domingo, 4 de maio de 2014

CVM INVESTIGA FRAUDE NO POSTALIS, FUNDO DE PENSÃO DOS CORREIOS, NO QUAL ATUAVA O DOLEIRO ALBERTO YOUSSEF

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu investigação para apurar uma série de operações fraudulentas no mercado financeiro que atinge o fundo de pensão Postalis, dos funcionários dos Correios, o terceiro maior do País, com cerca de 130 mil participantes. Uma das operações investigadas diz respeito a um aporte de R$ 40 milhões, de 19 de dezembro de 2012, no Banco BNY Mellon, por meio da gestora DTW Investimento LTDA, que teria sido direcionado pelo ex-diretor da fundação, Ricardo Oliveira Azevedo, após influência do doleiro Alberto Youssef, e dos donos da Tino Real Participação, Maria Thereza Barcelos da Costa e Eric Davi Bello, alvos da Operação Lava-Jato da Polícia Federal. Um ex-dirigente do Postalis relata que Maria Thereza foi apresentada ao sócio-majoritário da DTW, Paulo Roberto Caneca, por Youssef, quando a empresa ainda não se chamava DTW e tinha apenas dois meses no mercado. À época, as negociações com Azevedo iniciaram. Eles então teriam acertado que uma pessoa da confiança de Azevedo, Bruno Rodrigues Leal, entraria como laranja na sociedade da empresa de Caneca. Segundo profissionais do mercado, Caneca é conhecido como doleiro. O dono da DTW admitiu ter se encontrado com Azevedo “meia dúzia de vezes”, mas disse que jamais se envolveu com Youssef e o casal Maria Thereza e Bello. A influência de Youssef no Postalis é antiga. Na CPI dos Correios, em 2005, o doleiro já aparecia como responsável por indicações feitas ao PMDB para a presidência do fundo, quando o partido assumiu o Ministério das Comunicações. Azevedo foi afastado do cargo de diretor financeiro do Postalis em outubro do ano passado após a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) constatar irregularidades em investimentos que provocaram prejuízos calculados em quase R$ 1 bilhão. As investigações apuraram a prática de fraudes, com a organização aplicando recursos da entidade previdenciária em fundos controlados pelos próprios sócios da DTW. A identificação de Bruno Rodrigues Leal como homem de Azevedo na M. Asset pela Previc fez com que ele deixasse a sociedade, dando lugar ao irmão Caio Rodrigues Leal, este com 30% de participação na empresa, agora com o novo nome de DTW após cinco alterações contratuais. Irregularidades na DTW também estão sendo apuradas pela CVM. A primeira delas é que Caneca teria omitido para a comissão ter sido investigado pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro em ação penal no Ministério Público Federal do Paraná, que apurou evasão de divisas do Brasil para paraísos fiscais na CPI do Banestado. A outra é que o fundo DTW está sem o gestor responsável há mais de dois meses, o que contraria as normas da CVM, que não foi avisada da saída de Cristiano Maroja nem pela DTW e tampouco pelo Mellon, administrador da gestora de fundo. Também é analisado o fato de o sócio da DTW, Caio Rodrigues Leal, ter sido o estruturador da empresa Dogma Empreendimentos Imobiliários S.A., por meio de sua outra empresa, a Prime Consultoria e Gestão Financeira. Do aporte de R$ 40 milhões do Postalis no BNY Mellon, Leal utilizou R$ 10 milhões na compra de 25% de uma Cédula de Crédito Imobiliária (CCI) da Dogma. Portanto, ele estava nas duas pontas da operação, o que no mercado financeiro é chamado de “Zé com Zé”, prática proibida pelas normas da CVM. O que chama atenção é que a Dogma deu como garantia um terreno comprado para a construção de um condomínio no centro de Curitiba — e que ainda não saiu do chão — um dia depois do aporte da Postalis. A estruturação de um projeto CCI se dá quando uma empresa é contratada para intermediar a operação junto a entidades de fiscalização. O preço médio pago pelo serviço de estruturação está em R$ 200 mil. O ex-gestor Cristiano Maroja contou que se desligou da empresa por “não se identificar com visões de negócio" dela. Ele detinha 5% das cotas na sociedade. Caio Leal diz que entrou na gestora DTW depois de estruturar a CCI da Dogma. A comissão não descarta atuação em conjunto entre o BNY Mellon e a DTW na troca de informações para direcionar a aplicação do aporte antes mesmo de a operação ser solicitada pelo Postalis. Se confirmadas as irregularidades, BNY e DTW poderiam ser enquadrados por responsabilidade solidária. Um ano e quatro meses depois do aporte de R$ 40 milhões na DTW, as duas aplicações do Postalis no Banco BNY Mellon — uma de R$ 30 milhões em renda fixa e outra de R$ 10 milhões em ações — rendem hoje ao fundo de pensão valores muito aquém do que se a fundação tivesse aplicado em investimentos considerados mais conservadores, como poupança ou Notas do Tesouro Nacional (NTN). Especialistas do mercado financeiro disseram que se o Postalis apostasse em NTNs, por exemplo, teria tido um rendimento durante esse período de 17,5%, o que deixaria o valor aplicado em renda fixa no patamar de R$ 35,25 milhões, enquanto o montante aplicado em ações estaria hoje na casa dos R$ 11,75 milhões. O cálculo foi facilitado por não ter havido resgate do fundo durante os 16 meses. Gestões de eficiência duvidosa do Postalis durante os mandatos dos ex-diretores financeiros Adilson Florêncio da Costa e Ricardo Oliveira Azevedo podem ter contribuído para que um déficit técnico em um dos planos de previdência da fundação alcançasse cifras bilionárias desde 2009 — o que levou a entidade a aumentar a contribuição dos funcionários e causar uma queda de braço entre os sindicatos dos trabalhadores, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) e o Tesouro Nacional sobre quem deve pagar a dívida. Em 2008, os Correios decidiram encerrar as atividades do plano de Benefício Definido (BD) e transformar a expectativa de direitos dos participantes em números, totalizando valor projetado para aporte de R$ 700 milhões, para equilibrar as contas do BD, algo assumido pela patrocinadora. Porém, um ano depois se constatou que o valor necessário para efetivar o saldamento (interrupção de pagamento das contribuições) do BD mais que dobrou, indo a R$ 1,5 bilhão. Somado a esse valor, há ainda um déficit de R$ 935 milhões provenientes, em sua maioria da área de investimento do Postalis, identificado no balanço do ano passado e que onera ainda mais o Plano BD — levando o rombo, caso os Correios não aceitem saldar a dívida, a um valor de cerca de R$ 2,5 bilhões, ou 35% do patrimônio do plano, estimado em R$ 7 bilhões. (O Globo)

PETROBRAS DA PETISTA DILMA ROUSSEFF COMPRA CARO E VENDE BARATO; METADE DOS NEGÓCIOS NA ÁFRICA, ESTIMADOS EM ATÉ U$ 8,5 BILHÕES, FORAM VENDIDOS POR U$ 1,5 BILHÃO

A troca feita pela presidente Dilma Rousseff no comando da Petrobras, no início de 2012, mudou o rumo de um negócio bilionário que a estatal analisava, a venda de seus poços de petróleo na África. O negócio, que estava nas mãos de um diretor indicado pelo PMDB, passou a ser tocado por um subordinado da nova presidente da estatal, Graça Foster, depois da troca. No ano seguinte, o banco BTG Pactual pagou US$ 1,5 bilhão para ficar com metade das operações africanas da Petrobras e se tornar sócio da estatal. O valor obtido pela venda despertou desconfianças, porque a gestão anterior calculava que os ativos valiam quase quatro vezes mais. Os funcionários que participaram do início do processo foram afastados depois que Jorge Zelada, o afilhado do PMDB que dirigia a área internacional da Petrobras, deixou o cargo e Graça Foster repassou a tarefa a outra equipe, de sua confiança. Mudanças de rota como essa ajudam a entender como o loteamento político da maior empresa do País tem afetado a maneira como ela toma decisões, gerando confusão sobre o que se passa lá dentro. Em março de 2012, pouco depois da posse de Graça Foster, executivos que estudavam a venda dos poços da empresa na África avaliaram uma proposta que projetava captar no mercado US$ 3,5 bilhões com a venda de 25% dos ativos. Se o plano fosse adiante, e dependendo das condições do mercado, eles achavam que metade dos poços da Nigéria, Tanzânia, Angola, Benin, Gabão e Namíbia poderia valer US$ 7 bilhões. O projeto, apresentado pelo banco sul-africano Standard Bank e discutido com a diretoria internacional, previa a criação de uma nova empresa para reunir todas as operações da África, que teria o capital aberto na bolsa. Os executivos estudavam alternativas para cumprir a decisão de Graça Foster, que assumiu com a missão de vender operações da empresa para levantar dinheiro. A vantagem de abrir o capital da nova empresa, a Petrobras Africa, seria separar poços promissores do resto da estatal, cujas ações se desvalorizaram 35% no governo Dilma. Os investidores têm mantido distância da Petrobras por causa das perdas que a ingerência política do governo impôs à companhia. Os executivos da estatal e do Standard Bank achavam que, por causa da crise da empresa, os poços africanos estavam com valores muito depreciados quando comparados aos de concorrentes que também atuavam na África. De acordo com os cálculos do banco, baseados em premissas otimistas para os campos, o valor da Petrobras Africa na bolsa poderia alcançar algo entre US$ 11 bilhões e US$ 17 bilhões. A idéia era vender 25% da nova empresa. Esse plano nunca chegou a ser testado. O diretor financeiro, Almir Barbassa, foi contra, argumentando que a companhia prometera aos investidores em 2010 que não abriria o capital de suas subsidiárias separadamente, para não desvalorizar a empresa. Nesse momento, os responsáveis pela transação foram afastados, e seus substitutos contrataram o banco inglês Standard Chartered para organizar um leilão internacional. Os sul-africanos do Standard Bank ficaram fora. Foram convidados 14 potenciais interessados, mas apenas nove apareceram. Quase todos recuaram depois que a estatal desistiu de vender a totalidade dos ativos e passou a procurar um sócio. Apenas o BTG e a espanhola Cepsa prosseguiram - a oferta dos espanhóis foi inferior. Os ativos foram avaliados em cerca de US$ 4,5 bilhões. Mas dúvidas sobre uma possível mudança na legislação da Nigéria, que poderia diminuir a rentabilidade das petroleiras, diminuiu a avaliação para US$ 3,16 bilhões. O BTG acabou levando metade por US$ 1,5 bilhão, mas a mudança nas leis nigerianas até agora não saiu. Para o banco, o negócio foi tão bom que, em menos de oito meses, começou a recuperar o capital investido e tirou de lá US$ 150 milhões na forma de dividendos. É um negócio da China, ou da Índia.... coisas que só o petismo consegue fazer.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, EM ARTIGO, EXCLAMA: "A QUE PONTO CHEGAMOS!"

Eu, como boa parte dos leitores de jornal, nem aguento mais ler as notícias que entremeiam política com corrupção. É um sem-fim de escândalos. Algumas vezes, mesmo sem que haja indícios firmes, os nomes dos políticos aparecem enlameados. Pior, de tantos casos com provas veementes de envolvimento em "malfeitos", basta citar alguém para que o leitor se convença de imediato de sua culpabilidade. A sociedade já não tem mais dúvidas: se há fumaça, há fogo.  Não escrevo isso para negar responsabilidade de alguém especificamente, nem muito menos para amenizar eventuais culpas dos que se envolveram em escândalos, nem tampouco para desacreditar de antemão as denúncias. Os escândalos jorram em abundância, não dá para tapar o sol com peneira. O da Petrobrás é o mais simbólico, dado o apreço que todos temos pelo que a companhia fez para o Brasil. Escrevo porque os escândalos que vêm aparecendo numa onda crescente são sintomas de algo mais grave: é o próprio sistema político atual que está em causa, notadamente suas práticas eleitorais e partidárias. Nenhum governo pode funcionar na normalidade quando atado a um sistema político que permitiu a criação de mais de 30 partidos, dos quais 20 e poucos com assento no Congresso. A criação pelo governo atual de 39 ministérios para atender às demandas dos partidos é prova disso e, ao mesmo tempo, é garantia de insucesso administrativo e da conivência com práticas de corrupção, apesar da resistência a essas práticas por alguns membros do governo. Não quero atirar a primeira pedra, mesmo porque muitas já foram lançadas. Não é de hoje que as coisas funcionam dessa maneira. Mas a contaminação da vida político-administrativa foi-se agravando até chegarmos ao ponto a que chegamos. Se, no passado, nosso sistema de governo foi chamado de "presidencialismo de coalizão", agora ele é apenas um "presidencialismo de cooptação". Eu nunca entendi a razão pela qual o governo Lula fez questão de formar uma maioria tão grande e pagou o preço do Mensalão. Ou melhor, posso entendê-la: é porque o PT tem vocação de hegemonia. Não vê a política como um jogo de diversidade no qual as maiorias se compõem para fins específicos, mas sem a pretensão de absorver a vida política nacional sob um comando centralizado. Meu próprio governo precisou formar maiorias. Mas havia um objetivo político claro: precisávamos de três quintos da Câmara e do Senado para aprovar reformas constitucionais necessárias à modernização do País. Ora, os governos que me sucederam não reformaram nada nem precisaram de tal maioria para aprovar emendas constitucionais. Deixaram-se levar pela dinâmica dos interesses partidários. Não só do partido hegemônico no governo, o PT, nem dos maiores, como o PMDB, mas de qualquer agregação de 20, 30 ou 40 parlamentares, às vezes menos, que, para participar da "base de apoio", se organizam numa sigla e pleiteiam participação no governo: um ministério, se possível; senão, uma diretoria de empresa estatal ou uma repartição pública importante. Daí serem precisos 39 ministérios para dar cabida a tantos aderentes. No México do PRI dizia-se que fora do orçamento não havia salvação... A raiz desse sistema se encontra nas regras eleitorais que levam os partidos a apresentarem uma lista enorme de candidatos em cada Estado para, nelas, o eleitor escolher seu preferido, sem saber bem quem são ou que significado político-partidário têm. Logo depois nem se lembra em quem votou. A isso se acrescenta a liberalidade de nossa Constituição, que assegura ampla liberdade para a formação de partidos. Por isso, não se podem obter melhorias nessas regras por intermédio da legislação ordinária. Algumas dessas melhorias foram aprovadas pelos parlamentares. Por exemplo, a exigência de uma proporção mínima de votos em certo número de Estados para a autorização do funcionamento dos partidos no Congresso. Ou a proibição de coligações nas eleições proporcionais, por meio das quais se elegem deputados de um partido coligado aproveitando a sobra de votos de outro partido. Ambas foram recusadas por inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Com o número absurdo de partidos (a maior parte deles meras siglas sem programa, organização ou militância), forma-se, a cada eleição, uma colcha de retalhos no Congresso, em que mesmo os maiores partidos não têm mais do que um pedaço pequeno da representação total. Até a segunda eleição de Lula, os presidentes se elegiam apoiados numa coalizão de partidos e logo tinham de ampliá-la para ter a maioria no Congresso. De lá para cá, a coalizão eleitoral passou a assegurar maioria parlamentar. Mas, por vocação do PT à hegemonia, o sistema degenerou no que chamo de "presidencialismo de cooptação". E deu no que deu: um festival de incoerências políticas e portas abertas à cumplicidade diante da corrupção. Mudar o sistema atual é uma responsabilidade coletiva. Repito o que disse, em outra oportunidade, a todos os que exerceram ou exercem a Presidência: por que não assumimos nossas responsabilidades, por mais diversa que tenha sido nossa parcela individual no processo que nos levou a tal situação, e nos propomos a fazer conjuntamente o que nossos partidos, por suas impossibilidades e por seus interesses, não querem fazer - mudar o sistema? Sei que se trata de um grito um tanto ingênuo, pedir grandeza. A visão de curto prazo encolhe o horizonte para o hoje e deixa o amanhã distante. Ainda assim, sem um pouco de quixotismo, nada muda. Se, de fato, queremos sair do lodaçal que afoga a política e conservar a democracia que tanto custou ao povo conquistar, vamos esperar que uma crise maior destrua a crença em tudo e a mudança seja feita não pelo consenso democrático, mas pela vontade férrea de algum salvador da Pátria.

EMPRESA DOADORA PARA A CAMPANHA DE DILMA ABOCANHA R$ 190 MILHÕES E NÃO DRAGA O PORTO DE SANTOS

Uma obra de quase R$ 190 milhões para aumentar a profundidade dos canais de acesso ao porto de Santos não alcançou seu objetivo e tem obrigado navios a sair sem carregar toda sua carga. O projeto, iniciado em 2009, era ampliar para 15 metros o calado (distância entre o solo submarino e a superfície do mar) dos acessos aos terminais portuários. Com isso, navios maiores poderiam usar o porto e os navios atuais poderiam sair com mais carga. Até então, a profundidade média do porto era de 11,2 metros e era possível utilizar até 12,2 metros nos momentos de pico da maré alta. Ao longo de quatro anos, um consórcio de empresas chamado Draga Brasil trabalhou no local e recebeu quase R$ 188 milhões. Ao fim do trabalho, em 2012, o calado estava apenas em 12,4 metros nos pontos mais profundos. Nos momentos de maré alta, o que ocorre duas horas por dia, os navios podem usar mais um metro de calado. Mas há outros problemas na dragagem. Ricardo Falcão, presidente do Conselho Nacional de Praticagem, órgão que reúne os profissionais que conduzem os navios até o porto, aponta que, por uma falha de projeto, o canal ficou mais estreito, o que dificulta ainda mais a manobra dos navios. "Tiraram cem metros de largura em alguns trechos", afirma Falcão. Os navios mais prejudicados são os de contêineres. Nesse tipo de navio, cada centímetro a menos de calado significa em média menos 6 a 8 contêineres transportados. Em um metro, são na média 700 contêineres. Diretor-executivo do Centronave (Centro Nacional de Navegação), Cláudio Loureiro de Souza afirmou que as empresas haviam reprogramado seus navios para o País, escalando embarcações maiores, com a expectativa de que o calado de 15 metros fosse alcançado. Mas, por causa das restrições, Souza diz que o porto deixa de transportar por ano 500 mil contêineres de 20 pés. É quase 30% do que Santos --o maior porto brasileiro, com 25% do comércio exterior do País - transportou no ano passado. "É uma tragédia para o País", disse Souza, lembrando que a restrição eleva custos para as empresas importadoras e exportadoras. Cada contêiner traz ou leva nele cargas que, em média, custam R$ 70 mil. São R$ 35 bilhões que deixam de ser transportados por ano. Com as restrições, as empresas têm duas opções. A primeira, mais usada, é sair com menos carga que a capacidade. Assim, o navio fica mais leve e não corre o risco de encalhar. Outra solução é esperar pelo pico da maré para usar toda a capacidade do canal. Mas, como isso só ocorre duas horas por dia, um navio pode perder até 40 horas nas manobras de entrada e saída. É o dobro do tempo médio para carregar o navio. Para um especialista no setor, a dragagem de Santos precisa ser pensada como um processo permanente, já que há uma tendência natural ao assoreamento. Em 2010 o Tribunal de Contas da União já apontava fortes indícios de sobrepreço na dragagem do Porto de Santos, obra do governo federal, integrante do falecido Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O contrato, administrado pela Secretaria de Portos (SEP), foi vencido pelo consórcio Draga Brasil por R$ 190 milhões, em 2009. As empresas participantes do consórcio eram: CNPJ: 08.402.620/0001-69 Razão social: EIT Empresa Industrial Técnica SA;  CNPJ: 46.083.754/0001-53 Razão social: Equipav SA Pavimentacao Engenharia e Comercio;  CNPJ: 02.385.674/0001-87 Razão social: DTA Consultoria S.C. Ltda; CNPJ: 11.134.816/0001-24 Razão social: Chec Dredging e CO Ltd. O relatório do Tribunal de Contas da União de 2010 indicava vários problemas na execução da obra, especialmente um enorme sobrepreço. O órgão informou que já havia uma cobrança a maior da ordem de R$ 25 milhões e que ações preventivas poderiam impedir perdas de outros R$ 18 milhões. O contrato chegava ao absurdo de ter 5% do valor destinado a despesas eventuais. A EIT - Empresa Industrial Técnica  doou R$ 9,7 milhões para a campanha da Dilma em 2010. Em 2008, a empresa havia doado R$ 100 mil para aquele que viria ser o Secretário Nacional dos Portos, Leônidas Cristino, que autorizou a obra de dragagem, posteriormente. Ele é do PSB, indicado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes. A EIT, que não entregou a dragagem de Santos, também este envolvida na Operação Lava-Jato. Uma das planilhas investigadas menciona um pagamento de 3,2 milhões de reais à empresa de Youssef pelo Consórcio Rnest Edificações, formado pela EIT e pela Engevix Engenharia e Empresa Industrial Técnica (EIT). Esse consórcio também tem participação na construção da refinaria Abreu e Lima, em contratos que já chegam a 1 bilhão de reais. Num deles, houve pelo menos 17 aditivos.

FORNECEDORES DA PETROBRAS SOB SUSPEITA NA OPERAÇÃO LAVA-JATO DOARAM R$ 856 MILHÕES PARA CAMPANHAS ELEITORAIS DE 2006 A 2012

Ao mapear o caminho percorrido pelos mais de 10 bilhões de reais lavados pelo grupo comandado pelo doleiro Alberto Youssef, a operação Lava Jato, da Polícia Federal, encontrou um duto que abastecia diretamente políticos, partidos e campanhas eleitorais. Policiais e procuradores de Justiça já sabem que, para manter a influência e garantir contratos para “amigos”, o doleiro e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, destinavam grandes somas de dinheiro a autoridades. Um levantamento feito pelo site de VEJA, a partir dos registros oficiais de doações de campanha, revela que, de 2006 a 2012, as empresas e seus diretores agora investigados por participação no esquema destinaram pelo menos 856 milhões de reais para financiar candidaturas. O PT lidera com ampla vantagem o ranking de doações do grupo, com 266,4 milhões de reais recebidos. Em seguida, estão PSDB (158,1 milhões), PMDB (149,8 milhões), PSB (70,7 milhões), DEM (43,9 milhões) e PP (34,2 milhões). A investigação começou a cruzar empresas, siglas, candidatos beneficiados e contratos com a estatal. Um dos negócios esmiuçados pela investigação é a construção da refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca, Pernambuco. Costa e Youssef já viraram réus em processo por desvio de verbas da refinaria. Dados bancários e fiscais obtidos pela polícia revelaram que o Consórcio Nacional Camargo Corrêa (CNCC), responsável pela construção do empreendimento, pagou comissões para a subcontratada Sanko Sider. Parte do dinheiro, no entanto, foi parar na MO Consultoria – uma das empresas de fachada do doleiro. Pelo menos 26 milhões de reais foram desviados entre 2009 e 2013 para a firma de Youssef. A Sanko Sider, que forneceria tubos para a obra, fez doações para o PT pelo menos em 2006 – ano em que doou 6.000 reais para a campanha do alcaguete Lula (delatava companheiros para o Dops paulista na ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr.) à reeleição. Esta foi a única doação oficial registrada pela empresa desde então. Já se sabe também que outros doadores de campanhas, como OAS, Galvão Engenharia, Jaraguá Equipamentos e Arcoenge depositaram recursos diretamente em contas da MO Consultoria. Só a OAS repassou 1,6 milhão de reais para a empresa de fachada, bem menos, no entanto, do que efetivamente registrou em doações legais a campanhas políticas desde 2006 (131,3 milhão de reais). Entre as empresas que Costa anotou como alvo de cobranças de doações, a Andrade Gutierrez foi a que mais fez contribuições oficiais. De 2006 a 2012, o conglomerado distribuiu 189,5 milhões de reais a políticos e partidos. Nesse período, PT, PMDB e PP ficaram com 53% do total doado. Na gestão dele, um único contrato rendeu 958 milhões de reais para a construtora Andrade Gutierrez, depois de prorrogações e aumentos de gastos com 45 aditivos. O segundo maior doador oficial foi a Camargo Corrêa, que já tem conexão identificada com o esquema de Youssef. O conglomerado doou 176,9 milhões de reais para campanhas desde 2006. Só em 2010 foram distribuídos 56 milhões de reais – dos quais metade ficou com PT, PMDB e PP. No total, em 2010, o grupo financiou oficialmente 83 candidatos a deputado estadual, 70 candidaturas a deputado federal, 16 campanhas a governador e 25 candidatos a senador. O deputado federal Eduardo Cunha, líder do PMDB e comandante dos rebeldes na base do governo, levou sozinho 500.000 reais para sua candidatura naquele ano. A Polícia Federal suspeita que o ex-diretor da Petrobras agia para abastecer o caixa de políticos mesmo após deixar o cargo na estatal, que ocupou de 2004 a 2012. Em um caderno, ele tinha anotado nomes de sócios e executivos de fornecedores da estatal e a situação de cada cobrança. Aparecem nessa lista empresas como a Andrade Gutierrez, Mendes Júnior, UTC Engenharia, Engevix, Iesa, Hope e Toyo Setal. Em 2010, Paulo Roberto Costa fez, como pessoa física, uma doação de 10.000 reais ao Comitê Financeiro Único do PT no Rio de Janeiro. Investigadores desconfiam que os recursos angariados pelo doleiro e pelo ex-diretor da Petrobras tenham sido destinados ao caixa dois de partidos. Pelo endereço de email paulogoia@hotmail.com, Youssef indicou em 17 de agosto de 2010 uma conta bancária para que Othon Zanoide de Moraes Filho, diretor da construtora Queiroz Galvão, depositasse uma série de valores para políticos e diretórios. Uma parte da lista bate com os registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Youssef cobrou 500.000 reais para o PP da Bahia; 250.000 reais para o deputado federal Roberto Teixeira (PP); 500.000 reais para o deputado federal Nelson Meurer (PP); 100.000 reais para o deputado federal Roberto Britto (PP); e 100.000 para o ex-deputado federal Pedro Henry (PP), um dos condenados no escândalo do Mensalão do PT. Na Justiça Eleitoral, estes são exatamente os valores doados pelo grupo Queiroz Galvão. Há outras cobranças, no entanto, com valores divergentes entre o que foi proposto pelo doleiro e efetivamente registrado – o que reforça a tese de que havia também um esquema de caixa dois operado por Youssef. No caso do diretório Nacional do PP, a cobrança era de 2.540.000 reais, mas foram registrados 2.740.000. Há outros valores que, nos registros do TSE, são superiores aos do email enviado pelo doleiro, como o pedido de 250.000 reais para a deputada federal Aline Corrêa (PP), que recebeu oficialmente da empresa 350.000. Já para o PP de Pernambuco, a cobrança era de 100.000, mas foram doados formalmente 1.640.000. Youssef também fez contato com Cristian Silva da Jaraguá Equipamentos para cobrar dados e emitir recibos de doações. De acordo com os registros do TSE, a Jaraguá doou 250.000 reais para o deputado federal Roberto Teixeira (PP), 250.000 reais para a deputada federal Aline Corrêa (PP), 100.000 reais para o deputado federal Pedro Henry (PP) e 50.000 reais para o deputado federal Roberto Britto (PP). Mas a operação Lava Jato constatou, com base em dados bancários e fiscais oficiais, que a Jaraguá fez depósitos em contas da MO Consultoria, de Youssef. A empresa pagou 1,94 milhão de reais. A polícia desconfia que esse valor foi distribuído como propina para o esquema de Youssef e Costa. Até o momento, apenas o deputado federal André Vargas (ex-PT), amigo de Youssef, foi diretamente atingido pelas revelações da operação Lava Jato. A Polícia Federal suspeita que o doleiro e o deputado eram sócios em operações, mas o retorno financeiro auferido pelo parlamentar ainda é desconhecido. O Comitê Financeiro Único do PT no Paraná recebeu, na campanha de 2010, pelo menos 1,6 milhão de reais de fornecedores da estatal que aparecem entre os contatos do esquema. Essas empresas garantiram mais da metade da arrecadação do comitê paranaense petista e esse órgão partidário injetou cerca de 20 mil reais na campanha de Vargas. O deputado teve de renunciar à vice-presidência da Câmara e se desfiliar ao PT para minimizar os danos ao partido. Pode também ter o mandato cassado pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, porque há indícios de que ele ajudou a Labogen, um laboratório de fachada de Youssef, na assinatura de um contrato milionário com o governo federal. O Supremo Tribunal Federal vai decidir se o envolvimento de Vargas com o doleiro deve ser investigado no âmbito criminal. A atuação de Vargas para favorecer o doleiro no Ministério da Saúde respingou no ex-ministro Alexandre Padilha, pré-candidato petista ao governo de São Paulo. Subordinados de Padilha assinaram o convênio que permitiria ao laboratório de Youssef faturar até 31 milhões de reais. A operação Lava Jato revelou também que Vargas recebeu a indicação de um ex-assessor de Padilha para ser contratado como lobista da Labogen em Brasília. Nos palanques de candidaturas a governos estaduais, os estragos da Lava Jato trazem mais riscos ao PT. Também no Paraná os nervos dos petistas estão à flor da pele. Vargas era cotado para chefiar a campanha da senadora Gleisi Hoffman ao governo paranaense. Ela também faz parte da bancada que recebeu recursos de fornecedores suspeitos de contribuir em doações intermediadas por Costa e Youssef. Oficialmente, Gleisi foi a candidata ao Senado que mais recebeu recursos da Camargo Corrêa, com 1 milhão de reais embolsados na última eleição. Conseguiu ainda doações de outras empreiteiras na lista de Costa. A UTC Engenharia deu 250.000 reais para a campanha da senadora e a OAS repassou 780.000 reais. Angariou ainda 100.000 reais da Contax, uma coligada da Andrade Gutierrez, para sua candidatura.

MORRE O BISPO DOM TOMAS BALDUINO

Morreu no sábado o bisco emérito da cidade de Goiás, dom Tomás Balduíno, aos 91 anos, em decorrência de uma tromboembolia pulmonar, na cidade de Goiânia, onde estava internado. Personagem central na fundação da Comissão Pastoral da Terra e do Conselho Indigenista Missionário, figura destacada na oposição ao regime militar, dom Tomás Balduíno foi defensor intransigente dos direitos dos índios, dos trabalhadores sem terra e dos mais pobres. Ele nasceu na cidade de Posse, em Goiás, no dia 31 de dezembro de 1922.

SECRETÁRIO DE SANEAMENTO DE SÃO PAULO DESCARTA RACIONAMENTO DE ÁGUA ATÉ MARÇO DE 2015

O secretário de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, Mauro Arce, descartou que exista a possibilidade de racionamento de água pelo menos até março de 2015. Ele afirmou que a utilização do "volume morto" (reserva de água profunda nas represas e a economia de água pela população serão suficientes para manter o abastecimento até o ano que vem. "O resultado do bônus (desconto de 30% para quem economiza 20%) é extremamente importante nesse cenário. Está ocorrendo uma evolução no número de pessoas que aderiram". A sobretaxa de 30% na conta de água começa a valer a partir de junho para o consumidor que gastar qualquer gota além da média mensal de uso em 2013. Arce reconheceu que torce para uma chuva atípica fora do verão. Em maio de 2005, como secretário da mesma pasta, ele enfrentou enchentes que inundaram a marginal Tietê logo depois de o governo estadual anunciar que pistas da via não teriam alagamentos por décadas devidos às obras recém-realizadas de rebaixamento da calha do rio. Arce também reconhece que São Paulo não conseguiu, nos últimos dez anos, diminuir a dependência do sistema Cantareira. Na sexta-feira, o sistema estava com 10,4% de sua capacidade, mais baixo nível da história. O PSDB governa o estado desde 1995. "Foram tomadas providências. Mas elas ainda não foram concluídas. Poderia ter sido feito antes, mas ninguém reclamou", disse o secretário. No mesmo dia em que o Sistema Cantareira registrou mais uma baixa histórica, com 10,4% da capacidade, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou que vai dobrar, a partir de outubro, a quantidade de água revertida da Represa do Guarapiranga para bairros da capital que ainda são abastecidos pelo manancial que atravessa sua pior crise de escassez. Segundo Alckmin, serão remanejados mais mil litros por segundo do reservatório da zona sul paulistana para distritos mais centrais da cidade. Em fevereiro de 2015, a reversão deve aumentar em mais 1,5 mil litros. Hoje, o Guarapiranga já socorre com 1,1 mil litros os bairros Jabaquara, Vila Olímpia, Brooklin e Pinheiros, que recebiam água do Cantareira. Outros 2,1 mil litros já são revertidos do Sistema Alto Tietê para Penha, Ermelino Matarazzo, Cangaíba, Vila Formosa e Carrão, zona leste. Ao todo, cerca de 2 milhões de moradores da capital atendidos pelo Cantareira passaram a receber água da represa de Guarapiranga e do Alto Tietê. Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), são essas operações de reversão de água na tubulação que provocam "cortes pontuais" de abastecimento. Nesta sexta-feira, esses dois sistemas estavam com 77,3% e 35,6% da capacidade, respectivamente. Há uma semana, Alckmin já havia anunciado a reversão de 500 litros por segundo do Sistema Rio Grande, que ocupa um braço da Represa Billings, na região do ABC paulista, a partir de setembro. O volume é suficiente para abastecer cerca de 150 mil pessoas. Segundo a Sabesp, o remanejamento de água, aliado à redução do consumo, tem evitado a adoção de racionamento de água generalizado na Grande São Paulo.

DILMA ROUSSEFF É VAIADA AO DISCURSAR EM FEIRA AGROPECUÁRIA EM MINAS GERAIS

A presidente Dilma Rousseff foi vaiada em três momentos na abertura oficial da Expozebu, que reúne empresários da agropecuária no Triângulo Mineiro. No evento, ela prometeu que o plano agrícola pecuário 2014-2015 terá mais recursos e mais facilidades na obtenção de crédito. Na versão anterior, a verba para financiamento foi de 136 bilhões de reais. O anúncio não foi suficiente para conter a platéia. As vaias começaram assim que a presidente recebeu a medalha alusiva aos 80 anos da Expozebu. Voltaram no início e no fim de seu discurso. Visivelmente tensa, Dilma não fez nenhum comentário sobre as manifestações. O evento contava com grande número de simpatizantes do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). O parlamentar, também homenageado com a medalha do evento, foi aplaudido pela plateia. Dilma anunciou que na segunda-feira o Diário Oficial da União publicará um decreto do Ministério do Meio Ambiente formalizando a entrada em vigor do Cadastro Ambiental Rural, o CAR, ferramenta de dados para controle de desmatamentos com base em informações das propriedades rurais. O CAR foi criado com o Código Florestal. Ele é um dos requisitos para a obtenção de financiamento público. A presidente afirmou ainda que o governo está aberto a sugestões para a elaboração do plano agrícola que deverá ser anunciado ainda este mês. Ela observou que a meta é manter as diretrizes dos planos anteriores, ampliar recursos e simplificar procedimentos: "Dos 136 bilhões de reais para o crédito em 2013 e 2014, foram contratados 116 bilhões até março. Desse montante, 42,5 bilhões foram destinados ao financiamento da pecuária".

PESQUISA SENSUS JÁ APONTA PARA SEGUNDO TURNO: DILMA - 35%; AÉCIO NEVES - 23,7%; EDUARDO CAMPOS - 11%

A revista IstoÉ publicou pesquisa do Instituto Sensus que é a primeira a apontar para a realização de segundo turno nas eleições presidenciais deste anos. O resultado é o seguinte: Dilma Rousseff (PT) - 35,0%;  Aécio Neves (PSDB) - 23,7%; Eduardo Campos (PSB) - 11,0%; Indecisos/brancos/nulos - 30,4%. A pesquisa demonstra que enquanto o governo teria 35%, a oposição conseguiria 34,7%, o que configuraria um empate técnico. Responsável pela pesquisa, o cientista político Ricardo Guedes aponta um quadro delicado para Dilma e o PT: "Está difícil para a presidente". Uma das razões seria a queda da identificação entre os eleitores e o PT. Embora o partido ainda seja o preferido dos eleitores, a identificação caiu de 18% para cerca de 9%.

PT LANÇA CARTILHA DA CAMPANHA DE DILMA

Um dia depois do encontro do PT que oficializou o nome da presidente Dilma Roussef, com presença do ex-presidente e alcaguete Lula (delatava companheiros para o Dops, na ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr.), em São Paulo, o partido divulgou no sábado um documento com as definições sobre a tática eleitoral para vencer o pleito de outubro. O texto traz também o que se parece com uma lista de diretrizes para um segundo mandato de Dilma – e quarto dos petistas. A tônica do encontro, como se viu na sexta-feira, ainda é a de abafar o ‘Volta, Lula’, que ganhou coro em setores da sigla. Em número e importância de caciques petistas, o segundo dia de encontro na capital paulista foi menos prestigiado. Com platéia bastante esvaziada, poucos delegados do partido discursaram. A presença de Rui Falcão, presidente nacional da legenda, teve como objetivo manter os representantes regionais unidos e buscou reforçar o sentimento de que Dilma ainda é a melhor opção para manter o governo em mãos petistas. Uma brochura entregue aos delegados, para que estes passem adiante as decisões do encontro, traz definições sobre a tática eleitoral e a política de alianças para 2014. O documento reconhece que a disputa eleitoral deve resultar em ataques ao desempenho do governo Dilma, já bastante criticado. Como é tradição no partido, a imprensa foi responsabilizada pela perda de popularidade da presidente. “Setores da mídia monopolizada, que funciona como verdadeiro partido de oposição, representam um projeto oposto”, diz um trecho do documento. Em outro parágrafo, o texto pede que o partido deve “apoiar incondicionalmente” o projeto de continuidade, e, ainda assim, “manter e manifestar o desejo de mudança”. Ou seja, internamente, o PT acredita ser possível convencer o eleitor de que o jeito de mudar é manter as coisas como estão. No programa de governo há um ataque indireto ao pré-candidato do PSB ao Palácio do Planalto, Eduardo Campos. “As oposições estão estagnadas, sem discurso consistente, sem programa. Não escondem a disposição de abandonar as políticas de emprego e de renda dos governos Lula e Dilma. Reivindicam a “autonomia” do Banco Central (autonomia em relação a quem?)” Também pré-candidato, o senador tucano Aécio Neves (MG) não foi poupado. “A oposição anuncia ‘medidas amargas’, ‘impopulares’, caso venha a ser eleita (…) Amargas para quem?”, diz outro trecho da brochura. Neste ponto, o PT faz referência à entrevista concedida por Aécio Neves em abril, quando o pré-candidato do PSDB afirmou não temer “medidas amargas” e disse que, se eleito, não se tornaria refém de avaliações impopulares. Ao final do evento, Falcão falou a jornalistas sobre a candidatura de Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde, ao governo de São Paulo. “Não cogitamos substituir o candidato, até porque não há nenhum motivo para isso”, afirmou. Padilha vive um momento turbulento, com nome ligado constantemente a figuras presas e investigadas pela operação Lava-Jato, da Polícia Federal. Entre os “amigos ocultos” revelados pela investigação está o doleiro Alberto Youssef, dono de uma empresa de fachada – o laboratório Labogen – que firmou contrato com o Ministério da Saúde na gestão do petista à frente do Ministério da Saúde. O presidente nacional do PT passou boa parte do evento nos bastidores, articulando com alas radicais e minimizando os resultados das últimas pesquisas eleitorais que apontam que o desempenho de Dilma não é animador. A necessidade de acalmar as correntes radicais mostra, mais uma vez, o tamanho do racha interno que atormenta o partido e o governo.

OGpar APROVA REELEIÇÃO DE EIKE BATISTA PARA O CONSELHO

Em processo de recuperação judicial, a petroleira OGpar aprovou na sexta-feira, em assembleia de acionistas, a reeleição do empresário Eike Batista para a presidência do conselho de administração, por mandato de um ano. O seu pai, Eliezer Batista da Silva, foi nomeado por mais um ano vice-presidente e outros cinco conselheiros também tiveram o mandato estendido. Eike Batista está sendo investigado pela Polícia Federal, após denúncia feita pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, pela suposta prática de crimes financeiros. O pedido foi embasado nas conclusões do relatório de acusação elaborado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O empresário também responde a processo administrativo na autarquia. Sob protestos de acionistas minoritários, a assembleia aprovou outros pontos, como o resultado da companhia em 2013 - prejuízo de R$ 17,5 bilhões. O acionista William Magalhães tentou instalar um conselho fiscal. Já o advogado Jorge Lobo pediu que não fosse instalada a assembléia, alegando irregularidades na divulgação. Ambos pedidos foram negados.

DILMA LEVOU 11 MINISTROS AO EVENTO DO PT EM SÃO PAULO

No total, 11 ministros do governo Dilma Rousseff participaram do 14º Encontro Nacional do PT na noite de sexta-feira, em São Paulo. O evento contou com a presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente e alcaguete Lula (delatava companheiros para o Dops paulista na ditadura militar), além dos principais dirigentes petistas. Estiveram no ato os ministros Ideli Salvatti (Secretaria de Direitos Humanos), Eleonora Menicucci (Secretaria de Políticas para as Mulheres), Thomas Traumann (Secretaria de Comunicação Social), Ricardo Berzoini (Relações Institucionais), Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário), Miriam Belchior (Planejamento), Tereza Campello (Desenvolvimento Social), Arthur Chioro (Saúde), Marta Suplicy (Cultura), Jorge Paim (Educação) e Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores). O prefeito Fernando Haddad (PT) e o pré-candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha (PT), também estiveram presentes. Pesquisas e vaias na festa da CUT foram decisivas para Lula desistir de ser candidato. Quem vai é mesmo Dilma. Visivelmente nervoso e agressivo, o X9 Lula aproveitou discurso para sepultar o movimento "volta, Lula" e garantir que a candidata do partido à Presidência da República é Dilma Rousseff. "É preciso parar de imaginar que existe outro candidato. Quando a gente brinca com isso os adversários aproveitam, não podemos gastar energia com isso", afirmou ele. A declaração do petista ocorre em meio a uma séria de péssimas notícias para o PT: o crescimento da Oposição, o cansaço do eleitorado em relação ao partido, tendo em vista o mensalão, além da CPI da Petrobras que promete envolver altas figuras do partido em um mar de lama. Observado por uma Dilma aliviada, o ex-presidente procurou abafar a movimentação da plateia de militantes. "Se um dia eu tiver que ser candidato a alguma coisa, a primeira pessoa a saber será a companheira Dilma". O petista disse também que essa não será uma eleição fácil e que estará à disposição da presidente para fazer campanha: "Só você preparar a agenda que Lulinha estará junto com você". Durante o discurso, Lula defendeu os condenados no Mensalão do PT, José Genoino e José Dirceu, presos na Papuda, em Brasília. Para o ex-presidente, há uma "perseguição" contra o PT, criticando que não há o mesmo tratamento na imprensa para o mensalão mineiro.

INCRA RECONHECE ÁREA DE 2 MIL HECTARES EM PERNAMBUCO COMO TERRITÓRIO QUILOMBOLA

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) publicou na sexta-feira no Diário Oficial da União portaria reconhecendo duas áreas situadas nos municípios pernambucanos de Salgueiro e Cabrobó como comunidades remanescentes de quilombos. Ao todo, o Território Quilombola Santana 3, onde estão as duas áreas, têm 2.080 hectares. A Área 1 tem 1.334 hectares e a Área 2 engloba 746 hectares. Com a publicação da portaria do Incra, cabe agora à Presidência da República publicar um decreto autorizando a desapropriação do terreno. Só depois dessa fase, os órgãos responsáveis poderão notificar eventuais ocupantes da terra e retirá-los.

NÍVEL DO SISTEMA CANTAREIRA CAI PARA 10,4%

O nível dos reservatórios do Sistema Cantareira caiu de 10,5% na quinta-feira para 10,4% na sexta-feira, patamar mais baixo da história, segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Na mesma data do ano passado, o índice estava em 62,6%. Os reservatórios são responsáveis pelo abastecimento de cerca de 9 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo, além de liberar água para as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, no interior do Estado. Em resolução conjunta, a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo reduziram, no dia 30 de abril, o limite de captação de água do Sistema Cantareira. O volume máximo de retirada para abastecer a Grande São Paulo foi reduzido de 24,8 metros cúbicos por segundo para 22,4 metros cúbicos por segundo. Segundo os órgãos, o volume contempla a média de captação que está sendo feita na prática, já que, do dia 1º a 25 de abril, a média de retirada para abastecer a região metropolitana de São Paulo foi 21 metros cúbicos por segundo (87% do autorizado). A vazão será reavaliada em 15 dias. Segundo o Grupo Técnico de Assessoramento para Gestão do Cantareira, o volume útil do sistema deverá se esgotar no início de julho. A pior situação e do reservatório Jaguari-Jacareí, que atualmente está com apenas 3,7% da capacidade útil e deverá atingir o volume mínimo ainda durante o mês de maio. A partir do fim da reserva útil, passará a ser usado o chamado volume morto, ou reserva técnica – água que está abaixo do sistema de bombeamento atual.

PROPOSTA PARA LICITAR FREQUÊNCIA PARA 4G JÁ ESPERA SUGESTÕES

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou na sexta-feira a proposta de edital de licitação da faixa de 700 mega-hertz (MHz), que será destinada à tecnologia 4G. A sociedade terá 30 dias para encaminhar sugestões ao edital, pelo Sistema de Acompanhamento de Consulta Pública. É possível opinar também sobre o regulamento que estabelece as regras de convivência entre o sistema de TV digital e os serviços de telecomunicações nessa faixa. O edital não estabelece o preço mínimo de outorga da frequência nem os valores a serem  pagos pelos vencedores do leilão a emissoras de TV para desocupar a faixa para a tecnologia 4G. Os custos da compra de equipamentos para as famílias de baixa renda, para evitar interferências, também não foram divulgados. Segundo a Anatel, os valores dos lotes em licitação estarão disponíveis na versão final do edital, após a consulta pública. A data do leilão não está definida no edital, mas a previsão é que seja feito em agosto.

EXPORTAÇÕES DE PETRÓLEO E SOJA IMPACTAM NO RESULTADO DA BALANÇA COMERCIAL BRASILEIRA

O petróleo e a soja contribuíram para o saldo positivo de US$ 506 milhões da balança comercial em abril, melhor resultado alcançado do ano. A receita com as vendas externas do petróleo, no mês, aumentou 27% na comparação com abril de 2013. A soja, por sua vez, somou 8,3 milhões de toneladas embarcadas no último mês, maior volume já exportado na história, e foi responsável pelo ingresso de US$ 4,1 bilhões. A receita com petróleo e soja só não foi maior em função da diminuição de preços, já que, como outras commodities, os dois produtos acompanham uma tendência de recuo no valor no mercado internacional. Além deles, outros itens compensaram menor preço com alto volume embarcado, como carne bovina, carne de frango e minério de ferro. A exceção foi o milho, que tem queda tanto de preço quanto da quantidade negociada, em função de uma safra menor no País. De acordo com o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Daniel Godinho, em geral, nos meses de abril, há uma tendência de uma elevação no volume de embarques de produtos básicos. “O fenômeno é fortemente ligado à entrada da safra”, explicou. Segundo Godinho, no próximo mês, ainda é possível que o movimento de valorização do dólar, sentido no ano passado, impacte nos resultados da balança. “Há um delay no impacto do câmbio na balança. O fator câmbio ainda não se mostrou plenamente responsável no resultado das exportações brasileiras”, disse, comentando o efeito retardado que o câmbio pode ter nos resultados futuros da balança. O secretário ressaltou que o governo mantém expectativa de 2014 ser um ano positivo.

CONTA PETRÓLEO TEM DÉFICIT DE US$ 6 BILHÕES NOS PRIMEIROS QUATRO MESES DO ANO

A conta-petróleo, que mostra as exportações e importações de petróleo e derivados, está deficitária em US$ 6 bilhões no primeiro quadrimestre deste ano. Apesar do saldo negativo, o desempenho é melhor que o registrado no mesmo período de 2013, quando havia déficit de US$ 8,5 bilhões. Houve melhora nas exportações da commodity, que cresceram 9,1% de janeiro a abril ante o mesmo período do ano passado. A maior parte do crescimento concentrou-se em abril, com alta de 27% nas vendas externas na comparação com igual mês de 2013. Sem o petróleo, a balança comercial, negativa em US$ 5,56 bilhões no ano, estaria positiva em US$ 493 milhões. No ano passado, o petróleo foi responsável por vários resultados negativos na balança comercial. A parada para manutenção de plataformas brasileiras e o aumento da demanda interna por combustíveis contribuíram para queda nas vendas e alta nas importações brasileiras. No início de 2013, a balança também sofreu o impacto de importações tardiamente registradas do produto, em função de uma mudança nas regras da Receita Federal. Para 2014, o governo anunciou normalização da situação, o que ainda não ocorreu completamente.

ECONOMISTA PREVÊ QUE CIDADES ENTRARÃO EM CRISE APÓS A COPA DO MUNDO

Economista do Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs), Sandra Quintela alerta que as dívidas dos municípios em função da Copa do Mundo evento poderão resultar em crises nos próximos três anos. “As cidades foram estimuladas a se endividar”, diz, destacando que, durante a preparação do Mundial, foram autorizadas, pela Lei 12.348, a tomar novos empréstimos, mesmo se a dívida total delas já estivesse acima da receita líquida real. Sandra Quintela aponta como negativas mais duas medidas tomadas para viabilizar a Copa: as isenções fiscais concedidas ao Comitê Organizador Local (COL), à Fifa e demais empresas ligadas à promoção da Copa de 2014, assim como a alteração na Lei de Licitações, que passou a permitir a uma empresa executar uma obra sem o projeto definitivo. “Tiveram que fazer vários ‘puxadinhos’, arremedos nos projetos, contratação de mais serviços para que as obras fossem feitas a toque de caixa”, critica. Com isso, segundo a economista, aumentou a expectativa de gastos com a Copa, que, há quatro anos, era de aproximadamente R$ 20 bilhões: “Os interesses privados foram favorecidos em detrimento do interesse público”. Estádios, como o de Manaus, com capacidade para receber mais de 44 mil pessoas por partida, podem acabar subutilizados, após o Mundial, como ocorreu com as instalações feitas para os Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro. A economista acredita que esses gastos com infraestrutura e mobilidade seriam feitos no País, independentemente da realização da Copa. O evento, contudo, contribuiu para que fossem feitos de forma acelerada, sem planejamento ou controle social, avalia.

"MOVIMENTOS SOCIAIS" PLANEJAM PROTESTOS UNIFICADOS DURANTE A COPA DO MUNDO

A Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (Ancop) e os demais movimentos sociais que participam do Encontro dos Atingidos – Quem Perde com os Megaeventos e Megaempreendimentos, em Belo Horizonte, planejaram protestos e mobilizações durante o Mundial. Na sexta-feira, participantes do encontro, das 12 cidades-sede da Copa do Mundo, discutiram estratégias de mobilização para fazer do evento um espaço de protesto e reivindicação. “Nós fomos bem surpreendidos pela realização das manifestações durante a Copa das Confederações, no ano passado, e queremos que elas voltem a ocorrer”, disse Valéria Pinheiro, da Ancop e do Comitê Popular da Copa do Ceará. “Nós queremos juntar as diversas articulações de movimentos sociais, populares, sindicatos e todos os setores que neste momento estão comprometidos em levar uma mensagem de luta para o povo brasileiro para que a gente de fato organize uma jornada unitária”, disse o integrante da direção nacional da Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas, é braço do PSOL), Sebastião Carlos. O integrante do Movimento Passe Livre de São Paulo, uma das organizações que convocaram os atos que ocorreram durante a Copa das Confederações, Eudes Oliveira, acredita que temas como mobilidade urbana devem incentivar a participação popular: “As obras de infraestrutura não foram feitas. Pelo contrário, o transporte não melhorou, as pessoas estão todos os dias sofrendo com transporte ruim, lotado”. Marcelo Edmundo, da Central dos Movimentos Populares (CMP), destacou que a discussão sobre novas leis que possam vir a coibir manifestações também deve ser rechaçada nos atos, como o Projeto de Lei 499/2013, que define como terrorismo o ato de provocar ou infundir terror ou pânico generalizado, e que voltou à tona após o assassinato do cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Andrade, em fevereiro deste ano. Muitos avaliam que essa proposta pode coibir as manifestações no país. “Nós estamos diante da maior ameaça contra os movimentos populares”, disse Edmundo. A ideia dos movimentos é que os atos comecem antes do Mundial. A Ancop convocou os movimentos para participar do Dia Internacional de Luta contra a Copa, marcado para o dia 15 de maio. No Distrito Federal e em São Paulo, ações estão em planejamento.

BRASIL REGISTRA PEQUENO SUPERÁVIT COMERCIAL EM ABRIL, MAS CONTINUA O DÉFICIT NO ANO

A balança comercial brasileira registrou superávit de 506 milhões de dólares em abril, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior na sexta-feira. Enquanto as exportações somaram 19,724 bilhões de dólares, as importações ficaram em 19,218 bilhões de dólares no mês passado. O resultado veio acima do esperado por economistas, que projetavam um superávit de 250 milhões de dólares. Em março, a balança comercial havia registrado superávit de 112 milhões de dólares. Apesar da melhora, o resultado dos últimos meses não compensou os saldos negativos recordes de janeiro e fevereiro (2,12 bilhões de dólares e 4,057 bilhões, respectivamente). Assim, no acumulado do primeiro quadrimestre de 2014, o saldo ficou negativo em 5,566 bilhões de dólares. As exportações no ano somam 69,312 bilhões de dólares e as importações, 74,878 bilhões de dólares. De uma forma geral, as compras de bens de consumo diminuíram 1,8% em abril, puxadas por produtos farmacêuticos, automóveis de passageiros e motocicletas. As compras de matérias-primas e intermediários recuaram 1%. Apenas as importações de bens de capital tiveram crescimento, de 3,9%, no mês passado em relação a abril de 2013. Aumentaram as compras de partes e peças para bens de capital para indústria, máquinas e aparelhos de escritório e serviço científico, acessórios de maquinaria industrial e maquinaria industrial. Mas, no acumulado do ano, as compras de bens de capital caíram 1,1%, enquanto as de matérias-primas e intermediários ficaram 0,6% menores. Por outro lado, as importações de bens de consumo cresceram 2,4% nos quatro primeiros meses do ano. Em abril, as vendas ao Exterior de produtos básicos subiram 11,4% em abril, ante igual mês de 2013. As exportações de carne suína subiram 36,8%, de carne bovina, 6,5%, e de café em grão, 27,3%. As exportações de farelo de soja aumentaram 29,2% e de soja em grão, 19,8% - ao todo as vendas atingiram volume histórico de 8,25 milhões de toneladas em abril. A marca anterior havia sido em maio do ano passado, em 7,95 milhões de toneladas. As exportações de semimanufaturados caíram 4% no mês passado, puxadas pela queda das vendas de açúcar em bruto, alumínio em bruto, semimanufaturados de ferro ou aço e óleo de soja em bruto. No caso dos manufaturados, cujas vendas recuaram 1,8% em abril, as maiores quedas foram de laminados planos, automóveis de passageiros, autopeças e veículos de carga. Ainda no quadrimestre, os produtos semimanufaturados foram os que tiveram maior queda nas exportações, com retração de 9,5%, para 8,769 bilhões de dólares na comparação com o ano passado, de acordo com os dados divulgados pelo ministério. Já as vendas de bens manufaturados registraram baixa de 7,6% (para 24,659 bilhões de dólares) na mesma comparação. Por outro lado, os embarques de básicos aumentaram 4,2% (para 33,911 bilhões de dólares). As importações de combustíveis e lubrificantes caíram 11,7% em abril em relação ao mesmo mês de 2013, enquanto as exportações de petróleo bruto subiram 75,6% no mesmo mês. No primeiro quadrimestre do ano, houve queda de 12,1% das compras de combustíveis e lubrificantes e aumento de 15,5% das vendas de petróleo bruto.

PREÇO DA ENERGIA NO MERCADO À VISTA CAI PELA PRIMEIRA VEZ DESDE FEVEREIRO

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) elevou as previsões de chuva para abastecer os reservatórios das hidrelétricas do Sul e do Norte do País e reduziu as estimativas de crescimento de consumo no mês, o que provocou a queda no preço de energia negociada no mercado à vista pela primeira vez desde fevereiro. O Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) recuou de 822,83 reais por megawatt-hora (MWh) para, em média, 796,07 reais por MWh nos próximos disas, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), nas regiões Sul e Sudeste/Centro-Oeste. O ONS, porém, prevê que em maio prossiga a escassez das chuvas que chegam aos principais reservatórios de hidrelétricas do Brasil, localizados no Sudeste/Centro-Oeste. Houve forte elevação na previsão para o nível das represas do Sul no fim de maio. A ONS espera que esses reservatórios, atualmente operando com 46,83% de sua capacidade, fechem o mês com 61,3% de armazenamento, ante os 48,9% divulgados anteriormente. "Para a semana de 3 a 9 de maio a previsão é de que a passagem de uma frente fria ocasione chuva fraca a moderada nas bacias hidrográficas da região Sul e chuva fraca isolada nas bacias da região Sudeste", informou o ONS na sexta-feira, por meio do Sumário Executivo do Programa Mensal de Operação. No Norte, a estimativa é de aumento no armazenamento dos atuais 90,37% para 94,1% no fim do mês. A previsão para os níveis dos importantes reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste no fim de maio também sofreu redução para 38,7% de armazenamento, ante 39,2%. O nível atual é de 38,82%. Já no Nordeste, as represas, atualmente a 43,63% da capacidade, devem recuar para 42,1% no encerramento de maio. Apesar de melhoras em algumas previsões, a geração termelétrica permanece alta, a 16,3 gigawatts (GW) médios.

ANP RECOMENDARÁ NOVO LEILÃO DO PRÉ-SAL APENAS EM 2016

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) recomendará ao governo federal que um novo leilão de área petrolífera no pré-sal brasileiro só ocorra no segundo semestre de 2016, e que uma licitação de blocos tradicionais, no pós-sal, seja feita somente em 2015. A informação é da diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, que considera que é preciso dar ao mercado um tempo, após três leilões no ano passado, que incluíram a mega reserva de Libra, no pré-sal. Segundo Magda Chambriard, a indústria de equipamentos para o setor, especialmente, precisa de uma pausa nas licitações para conseguir atender demandas da exploração de áreas que estão em desenvolvimento. "Já será difícil atender essa demanda toda e imagina se colocamos mais um leilão de pré-sal na praça?", questionou. "Acho que a recomendação é fazer um outro (no pré-sal) mais para o fim de 2016", acrescentou. A necessidade de dar tempo para que fornecedores se preparem para atender a forte demanda dos próximos anos é também o motivo da recomendação para que não seja realizada outra rodada este ano dentro do modelo de concessão no pós-sal. Magda Chambriard disse que a recomendação da ANP será feita em breve ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que deverá decidir sobre o assunto. Ela não detalhou uma data: "A nossa recomendação é para isso. Fazer no ano que vem fora do pré-sal e outra de pré-sal só no fim de 2016. Essa é a nossa posição, mas não significa que o CNPE não possa ter outra opinião". Como exemplo da grande demanda que a indústria de equipamentos terá, a diretora-geral da ANP citou cálculos que apontam que a capacidade de produção somente em sete áreas - algumas já em operação, como Tupi e Sapinhoá - é de mais de 750 milhões de barris de petróleo ao longo da vida útil dos campos. Esse volume demandaria ao menos 40 novas plataformas nos próximos anos. No ano passado, o governo federal realizou três rodadas depois de um período de cinco anos sem licitações, incluindo a área de Libra, com volumes recuperáveis estimados pela ANP entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris. Além de reserva de Libra, considerada a maior do Brasil, a ANP realizou uma rodada tradicional com áreas em novas fronteiras e bacias marítimas maduras e um certame focado em gás, buscando desenvolver a exploração de gás não convencional. "Temos que dar uma parada para olhar, analisar, estudar e ver também a capacidade de resposta da indústria", afirmou Magda Chambriard, ao ressaltar que a rodada de novembro de 2013 deveria ter sido realizada em 2014, mas foi antecipada.

ANAC AUTORIZA COMPANHIA AÉREA VENEZUELANA A OPERAR NO BRASIL

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou a companhia aérea venezuelana Conviasa a atuar no Brasil, conforme decisão publicada nesta sexta-feira no Diário Oficial da União. De acordo com a publicação, a empresa pretende operar serviço de transporte aéreo internacional regular de passageiro, carga e mala postal em território brasileiro. A Conviasa foi criada em 2004, por um decreto do então ditador da Venezuela, Hugo Chávez. Atualmente, opera 23 destinos nacionais e 10 destinos internacionais, com uma frota de 20 aeronaves.

ECONOMISTA APONTA QUE BALANÇO DA EMPRESA GAÚCHA DE RODOVIAS É UM ESCÂNDALOb

Leia esta imprescindível análise feita pelo economista Darcy F. C dos Santos, sobre o balanço das atividades da Empresa Gaúcha de Rodovias, mais uma estatal criada pelo desgoverno do peremptório petista "grilo falante" Tarso Genro: "É um escândalo o resumo do balanço da EMPRESA GAÚCHA DE RODOVIAS – EGR, relativo ao exercício de 2013,  encerrado em 31 de dezembro de 2013. Como vemos, na tabela citada, a receita de prestação de serviços líquida atingiu a cifra de R$ 84,2 milhões. Para a prestação desses serviços foram despendidos R$ 28,3 milhões, ou 33,6%. O restante, o lucro bruto do exercício, R$ 55,9 milhões, ou 66,4%, foi canalizado para despesas administrativas, impostos ou formaram o lucro líquido.  Em outros termos, em cada três reais arrecadados, somente um foi aplicado nas estradas. Os 2/3 da receita de serviços não aplicada é o que seria destinado a estradas, caso o serviço tivesse ficado a cargo da administração direta (Daer). Talvez um pouco menos devido às despesas administrativas, que no caso da EGR foi de R$ 3,863 milhões. O objetivo de uma empresa privada é o lucro, mas de uma empresa pública é a prestação dos serviços decorrentes de suas finalidades. O lucro antes do Imposto de Renda PJ e da Contribuição  Social sobre o Lucro Líquido - CSLL foi de R$ 45,5 milhões. A existência desse lucro implicará o pagamento de R$ 15,4 milhões para o IRPJ e para a CSLL, para o que foi constituída a devida  provisão no balanço. Na mesma publicação, no item 2.2, há o seguinte esclarecimento: “ Receita de rendimento de aplicações financeiras – Os rendimentos referentes às aplicações financeiras (SIAC) são registrados mensalmente como receita financeira.” Isso atesta que os recursos estão sendo aplicados no SIAC. No mesmo balanço consta como receita financeira o valor de R$ 734.416,59, uma importância mínima para justificar a existência de  um lucro tão alto, que pagará de IRPJ e CSLL R$ 15,4 milhões, além de todas as consequências decorrentes do não cumprimento das finalidades sociais da empresa. Quanto da criação da EGR,  um dos argumentos utilizados   era a não colocação do dinheiro no caixa único (SIAC), o que está sendo totalmente desrespeitado. Segundo o balanço do Estado encerrado nessa mesma data  (31/12/2013), na p.98, Tabela 16, consta a importância de R$ 41.829.207,46 como Depósitos da EGR  no SIAC, praticamente todo o lucro líquido antes da provisão para o IRPJ e  a  CSLL, cujo pagamento é posterior. Em nosso entendimento a geração de lucros em detrimento das finalidades da empresa,  para aplicar no SIAC, tendo como consequência o pagamento de enormes cifras  de impostos para o governo federal constitui-se num verdadeiro escândalo.

ESTAS SÃO AS 13 VINÍCOLAS GAÚCHAS ACUSADAS PELO USO DE ANTIBIÓTICOS EM VINHOS

O Ministério da Agricultura divulgou a lista das treze vinícolas investigadas pela utilização de antibiótico em vinhos. A substância natamicina ajuda a prolongar a conservação da bebida e é proibida no vinho, mas em alimentos como queijo ela pode ser utilizada. As vinícolas denunciadas e investigadas são as seguintes: CMS, Silvestri, Sandi, Gilioli, Casa Motter, Dal Colono, São Luiz, VT, Bampi, Forqueta, Victor Emanuel, Santini e Capeletti. Segundo o Ministério, todos os lotes destas empresas com problemas foram recolhidos do mercado, ainda no ano passado. A Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, por sua vez, não tem o equipamento capaz de rastrear o uso de antibiótico. Alega o governo do peremptório petista "grilo falante" Tarso Genro que um projeto de US$ 4 milhões para a modernização da estrutura já foi encaminhado ao Fundo para a Convergência Estrutural e Fortalecimento Institucional do Mercosul (Focem). Os recursos estão previstos para chegarem ao Estado em 60 dias, mas, para isso, é necessário um aval da cúpula do Mercosul.

PETISTA RUI FALCÃO RESPONSABILIZA MINISTRO JOAQUIM BARBOSA PELA VIDA DO BANDIDO PETISTA MENSALEIRO JOSÉ GENOÍNO

O presidente do PT, Rui Falcão, abriu o Encontro Nacional do PT, em São Paulo, responsabilizando publicamente o ministro Joaquim Barbosa pela vida do bandido petista mensaleiro José Genoino, em seu retorno à Penitenciária da Papuda. Ele afirmou: “Nós o responsabilizamos publicamente pela vida e pela saúde do companheiro José Genoino”. Como pressão política, é parte do jogo. Como fato, não faz sentido. Genoino é um sentenciado e está condenado a um determinado regime de reclusão. Barbosa — na verdade, o Supremo — é obrigado a decidir segundo um laudo técnico. E os laudos dizem que Genoino pode, sim, enfrentar as condições do regime semiaberto. Cláudio Alencar, seu advogado, diz que vai recorrer ao pleno do Supremo: “Vamos recorrer ao plenário para tentar reverter novamente para prisão domiciliar, que é o mais adequado no caso dele”. E acrescentou: “Nos feriados e finais de semana, não tem médico na Papuda. E a informação que obtivemos é que o único médico do complexo está de férias. O sistema penitenciário tinha que prover isso. É temerária a decisão do STF. Estamos preocupados”. Bem, sendo assim, a situação é temerária não para Genoino apenas, mas para todos os presos. Com a palavra, o governador Agnelo Queiroz. Não fosse Genoino estar preso, nem saberíamos do risco a que estão submetidos todos os detentos. Por Reinaldo Azevedo

ACORDO COM O LABORATÓRIO LARANJA LABOGEN, DO DOLEIRO YOUSSEF, TEVE O PETISTA ALEXANDRE PADILHA COM TESTEMUNHA DA SUA ASSINATURA

Pois é… Quanto mais esperneia o ex-ministro da Saúde, o petista Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo de São Paulo, mais o caso insiste em cair no seu colo. Vejam esta foto e leiam o que vai a seguir: "O termo de compromisso da Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) de citrato de sildenafila com o Labogen — empresa usada pelo doleiro Alberto Youssef para remessas ilegais de dinheiro para o exterior — que reunia o Laboratório Farmacêutico da Marinha (LFM) e a indústria farmacêutica EMS, foi assinado em dezembro passado sem levar em conta alertas de setores técnicos do Ministério da Saúde. O documento foi assinado em 11 de dezembro pelo secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do ministério, Carlos Gadelha, e pelo capitão Almir Diniz de Paula, do Laboratório Farmacêutico da Marinha. O então ministro da Saúde Alexandre Padilha assinou o documento como testemunha. No ato da assinatura, estava presente também Leonardo Meirelles, apontado como testa de ferro do doleiro Alberto Youssef e sócio da Labogen. Ele chegou a ser preso na Operação Lava-Jato e é um dos réus no processo, acusado de crime financeiro e lavagem de dinheiro. O jornal O GLOBO teve acesso aos documentos do projeto de PDP, desfeito após a Operação Lava-Jato, da Polícia Federal revelar que o Labogen era uma empresa de fachada. O projeto era por cinco anos, com valor de R$ 134,4 milhões. Na análise, na qual consta um “de acordo” de Gadelha, os técnicos afirmam que o Labogen não possuía os documentos necessários, como o Certificado de Boas Práticas de Fabricação, embora fosse o responsável pelo desenvolvimento e fabricação do insumo. Dizem ainda que a EMS já fabricava as versões 25mg, 50mg e 100mg e tinha tecnologia para transferir ao LFM, e que a demanda apresentada estava superestimada. Isso porque o projeto previa 4,55 milhões de comprimidos de 20 mg por ano, enquanto as compras, de julho de 2012 a junho de 2013, tinham chegado a apenas a 2,161 milhões. Dois dias antes da assinatura do compromisso, José Miguel do Nascimento Junior, diretor de Assistência Farmacêutica do ministério, enviou e-mail ao diretor responsável pelos projetos de parceria, Eduardo Jorge Oliveira, alertando que a necessidade maior era para o medicamento na versão 50 mg, e não na de 25 mg ou 20 mg, como previsto no projeto: “Favor atentar para o destaque em vermelho: Neste sentido, não deve haver PDP para a apresentação de 25 mg e sim, somente da sildenafila 50 mg”. Ele repassou junto um e-mail da área técnica, que havia sido consultada.

PAPA FRANCISCO CHORA AO SABER SOBRE CRISTÃOS CRUCIFICADOS NA SÍRIA POR TERRORISTAS ISLÂMICOS

O Papa Francisco confessou ter chorado ao saber da notícia de que alguns cristãos tinham sido crucificados na Síria nos últimos dias, disse nesta sexta-feira durante a homilia da missa que realiza a cada manhã em sua residência no Vaticano. “Eu chorei quando vi nos meios de comunicação a notícia de que cristãos tinham sido foram crucificados em certo país não cristão”, explicou o papa em referência ao acontecimento durante a guerra civil síria. Citando passagens da Bíblia e a perseguição dos primeiros cristãos, o papa acrescentou que “hoje também há gente assim, que, em nome de Deus, mata e persegue”. Em relação à perseguição, Francisco lembrou que “existem países em que você pode ser preso apenas por levar o Evangelho”. Há poucos dias, o site da Rádio Vaticano publicou as declarações de uma freira, a irmã Raghida, que tinha estado na Síria e denunciou que cristãos estavam sendo crucificados em povoados ocupados por grupos de muçulmanos extremistas. Nesta quarta-feira o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, entidade civil sediada em Londres, divulgou imagens de cristãos crucificados publicamente na cidade de Raqqa, no norte da Síria. Não se sabe se os cristãos foram mortos durante a crucificação ou antes. Segundo a entidade, as mortes foram obra do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), um grupo terrorista islâmico. No início deste ano, os cristãos de Raqqa foram informados pelos terroristas islâmicos que eles teriam de começar a pagar um "imposto de proteção". Sua liberdade de culto também foi controlada drasticamente pelos membros do EIIL, que proibiram os cristãos de exibir símbolos religiosos fora das igrejas, orar em público, badalar sinos em templos, entre outras restrições.

JUSTIÇA GAÚCHA NEGA LIBERDADE PARA O PAI DO MENINO ASSASSINADO BERNARDO BOLDRINI

A Justiça gaúcha negou o pedido de revogação da prisão temporária do médico Leandro Boldrini, pai do menino Bernardo Uglione Boldrini, assassinado no dia 4 de abril. O juiz Marcos Luís Agostini, da 1ª Vara Judicial de Três Passos, Rio Grande do Sul, negou o pedido nesta sexta-feira alegando que o médico é suspeito de envolvimento no assassinato do menino. Na decisão, o magistrado afirmou que a revogação da prisão temporária, quando ainda há investigações a serem feitas pela polícia, seria “medida temerária e prejudicial à completa elucidação do fato”. O juiz afirmou ainda que o caso exige “prudência”. O argumento é que a prisão temporária foi decretada em razão da natureza hedionda do crime. Bernardo, de 11 anos, foi morto no dia 4 de abril supostamente vítima de uma injeção letal ou de superdosagem de medicamento. Além do pai do menino, a madrasta Graciele Ugulini e uma amiga do casal, Edelvânia Wirganovicz, estão presas suspeitas de participação no homicídio. O corpo de Bernardo foi encontrado dez dias depois do crime, enterrado em um matagal. Segundo o juiz, “é imprescindível aguardar o término da investigação e do prazo da prisão temporária, quando então será apreciada a existência dos requisitos para a decretação da prisão preventiva dos investigados”. O pedido de revogação havia sido feito pelo advogado de defesa de Boldrini, Jader Marques, na noite de quarta-feira, depois que a madrasta de Bernardo inocentou o médico em depoimento à polícia.

PETROBRAS FECHA CONTRATO DE US$ 300 MILHÕES COM MAERSK

A Petrobras e a Maersk Supply Service fecharam um acordo no valor de 300 milhões de dólares para o fornecimento de quatro navios de manuseio de âncoras, abastecimento e reboque que apoiarão as operações offshore (no mar) da estatal no Brasil. A unidade do Grupo Maersk já atende a Petrobras com doze embarcações e aumentará para dezesseis durante os quatro anos de vigência do mais novo contrato. "A Petrobras é o maior cliente da Maersk Supply Service no mundo", disse o diretor da unidade no Brasil, Viggo Andersen. O atendimento à estatal - responsável por 20% do faturamento - e a outras petroleiras instaladas no País fazem do Brasil o principal mercado para a Maersk Supply Service, empresa pertencente ao núcleo de negócios chamado Serviços & Outras do Grupo Maersk, que também engloba a Damco, a Maersk Tankers e a Svitzer. A finalidade das quatro embarcações que prestarão serviço à Petrobras são as operações de deslocamento das unidades de perfuração de um campo para outro e de fixação dessas unidades no solo marítimo. "O contrato adicional é importante porque significa um crescimento do nível de atividade junto ao nosso principal cliente e para a Petrobras é importante que ela recebe equipamentos mais atualizados", disse o executivo. Andersen também disse que há grandes perspectiva de novos contratos no futuro puxado pelo aumento de produção da estatal para 4 milhões de barris por dia em 2020, como planeja o governo brasileiro, ante os 2 milhões de barris por dia atuais. De acordo com ele, o número de embarcações de apoio a operações do segmento de óleo e gás no Brasil passará de cerca de 450 para até 600 daqui a seis anos. "Se seguir o mesmo ritmo do mercado, a Maersk Supply Service aumentará de 18 para 25 os navios em operação no Brasil", afirmou.

GOVERNO DO PARANÁ ALEGA "RISCO DE ATENTADO" PARA TIRAR EX-DIRETOR DA PETROBRAS DO PRESÍDIO DE PIRAQUARA

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, voltou por volta de 14 horas de sexta-feira para a superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Ele foi transferido do Presídio Estadual de Piraquara II, na região metropolitana de Curitiba, onde estava desde a última segunda-feira, porque a secretária de Justiça do Estado do Paraná, Maria Tereza Uille Gomes, alegou que Paulo Roberto Costa poderia ser alvo de um atentado praticado por outros detentos. A secretária relatou ao juiz federal Sérgio Moro que o ex-diretor da estatal não estava "seguro" no convívio com outros presidiários de Piraquara. Por isso, o juiz determinou o retorno para a carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Ele ainda poderá ser transferido para a Penitenciária Federal de Catanduvas, de segurança máxima. De acordo com o governo paranaense, a penitenciária possui atualmente 940 presos. Maria Tereza sugeriu na quarta-feira que Paulo Roberto Costa fosse transferido para o Presídio Federal de Catanduvas, o que está sob análise da Justiça. O advogado Fernando Fernandes, que defende Paulo Roberto Costa, solicitou à Justiça que ele fosse transferido com urgência, ainda na quinta-feira. Mas o pedido foi recusado. Fernandes argumentou que Paulo Roberto Costa corria risco "iminente" de sofrer um atentado e destacou que houve "onze rebeliões nos últimos três meses no local". "Após vistoria na PEP II na data de hoje, os subscritores notaram que o risco relatado pela Ilma. Secretária de Estado está ainda majorado, e o clima de instabilidade dentro da Penitenciária tem crescido em razão da presença de Paulo Roberto Costa, o que constitui fato novo, urgente e de ordem pública a permitir a análise por este MM. Juízo do Plantão", argumentaram os advogados em petição protocolada na Justiça. Em bilhete anexado pelos advogados no processo, Paulo Roberto Costa reclama da cela "muito suja" e da ausência de vaso sanitário. Ele relata que passou "frio à noite pois foi entregue apenas uma manta". Também se queixou da comida: "Não tenho condição de comer pois é de muita baixa qualidade". Antes de ser transferido para Piraquara, o ex-diretor ficou detido na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Mas alegou que foi ameaçado por um agente e a Justiça decidiu pela transferência dele para um presídio estadual. Paulo Roberto Costa foi preso no dia 20 de março porque familiares destruíram provas que seriam apreendidas na operação Lava-Jato da Polícia Federal. Ele é acusado de lavagem de dinheiro, participação em organização criminosa e obstrução de investigação. De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, o ex-diretor da Petrobras comandou, com o doleiro Alberto Youssef, um esquema de desvio de verbas da construção da refinaria Abreu e Lima. A polícia suspeita que a dupla se apropriou de pelo menos 7,9 milhões de reais desviados de contratos da estatal. Duas filhas de Paulo Roberto Costa (Shanni e Arianna Bachmann) e os genros (Márcio Lewkowicz e Humberto Mesquita) também respondem na Justiça pelo crime de obstrução de investigação, porque ocultaram os documentos que a polícia buscava.

ITÁLIA MARCA JULGAMENTO DE EXTRADIÇÃO DO BANDIDO PETISTA MENSALEIRO HENRIQUE PIZZOLATO PARA JUNHO

A Corte de Apelação de Bolonha, na Itália, marcou para o dia 5 de junho o julgamento do pedido do governo brasileiro de extradição do bandido petista mensaleiro Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil. Ele foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão por lavagem de dinheiro e peculato no julgamento do Mensalão do PT. A data foi confirmada pela Procuradoria-Geral da República. O bandido petista mensaleiro Henrique Pizzolato estava foragido desde novembro de 2013 e foi preso em fevereiro, na cidade de Maranello, na Itália. Por determinação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, os procuradores regionais Vladimir Aras e Eduardo Pelella irão à Itália acompanhar o julgamento e se reunirão com autoridades italianas. Para defender a extradição no tribunal, a Advocacia-Geral da União contratou um escritório de advocacia na Itália. O pedido de extradição de Pizzolato foi elaborado pela Procuradoria Geral da República e entregue ao governo italiano pelo Ministério das Relações Exteriores em fevereiro. No entendimento da Procuradoria, mesmo tendo cidadania italiana, Pizzolato pode ser extraditado para o Brasil. “O tratado de extradição firmado em 1989 entre Brasil e Itália não veda totalmente a extradição de italianos para o Brasil, uma vez que cria apenas uma hipótese de recusa facultativa da entrega. O Código Penal, o Código de Processo Penal e a Constituição italiana admitem a extradição de nacionais, desde que expressamente prevista nas convenções internacionais”, diz a Procuradoria Geral da República. No mês passado, o Ministério Público da Itália emitiu parecer favorável à extradição de Pizzolato. O órgão também pediu que o governo brasileiro esclarecesse se os presídios do País têm condições de receber o mensaleiro, caso ele seja extraditado.