademar Nozari, Luis Augusto Domingues de Souza Leal e Amita Antônia Leão Barcellos Milleto terem se declarado suspeitos para atuação na ação. Capão da Canoa parece uma cidade amaldiçoada, condenada a ter quase permanentemente políticos desqualificados, desclassificados, como prefeitos. Mais importante balneário gaúcho no litoral norte do Rio Grande do Sul, a maldição de Capão da Canoa deriva de ser uma cidade com arrecadação grande, originado pelo imposto predial sobre dezenas de milhares de imóveis de veranistas, que dão quase nenhum trabalho à prefeitura. Mas a administração da cidade depende de um eleitorado de baixo estrato social, vulnerável a qualquer favorzinho material: uma sacola de gêneros alimentícios, aterro para o pátio da casa, cimento, tijolos, pias, tanques, qualquer coisa desse gênero. Essa população vive de expedientes e é muito miserável. Clique aqui para ler a sentença da juíza e conhecer os detalhes das compras de votos. 

PDT, PSB, PRB, PSD, DEM E PPS PODERÃO APOIAR VIEIRA DA CUNHA E EDUARDO CAMPOS NO RIO GRANDE DO SUL

É muito provável que os seis partidos que mandaram seus representantes ao almoço desta segunda-feira em restaurante no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, coliguem-se em torno da candidatura do deputado federal Vieira da Cunha em 2014 para o governo do Estado. Estiveram no restaurante representantes do PDT, PSB, PRB, PSD, DEM e PPS. O deputado federal Vieira da Cunha disse aos representantes dos demais partidos que depois da última das 38 reuniões de Coordenadorias Regionais, 36 terão optado por candidatura própria, o que forçará o PDT a sair imediatamente do governo do peremptório petista Tarso Genro. Na reunião, esteve presente também o candidato trabalhista ao Senado, o jornalista Lasier Martins, já tornado comensal habitual dos maiores nomes da política gaúcha. O PDT do Rio Grande do Sul poderá desembarcar também da candidatura Dilma Roussef, apoiando o socialista Eduardo Campos, caso o partido abandone o projeto nacional do PT, como é esperado.

A ÚLTIMA DE DILMA BOLADA..... E O DESERTO DE IDÉIAS

Dilma Bolada, o alter ego descolado de Dilma Rousseff, parece que continua no comando. No Rio Grande do Sul, ela concluiu que, atrás de uma criança, há sempre um cachorro. O que pretendeu dizer com aquilo permanece um mistério, e duvido que vá ter tradução algum dia. Nesta segunda, ela esteve em Itajubá, em Minas, estado de origem de Aécio Neves, um dos pré-candidatos do PSDB à Presidência. E voltou a refletir em voz alta — e, tudo indica, sem o planejamento do marketing. Afirmou o seguinte, segundo transcreve o Estadão Online:

“Tudo o que as pessoas que estão pleiteando a Presidência da República querem é ser presidente. Eu sou presidente e não fico tratando… Para mim não é problema a eleição agora (…). Acredito que, para as pessoas que querem concorrer ao cargo, elas têm de se preparar, estudar muito, ver quais são os problemas do Brasil. Eu passo o dia inteiro fazendo o quê? Governando.”
Ai, ai…A revelação certamente mais surpreendente, se a gente se atém apenas ao sentido das palavras, é mesmo esta: “Tudo o que as pessoas que estão pleiteando a Presidência da República querem é ser presidente”. Em si, trata-se de uma tolice. Mas é preciso ir um pouquinho além. O que vai nessa tautologia ultrapassa o limite da bobagem e expõe uma cultura política autoritária. Há nisso um eco inequívoco de Lula. Desde que ele chegou ao poder, em 2003, trata a Presidência da República com uma espécie de recompensa natural, à qual o PT teria direito por ser… o PT! Sendo ele quem é no partido, mais de uma vez, tratou o cargo como se fosse mesmo matéria de justiça histórica — como se o Brasil lhe devesse essa recompensa. Lula já fez isso no passado: “Olhem, o Serra está querendo o que nos pertence… Olhe, o Alckmin está querendo o que nos pertence…”. Nesta segunda, foi a vez de Dilma. O que ela pretende caracterizar com essa fala é que todas as críticas de que possa ser alvo derivam do fato de que “há gente querendo o meu [dela] lugar”. Ora, numa democracia, é assim mesmo que funciona: as oposições se organizam para tentar conquistar o poder, que está com os adversários. Com essa fala aparentemente besta, mas metódica, o que se pretende é demonizar os críticos, que seriam, então, meros oportunistas, tentando tomar o que a ela pertence por direito. Há também a evidente desqualificação dos adversários, que não teriam estudado o Brasil o bastante e estariam, depreende-se, despreparados para governar. Aécio Neves reagiu com uma nota: “A presidente Dilma é sempre muito bem vinda a Minas, como é natural da hospitalidade mineira, mesmo não tendo, mais uma vez, trazido respostas para importantes demandas do nosso Estado que estão sob responsabilidade do governo federal. (…) Se não tivesse se afastado por tantos anos de Minas, a presidente, e não a candidata, talvez estivesse apresentando respostas a essas demandas”. Marina Silva ironizou: “Acho que ela dá um conselho muito bom porque aprender é sempre uma coisa muito boa. Difícil são aqueles que acham que já não têm mais o que aprender e só conseguem ensinar”.
Pois é… Uma resposta tem um desnecessário sotaque regional — e a disputa, não custa lembrar, é nacional. Marina também não é o melhor exemplo, e deu mostras disso de sábado retrasado para cá, de pessoa disposta a aprender. Dilma, por seu turno, está em franca campanha eleitoral faz tempo — como evidencia de modo escancarado o programa “Mais Médicos”… A sucessão já está aí, florescendo num impressionante deserto de ideias. Por Reinaldo Azevedo

ESTATAL PETROLEIRA INDIANA ONGC FECHA COMPRA DE FATIA DE 12% EM BLOCO DA PETROBRAS

A petroleira estatal indiana Oil and Natural Gas Corp (ONGC) informou que sua divisão internacional fechou acordo para comprar uma fatia adicional de 12% em um bloco de petróleo da Petrobras, na Bacia de Campos, no litoral brasileiro, por US$ 529 milhões. Recentemente, a Petrobras disse que iria vender sua fatia no bloco BC-10, também conhecido como Parque das Conchas, por US$ 1,54 bilhão para a chinesa Sinochem. As parceiras Shell e ONGC, no entanto, tinham direito contratual para prioridade na aquisição da participação da estatal brasileira. A Shell é operadora do bloco com 50% de participação, enquanto a ONGC detém fatia de 15%. As duas empresas manifestaram intenção de exercer o direito de prioridade em 17 de setembro para adquirir a participação de 35%, disse a ONGC em um comunicado às bolsas de valores da Índia nesta segunda-feira.

EX-CHEFE DE GRAÇA FOSTER ASSUMIRÁ PRESIDÊNCIA DA ESTATAL DO PRÉ-SAL

O engenheiro Oswaldo Pedrosa, ex-chefe da atual presidente da Petrobras, foi anunciado nesta segunda-feira como o presidente da Pré-sal Petróleo (PPSA), empresa estatal criada para representar a União nos consórcios que farão a exploração das áreas do pré-sal sob regime de partilha. Considerado um executivo experiente pelo setor de petróleo, com 25 anos de trabalho na Petrobras, Oswaldo Pedrosa chegou a ser chefe de Maria das Graças Foster na estatal, antes de ela assumir a presidência da empresa. Formado em engenharia de Petróleo na Bahia, fez carreira no Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), laboratório no qual a Petrobras investe em tecnologia de ponta. Aposentou-se da Petrobras para assumir a superintendência de Desenvolvimento de Produção da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Pedrosa deixou a agência reguladora e criou a Aurizônia Petróleo, empresa independente que prospecta pequenos blocos de petróleo em terra. Também defende a causa das companhias de menor porte do setor, que reivindicam mais áreas disponíveis para a produção. À frente da associação que reúne os pequenos produtores, conseguiu do governo uma emenda na lei 12.351 que prevê políticas para as chamadas empresas independentes de petróleo. "Ele é muito atuante, experiente, conhece a indústria toda, não entende só da grande, mas também das pequenas empresas, conhece a fundo exploração e produção de petróleo", afirmou Paulo Buarque, especialista do setor que trabalhou ao lado de Pedrosa na ABPIP, associação que reúne as empresas independentes de petróleo no Brasil. Atualmente, Pedrosa trabalha como executivo da petroleira HRT. O governo também escolheu o secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Marco Antonio Martins Almeida, para presidir o conselho da nova estatal. Além de Pedrosa, na presidência, a diretoria da PPSA será composta pelo diretor Técnico e de Fiscalização, Edson Yoshihito Nakagawa (ex-Petrobras e GE); pelo diretor de Gestão de Contratos, Renato Marcos Darros de Matos (também com passagem pela Petrobras) e pelo diretor de Administração, Controle e Finanças, Antonio Cláudio Pereira da Silva (ex-Petrobras e Barra Energia Petróleo e Gás).

OSX GANHARÁ MAIS 30 DIAS PARA HONRAR PAGAMENTO

O BNDES decidiu prorrogar por mais 30 dias o pagamento de cerca de R$ 550 milhões que deveria ser honrado nesta terça-feira pela OSX, empresa de construção e serviços navais de Eike Batista. Os termos do novo acordo já foram acertados entre o banco e a empresa, mas a decisão deve ser oficializada apenas nesta terça-feira, de acordo com fontes próximas às negociações. Em julho, o BNDES já havia dado mais dois meses para que a OSX quitasse o financiamento, concedido em dezembro de 2011 para as obras do estaleiro da companhia, localizado no porto do Açu. A empresa já havia informado ao banco que não teria dinheiro para realizar o pagamento e pedia prorrogação de pelo menos um ano no contrato de empréstimo. A expectativa é que uma nova rodada de negociações tenha início nos próximos dias caso a situação da empresa não mude. A OSX tenta vender plataformas para fazer frente às obrigações financeiras. O empréstimo do BNDES foi garantido pelo banco Votorantim, que também participa das conversas. A OSX tem até o fim desta semana para renegociar o pagamento devido à Caixa Econômica Federal, de cerca de R$ 400 milhões. O empréstimo vence sábado e não há dinheiro em caixa para honrá-lo.

MARINA SILVA CRITICA DILMA E DIZ: "DIFÍCIL É QUEM ACHA QUE NÃO TEM MAIS O QUE APRENDER"

A presidente Dilma Rousseff e a ex-senadora Marina Silva subiram o tom da campanha nesta segunda-feira e trocaram farpas durante todo o dia. Marina Silva rebateu a afirmação da presidente Dilma que, nesta segunda-feira, "aconselhou" seus eventuais adversários a "estudar muito". "Ela deu um conselho de professora", disse Marina Silva em entrevista no Recife. Mais cedo, em entrevista a rádios de Itajubá (MG), Dilma disse que "para as pessoas que querem concorrer ao cargo da Presidência da República, elas têm de se preparar, estudar muito, ver quais são os problemas do Brasil e apresentar propostas. Eu passo o dia inteiro fazendo o quê? Governando". "Eu acho que ela dá um conselho muito bom porque aprender é sempre uma coisa muito boa. Difícil são aqueles que acham que já não têm mais o que aprender e só conseguem ensinar", disse Marina Silva. Horas antes da declaração, Marina Silva já havia criticado Dilma ao dizer que o "retrocesso" é a marca do governo da presidente. Ao defender uma aliança de cunho programático com Campos, Marina Silva afirmou ter dito ao governador de Pernambuco que é melhor "perder ganhando" do que "ganhar perdendo". "É preferível a gente perder ganhando do que ganhar perdendo. Porque quando a gente perde ganhando, a gente sai maior do que a gente entrou. Quando a gente ganha perdendo, você vai para o governo, mas não consegue fazer aquilo que gostaria de fazer porque é sequestrado por essa velha política", disse ela no Recife. "Sobre os ombros de Eduardo há uma responsabilidade muito grande", afirmou a ex-senadora, insinuando que Eduardo Campos deverá encabeçar a eventual candidatura presidencial do PSB.

DILMA DIZ QUE INFLAÇÃO FICARÁ DENTRO DA META PELO DÉCIMO ANO CONSECUTIVO

A presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira, em Itajubá (MG), que o compromisso do governo com o rigor fiscal não se alterou e que, pelo décimo ano consecutivo, a inflação ficará dentro da meta. Dilma viajou para o município do sul de Minas Gerais com o objetivo de inaugurar a primeira fábrica de transformadores de instrumentos de alta-tensão com capital 100% brasileiro, construída pela Balteau Produtos Elétricos em parceria com a Agência Brasileira da Inovação (Finep). “Quero lembrar mais uma vez que pelo décimo ano consecutivo a inflação vai fechar o ano dentro da meta. Nosso compromisso com o rigor fiscal não se alterou como mostra o fato de termos transitado pela mais grave crise da história, desde 1920, com as nossas metas de endividamento sob rígido controle”, disse Dilma. A presidente afirmou que o País tem hoje uma das menores dívidas públicas líquidas do mundo em relação ao Produto interno Bruto (PIB) e uma reserva internacional considerável, com US$ 376 bilhões. Dilma também ressaltou a importância da política de câmbio flutuante. “Defendemos e praticamos uma política de flexibilidade cambial, o que tem nos permitido também fazer face a esse novo momento em que o mundo transita, para uma modificação das políticas monetárias, notadamente da política monetária americana”, disse a presidente, acrescentando que essa política permite dar maior estabilidade ao país. Durante a inauguração da fábrica de transformadores de corrente e de potencial – que recebeu investimentos de R$ 50 milhões e tem capacidade para produzir anualmente 50 mil peças de baixa e média tensão e 2,3 mil de alta-tensão,  Dilma disse que um dos grandes objetivos de governo é ser parceiro da indústria nacional em seu desenvolvimento e expansão.

DEPUTADOS PODEM VOTAR NESTA TERÇA-FEIRA O PROJETO QUE TORNA A CORRUPÇÃO UM CRIME HEDIONDO

A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira o Projeto de Lei (PL) 5.900 de 2013, que inclui as práticas de corrupção ativa e passiva, concussão, peculato e excesso de exação na lista dos crimes hediondos, e o Projeto de Lei Complementar (PLC) 238 de 2013, que muda o índice usado para corrigir as dívidas de municípios e Estados com a União. Já na quarta-feira, os deputados devem analisar o Projeto de Lei 6.025 de 2005, do novo Código de Processo Civil. De autoria do senador Pedro Taques (PDT-MT), o PL 5.900 também eleva as penas e torna inafiançável os crimes de corrupção ativa e passiva, concussão (obter vantagem indevida em razão da função exercida na administração pública), peculato (funcionário público que se apropria de dinheiro ou bens públicos ou particulares em razão do cargo) e excesso de exação (funcionário público que cobra indevidamente impostos ou serviços oferecidos gratuitamente pelo Estado). Com isso, os condenados deixam de ter direito a anistia, graça ou indulto (causas de extinção da punibilidade)fica mais difícil o acesso a benefícios como livramento condicional e progressão do regime de pena. O texto também altera o Código Penal para elevar as penas para esses tipos de crimes que passam a ser de 4 a 12 anos de prisão, além de pagamento de multa. A condenação poderá ser aumentada em até um terço na hipótese de “expressivo dano causado por agente político ou ocupante de cargo efetivo de carreira de Estado".

PAÍS TEM SUPERÁVIT COMERCIAL DE US$ 718 MILHÕES NA SEGUNDA SEMANA DE OUTUBRO

A balança comercial brasileira registrou superávit (exportações maiores que importações) de US$ 718 milhões na segunda semana de outubro. O saldo positivo resultou de US$ 4,86 bilhões em exportações e US$ 4,14 bilhões em importações no período. No acumulado do ano, a balança está superavitária em US$ 964 milhões. Até o fim de setembro, a balança estava negativa em US$ 1,6 bilhão. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A média diária das exportações na semana passada ficou em US$ 973,6 milhões. O número é 35,9% inferior ao registrado na primeira semana do mês, quando as vendas bateram recorde e atingiram US$ 1,5 bilhão em função da exportação de uma plataforma de petróleo. Na verdade, a plataforma não sairá do Brasil. Trata-se de um tipo de operação em que plataformas são adquiridas por subsidiárias da Petrobras no Exterior por meio do Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados à Produção e à Exploração de Petróleo e Gás (Repetro), que permite pagar menos impostos. Ou seja, a conta de comércio exterior do Brasil estão sendo engordada artificialmente, por meio de manobras contábeis. Retirando a plataforma da Petrobras, a conta de comércio externo ficaria negativa. Graças ao impacto da operação com a plataforma de petróleo uma semana antes, a comercialização de manufaturados caiu 56,4% na segunda semana de outubro. Também contribuíram para o recuo o açúcar refinado, os veículos de carga, o etanol e os motores e geradores elétricos. A venda de produtos de menor valor agregado também sofreu queda, de 19,3%, em função de minério de ferro, petróleo bruto, milho em grão e algodão.

BANCÁRIOS VOLTAM AO TRABALHO EM SÃO PAULO E MOVIMENTO É INTENSO NAS AGÊNCIAS

Após encerrarem a greve, os bancários voltaram nesta segunda-feira ao trabalho na capital paulista. Em algumas agências da Avenida Paulista, região central, o movimento foi intenso e clientes enfrentaram filas. Seguindo a orientação do Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Confederação dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf-CUT), a maioria da categoria aceitou na última sexta-feira proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), assim como acordos específicos com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Com isso, a greve foi encerrada na maior parte do País, depois de 23 dias de duração. Em assembléias nesta segunda-feira, bancários de todo o País resolveram acabar a greve iniciada em 19 de setembro. Acompanharam a decisão adotada pela maioria dos sindicatos da categoria, na última sexta-feira. A começar pelo mais representativo deles, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, que aceitou a proposta dos bancos, de reajuste salarial de 8% (1,82% acima da inflação) e aumento de 8,5% (2,29% de ganho real) no piso da categoria, além da compensação escalonada dos dias parados. Os bancários do Distrito Federal, de Porto Alegre e Florianópolis, dentre outros, só fizeram as assembleias no fim da tarde e início da noite e acompanharam a recomendação do comando nacional de greve, no sentido de aceitarem a proposta da Federação Nacional dos Bancários (Fenaban) e terminar a paralisação. A greve durou 22 dias para alguns sindicatos, que fizeram assembleias no dia 11, na parte da manhã, e voltaram ao trabalho no mesmo dia, principalmente no interior dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Não foi uma longa greve, foi um longo lockout.

PAULO BERNARDO DIZ QUE GOVERNO TERÁ CUIDADO PARA EVITAR INTERFERÊNCIA DA 4G NO SINAL DAS TVs

O Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse nesta segunda-feira concordar com a preocupação da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) sobre a destinação da faixa de 700 mega-hertz (MHz). A entidade argumenta que o uso da faixa para os serviços de internet móvel de quarta geração (4G) poderá causar interferência no sinal de algumas emissoras de TV. “Claro que não pode haver interferência no sinal das TVs. Nesse ponto, é uma pressão que a Abert faz, com a qual nós concordamos. Não pode ter interferência porque isso viraria um aspecto muito negativo desse processo”, declarou o ministro. “Vamos ter todos esses cuidados. Mas a idéia é manter o calendário e o leilão no ano que vem”, completou. Atualmente, a faixa de 700 MHz é usada por emissoras privadas e públicas da TV aberta (canais 52 a 69). Elas deverão desocupar o espectro, digitalizando seus sinais, para que ele seja licitado e destinado à internet móvel com tecnologia 4G. Segundo Paulo Bernardo, o leilão da faixa será feito no primeiro semestre de 2014.

LIMINAR IMPEDE DESTRUIÇÃO DE FORNOS ILEGAIS DE CARVÃO NA REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO

Uma liminar da Justiça fluminense impediu hoje (14) que 23 fornos ilegais para a fabricação de carvão fossem destruídos. Os fornos foram localizados durante uma operação da Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca), na região serrana. A operação foi montada para embargar, multar e demolir os fornos ilegais de carvão construídos nas proximidades do Parque Estadual dos Três Picos, no município de Duas Barras. De acordo com a Secretaria de Estado do Ambiente, a atividade é considerada potencialmente poluidora e a madeira que abastece os fornos é da Mata Atlântica. A produção ilegal de carvão vegetal é altamente danosa ao meio ambiente, pois provoca a destruição de espécies de mata nativa. Os agentes da Cicca e policias militares do Comando de Polícia Ambiental (Cpam) não puderam dinamitar os fornos porque o prietário da área, Armando Pinto Nogueira, apresentou, por intermédio do seu advogado, uma liminar concedida pela juíza Maria do Carmo Alvim Padilha Gerk, da Comarca de Duas Barras, impedindo a demolição dos fornos. De acordo com o secretário do Ambiente, Carlos Minc, o empreendimento estava funcionando sem licença e, mesmo com a decisão da juíza, a Sea vai tentar cassar a liminar. "A liminar era para não destruir os fornos, então o empreendimento foi embargado, ele não pode fazer carvão. Foi multado porque estava funcionando sem licença e nós vamos tentar quebrar a liminar, porque a gente sabia que eles usavam uma parte de eucalípto plantado, o que pode, mas para a produção que ele tinha de carvão, era muito acima do fornecimento de eucalípto plantado. Então ele fazia o que muitos fazem: um mix de uma parte legal e uma parte ilegal", explicou Minc.

PESQUISA DESCOBRE QUE ELEFANTES SÃO CAPAZES DE ESTENDER O GESTO HUMANO DE APONTAR COM AS MÃOS

Desde muito cedo, os seres humanos aprendem o gesto de apontar, como uma forma de direcionar a atenção das pessoas a um ponto específico. Um novo estudo mostrou que essa habilidade está presente também nos elefantes, que podem utilizá-la como uma pista para encontrar comida, sem precisar de treinamento. Segundo os pesquisadores, muitos primatas, como chimpanzés e gorilas, não conseguem entender o mesmo gesto. “Mostrando que um elefante-africano entende espontaneamente um humano apontando, sem nenhum treinamento, nós mostramos que a habilidade de compreender isso não é apenas humana, mas também evoluiu em uma linhagem animal muito distante dos primatas”, afirma Richard Byrne, pesquisador da Universidade de Universidade de St Andrews, na Escócia, e coautor do estudo, publicado na última quinta-feira, no periódico Current Biology. Segundo Byrne, os elefantes compartilham com os humanos o fato de viverem em uma rede complexa, na qual apoio, empatia e ajuda são essenciais para a sobrevivência. “Pode ser que só nesse tipo de sociedade a habilidade de entender o ato de apontar tenha valor adaptativo, ou a sociedade de elefantes pode ter selecionado a habilidade de entender quando os outros estão tentando se comunicar com eles”, afirma o pesquisador. O estudo foi realizado com 11 elefantes-africanos que “trabalhavam” levando nas costas pessoas em passeios turísticos, na região das Cataratas Vitória, no sul da África. Eles eram treinados para seguir alguns comandos vocais, mas não para o ato de apontar. Durante o estudo, os elefantes mais acostumados com humanos, ou aqueles nascidos em cativeiro, não se saíram melhor em seguir a direção indicada do que os menos habituados ou nascidos na natureza. Todos conseguiram seguir o gesto para encontrar comida escondida. Para os pesquisadores, é possível que os elefantes tenham entre si algum gesto parecido com o de apontar como uma forma de comunicação, usando a tromba.

PROMOTOR DE JUSTIÇA É EXECUTADO COM 20 TIROS EM PERNAMBUCO

O promotor Thiago de Farias Godoy foi assassinado com cerca de 20 tiros, na manhã desta segunda-feira, em Itaíba, no Agreste Pernambucano. O crime aconteceu na Rodovia PE-300, quando Godoy se dirigia para o trabalho. De acordo com a polícia, o carro do promotor foi seguido por outro e, depois do primeiro disparo, teria sido bloqueado. O promotor foi, então, executado. A noiva da vítima estava dentro do automóvel, mas escapou ilesa. O que faltava para o Brasil se tornar igual a uma Colômbia já não falta mais, todo mundo está ao alcance dos atentados praticados por crimonosos comuns, do tráfico de drogas e de armas, e por jagunços de políticos.

CVM VAI ORIENTAR INVESTIDORES SOBRE FATOS RELEVANTES EM REDES SOCIAIS

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deve divulgar uma orientação sobre o uso de redes sociais pelas companhias de capital aberto, conforme disse nesta segunda-feira o presidente da autarquia, Leonardo Pereira. As orientações devem sair junto com a revisão da instrução 358, que fala sobre a divulgação de fatos relevantes. "Colocamos como sugestão para o mercado que a internet, além do que já existe, também possa ser considerada no processo de divulgação", disse. Pereira destacou que o tema redes sociais já era algo que estava na pauta desde que ele assumiu a presidência da CVM, por causa das rápidas mudanças tecnológicas, e que agora o órgão regulador está ouvindo opiniões sobre o assunto: "Colocamos em audiência pública a instrução 358, fizemos uma discussão sobre ela e estamos ouvindo as recomendações e sugestões". Segundo Pereira, é preciso cautela quando se trata de redes sociais, visto que "elas evoluem muito rápido", mas garante que a CVM tem acompanhado essas mudanças. "As informações hoje estão muito livres, num processo totalmente diferente do que era há cinco anos. Como regulador, temos de acompanhar", disse, acrescentando que a instrução 480, que trata da questão da qualidade e da quantidade das informações também será revisada. Sobre a possibilidade de a CVM regular melhor a quantidade de ordens de compra e venda de ações, o presidente da autarquia destacou que o que está sendo discutido é a revisão da instrução 89, que fala sobre a estrutura de mercado como um todo.

BRASIL AINDA NÃO FOI NOTIFICADO SOBRE OPERAÇÃO TELEFONICA-TELECOM ITALIA

O governo ainda não foi oficialmente comunicado sobre a operação de aumento de participação da espanhola Telefónica na Telecom Italia, disse nesta segunda-feira o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. O grupo Telefónica, que controla a Telefonica Brasil, dona da Vivo, está aumentando sua participação na Telecom Italia, dona da TIM Participações. Segundo o ministro, o governo vai aguardar esta notificação para analisar o impacto da operação no Brasil - que poderia, em tese, juntar a TIM Participações e a Vivo sob o mesmo controle. "Estamos esperando o comunicado oficial. Temos as informações extraoficiais do assunto, mas até agora não temos nenhum comunicado oficial para o governo. A partir do momento que chegar essa notificação, vamos estudar quais são as alternativas", disse Bernardo. O ministro disse ainda que o governo foi comunicado previamente sobre outra operação societária no setor, a fusão da Oi com a Portugal Telecom. "Fomos informados, e o governo não estabeleceu nenhum obstáculo, vamos aguardar como isso vai se desdobrar", disse.

CVC PROTOCOLA NA CVM PEDIDO PARA A REALIZAÇÃO DE IPO

A CVC Brasil Operadora e Agência de Viagens protocolou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o pedido para realização de oferta pública de ações (IPO). De acordo com o prospecto inicial, o esboço do plano de abertura de capital, a realização da oferta foi aprovada em Assembléia Geral Extraordinária no dia 9 de outubro. Essa será a segunda tentativa da operadora de turismo de abrir o seu capital. A CVC iniciou em agosto de 2011 seu processo de IPO, mas por conta das "condições do mercado", suspendeu a oferta em fevereiro do ano passado. A operação será liderada pelo Itaú BBA, com participações ainda de Morgan Stanley, Bank of America Merrill Lynch, JPMorgan e BTG Pactual. Os acionistas vendedores, ainda segundo o documento, são os Fundos de Investimentos BTC e GJP. O prospecto informou que o capital social da CVC é, no momento, de 87.728.124,23 de reais, representado por 43.527 ações ordinárias. Segundo o documento, o capital poderá ser aumentado até o limite de 5 bilhões de reais. O Conselho de Administração fixará o "preço de emissão, a quantidade de ações ordinárias a serem emitidas e as demais condições de subscrição e integralização das ações dentro do capital autorizado". O preço por ação será fixado após a conclusão do procedimento de coleta de intenções (bookbuilding). No exercício encerrado em 31 de dezembro do ano passado, a receita líquida da empresa foi de 623,4 milhões de reais.

TERRORISTA DA LISTA DOS MAIS PROCURADOS SERÁ JULGADO NOS ESTADOS UNIDOS

O terrorista Abu Anas al-Liby, apontado como participante dos atentados simultâneos contra as embaixadas americanas em Dar es Salaam, na Tanzânia, e Nairóbi, no Quênia, em 1998, será julgado nos Estados Unidos. Integrante da lista dos terroristas mais procurados do FBI, ele foi capturado por soldados americanos em uma operação em Trípoli, capital da Líbia, no último dia 5. Ele é ligado ao comando da rede Al Qaeda. O terrorista, que ficou sob custódia militar durante mais de uma semana, deverá comparecer a um tribunal em Nova York nesta terça-feira. Não se sabe se ele colaborou com os investigadores ao ser interrogado a bordo de um navio, enquanto era levado aos Estados Unidos, ou se passou alguma informação importante para as autoridades americanas. A acusação contra al-Liby e outros acusados de envolvimento nos atentados que deixaram 224 mortos foi apresentada em 2001. Um grupo de homens armados manteve o primeiro-ministro líbio Ali Zidan refém durante algumas horas na última quinta-feira e alegou que a ação foi uma resposta ao papel do governo na captura de al-Liby. O secretário de Estado americano, John Kerry, defendeu a operação do dia 5 e classificou al-Liby como um “alvo apropriado”. A Líbia pediu explicações aos EUA sobre a ação em Trípoli.

ROBERTO JEFFERSON É O PRIMEIRO A RECORRER EM NOVA FASE DO MENSALÃO DO PT E PEDE PERDÃO JUDICIAL

O presidente licenciado do PTB, Roberto Jefferson, entrou nesta segunda-feira com recurso no Supremo Tribunal Federal para pedir perdão judicial no processo do Mensalão do PT. No julgamento dos primeiros recursos, em setembro, a pena de Roberto Jefferson foi mantida em sete anos e 14 dias de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, além de multa de R$ 720 mil. O réu é o primeiro a apresentar os segundos embargos de declaração, próxima fase de recursos. Roberto Jefferson foi quem denunciou o esquema de pagamento a parlamentares. Durante a investigação do Ministério Público, o então presidente em exercício do PTB confirmou ter recebido R$ 4 milhões e distribuído entre os deputados do partido. Na petição, a defesa alega que a pena do presidente licenciado deve ser reduzida, porque ele colaborou com as investigações. “Revela-se patente o quão essencial para o descobrimento dos fatos investigados foi a colaboração que, repita-se, foi caracterizada pelo próprio acórdão como fundamental. Sem suas reveladoras declarações, fato é que nunca seria instaurada a presente ação penal e os fatos ora apurados nunca teriam vindo a público”, argumentou a defesa. Se o perdão não for concedido, a defesa pede que a pena seja reduzida em dois terços ou substituída por prisão domiciliar, devido ao estado de saúde de Roberto Jefferson. Em agosto, o réu passou por uma cirurgia para a retirada de um tumor no pâncreas. “Requer-se ao menos, tendo em visto ao gravíssimo estado de saúde em ele se encontra que, por uma questão legal e, acima de tudo, humanitária, seja substituída por sanções restritivas de direito, sob pena de, no seu caso, a eventual execução da pena corporal em um estabelecimento prisional transformar-se em verdadeira pena de morte”, alegou a defesa. O prazo para que os 13 réus apresentem os segundos embargos de declaração, recursos para corrigir omissões ou contradições no acórdão termina nesta terça-feira. Já 12 réus que têm direito aos embargos infringentes, outro tipo de recurso que prevê a revisão das penas, podem apresentá-los até 11 de novembro. A segunda fase de análise dos recursos ainda não tem data para começar.

DESTRUIÇÃO NA ARENA CASTELÃO CAUSA PREJUÍZO DE R$ 50.000,00

A revolta de torcedores do Ceará e do Fortaleza com os empates dos dois times em jogos no fim de semana, provocando destruição na Arena Castelão, resultaram em um prejuízo calculado em 50.000 reais. Foram quebradas 116 cadeiras, 52 gradis de proteção, sete peças de porta papel higiênico, um de porta quiosque, uma de porta sabonete e uma de porta toalha do estádio, um dos 12 que receberão jogos da Copa do Mundo de 2014. O secretário especial da Copa de 2014, Ferruccio Feitosa, desmentiu informação da polícia, que tinha calculado 3.000 cadeiras quebradas pela torcida do Fortaleza no Castelão, no domingo. "Não cabe à polícia fazer este tipo de levantamento", afirmou Feitosa. De acordo com ele, foram quebradas 82 cadeiras no empate em 2 a 2 entre o Fortaleza e o Sampaio Corrêa, resultado que eliminou o time cearense ainda na primeira fase da Série C. Os estragos causados pela torcida foram orçados de 35.000 a 40.000 reais. "Vamos cobrar do Fortaleza este montante", disse o presidente da Arena Castelão, Sílvio Andrade. No empate entre Ceará e Paraná, por 1 a 1, no sábado, também na Arena Castelão, pela 29ª rodada da Série B, que impediu o time cearense de entrar no G4, foram quebradas 34 cadeiras do estádio. A diretoria do clube já pagou o prejuízo de 10.250 reais. "Trabalhamos para não termos atos de vandalismo, mas aconteceu", disse Feitoso. De acordo com ele, o estrago seria pior, não fosse o sistema de vigilância. "As 240 câmeras de monitoramento acabaram inibindo. Se não tivéssemos uma vigilância tão agressiva, certamente teríamos problemas maiores, a exemplo do que aconteceu no ano passado na eliminação do Fortaleza contra o Oeste, de Itápolis, quando o Estádio Presidente Vargas virou um campo de guerra".

POLÍCIA MILITAR DO RIO DE JANEIRO TERÁ DE APRENDER A LEVAR DESAFORO PARA CASA

Criado mais por necessidade do que por planejamento, o recém-formado Batalhão de Grandes Eventos da Polícia Militar do Rio ocupa, no Estácio, o local que já pertenceu ao 1º BPM. Tudo é novo para os 400 militares recrutados para compor a nova tropa – escolhidos  principalmente pelo perfil psicológico –, como é novidade para o Brasil o fato de, a qualquer momento, eclodir em frente a um prédio público ou numa avenida de movimento um bloco de manifestantes, muitos deles mascarados. Os PMs estão, no momento, dedicados a uma lição inusitada: aprender a “levar desaforo para casa”, aceitar provocações e, principalmente, não reagir de forma impulsiva às intimidações que, como se vê, são inevitáveis em uma manifestação de rua, com ânimos exaltados. “As provocações são armadilhas. Durante os protestos, os PMs são insultados, ofendidos. Na semana passada, um manifestante cuspiu em um policial. Não podemos cair nesse jogo. Nosso policial terá treinamento para ter tolerância”, resume o coronel Wagner Villares Oliveira, escolhido para comandar a nova unidade. O problema é que, com uma agenda intensa e quase imprevisível de protestos, o treinamento acontece simultaneamente a operações diárias, como a da última segunda-feira, quando cerca de cem black blocs depredaram agências bancárias, atearam fogo em um ônibus e tentaram incendiar a Câmara de Vereadores, na Cinelândia. O grupo Black Bloc, obviamente, é o maior desafio para Villares e seus 400 escolhidos. “Os mascarados não têm uma proposta. Querem quebrar, destruir, causar pânico. São covardes e se misturam a pessoas que estão exercendo um direito democrático, de forma pacífica”, analisa o coronel. Fazer o policial entender que deve manter o autocontrole, apesar de do outro lado haver covardia e provocação – inclusive com bombas caseiras, morteiros e muitas pedras – é um processo que não será obtido do dia para a noite. Em Berlim, na Alemanha, a formação de um batalhão reconhecido por ser preciso e eficiente na contenção de manifestações foi algo que durou quase quatro décadas. No Rio, estão desde já recrutados para o trabalho os psicólogos da PM, com profissionais também de fora da corporação. Os policiais do Batalhão de Grandes Eventos não são exatamente crus. A maior parte deles veio do Grupamento de Policiamento de Proximidade de Multidões, também criado às pressas a partir de junho e diferenciado dos demais policiais pelo uso de letras e números grandes destacados na farda. Os “alfanuméricos”, como ficaram conhecidos, obtiveram sucesso em suas primeiras missões. Além da identificação visível à distância, o grupo, formado por iniciativa do coronel Robson Rodrigues da Silva e de outros oficiais, então subcomandante e chefe do Estado Maior Administrativo da PM, operava de forma diferente. Em vez de formar uma linha, uma barreira ou bloqueios de rua, os PMs atuavam entre os manifestantes, conversando e tentando convencer a massa a tomar este ou aquele rumo, evitando assim os confrontos. Deu certo – pelo menos por um tempo, enquanto era possível separar com mais clareza os black blocs dos manifestantes pacíficos. A divisão e a diferença de propósitos das reuniões na rua ainda existem, mas os mascarados passaram a operar de maneira diferente, como explica Villares. “Nossa ação tem que ser cirúrgica porque os radicais se misturam aos manifestantes quando o ato já está acontecendo. No início dos protestos, eles chegavam durante a concentração. Agora, não sabemos quando vão aparecer, e geralmente usam os demais manifestantes como barreira”, diz o oficial. Cada policial do novo batalhão tem, sobre os ombros, além da responsabilidade sobre a segurança dos manifestantes, da população que não tem relação com o protesto e do patrimônio, o peso da imagem da corporação. O outro elemento novo desse processo – as câmeras espalhadas por toda parte – fazem com que cada erro da PM seja reproduzido e propagado na internet como um equívoco, ou mesmo um crime, de toda a tropa. O efeito danoso de imagens como a de um policial com o cassetete quebrado, debochando dos grevistas – um PM postou a foto no Facebook com a frase “foi mal, ‘fessor’” – é imenso, e atiça a revolta. Os vídeos feitos durante as manifestações são um material de trabalho importante para o novo batalhão. Ali estão registrados os erros da PM, as ameaças por parte dos grupos de vândalos e, claro, os momentos em que a ameaça partiu de um agente do estado. Mesmo os policiais selecionados para o novo batalhão já foram flagrados cometendo erros grosseiros: em um vídeo divulgado na internet, um policial do batalhão alfanumérico arremessa o celular de um manifestante, em um momento de claro descontrole. Como se vê, o caminho até uma polícia preparada para aceitar provocações é longo.

AINDA SOBRE ESQUERDA E DIREITA = ESQUERDISMO É IDEOLOGIA, SIM. NO MAIS DAS VEZES, AQUILO A QUE SE CHAMA "DIREITA" É SÓ BOM SENSO APLICADO

Vamos falar mais um pouquinho sobre direita e esquerda. Nesta manhã, escrevi um post sobre a pesquisa Datafolha. A versão online do jornal publicou as perguntas que permitiram fazer a classificação que vai da esquerda à direita. Vejam. Volto em seguida (se preciso, clique na imagem para ampliá-la e facilitar a leitura).

pergunrtas direita e esquerda
Retomo
Há, já observei, o risco — nesse questionário e em qualquer outro que busque quantificar a população segundo a ideologia — o risco de se confundirem as pessoas generosas com a esquerda, e as mais, digamos assim, severas com a direita. Huuummm… Há uma possibilidade, nesta vereda que abro, de haver um pouco mais de “conservadores” — de direitistas — no Brasil do que aponta a pesquisa. Por quê?
Peguemos as afirmações sobre a posse de armas:
Este seria o primado da esquerda:
Devem ser proibida, pois ameaça a vida de outras pessoas.
Este seria o primado da direita?:
Arma legalizada deve ser um direito do cidadão para se defender
Notem: a arma, qualquer que seja o contexto e o pretexto, efetivamente ameaça a vida de outras pessoas. Esta condição é imanente ao objeto. A rigor, ela existe para isso mesmo. Tendo a achar que essa obviedade deita sua sombra sobre a questão, e a pessoa que responde a questão acaba expressando mais o seu bom sentimento e o seu cuidado do que a suja opinião. Vamos a um exercício? E se a definição da direita fosse esta?
“Arma legalizada deve ser um direito do cidadão; o que é preciso é proibir a arma ilegal”.
Penso que o resultado seria outro. Aliás, o resultado já foi outro. E quem tomou a decisão foi o eleitorado brasileiro. Em 2005, realizou-se o referendo das armas, lembram-se? O que se perguntava? Literalmente:
“O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”.
A campanha começou, e o “Sim” era acachapante. Nunca antes tantas celebridades e tantos decolados se reuniram e favor de uma causa. Bastou ao “não” lembrar que a proibição, por óbvio, acabaria retirando a arma das mãos dos não-bandidos, já que o bandido, por definição, não se preocupa com a legalidade da arma. Diante dessa evidência e dada a incompetência do Estado para impedir a POSSE ILEGAL DE ARMAS, o “não” virou o placar espetacularmente. Saldo final: 59.109.265 rejeitaram a proposta (63,94%), contra 33.333.045 (36,06%) que a aprovaram.
A questão da proibição de armas, portanto, quando aplicada à realidade, quando vista nas suas consequências práticas, empurrou a maioria — quase dois terços — para o que seria uma posição “de direita”. Se é de direita ou não, é preciso ver. Uma coisa é certa: era apenas matéria de bom senso. Ou desarmar os não-bandidos altera a condição dos bandidos?
Tome-se um outro tema espinhoso, como o da migração. A resposta obviamente simpática, “humanista”, é a de que ela contribui para o desenvolvimento e a cultura. Perguntem, no entanto, aos moradores de Brasiléia, no Acre, que sofre uma verdadeira invasão de haitianos em situação ilegal, para ver qual é a opinião. Aposto que a esmagadora maioria dirá que “pobres que migram acabam criando problemas para as cidades”. Isso nada tem a ver com xenofobia, racismo ou discriminação de qualquer natureza. Trata-se apenas de um fato.
O mundo como fato e o mundo como ideia
Chama-se, muitas vezes, de “pensamento de direita” ou “pensamento conservador” o que é nada além de bom senso. Nesse sentido, ideologia, esta sim, é a engenharia social a que se dedicam as esquerdas, ao tentar impor um ponto de vista ancorado em convicções e crenças que insistem em desafiar a realidade. Uma questão, para mim, é emblemática: a criminalidade
Viés de esquerda:
“A maior causa é a falta de oportunidades iguais para todos (36%)”
Viés de direita
“A maior causa é a maldade das pessoas (61%)”
Não gosto da palavra “maldade”. Ela me parece reducionista em excesso. E se as respectivas formulações fossem estas?
Viés de esquerda
“A pessoa não pratica crime porque quer, mas porque não teve melhores oportunidades”
Viés de direita
“Praticar crime é uma escolha; mesmo com uma vida difícil, o certo é se esforçar para vencer na vida”.
Corto a mão — a direita, que é a melhor — se a alternativa “de direita” não chegar a uns 90%. Notem, no entanto, que a opinião “de direita”, mesmo na formulação dada, é amplamente majoritária. A razão é simples, gente! O salário médio pago no Brasil é inferior a R$ 1.800. O pago a universitários (só 17% da mão-de-obra) é de R$ 4.135,06. O dos não-universitários (82,9%) é de R$ 1.294,70. Este pode ser um país rico, mas composto de uma esmagadora maioria de pobres. Onde mora o sujeito que recebe menos de R$ 1.300 por mês? Os esquerdistas do complexo PUCUSP podem não saber — a maioria só conhece pobre de ouvir falar —, mas esse trabalhador sabe que a delinquência é uma escolha, EM QUALQUER CLASSE SOCIAL, não uma necessidade. E sabe porque ELE PRÓPRIO DECIDIU SER DECENTE, APESAR DAS DIFICULDADES.
Estou sustentando que a afirmação de que a pobreza induz a criminalidade é, ela sim, ideologia — uma construção artificial que busca, num primeiro momento, explicar a realidade, tentando, em seguida, substituí-la. Já a afirmação de que é criminoso quem quer, quem decide ser (não se trata de  “maldade”), não é um artifício para explicar o mundo: é um dado da experiência.
“O Reinaldo está afirmando que ser direitista não é ideologia, que isso é uma tendência normal das pessoas, e que que ideologia mesmo é só a esquerda?” Não! Se o Reinaldo quisesse afirmar isso, ele afirmaria isso — ainda que o mundo gritasse o contrário. Estou afirmando, sim, que há uma tendência para demonizar como “coisa de direita” — o que é tomado como sinônimo de anti-humanismo — certas evidências dadas pela experiência.
Encerro com a questão sobre drogas. As esquerdas — no Brasil ao menos — tendem a afirmar que as drogas devem ser liberadas porque, como se lê no questionário, é o usuário que arca com as consequências (George Soros também acha isso…). Ora, basta circular no centro das grandes cidades para saber que a conta é paga por toda a sociedade — e é uma conta crescente, à medida que cresce o discurso da medicalização do problema, com essa mesma sociedade sendo chamada a arcar com os custos das “opções” feitas pelos “usuários” que se tornaram “doentes”.
Se a ideologia ainda é uma espécie de jogo de ocultamento, em que um pensamento, orientado por algum ente de razão — partido, por exemplo —, tenta se sobrepor à evidência dos fatos, então as opiniões da esquerda, com raras exceções, é que merecem essa denominação. Aquelas que são atribuídas “à direita”, na maioria das vezes, são apenas matéria de bom senso. Não fosse assim — e por exemplo, a criminalidade fosse uma consequência das carências sociais —, o Brasil não teria 50 mil homicídios por ano, mas 200 mil. Nos últimos anos, a Região Nordeste cresceu a taxas superiores às do resto do Brasil. Relativamente, ficou menos pobre. E a violência cresceu estupidamente. A afirmação de que a carência induz a violência é ideologia. A constatação de que isso é falso está no mundo dos fatos. Por Reinaldo Azevedo

OS DESPROPÓSITOS DE JOAQUIM BARBOSA: ELE ADMITE PRETENSÕES ELEITORAIS E ATACA SISTEMA POLÍTICO. ESTÁ TUDO FORAM DO LUGAR!

Não fosse um absurdo em essência, seria o caso de recomendar ao ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo e relator da, como é mesmo?, “Ação Penal 470” que não desse mole a mensaleiros. Como, no entanto, ele errou no mais, o menos vem de troco. Explico-me. Na sua intervenção no congresso promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), na PUC-Rio, ele confirmou que tem, sim, pretensões políticas, mas não para já. Durante um bom tempo, muita gente especulou — especialmente os que o acusavam de perseguir os pobres réus do mensalão — de atuar movido por intenções políticas. Chegou a ser apontado como pré-candidato, e seu nome foi testado por todos os institutos de pesquisa. Em 2014, Joaquim Barbosa já não pode fazer mais nada. Ainda que quisesse, perdeu os prazos. Mas e no futuro? Pois é… Reproduzo trecho da reportagem da VEJA.com:

Pela primeira vez, o presidente do STF disse que refletirá sobre a possibilidade de entrar para a política após deixar a Corte. Barbosa também afirmou que tem intenção de se afastar do Tribunal antes dos 70 anos, quando se aposentaria compulsoriamente. O ministro tem 59 anos. ‘Refletirei sobre isso (ingressar na política), mas só depois de deixar o Supremo. Acho difícil ficar na Corte até os 70 anos. No momento, não tenho nenhuma intenção de me lançar candidato. No futuro, a médio prazo, terei tempo para pensar’, disse. Quando perguntado sobre onde estará em 2018, o ministro respondeu em tom de brincadeira: ‘Na praia’, dando uma pista da data em pretende deixar o STF.
Retomo
Não da! Alguém imagina um membro da Suprema Corte dos EUA a especular sobre a própria candidatura? Ou da Alemanha? Ou da França? Ou aqui pertinho, do Chile? Isso é coisa típica, lamento constatar, de republiqueta, em que as autoridades não se dão conta do papel de que estão investidas e não prestam atenção ao peso que têm suas respectivas funções. Ora, a partir de agora, confessada a pretensão, é justo que os que não gostam (e até os que gostam) da atuação de Joaquim Barbosa a vejam segundo o horizonte que admitiu para si mesmo. Ainda que alimentasse (alimente) pretensões políticas, é um despropósito que as revele. “Ah, isso é mais honesto!” Não! Isso é apenas imprudente. Vai contribuir para lançar sombras de suspeição sobre suas decisões, seja essa desconfiança justa ou injusta. Foi mais longe, informa a VEJA.com. Mais uma vez, fora dos autos, como livre pensador, o que ele não é, deu-se a inconveniências. Reproduzo (em vermelho):
Em sua participação no debate da Abraji, Joaquim Barbosa criticou o sistema político brasileiro e até aos candidatos à presidência da República. “O quadro político partidário não me agrada nem um pouco”, disse, respondendo se via algum candidato com simpatia. O ministro também afirmou que política e o judiciário brasileiros. No “pequeno catálogo dos problemas da política”, segundo ele, estão o voto obrigatório, a impossibilidade de candidatura avulsa, o “assombroso” número de partidos políticos, a “mercantilização” das legendas e “o coronelismo e mandonismo” na estrutura interna de certos partidos políticos. “O povo tem sido ignorado e colocado à parte das decisões políticas no país”, avaliou.
Volto
Não é a fala de um juiz. É a fala de um político. Não é a fala de um presidente do Supremo. É a fala de um politico. Não é fala do chefe máximo de um Poder que tem também as características de Poder Moderador. É a fala de um político. E, agora, não é um mensaleiro que está a dizê-lo, mas um jornalista que acha que aquela turma tem de ir para a cadeia: é em outro prédio que se fala assim, não no Palácio da Justiça. Nem me estendo sobre o mérito  das decisões de Barbosa no caso do mensalão — eu acho que ele teve uma boa atuação, mas isso, reitero, não está em pauta. Foi ele quem decidiu investir na confusão nesta segunda. Não gosto quando lideranças políticas fazem essas avaliações genérico-apocalípticas, na base do “nada funciona”, “tudo é mesmo uma porcaria”, “olhem que lástima”… Essas coisas tem o inegável sabor da demagogia barata. Como se diz em Dois Córregos, “nem diminói nem contribói”. Esse tipo de intervenção só serve para colocar sob suspeição sua própria atuação. Não é o primeiro a fazê-lo. Luiz Roberto Barroso também já se entregou a essas especulações. Como esquecer aquele 28 de agosto em que negou provimento a um embargo de declaração impetrado pela defesa de José Genoino com uma crítica demolidora ao sistema político, relevando, no entanto, as qualidades morais e a biografia do condenado? O Regimento Interno do Supremo deveria ser acrescido de um suplemento sobre decoro e boas maneiras. Quando ministros do Supremo começam a se comportar como políticos, os políticos se assanham e começam a querer se comportar como juízes, e tudo fica fora do lugar. Por Reinaldo Azevedo

VEJA O TAMANHO DOS DÉFICITS (DÍVIDAS) DO GOVERNO GAÚCHO E DA PREFEITURA DE PORTO ALEGRE, E SAIBA PORQUE METRÔ É LOROTA

O economista Darcy Carvalho dos Santos alerta para o tamanho das dívidas do governo do Estado do Rio Grande do Sul e da prefeitura de Porto Alegre, e diz que essa é a razão pela qual a promessa de construção do metrô da capital gaúcha não passa de uma enorme lorota para enganar trouxas e arrebanhar votos nas eleições do próximo ano, para os petistas Dilma Rousseff e Tarso Genro. Segundo Darcy Carvalho dos Santos, o governo do Estado e a prefeitura de Porto Alegre não têm o dinheiro necessário, e nem terão esse dinheiro. E explica: "A prefeitura até tem margem de endividamento, ao contrário do governo estadual, mas nenhum dos dois possui superávit primário para pagar empréstimos. A Lei de Responsabilidade exige um e outro para pegar financiamento". Mas, apesar de ter alguma margem para assumir novos endividamentos, a situação financeira da prefeitura de Porto Alegre no governo de José Fortunati é um pavor. Diz Darcey Carvalho dos Santos: "Este ano a situação financeira é delicadíssima, assustadora. A prefeitura possui receita e despesas previstas para este ano que remetem a um déficit de R$ 538 milhões. A previsão do prefeito Fortunati é de investir este ano algo como R$ 1,5 bilhão, mas empenhou até agora apenas 31%". Ele alerta ainda que esse é um nível excessivo de investimento para a prefeitura de Porto Alegre: "Desde 1999, apenas em 2010 o governo estadual investiu mais do que o total que quer fazer apenas neste ano a prefeitura da capital gaúcha. A média anual de investimento estadual é de R$ 790 milhões. E ainda assim opera em permanente déficit primário. Este ano, serão R$ 2,5 bilhões, mais igual valor no ano que vem e na média anual de R$ 3,5 bilhões até 2018. Ora, déficit primário é dívida. O governo precisaria de superávit primário para pagar a dívida, mas opera com déficit". Resumindo e concluindo: ninguém terá dinheiro para construção de metrô, é tudo mera lorota eleitoral, assim como quatro meses atrás a segunda ponte do Guaíba foi também uma grande lorota para enganar os gaúchos.

ACABOU A GREVE DOS BANCÁRIOS, INCLUSIVE EM PORTO ALEGRE

Acabou a greve dos bancários em  Porto Alegre. A partir desta terça-feira, a ordem do Sindicato do Bancários de Porto Alegre (SindBancários) é que os funcionários voltem ao trabalho nas agências de bancos privados, na Caixa Econômica Federal e no Banco do Brasil. A exceção fica por conta do Banrisul, cuja paralisação de empregados segue por tempo indeterminado. Em todo o País e em todo o Rio Grande do Sul a greve também acabou, depois de 25 dias de paralisação. Na verdade, não foi propriamente uma greve, mas um lockout, que interessou muito aos banqueiros. Quanto à permanência da greve no Banrisul, é praticamente de mentirinha, porque a grande maioria de suas agências está em pleno funcionamento, a começar pela agência central.

PREFEITO PETISTA DE LAJEADO TIRA SARRO DA CARA DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO RIO GRANDE DO SUL, E FICA TUDO POR ISSO MESMO

O prefeito petista de Lajeado, o ex-deputado estadual Luiz Fernando Schmidt está tirando o maior sarro da cara do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, e fica tudo por isso. E fica assim porque o Ministério Público nunca teve o peito de pedir a prisão de prefeito que fica simulando situação de emergência no serviço de coleta de lixo para renovar contrato emergencial, sem licitação, com a empresa de sua preferência. Foi o que aconteceu nesta segunda-feira. O prefeito petista Luiz Fernando Schmidt tinha sido intimado pelo Ministério Público a realizar licitação no prazo de 30 dias. Não teve dúvida. Realizou a licitação, mas imediatamente "cancelou" o contrato com a empresa vencedora, a Urbanizadora Lenan, utilizando discrepâncias do edital, do projeto básico e da minuta de contrato da licitação. É sempre o mesmo truque. Os prefeitos lançam um edital cheio de dubiedades para que este seja derrubado na Justiça, ou para que possam anular resultados e alcançar justamente aquele que desejam. Na sexta-feira, sem contrato, e com exigências descabidas, a Urbanizadora Lenan se recusou a iniciar o trabalho. Resultado: a cidade ficou cheia de sacolas de lixo pelas calçadas. No sábado e domingo o volume de lixo foi se acumulando. Populares irritados foram depositar sacolas de lixo na portaria da prefeitura. Na manhã desta segunda-feira, finalmente o prefeito petista Luiz Fernando Schmidt tinha o que estava querendo: um "estado de emergência", devidamente fabricado. E esse foi o motivo suficiente para ele renovar o contrato com a empresa W.K Borges (leia-se, Mecanicapina, ambas são dos mesmos donos), de Porto Alegre, por um prazo de 90 dias. Desde a manhã desta segunda-feira, sete caminhões foram acionados para o trabalho. Conforme o diretor da Urbanizadora Lenan, Gilberto Vargas, os contratos foram assinados na terça-feira e, na quarta-feira, a prefeitura entrou em contato alertando que a empresa tinha o prazo de 24 horas para alterar o número de funcionários: "O combinado era de 29 funcionários para a coleta domiciliar e cinco para a seletiva, em um total de 34. A prefeitura exigiu que em 24 horas contratássemos 56 funcionários para a coleta domiciliar e oito para a seletiva. Respondemos que era um número exorbitante e não contrataríamos aquela quantidade. Nenhuma empresa que participou da licitação vai concordar". É por isso que prefeitos fazem o que querem no setor de lixo, aquele que tem os contratos mais caros em todas as prefeituras, porque o Ministério Público não faz o que deveria fazer. É impossível que o promotor local não tenha todas as evidências demonstradas na cara de qualquer um da armação montada pela prefeitura petista. O que falta para o promotor agir e pedir a prisão do prefeito? O que falta para o promotor ter o perfeito domínio dos fatos?

GOVERNO DE SÃO PAULO QUER TRANSFERIR PRESOS DA CÚPULA DO PCC E INVESTIGAR POLICIAIS CORRUPTOS

O governador Geraldo Alckmin se reuniu nesta segunda-feira com a cúpula de segurança do Estado para definir ações diante das denúncias do Ministério Público do Estado de São Paulo envolvendo a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Alckmin anunciou a criação de uma equipe especial da corregedoria para investigar os casos de policiais ligados à facção e disse que apóia a remoção de detentos integrantes da organização para presídios do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). O Ministério Público de São Paulo denunciou 175 pessoas por participação no grupo criminoso que age dentro e fora das penitenciárias do Estado. A denúncia, feita em 11 de setembro e divulgada na última sexta-feira, atribui aos acusados a prática de crime de formação de quadrilha armada para o tráfico de entorpecentes, crimes contra o patrimônio e contra a vida de agentes públicos, além da aquisição, posse e manutenção de armas de fogo. Os promotores pediram a prisão preventiva de todos os denunciados, mas a Justiça indeferiu a solicitação. O Ministério Público recorreu da decisão. Participaram da reunião no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista, o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, o comandante da Polícia Militar, coronel Benedito Roberto Meira, o delegado-geral da Polícia Civil, Luiz Maurício Blazeck e o secretário de Administração Penitenciária, Lourival Gomes. Grella disse que recebe nesta terça-feira o conteúdo das investigações do Ministério Público de São Paulo para começar a tomar providências com relação aos policiais corruptos ligados à facção criminosa. O secretário informou não ter conhecimento sobre o número de policiais envolvidos com o crime, mas que, em 2013, foram mais de cem homens afastados por práticas ilegais, somando policiais civis e militares. Alckmin mostrou apoio do governo à transferência dos líderes do PCC para os presídios de segurança máxima, onde é praticado o temido RDD. "O governo tanto apóia que o pedido foi da Secretaria de Administração Penitenciária. Nós fizemos as penitenciárias para líderes de facção criminosa", declarou. Segundo Grella, existem 33 pedidos de transferências para o RDD. Ele disse que, no caso de o pedido ser negado pela Justiça, o Estado não cogita pedir transferência para presídios federais. O governador destacou outras medidas para combater as ações do PCC, como a criação de uma força tarefa, que executará ações de inteligência entre as policias.

MINISTRO JOAQUIM BARBOSA CRITICA ESTADOS QUE ENTRARAM COM AÇÃO CONTRA O PAGAMENTO DO PISO SALARIAL NACIONAL DOS PROFESSORES E DIZ QUE RIO GRANDE DO NÃO É POBRE

O ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, criticou nesta segunda-feira os seis Estados que ingressaram com uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra o índice de correção do piso nacional do magistério, durante palestra sobre o tema "Avanços e retrocessos institucionais", na Conferência Global de Jornalismo Investigativo, no Rio de Janeiro. Joaquim Barbosa afirmou que o tema já foi alvo de apreciação do Supremo, com decisão favorável à legislação: "Nós já julgamos, eu inclusive fui o relator, uma outra Adin contra a lei do piso. Foi uma proposição de vários governadores. O Supremo disse: 'A lei é constitucional. O governos têm de pagar". Na sequência, Joaquim Barbosa não poupou críticas ao governo do Rio Grande do Sul, comandado pelo peremptório petista Tarso Genro: "Alguns estados já pagam. Mas outros, surpreendentemente, alguns governadores dos quais não se esperava isso, se recusam terminantemente a pagar o piso, como é o caso, por exemplo, do Rio Grande do Sul, que não é um Estado pobre". Governadores alegam que a correção do piso nacional do magistério pelo índice Fundeb, que tem girado em torno de 20% anualmente, torna o padrão salarial impagável devido à repercussão financeira. A Adin, que tem o Rio Grande do Sul como um de seus autores, pede que o indexador do piso seja a inflação, com a discussão de ganho real ficando restrita a uma negociação entre o Executivo e a categoria, de acordo com a capacidade de caixa do poder público. É a tese defendida pelo peremptório petista Tarso Genro, ironicamente o ministro da Educação à época da aprovação da lei.

O SHOW DE HORRORES DO DISTRITO FEDERAL: RORIZ, ARRUDA, ESTEVÃO, AGNELO...

Há mais de uma década, o eleitor do Distrito Federal acostumou-se a uma lamentável realidade: os políticos eleitos para representá-los acabaram envolvidos em escândalos de corrupção. A lista começa com Joaquim Roriz, passa pelo ex-senador Luiz Estevão, continua com José Roberto Arruda e atinge até o atual governador e candidato à reeleição, Agnelo Queiroz. Em 2014, a história não será diferente. Na semana passada, Roriz filiou-se ao nanico PRTB, seguindo os passos de Estevão. Arruda agora faz parte do PR.

Graças à Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, que derrubou Arruda, e à Lei da Ficha Limpa, que tirou Roriz da disputa, o petista Agnelo venceu a eleição de 2010 com facilidade. Agora, ele luta contra a popularidade baixa e a perspectiva de uma disputa dura. A primeira conquista importante ele obteve: conseguiu do PMDB o compromisso de manutenção da aliança que o levou ao governo há três anos, embora uma ala do partido ainda ameace saltar do barco. Parte da dificuldade decorre da péssima gestão de Agnelo, somada ao histórico de escândalos mal – ou não – explicados. Por isso, nunca tantos nomes se animaram a disputar um lugar no Palácio do Buriti. Grupos políticos em decadência e antigos aliados do PT se entusiasmaram em entrara na briga.
José Roberto Arruda, que ainda não escolheu qual cargo disputará, precisará convencer o eleitor, pela segunda vez, que merece perdão. Em 2001 ele participou da violação do painel eletrônico do Senado e renunciou ao mandato para fugir da cassação. Voltou ao poder em 2002, como deputado federal. Em 2006, elegeu-se governador do Distrito Federal. Três anos depois, quando o esquema de corrupção montado por ele veio à tona, Arruda sucumbiu novamente diante de algumas das mais deploráveis imagens de roubalheira explícita da política brasileira – Arruda, por exemplo, aparece recebendo dinheiro de corrupção em um pacote. Ele chegou a ser preso pela Polícia Federal por cooptação de testemunha e perdeu o mandato.
Naquela época, o então governador deu sinais de que pensava em se manter na política: antes de ser expulso do DEM, deixou o partido por conta própria. Acabou enquadrado na lei de fidelidade partidária, que tirou-lhe o mandato. Ele tinha direito de recorrer à decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mas optou por não fazê-lo. Há uma razão: com essa punição, Arruda apenas ficava sem o cargo de governador, mas estava apto a disputar as próximas eleições. Caso permanecesse no posto, ele fatalmente seria cassado pela Câmara Legislativa do DF, o que lhe renderia um período de cinco anos de inelegibilidade.
Agora, o ex-governador chega ao PR com as bênçãos de Valdemar Costa Neto, mensaleiro e maior articulador do partido. Ele não hesitou em desalojar o comando do partido no Distrito Federal para emplacar um aliado de Arruda no posto.
Já o ex-governador Joaquim Roriz, dono de um expressivo capital eleitoral, está firmemente disposto a se candidatar ao governo. Mas tem uma situação mais delicada: aos 77 anos, ele tem grandes chances de ser barrado pela Lei da Ficha Limpa. O governador renunciou ao mandato de senador, em 2007, para fugir da cassação, depois de ser flagrado negociando a partilha de 2,2 milhões de reais de origem escusa.
No fim de setembro, Roriz – que havia deixado o PSC após as eleições de 2010 – chegou a acertar seu ingresso no DEM. Mas a Executiva Nacional do partido decidiu rejeitar o registro. O ex-governador e sua filha, a deputada distrital Liliane Roriz, migraram para o PRTB. O partido, em Brasília, é comandado por ninguém menos do que o ex-senador Luiz Estevão. Jaqueline Roriz, outra filha do político e deputada distrital flagrada embolsando dinheiro desviado, é filiada ao PMN.
Estevão enfrenta o ostracismo há mais tempo que os colegas: cassado em 2000 por envolvimento em desvio de recursos públicos na obra do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, ele só poderá voltar a disputar eleições em 2022, devido à Lei da Ficha Limpa. Por isso, dedica-se à articulação política. Neste ano, o ex-senador se filiou ao PRTB e passou a comandar o partido na capital federal. “Eu vou me dedicar mais às chapas para deputados federais e distritais”, diz ele.
Se for barrado pela Justiça Eleitoral, Roriz deve abandonar os planos eleitorais. Quem diz é Luiz Estevão: “Ele não cogita disputar outro cargo que não seja o de governador”. Nesse caso, o plano já está traçado: quem irá para a disputa majoritária é Liliane Roriz. “A disposição dele em disputar o governo é real. Mas eu sou o plano B do meu pai”, diz Liliane, que recentemente trocou o PSD pelo PRTB.
Em 2010, Roriz fez uma manobra desastrada e escolheu sua mulher, Weslian, para sucedê-lo e evitar o risco de impugnação da chapa por causa da Lei da Ficha Limpa. Inexperiente e despreparada, ela passou vexame nos debates e acabou derrotada por Agnelo.
Depois de apoiar Agnelo em 2010, o deputado federal José Antônio Reguffe (PDT) aceitou participar da disputa pelo governo no ano que vem. Ele foi apontado pelo diretório regional de seu partido na semana passada e aceitou a indicação. Deputado federal com maior votação proporcional em 2010 (20% dos votos do Distrito Federal), Reguffe aposta suas fichas no discurso moralizador em um momento de descrédito generalizado.
Mas a falta de apoio de outras legendas pode prejudicá-lo. A decisão do PDT – partido que Reguffe quase deixou para se filiar à Rede Sustentabilidade – surpreendeu porque foi repentina e criou um problema: Rodrigo Rollemberg, do PSB de Marina Silva e Eduardo Campos, deve disputar o governo. O PDT não pretende recuar. “Imagine que o PDT decida apoiar Eduardo Campos no Brasil inteiro. Ele vai ter que fazer alguns gestos em alguns estados. E pode apoiar o Reguffe em Brasília”, diz o senador Cristovam Buarque, comandante do PDT do DF.
Cristovam diz que Rollemberg e Reguffe podem disputar simultaneamente, mas vê problemas na possibilidade de divisão: “Se nenhum dos dois conseguir atrair o PSOL, aí fica mais difícil. Eles vão ter que se juntar”, avalia o senador, que governou o DF de 1994 a 1998. O senador Rodrigo Rollemberg (PSB) não é propriamente uma novidade: em 2002, ele foi candidato a governador e não chegou ao segundo turno. Agora, entretanto, com a crise de Agnelo e o projeto presidencial do PSB, o nome do senador parlamentar pode ganhar força.
A lista de potenciais candidatos vai além: a deputada distrital Eliana Pedrosa também deve reforçar o time de oposição. A parlamentar, que já foi do DEM e do PSD, assumiu o comando do PPS na capital federal. O PSDB, por sua vez, pode lançar como candidatos dois ex-aliados de Agnelo: os deputados federais Izalci Lucas e Luiz Pitiman. É possível que, até abril, quando as chapas serão montadas, o cenário sofra alterações. Mas alguns personagens que envergonharam a política do Distrito Federal dificilmente ficarão de fora.

POLÍCIA FEDERAL INVESTIGA OS TENTÁCULOS DO MENSALÃO DO PT NO EXTERIOR

Em setembro do ano passado, o empresário Marcos Valério, o operador do mensalão, apresentou-se voluntariamente à Procuradoria-Geral da República em Brasília e prestou um longo depoimento em que formalizava algumas revelações acachapantes sobre o maior escândalo de corrupção da história do país. O julgamento do processo contra os mensaleiros, entre eles o próprio Valério, estava em pleno curso no Supremo Tribunal Federal (STF). O empresário queria proteção e um acordo de delação premiada. Entre as novidades, Valério contou que o ex-presidente Lula não só tinha conhecimento do mensalão como avalizou as operações financeiras clandestinas. Disse ainda que o dinheiro usado para subornar parlamentares também pagou despesas pessoais de Lula, inclusive quando ele já ocupava a cadeira de presidente da República. O depoimento deu origem a várias investigações. Uma delas, envolvendo uma suposta doação ilegal de dinheiro ao PT, agora vai ganhar reforço internacional. A Polícia Federal pediu ajuda para rastrear a movimentação de contas bancárias no exterior que, segundo o publicitário Marcos Valério, foram utilizadas pelo PT para receber doações ilegais que bancaram despesas da campanha presidencial de 2002. Em seu depoimento, o operador do mensalão forneceu aos procuradores os números de três contas usadas para receber 7 milhões de dólares da Portugal Telecom, gigante do setor de telefonia que tinha negócios no Brasil e interesse em se aproximar do governo recém-empossado. Valério disse que a doação foi acertada por Lula, José Dirceu e o ex-ministro Antonio Palocci, e que ele cuidou pessoalmente da operação em Lisboa. Para despistar eventuais curiosos, os depósitos teriam sido feitos por fornecedores da Portugal Telecom em Macau, um pedaço minúsculo de terra no sul da China colonizado pelos portugueses onde a influência de Lisboa se faz presente até hoje.

PESQUISA DATAFOLHA: DIREITA E CENTRO-DIREITA SÃO A MAIORIA RELATIVA NO BRASIL, MAS NÃO TÊM EM QUEM VOTAR

O Brasil é a única democracia do mundo que não tem um partido conservador — se quiserem, “de direita” — viável. Única quer dizer exatamente isto: é uma experiência que não se repete em nenhum outro lugar. Todos os partidos se dizem de esquerda ou centro-esquerda ou, como tem virado moda, coisa nenhuma. Entrou para o anedotário político o PSD de Gilberto Kassab, que não é “nem de direita, nem de esquerda, nem de centro”. A Rede, de Marina, repete essa mesma ladainha, mas aí naquele plano etéreo em que ela flana com suas metáforas sobre sustentabilidade: “nem de situação nem de oposição, mas posição”. O que isso significa? Nada, ora essa! Mas parece ser uma coisa danada de profunda.

Há, sim, no Brasil políticos conservadores — que seriam classificados como “de direita” na Europa, nos EUA e até no Chile, aqui bem perto. Estão em todos os partidos — até no PT. Se a gente fosse botar as coisas na ponta do lápis, Antonio Palocci, como gestor público, certamente tomou mais medidas “de direita” — ou “conservadoras” — do que o tucano José Serra, que continua a ser, no entanto, alvo dos furiosos do PT. A salada partidária no Brasil é grande. E a indefinição ideológica também. Em artigo recente sobre os 25 anos da Constituição, publicado pela Folha, Serra, aquele que os petistas dizem ser “de direita”, mas que sempre esteve mais à esquerda, escreveu algo interessante ao se referir aos confrontos ideológicos na Constituinte:
“Não por acaso, os dois “lados” – esquerda e direita – , com a cumplicidade de sucessivos governos, foram e continuam sendo integrantes ativos do mais consolidado de todos os partidos brasileiros: a Fuce – Frente Única Contra o Erário e a favor das corporações de interesses especiais. Ninguém é mais falsamente de esquerda do que ela. Ninguém é mais falsamente de direita do que ela. Ninguém, a exemplo dela, é tão objetivamente contra os interesses do Brasil e dos brasileiros. Aliás, não é esse o partido mais consolidado e hegemônico do Congresso, 25 anos depois?”
Retomo
Acho a observação boa. O que se convencionou chamar de “direita” no Brasil adora um cartório e uma “Bolsa BNDES”, não é mesmo? O tema é vasto. Faço essas considerações porque a Folha desta segunda traz reportagem sobre pesquisa feita pelo Datafolha identificando a ideologia dos brasileiros. Em seguida, cruzam-se esses dados com a possível opção de voto em 2014. Vejam isto.
Ideologia
Como se vê, o Brasil tem uma maioria relativa de pessoas que se identificam com a centro-direita ou com a direta. Os claramente de direita são quase o triplo dos claramente de esquerda. Não é mesmo impressionante que não exista um partido que vocalize seus valores? Por que não? Ainda se escreverá muito a respeito aqui. Vejam agora como votam essas correntes de opinião.
Ideologia e voto
Como se nota, a variação é pequena. Como se explica? Cuidaremos disso ao longo dos dias. 
Critérios
Quais são os critérios para identificar a ideologia? A reportagem do jornal explica:
Para identificar e fazer os agrupamentos ideológicos dos eleitores, o Datafolha faz um conjunto de perguntas envolvendo valores sociais, políticos e culturais, como a influência da religião na formação do caráter das pessoas e o entendimento sobre as causas da criminalidade. As questões com opiniões mais divididas foram a que tratava da hipótese de pena de morte e a que avaliava a importância dos sindicatos. Metade dos entrevistados (50%) respondeu que não cabe à Justiça matar alguém, mesmo que a pessoa tenha cometido um crime grave, posição mais associada a valores de esquerda. Outros 46% disseram que a pena de morte é a melhor punição para crimes graves, idéia mais ligada à direita. Sobre os sindicatos, 48% responderam que eles servem mais para fazer política do que para defender os trabalhadores (direita). Já para 47%, eles são importantes para defender os interesses dos trabalhadores (esquerda).
Comento
O critério é válido, sim, mas não é perfeito. A esmagadora maioria dos conservadores católicos que conheço se opõe, por exemplo, à pena de morte, que é, como se sabe, aplicada com dedicação e método em países oficialmente comunistas. Nessas horas, há sempre o risco de se identificar o humanismo como um fundamento da esquerda, o que é uma afronta aos fatos. Em todo caso, creio que a distribuição ideológica no Brasil obedece mais ou menos a esse padrão. É o que se vê e se ouve nas ruas. Vale dizer: há muitos anos, parte considerável do eleitorado brasileiro é órfão de representação. O eleitorado de direita e centro-direita vota na esquerda e na centro-esquerda porque, afinal de contas, não tem em quem votar. De resto, é preciso ser um rematado idiota para considerar que o PSDB é um partido “de direita”. Pode até ser que, sem opção, muitos eleitores de direita acabem escolhendo o mal menor, já que não encontram na política aquela que seria a sua representação natural. Por Reinaldo Azevedo