segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

MARINA SILVA E EDUARDO CAMPOS: ELA É COMENSAL, MUTUALISTA OU PARASITA? OU: COMO A CHEFONA DA REDE APOSTA, DESDE JÁ, NA DERROTA DO "ALIADO"

Vejo com simpatia, por definição, candidaturas de oposição a Dilma Rousseff, o que não chega a ser surpresa para o meu leitor, certo? Isso não quer dizer que eu ignore que pode, sim, haver coisa pior do que o petismo. Marina Silva como titular de uma candidatura, por exemplo, no meu “piorômetro”, obtém mais pontos do que Dilma — e já escrevi isso aqui. Não surpreendo ninguém também nesse caso. Estou entre aqueles que consideram que, boa parte das vezes, o que ela fala não faz sentido; mas é justamente quando faz que ela salta para a primeira posição do “piorômetro”. De todo modo, por enquanto ao menos, que se saiba, o candidato do PSB será Eduardo Campos, hoje governador de Pernambuco. Pois bem. Nesta segunda-feira, Eduardo Campos admitiu que há divergências entre o PSB e a Rede — partido que, por enquanto, usa os peessebistas como barriga de aluguel —, mas que elas serão resolvidas e coisa e tal e que aqueles que apostarem na divergência entre ambos vão perder. Segundo diz, em mais de 20 estados, há convergência. Então tá.

Um dos palcos da discórdia é São Paulo. O PSB local quer se aliar ao governador Geraldo Alckmin, candidato à reeleição pelo PSDB. Marina não quer saber e insiste na candidatura própria. Embora os dois grupos tenham decidido que, onde não houver consenso, cada um segue o seu caminho, parece que, nas terras paulistas, não pode ser assim. E olhem que é grande a chance de o PSB ter o candidato a vice na chapa de Alckmin caso haja acordo. Eduardo Campos afirmou ainda o seguinte: “Se você for fazer um quadro comparativo dos problemas que tem na aliança governista em cada Estado, enche uns dez cadernos de jornal e umas 50 telas. Nós temos muito menos problemas e temos, sobretudo, a disposição de resolvê-los”.
Pois é, governador… Eis um fato que só ajuda a distorcer a verdade caso se vá fazer uma comparação a sério. Por quê? Quantos aliados tem Dilma Rousseff? Todos! Quantos aliados tem o PSB? Um! Que a aliança governista enfrente dificuldades em razão de suas coligações-ônibus nos estados é até compreensível. Ocorre que o seu partido, até agora, tem o apoio apenas do PPS. A Rede, como se sabe, ainda não existe formalmente. É claro que Marina Silva agrega, entre perdas e ganhos, um saldo positivo de votos a Eduardo Campos caso se candidate a vice, por exemplo. Mas não deixa de ser impressionante o seu esforço para, na prática, impedir que seu aliado tenha um palanque forte no Estado com o maior número de eleitores do País.
A resistência da chefona da Rede à aliança com o PSDB atende aos interesses do PSB e de Eduardo Campos ou aos de seu partido e dela própria? Ao tentar, de todas as formas, impedir essa aliança, Marina está tacitamente admitindo que o governador de Pernambuco já é um derrotado, que suas chances eleitorais são muito pequenas e que é preciso, desde já, pensar no cenário pós-2014.
O governador de Pernambuco diz ainda: “Há um desejo de que essas coisas (aliança com Marina Silva) não dêem certo. Tem muita gente que deseja muita coisa e não consegue. Não vão conseguir essa, por exemplo”. Tem lá a sua graça no jogo político e coisa e tal, mas a fala, lamento observar, não faz sentido. Digamos que o PT queira, sim, que a aliança se inviabilize. Ora, querer coisas é do jogo político. Torcer contra os adversários também. Mas de uma coisa não se pode acuar o PT: de estar criando dificuldades para Campos em São Paulo. Quem está empenhada, de forma pertinaz, nesse propósito é… Marina Silva.
Não há nenhuma razão objetiva para ela recusar a aliança em São Paulo a não ser, reitero, o esforço para fortalecer o seu próprio partido e a certeza antecipada da derrota do seu aliado — o que, convenham, é o fim da picada a esta altura do jogo. Sob qualquer critério que se queira, a gestão paulista é, por exemplo, bem mais “verde”, bem mais “ecológica”, do que a do Acre, onde Marina é governo há 15 anos, aliada aos petistas. Não é muito popular por lá. Na eleição de 2010, ficou em terceiro lugar em seu próprio estado, atrás de Serra (em primeiro) e Dilma.
Quem poderia estar agastado com a eventual composição do PSB com o PSDB em São Paulo é o senador Aécio Neves (PSDB), que veria o palanque governista no Estado dividido entre a sua candidatura e a de Eduardo Campos. Esse, sim, poderia ser um arranjo difícil, e, no entanto, ele se viabilizou.
Não adianta Eduardo Campos tentar dourar a pílula. Quem está criando constrangimentos importantes para o PSB em São Paulo não são os petistas, mas a própria Marina Silva, que tem, como qualquer hospedeiro — refiro-me à biologia —, as suas próprias prioridades. A questão é saber se Marina Silva usará o PSB como comensal, mutualista ou parasita. Impedir a aliança do PSB com o PSDB em São Paulo caracteriza escancarado parasitismo. Por Reinaldo Azevedo

#naovaitercopa X #vaitercopa. Ou: Na melhor das hipóteses, o confronto entre tolos e oportunistas; na pior, é tudo coisa de vigaristas

O PT decidiu criar o “movimento” #vaitercopa, uma resposta a um tal #naovaitercopa que anda por aí, criado sei lá por quem e com que propósito. Se eu fosse da “marquetagem” petista, incentivaria uma besteira assim só para lançar, como se lançou, o antídoto.

Digam-me: alguém acredita, sinceramente, que exista o risco de a Copa do Mundo não se realizar? Mais: a esta altura do campeonato, alguém é imbecil o bastante para considerar que a não realização do torneio poderia trazer algum benefício ao Brasil? Pergunto: quem cria um “#nãovaitercopa” quer exatamente o quê, além de ver nascer a reação “#vaitercopa”? Será que estou sugerindo que tanto uma coisa como outra pertencem à lavra petista? Não estou sugerindo nada. Só revelo a natureza do jogo.
É evidente que vai ter Copa e que a esmagadora maioria dos brasileiros aplaudirá o evento. Isso nada tem a ver com governos, a despeito de sua competência ou incompetência. Faço ainda uma outra previsão, arriscadíssima, leitor! A esmagadora maioria da brasileirada, a exemplo deste escriba, vai torcer pela Seleção Canarinho.
As coisas são aborrecidamente óbvias e simples. Ao se apropriar do “#vaitercopa”, o PT e Dilma Rousseff estão fazendo política; pretendem, assim, jogar no colo dos adversários, das oposições, o “#naovaitrcopa”. Espero que os candidatos tenham cuidado ao tratar do assunto para não parecer que estão na defensiva.
Pode até ser, o que duvido um pouco, que esse tal “#naovaitercopa” seja mesmo um troço espontâneo, sem má-fé nenhuma. Nesse caso, só tenho a lamentar, com todo o respeito, a burrice. Deveriam mandar a fatura ao PT, cobrando pelos seus serviços. Essa gente está ajudando o partido a fazer uma previsão 100% segura — “#vaitercopa” —, posando, adicionalmente, de patriota. Por Reinaldo Azevedo

O PAPA, O ABORTO E AS COISAS ESTÚPIDAS QUE SE ESCREVERAM E SE ESCREVEM A RESPEITO

papa francisco acena
A  imprensa mundial, a brasileira também, pôs na cabeça que Jorge Bergoglio se transformou no papa Francisco com o objetivo de destruir os valores da Igreja Católica e transformá-la, quem sabe?, numa dessas ONGs consideradas “progressistas”. E, como todos sabemos, as pessoas só são progressistas hoje em dia se defenderem o casamento gay, a descriminação das drogas e, acima de todas essas causas, o aborto. Por que é tão importante para as esquerdas de hoje em dia transformar o feto num dente que se pode arrancar quando incomoda (para lembrar uma imagem a que recorreu Dilma Rousseff ainda antes de ser candidata)? Não sei. Essa obsessão desafia a minha capacidade de entendimento dos desvãos da alma humana. Só certo feminismo — que pretende que o feto seja uma mera extensão do corpo da mulher — parece-me insuficiente para explicar a determinação com que se faz a defesa desabrida da morte. Adiante.
Nesta segunda, na mensagem tradicional de início de ano aos embaixadores de seus respectivos países junto ao Vaticano, Francisco fez uma dura condenação do aborto, que chamou de parte da “cultura do descarte”. Afirmou ainda: “Causa horror o simples pensamento de que existam crianças que jamais poderão ver a luz do dia, vítimas do aborto”.
E, acreditem, a declaração está gerando barulho. Estão entendendo a sua fala como uma concessão aos “conservadores da Igreja Católica”, o que é, para dizer pouco, uma leitura boçal. O surpreendente, aí sim, seria se Francisco tivesse condescendido com o aborto. Nessa matéria, não existe “igreja progressista” e “igreja tradicionalista”. Existem o compromisso com a morte e o compromisso com a vida.
Por que essa leitura cretina da fala do papa? Porque, infelizmente, essa mesma imprensa, em matéria religiosa, tem mais compromisso com os seus erros e com os seus preconceitos do que com os fatos.
Em setembro, o papa concedeu uma longa entrevista à revista jesuíta “Civiltà Cattolica”. Trechos de sua fala, retirados do contexto, levaram alguns intérpretes mundo afora à suposição de que o papa estava condescendendo com o aborto e admitindo a possibilidade de a Igreja vir a flertar com tal prática. Escrevi a respeito Apontei a distorção, sem deixar de apontar o que me desagradava na sua resposta. Chamei a atenção dos leitores para a distorção estúpida. Fui acusado de tentar negar o óbvio. Transcrevo, em português, a afirmação do Sumo Pontífice a respeito (em azul).
(…)
“Esta é também a grandeza da confissão: o facto de avaliar caso a caso e de poder discernir qual é a melhor coisa a fazer por uma pessoa que procura Deus e a sua graça. O confessionário não é uma sala de tortura, mas lugar de misericórdia, no qual o Senhor nos estimula a fazer o melhor que pudermos. Penso também na situação de uma mulher que carregou consigo um matrimónio fracassado, no qual chegou a abortar. Depois esta mulher voltou a casar e agora está serena, com cinco filhos. O aborto pesa-lhe muito e está sinceramente arrependida. Gostaria de avançar na vida cristã. O que faz o confessor?”
“Não podemos insistir somente sobre questões ligadas ao aborto, ao casamento homossexual e uso dos métodos contraceptivos. Isto não é possível. Eu não falei muito destas coisas e censuraram-me por isso. Mas quando se fala disto, é necessário falar num contexto. De resto, o parecer da Igreja é conhecido e eu sou filho da Igreja, mas não é necessário falar disso continuamente”.
(…)
Volto
Reproduzo aqui a crítica que fiz (em azul) e volto em seguida.
Acho, sim, que a fala do papa está transitando por terrenos perigosos, e minha crítica está mantida, mas considerar que o que vai acima significa condescender com o aborto é de uma falsidade escandalosa. A matéria de que se cuida acima é outra. O papa está a falar de arrependimento e de perdão. E, a rigor, não há novidade nenhuma nisso.
“Mas por que você mantém a crítica?” Porque ele não deve ignorar o ambiente em que faz considerações dessa natureza e porque as palavras não são duras o bastante em relação à questão em si. Espera-se do pastor por excelência da Igreja que seja mais preciso ao acolher a mulher que abortou e ao repudiar o aborto em si.
Assim, é fato que Francisco, em alguma medida, criou condições favoráveis à distorção intelectualmente dolosa do que disse. O lobby em favor da legalização do aborto é um dos mais organizados do mundo. E demonstra, uma vez mais, a sua força. Entender por que alguém se dedica a essa causa com tanto afinco, como se estivesse a propugnar por um novo iluminismo, é um dos grandes enigmas morais do nosso tempo.
Retomo
Ao deixar clara, de forma inequívoca, a condenação ao aborto, o papa não presta satisfações aos “conservadores”. Apenas põe nos justos termos o pensamento da Igreja Católica a respeito. Não se trata de uma guinada conservadora, mas da exposição daquele que é o pensamento da Igreja a respeito da inviolabilidade da vida.
Li em algum lugar que, assim, Francisco reafirmava também um ponto de vista “conservador” sobre as questões sexuais. Então o “aborto”, agora, passou a ser parte da “liberdade sexual”? Em nome do exercício dessa liberdade, fetos devem passar a ser coisas, que se descartam, assim, como um contratempo, mera consequência indesejada de uma imprudência qualquer?
Insisto: o mundo só teria o direito de se surpreender se o papa dissesse o contrário.  Alguns tolos dispensam a Francisco o mesmo tratamento que dispensavam a Barack Obama quando se elegeu presidente dos EUA. Parecia que, finalmente, chegaria o presidente, escolhido pelo povo, para destruir o país. Ainda que eu não tenha simpatia nenhuma por Obama, o fato é que não aconteceu o que esperavam os inimigos dos EUA. Sim, ainda que de um modo que eu não gosto, ele é um homem do establishment. Nota: parte da gritaria em favor do vigarista Edward Snowden é promovida por aqueles que queriam que Obama fosse o Gorbatchev do sistema americano.
Esses mesmos esperam que Francisco seja o Gorbatchev da Igreja Católica. Como sabem, já recorri aqui a essa imagem. Talvez o papa tenha se dado conta de que sua imagem, mundo afora, estava começando a assumir os traços de uma caricatura: “aquele que veio para desmontar a Igreja”… Não! Ele veio para preservá-la.
Acolher as mulheres que abortaram é parte da doutrina do perdão. Não significou, de modo nenhum, condescender com o aborto. Uma coisa é a Igreja abraçar aqueles que sofrem, ser inclusiva, abrir-se para o mundo; outra, distinta, é renegar seus próprios valores. O papa não havia feito isso na entrevista à revista católica. E, agora, faz o óbvio e reafirma seu compromisso com a doutrina que o fez o sumo sacerdote. O que há de novo ou de especial nisso? Por Reinaldo Azevedo

A NOVA ALL, SUPER EMPRESA QUE O GOVERNO PETISTA ESTÁ MONTANDO, TERÁ DE INVESTIR R$ 8 BILHÕES ATÉ 2020, O QUE É ABSOLUTAMENTE IRRISÓRIO - É A PRIVATIZAÇÃO AO MODELO DO PT

A empresa que nascerá da fusão entre a ALL (América Latina Logística) e a Rumo Logística terá que investir algo entre R$ 8 bilhões e R$ 11 bilhões até 2020. A maior parte do investimento - cerca de R$ 8 bilhões - deverá ser feita nos primeiros quatro anos. Ou seja, serão investimentos irrisórios. Os recursos serão aplicados em ampliação e duplicação da malha ferroviária e na solução de gargalos nos dois principais trechos explorados hoje pela ALL - o que liga Estrela d'Oeste a Campinas e esta cidade a Santos, todas no Estado de São Paulo. Esses números ainda são preliminares. Nesta terça-feira, um grupo técnico com representantes de todos os sócios vai se reunir para começar a elaborar o plano de negócios da futura empresa. Tudo vai depender, entretanto, do sucesso da negociação da fusão. Nesta semana, as negociações entre os sócios privados, os controladores da ALL e a Rumo, tomam corpo, com a consultoria de fusões e aquisições Estáter, de Pérsio de Souza, contratada em novembro pela ALL. A negociação da associação envolve os sócios das duas empresas e não o governo. A discussão do plano de investimentos ocorre paralelamente à da fusão e envolve, além dos sócios, também o governo petista, por meio do BNDES, que faz parte do grupo de controle da ALL e pode vir a financiar o plano de investimento da nova companhia. Ou seja, a reprivatização petista da ALL será com uma pitada de estatização, como é tão ao gosto do PT. O governo Dilma tem interesse na fusão e gostaria que Rubens Ometto, empresário do setor sucroalcoleiro e dono de 75% do capital da Rumo, não só entrasse no capital da ALL, mas também se tornasse o principal acionista do grupo de controle. Isso só ocorrerá, porém, se os acionistas chegarem a um acordo com De Lara e Arduini, atuais acionistas de referência (uma exigência legal para empresas concessionárias de serviço público). Negociação iniciada em 2012 e concluída em agosto de 2013 fracassou porque não houve acordo entre os acionistas das duas empresas. O governo acredita que uma fusão que coloque Ometto no comando da empresa dará à ALL-Rumo maior capacidade de alavancagem e, portanto, condições de realizar os investimentos necessários para resolver gargalos importantes nos principais trechos da malha ferroviária do País. Com a fusão, Ometto teria mais de 20% do grupo de controle da ALL-Rumo. Na configuração original da ALL, a GP Investimentos era o principal acionista da ALL - o acionista de referência -, com cerca de 20% do capital de controle. Em 2009, a GP vendeu as ações. "Estamos com uma empresa sem uma liderança privada forte", comentou uma fonte a par das negociações. "Com a saída da GP, perdemos um grupo privado que ancorava a empresa. A Rumo, de Ometto, passará a ser o acionista de referência privado para liderar a companhia", observou a mesma fonte. Todos os sócios atuais - além de De Lara e Arduini, o BNDES, o fundo BRZ ALL e os fundos de pensão Previ (dos funcionários do Banco do Brasil) e Funcef (Caixa Econômica Federal) - pretendem permanecer na nova companhia, embora com participações menores. O fundo canadense CPP (Canada Pension Plan Investment Board), que negociou com a Cosan para entrar como sócio da nova empresa, não participará do negócio neste momento. O governo está interessado na fusão por razões específicas. A avaliação em Brasília é que a ferrovia Norte-Sul, cuja construção foi retomada há alguns anos, só se viabiliza se tiver saída para a região Sudeste e Sul - o trecho que a liga a essas regiões está sendo construído entre Anápolis (GO) e Estrela d'Oeste. "A Norte-Sul precisa de saída para o Porto de Santos. Se sair apenas para o Norte, a ferrovia se deprecia", explicou um técnico. A ligação da Norte-Sul com a malha do Sudeste depende da superação de gargalos existentes no corredor que liga Estrela d'Oeste a Campinas e daí até Santos. Os desafios são consideráveis. No trecho Estrela d'Oeste-Campinas, a ferrovia da ALL passa por dentro de várias cidades, como Limeira, São José do Rio Preto, Americana e Rio Claro, trazendo riscos para os moradores e tornando a operação pouco eficiente, uma vez que os trens, ao trafegarem por áreas urbanas, são obrigados a reduzir drasticamente a velocidade. No trecho entre Campinas e Santos, há ainda problemas como uma faixa de 40 quilômetros onde vive uma tribo indígena, o que tem impedido a duplicação da ferrovia. A solução passa pela oferta de compensações aos índios que forem deslocados dos locais onde ocorrerá a duplicação. Além da questão fundiária, há impactos ambientais que terão que ser negociados com o Ibama. O governo pressiona para que a ALL aumente os investimentos. A presidente petista  Dilma Rousseff quer que a fusão entre ALL e Rumo se concretize, mas deseja que a nova liderança privada "tenha clareza" de que o corredor Estrela d'Oeste-Santos, o mais importante do País, precisa receber investimentos e "funcione bem". Na semana passada, quando esteve em Brasília, Ometto ouviu do Planalto um pedido para que apresente um plano de investimento em 15 dias. O governo quer a certeza de que a chegada do empresário vai resolver, de fato, a situação de 'sub-investimento' da ALL. O governo vê com bons olhos o interesse de Ometto de entrar no capital da ALL porque tem tido dificuldade de atrair outros empresários para as privatizações de ferrovias. Não há restrição aos atuais controladores Wilson De Lara e Ricardo Arduini, mas eles são vistos como investidores "pessoa física", com capacidade limitada de alavancar empréstimos e, portanto, de expandir os investimentos necessários. Para facilitar a realização dos investimentos previstos em tempo exíguo - o prazo de concessão da ALL termina em menos de 15 anos -, o governo petista está disposto, inclusive, a oferecer compensações. Uma das possibilidades é estender o prazo de concessão. Na atual estrutura da ALL, os acionistas estão fragmentados. A maior participação é do BNDES, com 12,1% do capital. Por causa de um acordo de acionistas, que vence em outubro de 2015, De Lara e Arduini têm o controle da empresa. O acordo vincula apenas 10% do capital da ALL, mas acaba tendo influência sobre 38% das suas ações. Este é um aspecto fundamental da negociação da fusão: embora os dois tenham participações no controle cujo valor não difere das dos fundos e do BNDES, os dois são os principais controladores. Um dos pontos já acertados é que, com a fusão, a ALL passará por uma capitalização. Os fundos minoritários da Rumo, Gávea e TPG, donos de 25% da empresa, já teriam demonstrado disposição de pôr R$ 1 bilhão, no lugar que antes seria do CPP.

O QUE AINDA FAZ NO GOVERNO DO PEREMPTÓRIO PETISTA "GRILO FALANTE" TARSO GENRO O DEPUTADO FEDERAL LUIZ CARLOS BUSATO, SECRETÁRIO DE OBRAS?

Do jornalista Políbio Braga -  As pressões e a imprensa aliviaram muito a pressão sobre os acusados pela Operação Kilowatt, desfechada na quinta-feira da semana passada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, a pedido do Palácio Piratini. Nesta segunda-feira, o governador Tarso Genro confirmou que mandou fazer as investigações, defendeu o trabalho da polícia e avisou: " Vem mais". É uma ameaça a aliados e adversários com seu novíssimo Departamento de Combate à Corrupção. O governador aprendeu tudo o que aplica quando promoveu dezenas de operações da Polícia Política do seu chefe, o alcaguete Lula da Silva, o Barba, jogando pesado contra adversários reais e imaginários - e até contra aliados. Quer repetir a dose no Rio Grande do Sul. O governador Tarso Genro não parece ter limites e também ninguém lhe cobra isto. É curioso que o governo esteja em combate com o governo, porque atacam-se mutuamente a Polícia Civil e o secretário de Obras, que já perdeu a cúpula da sua secretaria e que só não foi presa porque o juiz do caso não concordou com o pedido da Polícia. E fazem isto publicamente. A oposição cala e consente, a um ponto tal que a editoria de Política da RBS pergunta se não existe mais oposição no Rio Grande do Sul. É claro que não existe, embora existam poucos oposicionistas, que enfrentam oposição dentro dos seus próprios Partidos. Exatamente por isto o governo joga com times de situação e oposição dentro do mesmo campo. O governador avisou que Luiz Carlos Busatto continua prestigiado e no cargo. É o tipo de declaração desnecessária quando o secretário não está a perigo. O secretário de Obras é presidente estadual do PTB e é deputado Federal. Ao assumir a responsabilidade por tudo que fizeram seus auxiliares mais próximos, botou a sua cabeça e a cabeça da polícia no cadafalso.  Resta saber se alguma delas rolará.

POR QUE O NÚMERO DE BENEFICIÁRIOS DO BOLSA FAMÍLIA SÓ CRESCE?!!!!

Há oito meses, boatos sobre o fim do Bolsa Família causaram pânico e levaram milhares de pessoas a agências da Caixa Econômica Federal em todo o país. Em meio ao episódio, duas cenas exibidas em telejornais foram reproduzidas na internet por seu aspecto inusitado. Elas mostravam beneficiárias do programa fazendo queixas incomuns. Francisca Flores, de São Luís (MA), reclamava: “Só ganho 134 reais e não está dando nem para comprar uma calça para minha filha, que tem 16 anos. Porque uma calça para uma jovem de 16 anos (sic) é mais de 300 reais”. Diana dos Santos, de Fortaleza (CE), contou diante das câmeras: “Eu fui à lotérica, como vou de costume, fazer um depósito na poupança do meu esposo. Fui depositar o dinheiro. Como eu já estava lá, aproveitei, levei o cartão, e tirei o Bolsa Família”.

Francisca acreditava que o dinheiro do auxílio do governo deveria ser usado para bancar bens de consumo mais caros do que os que o trabalhador médio pode bancar com seu salário. Diana revelou, sem se incomodar, que sua família poupa dinheiro mensalmente – e quem faz poupança evidentemente não está em situação de emergência financeira. É difícil estimar a quantidade de beneficiários irregulares do Bolsa Família: mas os exemplos de Francisca e Diana mostram que há algo de errado com o programa. Os números de 2013 reforçam esta impressão.
No ano passado, o total de beneficiários e o valor gasto com o programa atingiram novos recordes. Foram 20,6 bilhões de reais, pagos a 14,1 milhões de famílias. O próprio Ministério do Desenvolvimento Social aponta que mais de 50 milhões de pessoas, ou seja, mais de 25% da população brasileira, são atendidas pelo Bolsa Família. É o equivalente à população da África do Sul.
Em 2004, as dimensões eram bem menores: o total pago foi de 5,5 bilhões de reais, divididos por 6,6 milhões de famílias. Para 2014, os números indicam que deve surgir um novo recorde: o Orçamento previsto para o programa é de 25,2 bilhões de reais. Uma elevação tão acelerada no número de dependentes de auxílio governamental não aconteceu nem na parte da Europa que mergulhou em uma grave crise econômica nos últimos anos. Comparado com o total do orçamento, o valor significa pouco mais de 1% dos gastos do governo. O problema é a ampliação indefinida no programa. Não é exagero afirmar que, se fosse mantida a curva de crescimento, metade dos brasileiros poderia ser beneficiada com o dinheiro do Bolsa Família daqui a dez anos.
A presidente Dilma Rousseff tem como meta para 2014 incluir no programa outras 500.000 famílias – cerca de 1,8 milhão de pessoas – que teriam direito ao benefício mas estão fora do cadastro dos programas sociais do governo. Fora isso, o crescimento vegetativo e as oscilações da economia podem lançar no Bolsa Família novos beneficiários. É fácil entrar no programa – e a saída não é tão rápida: mesmo que a família passe a receber acima do limite de 140 reais mensais per capita, o corte no auxílio financeiro não é automático. Se a renda per capita não ultrapassar meio salário mínimo (362 reais), o cancelamento do benefício só é feito durante o período de revisão cadastral, em outubro de cada ano.
O governo usa o Bolsa Família como exemplo de uma medida bem sucedida. Mas como um programa criado para tirar pessoas da pobreza pode ser elogiado se o número de dependentes aumenta a cada ano? O crescimento vegetativo da população é uma explicação insuficiente, já que a quantidade de beneficiários sobe muito mais rapidamente do que a de brasileiros. “Se uma em cada quatro pessoas recebe Bolsa Família, isso quer dizer que três em cada quatro pagam por uma quarta. Não me parece que a longo prazo isso seja sustentável”, diz o economista Adolfo Sachsida, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O combate à pobreza é necessário, e o Bolsa Família cumpre essa função. Mas a expansão indiscriminada no número de atendidos pode não ser um simples lapso. Para o governo, há pouco a perder e muito a ganhar com o crescimento descontrolado no número de assistidos pelo dinheiro público: um programa relativamente barato, que tem pouca rejeição popular, mantém dependente do Estado uma parcela cada vez maior dos cidadãos. Com a devida propaganda, a lealdade desse eleitorado a cada quatro anos costuma ser elevada.
Fiscalização
As falhas na fiscalização também ajudam a explicar o número cada vez maior de beneficiários, apesar do crescimento da economia. Trabalhadores que possuem empregos informais – segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 40 milhões de pessoas – por vezes acabam burlando as regras e recebendo o benefício. “Não tem sido feito um controle adequado e isso desvirtua o programa”, diz o professor Newton Marques, da Faculdade de Economia da Universidade de Brasília (UnB).
Relatos de fraudes no programa não são raros: algumas das irregularidades descobertas envolvem pagamentos em nome de crianças, estrangeiros, mortos e até animais. As dificuldades na verificação dos critérios facilitam os desvios. A fiscalização é feita no plano municipal, com o uso de ferramentas oferecidas pelo governo federal.
Em um fórum virtual que reúne gestores do Bolsa Família, os relatos sobre as dificuldades são frequentes. Em uma das mensagens publicadas na página, um funcionário admite que não pretende cancelar os pagamentos a uma beneficiária que, pelas regras, já ultrapassou a renda exigida para participar do Bolsa Família: “Eu me sinto frustrado em ter que fazer parte desse processo. Será por iniciativa minha que ela deixará de receber o dinheiro que já está acostumada a receber. Sou eu quem irá explicar o motivo de ela estar com o beneficio bloqueado. Enfim, serei eu quem irá escutar as reclamações, ameaças e tudo mais”, diz ele.
O Bolsa Família contempla os núcleos familiares com menos de 70 reais de renda per capita ou famílias que tenham renda de até 140 reais per capita e possuam ao menos um jovem menor de quinze anos. O menor auxílio pago aos beneficiários do programa é de 32 reais. De acordo com a renda familiar e a quantidade de filhos, o valor pode subir muito: há beneficiários que recebem 600, 700 e até 800 reais por mês. O valor médio pago é de 120 reais.
Um dos problemas mais graves do Bolsa Família é a falta das tão propaladas portas de saída. Apenas 12% dos atendidos pelo programa abriram mão do benefício até hoje, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social. E não se pode dizer que eles superaram a miséria necessariamente graças ao auxílio do governo.
O efeito do programa também pode ser uma das explicações para a baixa no índice de desemprego. A metodologia aplicada pelo IBGE só considera desempregada a pessoa que, tendo mais de dez anos, procurou um emprego nos trinta dias anteriores à pesquisa e não encontrou. Com o Bolsa Família garantido por tempo indeterminado, argumentam alguns economistas, muitas pessoas não se dedicam com afinco à procura por um novo trabalho. Como consequência, elas não são vistas estatisticamente como desempregadas.
Adolfo Sachsida e Newton Marques concordam que seria adequado instituir um limite temporal – três ou quatro anos, sugere o pesquisador do Ipea – para que os beneficiários busquem uma qualificação e adquiram uma fonte de renda por conta própria. Mas, dado o potencial eleitoral do programa, nenhum partido político encampa uma proposta do tipo.
Eleições
No período eleitoral de 2014, não haverá debates sobre o fim do Bolsa Família, nem sobre a instituição de limites temporais ao programa. O candidato do principal partido de oposição, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), já se vacinou contra os potenciais boatos de que iria encerrar o programa: apresentou um projeto de lei transformando o benefício em política de Estado.
“Não se pode falar disso durante a eleição. E a principal razão é esta: 50 milhões de pessoas dependem do programa”, diz o professor Paulo Kramer, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB). Ele lembra que, em 1996, o governo americano implementou uma reforma no sistema de assistência social para impor limites temporais aos benefícios concedidos às famílias pobres. As mudanças implementadas por Bill Clinton alteraram o modelo implementado três décadas antes, no governo de Lyndon Johnson.
O desgaste do sistema anterior era evidente: muitas pessoas em perfeitas condições de procurar trabalho deixaram de fazê-lo para não perder os benefícios; o número de crianças nascidas fora do casamento aumentou, já que os homens solteiros já não se sentiam obrigados a assumir a responsabilidade financeira sobre as crianças; e os gastos federais com a assistência social impediam o saneamento das contas públicas.
A regra aprovada em 1996, após um esforço suprapartidário, instituía um prazo de dois anos para que o beneficiário encontrasse um trabalho; depois disso, ele perderia direito ao auxílio financeiro. Durante toda a vida, o cidadão poderia receber o benefício por no máximo cinco anos. Também foram criados incentivos para a responsabilidade individual dos assistidos. É bom lembrar: Bill Clinton pertence ao Partido Democrata, mais à esquerda. Isso não impediu a reforma moralizadora.
É razoável que o governo auxilie famílias que, por razões diversas, estejam à beira da miséria. O debate gira em torno do modelo aplicado: sem critérios rigorosos e apoio à autonomia dos mais pobres, programas de assistência social podem causar efeitos negativos. É a lição que os Estados Unidos aprenderam e que, aparentemente, o Brasil ainda precisa aprender. 

A ESQUERDA BOCÓ JÁ ESTÁ DE OLHO NO "ROLEZINHO"....

Esquerdistas bocós (existem os não bocós?) já estão de olho no “rolezinho”. Aqui e ali, noto a vocação ensaística de alguns dos meus coleguinhas na imprensa. Já há gente, assim, treinando o olhar para teorizar sobre mais essa erupção — e irrupção — da luta de classes. É fácil ser bobo. Fosse mais difícil, não haveria tantos bobalhões. Daqui a pouco o Gilberto Carvalho chama os teóricos dos “rolezinhos” para um bate-papo no Palácio do Planalto. O “rolezinho”, que até pode ter começado como uma brincadeirinha irresponsável nas redes sociais, está começando a virar, vejam vocês!, uma questão política — ao menos de política pública. A coisa pode ser tornar mais séria do que se supõe. Infelizmente, noto que muita gente, inclusive na imprensa, está tentando ver essas manifestações como se fossem uma espécie de justa revolta de jovens pobres contra templos de consumo da classe média.

Isso é uma tolice, um cretinismo. Os shoppings têm se caracterizado como os mais democráticos espaços do Brasil. São áreas privadas de uso público, muito mais seguras do que qualquer outra parte das cidades brasileiras. Os pais preferem que seus filhos fiquem passeando por lá a que façam qualquer outro programa, geralmente expostos a riscos maiores. É uma irresponsabilidade incentivar manifestações de centenas ou até de milhares de pessoas num espaço fechado. Ainda que parte da moçada queira apenas fazer uma brincadeira, é evidente que marginais acabam se aproveitando da situação para cometer crimes, intimidar lojistas e afastar os frequentadores.
Esse negócio de que se trata de uma espécie de revolta dos pobres contra os endinheirados é uma grossa bobagem. Boa parte dos shoppings de São Paulo, hoje em dia, serve também aos pobres, que ali encontram um espaço seguro de lazer. A Polícia precisa agir com inteligência para que se evite tanto quanto possível o uso da força. É necessário mobilizar os especialistas em Internet da área de Segurança Pública para tentar identificar a origem dessas convocações.
É preciso, em suma, chegar à raiz do problema. As redes sociais facilitam essas manifestações, como todos sabemos, mas é evidente que elas não são espontâneas. Há pessoas convocando esse tipo de ação, que pode, sim, como se viu no Shopping Metrô Itaquera, degenerar em violência.
No dia em que os shoppings não forem mais áreas seguras, haverá fuga de frequentadores, queda de vendas e desemprego. E é certo que estamos tratando também de um sério problema de segurança pública. Num espaço fechado, em que transitam milhares de pessoas, inclusive crianças, os que organizam rolezinhos estão pondo a segurança de terceiros em risco.
E que ninguém venha com a conversa de que se trata apenas do direito de manifestação num espaço público. Pra começo de conversa, trata-se, reitero, de um espaço privado aberto ao público, que é coisa muito distinta. De resto, justamente porque os shoppings têm essa dimensão pública, não podem ser privatizados por baderneiros que decidiram ameaçar a segurança alheia. Encerro notando que o Brasil precisa ainda avançar muito na definição do que é público. Infelizmente, entre nós, muita gente considera que público é sinônimo de sem-dono. É justamente o contrário: o público só não tem um dono porque tem todos. Por Reinaldo Azevedo

UMA ENTREVISTA DE RACHEL SHEHERAZADE

Na Folha de domingo, a colunista Mônica Bergamo entrevistou a jornalista Rachel Sheherazade, apresentadora de um telejornal “SBT Brasil” e também colunista. Num dado momento, lê-se o que segue (em azul):

(…)
Confessa não ser vaidosa. “É um suplício”, diz ao se dirigir ao camarim para ser maquiada. No caminho, elogia Reinaldo Azevedo, colunista da Folha e da revista “Veja”. “Ele é um fofo! Me defendeu na história do Lula.”
A tal história: o ex-presidente teria se referido a ela como “uma jornalista do SBT, de 20 e poucos anos” que faz críticas “sem embasamento”. Azevedo fez um texto em defesa da colega em seu blog.
(…)
Retomo
Defendi, sim. Rachel Sheherazade é corajosa, fala o que pensa. Num país viciado em adesão, ela sabe ser independente. E, como se vê, há público para isso. “Ah, essa moça só quer causar…”, já escreveram aqui. É mesmo? Convenham: ser puxa-saco deve ser muito mais fácil, não? Há muito mais gente “causando” a favor, certo? E achei bacana o seu elogio. Acho que é a primeira vez que alguém diz que sou “fofo”. Nunca me vi por esse ângulo, hehe. Até que é bom! Por Reinaldo Azevedo

O SOCIALISMO DO PSOL COMEÇOU EM ITAOCARA. E A CIDADE MERGULHOU NO CAOS!


O prefeito Geksimar Gonzaga, de Itaocara: ele pode ser incompetente, mas é convicto...
O prefeito Geksimar Gonzaga, de Itaocara: ele pode ser incompetente, mas é convicto…
Chamem o Caetano Veloso!
Chamem o Wagner Moura!
Chamem o Chico Buarque!
Eles precisam correr para Itaocara, no estado do Rio de Janeiro, para ver como se dá a aplicação prática dos fundamentos do PSOL. E, claro, têm de arrastar também o deputado estadual Marcelo Freixo. Leiam o que informam Daniel Haidar e Thiago Prado, na VEJA.com.
Alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, o prefeito de uma pequena cidade pega o próprio carro, um Fusca montado com caixas de som, e passa a convocar a população aos brados para protestar na Câmara Municipal, controlada pela oposição. Poderia ser Sucupira, a cidade fictícia de Odorico Paraguaçu em O Bem Amado, mas a cena ocorreu em meados de dezembro em Itaocara, no Noroeste Fluminense. “Se quiser me matar pode matar. Nós acabamos com a corrupção, por isso estão com raiva”, diz, em um trecho de sua pregação, registrada em vídeo e publicada no Youtube, o prefeito Gelsimar Gonzaga, primeiro governante eleito pelo PSOL no país. O município de 23.000 habitantes imediatamente tornou-se vitrine para o partido. Ex-sindicalista, Gelsimar assumiu com medidas populistas, como a redução do próprio salário e a escolha de secretários em “assembleias populares”, por aclamação. O resultado dessas e outras experiências, em confronto com as necessidades da população e a realidade das pequenas cidades, é um caos administrativo e político que paralisa o poder público e pune a população.
Os 44% obtidos pelo PSOL na cidade puseram Itaocara no mapa do partido no primeiro turno de 2012. A cidade logo virou vitrine e tornou-se ponto de peregrinação dos cabeças da sigla, como Ivan Valente, deputado federal por São Paulo, Luciana Genro, ex-deputada pelo Rio Grande do Sul, e Marcelo Freixo, deputado estadual fluminense. Itaocara, desejava o partido, deveria ser um modelo de gestão inovador, diferente de “tudo isso que está aí”, sem fisiologismo e concessões a aliados políticos. O primeiro ano da gestão de Gelsimar, no entanto, não saiu como imaginavam ele e o partido. Em guerra com o Legislativo, que transformou a CPI em uma “comissão processante”, com poderes para aprovar inclusive o impeachment do mandatário, Itaocara terminou 2013 com salários atrasados para servidores, médicos em greve e nenhuma perspectiva de solução no impasse com os vereadores.
O caos em Itaocara mobilizou a cúpula do PSOL no Rio de Janeiro. No fim do ano passado, o partido pôs na rua uma operação que se assemelha às velhas práticas da política. Com Gelsimar encurralado na Câmara Municipal – dos onze vereadores, dez são de oposição –, foi necessário recorrer a um aliado para tentar evitar que a vitrine socialista se transforme em vexame nacional. O processo foi liderado pelo deputado estadual Marcelo Freixo, alçado ao status de maior liderança do PSOL no Estado desde a conquista do segundo lugar na eleição contra Eduardo Paes (PMDB). Ao perceber que uma Câmara dominada pelo PR estava articulando o impeachment do aliado, Freixo buscou ninguém menos do que Anthony Garotinho para tentar uma composição. O ex-governador e atual deputado federal é abertamente criticado por Freixo e pelo PSOL.
De início, não foi simples construir um acordo pela governabilidade em Itaocara. O PSOL faz oposição ferrenha ao governo de Rosinha Garotinho em Campos dos Goytacazes (RJ), influenciando sindicatos e dificultando a adoção de medidas na área da educação. Mas Garotinho cedeu – não por solidariedade, ressalte-se. Simplesmente por ter outros adversários mais importantes para se preocupar em 2014, como Sérgio Cabral (PMDB) e Lindbergh Farias (PT). O pedido de ajuda do PSOL a Garotinho é o prenúncio de outro muito maior que está por vir: Freixo precisará dos votos do PR se não quiser ver cassada Janira Rocha, a deputada estadual que desviou dinheiro de um sindicato para campanhas do PSOL.
Com alguns telefonemas, Garotinho articulou um encontro entre Freixo e o vereador Robertinho, presidente da Câmara de Itaocara. A conversa nas últimas semanas de 2013, também presenciada pelo deputado federal Paulo Feijó (PR), o deputado estadual Paulo Ramos (PSOL) e dois vereadores, traçou um cenário de paz para este ano. Não será tão simples: Robertinho diz que não dará trégua e chama Gelsimar de “louco”. Ele acusa o prefeito de beneficiar apadrinhados com pagamento de horas extras e de ter contratado um ônibus por 7.000 reais para levar estudantes a um congresso do PSOL em Goiânia.
Para tirar o poder público da imobilidade, a prefeitura tem recorrido aos quadros do PSOL nacional que podem destinar recursos para Itaocara. Para 2014, os deputados federais Chico Alencar e Jean Wyllys reservaram 3 milhões de reais, cada um, para a estruturação de unidades especializadas em saúde. Dos 15 milhões de reais em emendas a que tinha direito em 2013, Wyllys reservou 4,1 milhões de reais para o município de Gelsimar. O governo federal só empenhou, desse total, 1,5 milhão para a construção de um novo hospital na cidade. A secretária municipal de Saúde, Wanessa Gonzaga de Oliveira, no entanto, diz que os recursos não podem financiar outro hospital e serão usados na unidade atualmente em funcionamento, mesmo sendo este um prédio em área de risco de inundações.
Gelsimar só pode contar com os amigos. O prefeito tentou, em um encontro com o vice-governador, Luiz Fernando Pezão, obter asfaltamento de vias na cidade. Até hoje, não houve movimento nesse sentido. E o programa Somando Forças, marca do governo Sérgio Cabral em suas obras no interior, não destinou recursos para o município governado pelo PSOL.
Agente de saúde concursado, Gelsimar, que até a eleição era também presidente do sindicato dos Servidores Municipais da cidade, defende sua gestão citando, como um dos principais feitos, o subsídio às passagens de ônibus intermunicipais para estudantes universitários, a um custo de 80 mil reais por mês. Não restou muito para mostrar. As medidas inéditas não sobreviveram. Dos secretários de Saúde, Educação, Obras e Agricultura, aclamados em assembleia popular, três abandonaram o governo. “Não aguentaram a pressão”, sentencia o prefeito.
Há, de fato, muita pressão. Mas só ela não explica a história. Um deles, o bombeiro Eduardo Moreno, é investigado pelo Ministério Público pela suspeita de utilizar recursos da prefeitura sem ter sido nomeado. O vice-prefeito Juninho Figueira (Pros), que virou adversário político de Gelsimar em outubro, diz que Moreno chegou a trabalhar como secretário. O secretariado também acabou envolvido nas velhas práticas da política, criticada por Gelsimar e pelo PSOL. Escolhido por Gelsimar, o secretário municipal de Administração, Alexandre Souza da Fonseca, contratou a própria mulher para trabalhar na pasta. Teve de deixar o governo logo no começo. Corre no Ministério Público do Estado do Rio um inquérito para investigar a contratação.
Insatisfeito com a reduzida quantidade de cargos comissionados em comparação com a administração anterior, Gelsimar tentou criar por decreto municipal mais de 100 vagas de Direção e Assessoramento Superior (DAS). Mas logo teve de desistir do projeto, que começou a ser investigado pelo MP por ser inconstitucional. “Caíram de 160 cargos comissionados na gestão anterior para cerca de 20 nesta, por aprovação da Câmara Municipal. O certo é fazer concurso público. Mas era a solução que tinha”, disse Gelsimar em entrevista ao site de VEJA.
Saúde
O Hospital Municipal de Itaocara, único público na cidade, é exemplo dos desafios que a prefeitura enfrenta. Instalado em área de risco de inundações na beira do leito do rio Paraíba do Sul, a unidade sofre com filas, falta de médicos, atrasos em exames e consultas. O prefeito considera uma vitória de sua gestão, na área de saúde, ter adquirido, no primeiro ano de governo, um aparelho de ultrassonografia para exames. O equipamento foi entregue em dezembro, mas ainda estava lacrado na caixa na semana passada.
Na última quinta-feira, a dona-de-casa Sandra Carrilho, 40 anos, esperou mais de uma hora para que o vizinho, com uma hemorragia em uma cicatriz aberta na cabeça, fosse medicado. “As enfermeiras não trabalham direito. Tem médico que só atende o paciente em pé no consultório, de tanta pressa. O hospital está uma imundície”, dizia.
Itaocara não chega a ser uma cidade complexa. O município possui apenas uma linha de ônibus para circular pela cidade, de hora em hora. Não existe cinema – reclamação constante de moradores. Mas há demandas mais urgentes. Na estimativa da prefeitura, falta asfaltar 10 quilômetros de ruas na área urbana e 800 quilômetros em vias rurais. Responsável por 0,06% do PIB do Rio de Janeiro, a economia de Itaocara dobrou de tamanho de 1999 a 2011, gerando 281 milhões de reais em riquezas. A maior parte desse dinheiro é dependente da renda gerada pelo setor público, que saiu de um peso de 29,91% da atividade econômica para 38,57% no período. Os gastos estão próximos do limite: a despesa com pessoal foi de 12,6 milhões de reais, ou 41% da receita corrente líquida, de 30,9 milhões de reais, de janeiro a outubro deste ano – o máximo a que se pode chegar, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, é 54%. O município é o maior produtor de quiabo do Estado – os agricultores reclamam que nenhuma das ações de Gelsimar para incentivar a agroindústria saiu do papel até hoje.
A falta de disposição de negociar com aliados foi o que motivou o racha entre Gelsimar e o vice-prefeito, Juninho. O prefeito alega que o vice pediu três secretarias para permanecer no governo e não sair do PSOL. O vice, por sua vez, diz ter requisitado apenas uma pasta. E acusa Gelsimar de ameaçar demitir sua noiva, contratada temporariamente assim que o partido assumiu a prefeitura. A noiva do vice pediu demissão. E Juninho, agora em uma trincheira contra o ex-aliado, diz que abandonou o grupo por falta de espaço para trabalhar e por não concordar com a cobrança de uma taxa de 20% do salário de 7.500 reais, feita pelo PSOL, a título de “exigência estatutária do partido”. Juninho conta que ficava incomodado em entregar 900 reais em espécie, todo mês, para uma secretária do prefeito, sem saber no que seria usado o dinheiro. “Ficava preocupado, porque não sabia para onde estava indo. Sentia até que estavam me lesando. Entregava o dinheiro na mão de uma secretária de confiança do prefeito”, diz.
O vice tem mais munição. Acusa o prefeito, que é presidente do diretório municipal de Itaocara, de ameaçar com represálias funcionários que não se filiavam ao PSOL. O Ministério Público investiga se o prefeito exige que comissionados e contratados sejam filiados ao PSOL para serem efetivados. Gelsimar nega. “Fizeram campanha maciça para filiar funcionários. Ou era do PSOL ou estava fora. Tinha uma leve perseguição”, acusa.
Atribui-se à postura radical do prefeito a responsabilidade pela paralisia no crescimento da cidade. Os salários atrasados dos servidores atrapalharam até as vendas de fim de ano, reclamam comerciantes. Embora diga que mantém “relações republicanas” com os outros poderes, Gelsimar chega a dizer que não há possibilidade de negociar com os vereadores pela aprovação de projetos. “No Brasil, esquerda é perseguida mesmo. Quando negocia, vai para a cadeia como José Genoíno e José Dirceu. Quando não negocia, é cassada. Mesmo que eu seja cassado, não negocio com ninguém”, avisa Gelsimar. Por Reinaldo Azevedo

XISTO REDUZ VENDA DA PETROBRAS AOS ESTADOS UNIDOS

A alta velocidade com que os Estados Unidos ampliam sua produção de petróleo de xisto mudou o cenário geopolítico global associado ao combustível e contribuiu para uma redução de 60% nas exportações brasileiras do produto para o mercado americano em um período de dois anos. Em 2013, pela primeira vez, a Petrobrás vendeu mais para a China do que para os Estados Unidos, que durante anos foi seu maior comprador. Desde 2008, os Estados Unidos ampliaram em 50% a sua produção, graças à tecnologia que permite a retirada de petróleo de rochas de xisto. Só no ano passado, a expansão foi de 1 milhão de barris/dia, mais que a soma do aumento registrado em todos os demais países, segundo dados oficiais. A previsão do governo é que aumento semelhante se repetirá em 2014, o que elevaria a produção americana a 8,5 milhões de barris/dia. Com expansão adicional de 800 mil barris esperada para 2015, o volume chegaria a 9,3 milhões de barris dia, próximo ao recorde de 9,6 milhões alcançado em 1970. A maior produção diminuiu a dependência dos americanos de importações do instável Oriente Médio e colocou a China na pouco invejável posição de maior importador mundial de petróleo, inclusive do Brasil. Em 2005, os Estados Unidos importavam 60% do combustível que consumiram. No ano passado, o porcentual caiu a 36% e as projeções apontam para um índice de 25% em 2016.

CAI O DIRETOR PETISTA DA CONAB SUSPEITO DE CORRUPÇÃO

Investigado pela Polícia Federal por corrupção e desvio de recursos, o influente diretor de Política Agrícola da Cia Nacional de Abastecimento (Conab), Silvio Porto, não deve retornar após as férias. O cargo já vem sendo ocupado por João Marcelo Intini, por ele indicado – que, como é próprio de uma gestão anárquica, nem sequer foi oficializado. Operador e eminência parda do PT, Porto teve demissão solicitada por Maurício Todeschini, delegado da PF. Sua queda foi comemorada na Conab. Alvo da Polícia Federal, Silvio Porto é protegido da cúpula do PT e do ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República. Por suas costas largas, Silvio Porto não chegou a ser preso, mas é suspeito de integrar um esquema de desvio de recursos do Fome Zero. A Operação Agro-Fantasma, da PF, em setembro, investigou desvios no Programa de Aquisição de Alimentos, com recursos da Conab. A Polícia Federal cumpriu 92 mandados: 11 de prisão, 7 de suspensão da função pública, 37 de busca e 37 condução coercitiva, inclusive de Silvio Porto.