quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Atraso em linha de transmissão compromete planos da usina de Teles Pires

Em plena crise de energia, duas usinas do rio Teles Pires, em etapa final de construção, na divisa do Mato Grosso com o Pará, correm o risco de reviver o mesmo drama enfrentado nos empreendimentos do Rio Madeira, em Rondônia: o descolamento dos cronogramas previstos para as hidrelétricas e suas respectivas linhas de transmissão. Até meados de janeiro de 2015, a Usina de Teles Pires, de 1.820 megawatts (MW) de potência, deve estar pronta para colocar a sua primeira turbina em operação. O consórcio responsável pela hidrelétrica pediu a licença de operação ao Ibama em julho, que deve ser liberada em breve. A partir daí, bastará encher o reservatório e Teles Pires estará pronta para gerar energia. A questão é como injetar essa energia no sistema nacional. Até janeiro de 2015, deveria estar pronta uma rede de transmissão de 1.005 quilômetros de extensão, entre os municípios de Paranaíta e Ribeirãozinho, no Mato Grosso. Mas a obra atrasou. Hoje, na melhor das hipóteses, essa linha só estará disponível em meados de abril, segundo relatório de acompanhamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O consórcio Matrinchã Transmissora de Energia (TP Norte), formado pela estatal paranaense Copel e a chinesa State Grid (SGCC), recorre a argumentos comuns ao setor elétrico para justificar o atraso. "Tivemos problemas institucionais, como demora nas licenças ambientais. Esse é um projeto desafiador, realizado numa região inóspita. Além disso, enfrentamos a pior chuva dos últimos 20 anos nessa região", diz Francisco Roberto Hopker, diretor técnico da Matrinchã. O consórcio já apresentou seus argumentos à Aneel e ao Ministério de Minas e Energia, que acompanham com lupa o andamento das obras. Apesar do atraso, Hopker afirma que "o consórcio tem feitos todos os esforços possíveis" para eliminar o descompasso. A linha de transmissão fará parte do chamado Sistema Interligado Nacional (SIN), rede que hoje soma mais de 105 mil quilômetros de malha em todo o País. No ano passado, a Usina Santo Antônio, em Porto Velho, chegou a escoar energia de suas primeiras turbinas por uma rede local de distribuição, porque o linhão do Madeira estava atrasado. A demora atingiu um ano. A entrega de energia do Rio Teles Pires vai se apoiar ainda em outra linha de 624 km de extensão, que também deveria ser concluída em janeiro de 2015, mas já teve seu prazo de conclusão adiado para abril. O descompasso entre usinas e linhas tem consequências graves. Primeiro, porque produz um prejuízo imediato, uma vez que o governo é obrigado a remunerar o dono da usina porque ele honrou o compromisso de gerar de energia naquela data. Segundo, porque afeta o planejamento do setor elétrico na distribuição de energia, em um momento em que o acionamento de usinas térmicas continua a pleno vapor. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que o "eventual atraso" das linhas de transmissão não deverá gerar problemas "em condições normais de operação do setor". Além das hidrelétricas Teles Pires e Colíder, o complexo do Rio Teles Pires abriga outras três usinas em etapas iniciais de construção: São Manoel (700 MW), Foz de Apiacás (230 MW) e Sinop (400 MW). O complexo do Teles Pires tem o tamanho equivalente ao da Usina de Jirau, em Rondônia, com potencial de atender 5,4 milhões de casas, lojas e fábricas. A linha de transmissão também é importante para outra usina em via de ser concluída no Teles Pires, a Hidrelétrica de Colíder, de 300 MW, prevista para entrar em operação a partir de junho, segundo dados mais atuais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Empresas argentinas demitem funcionários em massa

Pesquisa realizada pela consultoria Mercer revelou que das 165 principais empresas instaladas na Argentina, 33% estão demitindo funcionários, 24% cortaram horas extras e 18% lançaram planos de aposentadorias antecipadas. Assoladas pela crise econômica, as empresas apontaram a falta de trabalho e a baixa lucratividade como motivos para os desligamentos. "Neste cenário de estagflação, se a economia não cresce, as vendas e a receita das empresas tampouco cresce, e neste contexto, reconsideram a mão de obra".  Outra pesquisa realizada pela SEL Consultores apontou que os empresários argentinos acreditam que a crise econômica continuará, sendo que 17% deles pretendem demitir funcionários no ano que vem. Relatório do Banco Mundial também mostrou o enfraquecimento do clima de negócios e do mercado trabalhista poderiam levar 40% da população do país latino-americano à pobreza. Já o vice-ministro da Economia, Emmanuel Alvarez Agis, isentou o governo Cristina Kirchner ao dizer que o enfraquecimento da economia na Argentina é reflexo da conjuntura internacional.

Papa destitui bispo paraguaio acusado de encobrir abusos

O papa Francisco destituiu um bispo paraguaio acusado de proteger um padre suspeito de abuso sexual nos Estados Unidos, anunciou o Vaticano nesta quinta-feira. Segundo o Vaticano, o papa Francisco tomou a “decisão onerosa” de remover o bispo Rogelio Ricardo Livieres Plano como chefe da diocese da Ciudad del Este após um cuidadoso exame dos resultados de uma investigação. O sumo pontífice havia dito anteriormente que bispos que encobrissem abusos seriam responsabilizados. Fontes do Vaticano disseram que o bispo havia recusado colaborar com a investigação das acusações sobre irregularidades em sua diocese. De acordo com a imprensa católica, enquanto a investigação do Vaticano estava em andamento, Livieres Plano promoveu um padre em sua diocese que havia sido acusado de abuso sexual enquanto servia nos Estados Unidos. Um bispo dos EUA havia dito aos representantes da Igreja paraguaia que o padre Carlos Urrutigoity, um argentino que fora promovido a uma posição mais alta na diocese paraguaia de Livieres Plano, era uma “séria ameaça aos jovens”. Livieres Plano defendeu a si mesmo e ao padre, dizendo que as acusações contra eles não tinham fundamento. Livieres Plano, que está em Roma desde o final da semana passada, continua a ser bispo, mas não lhe será atribuída a administração de uma diocese, noticiou o jornal paraguaio Vanguardia. O até aqui responsável por Ciudad del Este não se quis demitir, segundo o núncio apostólico, Eliseo Arioti. No comunicado divulgado pelo Vaticano, o Papa Francisco “pede ao clero e a todo o povo de Deus de Ciudad del Este que acolham a decisão da Santa Sé com espírito de obediência, docilidade e sem desavenças”. O Vanguardia noticiou que, para prevenir eventuais manifestações, foi montado um dispositivo policial junto à sede da diocese, no Paraguai. O jornal escreveu também que os enviados do Vaticano constataram que “não há unidade na Igreja paraguaia”. O bispo dispensado, membro do grupo conservador católico-romano Opus Dei, havia também se tornado uma figura polarizadora na igreja do Paraguai e frequentemente se confrontava com clérigos mais progressistas. A destituição do bispo paraguaio ocorre dois dias após o papa ter aprovado a prisão domiciliar, no Vaticano, de um ex-arcebispo acusado de pagar para fazer sexo com crianças enquanto era embaixador do Vaticano na República Dominicana.

FBI identifica terrorista do Estado Islâmico que decapitou jornalistas

O diretor do FBI, James Comey, afirmou nesta quinta-feira que os Estados Unidos acreditam ter identificado o terrorista do Estado Islâmico (EI) que aparece nos vídeos das decapitações dos jornalistas americanos James Foley e Steven Sotloff e do britânico David Haines divulgados pelo grupo na internet. Esta é a primeira vez que uma autoridade ocidental afirma ter reunido indícios suficientes para identificar o jihadista. Comey disse que o nome e a nacionalidade do terrorista não serão divulgados. O fato de o carrasco falar inglês com sotaque britânico levou a indicações de que o terrorista era inglês. O rapper Abdel-Majed Abdel Bary, de 23 anos, foi apontado como o possível autor das ameaças aos Estados Unidos feitas nos vídeos. O chefe do FBI não informou se os EUA acreditam que o mesmo homem que aparece nos vídeos foi responsável pelas decapitações – isso porque ele apenas inicia a bárbara execução, que não é mostrada totalmente nas gravações. Na propaganda do horror, apenas o resultado da selvageria é exposto. Segundo Comey, dezenas de cidadãos americanos deixaram o país para se juntar aos terroristas do EI na Síria e no Iraque. O diretor do FBI reconheceu que muitos conseguiram voltar para os Estados Unidos. Ele destacou, no entanto, que as autoridades americanas conseguiram prender boa parte dos extremistas. Aqueles que estão em liberdade são constantemente monitorados pelo serviço de inteligência, assegurou. Nesta quinta-feira, o primeiro-ministro do Iraque, Haidar al Abadi, declarou que o serviço secreto de seu país reuniu indícios sobre planos do EI de cometer atentados terroristas nos metrôs dos Estados Unidos e da França. O governo americano negou a informação. Segundo a rede britânica BBC, as autoridades não possuem nenhuma prova concreta que indique a elaboração desse tipo de ataque nos dois países.

Dívida pública recua 0,17% em agosto, a R$ 2,17 trilhões

O estoque da dívida pública federal (DPF) caiu 0,17% em agosto, atingindo 2,169 trilhões de reais. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo Tesouro Nacional. Em julho, o estoque estava em 2,173 trilhões de reais. A correção de juros no estoque da DPF foi de 15,174 bilhões de reais no mês passado. A DPF inclui a dívida interna e externa. A interna (DPMFi) caiu 0,33% e fechou o mês em 2,075 trilhões de reais. Já a dívida externa (DPFe) ficou 3,53% maior, somando 94,42 bilhões de reais em agosto. Os estrangeiros aumentaram a aquisição de títulos do Tesouro Nacional em agosto. A participação desses investidores no estoque da DPMFi subiu de 18,52% em julho para 18,80% em agosto, somando 390,16 bilhões de reais. Em julho, o estoque estava em 385,67 bilhões de reais. As instituições financeiras aumentaram de 28,25% em julho para 28,43% em agosto sua participação do estoque da dívida interna. Os Fundos de Investimentos seguiram o mesmo caminho e elevaram sua fatia de 21,17% para 21,21% no período. Na contramão, as seguradoras reduziram sua participação de 4,03% para 3,98%, enquanto a da categoria Previdência passou de 17,42% para 17,26% no período. A parcela da DPF a vencer em 12 meses caiu de 27,70% em julho para 25,91% em agosto, segundo o Tesouro Nacional. O prazo médio da dívida subiu de 4,41 anos em julho para 4,47 anos em agosto. O custo médio acumulado em 12 meses da DPF passou de 11,04% ao ano em julho para 10,83% ao ano em agosto. A parcela de títulos atrelados à Selic na DPF foi a única categoria que ficou fora das bandas do Plano Anual de Financiamento (PAF) em agosto, com participação de 20,21%. A meta é que esses papeis encerrem o ano entre 14% e 19%. A participação de títulos prefixados subiu de 39,03% em julho para 40,74% em agosto, dentro da banda do PAF, que vai de 40% até 44%. Os títulos remunerados pela inflação caíram para 34,81% do estoque da DPF em agosto, ante 37,01% em julho. O resultado fez com que a categoria voltasse para a banda do PAF, que vai de 33% a 37%. Os papéis cambiais elevaram a participação na DPF de 4,10% em julho para 4,24% em agosto.

Financial Times diz que governo petista de Dilma Rousseff estimulou consumidores brasileiros a gastarem tudo

"Espreme-se o máximo de suco das frutas que existem, já que não há perspectivas de colher mais", define leitor do FT

Esqueça a estagflação. Agora, o Brasil vive um período chamado "estagno-espremida". A expressão foi criada por um leitor do jornal britânico Financial Times (FT). Segundo ele, com o crescimento zero e preços mais caros ao consumidor, "espreme-se o máximo de suco das frutas que existem, já que não há perspectivas de colher mais". De acordo com o jornal, um sintoma de que isso está ocorrendo no país é a decisão do governo de sacar 3,5 bilhões de reais do Fundo Soberano Nacional para inchar o superávit primário (economia para pagamento dos juros da dívida pública). Recorrer ao fundo neste momento pode criar um "precedente perigoso" para o governo, diz o jornal. "Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, podem atribuir a desaceleração do Brasil à economia global, mas quase todo mundo sabe que os problemas do País são em grande parte culpa do próprio governo", diz o Financial Times: "Em vez de aproveitar os últimos anos de crescimento da demanda chinesa e do baixo custo do dinheiro global para ampliar investimentos, o governo incentivou os consumidores brasileiros a gastar tudo". Em referência ao cenário eleitoral, o Financial Times destaca as críticas da oposição à candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT). A publicação lembra que Marina Silva, do PSB, diz que o governo "coloca em risco a estabilidade e o crescimento do País", enquanto Aécio Neves, do PSDB, fala que o governo demoniza o setor privado e espanta o investimento. O jornal pondera, no entanto, o governo não comete irregularidades ao recorrer ao fundo. O Financial Times ressalta que o fundo foi criado em 2008 com o objetivo de "mitigar os efeitos dos ciclos econômicos". "Dilma Rousseff está certa quando diz que o fundo é para "dias chuvosos" e, no momento, está chovendo", diz. O Financial Times ainda diz que o governo desenvolveu uma contabilidade "cada vez mais duvidosa" para o cumprimento do superávit primário, postergando para o ano que vem despesas.

Embraer entrega primeiro A-29 Super Tucano aos Estados Unidos

Avião Super Tucano da Embraer

A divisão de Defesa e Segurança da Embraer, juntamente com a Sierra Nevada Corporation (SNC), apresentou, nesta quinta-feira, o primeiro avião A-29 Super Tucano a autoridades da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). A aeronave, que também atua como treinador avançado, é a primeira de 20 que serão entregues à Força Aérea americana para o programa de Apoio Aéreo Leve (LAS), que tem o objetivo de apoiar atividades no Afeganistão. O avião foi fabricado em Jacksonville, na Flórida. O contrato, avaliado em 427 milhões de dólares, cobre o fornecimento dos 20 aviões e dispositivos de treinamento em solo, treinamento de pilotos e de manutenção e apoio logístico. O tratado foi definido em fevereiro do ano passado. O Super Tucano é um turboélice de apoio aéreo tático e treinamento avançado utilizado atualmente por nove forças aéreas na África, Ásia-Pacífico e América Latina. "A entrega desta primeira aeronave é um marco significativo para o programa A-29", disse o general brigadeiro Eric Fick, da USAF. "Esta entrega representa o surgimento de uma capacitação importante para o Afeganistão e estamos muito satisfeitos que a SNC e a Embraer tenham conseguido entregar a aeronave dentro do prazo", complementou. 

Em sua maior alta em 10 meses, dólar vai a R$ 2,43

O dólar subiu quase 2% e encostou em 2,43 reais nesta quinta-feira, turbinado por expectativas sobre o futuro das políticas monetárias dos Estados Unidos e da Europa e por preocupações sobre as eleições no Brasil. Investidores compravam a moeda norte-americana em busca de proteção cambial antes da divulgação de novas pesquisas eleitorais nesta semana. Além disso, muitos testavam a tolerância do Banco Central à recente pressão no câmbio. Quando mais o dólar subir, maior tende a ser seu impacto na inflação. O dólar avançou 1,95%, a 2,4299 reais na venda, após bater 2,4312 reais na máxima do dia, maior nível desde 13 de fevereiro. A alta desta sessão foi a maior desde 5 de novembro de 2013, quando a divisa avançou 1,98%. No Exterior, o dólar chegou a bater a máxima em quatro anos contra uma cesta de divisas. Entre os emergentes, o dólar também tinha forte alta contra moedas como o peso mexicano e o rand sul-africano. Investidores mantêm a expectativa de que a política monetária da Europa se tornará mais expansionista, ou seja, com juros próximos de zero. Já no caso dos Estados Unidos, a promessa é de que a taxa de juros avance, o que tornará os títulos do tesouro americano, que são atrelados aos juros, mais rentáveis. A expectativa é de que, em busca de melhores rendimentos, investidores tirem seu capital de outros mercados para depositá-los nos Estados Unidos, o que impacta diretamente a cotação da moeda americana. "Há um movimento generalizado de alta do dólar que está respingando aqui", afirmou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, lembrando que o mercado há tempos vem se ajustando para alta nos juros nos Estados Unidos no próximo ano. No Brasil, a pressão externa vem junto com incertezas sobre as eleições presidenciais de outubro. A atual presidente Dilma Rousseff (PT), cuja condução da política econômica é alvo de críticas nos mercados, tem ganhado força nas últimas pesquisas de intenção de voto e encostado em sua rival Marina Silva (PSB) em um esperado segundo turno das eleições. Segundo analistas, investidores compravam dólares para se proteger da possibilidade de que Dilma avance ainda mais nas próximas pesquisas eleitorais. O próximo levantamento do Datafolha deve ser divulgado ainda nesta semana. "Nosso cenário local, aos olhos do mercado, é muito ruim. Qualquer espirro lá fora se torna uma enchente aqui, e hoje a pressão no mercado internacional é bem mais forte que um espirro", afirmou o especialista em câmbio da corretora Icap, Italo Abucater. Numa tentativa de conter a alta do dólar, o Banco Central aumentou suas intervenções no câmbio nesta semana, ampliando os leilões de swaps cambiais, que consiste na venda de dólares no mercado futuro. Isso levou investidores a avaliar que o Banco Central quer evitar cotações acima de 2,40 reais por medo de impactos inflacionários. "Entende-se que o Banco Central entra em estado de alerta quando o dólar chega nesse patamar", afirmou o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira. A ação do Banco Central levou o dólar a cair quase 1% na quarta-feira. Nesta sessão, no entanto, investidores elevaram as cotações da moeda para testar a disposição do Banco Central em defender o real.

Reserva do Cantareira acaba em 57 dias, diz secretário

Volume morto do Sistema Cantareira chega ao fim em novembro, diz secretário

O secretário de Saneamento e Recursos Hídricos de São Paulo, Mauro Arce, disse nesta quinta-feira que a primeira cota do volume morto do Sistema Cantareira deve durar até o dia 21 de novembro, se o volume de chuvas na região dos reservatórios permanecer como está. O governo Geraldo Alckmin (PSDB) conta com uma segunda cota da reserva profunda das represas para manter o abastecimento na Grande São Paulo até março do ano que vem sem adotar racionamento. "Nós agora temos um segundo volume que estamos preparando para usar. Vamos adiar o máximo", disse Arce, sobre os 106 bilhões de litros adicionais da reserva que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) pretende utilizar. "Se continuar assim, vamos liberar no dia 21 de novembro", completou o secretário, que durante visita ao Parque Várzeas do Tietê, na zona leste de São Paulo, ao lado de Alckmin. O uso do segundo volume morto ainda não foi liberado pelos órgãos reguladores do manancial. Nesta quinta-feira, o nível do Cantareira chegou a 7,4% da capacidade, o mais baixo da história. Restam hoje nos cinco reservatórios que formam o manancial 72,2 bilhões de litros da primeira cota do volume morto, de 182,5 bilhões, que começou a ser bombeada no dia 31 de maio. Alckmin tem apostado na próxima temporada de chuvas, que vai de outubro a março, para aliviar a crise de abastecimento e recarregar as represas. Para ele, há chances de não precisar utilizar a segunda cota do volume morto. "Nós estamos preparados. Mas talvez nem precise da chamada da segunda reserva técnica", disse o tucano, que havia descartado retirar mais água da reserva há três meses. 

Afônica, Dilma cancela ida a comício do PT no Distrito Federal

A presidente-candidata Dilma Rousseff desistiu de ir ao comício marcado para a noite desta quinta-feira, em Ceilândia, cidade-satélite de Brasília (DF). O ex-presidente Lula, no entanto, foi ao evento para tentar ajudar na campanha à reeleição do atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). Dilma chegou na noite de quarta-feira de uma viagem a Nova York, onde abriu a Assembléia Geral da ONU e participou da Cúpula do Clima, dormiu em Salvador e, na manhã desta quinta-feira, participou de caminhada em Feira de Santana, no interior da Bahia. Após cumprir essa agenda, Dilma desembarcou em Brasília pouco depois das 15 horas, sem voz e se queixando de cansaço. 

Padilha faz campanha com substituto de deputado petista ligado ao PCC

Em Guaianases, Alexandre Padilha (ao centro) come pastel com Jorge do Carmo (à esq.), herdeiro político do mandato de Luiz Moura e candidato a deputado estadual PT

Ao longo da campanha, o PT tentou evitar a todo custo que seu candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, fosse vinculado ao ex-presidiário e deputado estadual Luiz Moura, flagrado neste ano em reunião na qual também estavam dezoito criminosos da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Mas, na reta final da disputa – e com apenas 9% de intenção de voto, segundo o Datafolha – Padilha foi buscar votos no feudo eleitoral de Moura, o bairro de Guaianases, no extremo leste da capital paulista. Nesta quinta-feira, fez caminhada e discursou em carro de som pelo bairro ao lado de Jorge do Carmo (PT), o substituto de Luiz Moura na chapa de candidatos à Assembleia Legislativa de São Paulo. Investigado pelo Ministério Público por sete crimes, Luiz Moura não teve aval da Justiça Eleitoral para concorrer à reeleição e chegou a ser expulso do PT – medida que ainda não foi efetivada, porque o parlamentar aguarda parecer do Diretório Nacional do partido. Impugnado, Luiz Moura e seu irmão Senival Moura, vereador paulistano e candidato a deputado federal, passaram a fazer campanha para que Jorge do Carmo conquiste uma cadeira para o clã Moura na Assembleia Legislativa. Padilha também: ele até parou para comer pastel com Jorge do Carmo, que foi chefe de gabinete da subprefeitura de Guaianases indicado pelos irmãos Moura.

Marina alfineta PT: "Não é correto se apropriar do esforço das pessoas"

A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, rebateu nesta quinta-feira os ataques da campanha da adversária Dilma Rousseff (PT), segundo quem ela deve sua carreira política ao PT. Em visita à sede da Central Única das Favelas (Cufa), em Madureira, na Zona Norte do Rio de Janeiro, a presidenciável também alfinetou a presidente-candidata ao dizer que não era correto o governo se apropriar do esforço das pessoas. "Não é correto qualquer governo se apropriar do esforço das pessoas e tentar passar a ideia de que tudo que se conquistou foi porque o governo deu. Isso não educa nem ao governo nem à sociedade. É a visão patrimonialista da Casa Grande e da Senzala", afirmou."Dia desses ouvi pessoas dizendo que tudo que sou devo a um partido politico, como se nada do meu esforço tivesse nenhum significado, inclusive o esforço de ajudar a criar esse partido. Essa é a visão mais atrasada e velha da política", acrescentou, em referência ao PT.

Na chegada ao local, Marina foi levada a uma quadra de basquete, onde tentou acertar a cesta, mas errou três vezes.Terceira presidenciável a visitar a Cufa, ela assistiu também a uma apresentação de dança. Arriscou alguns passinhos timidamente – sua filha Shalom dançou capoeira.

Depois de ouvir à apresentação do livro "Um País chamado Favela", um discurso dos autores Celso Athayde e Renato Meirelles, ela falou a líderes comunitários sobre histórias de sua infância e a importância de ter sonhos. Declarou que chamá-la de "sonhática" é uma forma de constrangê-la: "Sou considerada uma sonhática. Sempre que digo alguma coisa falam: 'mas e de concreto?' É como uma forma de constranger".

'Mentiras' – Mais tarde, Marina também fez comício em uma praça no centro de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O evento havia sido marcado para a última sexta-feira, mas foi adiado por questões de segurança já que Dilma havia agendado comício a poucos metros do local. Em discurso, Marina voltou a atacar a petista por disputar a eleição com "mentiras". "Quando a pessoa com o cargo mais importante da República se dispõe a mentir, passa uma péssima mensagem aos brasileiros", discursou. Ela também voltou a cobrar que Dilma e Aécio Neves (PSDB) apresentem seus programas de governo."Dilma e Aécio deveriam respeitar o povo brasileiro. Dizer como vão fazer para a inflação não voltar", criticou. Marina também voltou a pedir à militância que a defende dos ataques do PT nas redes sociais. "Eles têm milhares de pessoas nas redes sociais para mentir."
A presidenciável do PSB seguiu do Rio de Janeiro para Minas Gerais. De acordo com o candidato a vice, Beto Albuquerque, o objetivo é reforçar, na última semana de campanha antes da eleição, a presença na região Sudeste para recuperar potenciais votos perdidos nas últimas pesquisas eleitorais. "Temos uma estratégia de manter presença forte no Sudeste. Minas Gerais e São Paulo são nossas metas principais."

Vice de Marina Silva cancela agenda para tentar resolver crise no PSB

A insistência do presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, em convocar uma eleição para tentar se manter à frente do partido abriu uma crise na campanha da candidata da legenda à Presidência da República, Marina Silva. O vice na chapa, Beto Albuquerque, chamou a convocação de “inoportuna” nesta quinta-feira e tenta adiar a convenção partidária. Agendou reuniões em São Paulo nesta sexta-feira para resolver o impasse. “Não vou acompanhar a agenda de Minas Gerais para tratar desse assunto, para você ver o quanto inoportuna é uma eleição interna do partido. Não estou contra o Roberto Amaral, não quero organizar outra chapa. Mas nosso foco neste momento é a eleição (à Presidência da República)”,afirmou Albuquerque, após visita à Central Única das Favelas (Cufa), no Rio de Janeiro. Amaral convocou a reunião partidária para a próxima segunda-feira, sob o argumento de que era o cronograma estabelecido por Eduardo Campos.

Exposição de Salvador Dalí no Rio de Janeiro teve recorde de 978.000 visitantes

Salvador Dalí, a mais completa exposição do surrealista organizada até agora no Brasil, com cerca de 150 obras do artista, recebeu um público recorde no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro. De acordo com a instituição, a mostra foi vista por 978.000 visitantes nos 116 dias em que esteve em cartaz, entre 29 de maio e 22 de setembro. Até agora, o recorde de público do centro cultural era da exposição do escultor Aleijadinho em 2006, de 969.000 pessoas. Entre as mostras de artistas estrangeiros, o recorde era da exposição de arte impressionista que incluiu obras de Claude Monet, Paul Cézanne, Pierre-Auguste Renoir, Paul Gauguin e Vincent van Gogh em 2012, com 561.142 visitantes. O público do Rio de Janeiro superou também a quantidade de visitantes da exposição de Dalí em Madri, no Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia (732.000 pessoas), e em Paris, no Centro Georges Pompidou (790.000), ambas em 2013. A mostra agora segue para São Paulo, no Instituto Tomie Ohtake, de 19 de outubro de 2014 a 11 de janeiro de 2015. A exposição permitiu aos visitantes ver a carreira do pintor desde seu início, mais acadêmico, até suas últimas peças. As obras vieram da Fundação Gala-Salvador Dalí, em Figueres, na Espanha, do Museu Nacional Rainha Sofía, em Madri, e do Museu Salvador Dalí em St. Petersburg, nos Estados Unidos, as principais instituições que mantêm acervo do artista.

MTST ameaça impor o caos em São Paulo com barricadas de pneus em chamas

Do alto de um carro de som, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, voltou adotar nesta quinta-feira sua tática de tentar chantagear o poder público e os paulistanos se os interesses do grupo que manobra não forem atendidos. As afirmações foram feitas durante um protesto que reuniu 5.000 pessoas, segundo a Polícia Militar, em frente ao prédio da Sabesp, na Zona Oeste da capital. "Se os acordos não forem cumpridos, o fechamento dessa rua, uma das principais de São Paulo, (no caso, a Marginal Pinheiros) vai virar rotina. A gente espera que o recado tenha sido entendido, se não vamos fechar as principais vias das regiões com pneu e barricadas de fogo", disse.

Não foi só. Boulos também prometeu "resistência igual ou pior" às cenas lamentáveis de destruição do patrimônio público e privado, na semana passada, durante a reintegração de posse do Hotel Aquarius. "Vou dizer tanto para a prefeitura quanto ao governo que se eles forem resolver o problema de moradia com bomba e polícia vão encontrar resistência igual ou pior do que aconteceu na semana passada", afirmou. 
A passeata começou por volta das 16 horas no Largo do Batata. O grupo seguiu até a sede da Sabesp, onde permaneceu por quase quatro horas. Boulos e mais oito lideranças do movimento foram recebidos no prédio para conversar com representantes da companhia. A queixa era de falta de água em bairros da periferia. Em seguida, o grupo marchou até a Marginal Pinheiros e bloqueou vias.

O protesto foi encerrado por volta das 20h30, quando o grupo se dividiu em filas para assinar a lista de presença, que vale pontos no movimento. A pontuação serve para indicar quem deve receber moradia por meio do programa federal Minha Casa, Minha Vida Entidades, que repassa verba para o movimento construir moradia.

Efetivo – Após o quebra-quebra ocorrido durante a reintegração de posse do hotel, o Comando da Polícia Militar decidiu aumentar o efetivo no monitoramento do protesto desta quinta-feira; 850 policiais e 140 viaturas foram mobilizadas para acompanhar os sem-teto. O comandante da operação, o coronel da PM Glauco Carvalho, afirmou que a atenção foi redobrada e que não ocorreu nenhum incidente durante o percurso. "Foi tudo tranquilo. O movimento cumpriu o acordado de não fechar a via principal da Marginal", disse o coronel. Apenas um militante se feriu levemente após acender um rojão, que explodiu na sua mão.

O PORTA-VOZ DE ISRAEL TINHA RAZÃO, A SOBERANA DILMA COMPROVA NA ONU QUE O BRASIL É MAIS DO QUE UM ANÃO DIPLOMÁTICO, O REGIME PETISTA É UM ANÃO MORAL

Leia este indispensável pequeno texto do filósofo Luis Milman: "Quando o porta-voz da chancelaria israelense descreveu o Brasil como um anão diplomático, depois do governo Dilma Roussef chamar seu embaixador em Israel para consultas, durante a recente Guerra de Gaza, houve aqueles, entre nós, que consideraram a declaração de mau-gosto diplomático. Não era. Como ficou evidente na última quarta-feira, no discurso inaugural da Assembléia Geral da ONU, feito por Dilma, o Brasil é, de fato, diplomaticamente irrelevante. Não o fosse, as consequências do que a presidente do Brasil afirmou teriam sido gravíssimas. Afinal, ela simplesmente traçou uma equivalência moral entre estados civilizados e as hostes de tarados fundamentalistas do Estado Islâmico, que aterrorizam o Norte da Síria e do Iraque, estuprando, fuzilando e decapitando pessoas, em desafio até mesmo às rotinas de convivência entre animais. Que a brutalidade do terror não comova Dilma não espanta. Afinal, ela entregou-se, em anos idos, ao vale-tudo da violência por uma causa revolucionária. Mas que hoje, na condição de chefe de estado, ela se utilize da plataforma da ONU para ser conivente com a barbárie, é um ultraje às tradições do povo que ela deveria representar. Mais ainda: é uma cusparada na face da comunidade internacional, que se empenha, finalmente, em deter o avanço das hordas do Estado Islâmico. A política externa do PT, com Lula e Dilma, sempre foi obscurantista e contrária aos interesses tanto estratégicos como pragmáticos do País. Mesmo assim, ninguém imaginaria vê-la rebaixada ao nível do esgoto moral, em meio à situação internacional de urgência criada pelo crescimento de um grupo vândalo e assassino, que se espalhou por dois países do Oriente Médio. A presidente do Brasil e seus gurus diplomáticos não estavam satisfeitos apenas com a falta de estatura. Eles nos transformaram num rato entre as nações".

Roberto Amaral rechaça aproximação com o PSDB

Do Relatório Reservado: "Logo após deixar a poltrona 7C do voo 1025 da Gol, que o levou do Rio a São Paulo, o presidente do PSB, Roberto Amaral, demonstrava visível ansiedade. Ao desembarcar no Aeroporto de Congonhas, Amaral tamborilava seus dedos agitadamente sobre o livro "Socialismo e Democracia". Mais inquieto ainda ficou com a aproximação do Relatório Reservado. A primeira pergunta alvejou-o de chofre: "Dr. Roberto, o senhor leu a entrevista do economista Eduardo Giannetti ao Valor Econômico, na qual ele chama a atenção para a convergência entre as propostas de Marina Silva e de Aécio Neves?". A resposta veio de pronto: "Não li. Ainda bem". O RR insistiu: "Mas o que o senhor acha dessa aproximação da campanha de Marina com o partido que representa o liberalismo, os interesses financeiros e o conservadorismo?" Amaral franziu o cenho e decretou: "Um tiro no pé. A Marina está fazendo concessões demais". Ou seja: rechaçou explicitamente a letra "D" que as circunstâncias insistem em enfiar no meio da sigla do PSB. O RR avançou: "Então, o senhor acha que tem gente dando entrevista mais do que deveria?". O presidente do PSB não titubeou diante da provocação: "Acho que sim! E me lembro das minhas conversas com o Lula, quando ele dizia que alguns aliados não podiam nem abrir a geladeira. Eles viam aquela luzinha, achavam que era televisão e logo queriam dar uma entrevista". Antes das despedidas, uma última pergunta: "Dr. Roberto, o senhor não acha que o debate eleitoral está muito voltado para questões que passam ao largo da população, tais como política fiscal, política monetária, Banco Central autônomo?". Mais uma vez, Amaral nem esperou a bola quicar: "Só cem pessoas no país sabem do que está sendo dito nesses assuntos. Para a maioria dos eleitores, Banco Central independente e Banco do Brasil independente são a mesma coisa". E lá se foi Roberto Amaral pelo terminal de desembarque, carregando o "Socialismo e Democracia". Sempre na mão esquerda".

“Não é a mamãe”? É a mamãe… dinossaura!

O brilhante jornalista Guilherme Fiuza publicou recentemente um livro (Editora Record) intitulado “Não é a Mamãe”. Trata-se de uma coletânea de artigos seus escritos durante os quatro anos de gestão da nossa governanta. “Não é a mamãe”, como vocês devem saber, era o bordão do bebê dinossauro quando Dino, seu pai, o pegava no colo. É isto: se não tomar cuidado, a petista ainda termina esta campanha convertida num brontossauro.

Acusar, a esta altura, a candidata do PSB à Presidência de ser neoliberal é menos do que uma desqualificação: é só uma bobagem. Pra começo de conversa, nunca houve um troço chamado “neoliberalismo”, a não ser na cabeça perturbada das esquerdas.
O PT tachou de “neoliberais” as medidas adotadas no governo FHC como privatização de estatais, Lei de Responsabilidade Fiscal e o famoso tripé macroeconômico. No poder, o PT aderiu às privatizações, mas o fez tardiamente. Tornou sacrossanta a LRF e, em tese ao menos, aderiu ao tal tripé. Fosse uma adesão sincera, Dilma não estaria na encalacrada em que está agora.
A crítica é só uma bobagem, parte do capítulo que pretende transformar as eleições numa disputa entre os que são e os que não são “a favor do povo”. Diante das evidências do escândalo milionário do PT da Bahia, saiu-se com a cascata de sempre: “Ah, primeiro é preciso investigar…”. Claro que sim! Só que se cobrou dela uma resposta política, não penal. “Não é a mamãe”? É a mamãe… dinossaura! Por Reinaldo Azevedo

De volta aos anos 90: “Marina é neoliberal”, diz Dilma

Por Gabriel Castro, na VEJA.com: Estimulada pela queda de Marina Silva nas últimas pesquisas, a presidente-candidata Dilma Rousseff continua ampliando o repertório de críticas à adversária: nesta quinta-feira, a petista afirmou que a proposta de política econômica da ex-senadora é “neoliberal”. Ao comentar as propostas de Marina Silva durante uma entrevista em Feira de Santana (BA), Dilma ressuscitou o termo abandonado pelos petistas desde que chegaram à Presidência da República, nas eleições de 2002, e implementaram políticas semelhantes à dos antecessores na economia.

“A candidata tem um modelo de política econômica extremamente conservador e neoliberal. Não só pretende atender prioritariamente os bancos, mas também ela tem uma política conservadora. Ela já falou em flexibilizar direitos trabalhistas, em reduzir o papel dos bancos públicos”, afirmou a presidente, apontando que as medidas impossibilitariam o Minha Casa, Minha Vida, programa federal de agricultura familiar e os financiamentos à indústria.
Dilma ainda afirmou que suas críticas são apenas uma resposta à adversária: “Quando a gente responde, ela se vitimiza e diz que está sendo atacada”. A presidente disse não acreditar que seja necessário um ajuste fiscal, como proposto por Marina Silva, para colocar as finanças em ordem. “Ajuste fiscal não é necessário dessa forma que a candidata disse que fará, porque o Brasil não está desequilibrado, não tem crise cambial.”
Caixa 2
A rápida entrevista foi concedida antes de um ato eleitoral no centro de Feira de Santana. Dilma seguiu em carro aberto pela região mais movimentada da cidade. Ao lado dela, estavam figuras acusadas de participar de desvios no Fundo de Combate à Pobreza no Estado. Como mostrou VEJA, uma ONG era usada para distribuir dinheiro a políticos locais.
O deputado Nelson Pelegrino e o candidato petista ao governo, Rui Costa, citados pela ex-presidente da ONG, e o governador Jaques Wagner, em cujo governo os desvios aconteceram, estiveram ao lado de Dilma Rousseff durante o evento, que reuniu centenas de pessoas na região central de Feira de Santana. Questionada pelo site de VEJA, Dilma afirmou que “as respostas” sobre o tema já foram dadas. ”Eu acredito que todas as respostas sobre essa questão foram dadas. Eu tenho uma posição claríssima quanto a denúncias: elas são feitas para serem investigadas, apuradas, e os responsáveis presos e condenados”, disse, diante de Rui Costa e Wagner.
A presidente também afirmou que é preciso aguardar os desdobramentos do caso: “As pessoas têm direito de defesa. Antes de vocês condenarem, é fundamental que se saiba quais são as provas e quem está envolvido. Porque, caso contrário, você mistura uma pessoa direita, correta, com uma pessoa que não é correta”. Por Reinaldo Azevedo

Aécio Neves critica Dilma por propor negociação com terroristas

Na VEJA.com: O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, afirmou nesta quinta-feira ter ficado “estarrecido” diante das declarações da presidente Dilma Rousseff, que “lamentou” a ação dos Estados Unidos para combater o avanço dos terroristas do Estado Islâmico na Síria. Segundo Aécio Neves, Dilma não apenas utilizou seu discurso na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas na quarta-feira, em Nova York, para se comportar como candidata, como “propôs que se negocie com grupos extremistas que decapitam pessoas”. As declarações foram dadas durante visita do tucano a Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

“Fiquei estarrecido com as declarações da presidente da República na ONU. Ela utilizou um espaço do Estado brasileiro para fazer campanha política. A história se lembrará do discurso da presidente, quando ela esqueceu onde estava e para quem falava, para fazer propaganda para o horário eleitoral”, afirmou Aécio Neves. O tucano criticou em especial a manifestação de Dilma em relação aos ataques ao Estados Islâmico. “A presidente propõe negociar com um grupo que está decapitando pessoas”, disse.
Na quinta-feira, depois de “lamentar” o bombardeio dos Estados Unidos contra terroristas na Síria, a presidente reafirmou sua posição diante dos chefes de Estado reunidos na ONU, ao condenar o “uso da força” como forma de resolver conflitos mundiais. Dilma colocou no mesmo cesto Iraque, Síria, Líbia, Ucrânia e Palestina, ignorando o fato de que, nos dois primeiros, um dos grupos terroristas mais selvagens em atividade está avançando e espalhando o horror de forma brutal, por meio de decapitações, crucificações e execuções sumárias. “Essa não é a política externa digna do Brasil e consagrada pelo país ao longo de tempos. Em relação também à política externa, infelizmente a presidente da Republica deixa péssimos exemplos para seu sucessor”, afirmou Aécio Neves.
O tucano, que visitou Porto Alegre ao lado da candidata ao governo do Estado, Ana Amélia Lemos, do PP, corre contra o tempo para tentar angariar votos e chegar ao segundo turno. Aliada de Aécio Neves no Rio Grande do Sul, Ana Amélia está na dianteira das pesquisas de intenção de voto. No último levantamento realizado pelo instituto Datafolha, a senadora aparece dez pontos percentuais à frente do atual governador, Tarso Genro (PT). Apoiado em Ana Amélia, Aécio Neves percorreu ainda nesta quinta-feira mais duas cidades no Estado, Santa Maria e Caxias do Sul. “Continuo até o último dia andando pelo Brasil com a mesma pregação que tive lá atrás”, disse ele. “Me preparei ao longo de toda minha vida para governar o Brasil”, afirmou. “A única candidatura que cresce constantemente de dez dias para cá é a nossa e vai continuar a crescer”, destacou, comparando sua performance com a da concorrente Marina Silva, do PSB.
O tucano criticou, novamente, a gestão da Petrobras, a qual classificou como “trágica e perversa”, e citou o acordo de delação premiada assinado pelo doleiro Alberto Youssef, preso na operação Lava Jato, da Policia Federal. “O meu sentimento é que a coisa é muito mais grave do que está sendo noticiado. Tem muita gente que treme por aí só de saber da delação (do Youssef). Essa coisa funcionou de forma orgânica dentro da Petrobras durante todo o governo Dilma. Será que dá para dizer que não sabia?”, questionou Aécio Neves. “Do ponto de vista político, a presidente tem responsabilidade, sim”, acrescentou. Por Reinaldo Azevedo

Boulos e Bebel, esbirros do PT, buscam dar algum fôlego para Padilha tentando produzir a desordem. Vão afundá-lo ainda mais

Independentemente do resultado nas urnas no dia 26 de outubro, pouco importa quem vai se sagrar o vencedor na disputa presidencial, um modelo de fazer política está chegando ao fim. Mesmo que ele ganhe uma sobrevida de quatro anos, assistiremos a um período de esgotamento. A que me refiro? Duas ocorrências nesta quinta-feira evidenciam a que ponto de cinismo pode chegar a turma que confunde partido e movimento social. E tudo, na verdade, porque se disputa mesmo é o poder.

O MTST, o movimento dos autointitulados trabalhadores sem-teto — curiosamente, a turma não trabalha — decidiu, ora vejam, promover um protesto em frente à Sabesp, em parceria com o movimento Periferia Ativa. Não se descartava nem mesmo a invasão da sede da empresa. Por quê? Para acusar um racionamento de água que não existe.
Todos sabem que o MTST é mero esbirro, mera escora, do PT — um esbirro do lado esquerdo, mas esbirro ainda assim. Guilherme Boulos, o chefão do grupo, é só uma das vozes do partido entre os chamados “movimentos sociais”. É o que se chama “um quadro”. Está sendo preparado e treinado para tarefas maiores. Boulos pretende ser, em suma, um Lula com curso universitário. Vamos ver quanto tempo vai demorar para que se candidate a um cargo público. É questão de tempo. Felizmente, São Paulo dá mostras de estar com o saco cheio de oportunismos dessa espécie.
Também nesta quinta-feira, acreditem, um grupelho de 150 professores ligados à Apeoesp, o sindicato da rede estadual de ensino, decidiu fazer uma passeata e uma assembléia para, atenção!, discutir o aumento de salário do… ano que vem. Sabem quando é o dissídio da categoria? Em março! Faltam ainda cinco meses, quase meio ano. Ah, sim: eles  protestam também contra a crise hídrica e o desequilíbrio climático global — seja lá o que isso signifique. O ato, para não variar, começou na Avenida Paulista, e os gatos-pingados seguiram em passeata até a Assembléia Legislativa.
Em março de 2010, esse mesmo sindicato, liderado por uma petista conhecida por “Bebel” — tenham sempre cuidado com mulheres e homens maduros com apelido de criança —, resolveu promover uma greve de professores em São Paulo. Já estava claro que José Serra, então governador, seria o candidato do PSDB à Presidência, e que Dilma Rousseff disputaria pelo PT. Em cima de um caminhão de som, a tal Bebel prometeu: “Vamos quebrar a espinha de Serra”. Terminado o ato, ela seguiu para um encontro com Dilma.
Foi a primeira greve na história em que um sindicato pediu a extinção de benefícios. O governo Serra, então, havia instituído:
– plano de carreira — Bebel era contra;
– promoção salarial por mérito — Bebel era contra;
– bônus salarial — Bebel era contra;
– escola para formação de professores — Bebel era contra;
– material didático para a orientação das aulas — Bebel era contra.
A greve terminou no dia 8 de abril daquele 2010, um mês depois de começar. Nunca atingiu mais de 1% da categoria. O governo não cedeu a nenhuma das reivindicações boçais, e a tal Bebel teve de fugir dos ovos na assembléia que decidiu o fim da paralisação que não houve. Ah, sim: o TSE multou a Apeoesp por propaganda eleitoral indevida.
A mesma propaganda a que o grupelho se dedica agora, em parceria com o MTST. Isso tudo é desespero eleitoral. O candidato do sr. Boulos e da sra. Bebel tem, segundo o Ibope, apenas 8% das intenções de voto. Esses dois gênios da raça não se conformam que a população de São Paulo não concorde com eles. Para encerrar: em Guarulhos, senhor Boulos, há, de fato, racionamento de água. Lá, a Sabesp não opera. O sistema é monopólio da prefeitura — uma prefeitura que está com o PT há 14 anos. Boulos, no entanto, este gigante moral, não marca protesto nenhum na cidade administrada por seus companheiros.
Eu sinto vergonha até de escrever sobre essa gente. A vergonha que eles não sentem de ser o que são e de fazer o que fazem. Por Reinaldo Azevedo

Polícia Federal apura fraude ocorrida na gestão de Padilha na Saúde

Por Andressa Lelli, na VEJA.com: A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a Operação Frota, com o objetivo de investigar uma fraude cometida em 2013 em licitação do Ministério da Saúde. Na ocasião, a pasta era chefiada por Alexandre Padilha, hoje candidato do PT ao governo de São Paulo. O ex-ministro, porém, não é alvo das investigações, informa a Polícia Federal. Agentes cumpriram 16 mandados de busca e apreensão – quatro em Salvador e doze em Brasília – nas sedes e escritórios de empresas envolvidas na licitação. A operação se dá em parceria com o Ministério Público Federal e a Controladoria Geral da União (CGU).

A fraude investigada ocorreu na Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), órgão ligado à Saúde. Segundo a Polícia Federal, em um pregão para a locação de veículos destinados a atender a sede do Distrito Sanitário Especial Indígena de Salvador (DSEI/BA), constavam apenas empresas de um mesmo núcleo familiar – todas sediadas em Brasília. E a empresa vencedora, a San Marino, de propriedade de Darcio Maria de Lacerda, apresentou preços muito superiores aos de mercado.
Nos primeiros nove meses do contrato, a empresa recebeu 13 milhões de reais do governo – um superfaturamento estimado em 6,5 milhões de reais. De acordo com a Polícia Federal, a suspeita, portanto, é de que a licitação tenha sido encenada com participação de membros do governo. Os crimes investigados pela operação são de frustração ao caráter competitivo do procedimento licitatório, fraude em licitação e formação de quadrilha.
Segundo o Ministério Público Federal na Bahia, a Justiça Federal autorizou o bloqueio de 5 milhões de reais das contas da San Marino e seus sócios. Foi também decretada a indisponibilidade de bens do grupo e a suspensão do pregão. Por Reinaldo Azevedo

Segundo Lula, “eleição não é questão de amor”. E “questão de caráter”, é?

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse num comício na quarta-feira, na grande São Paulo, que “ama” — ele empregou esse verbo — Marina Silva, candidata do PSB à Presidência, mas emendou em seguida: “Eleição não é questão de amor”. E fez a lista de cinco mulheres importantes em sua gestão — a ex-ministra do Meio Ambiente ficou de fora.

A frase é curta, mas diz muita coisa sobre o homem. Qualquer um que tenha acompanhado a sua trajetória e a forma como se articulou o discurso do seu partido sabe que o amor nunca esteve entre as suas prioridades. Aliás, é pequena a economia dos afetos nas disputas pelo poder. Já o ódio é uma força poderosa e sempre esteve no centro das articulações. Busquem lá em “O Príncipe”, de Maquiavel. É melhor que o soberano seja amado ou temido? A resposta é inequívoca: se der para ser amado, muito bem! Uma coisa, no entanto, não admite alternativa: tem de ser temido.
Maquiavel era quem era, e a obra tinha um propósito até bastante mesquinho, pequeno, ligado à realidade local. Os pósteros é que a converteram em bula, e o adjetivo “maquiavélico” passou a dizer um pouco mais do que “realista”. Ao maquiavélico se atribuem maldades, conspirações, atos inescrupulosos, falta de limites, vale-tudo.  Dizer o quê? Maquiavel, coitado!, não tinha nada com isso. Não ajudou a assaltar a Petrobras. Não roubou dinheiro de ninguém na compra da Refinaria de Pasadena. Não superfaturou obras na construção de Abreu e Lima. Não foi parceiro do PT no desvio de dinheiro público na Bahia. Não colaborou com Delúbio Soares no Mensalão. Maquiavel, declaro aqui com todas as letra, é inocente!
Mas voltemos a Lula. “Eleição não é questão de amor”, diz ele. Talvez não seja mesmo. Mas é preciso que a gente preste atenção a quem está falando e qual é o contexto. Ao fazer tal afirmação, o poderoso chefão petista emite o sinal para o vale-tudo. Numa democracia, ninguém é obrigado a amar os adversários. O que pedem as leis, o decoro e os valores é que estes sejam respeitados.
Seja como líder da oposição, seja como presidente da República, Lula sempre tratou seus adversários a pontapés, embora, e todo mundo sabe disto, fosse e seja lhano e cordato com eles nas relações pessoais. Pode parecer incrível, mas é verdade: ele está aí há 20 anos — oito na oposição e 12 no governo — exercitando a política do ódio contra o PSDB e FHC. Seria um ódio real, daqueles que remoem as entranhas? Isso não tem a menor importância. O que conta é a linguagem política que ele fala.
Não foi por amor que Lula e seu partido combateram o Plano Real, as privatizações ou a Lei de Responsabilidade Fiscal. Não foi por amor que Lula e seu partido se reconciliaram com José Sarney, Fernando Collor, Paulo Maluf e quem mais caísse na rede. Não é por amor que Lula e seu partido enlameiam ou lavam reputações. Para Lula e seu partido, política é isto mesmo:  trata-se apenas da arte de sacrificar princípios e escrúpulos num jogo em que o único resultado aceitável é vencer.
Eu até concordo que eleição não seja “questão de amor”. Mas isso não quer dizer que não deva ser uma questão de caráter. Por Reinaldo Azevedo

Lava Jato: Youssef já assinou acordo de delação premiada

Na VEJA.com: O doleiro Alberto Youssef assinou nesta quarta-feira o acordo de delação premiada para colaborar com as investigações do Ministério Público e da Polícia Federal sobre o megaesquema de desvio de recursos públicos, inclusive na Petrobras. Pivô da Operação Lava Jato, ele é acusado de chefiar esquema que movimentou 10 bilhões de reais. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, Youssef prestou nesta quarta-feira em Curitiba o primeiro depoimento dentro das regras do trato.

Por enquanto, o doleiro permanecerá detido na carceragem da Polícia Federal. Youssef decidiu colaborar com a investigação depois de ter sido pressionado por familiares. O advogado dele, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, abandonou a defesa por ter sido contra a decisão de seu cliente. Ele pretendia fazer a defesa do acusado no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A delação pode gerar uma redução na pena de Youssef se as informações prestadas por ele forem confirmadas pelos procuradores. “Acho que há uma inversão do papel do Estado, que prende a pessoa e a submete a uma pressão desumana”, disse Kakay ao site de VEJA.
O doleiro, que foi preso em março, é peça-chave do esquema que também contava com a participação de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras. Como mostrou VEJA, Costa também aceitou a delação premiada e já entregou aos investigadores nomes de políticos que receberam dinheiro sujo.
Na semana passada, o doleiro foi condenado a quatro anos de prisão por seu envolvimento no caso Banestado, na década de 1990. Com os crimes descobertos pela Polícia Federal na investigação da operação Lava Jato, a pena somada pode chegar a muitas décadas. O acordo de delação pode reduzir o tempo de prisão. Por Reinaldo Azevedo