domingo, 13 de julho de 2014

DATAFOLHA FAZ PESQUISA ESTA SEMANA E A REDE GLOBO DIVULGA NA QUARTA-FEIRA, JÁ COM O IMPACTO DO DESASTRE DA SELEÇÃO NA COPA; VEJA O QUESTIONÁRIO

CLIC NO LINK E LEIA O QUESTIONÁRIO DA PESQUISA DATAFOLHA QUE SERÁ REALIZADA NESTA TERÇA-FEIRA E JÁ DIVULGADA NA QUARTA-FEIRA, NO JORNAL NACIONAL DA REDE GLOBO. FIQUE ATENTO https://drive.google.com/file/d/0B8_RBOFhHrDUbEZlUWpCdGlfTHM/edit?usp=sharing

DILMA É VAIADA E OUVE O CORINHO QUE A MANDA TOMAR NO C.... ANTES DE ENTREGAR A TAÇA NO MARACANÃ

A presidente petista Dilma Rousseff foi vaiada e hostilizada por torcedores antes de entregar a taça da Copa do Mundo ao capitão da seleção da Alemanha, Philipp Lahm, neste domingo, no Maracanã. Dilma, que já havia sido alvo de insultos da torcida na partida de abertura da Copa do Mundo, entre Brasil e Croácia, em São Paulo, foi vaiada ao aparecer nos telões do Maracanã mesmo durante a entrega de medalhas aos jogadores alemães. As vaias deram lugar a ofensas à presidente pouco antes da entrega do troféu a Lahm no estádio lotado com mais de 74 mil torcedores. "Ei, Dilma, vai tomar no c...", gritaram torcedores no estádio, repetindo o insulto que já havia sido feito durante a final da Copa, vencida pela Alemanha por 1 x 0 sobre a Argentina. A festa dos jogadores da Alemanha com a taça encerrou rapidamente as ofensas à Dilma, que estava acompanhada da chanceler alemã, Angela Merkel, e do presidente da Fifa, Joseph Blatter, na cerimônia de premiação. A entrega da taça pelo chefe de Estado faz parte do protocolo. A presidente não assistiu no estádio a nenhum jogo da Copa do Mundo depois dos insultos ocorridos na partida de estreia da seleção brasileira. Na abertura da Copa das Confederações no ano passado, Dilma também recebeu uma sonora vaia da torcida em Brasília na partida entre Brasil e Japão, que abriu o torneio preparatório para o Mundial.

GOVERNO DA PETISTA DILMA BLINDA O TROTSKISTA GAÚCHO ARNO AUGUSTIN SOBRE CASO DOS R$ 4 BILHÕES

O governo da petista Dilma Rousseff montou uma operação para blindar o secretário do Tesouro Nacional, o neotrotskista gaúcho Arno Augustin, Mandrake das contas nacionais, dos danos causados pela descoberta de R$ 4 bilhões de um crédito a favor da União em uma conta paralela de uma das maiores instituições financeiras privadas do País. O achado diminuiu o rombo nas contas do governo, mas alimentou as desconfianças em torno da política fiscal brasileira. Apontado como principal articulador de manobras contábeis, o neotrotskista Arno Augustin tem sido alvo de críticas dos economistas e da oposição. As manobras (mandrakices) do Tesouro Nacional fragilizaram a credibilidade da política econômica do governo e tornaram menos eficazes os efeitos da política fiscal sobre o combate à inflação. A existência da conta paralela foi revelada na última sexta-feira. A estratégia do governo petista agora é deixar o Banco Central dar as explicações técnicas sobre o crédito, afastando qualquer relação do ocorrido com a postergação de pagamentos pelo Tesouro. Embora Arno Augustin negue oficialmente, o adiamento de pagamentos que deveriam ser feitos nos últimos dias do mês para o início do mês seguinte, essa postergação tem sido prática recorrente do Tesouro para administrar os resultados fiscais ao longo dos meses e, com isso, as expectativas em torno da capacidade do governo cumprir a meta fiscal. O Ministério da Fazenda se recusa a comentar o problema, insistindo na resposta de que a conta dos R$ 4 bilhões é “assunto do Banco Central”. Mas, segundo informaram fontes da área técnica do governo, quando o Banco Central procurou o banco privado para averiguar a diferença encontrada, a resposta ouvida pela instituição financeira foi a de que era preciso ouvir o Tesouro. Os técnicos do Tesouro foram chamados para uma reunião no Banco Central para explicar a diferença de R$ 4 bilhões encontrada entre o valor calculado do chamado Governo Central – as contas do Tesouro, INSS e BC – e o resultado que seria divulgado pelo Banco Central para a mesma esfera do setor público. Os dois resultados são apurados com metodologias diferentes, mas é incomum encontrar uma discrepância estatística – termo usado no jargão fiscal – tão elevada em um único mês. Em 2013, a discrepância apontada no ano foi de R$ 1,7 bilhão. Permanece sem explicação a origem do crédito de R$ 4 bilhões. A credibilidade do governo federal na área fiscal está abalada desde o início do ano passado. Naquele momento, as manobras (mandrakices) realizadas pelo Tesouro Nacional para fechar as contas fiscais de 2012 foram reveladas, e o mercado financeiro e investidores internacionais passaram a duvidar da capacidade real do governo Dilma Rousseff conduzir uma política fiscal séria. Nos últimos dias de 2012, o secretário Arno Augustin sacou R$ 12,5 bilhões que estavam no Fundo Soberano do Brasil (FSB). Por se tratarem de ações de estatais, entre elas a Petrobrás, o Tesouro resolveu fazer o BNDES adquirir esses papéis, para evitar uma queda no preço do ativo. Em seguida, o BNDES repassou esses papéis ao Tesouro. Essa triangulação de recursos foi vendida como “esforço fiscal” pelo governo, mas percebida como “manobra contábil” pelo mercado e por agências de rating.

A PETISTA DILMA SE IRRITA COM CRÍTICAS DE SUA EQUIPE DE CAMPANHA À CBF

Um texto postado na quarta-feira no site "Muda Mais", vinculado à campanha à reeleição da petista Dilma Rousseff, causou constrangimento à presidente e provocou um atrito com o Palácio do Planalto. Segundo relato de pessoas ligadas à campanha, Dilma ficou “muito irritada” com o post que atacava o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin. Para tentar contornar o mal-estar criado pelo site ligado à sua campanha, a presidente pediu que o post fosse retirado do ar, ou que seu autor assumisse a responsabilidade pelo texto. Os dois pedidos não foram atendidos. O incidente teria levado a uma conversa dura entre o ex-ministro Franklin Martins, responsável pelo monitoramento das redes sociais, e a própria presidente, o que gerou especulações de que ele poderia deixar a campanha. No sábado, procurado, o ex-ministro negou a informação. “Não teve estresse algum entre eu e a presidente”, afirmou Franklin. O Planalto nega que Dilma tenha conversado com o ex-ministro sobre o conteúdo do "Muda Mais". O comitê de campanha também não confirma a informação. O texto do post dizia que “a terrível eliminação da seleção na Copa do Mundo reforçou o que há muito se dizia - a organização do futebol brasileiro está ultrapassada e presa ao nome de poucas figuras que revoltam o torcedor faz algumas décadas”. Afirma ainda que depois de ficar “por infindáveis 23 anos, nas mãos de Ricardo Teixeira”, a CBF passou, em 2012, para o comando de José Maria Marin. “Marin foi deputado estadual pela Arena e em 1975 proferiu um discurso contra a TV Cultura, que por muitos é visto como um dos desencadeadores da morte de Vladimir Herzog, ex-diretor de telejornalismo da Cultura, encontrado morto 16 dias depois” dizia o texto, que no sábado permanecia na página do site. O post criou uma queda de braço entre integrantes da própria campanha de Dilma à reeleição. Um dos dirigentes concordou com Dilma e foi contra o conteúdo do texto, alegando que era “inadmissível” atacar Marin, no momento em que todos estão trabalhando juntos para que o torneio seja concluído com o maior sucesso possível. A presidente teria entendido que a postagem criticando Marin criou um “constrangimento desnecessário”. O grupo da campanha petista que defendia a veiculação do post, contudo, achou que não deveria voltar atrás, embora tenha reconhecido que o tom foi exagerado. Mas não aceitou retirar o post.

PARTIDA CONTRA A HOLANDA REVELA QUE FELIPÃO PERDEU O CONTROLE DA EQUIPE; JOGADORES DA RESERVA TOMAM O LUGAR DO TÉCNICO INSTRUEM COMPANHEIROS. VEXAME CHEGA AO FIM COM A DEFESA MAIS VAZADA DA HISTÓRIA DA SELEÇÃO; E FELIPÃO INSISTE EM FICAR!!!

Júlio César pula mas não defende o pênalti chutavo pelo holandês Van Persie, no Mané Garrincha em Brasília - Ivan Pacheco/VEJA.com
Júlio César pula mas, não defende o pênalti cobrado pelo holandês Van Persie, no Mané Garrincha, em Brasília (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)
Como resta claro, não foi o acaso que levou a Seleção Brasileira a perder para a Alemã por 7 a 1. Também não foi um apagão, como se se tentou vender. Só pode apagar o que aceso está. E, de fato, nunca chegamos a ter uma equipe. O vexame teve continuidade hoje, na derrota para a Holanda por três a zero. Dez gols tomados em dois jogos! É a pior defesa das 20 jornadas de que o país participou.
Como se vê, até o sósia de Felipão, que trabalha no Zorro Total, estava certo, não é? Havia também um problema na… defesa! O conjunto da obra é patético. Num momento de paralisação do jogo para atendimento a um jogador da Holanda, todo o banco de reservas do Brasil se levantou para dar “instruções técnicas” a jogadores, inclusive Neymar, que assistia à partida. Felipão ficou sentado, apalermado, demonstrando que já não tinha, se é que chegou a ter, o comando da equipe.
No dia 23 de junho, depois da vitória contra Camarões, escrevi aqui:
Brasil conrra Camarões
Nesse texto, aliás, eu contestava a besteira que parte da crônica esportiva começou a dizer, repetindo Felipão, segundo a qual seria preferível o time brasileiro enfrentar a Holanda nas Oitavas de Final a enfrentar o Chile. O jogo deste sábado disse tudo.
Na primeira vez em que a Holanda conseguiu passar para o campo de ataque, com 1min30s, Thiago Silva fez falta e derrubou Robben. Foi fora da área, mas o juiz marcou o pênalti. Roubou para a Holanda? Bem, depende, né? O zagueiro brasileiro deveria ter sido expulso e não foi. Com menos de dois minutos decorridos, convenham: o primeiro gol holandês acabou sendo um preço barato. “Ah, no segundo gol, havia impedimento…” A ruindade do juiz não foi responsável pelo resultado melancólico. Aos 26 minutos do primeiro tempo, a equipe brasileira havia feito uma única finalização.
Os vexames foram se acumulando. Oscar levou um cartão amarelo por simular pênalti. E simulou mesmo! Enquanto os jogadores brasileiros insistirem nessa palhaçada — e isso também é resultado de um treinamento ruim —, não vamos muito longe. Insisto, ademais, num outro aspecto: o jogo da Seleção Brasileira, além de feio, não é dos mais leais. Não fiz a contabilidade, mas Fernandinho deve ser o jogador com mais faltas desse torneio. Mesmo Hernanes entrou pilhado. No primeiro lance de que participou, fez uma falta meio grotesca. No segundo, outra.
Nunca existiu um time. A contusão de Neymar revelou isso de forma cabal. Não acho que o Brasil tivesse ido adiante com ele em campo, mas o vexame talvez fosse menor porque levaria mais intranquilidade aos adversários, e sempre haveria a possibilidade de, num lance fortuito, fazer brilhar seu talento. Pode, no entanto, uma seleção depender de um único jogador?
A torcida resistiu o quanto pôde. Num dado momento, houve até uma disputa entre uma parcela que gritava “olé” quando a Holanda trocava passes, e outra que insistia em aplaudir a equipe. Ao fim, não teve jeito: o estádio, em uníssono, vaiou a Seleção.
Tchau, Felipão!
Felipão não se dá por vencido. Mesmo tendo demonstrado no sábado que não tem controle da equipe — afinal, os jogadores da reserva é que davam instruções a quem estava em campo —, não pediu demissão. Limitou-se a “entregar o cargo” à direção da CBF para que ela tome a decisão. Ora, isso é o mesmo que nada. O cargo sempre pertenceu à confederação, não é? A CBF não precisa da autorização de Felipão para demiti-lo.
O que o treinador quer dizer com esse gesto? Que pretende continuar; que continua cheio de idéias. Quais? Ora, ninguém diverge muito, com uma outra exceção, sobre o time que deve ser escalado. É mais ou menos esse que está aí, não é? Eu gostaria de ver esse mesmo grupo treinado por Pep Gardiola ou por Mourinho. Mas não verei. Parece que vem Tite por aí, que me parecia o nome óbvio em 2012, quando a CBF decidiu escolher Felpão, o homem que havia sido demitido do Chelsea e que havia ajudado a enterrar o Palmeiras… Que seja Tite, então! Ao menos há a possibilidade de a Seleção organizar a defesa… Pode não levar a Copa, mas também não leva uma surra. Por Reinaldo Azevedo

COMO O MÉDICO ROGER ABDELMASSIH FINANCIA HÁ TRÊS ANOS SUA FUGA DA POLÍCIA

Na qualidade de fugitivo mais procurado do Estado de São Paulo e um dos 160 brasileiros na lista da Interpol, era de esperar que o médico Roger Abdelmassih vivesse em condições bem mais precárias do que as que desfrutava no tempo em que era dono da clínica de fertilização in vitro mais famosa do Brasil e oferecia jantares para amigos como a apresentadora Hebe Camargo. Documentos mostram, no entanto, que o médico, condenado por 56 estupros e foragido desde 2011, não vem tendo problemas para se manter na clandestinidade. Por meio de uma engenharia financeira montada pouco antes da condenação, ele recebe remessas regulares — e polpudas — de dinheiro na conta de sua mulher, a ex-procuradora federal Larissa Maria Sacco, que o acompanha na fuga e com quem está casado desde 2010.

PREVISÕES APONTAM QUE PIB CRESCERÁ MENOS DE 1% EM 2014

A economia brasileira deve crescer menos que 1% em 2014, segundo projeções divulgadas na sexta-feira. O Departamento Econômico do Itaú Unibanco previu crescimento de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a consultoria GO Associados também revisou de 1,5% para 0,5% a estimativa de crescimento do PIB. Se as projeções se confirmarem, será a menor taxa de expansão do PIB desde 2009, quando a economia teve retração de 0,3% por causa da crise financeira internacional. O Departamento Econômico do Bradesco vai anunciar na próxima semana a nova estimativa de crescimento, em torno de 1% para este ano, ante projeção anterior de 1,5%. Faz um mês que a consultoria MB Associados considera um crescimento de 0,9% para 2014. Com o número crescente de revisões do PIB, provavelmente a mediana das projeções do mercado captada pelo Boletim Focus, do Banco Central, que será divulgada nesta segunda-feira, deve ficar abaixo de 1%. Nesta semana, a mediana das projeções de alta do PIB estava em 1,07%. Fábio Silveira, diretor de pesquisas da consultoria GO Associados justifica a revisão de crescimento com o fraco desempenho da indústria. "A indústria teve um 2º trimestre muito ruim", afirma ele, que prevê retração de 0,7% na produção industrial de 2014. "Revisamos tudo", afirma Caio Megale, economista do Itaú Unibanco. O corte na projeção do ano ocorreu porque houve revisões para baixo nas estimativas trimestrais do PIB. O crescimento do 2º trimestre, inicialmente projetado em 0,2% na comparação com o trimestre anterior, virou uma queda de 0,2% e, agora, retração de 0,3%: "Essa foi a primeira mudança, pois vimos fundamentalmente uma queda na produção industrial. Para junho projetamos recuo de 2,5% na indústria". O economista explica que parte da retração se deve ao menor número de dias úteis na indústria por causa da Copa. Outra parte decorre dos fundamentos econômicos, que sinalizam uma atividade mais fraca, com juros em alta, estoques elevados na indústria e no comércio e confiança em baixa: "Tudo isso afeta o nível de produção". Na análise de Megale, o segundo semestre começa mais fraco do que o inicialmente previsto. Para o 3º e o 4º trimestre, o Itaú Unibanco cortou a projeção de crescimento, que era de 0,5% e 0,4%, respectivamente, para 0,3% para os dois trimestres. O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, diz que a forte queda na atividade nos últimos meses não deve se repetir no segundo semestre. De toda forma, ele projeta crescimento de 0,9% para o PIB do ano.

FIFA ESTÁ CADA VEZ MAIS ENROLADA COM A POLÍCIA

Desde que a polícia desmontou um esquema internacional de cambistas de ingressos para a Copa do Mundo, a Fifa fez de tudo para dissociar-se do escândalo. A tarefa não é fácil, já que Philippe Blatter, sobrinho do presidente da entidade, Joseph Blatter, tem ligações com a empresa no centro do caso, a Match Services. A companhia vende com exclusividade os pacotes VIP para a Copa, mas, segundo a polícia, repassava ingressos para uma quadrilha de cambistas, que os revendia a preços muito mais altos. Seu diretor-executivo, o inglês Raymond Whelan, foi preso, depois solto, e está foragido desde quinta-feira. O sobrinho de Blatter é dono da Infront, uma das acionistas da Match, mas a Fifa sempre dizia que ele não tinha nenhuma relação com a venda de ingressos. Agora, uma descoberta feita pelos policiais na suíte 514 do Copacabana Palace reforça os laços da Fifa com o escândalo. Alguns dos ingressos apreendidos com a quadrilha estavam em nome da própria Fifa. Ou seja, saíram da entidade para as mãos dos criminosos. “Precisamos saber de que maneira esses ingressos com o nome Fifa chegavam até eles. Não temos dúvidas de que o senhor Whelan facilitava o despejo de ingressos para que a quadrilha de cambistas comandada pelo Lamine (o argelino Lamine Fofana, que está preso) os revendesse”, afirma o delegado Fábio Barucke. Há vários indícios de irregularidades com os ingressos. O nome de outro diretor da Match, Paul Whelan, filho do foragido Ray, estava em duas entradas para jogos das oitavas de final no mesmo dia, mas em cidades diferentes (Brasil x Chile, às 13 horas, em Belo Horizonte, e Colômbia x Uruguai, às 17 horas, no Rio de Janeiro). Como é pouquíssimo provável que ele fosse às duas partidas, a suspeita da polícia é que ele fosse repassar ao menos uma das entradas para o esquema dos cambistas.

SABESP ESTUDA USAR VOLUME MORTO DO SISTEMA ALTO TIETÊ

Depois de iniciar em junho a retirada do volume morto do Sistema Cantareira, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) estuda agora repetir a estratégia no Sistema Alto Tietê, o segundo maior da Grande São Paulo. Graças a uma série de medidas anticrise, incluindo a utilização do fundo do manancial, chamado de volume morto, o Cantareira ganhou sobrevida de 70 dias em sua captação. Formado por cinco represas distribuídas entre Suzano e Salesópolis, o Alto Tietê também sofre com a grave seca e registra queda no nível de armazenamento igual à do Cantareira. Na sexta-feira, o sistema estava com apenas 24% da capacidade, a mais baixa para esta época do ano na última década. Há um mês, o nível do manancial, que abastece 4 milhões de pessoas na parte leste da Região Metropolitana, era de 29,3%. No mesmo período, o Cantareira também perdeu 5 pontos porcentuais, atingindo 18,6% da capacidade na sexta-feira. Com estoque máximo de 520 bilhões de litros, contudo, o Alto Tietê tem pouco mais da metade da capacidade total do Cantareira, de 982 bilhões de litros. A crise no Alto Tietê se intensificou em fevereiro, logo após a Sabesp começar a remanejar cerca de 1 000 litros por segundo de água de suas represas para bairros da capital que eram atendidos pelo Cantareira. Projeções feitas por integrantes do Comitê da Bacia do Alto Tietê apontam que o volume útil do manancial pode acabar em cerca de quatro meses. Questionado em junho sobre a crise hídrica no segundo principal sistema, que produz até 15.000 litros por segundo, o governador Geraldo Alckmin disse que não haveria problemas no Alto Tietê. Em nota, a Sabesp informou apenas que está executando estudos para o possível aproveitamento da reserva técnica do Sistema Alto Tietê em caso de "necessidade". A Sabesp admitiu que estuda utilizar uma segunda cota da reserva profunda do Cantareira. Desde quinta-feira, quando o volume útil do sistema se esgotou, a companhia passou a utilizar apenas os 182,5 bilhões de litros represados abaixo do nível das comportas. Estimativas feitas pela empresa apontam que a reserva deve durar até outubro ou novembro. No início da semana, contudo, Alckmin havia negado a possibilidade de usar mais uma cota do volume morto, que tem cerca de 400 bilhões de litros. "Ainda há uma reserva de 218 milhões de metros cúbicos (bilhões de litros) que não pretendemos destacar", disse o governador na segunda-feira.

GESTOR DE "FUNDO ABUTRE" DIZ QUE GOVERNO ARGENTINO SE NEGA A DIALOGAR SOBRE A DÍVIDA

Em entrevista ao site de VEJA, Jay Newman, gestor da empresa de investimento credora da dívida argentina, afirma que vem tentando há 12 anos negociar com o governo do país; contudo, o diálogo, que era difícil, passou a ser inexistente ao longo da gestão Kirchner. A Argentina tem pouco mais de duas semanas para encontrar uma solução capaz de evitar o caos. O país está prestes a dar o calote nos detentores dos bônus de sua dívida, cujo vencimento é em 30 de julho. Entre os credores estão investidores pessoa física, empresas e fundos de investimento. O calote deixou de ser uma possibilidade remota para se tornar uma realidade palpável quando o juiz Thomas Griesa, da Suprema Corte dos Estados Unidos, condicionou o pagamento dos bônus a credores que aceitaram a reestruturação da dívida argentina (em 2005 e 2010) ao pagamento daqueles que não a aceitaram. Entre eles estão os chamados "fundos abutres". O maior é o NML, da gestora Elliott Management. Segundo Jay Newman, gestor do fundo, os credores tentam há 12 anos a renegociação da dívida com o governo argentino, sem que tenha havido espaço para diálogo. "Começamos a comprar o bônus da Argentina bem antes do default e tentamos negociar uma resolução justa. Afinal, nós também estamos devendo aos nossos investidores. A maior parte dos países resolve suas dívidas negociando e agindo de boa-fé. Argentina é a exceção", disse Newman em entrevista ao site de VEJA. Na sexta-feira, o ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof, reuniu-se pela segunda-vez, em Nova York, com o negociador designado pelo juiz Griesa para dialogar com o governo argentino, Daniel A. Pollack. Em nota, Pollack afirmou não ter chegado a nenhum acordo com o ministro. Segundo ele, os credores e o governo apresentaram propostas, mas não se encontraram. Diante do impasse que persiste, Newman afirma não estar completamente descrente. "Nós temos esperança, mas a verdade é que não há qualquer indício de que queiram mudar de idéia", afirmou. Os chamados "fundos abutres" querem receber o valor de integral pelos títulos adquiridos antes do default, enquanto a Argentina se nega a pagar qualquer valor por eles. O argumento do governo Kirchner é que, se o pagamento ocorrer, os demais credores que aceitaram a reestruturação da dívida (e possivelmente perderam dinheiro devido a isso) também queiram entrar na Justiça para receber o valor integral. Newman nega: "O caso da Argentina é único. Não há evidências que esse precedente possa valer". Confira trechos da entrevista.
- Como foram as negociações com a Argentina ao longo da última década?
- Tentamos de várias formas fazer com que a Argentina mantivesse conosco uma relação de boa-fé. Em 2003, encontrei-me com Guillermo Nielsen, que era secretário das Finanças. O conselho que dei à época foi que a Argentina conseguiria ampliar o número de credores a favor da reestruturação da dívida se tivesse uma postura mais conciliadora e aberta ao longo das negociações. Mas Nielsen rejeitou o alerta e sua equipe colocou em prática uma oferta unilateral e sem qualquer acordo, em 2005. Na segunda oferta unilateral, nos encontramos com Hernán Lorenzino, que era o secretário das Finanças de então, e falamos sobre como poderíamos estruturar uma transação que fosse interessante para os credores que não haviam entrado na reestruturação anterior. Tivemos uma conversa cordial, mas ele nunca me deu uma resposta.
- As conversas pioraram desde então?
- Ficaram mais complicadas. Muitas vezes, em 2011, eu e meus colegas chegamos a nos encontrar com Alfredo Chiaradía, então embaixador da Argentina nos Estados Unidos. Ele aceitava o encontro, mas sempre deixava claro que aquilo não era uma negociação, pois ele não estava autorizado a atuar neste campo, mas nós esperávamos que o bom relacionamento com ele pudesse, eventualmente, levar-nos a discussões mais profundas. Contudo, ele deixou seu posto naquele ano e seus sucessores não aceitaram nos ver. Já durante o processo na Corte, pedi aos advogados da Argentina que dissessem às autoridades que nós queríamos negociar, mas tampouco tivemos resposta.
- Mas o ministro da Economia, Axel Kicillof, foi aos Estados Unidos inúmeras vezes para tratar da questão.
- Sim. Inclusive, quando o senhor Kicillof veio discursar na Organização dos Estados Americanos (OEA), afirmei publicamente que gostaria de encontrá-lo para negociar a qualquer hora e em qualquer lugar. Obviamente, ele não aceitou. Ainda não conseguimos qualquer contato com a Argentina e eles têm se recusado a negociar em qualquer aspecto dessa disputa. Esperamos que isso mude. Mas, infelizmente, o governo parece estar decidido a colocar o país à beira do calote.
- Quando, exatamente, o governo argentino passou a ignorá-los?
- Nosso último encontro foi com o embaixador Chiaradía em 2011. Nada mais ocorreu depois disso.
- Os fundos abutres são os principais credores dos bônus em default, atualmente?
- Fundos são, em geral, grandes credores, mas não os únicos. Por 12 anos, a Argentina deixou de pagar milhares de detentores de seus títulos em default, inclusive investidores individuais que estão sendo mostrados pela imprensa local. Há ainda milhares de aposentados e pensionistas da Itália que nunca foram pagos pelo país. Esses credores perderam uma boa parte de sua aposentadoria devido ao comportamento da Argentina e eles têm se mostrado muito agradecidos pelos esforços que nós temos feito para encontrar uma solução justa para o problema.
- A Argentina se refere aos "abutres" de forma bastante pejorativa. Como enxergam essa denominação?
- Não é a forma mais correta. O fundo Elliott tem uma boa reputação e faz a gestão de investimentos para fundos de pensão públicos e privados, fundos universitários e de hospitais, além de recursos de instituições de caridade. Também somos gestores de inúmeras famílias. Começamos a comprar o bônus da Argentina bem antes do default e tentamos negociar uma resolução justa. Afinal, nós também estamos devendo aos nossos investidores. A maior parte dos países resolve suas dívidas negociando e agindo de boa-fé. Argentina é a exceção.
- A imprensa argentina tem aventado a possibilidade de o país pagar seus credores parcialmente em dinheiro, deixando o restante para ser pago com a emissão de novos títulos. Seria uma alternativa interessante para o senhor?
- Sim, certamente. A questão é que nós não tivemos nenhum contato com o governo e eles não colocaram nenhuma proposta na mesa.
- Muitos analistas reconhecem como legítimo o direito dos credores de irem à Suprema Corte, mas criticam a decisão do juiz pelo fato de ela prejudicar o mercado de títulos de outros países com problemas fiscais. O senhor concorda?
- Não acho que exista qualquer evidência que mostre isso. A evidência que há é justamente o oposto: mostra que o comportamento da Argentina com os credores nos últimos anos tem sido singularmente desafiador, e não creio que vejamos um caso como esse novamente. Em sua decisão final sobre o caso, a Corte escreveu: 'Trata-se de um caso excepcional e com pouca influência aparente sobre as transações que podem ser esperadas no futuro. Porque a Argentina tem sido um devedor recalcitrante, como quase nunca se viu'.
- Algum outro credor já tentou usar a decisão da Corte como precedente para seu próprio processo?
- Houve uma tentativa de citar nosso caso como um precedente, mas falhou quando o juiz afirmou que a decisão sobre o nosso caso se referia somente à Argentina.
- A negociação com a Argentina é muito diferente do que com outros países que entraram em default?
- Sim, é um caso único. Há um estudo da Moody's que mostra que das 34 reestruturações de dívidas em 20 países nos últimos 15 anos, o caso da Argentina foi o único que resultou em litígio prolongado. O ingrediente que estava presente nas outras reestruturações e que não existe no caso da Argentina é diálogo construtivo com credores. Nós temos esperança de que eles aceitem negociar, mas a verdade é que não há qualquer indício de que queiram mudar de idéia.