segunda-feira, 28 de abril de 2014

FURNAS ENTREGA DOCUMENTOS AO GOVERNO PARA ASSUMIR A USINA DE TRÊS IRMÃOS

Ainda sem encontrar um novo sócio privado, Furnas entregou nesta segunda-feira ao governo a documentação para assumir a concessão da usina hidrelétrica Três Irmãos junto com o grupo empresarial do ex-secretário de Assuntos Estratégicos, Pedro Paulo Leoni Ramos. A estatal quer um novo parceiro para o negócio e Leoni Ramos já concordou em vender suas cotas, mas eles entregaram os papéis assim para cumprir o prazo dado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A entrega dos documentos não indica necessariamente que a sociedade permanecerá nesse formato. Na semana passada, circulou a informação de que havia pelo menos três interessados em comprar a parte de Leoni Ramos no negócio. As normas da Aneel permitem que a troca de sócios ocorra. Do ponto de vista formal, o governo vai agora avaliar se os vencedores do leilão de concessão da usina têm condições de assumir e tocar o negócio. A análise considera dados como patrimônio, regularidade fiscal e outros. A rigor, a Aneel tem até o dia 13 de maio para dizer se os integrantes do consórcio estão habilitados a assinar o contrato. A ordem no governo é não atrasar o processo, por isso a tendência é que a avaliação comece a ser feita, mesmo diante da informação de que o sócio privado deverá ser outro. Pelo calendário da Aneel, o contrato deverá ser enviado ao Ministério de Minas e Energia até o dia 6 de agosto, para que este faça uma avaliação final e marque a data da assinatura do contrato. A expectativa do governo é que, até lá, esteja encaminhada uma solução sobre o destino da eclusa e dos canais da usina, que hoje são objeto de um jogo de empurra entre União e governo estadual. O Tribunal de Contas da União suspendeu a assinatura do contrato até que haja uma resposta. A concessão da usina hidrelétrica Três Irmãos, hoje administrada pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp), foi leiloada no dia 28 de março. Ela foi a primeira oferecida pelo mercado depois da adoção do novo marco regulatório do setor elétrico. Num leilão sem concorrência nem deságio, o vencedor foi o consórcio Novo Oriente, formado por Furnas e o fundo de investimento Constantinopla. Este, por sua vez, é composto por quatro empresas do grupo de Pedro Paulo Leoni Ramos (GPI, Goldenbank, Cialo e Darjan) e pela gestora de recursos Cypress. Furnas, que havia selecionado o Constantinopla entre 16 sócios potenciais, passou a pressionar para desfazer a parceria após a GPI aparecer em documentos apreendidos pela Polícia Federal na operação Lava Jato, numa suposta associação com o doleiro Alberto Youssef no laboratório Labogen. A GPI confirma que construiu a estrutura física do Labogen, mas que a parceria estratégica na produção e comercialização de medicamentos não foi adiante.

"LULA TEM DIFICULDADE EM LIDAR COM O JUDICIÁRIO INDEPENDENTE", RESPONDE MINISTRO JOAQUIM BARBOSA, PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, rebateu de forma veemente, nesta segunda-feira, o comentário indecoroso do ex-presidente Lula (o alcaguete entregador de companheiros para o Dops paulista, na ditadura militar, conforme o delegado Romeu Tuma Jr) sobre o julgamento do Mensalão do PT. Barbosa afirmou que o petista, ao atacar a credibilidade da Justiça brasileira no julgamento, tem “dificuldade" em lidar com a atuação de um Judiciário independente. A manifestação do magistrado, que chegou ao Supremo indicado por Lula e foi relator do processo do processo do Mensalão do PT, é a mais contundente desde que o ex-presidente negou, em entrevista a uma emissora de TV portuguesa, a existência do maior escândalo político da história do Brasil e acusou o Supremo Tribunal Federal de fazer um julgamento com "praticamente 80% de decisão política e 20% de decisão jurídica". “O juízo de valor emitido pelo ex-chefe de Estado não encontra qualquer respaldo na realidade e revela pura e simplesmente sua dificuldade em compreender o extraordinário papel reservado a um Judiciário independente em uma democracia verdadeiramente digna desse nome”, disse o relator do Mensalão do PT. No julgamento do escândalo político, foram condenados os principais expoentes da cúpula do PT, entre os quais o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, o ex-presidente do partido, José Genoino, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, e o ex-tesoureiro, Delúbio Soares. Também acabaram atrás das grades banqueiros, como a ex-presidente do Banco Rural, Kátia Rabello, e empresários, como Marcos Valério, condenado por operar o esquema criminoso. A nota de Joaquim Barbosa ampliou as críticas feitas às declarações de Lula ao longo do dia por partidos da oposição. O presidente do Supremo afirmou que a tentativa do petista de colocar em suspeição o julgamento da Corte “emite um sinal de desesperança para o cidadão comum, já indignado com a corrupção e a impunidade e acuado pela violência”. “A desqualificação do Supremo Tribunal Federal, pilar essencial da democracia brasileira, é um fato grave que merece o mais veemente repúdio. A ação penal 470 foi conduzida de forma absolutamente transparente”, rebateu o ministro. De acordo com o magistrado, não faltaram provas para condenar os réus do Mensalão do PT – além de cerca de 600 pessoas indicadas para fornecer provas testemunhais, houve perícias do Banco Central, Banco do Brasil, Polícia Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). “Acusação e defesa dispuseram de mais de quatro anos para trazer ao conhecimento do Supremo Tribunal Federal as provas que eram do seu respectivo interesse”, disse.

IBGE PODE DECIDIR SOBRE PNAD CONTÍNUA NA PRÓXIMA SEMANA

A direção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pode ter já na próxima semana uma decisão final sobre a suspensão ou a manutenção do calendário de divulgações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Os técnicos do instituto - que trabalham para assegurar a divulgação que estava prevista para o dia 3 de junho - têm reunião marcada com o conselho diretor do órgão no próximo dia 6 de maio. Na ocasião, o corpo técnico apresentará uma avaliação sobre a metodologia de cálculo da Pnad Contínua e um cronograma de trabalho até o fim do ano. No último dia 10 de abril, a presidente do IBGE, Wasmália Bivar, deu início a uma crise institucional ao anunciar a suspensão das divulgações da Pnad Contínua até o dia 6 de janeiro do próximo ano. O objetivo era formar uma força tarefa para equalizar as informações sobre a renda domiciliar per capita entre todas as Unidades da Federação, de modo a assegurar a divulgação do indicador até janeiro de 2015 e atender, assim, às exigências previstas na lei complementar que determina o dado como base para o rateio do Fundo de Participação dos Estados. Diante de uma rebelião de técnicos e coordenadores, a direção comprometeu-se a reavaliar a decisão com base num parecer do corpo técnico do órgão. Os grupos técnicos responsáveis pelos cálculos de amostra e rendimento foram chamados para discussões metodológicas. A intenção é assegurar que as revisões na metodologia que confirmarem-se necessárias sejam feitas de forma que não inviabilize as divulgações da pesquisa marcadas para os próximos meses. Ainda não se sabe se o corpo técnico entregará informações suficientes já na próxima semana para que a direção tome uma decisão final sobre a pesquisa, ou se serão necessárias mais reuniões.

ELETROSUL INVESTE R$ 3,5 BILHÕES EM DOIS COMPLEXOS EÓLICOS NO RIO GRANDE DO SUL

A Eletrosul, subsidiária da Eletrobrás, está investindo R$ 3,5 bilhões em dois complexos eólicos que vão entrar em plena operação até 2016 na região próxima à fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai. O dos Campos Neutrais, entre Santa Vitória do Palmar e Chuí, será o maior parque eólico da América Latina, com 583 MW de capacidade instalada. Uma linha de transmissão está sendo construída simultaneamente e deve ficar pronta junto com o parque. Em Santana do Livramento, o Complexo Cerro Chato opera desde 2011 e está sendo ampliado com a construção de mais cinco usinas, que vão acrescentar 78 MW à sua capacidade instalada atual, de 90 MW. Muitas oportunidades estão se abrindo na cadeia de valor, que inclui fornecimento de peças, obras de construção e serviços de licenciamento. "A energia eólica já representa o segundo maior volume de investimentos no Rio Grande do Sul, só perdendo para o pólo naval", diz Ricardo Rosito, presidente do Sindieólica, sindicato que representa 14 empresas do setor. Atualmente o Estado importa 60% da energia que consome. Um dos investidores na fronteira sul é o grupo argentino Impsa, que está terminando a terraplenagem de uma nova fábrica de aerogeradores em Guaíba. Orçado em R$ 100 milhões, o empreendimento terá capacidade para produzir 220 equipamentos por ano e visa o mercado sul-americano. A empresa já conta com uma fábrica de aerogeradores no complexo de Suape, em Pernambuco, e tem mais de 800 fornecedores brasileiros. Um contrato de fornecimento de aerogeradores para a Alupar faz parte da estratégia da Weg de consolidar sua atuação no segmento. Até o final do próximo ano, a multinacional com sede em Jaraguá do Sul (SC) vai entregar 46 unidades de 2,1 MW de potência cada para o Complexo Energia dos Ventos, em Aracati (CE).

PRÁTICA PETISTA DE EXPORTAR NEGROS HAITIANOS CRIA CHOQUE ENTRE OS COMPANHEIROS TIÃO VIANA E FERNANDO HADDAD

O caso dos imigrantes haitianos produziu uma "saia justa" do petismo consigo mesmo. O governador petista do Acre, Tião Viana, telefonou para o prefeito de São Paulo, seu correligionário Fernando Haddad. Estava irritado com as críticas de Rogério Sottili, secretário de Direitos Humanos da prefeitura, contra o envio de imigrantes haitianos do Acre para a capital paulista. Cobrou explicação. Ecoando ataques de uma secretária do govarnador tucano Geraldo Alckmin, Eloisa de Souza Arruda (Justiça e Defesa da Cidadania), que chamara Tião Viana de “irresponsável” e o comparara a um “coiote”, Sotilli declarou nesta segunda-feira: “Nós não fomos avisados dos haitianos que vão chegar do Acre. Não é possível tratar os imigrantes como despejados". Na conversa telefônica com Viana, Haddad classificou o comentário do assessor de “uma manifestação infeliz”. Disse que determinaria a Sotilli que ligasse para se explicar. De fato, Sotilli tocou o telefone para Viana pouco antes das 17 horas. Reconheceu que o vocábulo “despejados” foi inadequado. Comprometeu-se a divulgar uma nota de esclarecimento. Sotilli disse a Viana que a cidade de São Paulo “está no limite”. Rogou ao governador do Acre que analise a possibilidade de “reduzir o fluxo de haitianos”. E Viana: “Como ficamos nós? Nosso problema já é maior do que o de vocês há três anos e meio!” Uma expressão usada por Viana dá ideia do tamanho do enrosco: “O cachorro está mordendo o próprio rabo”. O governador disse ao secretário de Haddad que São Paulo nem é o destino preferido dos haitianos. De cada 50, cerca de 15 manifestam o desejo de se deslocar para a capital paulista. Os demais vão para outros Estados, sobretudo os três da região Sul: Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. Viana repetiu dados que mencionara em entrevista veiculada aqui no final de semana: pivôs da crise, os 400 haitianos que chegaram a São Paulo nos últimos 20 dias eram parte de um grupo maior, de cerca de 2 mil. Quer dizer: 1,6 mil imigrantes foram para outras localidades. O problema é que pelo menos dois ônibus partem do Acre diariamente levando imigrantes que entram no Estado pela fronteira com o Peru, depois de passar pelo Equador. Viana disse que tentará manter a prefeitura informada, para que Sottili se prepare para o movimento diário. Mas alertou para o agravamento da encrenca. “O fluxo está aumentando a cada dia. Antes, tínhamos os haitianos. Vieram os dominicanos. Agora, chega gente da África toda". O secretário de Haddad disse a Viana que tentaria intermediar, em nome da prefeitura de São Paulo, uma reunião em Brasília, com a presença de representantes do Acre e de todos os ministérios que têm relação com o tema. Entre eles Relações Exteriores, Justiça, Desenvolvimento Social e Trabalho. No domingo, o governador tucano Geraldo Alckmin dissera que sua secretária de Justiça trabalharia “junto com o governo federal para que a gente possa ter um trabalho articulado, humanitário, e ao mesmo tempo eficiente'. Devagarinho, os personagens da crise vão se dando conta de que falta um personagem nesse debate: a União. Os haitianos chegam às centenas porque o governo federal decidiu acolhê-los. Entregam suas últimas economias a coiotes e desembarcam no Acre. Entram por ali porque Viana dá-lhes abrigo e comida, facilidades que não encontraram no Amazonas e no Mato Grosso do Sul. Descem rumo ao Sudeste e ao Sul porque querem emprego e um teto para trazer o resto da família. Contra esse pano de fundo, criou-se no Acre algo que Tião Viana chama de “rota internacional de imigração ilegal”. E Brasília finge que não é com ela. (Josias de Souza)

MÉDICOS ANUNCIAM, PELA QUINTA VEZ SEGUIDA: BANDIDO PETISTA MENSALEIRO JOSÉ GENOÍNO NÃO TEM NADA, É HORA DE VOLTAR PARA A PAPUDA

Um novo laudo médico anexado nesta segunda-feira ao processo do Mensalão do PT no Supremo Tribunal Federal informa que o ex-presidente do PT, o bandido petista mensaleiro José Genoino, apresenta "quadro clínico plenamente estabilizado". A recente avaliação médica, assinada por quatro médicos do Hospital Universitário de Brasília, será analisada pelo ministro Joaquim Barbosa para definir se o petista poderá ou não cumprir prisão domiciliar. Até agora, nenhum dos laudos, feitos a pedido da Câmara dos Deputados e do Judiciário, apontou cardiopatia grave. O bandido petista mensaleiro José Genoino passou por nova perícia médica no último dia 12, mas os resultados só foram encaminhados nesta segunda-feira à Justiça.
O petista foi submetido a exames de sangue, coagulação, eletrocardiograma, raio-X do tórax, teste ergométrico e angio-ressonância magnética da aorta. “Em bases estritamente objetivas e definitivas, não se expressa no momento a presença de qualquer circunstância justificadora de excepcionalidade e diferenciada do habitual para a situação médica em questão, visando o acompanhamento e tratamento do paciente em apreço”, afirmam os cardiologistas.

CONFORME A OPOSIÇÃO, LULA "SURTOU"; ENTREVISTA É "LAMENTÁVEL" E "NÃO FAZ BEM À DEMOCRACIA"

O senador Aécio Neves (MG), pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, afirmou nesta segunda-feira que o ex-presidente Luiz (o alcaguete de denunciava companheiros para o Dops paulista, na ditadura militar, conforme o delegado Romeu Tuma Jr) agiu de forma “lamentável” ao negar o maior escândalo político da história do País e acusar o Supremo Tribunal Federal de fazer um julgamento com “praticamente 80% de decisão política e 20% de decisão jurídica”, na indecorosa entrevista concedida pelo petista a uma emissora de televisão portuguesa. “Quando se combate o Judiciário, quando se combate a imprensa porque é crítica a ações do nosso grupo político, não se faz um bem à democracia”. “É lamentável ver um ex-presidente da República com afirmações que depõem contra o Poder Judiciário brasileiro”, disse o tucano: “Não podemos respeitar o Poder Judiciário quando ele toma decisões que nos são favoráveis e desrespeitá-lo quando ele toma decisões que não nos são favoráveis". Na entrevista divulgada neste final de semana, Lula tentou desqualificar o julgamento do escândalo. “O que eu acho é que não houve mensalão. Também não vou ficar discutindo a decisão da Suprema Corte. Eu só acho que essa história vai ser recontada. É apenas uma questão de tempo, e essa história vai ser recontada para saber o que aconteceu na verdade”, afirmou o ex-presidente: “O tempo vai se encarregar de provar que no mensalão você teve praticamente 80% de decisão política e 20% de decisão jurídica". Também pré-candidato à Presidência nas eleições de outubro, o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), afirmou durante evento em São Paulo que o Judiciário tem que ser respeitado: “Em qualquer democracia, decisão de Suprema Corte se cumpre, não se discute”. Eduardo Campos tentou, porém, esquivar-se do embate direto com Lula, de quem foi ministro da Ciência e Tecnologia — Campos tem concentrado suas críticas na gestão da presidente e futura adversária Dilma Rousseff. O senador Agripino Maia (RN), presidente do DEM, afirmou que Lula “surtou”. “Foi uma declaração no mínimo infeliz e que nos leva a crer que Lula surtou. Todos sabem que o José Genoino comandou o PT quando ele era presidente, que o Delúbio Soares foi o arrecadador do dinheiro de sua campanha e que o José Dirceu é o número um do PT”, disse Maia, sobre a tentativa de Lula de se distanciar dos réus do escândalo: “Não faz o menor sentido atribuir um julgamento político a uma Corte para a qual ele indicou quase a metade dos ministros. Então, ele indicou políticos para essa função? É uma contradição monumental". Na entrevista concedida à imprensa portuguesa, Lula tentou se dissociar – de maneira desleal – dos mensaleiros que o ajudaram a fundar o Partido dos Trabalhadores, nos anos 1980, e a conquistar o mais alto posto da República, em 2002. Ele afirmou que embora haja “companheiros do PT presos, não se trata de gente da sua confiança”. Um dos companheiros é José Dirceu, que chefiou a primeira campanha eleitoral de Lula e depois, no primeiro ano de seu mandato, exerceu o cargo de ministro-chefe da Casa Civil. O bandido petista mensaleiro José Dirceu foi condenado a 7 anos e 11 meses de prisão e passa seus dias atualmente no presídio da Papuda, em Brasília. Outro companheiro é José Genoino, igualmente fundador do PT. Ele ocupou a presidência do partido entre 2002 e 2005, os anos do Mensalão do PT. 

LULA E COLLOR JUNTOS MAIS UMA VEZ - AGORA, CONTRA O SUPREMO. QUE LINDO!

Lula e o ex-presidente Fernando Collor são aliados políticos faz tempo. Em 2002, o “caçador de marajás” já apoiou o petista, que havia sido seu adversário em 1989. Não custa lembrar que o PT constituiu o núcleo duro da campanha que resultou na deposição de Collor. Agora, mais uma causa une os dois políticos. A luta contra o Supremo Tribunal Federal. Em Portugal, e nós ainda falaremos disso aqui, Lula afirmou que o julgamento do mensalão teve 80% de questão política e 20% de questão jurídica. É um despropósito total. No Senado, Collor, que foi absolvido pelo tribunal de um processo iniciado há, calculem!, 23 anos, resolveu bater no peito e proclamar a sua inocência, dizendo que o Supremo, assim, reescreve a história do País. Apesar disso, atacou o ministro Joaquim Barbosa de maneira brutal, acusando o ministro de não respeitar a liturgia do cargo.

Com o devido respeito ao ex-presidente e hoje senador, declaro: uma ova, meu senhor! O Supremo Tribunal Federal não reescreve coisa nenhuma. O Supremo Tribunal Federal só o absolveu porque a denúncia feita pelo Ministério Público, à época, foi inepta e não conseguiu provar as vinculações de Collor com o esquema liderado por PC Farias. O que pretende Fernando Collor? Negar que PC fizesse tráfico de influência? Negar que seu ex-caixa de campanha se movimentava nas sombras, cobrando, vamos dizer, uma taxa dos agentes econômicos que eram obrigados a se relacionar com o governo?
Vamos ser claros: o fato de o Ministério Público não ter conseguido evidenciar a culpa de Collor o torna inocente perante a Justiça, mas não elimina as lambanças do que se chamou, então, “República de Alagoas”. A coisa tem a sua graça trágica. Quando Collor foi eleito, em 1989, as esquerdas disseram, então, que a pior elite tradicional do Brasil se reciclava na figura de um doidivanas. Quando Lula se elegeu, em 2002, esses mesmos grupos afirmaram que, finalmente, as elites tradicionais estavam sendo vencidas. Quis o destino, então, que a velha e a nova elites se unissem, ambas contra o Estado de Direito. Por Reinaldo Azevedo

JANOT REBATE LULA: MENSALÃO TEVE "JULGAMENTO JURÍDICO"

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou nesta segunda-feira que o julgamento do Mensalão do PT foi “um processo jurídico, com um julgamento jurídico”. O comentário foi feito a propósito da indecorosa entrevista concedida pelo ex-presidente Lula (o alcaguete que denunciava companheiros na ditadura militar, para o Dops paulista, conforme o delegado Romeu Tuma Jr.) a uma emissora de TV portuguesa. O X9 Lula voltou a dizer que o maior escândalo político da história do Brasil não existiu e que a sentença atribuída aos condenados teve “80% de decisão política e 20% de decisão jurídica”. “Ele tem todo o direito de falar, todo brasileiro tem. Graças a Deus, a gente vive num País democrático, de liberdade de expressão absoluta, que tem que ser garantida pelo próprio Ministério Público”, disse Janot. Na entrevista concedida à imprensa portuguesa, Lula tentou se dissociar dos mensaleiros que o ajudaram a fundar o Partido dos Trabalhadores, nos anos 1980, e a conquistar o mais alto posto da República, em 2002. Ele afirmou que embora haja “companheiros do PT presos, não se trata de gente da sua confiança”. Um desses companheiros é José Dirceu, que chefiou a primeira campanha eleitoral de Lula e depois, no primeiro ano de seu mandato, exerceu o cargo de ministro-chefe da Casa Civil. José Dirceu foi condenado a 7 anos e 11 meses de prisão e passa seus dias atualmente no presídio da Papuda, em Brasília. Outro companheiro é José Genoino, igualmente fundador do PT. Ele ocupou a presidência do partido entre 2002 e 2005, os anos do Mensalão do PT.

MARCO AURÉLIO MELLO REAGE A LULA: "É UM TROÇO DOIDO; É O SAGRADO DIREITO DE ESPERNEAR"

O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, reagiu à crítica bucéfala que Lula fez ao julgamento do mensalão em entrevista à TV portuguesa RTP. Segundo o ex-presidente, o processo teve “80% de política e 20% de decisão jurídica”. Com a ironia costumeira, considerou o ministro: “Não sei como ele tarifou, como fez essa medição. Qual aparelho permite isso? É um troço de doido”. Marco Aurélio Mello foi um dos ministros que acabaram achando, na fase dos embargos infringentes, que houve penas excessivas. De forma indireta, lembrou isso em sua fala, mas considerou: “Só espero que esse distanciamento da realidade não se torne admissível pela sociedade. Na dosimetria, pode até se discutir alguma coisa; agora a culpabilidade não. A culpa foi demonstrada pelo estado acusador”. Para Marco Aurélio Mello, Lula está apenas recorrendo a seu “sagrado direito de espernear”. E lembrou algo que já observei aqui: “No final do julgamento, eram só três ministros não indicados por ele. A nomeação é técnico-política e se demonstrou institucional. Como eu sempre digo: ‘Não se agradece com a toga’”. Na mosca! Lula apostava que os ministros nomeados por ele fariam as suas vontades. Na sua cabeça perturbada pelas trocas políticas mais indignas, esperava que seus amigos fossem absolvidos em sinal de agradecimento dos que foram por ele indicados. Lula entende de relações de compadrio e de suserania e vassalagem, não de democracia. Por Reinaldo Azevedo

LULA, O REI DO BESTEIROL INVESTIGADO EM INQUÉRITO DA POLÍCIA FEDERAL, DIZ QUE PORTUGAL QUE NÃO HOUVE MENSALÃO. OU: MAIS UMA BOBAGEM PARA SUA INSUPERÁVEL COLEÇÃO

Em Portugal, Lula mostra a língua para os fatos
Em Portugal, Lula mostra a língua para os fatos
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu na sexta-feira uma entrevista à TV portuguesa RTP, que foi ao ar no sábado. Mesmo para quem está acostumado a despropósitos; mesmo para quem já disse que não haveria problemas de poluição na Terra se o planeta fosse quadrado; mesmo para quem anunciou que cruzaria o Atlântico para chegar aos Estados Unidos; mesmo para quem já afirmou, na presença do então presidente americano George W. Bush e das respectivas primeiras-damas, que pretendia encontrar o “ponto G” da relação entre os dois países; mesmo para quem já chamou Muamar Kadhafi de “irmão”; mesmo para quem já disse que, na Venezuela, “há democracia até demais”; mesmo para quem já recomendou a Obama que copiasse o nosso SUS; mesmo para quem já comparou a luta por democracia no Irã à reação de descontentamento de uma torcida quando seu time perde o jogo; mesmo para quem já fez pouco caso da eleição de um presidente negro nos Estados Unidos, afirmando que quer ver é a eleição de um operário; mesmo para quem já afirmou que o Bolsa Família deixava o povo preguiçoso (antes de ele próprio se fingir de dono do Bolsa Família); mesmo, em suma, para quem é autor de uma impressionante coleção de besteiras, a verdade é que Lula, na entrevista à TV portuguesa, se excedeu, foi além da conta, num misto de cinismo, de estupidez e de falta de apreço pela verdade. Segundo Lula, “o mensalão teve 80% de decisão política e 20% de decisão jurídica”. Mais: disse achar que “não houve mensalão”. Afirmou que não ficaria debatendo decisão da Suprema Corte e anunciou pela undécima vez que “essa história vai ser recontada”. Para ele, tudo não passou de uma tentativa malsucedida “de destruir o PT”. Então vamos ver.
Não houve uma só condenação sem provas no processo do mensalão, como todo mundo sabe. Só três dos ministros que condenaram mensaleiros — Celso de Mello, Marco Aurélio e Gilmar Mendes — não foram indicados para a Corte ou pelo próprio Lula ou por Dilma. O ex-presidente e seu partido, portanto, não podem nem mesmo se dizer vítimas de um “tribunal formado por adversários”. O homem que falava era aquele que teve a publicidade da campanha paga no Exterior, em moeda estrangeira, numa conta que o marqueteiro Duda Mendonça mantinha fora do País. Origem do dinheiro? Ninguém sabe. Em duas operações, ficou claro que o Banco do Brasil, por intermédio do fundo Visanet, foi lesado em R$ 76 milhões. Mais do que evidências de pagamento, houve as confissões. O próprio então presidente chegou a dizer em 2005 que houvera sido traído.
É verdade que uma nova história está sendo contada. Pelos petistas. E não passa de uma coleção vergonhosa de mentiras, omissões, mistificações, distorções — escolham aí o substantivo. Prefiram todos. O mais espetacular, e os portugueses não têm obrigação de saber disso, é que um inquérito, aberto pela Polícia Federal, investiga a participação do próprio Lula no mensalão. Foi aberto a pedido do Ministério Público Federal em abril do ano passado. E o caso diz respeito justamente a… Portugal.
O então presidente do Brasil teria intermediado a obtenção de um repasse de R$ 7 milhões de uma fornecedora da Portugal Telecom para o PT, por meio de publicitários ligados ao partido. Os recursos teriam sido usados para quitar dívidas eleitorais dos petistas. De acordo com Marcos Valério, operador do mensalão, Lula intercedeu pessoalmente junto a Miguel Horta, que era o presidente da companhia portuguesa, para pedir os recursos. As informações eram desconhecidas até 2012, quando Valério — já condenado — resolveu contar parte do que havia omitido até então. Isso significa que o homem que concedeu a entrevista ainda pode vir a se tornar um réu do mensalão.
Lula exibiu outra característica notável de sua personalidade política — coisa que, até hoje, o deputado André Vargas, por exemplo, agora sem partido, ainda não entendeu. No PT, o chefão máximo é sempre inocente. Queimam-se fusíveis para preservar Lula de uma descarga elétrica fatal. Indagado sobre a sua proximidade com os mensaleiros presos, não teve dúvida: “Não se trata de gente da minha confiança”. Entenderam?
Mais: Lula repetiu à TV portuguesa uma concepção de honestidade já muitas vezes revelada por ele próprio aqui no Brasil. Prestem atenção! “O importante é que, quando uma pessoa é decente e honesta, as pessoas enxergam é nos olhos. Não adianta dizer que o Lula pratica qualquer ato ilícito porque o povo me conhece”.
Com isso, o ex-presidente está a afirmar que existe no Brasil a categoria dos homens inimputáveis, daqueles que serão sempre inocentes, mesmo que sejam culpados. E, obviamente, ele próprio é um exemplar dessa espécie superior. Assim, não importa o que o homem público faça ou deixe fazer. O que interessa é essa relação de confiança olhos-nos-olhos. Se a população decidir que é inocente, inocente é. É o fim da picada. Já seria uma coisa estúpida porque esse tipo de comportamento permitiria, claro!, que muito bandido passasse por inocente. Afinal, quem disse que o olho revela o criminoso? Mas pode acontecer algo ainda pior: um inocente que não caia nas graças do povo — ou que caia em desgraça — também poderia ser considerado culpado sem ser, certo? Corolário da máxima luliana: ele e seus amigos são sempre inocentes, mesmo quando são culpados; seus adversários são sempre culpados, mesmo quando são inocentes.
Lula também, note-se, está vivendo em outro país; está fora da realidade. Para espanto dos fatos, afirmou: “Acho engraçado algumas revistas estrangeiras dizerem que o Brasil não está bem. Em se tratando de responsabilidade fiscal e de macroeconomia, não tem nenhum país melhor do que o Brasil. O milagre econômico vai se manter, e o Brasil vai continuar crescendo”.
Até a ideia de um “milagre econômico”, o petista copia da ditadura, não bastasse o ufanismo tosco que o PT passou a incentivar. O país tem uma das mais altas taxas de juros do mundo e também um dos menores crescimentos do mundo para países na sua faixa. O déficit nas contas externas no primeiro trimestre é o maior desde 1970: US$ 25 bilhões. O déficit projetado no ano é de US$ 80 bilhões, que deve ser o segundo maior do planeta. Um dos graves problemas do país é justamente a balança comercial. No ano passado, o resultado negativo do setor industrial ficou na casa dos US$ 105 bilhões. Não fosse o agronegócio, com um superávit de mais de US$ 80 bilhões, o país estaria lascado. Segundo Lula, no entanto, nada há no mundo como o Brasil.
Ufanismo tosco, megalomania e desapreço pela verdade. Até agora, convenham, ele tem tudo para achar que essa fórmula dá certo, não é mesmo? Parece, no entanto, que camadas crescentes da população começam a se dar conta do engodo. Por Reinaldo Azevedo