sábado, 5 de abril de 2014

DATAFOLHA: CAEM EXPECTATIVA DE VOTO EM DILMA E AVALIAÇÃO POSITIVA DO GOVERNO; POPULAÇÃO QUER MUDANÇAS, MAS AINDA NÃO AS IDENTIFICOU COM AS OPOSIÇÕES

Datafolha cenário 1
A Folha Online traz os dados da mais recente pesquisa Datafolha. Se a eleição fosse hoje — ainda bem que não é! —, no cenário mais provável, a presidente Dilma seria reeleita no primeiro turno, com 38% dos votos, contra 16% do tucano Aécio Neves e 10% de Eduardo Campos, do PSB, ex-governador de Pernambuco. Poderia ser um resultado desastroso, já digo por quê. Antes, vamos a alguns outros números (todas as ilustrações e gráficos foram feitos pela Editoria de Arte da Folhapress)..
avaliação do governo Dilma
O levantamento foi realizado nos dias 2 e 3. Há pouco mais de dois meses, Aécio tinha os mesmos 16%, e Campos, 9%. Logo, os dois estão onde estavam. Dilma, no entanto, caiu 6 pontos percentuais. Na pesquisa dos dias 19 e 20 de fevereiro, ela aparecia com 44%. Em relação ao levantamento anterior:
1 – houve um aumento de 4 pontos nos que acham o governo “ruim ou péssimo” (de 21% para 25%);
2 – caíram de 41% para 36% os que pensam que ele é ótimo bom, e variaram de 37% para 39% os que o consideram regular;
3-  a maior insatisfação está no Sudeste, onde o “ruim/péssimo” (31%) vence o “ótimo/bom” (28%); 40% acham apenas regular;
4 – a região mais satisfeita é o Nordeste: 51% de “ótimo/bom”, contra 12% de ruim/péssimo — para 36%, é regular;
5 – no Norte/Centro-Oeste, a avaliação positiva ainda supera a negativa: 32% a 25% (com 32% de regular);
6 –  no Sul, os índices tendem a se igualar, mas ainda são favoráveis à presidente: 33% a 29%, com 37% de regular.
7 - 
Atenção! Nada menos de 72% dizem esperar que o próximo governo aja de maneira diferente desse que está aí;
8 –  torcem pela mesma coisa apenas 24%.
Dito isso, voltemos ao fim do primeiro parágrafo.
Imaginem quão ruim seria eleger mais do mesmo quando, convenham, poucos estão realmente satisfeitos com o governo. Seria garantir a continuidade do que não está bom. Esses não são os únicos indicadores de insatisfação e de preocupação, não. Há outros:
9 –  65% acham que a inflação vai aumentar;
10 – 45% acreditam que haverá aumento do desemprego (só 20% pensam o contrário);
11 –  28% pensam que haverá aumento do poder de compra dos salários, mas 35% pensam o contrário.
1 2 – 9% avaliam que a economia vai piorar, contra 27% que preveem o contrário; 39% acham que ficam tudo na mesma;
13 – 63% dizem que Dilma fez menos do que esperavam.
É claro que esses não são números confortáveis para Dilma. E não há razão para supor que vá haver uma mudança substancial na economia — ao contrário até: alguns índices caminham na contramão dos que mantêm expectativas positivas. Mas…
As oposições
Mas os dois nomes da oposição ainda não empolgaram — ao menos segundo os dados da pesquisa. Se 72% querem um governo que atue de modo muito diferente desse, a soma dos pontos dos dois candidatos que se opõem a Dilma é de apenas 26%. Indagados sobre quem poderia fazer as mudanças esperadas, vejam como se distribuíram os que responderam a pesquisa:
Lula: 32%
Marina: 17%
Dilma: 16%
Aécio: 13%
Campos: 7%
Vale dizer: parte considerável daqueles 72% que esperam um governo diferente ainda aposta que a mudança possa ser conduzida pelos próprios petistas. Eis aí uma evidência de que os candidatos do PSDB e do PSB precisam assumir com mais clareza o discurso mudancista. Até porque, num eventual segundo turno, se a eleição fosse hoje, Dilma venceria Aécio por 51% a 31%, e Campos, por 51% a 27%.
Ruim para CamposAvalio que o resultado é particularmente ruim para Campos — e talvez os números lhe sirvam de alerta para mudar o rumo de seu estranho discurso. O horário político gratuito do PSB foi ao ar dia 27. Estava bem produzido, foi feito com competência, era coisa de profissionais. Ainda estão no ar as minipropagandas do partido. Mesmo com essa exposição massiva e com a queda de Dilma, ele não se mexeu: continuou nos 10 pontos percentuais.
Será que não há aí um indicador de que esse seu esforço para preservar Lula e o petismo — centrando seus ataques só em Dilma — acaba sendo ineficaz? Tendo a achar que sim. Tenho pra mim já há algum tempo que o ex-governador de Pernambuco ambiciona um lugar no discurso político que é difícil, quase impossível: o de continuador de Lula, mas sem pertencer ao PT. Notem: a maioria concorda, sim, com a pregação de Campos. Nada menos de 72% também acham que o governo precisa mudar. Mas 48% ainda escolhem petistas para fazer isso: 32% acham que Lula é que tem de operar essa transformação, e 16%, a própria Dilma. Só 7% acham que Campos é o homem certo para a missão.
Datafolha mudanças abril-2004
Aécio
O tucano Aécio Neves tem ocupado ativamente o espaço que cabe a um líder oposicionista, especialmente nestes dias de escândalos em série da Petrobras. Os índices ainda não se mexeram, mas é visível que existe potencial para isso. É claro que a exposição dos candidatos de oposição no noticiário ainda é muito menor do que a da já candidata à reeleição Dilma Rousseff.
Não parece plausível que Dilma vença a disputa no primeiro turno. Com índices muito melhores em 2006 e em 2010 em todas as áreas, o governismo não logrou tal intento. De resto, a eleição ainda não está entre as principais preocupações dos brasileiros. Se todos os partidos hoje na base governista se mantiverem unidos, Dilma terá um latifúndio na TV e do rádio: dos 25 minutos diários, terá nada menos de 15min25s — 62%. Aécio ficaria com 4 minutos: 16%, e Campos, com apenas 1min23s: 6%. Trata-se de uma diferença gigantesca. Mesmo assim, a oposição estará mais presente na TV e no rádio do que hoje. Na hipótese de um eventual segundo turno, essa diferença desaparece.
Há outra questão fundamental: 52% dizem conhecer Dilma muito bem, mas apenas 17% dizem o mesmo sobre Aécio, e 7%, sobre Campos. Só 12% nunca ouviram falar da petista, índice que chega a 33% quando é citado o nome do ex-governador de Pernambuco e a 35% quando se trata do senador mineiro. Quando se cruzam esses dados com a rejeição — os três estão com 33% —, chega-se a uma evidência: boa parte dos que rejeitam Dilma a conhecem de fato; no caso de Aécio e Campos, boa parte da rejeição pode se confundir com desconhecimento, o que também pode explicar a adesão ainda baixa às duas candidaturas.
Datafolha grau de conhecimento  abril
A população quer mudanças, mas ainda não encontrou o caminho. Cabe aos que se opõem ao governo esse trabalho de convencimento. Por Reinaldo Azevedo

OPOSIÇÃO QUER O "DEMOSTENES" PETISTA ANDRÉ VARGAS FORA DA VICE-PRESIDÊNCIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Diante de dados que mostram como o vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), articulava para ajudar o doleiro Alberto Youssef a obter sucesso em seus negócios, deputados da oposição cobram que o petista se afaste do cargo para que a Casa possa investigá-lo com isenção. Reportagem da edição de VEJA que chegou às bancas neste sábado mostra que o envolvimento de Vargas com o doleiro, preso em operação da Polícia Federal que desbaratou um esquema de lavagem de dinheiro, rendia benefícios além do empréstimo de um jatinho: o deputado prestava serviços a Youssef, encontrando oportunidades de negócio para o doleiro no governo federal. Vargas, inclusive, ajudou Youssef a obter um contrato de 150 milhões de reais com o Ministério da Saúde. Em mensagens trocadas em setembro do ano passado e interceptadas pela Polícia Federal, Youssef fez um apelo a Vargas: “Tô no limite. Preciso captar”. O vice-presidente da Câmara prontamente respondeu: “Vou atuar”. No mesmo dia, técnicos do Ministério da Saúde, então comandados por Alexandre Padilha, hoje candidato ao governo de São Paulo, foram destacados para certificar o laboratório farmacêutico Labogen Química Fina e Biotecnologia, de propriedade do doleiro. A ajuda foi materializada em um contrato inicial de 30 milhões de reais firmado com a pasta. Tais revelações desmentem a versão apresentada por Vargas na tribuna da Câmara. Na última quarta-feira, o petista negou ter se reunido no Ministério da Saúde para tratar do laboratório e afirmou que apenas “orientou” Youssef – como, diz ele, teria orientado qualquer sindicalista, empresário ou prefeito que o procurasse. Na ocasião, o afirmou ainda que foi um “equívoco” ter viajado em uma aeronave alugada pelo doleiro. O “presente” a Vargas custou 100.000 reais.“Agora não basta mais discurso, tem que ter um gesto. E esse gesto principal é de se licenciar do cargo para dar condições plenas de a Mesa Diretora avaliar com isenção essas denúncias que o colocam em uma situação muito difícil”, afirmou o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), referindo-se ao fato de que Vargas, por ser o vice-presidente da Câmara, integra a diretoria da Casa. “É óbvia essa relação promíscua e que o doleiro é operador de um dinheiro público desviado para o partido e para o deputado. O André Vargas é de confiança de Dilma e de Lula. Tomara que ele não siga essa cartilha do PT de dizer que não sabe de nada e que não cometeu nenhum crime. A primeira atitude que ele tem de tomar é se afastar da vice-presidência. Depois, renunciar”, completa o vice-líder do PSDB, deputado Nilson Leitão (MT). Com as novas denúncias contra o petista, a oposição vai ampliar os argumentos para solicitar que a Câmara o investigue. Embora a Secretaria-Geral tenha rejeitado o pedido do PSOL para que a Corregedoria avaliasse o caso do jatinho, o partido planeja incluir as novas revelações no parecer para insistir no pedido de investigação. “Quero uma posição definitiva da Mesa. Justamente porque ele é vice-presidente a diretoria tem de se pronunciar formalmente. É um constrangimento, neste momento, dizer que não há nada”, afirmou o líder Ivan Valente (PSOL-SP). Em uma segunda investida para que o caso seja apurado, o DEM e o PSDB vão acionar o Conselho de Ética no início da próxima semana. “Nós já tínhamos indicações claras de quebra de decoro com a viagem no jatinho. Agora, a situação assume uma nova dimensão e a gravidade das ocorrências vai ser incluída na representação”, disse o líder do PSDB, Antônio Imbassahy (BA). “As versão foram sendo mudadas no curso das notícias e o deputado está em uma situação cada vez mais complicada”, continuou o líder do DEM, Mendonça Filho (PE).

PROCESSO DA CONSPIRAÇÃO RODIN PODE PARAR DE NOVO, ADVOGADOS PEDEM CORREIÇÃO PARCIAL PARA ELIMINAÇÃO DE PROVAS OBTIDAS DE MANEIRA ILEGAL

Os advogados criminalistas gaúchos Ney Fayet Junior, Bruno Seligman de Menezes e Aury Lopes Jr ingressaram nesta sexta-feira, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, com representações em separado pedindo a instalação de correição parcial no processo nº 2007.71.02.007872-8, o processo da Conspiração Rodin, que tramita na 3ª Vara Federal Criminal de Santa Maria, com o juiz Loraci Flores de Lima. O advogado Ney Fayet Jr. representa Paulo Sarkis, ex-reitor da Universidade Federal de Santa Maria; Aury Lopes Jr. defende a advogada Denise Nachtgall Luz, e Bruno Seligman de Menezes é advogado da família Fernandes, com os seguintes membros: Lenir Beatriz da Luz Fernandes, Ferdinando Francisco Fernandes, José Antonio Fernandes e Fernando Fernandes. Os três advogados pedem a instauração de correição parcial no processo da "Conspiração Rodin", para que sejam extraídas dele as provas obtidas por meio de quebras de sigilos telefônicos, bancários e telemáticos. Estas provas foram alcançadas por meio de ordem judicial, cujos pedidos foram fundamentados pelas quebras de sigilo fiscal, consideradas ilegais, porque obtidas sem autorização judicial. Na semana passada, a ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça, concedeu liminar em Habeas corpus impetrado por Aury Lopes Jr. em favor de Denise Nachtgall Luz, mandando extirpar do processo essas provas, porque foram obtidas de forma ilegal, sem ordem judicial. As outras provas, de quebras de sigilos com autorização judicial, estariam "contamidas" pela origem ilegal. Também foi pedida a suspensão do processo durante o desenvolvimento da correição parcial.

PERDA DO FGTS COM AÇÕES JÁ É DE R$ 662 MILHÕES

O patrimônio líquido das aplicações em recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em ações da Petrobrás e da Vale diminuiu R$ 662 milhões este ano. Os dados consolidados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) até o fim de março apontam que o montante aplicado nos fundos encerrou dezembro em R$ 5,588 bilhões, mas agora está em R$ 4,926 bilhões. A queda no patrimônio dos fundos se acumula nos últimos anos e ocorre por diversos motivos. No caso da Petrobrás, há uma insatisfação de parte do mercado com a política de controle de preços do combustível promovida pelo governo. Em relação à Vale, houve uma rejeição no processo de como o governo atuou na troca de comando da empresa e, mais recentemente, há um temor com a desaceleração da economia chinesa - a empresa é grande exportadora de minério de ferro para o país asiático. Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) fez um alerta para que os países emergentes se ajustassem à "nova China" por causa da expectativa de crescimento menor para o país. "Grande parte do problema desses fundos é o mesmo enfrentado pelos acionistas que compram ações diretamente da Petrobrás e da Vale: a mudança na forma de gerenciar essas empresas no governo Dilma", afirma Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper. A maior parte da perda de patrimônio este ano está concentrada na Vale: queda de R$ 458,49 milhões. Na Petrobrás, o recuo é de R$ 203,34 milhões. Com relação a rentabilidade, os fundos que investem na petroleira perderam 6,72%, e os da mineradora recuaram 12,31%.
Pelo menos para os fundos do FGTS que investem em ações da Petrobrás, houve um alívio em março. Segundo a Anbima, esses fundos subiram 14,98%, revertendo parte das fortes quedas de janeiro (13,93%) e fevereiro (5,74% ). Já os fundos da Vale caíram 4,79% no mês passado. A melhora da Petrobrás acompanhou a subida da Bolsa. Em março, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) - principal termômetro do mercado acionário do País - avançou 7,05%, a maior alta mensal desde janeiro de 2012. As ações das empresas estatais puxaram o índice e foram impulsionadas pela queda na popularidade do governo, o que, para analistas, indica uma chance maior da oposição nas eleições de outubro e a possibilidade de uma gestão considerada menos intervencionista pelo mercado assumir o País a partir de 2015 e, assim, estabelecer uma política de preços para a petroleira. "A queda da aprovação acabou criando uma aposta de que possa haver uma mudança de governo e de política para as empresas estatais, mas é muito numa expectativa que pode ou não se confirmar", afirma Silvio Campos Neto, economista da consultoria Tendências. Apesar da perda de rentabilidade dos últimos anos, as aplicações em FGTS se revelam positivas no longo prazo. De agosto de 2000 até quinta-feira, quem adquiriu ações da Petrobrás teve ganho de 251,94%, segundo cálculo do Instituto FGTS Fácil. O resultado supera largamente o desempenho do tradicional FGTS, cujo rendimento é de 3% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR), que no período rendeu 88,27%. Os trabalhadores que aplicaram nas ações da Vale ganharam 621,94% desde fevereiro de 2002. No período, o FGTS rendeu 73,11%. O investimento de parte do FGTS em ações foi bastante popular no início da década passada e chegou a ter ganhos expressivos, sobretudo antes da crise financeira internacional iniciada em 2008. A possibilidade de comprar ações de empresas brasileiras com o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) foi permitida pelo governo brasileiro no início dos anos 2000. O limite para aplicação era de 50% da conta individual de cada trabalhador. O investidor também tinha direito à isenção de Imposto de Renda sobre o preço da ação desde que ela não fosse vendida em menos de um ano. A aplicação lastreada em papéis da Petrobrás começou em agosto de 2000. Na época, o governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso estimou que 320 mil pessoas compraram ações da petroleira com FGTS. O valor chegou a R$ 1,5 bilhão. No caso da Vale – chamada da Companhia da Vale do Rio do Doce –, o início foi em fevereiro de 2002, também na gestão FHC. De acordo com números do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgados na época, 791 mil pessoas compraram ações das mineradora – 728 mil usaram o fundo de garantia. O valor investido na época superou as expectativas do governo. A demanda somou R$ 3,4 bilhões, mas o limite fixado era de R$ 1 bilhão, o que fez com que os investidores recebessem apenas 29% do que reservaram na época para aplicação. A venda pulverizada das ações da Petrobrás e da Vale foi uma das medidas usadas pela administração tucana para reforçar o caixa do governo. Para exemplificar, toda a negociação envolvendo os papéis da mineradora totalizou R$ 15,3 bilhões, o triplo da oferta, o que garantiu uma receita de R$ 4,4 bilhões.

PROVÍNCIA DE BUENOS AIRES DECRETA ESTADO DE EMERGÊNCIA

A província de Buenos Aires decretou "estado de emergência" por doze meses, em meio à crise de segurança da região, composta pela capital argentina e outros 133 municípios, onde vivem cerca de 15,6 milhões de pessoas, ou quase 40% da população do país. Segundo informações do jornal Clarín, são registrados quatro assassinatos por dia em Buenos Aires. De cada dez casos, seis foram com o uso de revólver, pistola, escopeta ou outra arma letal. O periódico considerou a medida do governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, "uma tentativa desesperada de evitar o risco de colapso na gestão política". O governador explicou que a decisão tem como objetivo "agilizar" os recursos materiais e humanos para enfrentar a situação. "Esta declaração de emergência servirá para aplicar todo o peso de um Estado presente aos assassinos e delinquentes. Temos que ser dinâmicos para perseguir, capturar e encarcerar os criminosos", disse, segundo o jornal La Nación. Ao anunciar o estado de emergência, o governador também afirmou que destinará 600 milhões de pesos para equipar as forças policiais da província, recursos que virão do Banco Provincia, e convocará 5 mil policiais aposentados para tarefas de prevenção e repressão. Scioli também explicou que a convocação é por um ano, até que novos policiais sejam formados. O governador também convocou "todas as forças políticas" para a realização de "esforços conjuntos" contra o crime e anunciou o envio de projetos de lei relacionados à segurança ao legislativo. "Não podemos seguir brigando entre as forças políticas. Se trata de defender a vida, nada menos. Não há espaço para egoísmos políticos", afirmou Scioli, segundo o Clarín.

POLÍCIA FEDERAL ESTOURA PROPINODUTO DA PETROBRAS NA OPERAÇÃO LAVA JATO. DELAÇÃO PREMIADA PODE DERRUBAR GOVERNO DO PT

Nove fornecedores da Petrobras depositaram R$ 34,7 milhões na conta de uma empresa de fachada controlada pelo doleiro Alberto Youssef, segundo laudo da Polícia Federal obtido pela Folha. A confissão de que a empresa não tem atividade de fato foi feita por um empregado do doleiro, Waldomiro de Oliveira, em nome de quem a MO Consultoria está registrada na Junta Comercial de São Paulo. A Folha teve acesso ao depoimento do funcionário, que decidiu colaborar com a PF na tentativa de receber uma pena menor. A polícia suspeita que a MO Consultoria servia para repassar propina para funcionários públicos e políticos. Outro laudo aponta que passaram por essa empresa um total de R$ 90 milhões entre 2009 e 2013. Segundo relatório da PF, há "fortes indícios da utilização das contas da empresa para trânsito de valores ilícitos". A consultoria foi descoberta pela PF durante a investigação da Operação Lava Jato, que apura lavagem de dinheiro com uso simulado de importação e exportação.
Os contratos da suposta consultoria eram uma forma de as empresas darem uma aparência legal a subornos, segundo suspeita da Polícia Federal. Há notas fiscais das consultorias, mas não há provas de que o serviço foi prestado, de acordo com a polícia. Grandes grupos que pagaram à MO atuam nas obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, suspeita de ter sido superfaturada. Os maiores pagamentos à consultoria foram feitos por duas empresas do grupo Sanko, fornecedor de tubos para empresas contratadas pela Petrobras: R$ 26 milhões. As vendas diretas da Sanko para a Petrobras subiram mais de 7.000% entre 2011 e 2013, segundo a empresa: de R$ 38,7 mil para R$ 2,77 milhões. Os maiores negócios da Sanko, porém, não são feitos diretamente com a Petrobras, mas com fornecedores da estatal. A Sanko diz que faturou R$ 120 milhões em 2013. Também estão na lista de pagadores da consultoria outras empresas que foram contratadas para a obra da refinaria em Pernambuco, como o consócio Rnest, formado por Engevix e EIT (R$ 3,2 milhões), Jaraguá Equipamentos (R$ 1,9 milhão), Galvão Engenharia (R$ 1,53 milhão) e OAS, tanto a construtora quanto a holding (R$ 1,18 milhão na soma). 
A obra da refinaria começou em 2005, durante o governo Lula, com a estimativa de que custaria US$ 2,5 bilhões (R$ 5,6 bilhões), mas a conta já chegou a US$ 17 bilhões (R$ 38 bilhões). Auditorias do Tribunal de Contas da União apontam que só nos quatro principais contratos da refinaria, que chegam a R$ 10,8 bilhões, o superfaturamento pode chegar a R$ 505 milhões. Um dos negociadores dos contratos da refinaria foi o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que também foi preso na Operação Lava Jato, por tentativa de ocultar documentos. A Polícia Federal suspeita que Costa tenha negócios com Youssef e que usava os canais do doleiro para pagar subornos. Policiais estimam que Youssef movimentou R$ 10 bilhões em quatro anos. Em seu depoimento, Waldomiro Oliveira disse que sua função no escritório do doleiro era "fazer contratos com empresas indicadas por Alberto Youssef e, em seguida, receber depósitos, que seriam posteriormente transferidos para empresas também indicadas por Alberto Youssef". O doleiro usava outras duas empresas para esse fim, segundo o colaborador: Empreiteira Rigidez e a RCI. Youssef é o mesmo doleiro que disponibilizou um jatinho para que o vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), viajasse para o Nordeste com a família. 

DATAFOLHA - DILMA COMEÇA A DERRETER ANTES MESMO DA CAMPANHA ELEITORAL

Editoria de Arte/Folhapress
Num ambiente dominado por crescente pessimismo com a economia e forte desejo de mudança, as intenções de voto na presidente Dilma Rousseff no principal cenário eleitoral caíram seis pontos desde o final de fevereiro. Apesar disso, os principais adversários da petista, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), não cresceram. Assim, a pesquisa Datafolha de 2 e 3 de abril mostra que Dilma seria reeleita no primeiro turno com 38% dos votos. Aécio teria 16%. Campos, 10%. Candidatos de partidos menores somam 6%. Nos cinco cenários testados, a única candidata que forçaria um segundo turno seria a ex-senadora Marina Silva (PSB), com 27% dos votos, 4 pontos a mais que em fevereiro. Marina fica 12 pontos atrás de Dilma. Com um desempenho melhor que o de Dilma, só o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu maior cabo eleitoral. Lula, que sempre repete não ter interesse em disputar neste ano, apresenta leve tendência de queda em relação às pesquisas anteriores, mas ainda lidera todos os cenários com grande vantagem. A deterioração das expectativas com inflação, emprego e poder de compra dos salários também ajuda a explicar a queda na aprovação do governo. A atual pesquisa detectou uma disparada do sentimento de frustração com as realizações da presidente Dilma. Hoje, 63% dos brasileiros dizem que ela faz pelo país menos do que eles esperavam. Há pouco mais de um ano essa taxa era de 34%.

DATAFOLHA: AVALIAÇÃO DE DILMA VAI DE MAL A PIOR. DESEJO DE MUDANÇA JÁ ALCANÇA 72% DOS BRASILEIROS


Avaliação da presidente desaba em dois meses.
63% dos brasileiros estão frustrados com Dilma.
Avaliação de Dilma só não é pior por causa do desempenho no Nordeste.

Em termos de renda, Dilma cai até mesmo nos mais pobres, em função de trazer de volta a inflação.

Desejo de mudança é praticamente igual ao enfrentado por FHC em 2002.
A inflação começa a ser percebida pela população e derruba avaliação de Dilma.

Os resultados da pesquisa não poderiam ser piores para Dilma. Ela desabou e os seus adversários não subiram. Não subiram porque não estão tendo a exposição semelhante a que ela tem, na mídia, não podendo, assim, apresentar as suas propostas. Nesta trajetória, com o início da propaganda eleitoral, o desejo de mudança e a péssima avaliação vão se transformar em intenção de voto. Nos seus adversários. Mesmo que a pesquisa não aponte segundo turno, exatamente por estes aspectos, ele virá. E dependendo da evolução da queda na atividade econômica e do aumento das denúncias de corrupção, Dilma poderá ter que lutar não para vencer no primeiro turno, mas por estar nele. Os gráficos acima são da Folha de São Paulo.

PETISTA ANDRÉ VARGAS FICOU RICO DESDE QUE ENTROU NA POLÍTICA, PATRIMÔNIO DE ANDRÉ VARGAS AUMENTOU 50 VEZES EM APENAS DEZ ANOS

Desde sua primeira eleição para vereador de Londrina (PR), em 2000, até sua campanha para deputado federal em 2010, o deputado André Vargas fez crescer seu patrimônio 50 vezes. Até entrar na política, em 2000, tudo o que o André Vargas tinha era um automóvel Monza 1993, avaliado em R$ 9 mil, e a sociedade em três pequenas empresas, cujas cotas somavam R$ 2.100,00. Já ntre 2006 e 2010, ele comprou um terreno de 121 mil metros quadrados em Iboporã, por R$ 100 mil, além de mais uma casa e um lote em Londrina por R$ 21.563,47. Os tempos de Monza foram esquecidos e o deputado chegou às eleições de 2010 como proprietário de três caminhonetes: Toyota Hilux, GM Tracker e Hyundai Vera Cruz. Na mesma época, tornou-se dono de duas empresas, com capital social de R$ 23.500,00. De acordo com sua declaração, o petista André Vargas guardava R$ 56.211,17 na Caixa Econômica Federal. O patrimônio total declarado na eleição passada foi de R$ 572.050,54. Na próxima semana, o PSDB e também o DEM vão protocolar uma representação no Conselho de Ética da Câmara contra Vargas por quebra de decoro, por suas relações com um criminoso, o doleiro Alberto Youssef, que lhe pagou um o fretamento de um Learjet 45 para que ele viajasse coma família para suas férias em João Pessoa (PB). O PSOL já havia feito um pedido para que a Corregedoria da Casa investigasse o envolvimento do deputado com o doleiro, que foi arquivado na sexta-feira pela Secretaria Geral da Mesa Diretora.

PSDB DIVULGA NOTA DE DESAGRAVO À EX-GOVERNADORA YEDA CRUSIUS

O PSDB do Rio Grande do Sul divulgou neste sábado, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, uma nota de desagravo à ex-governadora do Estado, Yeda Crusius. Segundo o partido, o ato aconteceu após o arquivamento da ação contra a ex-governadora no processo da Operação Rodin (denominada pelo ex-deputado João Luiz Vargas como "Conspiração Rodin"), que "apenas reforça a confiança que todos os tucanos depositaram na gestora que em apenas quatro anos promoveu transformações significativas a favor do Estado", segundo a nota. No ato, Yeda Crusius agradeceu "o papel dos deputados em sua defesa". Segundo ela, os colegas apresentaram "diuturnamente os argumentos que somente neste momento foram considerados para o arquivamento da representação". O documento é assinado pelo presidente estadual do partido, Adilson Troca, pelo líder da bancada do partido na Assembléia Legislativa, Jorge Pozzobom, além de Micheli Petry (presidente da JPSDB-RS), Angêla Sarquiz (presidente do PSDB Mulher RS) e Gabriela Cruz (presidente da Tucanafro-RS). Leia a nota de desagravo divulgada pelo PSDB neste sábado, na íntegra: "Os integrantes do PSDB sempre acreditaram na conduta irrepreensível da governadora Yeda Crusius. O arquivamento da representação criminal contra Yeda Crusius no caso Rodin apenas reforça a confiança que todos os tucanos depositaram na gestora que em apenas quatro anos promoveu transformações significativas a favor do Estado do Rio Grande do Sul. Enquanto partidos políticos opositores ao projeto de desenvolvimento do PSDB no Estado, em especial o PT, tentavam desconstruir a imagem da governadora por meio de acusações – agora comprovadamente falsas –, o governo tucano trabalhava intensamente, recuperando as finanças públicas, reduzindo o déficit estrutural nas contas do Estado e conquistando a retomada da capacidade de investimentos do Estado. Todos sabemos que, por consequência do déficit zero (governo que gasta o mesmo que arrecada), foram investidos em quatro anos R$ 4,7 bilhões em educação, saúde, segurança, infraestrutura, habitação, agricultura, irrigação e muitas outras áreas. Além disso, o governo de Yeda Crusius reduziu em 30% as despesas de custeio da estrutura administrativa e obteve o aval para operação de crédito de U$ 1,1 bilhão com o Banco Mundial (BIRD) para reestruturação de parte da dívida do Estado. Cabe salientar que mesmo diante desses feitos a favor dos gaúchos, o PT e seus aliados seguiram na tarefa de desestabilizar politicamente a governadora Yeda Crusius. O processo que foi arquivado nada mais tinha do que bravatas de lideranças partidárias irresponsáveis, que de maneira inconsequente enganaram a opinião pública por motivações escusas. Em suma: um barulho grosseiro, indigno e reles, levantado pelo PT na antevéspera das eleições. Lamentavelmente serviu para tirar o PSDB do governo do Estado, mas em nenhum momento convenceu a Justiça, que considerou imprestáveis como provas as pretensas alegações contra a governadora. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo arquivamento do processo por concluir que não existiram indícios nem provas de fraude no Detran/RS, especialmente no período de 2007. O magistrado arrematou: “Analisando os autos, verifico que razão assiste ao órgão ministerial, cujas razões adoto, por brevidade, como fundamento do presente ‘decisum’. Ante o exposto, determino o arquivamento do presente procedimento". A honorabilidade da ex-governadora Yeda Crusius está restaurada. Mas, não a dos gaúchos, afrontados por uma denúncia inconsequente do Ministério Público Federal que, na reta final do processo, pede ao juiz que ela seja excluída do processo por absoluta falta de provas. Mas, então, se não tinham provas, por que os procuradores federais a denunciaram? Assim, a honorabilidade dos gaúchos não está íntegra. Depende agora, novamente, de Yeda Crusius. E será alcançada no momento em que ela promover as respectivas ações contra os procuradores federais que a acusaram com falta de provas.

NA VEJA DESTA SEMANA - TCHAU, EX-DEPUTADO PETISTA ANDRÉ VARGAS! VAI RENUNCIAR AGORA OU AGUARDA A CASSAÇÃO DO MANDATO?

Em seu blog, André Vargas exibe suas amizades influentes; acima, em companhia de Dilma
Em seu blog, André Vargas exibe suas amizades influentes; acima, em companhia de Dilma
Como lembra a “Carta ao Leitor” da edição de VEJA desta semana, costuma haver uma relação diretamente proporcional entre o ódio à liberdade de imprensa e o apreço pela lambança. Ou por outra: os que têm muito a esconder costumam ser os mais entusiasmados com a censura. E não seria diferente com o deputado André Vargas (PT-PR), ex-secretário nacional de Comunicação do PT, entusiasta do “controle social da mídia” (que é a expressão a que recorrem vigaristas para designar a censura), membro da tropa de choque que saiu em defesa dos mensaleiros e, por um bom tempo, chefe político da rede do subjornalismo delinquente que chama a si mesma, num rasgo de sinceridade, de “blogs sujos”. Pois é… O meteórico André Vargas meteu os pés pelos pés e foi flagrado pela Polícia Federal prestando serviços àquele que pode ser chamado, sem favor, de seu sócio: o doleiro Alberto Youssef, preso na operação Lava-Jato. O plano era encher o bolso de dinheiro, fazer a “independência financeira” às custas dos cofres públicos. Reportagem na edição de VEJA desta semana põe um ponto final na questão e, tudo indica, na meteórica carreira de Vargas. Parece que a questão agora é saber se ele renuncia já ou espera a cassação do mandato. Como se sabe, não existe mais voto secreto para proteger gente da sua estirpe.
Amigão de Youssef e “homem muito influente no PT”, Vargas era, nas hostes do governismo, como posso adequar o adjetivo à sua prática?, um fuçador de oportunidades de negócio para o doleiro, que sabia ser grato. Como informou a Folha, alugou um jatinho para levar o deputado e a família em viagem de férias à Paraíba. Custo do mimo: R$ 100 mil. O deputado folgazão definiu o agrado como “coisa de irmão”. Nem diga!
“Empresário” de múltiplos talentos, Youssef é dono de uma “empresa” de nome imponente: “Labogen Química Fina e Biotecnologia”. É um troço que existe no papel, não na vida real. Nem mesmo chega a ter planta industrial. Seu feito mais notável, até agora, segundo a Polícia Federal, é ter enviado para o exterior, de forma irregular, US$ 37 milhões.
Muito bem! Vargas, o parceirão de Yousseff, detectou no Ministério da Saúde, então sob o comando de Alexandre Padilha — agora candidato ao governo de São Paulo pelo PT —, a chance de um contrato milionário para fornecimento de remédio, coisa, assim, de R$ 150 milhões. Mas como é que a Labogen, uma biboca com capital social de R$ 28 mil e folha de pagamentos de R$ 30 mil, poderia se candidatar a tamanha grandeza? É para isso que servem os amigos. É nesse ponto que entrou André Vargas.
A síntese é a seguinte: a Labogen, mera empresa de fachada, conseguiu se associar à EMS, uma gigante na produção de genéricos, o que lhe conferiria um ar de seriedade, e pronto! Tudo resolvido. O diálogo captado pela Polícia Federal entre Vargas e Youssef não deixa a menor dúvida. O deputado petista relata a Youssef sua conversa com Pedro Argese, da Labogen, e ouve um prognóstico do interlocutor:
VARGAS – Estamos mais fortes agora. Vi documento com o Pedro. Ele estava no voo de volta de Brasília. Ele estava com o documento da parceria com a EMS.
YOUSSEF – Cara, estou trabalhando. Fique tranquilo. Acredite em mim. Você vai ver quanto isso vai valer. Tua independência financeira e nossa também, é claro!
É claro! Eis aí. Esse é o doleiro “irmão”, cujas atividades ilícitas Vargas dizia desconhecer. Da parceria estimada em R$ 150 milhões, uma já estava em curso, de R$ 31 milhões — suspensa pelo Ministério da Saúde quando o escândalo veio à tona: a de fornecimento de citrato de sildenafila, a substância ativa do Viagra, que é o remédio oficialmente empregado pelo sistema público de saúde para o tratamento de uma doença grave: a hipertensão pulmonar. Esse contrato contou com a ajuda do secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Calos Augusto Gadhelha — a quem Vargas se refere, carinhosamente, num telefonema, como “Gadha”. Padilha, pessoalmente, assinou o contrato.
Relatório da PF fala do parceiro de Youssef que atuava no Ministério da Saúde. Depois ficou claro: era Vargas!
Relatório da PF fala do parceiro de Youssef que atuava no Ministério da Saúde. Depois ficou claro: era Vargas!
A coisa vai longe. Youssef está preso, como sabem. O deputado está tentando se virar. Já mandou um emissário ao doleiro afirmando que, se ele, Vargas, cair, gente mais graúda vai junto, “gente de cima”. Huuummm… Quem estaria acima de Vargas nessa operação? Eis uma boa questão. E por que Youssef deveria temer essa “gente de cima”? Temer o quê?
Vargas não é o único interlocutor de Youssef no PT. Há outros, como o deputado Vicente Cândido (SP). Vocês já o conhecem. É aquele senhor que ofereceu “honorários para um conselheiro da Anatel livrar a Oi de uma multa bilionária. Disse, então, que falava em nome de Lula. Tudo gente fina.
Segunda-feira é bom dia para André Vargas pegar o boné e ir pra casa, refletir sobre os males da liberdade de imprensa. Afinal, até onde se sabe, ele já tem garantida a “independência financeira”. Por Reinaldo Azevedo

FORNECEDORES DA PETROBRAS PAGARAM R$ 35 MILHÕES A DOLEIRO, AMIGO DO PETISTA DO PETISTA ANDRÉ VARGAS

Nove fornecedores da Petrobras depositaram R$ 34,7 milhões na conta de uma empresa de fachada controlada pelo doleiro Alberto Youssef, segundo laudo da Polícia Federal. A confissão de que a empresa não tem atividade de fato foi feita por um empregado do doleiro, Waldomiro de Oliveira, em nome de quem a MO Consultoria está registrada na Junta Comercial de São Paulo. A Folha teve acesso ao depoimento do funcionário, que decidiu colaborar com a Polícia Federal na tentativa de receber uma pena menor. A polícia suspeita que a MO Consultoria servia para repassar propina para funcionários públicos e políticos. Outro laudo aponta que passaram por essa empresa um total de R$ 90 milhões entre 2009 e 2013.  Segundo relatório da Polícia Federal, há “fortes indícios da utilização das contas da empresa para trânsito de valores ilícitos”. A consultoria foi descoberta pela Polícia Federal durante a investigação da Operação Lava Jato, que apura lavagem de dinheiro com uso simulado de importação e exportação.

Os contratos da suposta consultoria eram uma forma de as empresas darem uma aparência legal a subornos, segundo suspeita da Polícia Federal. Há notas fiscais das consultorias, mas não há provas de que o serviço foi prestado, de acordo com a polícia. Grandes grupos que pagaram à MO atuam nas obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, suspeita de ter sido superfaturada. Os maiores pagamentos à consultoria foram feitos por duas empresas do grupo Sanko, fornecedor de tubos para empresas contratadas pela Petrobras: R$ 26 milhões. As vendas diretas da Sanko para a Petrobras subiram mais de 7.000% entre 2011 e 2013, segundo a empresa: de R$ 38,7 mil para R$ 2,77 milhões. Os maiores negócios da Sanko, porém, não são feitos diretamente com a Petrobras, mas com fornecedores da estatal. A Sanko diz que faturou R$ 120 milhões em 2013. 

IBOPE APONTA LASIER MARTINS COM O DOBRO DE VOTOS EM RELAÇÃO A PEDRO SIMON

A pesquisa Ibopa contratada pela RBS aponta amplo favoritismo momentâneo de Lasier Martins (PDT) sobre o atual senador Pedro Simon (PMDB). Os resultados são os seguintes: Lasier Martins, PDT - 38%; Pedro Simon, PMDB - 18% (Rigotto, 13%; Fogaça, 12%;Ibsen, 4%); Emilia Fernandes, PCdoB - 10%; Germano Bonow, DEM - 10%; Júlio Flores, PSTU - 3%. Na pesquisa espontânea, 75% dos eleitores não souberam dizer em quem votariam. Germano Bonow é o candidato de menor rejeição.

PRODUÇÃO DE VEÍCULOS NO BRASIL DESPENCA 8%, EXPORTAÇÃO TAMBÉM ESTÁ DESPENCANDO

A produção de veículos no Brasil somou 0,79 milhão nos primeiros três meses do ano, ante 0,86 milhão no mesmo período de 2013, o que representa um declínio de 8,4%, segundo dados da associação nacional da fabricantes (Anfavea). Em março, foram fabricadas 271,2 mil unidades no País, ante 281,5 mil em fevereiro. Nos últimos 12 meses, a produção ainda apresenta alta de 3,4%, o que mostra descompasso em relação aos licenciamentos, que já têm queda de 1,7% na mesma comparação. As exportações tampouco são uma opção para equilibrar a equação. O número de veículos montados que saíram do Brasil no primeiro trimestre foi de 75 mil - uma diferença de 32% ante as 111 mil unidades exportadas no mesmo período do ano passado.

JUSTIÇA GAÚCHA NEGA PEDIDO PARA PROIBIR REAJUSTE DA PASSAGEM DE ÔNIBUS EM PORTO ALEGRE

A Justiça gaúcha negou nesta sexta-feira o pedido da União dos Moradores de Porto Alegre (Uampa) que requeria a proibição do reajuste da tarifa dos ônibus em São Paulo. Ao analisar o caso, juiz de Direito da 4ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central, Fernando Carlos Tomasi Diniz, alegou não ter identificado ilegalidade na definição do preço das passagens. O julgador ressaltou que o reajuste questionado foi objeto de estudo meticuloso por parte das autoridades administrativas. "A apuração do valor das tarifas envolve questões técnicas de certa complexidade, razão pela qual é temerário proclamar sem previamente ouvir as razões do réu que elas estão certas ou tampouco equivocadas", destacou.

CINCO SECRETÁRIOS DE JOSÉ FORTUNATI DEIXAM O CARGO PARA SEREM CANDIDATOS

O prefeito José Fortunati empossou nesta sexta-feira cinco novos secretários municipais em substituição àqueles que deixam os cargos em razão do prazo estipulado pela legislação eleitoral para que possam se candidatar às eleições. Entre eles está a primeira-dama Regina Becker, que passa a secretaria especial dos Direitos Animais (Seda) para o comando de Maurício Silveira de Oliveira. Também deixaram as pastas o secretário de Obras e Viação, Mauro Zacher, que foi substituído por Rafael Leandro Fleck; Pompeo de Mattos, da secretaria do Trabalho e Emprego, que agora ficará a cargo de Luiza Neves; o presidente-adjunto da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc), Christopher Goulart, que dá lugar a Rafael May Chula; e o secretário-adjunto do Turismo (SMTur), Pablo Mendes Ribeiro, cuja secretaria é agora comandada por André Plínio Karkow.

DILMA, A PRESIDENTE-CANDIDATA, SÓ ENTREGOU 12% DO PAC 2

No dia 7 de março de 2008, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursava no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, quando achou que deveria elogiar sua ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Era ela a responsável por gerenciar o chamado Programa de Aceleração do Crescimento, lançado um ano antes. “A Dilma é uma espécie de mãe do PAC. É ela que cobra, junto com o Márcio Fortes (então ministro das Cidades), se as obras estão andando”, disse ele. Menos de três anos depois, a própria Dilma assumia a Presidência da República, ao sagrar-se vitoriosa em uma campanha eleitoral na qual o PT a apresentou como excelente gestora. Como havia prometido, a sucessora de Lula lançou o PAC 2. O objetivo era o mesmo: uma cartilha de obras capaz de destravar os problemas de infraestrutura e, ao mesmo tempo, melhorar os índices sociais do País.

Sem grande carisma, inábil politicamente e até hoje longe de ser unanimidade no PT, Dilma sempre tentou sustentar a imagem de competência gerencial. Agora, a três meses de assumir o papel de presidente-candidata, ela exibe números assustadores do seu PAC 2. Das 49.905 obras, apenas 12% foram concluídas nos três primeiros anos de governo. Pior: mais da metade das obras (53,3%) sequer haviam sido iniciadas quando Dilma concluiu o terceiro ano de mandato. Em tempo: a base de dados utilizada é a do próprio governo.
Do total de empreendimentos, 34,5% estavam em “ação preparatória”, que é a primeira etapa do processo. Outros 10,5% apareciam com o status de “em contratação”, e 8,2% estavam em processo de licitação. As demais 30,5% foram classificadas como “em obras”. Os números apontam que, ao concluir o mandato, Dilma deixará para o seu sucessor – ou para si mesma se for reeleita – um gigantesco passivo de obras inacabadas. O site de VEJA, em parceria com a ONG Contas Abertas, publicará nos próximos dias uma série de reportagens mostrando a execução pífia dos empreendimentos nas diferentes áreas da administração – transporte, energia, saúde, educação, entre outros.
O levantamento também deixa claro que o cenário é diferente da propaganda oficial. Nos balanços periódicos, apresentados a cada quatro meses, o Ministério do Planejamento enfatiza o volume financeiro de recursos, e não a quantidade de empreendimentos. Por exemplo: graças a essa maquiagem, é possível afirmar que foram aplicados 773,4 bilhões de reais, ou 76% do previsto para o período entre 2011 e 2014, número propagandeado pelo governo.
Além disso, o ministério atualiza constantemente o prazo de conclusão dos trabalhos, de forma que a maior parte dos empreendimentos recebe o selo de “andamento adequado”. O trem-bala ligando Rio a São Paulo, por exemplo, está nessa categoria, apesar do imenso atraso no início dos trabalhos.
José Matias-Pereira, professor da Universidade de Brasília e especialista em finanças públicas, chama a atenção para outro aspecto significativo da contabilidade do governo: os gastos com o Minha Casa, Minha Vida, incluindo o financiamento habitacional, correspondem a 42% do programa. “Financiamento não é PAC”, diz ele. O professor continua: “Os dados só confirmam a marca de um governo incompetente, que aparelhou a administração pública a partir de critérios políticos”. O líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), critica: “A capacidade executiva da presidente é muito ruim. Ela é extremamente centralizadora, não delega para a equipe e monta equipes de baixa qualidade técnica. Está aí o resultado”.
A perspectiva de um ano ruim para a economia em 2014 não deve tornar o cenário mais favorável. Ou seja: a gerente implacável chegará a outubro com um grande débito de obras pelo país. Mas, em termos de propaganda, a conclusão das obras prometidas não parece ser a principal preocupação de Dilma: no segundo semestre, quando já estiver oficialmente no papel de candidata, ela deve lançar o PAC 3 – ou mais uma lista de obras para cabalar votos pelo país. Por Reinaldo Azevedo

OPOSIÇÃO VAI AO CONSELHO DE ÉTICA CONTRA ANDRÉ VARGAS, O PETISTA DO AVIÃO PAGO POR DOLEIRO

O DEM e o PSDB anunciaram nesta sexta-feira que vão acionar o Conselho de Ética da Câmara contra o vice-presidente da Casa, deputado André Vargas (PT-PR), por ter usado um jatinho pago pelo doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal em uma operação de combate à lavagem de dinheiro no País. O requerimento será protocolado no início da próxima semana. As investigações da Operação Lava Jato apontaram que as relações de Vargas com o doleiro vão muito além da amizade, conforme revelou o site de VEJA. Youssef providenciou um avião para que Vargas voasse com a família para João Pessoa (PB), ao custo de 100.000 reais. Em quase cinquenta mensagens interceptadas pela Polícia Federal, o petista recebe orientações do doleiro, combina reuniões e relata informações de conversas que, como parlamentar, mantinha com integrantes do governo. Segundo apuração dos policiais, Vargas utiliza sua influência em benefício do parceiro, como atestam conversas sobre o laboratório Labogen Química Fina e Biotecnologia no Ministério da Saúde – apontadas como empresas do esquema do doleiro.

André Vargas, o Demostenes do PT, já deu três vezes versões sobre o uso do jatinho: inicialmente, acusou seu adversário político, o também deputado Fernando Francischini, de “plantar” a notícia. Depois, admitiu que pediu o avião porque os vôos comerciais estavam muito caros no período. E, quando percebeu que estava completamente enrolado, admitiu que “cometeu um equívoco”.
Na representação, os deputados de oposição argumentam que o uso da aeronave pode configurar recebimento de vantagem indevida. “A cada dia surgem mais elementos que comprovam a ligação dele com o doleiro preso. E a explicação que deu não convenceu. É uma situação extremamente grave, que expõe e desmoraliza o Parlamento”, afirmou o vice-líder do PSDB, Nilson Leitão (MT). Nesta quinta, o PSOL também protocolou pedido de investigação à Mesa Diretora da Câmara, que deverá remeter o caso à Corregedoria da Casa. Por Reinaldo Azevedo

ANDRÉ VARGAS É PT. PT É ANDRÉ VARGAS

Circulou nas redes sociais: montagem de André Vargas, com seu gesto já histórico, num jatinho
Circulou nas redes sociais: montagem de André Vargas, com seu gesto já histórico, num jatinho
Diga-se em favor do ainda deputado André Vargas (PT-PR) uma coisa: ele não é um qualquer; não é um peixe pequeno, um bagrinho, um petista do baixo clero. Nada disso! No PT, Vargas é grande. Já foi o poderoso secretário de Comunicação do partido, uma espécie de maestro dos blogs sujos, a rede financiada por dinheiro público para difamar as oposições, setores do Judiciário e a imprensa independente. Vargas foi um dos articuladores da queda de Helena Chagas da Secretaria de Comunicação Social. Motivo: ela não era tão generosa — não no nível desejado ao menos — com a turma do subjornalismo do nariz marrom. Ela tinha a ambição de operar com um mínimo de critérios técnicos. É demais pra eles.
Vargas resolveu também ser a linha de frente de defesa dos mensaleiros, como é sabido. O seu protagonismo máximo na área foi erguer o punho na presença de Joaquim Barbosa, quando este foi ao Congresso para participar da solenidade de abertura do Ano Legislativo. Barbosa estava lá como representante do Poder Judiciário. Ele, Vargas, vice-presidente da Câmara e do Congresso, encarnava o Poder Legislativo. O mínimo de decoro informava que, naquela hora ao menos, representava todos os congressistas e todos os partidos. Não com ele! Na Mesa do Congresso, ele decidiu ser petista; como petista, ele decidiu fazer a defesa dos mensaleiros; como defensor dos mensaleiros, ele decidiu afrontar o Judiciário; como afrontador do Judiciário, ele decidiu jogar a institucionalidade no lixo.
Mas não é só isso, não! Vargas obedece a um grande mestre: Luiz Inácio Lula da Silva. Alguém dirá: “Até aí, nada demais; todos obedecem!”. Não! No PT, há uma diferença entre a obediência devida, por juízo,  e a obediência por gosto. Vargas compõe a linha de frente do movimento interno “Volta, Lula”. Essa proximidade faz dele um conhecedor das entranhas do partido, das suas tripas, do seu estômago, do seu intestino. O que quer que Vargas faça, fiquem certos, Lula sabe. O que quer que Vargas faça, sem prejuízo de obter eventuais vantagens pessoais — a ver —, ele o faz também em favor do partido.
Um ingênuo poderia objetar: “Espere aí, Reinaldo, quem se regalou no jatinho pago pelo doleiro foram Vargas e sua família, não o PT inteiro!”. É verdade. A questão é saber por que alguém que se dá a tal desfrute goza de tão alta reputação no partido, foi escolhido para ser o vice-presidente da Câmara e era candidato a presidi-la em 2015, já que sua reeleição para deputado era dada como certa. André Vargas é PT. PT é André Vargas. Por Reinaldo Azevedo

O PAÍS DOS ESTUPRADORES INVENTADO PELO IPEA NÃO EXISTE! ERA TUDO UM ERRO. QUEM SABE, AGORA, O INSTITUTO RESOLVA PENSAR O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL!

Eu sinto muita vergonha do Ipea — e não é de hoje. Passei um pouco longe dessa história do estupro e da minissaia — e de toda a sociologice vagabunda, desinformada e rasteira que se erigiu a respeito — porque, sinceramente, há coisas que me aborrecem de tal maneira que, ao escrever sobre elas, sinto-me também algo diminuído. Agora, o instituto que foi pensado para pensar políticas estratégicas para o País vem a público para dizer que se enganou. Não!, diz a instituição, não são 65,1% os que concordam que uma saia curta justifica ataque às mulheres, mas apenas 26% — que, sei lá, deve ser mais ou menos o índice de suecos ou noruegueses que diriam o mesmo. Por que diabos o Ipea está preocupado com a minissaia e os impulsos libidinosos dos brasileiros, eis uma questão que ainda está para ser esclarecida.

Agora, sim, o número parece compatível com outros divulgados. Segundo a pesquisa (tomara que os números estejam certos), 91,4% concordam total (78,1%) ou parcialmente (13,3%) que homem que bate na própria mulher tem de ser preso. Nada menos de 70% discordam total (58,4%) ou parcialmente (11,6%) da tese de que mulher que é agredida e fica com o marido gosta de apanhar. Enormes 81,1% discordam total (69,8%) ou parcialmente (12,3%) da afirmação de que a mulher que apanha deve se calar para preservar os filhos.
Ora, esses são os números de um país moralmente civilizado — talvez até mais do que o seja, de fato. Estou entre aqueles que acham que as pessoas mentem um pouquinho quando respondem a uma pesquisa com vergonha do entrevistador; sabem qual é a metafísica influente. Mas não tenho dúvida de que a imensa maioria pensa realmente assim.
Ora, por que, então, no caso da minissaia, seria diferente? Para que 65,1% concordassem com aquela boçalidade, seria preciso contar com um expressivo assentimento das mulheres, certo? Dado que certamente não haveria 100% dos homens endossando a frase, milhões de mulheres estariam dizendo: “Sim, nós merecemos ser molestadas quando vestimos uma saia curta…”. Tenham paciência! Nem “as inimiga” de Valesca Popozuda “pensa” isso das “adversária”.
E agora? O que hão de fazer com toda a baixa sociologia que se produziu de um extremo a outro do espectro ideológico, a partir de uma informação obviamente errada. Estou furioso porque tinha enviado — achei que tinha — um e-mail a Mauro Paulino, do Datafolha, sugerindo que o instituto fizesse a mesma pesquisa. Por uma dessas fatalidades que impede a gente de passar por profeta (mesmo quando não é…), a coisa ficou no “rascunho”. Ali eu chutava: “Duvido que o resultado seja esse; é incompatível com os outros achados, e boa parcela das mulheres teria de concordar com esse absurdo”.
O diretor da Área Social do Ipea pediu exoneração. É pouco! Erro assim não é trivial. Qual foi a sua gênese? Como foi produzido? Não há revisão? Não se faz uma análise para saber se os dados são compatíveis? Não há mecanismos de controle — uma espécie de contraprova — para saber se os pesquisadores não manipulam dados? As outras pesquisas feitas pelo Ipea são conduzidas com o mesmo cuidado?
Então o país que, até havia pouco, era composto de uma maioria de potenciais estupradores passou a ser formado por uma maioria que, quando veem uma minissaia, logo pensam em penitência, em ajoelhar no milho e se punem moralmente ao menos por seus pensamentos lúbricos?
O pensamento brasileiro, na era das redes sociais, está sendo dominado por uma espécie de ente de razão composto por uma algaravia de ONGs um tanto histéricas. Os dados errados do Ipea vieram a público em meio ao movimento de caça-tarados do metrô. Também nesse caso, com milhões de passageiros sendo transportados todos os dias, alguns casos ganharam a dimensão de uma verdadeira síndrome. NÃO, EU NÃO ESTOU MINIMIZANDO NADA! QUE EXISTA UM VAGABUNDO OU UM DOENTE, SEI LÁ, QUE FAÇA ISSO, E SE DEVE TOMAR A DEVIDA PROVIDÊNCIA. Ocorre que a maximização de ocorrências esporádicas e a “pesquisa” estúpida do Ipea geraram uma falsa evidência sobre o comportamento dos brasileiros. CURIOSAMENTE, ESSA FALSA CONSCIÊNCIA COINCIDE COM OS PRECONCEITOS DE GRUPOS MILITANTES, DE SETORES MILITANTES DA IMPRENSA, DE INTELECTUAIS MILITANTES.
Não por acaso, lá foi Dilma, que agora dá “beijinho no ombro” no Facebook, fazer proselitismo cretino no Twitter. Proliferaram as fotos “Eu não mereço ser estuprada”. No universo da linguagem e da comunicação, o interlocutor, o “outro” dessa declaração, era uma maioria de potenciais estupradores, inclusive… mulheres!!! Andei de metrô na terça-feira. Estava com uma pequena pasta. Cobri a pélvis, mas fazendo certa ginástica para manter o cotovelo num ângulo agudo; com a outra mão, tentava me equilibrar. Os trens estavam relativamente vazios. Fiquei pensando em como deve ser nas horas de pico; pensei no pânico dos inocentes. E me lembrei de uma entrevista de Bernardo Bertolucci à revista BRAVO!, há muitos anos, quando eu lá trabalhava: “O fascismo começa caçando tarados”.
Quem sabe o Ipea volte a se preocupar com questões relevantes para o desenvolvimento do Brasil! Aí aquele que adora ler o que não está escrito pergunta: “Essa questão não é relevante?”. É, sim. Para tanto, existem a Secretaria da Mulher, a de Direitos Humanos, o Ministério da Justiça — no limite, até o Ministério dos Transportes. O Ipea se ocupar disso é uma evidência óbvia de desvirtuamento e de falta de foco — justo no momento em que o comando da instituição se orgulha de ter criado a metafísica das “polícias sociais focadas”… Que nojinho eu tenho dessa conversa que tem uma patinha no neoliberalismo de manual e outra no neo-social-intervencionismo!!!
Em homenagem ao Ipea, um trecho da peça “Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?”, do genial Edward Albee, em que a Martha, a bêbada sensata, alterca com Nick, o “cientista” babaca:
MARTHA – Ora, mocinho, você vive curvado em cima daquele seu microfone. . .
NICK - Microscópio.
MARTHA – É. . . E não vê coisa nenhuma, não é? Analisa tudo menos a maldita mente humana. Enxerga manchinhas e pontinhos, mas não sabe o que é que está acontecendo ao redor, não é verdade?
O certo seria pôr na rua a direção inteira da instituição. Por ofensa ao povo brasileiro!
Cambada de burros e irresponsáveis! Por Reinaldo Azevedo