domingo, 31 de agosto de 2014

ISRAEL QUER AJUDAR A RECONSTRUIR GAZA EM TROCA DO DESARMAMENTO DO GRUPO TERRORISTA HAMAS

Israel e os países árabes devem trabalhar juntos para reconstruir a Faixa de Gaza enquanto desarmam os militantes do Hamas que controlam o território, disse o ministro das Finanças israelense, Yair Lapid, neste domingo. Lapid fez os comentários quase uma semana após Israel e os militantes do Hamas chegarem a um acordo de trégua para dar fim ao conflito mais recente em Gaza, que durou quase dois meses e destruiu a região. "Nós precisamos de uma conferência regional, com os egípcios, os sauditas, os Estados do Golfo", disse o ministro - membro do partido de centro Yesh Atid: "Essa conferência deveria focar em uma coisa, assegurar que a reabilitação ocorra junto com a desmilitarização". Ele não esclareceu como prevê a desmilitarização do grupo terrorista em Gaza, já que o Hamas prometeu nunca desistir de suas armas. Lapid também não deixou claro quão receptivos foram os países árabes - alguns deles, como a Arábia Saudita, sem laços formais com Israel - à idéia da conferência. Ele não disse se algum país já havia sido consultado sobre a proposta. O Hamas, no entanto, reafirmou sua decisão de continuar armado. "Essa é uma demanda estúpida, e ninguém do povo palestino iria concordar com uma coisas dessas. Nossas armas são usadas para defender nosso povo, e esse direito foi garantido pelos céus e pelas leis humanas", criticou o porta-voz do grupo em Gaza, Mushir al-Masri. Também neste domingo, Israel anunciou que iria começar a expropriar mil acres de terra na Cisjordânia, uma medida que poderia abrir espaço para a construção de um novo assentamento judeu.

BETO ALBUQUERQUE DIZ QUE "AUTORITÁRIO É QUEM ACHA QUE PODE GOVERNAR SÓ COM PARTIDOS"

A candidata à Presidência da República pelo PSB, Marina Silva, reafirmou no sábado sua promessa de campanha de ficar acima das trocas de acusações entre candidatos. Em encontro com jovens militantes em uma casa noturna no Centro do Rio de Janeiro, Marina Silva disse se recusar a responder “na mesma moeda” às acusações dos adversários Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). O discurso, porém, foi atropelado minutos depois pelo candidato a vice-presidente Beto Albuquerque (PSB) que rebateu, em tom ríspido, críticas feitas pelos rivais Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). “Autoritário é quem acha que pode governar só com partidos. Autoritário é quem acha que tem de entregar ministérios para políticos em troca de tempo de televisão”, afirmou Beto Albuquerque. Dilma tinha afirmado que “quem não governa com partidos está flertando com o autoritarismo”. Albuquerque também reagiu à provocação de Aécio Neves, que tinha tachado a proposta “marineira” de uma versão “genérica” do programa tucano. “Ele que publique o programa de governo dele para depois falar do programa dos outros”, reclamou. Ao responder às críticas da campanha tucana de que falta experiência administrativa para Marina Silva, Beto Albuquerque (socialista gaúcho, originário de grupo do velho Partidão, o Partido Comunista Brasileiro) comparou a eleição do ex-presidente e alcague Lula (delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr.) em 2002 à situação da candidata socialista. “Aécio quer repetir o erro que o governo atual cometeu de achar que o Brasil precisa de gerente. Marina é uma líder nata, muito parecida com o Lula que sofreu preconceitos”, afirmou. Em discurso aos jovens engajados na campanha de Marina, Albuquerque confrontou a prometida autonomia operacional do Banco Central em um futuro governo. Apesar de a independência pressupor liberdade para elevar juros a despeito das preferências do governo, Beto Albuquerque afirmou que os juros já estão elevados demais e não devem ser a única forma de combate à inflação. “Não enxergamos no aumento da taxa de juros o remédio correto para combater a inflação. É um custo muito caro ao País. Não vamos falar do futuro, mas nossa posição é de que pagar 28 bilhões de reais dos cofres públicos para cada ponto percentual de aumento dos juros é um contrassenso. O Brasil tem que trabalhar com juros razoáveis e dignos e o governo tem que fazer sua parte”, argumentou.

MST INVADE FAZENDA DO SENADOR EUNÍCIO OLIVEIRA, DO PMDB, CANDIDATO AO GOVERNO DO CEARÁ; É UMA INVASÃO ESCANDALOSAMENTE POLÍTICO-ELEITORAL DOS TERRORISTAS

O Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), organização clandestina e terrorista, invadiu neste domingo, 31, a Fazenda Santa Mônica, de propriedade de Eunício Oliveira (PMDB), senador e candidato a governador do Ceará. De acordo com a organização terrorista, três mil famílias estão no local. Eunício deixou o tema exclusivamente com o diretor administrativo da agropecuária, Ricardo Augusto. Para Augusto, a invasão foi um ato "surpreendente". Segundo nota do diretor, a fazenda é produtiva e está localizada em Goiás, em uma região sem conflitos agrários. "É uma propriedade que observa todas as normas da legislação trabalhista, tributária e ambiental, inclusive com áreas de proteção e de guarda de espécies da fauna silvestre homologadas pelo Ibama", argumentou.

AÉCIO NEVES GARANTE, É CERTA A DERROTA DA PETISTA DILMA ROUSSEFF NA ELEIÇÃO

Candidato do PSDB à presidência da República, o senador Aécio Neves afirmou no início da tarde deste domingo, 31, que já é certa a derrota de Dilma Rousseff (PT) na eleição. "O atual governo fracassou, essa é a questão central, e não vencerá as eleições o grupo que está hoje no poder", cravou o tucano, que voltou a criticar o programa de governo da adversária Marina Silva, do PSB. Segundo Aécio Neves, que participou de jogo com artistas e políticos no centro de futebol do ex-jogador Zico na zona oeste carioca, o PSB traz em seu programa temas defendidos historicamente pelo PSDB, e já criticados em um passado recente por Marina Silva e pela presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT. Depois de dizer que Dilma não vencerá, Aécio Neves afirmou que das "duas alternativas competitivas que aí estão", uma é a do PSDB (a outra, a do PSB). "Apresentamos uma alternativa absolutamente coerente com nosso passado, com aquilo que pensamos lá atrás, e com o que queremos fazer pelo Brasil. E a população brasileira terá a oportunidade de avaliar entre essas propostas, até porque não há nada mais velho na política do que o discurso adaptado às circunstâncias do momento", disse ele, em referência às corriqueiras críticas que Marina Silva faz ao que tem chamado de "velha política". Aécio Neves rebateu as críticas do candidato a vice de Marina Silva, o deputado federal Beto Albuquerque. No sábado, 30, à noite, em evento no Rio de Janeiro, Albuquerque afirmou que, para criticar o programa de Marina Silva, Aécio Neves deveria primeiro lançar o seu. "As diretrizes foram lançadas. Talvez o candidato Beto não esteja acompanhando de perto as discussões que fizemos ao longo dos últimos anos. Será lançado nos próximos dias, em data pré-estabelecida, mas não é pra se ofender", disse Aécio Neves. "Eu apenas encontrei no programa do PSB as defesas das mesmas posições que nós defendemos historicamente, no ponto de vista da macroeconomia, da transformação do Bolsa Família em um programa de Estado, a meritocracia no setor público. Lamento apenas que, no momento em que implementamos essas medidas, nenhum deles estava ao nosso lado para ajudar", afirmou.

EMIRADOS ÁRABES FORNECERÃO US$ 9 BILHÕES EM DERIVADOS DE PETRÓLEO PARA O EGITO

O Ministério do Petróleo do Egito disse neste domingo que os Emirados Árabes Unidos irão fornecer "cerca de 9 bilhões de dólares" em produtos de petróleo para o Egito no próximo ano, como parte de um acordo que irá entrar em vigor na segunda-feira. O porta-voz do ministério, Hamdy Abdelaziz, disse em nota que o contrato entre a estatal Companhia Geral Egípcia de Petróleo e sua contraparte, a Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi, ajudará a atender parte da demanda de petróleo do Egito no próximo ano.

SEGMENTO DE ENERGIA EÓLICA VAI INVESTIR R$ 15 BILHÕES NO BRASIL EM 2014

O segmento de energia eólica vai investir cerca de 15 bilhões de reais no País neste ano. E a perspectiva é manter esse patamar de investimentos nos próximos anos, incluindo a participação nos leilões de energia promovidos pelo governo, de acordo com a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeolica), Elbia Melo. Em dez anos, a energia eólica deve corresponder a 11% da  matriz energética brasileira, segundo estimativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Para Elbia, um dos maiores desafios do setor no Brasil é o desenvolvimento da cadeia produtiva para garantir o andamento dos projetos e manter o índice de nacionalização, critérios básicos para conseguir financiamento do BNDES. Ela concorda com as exigências, mas lembra que a cadeia produtiva tem que evoluir rapidamente para que os projetos possam entregar a energia contratada nos leilões: "É um desafio que chamamos de emergencial. Temos que fabricar equipamentos. O adensamento da cadeia produtiva talvez seja hoje o ponto de maior atenção". O chefe do departamento da área de operações industriais do BNDES, Guilherme Tavares Gandra, explicou que o critério foi adotado em 2012 dentro da modelagem dos financiamentos para incentivar o desenvolvimento da cadeia produtiva nacional. "Desde o início da metodologia, temos cerca de 22 novas unidades industriais e 15 expansões. Estamos falando aqui de 37 projetos de investimentos", diz ele. Na avaliação de Elbia Melo, com a diversificação da matriz energética brasileira que já está acontecendo, a tendência é a redução da participação das hidrelétricas e de aumento das fontes renováveis no futuro. "Nesse processo, a energia eólica é a atriz principal. Ela vai ser rapidamente a segunda fonte a participar da matriz. Do ponto de vista da oferta, nós não temos problema em termos de potencial. O setor eólico está em um momento virtuoso e vai continuar nesta trajetória, tendo em vista a base que a indústria construiu no Brasil", explica. Segundo a presidente da Abeeolica, um fator importante que será trabalhado neste momento é encaminhar ao governo o pedido de escalonar as entregas de energia do que foi vendido nos leilões. "Essa é uma demanda importante que a indústria vai levar para o governo. Não fica em um período único e as fábricas têm tempo de programar a sua produção", diz. (Veja)

SE ELEITA, MARINA DEVE PÔR EM XEQUE MODELO DE COALIZÃO - PT E PMDB NÃO DEVEM COMPOR BASE ALIADA EM UM EVENTUAL GOVERNO PSB

Com uma base no Congresso que deverá ser semelhante à do ex-presidente Fernando Collor, a eventual eleição da candidata do PSB, Marina Silva, deve pôr em xeque o modelo de presidencialismo de coalizão que sustenta as relações do Executivo com o Legislativo desde a redemocratização, em 1985, e deverá levá-la a uma dependência grande do PSDB. Como há uma rejeição forte do grupo da candidata ao PMDB, e o PT já sinaliza que migrará para a oposição se Marina for eleita, a expectativa é que a sigla tucana integre o centro de forças de um eventual governo da ex-ministra do Meio Ambiente, formando a terceira maior bancada na Câmara dos Deputados, atrás de petistas e peemedebistas. A agenda legislativa anunciada por Marina até o momento reforça essa expectativa: ela pretende aprovar duas grandes reformas constitucionais, a política e a tributária, que precisam do apoio de ao menos 308 dos 513 deputados federais. A “tucanodependência” de Marina tem ainda outro motivo: o PSB tem boa interlocução com a sigla. São três os principais nomes a fazer esta ponte. O deputado Márcio França (PSB), tão próximo do PSDB que nesta eleição concorre como vice do governador Geraldo Alckmin; Walter Feldman (PSB), atual coordenador da campanha da ex-ministra, ex-tucano; e Roberto Freire (SP), presidente do PPS, antigo aliado do PSDB. Além deles, o ex-governador José Serra (PSDB), que concorre ao Senado por São Paulo, é um interlocutor no partido. A ex-ministra já declarou que gostaria de contar com o apoio de Serra caso ele seja eleito. Por meio do PSDB, outros partidos poderiam aos poucos aderir a um eventual governo Marina e lhe dar a maioria que ela precisa. Caso, por exemplo, do PSD de Gilberto Kassab. Secretário-geral do partido, o ex-deputado Saulo Queiroz acha que o PSDB não terá outro caminho a não ser apoiá-la e diz que a sua própria sigla poderia integrar sua base. É do jogo. “Todo mundo que não está no jogo da Dilma poderá fazer o jogo da Marina. Não mantivemos nenhum cargo no governo Dilma. O único que temos é uma indicação pessoal dela, não do partido. Até mesmo uma aproximação com o PSD é perfeitamente viável, por que não?” Segundo Queiroz, compor maiorias no Congresso “não é difícil” com “uma coisa em mãos chamada poder”. Estimativa feita pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a pedido do jornal O Estado de S. Paulo, aponta que Marina teria um apoio consistente de 80 a 120 deputados, no máximo, na próxima legislatura. Esse seria o chamado “núcleo duro” da presidente, formado por parlamentares eleitos pela coligação dela e de outros que passam a apoiar o governo após as eleições. Marina também deve ter o apoio condicionado de 213 a 253 deputados. O Diap prevê que 180 deputados fariam oposição frontal a uma gestão Marina. Os dados são semelhantes aos que Collor teve durante seu governo, entre 1990 e 1992. Para a aprovação de um projeto de lei, são necessários 257 dos 513 deputados. Para emendas constitucionais, são necessários 308 votos. Para o atual líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF), o debate de propostas com os congressistas num governo Marina será em cima de “temas pactuados”. O modelo idealizado é o mesmo colocado em prática pelo presidente Itamar Franco (1992-1994): escolhas pessoais para os ministérios e maiorias eventuais para aprovar projetos. “Duvido que alguém vai querer um ministério, uma emenda e que o governo vai pressionar alguém para votar”, afirmou o senador Pedro Simon, líder do governo Itamar no Senado e aliado de Marina. Ele citou como padrão de comportamento a aprovação das propostas que culminaram na criação do Plano Real. Entretanto, os críticos deste modelo lembram que o governo Itamar foi tampão e se deu antes da intensa polarização entre PT e PSDB na política nacional. (Claudio Humberto)

MARINA SILVA FATURA R$ 1,6 MILHÃO COM PALESTRAS, MAS NÃO REVELA NOMES DOS CLIENTES NEM O CACHÊ

Sem cargo público, mas com um capital eleitoral de quase 20 milhões de votos depois de perder a última eleição presidencial, a ex-senadora Marina Silva abriu em março de 2011 uma empresa para proferir palestras e faturou R$ 1,6 milhão com a atividade, até maio deste ano. Marina sempre manteve em segredo os detalhes sobre a atividade que virou sua principal fonte de renda desde que deixou o Senado. Agora candidata à Presidência da República, ela aceitou revelar o valor de seus rendimentos após questionamento da Folha. Em pouco mais de três anos, Marina diz que assinou 65 contratos e fez 72 palestras remuneradas. Ela se recusa a identificar os nomes das empresas e das entidades que pagaram para ouvi-la, alegando que os contratos têm cláusulas de confidencialidade. No ano passado, a própria Marina pediu a entidades que a tinham contratado para não divulgar seu cachê, como a Folha informou em outubro. Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que também cobram por palestras desde que deixaram o cargo, mantêm igualmente em segredo valores e identidades de clientes. O faturamento bruto da empresa de Marina lhe rendeu, em média, R$ 41 mil mensais. O valor é mais que o dobro dos R$ 16,5 mil que ela recebia como senadora no fim de seu mandato, em 2010. Os rendimentos da empresa de Marina aumentaram ano a ano, saltando de R$ 427,5 mil em 2011 para R$ 584,1 mil no ano passado. Em 2014, por causa das eleições, Marina assinou só um contrato, de R$ 132,6 mil, para apresentações em quatro países da América do Sul. As últimas cinco cinco palestras foram gratuitas - antes do início oficial da campanha eleitoral, em julho -, segundo informou sua assessoria. O valor do último contrato remunerado fechado pela empresa de Marina se aproxima do valor total dos bens que ela declarou à Justiça Eleitoral como candidata à Presidência da República. Ela estimou em R$ 135 mil o valor de seu patrimônio pessoal, que inclui uma casa e seis terrenos em Rio Branco, a empresa criada para contratar sus palestras e uma conta no Banco do Brasil. Em 2010, Marina estimou o valor de seus bens em R$ 149 mil.
SALA FECHADA
Com capital de R$ 5.000,00 e sede em Brasília, a empresa M. O. M. da S. V. de Lima foi registrada em 2011 com as iniciais do nome completo da candidata: Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima. A empresa tem a ex-senadora como única proprietária e foi criada como de pequeno porte exclusivamente para ela proferir palestras e participar de seminários e conferências. Segundo a assessoria de Marina, a empresa tem somente um funcionário. Para que se enquadre como de pequeno porte, o negócio precisa ter faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 3,6 milhões, de acordo com exigências da legislação específica. A empresa funciona numa sala de cerca de 40 m² alugada por R$ 1.507,30 mensais, ao lado do Instituto Marina Silva, que intermedeia palestras gratuitas e ocupa outras cinco salas no mesmo edifício. Na sexta-feira (28), a Folha visitou a sede da empresa, que estava fechada. Os funcionários do instituto abriram o escritório, que tem uma antessala e uma sala de reuniões, onde se encontra uma mesa oval com sete cadeiras. Criado para cuidar de projetos da área ambiental e atividades como a digitalização do acervo de Marina, o instituto é uma associação privada mantida com a renda da ex-senadora e com doações. Entre as principais doadoras está a herdeira do banco Itaú Neca Setúbal, que atualmente coordena o programa de governo da candidata.(Folha de São Paulo)

EX-MOTORISTA DA ROSE DO LULA E DE GILBERTO CARVALHO DIZ QUE PRESIDENTE DO BANCO DO BRASIL FAZIA PAGAMENTOS EM DINHEIRO VIVO

Aldemir Bendine fazia vultosos pagamento em dinheiro vivo, denuncia ex-motorista do PT.
O ex-motorista do Banco do Brasil Sebastião Ferreira da Silva, 69, disse em depoimento ao Ministério Público Federal que fez vários pagamentos em dinheiro vivo a mando do presidente da instituição, Aldemir Bendine. Ferreirinha, como é conhecido, disse que em certa ocasião Bendine, após subir de mãos vazias num prédio dos Jardins (zona oeste de São Paulo), saiu com uma sacola repleta de maços de notas de R$ 100. Segundo ele, a sacola foi entregue depois ao empresário Marcos Fernandes Garms, amigo de Bendine. O depoimento do motorista, ao qual a Folha teve acesso, gerou a abertura de um procedimento de investigação contra Bendine, em junho, por suspeita de lavagem de dinheiro. É uma etapa preliminar do trabalho do Ministério Público Federal, quando os procuradores buscam provas para embasar um eventual processo. Ferreirinha tem um histórico de anos de serviços prestados ao PT e ao Banco do Brasil. Em 2002, foi contratado para a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. No ano seguinte, passou a trabalhar para a Presidência da República em São Paulo, cujo escritório ocupa o terceiro andar de um prédio do BB na avenida Paulista. O motorista trabalhou para a Presidência até 2007, quando foi desligado do quadro após ter se desentendido com a então chefe do gabinete da Presidência, Rosemary Noronha - amiga pessoal de Lula demitida em 2012 por suspeita de tráfico de influência em agências do governo. Nesse período, Ferreirinha dirigiu sobretudo para Gilberto Carvalho, então chefe de gabinete de Lula, hoje chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República no governo Dilma Rousseff (PT). O motorista Sebastião Ferreira da Silva, 69, o Ferreirinha, afirmou ao Ministério Público Federal que fez quatro pagamentos em dinheiro vivo a pedido do presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine. À Folha ele detalhou como atuou.
Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.
- Folha - Como era seu trabalho no banco?
Sebastião Ferreira da Silva - O horário que ele pedia eu estava lá, à disposição. Se pedia às 5h, às 7h... A gente levava ele onde ele queria. Eu também fazia pagamentos a pedido dele.
- O sr. pode contar como esses pagamentos eram feitos?
- Duas vezes fui a Taubaté (SP) com uma quantidade de dinheiro muito grande, que levava no carro. Teve um dia, no fim de semana, que esse dinheiro dormiu no porta-malas do carro na minha casa.
- Como ele dava o dinheiro?
- Dentro de uma sacola comum, dessas de papel. Sacola de loja. E dizia: "Olha, aqui tem R$ 86 mil. Aqui dentro tem R$ 182,6 mil". Foram duas vezes que eu fui lá fazer esse pagamento. Era uma loja de uma moça que era da família dele. [Foi] Em 2009, mais ou menos. Não sei o nome dela.
- Como ele pedia para fazer esses pagamentos?
- Ele me chamava na sala dele, na sede do banco da avenida Paulista. Sempre só eu e ele. E falava: "Você vai fazer esse pagamento para mim, em tal lugar, assim e assim. O recibo tá aqui, confere o dinheiro lá e pede para assinar e colocar data e hora". Quando eu voltava, devolvia o recibo assinado para ele.
- Houve alguma outra situação que tenha envolvido dinheiro?
- De vez em quando, ele vinha num local aqui [uma rua no bairro dos Jardins, em São Paulo]. Dizem que lá é um escritório da [TV] Record [no local, há pelo menos uma empresa ligada ao grupo Record, a Abundante Corretora de Seguros]. Várias vezes eu fui lá com ele. E uma vez ele saiu com uma sacola de lá e foi para a casa do Marquinhos [o empresário Marcos Fernando Garms].
- O que havia na sacola?
Ele foi jantar com o Marquinhos. Após o jantar, ele foi pegar essa sacola no carro. Quando ele pegou a sacola, umas das alças escapou da mão dele, e eu vi que era dinheiro que havia dentro da sacola. Era muito dinheiro. Maços de dinheiro, como os que saem do banco.(Folha de São Paulo)