quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Janot pede 35 anos de prisão para filho de Maluf

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal que condene Flávio Maluf, filho do deputado federal Paulo Maluf, a uma pena de 35 anos e 15 dias de reclusão no regime fechado por suposto envolvimento com desvios nas obras das Águas Espraiadas, em São Paulo. Janot concluiu que não é mais possível punir Paulo Maluf porque, segundo ele, já teria ocorrido a prescrição. No documento enviado ao Supremo no qual apresentou suas alegações finais sobre o caso, o procurador afirmou que a pena para Paulo Maluf poderia ser de 23 anos, 6 meses e 15 dias de reclusão. No entanto, de acordo com ele, nenhuma punição poderá ser aplicada. Janot disse que houve demora na instrução da ação e, como o deputado tem mais de 70 anos, a prescrição já teria ocorrido. Apesar disso, o procurador pediu que o Supremo determine a devolução de R$ 32,5 milhões aos cofres públicos. Em tramitação no Supremo, o processo apura supostas irregularidades e desvios da obra durante as gestões de Paulo Maluf como prefeito e governador. Conforme a acusação, teriam sido cometidos os crimes de corrupção passiva, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha durante os anos de 1997 a 2001. Além do deputado e do filho, são réus na ação Simeão Damasceno, ex-diretor da empresa Mendes Junior, e  o operador de valores Vivaldo Alves. Segundo informações divulgadas pela Procuradoria Geral da República, em 1994, durante o mandato de prefeito, foram contratadas as empresas Mendes Junior Engenharia S/A e Construtora OAS Ltda para a execução das obras de canalização do córrego Água Espraiada. Uma investigação do Ministério Público de São Paulo concluiu que ocorreram irregularidades na obra. Entre elas, a emissão de notas fiscais e recibos que não correspondiam à prestação de serviços ou fornecimento de materiais relacionados nos documentos. Para o Ministério Público, parte dos recursos era transferida a doleiros e encaminhada a contas no Exterior.

Alemão de 93 anos era responsável pela triagem de objetos roubados das vítimas transportadas para o campo de concentração

O Ministério Público da Alemanha denunciou um homem de 93 anos como cúmplice no assassinato de 300.000 pessoas durante o período em que serviu como guarda no campo de concentração de Auschwitz. Oskar Gröning, ex-membro da SS, trabalhou no campo entre 1942 e 1944, mas os promotores decidiram concentrar as acusações nas atividades que ele cumpriu entre maio e julho de 1944. À época, sua função era separar objetos valiosos entre os pertences roubados das pessoas levadas ao campo e se livrar dos que não tinham valor antes que mais prisioneiros chegassem. Também foi nessa época que Auschwitz recebeu 425.000 prisioneiros húngaros (a maioria deles judeus). Cerca de 300.000 morreram e é por cumplicidade nessas mortes que a promotoria quer condenar o ex-guarda. "Ele ajudou o regime nazista a se beneficiar economicamente e apoiou os assassinatos sistemáticos", afirma a denúncia da promotoria. Nas seis décadas após a II Guerra Mundial, Oskar Gröning levou uma vida relativamente tranquila na região de Hanover, na Alemanha. Ele chegou a ser denunciado pelo Ministério Público na década de 80, mas as acusações foram logo arquivadas porque não foi possível ligá-lo a algum assassinato específico. Em 2005, o ex-guarda apareceu em um documentário dando detalhes sobre o que viu em Auschwitz. No mesmo ano, ele deu uma entrevista para a revista Der Spiegel relatando episódios brutais que testemunhou no campo, como o assassinato de um bebê por um colega da SS. Gröning disse que decidiu falar sobre o que acontecia no local ao ver a disseminação de panfletos que negavam o holocausto nazista e sentir que era sua responsabilidade falar a verdade. “Eu vi as câmaras, eu vi os fornos", ressaltou. O ex-guarda afirmou, contudo, que pessoalmente não cometeu atrocidades: "Cúmplice é um pouco demais para mim. Eu descreveria meu trabalho como um pequeno parafuso em uma engrenagem. Se você descrever isso como culpa, então eu sou culpado, mas não voluntariamente. Falando legalmente, eu sou inocente". Uma reforma judicial em 2011 permitiu que funcionários que ocupavam posições menores no regime nazista também pudessem ser processados. Um escritório do governo responsável por investigar crimes cometidos no período indicou 30 nomes de antigos guardas de Auschwitz que poderiam ser eventualmente processados. A maioria está em más condições de saúde. Outros três casos chegaram a ser abertos, mas até agora o de Gröning foi o único em que o denunciado apresentou condições para ir a julgamento.

Médica francesa contrai ebola na Libéria

Uma médica francesa foi infectada pelo vírus ebola enquanto trabalhava na Libéria e será enviada de volta para França, de acordo com informações da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF). Em declaração feita nesta quarta-feira, a organização afirmou que a sua funcionária desenvolveu febre na terça-feira e foi diagnosticada com o vírus. A doença é transmitida pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas doentes, o que deixa os profissionais de saúde especialmente vulneráveis a infecção. Mas, segundo o MSF, apenas seis dos seus funcionários que trabalham nos locais afetados contraíram a doença. A organização tem mais de 2.000 pessoas trabalhando na região, incluindo 200 estrangeiros.

FMI diz que Brasil precisa de reformas para crescer e juros podem subir ainda mais

O Brasil deve crescer menos que o previsto este ano e em 2015 e precisa de reformas para resolver os gargalos da infraestrutura e estimular a atividade econômica. Além disso, o País pode ter que voltar a elevar os juros, caso a pressão inflacionária persista, recomenda o Fundo Monetário Internacional (FMI) em um documento chamado "Perspectiva Global e Desafios de Políticas", preparatório para a reunião de ministros e banqueiros centrais do G-20, grupo formado pelos países mais ricos do mundo, que ocorre nos próximos dias 20 e 21, na Austrália. Diante dos números fracos da atividade econômica apresentados até o segundo trimestre, o FMI ressalta que o Brasil e a América Latina devem crescer menos que o esperado em 2014 e 2015, mas não cita projeções. A instituição já rebaixou as estimativas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no relatório de previsões divulgado em abril, durante a sua reunião de primavera em Washington. Em julho, fez uma atualização das estimativas e voltou a reduzir os números brasileiros. O próximo relatório será divulgado dia 7 de outubro, às vésperas da reunião anual do Fundo. A estimativa do FMI para o Brasil divulgada em julho previa expansão de 1,3% este ano e 2% no ano que vem, números bem acima das apostas mais recentes. O boletim Focus, divulgado esta semana pelo Banco Central, que reúne a média das previsões do mercado, em avanço de 0,33% este ano. A falta de investimento e de consumo tem contribuído para números decepcionantes no Brasil, ressalta o FMI no documento de hoje, destacando que a confiança de empresários e dos consumidores vem caindo em meio às eleições. "O crescimento na América Latina permanece abaixo do potencial, principalmente no Brasil", diz o FMI. Os países emergentes como o Brasil, alerta o FMI, precisam se adaptar a um ambiente internacional em transformação que terá juros mais altos em países como os Estados Unidos. Para isso, estes mercados têm que resolver vulnerabilidades. Uma das recomendações é fortalecer o arcabouço de políticas em locais onde a credibilidade está abalada. No caso do Brasil, o texto diz que a fraca atividade econômica vai dificultar o cumprimento das metas orçamentárias em 2014. Mesmo assim, o FMI ressalta que trabalhar para entregar a meta de superávit primário com políticas sustentáveis é importante para o Brasil colocar a dívida bruta em trajetória de queda e assim estimular a confiança dos agentes. Com a inflação ainda elevada, o documento destaca que um novo aperto monetário, ou seja, alta dos juros, pode ser necessário caso as expectativas para a inflação piorem.

"Acho que Marina Silva ficará no PSB", diz Beto Albuquerque

Para o vice na chapa de Marina Silva (PSB), Beto Albuquerque, Marina ficará no PSB pelos quatro anos de mandato, caso seja eleita em outubro, mas ressalva que essa não foi uma exigência da sua legenda. "Acho que Marina fica como presidente no PSB, ajuda seu partido (Rede Sustentabilidade) a ser organizado, a ser fundado, mas acho que ficará no PSB, embora isso não seja uma obrigação", afirmou ele. Beto ponderou que, até pelo compromisso já assumido de Marina Silva em não concorrer à reeleição, esse será o desfecho mais provável caso ela chegue ao Palácio do Planalto. "Mas se ela tomar decisão contrária, será uma posição absolutamente leal conosco", ressaltou o vice, que disse também considerar "legítimo" o esforço para criação da Rede. Questionado se o PSB poderia lançar um candidato para suceder Marina, em 2018, Beto disse que seria uma discussão precipitada e afirmou que esse não será o foco do governo de Marina e seu, caso sejam eleitos. "Nosso governo não vai pensar em 2018", afirmou.

TCU repudia crítica do Ministério do Desenvolvimento a análise sobre Bolsa Família

O colegiado do Tribunal de Contas da União repudiou, nesta quarta-feira, 17, uma nota do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome criticando relatório do órgão fiscalizador divulgado na semana passada que apontou "fragilidades" em programas sociais como o Bolsa Família. "Não houve qualquer equívoco, ignorância ou preconceito com a análise produzida pela mais alta corte do País", afirmou o presidente do TCU, ministro Augusto Nardes. "Na qualidade de presidente, cabe registrar o inconformismo e o repúdio às difamações que atacaram a honra desta Casa", disse. O Tribunal de Contas da União apresentou na semana passada o relatório sistêmico da assistência social no Brasil (FISC Assistência Social), no qual afirma ter identificado erros "como a auto declaração dos dados da renda e o não cruzamento dos dados com outras bases" no fornecimento do benefício. Na ocasião, o ministro-relator Augusto Sherman disse que dados levantados no Bolsa Família sinalizavam o "risco de pessoas estarem recebendo o benefício sem o devido direito". O tribunal identificou também falhas nos cadastros dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e nos Centros de Referência Especializados de Assistência social (CREAS), indicando "deficiência no controle e gestão de riscos, baixo nível de eficiência dos CRAS e dos CREAS e baixo nível de vigilância socioassistencial da Rede SUAS". O Tribunal de Contas da União recomendou ao Ministério a realização de estudos para promover e incentivar a "emancipação dos beneficiários do programa Bolsa Família, assim como incentivar os CRAS e os CREAS a buscarem maior eficiência de atuação".

Clérigos sauditas declaram terrorismo "crime hediondo"

O principal conselho de clérigos da Arábia Saudita emitiu, nesta quarta-feira, um fatwa - decreto religioso e legal islâmico - declarando o terrorismo "crime hediondo". O órgão também afirmou que os que cometem atos de terrorismo, inclusive militantes do Estado Islâmico, devem ser punidos de acordo com a lei islâmica. O Conselho dos Sábios Religiosos anunciou apoio aos esforços da Arábia Saudita para rastrear pessoas que seguem não só o grupo Estado Islâmico, mas também a Al-Qaeda e o grupo rebelde xiita Hawthi, que atua no Iêmen. Os clérigos afirmam que as autoridades têm de punir os que instigam conflitos, pois eles cometem "o maior dos pecados". Os conselheiros são nomeados pelo governo saudita e são vistos como guardiães da escola conservadora do Islã, Wahhabi. O rei saudita Abdullah já havia pedido que o conselho se posicionasse mais fortemente contra o terrorismo.

Banco Central dos Estados Unidos reduz mais uma vez estímulos à economia

O Federal Reserve (Fed) decidiu nesta quarta-feira, 17, cortar mais uma vez seu programa de estímulos à economia. Assim, ficou decidido que a compra mensal de títulos públicos será reduzida em mais US$ 10 bilhões, para US$ 15 bilhões. A nova dose começa a vigorar em outubro. As taxas de juros básicas da economia americana seguem inalteradas: entre zero e 0,25%. Trata-se do mesmo número estipulado em 2008, no auge da crise financeira mundial.  Em comunicado, foi feita a promessa de que eles sejam mantidos nesse patamar por "período considerável". De acordo com o documento, quando ficar decidida a mudança dos juros nos Estados Unidos, será adotada "uma abordagem equilibrada, consistente com suas metas para o prazo mais longo, de emprego máximo e inflação a 2%".  Sobre expressão "tempo considerável", de acordo com a presidente do Fed, Janet Yellen, a intenção de não tocar nos juros é condicional. Dependente de leituras futuras sobre os indicadores econômicos. Alguns economistas e operadores de mercado esperavam que o Fed mudasse a orientação futura que tem fornecido desde março. Mas a autoridade monetária americana não levou em conta a melhora geral nos indicadores de desempenho da economia. A retirada dos estímulos dos Estados Unidos preocupa os países emergentes por reduzir a liquidez internacional e pode trazer turbulências aos mercados financeiros. Diante desse cenário, os bancos centrais de economias emergentes subiram suas taxas de juros para conter a fuga de capitais. Estes quase seis anos de afrouxamento monetário e juro (quase) zero nos Estados Unidos tiveram três fases. Até dezembro de 2013, cerca de US$ 3,8 trilhões foram injetados nos mercados. A primeira fase começou em novembro de 2008. Despejou US$ 1,7 trilhão na economia em dois anos na compra de "investimentos podres" e títulos do Tesouro americano. De novembro de 2010 a setembro de 2011, a segunda fase aumentou em US$ 600 bilhões a liquidez mundial. Na sequência, começou uma operação de troca de títulos de até três anos por papéis de 6 e 30 anos. O plano foi até junho de 2012 e alcançou volume acima de US$ 400 bilhões. A terceira fase vigora desde setembro de 2012. Primeiro, instituiu recompras de ativos de US$ 40 bilhões mensais e, depois, subiu a dose para US$ 85 bilhões, que foi gradualmente reduzida até os US$ 15 bilhões anunciados nesta quarta-feira.

Beto Albuquerque, o vice de Marina Silva, agora admite: "Ninguém governa sem o PMDB"

O deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS), candidato a vice na chapa de Marina Silva (PSB), afirmou nesta quarta-feira, 17, que "ninguém governa sem o PMDB" e indicou que, caso eleita, Marina Silva também "dialogará" com a sigla que vem sendo criticada por ela devido às alianças feitas com o governo Dilma. "Ninguém governa sem o PMDB, mas não é preciso entregar o governo para ter governabilidade. Se queremos fazer a mudança, não podemos nos curvar nem achar que será fácil.", afirmou Albuquerque. Ele ainda voltou a afirmar que a ex-ministra governaria com os melhores de cada sigla, incluindo o PMDB no rol de partidos com o qual um eventual governo do PSB manteria contato. "A Marina Silva e eu queremos governar o Brasil com os melhores. E é claro que existe gente boa no PT, PSDB e até no PMDB", explicou. Albuquerque também comentou outro ponto delicado à campanha do PSB que é a relação candidata com o agronegócio. Ele afirmou que Marina Silva, se eleita, será sensível ao setor e reafirmou que o posicionamento da ex-ministra do Meio Ambiente não é contrário ao agronegócio. "Ela não é a radical ou a ecochata que se plantou em 2010", disse. A confirmação de Marina Silva como candidata à Presidência, após a morte do ex-governador Eduardo Campos, preocupou representantes do agronegócio, resistentes à ex-ministra em razão de sua ligação à causa ambiental. Desde que assumiu a chapa, Marina Silva participou de eventos com lideranças do setor e prometeu conciliar investimentos com a defesa do meio ambiente. "Não há dicotomia entre sustentabilidade e desenvolvimento", afirmou Beto Albuquerque. Apesar de não integrar a bancada ruralista do Congresso, Beto Albuquerque mantém bom diálogo com o setor e sua indicação para a vice foi considerada um aceno ao setor.

Aécio Neves sinaliza rever relações com produtores de droga

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, disse nesta quarta-feira, 17, que deverá rever as relações diplomáticas com países produtores de droga, destacando que o principal alvo da estratégia deve ser a Bolívia, mas citando também Colômbia e Paraguai. A sinalização foi feita em encontro com mulheres tucanas, no diretório estadual da legenda em São Paulo. "Nós sabemos que as drogas e as armas que matam no Brasil não são produzidas aqui, são produzidas aqui ao lado, tem uma coisa que ninguém tocou ainda que eu estou tocando e no primeiro momento que falei isso as pessoas se surpreenderam, que é a Bolívia. Vamos por o dedo na ferida", afirmou, destacando que a Bolívia produz hoje quatro vezes mais cocaína do que consome: "E produzem com a complacência, conveniência e vistas grossas do governo de lá". Ao afirmar que poderá rever as relações com os países produtores de droga, Aécio Neves criticou o governo do PT, dizendo que a gestão petista assiste ao crescimento da violência e criminalidade e financia obras nesses países. "Não faremos parceria e nem daremos financiamento a países que não tenham programa de inibição da produção de drogas", disse, reiterando que não se pode fazer vistas grossas a este tema e dizendo que no governo petista, "o BNDES está volta e meia dando financiamento a esses países". O tucano reconheceu que existe uma relação de solidariedade com essas nações, mas que só será mantida a partir do momento em que tenham responsabilidade: "No meu governo só vai haver relação com esses países quando eles tiverem a responsabilidade de inibir o cultivo, seja da matéria prima, da maconha ou da própria droga". O tucano disse que se eleito não concederá financiamento e nem estabelecerá parcerias com países que não tiverem internamente um programa confiável de diminuição e inibição da produção de drogas: "Estou sinalizando de forma muito clara, nós vamos ter uma conversa no nível diferenciado com os países que aceitam a produção ou de drogas ou de matéria prima de drogas em seu território. Chega de fazermos vistas grossas". Segundo ele, o número de dependentes do crack chega a 1 milhão. "A matéria prima disso tudo não é feita no Brasil, vamos conduzir uma política externa não para ser gostado pelos países vizinhos, como fez o PT, pelos menos em relação a alguns deles, mas para ser respeitado por esses países." E voltou às críticas ao governo petista: "Não irei terceirizar responsabilidades, o atual governo assiste ao crescimento da criminalidade, da violência, terceirizando responsabilidades e não executando o orçamento de segurança pública. No meu governo vai ser diferente".

Dilma não comenta provocação de Aécio Neves sobre pesquisa Ibope

A presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff evitou comentar nesta quarta-feira, 17, as declarações do seu adversário Aécio Neves (PSDB), que disse na terça-feira acreditar em uma "onda da razão" na reta final na campanha. "Acredito que durante a campanha se faz muito marketing. Não dou atenção para esse tipo de tentativa", disse ela em Campinas, antes de uma caminhada de campanha. A presidente reafirmou ainda que tem por princípio não comentar pesquisas. "Eu não comento pesquisa, nem a minha, nem a dos outros", afirmou. Aécio Neves citou essa "onda da razão" após subir para 19% na pesquisa Ibope divulgada na terça. Segundo o levantamento contratado pelo Estado e pela Rede Globo, Dilma caiu de 39% para 36%, enquanto Marina Silva oscilou de 31% para 30% e Aécio Neves subiu de 15% para 19%. Dilma participou de comício no centro da cidade, onde reafirmou que a verdade vencerá a mentira nessas eleições. "Tem muito ódio e mentira nessa eleição. Quando vocês virem mentiras, respondam com a verdade", afirmou, para um grupo de militantes.

Petrobras prevê perfurar mais de 200 poços no pré-sal até 2019, diz executivo

A Petrobras deverá perfurar mais de 200 poços no pré-sal de hoje até 2019, previu nesta quarta-feira o gerente-executivo do Pré-Sal da estatal na área de Exploração e Produção, Carlos Tadeu da Costa Fraga.

GE assina contrato de mais de US$ 300 milhões com Petrobras

A GE Oil & Gas informou nesta quarta-feira a assinatura de um contrato de mais de 300 milhões de dólares com a Petrobras para o fornecimento de sistemas de câmaras tubulares (manifold) para águas ultraprofundas, segundo nota da empresa. Serão os primeiros equipamentos do tipo da GE utilizados em campos do pré-sal, a cerca de 2.500 metros de profundidade. O contrato prevê o fornecimento de oito manifolds de injeção modular alternada de água e gás, além dos equipamentos de controle das máquinas. "A GE Oil & Gas tem um relacionamento de longa data com a Petrobras para desenvolver equipamentos e soluções essenciais para suportar as operações offshore no Brasil, especialmente do pré-sal", disse em nota a presidente-executiva da GE Oil & Gas para a América Latina, Patricia Vega. Os equipamentos serão produzidos no Brasil, segundo a companhia.

CPI aprova convocação de contadora de doleiro

A CPI mista da Petrobras aprovou nesta quarta-feira a convocação de Meire Poza, ex-contadora do doleiro Alberto Yousseff, pivô da Operação Lava Jato da Polícia Federal. Ela deve dar informações sobre o funcionamento do esquema criminoso operado com recursos públicos desviados pelo esquema do doleiro. Os parlamentares também aprovaram um requerimento que pede a cópia dos depoimentos prestados por ela à Polícia Federal e ao Ministério Público. "Ouvir a contadora vai ser importante para que a gente possa confrontar com o depoimento de Alberto Yousseff", diz o relator da comissão, o deputado Marco Maia (PT-RS). Ainda não há data para o depoimento de Meire Poza. Por causa da proximidade das eleições, a ida dela à CPI pode ficar para depois do primeiro turno – dia 5 de outubro. Para a VEJA, Meire Poza revelou como funcionava o esquema de lavagem de dinheiro do doleiro. Ela também afirmou que parlamentares, como Luiz Argôlo (SD-BA) e André Vargas (PT-PR), foram beneficiados pelo esquema. Meire já compareceu ao Congresso para depor no processo de cassação de Argôlo. Na ocasião, ela confirmou as acusações contra o parlamentar. O requerimento de convocação de Meire Poza foi aprovado ao fim da reunião em que os parlamentares tentaram, sem sucesso, ouvir Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras e o delator do esquema de corrupção que funcionou por quase uma década na companhia.

Oposição usa silêncio de Paulo Roberto Costa contra Dilma

Parlamentares da oposição usaram o silêncio do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, em audiência na tarde desta quarta-feira na CPI mista do Petrolão, como palanque para criticar a presidente Dilma Rousseff. Os oposicionistas responsabilizaram Dilma pelo que consideram ser um fracasso na gestão da companhia petrolífera, comparando o esquema com o do Mensalão do PT. O líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy, disse que a presidente demonstrou incapacidade para conduzir o País, fracassou na gestão da Petrobras e cobrou uma mudança na conduta ética. Mas reconheceu que a audiência com o ex-diretor "definitivamente não produziu os resultados esperados pela população brasileira". O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), coordenador jurídico da campanha presidencial de Aécio Neves, disse que a população quer saber quem são os nomes de quem "assaltou" a Petrobras. "A agilidade nisso é para atender o sentimento da nação e descobrir quem são esses marginais antes da eleição", afirmou Sampaio, que defendeu que se realize já nesta quinta-feira uma reunião com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, para tentar ter acesso à integra da delação premiada. Desde o dia 29 de agosto, Paulo Roberto Costa tem prestado depoimentos à Justiça Federal do Paraná nos quais revela o envolvimento de políticos no esquema de recebimento de propina em contratos da estatal no período em que foi diretor (2004-2012). O líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), afirmou que "lamentavelmente o Brasil assiste a mais um caso gravíssimo de corrupção envolvendo a gestão do PT". "Uma empresa orgulho para povo brasileiro se transformou numa casa de negócios, num organismo para financiar de forma ilegal partidos políticos", criticou. O ex-diretor, que chegou até a ser chamado de "bandido" pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), permaneceu calado durante todo o depoimento.

Justiça condena doleiro Youssef a 4 anos e 4 meses de prisão por corrupção

A Justiça Federal no Paraná condenou o doleiro Alberto Youssef, nesta quarta-feira, 17, a 4 anos e 4 meses de prisão, pelo crime de corrupção ativa no âmbito do caso Banestado – escândalo de evasão de divisas nos anos 1990. Alvo da Operação Lava Jato – investigação sobre lavagem de R$ 10 bilhões e corrupção na Petrobrás – Youssef sofria ainda acusação por seu vínculo com o caso do antigo banco do Estado do Paraná. Neste caso, ele foi condenado porque obteve, em agosto 1998, empréstimo fraudulento de US$ 1,5 milhão para a Jabur Toyopar Importação e Comércio de Veículos Ltda. no Banestado, agência de Grand Cayman, mediante pagamento de propina de US$ 131 mil ao então diretor de Operações Internacionais da instituição financeira. A sentença é do juiz Sérgio Moro. Na mesma sentença, o doleiro foi absolvido da imputação do crime de gestão fraudulenta de instituição financeira. O juiz condenou Youssef ao regime fechado – o doleiro está preso desde 17 de março por sua ligação com a Lava Jato. A ação contra Youssef havia sido suspensa em 2004, quando o doleiro fez delação premiada e revelou bastidores de um grande esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio do Banestado. Com a descoberta da participação de Youssef nos crimes de lavagem e corrupção no âmbito da Lava Jato, deflagrada em março pela Polícia Federal, a Justiça reabriu duas ações penais contra o doleiro, ainda da época do caso Banestado. A condenação hoje imposta ao doleiro é oriunda de ação penal originariamente proposta em 2003 pelo Ministério Público Federal – ela foi suspensa em decorrência daquele acordo de colaboração premiada celebrado pelo Ministério Público Federal e pelo Ministério Público do Estado do Paraná com Alberto Youssef. Em decorrência dos fatos apurados na Operação Lavajato, o acordo, a pedido do Ministério Público Federal, foi declarado rompido e a ação penal retomou o seu curso agora.

Ministro do STF concede progressão de regime ao mensaleiro Bispo Rodrigues

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu nesta quarta-feira progressão de regime ao ex-deputado federal Carlos Alberto Pinto Rodrigues (Bispo Rodrigues). Com a decisão, Rodrigues passará para o regime aberto, por ter cumprido um sexto da pena, requisito exigido pela Lei de Execução Penal. No processo do Mensalão do PT, ele foi condenado a seis anos e três meses de prisão em regime semiaberto. O ex-deputado cumprirá o restante da pena em casa. De acordo com o Código Penal, o regime aberto deve ser cumprido em uma casa de albergado, para onde os presos retornam somente para dormir. No Distrito Federal, pela inexistência do estabelecimento no sistema prisional, os juízes determinam que o preso fique em casa e cumpra algumas regras, como horário para chegar ao domicílio, não sair da cidade sem autorização da Justiça e manter endereço fixo. O ex-deputado José Genoino e o ex-tesoureiro do antigo PL (atual PR), Jacinto Lamas, já foram beneficiados com o regime de prisão domiciliar. Eles também cumpriram um sexto da pena no semiaberto.

Justiça Federal do Mato Grosso suspende licenciamento de usina

O Ministério Público Federal anunciou nesta quarta-feira, 17, que a Justiça Federal no Mato Grosso suspendeu novamente o licenciamento da usina São Manoel, no rio Teles Pires. A decisão atende ao pedido do Ministério Público Federal que alegou descumprimento da obrigação da consulta prévia prevista na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). "A mera divulgação da decisão de realizar a obra aos povos afetados não se confunde com o direito de consulta previsto na Convenção 169 da OIT. Houve violação do direito fundamental de consulta prévia, livre e informada dos povos indígenas afetados pela UHE São Manoel", afirmou o juiz Ilan Presser, da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, de acordo com o Ministério Público Federal. Essa é a quinta vez que a usina é paralisada por desrespeitar direitos das populações atingidas, de acordo com o Ministério Público Federal. A ordem judicial dá prazo de 90 dias para que o governo realize a consulta, que deve abranger os povos indígenas Kayabi, Apiaká e Munduruku.

Dilma ensaia agora um novo ataque terrorista contra Marina Silva: "Não mexo em 13º e férias"

Um dia depois de a candidata Marina Silva (PSB) afirmar que, se eleita, pretende fazer mudanças na legislação trabalhista do País, a presidente Dilma Rousseff (PT) já ensaiou nesta quarta-feira mais uma versão do discurso do medo que pontua sua campanha: “Décimo terceiro, férias e hora extra não se mudam nem que a vaca tussa”, disse, durante agenda em São Paulo. Na terça-feira, Marina Silva apontou as leis trabalhistas como um dos entraves ao empreendedorismo e disse que sua equipe irá buscar mudanças – mas, já temerosa da interpretação de adversários, disse que seu objetivo é trazer melhorias tanto para empregadores quanto para trabalhadores, sem abrir mão dos ganhos da atual legislação. Dilma reuniu-se com empresários acompanhada do ministro Guilherme Afif Domingos, da Secretaria da Micro e Pequena Empresa. Também participaram do encontro o deputado Guilherme Campos (PSD), líder da frente parlamentar mista da pequena empresa e vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo. Depois do encontro, a presidente se reuniu com professores da Unicamp, entre eles Rogério Cerqueira Leite, físico que criticou Marina Silva em artigos na imprensa. Na sequência, seguiu em carreata pelas ruas da cidade. Ao longo do percurso, um carro de som afirmava que Dilma é a presidente do Minha Casa Minha Vida, do ProUni e do Pronatec, algumas das principais bandeiras eleitorais da petista. No palanque, Dilma fez críticas genéricas aos adversários. Embora sua campanha seja justamente a que lidera a artilharia pesada nesta corrida eleitoral, afirmou: “Tem muita mentira e ódio nessa eleição. Quando ouvirem mentiras, respondam com a verdade, que é uma só – o País mudou, e mudou para melhor".

Ministério Público denuncia assassino do cartunista Glauco por quatro crimes

O Ministério Público de Goiás apresentou denúncia nesta terça-feira contra Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, assassino do cartunista Glauco Vilas Boas e do filho dele, Raoni Vilas Boas. Se o pedido for acatado pela Justiça, Cadu pode responder pelos crimes de latrocínio, tentativa de latrocínio, receptação e porte ilegal de arma de fogo. Cadu foi preso em Goiânia no dia 1º de setembro enquanto tentava fugir de uma abordagem policial. Ele foi avistado pelo delegado Thiago Damasceno Ribeiro dirigindo o carro de uma das vítimas. Na ocasião, também foi preso Ricardo Pimenta Júnior, parceiro de Cadu nos crimes. O veículo que Cadu dirigia pertencia ao estudante Matheus Pinheiro de Morais, morto por ele durante uma tentativa de assalto no dia 31 de agosto. Três dias antes, em 28 de agosto, Cadu também tentou roubar um carro do agente penitenciário Marcos Vinícius Lemes D’Abadia, que resistiu ao assalto e acabou baleado – ele permanece internado. Anexo à denúncia, o Ministério Público pediu a quebra do sigilo telefônico de Cadu. O objetivo é coletar telefonemas feitos e recebidos – além de mensagens de textos – de 10 de agosto a 1º de setembro. O promotor Fernando Braga Viggiano, da 18ª Promotoria de Goiânia, afirma que essa é uma medida necessária para a continuidade das investigações, visando a identificação de pessoas que auxiliaram Cadu na morte do estudante e na tentativa de latrocinio do agente penitenciário. A Promotoria afirma que a interceptação pode confirmar a participação de Cadu em uma quadrilha que pratica furtos e roubos de veículos na capital goianense, encomendados de dentro do presídio por integrantes de facções criminosas. Ele afirmou que Cadu “é bastante consciente a respeito dos atos ilícitos que tem praticado, agindo com o mesmo 'modus operandi' e na companhia de outras pessoas”.

Delator Paulo Roberto Costa silencia em depoimento à CPI da Petrobras

Paulo Roberto Costa, o homem que fez Brasília acordar apreensiva nesta quarta-feira, não deu nenhuma declaração em depoimento à CPI mista da Petrobras. O ex-diretor da estatal foi conduzido pela Polícia Federal ao Congresso Nacional, mas afirmou aos integrantes da comissão de inquérito que usará o direito de permanecer calado – e evitar produzir provas contra si. Uma articulação de PT e PMDB sepultou qualquer chance de que Paulo Roberto Costa, delator do esquema de corrupção na Petrobras, contasse o que sabe ao Congresso Nacional. Quando a oposição tentou transformar a sessão aberta em secreta, para tentar convencer o depoente a falar, os governistas se opuseram. Preso no Paraná, o ex-executivo da estatal, cujos passos assombram o Palácio do Planalto e uma constelação de políticos, foi levado ao Congresso por determinação da Justiça – usava terno, gravata e deixou o bigode. Por não ser acusado de praticar crimes com violência ou ameaça grave na Operação Lava Jato, Paulo Roberto Costa não foi algemado. Já havia a expectativa de que Paulo Roberto Costa se negasse a comentar as informações que repassou à Polícia Federal como parte de um acordo de delação premiada – porque isso colocaria em risco o próprio acordo dele com os investigadores, e também porque Paulo Roberto Costa já esteve na CPI e desmentiu todas as acusações. A primeira frase do depoente confirmou as expectativas: "Queria colocar para o presidente que eu vou me reservar o direito de ficar calado", disse ele – e repetiu outras dez vezes. Ainda assim, as perguntas se iniciaram. O primeiro a indagar o ex-diretor foi o relator da CPI, Marco Maia (PT-RS). Ele perguntou sobre a compra da refinaria de Pasadena, as irregularidades na construção da refinaria de Abreu e Lima e o superfaturamento de contratos da Petrobras. Paulo Roberto Costa se recusou a falar. O deputado Mendonça Filho (DEM-PE), líder de seu partido, sugeriu que a sessão fosse tornada secreta, para que os parlamentares pudessem tentar convencer Paulo Roberto Costa a falar. Mas a proposta foi rejeitada por 10 votos a 8. Os parlamentares governistas, liderados por PT e PMDB, votaram pela sessão aberta. Ou seja: pela garantia de que o delator ficasse calado. O argumento era o de que a população merecia uma audiência pública: "Nós somos pela manutenção da sessão aberta e queremos esclarecer todos os fatos", alegou Afonso Florence (PT-BA). Os oposicionistas denunciaram a manobra: "Há os que querem iluminar e os que querem iludir. Manter a sessão aberta é jogo combinado. A investigação só tem uma chance: é fechar esta reunião", disse Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Mantida a sessão aberta, o silêncio de Paulo Roberto Costa continuou.

Boeing e SpaceX construirão naves espaciais tripuladas para a Nasa

A Nasa anunciou que a Boeing e a SpaceX construirão as duas primeiras naves espaciais privadas para transportar astronautas até a Estação Espacial Internacional (ISS). O objetivo é acabar com a dependência americana do programa espacial russo Soyuz. Desde que a agência espacial americana encerrou o programa de ônibus espaciais, em 2011, são os russos que se encarregam do transporte de carga ou tripulação para a ISS. De acordo com cálculos da Nasa, esse transporte custa 70 milhões de dólares por astronauta. Durante o anúncio, feito no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, o chefe da agência espacial americana, Charles Bolden, explicou que, com o contrato de 6,8 bilhões de dólares com as duas companhias, essa dependência terminará em 2017, quando devem acontecer as primeiras decolagens. A Boeing ficou com a maior parte do contrato, 4,2 bilhões de dólares, enquanto os outros 2,6 bilhões ficarão com a SpaceX. O contrato cobre um total de seis missões tripuladas para a ISS para cada uma das duas companhias. "Hoje demos um passo gigante que nos aproxima da possibilidade de enviar nossos astronautas em uma nave espacial americana", afirmou Bolden: "A sociedade entre a Boeing e a SpaceX promete gerar a oportunidade de que mais pessoas experimentem a emoção de fazer vôos espaciais". A agência espacial americana espera ainda que, confiando à indústria privada a responsabilidade pelo transporte para a ISS, ela possa se concentrar em planejar um ambicioso vôo para Marte.

Justiça bloqueia R$ 1,5 bilhão de Eike Batista, mas só encontra R$ 117 milhões

O empresário Eike Batista teve 117 milhões de reais bloqueados pela Justiça nesta quarta-feira. A 3ª Vara Federal Criminal tinha determinado o bloqueio de 1,5 bilhão de reais, mas a disponibilidade financeira do empresário não comportou o valor da ordem: havia 117.348.123,26 reais em nome de Eike Batista, distribuídos em seis bancos. O bloqueio atende a um pedido do Ministério Público Federal. O valor é o lucro indevido obtido pelo empresário com operações da OGP, ex-OGX, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), nas estimativas da Procuradoria da República. Eike Batista, o empresário de papel, virou réu em ação penal, porque foi acusado de cometer os crimes de manipulação de mercado e uso indevido de informação privilegiada. Outros 122 milhões de reis já haviam sido arrestados pela Justiça em maio deste ano. Como não houve sucesso no bloqueio de 1,5 bilhão de reais, o Judiciário pode sequestrar imóveis, embarcações ou aeronaves de propriedade do empresário, de acordo com o juiz Flávio Roberto de Souza. Eike foi acusado de crimes contra o mercado de capitais por sua atuação como controlador da petrolífera OGP, ex-OGX, de 2012 a 2013. De acordo com o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, ele obteve vantagem indevida durante a negociação de ações da empresa na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Segundo os procuradores Rodrigo Poerson e Orlando Cunha, o lucro ilícito variou de 136.319.477,00 a 153.925.182,00 reais. Os ganhos indevidos ocorreram quando ele negociou ações da OGX antes de divulgar ao mercado notícias negativas sobre a companhia. Esse não é o único processo criminal que Eike Batista responde na Justiça. Ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal de São Paulo pelo crime de uso indevido de informação privilegiada durante a negociação de ações da OSX.

Presidente-candidata está mexendo com forças que só conhece de ouvir falar. Marina sabe, se preciso, ser Lula. Mas Dilma só sabe ser Dilma. E isso pode ser muito aborrecido

Davi com a cabeça de Golias, Caravaggio
A presidente-candidata Dilma Rousseff e, em larga medida, o PT e seu marqueteiro estão mexendo com forças que não conhecem e podem, do seu ponto de vista, fazer uma grande bobagem. O partido decidiu esmagar Marina Silva. A candidata do PSB à Presidência reclamou da truculência e das mentiras levadas ao horário eleitoral — até Rodrigo Janot considerou que elas passam da conta e pediu que o TSE retire uma peça de propaganda do ar. Em resposta à adversária, Dilma sustentou que a Presidência não é para os fracos. Uma fala burra nos dias que correm. Lula deu de ombros e ainda esnobou, truculento: Marina não precisa chorar por ele. Manifestações arrogantes como essas podem ser fatais numa eleição.
Ontem, o PSB levou ao ar um trecho muito contundente de um discurso de Marina. Ao comentar que o PT espalhava por aí que, se eleita, ela vai acabar com o Bolsa Família, a candidata do PSB mandou um recado direto a Dilma, chamando-a pelo nome. Falou fino, porque é de sua natureza, mas falou grosso, com voz embargada e pausa dramática, tudo muito bem encaixado:
“Dilma, você fique ciente. Não vou lhe combater com suas armas; vou lhe combater com a nossa verdade. Tudo o que minha mãe tinha para oito filhos era um ovo e um pouco de farinha e sal com umas palhinhas de cebola picadas. Eu me lembro de ter olhado para o meu pai e minha mãe e perguntado: ‘Vocês não vão comer?’ E minha mãe respondeu: ‘Nós não estamos com fome’. Uma criança acreditou naquilo. Mas depois entendi que eles há mais de um dia não comiam”.
A candidata indagou, em seguida, como é que ela poderia, com aquela história, acabar com o Bolsa Família.
Pois é… Lula inventou uma categoria que vai ficar na política brasileira por muito tempo: os “Silvas”. É aquela gente que teve uma infância difícil, que lutou contra as vicissitudes da sorte e que venceu, sem esquecer suas origens. Verdade ou mentira, a construção é politicamente poderosa. Acontece que Marina pertence a essa família Silva. Em certa medida, sua história pode ser mais meritória — e meritocrática — do que a do próprio Lula. Afinal, adicionalmente, além de pobre, foi analfabeta por mais tempo do que o chefão petista, é mulher e negra.
Já adverti aqui e volto a fazê-lo: não tentem despertar o poder das vítimas. Os fortes e os brutos não entendem o seu potencial. Talvez Dilma devesse dar um pulinho correndo na Galleria Borghese, em Roma, e olhar aquela que é, para mim, a obra mais impressionante de Caravaggio: Davi segurando a cabeça de Golias (foto no alto). Tudo ali é demasiadamente humano: o ar plácido do mais fraco, que se sagrou vencedor, e a incompreensão que restou no rosto de Golias, o morto. Não há ódio nem sangue. Só um fato. A reprodução não dá conta. Quem puder tem de ver de perto. Mas retomo o fio.
Como construção de personagem e como narrativa a incendiar o imaginário, Marina sabe ser Lula, mas Dilma só sabe ser Dilma, e a personagem, convenham, não desperta grande interesse. Mesmo o aspecto que vendem como heroico de sua trajetória está muito longe da vida do brasileiro comum. É evidente que o PT, na política e, entendo, na lei foi muito além dos limites aceitáveis. Marina está a um passo de se tornar o Davi que ainda vai segurar, com ar piedoso, mas firme, a cabeça de Golias.
O desespero chegou com tal violência nas hostes companheiras que a artilharia pode ter sido usada precocemente. O que mais pretendem usar contra Marina, que seja compreensível para as massas? No segundo turno, caso as duas mulheres realmente cheguem lá, o tempo na TV será o mesmo, e Dilma já terá perdido há muito o troféu fair-play.
Dilma é uma esquerdista que veio das camadas superiores. Como diria Monteiro Lobato, da casa de pobre, ela não conhece nem o trinco — ou a falta de trinco. Lula conserva aquele charme popular, mas ele foi talhado, na medida, ao longo de vinte anos, para atacar tucanos. Assisti ontem ao programa do PT no horário eleitoral: está chato, repetitivo, tentando convencer os brasileiros de que o paraíso é aqui. Tenho certeza de que João Santana se pergunta que diabos ele tem a fazer com todo aquele tempo.
Vamos ver o que vai dizer a pesquisa Datafolha. Considerando só a pesquisa Ibope, a única com motivos para se preocupar é mesmo Dilma, que caiu três pontos em uma semana: de 39% para 36%. Sim, é verdade, estando certos os números, Aécio Neves, do PSDB, ainda está distante de um segundo turno, mas subiu quatro pontos, passando de 15% para 19%. Marina oscilou um para baixo e aparece com 30%. No segundo turno, a petista ameaçou tomar a liderança numérica na semana passada, ficando apenas um ponto atrás da rival (43% a 42%), mas a distância pode ter-se alargado: 43% a 40%. Como já vimos, Aécio melhorou, Marina resistiu e pode ter ascendido no segundo turno, e Dilma murchou nas duas etapas.
As barbaridades cada vez mais cabeludas da Petrobras certamente interferem nas escolhas dos eleitores. Mas creio que há mais: é crescente o repúdio à truculência do PT no trato com os adversários. Já houve um tempo em que Lula sabia ter o fabuloso poder da vítima. Hoje, ele só consegue entender a truculência dos algozes. Pode ser vítima, sim, mas da própria soberba. Por Reinaldo Azevedo

Fábrica bilionária da Foxconn empaca por falta de sócio brasileiro. Lá se foi a primeira promessa de Dilma…

Na VEJA.com: A construção da fábrica de telas para celulares, TVs e computadores da taiwanesa Foxconn no Brasil empacou depois que a companhia desistiu de buscar um sócio brasileiro para o projeto. Na época do anúncio, em 2011, o governo informou que o investimento chegaria a 12 bilhões de dólares. A saída para o impasse seria aumentar para mais de 30% a participação acionária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas o banco não aceita ultrapassar este valor, que é o limite estabelecido em sua política para o BNDESPar, braço de participações acionárias da instituição. 

Além do apoio fundamental do BNDES, a equipe econômica do governo contava com a sociedade de um grande empresário brasileiro (chegou-se a falar em Eike Batista, antes da crise). Sem sócio, as negociações pararam e nem o governo acredita mais na concretização do megainvestimento.
Visita à ChinaA construção da fábrica de telas no país foi o primeiro grande anúncio do governo Dilma Rousseff, feito em fevereiro de 2011 durante visita à China. O então ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, chegou se reunir com o fundador da Hon Hai (controladora da Foxconn), Terry Gou. A ideia, segundo o ministro, era construir um complexo industrial que empregaria até 100 mil pessoas no Estado de São Paulo.
O desenho do negócio apontava para uma primeira etapa com investimento de 4 bilhões de dólares, dos quais 1,2 bilhão de dólares seriam bancados pelo BNDES e 500 milhões de dólares ficariam por conta de Eike. Além de procurar mais sócios, o governo tentou convencer Terry Gou a entrar com capital sem contar a tecnologia. O Palácio do Planalto estava tão certo do negócio que Mercadante chegou a divulgar um cronograma. A companhia fabricaria telas para celulares e tablets entre 2011 e 2013 e passaria a fabricar telas para TVs a partir deste ano.
Atualmente, a empresa taiwanesa atualmente conta com três unidades no país, com montagem de celulares em Manaus e Indaiatuba e montagem de smartphones e fabrica notebooks, computadores e periféricos em Jundiaí.
ConjunturaMercadante, que é ministro-chefe da Casa Civil, foi questionado sobre os empecilhos que travaram as negociações para a construção da fábrica de telas da Foxconn no Brasil. A assessoria de imprensa da Casa Civil informou que a posição de Mercadante estaria contemplada na resposta do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. “Em relação à construção de unidade de fabricação de telas, o investimento previsto não foi realizado até o momento devido à conjuntura internacional e pelo fato de a empresa não ter conseguido um sócio nacional.”
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação afirmou ainda ter informações de que a Foxconn estuda fazer novos investimentos e abrir novas unidades no Brasil. Os projetos, entretanto, não teriam relação com construção da fábrica de telas. Procurada para confirmar a informação, a companhia disse que não se pronunciaria.
BNDESAlguns desses projetos aguardam aprovação de aportes do próprio BNDES. O banco confirmou que participou das negociações para a instalação da fábrica de telas, sem sucesso. “O banco continua em contato com a Foxconn e tem trabalhado para viabilizar investimentos no Brasil em setores de alto conteúdo tecnológico”, informou o banco por meio da assessoria. Por Reinaldo Azevedo

Doleiro da Lava Jato fala pela primeira vez à Justiça e nega relação com narcotráfico

O doleiro Alberto Youssef, alvo da Operação Lava Jato, negou nesta terça feira, 16, que tenha participado de um esquema do tráfico internacional de drogas. Em depoimento à Justiça Federal no Paraná, Youssef afirmou que “não conhecia e não sabe quem é” o acusado Renê Luís Pereira que, segundo a Polícia Federal, seria o elo do doleiro com o narcotráfico na Bolívia. “Eu não participei dessa operação, não conheço o sr. Renê, não sei das atividades dele”, declarou Youssef. Foi a primeira vez que o doleiro, preso desde 17 de março, decidiu falar à Justiça. Ele é réu, por enquanto, em 5 ações penais, uma delas envolvendo também o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa. Uma outra ação é relativa à sua participação com a importação de cocaína avaliada em US$ 36 mil. Nas outras vezes em que teve de comparecer à Justiça o doleiro escolheu o silêncio como estratégia de defesa. Nesta terça feira, 16, porém, ele mudou o tom. “Vai falar ou ficar em silêncio?”, indagou o juiz federal Sérgio Moro. “Vou falar, tenho dois pontos a esclarecer”, respondeu o doleiro. Ele afirmou que “não respondeu” mensagem de outro doleiro, Carlos Habib Chater, que lhe pediu para que deixasse no escritório do Itaim, em São Paulo, um envelope com “36 mil páginas” – na verdade, uma referência ao valor de 36 mil dólares. O dinheiro, segundo a Polícia Federal, seria destinado à compra de cocaína boliviana. “Eu sequer respondi a mensagem”, retrucou Alberto Youssef. Ele disse que “não entregou” o envelope. “Esses 36 mil (dólares) eu não fiz, eu não participei dessa operação”, afirmou.