sexta-feira, 22 de agosto de 2014

DEMISSÕES ESTÃO GANHANDO FORÇA NO BRASIL ÀS VÉSPERAS DA ELEIÇÃO

Grandes empresas no Brasil, incluindo varejistas e montadoras de veículos, estão demitindo funcionários por causa dos prognósticos ruins da economia, em um desafio para a campanha de Dilma Rousseff à reeleição. As demissões não são novidade na indústria. Desde o ano passado, postos de trabalho têm sido cortados em vários setores, desde o têxtil até a siderurgia, por causa do fraco crescimento econômico, da inflação alta e do dólar baixo. Mas agora as demissões alcançam
setores como o comércio, construção e indústria de alimentos, que estiveram entre os maiores geradores de emprego ao longo da década passada e são menos expostos à conjuntura internacional. Somente o varejo perdeu mais de 78.000 empregos em termos líquidos – já descontando novas contratações – nos sete primeiros meses do ano. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado pelo Ministério do Trabalho, foram criados em média 41.000 empregos no mesmo período dos três anos anteriores. As montadoras de veículos, que estiveram entre os segmentos que mais ganharam com o forte crescimento do Brasil na década passada, também têm demitido milhares de funcionários com a queda da produção. Em julho, o Brasil gerou menos de 12.000 postos de trabalho, o pior desempenho para o mês em quinze anos. O número insuficiente para absorver o crescimento da população mostra que, ao longo do tempo, a taxa de desemprego deve voltar a subir. Por ora, grandes empresas têm evitado demissões em massa. Mas as companhias já vêm cortando algumas centenas de postos por vez ou deixando vagas ociosas, o que, aos poucos, contamina a confiança do eleitorado e o debate político. "Esse tipo de informação, se chegar ao eleitor, pode criar uma apreensão em relação ao que vai acontecer com o mercado de trabalho daqui para frente", disse o analista político da MCM Consultores, Ricardo Ribeiro: "A probabilidade de que notícias ruins sobre emprego pipoquem no noticiário é relativamente alta. Não dá para fazer nenhuma injeção de recursos para evitar isso em dois meses". As demissões têm se espalhado entre grandes empresas do Brasil. A rede varejista Grupo Pão de Açúcar (GPA), maior empregadora do País no setor privado, eliminou cerca de 3.000 postos entre abril e junho, maior corte trimestral em mais de quinze anos. O GPA encerrou as atividades 24 horas nos supermercados em abril e tem fechado lojas de eletrodomésticos desde a fusão que criou a Via Varejo. No primeiro teste do comércio após a Copa do Mundo, as vendas de Dia dos Pais caíram pela primeira vez em cinco anos. "Se a situação grave que estamos vivenciando nesse ano se aprofundar, janeiro vai ser o mês das dispensas mais numerosas da história do nosso comércio", disse Patah. O ex-presidente do grupo GPA e atual presidente do Conselho de Administração da BRF, Abilio Diniz, também promoveu cortes na maior exportadora de aves do mundo. A tarefa foi cumprida pelo presidente-executivo da empresa, Claudio Galeazzi, apelidado de “mãos de tesoura” pelas demissões que realizou em outras companhias como Lojas Americanas e a fabricante de cerâmicas Cecrisa. Como parte do plano para modernizar operações e aumentar a produção no exterior, a BRF reportou 73 milhões de reais em custos de rescisões no segundo trimestre relacionados a “ajustes no quadro de funcionários”. A construção civil, onde em média foram criados cerca de 200.000 empregos ao ano nos últimos três anos, gerou apenas18.000 vagas nos últimos doze meses. Empreiteiras e construtoras diminuíram o número de novos projetos diante da baixa procura. A regiões com pior desempenho no setor foram Bahia e Pernambuco, onde as empresas já cortaram mais de 14.000 postos neste ano. O lançamento de novos projetos imobiliários no Brasil, importante indicador antecedente de empregos na área, caiu 25% no segundo trimestre sobre um ano antes entre as construtoras e incorporadoras listadas na Bovespa. Mesmo nos setores aos quais Dilma tem oferecido subsídios há anos, a maré está mudando no pior momento possível. As montadoras de veículos, que representam um quinto da produção industrial brasileira e vêm se beneficiando de cortes de impostos e crédito mais barato, reduziram sua mão de obra em quase 5% de janeiro a julho diante do encolhimento da demanda doméstica e da queda das exportações. Empresas como Volkswagen e Peugeot Citroen têm reduzido a produção de carros com férias coletivas e programas de demissão voluntária.

ATAQUE A MESQUITA MATA 64 PESSOAS E PARALISA NEGOCIAÇÕES NO IRAQUE

Um ataque realizado a uma mesquita sunita no Iraque deixou pelo menos 64 pessoas mortas nesta sexta-feira e ainda contribuiu para que fossem interrompidas as negociações entre parlamentares iraquianos para a formação de um novo governo. Indignados com a ação, os representantes sunitas no parlamento abandonaram as conversas. O abandono cria um grande desafio para o primeiro-ministro interino Haider al-Abadi, um xiita que tem se esforçado para criar um governo inclusivo e capaz de confrontar grupos rebeldes. O ataque aconteceu na vila de Imam Wais, cerca de 120 quilômetros a nordeste de Bagdá, capital do país, e, segundo testemunhas, começou com um ato suicida na entrada da mesquita. Em seguida, homens entraram no templo atirando contra aqueles que rezavam. Além das 64 mortes, outras 60 pessoas ficaram feridas. As fontes disseram que terroristas do grupo Estado Islâmico vem tentando convencer integrantes de duas importantes tribos sunitas locais - a Oal-Waisi e a al-Jabour - a juntar-se a eles, mas até agora as tribos têm se recusado. As cidades de Jalula e al-Saadiyah caíram recentemente nas mãos dos militantes do Estado Islâmico, mas Imam Wais continua sob controle do governo. Autoridades de Imam Wais disseram que as forças de segurança iraquianas e milicianos xiitas correram para o local após o ataque para reforçar a segurança na região, mas foram impedidos por bombas plantadas pelos terroristas, medida que permitiu que eles fugissem. Quatro milicianos xiitas foram mortos e treze ficaram feridos pelos explosivos. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, o sacerdote xiita mais influente do Iraque, o grande aiatolá Ali al-Sistani, afirmou que os líderes políticos do país deveriam deixar de lado suas diferenças e se apressar em formar um novo governo, "realista e factível", em meio à insurgência cada vez maior dos sunitas. Ele acresceu que o próximo governo deveria ser formado por candidatos que "realmente se importam com o futuro do país e com seus cidadãos".

MARINA SILVA DIZ TER COMPROMISSO DE SER PRESIDENTE "SÓ POR QUATRO ANOS"

Marina Silva (PSB), candidata à Presidência, disse nesta sexta-feira, 22, que seu compromisso é exercer o mandato presidencial "só por quatro anos" e de que a população precisa de um sinal de que os políticos não querem se perpetuar no poder. A ex-ministra é contra a reeleição e reiterou esse compromisso com dirigentes do PSB. Marina Silva, no entanto, evitou responder se ficará no partido durante todo o mandato, caso ela seja eleita em outubro. Para a candidata, o mandato não pode ser visto como "propriedade dos partidos". "Eu me comprometo a governar o Brasil", afirmou, em entrevista coletiva após reunião da coligação Unidos pelo Brasil, na capital paulista. Marina Silva afirmou que, mesmo como titular da chapa presidencial do PSB, não vai subir nos palanques dos quais já havia decidido não participar antes da morte de Eduardo Campos, na semana passada. "Não vou aos palanques onde já não estava indo", disse Marina, quando questionada especificamente sobre campanhas estaduais do PMDB, como é o caso de Nelson Trad Filho, candidato ao governo de Mato Grosso do Sul. Anteriormente, a candidata havia esclarecido que não estaria em palanques do PT e do PSDB sem citar casos de outras legendas, como o PMDB. "Alguns palanques que foram feitos, como no caso do Mato Grosso e outras realidades, a coordenação da campanha ainda vai se reunir. O certo é que Beto (Albuquerque, candidato a vice) irá suprir a presença de Eduardo junto àquelas candidaturas", disse. Marina Silva disse que nem todos os segmentos do agronegócio vêem como ameaça à relação entre ecologia e economia. "Não trato o agronegócio de forma homogênea", afirmou ao ser questionada sobre a resistência do setor à sua candidatura. A candidata ressaltou a importância do incentivo ao aumento da produtividade no campo, em especial com o uso de novas tecnologias. Ela citou a Embrapa como motor de inovação no agronegócio. "O que queremos é apoiar a agricultura, o aumento da produção pelo aumento da produtividade", disse, durante entrevista coletiva no comitê nacional de campanha em São Paulo. A candidata afirmou que setores econômicos que não doavam para a sua campanha nas eleições de 2010 continuam barrados de fazer contribuições, casos da indústria bélica e do tabaco. "A nossa idéia é passar a mensagem da promoção da saúde e da paz", afirmou.

EMPRESAS SOB SUSPEITA RECEBERAM MAIS DE R$ 6 MILHÕES DE FORNECEDORES DA PETROBRAS

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal suspeitam que Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, recebia ajuda de um sócio do genro para receber propina. Nesta sexta-feira, foi deflagrada a sexta fase da operação Lava Jato, em que Marcelo Barbosa Daniel é o principal investigado. Ele é sócio de Humberto Mesquita, um dos genros de Costa. Daniel comanda empresas que receberam mais de 6 milhões de reais em pagamentos suspeitos feitos por fornecedores da estatal. Com um mandado de condução coercitiva expedido, policiais tentaram interrogar Daniel nesta sexta-feira. Mas ele não foi encontrado. De acordo com os policiais, estava em viagem aos Estados Unidos e comprometeu-se com os agentes a prestar depoimento quando voltar ao Brasil. Empresas ligadas a Costa e seus familiares foram vasculhadas nesta sexta-feira pela Polícia Federal no Rio de Janeiro. Daniel é sócio de Humberto Sampaio de Mesquita, um dos genros de Costa, na Pragmática Consultoria em Gestão, que recebeu, diretamente da Petrobras, 2,5 milhões de reais, como revelou o site de VEJA. O Ministério Público Federal suspeita que as empresas de Daniel tenham sido usadas no esquema para dar uma aparência legítima a pagamentos de propina para o ex-diretor. Algumas das empresas investigadas nesta etapa da operação estavam sediadas no mesmo endereço. Outras tinham como fonte de receita apenas pagamentos de fornecedores da estatal. Das empresas de Daniel, a Verssales Consultoria recebeu, entre 2012 e 2013, 2,5 milhões de reais da construtora Barbosa Mello (CBM), fornecedora da Petrobras. Já a BAS Consultoria recebeu 3,6 milhões de reais da Alusa Engenharia e 1,7 milhão de reais do consórcio Alusa-CBM. Tais pagamentos, agora sob suspeita, são justamente o cerne desta investigação – o Ministério Pública apura se os serviços foram prestados de fato. Transações suspeitas entre Daniel, Mesquita e Costa foram identificadas em análise especial feita pela Receita Federal. Foi comunicado ao Fisco um empréstimo de 1,9 milhão de reais de Daniel a Paulo Roberto Costa em 2013. Não fosse isso o ex-diretor teria apresentado crescimento patrimonial atípico, pelos padrões da Receita Federal. Humberto Sampaio recebeu do sócio uma doação de 1 milhão de reais, também considerada uma tentativa de driblar o Fisco. A Lava Jato foi desencadeada em março para desmontar sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que atingiu o montante de 10 bilhões de reais. A investigação mostra as digitais do doleiro Alberto Youssef em negócios sob suspeita no Ministério da Saúde e na Petrobras. Entre os clientes de Youssef estão as maiores empreiteiras do País, parlamentares notórios e três dos principais partidos do País – PT, PMDB e PP. Para garantirem contratos na Petrobras, as empresas contribuíam para o caixa eleitoral de partidos ou pagavam propina diretamente a políticos. Indicado pelo PP à diretoria de Abastecimento da Petrobras, Costa tinha o poder de decidir quando, como e de quem comprar suprimentos, máquinas e serviços. Youssef, por sua vez, decidia quem poderia vender. Para isso, as empresas candidatas precisavam pagar um pedágio. Em abril, reportagem do site de VEJA revelou que um conjunto de fornecedores, agora sob suspeita, recebeu pelo menos 31,1 bilhões de reais da Petrobras desde 2003 – ano em que o PT assumiu a Presidência da República e passou a interferir diretamente na gestão da estatal. Levantamento feito pelo site de VEJA a partir dos registros oficiais de doações de campanha, revela que, de 2006 a 2012, as empresas e seus diretores agora investigados por participação no esquema destinaram pelo menos 856 milhões de reais para financiar candidaturas.

PAULO ROBERTO COSTA SUBSTITUIU JOSÉ SÉRGIO GABRIELLI NO COMANDO DA PETROBRAS EM 24 VEZES

Preso desde junho e réu em dois processos, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, foi presidente interino da estatal em 24 ocasiões, de 2005 a 2012, período em que a empresa comprou a refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, e no qual ele é acusado de agir em benefício do esquema do doleiro Alberto Youssef. Ao todo, foram 95 dias no cargo. O regimento da Petrobrás dá ao presidente - à época José Sergio Gabrielli - o direito de escolher o substituto. Paulo Roberto Costa só não ficou mais no cargo máximo da Petrobrás do que o ex-diretor de Exploração e Produção Guilherme Estrella, que assumiu a cadeira de Gabrielli 36 vezes e 116 dias. A frequência com que Paulo Roberto Costa era chamado a comandar a estatal contrasta com o depoimento de Gabrielli dado em junho à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobrás. O ex-presidente da estatal negou que Paulo Roberto Costa fosse seu “homem de confiança”. O ex-diretor da Area Internacional, Nestor Cerveró, protagonista na compra da refinaria de Pasadena, ficou seis vezes no cargo. Jorge Zelada, também ex-diretor da Área Internacional, três. Ao lado de Paulo Roberto Costa, os dois são apontados como responsáveis pelos prejuízos causados à estatal em razão da compra da refinaria. Os dados sobre a permanência de diretores na presidência da Petrobrás na gestão Gabrielli foram obtidos pelo Estado via Lei de Acesso a Informação. O executivo também teve bloqueados os bens a pedido do TCU pelos prejuízos da compra de Pasadena. Era ele quem estava à frente da estatal em 16 de novembro de 2005, quando foi assinado o memorando. As negociações para aquisição da refinaria começaram em fevereiro de 2005. Um mês antes, a companhia belga registrara a compra da unidade por US$ 42 milhões. Em agosto, a primeira proposta aprovada pela Petrobrás era de US$ 365 milhões por 70% de participação. No mês seguinte, a Astra exigiu US$ 425 milhões pela mesma cota. Até novembro de 2005, foram nove ausências de Gabrielli por viagens ao Exterior. Paulo Roberto Costa e o diretor financeiro, Almir Barbassa, assumiram a presidência uma vez cada. Estrella ocupou o cargo sete vezes, inclusive no dia da assinatura do memorando de entendimentos com a Astra Oil (empresa da Bélgica) para a compra de 50% da refinaria americana. Estrella, que ao lado de Cerveró e Costa teve os bens bloqueados pelo Tribunal de Contas da União sob suspeita de ter causado prejuízo à Petrobrás em razão de Pasadena, jamais se pronunciou sobre a compra. O acordo previa a aquisição de 50% da refinaria por US$ 365 milhões e indicava a necessidade de reforma para adequá-la ao óleo produzido pela Petrobrás. O negócio foi apresentado à Diretoria Executiva em 2 de fevereiro de 2006. No dia seguinte foi aprovada pelo Conselho de Administração, à época presidido pela hoje presidente da República, Dilma Rousseff. A presidente afirma que só aprovou a compra porque recebeu um resumo “falho” e “incompleto” sobre o negócio. O autor do resumo executivo entregue ao conselho foi Cerveró.

PROCURADORIA APONTA "VERTIGINOSO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL" DE SÓCIOS DE PAULO ROBERTO COSTA

A Procuradoria da República constatou “vertiginoso acréscimo patrimonial” dos sócios do núcleo de empresas de familiares do engenheiro Paulo Roberto Costa, durante o período em que ele ocupou o cargo de diretor de Abastecimento  da Petrobrás, entre 2004 e 2012. Após sua saída da estatal petrolífera, segundo a investigação, verificou-se “decréscimo  de receita” no caixa dessas empresas. Para os investigadores, a chave do segredo da propina na Petrobrás, durante a  gestão de Paulo Roberto Costa, está nessas empresas de seus familiares. São 13 empresas, citadas na quinta etapa da  Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta feira, 22. A Polícia Federal realizou buscas nas 13 empresas desde cedo. Paulo Roberto Costa é o alvo maior da Operação Lava Jato, que desarticulou em março grande esquema de lavagem de dinheiro desviado da Petrobrás. Os federais buscaram documentos, arquivos de computador e balanços contábeis que possam confirmar a suspeita de que essas empresas engordaram o caixa precisamente na época em que Paulo Roberto Costa ostentou poder e influência na estatal  petrolífera. A Procuradoria suspeita que Ariana Azevedo Costa Bachmann, uma das filhas de Paulo Roberto Costa, e o marido dela, Humberto Sampaio Mesquita, mantêm empresas que foram usadas como intermediárias para captação de recursos em favor do ex-diretor da Petrobrás. O casal é réu em ação criminal no âmbito da Lava Jato por envolvimento em destruição e ocultação de documentos. Duas das empresas que sofreram buscas nesta sexta feira, 22, são a Bachmann Representações Ltda e a B&X Consultoria e Assessoria Comercial Ltda, ambas em nome de Arianna Azevedo Costa Bachmann. A primeira recebeu recursos da empresa Estaleiro Atlântico Sul S/A, “esta com contratos milionários com a Petrobrás”. A outra recebeu recursos do Consórcio Confidere Racional “com contratos com a Petrobrás”. Também está sob suspeita o empresário Marcelo Barboza Daniel, amigo de Paulo Roberto Costa. A Polícia Federal fez buscas na residência de Marcelo Barboza, na Avenida Sernambetiba, 3.602, apartamento 603, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Quando prendeu Paulo Roberto Costa, no dia 20 de março, a Polícia Federal encontrou muito dinheiro vivo com ele: US$ 181,49 mil, 10,85 mil euros e R$ 751,4 mil. Para justificar a elevada quantia de dinheiro em espécie que foi apreendida em sua residência, Paulo Roberto Costa alegou, como álibi, ter recebido os valores em empréstimo de Marcelo Barboza. Para os investigadores, a estratégia “pode constituir subterfúgio para lavagem de dinheiro”. Ao se manifestar favoravelmente pelas buscas nas 13 empresas, todas sediadas no Rio de Janeiro, o Ministério Público Federal argumentou: “Em resumo, há suspeitas consistentes de que o núcleo de empresas de Ariana, Humberto e Marcelo eram usadas como intermediárias para o recebimento de recursos em favor de Paulo Roberto, pagos por prestadores de serviços da Petrobrás". “Caso contrário, insiste o Ministério Público, há uma grande série de coincidências implausíveis, como serem os pagadores de tais empresas, coincidentemente, empresas sob influência de Paulo Roberto, e terem os sócios vertiginoso acréscimo patrimonial, havendo decréscimo de receita após a saída de Paulo Roberto da Petrobrás". Os investigadores suspeitam que Paulo Roberto Costa é o verdadeiro controlador de todas as empresas. Seu parceiro, segundo a Polícia Federal, é o doleiro Alberto Youssef, que também está preso. Uma das empresas que sofreu buscas é a Pragmática Consultoria em Gestão Empresarial Ltda, formalmente em nome de Marcelo Barboza e de Humberto Sampaio Mesquita, com contratos com a Petrobrás S/A. Outra empresa em que a Polícia Federal fez buscas nesta sexta feira, 22, é a Costa Global Consultoria e Participações Ltda, de Paulo Roberto Costa e de seus familiares, “com registros informais de valores recebidos de Alberto Youssef, além de contratos milionários entre cliente da Costa Global, a Astromarítima Navegação, e a Petrobrás”. A Verssales Assessoria Empresarial Ltda, de Humberto Sampaio Mesquita, tem entre suas fontes pagadoras empresas como a Construtora Barbosa Mello S/A com contratos com a  Petrobrás. Os investigadores encontraram registros de “estranha doação” de R$ 1milhão de Marcelo Barboza a Humberto  Mesquita, “o que também pode constituir expediente utilizado para justificar fraudulentamente acréscimo patrimonial a descoberto e com origem criminosa”. A Justiça Federal autorizou as buscas, “para colher elementos probatórios a fim de verificar se as empresas seriam mesmo controladas por Paulo Roberto Costa e utilizadas para receber vantagens indevidas provenientes ainda que indiretamente de contratos com a Petrobrás e a fim de verificar se as empresas têm ou não atividade econômica real e se prestaram ou não os serviços para os quais teriam sido contratadas”.
VEJA A RELAÇÃO DE EMPRESAS QUE FORAM ALVO DAS BUSCAS DA POLÍCIA FEDERAL:
1) AGP RECURSOS HUMANOS LTDA. (Avenida das Américas, 500, bloco 22, salas 222 e 243, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro/RJ).
2) A2 AGÊNCIA DE VIAGENS LTDA. (Avenida das Américas, 500, bloco 22, sala 244, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro/RJ
3) WORLD CAP INDÚSTRIA,COMÉRCIO,IMPORTAÇÃOE EXPORTAÇÃODE VESTUÁRIOS LTDA. (Avenida das Américas, 500, bloco 22, sala 222, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro/RJ
4) MR PRAGMATICA LTDA. (Avenida das Américas, 500, bloco 22, sala 222, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro/RJ)
5) PRAGMÁTICA CONSULTORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA (Avenida das Américas, 500, bloco 22, sala 222, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro/RJ)
6) PRAGMÁTICA DESENVOLVIMENTO EMPRESARIAL LTDA. (Avenida das Américas, 500, bloco 22, sala 244, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro/RJ
7) DM3P COMUNICAÇÕES LTDA (Avenida das Américas, 500, bloco 22, sala 222, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro/RJ
8) GRUPO PRAGMÁTICA CONSULTORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA ME (Avenida das Américas, 500, bloco 22, sala 223, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro/RJ
9) COSTA GLOBAL CONSULTORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA. (Rua Flamboyants da Península, 100, bloco 3, salas 912 e 913, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro/RJ
10) VERSSALES ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA (Avenida Flamboyants da Península, 100, bloco 3, sala 1.304, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro/RJ
11) BAS CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. (Avenida Ministro Ivan Lins, 460. Barra da Tijuca, Rio de Janeiro/RJ
12) BACHMANN REPRESENTAÇÕES LTDA (Rua dr. João Cabral de Mello Neto, 350, bloco 1, apartamento 605, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro/RJ
13) B & X CONSULTORIA E ASSESSORIA COMERCIAL LTDA (Estrada Barra da Tijuca, 1006, bloco 2, ap. 806, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro/RJ)

RÉU DA OPERAÇÃO LAVA-JATO LIGA O TESOUREIRO DO PT AO DOLEIRO ALBERTO YOUSSEF

Em um depoimento prestado à Polícia Federal, um dos integrantes do esquema investigado na Operação Lava Jato afirmou que o secretário nacional de finanças do PT, João Vaccari Neto, era um dos contatos de fundos de pensão com a CSA Project Finance Consultoria e Intermediação de Negócios Empresariais, empresa que o doleiro Alberto Youssef usou para lavar 1,16 milhão de reais do Mensalão do PT, segundo a Polícia Federal. Vaccari é tesoureiro do partido desde 2010 e considerado um dos homens mais próximos ao ex-presidente e alcaguete Lula (delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr.) e articulador do ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini. Relatório da Polícia Federal já apontava que o tesoureiro procurou o doleiro na sede de uma das empresas usadas por Youssef. "João Vaccari esteve várias vezes na sede da CSA, possivelmente a fim de tratar de operações com fundos de pensão com Cláudio Mente", relatou o advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, apontado como laranja de Youssef e do ex-deputado federal José Janene (morto em 2010). Preso desde março pela Operção Lava Jato, ex-sócio da CSA Project, situada em São Paulo, decidiu colaborar espontaneamente com as investigações em troca de eventual benefício judicial. Ele é réu em duas ações penais, uma sobre remessas fraudulentas do laboratório Labogen para o Exterior, outra de lavagem de dinheiro de Janene por investimentos em uma empresa paranaense. Carlos Alberto foi ouvido no dia 15 na Superintendência Regional da Polícia Federal no Paraná. A Polícia Federal, em outro documento, diz haver indício de que Vaccari estaria intermediando negócios de fundos de pensão com a CSA e uma outra empresa ligada ao doleiro, a GFD Investimentos. Vaccari é réu em ação criminal sobre desvio de 70 milhões de reais da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop). O Ministério Público o denunciou por formação de quadrilha, estelionato e lavagem de dinheiro. O colaborador disse que dirigentes da Petros, fundo de pensão da Petrobras, receberam propina para que o fundo fizesse um investimento de interesse do grupo de Youssef, acusado de chefiar esquema bilionário de lavagem de dinheiro. Segundo ele, o ex-gerente de Novos Negócios da Petros, Humberto Pires Grault, foi um dos beneficiários de 500.000 reais, que teriam sido pagos como "comissão" para que o fundo de pensão adquirisse, entre 2005 e 2006, uma cédula de crédito bancário de 13 milhões de reais. Grault é ligado ao PT, partido que o indicou ao cargo. A CSA Project, segundo disse, foi responsável pelo contrato com a Petros. A cédula adquirida pelo fundo de pensão referia-se a créditos que a Indústria Metais do Vale (IMV) teria a receber de outra empresa, a Siderúrgica de Barra Mansa (SBM), por um projeto de ferro-gusa. Carlos Alberto disse que um saque de 500 mil da IMV foi usado para fazer pagamentos em espécie aos que participaram do negócio. Além de Grault, teriam recebido parte desse dinheiro Cláudio Mente, da CSA, além de funcionários da Petros. Ele contou ter sido informado por Mente que, no fundo de pensão, "seriam beneficiados Humberto Grault e o diretor que estaria acima dele na estrutura da empresa". Disse que não se recorda do nome do outro suposto beneficiário. Carlos Alberto relata várias operações ilícitas de empreiteiras com o doleiro Youssef, entre elas contratos sem prestação de serviços. "Em 2012 ou 2013 viajaram a Hong Kong Matheus de Oliveira, Leonardo Meirelles e João Procópio a fim de resolver problemas ligados a abertura de contas; recorda-se de terem sido feito contratos entre a GFD e as empresas Mendes Junior, Sanko e Engevix, também visando transferências financeiras, sem qualquer prestação de serviços". O advogado contou ainda ter sido informado de que Youssef se apropriou de recursos de Janene no Exterior. Relatou que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, também preso pela Lava Jato, era recebido por Janene "em seu apartamento". Segundo ele, Adarico Negromonte, irmão do ex-ministro das Cidades, Mário Negromonte, atuava como um dos agentes que faziam transporte de dinheiro para operações do doleiro no Exterior. "Em determinada oportunidade os dois foram para o Peru levar dinheiro em espécie", afirmou.

POLÍCIA FEDERAL FEZ BUSCAS EM EMPRESAS LIGADAS A EX-DIRETOR DA PETROBRAS

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira a sexta fase da Operação Lava Jato - desta vez, os alvos são empresas vinculadas ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e a seus familiares. Foram expedidos onze mandados de busca e apreensão e um de condução coercitiva. O mandado de condução foi para Marcelo Barboza Daniel, sócio do genro de Paulo Roberto em uma consultoria. Ele está fora do País, mas já se colocou à disposição para prestar esclarecimentos. Todos os mandados foram cumpridos no Rio de Janeiro. As medidas foram requeridas ao juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR) pelos integrantes da Força Tarefa do Ministério Público Federal, em trabalho conjunto com a Polícia Federal. A operação Lava Jato foi desencadeada em março para desmontar sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que atingiu o montante de 10 bilhões de reais. A investigação mostra as digitais do doleiro Alberto Youssef em negócios sob suspeita no Ministério da Saúde e na Petrobras. Entre os clientes de Youssef estão as maiores empreiteiras do País, parlamentares notórios e três dos principais partidos do País – PT, PMDB e PP. Para garantirem contratos na Petrobras, as empresas contribuíam para o caixa eleitoral de partidos ou pagavam propina diretamente a políticos. Indicado pelo PP à diretoria de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa tinha o poder de decidir quando, como e de quem comprar suprimentos, máquinas e serviços. Youssef, por sua vez, decidia quem poderia vender. Para isso, as empresas candidatas precisavam pagar um pedágio. Os mandados cumpridos servirão para apurar suspeitas de envolvimento do grupo criminoso em contratos da Petrobras. A Polícia Federal constatou que várias das empresas investigadas são sediadas no mesmo endereço, e algumas só recebiam pagamentos de fornecedores da Petrobras, o que levou o Ministério Público a desconfiar que fossem apenas canais por meio dos quais Paulo Roberto Costa recebia dinheiro de propina. Em abril, reportagem do site de VEJA revelou que um conjunto de fornecedores, agora sob suspeita, recebeu pelo menos 31,1 bilhões de reais da Petrobras desde 2003 – ano em que o PT assumiu a Presidência da República e passou a interferir diretamente na gestão da estatal. Levantamento feito pelo site de VEJA a partir dos registros oficiais de doações de campanha, revela que, de 2006 a 2012, as empresas e seus diretores agora investigados por participação no esquema destinaram pelo menos 856 milhões de reais para financiar candidaturas.

MARINA, O DISCURSO DO ÓDIO À POLÍTICA, O PROGRAMA NAZISTA E A LEI DE GODWIN

Ai, ai, ai… Vamos lá: conheço, sim, a Lei de Godwin, cuja síntese poderia ser esta: “Apelou ao nazismo, perdeu”. Segundo o advogado Mike Godwin, num debate esganiçado, a probabilidade de alguém fazer uma analogia com o nazismo ou Hitler é igual a 1 — ou seja, de 100%. Fazê-lo, diz, significa não ter mais argumentos. Huuumm… O que não me falta — o arquivo está aí — são argumentos para contestar as ideias, ou o que seja o que ela diz, de Marina. Mas não será Godwin a me impedir de evidenciar que certas ideias têm paternidade. Ora se têm!

Querem ver?
Leio (post anterior) que, indagada sobre se permaneceria ou não no PSB, Marina, como sempre, não respondeu o que lhe foi perguntado e se saiu com esta:
“Eu me comprometo a governar o Brasil, nós não devemos tratar o presidente como propriedade de um partido. A sociedade está dizendo que quer se apropriar da política. E as lideranças políticas precisam entender que o Estado não é o partido, e o Estado não é o governo”.
Então tá. Em 1920, o Partido Nazista lançou em Munique o seu programa-manifesto com 25 itens — a maioria das propostas, diga-se, era de esquerda. Lê-se no item 6:“O direito de decidir sobre o governo e a legislação do Estado só pode pertencer ao cidadão. Por conseguinte, exigimos que toda função pública, seja ela qual for, tanto ao nível do Reich como do Land ou da comuna, só possa ser ocupada por quem é cidadão. Combatemos o sistema parlamentar corruptor por atribuir postos unicamente em virtude de um ponto de vista de partido, sem consideração do mérito nem da aptidão.”
É inescapável constatar que a pegada é, sim, a mesma: prega-se, o que parece bom num primeiro momento, a apropriação do estado pela “sociedade” — no caso de Marina — ou pelo “cidadão”, no caso dos nazistas. Em ambos, notem, há um repúdio à política, aos partidos, às instituições tradicionais da democracia.
“Está chamando Marina de nazista?” Não! Se eu achasse, chamaria. Estou, isto sim, evidenciando, com um exemplo histórico, que ela tem uma visão autoritária da política, embora simule o contrário — como, aliás, simulavam os nazistas. Isso quer dizer que, se ela for eleita, vai tentar fundar um partido nazista? A pergunta é, obviamente, ridícula. Mas quer dizer que, dada a fala, vai tentar governar acima dos partidos, o que nunca deu certo no Brasil e em nenhum lugar do mundo.
Figuras como ela, diga-se, só se robustecem quando instituições vivem uma fase de descrédito. Há os que tentam recuperar o prestígio desses entes para que a sociedade continue a avançar no caminho da democracia representativa. E há os que exploram a crise, buscando aprofundá-la, em benefício de seu próprio projeto de poder.
Eu acho que Marina é do segundo tipo. É isso aí. Godwin não vai me impedir de dizer o que tem de ser dito. Por Reinaldo Azevedo

BETO ALBUQUERQUE DIZ QUE PSB ACOMPANHA INVESTIGAÇÕES

O candidato à vice-Presidência pelo PSB, Beto Albuquerque, disse nesta sexta-feira que o partido continua atrás de informações que possam esclarecer as causas da queda do jato Cessna 560XL, prefixo PR-AFA, que matou o candidato Eduardo Campos e outras seis pessoas no último dia 13. "Continuamos atrás das informações de como esse avião caiu em primeiro lugar. Isso para nós é a pauta principal", afirmou, ao dizer que ainda não há conclusão técnica sobre a tragédia.
Sobre uma eventual irregularidade na contratação da aeronave pela campanha, Beto Albuquerque afirmou que a direção do PSB vai dar explicações sobre o assunto. Segundo as leis eleitorais, Eduardo Campos não poderia usar o jato que caiu em Santos. A aeronave estaria registrada em nome da AF Andrade, grupo de usineiros sediado em Ribeirão Preto (SP), mas uma empresa só pode doar para campanhas produto ou serviço relacionado a suas atividades fins. Além disso, os gastos com o jato não foram incluídos na primeira prestação de contas do PSB ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "Estávamos muito certos de que havia uma doação presumida nesse caso", disse. "A direção do partido haverá de dar todas as explicações. Não temos ainda a informação necessária, mas o presidente do partido Roberto Amaral tem as informações para esclarecimento", disse Albuquerque, durante entrevista coletiva no comitê nacional de campanha, em São Paulo.

DILMA NEGA QUE ATOS DE CAMPANHA ATRAPALHEM TRABALHO

A presidente da República, Dilma Rousseff, negou nesta sexta-feira que os atos de campanha atrapalhem o trabalho como governante. "A minha ação como presidente passa por olhar obras", disse nesta sexta-feira em visita à estação Fenac do Trensurb, na região metropolitana de Porto Alegre, em Novo Hamburgo. Segundo ela, antes sua agenda combinava tarefas de gestão com eventos para a entrega de obras nas cidades. "Agora aproveito meu tempo como candidata para fazer duas coisas, faço supervisão das obras, fiscalizo as obras. Você sabe aquela frase célebre, 'O olho do dono engorda o boi'... Se tiver alguma coisa errada, eu como presidenta vou ver". Dilma afirmou que o País tem obras de dimensões muito variadas, cada uma com suas particularidades, e citou a visita que fez na quinta-feira ao projeto de interligação da bacia do São Francisco. "Eu olho essas obras, olho hidrelétricas, e além disso recebo e participo de todos os atos de governo", comentou: "Porque estamos numa época bendita, a tecnologia permite que se acompanhe tudo o que você quiser em tempo real. Você passa a ser múltiplo". A presidente também disse que o Brasil passou muito tempo sem investir em mobilidade urbana: "Não se investia de forma planejada em metrô nem em outros transportes sobre trilhos. E não se pensava em como integrar tudo isso, tendo em vista uma passagem mais barata. Nós começamos a fazer isso no final do governo Lula, quando começamos a ter mais recursos para investir. Mas isso só ganhou um corpo agora no meu governo". De acordo com a presidente, o governo federal destinou R$ 93 bilhões à mobilidade urbana na primeira parte do seu mandato e outros R$ 50 bilhões após os protestos de junho do ano passado. "Uma das grandes reivindicações (das manifestações) era mobilidade urbana", falou. Ela também destacou que foi investido quase R$ 1 bilhão só na ampliação da malha de trem urbano da região metropolitana de Porto Alegre, para completar o trecho entre as cidades de São Leopoldo e Novo Hamburgo.

PAULO ROBERTO COSTA DECIDE FAZER DELAÇÃO PREMIADA

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, decidiu fazer delação premiada. Acuado, na iminência de sofrer uma sucessão de condenações como réu da Operação Lava Jato, Paulo Roberto Costa considera que não tem a menor chance de sair da prisão tão cedo. Ele quer preservar seus familiares, que também se tornaram alvos da Lava Jato. Ele se reuniu nesta sexta feira, 22, com a advogada criminalista Beatriz Catta Preta, na Superintendência Regional da Polícia Federal no Paraná. Beatriz Catta Preta é especialista na condução de delações premiadas. O acordo de delação de Paulo Roberto ainda precisa ser homologado pela Justiça Federal e submetido ao Ministério Público Federal. O acordo traz as condições, inclusive o benefício que o acusado poderá receber. Paulo Roberto Costa não fez ainda nenhum depoimento. Mas já adiantou que se falar o que sabe muitos políticos poderão ser incriminados.

DILMA AFIRMA QUE NÃO VAI ACABAR COM FATOR PREVIDENCIÁRIO SE FOR REELEITA

A presidente Dilma Rousseff, que concorre à reeleição, disse nesta sexta-feira que não pretende rever a fórmula de cálculo para benefícios previdenciários, conhecida como fator previdenciário, uma antiga demanda das centrais sindicais. "Não vou acabar com o fator previdenciário no segundo mandato e nem tratei dessa questão", afirmou a presidente em Novo Hamburgo (RS), após visitar o sistema de trens urbanos. A fórmula leva em conta o tempo de contribuição, a idade da pessoa que se aposentou e a expectativa de vida da população. O método é criticado pelas centrais, que consideram que o uso da expectativa de vida reduz o valor do benefício. "Acho que qualquer mudança na Previdência tem que levar em conta a forma pela qual há o envelhecimento da população brasileira", argumentou a presidente. Sem isso, segundo ela, mudar "é uma temeridade." "Acho que quem falar que vai acabar com fator previdenciário tem que falar como é que paga os benefícios", disse Dilma. A petista também criticou, sem citar nominalmente, a proposta da candidatura do PSB, que sugere a redução da meta de inflação para 3 por cento ao longo dos próximos quatro anos. Hoje a meta de inflação é de 4,5 por cento, podendo oscilar numa banda de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. A inflação acumulada em 12 meses no país tem batido no teto da meta. "É impossível você falar que 'vou reduzir a meta de inflação' e não explicar o que faz com os programas sociais, porque quem falar para vocês que vai reduzir a meta de inflação, no dia seguinte tem que cortar programa social", argumentou Dilma. Dilma voltou a defender a gestão econômica do governo frente à crise mundial e disse que é normal haver uma redução no ritmo da geração de emprego nesse momento. Apesar de ainda baixo para os níveis históricos, o desemprego tem se alastrado nesse momento eleitoral por vários setores da economia, e a geração da vagas formais tem sido a mais baixa dos últimos anos. "É obvio que nós não vamos manter a mesma geração de emprego que nós mantínhamos logo no início, quando saímos do desemprego e começamos a crescer", argumentou a presidente. "No Brasil não tem situação de desemprego... É óbvio que tem uso eleitoral dos processos de flutuação", disse.

DILMA AFIRMA QUE NÃO VAI ACABAR COM FATOR PREVIDENCIÁRIO SE FOR REELEITA

A presidente Dilma Rousseff, que concorre à reeleição, disse nesta sexta-feira que não pretende rever a fórmula de cálculo para benefícios previdenciários, conhecida como fator previdenciário, uma antiga demanda das centrais sindicais. "Não vou acabar com o fator previdenciário no segundo mandato e nem tratei dessa questão", afirmou a presidente em Novo Hamburgo (RS), após visitar o sistema de trens urbanos. A fórmula leva em conta o tempo de contribuição, a idade da pessoa que se aposentou e a expectativa de vida da população. O método é criticado pelas centrais, que consideram que o uso da expectativa de vida reduz o valor do benefício. "Acho que qualquer mudança na Previdência tem que levar em conta a forma pela qual há o envelhecimento da população brasileira", argumentou a presidente. Sem isso, segundo ela, mudar "é uma temeridade." "Acho que quem falar que vai acabar com fator previdenciário tem que falar como é que paga os benefícios", disse Dilma. A petista também criticou, sem citar nominalmente, a proposta da candidatura do PSB, que sugere a redução da meta de inflação para 3 por cento ao longo dos próximos quatro anos. Hoje a meta de inflação é de 4,5 por cento, podendo oscilar numa banda de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. A inflação acumulada em 12 meses no país tem batido no teto da meta. "É impossível você falar que 'vou reduzir a meta de inflação' e não explicar o que faz com os programas sociais, porque quem falar para vocês que vai reduzir a meta de inflação, no dia seguinte tem que cortar programa social", argumentou Dilma. Dilma voltou a defender a gestão econômica do governo frente à crise mundial e disse que é normal haver uma redução no ritmo da geração de emprego nesse momento. Apesar de ainda baixo para os níveis históricos, o desemprego tem se alastrado nesse momento eleitoral por vários setores da economia, e a geração da vagas formais tem sido a mais baixa dos últimos anos. "É obvio que nós não vamos manter a mesma geração de emprego que nós mantínhamos logo no início, quando saímos do desemprego e começamos a crescer", argumentou a presidente. "No Brasil não tem situação de desemprego... É óbvio que tem uso eleitoral dos processos de flutuação", disse.

STF DECIDE APURAR RELAÇÃO DE COLLOR COM DOLEIRO YOUSSEF

Na VEJA.com:

O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu inquérito para investigar a ligação entre o senador Fernando Collor (PTB-AL) e o doleiro Alberto Youssef, pivô do bilionário esquema de corrupção desarticulado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Agentes encontraram no escritório do doleiro, durante ação de busca e apreensão, oito comprovantes de depósitos bancários em nome de Collor. Os depósitos, feitos no intervalo de três dias, em maio de 2013, somam 50.000 reais. Em entrevista a VEJA, a contadora de Youssef Meire Poza afirma que os depósitos foram feitos a pedido de Pedro Paulo Leoni Ramos (ex-auxiliar do senador e também envolvido com o doleiro). A apuração, determinada pelo ministro Teori Zavascki, é aberta quatro meses depois de Collor ser absolvido no Supremo da última ação a que respondia em razão das acusações que levaram ao seu impeachment, em 1992. A Justiça Federal do Paraná foi o órgão que solicitou a abertura do inquérito. O questionamento foi remetido ao STF porque Collor, como senador, tem direito a foro privilegiado. No dia 26 de maio, na tribuna do Senado, Collor negou ter qualquer relação com o doleiro. “Posso afirmar de modo categórico que não o conheço e jamais mantive com ele qualquer relacionamento pessoal ou político”, afirmou. No pronunciamento de 18 minutos, ele não negou ter recebido os depósitos de Youssef, nem esclareceu os motivos da transferência.

RÉU LIGAR TESOUREIRO DO PT A GRUPO DO DOLEIRO ALBERTO YOUSSEF

Por Andreza Matais e Fabio Fabrini, no Estadão:

Num depoimento prestado à Polícia Federal, um dos integrantes do esquema investigado na Operação Lava Jato afirmou que o secretário nacional de finanças do PT, João Vaccari Neto, ligado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, era um dos contatos de fundos de pensão com a CSA Project Finance Consultoria e Intermediação de Negócios Empresariais, empresa que o doleiro Alberto Youssef usou para lavar R$ 1,16 milhão do Mensalão, segundo a Polícia Federal.
“João Vaccari esteve várias vezes na sede da CSA, possivelmente a fim de tratar de operações com fundos de pensão com Cláudio Mente”, relatou o advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, apontado como laranja de Youssef e do ex-deputado José Janene (moto em 2010).
Preso desde março pela Lava Jato, ex-sócio da CSA Project, situada em São Paulo, decidiu colaborar espontaneamente com as investigações em troca de eventual benefício judicial. Ele é réu em duas ações penais, uma sobre supostas remessas fraudulentas do laboratório Labogen para o exterior, outra de lavagem de dinheiro de Janene por investimentos em uma empresa paranaense.
Carlos Alberto foi ouvido no dia 15 na Superintendência Regional da PF no Paraná. A PF, em outro documento, diz haver indício de que Vaccari estaria intermediando negócios de fundos de pensão com a CSA e uma outra empresa ligada ao doleiro, a GFD Investimentos.
Vaccari é réu em ação criminal sobre suposto desvio de R$ 70 milhões da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop). O Ministério Público o denunciou por formação de quadrilha, estelionato e lavagem de dinheiro. O colaborador disse que dirigentes da Petros, fundo de pensão da Petrobrás, receberam propina para que o fundo fizesse um investimento de interesse do grupo de Youssef, acusado de chefiar esquema bilionário de lavagem de dinheiro.
Segundo ele, o ex-gerente de Novos Negócios do Petros Humberto Pires Grault foi um dos beneficiários de R$ 500 mil, que teriam sido pagos como “comissão” para que o fundo de pensão adquirisse, entre 2005 e 2006, uma cédula de crédito bancário de R$ 13 milhões. Grault é ligado ao PT, partido que o teria indicado ao cargo.
A CSA Project, segundo disse, foi responsável pelo contrato com a Petros. A cédula adquirida pelo fundo de pensão referia-se a créditos que a Indústria Metais do Vale (IMV) teria a receber de outra empresa, a Siderúrgica de Barra Mansa (SBM), por um projeto de ferro-gusa. Carlos Alberto disse que um saque de R$ 500 mil da IMV foi usado para fazer pagamentos em espécie aos que participaram do negócio. Além de Grault, teriam recebido parte desse dinheiro Cláudio Mente, da CSA, além de funcionários da Petros.
Ele contou ter sido informado por Mente que, no fundo de pensão, “seriam beneficiados Humberto Grault e o diretor que estaria acima dele na estrutura da empresa”. Disse que não se recorda do nome do outro suposto beneficiário. 

"PSB PERDEU SEU PROTAGONISTA. E DEVE RESPEITAR MARINA", DIZ CANDIDATO A VICE

“PSB perdeu seu protagonista. E deve respeitar Marina”, diz candidato a vice

Por Marcela Mattos, na VEJA.COMFiliado ao PSB desde 1986, o deputado gaúcho Beto Albuquerque, de 51 anos, foi escolhido pelo partido para integrar a chapa de Marina Silva ao Planalto como candidato a vice porque preenchia importantes requisitos para a vaga: além de ter sido braço-direito de Eduardo Campos, morto em acidente aéreo na semana passada, tem boa relação com a nova candidata da sigla – que, já é possível perceber diante das baixas na equipe de campanha, está longe de ser unanimidade no PSB. As divergências entre os socialistas e Marina foram escancaradas nesta quinta-feira, com a saída de dois importantes nomes da sigla da campanha presidencial: o secretário-geral do partido, Carlos Siqueira, e o coordenador de mobilização Milton Coelho preferiram abandonar o projeto a lidar com a ascensão da ex-senadora no partido. Ex-coordenador-geral da campanha, Siqueira não só deixou o cargo como o fez disparando pesada artilharia contra Marina.
Diante do racha interno, Beto Albuquerque não se diz surpreso: “Quando nos coligamos com a Rede [grupo político de Marina], sabíamos que eles programaticamente têm restrições a doações. Sabíamos que eles não seriam PSB e que não concordavam com alguns palanques”, afirma. E minimiza a saída dos colegas: “Esses cargos intermediários de assessoramento não são mais importantes do que a campanha. Se as pessoas não quiserem ficar, outros assumirão as tarefas. Assessor não disputa eleição”, disse. Além do papel de conciliador, Albuquerque funcionará na campanha como “fiador” de Marina junto ao agronegócio, o deputado tem bom trânsito entre empresas de celulose e produtores de cereais gaúchos.  Confira a seguir a entrevista de Albuquerque ao site de VEJA:
O senhor tem uma longa trajetória na política gaúcha, mas é desconhecido no âmbito nacional. O que acredita que pode agregar à campanha de Marina?Eu coordenei toda a pré-campanha de Eduardo Campos, andamos muitos Estados brasileiros desde 2012, visitamos vários setores produtivos, participamos de vários debates nacionais. A um candidato a vice-presidente cabe, acima de tudo, ser discreto, fazer pontes e não imaginar que o vice deva ser maior que o candidato à Presidência. Vou agregar por meus compromissos. Tenho causas que dialogam com o país todo e vou contribuir sendo um companheiro leal, fiel e zeloso a Marina.
O senhor também vai assumir a função de pedir votos em palanques nos quais Marina não vai subir, como Rio de Janeiro e São Paulo. Nesses Estados, como pretende pedir votos para a Marina sem a presença dela?  
Nos Estados somos um partido forte e organizado. Vou representar a Marina onde ela não puder ir com a presença da chapa majoritária, que vai estar sempre em atividades que o partido vai organizar. A política é feita pelo esforço dos partidos coligados. O vice tem de cumprir a tarefa de representação, de substituir a candidata, que é a Marina.
Dois influentes integrantes do partido – Carlos Siqueira e Milton Coelho – deixaram a campanha no primeiro dia após a oficialização de Marina. Como o senhor analisa essa debandada?Não existe debandada. O PSB deliberou por unanimidade a chapa Marina-Beto. Cargos intermediários de assessoramento não são mais importantes do que a campanha. Se as pessoas não quiserem ficar, outros assumirão as tarefas. Acho que se está fazendo uma tempestade em copo d’água. Não vamos ficar parados discutindo crise de assessorias. Vamos tratar da campanha.
Nos bastidores, fala-se em uma disputa de egos entre o PSB e o grupo de Marina. O senhor concorda?Assessor não disputa eleição. Quem disputa a eleição são os candidatos. Não se pode querer disputar alguma coisa se não se é candidato.
A Ambev doou para a campanha de Campos, mas a Rede, que agora está à frente do comitê de finanças, não aceita doações de alguns setores, como os de bebida, tabaco, armamento e agrotóxicos. O senhor concorda com esses vetos?Para o PSB, a única proibição de doação é de dinheiro ilícito ou de fonte ilegal. As responsabilidades com a campanha são agora de Marina e assim será. Quem tem a responsabilidade de fazer as coisas funcionarem é a Rede, que tem a candidatura dentro do PSB. A coordenação de arrecadação tem de pertencer à candidatura presidencial. Se eles têm esses limites, paciência. Nós vamos ter de arrumar recursos de outros setores. Campanha sem dinheiro não é possível fazer.
O senhor recebeu doações de empresas ligadas ao agronegócio. Se Marina exigisse, deixaria de recebê-las?Eu não tenho por que captar recursos. Sou candidato a vice. A candidatura presidencial e seu comitê financeiro têm de fazer isso. Se não querem recursos de quem temos contato, a gente não pede. Eu não vejo nenhum problema em uma empresa de armazenagem de grãos ou de reserva de sementes contribuir com a campanha. Agora, se não pode, não se pedirá para esses setores. Mas eu não vejo razões para proibir esse tipo de contribuição.
O senhor não acha que o partido está cedendo demais às imposições de Marina?Marina é a candidata. Nós concordamos que ela estaria dentro do PSB. Os critérios dela precisam ser respeitados. O nosso candidato a presidente, infelizmente, morreu. Ele era o nosso protagonista. Mas a Marina era a vice do Eduardo e era natural que ela o substituísse. Não há nada que esteja acontecendo e que não sabíamos que ocorreria. Temos de compreender a dinâmica da Marina, o pensamento da Rede e conviver com eles. Quando nos coligamos com a Rede, sabíamos que eles programaticamente têm restrições a doações, sabíamos que eles não seriam PSB, que não concordavam com alguns palanques. Para nós não há nenhuma surpresa.
Como analisa as contradições entre o senhor e Marina? Em relação ao agronegócio, causas ambientais…Nós nos completamos. Eu votei a favor da liberação da soja transgênica, eu sou a favor da ciência, da inovação e da tecnologia, mas quem editou essa medida provisória foi o presidente da República. Eu não tenho medo de inovação, da tecnologia e de avanços. Ninguém é obrigado a consumir produtos transgênicos, está tudo identificado nos produtos. Eu não me sinto em contradição com Marina em relação ao que ela pensa e tenho certeza de que não estou em contradição. Em 2005, relatei a concessão de florestas públicas, que era um projeto dela. Eu consegui aprovar esse projeto em menos de um ano. Nós temos coisas em comum e nos completamos.
Passada a comoção da morte de Campos, o que esperar das pesquisas de intenção de voto?Marina vai continuar crescendo. A morte de Eduardo não foi em vão, ela despertou na sociedade o interesse pelas coisas que estão acontecendo no país. Há um movimento muito grande de mudança no Brasil e acho que isso foi despertado, infelizmente, pela morte do Eduardo. As pessoas estão mais mobilizadas e eu tenho convicção de que Marina vai crescer muito nesse próximo período.
Chegar ao Planalto era uma pretensão do senhor?Não. Nós hoje somos fruto de uma tragédia. Eu era candidato ao Senado. Obviamente, sempre tive vontade de avançar – já tinha tomado a decisão de não ser candidato à reeleição na Câmara. Queria ir para frente. O Senado já era um desafio e agora a vice-presidência da República é um desafio muito maior, que vamos encarar com muita motivação para ajudar a mudar o Brasil.
Por Reinaldo Azevedo

DILMA E SUPLICY USAM O "POVO COMO FARSA" EM SUAS RESPECTIVAS CAMPANHAS ELEITORAIS

Sempre desconfiei — e vocês podem achar esta observação no arquivo deste blog — que haveria o momento em que alguns políticos brasileiros teriam a ideia de trocar de povo, tornando-o, vamos dizer, mais à altura de suas respectivas grandezas. Dois episódios que vieram a público nesta sexta são mesmo do balacobaco. Segundo informa a Folha, a trabalhadora rural Marinalva Gomes Filha, 46, da zona rural de Paulo Afonso, na Bahia, ganhou uma prótese dentária um dia antes de gravar imagens para o horário eleitoral gratuito da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, que vem a ser, sim, a presidente Dilma. No programa, Dona Nalvinha diz: “Tudo o que tenho aqui foi Dilma que deu”. E isso incluía a prótese com os dois dentes da frente.

Não foi só isso. Uma semana antes da chegada da presidente, o fogão a lenha de Dona Nalvinha foi ampliado pela ONG Agendha, que tem convênio com o governo da Bahia, também do PT. Por enquanto, ela é a única que recebeu o benefício. O ex-presidente Lula acompanhava a atual presidente à visita. Emocionada, a mulher afirmou que ele era um “pai” dos pobres, e Dilma, a “mãe”.
Eis aí: é preciso dar uma maquiada no povo para que ele não apareça como é. Um país que cresce menos de 1% ao ano, que tem uma inflação de 6,5%, juros de 11% e que deve crescer pouco mais de 1% em 2015 tem mesmo é de distribuir suas migalhas para que os humildes caiam de joelhos diante dos poderosos, gratos pela prótese dentária, por um fogãozinho a lenha, por uma cisterna. “Melhor fazer isso do que não fazer”, diria alguém. Sem dúvida. O nefasto populismo sempre se alimentou dessa frase. Não ocorre a essa gente que melhor é um país que se desenvolve, que cresce, para que as pessoas provejam o próprio sustento e não dependam da caridade de políticos que querem o seu voto.
Longe de Paulo Afonso, na Bahia, numa região bem mais desenvolvida, Eduardo Suplicy, que concorre ao quarto mandato ao Senado — ele já está lá há 24 anos e quer ficar 32 —, gravava o seu programa da propaganda eleitoral gratuita. Segundo informa o Estadão, supostos eleitores da rua dão depoimentos exaltando suas qualidades e o muito que ele teria feito por São Paulo — até agora, de verdade, ninguém conseguiu descobrir o quê. Nesse caso, a piada já vem pronta. Na era do povo maquiado, uma das que aparecem no vídeo dizendo como ele é um cara batuta é a própria maquiadora do estúdio. A mulher mandou ver: “Quando você pensa num político honesto, qual é o primeiro nome que vem na cabeça? É o Suplicy”. Não bastou: também foi convidado a falar o operador de áudio, que se fingiu de “povo popular”, como dizia o Casseta&Planeta. Resume: “Senador Eduardo Suplicy. Nele eu confio”.
Num caso, o povo de verdade passa antes por uma arrumada para ir à televisão despejar suas lágrimas de humilde agradecimento aos “nhonhôs”. No outro, funcionários da campanha fingem o que não são para que Suplicy possa passar por aquilo que não é. Ah, sim: a campanha de Suplicy também roubou o slogan usado por Serra em 2010: “Esse cara é do bem”. O ainda senador diz ter consciência da apropriação, mas afirma que seu marqueteiro diz que o lema tem mais a ver com ele. Entendi: Suplicy fundou o “MSS”, o Movimento dos Sem-Slogan. Então ele toma o alheio.
Uma reforma política séria passaria pelo fim do horário eleitoral gratuito, um absurdo que custa aos cofres públicos quase R$ 1 bilhão em ano eleitoral e que não passa de uma pantomima ridícula, destinada a enganar os desinformados e os pobres. Por Reinaldo Azevedo