terça-feira, 23 de setembro de 2014

Doleiro Alberto Youssef faz acordo de delação premiada, vai entregar tudo sobre a Operação Lava Jato, e começa a cair o Mensalão 2 do PT

O doleiro Alberto Youssef, pivô da Operação Lava Jato da Polícia Federal, aceitou acordo de delação premiada proposto pelo Ministério Público e se comprometeu a entregar tudo o que sabe sobre a engrenagem bilionária que envolvia desvio de recursos públicos, inclusive da Petrobras, tráfico de cocaína para a máfia italiana Ndranghetta e lavagem de dinheiro. O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, foi informado da decisão na tarde desta terça-feira. Como é contra a delação, ele está deixando a defesa de Youssef. O doleiro, que foi preso em março, é peça-chave do esquema que também contava com a participação de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras. Costa também aceitou a delação premiada e já entregou aos investigadores nomes de políticos que receberam dinheiro sujo. Kakay havia se comprometido a defender Youssef no Superior Tribunal de Justiça desde que o réu não topasse a delação premiada. O advogado é contra o instituto: "Acho que há uma inversão do papel do Estado, que prende a pessoa e a submete a uma pressão desumana", disse. Segundo Kakay, o pedido de familiares foi decisivo para que Youssef aceitasse o acordo. Na semana passada, o doleiro foi condenado a quatro anos de prisão por seu envolvimento no caso Banestado, na década de 1990. Com os crimes descobertos pela Polícia Federal na investigação da operação Lava Jato, a pena somada pode chegar a quase um século ou mais. O acordo de delação pode reduzir o tempo de prisão.

Governadora Roseana Sarney pede reforço da Força Nacional após ataques da bandidagem em São Luis

Alegando que a capital maranhense vive um clima de terror após uma série de ataques de facções criminosas a ônibus e carros, a governadora Roseana Sarney solicitou o envio de mais agentes da Força Nacional para reforçar a segurança nos presídios do Estado e nas ruas da Região Metropolitana de São Luís. Esta é a segunda vez em menos de um ano que a governadora pede o deslocamento da tropa: em outubro do ano passado, 150 agentes chegaram à capital com a missão de conter a onda de violência no Complexo Penitenciário de Pedrinhas — na época, uma rebelião no presídio acabou com a morte de nove presos, entre eles alguns decapitados e esquartejados. Segundo o acordo firmado com o governo federal no ano passado, a Força Nacional deveria ficar no presídio até o fim deste mês. No novo pedido, a governadora solicita a prorrogação no prazo de permanência da tropa e a patrulha nas ruas da capital maranhense. Nos últimos três dias, criminosos armados incendiaram 17 veículos, entre ônibus, carros particulares e viaturas. O Fórum da Comarca de Raposa, na Grande São Luís, também foi alvo de disparos dos bandidos. Treze pessoas foram presas e cinco adolescentes, apreendidos. A Polícia Civil aponta que a ordem dos ataques partiu de dentro de Pedrinhas. As ações criminosas seriam uma reação à transferência de presos para um presídio inaugurado há duas semanas, no interior do Maranhão. A ofensiva orquestrada pelas facções foi semelhante à ocorrida em janeiro deste ano, quando uma menina de seis anos morreu queimada em um ônibus incendiado. Neste ano, foram registrados ao menos dez casos de fuga e 17 assassinatos no presídio. Além disso, um dos diretores das oito unidades do complexo prisional foi preso acusado de liberar detentos em troca de dinheiro. Os sucessivos episódios de precariedade do presídio derrubaram o secretário de Justiça e Administração Penitenciária do Estado, Sebastião Uchôa. Nesta segunda-feira, o governo anunciou que o defensor público Paulo Rodrigues assumirá a pasta.

Pesquisa Ibope: números estão congelados há três semanas; Marina resiste à pancadaria petista. No 2º turno, o que pretende fazer o PT? Acusar a adversária de roubar pirulito de clorofila de criancinhas desamparadas?

O Ibope divulgou a sua mais recente pesquisa presidencial. No primeiro turno, os números voltaram praticamente ao patamar de 23 e 24 de agosto — vale dizer: exatamente há um mês. Não custa lembrar que o horário eleitoral está no ar desde o dia 19 de agosto. Se a eleição fosse hoje, segundo o instituto, Dilma Rousseff, do PT, teria 38% das intenções de voto, contra 29% de Marina Silva, do PSB. Aécio Neves aparece com 19%. Há um mês, estes números eram, respectivamente, 34%, 29% e 19%. Como se nota, só Dilma variou. Ainda assim, admita-se, dada a margem de erro de dois pontos, bem pouco: há um mês, ela tinha entre 32% e 36%; agora, ela tem entre 36% e 40%. É provável que tenha crescido, mas muito menos do que parece. O Ibope ouviu 3.010 eleitores em 206 municípios do País entre os dias 20 e 22 de setembro. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-755/2014. Os gráficos que aparecem neste post foram publicados pelo Portal G1:

IbopPe 1º 23.09
Segundo turno
Quando se analisa o segundo turno e se comparam os números com os do mês passado, aí, sim, há uma alteração relevante — a questão é saber se é tão relevante quanto Dilma e o PT gostariam. Vejam os gráficos.
Ibope 2º 23.09
Há um mês, como se pode constatar, a distância entre Marina, que estava na frente, e Dilma era de 9 pontos: 36% a 45%. Hoje, ambas estão empatadas em 41%. Mas vamos fazer outro recorte: há três semanas, os números estão no mesmo lugar, a saber: Marina: 43%, 43% e 41%; Dilma: 42%, 40% e 41%. Nas outras simulações de segundo turno, a variação se dá dentro da margem de erro.
O fato é que Marina, e os petistas sabem disto, está resistindo à pancadaria muito mais do que os companheiros imaginavam. E olhem que já tentaram de tudo. Depois de acusá-la de tentar roubar a comida do prato dos brasileiros e deixar as criancinhas sem escola, resta o quê? Faltam 11 dias inteiros para a eleição. Descontada esta terça-feira, há mais quatro dias de propaganda eleitoral para a Presidência. Tudo caminha mesmo para um segundo turno ente as candidatas do PT e do PSB.
Nessa etapas, as coisas mudam bastante. As duas candidatas terão o mesmo tempo na TV. Marina Silva disporá, então, de condições para se defender dos ataques — e, eventualmente, para atacar também, ainda que a seu modo. Com absoluta certeza, não é esse o cenário com o qual contava o petismo.
Mais: olhemos os números do Ibope: do primeiro para o segundo turno, Dilma ganha apenas 3 pontos: de 38% para 41% — uma variação que está dentro da margem de erro. Marina Silva ganha 12 pontos — o que quer dizer que recebe a esmagadora maioria do eleitorado que vota em Aécio Neves no primeiro turno. Na hipótese de uma etapa final entre as duas candidatas, ainda é alto o índice dos que dizem que votarão em branco ou nulo: 12%. Digamos que parte desses eleitores decida fazer uma escolha: nesse caso, o que acaba definindo o voto é a rejeição. A petista é muito mais rejeitada do que a peessebista: 31% a 17%.
Ibope rejeição 23.09
A verdade é que, há três semanas, os números estão congelados, até os que dizem respeito à avaliação do governo. Vejam:
Ibope avaliação governo
Não, senhores! Os petistas não têm motivos para comemorar. Nesta semana e meia que falta para as eleições, salvo algum evento extraordinário, não há razão para haver uma alteração que não se verificou nas últimas três semanas. Aí virá o segundo turno. O PT vai tentar fazer uma disputa a sério com Marina Silva ou pretende acusá-la de roubar pirulito de clorofila de criancinhas desamparadas? Se optar por essa estratégia, vai quebrar a cara, mas não serei eu a aconselhar o partido a fazer uma disputa decente. Por Reinaldo Azevedo

Dólar tem quinta alta e vai a R$ 2,40 pela primeira vez desde fevereiro

O dólar comercial teve sua quinta alta seguida nesta terça-feira, subindo 0,53%, alcançando R$ 2,407 na venda. É a primeira vez que o dólar passa e supera a marca de R$ 2,40 desde fevereiro. Também foi o maior valor de fechamento desde o dia 12 daquele mês, quando a moeda tinha fechado em R$ 2,423. Parece que o mercado, definitivamente, não quer mais saber do petismo.

Bateu desespero na petezada gaúcha, os CCs de Tarso Genro já estão chorando em reuniões, em cenas constrangedoras

Os petistas no governo do Estado do Rio Grande do Sul, comandado pelo desastroso peremptório Tarso Genro, "grilo falante" e tenente artilheiro e poeta de mão cheia, estão produzindo cenas constrangedoras em reuniões públicas dentro do Palácio Piratini e secretarias. Uma choradeira explícita aconteceu na reunião de negociação da Data Base/2014, entre governo petista e Semapi/RS, o poderoso sindicato que representa os trabalhadores de todas as fundações, mais EGR e Emater, quando dois integrantes da mesa que representavam o governo (GAE) puseram-se a chorar, debulhados em lágrimas sentidas. Literalmente, chorando, de maneira descontrolada. Os negociadores sindicais que estavam sentados à mesa ainda tentaram consolar seus colegas petistas. Os chorosos desabafaram e disseram que não tinham mais ilusões, que aquela era a última reunião de negociação salarial da qual participavam. Ou seja, ficou patente que os petistas já entregaram os pontos definitivamente na campanha eleitoral. Mais do que isso, segmentos enormes do PT do Rio Grande do Sul temem agora a ocorrência de voto útil em massa pelos gaúchos, encerrando a eleição gaúcha já no primeiro turno. Os representantes do governo petista nas negociações foram Maristela Heck e Cláudio Khun. Ambos derramaram lágrimas diante da certeza da derrota eleitoral de Tarso Genro.

Mantega, ex-ministro da Fazenda em exercício, anuncia que tarifa de energia elétrica vai subir

O ex-ministro da Fazenda em exercício, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira que a tarifa da energia elétrica vai subir. Não me digam! Leiam o que informa O GloboO ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu nesta terça-feira que a decisão do governo de reduzir a previsão de gastos com a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) pode causar aumento das tarifas de energia elétrica. Na segunda-feira, o governo reduziu em R$ 4 bilhões (de R$ 13 bilhões para R$ 9 bilhões) a projeção de despesas com a CDE, a fim de compensar a previsão de arrecadação menor este ano. Também houve redução de R$ 2,2 bilhões na previsão de despesas com pessoal. Nesta terça-feira, o ministro disse que não sabe exatamente o detalhe da CDE, mas que, provavelmente, isso será repassado “mais para a tarifa e menos para a transferência do governo”. “Eu não sei exatamente detalhe da CDE. Provavelmente, vai estar passando mais para a tarifa e menos (para) a transferência do governo”, disse o ministro. “A luz já está precificada. As tarifas já aumentaram. Uma parte tem de ser custeada pelas tarifas. É normal. E uma outra parte é o Tesouro”, acrescentou, quando questionado se a luz subiria mais este ano. As informações constam do relatório de avaliação de receitas e despesas primárias do quarto bimestre, divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério do Planejamento.

Segundo o relatório, a estimativa de despesa com a CDE caiu porque houve uma “revisão no cronograma de pagamentos dessas despesas”. Segundo técnicos do governo, entraram recursos da Celg Distribuidora, que acaba de receber um empréstimo da Caixa Econômica Federal. A empresa vai o usar o dinheiro para pagar dívidas, inclusive com a CDE.
Comento
Não fossem outros, só o desastre que a presidente Dilma provocou no setor elétrico seria o suficiente, em uma democracia um pouquinho mais madura, para mandar um governante para casa. Num regime parlamentarista, o gabinete teria caído. No presidencialista, ela é considerada favorita para vencer a disputa. Estamos fritos e mal pagos. Por Reinaldo Azevedo

Dilma, a cigarra e a formiga. Ou: Na fábula brasileira, há o risco da vitória da vilã

O governo teve de sacar R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano do Brasil — é praticamente tudo o que lá restava — para fechar as contas e fingir que cumpriu a meta de superávit primário, que é a economia necessária para pagar os juros. Conhecem a fábula da formiga e da cigarra, não?, atribuída a Esopo e recontada, com a mesma moral, por La Fontaine? No verão, enquanto uma cantava a plenos pulmões, a outra acumulava alimentos. Mas chegou o inverno. E a cigarra, que passara os dias quentes na flauta, foi bater à porta da formiga para pedir umas migalhas de alimento. Reproduzo quatro estrofes na tradução que o poeta português Bocage fez do texto de La Fontaine;

Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.
“Amiga, diz a cigarra,
prometo, à fé de animal,
Pagar-vos, antes de Agosto,
Os juros e o principal.
A formiga nunca empresta,
Nunca dá; por isso, junta.
“No verão, em que lidavas?”,
À pedinte, ela pergunta.
Responde a outra: “Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora”.
– Oh! Bravo!, torna a formiga,
Cantavas? Pois dança agora!
A moral da história é óbvia. Quem não se organiza para enfrentar os momentos difíceis acaba pagando um preço alto. Muita gente entorta o nariz para essa fábula. Alguns a tomam como desprezo pelo mundo dos sonhos, do prazer e da arte, em benefício de uma administração segura, aborrecida e conservadora da vida. É um caso de superinterpretação que distorce o óbvio. Há aí apenas o confronto entre a prudência e a imprudência.
No governo, o PT se comportou como a cigarra. Enquanto o cenário internacional era favorável, a China crescia a taxas espantosas, e as commodities brasileiras estavam com os preços nas alturas, o governo se entregou à farra de um modelo ancorado unicamente no consumo. Não se preparou para o inverno. Não cuidou de reformas necessárias para um crescimento duradouro e estável, repudiou as privatizações, tornou o ambiente hostil aos investimentos, queimou o patrimônio que acumulou no período da abastança.
Na segunda-feira, o governo anunciou, então, que teve de sacar o que restava no Fundo Soberano para poder fechar as contas. Esse fundo era a poupança do País para situações de grave emergência. Que nada! A grana está sendo torrada pela incompetência: uma incompetência estratégica, que se mostra incapaz de posicionar o País no novo cenário internacional; uma incompetência técnica, operacional, que o impede de cortar gastos.
Em Nova York, Dilma tentou rebater as críticas: “O fundo tem uma característica contracíclica, ou seja, não age a favor do ciclo. Se o ciclo está ruim, ele aumenta o gasto para conter o ciclo. Se o ciclo está bom, ele segura o gasto e faz uma poupança. Sei perfeitamente em que condições o fundo foi formado”.
É uma tentativa de enganar trouxas. O que o governo fez nada tem a ver com medidas anticíclicas. Não se trata de ampliar o investimento estatal para financiar a produção ou algo do gênero. O dinheiro foi torrado apenas para fechar as contas.
Na fábula de Esopo, como sabem, a cigarra se dá mal. Ganha a formiga, a previdente. No Brasil, há uma chance razoável de a incompetência ser premiada. E, aí, que Deus tenha piedade de nós, já que a maioria do eleitorado não terá tido. Iremos para o abismo com a cigarra arrotando vantagem. Por Reinaldo Azevedo

Dilma é a “exterminadora do presente”, diz Marina no Paraná

Em ato de campanha em Curitiba nesta terça-feira (23), a presidenciável Marina Silva (PSB) afirmou que a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) age como “a exterminadora do presente”. Marina fez a comparação ao, mais uma vez, criticar o governo atual e os ataques do PT à sua candidatura, que tem ameaçado a liderança de Dilma nas pesquisas. ”Disseram que eu vou acabar com o Bolsa Família, com o Minha Casa Minha Vida, com o pré-sal, com o Mais Médicos. Gente, isso não é uma pessoa. É o exterminador do futuro”, declarou. “E vocês sabem por que a Dilma diz isso? Porque não quer que a população veja quem é que está exterminando o presente!”

A presidenciável fez referência, em seguida, às altas taxas de juros, à inflação, ao baixo crescimento e à corrupção na Petrobras. Também aproveitou para criticar o uso do Fundo Soberano, uma poupança emergencial da União, para fechar as contas públicas, anunciado nesta segunda (22) pelo governo federal. Serão descontados R$ 3,5 bilhões deste fundo para que se atinjam as metas deste ano.
“É uma demonstração clara de que esse governo está comprometendo o desenvolvimento econômico e a estabilidade do nosso país”, declarou. Para Marina, o programa eleitoral de Dilma mostra “uma ilha da fantasia”. A candidata do PSB voltou a se comprometer com a independência do Banco Central para o controle da inflação, sem permitir “interferências políticas” no órgão, “as mesmas que estão sendo feitas na Petrobras, na Eletrobras e até no IBGE”. ”Governar um país é colocar os interesses da nação em primeiro lugar, e não sacrificá-los com políticas erráticas para ganhar uma eleição”, disse Marina. Por Reinaldo Azevedo

Aécio Neves critica manobra do governo para engordar contas - e culpa Dilma por PIB "pífio"

Por Daniel Haidar, na VEJA.com: Em agenda no Rio de Janeiro nesta terça-feira, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, criticou a manobra do governo federal para conseguir engordar suas contas em 2014 – na segunda-feira, a Fazenda informou que o Tesouro vai sacar 3,5 bilhões de reais do Fundo Soberano para ajudar a encorpar as economias para o pagamento dos juros da dívida. O tucano atribuiu ao governo da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) a culpa pelo atual cenário econômico do país, que tem perspectiva de crescimento em torno de 1%. Aécio lembrou que o governo federal teve de buscar recursos do Fundo Soberano, porque “o país parou de crescer”.

“O governo busca no Fundo Soberano recursos para fechar as contas, porque o país parou de crescer. E a responsabilidade não é, como quer a presidente da República, única e exclusivamente da crise internacional. No momento em que o governo demoniza por dez anos parcerias com o setor privado, afasta investimentos que poderiam permitir um crescimento maior da economia”, afirmou. O tucano classificou o crescimento da economia brasileira como “pífio”.
Aécio fez uma viagem de barca do Centro do Rio à região central de Niterói na manhã desta terça. Para melhorar o deslocamento nas médias e grandes cidades, o presidenciável prometeu um “mutirão de mobilidade” com “regras claras que atraiam o capital privado”. “Vamos atrair o capital privado, priorizando o Metrô de superfície e Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs). No nosso governo, com a credibilidade da política econômica, iremos fazer com que os investimentos privados, que não têm sido parceiros na dimensão necessária, possam melhorar a vida do trabalhador”, afirmou Aécio.
Depois de chegar ao centro de Niterói, Aécio seguiu para uma caminhada no bairro de Icaraí, onde parou em uma padaria para tomar café e fez corpo-a-corpo com eleitores. O tucano voltou a repetir que vai criar uma alternativa para o fim do fator previdenciário, mecanismo criado no governo Fernando Henrique Cardoso “Não vamos acabar. Vamos substituir o fator previdenciário que pune os aposentados por um sistema que preserve a remuneração”, afirmou.
O tucano também voltou a criticar as mudanças e adaptações no programa de governo da adversária Marina Silva (PSB), mas evitou indicar uma data para apresentar o seu. “Nosso programa de governo não será feito a lápis. Lançamos um programa para o Nordeste, com metas claras para diminuir as diferenças na educação daquela região em relação ao restante do Brasil”, afirmou.
Fundo Soberano
Em 2012, o governo fez manobra parecida. No último dia do ano, o Tesouro Nacional fez um resgate de 8,847 bilhões de reais do Fundo Fiscal de Investimentos e Estabilização (FFIE) – caixa onde estão aplicados os recursos do Fundo Soberano. Uma portaria do Diário Oficial da União de 31 de dezembro autorizava o resgate de títulos públicos neste valor que estavam depositados no Fundo, que é uma espécie de poupança fiscal criada em 2008 para servir de respaldo em períodos de dificuldades econômicas. O uso de recursos do Fundo Soberano foi considerado o pontapé inicial da degringolada da credibilidade fiscal do Brasil. A alternativa foi considerada oportunista e a prova de que o Planalto havia perdido o rigor técnico. Por Reinaldo Azevedo

Entrevista de Dilma ao “Bom Dia Brasil” revela o fim de uma era: a da mistificação petista. Agora, os companheiros querem o poder para… continuar no poder. E só!

Na entrevista concedida ao “Bom Dia Brasil”, que foi ao ar nesta segunda, Dilma Rousseff era o retrato do fim da era da mistificação petista. Essa era contou, sim, com o endosso de setores importantes da imprensa, que não entenderam o que ia nos subterrâneos daquele “modelo” — se é que se pode chamar assim —, que usou um período especialmente favorável da economia internacional, marcado pela alta demanda da China e pela elevação das commodities, para distribuir alguns parcos benefícios, ensaiar uma política pífia de distribuição de prebendas e trombetear o fim da miséria.

A fortuna sorriu aos governos petistas, e os companheiros, afoitos, sob a condução do ogro amoroso e bonachão, a transformaram em consumo, deixando para as calendas reformas essenciais que nos conduzissem a um ciclo de crescimento longo e sustentado. Não só essas reformas não foram feitas como foram demonizadas pelos companheiros. O PT começou a articular o discurso no medo — o partido que chegou falando em “esperança”… — já na eleição de 2006, quando se lançou o espantalho da privatização das estatais. O tema foi retomado em 2010 e, ainda que com novo conteúdo, chega ao paroxismo agora, quando acusa os adversários de querer roubar a comida da mesa dos brasileiros.
Nesta segunda, o boletim Focus previu uma expansão de apenas 0,3% do PIB neste ano, com juros de 11% e inflação bem perto do teto da meta: 6,3%. Para o ano que vem, as perspectivas não são muito animadoras: crescimento de 1,01%, Selic de 11,25% e inflação em 6,28%. Atenção! O quadriênio de Dilma tem tudo para ser o pior da história “no que se refere” (como diz a governanta) ao crescimento: média de 1,55% — contra 2,58% no primeiro mandato de FHC, 2,1% no segundo; 2,55% no Lula I e 4,48% no Lula II. Nota à margem: parte das dificuldades da presidente deriva de irresponsabilidades cometidas no segundo mandato de seu antecessor. Mas não vou entrar nesse particular agora.
Dilma foi questionada a respeito na entrevista concedida ao “Bom Dia Brasil”. A íntegra, com o link para o vídeo, está aqui. De fato, ela não tem a mais remota ideia do que aconteceu e do que está em curso. A presidente insiste em culpar o cenário internacional, mas não consegue explicar por que outros países, nesse mesmo cenário, estão em situação muito melhor. Restou-lhe ensaiar uma glossolalia sobre a economia mundial e foi atropelando tudo: fatos e lógica. Apontou uma inexistente deflação nos EUA, errou a taxa de crescimento da Alemanha, foi dizendo o que lhe dava na telha.
Até o que faz sentido em sua fala — de fato, o Banco Central nos EUA (Fed) não se limita a arbitrar taxa de juros; também leva em consideração a expansão da economia e o emprego — se perdeu num discurso desordenado e defensivo. Afinal, ela destacava essa tríplice preocupação do Fed, suponho, para enfatizar que uma independência absoluta do BC, descolada de outras preocupações, tornaria um país refém de uma única variável. Uma conversa madura e sensata a respeito, pois, passaria por um debate sobre as atribuições do Banco Central e o alcance da autonomia ou independência.
Mas aí seria uma conversa séria, fora da estúpida rinha eleitoral. Como Dilma está em pânico, e interessa colar nos adversários, especialmente em Marina, a pecha de “candidata dos banqueiros”, restou-lhe o constrangimento adicional de ter de defender a campanha eleitoral terrorista que seu partido vem fazendo.
Comecei este post afirmando que a entrevista foi a expressão do fim de uma era. O PT hoje quer o poder para que possa… continuar no poder. É compreensível que os mercados fiquem desarvorados quando se avalia que crescem as possibilidades de reeleição de Dilma. Nessa hipótese, ninguém vê motivos para prever quatro anos futuros muito distintos desses últimos quatro.
Entrevistas como a concedida ao “Bom Dia Brasil” sempre oferecem a chance de se vislumbrarem alguma luz, algum rasgo de clareza, algum caminho. E o que se viu foi um discurso envolvo numa névoa de anacolutos e irresoluções.
Se Dilma for reeleita, dá-se como certo que não haverá bons dias, Brasil! Por Reinaldo Azevedo