segunda-feira, 8 de setembro de 2014

MANIFESTO DE ECONOMISTAS CRITICA PROCESSO DO BANCO CENTRAL CONTRA SCHWARTSMAN

Na noite desta segunda-feira, mais de 40 economistas já haviam assinado uma petição on-line em favor de Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, que foi alvo de uma queixa-crime movida pela autoridade monetária. Reportagem de VEJA revelou como a instituição se movimentou para tentar punir judicialmente o economista depois que ele desferiu críticas contra a condução da política monetária em entrevistas à imprensa. "A intolerância com a divergência e com a crítica ácida e o recurso da máquina pública para suprimir o contraditório (...) configuram uma prática incompatível com os valores que uma democracia deve ter e cultivar", relata o manifesto. Entre os economistas que assinaram a petição há nomes graduados, como Claudio Haddad, Marcos Lisboa, Elena Landau, Luiz Fernando Figueiredo, Gustavo Franco, José Roberto Mendonça de Barros e José Roberto Afonso. Também assinaram seis representantes de equipes econômicas de presidenciáveis: André Lara Resende, Eduardo Giannetti da Fonseca e Alexandre Rands, que estão com Marina Silva (PSB); e Armínio Fraga, Mansueto de Almeida e Samuel Pessôa, do grupo de Aécio Neves (PSDB). Em uma entrevista, ao Correio Braziliense, Schwartsman declarou que “o Banco Central faz um trabalho porco e, com isso, a incerteza aumentou”. Segundo o procurador-geral do Banco Central, Isaac Sidney Ferreira, os comentários eram ofensivos à imagem da instituição. Contudo, a juíza federal Adriana Delboni Taricco rejeitou a queixa-crime. Na sua avaliação, as críticas “de fato se mostraram bastante contundentes, porém faz-se necessário salientar que não ultrapassaram os limites do mero exercício de sua liberdade de expressão”.

BRASIL PERDE MAIS DE US$ 30 BILHÕES POR ANO COM A SAÍDA ILEGAL DE DIVISAS

Mais de US$ 30 bilhões em dinheiro sujo ligado à evasão de impostos, ao crime e à corrupção sai do Brasil todos os anos, o dobro de uma década atrás, mostrou um estudo do Global Financial Integrity (GFI), um grupo de pesquisa baseado em Washington que defende a transparência financeira. A sonegação de impostos é modo principal como esse dinheiro deixa o País, respondendo por 92,7% dos US$ 401,6 bilhões que saíram do Brasil entre 1960 e 2012, de acordo com a pesquisa. O montante fica acima da média mundial, onde a evasão de impostos representa cerca de 80% dos fluxos financeiros ilícitos. As perdas anuais são equivalentes a 1,5% da produção econômica brasileira, com média de US$ 33,7 bilhões por ano no período de 2010 a 2012, um aumento em relação aos US$ 14,7 bilhões na primeira década do século 21. Mas as perdas são provavelmente anda maiores, disse a GFI, considerando que suas estimativas não incluem grandes quantias de contrabando de dinheiro, um método favorito de movimentar dinheiro por parte de traficantes de drogas e outros criminosos, ou em negociações por serviços ou transferências financeiras entre ramificações de corporações multinacionais. "O Brasil tem um sério problema com fluxos financeiros ilícitos, e combatê-lo deve ser uma prioridade para qualquer administração que vencer as próximas eleições", disse Raymond Baker, presidente da GFI. A Petrobras, por sua vez, está envolvida em um caso de suborno envolvendo contratos para plataformas de produção que o Brasil, a Holanda e os Estados Unidos estão investigando. Além disso, a economia tem patinado sob o governo de Dilma, que enfrenta uma dura eleição presidencial em outubro. Fluxos ilícitos de saída de dinheiro enfraqueceram ainda mais a economia, ao drenar recursos do Brasil que poderiam, de outra forma, ser utilizados no crescimento nacional. O dinheiro é movimentado internacionalmente através da chamada “precificação comercial irregular”, ao cobrarem a menos ou a mais por bens e produtos. No Brasil, a economia informal encolheu para 21,8% do PIB oficial, à medida que a economia regular do País cresceu, em comparação ao pico de 55% nos anos 1970, de acordo com a GFI. Apesar desta melhora, a receita alta nos fluxos de dinheiro sujo é uma preocupação. "Por muitos anos, temos observado a reticência do Brasil de se dirigir a problemas de fuga de capital e fluxos ilícitos", disse Baker. Ele recomendou mais cooperação entre governos para encerrar os canais de lavagem de dinheiro e maior transparência em transações financeiras internacionais. (O Globo)

BABÁ TESTEMUNHA QUE O MÉDICO LEANDRO BOLDRINI E A MADRASTA GRAZIELE PROVOCAVAM O MENINO BERNARDO ATÉ ELE "EXPLODIR"

Contratada para trabalhar na casa de Bernardo Uglione Boldrini logo após a morte da mãe do garoto, em 2010, a babá Elaine Wentz revelou, em depoimento nesta segunda-feira no Foro de Três Passos, que Leandro Boldrini e Graciele Ugulini provocavam o menino até fazer ele "explodir" de raiva. Um dos motivos principais dos insultos, segundo ela, era a mãe do garoto, que se suicidou em 2010. Além de usar palavrões para se referir a Odilaine, o médico e a madrasta chegaram a queimar fotografias de Odilaine na lareira da residência, em 2010. As imagens foram tiradas no aniversário de seis anos de Bernardo, no ano anterior. Graziele e Leandro Boldrini viviam dizendo para o menino que a mãe dele era esquizofrênica. A ex-babá contou também que a madrasta, em uma das ocasiões, responsabilizou o menino pelo suicídio da própria mãe. Ao mesmo tempo, Graciele usava as roupas da ex-mulher de Boldrini, conforme Elaine. Segundo ela, após discussões com Bernardo, Leandro Boldrini saiu sem cinta mais de uma vez de um quarto da residência. O menino tinha medo de viver no local e acordava à noite, em pânico, aos gritos.

EMBRAER INAUGURA CENTRO DE ENGENHARIA NA FLÓRIDA

A Embraer inaugurou nesta segunda-feira seu Centro de Engenharia e Tecnologia (Cete) na Flórida, Estados Unidos. A instalação é a primeira do gênero fora do Brasil e faz parte da estratégia da empresa para expandir sua presença global. O centro vai realizar atividades de engenharia e de desenvolvimento para produtos e tecnologias em todas as linhas de negócios da Embraer, mas as primeiras atividades estarão centradas especialmente em interiores de jatos executivos. O Cete incluirá um laboratório para o desenvolvimento e teste de materiais e componentes. Com cerca de 7 mil metros quadrados, a instalação está localizada na General Aviation Drive, no Aeroporto Internacional de Melbourne, na Flórida, em mais de cinco hectares de terra situados em frente às instalações de montagem final dos aviões executivos Phenom 100 e Phenom 300 e ao Centro de Atendimento ao Cliente da Aviação Executiva, inaugurados em 2009 e 2011, respectivamente. Cerca de 70 engenheiros já foram contratados e vinham trabalhando em uma instalação temporária perto do aeroporto desde 2012. O total de postos de trabalho está previsto para chegar a 200 até 2016. De acordo com a Embraer, a força de trabalho qualificada foi um dos principais fatores para a escolha de Melbourne, além da disponibilidade de terras para iniciar a obra foi importante, e a proximidade com operações.

CAMPANHA DE MARINA DA SILVA PEDE DIREITO DE RESPOSTA AO TSE

A coligação Unidos pelo Brasil, da candidata à Presidência da República Marina Silva (PSB), protocolou uma representação no Tribunal Superior Eleitoral contra a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) e a coligação Com a Força do Povo. A campanha do PSB contesta a propaganda em que a petista diz que Marina seria contra a exploração de petróleo da camada pré-sal. Marina pede 1 minuto de direito de resposta no programa da Dilma no horário eleitoral veiculado à tarde e à noite na TV. Os advogados da campanha da ex-senadora alegam que a propaganda do PT é irregular porque atribui à candidata um posicionamento do qual ela discorda. "(A afirmação) é sabidamente inverídica. A Marina nunca se posicionou contra o pré-sal. E isso induz ao erro", afirmou a advogada da coligação, Gabriela Rollemberg. Na propaganda do PT, a presidente diz que a luta pela defesa do pré-sal é "particularmente importante porque surgem vozes que ameaçam essa riqueza nacional". "A candidata Marina Silva é uma delas, pois tem defendido o fim da prioridade ao pré-sal. Em termos práticos, isso significaria abandonar ou desacelerar a exploração dessa imensa fonte de riqueza com consequências terríveis para o desenvolvimento do Brasil", diz a petista em seu programa. Na sequência, a propaganda mostra os benefícios da exploração do pré-sal e aponta que "ser contra o pré-sal é ser contra o futuro do Brasil". Atores do programa petista questionam o posicionamento de Marina sobre o assunto enquanto surgem imagens de notícias veiculadas na imprensa sobre a questão. "Você viu como o pré-sal será importante para construirmos um Brasil mais forte e independente. Por isso é tão difícil entender o que Marina pretende quando planeja reduzir a importância do pré-sal", diz a propaganda. Na prática, continuam, significaria desperdiçar a "maior oportunidade de desenvolvimento que já tivemos na nossa história".O advogado Ricardo Penteado, que também integra a equipe jurídica da campanha do PSB, informou que a legislação prevê pelo menos 1 minuto de tempo de resposta. A representação, cujo relator no TSE é o ministro Admar Gonzaga, não é em caráter liminar. A defesa da campanha considera desproporcional os ataques da campanha petista, uma vez que Dilma tem mais de 11 minutos de tempo de TV, enquanto Marina tem pouco mais de 2 minutos para tentar rebater tais acusações. "Priorizar a energia limpa não quer dizer que você vai eliminar os outros meios. O que ela (Dilma) faz é uma grande maldade", declarou Penteado.

DILMA DIZ QUE, "SE HOUVE SANGRIA NA PETROBRAS, ELA JÁ FOI ESTANCADA"

A presidente petista Dilma Rousseff definiu como "estarrecedor" o fato de as denúncias de pagamento de propina na Petrobrás terem sido feitas por um funcionário de carreira da estatal e afirmou que se houve "sangria" ela já foi estancada. "Se houve alguma coisa, e tudo indica que houve, eu posso te garantir que todas, vamos dizer assim, as sangrias que eventualmente pudessem existir estão estancadas", disse Dilma nesta segunda-feira, 8, em entrevista à série Entrevistas Estadão, realizada no Palácio da Alvorada, em Brasília. A presidente afirmou que solicitou oficialmente à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal o acesso ao depoimento do ex-diretor Paulo Roberto Costa, que fechou acordo de delação premiada com a Justiça. Questionada se, durante o período em que integrou a cúpula da Petrobrás, havia permitido a Dilma identificar suspeitas de irregularidades, a presidente disse que em "nenhum momento". "É interessante que a gente lembre que esse diretor (Paulo Roberto Costa) é um quadro de carreira, o que é mais estarrecedor", disse. Nas conversas com a Polícia Federal, o ex-diretor disse que, quando estava na Petrobrás, entre 2004 e 2012, conversou diretamente com o então presidente, o alcaguete Lula (delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr), para tratar de assuntos da empresa. Segundo Dilma, as denúncias envolvendo a Petrobrás "não têm a ver com gestão": "É de fato surpreendente que ele (Costa) faça isso. Não é típico dos quadros da Petrobrás".

PRESIDENTE DA CPI MISTA DA PETROBRAS CONVOCA REUNIÃO DE EMERGÊNCIA

O presidente da CPMI da Petrobras, senador Vital do Rego (PMDB-PB), convocou para esta quarta-feira uma reunião de emergência com os líderes partidários do Congresso. O encontro deverá ser na gabinete do peemedebista em Brasília. A decisão de se fazer o encontro foi tomada após ele conversar com o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR). "Falei com ele por telefone e estou fazendo essa reunião na quarta-feira para a gente discutir os encaminhamentos da comissão", afirmou Vital do Rego. "Vamos discutir os desdobramentos desses novos fatos", ressaltou. A reunião foi convocada após vir a público alguns nomes de parlamentares citados pelo delator Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras em depoimento prestado junto a Justiça Federal. Costa teria informado a participação num suposto esquema de pagamento de propina de ao menos 32 deputados e senadores, um governador e um ministro.

ISRAEL FORNECE INFORMAÇÕES SOBRE O CALIFADO

Israel ofereceu imagens de satélite e outros dados de inteligência para apoiar a campanha aérea liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico no Iraque (o Califado), informou um diplomata ocidental nesta segunda-feira. Assim que as provas de sua origem israelense eram “apagadas”, muitas vezes as informações foram compartilhadas por Washington com aliados árabes e turcos, afirmou o funcionário. O Ministério da Defesa de Israel nem confirmou nem negou o envolvimento em quaisquer esforços internacionais contra o grupo militante. “Não comentamos qualquer assistência nossa, ou se existe tal assistência, na luta contra o Estado Islâmico”, disse o porta-voz do ministério, Yaacov Havakook. A propagação do grupo sunita terrorista na Síria e no Iraque, seu contingente estrangeiro voluntário e a execução de dois jornalistas norte-americanos foram o estopim da intervenção militar das potências ocidentais. Israel, temeroso de que o Estado Islâmico possa alcançar suas fronteiras e desejoso de reatar laços internacionais desgastados por suas políticas em relação aos palestinos, ofereceu-se para ajudar. O diplomata ocidental afirmou que satélites espiões israelenses, sobrevoando o Iraque em ângulos e frequências inacessíveis a satélites dos Estados Unidos, forneceram imagens que permitiram ao Pentágono “completar suas informações e fazer uma avaliação melhor dos danos do conflito” após os ataques a alvos do Estado Islâmico. Israel também compartilhou dados obtidos de bancos de dados de viagens internacionais sobre cidadãos ocidentais suspeitos de se unirem aos terroristas, que podem ser recrutas em potencial para atentados futuros em seus países de origem. “Os israelenses são muito bons para obter dados sobre passageiros e na análise das mídias sociais em árabe para ter uma idéia melhor de quem são essas pessoas”, disse o diplomata sob anonimato. Ressaltando a atuação de bastidores de Israel, o país não será um dos visitados pelo secretário de Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, nesta semana para a criação de uma coalizão anti-Estado Islâmico.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL ACUSA MILÍCIAS ISLÂMICAS POR CRIMES DE GUERRA NA LÍBIA

A organização internacional Human Rights Watch acusou milícias islâmicas na Líbia de cometerem crimes de guerra durante uma batalha no último mês por controle do aeroporto da capital, Trípoli. As cinco semanas de luta, junto com um conflito paralelo entre terroristas islâmicos na segunda maior cidade do país, Benghazi, tirou cerca de 100 mil libios de suas casas e levou 150 mil estrangeiros a deixarem o país. Os conflitos na última semana foram os mais violentos na Líbia desde a guerra civil de 2011 que destituiu Muamar Kadafi. A batalha pelo aeroporto de Trípoli colocou milícias da cidade costeira de Misrata, aliadas aos islamistas libaneses, contra milicianos da cidade de Zintan. Milícias de Misrata ocuparam o aeroporto e tomaram o controle de boa parte da capital. A Human Rights Watch disse em relatório publicado nesta segunda-feira que ambos os lados cometeram graves violações durante o episódio, incluindo atacar civis, realizar bombardeios e destruição indiscriminados, saques e queima de propriedades. Depois das batalhas, milicianos cometeram outras violações, realizando represálias contra civis que apoiavam seus rivais, disse a organização. As milícias de Misrata atacaram uma estação de TV e jornalistas vistos como simpatizantes de seus oponentes, assim como um campo de residentes desalojados em uma cidade vizinha a Misrata que os milicianos acusam de apoiar Kadafi. As milícias de Misrata também atacaram pelo menos 80 famílias de Zintan que moravam em Trípoli.

AÉCIO NEVES DIZ QUE TENTAM "VITIMIZAR" MARINA SILVA

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, fez nesta segunda-feira duras críticas à adversária do PSB, Marina Silva, dizendo que vê na adversária uma "tentativa permanente de vitimização" e que por ela estar fazendo parte do atual cenário político, como postulante ao Palácio do Planalto, deve, sim, dar explicações à sociedade. "O discurso de Marina, que é vítima dos ataques do PT e do PSDB, é muito defensivo, a nossa cobrança em relação a Marina é uma cobrança política, esse é o jogo político e ela tem de estar preparada para dar essas explicações", disse o tucano, que visitou as cidades de Belém e Marabá, no Pará. As críticas a Marina foram feitas quando o presidenciável tucano estava falando sobre o escândalo envolvendo a Petrobras, após as denúncias feitas pelo ex-diretor de Abastecimento e Refino Paulo Roberto Costa, que em 40 horas de depoimento como parte de um acordo de delação premiada. O ex-diretor da estatal citou nomes de políticos ligados principalmente ao PT, PMDB e PP e o do falecido governador de Pernambuco Eduardo Campo, que era o cabeça de chapa do PSB. A respeito do escândalo, Aécio disse que não faria qualquer acusação do gênero a Eduardo e nem a Marina. "E vou além. Em relação às acusações sobre o ex-governador Eduardo Campos, conheci Eduardo durante 30 anos. Isso não combina com ele. Eduardo era um homem de bem. Eu faço toda essa ressalva. Agora, esse discurso da candidata Marina que é vítima dos ataques do PT e do PSDB é um discurso muito defensivo", reiterou. Ainda com relação à adversária do PSB, Aécio lembrou que seu partido não tem nenhuma semelhança com o PT. "Se alguém tem uma semelhança ou uma identidade com o PT é ela (Marina), pelos seus mais de 20 anos de militância no partido, não somos nós. A nossa cobrança em relação a ela é uma cobrança política. Eu quero saber sim qual é o compromisso da Marina com o agronegócio, se vale o de hoje ou vale o de 1999, quando ela apresentou um projeto proibindo o cultivo de transgênicos no País? Qual é o compromisso dela com a estabilidade econômica do País? É o de agora ou aquele quando ela no PT votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e dentro do PT tentaram inviabilizar o Plano Real? O Brasil tem o direito de saber em qual candidata eventualmente vai votar". Ao falar da tentativa de vitimização da ex-senadora, o presidenciável tucano disse que ninguém está imune a qualquer tipo de crítica. "A nossa crítica é política, é frontal. Porque acho que temos as melhores condições de fazer as mudanças que o Brasil precisa. Não basta apenas um conjunto de boas intenções. Boas intenções todos temos, mas é preciso que essas boas intenções de transformem em uma nova realidade", emendou. E continuou na ofensiva: "A candidata Marina, quando coloca no mesmo saco as críticas ao PT e ao PSDB, ela comete um equivoco e, a meu ver, foge do debate. Quero saber com quem ela vai governar e de que forma pretende governar o País, porque quem muda de opinião a todo instante, em razão das circunstâncias ou de determinadas pressões, a meu ver, mostra uma fragilidade muito grande pra enfrentar um país com as complexidades, com as dificuldades que vamos enfrentar a partir do ano que vem".

CONSULTORIA AGROCONSULT DIZ QUE PRODUTORES DOS PRINCIPAIS GRÃOS TERÃO PREJUÍZOS EM 2014/15

Os produtores brasileiros de soja, milho, trigo e algodão vão acumular um prejuízo de quase 2 bilhões de reais na temporada 2014/15, depois de pagarem todos seus custos e investimentos, avaliou nesta segunda-feira a consultoria Agroconsult. O faturamento com estas quatro culturas deverá cair para 108,32 bilhões de reais em 2014/15, ante 112,66 bilhões em 2013/14, em meio a uma ampla oferta global, colheitas abundantes no Brasil e em outros países produtores e uma forte retração nos preços. Ao mesmo tempo, haverá um aumento de custos. Desta forma, o resultado da temporada será de 1,98 bilhões de reais negativos, ante 4,15 bilhões de lucro em 2013/14 e 10,75 bilhões de reais em 2012/13. A última vez que houve prejuízo foi em 2009/10, de 13,8 bilhões de reais, disse a Agroconsult. O cálculo inclui os desembolsos com insumos, mão de obra, operações, administração, arredamento, depreciações, amortização de dívidas, terras e investimentos. "Está muito próximo de um ano ruim", disse o analista Marcos Rubin, em uma teleconferência com a imprensa. Segundo ele, os valores negativos deverão ser cobertos por poupanças feitas pelos produtores em anos anteriores ou pelo aumento do endividamento. O analista não apresentou dados comparáveis de rentatilidades das quatro culturas, mas a sinalização é de que o negócio de soja, pelo menos, fechará o ano no positivo, embora com ganhos em queda. O milho, que deverá perder área para a soja no verão, está no menor preço em quatro anos no mercado brasileiro. A Agroconsult indicou anteriormente que o algodão terá rentabilidade maior que o setor de milho, para os produtores que tiverem condições de apostas na pluma, como maquinário disponível, em 2015. Já o trigo tem um cenário de safra recorde no Brasil de cerca de 7,5 milhões de toneladas, em 2014, o que pressiona os preços.

A PETISTA DILMA DIZ NÃO SE INCOMODAR COM O "VOLTA, LULA"

A presidente petista Dilma Rousseff (PT) disse nesta segunda-feira não se incomodar com o movimento "volta, Lula", que pede que o ex-presidente se candidate em seu lugar este ano. "Todo mundo que apostou em algum conflito entre eu e o Lula errou. Tenho com o Lula uma relação fortíssima, pessoal", afirmou: "Eu apoiarei o Lula em qualquer circunstância. O que ele quiser fazer, eu apoiarei. Estarei com ele em todas as circunstâncias, não só em 2018". Sobre a reforma política, Dilma acrescentou que, "se for acabar com a reeleição, tem de dar mandato de 5 anos". A presidente argumentou que a população quer melhorias na representatividade e nas formas pelas quais campanhas são financiadas: "Só tem um jeito de fazer a transformação, se a população der poder para uma das posições". Ela afirmou também que pretende convocar um plebiscito sobre a reforma política em um eventual segundo mandato e disse ser contra a coincidência de todas as eleições. A petista afirmou que pretendia convocar o plebiscito já nos primeiros quatro anos de governo, mas houve "contestação política". Em relação a atrasos nas obras do governo federal, como é o caso da transposição do rio São Francisco, Dilma afirmou que "só não atrasa obra de engenharia quem não faz" e justificou que a transposição exige diversas obras espalhadas por vários Estados para ser potencializada. Ela ressaltou ainda que, se o governo tivesse a experiência que tem hoje, a obra do São Francisco levaria cinco anos. Dilma também defendeu a propaganda eleitoral de sua campanha que comparou a candidata Marina Silva (PSB) aos ex-presidentes Fernando Collor e Jânio Quadros. Questionada se ela acreditava que Marina também não iria completar um mandato se eleita, a exemplo dos dois ex-presidentes, Dilma explicou que seu programa "não fez uma comparação pessoal". "Eu acho a Marina uma pessoa bem intencionada. Não estou fazendo uma comparação pessoal. O que eu fiz de comparação com o Jânio e o Collor é que ambos governaram sem apoio", explicou, durante a série Entrevistas Estadão.

IMPLOSÃO DE VIADUTO QUE DESABOU EM BELO HORIZONTE É EMBARGADA

A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Minas Gerais embargou nesta segunda-feira, 8, a implosão da alça norte do Viaduto Batalha dos Guararapes, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. A estrutura está interditada desde julho, quando uma outra alça desabou sobre a Avenida Pedro I, matando duas pessoas e deixando 23 feridos. O embargo foi determinado porque a SRTE/MG avaliou haver "risco real e iminente de ruína" do resto da obra, sob responsabilidade da Construtora Cowan, que deverá apresentar projeto de engenharia "que garanta a segurança dos trabalhadores". Segundo a superintendência do Trabalho, após ser notificada, a Cowan apresentou documento com o plano para o trabalho de demolição em 11 etapas. Mas o órgão considerou as informações "insatisfatórias" por não indicarem a "sequência temporal para execução" dos trabalhos, assim como a "previsão de datas". A SRTE/MG apontou "riscos reais" de desabamento da alça norte porque, para o órgão, "tudo indica que o carregamento de explosivos será efetuado sem" que o viaduto esteja escorado pelos equipamentos que hoje auxiliam a sustentar a estrutura.

PRESIDENTE DA CPI MISTA DA PETROBRAS PEDE ACESSO À DELAÇÃO PREMIADA DE PAULO ROBERTO COSTA

O presidente da CPI mista da Petrobrás, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), apresentou nesta segunda-feira, 8, um pedido para que a Justiça Federal do Paraná dê acesso para comissão a todas as informações da delação premiada que está sendo feita pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa. Vital quer que o juiz Sérgio Moro, responsável pela condução do caso, compartilhe com a comissão os depoimentos e os vídeos do ex-diretor. Paulo Roberto Costa revelou que pelo menos 32 deputados e senadores e um governador receberam propina em negociações de contratos na estatal. Os parlamentares recebiam 3% sobre o valor dos contratos. Entre os citados está o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Vital do Rêgo afirmou que a CPI mista já aprovou, no curso dos trabalhos de investigação, um requerimento que permite o compartilhamento com a Justiça paranaense de todas as informações da Operação Lava Jato, ação deflagrada em fevereiro pela Polícia Federal que levou à prisão de Costa. "É obrigação da CPI estar acompanhando para compartilhar o que a Justiça está fazendo e vice-versa", disse o presidente da comissão. Nesta quarta-feira pela manhã, 10, integrantes da CPI mista e líderes partidários devem se reunir no gabinete de Vital para discutir qual a melhor estratégia para cuidar do caso. Parlamentares da base e da oposição passaram a defender a presença de Paulo Roberto na CPI somente após ter tido acesso a todas as informações da delação premiada.

PETROBRAS PEDE À JUSTIÇA ACESSO AO DEPOIMENTO DE EX-DIRETOR

A Petrobras afirmou em nota nesta segunda-feira que pediu à Justiça acesso às informações do depoimento do ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, sobre denúncias de supostas propinas pagas a políticos, conforme a mídia noticiou nos últimos dias. A empresa disse também que enviou cartas às empresas citadas nos veículos de comunicação, solicitando informações sobre a existência de seus contratos com empresas ligadas ao doleiro Alberto Youssef e sobre qualquer envolvimento com as atividades objeto desta investigação. Segundo a companhia, tais informações subsidiarão as Comissões Internas de Apuração já instaladas pela empresa.

A PETISTA DILMA ROUSSEFF DIZ QUE ACIONOU A POLÍCIA FEDERAL SOBRE O "PETROLÃO"

Sem deixar muito claro que tipo de providência concreta tomou até agora desde que VEJA revelou nomes de parlamentares, governadores e um ministro citados como beneficiários do balcão de negócios montado na Petrobras, a presidente-candidata Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira que solicitou à Polícia Federal e ao Ministério Público a íntegra do depoimento à Polícia Federal do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Preso em Curitiba, o delator do esquema de desvios na estatal aceitou acordo de delação premiada. “Se houve alguma coisa, e tudo indica que houve, eu posso garantir que todas as sangrias estão estancadas”, disse a petista em sabatina do jornal O Estado de S. Paulo, no Palácio da Alvorada, em Brasília. Dilma disse que “não tinha a menor idéia” das irregularidades que aconteciam dentro da empresa, reveladas na edição desta semana de VEJA – mas não negou as denúncias. Ela afirmou que “nunca houve desconfiança” sobre a gestão de Paulo Roberto, principalmente pelo fato de ele ser um servidor de carreira, e que o caso “não é típico” dos quadros da Petrobras.

A PETISTA DILMA DIZ QUE MINISTRO EDISON LOBÃO DEU EXPLICAÇÕES SOBRE O PETROLÃO, E POR ESCRITO

A presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou que o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, "negou veementemente" qualquer irregularidade na Petrobras, em reação às denúncias envolvendo um esquema de propina na estatal. Segundo ela, Lobão deu explicações diretamente e por escrito. Dilma explicou que fez um ofício pedindo à Polícia Federal e ao Ministério Público acesso às informações da investigação para tomar as providências cabíveis. A presidente visa garantir que as decisões serão tomadas com base em informações oficiais - e não da imprensa. Dilma negou o afastamento de Lobão do cargo sem "saber primeiro se isso é verdade". "A revista não diz de onde tirou informações, nem como tirou", afirmou. "Se a pessoa estiver comprometida, é afastamento puro e simples do governo. Mas tenho que acatar informações oficiais, da Polícia Federal, do Ministério Público. Se eles não forem capazes de me responder, vou pedir ao Supremo Tribunal Federal que me informe", acrescentou. A petista classificou como "inadmissível" um órgão da imprensa saber algo e o governo não saber. "Não quero no meu governo quem esteja comprometido com qualquer malfeito. Mas também não quero dar à imprensa um poder que ela não tem. Não só o governo federal tem direito, mas a população tem direito", disse. Dilma também defendeu a decisão tomada pelo conselho de administração da Petrobras sobre a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Ela afirmou que tinha pessoas dos setores público e privado no conselho quando foi aprovada a compra de 50% de Pasadena, "com opinião fundamentada do Citibank". "Mais tarde descobrimos que faltava um anexo com duas cláusulas. As duas não nos foram apresentadas. O conselho só aprovou a compra de 50%, os demais 50% não foram aprovados pelo conselho, sequer foram analisados pelo conselho", disse a candidata à reeleição, acrescentando que o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União concordaram que o conselho nada teve a ver com o processo.

CPI DA PETROBRAS PEDE ACESSO A DEPOIMENTOS DE EX-DIRETOR DA ESTATAL NA OPERAÇÃO LAVA JATO

A CPI mista da Petrobras, instalada no Congresso, deve decidir na manhã de quarta-feira os próximos passos do colegiado em razão dos depoimentos prestados por Paulo Roberto da Costa, ex-diretor da estatal, mediante acordo de delação premiada. Nos depoimentos, Costa revelou um esquema de pagamento de propina que teria envolvido a base aliada dos governos Lula e Dilma e o ex-presidenciável Eduardo Campos, o Mensalão do PT 2, já conhecido como Petrolão. O presidente das CPIs instaladas para apuração de supostas irregularidades na Petrobras, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), informou nesta segunda-feira ter pedido à Justiça Federal cópia dos depoimentos, segundo a Rádio Senado. As comissões já têm acesso às informações da Operação Lava Jato, deflagrada em março deste ano pela Polícia Federal para desbaratar esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões. Costa e o doleiro Alberto Youssef foram presos na operação.

FORD E GM MANDAM PARA CASA MAIS DE 1.000 TRABALHADORES NO VALE DO PARAÍBA

Unidades da Ford e da General Motors no Vale do Paraíba, no interior de São Paulo, suspenderam o contrato (layoff) de 1.046 trabalhadores nesta segunda-feira devido à necessidade de adequar a produção à desaceleração do mercado. É o primeiro passo para demissões em massa. A unidade da GM em São José dos Campos suspendeu o contrato de 930 trabalhadores. O Sindicato dos Metalúrgicos informou que a medida incluiu funcionários de todos os setores, sobretudo lesionados e em pré-aposentadoria. Já a unidade da Ford em Taubaté suspendeu o contrato de 116 operários. A montadora já havia suspendido o contrato de 108 metalúrgicos em agosto deste ano, totalizando 224 trabalhadores afastados.  O layoff consiste na redução da carga horária ou suspensão temporária de contratos, sendo que os trabalhores têm direito à remuneração e outros benefícios durante o período de afastamento. Os funcionários afetados pela suspensão de contratos da GM e da Ford receberão salários por meio do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) desde que realizem cursos de qualificação profissional. Em agosto, a produção de veículos no Brasil caiu 22,4% ante igual período do ano anterior, para 265,9 mil unidades. Na mesma base de comparação, as vendas de autos e comerciais leves recuaram 17,12%, para 259.152 unidades.

MARINA DIZ QUE "GOVERNO DO PT MANTEVE QUADRILHA NA PETROBRAS"

A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, voltou a responsabilizar nesta segunda-feira o governo federal pelos escândalos que assolam a Petrobras. "Quem manteve toda essa quadrilha que está acabando com a Petrobras foi o atual governo, que, conivente, deixou que todo esse desmando acontecesse em uma das empresas mais importantes do país", disse. Marina Silva, entretanto, evitou responsabilizar diretamente a presidente e adversária na disputa eleitoral Dilma Rousseff (PT). "A presidente tem responsabilidades políticas. Eu não seria leviana de dizer que ela tem responsabilidade direta pessoalmente. Prefiro que as investigações aconteçam". Reportagem de VEJA revelou que, em um acordo de delação premiada, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal, afirmou que políticos da base aliada à presidente Dilma receberam dinheiro de um esquema bilionário de corrupção na Petrobras. O rol de citados pelo delator inclui três governadores — entre eles Eduardo Campos —, seis senadores, um ministro de Estado e pelo menos 25 deputados federais que embolsaram ou tiraram proveito de parte do dinheiro roubado dos cofres da estatal. De acordo com depoimento, o esquema funcionou nos dois mandatos do ex-presidente Lula e adentrou a atual gestão da presidente Dilma Rousseff. A ex-senadora voltou a citar um trecho da Bíblia ao ser questionada sobre o impacto que a citação de seu ex-companheiro de chapa, Eduardo Campos, tem em sua campanha. "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará", disse, citando capítulo do evangelho de Mateus. Desta vez, Marina Silva concentrou sua fala na defesa de que o caso seja apurado, mas não voltou a defender diretamente Campos, morto em acidente aéreo: "Nós estamos preocupados com a verdade. Queremos que as investigações sejam feitas com todo o rigor. Doa a quem doer, seja o que for que tenhamos nessas investigações". Marina aproveitou ainda a visita a uma creche na região central de São Paulo para fazer mais críticas ao governo federal. "Havia um compromisso do atual governo federal de construir cerca de 6.000 creches, foram construídas apenas 400. Tem 700 em processo de construção. Mas, mesmo assim, de 6.000 para 1.100 é uma diferença muito grande", criticou. Apesar de reprovar o não cumprimento da meta do governo de Dilma Rousseff, Marina não quis dizer quantas creches construirá, caso seja eleita e respondeu ao questionamento com outro ataque à adversária petista. "Nós não estamos trabalhando com promessa de um número, nós queremos que os recursos – os 10% destinados para Educação, com o bom uso dos recursos do pré-sal para a educação e, obviamente, jamais para a corrupção – possam nos ajudar a ampliar significativamente o número de creches em todo o país", disse, voltando a alfinetar o PT, que tentou aplicar em Marina a pecha de "adversária do pré-sal". Como a lei eleitoral não permite realização de campanha em escolas e creches públicas, a candidata do PSB fez questão de dizer que a agenda da manhã desta segunda-feira era uma "visita técnica". "É uma visita técnica, não significa qualquer alinhamento político e, obviamente que as pessoas que estão aqui abrirão as portas para quem quiser conhecer a experiência", disse. Para evitar problemas com a legislação eleitoral, Marina e sua equipe não usaram nenhum material promocional, como adesivos e bandeiras do partido. O vice, Beto Albuquerque, não participou da visita. Ela apenas assistiu a uma apresentação musical e depois conversou com os alunos enquanto eles participavam de uma aula de educação física. Marina fez perguntas como "Qual o nome da professora?" e perguntou o nome de algumas das crianças – uma a uma.

BANCO CENTRAL MOVE AÇÃO DE DIFAMAÇÃO CONTRA ECONOMISTA, E PERDE

O economista Alexandre Schwartsman é um dos críticos mais mordazes do governo. Em artigos, entrevistas e nos relatórios distribuídos aos clientes de sua consultoria, ele desanca com ironia (nem sempre fina) os descaminhos da política econômica que resultaram no estado de crescimento baixo e inflação elevada. “Volta, pibículo!”, pediu ele em sua coluna na Folha de S.Paulo, na semana passada, saudoso dos tempos em que o crescimento não era espetacular, mas ao menos não havia recessão. A atual diretoria do Banco Central merece, com frequência, comentários ásperos por ter, segundo ele, “jogado a toalha” no que se refere ao objetivo de manter a inflação próximo da meta de 4,5%. Para o Banco Central, entretanto, Schwartsman ultrapassou os limites da análise econômica em declarações que apareceram em duas entrevistas divulgadas neste ano. Em uma delas, publicada pelo Brasil Econômico de 27 de janeiro, o economista disse que “o Banco Central é subserviente e submete-se às determinações do Planalto” e “é só olhar para a gestão do Banco Central para saber que é temerária”. Em outra entrevista, ao Correio Braziliense de 27 de abril, declarou que “o Banco Central faz um trabalho porco e, com isso, a incerteza aumentou”. O procurador-geral do Banco Central, Isaac Sidney Ferreira, considerou os comentários ofensivos à imagem da instituição e apresentou, na Justiça Federal, uma queixa-crime contra Schwartsman, sob a acusação de difamação, delito previsto no artigo 139 do Código Penal. A pena pode chegar a um ano de detenção, mas, por se tratar de um crime contra funcionário público, pode ser acrescida em um terço. Na petição, encaminhada em maio, o procurador-geral argumenta que o economista excedeu, “em franca e deliberada demasia, o seu direito de expressão, ao fazer declarações nocivas à reputação do Banco Central”. Uma audiência de conciliação foi marcada para 20 de agosto. O advogado de Schwartsman, Jair Jaloreto, sustentou que seu cliente “jamais teve a intenção de difamar alguém nem instituição alguma” e apenas “expressou sua opinião como expert em economia e finanças, calcada em fatos e dados”. Por isso, não aceitava fazer nenhuma retratação. A juíza federal Adriana Delboni Taricco decidiu-se por rejeitar a queixa-crime. Na sua avaliação, as críticas “de fato se mostraram bastante contundentes, porém faz-se necessário salientar que não ultrapassaram os limites do mero exercício de sua liberdade de expressão”. ​Schwartsman, de 51 anos, ocupou uma diretoria no Banco Central durante três anos, no governo Lula, e foi colega do atual presidente da instituição, Alexandre Tombini. Para o seu advogado, o processo contra o economista teve motivação política, sob o intuito de intimidar “vozes críticas”. “Felizmente, os poderes constituídos conseguem resistir de forma independente”, disse Jaloreto. O procurador Ferreira negou o caráter intimidatório. “O Banco Central sempre terá pleno respeito ao direito de crítica, mas nunca havia deparado com insultos nem assaques desse tipo”, afirmou ele. “Não se trata de uma crítica técnica, a qual é sempre bem-vinda. Entendemos que houve crime contra a honra da instituição”, completou, não descartando a possibilidade de recorrer da decisão. O Banco Central tem o direito de se ofender. Mas, ao processar seu crítico, sujeita-se a uma inevitável e pouco abonadora comparação. Em julho, uma analista do Santander foi demitida depois de ter divulgado um relatório em que afirmava que o fortalecimento de Dilma Rousseff nas pesquisas seria negativo para o investimento em ações.

REVISTA THE ECONOMISTA DIZ QUE DILMA PODE NÃO TER A MESMA SORTE DE LULA NO MENSALÃO 2, O PETROLÃO

A presidente Dilma Rousseff (PT) pode não ter a mesma sorte do ex-presidente Lula (PT), que saiu "ileso" do escândalo do mensalão, segundo a revista britânica The Economist, em artigo publicado em sua edição online. A publicação compara o Mensalão do PT às denúncias de um esquema de propina na Petrobras e diz que a delação do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa pode afetar o resultado das eleições. "Lula teve um ano para sacudir a poeira, enquanto desta vez Dilma tem somente um mês até o dia do pleito", afirma a The Economist, destacando que vencer Marina Silva (PSB) já era um forte desafio para a petista. O artigo aponta que o nome de Eduardo Campos também foi citado por Costa, mas argumenta que nenhum outro nome ligado ao PSB foi envolvido e que Marina Silva é vista como uma pessoa "ética" pela maioria dos brasileiros. A revista destaca que a delação de Paulo Roberto Costa precisará ser "cuidadosamente corroborada". "Mas a questão deve despertar memórias de deslizes do PT que a presidente vem tentando arduamente colocar para trás", diz a publicação. "Não ajuda a presidente o fato de que, se forem verdade, os desvios alegados na Petrobras aconteceram debaixo do seu nariz, primeiro como ministra de Minas e Energia de Lula, depois como presidente do conselho administrativo da companhia". Segundo a The Economist, a campanha eleitoral, que já havia recomeçado do zero após a morte de Eduardo Campos, foi "sacudida" novamente.

DILMA JÁ DEMITIU O MINISTRO DA FAZENDA, O PETISTA GUIDO MANTEGA - ELA DIZ QUE, SE FOR REELEITA, ELE NÃO FICA NO CARGO

A presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) confirmou nesta segunda-feira que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não vai continuar no cargo caso ela se reeleja. A afirmação foi feita durante entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo, no Palácio da Alvorada, em Brasília. "O Guido Mantega já me comunicou que ele não tem como ficar no governo no segundo mandato por questões eminentemente pessoais, que peço para vocês respeitarem", disse. A saída de Mantega ganhou força na última semana, quando Dilma afirmou em agenda de campanha que teria uma "equipe nova" no segundo mandato. "Governo novo, equipe nova, não tenha dúvida disso", disse a petista em Fortaleza, na última quinta-feira. O anúncio da saída do ministro foi feito sem que a presidente consultasse o ministro, provocando mal estar na equipe de governo. O gesto da presidente foi criticado por seus adversários. O candidato tucano Aécio Neves criticou afirmou que o País ficou sem ministro da Fazenda no meio da campanha. Marina Silva, do PSB, disse que é "tarde demais" para a petista anunciar mudanças na equipe econômica. Mantega, que está no comando da Fazenda por tempo recorde – oito anos – já teve sua saída solicitada pelo mercado inúmeras vezes, graças ao pífio crescimento econômico, combinado com inflação elevada. Nas últimas semanas, dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a inflação acumula 6,51% em doze meses até setembro, e recessão técnica depois de o Produto Interno Bruto (PIB) mostrar contração de 0,6% no segundo trimestre deste ano. Mesmo diante a piora do cenário econômico, Mantega - e toda a equipe governista – tem mostrado dificuldade em reconhecer os erros cometidos e se resumido a culpar o baixo desempenho da economia pela crise internacional. Embora a troca de ministro seja bem-vinda pelo mercado, a permanência da presidente Dilma - a grande mentora das decisões econômicas - é que preocupa. De olho nisso, ela apressou-se a dizer que também quer mudar, embora não mostre como. "Um governo novo tem necessariamente, mesmo sendo da mesma pessoa, a obrigação de melhorar a gestão. Eu pretendo melhorar a gestão. Não vou aplicar tudo igual ao que eu venho fazendo, pretendo melhorar", prometeu. Apesar de anunciar que trocará o comando da Fazenda, se vencer as eleições, Dilma disse que não vai anunciar um novo nome porque "dá azar". Sem citar nomes, ela voltou a mencionar o que aconteceu na eleição municipal de São Paulo em 1985, quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso posou para uma foto na cadeira de prefeito um dia antes das eleições, e acabou derrotado nas urnas pelo ex-presidente Jânio Quadros. "Não vou nunca dizer quem vai ser ministro no meu segundo mandato. Quero te dizer que eu acredito piamente que o Brasil vai entrar em uma nova fase. Temos todas as condições robustas para passar por uma nova fase", disse. Se por um lado a presidente falou em mudanças, ela defendeu a permanência de políticas intervencionistas, fortemente criticadas pelo mercado, como a política de indústria nacional e de conteúdo local, essa última que obriga que as empresas que produzem no País comprem um porcentual mínimo de produtos fabricados no Brasil. "É fundamental fazermos política de conteúdo nacional. Essa história de que países desenvolvidos não fazem política de indústria nacional (...) O que é o programa de compras da França?", questionou. Dilma disse ainda acreditar que o País está mudado e que tem condições de entrar em uma "nova fase". "Temos condição agora de diminuir agora alguns incentivos – agora outros não. Vamos continuar focados em emprego e valorização de salário . Não concordo como alguns acham que a razão da inflação é a política de valorização do salário mínimo. Estamos recuperando a queda brutal que houve no Brasil no período anterior ao Lula", disse. Questionada sobre os ajustes de tarifas de energia e gasolina, represadas artificialmente para conter a alta da inflação, Dilma não quis dizer se haverá aumento. "Eu não falo em reajuste de gasolina nem de quanto que vai ser. Eu acho um absurdo, porque o que está por trás da proposta de 'tarifaço'?", disse. A presidente disse considerar legítima a demanda da Petrobras por um reajuste maior para os combustíveis, uma vez que a empresa tem acionistas e deve visar o lucro. Mas ao mesmo tempo, Dilma adotou uma fala populista, dizendo que a riqueza explorada pela empresa tem "202 milhões de acionistas", o povo brasileiro. "É uma discussão que cabe à Petrobras e ao seu Conselho", afirmou. A presidente disse ainda que o reajuste será feito "moderadamente" e negou que haja represamento de preços de energia elétrica. "Tudo que está previsto pela legislação está sendo repassado", afirmou.

AÉCIO NEVES É INCISIVO: "PETROLÃO ERA PARA MANTER O PT NO PODER"

Em agenda de campanha no Pará, o tucano Aécio Neves voltou a responsabilizar o PT, partido da presidente-candidata Dilma Rousseff, pela montagem de um balcão de distribuição de propina a deputados, senadores, governadores e até um ministro de Estado com recursos da Petrobras. "O governo Dilma acabou antes da hora. A presidente já demitiu seu ministro da fazenda e agora vê a maior empresa estatal do país envolvida em um megaesquema de corrupção", disse Aécio Neves. "Não acredito que a presidente tenha recebido recursos desses esquemas, mas, do ponto de vista político, foi beneficiária, sim. Ela tinha obrigação de saber o que se passava no seu entorno. A principal empresa pública brasileira foi submetida aos interesses de grupos para quê? Para manter o PT no poder. O PT enlameou nossa principal empresa. Não adianta dizer que não sabia, tem que investigar e punir exemplarmente os responsáveis", disse. Reportagem de VEJA revelou que, em um acordo de delação premiada, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal, afirmou que políticos da base aliada à presidente Dilma receberam dinheiro de um esquema bilionário de corrupção na Petrobras. O rol de citados pelo delator inclui três governadores, seis senadores, um ministro de Estado e pelo menos 25 deputados federais que embolsaram ou tiraram proveito de parte do dinheiro roubado dos cofres da estatal. O esquema funcionou nos dois mandatos do ex-presidente Lula e na atual gestão de Dilma Rousseff. Em sua chegada à capital paraense, Aécio Neves foi recebido por cerca de cem militantes do partido e ganhou de presente de correligionários uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira do Pará. Ele também alfinetou a candidata do PSB, Marina Silva: "Quero saber com quem ela iria governar". Lembrando o passado petista de Marina, o tucano atacou a adversária: “A Marina, mais uma vez, adota um discurso de vitimização".

ACONTECEU O ESPERADO: DILMA É IGUAL AO ALCAGUETE LULA. EM ENTREVISTA AO ESTADÃO ELA DIZ QUE NÃO SABIA DE NADA DO QUE ACONTECIA NA PETROBRAS, NO PETROLÃO, O MENSALÃO 2 DO PT

A presidente da República, Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, afirmou nesta segunda-feira, em entrevista ao "Estado de S.Paulo", que desconhecia qualquer suposto esquema de corrupção dentro da Petrobras, mas disse que o governo vai se empenhar na investigação. Segundo Dilma, não houve qualquer pedido a ela, quando assumiu, para que mantivesse a direção da empresa do governo anterior, de Lula (2003-2010).  "Eu não tinha a menor ideia de que isso ocorria dentro da Petrobras", disse. "Eu substitui aqueles que eu não considerava melhores para a minha equipe".  Segundo a presidente, ela determinou ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que ele fizesse um ofício à Polícia Federal pedindo mais informações. "Se tiver algum funcionário do governo, qualquer pessoa do governo federal envolvida, queríamos ter acesso para tomarmos as providências. Baseadas em informações oficiais", disse.

O ESCÂNDALO CADA VEZ MAIS PERTO DE EDUARDO CAMPOS

Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobras, vai depor na CPI mista na próxima quarta, dia 10. Ele tem muitas coisas a explicar, entre elas o fato de que morava num apartamento avaliado em R$ 7,5 milhões, que pertencia a um offshore que, nitidamente, tem um laranja no Brasil. Mas há muito mais. 

Segundo depoimento prestado por Cerveró à Justiça Federal do Paraná, informa o Estadão, foi Paulo Roberto Costa quem indicou os membros da comissão de licitação da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, uma das obras com evidências escancaradas de superfaturamento. Não custa lembrar que, entre os beneficiários de propina, o engenheiro inclui justamente Eduardo Campos, que era, então, governador de Pernambuco.
A refinaria de Abreu e Lima, construída pela Petrobras, talvez seja um emblema da falta de limites da turma. Orçada inicialmente em US$ 2,5 bilhões, ela já custou, até agora, US$ 18 bilhões. Estima-se que o esquema a que pertenciam Costa e o doleiro Alberto Youssef tenha desviado, só nesse empreendimento, algo em torno de R$ 400 milhões.
Há mais: segundo informa O Globo, “Costa concedeu vantagens financeiras, dilatou prazos e suprimiu compromissos assumidos por Pernambuco num acordo firmado diretamente com Campos”. Documentos obtidos pelo jornal revelam que Costa e Campos “assinaram um termo de adiantamento de tarifas da Petrobras ao Porto de Suape por conta do futuro uso do porto no transporte de produtos da refinaria Abreu e Lima, cuja inauguração está prevista para novembro”.
O jornal revela que “o termo foi assinado pelos dois em 18 de agosto de 2008 e cita repasses de R$ 475,7 milhões da estatal ao governo pernambucano. Pernambuco descumpriu um termo de compromisso assinado no ano anterior, o que levou a um aditivo validado por Costa e Campos. A transação começou a ser investigada pela Controladoria Geral da União em junho deste ano. Até agora, a estatal já repassou R$ 783 milhões a título de antecipação de tarifas.”
É impressionante como a Petrobras atuava — e talvez atue, vai saber — como se fosse mesmo um governo independente. A cada dia, fica mais claro por que o tal engenheiro preso havia arrolado Eduardo Campos como uma testemunha de defesa.
Para encerrar, é bom não quer esquecer: à Polícia Federal e ao Ministério Público, Costa afirmou que esteve várias vezes com Lula, dando a entender que o ex-presidente da República sempre soube o que se passava por lá. Por Reinaldo Azevedo

DOIS DOADORES DA CAMPANHA DO PETISTA "GRILO FALANTE" E TENENTE ARTILHEIRO E POETA DE MÃO CHEIA TARSO GENRO SÃO BEM CONHECIDOS

Dois dos principais "doadores" para a campanha do petista gaúcho Tarso Genro são bem conhecidos. São Londrina Bebidas, que é um dos braços usados pela mltinacional brasileira Ambev, maior grupo cervejeiro do mundo, dono de Antartica, Brahma e Budweiser, e a Haztec Tecnologia (seus controladores são SYNTHESIS EMPREENDIMENTOS LTDA, o FUNDO INFRABRASIL, gerido pelo Banco Santander S.A., e o BRADESCO BBI, braço de investimentos do Banco Bradesco S.A. A Haztec presta serviços aos governos como empreiteira. O Fundo Infrabrasil, um dos acionistas, tem por objetivo financiar projetos de infra-estrutura nas áreas de logística (rodovias,  ferrovias, portos e aeroportos), telecomunicações, distribuição de gás, energia (geração, transmissão e distribuição), água e saneamento. Funcef, da Caixa Econômica Federal, é m dos sócios do Infrabrasil. Obliquamente, dinheiro do Funcef abastece o caixa da campanha do PT no Rio Grande do Sul.

ARTIGO DE RICARDO NOBLAT - MAR DE LAMA AMEAÇA A PETROBRAS

A exemplo de Lula no caso do mensalão em 2005, quando Dilma dirá que foi traída e pedirá desculpas aos brasileiros pelo escândalo do mar de lama que entope os dutos da Petrobras, ameaçando tragar a maior empresa do continente? No mínimo, é o que se espera dela, ex-ministra das Minas e Energia, ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobras, e presidente da República em final de mandato. Digamos que Dilma compete com Lula para ver quem foi mais feito de bobo por seus subordinados. A auxiliar de mais largo prestígio nos oito anos de Lula no poder, a presidente eleita sem jamais ter sido, sequer, síndica de prédio, Dilma foi surpreendida, assim como o seu mentor, pelo escândalo do mensalão – o pagamento de propina a deputados federais para que votassem conforme a vontade do governo. Foi surpreendida de novo quando chefiou a Casa Civil da presidência da República e ficou sabendo que um dos seus funcionários confeccionara um dossiê sobre o uso de cartões corporativos pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua mulher, dona Ruth. Dilma pediu desculpas ao casal. O autor do dossiê conseguiu manter-se na órbita do serviço público. Outra vez, Dilma foi surpreendida pela suspeita de malfeitos praticados por Erenice Guerra, seu braço direito na Casa Civil e, mais tarde, sucessora no comando do ministério. Na ocasião, Dilma estava em campanha pela vaga de Lula. Para evitar danos à sua candidatura, Erenice pediu demissão. Dali a dois anos, a Justiça a inocentou por falta de provas de que roubara e deixara roubar. Quase ao término do seu primeiro ano de governo, batizada por assessores de “a faxineira ética”, Dilma degolou seis ministros de Estado. Pesaram contra eles acusações de corrupção publicadas pela imprensa. De lá para cá, ministérios e cargos públicos foram entregues por Dilma aos ex-ministros degolados ou a grupos políticos ligados a eles. A “faxineira ética” baixou à sepultura. Por ora, Dilma está atônita e se recusa a falar sobre o mais novo escândalo que bate à sua porta. Paulo Roberto Costa, chamado de Paulinho por Lula, preso em março último pela Polícia Federal como um dos cérebros da quadrilha acusada de roubar a Petrobras, começou a contar o que sabe – ou o que diz saber. Em troca, quer o perdão judicial para não ter que amargar até 50 anos de cadeia. Dilma sabe muito bem quem é Paulinho, nomeado por Lula em 2004 para a diretoria de Abastecimento da Petrobras. Saiu dali só em 2012. No período, compartilharam decisões, algumas delas, responsáveis por prejuízos bilionários causados à Petrobras. Dilma mandou diretamente na empresa enquanto foi ministra das Minas e Energia e chefe da Casa Civil. Manda, hoje, via o ministro Edison Lobão, das Minas e Energia. Lobão foi citado por Paulinho como um dos políticos integrantes da mais nova e “sofisticada organização criminosa” da praça, juntamente com mais seis senadores, 25 deputados federais e três ex-governadores. A organização superfaturava licitações da Petrobras e desviava dinheiro para um caixa que financiava campanhas de políticos da base de apoio ao governo. Por suposto, nem Lula nem Dilma sabiam disso. O que é mais notável: entra campanha e sai campanha da Era PT, e os adversários do governo são acusados por Lula e Dilma de se valerem da Petrobras como arma política. Pois bem, debaixo do nariz deles, camaradas deles usaram a Petrobras como arma para enriquecer.

VEJA A LISTA DAS 30 CIDADES QUE MAIS MOVIMENTAM COMÉRCIO ELETRÔNICO NO BRASIL

As empresas que atuam com e-commerce no Brasil devem atingir o patamar de 130 milhões de pedidos até o final do ano. A previsão é de que as lojas virtuais totalizem cerca de 13 bilhões de visitas de consumidores em 2014. O ticket médio atual é de R$ 292,47 e taxa de conversão de 1,04%. O tempo médio de visita dos compradores brasileiros é de pouco mais de três minutos. Os números são da pesquisa “Mapa do E-commerce no Brasil”, realizada pela Conversion, maior empresa brasileira especializada em Search Engine Optimization (SEO), que analisou mais de 100 milhões de visitas em lojas virtuais nacionais e montou um ranking com as 100 cidades que mais movimentam o comércio eletrônico no Brasil. (Políbio Braga)

PETROLÃO - PT E PSB FAZEM UMA DISCRETA PARCERIA PARA DESQUALIFICAR A DENÚNCIA

A candidata Dilma Rousseff falou neste domingo sobre o petrolão, o mensalão da Petrobras, e, como de hábito, disse coisas um tanto confusas, meio incompreensíveis. Afirmou que, por enquanto, não pode fazer nada porque ainda não conhece direito as denúncias e não sabe o grau de comprometimento de cada acusado, se tudo é mesmo verdade etc. Até aí, vá lá, tudo bem. Mas exagerou: segundo a presidente-candidata, o imbróglio não envolve o seu governo. Epa! Como assim, governanta? Um dos acusados é seu atual ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, pasta à qual está afeita a Petrobras. Outro que está na lista é Mário Negromonte, seu ex-ministro das Cidades. Mas isso ainda é pouco, né? A dinheirama, segundo o denunciante, serve para manter abastecida a base aliada — sim, base aliada do governo Dilma. E um dos peixes graúdos do esquema, segundo Paulo Roberto Costa, é João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, partido ao qual pertence a digníssima e pelo qual disputa a reeleição.

Dá para ir adiante: o esquema vigorou, segundo a acusação, durante todo o governo Lula. Podemos apimentar a narrativa: a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, teria alimentado o esquema criminoso. A presidente do conselho, no período, era uma certa… Dilma Rousseff, que, já instalada no Palácio do Planalto, garantiu a Nestor Cerveró, o principal executivo da compra da refinaria, o cargo de diretor financeiro da BR Distribuidora. Como não atinge o seu governo, presidente? A senhora até pode pedir prudência, mas a história de que sua gestão não tem nada com isso é bobagem.
A reação do PSB foi, digamos, calculadamente ambígua. Marina Silva, a candidata a presidente, e Beto Albuquerque, a vice, concederam uma entrevista coletiva neste domingo. Marina atacou os desmandos na Petrobras; afirmou que a empresa precisa ter um comando técnico e respondeu a ataques dos petistas: “Sou caluniada e acusada de ser contra esse patrimônio do Brasil. Enquanto essa mentira é alardeada, a Petrobras é destruída pelo uso político, o apadrinhamento e a corrupção”.
Pois é… Na hora, no entanto, de comentar o fato de que Eduardo Campos compõe a lista de políticos que teriam recebido propina, Marina se calou e passou a bola para Albuquerque, que, curiosamente, não deu uma resposta muito diferente da oferecida pelos petistas: haveria motivação eleitoral na denúncia. O candidato a vice de Marina disse estranhar o fato de que Paulo Roberto já tivesse, antes, indicado Campos como uma de suas testemunhas.
É mesmo? Eu estranho é o seu estranhamento. Está na cara que o engenheiro mandava um recado ao ex-governador de Pernambuco. Parecia dizer: “Você me conhece; fale sobre mim para a polícia…”. Não custa lembrar que os três governadores ou ex citados como beneficiários de propinas — além de Campos, Roseana Sarney (PMDB-MA) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ) — pertencem a estados onde há grandes empreendimentos da Petrobras. PT e PSB cobram acesso aos depoimentos. OK. Que o façam! Mas é preciso ter um pouco mais de pudor com as respostas ridículas.
O tucano Aécio Neves fez o esperado — afinal, queriam o quê? Cobrou investigação e advertiu que já ninguém aguenta essa história do “eu não sabia”. Em entrevista à VEJA, afirmou: “As denúncias do senhor Paulo Roberto mostram que a Petrobras vem sendo assaltada ao longo dos últimos anos por um grupo político, comandado pelo PT, com o objetivo de perpetuar-se no poder. Quando nós apresentamos a proposta da criação da CPMI da Petrobras, os líderes do governo diziam que isso era uma jogada eleitoral da oposição apenas para prejudicar o governo nas eleições. A presidente da República chegou a dizer que nós estávamos, com os ataques que fazíamos à Petrobras, depondo contra a imagem da nossa principal empresa. Quem desmoralizou a nossa principal empresa foi esse governo comandado pela atual presidente da República.”
Alguém tem de cobrar a investigação e alertar o país para a gravidade do assunto. Dadas as falas, tudo indica que Dilma e Marina, apesar da retórica, preferem que não se vá até o fim nessa história. Convenham: tramoia será fugir da verdade só porque há eleições. A ser assim, “estepaiz”, como diz aquele, só prende vagabundos que roubam o dinheiro público em ano ímpar, não é mesmo? Por Reinaldo Azevedo

PETROLÃO: GILBERTO CARVALHO QUER APROVEITAR OUTRO ESCÂNDALO QUE ATINGE O PT PARA GARANTIR AINDA MAIS PRIVILÉGIOS A SEU PARTIDO. É INDECOROSO, É DESPUDORADO, É INDECENTE!

Sempre que Gilberto Carvalho fala, o mundo, o Brasil em particular e, muito especialmente, a política se tornam menos pudorosos, menos decentes, menos inteligentes e inteligíveis, menos sensatos, menos honrados. É impressionante a capacidade que este senhor, que é secretário-geral da Presidência, tem de penetrar no terreno do grotesco, do absurdo e do asqueroso. Neste domingo, algum figurão do Planalto tinha de vir a público para tentar dar uma resposta às graves acusações que Paulo Roberto Costa, o engenheiro da Petrobras que está preso, fez em depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal. Ora, para tarefa tão espinhosa, só mesmo alguém da, digamos, estatura de Carvalho.

Segundo Paulo Roberto, as empreiteiras que faziam negócios com a Petrobras pagavam uma comissão a um grupo de políticos que incluía três governadores de Estado, seis senadores, um ministro, um ex-ministro, 25 deputados e o tesoureiro de um partido. É o petrolão. O esquema fraudulento funcionou nos oito anos do governo Lula — que, afirma Paulo Roberto, sempre soube de tudo — e estava a pleno vapor na gestão Dilma, até ser desbaratado pela Polícia Federal. A denúncia atinge em cheio três partidos: PP, PMDB e, muito especialmente, o PT.
A candidata Dilma Rousseff falou sobre o assunto. Carvalho se manifestou, reitero, como a voz do governo. E não viu mal nenhum em falar uma penca de barbaridades, que indicam o buraco no qual o País pode estar a se meter caso Dilma Rousseff seja reeleita.
Gilberto Carvalho, acreditem, para escândalo da lógica, do bom senso e da vergonha na cara, disse o seguinte: “Enquanto houver financiamento empresarial de campanha, e as campanhas tornarem-se o momento de muita gente ganhar dinheiro e de se mobilizarem muitos recursos, eu quero dizer: não há quem controle a corrupção enquanto houver esse sistema eleitoral. Isso é com todos os partidos. Não há, infelizmente, nenhuma exceção”. O que Carvalho está dizendo é o seguinte: “Nós, do PT, somos corruptos, sim, mas todos são”.
Ora, o que o financiamento privado de campanha tem a ver com o antro em que se transformou a Petrobras? Digamos que o dinheiro do estado financiasse os partidos. Será que a empresa estaria protegida contra larápios? A resposta, obviamente, é “não”. Ao contrário: no dia em que o financiamento privado for proibido, aumentará o volume de caixa dois nas campanhas, e as estatais estarão ainda mais sujeitas ao assalto.
Para lembrar: a lista dos que receberiam propina do Petrolão inclui, entre outros, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que morreu num acidente aéreo no dia 13 de agosto, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e Sérgio Cabral, ex-governador do Rio (PMDB). Paulo Roberto acusa ainda Edison Lobão, atual ministro das Minas e Energia, e atinge o coração do Congresso: estão no rol o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e o do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). PT, PMDB e PP seriam os três beneficiários do esquema, que teria também como contemplados os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Romero Jucá (PMDB-RR), e os deputados  João Pizzolatti (PP-SC) e Candido Vaccarezza (SP), além de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT.
Carvalho tentou, adicionalmente, desqualificar a acusação, como se tudo não passasse de uma tramoia da oposição. Até parece que Paulo Roberto Costa procurou a sede do PSDB para fazer sua denúncia. Errado! Ele já gravou 42 horas de depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público.
Um dos principais ministros de Dilma, vejam vocês, quer aproveitar mais um escândalo que pega em cheio o PT como pretexto para fazer uma reforma política que privilegiaria o seu partido e ainda elevaria exponencialmente o volume de caixa dois nas campanhas, o que deixaria as estatais ainda mais sujeitas à sanha dos companheiros. Por Reinaldo Azevedo

SUIÇA CONFIRMA INVESTIGAÇÃO DE CONTAS DE PESSOAS LIGADAS À PETROBRAS

O procurador-geral da Suíça, Michel Lauber, confirmou nesta segunda-feira, em Genebra, que a Justiça do país europeu continua investigando contas bancárias de pessoas ligadas à Petrobras. “A investigação está em andamento”, declarou Lauber, sem informar nomes nem dar detalhes da apuração. Em maio, a Justiça suíça entregou ao Brasil informações apontando que um colaborador do doleiro Alberto Youssef, pivô da Operação Lava-Jato, mantinha no país uma conta de 5 milhões de dólares – o dinheiro foi bloqueado. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o próximo alvo da Lava-Jato são empreiteiras que detêm contratos com a petroleira. As investigações rastrearam repasses ao Exterior realizados por uma subcontratada das obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Outros depósitos partiram de empreiteiras com sede em Salvador (BA). Já foi decretado o embargo de outros 23 milhões de dólares em 12 contas ligadas ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. A Suíça abriu processo penal contra ele por lavagem de dinheiro. Em coletiva de imprensa, o presidente da Suíça, Didier Burkhalter, afirmou que as investigações sobre o caso vão continuar, independentemente das considerações políticas e eleitorais no Brasil que o caso possa ter: “Na Suíça há uma lei e se cumpre”. “Há uma colaboração judicial que está ocorrendo, e na Suíça existe uma separação de Poderes”, disse Burkhalter: “A lei é aplicada sem levar em conta o contexto e não vamos mudar nossa política". Preso em março pela Polícia Federal, Paulo Roberto Costa aceitou recentemente os termos de um acordo de delação premiada – e começou a falar, conforme revelou a edição desta semana de VEJA. No prédio da Polícia Federal em Curitiba, ele vem sendo interrogado por delegados e procuradores – os detalhes dos depoimentos podem jogar o governo no centro de um escândalo de corrupção de proporções semelhantes às do mensalão. Os depoimentos são registrados em vídeo — na metade da semana passada, já havia pelo menos 42 horas de gravação. Paulo Roberto acusa uma verdadeira constelação de participar do esquema de corrupção. Entre eles estão os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA). Do Senado, Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, e Romero Jucá (PMDB-RR), o eterno líder de qualquer governo. Já no grupo de deputados figuram o petista Cândido Vaccarezza (SP) e João Pizzolatti (SC), um dos mais ativos integrantes da bancada do PP na casa. O ex-ministro das Cidades e ex-deputado Mario Negromonte, também do PP, é outro citado por Paulo Roberto como destinatário da propina. Da lista de três “governadores” citados pelo ex-diretor, todos os políticos são de Estados onde a Petrobras tem grandes projetos em curso: Sérgio Cabral (PMDB), ex-governador do Rio, Roseana Sarney (PMDB), atual governadora do Maranhão, e Eduardo Campos (PSB), ex-governador de Pernambuco e ex-candidato à Presidência da República morto no mês passado em um acidente aéreo. Paulo Roberto também esmiúça a lógica que predominava na assinatura dos contratos bilionários da Petrobras – admitindo, pela primeira vez, que as empreiteiras contratadas pela companhia tinham, obrigatoriamente, que contribuir para um caixa paralelo cujo destino final eram partidos e políticos de diferentes partidos da base aliada do governo. Sobre o PT, ele afirmou que o operador encarregado de fazer a ponte com o esquema era o tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, cujo nome já havia aparecido nas investigações como personagem de negócios suspeitos do doleiro Alberto Youssef.

ELEITORADO DE CENTRO-DIREITA SUSTENTA A LIDERANÇA DE MARINA SINA NO SEGUNDO TURNO, CONFORME PESQUISA DATAFOLHA

É com o apoio dos eleitores de uma crescente direita e centro-direita que Marina Silva (PSB) assegura seu empate com a presidente Dilma Rousseff no primeiro turno da eleição presidencial e, sobretudo, derrota a petista na simulação de embate final. Dilma tem 35% das intenções totais de voto contra 34% de Marina Silva, mostrou a pesquisa Datafolha finalizada na última quarta-feira, dia 3. Se o primeiro turno fosse só entre os eleitores de direita ou de centro-direita, porém, a vantagem numérica não seria de Dilma, mas da ex-ministra do Meio Ambiente. Marina Silva, no entanto, fica nove pontos atrás da petista no grupo dos eleitores de esquerda. E aparece ligeiramente atrás quando são analisadas as preferências dos eleitorados de centro e de centro-esquerda. Isso tudo ocorre porque as intenções de voto em Dilma crescem conforme o eleitor tende à esquerda. Com o senador tucano Aécio Neves (14% das intenções totais de voto), a tendência é oposta: quanto mais à direita estiver o eleitor, melhor é seu desempenho. Na simulação de segundo turno mais provável da atual disputa, as inclinações dos esquerdistas por Dilma e dos direitistas por Marina Silva aparecem ainda mais acentuadas. No universo de eleitores de esquerda, Dilma ganha o embate final por 50% a 43%. Mas conforme o eleitorado caminha para a direita, aumenta a vantagem de Marina Silva. Entre os eleitores de centro-direita, a diferença pró-candidata do PSB é de 12 pontos. Entre os de direita, atinge 14 pontos (49% a 35%). Para chegar a essas conclusões, o Datafolha cruzou os dados de intenção de voto com informações colhidas num questionário que mede a inclinação ideológica de cada pessoa entrevistada. Funciona assim: além das tradicionais questões sobre voto, rejeição, grau de conhecimento e avaliação do governo, os entrevistados são confrontados com afirmações antagônicas em 16 temas. São perguntas que costumam demarcar bem diferenças entre os pensamentos de direita e de esquerda, como a influência da religião na formação do caráter e o entendimento sobre as causas da criminalidade, por exemplo. Com base nos resultados, os eleitores são agrupados em alguma das cinco posições de uma escala ideológica (esquerda, centro-esquerda, centro, centro-direita e direita). Para desenvolver essa pesquisa, o Datafolha usou como referência os métodos do Pew Research Center em estudos sobre o voto americano. Em 2012, o instituto fez seu primeiro levantamento com escala ideológica de eleitores; em novembro de 2013, a primeira investigação nacional desse tipo.

GERAÇÃO HIDRELÉTRICA É A MAIS FRACA EM NOVE ANOS

A geração hidrelétrica registrada em agosto foi a pior dos últimos nove anos. Ao todo, 40,5 mil megawatts (MW) de energia foram injetados no sistema elétrico no mês passado. Resultado mensal mais fraco do que esse só foi registrado em julho de 2005, quando 30,2 mil MW foram entregues, de acordo com informações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Se observado o desempenho verificado nos meses de agosto, somente em 2004 foi registrado um desempenho tão fraco quanto o de agora. A gravidade da situação fica mais evidente quando os números são contrapostos à evolução da geração hidrelétrica neste mesmo período. Os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apontam que, em 2004, o Brasil tinha 79,6 mil MW de energia baseada em hidrelétricas e as chamadas pequenas centrais hidrelétricas (PCHs – são as usinas que geram até 30 MW). Dez anos depois, a geração de energia extraída dos rios saltou para 87,6 mil MW, um crescimento de quase 10%. Isso significa que, passada uma década, e após uma ampliação significativa do potencial de geração, as hidrelétricas estão gerando hoje a mesma quantidade de energia de dez anos atrás. Atualmente, há 1.137 hidrelétricas em operação no Brasil, responsáveis por entregar 67% da capacidade total do País – ou 136,7 mil MW. Os números da Aneel apontam que há 44 hidrelétricas em construção no País, as quais vão adicionar 14,8 mil MW ao sistema. Outros 193 projetos hidrelétricos já foram outorgados pela agência, mas ainda dependem da conclusão de processos de licenciamento ambiental ou realização de leilão pelo governo federal. A geração térmica a gás, óleo, carvão e biomassa cresceu consideravelmente nos últimos dez anos. Em 2004, a energia extraída por essas usinas chegava a 19,5 mil MW, respondendo por 21,5% do potencial energético naquele ano. Atualmente, há 39,2 mil MW de geração térmica no sistema elétrico, o que corresponde a 29% do parque instalado. Outros 4% estão atrelados às usinas eólicas e nucleares. Ao todo, o sistema elétrico é abastecido por 3.350 usinas, entre todos os tipos de fontes de geração.

MORRE O LENDÁRIO CANTOR MILTINHO, NO RIO DE JANEIRO, AOS 86 ANOS


Morreu neste domingo (7) no Rio de Janeiro, aos 86 anos, o cantor Milton Santos de Almeida, conhecido como Miltinho, autor de canções como "Mulher de 30", sucesso na década 1960. Segundo uma de suas filhas, Sandra Vergara, o sambista foi vítima de uma parada cardíaca no Hospital do Amparo, no Rio Comprido, Zona Norte do Rio de Janeiro, onde estava internado havia dois meses em tratamento de um problema pulmonar. O velório será realizado das 9 às 17 horas desta segunda-feira (8), na Capela 3 do Memorial do Carmo, Zona Portuária do Rio de Janeiro. Miltinho deixa três filhos e cinco netos. Com a música “Mulher de 30”, Miltinho ganhou dinheiro e o reconhecimento do público. Recebeu vários prêmios, participou dos principais programas de televisão da época. O sambista também animou carnavais com marchinhas como "Nós os carecas". No aniversário de 70 anos, em 1998, lançou o CD "Miltinho Convida", com elenco de alguns de seus aprendizes confessos, como João Nogueira, João Bosco, Luiz Melodia. "Mulata assanhada", “Palhaçada”, “O conde”, “Laranja madura”, “Volta” e “Menino moça” são outros de seus sucessos, que lhe renderam o apelido de "Rei do Ritmo". "A vida, a meu ver, como ritmista, é um ritmo. Você tem ritmo para andar, para pega. Se bobear, tropeça e cai", disse o cantor em entrevista para o documentário "No tempo do Miltinho" (2008), de André Weller. "Eu não sou astro de coisa nenhuma. Sou apenas um mero cantor de samba. O que me honra muito", definiu-se. Também no filme, vencerdor do prêmio de melhor curta brasileiro no festival É Tudo Verdade de 2009, Elza Soares, uma de suas parceiras, elogia: "A divisão de Miltinho, acho que ele tem ritmo até na ponta da orelha (...) Para mim, ele é único". De acordo com a filha de Miltinho, ele havia parado de fazer shows há quatro anos, desde quando foi diagnosticado com princípio do mal de Alzheimer. “Hoje, no horário de visita, a médica nos chamou para dizer que ele tinha falecido por volta das 16 horas.