quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O governo e os mercado: a incompetência é a pior forma de esquerdismo, e o esquerdismo, a pior forma de incompetência

O cenário externo nesta quarta-feira não foi dos mais hospitaleiros, como vocês poderão constatar caso pesquisem — com dados não muito estimulantes das economias alemã e americana —, mas o que teve peso definitivo no mau humor dos mercados no Brasil foi mesmo o quadro eleitoral. Mais uma vez, aconteceu o que já virou rotina: sobe a possibilidade de Dilma ser eleita, descem a Bolsa e o real. O dólar à vista fechou em alta de 1,37%, cotado a R$ 2,487; o comercial subiu 1,46%, a 2,485, maior patamar desde 8 de dezembro de 2008. O Ibovespa fechou em baixa de 2,32%. Quem puxou a queda? As ações da Petrobras: as PN caíram 5,53%, e as ON, 4,93%. Nesta semana, a Bolsa acumula perdas de 7,6%.

Escrevi na terça-feira que existe, sim, um movimento especulativo em curso. Ocorre que movimentos especulativos não existem por acaso. Quando os governos são fracos, trapalhões ou incompetentes, fica mais fácil criar climas artificiais. É da natureza do jogo. Quando lideranças políticas relevantes são irresponsáveis, os “espertos” sempre saem ganhando, contra o interesse coletivo.
E este é, precisamente, o caso do Brasil: a soma de um governo incompetente com a discurseira oca de falastrões. Na terça-feira, num discurso em Itapevi, em São Paulo, Lula, o Babalorixá de Banânia, que jamais cumpriu a promessa de ir cozinhar coelho em sua chácara, disparou: “Hoje eu ouvi dizer que o mercado está nervoso porque a Dilma vai ganhar. Ganhei em 2002 e 2006 e não pedi voto para o mercado. Dilma ganhou em 2010 e não pediu voto pro mercado. A gente pede voto é pras pessoas”.
A afirmação é mentirosa de cabo a rabo. Lula fez mais do que pedir voto para o mercado em 2002. Ele se ajoelhou diante dele. Tanto é que seu partido redigiu a “Carta ao Povo Brasileiro” — texto escrito, diga-se, num banco de investimento e, saibam, com a supervisão tucana. Um dia essa história virá à tona direitinho. Em 2006 e em 2010, o PT não precisou “pedir” o voto do mercado porque já o tinha. Como Lula vive declarando, e é verdade, nunca antes na história “destepaiz” o setor financeiro havia lucrado tanto.
Assim, registre-se, então, a mentira contada por Lula. Mas não só: das quatro últimas jornadas eleitorais petistas, esta é aquela em que o partido faz o discurso mais bucéfalo, mais atrasado. Em 2002, o Apedeuta se ocupava de provar que era o “Lulinha Paz e Amor” inventado por Duda; agora, Dilma resolveu brincar de esquerdista autêntica. Em certa medida, é tudo mentira. Essa gente é mais incompetente do que propriamente esquerdista. E, bem, o esquerdismo é a pior forma de incompetência, e a incompetência, a pior forma de esquerdismo.
O mercado põe preço nas bobagens que vêm sendo ditas por Dilma e nas boçalidades vocalizadas por Lula, mesmo não acreditando nas bravatas. Há especulação? Há, sim. Mas ela só prospera porque há um governo incompetente e trapalhão, que tenta transformar sua inabilidade em ideologia. Por Reinaldo Azevedo

Correios: antes, os companheiros não tinham vergonha; depois, foram piorando

Antes, a falta de vergonha de certos políticos não tinha limites; depois, foi piorando. Nesta quarta, o candidato tucano à Presidência, Aécio Neves, disse que vai entrar com uma ação criminal contra o ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, por ter permitido que os petistas usassem os Correios para fazer campanha político-eleitoral. Pois é… A coisa é muito impressionante. Se a Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal quiserem agir, já há duas confissões a respeito: uma explícita, arreganhada mesmo, e outra silenciosa. Vamos ver. 

Nesta quarta-feira, o Estadão tornou público um vídeo espantoso. Numa reunião ocorrida na quinta-feira no comitê do candidato do PT ao governo de Minas, Fernando Pimentel, a que estava presente Wagner Pinheiro, presidente dos Correios, o deputado mineiro e petista Durval Ângelo diz com todas as letras: “Se, hoje, nós temos a capilaridade da campanha do [Fernando] Pimentel [candidato do PT ao governo de Minas] e da Dilma em toda Minas Gerais, isso é graças a essa equipe dos Correios.” Ele afirma ainda que “a prestação de contas dos petistas dos Correios será com a vitória do Fernando Pimentel a governador e com a vitória da Dilma”.
Ele achou que tinha sido pouco explícito e avançou um pouco mais na pornografia política:“A Dilma tinha em Minas Gerais, em alguns momentos, menos de 30%. Se, hoje, nós estamos com 40% em Minas Gerais, tem dedo forte dos petistas dos Correios. Então, queremos que você leve à direção nacional do PT, que eu também faço parte do diretório, mas também à direção nacional da campanha da Dilma, a grande contribuição que os Correios estão fazendo.”
Atenção, senhores leitores! Wagner Pinheiro, que preside a estatal, estava na mesa e não disse uma palavra. Anuiu com tudo. Admitiu, portanto, que os Correios foram e estão sendo usados nas campanhas de Dilma e Pimentel. Vejam o vídeo:
Na semana retrasada, como vocês se lembram, reportagem do Estadão revelou que 4,8 milhões de panfletos de Dilma foram distribuídos pelos Correios sem a estampa ou chancela digital, que é a prova de que houve pagamento. Em nota, a empresa nega estar sendo instrumentalizada pelo PT. Seria impossível dizer o contrário, certo?
O deputado Durval Ângelo, acreditem, também emitiu uma nota afirmando que se tratou de uma reunião normal: “Não há qualquer adesão da empresa Correios, mas de pessoas, que, como quaisquer outras, têm o direito constitucional de, como cidadãs, se engajarem politicamente. Ademais, durante o processo eleitoral, a manifestação de apoio por parte de uma categoria é um ato comum e democrático”.
Pois é… Ao tratar dos descalabros na Petrobras em outro post, indaguei se uma empresa estatal, nas condições brasileiras, conseguiria se adaptar a regras internacionais de “compliance”. A resposta, obviamente, é “não”. Tenho de encerrar este comentário lembrando que um único ex-funcionário da petroleira, Paulo Roberto Costa, está disposto a devolver R$ 70 milhões que foram roubados da empresa…
Não tem jeito! Os “companheiros” acham que as estatais pertencem a eles, não ao estado ou ao povo brasileiro. Os “companheiros” as transformam em braços de sua atuação sindical ou partidária. Os “companheiros”, em suma, as privatizaram a seu modo e acham que já podem confessar isso sem nenhum temor nem perigo. Quem sabe um dia esse povo canse de ser roubado ou espoliado. Enquanto isso não acontecer, continuaremos a ser… roubados e espoliados. Por Reinaldo Azevedo

Janot tem um ataque de populismo politicamente correto e pede investigação sobre a fala de Fidelix a respeito do casamento gay. Sabem o que é isso? Ódio à liberdade de expressão disfarçado de tolerância…

Ai, ai, que chatice! No Brasil, há um monte de gente favorável à liberdade de expressão desde que não seja contrariada. É o fim da picada ter de cuidar desse assunto quando o que está em pauta é uma fala de Levy Fidelix, aquele senhor que preside o tal PRTB e se candidata sempre para não ganhar nunca. Indagado no debate da TV Record sobre o casamento gay, disse lá uma porção de sandices. Mas não cometeu crime nenhum. A menos que a Constituição dos que o acusam seja outra. O vídeo está aqui.

Cadê o crime? Transcrevo de novo o que disse:– “dois iguais não fazem filho”;.
– “aparelho excretor não reproduz”;
– “como é que pode um pai de família, um avô, ficar aqui, escorado (?), com medo de perder voto? Prefiro não ter esses votos, mas ser um pai, um avô, que tem vergonha na cara, que instrua seu filho, que instrua seu neto”;
– “eu vi agora o papa, o Santo Padre, expurgar, fez muito bem, do Vaticano um pedófilo”;
– “que façam um bom proveito se quiserem fazer de continuar como estão, mas eu, presidente da República, não vou estimular. Se está na lei, que fique como está, mas estimular, jamais!, a união homoafetiva”;
– “Luciana, o Brasil tem 200 milhões de habitantes. Se começarmos a estimular isso aí, daqui a pouco vai reduzir para 100 [milhões]. Vai para Paulista, anda lá e vê. É feio o negócio, né?”;
– “esses que têm esses problemas, que sejam atendidos no plano afetivo, psicológico, mas bem longe da gente, porque aqui não dá”.
Pois não é que Rodrigo Janot, procurador-geral da República, resolveu ter um ataque de populismo politicamente correto — um populismo muito particular porque voltado para minorais de opinião — e determinou a abertura de uma investigação para definir se Fidelix cometeu algum crime? A partir dessa decisão, o candidato passou a ter 24 horas para apresentar explicações.
Leio na Folha que, para Janot, “ser contrário à união homossexual ou até mesmo contra os homossexuais é uma opinião protegida pela liberdade de expressão. Ele ponderou, contudo, que incitar o enfrentamento não deve ser tolerado”. Como é que é? Pois eu já acho o contrário: acho que não deve ser tolerado é que alguém seja contra homossexuais porque homossexuais. Ou contra heterossexuais porque heterossexuais. Ou contra negros porque negros. Ou contra brancos porque brancos. Ou contra católicos porque católicos. Ou contra evangélicos porque evangélicos. Se Janot disse mesmo isso, ele está confuso.
No primeiro post que escrevi a respeito, houve quem me acusasse de ter omitido o que seria o trecho verdadeiramente homofóbico da fala de Fidelix — como se eu não tivesse publicado o vídeo, com a íntegra. Ele diz ainda:“Então, gente, vamos ter coragem, nós somos maioria, vamos enfrentar essa minoria. Vamos enfrentá-los. Não tenha medo de dizer que sou pai, uma mãe, vovô, e o mais importante, é que esses que têm esses problemas realmente sejam atendidos no plano psicológico e afetivo, mas bem longe da gente, bem longe mesmo porque aqui não dá”.
Ele deu essa resposta no contexto em que se discutia o casamento, ao qual ele se opõe. Extrapolar e afirmar que ele está propondo um enfrentamento físico é um caso evidente de superinterpretação. É evidente que se trata de um enfrentamento na esfera dos valores. Tenham paciência! Sugeriria ao procurador-geral que cedesse menos aos clamores de opinião para não gastar à-toa o nosso dinheiro. Sempre que alguém disser, agora, que pretende enfrentar A ou B, estará falando de confronto físico? Aliás, doutor Janot, consulte o dicionário: em nenhuma acepção, “enfrentar” é sinônimo de partir para a porrada.
Mesmo Levy Fidelix sendo, digamos, destituído de maiores atrativos intelectuais, é o fim da picada tentar isolar a frase do contexto porque, afinal, é preciso dar uma satisfação à militância gay. Ele também afirma no debate, ou não?, que, se a lei garante a união, que seja seguida.
Reitero o meu ponto de vista: na democracia, está assegurado o direito de dizer coisas idiotas. A militância gay e os patrulheiros politicamente corretos deveriam ser mais cuidadosos. São muitas as minorias no Brasil e no mundo. Imaginem se cada uma delas for criar agora a cartilha das coisas que não podem ser ditas. Eu repudio a intolerância dos intolerantes. E repúdio também a intolerância dos que pretendem ter o monopólio da tolerância. A propósito, debati essa questão na VEJA.com com o psicanalista Contardo Calligaris.

Por Reinaldo Azevedo

PSDB reúne provas para pedir cassação da candidatura da petista Dilma Rousseff

O presidenciável Aécio Neves (PSDB) faz campanha em Minas ao lado de Pimenta da Veiga e Anastasia, candidatos ao governo e senado pelo Estado

O presidenciável Aécio Neves (PSDB) faz campanha em Minas ao lado de Pimenta da Veiga e Anastasia, candidatos ao governo e senado pelo Estado (Divulgação)
Depois de anunciar que acionarão a Justiça por uma investigação rigorosa sobre indícios da utilização dos Correios em benefício da campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, e o candidato tucano ao governo de Minas Gerais, Pimenta da Veiga, começaram a reunir provas para pedir a cassação dos registros de candidatura da petista e do candidato do PT ao governo de Minas, Fernando Pimentel. Os tucanos vão recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral com um pedido de investigação judicial eleitoral e ao Ministério Público Federal para que as duas instituições apurem se os Correios boicotaram deliberadamente o envio de malotes de campanha de Aécio Neves como forma de favorecer a presidente-candidata na corrida presidencial. As denúncias levantadas pelos tucanos levam em conta depoimentos de eleitores que não receberam material de campanha de Aécio Neves mesmo após o candidato ter contratado o serviço, no dia 25 de agosto. Neste contrato, estava prevista a distribuição de 5.634.000 santinhos de Aécio Neves no interior de Minas Gerais, base de apoio do candidato e colégio eleitoral considerado prioritário para a candidatura tucana. Pelo documento, os kits de campanha deveriam ser entregues até o dia 10 de setembro e, em alguns casos, a 100% da população de cidades pequenas e médias em Minas, como o município de Esmeraldas, com cerca de 60.000 habitantes. O corpo jurídico da campanha de Aécio Neves já conseguiu mapear pelo menos 1.000 endereços, contratados como destino dos malotes pelo tucano, em que eleitores confirmam que não receberam qualquer material de campanha do PSDB. A campanha reúne depoimentos e dados pessoais dos eleitores lesados pelos Correios, para embasar os pedidos de cassação dos registros de candidatura. De acordo com o candidato Aécio Neves, que cumpriu agenda nesta quarta-feira nas cidades de Mogi das Cruzes (SP), Juiz de Fora (MG) e Governador Valadares (MG), uma das provas seria a afirmação dos Correios de que poderiam “reenviar” o material. Para ele, isso seria a admissão de que a empresa pública reteve os kits de campanha e não os distribuiu aos eleitores, conforme contratado. Com base nesses indícios, a campanha do PSDB aponta que já existem evidências de abuso de poder político e econômicos, desvio da autoridade dos Correios e utilização de empresa pública em benefício de partidos e candidatos. Antes de carreata na cidade de Governador Valadares, Aécio insinuou que as suspeitas de uso político dos Correios são como um novo capítulo de um grande esquema de desvirtuamento de instituições públicas, a exemplo do que já aconteceu com a descoberta de um esquema milionário de corrupção na Petrobras. “As denúncias em relação à utilização da empresa dos Correios são extremamente graves. Estamos recebendo centenas de denúncias. Se se comprovar isso, é um crime sem precedentes na história política de Minas”, disse. “É um escândalo. Agora são os Correios. Antes era a Petrobras”, criticou o candidato do PSDB ao governo de Minas Gerais. O tucano, que foi ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique Cardoso e, portanto, hierarquicamente superior aos Correios, disse que há evidências de “uso despudorado” da empresa pública para fins eleitorais. O tom das acusações do PSDB sobre a estatal subiu após divulgação de vídeo, pelo jornal O Estado de S. Paulo, em que o deputado estadual Durval Ângelo (MG) diz que a presidente-candidata Dilma Rousseff só chegou à liderança nas intenções de voto porque “tem dedo forte dos petistas nos Correios”.  “Não basta fazerem o que fizeram na Petrobras. Essa forma de governar do PT, se apropriando do Estado como se fosse seu patrimônio, tem que ser encerrada e os responsáveis exemplarmente punidos”, afirmou Aécio Neves em agenda na cidade de Juiz de Fora.

Oposição argentina diz que a presidente peronista populista Cristina Kirchner entrou na "fase delirante"

A presidente argentina Cristina Kirchner

A presidente argentina Cristina Kirchner (Enrique Marcarian/Reuters/VEJA)
Políticos de oposição na Argentina reagiram ao discurso confuso e paranóico da presidente peronista populista e muito incompetente Cristina Kirchner proferido na noite de terça-feira. Ela afirmou, entre outros absurdos, que os Estados Unidos podem estar por trás de um complô para derrubá-la ou até mesmo matá-la. Mais sensatos, os opositores dizem que a mandatária "perdeu a noção da realidade". "Como ela não aguenta a realidade, com desemprego, inflação galopante, dólar nas alturas, ela resolve falar que não é mais o Estados Islâmico que quer matá-la, mas os Estados Unidos", disse Elisa Carrió, pré-candidata presidencial da coalizão oposicionista UnenA deputada Laura Alonso, da Unión PRO, disse que a presidente “entrou numa fase delirante, o que é grave em termos políticos e institucionais". Acrescentou que, nesse ritmo, o delírio de Cristina pode chegar ao de Nicolás Maduro, o ditador da Venezuela que também aponta para o inimigo externo, os Estados Unidos, em uma tentativa de desviar o foco dos problemas internos, enquanto fala com passarinhos que lhe trazem notícias de Hugo Chavez no além. Os opositores relacionaram a fala da presidente aos embates da Argentina com Justiça americana sobre o não pagamento da dívida. As divergências sobre os chamados "fundos abutres" levou o governo argentino a ficar perto de expulsar o embaixador americano Kevin Sullivan depois de ele dizer a um jornal local que era importante para a Argentina resolver o "default". No discurso de terça-feira, que foi transmitido em rede nacional, Cristina Kirchner disse: “Se algo acontecer comigo, não olhem para o Oriente Médio, olhem para o norte", relacionando ao suposto complô banqueiros e empresários que contam com ajuda externa. Em outro momento, provocou ao dizer que “talvez decidam prendê-la da próxima vez que for a Nova York”. Antes do discurso, ela havia afirmado que recebeu ameaças dos terroristas do Estado Islâmico devido à sua amizade com o papa Francisco. Depois do discurso, a hashtag "se algo me acontecer" passou a ser usada por argentinos nas redes sociais como fonte de piadas. Em 2010, a então secretária de Estado, Hillary Clinton, questionou a saúde mental da presidente argentina. Telegramas vazados pelo Wikileaks revelaram que Hillary perguntou se a presidente "estava tomando medicação" e se a capacidade de julgamento da mandatária estaria sendo afetada pelo estresse. 

Rombo das geradoras chega a R$ 3 bilhões em setembro

Preço da energia extra tem atingido o valor pico estabelecido pela Aneel de R$ 822

Preço da energia extra tem atingido o valor pico estabelecido pela Aneel de R$ 822 (Reinaldo Canato/VEJA)
A incapacidade das usinas hidrelétricas em entregar o total de energia prometida nos contratos de geração causou um rombo de 3,015 bilhões de reais aos donos desses empreendimentos apenas em setembro, informou a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). A dívida é resultado direto do baixo nível dos reservatórios em todo o país. No primeiro semestre deste ano, essas empresas já desembolsaram 6,5 bilhões de reais. Pelo modelo elétrico, toda usina tem uma garantia mínima (firme) de energia que precisa entregar mensalmente. Para manter um nível mínimo de segurança energética, ou seja, a garantia de abastecimento de todo o País ao longo do ano, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determina uma quantidade máxima de água que cada usina pode usar. Como a ordem é economizar água, a geração de megawatts das hidrelétricas tem ficado abaixo do volume projetado. Em contrapartida, é ampliado o volume de geração térmica, para assegurar que não haverá desabastecimento. O resultado da equação sobra para o dono da usina. Quando a conta não fecha, cabe às hidrelétricas adquirir a energia que falta no mercado de curto prazo de geração. A situação preocupa as empresas, já que o preço dessa energia extra tem frequentado o valor pico estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (822 reais) - justamente por causa do acionamento constante das termoelétricas, mais caras. A CCEE apontou que em setembro o valor médio do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) ficou em 728,95 reais por megawatt/hora. Somados os prejuízos das hidrelétricas, calculados pela CCEE desde janeiro, a dívida a ser compartilhada por todas as hidrelétricas chega a 16,4 bilhões de reais este ano. Estimativas para outubro mostram um acréscimo de mais 2,804 bilhões de reais. A expectativa do setor é de que o volume a ser desembolsado pelas hidrelétricas comece a cair a partir de novembro, quando tem início a época de chuvas. Dados do Ministério de Minas e Energia apontam que em agosto o volume de água que corre nos rios do país, a chamada afluência das bacias hidrográficas, foram inferiores à média histórica. O Nordeste registrou o pior valor para o mês de agosto em 82 anos. No mês, foram registrados 15.523 MW médios de geração térmica programada pelo ONS para atenuar a redução dos estoques dos reservatórios. O volume foi cerca de 1.000 MW médios acima do verificado no mês anterior. 

Governo petista define meta de 250 unidades para Minha Casa Minha Vida até julho de 2015

Ampliação do MCMV já havia sido anunciada pelo governo em setembro

Ampliação do MCMV já havia sido anunciada pelo governo em setembro (Fernando Vivas/VEJA)
O Ministério do Planejamento definiu uma meta intermediária para o programa de habitação popular Minha Casa, Minha Vida (MCMV) de 350 mil unidades até 31 de julho de 2015, conforme portaria publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial da União. No texto, a pasta afirma que a decisão foi tomada por conta de a meta anterior, de 2 milhões de unidades habitacionais, ter sido prevista apenas até 2014. A ampliação do Minha Casa Minha Vida já havia sido anunciada pelo governo em meados de setembro, quando também foi divulgada a prorrogação por quatro anos do regime especial de tributação aplicado a esse segmento habitacional. Na época, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a ampliação do Minha Casa Minha Vida seguiria as mesmas regras da segunda fase do programa, com o objetivo de facilitar a contratação das novas unidades.

Cantareira segue em queda e chega a 6,7%, diz Sabesp

Situação em represa que abastece o Cantareira

Situação em represa que abastece o Cantareira (Luis Moura/Estadão Conteúdo)
O nível dos reservatórios do Sistema Cantareira entrou em outubro em 6,7% de sua capacidade de armazenamento, considerando os 182,5 bilhões de litros do chamado "volume morto" incorporados em maio, o que acrescentou 18,5% sobre o volume total do sistema, de 982 bilhões de litros, informou a Sabesp nesta quarta-feira O índice registrou uma queda de 0,2 ponto porcentual em relação aos 6,9% anotados na terça-feira. Na semana passada, o secretário paulista de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce, previu que essa primeira cota do volume morto do Sistema Cantareira deveria durar até meados de novembro. Executivos da Sabesp e autoridades do governo paulista também apostam no início do período de chuvas, a partir de outubro a novembro, para permitir que os reservatórios possam voltar a registrar acúmulo. Enquanto isso não acontece, a Sabesp pretende utilizar uma segunda cota do volume morto de 106 bilhões de litros, o que depende da aprovação dos órgão reguladores. Segundo a Agência Nacional das Águas (ANA), uma provação depende da avaliação do plano de contingência para o Sistema do Cantareira, que deve ser entregue até a próxima segunda-feira. Paralelamente, entre estas quarta e quinta-feiras, a ANA realiza reunião com prefeituras e empresas das bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) para discutir uma proposta conjunta estabelecendo regras de captação de água nas áreas da bacia. O objetivo é definir uma resolução com condições para a restrição de uso para captação. A minuta de resolução apresentada sugere a necessidade de determinar captação restrita de água na PCJ quando o volume disponível no Sistema Cantareira for inferior a 5% do volume útil. Dependendo das vazões, podem ser determinadas suspensões da captação por algumas horas do dia para abastecimento público, uso industrial e irrigação.

Justiça autoriza lançamento da "biografia gay" de Lampião

O cangaceiro Lampião

O cangaceiro Lampião (Reprodução/VEJA)
Depois de três anos, finalmente o escritor e juiz aposentado Pedro de Morais vai poder lançar e vender o seu livro "Lampião, O Mata Sete", em que diz que Virgulino Ferreira, o famoso cangaceiro nordestino, era gay. Por unanimidade, a 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Sergipe reformou a sentença de primeiro grau que proibia o lançamento e a venda da obra. Para o autor, o voto unânime dos desembargadores pode abrir um precedente no Brasil para autores que estão com biografias paradas na Justiça. "Foi um voto notável", disse Morais, ao se referir ao desembargador Cezário Siqueira Neto, relator do processo. No voto, Siqueira Neto entendeu que garantir o direito à liberdade de expressão coaduna-se com os recentes julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF). "Não é demais repetir que, se a autora da ação sentiu-se ‘ofendida’ com o conteúdo do livro, pode-se valer dos meios legais cabíveis. Porém, querer impedir o direito de livre expressão do autor da obra, no caso concreto, caracterizaria patente medida de censura, vedada por nossa Constituinte", afirmou o magistrado. O relator afirmou, ainda, que a liberdade de expressão é algo fundamental na ordem democrática, por isso não é papel do Poder Judiciário estabelecer padrões de conduta que impliquem restrição à divulgação do pensamento. "Cabe, sim, impor indenizações compatíveis com ofensa decorrente de uma divulgação ofensiva", completou. Para o desembargador, "as pessoas públicas, por se submeterem voluntariamente à exposição pública, abrem mão de uma parcela de sua privacidade, sendo menor a intensidade de proteção", citando em seu voto a doutrina do procurador federal Marcelo Novelino. Em outubro de 2012, Vera Ferreira, neta de Lampião, entrou com duas ações na Justiça: uma por danos morais, justamente, pelo autor discutir a sexualidade do cangaceiro; e outra impedindo o lançamento do livro. Vera queria uma indenização de 2 milhões de reais nas duas ações, por danos morais e por Morais ter vendido os livros na 2ª Bienal de Salvador, que ocorreu em 6 de novembro de 2011. O escritor disse que Vera perdeu nas duas ações que moveu. O livro, de 306 páginas, ainda não tem data para ser lançado. "Vou conversar com o meu advogado, Frederico Costa Nascimento, sobre o assunto. Também pretendo conversar com o escritor Oleone Coelho Fontes, que faz a introdução do livro, para decidirmos isso", comentou. O autor tem mil exemplares em casa e há outros 10 000 já encomendados. O advogado de Vera Ferreira, Wilson Winne de Oliva, disse que vai recorrer da decisão no Supremo Tribunal Federal. Ele disse que, embora respeite a decisão do Tribunal de Justiça de Sergipe, não concorda, pois o que está em jogo é a intimidade de uma família. "E intimidade não é história", defende. Wilson tem 15 dias, a partir da publicação no Diário Oficial da Justiça, para entrar com o recurso. "Acredito que até segunda-feira, dia 6, faremos isso", afirmou.

Balança comercial tem maior déficit para setembro em 16 anos

Exportações não tiveram fôlego em setembro, mostra MDIC

Exportações não tiveram fôlego em setembro, mostra MDIC (Cristiano Mariz/VEJA)
A balança comercial brasileira registrou déficit de 939 milhões de dólares em setembro, interrompendo sequência de seis meses no azul, informou nesta quarta-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O resultado veio pouco pior do que esperado pela mediana dos especialistas, que projetavam déficit de 650 milhões de dólares. No mês passado, as exportações caíram 10,2% na comparação com agosto e somaram 19,62 bilhões de dólares. Já as importações, de 20,56 bilhões de dólares, subiram 3,4% em relação ao mês anterior. Em agosto, a balança comercial havia registrado superávit de 1,17 bilhão de dólares. Cresceram as importações de combustíveis e lubrificantes (49,1%), enquanto recuaram as compras de bens de consumo (4,2%), matérias-primas e intermediários (2,7%) e bens de capital (2,2%). Segundo o governo, o crescimento da importação de combustíveis ocorreu devido ao aumento dos preços e das quantidades embarcadas de petróleo, gás natural e óleos combustíveis. As compras de bens de consumo caíram devido, principalmente, à redução na importação de máquinas e aparelhos de uso doméstico, automóveis de passageiros, móveis, objetos de adorno, partes e peças para bens de consumo duráveis e produtos alimentícios. O resultado é o pior para o mês desde 1998, quando o saldo de setembro ficou negativo em 1,2 bilhão de dólares. A última vez que a balança do mês havia apresentado resultado deficitário foi em 2000 (326,7 milhões de dólares no vermelho). No acumulado do ano até setembro, as exportações somaram 173,64 bilhões de dólares e as importações, 174,33 bilhões de dólares. Com isso, o saldo do ano está negativo em 690 milhões de dólares. O aumento da importação de petróleo em bruto, querosenes, óleos combustíveis, ureia e inseticidas levou a um avanço de 102,8% na importação de produtos vindos do Oriente Médio. As compras vindas do Mercosul cresceram 8,2%, sendo que só da Argentina o crescimento foi de 7,4%, devido a veículos de carga, naftas, polímeros plásticos, trigo em grão, ônibus, celulose, entre outros. A importação da Ásia subiu 1,6% no período, sendo 7% de crescimento nas compras vindas da China, devido a aparelhos transmissores/receptores, laminados planos, partes e acessórios de máquinas automáticas, entre outros. Por outro lado, houve queda de 6,8% nas importações vindas da União Europeia, por conta de autopeças, inseticidas, aparelhos de medida, gasolina, entre outros. A queda da importação dos Estados Unidos foi de 5,3% - neste caso, devido a adubos e fertilizantes, carvão, trigo em grão, motores e turbinas para aviação, entre outros.

Na favela de Paraisópolis, Marina Silva reforça tom emocional de rainha da vitimização: "Sei o que é viver em favela"

A candidata Marina Silva (PSB) chega à favela de Paraisópolis em São Paulo/SP

A candidata Marina Silva (PSB) chega à favela de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo (Nacho Doce/Reuters)
A candidata do PSB ao Palácio do Planalto, Marina Silva, visitou nesta quarta-feira a favela de Paraisópolis, em São Paulo, e voltou a adotar um discurso emotivo como meio de estancar sua queda nas pesquisas de intenção de voto. A rainha da vitimização afirmou que sabe o que é viver numa favela e prometeu não apenas manter como ampliar o programa Bolsa Família. Sobre os resultados das pesquisas, disse que está confiante de que chegará ao segundo turno. “A sociedade brasileira e eu já estamos no segundo turno. Temos plena convicção de que os brasileiros não vão transformar essas eleições em um plebiscito. Uma eleição em dois turnos é uma oportunidade de a sociedade debater e escutar duas vezes”, afirmou. Pesquisa Datafolha divulgada na terça-feira mostra que o tucano Aécio Neves, com 20% da preferência do eleitorado, encostou na ex-senadora na busca por uma vaga no segundo turno. Marina Silva oscilou negativamente, de 27% para 25%. A presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) se manteve no patamar de 40%. Em uma espécie de palanque montado no centro da favela, Marina Silva fez duras críticas aos seus principais adversários na disputa à Presidência. Rebateu as acusações de que sofre de "desvio de caráter", feitas pela presidente Dilma Rousseff sobre o seu posicionamento em relação à CPMF. “Falta de caráter é vir numa comunidade como essa, prometer um hospital e não cumprir o compromisso depois de quatro anos de governo. Isso é que é mentira. O hospital prometido pela presidente Dilma Rousseff não se transformou em realidade. No dia 5 de outubro, o povo vai escolher entre o Brasil de fantasia e da propaganda eleitoral, e o Brasil real, de compromissos”, disse a ex-senadora referindo-se a um hospital prometido pela petista na campanha de 2010 e que ainda não foi construído. Marina Silva também atacou Aécio Neves, dizendo que ele não apresentou um programa de governo "a tempo de ser debatido". "Nós vamos continuar fazendo o esforço de respeitar e debater o Brasil. A presidente Dilma não apresentou programa, e o senador Aécio apresentou, faltando apenas cinco dias para a eleição. Obviamente não terá tempo de debater", disse. A pessebista também comentou a declaração feita, em vídeo, pelo deputado petista Durval Ângelo, dizendo que Dilma só conseguiu subir nas pesquisas eleitorais em Minas Gerais por causa do empenho de funcionários dos Correios. Segundo Marina Silva, essa prática mostra o "aparelhamento do Estado" feito por candidatos que querem se reeleger "a qualquer custo, não importando o meio". "A reeleição é uma chaga, que inaugurou o Mensalão no Congresso Nacional. Reeleição cria uma situação de aparelhamento, de confusão entre o partido e o Estado. Esse tipo de prática deve ser condenada pela Justiça Eleitoral", disse a candidata. Ela estava no PT e no governo na época do Mensalão do PT, e não disse absolutamente nada. Ou seja, foi conivente com tudo. A ex-senadora foi recebida no local com apresentações de ballet e de uma orquestra, patrocinadas pela Associação dos Moradores de Paraisópolis. Em um discurso dirigido aos moradores da favela, Marina Silva lembrou da sua infância pobre no Acre e reiterou que "não só vai manter o Bolsa Família como vai ampliá-lo". “Eu sei o que é morar em uma comunidade, sei das dificuldades que vocês passam. Até os 16 anos eu era analfabeta, já passei fome e morava na floresta”, disse, em tom emocional e com a voz rouca. Em seguida, descreveu o primeiro dia em que pisou em uma escola e foi alfabetizada, quando, segundo ela, aprendeu a "somar os sons das palavras". O ex-presidente da Associação e candidato a deputado estadual pelo Partido Pátria Livre (ex-organização terrorista MR8), Gilson Rodrigues, conduziu o evento e apresentou Marina Silva aos moradores da favela - em seu material campanha, Rodrigues aparece ao lado da ex-senadora. Nas duas últimas eleições, a entidade apoiou a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. "Nós somos uma comunidade pé quente. Os dois últimos candidatos que estiveram aqui foram eleitos", disse Regiane dos Santos, atual presidente da associação, antes do discurso de Marina Silva. Segundo Rodrigues, a decisão de apoiar Marina Silva ocorreu porque Dilma não cumpriu a promessa de trazer melhorias para a favela. "Tem um terreno vazio reservado para receber o hospital, mas não fizeram nada ainda", disse Rodrigues. Um mês antes de morrer, Eduardo Campos fez uma visita à favela de Paraisópolis, e prometeu que, se eleito, voltaria ao local. Marina Silva reafirmou a promessa e disse que construirá no local o hospital prometido pela presidente. Enquanto a ex-ministra discursava, alguns moradores cantavam: "Eduardo presente, Marina presidente". Após a apresentação de ballet, Marina Silva brincou com as meninas bailarinas: "Estou me sentido em casa com tanto coque", em referência ao seu penteado característico.

Dólar dispara e bate R$ 2,48 nesta quarta-feira

O nível atual do câmbio é maior do que o visto na crise de 2008

O nível atual do câmbio é maior do que o visto na crise de 2008 (Divulgação/VEJA)
Em mais um pregão de alta, o dólar subiu 1,5% nesta quarta-feira, batendo 2,4848 reais (venda). O nível atual do câmbio é maior do que o visto na crise de 2008, de 2,45 reais. Na terça-feira, a moeda americana já havia caído 0,31% no fechamento da sessão, cotada a 2,4480 reais na venda. Em setembro, a moeda teve alta de 9,33%, a maior variação mensal desde setembro de 2011, quando a valorização foi de 18,15%.  Na máxima desta quarta-feira, o dólar chegou a 2,4871 reais, alta de 1,59%. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,6 bilhão de dólares. O cenário eleitoral com a melhora da presidente Dilma Rousseff na corrida à Presidência – e os riscos que o aumento das taxas de juros americanas podem trazer aos fluxos cambiais globais pesam na sessão. A expectativa do mercado é de que o banco central americano, Federal Reserve (Fed), eleve ano que vem os juros básicos, que hoje se encontram próximos de zero. Assim, poderá ocorrer uma entrada massiva de dólares (investimentos) nos Estados Unidos e a consequente saída desse dinheiro dos mercados emergentes. Na noite de terça-feira, foram divulgados os dados da pesquisa Ibope/Estadão/Rede Globo e os do Datafolha. Segundo o Ibope, em um segundo turno entre a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) e a candidata Marina Silva (PSB), Dilma oscilou de 41% para 42% das intenções de voto e Marina caiu de 41% para 38%, uma situação no limite do empate técnico. Pelo Datafolha, num eventual segundo turno entre Dilma e Marina, a presidente tem 49% das intenções de voto e a candidata do PSB, 41%. Na semana passada, Dilma tinha 47% e Marina, 43%. O Banco Central divulgou nesta quarta-feira que o fluxo cambial ficou positivo em 3,561 bilhões de dólares em setembro (até o dia 26). As operações financeiras respondem por uma entrada líquida de 2,601 bilhões de dólares, diferença entre ingressos de 40,903 bilhões de dólares e retiradas de 38,302 bilhões de dólares.

PPS vai acionar Ministério Público Federal contra Dilma por uso dos Correios na campanha

A candidata a reeleição, Dilma Rousseff (PT), chega para o debate promovido pela Rede Record neste domingo (28), em São Paulo

A candidata a reeleição, Dilma Rousseff (PT), chega para o debate promovido pela Rede Record neste domingo (28), em São Paulo (Felipe Cotrim/VEJA.com)
O líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), anunciou nesta quarta-feira que vai ingressar com uma representação por improbidade administrativa contra a presidente Dilma Rousseff junto ao Ministério Público Federal. O parlamentar alega que a petista utilizou de forma irregular a estrutura dos Correios em prol de sua campanha. Conforme mostrou reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o deputado estadual mineiro Durval Angêlo (PT) creditou o bom desempenho do candidato petista ao governo do Estado, Fernando Pimentel, e o crescimento da presidente-candidata nas pesquisas de intenção de voto à equipe dos Correios. A afirmação, gravada em vídeo, foi feita durante reunião com dirigentes da estatal em Minas Gerais, incluindo o presidente da empresa pública, Wagner Pinheiro. Na gravação, o deputado petista diz: "Se hoje nós temos a capilaridade da campanha do Pimentel e da Dilma em toda Minas Gerais, isso é graças a essa equipe dos Correios". O deputado afirma, ainda, que "a prestação de contas dos petistas dos Correios será com a vitória do Fernando Pimentel a governador e com a vitória da Dilma". Wagner Pinheiro estava sentado à mesa ao lado do deputado estadual petista e não o interrompeu em nenhum momento. “Temos agora a comprovação do uso escancarado de uma estatal, ou seja, dinheiro do contribuinte, para tentar turbinar a campanha da candidata do PT à reeleição. Não basta o que estamos vendo com o desmonte da Petrobras, agora, o governo recorre ao uso eleitoral dos Correios”, alegou Rubens Bueno, por meio de nota. Essa será a segunda representação do PPS contra Dilma em torno do caso: na semana passada, o partido acionou a Procuradoria-Geral da República após a denúncia de que os Correios abriram uma exceção para entregar, sem chancela, santinhos de Dilma no interior de São Paulo. O PSDB também deve questionar o vídeo. Durante visita a Mogi das Cruzes (SP) nesta quarta-feira, o candidato à presidência Aécio Neves afirmou que vai acionar a Justiça contra o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e o presidente dos Correios, Wagner Pinheiro. O tucano ressaltou que em Minas Gerais, seu berço político, os Correios não enviaram as correspondências da campanha do partido. “É estarrecedor”, disse. 

Polícia Federal transfere o ex-senador Luiz Estevão para o presídio paulista de Tremembé II

O ex-senador Luiz Estevão

O ex-senador Luiz Estevão (Márcia Gouthier/Folha Imagem/VEJA)
O ex-senador Luiz Estevão foi transferido na tarde desta quarta-feira para a Penitenciária Tremembé II, no interior de São Paulo. Agentes da Polícia Federal removeram o ex-senador por ordem judicial. Condenado a 3 anos e 6 meses de prisão, em regime semiaberto, por falsificação de documentação contábil, Estevão foi preso sábado, em Brasília, e transferido para a Custódia da Polícia Federal em São Paulo. Os fatos atribuídos ao ex-senador ocorreram em São Paulo. A Procuradoria da República o denunciou pela adulteração de livros contábeis no caso das obras do Fórum Trabalhista da Capital - empreendimento superfaturado que levou ao desvio de 1 bilhão de reais, em valores atualizados. O ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho, Nicolau dos Santos Neto, foi condenado com Estevão no processo principal. Na segunda-feira, 29, a defesa do ex-senador pediu a transferência dele de volta para Brasília, mas o pedido foi rejeitado pelo juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal Federal.

TCU afirma que desconto na conta de luz de 2012 estará completamente anulado até 2015

A Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) cobre os custos das térmicas dos sistemas isolados da região Norte

A Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) cobre os custos das térmicas dos sistemas isolados da região Norte(ABR/VEJA)
Um relatório do Tribunal de Contas da União divulgado nesta quarta-feira mostra que o desconto nas tarifas de energia elétrica estabelecido por meio da medida provisória em 2012, no âmbito da renovação das concessões de empresas, estará totalmente eliminado ao final de 2015. Ou seja, os reajustes nas contas até este período anularão os 20% de desconto, em média, decretados há dois anos pela presidente Dilma. O tribunal também aprovou nesta quarta-feira a auditoria na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e determinou, entre outras coisas, que o governo federal regularize os repasses da conta, principalmente no que se refere à Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). A CCC cobre os custos das térmicas dos sistemas isolados da região Norte. O Tribunal de Contas da União também pede que o governo regularize os repasses do Tesouro à CDE. A conta está sendo usada para repassar dinheiro às distribuidoras de energia, cujos custos dispararam neste ano com a seca e o uso das termelétricas. Numa tentativa de atenuar o desempenho fiscal ruim, o governo tentou reduzir em 4 bilhões de reais os repasses do Tesouro Nacional à conta. Mas o Tribunal de Contas da União negou. No dia 7 de setembro de 2012, Dilma prometeu reduzir em 20,2% em média as tarifas de energia elétrica no País, por meio da redução de encargos setoriais e da renovação das concessões de geração e transmissão de energia. À medida seguiram-se inúmeros desequilíbrios no setor que fizeram com que as distribuidoras tivessem de pagar até 10 vezes mais para fornecer energia ao mercado. Endividadas, agora precisam ser resgatadas pelo governo com dinheiro da CDE e também com empréstimos feitos junto a bancos públicos e privados. Ou seja, a demogogia petista da presidente Dilma Rousseff, além de causar um caos total no setor elétrico, ainda está penalizando tremendamente os consumidores com os aumentos na energia elétrica. 

Presidente do Banco Central da Argentina renuncia ao cargo

Ex-presidente do Banco Central da Argentina, Juan Carlos Fábrega

Ex-presidente do Banco Central da Argentina, Juan Carlos Fábrega (Marcos Brindicci/Reuters)
O presidente do Banco Central da Argentina, Juan Carlos Fábrega, anunciou sua renuncia ao cargo nesta quarta-feira. Em nota, o governo afirmou que a presidente Cristina Kirchner acatou a saída de Fábrega e indicou que seu substituto será o atual presidente da Comissão Nacional de Valores, Alejandro Vanoli. Especulações sobre o caso pressionaram a Bolsa argentina, que desabou cerca de 8%, também devido a controles de mercado vinculados a transações cambiais, disseram operadores. O índice Merval caiu 7,98%, aos 11.546 pontos, segundo dados preliminares de fechamento. Até então, a Bolsa acumulava alta de quase 135% em 2014. Segundo o jornal Clarín, Fábrega apresentou seu pedido de demissão na manhã desta quarta-feira. A decisão acontece após um duro discurso da presidente peronista populista e muito incompetente Cristina Kirchner, que questionou, na terça-feira, o a falta de controle sobre algumas operações envolvendo câmbio e bancos. Segundo o jornal La Nación, a presidente disse que, quando o Banco Central reduziu de 30% para 20% os ativos em moeda estrangeira que os bancos poderiam ter, algumas entidades financeiras operaram de forma antecipada, sugerindo que pode ter ocorrido um vazamento de informações privilegiadas. Fábrega assimiu o controle do Banco Central argentino no fim do ano passado. Antes disso, atuou como presidente do Banco Nación, onde ele trabalhou durante a maior parte de sua carreira profissional. 

Cade aprova joint venture entre Bradesco e Banco do Brasil

Mesmo com joint venture, Bradesco e Banco do Brasil manterão políticas próprias de cartões

Mesmo com joint venture, Bradesco e Banco do Brasil manterão políticas próprias de cartões (Eladio Machado/VEJA)
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a formação de uma joint venture entre o Banco do Brasil e o Bradesco para centralização de algumas atividades dos programas de fidelidade oferecidos aos portadores de cartões emitidos pelos bancos. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira. Banco do Brasil e Bradesco divulgaram em maio que haviam iniciado tratativas para o negócio que seria feito por meio da Livelo (sociedade na qual Bradesco e Banco do Brasil possuem 50,01% e 49,99%, respectivamente) e da Companhia Brasileira de Soluções e Serviços (CBSS). Em documento submetido ao Cade, as companhias informaram que cada um continuará tendo completa independência para estabelecer sua própria política de benefícios a ser oferecida aos portadores dos cartões. "Com o avanço na implantação da operação, pretende-se que a Livelo passe a atuar como um programa de fidelidade por coalizão, de forma semelhante a outros agentes atualmente em atividade no mercado", disseram os bancos. "Com isso, além de os clientes originais da Livelo poderem resgatar prêmios oferecidos por empresas parceiras, estas também poderão celebrar parcerias com a Livelo para atribuir a seus clientes 'pontos Livelo'."

Hospital nos Estados Unidos mandou de volta para casa paciente que estava com ebola

Hospital Presbiteriano de Dallas, no Texas, onde está internado o primeiro paciente diagnosticado com ebola nos Estados Unidos

Hospital Presbiteriano de Dallas, no Texas, onde está internado o primeiro paciente diagnosticado com ebola nos Estados Unidos (AFP)
A primeira pessoa diagnosticada com ebola nos Estados Unidos – e fora da África – avisou que havia chegado da Libéria a funcionários que a atenderam em sua primeira visita ao Hospital Presbiteriano de Dallas. Mesmo assim, foi liberada com a prescrição de antibióticos. A informação é de Mai Wureh, irmã do paciente. Identificado como Thomas Eric Duncan, o paciente de origem liberiana desembarcou nos Estados Unidos em 20 de setembro, começou a manifestar os sintomas no dia 24 e procurou ajuda médica no dia 26. Dois dias depois, quando seu estado de saúde piorou, retornou ao hospital e foi internado com suspeita de ebola. Mark Lester, vice-presidente do serviço de saúde do Texas, confirmou nesta quarta-feira que um enfermeiro perguntou a Duncan em sua primeira ida ao hospital se ele havia estado em áreas afetadas pelo ebola na África ocidental, mas que a "informação não foi totalmente comunicada" à equipe médica. Funcionários do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) estão em Dallas para garantir que as pessoas que tiveram contato com o paciente sejam monitoradas por 21 dias, tempo que pode levar para que uma pessoa infectada apresente os sintomas da doença. Dentre elas estão cinco crianças de Dallas, além dos parentes de Duncan. Nesta quarta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o total de mortes causadas pela atual epidemia do vírus ebola alcançou 3 338 pessoas e o número de casos prováveis, confirmados e suspeitos soma 7 178. Os países afetados são Guiné, Libéria, Nigéria, Senegal e Serra Leoa. A agência alerta que o número de casos pode crescer exponencialmente, com mais de 20 000 infectados até o começo de novembro, se novas medidas não forem adotadas para conter o vírus.

Dilma nega uso dos Correios na campanha: "Um absurdo"

A presidente-candidata Dilma Rousseff durante entrevista coletiva em Brasília/DF - 01/10/2014

A presidente-candidata Dilma Rousseff durante entrevista coletiva em Brasília/DF - 01/10/2014 (Ichiro Guerra/Divulgação)
A presidente Dilma Rousseff negou nesta quarta-feira que os Correios tenham auxiliado sua campanha eleitoral. Mas não comentou diretamente a confissão do deputado Durval Ângelo, que foi flagrado em vídeo agradecendo a direção da empresa pelo apoio ao PT em Minas Gerais. Ao responder sobre as críticas da oposição ao episódio, afirmou: "Vocês são jornalistas: vocês acreditam nisso? Gente, nós estamos vivendo uma campanha eleitoral, que fica uma situação um pouco nervosa. Isso é um absurdo". Dilma Rousseff e os petistas estão, definitivamente, iguais ao Paulo Maluf, que negava ser seu dinheiro que estava em suas contas no Exterior. Em entrevista concedida no fim da tarde no Palácio da Alvorada, Dilma destacou seu programa de construção de creches, cuja meta era entregar 6.000 empreendimentos. Até agora, entretanto, pouco mais de 2.000 foram entregues. A presidente enfatizou o número de obras contratadas: mais de 6.400. As creches são construídas pelas prefeituras com recursos repassados pelo governo federal. Mas o método está sujeito a fraudes, como acabou revelando a própria presidente ao contar um episódio protagonizado por uma prefeitura responsável por três obras. "Um certo cachorro aparecia na foto das três creches; donde a foto em questão não era das três creches, era de uma creche só que ele estava prestando conta", afirmou, para depois concluir: "É interessante essa história do cachorro, porque foi por absoluto acaso que alguém se deu conta que o cachorro era o mesmo", disse ela. Ainda com a voz rouca por causa do excesso de eventos públicos, Dilma não teve outros compromissos nesta quarta-feira além da entrevista. Ela se poupou para o debate desta quinta-feira, na TV Globo. Com ou sem voz, a presidente garantiu que vai comparecer.

Greve dos bancários ganha força e já alcança 7.673 agências no País

7.673 locais de trabalho, entre agências e centros administrativos, foram fechados no segundo dia de greve

7.673 locais de trabalho, entre agências e centros administrativos, foram fechados no segundo dia de greve (André Lessa / AE/VEJA)
A greve nacional dos bancários ganhou força no segundo dia de paralisação, de acordo com balanço divulgado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). Nesta quarta-feira, foram fechados 7.673 locais de trabalho, entre agências e centros administrativos. Na terça-feira, o número era de 6.572 unidades, ou seja, houve um crescimento de 1.101 locais, ou 16,75%. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) informou que não tem novas informações a acrescentar em relação ao movimento. Em São Paulo, o Sindicato dos Bancários da capital paulista, Osasco e Região estima que 35 mil trabalhadores aderiram à greve. De acordo o balanço divulgado nesta quarta-feira, permaneceram fechados 571 locais de trabalho (12 centros administrativos, duas áreas de contingência e 557 agências). “A paralisação ganhou a adesão de um importante setor que é o call center. A greve só vai acabar quando os bancos apresentarem uma proposta que contemple aumento real, valorização nos pisos e soluções para questões de saúde e condições de trabalho”, destacou a presidenta do sindicato, Juvandia Moreira. Os bancários aprovaram na noite de segunda-feira o início da greve por tempo indeterminado a partir de terça-feira. Entre as reivindicações da categoria estão reajuste salarial de 12,5%, com a recomposição da inflação medida pelo INPC e aumento real de 5,8%, elevando o piso salarial a R$ 2.979,25. Também estão na pauta pontos como 14º salário, participação nos lucros e vales-alimentação e refeição. Na última rodada de negociações, a Fenaban propôs um reajuste de 7,35% e aumento de 8% para o piso da categoria. No ano passado os bancários promoveram uma greve nacional que durou 23 dias. A categoria somente retomou as atividades após um acordo por um reajuste de 8%, o que representou um ganho real de 1,82%. A Contraf-CUT vai realizar nesta quinta-feira manifestações em frente à sede do Banco Central em Brasília e também nas nove representações da autarquia pelo país. O objetivo é protestar contra as propostas de independência do Banco Central que, segundo o sindicato, beneficia apenas o sistema financeiro de bancos privados.

Marina Silva continua fazendo o seu papel preferido, ela diz para a CNN que é vítima de preconceiro

Marina Silva concede entrevista à rede CNN

Marina Silva concede entrevista à rede CNN (Reprodução / CNN/VEJA)
A rede americana CNN exibiu nesta quarta-feira uma entrevista com a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva. À jornalista Christiane Amanpour, Marina falou dos ataques de que vem sendo alvo na campanha – e afirmou ser vítima de preconceito por causa de sua origem pobre: “Eu perdi minha mãe com quatorze anos e eu tive que cuidar dos meus sete irmãos. Lutei e continuo lutando, mas eu sempre digo que a educação fez um milagre na minha vida. Tive que enfrentar muitos preconceitos, preconceitos com os quais convivo até hoje. É muito fácil atribuir qualquer opinião para desqualificar uma pessoa com a minha vida". Descrita como uma “candidata por acidente”, Marina foi questionada sobre sua queda nas pesquisas de intenção de voto. Afirmou que ainda é cedo para traçar panoramas para o segundo turno. E lembrou que sua campanha começou depois da dos principais concorrentes, após a trágica morte de Eduardo Campos em um acidente aéreo, em 13 de agosto. Ao tratar sobre sua trajetória de vida, Marina Silva afirmou que se orgulha de suas origens. “Neste momento, há uma campanha de desqualificação do meu trabalho e da minha trajetória de 30 anos de vida pública, em que ninguém pode encontrar uma atitude de preconceito contra quem quer que seja. No entanto, talvez em função da minha religião, eu tenho que pagar um preço muito alto. Pessoas que têm a minha origem têm que provar o tempo todo que são inteligentes e competentes para assumir posições de liderança. Essa trajetória de vida é para mim um motivo de orgulho”. Questionada sobre sua posição em relação ao casamento gay, Marina Silva falou que seu programa de governo assegura mais direitos à comunidade LGBT do que os de seus concorrentes. Disse que suas propostas defendem a manutenção da atual legislação que garante a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Afirmou que “todos os direitos de casais heterossexuais estão assegurados para os homossexuais”. A jornalista ainda questionou Marina Silva sobre a espionagem americana, que provocou uma crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos no ano passado. “O que foi feito nos Estados Unidos espionando outros países e a nossa própria presidente é inaceitável, e deve ser repudiado com toda a veemência. No entanto, é fundamental que se estabeleça um novo padrão para as relações entre os diferentes países, orientados pelo princípio de uma cultura de paz e cooperação, do exercício da liderança fraterna”.

O e-mail ofendidinho de um certo Benko

Laércio Benko, candidato de tal PHS ao governo de São Paulo, me manda a seguinte mensagem:

“Prezado Reinaldo:
Prezo a liberdade de expressão e opinião, mesmo com expressões agressivas usadas pelo senhor contra a minha pessoa. Tomo a liberdade apenas de sugerir que seja mais cuidadoso e tente disfarçar sua “independência jornalística”, pois não fica bem, logo após suas criticas ao meu discurso contra a gestão horrorosa da Sabesp, entrar no ar, na Jovem Pan o seu patrocinador: a Sabesp!!! Disfarce um pouco melhor.
abs!
Laércio Benko”
Respondo
Este senhor deve estar acostumado à pistolagem que toma conta de setores do subjornalismo e pode estar me confundindo. Escute aqui, rapaz! Se eu puxasse o saco de empresas para anunciar aqui ou em qualquer lugar, estaria de joelhos diante de estatais. E, no entanto, não estou. Há bancos que anunciam na VEJA, na Folha e na Jovem Pan, as três empresas em que trabalho. Procure saber o que andei afirmando sobre a independência do Banco Central, por exemplo, matéria que, segundo dizem, seria do interesse do setor. Não sei com que tipo de vagabundo o senhor andou topando na sua curta vida pública. Sei que errou o alvo porque não sou um deles.
A sua crítica ao fato de a Sabesp ter ações na Bolsa e distribuir dividendos a acionistas é ignorante, obscurantista, cretina e reacionária. Observe que não entrei no mérito de outras considerações subas sobre a empresa. A Sabesp que responda se quiser. Não é problema meu. Mas é problema meu quando um quase candidato de si mesmo — parece que o senhor tem 1% das intenções de voto, é isso? — participa de um debate público e goza de tempo no horário eleitoral gratuito, pelo qual eu também pago, para produzir obscurantismos. 
A roubalheira em curso na Petrobras evidencia que o nosso problema é o excesso de estado. O senhor, pelo visto, acha ele se localiza na fatia das empresas públicas que está com o mercado. Pior: o senhor ainda tenta pegar carona na tal “nova política”. O que há de “novo” na sua pregação? Aliás, senhor, haver um político eleito quase sem eleitor é realmente uma novidade e tanto nas democracias. De resto, diga-me sinceramente, senhor Benko: o senhor não acha que pode mesmo ser governador de São Paulo, né? Diga-me mais: sem o Fundo Partidário, o seu partido seria exatamente o quê? O senhor acha isso “novo”??? Todos os anunciantes são bem-vindos ao meu blog, ao programa “Os Pìngos nos Is”, na Jovem Pan, e à Folha. Mas eles devem procurar o departamento comercial. Não é assunto meu.
Vá estudar, senhor Benko!
E acrescento: não sou seu prezado e recuso o seu abraço. E chega, né? Os 250 mil visitantes diários do  meu blog já correspondem a 13,95 vezes o número de eleitores que o senhor teve para a Câmara Municipal de São Paulo (17.918) e certamente ultrapassam o que o senhor terá de eleitores no Brasil inteiro. Já ficou famoso. Eu vivo das 18 horas que dedico por dia ao trabalho. Não sou uma entidade que depende das tetas do estado para existir. Mais alguma questão? Por Reinaldo Azevedo