segunda-feira, 25 de agosto de 2014

ESTADÃO ANTECIPA RESULTADO DE PESQUISA IBOPE E DIZ QUE MARINA SILVA SURFA "ONDA DE PROPORÇÕES HAVAIANAS"

Há data e hora marcados para todo mundo ficar sabendo o que a turma diferenciada já vislumbrou desde suas coberturas: a candidatura de Marina Silva (PSB) está surfando uma onda de opinião pública de proporções havaianas. Será nesta terça-feira, às 18 horas, quanto o Estadao.com divulgar a pesquisa Ibope que está em campo. O que ninguém sabe é quão longe a onda vai chegar. Por força da legislação eleitoral, o eleitor indiferenciado só tem acesso às pesquisas registradas pelos institutos. A divulgação dos números de pesquisas não registradas e das sondagens telefônicas diárias é punível com multa alta pela Justiça eleitoral - para jornal, jornalista e instituto. A lei provocou um oligopólio informativo dos mais excludentes. Uma quantidade anormal de pesquisas foi encomendada mas não divulgada desde a morte de Eduardo Campos e a assunção de Marina Silva. Só candidatos, partidos e operadores do mercado financeiro já conhecem os resultados - e estão assombrados. As mudanças são diárias e na mesma direção. Indicam uma tendência que vai além do impacto emocional provocado pela morte de Eduardo Campos e de seus auxiliares. A tragédia foi o despertador do público para a eleição, mas não só. Também catalisou um sentimento difuso de insatisfação com a política, com a polarização PT x PSDB.

PSDB QUER SABER POR QUE O MINISTRO PETISTA DA JUSTIÇA ABAFOU DEPOIMENTO DE MARCOS VALÉRIO QUE RESSUSCITA O CASO CELSO DANIEL

O líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Antônio Imbassahy (BA), vai pedir explicações ao ministro da Justiça, o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo, sobre as providências adotadas pelo órgão após depoimento de 2012 do empresário Marcos Valério, condenado no processo do Mensalão do PT. Na ocasião, Marcos Valério afirmou que dirigentes do PT pediram a ele R$ 6 milhões que seriam destinados ao empresário Ronan Maria Pinto. Segundo o depoimento de Marcos Valério, em 2012, o dinheiro serviria para encerrar suposta chantagem sobre o ex-presidente e alcaguete Lula (delatava companheiros para o Dops paulista, durante a ditadura militar), o então secretário da Presidência, Gilberto Carvalho, e o então ministro da Casa Civil, José Dirceu. Por meio de nota, o PSDB informou que pedirá requerimento de informações, dia 25, por meio da Lei de Acesso à Informação, questionando detalhes sobre as medidas adotadas após a denúncia.

CLÃ ESPÍRITO SANTO TOMOU EMPRÉSTIMOS DE ÚLTIMA HORA EM 2014

O império corporativo da família portuguesa Espírito Santo emitiu 5 bilhões de euros (6,6 bilhões de dólares) em nova dívida nos seis primeiros meses de 2014, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, justo quando os negócios do clã estavam se aproximando da falência. Os títulos foram vendidos através de um complexo esquema transatlântico envolvendo companhias no Panamá e na Europa, disseram as pessoas. Grande parte da dívida acabou ficando com o Banco Espírito Santo e seus clientes, acrescentaram as fontes, acelerando os problemas financeiros que levaram ao resgate estatal do banco no começo deste mês. O esquema de empréstimos de última hora está sendo examinado por reguladores financeiros de Portugal que tentam determinar se ele era permitido legalmente, segundo pessoas próximas à averiguação. Isso lança nova luz sobre até onde a maior dinastia corporativa de Portugal foi para salvar seu império do colapso, misturando assuntos da família com assuntos do então maior banco listado do país, no qual até recentemente o clã era o maior acionista único. O colapso do grupo Espírito Santo, com 145 anos de existência, causou turbulência nos mercados internacionais e balançou o mundo corporativo e político de Portugal. Reguladores e promotores estão averiguando possíveis comportamentos fraudulentos por trás da queda.

SITE DE LULA EXALTA COMBATE À CORRUPÇÃO NOS GOVERNOS DO PT, MAS IGNORA MENSALÃO

Lançado há duas semanas para mostrar o que considera a verdade não divulgada pela mídia sobre os avanços dos governos petistas, o site Brasil da Mudança, do Instituto Lula, postou nesta segunda-feira, 25, um novo texto no qual exalta o combate à corrupção das gestões do ex-presidente e alcaguete Lula (delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr.), mas ignora o escândalo do mensalão. O artigo sustenta que, pela primeira vez na história, o combate à corrupção se tornou uma "ação permanente do Estado". A postagem não faz qualquer referência ao escândalo de compra de apoio político no Congresso durante o primeiro mandato do governo Lula. Em 2013, oito anos após ter vindo à tona, começaram a cumprir pena de prisão, após condenação do Supremo Tribunal Federal (STF), importantes lideranças petistas, como o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, o ex-presidente do partido, José Genoino, e o ex-tesoureiro da legenda, Delúbio Soares.

ISRAEL TOMA MEDIDAS PARA PROTEGER SUA ECONOMIA

Ataques aéreos israelenses mataram pelo menos nove palestinos na Faixa de Gaza e militantes mantiveram o disparo de foguetes pela fronteira nesta segunda-feira, e Israel agiu para proteger a sua economia contra os efeitos de uma guerra já em sua sétima semana. Em meio aos esforços do Egito para mediar uma trégua duradoura, o Banco de Israel reduziu sua taxa básica de juros para 0,25%, a menor de sua história, por medo de que o conflito desacelere o crescimento econômico do país. Ao anunciar o corte, o banco afirmou ser cedo demais para verificar com precisão qual será o impacto do conflito no crescimento econômico, mas que a guerra pode diminuir em meio ponto percentual o Produto Interno Bruto (PIB), previsto para 2,9% em 2014, já que o turismo e o consumo estão sendo afetados. Moradores de Gaza relataram ter recebido novas mensagens gravadas em seus celulares e telefones fixos dizendo que Israel irá mirar qualquer casa usada para “ataques terroristas” e aconselhando civis a abandonarem áreas usadas pelos militantes. A gravação terminava com as palavras: "Aos líderes do Hamas e aos moradores de Gaza, a batalha está em andamento e vocês foram avisados”. Aeronaves israelenses atacaram quatro residências na cidade de Beit Lahiya próxima da fronteira com Israel, matando duas mulheres e uma criança. Moradores disseram que um membro do grupo terrorista Hamas vivia no local.

MARINA SILVA DIZ QUE PSB DARÁ EXPLICAÇÕES SOBRE USO DO JATINHO ATÉ ESTA TERÇA-FEIRA

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, disse que as dúvidas envolvendo a propriedade do avião que caiu matando o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, têm que ser esclarecidas e prometeu explicações do partido sobre o assunto até esta terça-feira. "Nós temos a preocupação de que todos os esclarecimentos sejam dados. Tanto quanto as razões do acidente, quanto do ponto de vista legal. Esse é o esforço que o partido está fazendo, com o senso de responsabilidade que temos que ter numa questão como essa", disse a candidata em evento em São Paulo, nesta segunda-feira. Há dúvidas sobre quem financiou a compra do jato executivo Cessna 560XL, que caiu no dia 13 de agosto matando Campos e mais seis pessoas, em Santos, no litoral paulista.

PT SUSPENDE VEREADOR ACUSADO DE MATAR TORCEDOR DO PALMEIRAS

O PT anunciou nesta segunda-feira que a Comissão Executiva do diretório estadual da legenda decidiu, por unanimidade, suspender por 60 dias Raimundo Cesar Faustino por suspeita de envolvimento na briga entre torcedores ocorrida em Franco da Rocha no último dia 17 e que terminou com a morte do palmeirense Gilberto Torres Pereira, de 31 anos. Conhecido com Capá, Faustino é vereador em Francisco Morato e candidato a deputado estadual. Com a suspensão, ele está impedido de participar da campanha do partido e não aparecerá no horário eleitoral gratuito na TV e no rádio. Capá chegou a apresentar a sua defesa ao PT, mas não convenceu os integrantes da Executiva sobre a sua participação na briga. “Os indícios que existem hoje são suficientes para a suspensão. Não temos tolerância para violência e não vamos compactuar com qualquer tipo de agressão”, disse o presidente estadual do PT, Emidio de Souza. #13MATA

ALOYSIO NUNES FERREIRA CLASSIFICA MARINA SILVA COMO INCÓGNITA E DIZ QUE SUA CANDIDATURA É "UM ESTADO DE ESPÍRITO"

O senador pelo PSDB de São Paulo e vice na chapa presidencial de Aécio Neves, Aloysio Nunes Ferreira, disse nesta segunda-feira, 25, que nem ele nem Aécio estão "aterrorizados" com a entrada de Marina Silva como cabeça de chapa do PSB nesta corrida presidencial no lugar do ex-governador Eduardo Campos, morto em acidente aéreo em Santos. Para ele, Marina Silva é uma incógnita e sua candidatura, um "estado de espírito", enquanto a de seu correligionário não é de improviso, foi elaborada com cuidado, tem força política e capacidade de juntar os melhores aliados em torno das propostas para o Brasil. Na avaliação de Aloysio Nunes Ferreira, agora a corrida presidencial tem três candidaturas competitivas: além de Aécio e Marina, a da presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff. Mesmo assim, ele não aposta que a candidata do PSB vá ameaçar a ida dos tucanos ao segundo turno.

CNBB DIZ QUE CONVITE PARA REUNIÃO FOI FEITO POR DILMA ROUSSEFF

Ao chegar ao Palácio do Planalto para uma audiência com a presidente Dilma Rousseff, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno, disse que foi atender a um convite dela, feito na semana passada. Por esse motivo, disse, não sabia qual o tema da conversa. Dom Damasceno informou que dia 16 de setembro todos os presidenciáveis já confirmaram presença no debate da CNBB. Essa é uma instituição privada, que não fala pela Igreja Católica, e tampouco representa os católicos brasileiros, porque é uma entidade política, muito aderente ao PT. Por essa razão é também chamada de Conferência Nacional dos Bispos Bolivarianos. O Arcebispo já se reuniu com os outros presidenciáveis. "São sempre conversas muito interessantes, com propósito de servir o País. Este é o propósito, eu creio, de todos eles" , disse ele.

JANOT SE POSICIONA CONTRA A TRANSFERÊNCIA DE ROBERTO JEFFERSON

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, opinou que o ex-deputado federal Roberto Jefferson deve permanecer preso no Rio de Janeiro. Em parecer encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, Janot posicionou-se contra o pedido para que Jefferson seja transferido para prisão domiciliar. Para tentar convencer o Supremo, os advogados do ex-parlamentar sustentam que o sistema carcerário não oferece os cuidados nutricionais e higiênicos minimamente necessários à sobrevivência de Roberto Jefferson. Vítima de um câncer, o ex-congressista teve de ser submetido a cirurgia em órgãos do sistema digestivo e, segundo a defesa, precisa de acompanhamento médico e nutricional. Conforme Janot, não há nenhum impedimento para que os suprimentos necessários a Jefferson sejam fornecidos pelo Estado ou pelos familiares do ex-deputado.

DEPUTADO MARCIO FRANÇA AVISA QUE MARINA SILVA VIRÁ "AVASSALADORA" NA PESQUISA DO IBOPE

O coordenador financeiro da campanha de Marina Silva, deputado Márcio França, disse na tarde desta segunda-feira, 25, que pesquisas internas mostram um resultado "avassalador" em favor da candidata do PSB. De acordo com ele, a pesquisa Ibope que será divulgada nesta terça-feira, 26, mostrará que Marina Silva é uma das favoritas na corrida presidencial. "Para quem era uma zebra, eu acho que hoje a Marina é favorita", disse o coordenador, ao chegar para acompanhar o debate promovido pelo SBT com os candidatos ao governo de São Paulo. França é candidato a vice na chapa do tucano Geraldo Alckmin (PSDB). França não respondeu qual é o patamar "avassalador" em que Marina deve aparecer nesta terça-feira, mas disse que os "números são muito fortes". "Os números que a gente tem de pesquisas internas, que o Ibope vai revelar amanhã (dia 26), são avassaladores. Vai ter que se acostumar a um outro patamar", disse.

EMPRESAS LIGADAS A PAULO ROBERTO COSTA FICAM EM CONDOMÍNIOS DE LUXO

Duas das 13 empresas ligadas ao ex-diretor da Petrobras. Paulo Roberto Costa, que foram vasculhadas pela Polícia Federal na sexta-feira, 22, ficam em endereços residenciais. As sedes de todas as empresas, alvo da quinta fase da operação Lava Jato, ficam em prédios da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro: seja em condomínios de escritórios ou residenciais, a maior parte de luxo. Nesta segunda-feira, 25, nenhuma delas estava aberta. Registrada em nome da mulher de Paulo Roberto Costa, Marici, e de uma das filhas do casal, Arianna Azevedo Costa Bachmann, a Bachmann Representações Ltda tem seu endereço em um condomínio domiciliar de alto poder aquisitivo. A empresa, segundo a Procuradoria da República, recebeu recursos da companhia Estaleiro Atlântico Sul S/A, "esta com contratos milionários com a Petrobras". Na portaria do prédio que consta como sede da Bachmann nada se sabe da existência da empresa. "O apartamento está em nome de Sheryl e Jarred", disse o porteiro, ao consultar a relação com os nomes dos condôminos, sem revelar os sobrenomes. Os dois primeiros nomes, entretanto, não constam na composição societária da empresa. Situação semelhante acontece com a B&X Consultoria e Assessoria Comercial Ltda, que segundo a Procuradoria recebeu recursos do Consórcio Confidere Racional, que tem "contratos com a Petrobras". O endereço da empresa fica também em um condomínio de apartamentos na Barra, onde segundo funcionários mora um casal, "Fernando e Cristina" - ambos também não listados nas composições societárias das demais empresas que foram vasculhadas pela Polícia Federal na Sexta-feira. O endereço da BAS Consultoria Empresarial é ainda mais enigmático: a cobertura de um prédio comercial de dois andares na Avenida Ministro Ivan Lins, onde funcionam somente duas empresas: uma agência de publicidade e uma imobiliária. Em ambas, funcionários disseram desconhecer a BAS, cujos proprietários são Bruno Cesar Schmitt da Silva e Antonio Severino da Silva. Dos 13 endereços vasculhados na sexta-feira, oito ficam no mesmo lugar: três salas no mesmo bloco do shopping Downtown, na Barra da Tijuca, que conta também com escritórios. As salas, que constam como sede das oito empresas, estavam trancadas nesta segunda-feira. Os nomes não aparecem na relação que fica na recepção do prédio, mas, na porta da principal sala há o logotipo do "Grupo Pragmática", que tinha como principal sócio Marcelo Barboza Daniel, parceiro comercial de um dos genros de Costa, Humberto Mesquita, que também é sócio da Pragmática Consultoria em Gestão Empresarial Ltda. A consultoria aberta por Paulo Roberto Costa após deixar a Petrobras, em 2012, Costa Global, fica no mesmo prédio que a Versalles Assessoria Empresarial, do genro Humberto, ambas em um luxuoso condomínio de escritórios na Barra. Nesta segunda, segundo funcionários do prédio, ninguém havia aparecido para trabalhar às 12h20.

RECIFE PODE TER NOVA GREVE DE MOTORISTAS DE ÔNIBUS NESTA QUARTA-FEIRA

O Sindicato dos Rodoviários do Grande Recife entrou nesta segunda-feira (25) com recurso no Tribunal Superior do Trabalho contra a liminar concedida pelo ministro Barros Levenhagen suspendendo o aumento de 10% nos salários de motoristas e cobradores e de 75% no vale alimentação. Depois de uma paralisação pela manhã e uma passeata à tarde, o secretário-geral do sindicato da categoria, Josival Costa, informou que a frota de ônibus estará normalmente nas ruas nesta terça-feira (26). A direção do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE) reafirmou nesta segunda-feira não ter condição financeira para arcar com o aumento reivindicado pela categoria. "Então abram os cofres para provar isto", reagiu Costa. Os motoristas, cobradores e fiscais do transporte coletivo do Grande Recife fizeram três dias de greve, no final de julho, encerrada depois de conseguirem o atendimento às reivindicações, na Justiça do Trabalho. O pleno do TRT-PE determinou reajuste de 10% nos salários e de 75% no vale alimentação. A classe patronal oferecia 6% de aumento linear - salários e benefícios.

ALCKMIN SANCIONARÁ LEI QUE PROÍBE MÁSCARA EM PROTESTO

O governador e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou durante debate promovido na tarde desta segunda-feira pelo SBT que é contra qualquer tipo de máscara em manifestações. "Uma coisa é manifestação outra são atos de violência. As manifestações ano passado contra o dinheiro público na Copa e o Estado não colocou um centavo em estádio de futebol. Outra coisa é baderna e a polícia de São Paulo é firme sobre isto", afirmou Alckmin. O candidato ao PMDB, Paulo Skaf, foi o escolhido para comentar a resposta de Alckmin e provocou o governador dizendo que ele não foi claro se sancionaria ou não a lei que proíbe os mascarados. "O senhor não respondeu a pergunta sobre a lei. Eu quero dizer que se fosse governador assinaria na hora a lei", afirmou Skaf. Alckmin retrucou: "Deixei claríssimo que a lei será sancionada. Isto é obvio". O governador ainda rebateu Skaf e disse que ele "fala muito sobre segurança pública". "É bom lembrar que assumimos o governo vindo do partido dele. Na época do Fleury a polícia não tinha dinheiro para gasolina", disse.

VAZAMENTO PARALISA CALDEIRA A VAPOR DA REDUC

Um vazamento paralisou uma das cinco caldeiras a vapor da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), da Petrobras. O acidente aconteceu uma semana após um trabalhador morrer de queimaduras sofridas em uma refinaria da estatal em Manaus. O presidente do Sindicato dos Petroleiros de Caxias, Simão Zanardi, informa que a caldeira levará cerca de 60 dias para ser consertada. Nesta segunda-feira, o Mistério do Trabalho esteve na refinaria para debater a situação de segurança na unidade. Em nota, a Petrobras esclareceu que o vazamento de vapor ocorreu no domingo em um tubo externo da caldeira SG1201. No mesmo dia, revelou Zanardi, a Reduc precisou, por motivo de segurança, evacuar trabalhadores que atuavam na manutenção da caldeira, equipamento que ajuda a fornecer calor e outras energias à refinaria. Apesar dos incidentes, o sindicalista explica que a produção da refinaria ainda não está comprometida. Com capacidade para processar cerca de 240 mil barris de petróleo por dia, a Reduc é a quarta maior refinaria do País.

REFINARIA DE PASADENA REGISTRA LUCRO DE US$ 73 MILHÕES NO PRIMEIRO SEMESTRE

A Petrobras informou nesta segunda-feira que a Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, registrou lucro de US$ 73 milhões no primeiro semestre de 2014. O resultado diverge do valor informado originalmente, como "superior a US$ 90 milhões", conforme a subsidiária Petrobras America Inc. havia registrado em seu balanço. Segundo a companhia, o valor foi "revisto" pela subsidiária. No balanço do segundo trimestre da companhia, publicado no último dia 8, a companhia não havia informado os resultados da refinaria. O documento cita apenas uma alta de 8% no processamento de óleo no Exterior, em relação ao primeiro trimestre de 2014. "O crescimento da produção de óleo não convencional (tight oil) nos Estados Unidos trouxe competitividade às refinarias para óleo leve do Golfo do México. A refinaria de Pasadena vem processando este ''tight oil'' e assim obteve lucro líquido de cerca de US$ 73 milhões no primeiro semestre de 2014", informou a estatal em comunicado divulgado nesta segunda-feira pela assessoria de imprensa. A Petrobras informou também que investe, anualmente, cerca de US$ 85 milhões desde 2006 para manutenção da unidade. A estatal preparou um extenso comunicado detalhando todo o histórico da compra de Pasadena, que é alvo de investigação de duas CPIs no Congresso, além de uma condenação do Tribunal de Contas da União. O tribunal apontou prejuízo de US$ 793 milhões com a compra da unidade e determinou o bloqueio de bens dos integrantes da diretoria da empresa à época. Na próxima quarta-feira, o TCU julgará se também a atual presidente, Graça Foster, será responsabilizada pelo prejuízo e terá seus bens bloqueados. Na última semana, revelou-se que a executiva e o ex-diretor da área Internacional, Nestor Cerveró, transferiram parte dos bens para familiares entre março e junho, antes da decisão de bloqueio pelo TCU.

DILMA DIZ QUE TODOS OS CANDIDATOS DEVEM PRESTAR EXPLICAÇÕES SOBRE TUDO

A presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira que todos os candidatos têm que responder sobre tudo, ao ser perguntada sobre se a candidata do PSB, Marina Silva, deveria falar sobre as questões levantadas em torno do avião que caiu matando Eduardo Campos. Após o acidente que matou o então candidato do PSB à Presidência e mais seis pessoas no dia 13 de agosto surgiram dúvidas sobre a propriedade e financiamento para a compra do jato executivo Cessna 560XL.
"Eu não estou acompanhando isso porque não é objeto do meu mais profundo interesse", disse a presidente nesta segunda, no Palácio da Alvorada. "Agora, eu acredito que nós que somos candidatos inexoravelmente temos que dar explicação de tudo", disse. "Candidato a qualquer cargo eletivo, principalmente a presidente da República está sujeito a ser perguntado sobre qualquer questão e deve responder", salientou, sem mencionar diretamente Marina Silva, que era vice na chapa de Campos e agora é a candidata do PSB.

ALVARO DIAS TEM 64% NA DISPUTA PELO SENADO FEDERAL NO PARANÁ CONFORME PESQUISA IBOPE

Pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira (25) aponta que Alvaro Dias (PSDB) tem 64% das intenções de voto para o Senado no Paraná. Ricardo Gomyde (PCdoB), tem 4%, Marcelo Almeida (PMDB) tem 2%. Luiz Barbara (PTC) e Professor Piva (PSOL) têm 1% cada. Os candidatos Adilson Senador da Família (PRTB), Castagna (PSTU) e Mauri Viana (PRP), somaram, juntos, 1%. Veja os números do Ibope para a pesquisa estimulada (em que a relação dos candidatos é apresentada ao entrevistado):
Alvaro Dias (PSDB) – 64% das intenções de voto
Ricardo Gomyde (PC do B) – 4%
Marcelo Almeida (PMDB) – 2%
Luiz Barbara (PTC) – 1%
Professor Piva (PSOL) – 1%
Outros com menos de 1% - 1%
Brancos e nulos - 12%
Não sabe ou não respondeu - 15%
A pesquisa foi realizada entre os dias 21 e 23 de agosto. Foram entrevistados 1.008 eleitores em 59 municípios do estado. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%, o que quer dizer que, se levada em conta a margem de erro de três pontos para mais ou para menos, a probabilidade de o resultado retratar a realidade é de 95%.

SERVIÇO SECRETO BRITÂNICO CONFIRMA IDENTIFICA TERRORISTA EXECUTOR DO JORNALISTA AMERICANO

Os serviços secretos do Reino Unido já tem praticamente confirmada a identidade do terrorista jihadista de sotaque britânico suspeito da execução do jornalista norte-americano James Foley. O MI5 (serviços secretos internos britânicos) e o MI6 (serviços secretos externos britânicos) informaram que o jihadista de origem britânica é conhecido por outros extremistas como “Jihadi John”. Apesar das fontes oficiais não fornecerem detalhes sobre o acusado, o The Sunday Times diz que um dos principais suspeitos é Abdel-Majed Abdel Bary, um “rapper” de 23 anos que abandonou a casa da família no bairro londrino de Maida Vale, na zona oeste da capital britânica, no ano passado. Abdel-Majed Abdel Bary postou recentemente na rede social Twitter uma fotografia dele segurando uma cabeça decepada. O ministro dos Negócios Estrangeiros britânicos, Philip Hammond, afirmou que o jihadista de origem britânica envolvido na execução de Foley representa uma “absoluta traição” dos valores do país. Hammond disse que o Governo britânico investe “recursos significativos” para erradicar, segundo a sua descrição, uma “barbárie ideológica” que pode representar uma ameaça para o Reino Unido. Ao longo dos últimos anos vários jovens britânicos tem sido recrutados por extremistas islâmicos. O chefe da diplomacia britânica afirmou, como outros membros do executivo de Londres, que a “ameaça” procedente da Síria e do Iraque poderá durar uma geração. “É horrível pensar que o autor deste ato atroz poderá ter sido educado no Reino Unido”, disse Philip Hammond, que acrescentou que este comportamento “é uma completa traição” ao país e dos “valores e de tudo o que os cidadãos britânicos defendem”. Jihadistas do Estado Islâmico, um grupo sunita ultrarradical que controla partes do Iraque e da Síria, divulgaram na quarta-feira (20) um vídeo da execução de James Foley. No vídeo intitulado “Mensagem para a América”, o Estado Islâmico ameaçava matar um outro refém norte-americano, Steven Sotloff, em represália pelos ataques aéreos dos Estados Unidos a posições dos seus combatentes no norte do Iraque. James Foley, de 40 anos, era um repórter experiente que tinha feito a cobertura do conflito na Líbia antes de ir para a Síria, onde acompanhou a revolta contra o regime de Bashar al-Assad para o portal norte-americano GlobalPost, agência France Press e outros órgãos de comunicação. Ainda sobre a identidade do suspeito, jornais da Inglaterra disseram que Barry é filho de um militante de origem egípcia que é acusado pela justiça norte-americana da autoria de ataques terroristas contra as embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia em 1998. O pai de Abdel-Majed Abdel Bary está aguardando julgamento em Nova Iorque.

PEDRO SIMON DIZ QUE ACEITOU CONCORRER À REELEIÇÃO PARA AJUDAR MARINA SILVA

O senador Pedro Simon disse na tarde desta segunda-feira, em Porto Alegre, que tentará a reeleição. Ele afirmou que sua maior motivação ao aceitar os apelos do partido é ajudar na eleição de Marina Silva (PSB) a presidente da República. Simon já havia desistido de concorrer em 2014, mas tinha intenção de percorrer o País para atender a pedidos para palestras e debater o futuro brasileiro. Com a morte de Eduardo Campos e a confirmação da candidatura de Marina Silva, de quem é admirador, mudou seus planos. Ele contou que acabou sendo "coagido" pelo partido a participar da campanha depois que outros nomes da legenda descartaram disputar a vaga ao Senado. É uma piada. Qualquer um que conheça minimamente a história de Pedro Simon sabe que ele construiu esta situação. O sonho dele é ser eleito sem precisar sair de casa, ter uma espécie de unção do eleitorado. O senador, de 84 anos, disse que sua saúde está bem, mas que não poderá percorrer longos roteiros de campanha pelo interior sem fazer pausas para descanso.

ANTONIO ERMÍRIO É ENTERRADO EM SÃO PAULO

O empresário Antônio Ermírio de Moraes foi enterrado em São Paulo, na tarde desta segunda-feira, no Cemitério do Morumbi. Fundador de um dos maiores conglomerados empresariais do Brasil, o Votorantim, Antônio Ermírio morreu durante a noite de domingo em sua casa, na capital paulista, aos 86 anos, vítima de insuficiência cardíaca. O empresário sofria de Alzheimer e estava afastado da empresa desde a década de 2000. Ele deixa a mulher, Maria Regina Costa de Moraes, com quem teve nove filhos — dois morreram em decorrência de câncer. O preferido do empresário para sucedê-lo no grupo, Carlos Ermírio de Moraes, morreu em 2011. Dois anos antes, o empresário havia perdido Mário Ermírio de Moraes. O presidente do Conselho de Administração, hoje, é o executivo de confiança da família, Raul Calfat. Dono de um dos mais tradicionais grupos industriais do Brasil, Antônio Ermírio de Moraes sempre figurou em posições destacadas nas listas anuais das maiores fortunas do País – e às vezes até do mundo. No último levantamento da Forbes, o empresário ocupava a 9ª colocação no ranking de bilionários brasileiros, com uma fortuna estimada em 3,1 bilhões de dólares. Em 2013, o grupo Votorantim auferiu lucro de 230 milhões de reais. Apesar das cifras, o empresário tinha um estilo de vida frugal e era conhecido pela dedicação intensa ao trabalho e o hobby de dirigir automóveis antigos. Antônio Ermírio assumiu a liderança da empresa ao lado do irmão, José Ermírio, em 1973, após a morte do pai. Em quase três décadas à frente do conglomerado, que atua nos setores metalúrgico, de cimento, papel e celulose, o empresário manteve o estilo de gestão conservador, avesso a riscos, criado pelo pai, o que o permitiu sobreviveu a graves crises econômicas, consolidando a posição do grupo como um dos principais do País. Ao mesmo tempo, tornou-se a maior liderança empresarial do Brasil: uma referência de sucesso e boa gestão a seus pares e uma das vozes mais ouvidas e respeitadas no debate público sobre o progresso nacional. Crítico ferrenho da burocracia estatal e dos obstáculos colocados pelo governo ao crescimento das empresas, Antônio Ermírio se orgulhava de dizer que seu grupo nunca tinha sido favorecido pelo poder. "Se tivéssemos colocado nossas fichas em governos, já teríamos fechado as portas”, disse ele. Para ele, não existia uma fórmula mágica para um negócio – ou a economia de um país – prosperar. "O fundamental é seguir a lógica, o bom senso, e ouvir as boas cabeças que você tem na empresa. Não existem truques", pregava. Um entusiasta do empreendedorismo, Antônio Ermírio também era uma das vozes contrárias a medidas assistencialistas do governo, como deixou claro em entrevista a VEJA em novembro de 2003, ao final do primeiro ano de Lula no poder. "Acho péssimo quando vejo que a prioridade do governo é dar esmola, e não acabar com os entraves à criação de empregos", disparou. Nascido em 4 de junho de 1928, em São Paulo, Antônio Ermírio cursou engenharia metalúrgica no Colorado. Ao voltar para o Brasil, em 1949, teve como primeiro emprego um estágio não remunerado na Siderúrgica Barra Mansa, uma das empresas da família. Em 1955, foi o responsável pela instalação da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA). Já na liderança do Grupo Votorantim, resolveu se aventurar na política, contra as recomendações de seu falecido pai, e concorreu ao governo de São Paulo, em 1986. Derrotado por Orestes Quércia, do PMDB, terminou em segundo lugar, com mais de 3,6 milhões de votos. Depois disso, só voltou a se envolver em política para declarar apoio a candidatos, como fez com José Serra na disputa contra Lula, em 2002. Seguindo a tradição de grandes bilionários e empreendedores americanos, também dedicou boa parte de sua vida à filantropia, contribuindo com a Sociedade Beneficência Portuguesa e a Cruz Vermelha.

MARINA SILVA - MUITO AVIÃO PARA POUCO SENTIDO

A campanha de Marina Silva à Presidência começa a assumir uma dimensão um tanto perigosa. Ela se desenvolve em zonas de sombra, em que nada é muito claro, em que nada pode ser visto à luz do sol. Dos aviões que serviram ao PSB ao conteúdo do programa, tudo é ambíguo, incerto, sujeito a remendos. Será esse o melhor conteúdo para a chamada nova política? Basta que dois cardeais do marinismo façam acenos aos chamados “mercados” para que tudo fique no lugar?

Acho que não.
Mais um avião estranho surgiu na campanha do PSB. A Polícia Federal já investiga se o jato Cessna Citation 560 XLS, que caiu matando Eduardo Campos e mais seis pessoas, pertencia à Bandeirantes Companhia de Pneus Ltda. Agora, há outro jatinho suspeito: um Learjet 45, prefixo PP-ASV, que Campos usou no dia 20 de maio, em visita a Feira de Santana, na Bahia. Este sim está registrado na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em nome da Bandeirantes, que tem sede em Pernambuco. O dono da empresa é Apolo Santa Vieira. Pelo registro na Anac, o Learjet 45 foi financiado pela Bandeirantes. Como foi comprado por leasing, enquanto a empresa não terminar de pagá-lo, pertence ao Bank of Utah Trustee.
Apolo Vieira é réu em um processo por sonegação fiscal na importação de pneus, via porto de Suape (PE), que gerou um prejuízo de R$ 100 milhões de reais aos cofres públicos. Sua antiga empresa, a Alpha Pneus, recorre em segunda instância. A Bandeirantes foi criada em 2004, em Jaboatão dos Guararapes (PE), e funciona em um galpão de médio porte.
E o que diz Marina Silva a respeito? Nada! Até agora, o PSB não conseguiu encontrar uma explicação para o primeiro jatinho. Também nada disse a respeito do segundo. Parece evidente que estamos diante de um caso escancarado de doação irregular de recursos para campanha — o chamado caixa dois, que pode resultar em cassação de candidatura e de mandato, a depender da fase em que se conclua o processo.
Não é só isso que Marina tem de explicar. Documento da Rede, que é seu real partido, defende o Decreto 8.243, aquele dos conselhos populares, e vai mais longe e prega o “controle social” da atividade política e defende que se criem “instâncias próprias para o exercício de pressão, supervisão, intervenção, reclamo e responsabilização”. Na aparência, parece bacaninha; na essência, pode não se distinguir de uma prática fascistoide.
Neste domingo, Marina negou a tentação totalitária e coisa e tal. O fato é que tudo, reitero, se desenvolve em zonas de sombra. Se não sabemos quem pagava os jatinhos do PSB, tampouco sabemos o real pensamento de Marina. Infelizmente, a imprensa brasileira, com raras exceções, tem usado para ela um critério bem mais manso e relaxado do que o empregado com os outros candidatos.
Uma eleição não pode ser determinada por um voo cego. É preciso que tudo seja debatido às claras. Por Reinaldo Azevedo

MARFRIG CONFIRMA A DEMISSÃO DE 630 TRABALHADORES NO FRIGORÍFICO DE ALEGRETE

Apesar dos esforços de trabalhadores e políticos, a planta industrial da Marfrig em Alegrete será mesmo fechada no dia 1º de setembro, segundo confirmou neste final de semana o grupo paulista. Os 630 empregados serão demitidos. Em nota, a Marfrig avisou que a decisão faz parte da "dinâmica do negócio" e tem a ver com "a retração do mercado interno", o que a obrigou a concentrar as atividades em Bagé e São Gabriel. Esta semana será tentado adiamento das demissões até que um novo grupo empresarial possa assumir o negócio.

MARINA SILVA ENSAIA RECUO E DIZ QUE SEU PROGRAMA VAI VALORIZAR AS INSTITUIÇÕES

Dividindo o segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos com o tucano Aécio Neves e com chances reais de chegar ao segundo turno da corrida presidencial, a candidata do PSB ao Planalto, Marina Silva, afirmou neste domingo, em São Paulo, que o seu programa de governo, a ser lançado na sexta-feira, pretende “valorizar as instituições”. “O nosso documento fala em aprofundar a democracia. Aprofundar a democracia significa a valorização das instituições e que essas instituições e as representações políticas possam estar ligadas à sociedade brasileira”, disse a ex-ministra do Meio Ambiente, que, durante duas horas, fez campanha no Centro de Tradições Nordestinas.

A declaração foi uma reação à reportagem publicada ontem pelo Estado que revelou o conteúdo do programa em discussão da campanha. O texto preliminar da candidatura do PSB fala na criação de mecanismos para ampliar o “controle social” da atividade política. Diz que é necessário criar “instâncias próprias para o exercício de pressão, supervisão, intervenção, reclamo e responsabilização”.
Conselhos
O texto defende a Política Nacional de Participação Social, instituída por decreto pela presidente Dilma Rousseff. O decreto orienta órgãos do governo federal a criar conselhos com participação da sociedade civil e movimentos sociais a fim de acompanhar a criação e execução de políticas públicas. A medida sofreu resistência no Congresso. Os críticos veem na iniciativa uma maneira de “aparelhar o Estado” e tirar prerrogativas de fiscalização dos parlamentares.
Marina, quando era vice de Eduardo Campos, morto no dia 13 em um acidente aéreo, chegou a defender publicamente o decreto de Dilma. Neste domingo, evitou dizer se a defesa do decreto será de fato colocada no papel. “O documento a que tiveram acesso não é o documento que eu e o Eduardo revisamos. Então, não posso falar de coisas que não são do documento oficial da campanha”, afirmou a candidata do PSB.
Já o líder do PSB na Câmara dos Deputados e candidato a vice, Beto Albuquerque, foi mais explícito e sugeriu uma alteração de posicionamento entre a Marina candidata a vice e à Presidência. “A proposta de Dilma é diferente. Eu sou deputado e você não pode me dizer que vai ter controle social sem me dizer quem vai controlar o eleito, isso é muito perigoso.” (…) Por Reinaldo Azevedo

EDUARDO CAMPOS USOU OUTRO JATINHO DE EMPRESÁRIO INVESTIGADO

Na VEJA.com: Uma das empresas investigadas na compra do jato Cessna Citation 560 XLS, que caiu matando o candidato a presidente pelo PSB, Eduardo Campos, e outras seis pessoas, a Bandeirantes Companhia de Pneus Ltda. tem em seu nome outra aeronave que, em maio, foi usada pelo ex-governador de Pernambuco durante visita de pré-campanha na Bahia. Trata-se do Learjet 45, prefixo PP-ASV, que Eduardo Campos usou no dia 20 de maio, em visita a Feira de Santana. Em fotografia tirada pela imprensa durante sua chegada é possível ver a aeronave. De acordo com a Resolução 23.406, do Tribunal Superior Eleitoral, a aeronave que caiu no último dia 13 não poderia ser utilizada na campanha por estar em nome da AF Andrade, de usineiros de Ribeirão Preto (SP). A legislação só permitiria que o jato fosse usado na campanha como doação se a AF Andrade atuasse no ramo de táxis aéreos. Além de Eduardo Campos, Marina Silva também utilizou o avião em atividades de campanha. Mais modesto que o Citation 560 XLS, o avião biorreator usado pelo candidato naquele dia está registrado na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em nome da Bandeirantes, que tem sede em Pernambuco, e pertence a Apolo Santa Vieira. Pelo registro na Anac, o Learjet 45 foi financiado pela Bandeirantes. Como foi comprado por leasing, enquanto a empresa não terminar de pagá-lo, pertence ao Bank of Utah Trustee. Apolo Santa Vieira é um dos três empresários pernambucanos investigados pela Polícia Federal como supostos laranjas na negociação de arrendamento do Citation, que caiu em Santos (SP). A aeronave está em nome da AF Andrade, que está em recuperação judicial. Em maio, o empresário pernambucano João Carlos Lyra de Melo Filho assinou compromisso de compra da aeronave e indicou as empresas Bandeirantes e BR Par para assumir dívidas junto à Cesnna. Agentes da Polícia Federal, com auxílio da Receita Federal, tentam identificar de onde veio o dinheiro para a Bandeirantes Pneus, uma importadora e recuperadora de pneus, comprar o Learjet e o Citation. Por meio de nota, a empresa informou que tentou assumir o leasing do Citation (que vale 8,5 milhões de dólares), mas que a compra não se efetivou. A AF Andrade informou que já havia recebido parte das parcelas. No sábado, o candidato a vice de Marina Silva, deputado Beto Albuquerque, tergiversou ao tratar do assunto: “Nós queremos saber, e ainda não foi explicado: como esse avião caiu e matou o nosso líder. Como caiu? Por que caiu? Queremos Justiça nesse caso. Sobre as circunstâncias de titularidade, de quem comprou e quem vendeu, isso não um problema nosso e não é era um problema do Eduardo. É um problema dos proprietários da aeronave. Sobre a relação do avião que nós usávamos, a direção partidária está apurando todas as informações para prestar os esclarecimentos necessários”, disse. Apolo Viera é réu em um processo por sonegação fiscal na importação de pneus, via porto de Suape (PE), que gerou um prejuízo de 100 milhões de reais aos cofres públicos. Sua antiga empresa, a Alpha Pneus, e outras, recorrem em segunda instância. A Bandeirantes foi criada em 2004, em Jaboatão dos Guararapes (PE) e funciona em um galpão de médio porte. A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo localizou uma movimentação de importação financiada registrada pelo Banco Central, em dezembro de 2010, de 1,4 milhão de dólares, via banco Ilhas Cayman e Banco Safra.

POR QUE JAMAIS VOTARIA EM MARINA SILVA - NEM QUE ELA VIESSE A DISPUTAR O SEGUNDO TURNO COM DILMA. OU: VÔO CEGO DE UM AVIÃO SEM DONO

Jamais votaria em Marina Silva. Já expus aqui alguns dos meus motivos. E também na minha coluna de sexta-feira na Folha de S. Paulo. Vou avançar. Desde que me ocupo da política, como jornalista, meu esforço é para tirá-la do terreno da mitologia e trazê-la para o da razão — inclusive o da razão prática. “Poderia votar em Dilma contra Marina, Reinaldo?” Também é impossível. Os petistas me incluíram numa lista negra de jornalistas. Eles querem a minha cabeça e, se pudessem, pediriam a meus patrões que me botassem na rua. Desconfio até que já tenham pedido — não sei. Mas não levaram. Não sou suicida. Não me ofereço àqueles que se pretendem meus feitores. Mas, reitero, nem tudo o que não é PT me serve — e Marina Silva não me serve. Mais: acho que alguns de seus ditos “conselheiros” estão perdendo o juízo e querendo se comportar como os Catões da República. Já chego lá.

Os cardeais da papisa
Marina Silva não é candidata a presidente da República, mas a papisa de uma seita herética — e suas heresias são praticadas contra a democracia representativa. Ela não concede entrevistas. Seus cardeais falam por ela. À Folha, quem garantiu a independência do Banco Central foi Maria Alice Setubal. Já expliquei e insisto: se o sócio de um grande banco viesse a fazer tal promessa como porta-voz do tucano Aécio Neves ou da petista Dilma Rousseff, nós, da imprensa, não perdoaríamos o deslize. Como se trata de Marina Silva, parece evidência de sabedoria. Tenham paciência! Banqueiros não podem fazer política? Podem e devem. Mas convém não misturar carne com leite nessas coisas. E ponto.
Na Folha desta segunda-feira, mais um cardeal do “marinismo”, Eduardo Giannetti, fala em nome de Marina Silva. Também ele acena para os mercados com a independência do Banco Central, mas o centro de sua entrevista é outro: quer a conciliação política “dos bons”, entendem? Marina Silva, diz ele, pretende governar com o apoio de Lula e de Fernando Henrique Cardoso. Ninguém lhe perguntou — e não sei se vão perguntar — por que não se fez antes se é tão fácil. A rigor, em todos os conflitos do mundo, dos mais amenos aos mais sangrentos, sempre se poderia fazer esta indagação: “Por que não, então, juntar os opostos, juntar os litigantes?”.
Giannetti teve uma idéia que poderia, enfim, ter evitado todas as guerras, até a de Tróia, como num poema de Mário Faustino: “Estava lá Aquiles, que abraçava/ Enfim Heitor, secreto personagem/ Do sonho que na tenda o torturava”. No seu mundo, como no do poema, Saul não briga com Davi, os seteiros não matam Sebastião, e o “Deus crucificado” beija uma segunda vez o enforcado (Judas). Pode ser literatura. Pode ser religião. Uma coisa é certa: política não é.
Há mais: Giannetti resolveu, em sua entrevista, todas as dificuldades e só ficou com as facilidades. Imaginar que PT e PSDB possam estar juntos num governo implica ignorar, logo de cara, o fato de que esses partidos têm vocações e fundamentos que são inconciliáveis. Se o ideário, hoje, dos tucanos é um tanto nebuloso aqui e ali — especialmente na área de valores —, os do PT são muito claros. Ora, ora, ora… Então Marina Silva, a Puríssima, não aceita nem mesmo subir no palanque com Geraldo Alckmin ou com Beto Richa — acordos feitos por Eduardo Campos —, mas aquele que se candidata a ser seu orientador intelectual (já que diz não querer cargo caso ela se eleja) sonha com um governo que possa unir… Aquiles e Heitor. Giannetti é uma pessoa lida, que tem experiência com as palavras. Uma tolice dita por ele parece de qualidade superior à dita por um petista tosco qualquer. Mas é apenas isto: uma tolice dita com charme.
O PMDB
E o homem vai adiante. O sonho de Giannetti — que não me parece muito distante, mutatis mutandis, de todos aqueles que sonharam com um Rei Filósofo, com um Déspota Filósofo… — é juntar os bons de um lado para isolar os maus de outro. Ele pega carona na fácil demonização do PMDB. Dá a entender que essa é a força que tem de ficar do outro lado da trincheira. Marina Silva, então, seria eleita pelo PSB, com o apoio de Fernando Henrique Cardoso e Lula e outras almas superiores do Congresso, uma conspiração dos éticos se formaria e pronto! Tudo estaria resolvido. Tão fácil que a gente lamenta que tantos estúpidos não tenham pensado nisso antes, né?
É mesmo? Será que o PMDB, ao longo da história, tem sido só um problema? Então vamos ver. Marina Silva apóia o Decreto 8.243, aquele que nem é exatamente de Dilma, mas de Gilberto Carvalho. No horizonte da turma que defende esse lixo autoritário, está, inclusive, o controle da imprensa, sim, senhores!, por conselhos populares. Marina Silva não vê mal nenhum risco nisso porque, afinal, já deixou claro, não dá bola para partidos ou para instâncias formais de representação. O PMDB pode não ser exatamente um convento de freiras dos pés descalços, mas lembro que o partido, em seu congresso, apoiou uma das mais claras e fortes resoluções contra qualquer forma de censura à imprensa. Sugerir que o PMDB atrapalha a democracia ou a torna ingovernável é mais do que um erro; é uma mentira.
O avião
Hoje é dia 25 de agosto. Eduardo Campos morreu no dia 13. Até agora, ninguém sabe a quem pertence o avião. Marina Silva, que voou muitas vezes naquele jatinho e que herda, pois, os instrumentos aos quais recorreu o PSB para fazer campanha, se nega a falar do assunto, como se ele não lhe dissesse respeito. Diz, sim!
Quem se pronunciou foi Beto Albuquerque, candidato a vice. Curiosamente, cobra explicações da Polícia Federal. Como? Aquele que era um dos homens mais próximos do presidenciável morto está exigindo respostas em vez de dá-las? O PSB, vejam vocês, inventou o avião sem dono.
Marina Silva, a mais ética entre os éticos, não aceita doação, no caixa um — o oficial e registrado — de empresas disso e daquilo, mas faz ares de santa da floresta quando se questiona a quem pertencia um jatinho que custava alguns milhões. É essa a “nova política” de que tanto se fala? Vamos ver o que vem por aí: candidaturas e mandatos já foram cassados por muito menos. Que se apure tudo, mas há um cheiro fortíssimo de caixa dois na campanha, não é mesmo?
Messianismo
Marina Silva carrega nas tintas de uma espécie de messianismo pós-moderno, assim, meio holístico-maluco-beleza. A VEJA desta semana a traz na capa. A reportagem, qualquer um pode constatar, não lhe é nada hostil. A figura desenhada nas páginas chega a ser simpática. Um trecho, no entanto, chamou especialmente a minha atenção.
No dia 18, 30 membros da Rede se reuniram em São Paulo para discutir a morte de Eduardo Campos. Debate político? Claro que não! Isso é coisa superada. Era um papo de outra natureza. Depois de cada um dizer o que sentia, eles se dividiram em trios para escrever palavras para confortar… Marina Silva!!! É, gente… Na Rede — que Giannetti quer ver no governo com o apoio de Lula e Fernando Henrique Cardoso —, não existem vitoriosos e derrotados quando se debate uma idéia. Há um troço chamado “consenso progressivo”. A exemplo do Cassino do Chacrinha, a reunião “só acaba quando termina” — e todos ganham. Em maio, para definir os dois porta-vozes da Rede, eles ficaram reunidos por 18 horas. Tinha de ser um homem e uma mulher para contemplar as diferenças de gênero… Tenham paciência!
Conheço gente que já frequentou esse círculo de iniciados. A coisa parece ser mesmo do balacobaco. Marina Silva é o Pablo Capilé da floresta, e sua Rede lembra, em muitos aspectos, o tal grupo Fora do Eixo. As pessoas lhe dedicam um silêncio reverente e estão certas de que ela mantém mesmo certa comunicação com entes que não estão exatamente entre nós.
Estou fora
Não caio nessa, sob pretexto nenhum — nem mesmo “para tirar o PT de lá”. Na democracia, voto útil é voto inútil. Se Deus me submetesse à provação — espero que não aconteça — de ter de escolher entre Dilma e Marina Silva, escolheria gloriosamente “nenhuma”! Se a turma do coquetel Molotov estava sem candidata e agora encontrou a sua, eu, que sou um partidário da democracia representativa e das instituições democráticas, deixarei claro, nessa hipótese, que estarei sem candidato no segundo turno. Mas torço e até rezo para que o Brasil seja poupado.
De resto, vou insistir numa questão: Marina Silva é governo no Acre há 16 anos. Seu marido deixou um cargo no secretariado de Tião Viana na semana passada. Mas a sua turma está lá, aboletada na gestão petista. Digam-me cá: quando Viana, seu aliado, começou a despachar haitianos para São Paulo, de uma maneira indigna, escandalosa, Marina Silva disse exatamente o quê, além de nada? Qualquer bagre teria merecido dela mais atenção! Pareceu-me uma reação muito pouco caridosa a sua.
E não tenho como esquecer o fato de que, há menos de dois anos, Marina Silva estava lutando por um Código Florestal que iria reduzir a área plantada no País. Como alternativa para seu desatino, ela tirava das dobras de seus numerosos xales certo “ganho de produtividade” que compensaria a perda. Propunha isso, com o desassombro e a retórica caudalosa de sempre, como se o Brasil não tivesse hoje uma agricultura e uma pecuária entre as mais produtivas do mundo. Do mesmo modo, incentivou a crítica verdolengo-obscurantista a Belo Monte, num País que enfrenta escassez de energia.
Marina Silva? Não! Muito obrigado! Não quero! “Ah, mas ela pode ser eleita e fazer um grande governo…” É, tudo pode acontecer. Não tenho bola de cristal. Quando voto, levo em conta o passado dos candidatos, suas utopias, suas prefigurações, sua visão de mundo, o apreço que têm pela democracia, a factibilidade de suas propostas.
Se eu tivesse alguma dúvida — já não tinha —, ela teria se dissipado com a entrevista concedida por Giannetti nesta segunda: Marina quer governar com o apoio de FHC e Lula… Então tá! É até possível que os dois, por elegância ou sei lá o quê, venham a dizer que, se isso acontecer, tudo bem. Ocorre que o Brasil não é um país comandado por aqueles líderes de clãs do Afeganistão. O Brasil sofreu um bocado para ter uma democracia gerida por partidos e por instituições. Ainda não chegou a hora de sermos um Brasilstão, governado por uma santa rodeada de conselheiros de fino trato. Isso nada tem a ver com democracia. Isso é só mais um delírio de intelectuais, ainda e sempre os mais suscetíveis às tentações autoritárias.
Os idiotas que acham que sou antipetista a ponto de votar até num sapo se o PT estiver do outro lado nunca entenderam direito o que penso. Em dilemas que são de natureza moral, não havendo o ótimo, a obrigação é escolher o caminho menos danoso. Na democracia, felizmente, temos a possibilidade de recusar o ruim e o pior.
De todo modo, espero que a onda passe e que o destino do país não seja definido pelo cadáver de alguém que não havia se explicado o suficiente em vida. É isso. #prontofalei Por Reinaldo Azevedo

OS TONS DE DILMA - QUEM TEM PAULO ROBERTO COSTA TEM MEDO. OU: HORA DE COMEÇAR A COMBATER MARINA SILVA

A presidente Dilma Rousseff concedeu uma entrevista coletiva neste domingo no Palácio da Alvorada. Operou duas mudanças de tom, constrangida pela realidade. Na quinta-feira, em Pernambuco, afirmou que as acusações de corrupção na Petrobras constituíam uma agressão à empresa, atribuiu tudo ao jogo eleitoral e fez uma defesa meio bronca de Graça Foster. No dia seguinte, o engenheiro Paulo Roberto Costa, que está preso, fez um acordo de delação premiada. Vamos ver. Pode não dar em nada. Podem sair cobras e lagartos. Dilma então resolveu se precaver.

Ajustou a sua fala à realidade e afirmou o seguinte neste domingo: “Se pessoas cometeram erros, malfeitos, crimes, atos de corrupção, isso não significa que as instituições tenham feito isso. Não se pode confundir as pessoas com as instituições”. Certo, presidente! E quem é que estava confundindo? Ninguém. A delação premiada de Costa está deixando muita gente em pânico. Não se sabe até onde ele está disposto a ir.
Dilma mudou um pouco o tom também em relação a Marina Silva, candidata do PSB à Presidência. Ou melhor: passou a assumir um tom. Desde a morte de Eduardo Campos, os petistas a vinham ignorando em falas públicas. Num comício em Recife, no sábado, a candidata da Rede, que concorre pelo PSB, afirmou que um presidente da República não precisa ser um gerente — afirmação, diga-se, que havia sido feita pela empresária marineira Maria Alice Setubal em entrevista à Folha.
Dilma afirmou: “Essa história de que o governo não precisa ter cuidado com a execução de suas obras ou obrigação de entregá-las é uma temeridade. Acho que o pessoal está confundindo o presidente da República com algum rei ou rainha”.
Vamos lá. Acho que Maria Alice e Marina estão escandalosamente erradas quando criticam o perfil de “gerente” de um presidente da República. Ora, se um governante não sabe “gerir” — que é o verbo do substantivo “gerência” —, então sabe o quê? Fazer discurso? Nesse particular, a presidente está certa. Mas só nesse particular.
O problema de Dilma não é ser uma gerente, mas ser uma má gerente, entenderam o ponto? A reputação da presidente, nesse particular, sempre foi superfaturada. Já escrevi aqui que ela foi, sim, extremamente competente em criar a fama de… competente. Mais: está naquele grupo de pessoas que, por serem enfezadas, passam por muito capazes.
Ora, se Marina, então, se eleger presidente da República, devemos imaginar o quê? Que vai dar apenas diretrizes espirituais, deixando a gestão do governo a cargo de uma burocracia cinzenta, enquanto ela fabrica metáforas, metonímias e prosopopeias? Além da independência do Banco Central, teremos também a independência dos ministérios da Fazenda, Planejamento, Saúde, Educação… A gerentada fica lá, e a presidente vira a nossa líder espiritual? O Brasil precisa, sim, de gerência, mas de boa gerência.
Voltemos à Petrobras: vocês acham que, com uma gerência decente e profissional, a empresa estaria vivendo essa crise? Por Reinaldo Azevedo

AÉCIO NEVES QUER IMPLEMENTAR REAJUSTE DIFERENCIADO PARA BENEFICIAR APOSENTADOS

Por Daniel Haidar, na VEJA.com: O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, afirmou neste domingo, no Rio de Janeiro, que vai criar um mecanismo de reajuste para aposentadorias e o benefício de prestação continuada (BPC), pago a maiores de 65 anos com renda per capita familiar inferior a um quarto do salário mínimo. De acordo com o presidenciável, os aposentados terão um aumento anual nas pensões que leve em conta a variação de uma cesta de preços de remédios, além da manutenção da regra de reajuste atual, que acompanha a variação da inflação oficial do ano anterior e do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.

“Incorporaremos, além do aumento real do salário mínimo, que continuará a ser praticado no nosso governo, um aumento especial para os aposentados levando em consideração, além do índice acertado, também o aumento de medicamentos. Será a primeira sinalização clara de que aposentados e idosos do Brasil começarão a ter tratamento diferenciado”, afirmou Aécio.
Ainda é preciso decidir quais remédios de uso contínuo teriam preço monitorado para embasar o reajuste das aposentadorias. A proposta foi anunciada em discurso a idosos hospedados no Abrigo Cristo Redentor, que pertence à União, mas hoje é administrado pela Secretaria Estadual de Assistência Social do Rio de Janeiro. No abrigo, Aécio conversou com idosos e visitou as instalações do local. O governo do Rio impediu que jornalistas acompanhassem o momento em que o presidenciável visitou quartos.
Em confraternização preparada por funcionários do governo estadual, o candidato cantou a música “Amizade Sincera”, de Renato Teixeira, abraçado com a idosa Arlete Severino da Silva. Antes, dançou com Ladir Rodrigues, outra hóspede do abrigo.
Aécio também divulgou o programa “Digna Idade”, que prevê a qualificação de cuidadores de idosos e a criação de asilos públicos. Os recursos públicos para financiar a melhora das aposentadorias e projetos para idosos viriam de uma readequação das prioridades orçamentárias, destacou o candidato tucano. “Recursos virão de um Estado com política fiscal austera, que não aumenta os gastos correntes de forma irresponsável, como esse governo aumentou. A questão é estabelecer prioridades”, afirmou.
Na nova estratégia do PSDB para diferenciar Aécio da ex-senadora Marina Silva (PSB) na corrida presidencial, os tucanos exploram a “falta de preparo” da concorrente. Sem mencioná-la, o presidenciável tucano afirmou neste domingo: “Construímos uma proposta que não é improvisada. Aquilo que defendo hoje, eu já defendia lá atrás”.

DILMA, A MÁ GERENTE

Por Ana Clara Costa e Gabriel Castro, na VEJA.com: O ano de 2011 foi marcado por uma crise sem precedentes na Europa. Foi o período em que o peso das dívidas públicas de países como Grécia, Irlanda, Portugal e até mesmo a Itália chegou a ameaçar a existência do próprio euro. Com a missão de recobrar a confiança externa e a saúde de suas contas, alguns governos europeus — em especial Itália e Grécia — dispensaram grandes oligarcas da política, como Silvio Berlusconi, e colocaram no poder os chamados tecnocratas. Com perfil técnico e pouca paixão pela política, esse estrato da elite do capitalismo tende a propor saídas pragmáticas para problemas de gestão pública. Naquele ano, tecnocracia era o jargão da vez no mundo econômico — e a chanceler alemã Angela Merkel era sua principal expoente. Por obra da máquina de propaganda petista, não demorou para que Dilma Rousseff, antes mesmo de ser eleita, fosse alçada ao posto de técnica exímia. Nove entre dez artigos sobre a presidente em seus primeiros meses de mandato retratavam-na como gestora experiente e “gerentona” — características que a distanciavam de Lula, que nada sabia de gestão, mas mantinha notório apreço pela arte do conchavo. Após a “faxina ministerial” que Dilma se viu forçada a empreender no início de seu governo, além de tecnocrata, também passou a ser vista como “pouco tolerante” com a corrupção. Quase quatro anos depois, inúmeros são os fatos que mostram que avaliação que se tinha não passava de ilusão.

Ao acomodar todos os aliados nos 39 Ministérios da Esplanada, Dilma escolheu um time restrito que deveria cercá-la — e no qual concentraria todas as suas ordens. Trata-se de um perfil específico de petista que permitiria que ela exercesse seu papel de “gestora” sem grandes protestos. Miriam Belchior, ex-secretária do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), e Gleisi Hoffmann, que assumiu a Casa Civil após a queda de Antonio Palocci, se tornaram os dois nomes de confiança da presidente. Mais técnicas que políticas, reforçaram a imagem de um “novo” governo eficiente e livre (ou quase) de nomes perniciosos ligados ao mensalão. O problema é que, ano após ano, houve uma deterioração em praticamente todas as fronteiras do Executivo — sobretudo nas pastas ligadas à economia. O Planejamento, responsável pelo Orçamento engessado da União, foi praticamente reduzido a uma secretaria. A Casa Civil, departamento que outrora guardava poderes equivalentes ao da Presidência, como nos temos do mensaleiro José Dirceu, de Erenice Guerra ou da própria Dilma, tornou-se mera antessala. As decisões econômicas, discutidas em gabinete diretamente entre Dilma, Guido Mantega e Arno Augustin, passavam à margem de qualquer interferência técnica. Os próprios ministros, diante da palavra da gestora, funcionavam como executores de ordens. Por fim, o pragmatismo e a tecnocracia que se imaginava reinar por ali deram lugar a um emaranhado de decisões de cunho ideológico que fariam Merkel desfalecer.
Não por acaso, a economia se encontra em seu pior momento dos últimos 15 anos. Se, até meses atrás, os dados econômicos apontavam para o pior cenário fiscal e industrial desde 2009, período da crise financeira internacional, agora a régua está mais baixa. A criação de emprego de julho foi a pior desde 1999, apontou o Caged. Já o resultado primário de junho, que consiste na economia do governo para pagar os juros da dívida, foi o pior desde 2000, mostram os dados do Tesouro Nacional. O governo atribui os problemas domésticos à crise internacional — o que fica difícil de provar diante do crescimento da economia americana, que foi de 4% no segundo trimestre e deve fechar o ano com avanço de 3,5%. No caso do Brasil, como resultado das trapalhadas de gestão, o PIB não deve crescer mais que 0,5% — os analistas mais realistas apontam, na verdade, a recessão.
Faxina
No cenário político, a “pouca tolerância” com a corrupção também é contestável. É verdade que sete ministros caíram. Em julho de 2011, VEJA revelou como o PR havia transformado o Ministério dos Transportes em uma fonte de recursos para abastecer o caixa dois do partido. A presidente acabou demitindo o ministro Alfredo Nascimento. Antes disso, Palocci já havia caído por não conseguir explicar um espantoso e repentino aumento patrimonial. Outros cinco ministros seriam demitidos por causa de denúncias de corrupção em menos de um ano.
Merecidamente ou não, a presidente tentou vender a imagem de que não tolerava corruptos (apesar de ter sido responsável pela nomeação de todos eles). Mas nem mesmo o rótulo sobreviveu: conforme o período eleitoral se aproxima, o nível de exigência da presidente parece cair. Neste ano, ela demitiu César Borges do Ministério dos Transportes unicamente para agradar o PR, que pedia a volta de Paulo Sérgio Passos. O próprio Alfredo Nascimento deu o recado a Dilma, ou seja, o mesmo partido que havia sido retirado do comando da pasta pressionou – de forma bem sucedida – para que a presidente nomeasse alguém de seu interesse. Antes disso, Dilma havia negociado com o demitido da pasta do Trabalho, Carlos Lupi, do PDT, a indicação de Manoel Dias para o comando do Ministério. Em junho, no Rio de Janeiro, ela subiu no palanque do pedetista e fez elogios a seu ex-ministro, que disputa uma vaga no Senado. Em entrevista ao Jornal Nacional, no início da semana, a presidente se negou a opinar sobre a postura acolhedora do PT em relação aos mensaleiros presos — tratados como heróis pelo partido.
Ombro-amigo
Quando é a Petrobras quem está no centro de graves denúncias, Dilma também tem se mostrado um ombro-amigo. A presidente da estatal, Graça Foster, pode ter os bens bloqueados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por causa de irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Além disso, a executiva se encontra na delicada posição de ter de explicar porque doou seus bens aos filhos logo depois que o escândalo de Pasadena deu indícios de que acabaria no Congresso. Contudo, para Dilma, está tudo bem. “A presidente Graça Foster respondeu perfeitamente sobre a questão dos seus bens numa nota oficial. Eu repudio completamente a tentativa de fazer com que a Graça se torne uma pessoa que não possa exercer a presidência da Petrobras”, afirmou a petista, na quinta-feira. À defesa quase fraterna da presidente soma-se seu silêncio sobre a farsa da CPI da estatal, revelada por VEJA, que mostrou a articulação de nomes do alto escalão do Palácio do Planalto e da estatal para combinar com os investigados as respostas às perguntas dos parlamentares.
As imagens vendidas nas eleições de 2010 se perderam ao longo do caminho. Os números declinantes do cenário econômico, as más escolhas para postos-chave de sua equipe, o inchaço proposital da máquina pública e o fracasso na missão de dinamizar a economia tiraram de Dilma – que nunca foi uma boa política – um de seus principais trunfos de quatro anos atrás. Não há indícios, até o momento, de que um segundo mandato traga mudanças. Por Reinaldo Azevedo

PEDRO SIMON É O CANDIDATO DO PMDB E PSB PARA O SENADO FEDERAL, NO LUGAR DE BETO ALBUQUERQUE, ACONTECEU O QUE SIMON QUERIA

Em reunião realizada na sede municipal do PMDB, em Porto Alegre, na noite deste domingo, que terminou quase à meia noite, contando com a presença de representantes dos outros partidos da coligação, ficou decidido que Pedro Simon será candidato ao Senado em substituição a Beto Albuquerque, que foi alçado ao cargo de vice-presidente na chapa de Marina Silva, após a morte de Eduardo Campos em acidente aéreo. É óbvio que este era o desfecho desejado desde sempre pelo próprio Pedro Simon, que agora irá aparecer como "salvador da pátria". A indicação de Simon contou com o aval do PMDB e também de partidos como o PSB e o PSD. A candidatura será oficializada em coletiva de imprensa às 14 horas  desta segunda-feira, no diretório estadual do PMDB.