terça-feira, 10 de junho de 2014

BANCO MUNDIAL REDUZ PREVISÃO DE CRESCIMENTO DO BRASIL

A economia brasileira deve ter uma das menores taxas de expansão entre os países emergentes, só perdendo de países como Argentina, Venezuela, Sérvia e Ucrânia. Para 2015, a projeção foi mantida em 2,7%. Já a de 2016 também foi rebaixada pelo Banco Mundial, que em janeiro previa o Brasil crescendo 3,7% e agora reduziu a estimativa para 3,1%, de acordo com o relatório “Perspectivas Econômicas Mundiais” divulgado nesta terça-feira. Entre os fatores responsáveis pelo baixo crescimento econômico do Brasil este ano, o Banco Mundial cita que os estrangulamentos na infraestrutura, baixa confiança dos empresários, demanda doméstica fraca e crédito mais difícil estão entre os principais responsáveis. O documento também menciona a deterioração de alguns números da economia brasileira, como as contas externas, fiscais e a persistente pressão da inflação. A recomendação do Banco Mundial para países com inflação que teima em não baixar é continuar elevando os juros. “Um aperto gradual da política monetária reduziria as vulnerabilidades e aumentaria a resistência”, recomenda o relatório. No caso do Brasil, África do Sul e Turquia o documento alerta que, apesar da calma atual do mercado financeiro mundial, a vulnerabilidade persiste nesses países, que têm uma combinação perigosa de inflação alta e déficit da conta corrente. A projeção é que esse déficit, no caso do Brasil, piore de 3,6% do PIB em 2013 para 3,9% este ano. O Banco Mundial também reduziu as projeções de expansão para este ano da economia mundial e dos países em desenvolvimento. A previsão é que o mundo cresça 2,8% este ano, abaixo dos 3,2% estimados em janeiro. No caso dos países considerados emergentes, a expectativa agora é que esse grupo de países cresça 4,8% este ano, menos do que os 5,3% estimados em janeiro.

QUADRO ORIGINAL DE REMBRANDT É REVELADO NA INGLATERRA

Análises científicas verificaram a autenticidade de um auto retrato do pintor holandês Rembrandt, doado em 2010 para o National Trust (Fundo Nacional), instituição britânica dedicada à preservação do patrimônio cultural do Reino Unido. Oito meses de exames científicos dissiparam as dúvidas sobre a autoria do quadro, que tem um valor estimado em R$ 100 milhões. A pintura, que era anteriormente atribuída a um pupilo do mestre holandês, se encontra agora exposta nas paredes da Abadia de Buckland, no condado inglês de Devon, no sudoeste da Inglaterra. O quadro está no que foi, durante o século 16, o domicílio do corsário, explorador e comerciante de escravos Francis Drake, e sua autoria era um mistério que já durava 40 anos. A obra foi cedida ao National Trust há quatro anos como um presente dos herdeiros de Lady Samuel de Wych Cross, cujo marido, o filantropo Lord Samuel de Wych Cross, era colecionador de numerosas pinturas durante sua vida, muitas expostas atualmente na galeria Manson House, em Londres. Um especialista na obra do célebre pintor holandês, Horst Gerson, e o chamado Rembrandt Research Project (RPP), concluíram há 40 anos que esse retrato seria obra de um dos alunos do artista. Porém, depois de analisar a evolução do estilo do pintor e depois de levar a cabo uma nova investigação da pintura a cargo do especialista mais renomado na obra de Rembrandt, Ernst van de Wetering, o quadro foi atribuído ao artista holandês. Durante os últimos oito meses, a pintura foi submetida a novos exames científicos no Instituto Hamilton Kerr, no condado de Cambridgshire, que agora confirmam sua autoria e autenticidade. A obra não pode ser vendida justamente por estar sob os cuidados do National Trust, que é considerada instituição de caridade em favor da cultura local. A conservadora de arte do Instituto Kerr, Christine Slottvedd Kimbriel, explicou que o autorretrato foi submetido a diversas análises, que incluíram exames visuais ampliados, radiografias e reflectografias por infravermelho. “Ao limpar com cuidado e retirar camadas amareladas de verniz velho, foram reveladas as cores originais e o estilo do quadro”, assinalou Christine. A pesquisadora acrescentou que o processo resultou em uma “autêntica profundidade das cores, muito mais detalhes e uma aparência em três dimensões do tecido da camada de Rembrandt”, que previamente havia escurecido e não era percebida pelas pesquisas do Rembrandt Research Project. Especialistas da Universidade de Cambridge também analisaram a estrutura celular do painel de madeira em que o retrato foi pintado – álamo ou salgueiro, dois tipos preferidos de Rembrandt. Os pigmentos analisados também bateram com os já conhecidos do pintor holandês. “O verniz estava tão amarelo que era difícil visualizar o charme do retrato”, disse o curador de pinturas e esculturas do National Trust, David Taylor. “Agora é possível ver os tons de pele e outras cores, assim como o modo como a pintura foi realizada. Agora é muito mais fácil apreciá-lo como a um Rembrandt”, concluiu.
Durante esse minucioso processo, investigou-se também a assinatura do artista, que ofereceu pistas que corroboraram a autenticidade do quadro. Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606-1669) foi um dos autores de autorretratos mais prolíficos. Os especialistas estimam que ele pintou entre 40 e 50 quadros de si mesmo em óleos, e que utilizou o próprio corpo como modelo em 32 gravuras e sete desenhos. No autorretrato encontrado na Abadia de Buckland, aparece um Rembrandt de 29 anos, com uma capa de veludo preta e um chapéu decorado com duas penas de avestruz. O retrato é do ano de 1635.

O ALCAGUETE LULA PEDE READMISSÃO DE FUNCIONÁRIOS DEMITIDOS DO METRÔ DE SÃO PAULO POR GREVE ILEGAL E FALA EM MATURIDADE DE SINDICATO E GOVERNO

O ex-presidente e alcaguete Lula (delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr.) defendeu nesta terça-feira a readmissão dos 42 funcionários demitidos do metrô por greve ilegal e vandalismos. Segundo ele, “não há interesse” em manter as demissões e tanto grevistas quanto o governo de São Paulo devem ter maturidade para chegar a um acordo e evitar transtornos na abertura da Copa do Mundo. Já o ministro-chefe da Secretaria-Geral, o petista Gilberto Carvalho, disse que greve dos metroviários em São Paulo é “calamitosa” e o governo federal espera que ela não seja retomada. “A dispensa pode ser revista se houver maturidade tanto dos trabalhadores quanto do governador para conversar. Muitas vezes as decisões tomadas de forma intempestiva em um momento mais grave, em um momento de exaltação, podem ser resolvidas daqui alguns dias. Pela minha experiência, penso que não há interesse nenhum do governador de deixar 42 trabalhadores fora”, disse o alcaguete Lula, nesta terça, depois de participar do Fórum Empresarial América Latina e Caribe organizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Prefeitura de São Paulo. Embora tenha defendido a readmissão dos grevistas, Lula cobrou responsabilidade dos metroviários. “Eles também tem de saber que existe limite para fazer as coisas. Então o direito democrático de um não pode impedir o direito democrático de outro”, afirmou. Ele lembrou sua experiência pessoal para minimizar o impacto de uma paralisação na abertura do Mundial. “Fui dirigente sindical e em muitas greves que eu fiz trabalhadores foram dispensados. Depois a gente fez uma briga pela readmissão. Muitas vezes as decisões tomadas de forma intempestiva foram revistas”, disse o ex-presidente e delator de companheiros para o Dops paulista na ditadura militar (conforme Romeu Tuma Jr.). Para o alcaguete Lula, a paixão do povo brasileiro pelo futebol é maior do que a vontade de protestar de alguns setores contrários à Copa. “A greve é uma conquista democrática da sociedade. Os grevistas têm consciência do direito legítimo deles de fazer uma reivindicação. E não necessariamente tem de atrapalhar a vida das pessoas que querem ver o jogo da Copa do Mundo ou que querem trabalhar. A cabeça esportiva do povo brasileiro é maior do que a cabeça das pessoas que por ventura queiram contestar alguma coisa”, disse. Já o ministro Gilberto Carvalho apelou para que “haja entendimento” entre o governo estadual e os metroviários para que a população não seja prejudicada. É uma gracinha esse petista, porque a CUT, central sindical petista, estava apoiando a greve ilegal e criminosa dos metrovíários. Ele avisou ainda que, caso ocorram protestos violentos, “as forças de segurança federal serão acionadas” para garantir o direito das pessoas. O ministro voltou a dizer que a maior preocupação do governo é com greves no Rio de Janeiro e São Paulo.

JIHADISTAS ASSUMEM CONTROLE DA SEGUNDA MAIOR CIDADE DO IRAQUE

Soldados iraquianos abandonaram suas armas e fugiram da cidade de Mosul, no norte do Iraque, nesta terça-feira. A fuga ocorreu depois que a área foi dominada por terroristas que libertaram centenas de prisioneiros e ocuparam bases militares, postos de segurança, redes de televisão, bancos, o aeroporto e a sede do governo local. Os militantes sunitas que expulsaram os soldados são ligados ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), grupo que foi renegado até mesmo pela Al Qaeda. Horas depois de as forças do governo fugirem de Mosul, o primeiro-ministro Nouri al Maliki declarou um “estado de máximo alerta” em todo o país, sem indicar se estava em curso uma mobilização para retomar a cidade, que fica cerca de 350 quilômetros ao norte de Bagdá. Também pediu ajuda a governos aliados, sem mencionar especificamente os Estados Unidos. As tropas americanas deixaram o país no final de 2011, depois de oito anos de ocupação. Desde então, o governo de liderança xiita tem enfrentado dificuldades para conter os militantes sunitas. Com 1,8 milhão de habitantes, Mosul é um importante centro da indústria do petróleo no país e foi a última grande área urbana a ser pacificada pelas tropas americanas. A tensão na região ameaça se espalhar para a adjacente região autônoma curda, no norte do Iraque, que tem sua própria força armada. Osama al-Nujaifi, presidente do Parlamento, pediu às autoridades do Curdistão que enviem reforços para enfrentar os sunitas. "O que aconteceu é um desastre sem precedentes. A presença destes grupos terroristas nesta vasta província não ameaça apenas a segurança e a unidade do Iraque, mas de todo o Oriente Médio", afirmou al-Nujaifi, que também é irmão do governador de Nineveh, onde fica Mosul. O EIIL vinha controlando informalmente a maior parte da província de Nineveh, impondo taxas sobre a circulação de mercadorias e exigindo dinheiro para proteção de autoridades. Na última quinta-feira, a ameaça de um ataque ficou mais evidente depois que grupos identificados como comandos do EIIL ocuparam a cidade de Samarra durante doze horas, antes de abandonar o município. Outras cidades no oeste e norte do país foram atacadas e, na manhã de sexta, a parte oeste de Mosul foi invadida. O governador Atheel Nujaifi fez um apelo na TV na noite de segunda-feira, pedindo aos moradores que formassem comitês de autodefesa. Mas ele mesmo acabou fugindo no mesmo dia. Segundo a rede BBC, 150.000 pessoas fugiram na sequência, carregando seus pertences em sacolas ou carrinhos de mão. “Toda Mosul ruiu hoje. Fugimos de nossas casas e bairro e estamos buscando a misericórdia divina. Estamos esperando morrer”, disse o dentista Mahmoud Al Taie. “Mosul agora está um inferno. A cidade está em chamas e a morte está por toda parte”, disse Amina Ibrahim. Moradores que ficaram na cidade disseram à rede CNN que os sistemas de energia e abastecimento de água foram interrompidos. Os terroristas estão cobrando dinheiro para proteger quem ficou. Considerada pelos Estados Unidos o último reduto da Al Qaeda no Iraque e porta de entrada para jihadistas no país, a agora controlada Mosul é mais uma comprovação da determinação dos terroristas do EIIL em criar um Estado islâmico na fronteira entre Iraque e Síria, onde o grupo terrorista tenta derrubar o ditador Bashar Assad, aliado do xiita Irã. Acredita-se que o grupo de radicais se dividiu e está seguindo para a província de Salaheddin, localizada ao sul de Nineveh e onde as autoridades iraquianas montaram acampamentos recentemente.

CONGRESSO REAGE E DÁ PRAZO PARA DILMA REVOGAR O DECRETO BOIVARIANO: OU RETIRA OU SERÁ DERRUBADO POR DECRETO LEGISLATIVO

A mobilização que começou nas bancadas de oposição se espalhou pelos partidos governistas, e o Congresso Nacional decidiu reagir ao Decreto 8.243/2014, assinado pela presidente Dilma Rousseff. A medida institui, numa canetada, a participação de “integrantes da sociedade civil” em todos os órgãos da administração pública, num ataque à democracia representativa. Pressionados por líderes de partidos, os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pediram pessoalmente à presidente, que nesta terça-feira compareceu ao Congresso para a Convenção Nacional do PMDB, que desista do decreto. Alves já havia procurado o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) para pedir a revogação do texto. Eduardo Henrique Alves foi particularmente bombardeado por ter se recusado a colocar em votação um decreto legislativo da oposição para anular os efeitos do decreto de Dilma. Nesta terça-feira, porém, mudou o discurso e vocalizou o sentimento hoje majoritário no Congresso: “Se até amanhã o governo não atender, nós vamos votar a favor da derrubada do decreto”. Segundo aliados, dois fatores pesaram para a mudança de atitude do deputado: a pressão do próprio PMDB contra o decreto e a irritação pessoal com a desistência de última hora de Dilma em participar da inauguração do aeroporto potiguar de São Gonçalo do Amarante. Eduardo Henrique Alves é candidato ao governo do Estado e espera ter Dilma em seu palanque. “Ainda não pautei o projeto para, ao meu estilo, tentar a retirada do decreto”, justificou-se. Em plenário, Renan Calheiros também pediu que o Palácio do Planalto recue: “Sempre defendi a ampliação da participação popular, mas não é aconselhável que se recorra a um decreto para tal. Quem representa o povo é o Congresso Nacional e, por este motivo, o ideal – eu falei isso para a presidente e queria repetir aqui – é que a proposta seja enviada através de um projeto de lei ou mesmo através de uma medida provisória, para que sejam aqui aprimorados, para que possam receber as insubstituíveis colaborações e aprimoramentos dos deputados e dos senadores”. O líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), disse que o partido vai apoiar a derrubada do texto caso Dilma não recue da decisão. Cinco partidos já anunciaram obstrução às votações na Câmara: DEM, PSDB, PPS, PSD e Solidariedade. Nesta terça-feira, a sessão da Câmara voltou a ser tomada por críticas ao decreto de Dilma. O texto foi classificado de “autoritário” e “ditatorial” por deputados da oposição. “Se a presidente revogar a matéria, será um recuo salutar. É um ato de humildade”, argumentou o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE).

Por Reinaldo Azevedo

CHEFE DE GABINETE DO PROCURADOR ELEITORAL DO RIO DE JANEIRO É INVESTIGADA POR TRÁFICO DE INFLUÊNCIA

A chefe de gabinete do Procurador Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, Paulo Roberto Bérenger, foi exonerada nesta terça-feira. A advogada Luísa Velasco ocupava o cargo há um ano e é investigada por suspeita de ter cometido os crimes de estelionato, falsificação de sinal público, tráfico de influência e formação de quadrilha. De acordo com investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, Luísa e uma sócia, Valesca Rodrigues, induziram clientes a acreditar que existiam investigações policiais contra eles no Ministério Público Federal, na Polícia Federal e na Polícia Civil. O telefone funcional da ex-chefe de gabinete foi apreendido e foi lacrado o computador utilizado por ela, para ser submetido a perícia. Policiais cumpriram mandado de busca e apreensão na casa de Luísa e nos endereços comerciais e residenciais da ex-sócia. Valesca Rodrigues foi presa temporariamente. Pelo menos dois médicos, clientes de Valesca, foram cobrados a efetuar pagamentos para interferir em decisões ou como remuneração de honorários advocatícios de serviços que não existiriam. Bérenger informou que soube da operação antes de participar de seminário organizado pela Procuradoria Regional Eleitoral para jornalistas. Ele ressaltou que os fatos investigados não foram cometidos durante o período em que Luísa ocupou cargo na Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro . De acordo com o procurador, ela era uma das três assessoras que ocupavam cargo comissionado em seu gabinete. Emitir pareceres jurídicos era uma de suas funções. "Ao longo do período em que esteve na Procuradoria, ela era uma funcionária dedicada e se comportou bem", disse Bérenger.

JOÃO HAVELANGE RECEBE ALTA HOSPITALAR NO RIO DE JANEIRO

O ex-presidente da Fifa, João Havelange, de 98 anos, recebeu alta nesta terça-feira no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro. Havelange estava internado desde a última quarta por conta de uma infecção respiratória.  Há cerca de um ano, Havelange renunciou à presidência de honra da Fifa, entidade que dirigiu de 1974 a 1998. Ele estava envolvido no caso de corrupção da ISL, extinta empresa que foi parceira de marketing da Fifa. Havelange também integrou o Comitê Olímpico Internacional, ao qual renunciou no final de 2011 alegando problemas de saúde.

CPI DA PETROBRAS GOVERNISTA ALIVIA DEPOIMENTO DO "HOMEM-BOMBA", QUE NÃO COMPROMETE NINGUÉM

A CPI da Petrobras no Senado Federal superou seus próprios limites nesta terça-feira. Que a comissão promova um festival de depoimentos inócuos, destinados à defesa de governistas – como a presidente da estatal, Graça Foster, e seu antecessor, José Sérgio Gabrielli – não surpreende. Tampouco causa estranheza que o plano de trabalho tenha sido cuidadosamente montado pelo governo para evitar investigações sobre a empresa. Nesta terça-feira, porém, a bancada governista decidiu aliviar o depoimento de Paulo Roberto Costa, um dos principais personagens da Operação da Lava-Jato da Polícia Federal. Até cruzar a porta da comissão na manhã desta terça-feira, o ex-diretor de Abastecimento e Refino da estatal era chamado de "homem-bomba" nos corredores do Congresso, justamente pelo histórico de relações que manteve com parlamentares de diversos partidos – alguns, inclusive, também encrencados com a polícia. Mas o que se viu foram trocas de gentilezas entre Costa e senadores do PT. Sem comprometer ninguém, o ex-diretor da Petrobras ainda teve espaço para dizer, com a voz embargada e olhar marejado, que a "história irá dizer por que foi feita essa maldade" com ele. E ironizou a fama de temido por parlamentares: "Não existe homem-bomba nenhum". Costa chegou a afirmar que guardar 700.000 reais em espécie na sua casa porque "tinha necessidade de ter dinheiro vivo" para fazer pagamentos, como impostos de sua empresa de consultoria. “Podia fazer transações bancárias, mas não há nada que me impeça de ter dinheiro em casa”, afirmou. Nenhum senador do PT estranhou nem quis saber a origem do montante. Para a Polícia Federal, esse dinheiro era oriundo de propina e desvios de contratos da Petrobras Ao longo das quatro horas de depoimento, Costa aparentou tranquilidade e não demonstrou constrangimento nos dois meses que passou encarcerado. Ele responde na Justiça do Paraná com mais nove pessoas pelo crime de lavagem de dinheiro e indícios de um amplo esquema de desvio de recursos envolvendo a Refinaria Abreu e Lima, entre os anos de 2009 a 2014. Além disso, a Polícia Federal investiga uma série de negócios de Paulo Roberto Costa em parceria com o doleiro Alberto Youssef, apontado como mentor do esquema criminoso.

BNDES, BANCO DO BRASIL E CAIXA ECONÔMICA FEDERAL FINANCIARÃO ATÉ 70% DE CONCESSÕES DE RODOVIAS

O Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal o BNDES afirmaram nesta terça-feira que vão financiar até 70% dos projetos federais de quatro trechos de concessão de rodovias. As condições, válidas para concessões das rodovias BR-364/060/MT/GO, BR-163/230/MT/PA, BR-364/GO/MG e BR-476/153/282/480, foram publicadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Os financiamentos terão taxa de juros equivalentes a TJLP, hoje, em 5% ao ano, mais 2%. A carência será de até 5 anos e a amortização deve acontecer em no máximo 20 anos. A estrutura básica de garantias podem incluir penhor das ações da Sociedade de Propósito Específico (SPE) composta para cada projeto, outorga do direito do controle da beneficiária, cessão fiduciária de direitos emergentes do contrato de concessão ou de direitos creditórios e recebíveis, com conta centralizadora, além de constituição de conta reserva equivalente a 3 vezes o serviço mensal da dívida. Na fase pré-operacional, ou seja, antes da conclusão da parte técnica e financeira do projeto, as garantias devem incluir fianças corporativas dos controladores ou bancária, um contrato de suporte dos acionistas (ESA) e seguro-garantia para cobrir riscos do concessionário.

INTEGRANTES DE MOVIMENTOS SOCIAIS CONTRA A COPA DO MUNDO DENUNCIAM "PERSEGUIÇÃO POLICIAL"

Militantes do Comitê Popular da Copa no Distrito Federal dizem ter recebido a visita de homens não-identificados se passando por representantes da Justiça Eleitoral. Três integrantes do movimento suspeitam que os homens eram policiais do governo petista com o objetivo de intimidá-los, já que o grupo está organizando para esta quinta-feira, dia da abertura da Copa do Mundo, mais um ato contrário aos gastos públicos no evento. Thiago Ávila foi um dos seis integrantes do comitê que receberam a visita. Segundo ele, um homem dirigindo uma Hilux sem identificação oficial esteve em sua casa e também em um local onde ele trabalhou até recentemente. “Me ligaram de casa dizendo que esse camarada tinha passado por lá, dizendo ser servidor do Tribunal Regional Eleitoral e que precisava checar algumas informações por causa do recadastramento biométrico. A principal preocupação dele era saber os horários em que costumo estar em casa. Depois, ele foi ao meu antigo emprego e conversou com a minha ex-chefe, querendo saber o que eu fazia quando trabalhava lá, quanto eu ganhava e porque tinha saído”. De acordo com Ávila, o nervosismo e a falta de identificação do visitante levantaram suspeitas de todos. Quando a ex-chefe do militante pediu para que o homem mostrasse sua identificação funcional, ele respondeu que, por se tratar de uma visita informal a serviço do TRE, não havia necessidade de identificação. Ainda assim, o homem forneceu o número de um telefone no qual Ávila mais tarde conseguiu localizá-lo. “Liguei e perguntei o que ele queria. Ele me contou a mesma história, mas gaguejava muito, dizendo que tinha sido uma visita informal e que, no TRE, eu não conseguiria nenhuma informação oficial sobre o procedimento. Quando eu disse que iria ao tribunal checar, ele disse que não precisava, que nós conversaríamos em outra ocasião, na minha casa”, declarou Ávila. Segundo ele, o nome com o qual o homem se identificou não consta dos registros públicos de servidores do tribunal. Vinícius Lobão é outro dos militantes do Comitê Popular da Copa que dizem ter passado pela mesma situação. Segundo ele, dois homens chegaram a sua casa no exato momento em que ele saía para trabalhar. “Se identificaram como oficiais do TRE e disseram que precisavam confirmar os meus endereços. Eles inclusive apresentaram carteiras de identificação oficiais, mas eu achei muito estranho que o TRE estivesse visitando eleitores. Ainda mais usando uma Hilux não identificada”, comentou Lobão: “Pelas perguntas que fizeram, eu temo que a qualquer momento possa chegar um mandado de prisão preventiva. O que eles mais queriam saber era onde estamos a cada hora do dia”. Os militantes do comitê suspeitam que os homens eram policiais civis, a serviço da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, governo petista.

ANEEL PROPÕE REDUZIR GANHOS DE DISTRIBUIDORAS PARA 7,16%

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) propôs reduzir os ganhos das distribuidoras sobre seus investimentos no setor elétrico de 7,5% para 7.16%. O indicador, chamado de custo médio ponderado de capital (Wacc), deverá ser aplicado no quarto ciclo de revisão tarifária das distribuidoras. Contudo, frustrou as expectativas de analistas que esperavam um percentual maior. A redução é importante porque deve impactar a conta de luz dos brasileiros. A redução do Wacc a cada ciclo costuma acontecer, mas o mercado esperava uma proposta mais alta. Analistas do Citi escreveram em relatório que esperavam um Wacc de 7,3% e analistas da XP Investimentos falavam em cerca de 8%. A proposta de Wacc inicial ainda pode mudar ao longo do processo de revisão tarifária. A revisão tarifária das distribuidoras de energia ocorre a cada quatro anos e é destinada a analisar o equilíbrio econômico-financeiro da concessão. No momento da revisão tarifária periódica, são calculadas a receita necessária para cobertura dos custos operacionais eficientes e a remuneração adequada sobre os investimentos realizados. O Wacc é importante para o cálculo da remuneração das distribuidoras e afeta as decisões de investimento das companhias, como instalação de postes e trocas de linhas de transmissão.

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ANULA SENTENÇA DE CONDENADO POR DESVIOS NAS OBRAS DO TRT-SP

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu nesta terça-feira anular a condenação do empresário José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz a 27 anos de prisão. Ferraz era sócio da construtora Incal, envolvida nos desvios de recursos públicos, estimados em R$ 179 milhões, nas obras do fórum do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, na década em 90. O empresário alegou que houve cerceamento de defesa na sentença da Justiça Federal de São Paulo, proferida em 2006. Um dia antes do julgamento, Ferraz demitiu seus advogados e não apresentou recurso contra a condenação. Na sessão desta terça-feira, os ministros Luís Roberto Barroso e Rosa Weber votaram contra a anulação da sentença. Dias Toffoli e Marco Aurélio votam a favor. Com o empate, Ferraz foi favorecido com a decisão que o benefiava. Na mesma ação penal foram condenados Fábio Monteiro de Barros Filho, ex-sócio de Ferraz na Incal, e o ex-senador do Distrito Federal, Luiz Estevão. Segundo o Ministério Público, junto com o juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto, eles superfaturaram as obras do fórum trabalhista de São Paulo. O ex-senador foi condenado a 31 anos de prisão, mas recorre da sentença em liberdade.

DILMA NÃO COMPARECE NO CONGRESSO DA FIFA, MANDA MENSAGEM E DIZ QUE BRASIL ESTÁ PRONTO PARA A COPA

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, leu nesta terça-feira, na cerimônia de abertura do 64º Congresso da Federação Internacional de Futebol (Fifa), mensagem em que a presidente Dilma Rousseff diz que o Brasil está pronto “para realizar a Copa das Copas”. O evento está sendo realizado no Transamérica Expo Center, em São Paulo. “Trabalhamos pela Copa tanto quanto queremos ganhá-la”, afirma a presidente na mensagem. Dilma não participou da cerimônia, mas enviou o texto, que foi lido pelo ministro no final da tarde. No texto, Dilma destaca que a seleção brasileira foi a única a participar de todas as copas e é a maior campeã, com cinco títulos. Segundo a presidente, o País trabalhou muito para sediar o evento pela segunda vez:  “Construímos e reformamos 12 estádios espalhados de Norte a Sul deste País continental para que a Copa alcançasse todo o território nacional e integrasse a nação. Implantamos e organizamos equipamentos urbanos e serviços que darão suporte ao Mundial e que ficarão depois como benefício ao povo brasileiro". O presidente da Fifa, Joseph Blatter, que abriu o congresso, disse que conversou anteriormente com Dilma e que ambos concordaram que a Copa “será um grande acontecimento”. Em discurso, Blatter disse esperar e desejar “que todas as atividades beligerantes parem nesse período e se concentrem no futebol”. Nem Blatter, nem a mensagem de Dilma citaram os atrasos nas obras da Copa e as manifestações recentes no País contra o evento.

MINISTRO DO STJ PROÍBE GREVE DE AUDITORES DA RECEITA FEDERAL

O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça, proibiu o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco) de deflagrar greve ou iniciar operação padrão nos aeroportos, portos e nas áreas de fronteira. A determinação do ministro atende a pedido de liminar feito Advocacia-Geral da União. Segundo o órgão, o sindicato planejava iniciar nesta terça-feira, a dois da abertura da Copa do Mundo, uma paralisação. De acordo com o ministro, a greve é injustificável porque o Sindifisco assinou, em dezembro de 2012, um acordo com o Ministério do Planejamento, no qual está previsto reajuste salarial para janeiro do ano que vem. Fernandes também destacou que a paralisação poderia atrapalhar o tráfego de pessoas nos aeroportos durante a Copa e prejudicar a imagem do País. O ministro estabelece multa de R$ 400 mil por dia de descumprimento da decisão.

DIVISÃO NO PMDB PRENUNCIA DOR DE CABEÇA SÉRIA PARA A PETISTA DILMA ROUSSEFF NOS ESTADOS

O placar da convenção do PMDB que decidiu pelo apoio à reeleição de Dilma Rousseff foi mais apertado do que se imaginava. O comando peemedebista esperava 70% de aprovação à renovação da aliança com o PT no plano federal. Após a apuração, o presidente do PMDB, Valdir Raupp, chegou a anunciar 69,7% pelo "sim". Porém, refeitas as contas, a proporção caiu para 59% – e ainda faltava descontar as abstenções, que somaram 8,7%. Um cenário bem mais desfavorável que o de 2010, quando quase 85% chancelaram a aliança. Na eleição, Dilma vai ter todo o tempo do PMDB de propaganda eleitoral no rádio e na TV – cerca de dois minutos e meio – e a lealdade dos principais caciques do partido, como José Sarney e Renan Calheiros. Mas o resultado da votação desta terça-feira é prenúncio de problemas para Dilma em alguns Estados, como Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Ceará, cuja densidade eleitoral pode ser decisiva. A divisão no partido só não é mais evidente por causa do comando de Michel Temer, vice-presidente da República e presidente licenciado do PMDB. "Ele sabe desarmar os espíritos", afirmou Dilma, que só compareceu ao local da Convenção Nacional após a divulgação do resultado da contagem. A petista ainda enfatizou a importância dos aliados, que têm a maior bancada do Senado (20 cadeiras) e a segunda maior da Câmara (73), atrás apenas do PT. "Eu preciso do PMDB. Sejamos nós cada vez mais parceiros e irmãos nessa luta que se avizinha", disse. À imprensa, com o semblante pouco convincente, Dilma garantiu que o resultado era uma "consagração". Durante o dia, a divisão de forças no PMDB ficou clara. Uma carta distribuída pela ala rebelde durante a convenção criticava o tratamento dado pelo governo petista ao PMDB: "Nos últimos anos PMDB foi preterido, desprezado, tratado como mero apêndice do PT", dizia o texto. Michel Temer chegou a afirmar que, se a aliança fosse aprovada com 51% dos votos, seria ótimo. O apoio ao PMDB em um momento de fragilidade do governo não vai sair de graça. O partido está certo de que vai ter mais cargos em um eventual segundo mandato de Dilma. "Nós teremos no próximo governo uma participação muito efetiva do PMDB. Nós não seremos apenas aliados, nós seremos o próprio governo", disse Michel Temer.

GOOGLE ANUNCIA A COMPRA DA EMPRESA DE SATÉLITES SKYBOX

O Google anunciou nesta terça-feira um acordo para comprar a empresa de satélites Skybox por 500 milhões de dólares, que serão pagos em dinheiro. Com a empresa, o gigante das buscas pretende manter atualizadas as imagens usadas pelos mapas do Google Maps, mas a Skybox poderá ser útil em projetos de longo prazo que envolvem a oferta de conexão de internet em locais remotos. A aquisição se alinha à estratégia do Google, que já possui iniciativas para levar internet a regiões desprovidas de infraestrutura terrestre de telecomunicações com o uso de balões. Ao conectar mais pessoas à internet em todo o mundo, a empresa pretende estimular o uso de seus serviços on-line, como a ferramenta de busca, o que pode garantir a sobrevivência da companhia a partir da receita de publicidade no futuro. "Os satélites vão ajudar a manter nossos mapas precisos com imagens atualizadas. Com o tempo, esperamos também que a equipe e a tecnologia da Skybox serão capazes de ajudar a melhorar o acesso à internet e o auxílio em situações de emergência, áreas nas quais o Google está interessado há muito tempo", disse a empresa, em comunicado. A tecnologia desenvolvida pela Skybox permite monitorar regiões específicas, como áreas dedicadas à agricultura ou portos, por meio de imagens. Isso permite detectar mudanças ao longo do tempo, como infestações, ou analisar informações sobre a atividade dos navios em locais de embarque e desembarque de mercadorias. A aquisição ainda precisa de aprovação dos órgãos reguladores e o valor da operação está "sujeito a ajustes", de acordo com o comunicado do Google.

ALEXANDRE PADILHA E PT SÃO MULTADOS EM R$ 50 MIL POR PROPAGANDA ANTECIPADA

A Justiça Eleitoral multou em R$ 25 mil o pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, e mais R$ 25 mil o diretório estadual do partido. O motivo: propaganda eleitoral antecipada na realização da chamada Caravana Horizonte Paulista, realizada em diversos municípios do interior do Estado. O desembargador Carlos Eduardo Cauduro Padin, do Tribunal Regional Eleitoral, acatou argumento da Procuradoria-Regional Eleitoral e diz ser "nítido o caráter eleitoral das caravanas e intuito de pré-campanha" de Alexandre Padilha. Legalmente, as campanhas só podem começar a partir de 5 de julho. A Procuradoria Regional Eleitoral havia pedido multa de R$ 750 mil contra o petista, mas em sua decisão, o desembargador determinou a cobrança do valor máximo legal, que é de R$ 25 mil para cada representado.

EDUARDO CAMPOS ESTA À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS COM MARINA SILVA, A MADRE TERESA DA FLORESTA DE ALMA PETISTA

O presidenciável Eduardo Campos estava de muito bom humor na manhã desta terça-feira, quando se apresentou na Amcham, a Câmara Americana de Comércio, em São Paulo. A exceção se deu em um breve momento da entrevista coletiva que concedeu após procurar transmitir aos executivos de empresas dos Estados Unidos e do Brasil que representa o novo na eleição deste ano. Foi quando lhe foi lembrado que sua futura companheira de chapa, Marina Silva, considerou "um equívoco" a aliança do PSB com o PSDB de São Paulo, em torno do governador Geraldo Alckmin: "Ela não está dizendo absolutamente nada de novo. Ela disse o que sempre disse, não acrescentou absolutamente nada ao que ela disse. Não tem nenhuma novidade. Nós somos de partidos diferentes, fizemos uma aliança. Temos de respeitar uns as posições dos outros". Ele tentou retomar a atitude de sorriso e tranquilidade, mas, encerrou a própria entrevista e deixou rapidamente o auditório para tomar um carro que já o esperava de motor ligado. Àquela altura, o deputado Marcio França também havia se adiantado para sair. Um dos acompanhantes de Eduardo Campos na Amcham, Marcio França é o nome cotado no PSB para formar a chapa de reeleição do governador Geraldo Alckmin. França declarou, após as críticas da Madre Teresa da Floresta, Marina Silva, a política de alma petista, que ela deverá deixar o PSB já no próximo ano, após as eleições. Campos, na entrevista, procurou minimizar o peso que essa aliança PSB-PSDB causa em seu discurso nacional, mas, na prática, ele enfrenta problemas com isso. "Formamos alianças entre os dois partidos em 15 Estados", disse ele, referindo, ainda, ao PSB e o Rede, de Marina Silva, que não existe legalmente e tem sua direção abrigada no próprio PSB. Eduardo Campos negou que o PSB tenha contratado uma pesquisa Ibope para medir o potencial de transferência de votos de Marina Silva para ele. Poderia ter procurado elogiar a futura companheira de chapa, mas preferiu outro caminho.

STF VALIDA OPERAÇÃO LAVA JATO E DEVOLVE AÇÕES À JUSTIÇA FEDERAL NO PARANÁ

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal validou nesta terça-feira as provas da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, e determinou que oito ações penais oriundas da investigação voltem para a Justiça Federal no Paraná. Agora, as investigações da Polícia Federal serão retomadas. Com a decisão, parte da investigação que envolve o deputado federal petista André Vargas (agora sem partido-PR) vai seguir no Supremo Tribunal Federal. Já as acusações contra o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, vão voltar para a 13ª Vara Federal de Curitiba. O doleiro e outros acusados estão presos desde março. Não vão prender de novo Paulo Roberto Costa? Os ministros julgaram uma questão de ordem apresentada pelo ministro Teori Zavascki, que havia determinado a suspensão das investigações. Apesar de ter sustado a apuração, o relator determinou que somente parlamentares citados nos processos respondam às acusações no Supremo. Por unanimidade, o voto foi seguido pelos ministros Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Oito ações penais e toda a investigação da Polícia Federal foram paralisadas, no mês passado, por determinação de Zavascki, relator do processo no Supremo. Na ocasião, o ministro entendeu que, em função da presença de parlamentares, que são citados nas investigações, o juizado de primeira instância não poderia continuar com a relatoria dos processos. Por isso, deveria enviar todos os casos ao Supremo, para que os ministros decidissem quem seria investigado pela Corte. A decisão de Zavascki foi tomada após o juiz Sérgio Moro, responsável pela investigação na Justiça Federal no Paraná, enviar ao ministro parte da investigação da Operação Lava Jato, na qual o petista André Vargas (sem partido-PR) é citado. Moro remeteu as investigações ao Supremo por entender que cabia à Corte apurar a relação entre o petista André Vargas e o doleiro Alberto Youssef em função do foro privilegiado. O deputado federal Luiz Argôlo (SDD-BA) também é citado em outras conversas. A relação entre o petista André Vargas e o doleiro tornou-se conhecida por meio de uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo publicada em abril. De acordo com o jornal, o petista André Vargas usou um avião do doleiro para uma viagem de férias a João Pessoa, junto com a família. Deflagrada no dia 17 de março, a Operação Lava Jato desarticulou uma organização que tinha como objetivo a lavagem de dinheiro em seis Estados e no Distrito Federal. De acordo com as informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), os acusados movimentaram mais de R$ 10 bilhões. estas investigações da Operação Laja-Jato conectam-se com as da Operação Monte Pollino, que corre em Santos, na qual foi desbaratada uma quadrilha de traficantes de cocaína para a máfia italiana Ndangreta, financiada pela doleira brasileira Maria de Fátima Stocker, na Europa, e por Yousseff no Brasil. Ou seja, dinheiro desviado da Petrobras estava financiando tráfico de cocaína para a máfia italiana.

SAI PESQUISA IBOPE, DILMA CAI, AÉCIO NEVES E EDUARDO CAMPOS SOBEM, AUMENTA REJEIÇÃO À PRESIDENTE PETISTA, SEGUNDO TURNO JÁ ESTÁ GARANTIDO

Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira mostra a presidente Dilma Rousseff (PT) em queda, com 38% das intenções de voto, dois pontos porcentuais a menos do que em maio. Seus adversários Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) subiram dois pontos (de 20% para 22% e de 11% para 13%, respectivamente). Com a inclusão dos nomes dos vices nas cartela apresentada aos eleitores, porém, Eduardo Campos se aproxima de Aécio Neves. Sua desvantagem varia entre quatro e cinco pontos. A pedido da União dos Vereadores de São Paulo (Uvesp), entidade que pagou a pesquisa, o Ibope testou cenários com diferentes vices para Aécio Neves (José Serra, Tasso Jereissati e Aloysio Nunes), além de colocar Marina Silva na chapa de Campos e Michel Temer na de Dilma. Marina Silva é a única vice que provoca alterações significativas no panorama. Com seu nome associado ao dela, o pré-candidato do PSB fica com 17% a 18% das intenções de voto, a depender do cenário. A inclusão de Serra na chapa de Aécio Neves faz com que o tucano fique com 23%. No cenário comparável com as pesquisas anteriores (aquele no qual os nomes dos vices não são apresentados), os concorrentes de Dilma somam 42%, quatro pontos a mais do que a petista. Isso indica que já existe a garantia de segundo turno. Na pesquisa anterior, Dilma tinha 40%, e os adversários, 36%. Os cenários de segundo turno também mudaram significativamente, graças ao crescimento dos candidatos de oposição. Em um eventual embate com Aécio Neves, a vantagem de Dilma caiu de 19 para 9 pontos porcentuais  -  em menos de um mês, o placar passou de 43% a 24% para 42% a 33%. No cenário de confronto direto contra Eduardo Campos, a petista também viu sua vantagem diminuir, de 20 pontos (42% a 22%) para 11 (41% a 30%). Outra má notícia para a presidente foi o aumento da rejeição a seu nome: a parcela do eleitorado que afirma que não votaria nela de jeito nenhum subiu de 33% para 38%. A pesquisa entrevistou 2002 pessoas em 142 municípios do País entre 4 e 7 de junho. O nível de confiança estimado é de 95% e a margem de erro máxima é de 2 pontos porcentuais.

GOLEIRO BRUNO SERÁ TRANSFERIDO PARA O NORTE DE MINAS GERAIS

Foi publicado nesta terça-feira no Diário Oficial de Minas Gerais a transferência do goleiro Bruno Fernandes para a Penitenciária Francisco Sá, no município de mesmo nome, a 30 quilômetros de Montes Claros, no Norte de Minas Gerais. Bruno está preso em Contagem, região Metropolitana de Belo Horizonte, desde julho de 2010, pelo assassinato de sua ex-namorada Elisa Samudio. A transferência atende a um pedido da defesa do goleiro, que negocia a volta do atleta aos gramados vestindo a camisa do Montes Claros FC. Francisco Simin, defensor do goleiro, disse que seu cliente ainda não foi avisado sobre transferência, o que deve ocorrer até esta quinta-feira. “Para ele voltar a jogar vai depender ainda de uma decisão do juiz”, disse. Mas o defensor ressaltou que a decisão se torna mais fácil com a transferência.  Ainda conforme o advogado, ainda não há um prazo para a transferência. “É uma questão de segurança. Provavelmente a data não será divulgada pelo Estado”.

PT CHUTA O DEPUTADO ESTADUAL LUIZ MOURA, NEGA LEGENDA AO EX-ASSALTANTE À MÃO ARMADA E PRESIDIÁRIO FORAGIDO, QUE TEM LIGAÇÕES ESTRANHAS COM O PCC, TUDO PARA PROTEGER O CANDIDATO PETISTA ALEXANDRE PADILHA

O PT divulgou ainda na segunda-feira lista dos filiados que cumpriram os critérios para serem candidatos do partido nas eleições de outubro, e o nome do deputado estadual Luiz Moura não está na relação. Pela suspeita de que tenha relacionamento com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios, o PT suspendeu, na semana passada, as atividades partidárias de Moura por 60 dias, e, com isso, retirou o direito do deputado de concorrer à reeleição. Com a divulgação da lista, o partido ratificou a decisão. “Candidatos ou candidatas que não tenham sido incluídos na lista de aptos não terão direito à legenda e não poderão disputar as eleições de 2014”, afirmou o partido em seu site. Moura participou de uma reunião que foi alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo em uma investigação sobre o envolvimento do PCC nos ataques a ônibus na capital paulista neste ano. Neste encontro, ocorrido em uma garagem de ônibus na zona leste, estavam pessoas com antecedentes criminais e um foragido da Justiça. O deputado nega qualquer envolvimento com o PCC. Moura alega que seu mandato é voltado para a área de transportes - ele foi líder dos perueiros antes de ser eleito - e sempre faz reuniões em garagens. O petista também sustenta que não tem como pedir os antecedentes criminais das pessoas com as quais se reúne. Em relação à citada reunião, Moura afirma que fazia a interlocução entre as garagens e a Prefeitura em relação à campanha salarial de motoristas e cobradores, para evitar que houvesse greve. Com o aval do ex-presidente e alcaguete Lula (delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr.), o PT decidiu impedir Luiz Moura de ser candidato para evitar que a constante exposição de seu nome no noticiário, relacionado ao PCC, respingasse na imagem do partido. Na semana passada, o deputado ameaçou recorrer à Justiça para que pudesse ser candidato.

COMPLETAMENTE DIVIDIDO, O PMDB APROVA APOIO A DILMA E AO PT, APESAR DE CHAMAR O GOVERNO DE "INEFICIENTE" E "CORRUPTO"

Com críticas ao PT e ao governo, o PMDB aprovou nesta terça-feira, em convenção nacional, o apoio à reeleição de Dilma Rousseff. Foram 398 votos pela manutenção da aliança (59%) contra 275 (41%) da ala que defendia o rompimento. Mesmo com a vitória, o resultado representa constrangimento ao Planalto. Em 2010, o apoio peemedebista à chapa de Dilma havia sido aprovado por 84% dos convencionais. Com a decisão desta terça-feira, a petista obtém cerca de 2 minutos e 20 segundos (em cada bloco de 25 minutos) na propaganda eleitoral na TV, que é o principal instrumento das campanhas políticas. O evento peemedebista, realizado no Senado Federal, em Brasília, foi pontuado por reclamações de falta de apoio do partido da presidente da República aos candidatos do PMDB, principalmente no Rio de Janeiro, onde a legenda terá o PT como adversário na tentativa de reeleger Luiz Fernando Pezão. A ala contrária a Dilma chegou a discursar contra a aliança e a distribuir panfletos em que acusa o governo de ineficiência e corrupção. Maior aliado do PT na coalizão dilmista, o PMDB possui cinco ministérios, mas reclama constantemente que seu espaço é pequeno e que não tem autonomia total nas pastas sob sua responsabilidade. Na abertura da convenção, o vice-presidente da República, Michel Temer, minimizou a dissidência e afirmou que a manutenção da aliança com o PT visa "abrir as portas" para que no futuro "o PMDB ocupe todos os espaços políticos, para o bem dos brasileiros". Dizendo que o partido é o responsável pela "grande revolução social neste país", Temer afirmou que não acreditava nas "intrigas" que, segundo ele, apontavam para traições. Com a vitória de sua ala, Temer será novamente o vice na chapa de Dilma. Antes de discursar, Temer repetiu que estaria satisfeito mesmo que a aliança fosse aprovada até mesmo por margem mínima. E negou constrangimento: "Isso é comum no PMDB, se a gente não se acostumar com isso depois de 40 anos, não dá para fazer política". Em sua fala, o presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), disse que o partido apresentará propostas de governo a Dilma, entre elas o ensino em tempo integral e a "defesa permanente da liberdade de expressão e pensamento". "Disso o PMDB não abre mão", afirmou Raupp. Setores do PT defendem propostas de regulação da mídia. Alas do PMDB ameaçaram nos últimos meses romper a aliança e, inclusive, lideraram na Câmara dos Deputados uma rebelião contra o Palácio do Planalto. Na lista de insatisfações, falta de interlocução com Dilma, reivindicação de maior espaço no governo e de apoio do PT às suas candidaturas nos Estados. Nos discursos da convenção, coube à seção do Rio de Janeiro os maiores ataques. O prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes, afirmou que o partido devolverá "na mesma moeda" eventuais acusações que Pezão sofrer do PT. O partido de Dilma deve lançar na disputa o senador Lindberg Farias. Segundo Paes, o PT não tem sido patriótico em vários Estados. No Estado a maioria do PMDB deve apoiar a candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência. Segundo a cúpula da legenda no Estado, o principal culpado disso é o PT. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, candidato ao governo do Rio Grande do Norte, também reclamou em discurso não receber o apoio do PT em seu Estado. Um dos peemedebistas mais críticos à aliança da legenda com Dilma, o ex-ministro Geddel Vieira Lima diz que o apoio seria aprovado por causa de Michel Temer: "Dilma deve ir à Nossa Senhora Aparecida porque Temer a está levando nas costas". Outro opositor à aliança, o deputado federal Danilo Forte (CE) pediu que o apoio ao PT não fosse aprovado. "Meu coração é Eduardo Campos, pena que ele está patinando. Marina Silva acabou com ele". Segundo o deputado, ele e o senador Eunício Oliveira (CE) "carregaram Michel no ombro em 2010": "Agora não dá mais, ou salva o Brasil ou o PT", disse ele.

ALGUÉM DÊ UM RIVOTRIL PARA DILMA. OU: QUEM SURRUPIOU QUEM

Alguém dê aí um Rivotril pra presidente Dilma Rousseff. Serve para diminuir a ansiedade — só com receita médica, viu, gente!? Não! Não sou um usuário do remédio. Eu sou calmíssimo. Só advérbios fora do lugar me tiram do sério. Adiante. A presidente foi às convenções do PDT e do PMDB e mandou brasa: acusou os adversários de surrupiar os programas do seu governo, vejam vocês, e de tentar “excluir os mais pobres” das políticas públicas. E emendou: “Essa é a agenda do retrocesso. É essa a agenda que querem apresentar ao Brasil”. É mesmo? A matemática desmente esta senhora. Se fosse assim, se o PT tivesse o monopólio da virtude e seus adversários, sabe-se lá por quê, só quisessem o mal dos brasileiros, ela teria 100% das intenções de voto, e os outros teriam 0%. Não obstante, não é o que o que se vê, não é mesmo? Esse discurso agressivo só vem a público porque as chances de Dilma não ser reeleita são reais e crescentes. De surrupiar programas, ora vejam, quem entende é o PT. Já escrevi isto aqui dezenas de vezes e o farei quantas vezes for necessário. No vídeo abaixo, Lula aparece em dois momentos: exaltando o Bolsa Família, já presidente da República, e no ano 2000, quando chamava os programas de assistência direta (como o Bolsa Família) de esmola. Vejam.


Pobre vagabundoMas foi bem mais explícito. Nos primeiros meses como presidente, Lula era contra os programas de bolsa que herdou de FHC. Ele queria era assistencialismo na veia mesmo, distribuir comida, com o seu programa “Fome Zero”, uma ideia publicitária de Duda Mendonça, que ele transformou em diretriz de governo. Deu errado. O Fome Zero nunca chegou a existir.
Já demonstrei isso aqui. No dia 9 de abril de 2003, com o Fome Zero empacado, Lula fez um discurso no semiárido nordestino, na presença de Ciro Gomes, em que disse com todas as letras que acreditava que os programas que geraram o Bolsa Família levavam os assistidos à vagabundagem. Querem ler? Pois não!
Eu, um dia desses, Ciro [Gomes, ministro da Integração Nacional], estava em Cabedelo, na Paraíba, e tinha um encontro com os trabalhadores rurais, Manoel Serra [presidente da Contag - Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura], e um deles falava assim para mim: “Lula, sabe o que está acontecendo aqui, na nossa região? O povo está acostumado a receber muita coisa de favor. Antigamente, quando chovia, o povo logo corria para plantar o seu feijão, o seu milho, a sua macaxeira, porque ele sabia que ia colher, alguns meses depois. E, agora, tem gente que já não quer mais isso porque fica esperando o ‘vale-isso’, o ‘vale-aquilo’, as coisas que o Governo criou para dar para as pessoas.” Acho que isso não contribui com as reformas estruturais que o Brasil precisa ter para que as pessoas possam viver condignamente, às custas do seu trabalho. Eu sempre disse que não há nada mais digno para um homem e para uma mulher do que levantar de manhã, trabalhar e, no final do mês ou no final da colheita, poder comer às custas do seu trabalho, às custas daquilo que produziu, às custas daquilo que plantou. Isso é o que dá dignidade. Isso é o que faz as pessoas andarem de cabeça erguida. Isso é o que faz as pessoas aprenderem a escolher melhor quem é seu candidato a vereador, a prefeito, a deputado, a senador, a governador, a presidente da República. Isso é o que motiva as pessoas a quererem aprender um pouco mais.
Notaram a verdade de suas palavras? A convicção profunda? Então…
No dia 27 de fevereiro de 2003, Lula já tinha mudado o nome do programa Bolsa Renda, que dava R$ 60 ao assistido, para “Cartão Alimentação”. Vocês devem se lembrar da confusão que o assunto gerou: o cartão serviria só para comprar alimentos?; seria permitido ou não comprar cachaça com ele?; o beneficiado teria de retirar tudo em espécie ou poderia pegar o dinheiro e fazer o que bem entendesse?
A questão se arrastou por meses. O tal programa Fome Zero, coitado!, não saía do papel. Capa de uma edição da revista Primeira Leitura da época: “O Fome Zero não existe”. A imprensa petista chiou pra chuchu.
No dia 20 de outubro, aquele mesmo Lula que acreditava que os programas de renda do governo FHC geravam vagabundos, que não queriam mais plantar macaxeira, fez o quê? Editou uma Medida Provisória e criou o Bolsa Família? E o que era o Bolsa Família? A reunião de todos os programas que ele atacara em um só. Assaltava o cofre dos programas alheios, afirmando ter descoberto a pólvora. O texto da MP não deixa a menor dúvida:
(…) programa de que trata o caput tem por finalidade a unificação dos procedimentos de gestão e execução das ações de transferência de renda do Governo Federal, especialmente as do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Educação – “Bolsa Escola”, instituído pela Lei n.° 10.219, de 11 de abril de 2001, do Programa Nacional de Acesso à Alimentação – PNAA, criado pela Lei n.° 10.689, de 13 de junho de 2003, do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Saúde – “Bolsa Alimentação”, instituído pela medida provisória n.° 2.206-1, de 6 de setembro de 2001, do Programa Auxílio-Gás, instituído pelo Decreto n.° 4.102, de 24 de janeiro de 2002, e do Cadastramento Único do Governo Federal, instituído pelo Decreto n.° 3.877, de 24 de julho de 2001.
Compreenderam? Bastaram sete meses para que o programa que impedia o trabalhador de fazer a sua rocinha virasse a salvação da lavoura de Lula. E os assistidos passariam a receber dinheiro vivo. Contrapartidas: que as crianças frequentassem a escola, como já exigia o Bolsa Escola, e que fossem vacinadas, como já exigia o Bolsa Alimentação, que cobrava também que as gestantes fizessem o pré-natal! Esse programa era do Ministério da Saúde e foi implementado por Serra.
E qual passou a ser, então, o discurso de Lula?
Ora, ele passou a atacar aqueles que diziam que programas de renda acomodavam os plantadores de macaxeira, tornando-os vagabundos, como se aquele não fosse rigorosamente o seu próprio discurso, conforme se vê no vídeo. Por Reinaldo Azevedo

ALA ANTI-DILMA DO PMDB SURPREENDE E LEVA 41% DOS VOTOS; PARTIDO NÃO ESTÃO DIVIDIDO DESDE 2002

O PMDB não vai tão dividido às eleições presidenciais desde 2002, quando ocupou o lugar de vice na chapa presidencial do PSDB, encabeçada, então, por José Serra. Frações do partido, na verdade, fizeram campanha para o então candidato do PT, o alcaguete Lula (delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr.). O PMDB fechou, sim, nesta terça-feira o apoio à candidatura Dilma e terá, mais uma vez, a vaga de vice, que continuará com Michel Temer. Mas o apoio está longe de ser unânime. A convenção nacional do partido decidiu apoiar a luta de Dilma pela reeleição por 398 votos a favor (59%) contra 275 (41%). Nem os prognósticos mais pessimistas (ou otimistas, a depender do lado em que se esteja) chutavam tão alto. Isso indica que o descontentamento no PMDB com o governo é gigantesco. Em 2010, o apoio a Dilma contou com a adesão de 84% dos convencionais.

A ala contra Dilma teve direito a discurso e chegou a distribuir panfletos. Um dos grupos mais ácidos com o petismo era o do PMDB do Rio de Janeiro. Não por acaso. Lindbergh Farias, candidato petista ao governo do Estado, ancora sua campanha nas críticas ao governo Sérgio Cabral, de que Luiz Fernando Pezão, o governador que concorre pelo PMDB, é herdeiro. Sérgio Cabral foi um dos políticos que mais se desgastaram com as manifestações iniciadas em junho do ano passado. Os petistas não o socorreram. Ao contrário: ajudaram a pisar na sua garganta. Eduardo Paes, prefeito da capital, afirmou que o PMDB devolverá na mesma moeda eventuais críticas que sofrer do PT. 
Até o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que concorre ao governo do Rio Grande do Norte, reclamou da falta de solidariedade dos petistas em seu Estado. O ex-ministro Geddel Viera Lima, que concorrerá ao Senado na Bahia na chapa da oposição a Dilma, afirmou que o apoio à presidente acabaria aprovado por causa de Michel Temer. E só por isso. Enquanto o PMDB dava uns sopapos no governo, Dilma discursava em evento do PDT e acusava a oposição de oportunismo. Até parece que a função da oposição não é… fazer oposição! Ocorre que as coisas estavam se complicando pra ela era na situação mesmo! Por Reinaldo Azevedo

GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN DIZ QUE NÃO VOLTA ATRÁS E QUE DEMISSÕES NO METRÔ DE SÃO PAULO ESTÃO MANTIDAS

Em um País país viciado no desrespeito à lei; em que se está consolidando a tática do berro; em que o Poder Público, cada vez mais, cede a ameaças e chantagens, exalte-se a coragem do governante que decide fazer o contrário — vale dizer: que não tem receio de fazer valer o que está escrito. Sim, há algo de exótico em aplaudir uma autoridade por cumprir a sua função, mas assim são os tempos, é esse o espírito do tempo.

Por que faço essa introdução? O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse na manhã desta terça-feira que não pretende rever as 42 demissões de metroviários anunciadas na segunda, depois de cinco dias de greve da categoria.
Afirmou Alckmin: “As demissões ocorridas não foram em razão de greve. Nenhum grevista foi demitido. Elas foram em razão de outros fatos, e fatos graves, como invasão de estação, de depredação, vandalismo”.
Segundo o governador, desde que os metroviários voltem ao trabalho, não haverá novas demissões. Disse ainda: “O governo não quer demitir ninguém. Agora, o governo tem o dever de garantir o Metrô às cinco milhões de pessoas que querem trabalhar”.
É assim que se faz! Lamentável, aí sim, é o comportamento da CUT, a central sindical ligada ao PT — à qual, diga-se, o sindicato dos metroviários nem é filiado. A entidade emitiu uma nota dando apoio integral à greve, como se a bomba não fosse estourar no colo da própria presidente Dilma. Mas e daí? Essa gente está obcecada pelo Palácio dos Bandeirantes e acha que, se provocar o caos em São Paulo, vai obter dividendos eleitorais. Mais: se Dilma cair fora, e Lula voltar a ser o candidato, tudo bem para a turma.
Agiu bem também o Tribunal Regional do Trabalho, que pediu o bloqueio de R$ 900 mil dos R$ 3 milhões que o sindicato dos metroviários tem no banco. O dinheiro serve para garantir o pagamento da multa imposta pela Justiça — R$ 100 mil por dia parado antes da decretação da ilegalidade da greve e R$ 500 mil depois dela.
Eis aí outro expediente que precisa ser regulamentado para ser moralizado. As multas impostas pela Justiça costumam ser derrubadas pelo TST por falta de regulamentação, o que, obviamente, estimula a irresponsabilidade dos dirigentes. Por Reinaldo Azevedo

JUSTIÇA BLOQUEIO CONTAS DE SINDICATOS DOS METROVIÁRIOS DE SÃO PAULO

O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região determinou nesta terça-feira o bloqueio das contas bancárias dos sindicatos dos Metroviários e dos Engenheiros para assegurar o pagamento das multas impostas pela greve na capital paulista. O bloqueio foi solicitado pelo relator do caso no tribunal, desembargador Rafael Pugliese. No último domingo, a corte julgou abusiva a paralisação e determinou o imediato retorno ao trabalho, estipulando multa diária de 500.000 em caso de descumprimento. Essa multa ainda será somada à penalidade anterior, pelo descumprimento da liminar da desembargadora Rilma Hemetério, fixada em 100.000 reais por dia. As contas do Sindicato dos Metroviários tiveram o bloqueio estipulado no valor de 3 milhões de reais. Para o Sindicato dos Engenheiros, o valor do bloqueio foi inferior – 400.000 reais – porque a categoria retornou ao trabalho após o julgamento de domingo. Na segunda-feira, depois de cinco dias de paralisação, o sindicato decidiu suspender a greve por dois dias. A categoria aceitou o reajuste salarial de 8,7% oferecido pelo governo paulista, mas ameaça voltar a cruzar os braços nesta quinta-feira se os 42 funcionários demitidos por justa causa não forem readmitidos. O governo de São Paulo anunciou que não recuará das demissões e possui um “plano B” operacional para assegurar o funcionamento das linhas na abertura da Copa do Mundo.

DILMA CONSAGRA A VIOLÊNCIA COMO MÉTODO DE REIVINDICAÇÃO E CEDE ÀS CHANTAGENS DO MTST. É A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA DESORDEM! MOVIMENTO SUSPENDE PROTESTOS DURANTE A COPA. MAIS UM MANDATO, E ESTA SENHORA O PAÍS PARA O BURACO

Você está sentindo falta de alguma coisa que o faria feliz, leitor amigo? Acha que o estado tem a obrigação de fornecê-la a você? Parta para a porrada que a presidente Dilma cede. Mas não se esqueça de juntar algumas pessoas, parar uma avenida, invadir alguma propriedade e gritar slogans em nome da igualdade e da justiça. Guilherme Boulos, o coxinha de extrema esquerda e líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), prometeu derramar sangue durante a Copa do Mundo, e o governo federal cedeu à sua chantagem. Segundo informa a reportagem  da Folha, o governo federal vai construir casas na invasão conhecida como Copa do Povo, a 3,5 quilômetros do Itaquerão — e isso significa, então, que o terreno, que é particular, será comprado — vamos ver se pelo governo federal ou pela Prefeitura.

Segundo Boulos informou ao jornal, o governo federal dará — atenção! — um subsídio de R$ 76 mil para cada uma das 2 mil casas que devem ser construídas na região. Assim, pessoas que aguardam pacificamente há anos por uma moradia de um dos programas oficiais devem se sentir umas estúpidas, umas idiotas, umas trouxas. O próximo passo, claro!, é se ligar aos extremistas para conseguir mais depressa o seu teto. Segundo o rapaz, as casas serão feitas pela própria construtora Viver, dona da área, num projeto que contará com a parceria do MTST — que passa, assim, a ser o maior gerenciador de moradias do País, não é mesmo?
Boulos diz ainda que o teto salarial dos beneficiários da Faixa 1 do programa será aumentado de R$ 1.600,00 para R$ 2.172,00. A Secretaria-Geral da Presidência, cujo titular é Gilberto Carvalho, por sua vez, anunciou a criação de um grupo interministerial com o objetivo de mediar conflitos, formado pelos ministérios das Cidades, Justiça e Direitos Humanos, além, claro, da própria secretaria. A coisa parou por aí? Não! Os ditos movimentos de sem-teto já têm direito a cotas de moradias do programa “Minha Casa Minha Vida” — cada um leva um lote de mil. Agora, Gilberto Carvalho anuncia que será de quatro mil.
Vejam que fabuloso! Esses grupos privatizam o bem público. Embora se apresentem como “movimentos sociais”, são, na verdade, sócios do poder. Desde a eleição de Fernando Haddad, em outubro de 2012, 50 prédios foram invadidos no Centro de São Paulo, onde moram 20 mil pessoas. Boa parte delas paga um aluguel de R$ 200,00 ao MTST por aquilo que não pertence ao movimento. Esses são os interlocutores de Dilma, a quem ela quer dar uma parte do poder, por intermédio do Decreto 8.243. Mais um mandato, e Dilma conduz o País para um buraco não apenas econômico, mas também institucional. Por Reinaldo Azevedo

OS PATETAS AUTORITÁRIOS DO SINDICALISMO DOIDIVANAS: ESPERO QUE O GOVERNO DE SÃO PAULO NÃO RECUE E DEMITA MUITO MAIS SE A DELINQUÊNCIA CONTINUAR. OU: COMECEI A CONTAGEM REGRESSIVA PARA SURGIR UM PATETA FEDERAL

Trato daqui a pouco das considerações que fez o ministro Gilmar Mendes sobre a infiltração do crime organizado no processo eleitoral, conforme o prometido. Quero voltar à greve da minoria dos metroviários, que agora assume a face explícita de uma farsa. Ora vejam: até ontem à noite, a reivindicação do sr. Altino Prazeres, o dublê de militante do PSTU e de presidente do sindicato, era a elevação do reajuste salarial. Ele não aceitava nada menos de dois dígitos. Ou isso ou greve. Julgada a paralisação abusiva, o Metrô começou a fazer demissões, e aí o tal Altino mudou a reivindicação: agora, para decidir a volta plena ao trabalho, ele quer que as dispensas sejam canceladas. Qual é a pauta, afinal, deste senhor? Respondo: fazer política e usar a Copa do Mundo como instrumento de chantagem.

Na segunda-feira, os grevistas decidiram suspender a greve por 48 horas. Seguindo o estilo de sempre, Altino acha que está em condições de dar um novo ultimato: se as demissões não forem revistas, então haverá nova paralisação — aí no dia 12 mesmo, quando começa a Copa do Mundo. Ele, agora, precisa de uma migalha qualquer para gritar: “Vitória, vitória da minha intransigência, da minha escolha pela ilegalidade, da minha escolha pela truculência!”.
Não tenho idéia do que pretendem fazer o governo do Estado e o Metrô. Sei o que eu faria: deixaria claro a este senhor que ele não está em condições de exigir nada! A volta ao trabalho é condição primeira para que o Metrô pare de demitir. Até porque, estou certo, a lista de demissíveis é muito maior. Fica muito fácil saber quem não compareceu ao trabalho, mesmo depois de declarada a greve abusiva, porque não pôde e quem não compareceu porque estava desafiando a lei.
É importante destacar: os que estão na lista dos 42 são pessoas que atentaram contra a segurança do sistema, que incentivaram passageiros a pular a catraca, que investiram contra o patrimônio do Metrô. Ninguém está sendo dispensado apenas por ter aderido à greve, embora a empresa possa fazê-lo, dado que o movimento foi declarado abusivo, e os funcionários decidiram manter a paralisação.
Sei que a decisão do governo do Estado não é fácil, não é simples. São muitas as forças políticas que se esforçam pra promover o caos em São Paulo, a começar daquela que deveria estar mais interessada na ordem: o PT. Uma grande trapalhada no dia da abertura da Copa do Mundo não seria positiva para a presidente Dilma Rousseff, por exemplo. E daí? O candidato da CUT à Presidência é Lula, não Dilma. Se ela se esfarelar, os cutistas estão certos de que o Babalorixá de Banânia assume o seu lugar como candidato. Não é uma teoria conspiratória. Trata-se apenas da vida como ela é. Basta raciocinar logicamente: uma grande confusão em São Paulo não interessa ao PSDB; uma grande confusão em São Paulo não interessa a Dilma.
A quem interessa, então? Respondo: à demência de sempre da extrema esquerda e ao lulismo que sonha com a volta do Dom Sebastião de Garanhuns. Não fosse assim, a CUT teria emitido uma nota contra a greve, não a favor. “Ah, Reinaldo, isso a central jamais faria, nem que Lula estivesse no poder". Eu sei. Mas, estivesse lá o Babalorixá de Banânia, é claro que os cutistas teriam ao menos silenciado. Os metroviários nem pertencem à sua base.  Como quer que Dilma se dane e ainda acha que consegue arranhar Alckmin como ganho adicional, então a entidade dá apoio a um movimento politicamente delinquente.
Que o governo de São Paulo não ceda e que os demitidos, até agora, sejam apenas os primeiros 42 caso o sindicato insista em chantagear a sociedade. De resto, fiquem atentos: daqui a pouco aparecerá algum representante do governo federal se oferecendo para “dialogar” com o sindicato e com o Metrô, tentando caracterizar o governador Geraldo Alckmin como “intransigente”. O meu candidato a ser o ator lamentável dessa pantomima é José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça. Como sempre. Por Reinaldo Azevedo

O DINHEIRO DO CRIME ORGANIZADO NA POLÍTICA E UMA REPORTAGEM ABSURDA DO FANTÁSTICO, COM TESTEMUNHAS COM VOZ DE PATO DENUNCIANDO NÃO SEI O QUÊ SOBRE NÃO SEI QUEM

Agora, sim. Vamos lá. Prometi que escreveria sobre a advertência que fez o ministro Gilmar Mendes, membro do STF e vice-presidente do TSE, sobre o risco de o crime organizado se infiltrar nas eleições com a proibição da doação legal de empresas a campanhas. Muito bem! Já escrevi aqui algumas dezenas de vezes que a primeira consequência imediata da proibição será o aumento do caixa dois nas campanhas. É só uma questão de lógica elementar. Se a lei proíbe que as empresas doem legalmente, é claro que uma parte delas continuará a fazê-lo — aí ilegalmente. Ou vocês acham que os candidatos vão se contentar apenas com a parte que lhes couber de recursos oficiais que terão de ser repassados? Ora…

E o segundo efeito, no qual eu não havia pensado — e para o qual chama a atenção agora o ministro — é justamente este: o dinheiro do crime organizado, inclusive, sim, de grupos como o PCC, entrar na política. Tudo indica que isso já está em curso hoje em dia, é bom deixar claro, mas ainda de forma marginal. A tendência é que cresça. E por quê? Ora, as doações ilegais a partidos e a políticos têm de ser feitas em espécie, em moeda sonante. O Brasil tem um relativo controle sobre o dinheiro legal que circula no país. Qualquer valor que tenha sido, em algum momento, registrado pode, em tese ao menos, ser rastreado. Há formas de cruzar dados. O risco da punição por sonegação será sempre muito grande. Assim, o dinheiro do caixa dois é, necessariamente, um dinheiro ilegal.
É por isso que existem na política figuras como Alberto Youssef, o doleiro. Ele atua num ramo em que se tem de trabalhar com dinheiro vivo. O outro é justamente o crime organizado, que costuma se sustentar em dois pilares: jogo e drogas, que também operam com papel-moeda. Não passam por nenhuma forma de controle estatal. O terceiro são os supermercados da fé que se disfarçam de religião.
Aliás, os defensores da legalização do jogo e da droga que não são pilantras são apenas inocentes. Ainda que essas atividades fossem legais, a natureza da transação obriga a que se lide com a grana viva. É o paraíso da lavagem de dinheiro. “E Las Vegas?” Sim, Las Vegas é a melhor prova da tese. Mas deixo isso pra lá agora.
Há indícios evidentes de que o PCC, vamos dizer, já capturou algumas franjas da representação política no Brasil. Tão logo as empresas estejam impedidas de doar, aí, meus caros, vai ser a festa. Sempre haverá um candidato precisando de alguma bufunfa com urgência, e sempre haverá, claro!, um amigo do candidato que conhece um outro amigo que sabe onde conseguir o capilé. Os ministros do Supremo que devem formar a maioria contra a doação de empresas a campanhas não têm noção do mal que estarão fazendo ao país.
O Fantástico e a fantasia
A propósito: há muito tempo eu não via na televisão uma reportagem tão fantasiosa e tecnicamente estropiada como a que o Fantástico levou ao ar no domingo, na TV Globo, como se fosse uma grande bomba e um furo de reportagem. Com base num livro francamente ruim, tentou-se provar que o sistema político brasileiro é inteiramente corrompido e que o centro dessa corrupção está no financiamento privado de campanha. A tese é falaciosa. Os elementos nos quais ela se ancorava são, jornalisticamente, lamentáveis.
Vamos ver. O livro em questão é “O Nobre Deputado”, do juiz Marlon Reis, um dos responsáveis pela emenda da Ficha Limpa, de inciativa popular, que tem seus méritos, mas que traz defeitos jurídicos insanáveis. Nem vou entrar nesse mérito agora. O juiz alega ter ouvido 100 pessoas e ter estabelecido o roteiro da corrupção. Quem entende do riscado sabe que o Marlon misturou seus próprios preconceitos com fatos, maximizando irrelevâncias — como as emendas individuais ao Orçamento — e transformando o parlamentar em mero despachante de quem financia sua campanha. Com a devida vênia, da forma como está lá, a coisa não passa de bobagem e demonização rasteira da política. A tese, infelizmente, foi comprada pelo Fantástico com requintes de jornalismo perversamente criativo.
Foram ouvidos — em negativo e com aquela voz de pato — “assessores parlamentares” que confirmariam as teses do juiz. A reportagem está aqui. Se fossem meros atores, num padrão Gugu de reportagem, nós, os telespectadores, não teríamos como saber. Mas vá lá: dou de barato que aquelas pessoas existam. Cadê as evidências de que as suas denúncias fazem ao menos sentido? De que caso eles estão falando? Qual é o fato? 
Ah, então devo me conformar que eles tenham sido, ou sejam assessores, e, enojados com o que vêem e praticam, venham a público para dizer coisas como:“Veja bem, se você for no interior, muitas crianças passando fome, casas de taipa, estradas sem asfalto. Isso indigna a gente. Sempre tive consciência disso. Só não podia denunciar. Quem denuncia, morre. Nego mata aí brincando”.
E esta sequência, então? Prestem atenção:
Assessor: O cara saca o dinheiro e entrega para ele. Normal.
Fantástico: Mas não teria que sacar e comprovar onde gastou?
Assessor: Para quem?
Fantástico: Para a Câmara dos Vereadores.
Assessor: Como assim, se os vereadores são cúmplices?
Fantástico: Ou, se for o governador, para a Assembleia Legislativa.
Assessor: Que também é cúmplice.
Fantástico: Mas tem o Tribunal de Contas do Estado.
Assessor: Que também é cúmplice.
Fantástico: O senhor quer dizer que todos são envolvidos?
Assessor: Cúmplices. Todos são. É uma máfia.
Com a devida vênia, isso não é reportagem, não é denúncia, não é apuração, não é nada! É só literatura ruim, que não passaria pelo controle de qualidade do setor de dramaturgia da Globo.
Insisto; de que caso se está falando?
Na reportagem, apela-se até mesmo a uma barbaridade ilógica como está, leiam:
“Um estudo do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) revelou quanto as 10 maiores doadoras de campanha no Brasil em 2010 lucraram nos dois anos seguintes em contratos com o governo eleito: um valor 20 vezes maior do que foi doado.”
Ok. No dia em que as doações privadas forem proibidas, como quer o juiz Marlon, o autor do livro ruim, cabe perguntar:
– as empreiteiras lucrarão menos?;
– se, oficialmente, elas não tiverem feito doação nenhuma, isso é prova de que elas realmente não… fizeram doação nenhuma?;
– a corrupção está mesmo nessa relação? Quem faz questão, então, de registrar a sua doação estaria apenas produzindo uma prova contra si mesmo? Entende-se, pois, por uma questão de lógica elementar, que a melhor forma de não gerar suspeitas é não fazendo a doação legal, certo?;
– por óbvio, quem doou dinheiro na surdina agiu de forma mais prudente para si mesmo, ainda que contra os interesses do país. Afinal, não tem no seu pé nem o juiz Marlon nem o Fantástico.
O lobby em favor da proibição da doação legal de empresas tomou a imprensa — não por acaso, esse é um dos cavalos de batalha do PT. Não quer dizer que os jornalistas necessariamente sejam petistas (a esmagadora maioria é, sim; ultimamente, numa prova de que as coisas podem piorar, muitos têm avançado na escala involutiva para o PSOL, especialmente no Rio de Janeiro). 
Uns dez minutos de reunião a mais naquele clima de centro acadêmico das supostas reuniões de pauta do Fantástico, creio, alguém se lembraria de perguntar se as empreiteiras deixarão de fazer obras quando não puderem mais declarar suas doações. Perguntaria ainda mais: elas deixariam de fazer as doações — o mesmo valendo para todos os setores da economia?
Fez-se ainda um grande estardalhaço com as chamadas emendas  dos parlamentares. Só se esqueceu de informar que elas representam um valor ridículo quando se compara com o tamanho do Orçamento e com o poder que tem o Executivo de mandar o dinheiro para onde bem entender.
Um pouco mais de tempo na reunião de pauta, alguém certamente se lembraria de que o Orçamento da União de 2014 é de R$ 1,51 trilhão — ou, se quiserem, R$ 1.510.000.000.000. Inicialmente, entre emendas individuais e coletivas, estabeleceu-se que os parlamentares poderiam destinar R$ 19,7 bilhões (ou R$ 19.700.000.000) desse total. Sabem o que isso significa percentualmente? 1,87%!!! Mas aí a Dilma foi lá e contingenciou — na prática, cortou — todas as emendas coletivas, num valor de R$ 13,3 bilhões. E sobraram para as emendas individuais dos parlamentares R$ 6,42 bilhões (ou R$ 6.420.000.000). Atenção! Aos parlamentares, no papel, restou destinar 0,61% — ISTO MESMO: ZERO VÍRGULA SESSENTA E UM POR CENTO — do Orçamento. Mas isso não quer dizer dinheiro liberado, não! E o juiz Marlon acha que o centro da corrupção do poder está com os “nobres deputados”??? Ora, que ele e a reportagem do Fantástico vão plantar batatas e fazer contas! Só para se ter uma noção, leitor amigo: se você pesa 70 quilos, 0,61% desse peso são 460 gramas… Ah, sim: 50% desse dinheiro tem de ser necessariamente empenhado em Saúde. A propósito: o que o sistema de financiamento de campanha tem a ver, por exemplo, com as lambanças na Petrobras? Resposta: nada!
O que se levou ao ar foi uma reportagem pautada por um livro equivocado de um suposto paladino da moralidade pública, que tem, assim, a vocação justiceira de um Robespierre e o rigor técnico de uma cartomante. No mais, espero que seja a última vez que a gente veja pessoas falando com voz de pato, fazendo não sei que denúncias sobre não sei quem, mas acusando todo o sistema político. E tudo a serviço de uma tese ruim — o financiamento público de campanha —, que vai extremar todos os males que a reportagem busca denunciar. Aí não dá! Por Reinaldo Azevedo

O RÁDIO COM MAIS DO QUE O DOBRO DE AUDIÊNCIA DO QUE A TV

Na era do smartphone, o rádio já era, certo? Erradíssimo. Uma pesquisa inédita mostra que o rádio tem o dobro da audiência da TV aberta das 6h ao meio-dia, na média de todos os dias da semana. Nessa faixa horário, o rádio tem 1,815 milhão de ouvintes por minuto na Grande São Paulo, enquanto a soma de Globo, SBT, Record e até a TV Canção Nova resulta em 886 mil telespectadores por minuto. Os resultados surpreendentes são de uma pesquisa da Ipsos Brasil para a rádio Jovem Pan, a partir de dados do Ibope, obtida com exclusividade pelo Notícias da TVNa faixa das 12 às 14 horas, o rádio está ainda mais vivo do que de manhã, mas a TV aberta tem um salto para quase 2 milhões de telespectadores. Só as FMs de São Paulo, nessa faixa, têm 1,604 milhão de ouvintes. À noite, a TV aberta desequilibra. Entre 17h e 19h, Globo e companhia somam 5,6 milhões de telespectadores, cinco vezes a audiência do rádio (1,152 milhão). De acordo com profissionais do rádio, a maior parte da audiência hoje vem do carro e do telefone celular, que substituiu o velho radinho de pilha. Nos transportes coletivos de São Paulo, muita gente anda de fone no ouvido. No congestionado trânsito da cidade, o rádio do carro é um companheiro. Por Reinaldo Azevedo