domingo, 17 de agosto de 2014

NETANYAHU DIZ QUE NÃO CEDE A AMEAÇAS DOS TERRORISTAS DO HAMAS NAS CONVERSAS PARA FIM DOS CONFRONTOS EM GAZA

O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, disse neste domingo que qualquer acordo em relação ao futuro de Gaza terá que atender às necessidades de segurança de Israel, alertando a organização terrorista Hamas que ele enfrentará "ataques duros" se recomeçar a disparar contra território israelense. Com o cessar-fogo de cinco dias prestes a acabar no fim da segunda-feira, os negociadores voltaram ao Cairo, após conversações, para buscar o fim para as cinco semanas de hostilidades que mataram mais de duas mil pessoas. Ambos os lados dizem que as lacunas continuam a existir para que se chegue a um acordo de longo prazo que manteria a paz entre Israel e grupos militantes da Faixa de Gaza, dominada pelo grupo terrorista islâmico Hamas, e abrir caminho para que alguma ajuda possa chegar para a reconstrução do enclave destruído. A organização terrorista Hamas quer que os bloqueios israelenses e egípcios em Gaza sejam suspensos, bem como o estabelecimento de um porto e um aeroporto. Israel, que lançou sua ofensiva no dia 8 de julho, depois de um aumento dos ataques de foguetes pelos terroristas do Hamas, se nega com toda razão a fazer concessões abrangentes e exige o desarmamento dos grupos terroristas do território de 1,8 milhão de pessoas.

NAVIO-PLATAFORMA CIDADE DE MANGARATIBA DEIXA ESTALEIRO

A Petrobrás informa que o navio-plataforma (FPSO) Cidade de Mangaratiba partiu no sábado (16/8) do estaleiro BrasFels, em Angra dos Reis, rumo ao Campo de Lula. A unidade irá operar na área de Iracema Sul, no litoral do Estado do Rio de Janeiro, no pré-sal da Bacia de Santos, em águas com profundidade de 2.200 metros. Em nota, a estatal informa que a produção de petróleo deverá ser iniciada no quarto trimestre deste ano. A área de Iracema Sul, na concessão BM-S-11, é operada pela Petrobras (65%) em parceria com a BG E&P (25%) e a Petrogal (10%). A construção da unidade foi feita pelo consórcio Schahin-Modec, com conteúdo local previsto de 65%. Ancorado a 240 km da costa, o Cidade de Mangaratiba será conectado a 8 poços produtores e 8 injetores, com capacidade para produzir 150 mil barris de óleo e comprimir 8 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, explica a Petrobras, em nota. O número de empregos diretos, ainda de acordo com a companhia, é de 2,5 mil.

MORRE O GENERAL CHILENO QUE SUBSTITUIU PINOCHET NO COMANDO DO EXÉRCITO

Ricardo Izurieta, o general que substituiu o ditador chileno Augusto Pinochet à frente do exército do Chile, morreu, aos 71 anos. Segundo comunicado enviado pelo exército, Izurieta morreu em sua casa neste domingo. Não foi informada a causa da morte. Izurieta liderou o exército de 1998 a 2002, após os 25 anos de comando do ditador Pinochet, que continuou à frente da instituição militar por mais oito anos, mesmo após o fim da ditadura. O comunicado elogiou Izurieta por unir os militares " e toda a sociedade chilena, sem exclusões". O ex-ministro da Defesa, Edmundo Perez Yoma, disse que o trabalho mais importante do general foi de auxiliar a estabelecer a comissão de direitos humanos, que levou os militares a reconhecerem que os corpos dos prisioneiros da ditadura foram jogados ao mar.

EDUARDO CAMPOS ENTERRADO NO RECIFE SOB APLAUSOS E INTENSO FOGUETÓRIO

Após cortejo de quase 1h30min pelo Centro Histórico de Recife, o corpo de Eduardo Campos foi enterrado sob aplausos pouco depois das 18h30min no cemitério de Santo Amaro. Os restos mortais do presidenciável, morto em acidente aéreo, foram colocados no jazigo da família, mesmo local onde foi enterrado o avô Miguel Arraes. A cerimônia foi acompanhada por uma multidão estimada em mais de 180 mil pessoas, e muitos chegaram a se aglomerar em cima de árvores, sobre túmulos e alamedas para assistir ao enterro. Ao chegar no local, o caixão foi recebido por fogos de artifício, palmas e gritos. A cerimônia ainda foi antecedida por toque de clarinete e seguida por estouros de foguetes que duraram mais de 10 minutos e iluminaram o céu de Recife. Inicialmente, a expectativa era que a cerimônia ocorresse às 17 horas. Porém, apenas às 16h45min o caixão deixou o Palácio do Campo das Princesas — onde foi realizado o velório — em um caminhão do Corpo de Bombeiros e seguiu em cortejo de dois quilômetros até o cemitério. Sobre o veículo, também estavam familiares de Campos — filhos, a esposa Renata, a mãe, Ana Arraes, e o irmão, Antônio Campos —, a vice na chapa do PSB, Marina Silva, e o candidato ao governo pernambucano pelo PSB, Paulo Câmara. Coroas de flores e cartazes com fotos de Campos e os dizeres "grande como o Brasil, forte como Pernambuco" foram espalhados pelo cemitério. Filhos de Campos usaram chapéus de palha, em uma referência à política do bisavô Miguel Arraes, em programa que empregava canasvieiros no período da entressafra na construção de pequenas obras públicas. Candidato à Presidência pelo PSB, Eduardo Campos morreu na manhã de 13 de agosto, em um acidente de avião em Santos, no litoral paulista. A queda da aeronave, que ia do aeroporto Santos Dumont (RJ) à base aérea do Guarujá (SP), matou outras seis pessoas — dois assessores, um fotógrafo, um cinegrafista e dois pilotos. Nascido em Recife (PE) em 1965, o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Henrique Accioly Campos, era o terceiro colocado na corrida presidencial, atrás de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). Campos era neto e herdeiro político de um dos mais influentes líderes da esquerda nacional, o também ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes. Casado há mais de 20 anos com a economista Renata Campos, o candidato deixa cinco filhos, com idades entre 21 anos e cinco meses.

CARLOS PERCOL ENTERRADO NO RECIFE

O corpo do assessor de imprensa Carlos Augusto Ramos Leal Filho – conhecido como Carlos Percol, da equipe do ex-governador de Pernambuco e candidato à Presidência da República  Eduardo Campos – foi sepultado no Cemitério de Santo Amaro, na capital pernambucana. Participaram da cerimônia a viúva, Cecília Ramos, parentes e amigos. Percol é uma das sete vítimas do acidente aéreo da última quarta-feira (13) ocorrido em Santos, litoral de São Paulo, que matou Campos, quatro membros de sua equipe e os dois pilotos da aeronave. Seu corpo era velado no Palácio do Campo das Princesas junto com o de Eduardo Campos, o do fotógrafo Alexandre Severo e o do cinegrafista Marcelo Lyra, que também morreram no desastre.

SEPULTADOS OS CORPOS DOS PILOTOS DO JATINHO DE EDUARDO CAMPOS

Os corpos do piloto Marcos Martins e do copiloto Geraldo Cunha foram sepultados neste domingo (17), após serem velados durante a madrugada. Os dois profissionais morreram na queda do avião Cessna, na quarta-feira (13), no litoral de São Paulo, que também vitimou o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Martins foi sepultado no Cemitério Municipal de Maringá (PR), por volta das 12h30. Ele deixou dois filhos, de 2 anos e 7 anos. O corpo de Cunha foi enterrado no Cemitério Santa Rita, em Governador Valadares (MG). Durante a tarde, os corpos dos outros ocupantes da aeronave foram enterrados em outras cidades. O ex-deputado Pedro Almeida Valadares Neto, assessor de Campos, foi enterrado no Cemitério Colina de Saudade, em Aracajú. Outra vítima do acidente, o assessor de imprensa de Campos, Carlos Augusto Ramos Leal Filho – conhecido como Carlos Percol – foi enterrado por volta das 14 horas no Cemitério de Santo Amaro, no Recife.

DATAFOLHA APONTA QUE AVALIAÇÃO NEGATIVA DO GOVERNO DILMA RECUA EM SÃO PAULO

A mais recente pesquisa Datafolha sobre avaliação do governo Dilma Rousseff, realizada em oito Estados na semana passada, mostra resultados distintos nos dois maiores colégios eleitorais do País, São Paulo e Minas Gerais. O resultado foi publicado na edição deste domingo do jornal Folha de S.Paulo. Em São Paulo, o maior colégio eleitoral, com 22% do eleitorado brasileiro, a avaliação negativa continua maior que a aprovação à gestão Dilma. Os que consideram o governo ótimo/bom somam 24%, oscilação de um ponto porcentual em relação ao levantamento anterior (23%). A reprovação ao governo, porém, baixou para 35%, uma ligeira melhora em relação aos 39% de reprovação registrados na pesquisa de julho. A avaliação "regular" perfaz 39% das respostas. Em São Paulo, a pesquisa ocorreu nos dias 12 e 13 de agosto, com 2 045 entrevistados (registro no TSE: SP-00016/2014). A queda da reprovação coincide com a intensificação das agendas de campanha da presidente-candidata no Estado: ela promoveu seis atos públicos na Grande São Paulo desde o fim de julho. O comitê de Dilma tenta debelar a rejeição da presidente no Estado: 47% dos paulistas dizem que não votariam na petista. Em Minas Gerais, o Estado do candidato rival Aécio Neves (PSDB), o governo Dilma é considerado ótimo/bom por 34% dos entrevistados, ao passo que 26% dizem que é ruim/péssimo. Os demais 38% o consideram regular. Minas Gerais concentra 11% do eleitorado nacional. Em Minas Gerais, a pesquisa foi realizada nos dias 12 a 14 de agosto, com 1 238 entrevistados (registro no TSE: MG-00063/2014), com margem de erro de três pontos porcentuais. Em Minas Gerais e outros seis Estados, há comparação com levantamentos anteriores, já que está é a primeira pesquisa do ano sobre avaliação local do governo Dilma. O Parana é o Estado onde o eleitorado aparece mais dividido: um terço (33%) considera o governo Dilma ruim/péssimo, e 31% avalia como ótimo ou bom. Como a margem de erro é de três pontos porcentuais, a pesquisa aponta um empate entre os que aprovam e os que reprovam a gestão Dilma. Para 36% dos paranaenses, o governo da petista é regular. A pesquisa ocorreu nos dias 12 e 13 de agosto, com 1 226 entrevistados (registro no TSE: PR-00014/2014). No Rio de Janeiro, os índices são de 24% para ótimo/bom; 45% regular e 29% ruim/péssimo. Por ter margem de erro de três pontos porcentuais no Estado, não é possível concluir queda na reprovação, mas na pesquisa anterior o Datafolha mostrava 32% de ruim/péssimo no Rio de Janeiro. A pesquisa ocorreu nos dias 12 e 13 de agosto, com 1 317 entrevistados (registro no TSE: RJ-00010/2014). A aprovação da gestão Dilma tem as maiores taxas nos dois Estados do Nordeste pesquisados, Ceará e Pernambuco, nos quais a presidente atinge, respectivamente, 55% e 39%. No Ceará, o Datafolha entrevistou 1 108 pessoas, de 11 a 13 de agosto (registro no TSE: CE-00013/2014). Em Pernambuco, 1 198 foram entrevistadas entre 12 e 13 de agosto (registro no TSE: PE-00017/2014). As duas pesquisas têm margem de erro de três pontos, para mais ou para menos. No Rio Grande do Sul, também com margem de três pontos, o indicador de aprovação é de 38% (ótimo/bom); regular, 37%, enquanto 24% consideram ruim/péssimo. Foram 1.233 entrevistados, de 12 a 14 de agosto (registro no TSE: RS-00009/2014). O Distrito Federal apresenta a maior taxa de reprovação, 40%; os demais porcentuais são 23% de ótimo/bom e 36% de regular, com margem de erro de quatro pontos porcentuais, para mais ou para menos. Nos dias 12 e 13 de agosto, o instituto entrevistou 736 pessoas (registro no TSE: DF-00029/2014).

CURDOS RECUPERAM CONTROLE DE REPRESA IRAQUIANA COM APOIO DOS ESTADOS UNIDOS

Apoiadas pela Força Aérea americana, as forças curdas retomaram o controle neste domingo sobre a maior represa do Iraque, ao norte de Mossul, após intensos combates com os terroristas jihadistas do Estado Islâmico (EI - Califado). A informação foi confirmada pelo líder do principal partido curdo iraquiano, Ali Awni. Segundo ele, agora os combates estão se desenrolando em Tal Kayf, controlada pelos terroristas jihadistas, e cerca de 100 quilômetros distante da barragem. Apesar de a área em volta da represa ter sido retomada, alguns locais estão inacessíveis devido a bombas espalhadas pelos insurgentes. A represa fornece água e energia elétrica para grande parte da região e estava sob o controle dos terroristas  jihadistas desde 7 de agosto. Apenas neste sábado é que as forças curdas lançaram uma ofensiva para retomar o controle do local, com o apoio do governo americano. A Força Aérea americana lançou, nos últimos dois dias, 23 ataques aéreos com aviões e drones, sendo 14 deles somente neste domingo. Os ataques destruíram veículos militares e um posto de controle do Estado Islâmico (Califado). De acordo com o Comando Militar americano no Oriente Médio e na Ásia Central, o objetivo é apoiar "os esforços humanitários, proteger as infraestruturas importantes, o pessoal e as instalações dos Estados Unidos no Iraque e ajudar as forças de segurança curdas". O Iraque está mergulhado no caos desde o início de uma ofensiva ao norte de Bagdá em 9 de junho por parte dos terroristas jihadistas sunitas do Estado Islâmico (Califado). No início de agosto, a ofensiva se estendeu para a região autônoma do Curdistão, forçando cerca de 200 mil pessoas a fugir, principalmente yazidis e cristãos. A comunidade internacional se mobilizou para ajudar as pessoas que se deslocaram para acampamentos no norte do país, muitos em condições deploráveis. ​​Depois do lançamento da ofensiva, as forças curdas assumiram o controle de várias áreas do norte do país abandonadas pelas forças iraquianas e lançaram, no início de julho, um projeto de referendo de independência do Curdistão. Segundo uma autoridade iraquiana, na sexta-feira, os terroristas  jihadistas entraram na cidade de Kocho, cerca de 150 km ao sudoeste de Mossul, onde mataram cerca de 80 pessoas.

ALCKMIN ENTREGA A RENATA CAMPOS CORDÃO ENCONTRADO NOS DESTROÇOS

Na missa deste domingo em memória de Eduardo Campos, em Recife, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, deu à viúva do político socialista, Renata, algo que lhe trouxe conforto: um cordão de ouro com cinco medalhinhas, que pertencia ao ex-governador pernambucano. Cada medalha representa um dos filhos do casal. Junto com a aliança de casamento, o cordão era o objeto pessoal que Renata mais desejava reaver — e pedia empenho especial nessa tarefa. "Dona Renata fez o pedido para que encontrássemos o cordão e a aliança. Eu falei com o prefeito de Santos, Paulo Barbosa, para vasculhar os escombros, o lugar da queda do avião, e o cordão foi encontrado", disse o governador na saída do velório. Alckmin afirmou que entregou o objeto a Renata, que, com ar de alívio, afirmou que daria uma medalha a cada filho. Contudo, a letra "R", que também estava no cordão, se perdeu.

AO LADO DE LULA, DILMA FOI VAIADA NA MISSA DURANTE O VELÓRIO DE EDUARDO CAMPOS

A presidente Dilma Rousseff foi vaiada duas vezes na manhã deste domingo(17), enquanto acompanhava o velório do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, em frente ao Palácio do Campo das Princesas, no Recife. A primeira vaia aconteceu na chegada de Dilma ao velório, junto com o ex-presidente e alcaguete Lula (que delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr.). Depois, perto do fim da missa campal de corpo presente por Eduardo Campos, pelo jornalista Carlos Percol e pelo fotógrafo Alexandre Severo, vítimas de acidente aéreo na quarta-feira (13/8), Dilma foi vaiada ao aparecer no telão colocado em frente à sede do governo. O alcaguete LulaX9 chorou ao chegar na despedida a Eduardo, ao conversar com a viúva Renata Campos e também no fim da celebração, quando se despediu da família. Lula e Dilma cumprimentaram os presentes, inclusive a agora candidata a presidente da República, Marina Silva - em quem Lula deu um abraço demorado. O ex-presidente e Dilma foram embora do Palácio por volta de meio-dia, depois de acompanharem a missa. Além de admiradores do ex-governador Eduardo Campos, estavam presentes muitos cabos eleitorais de candidatos no local, além de muitos políticos de vários partidos que foram prestar a última homenagem. Após a celebração, a família de Eduardo Campos, juntamente com as lideranças do PSB, entrou no Palácio do Campo das Pricesas, onde permaneceu até a hora da saída do cortejo. Os restos mortais do jornalista Carlos Percol seguiram antes para o Cemitério de Santo Amaro, onde foi sepultado. Já o corpo do fotógrafo Alexandre Severo seguiu para o cemitério Morada da Paz, para ser cremado às 19 horas. Na saída de Dilma, a presidente e o adversário Aécio Neves evitaram uma aproximação e, por pouco, não se encontraram. No caminho, Lula encontrou o candidato do PSDB ao Senado José Serra (SP) e o senador Aloysio Nunes Ferreira, vice na chapa de Aécio à presidência. Lula fez questão de cumprimentar os tucanos. O candidato a presidente do PSDB, Aécio Neves, saiu do Palácio do Campo das Princesas por volta das 13 horas. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o ex-governador José Serra, Aluísio Nunes (vice de Aécio) e demais tucanos foram embora no mesmo grupo.

MARINA SILVA, A VIÚVA ENLUTADA E INDEVIDA DO BRASIL

Marina chega neste sábado à cada da família Campos: chegou de preto, como viúva
Marina chega no sábado à casa da família Campos: de preto, como viúva
Marina Silva já é a candidata do PSB à Presidência. E, como é evidente, existe uma onda a seu favor, ainda que nascida da tragédia. De resto, não dá para ignorar: os deuses da floresta a premiaram com um impressionante senso de marketing — chega perto de rivalizar com o do próprio Lula. Em alguns aspectos, pode-se dizer que ela leva certa vantagem: é mais, como direi?, “sensível” do que seu antigo chefe e diz coisas bem mais abstratas e incompreensíveis, o que sempre desperta no ouvinte a suspeita de que pode estar enxergando o que ninguém ainda vê. Renata, a mulher de Eduardo Campos, recolheu-se num decoroso silêncio. Marina ficou com o papel de viúva. Li na Folha, de novo, neste domingo, que foi a outra, com uma roupa floral, quem consolou uma Marina vestida de preto neste sábado. Que coisa! A minha origem é ainda mais pobrezinha do que a da ex-senadora, sabem? Meu sensor antidemagogia dispara nessas horas.
Não tenho paciência, desculpem os encantados, com Marina! O reino que me interessa é deste mundo. E o que não é requer a intervenção de um Ser superior à líder da Rede, a quem não reconheço o papel de intercessora. Repudio o seu comportamento e o seu ar de vestal, como se ela fosse feita de um barro diferente daquele que faz os outros políticos. Não é.
Eu não sei, por exemplo, e ninguém sabe, do que ela vive e quem sustenta o aparato — que não é pequeno! — que a acompanha. Há tanto tempo sem legenda, flanando por aí, a questão é pertinente. Fosse outro, o jornalismo investigativo já teria se ocupado de apurar. Como é Marina, não se toca no assunto. Imaginem se algum outro candidato à Presidência da República tivesse um banqueiro — ou uma banqueira… — pra chamar de seu. Ela tem. O que nos outros seria pecado é, em Marina, tratado como virtude.
A líder do tal Rede, já apontei aqui num post de maio de 2011, é a nossa vestal. Logo será carregada numa liteira. Constituiu-se, com o beneplácito de boa parte da imprensa babona, numa figura notavelmente autoritária da política. Como esquecer o seu comportamento durante a votação do Código Florestal? A nossa Entidade da Floresta — que só não faz milagre no Acre — sempre se negou a confrontar suas ideias com as de seus oponentes — preferindo ameaçar a Terra e o País com o apocalipse. Contou, para isso, com o apoio de ONGs fartamente financiadas por dinheiro vindo do Exterior e de colunistas que não distinguiam e não distinguem um pé de feijão de erva daninha. Caso se dissesse a alguns deles que “o povo pede alho”, eles o mandariam comer bugalho…
Certa de que a “mídia” amiga seria eficiente em matar o novo Código Florestal, relatado então pelo agora ministro dos Esportes, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Marina se limitou a dizer “não” ao texto. Como o debate avançou, apelou aos universitários. Aí, a até então omissa SBPC resolveu fazer o seu relatório recheado de elogios à agricultura brasileira (que remédio?), mas alertando para o apocalipse que viria se a proposta fosse aprovada. A iniciativa não vingou.
Como sabe ou pode saber o leitor, as vestais romanas, virgens sem mácula, eram encarregadas de manter aceso o fogo sagrado. Gozavam de grande prestígio. Os altos dignitários de Roma lhes confiavam segredos, e elas costumavam ser chamadas para dirimir conflitos e apaziguar dissensões. Excepcionalmente, podiam abandonar seu templo e desfilar pela cidade em sinal de protesto se considerassem que uma grave ameaça pesava sobre o Estado romano.
Foi o que fez Marina naquele 2011. As ONGs resolveram carregar a nossa vestal até o Palácio do Planalto para um encontro com o então ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Ela reivindicava no tapetão o que não conseguira no debate político: o adiamento da votação do relatório. Aldo havia debatido o seu texto país afora. Marina preferiu fazer a cabeça dos ditos “formadores de opinião”. A democracia brasileira tem uma instância chamada Congresso. Ela preferiu os carregadores de liteira das ONGs ao Parlamento. É parte do que chama “nova política”. Não me serve.
O problema é que Marina, eu já escrevi umas 800 vezes, é a outra personagem inimputável da política brasileira. Só perde para Lula. Ambos são beneficiados pelo preconceito de origem às avessas. Como vieram “do povo”, não se questionam seus propósitos. Seriam depositários de uma espécie de verdade ancestral. Note-se, a título de ilustração, que, quando ela deixou o governo, falou-se de seu conflito com Dilma, não com Lula…
A ex-senadora tem um método: se perde o debate nas instâncias consagradas para decidir um embate, apela, então, à galera. Fez isso no PV, aonde chegou, de mala e cuia, para ser candidata em 2010, conhecendo as regras. Disputou a eleição deixando claro, sempre!, que era maior do que o partido. Terminada a peleja, deu início ao esforço para depor a direção da legenda. Como foi derrotada nas instâncias internas — cujas regras ela prometeu acatar quando se filiou —, foi para o debate público, certa de que não precisaria ter razão para conquistar adesões. Não tinha e as conquistou. A direção do PV foi tratada como vilã, mas ela não conseguiu o que queria. Caiu fora. Começou, então, a criar a Rede.
Quer o quê?
O cerne da postulação de Eduardo Campos, convenham, era um tanto confuso. O então candidato insistia na tese de que nada havia de errado no lulismo e que Dilma é que havia se distanciado do bom caminho. Como acertava em alguns diagnósticos parciais que fazia, sua candidatura foi bem recebida. Se não dava para entender o conjunto, havia partes que faziam sentido.
E Marina Silva? Por quanto tempo mais não se vai perguntar, afinal de contas, o que pretende para o Brasil a viúva enlutada e indevida? Por Reinaldo Azevedo

CORPO DO EX-DEPUTADO PEDRINHO VALADARES CHEGA A ARACAJÚ

O corpo do ex-deputado federal Pedro Almeida Valadares Neto, conhecido como Pedrinho Valadares, de 48 anos, chegou a Aracaju (SE), no início da madrugada deste domingo (17) debaixo de uma forte chuva. O avião Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB) pousou no Aeroporto Santa Maria, na Zona Sul da capital, às 01h44, após ter feito uma parada em Recife (PE), para deixar os corpos do candidato à Presidência da República, Eduardo Campos (PSB), ex-governador de Pernambuco, do assessor Carlos Percol, do fotógrafo Alexandre Severo e do cinegrafista Marcelo Lyra, que morreram no acidente aéreo ocorrido na última quarta-feira (13), em Santos, no litoral de São Paulo. Outros aviões da FAB levam os corpos dos pilotos Geraldo Magela Barbosa da Cunha e Marcos Martins para Governador Valadares (MG) e Maringá (PR), respectivamente. Familiares acompanharam a chegada do corpo vestindo camisas com a foto de  Pedrinho. "Estamos muito abalados com a partida precoce dele e estamos aqui fazendo essa homenagem e agradecendo por ele ter feito parte de nossa família. Ele foi um grande ser humano e político e vai deixar saudades", disse o sobrinho Domingos Alves. A viúva Simone Valadares, que estava acompanhada pelos dois filhos, permaneceu  em uma sala reservada até a chegada da aeronave. Do Aeroporto Santa Maria o corpo foi levado em um carro do Corpo de Bombeiros para o cemitério Colina da Saudade, no Bairro Jabutiana, também na Zona Sul. O corpo de Pedrinho será velado durante toda a madrugada e manhã deste domingo. De acordo com familiares, o sepultamento está previsto para às 16 horas. O cunhado do ex-deputado, o procurador de justiça Mario Marroquim e o senador Antônio Carlos Valadares, tio de Pedrinho, acompanharam todo o processo de liberação dos corpos na capital paulista e seguiram no vôo da FAB. O senador ficou no Recife para acompanhar o velório de Eduardo Campos e dos assessores. “Depois de participar do velório do ex-governador e da missa prevista para a manhã deste domingo, embarcarei para Aracaju a fim de participar do sepultamento do meu sobrinho”, disse. Valadares Neto, filiado ao PV, foi deputado federal por Sergipe quatro vezes, além de ser advogado. Ele também desempenhou as funções de assessor parlamentar, consultor técnico-administrativo do Governo de Sergipe, secretário-geral da Prefeitura de Simão Dias e secretário de Turismo do Estado do Sergipe. Atualmente, Pedrinho fazia parte da comissão que acompanhava o candidato à Presidência da República Eduardo Campos (PSB). Ele atuava como coordenador da campanha. Assumiu, como suplente, o mandato de deputado federal, na Legislatura 1995-1999, em 19 de julho de 1995, sendo efetivado em 7 de janeiro de 1997, em virtude da renúncia do feputado Jerônimo Reis, que assumiu a prefeitura de Lagarto. Assumiu como suplente o mandato de deputado federal, na Legislatura 2007-2011, de 15 de julho de 2008 a 6 de dezembro de 2008, em virtude do afastamento do deputado Jerônimo Reis, sendo efetivado em 5 de agosto de 2010, em virtude da perda de mandato do dep. Jerônimo Reis.

FILHO JOÃO HENRIQUE JÁ É APONTADO COMO HERDEIRO POLÍTICO DE EDUARDO CAMPOS

A morte precoce de Eduardo Campos deixou um hiato de poder na família Arraes, que ocupa um espaço político relevante em Pernambuco, desde meados do século passado. Quando o clã perdeu o patriarca Miguel Arraes, em 2005, já tinha preparado seu herdeiro político, que, no ano seguinte, se elegeu governador do Estado, e alcançou o auge do protagonismo este ano, com a candidatura à Presidência. Em meio ao luto, os descendentes ainda processam a perda familiar para, num segundo momento, avaliar a forma de dar prosseguimento ao projeto político de Eduardo Campos. A aposta de pessoas ligadas à família é de que o segundo filho de Campos, o mais velho, João Henrique, de 20 anos, seja o herdeiro na tarefa de dar continuidade ao legado político familiar. No dia seguinte ao acidente, João já sinalizava a interlocutores que pretende encontrar uma forma de manter erguida a "bandeira" do pai. Mas, isso poderá não correr de forma imediata, já que João apenas ensaiava os primeiros passos na política quando sofreu a perda abrupta de seu principal modelo. Impulsionado pelo pai, em junho deste ano, João, estudante de Engenharia na Universidade Federal de Pernambuco, chegou a ser cotado para disputar uma vaga a deputado federal. Mas, desistiu da empreitada após um mal-estar familiar: a prima de Eduardo, a vereadora Marília Arraes, acusou o então governador de Pernambuco de centralizar as decisões do partido para favorecer seu núcleo mais próximo. Nessa época, Eduardo Campos tentava emplacar o filho na presidência da Juventude do PSB. Um fator que pode retardar a entrada mais concreta de João na política, analisam políticos do PSB, é o fato de não ter passado por um processo de "imersão" ao lado do pai, a exemplo de outros herdeiros políticos. Apesar de ter acompanhado Eduardo Campos em alguns eventos e de ter ido para as ruas fazer campanha ao lado do pai, João não chegou a ter a convivência partidária e eleitoral que facilitariam a transmissão dessa herança. O nome que sempre é citado como aquele que já tem a força e o preparo necessários para levar adiante o legado político da família é o da esposa Renata Campos. Renata começou a participar de campanhas no Estado desde pequena, acompanhando seus pais. A partir de 1982, passou a integrar o grupo jovem das campanhas da Frente Popular e, de lá para cá, participou de todas as campanhas desse campo político. Os mais próximos à família lembram que dona Renata, como era chamada pelo marido, sempre teve uma influência fundamental nas decisões de Eduardo Campos. Participava das reuniões políticas e atuava como uma espécie de conselheira para todos os assuntos. Exerceu no governo de Campos um papel que foi muito além de uma primeira-dama tradicional, com sua atuação no bastidor político e na gestão de programas ligados à cultura popular e maternidade e infância. Políticos ressaltam que ela é uma "militante" que escolheu a família. Amigos que estiveram com Renata nos últimos dias contam que ela tem "clara noção" da responsabilidade de manter o projeto político do marido e que exercerá um papel político "mais evidente" a partir de agora. Há até mesmo aqueles que defendem um ingresso imediato de Renata no cenário eleitoral, no lugar de vice de Marina Silva. A possibilidade, porém ainda não está sendo discutida pela esposa de Eduardo Campos. Ainda que não seja membro da família, aos 43 anos, o prefeito de Recife, Geraldo Júlio, é apontado como um dos defensores do legado de Eduardo Campos no Estado. De perfil técnico, ingressou na política pelas mãos de Eduardo, até ser eleito pelo então governador para a prefeitura da capital. Mas, amigos do ex-governador destacam que, por não ser parente de Eduardo Campos, enfrentará limitações para levar adiante o projeto político da família.