domingo, 28 de setembro de 2014

Ministério Público Federal pede condenação de traficante a 28 anos de prisão

O Ministério Público Federal pediu na noite de sexta-feira a condenação a 28 anos e 9 meses de prisão do traficante René Pereira. Ele é apontado como chefe de uma quadrilha de tráfico internacional de drogas. Também enviou ao Exterior e ocultou a origem criminosa de 124.000 dólares com ajuda do doleiro Carlos Habib Chater, um dos personagens da Operação Lava Jato. René Pereira comandava um dos esquemas desvendados pela Polícia Federal na investigação que constatou desvio de recursos da Petrobras e a lavagem de mais de 10 bilhões de reais em uma série de operações criminosas, todas ligadas em alguma medida ao doleiro Alberto Youssef. Em um dos processos originados pela Operação Lava Jato, René Pereira é acusado pelos crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e associação para o tráfico. De acordo com a acusação do Ministério Público, ele enviou mais de 750 quilos de cocaína à Europa, por meio de uma rota desbaratada em abril pela Polícia Federal no Porto de Santos. Investigado inicialmente por transações com doleiros, o envolvimento de Pereira com o tráfico de drogas só foi constatado na Lava Jato com o avanço das investigações. Policiais descobriram que ele era o verdadeiro dono de uma carga de 698 quilos de cocaína, apreendida em 21 de novembro de 2013, na Rodovia Washington Luís, no município de Araraquara, interior paulista. Três intermediadores foram presos na ocasião, mas mensagens trocadas por Pereira com interlocutores deixaram claro que a carga era dele. A operação constatou ainda a remessa de 55 quilos da droga para a Espanha, que acabou apreendida pela polícia no Porto de Valência, em 18 de outubro do ano passado. A Polícia Federal também apreendeu com Pereira 189.000 dólares. No mesmo processo, Chater é acusado de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Nas alegações finais, os procuradores da república Diogo Castor de Mattos e Roberson Pozzobon pediram que o doleiro seja condenado neste caso a 12 anos e um mês de reclusão. Ele ainda responde a outro processo penal aberto pela operação Lava-Jato. Ainda neste caso, André Catão, ligado a Chater, responde a evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A Procuradoria pediu a condenação de Catão a 9 anos e 6 meses de reclusão. Chater confirmou em depoimento à Justiça que intermediou o recebimento de 124.000 dólares no Brasil a pedido de René e outro comparsa. A investigação policial constatou que essa foi uma operação de lavagem de dinheiro obtido com o tráfico de drogas. Os procuradores destacam um diálogo de René travado com um comparsa, em que ele ironiza o fato de que ninguém desconfia de sua real atividade. Ele apresentava o falso álibi de que desenvolvia exclusivamente atividades na construção civil, de acordo com a acusação formulada pela Procuradoria da República. O doleiro Alberto Youssef também foi acusado, neste caso, de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, na denúncia apresentada pelos procuradores Carlos Fernando dos Santos Lima, Januário Paludo e Andrey Borges de Mendonça, em 22 de abril. Mas, depois do trâmite do processo, os procuradores Diogo Castor de Mattos e Roberson Pozzobon constataram que Youssef apenas autorizou a entrega de 36.000 dólares a René em seu escritório em São Paulo. Por isso a absolvição do doleiro foi requisitada, neste caso, pelo Ministério Público, porque a atuação dele “limitou-se à cessão do espaço físico de seu escritório paulista para o recebimento de valores”. Youssef ainda responde a outros processos penais originados pela operação Lava Jato.

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