quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Último ditador argentino recebeu sua quinta condenação por crimes durante regime militar

O ex-ditador e general Reynaldo Benito Bignone foi condenado na terça-feira a 23 anos de prisão pelos sequestros, torturas de 60 líderes sindicais e operários – dos quais 32 foram assassinados – de diversas fábricas na região da Grande Buenos Aires em 1977 durante a ditadura militar (1976-83). No denominado “Julgamento dos operários”, além do ex-ditador foram também ao banco dos réus outros oito ex-integrantes da ditadura por crimes contra a Humanidade, dos quais três foram absolvidos. Este foi o décimo-primeiro julgamento envolvendo crimes ocorridos no quartel do exército de Campo de Mayo realizado no Tribunal Oral Número 1 do município de San Martín. Esta é a quinta condenação acumulada pelo cachaceiro Bignone, que foi o último ditador do regime, aquele que jogou o país e os argentinos na aventura vergonhosa, horrorosa, da rendição nas Ilhas Falklands. Além de duas perpétuas também acumula uma condenação anterior a 25 anos de prisão e outra de 15 anos. Entre os diversos crimes, o ex-ditador – atualmente com 86 anos – esteve envolvido em sequestro de bebês, tortura e assassinato de civis e roubo de bens. Bignone ainda está sendo julgado por outro caso, que deve concluir no ano que vem, sobre sua participação no Plano Cóndor, denominação do programa de cooperação das ditaduras sul-americanas nos anos 70 e 80 para sequestrar e executar pessoas consideradas opositoras dos regimes militares. No mesmo julgamento na terça-feira, foi condenado o ex-general Santiago Omar Riveros, de 91 anos, que cumprirá perpétua. Ele já havia sido julgado à revelia na Itália, no ano 2000, quando foi condenado a perpétua pela morte de três cidadãos italianos. Em 2009 Rivero havia sido condenado na Argentina a perpétua pela tortura – por intermédio de empalamento – do adolescente de 14 anos Floreal Avellaneda, cujo corpo, jogado no rio da Prata, foi levado pela correnteza até as margens uruguaias, onde foi descoberto. Segundo organismos de defesa dos Direitos Humanos argentinos, durante a ditadura, militares e policiais assassinaram ao redor de 30 mil civis, a maioria dos quais sem militância na guerrilha. No entanto, o número de desaparecidos catalogados pela Comissão Nacional de Pessoas Desaparecidas (Conadep), é de 10 mil pessoas. Nos últimos anos, dois ex-ditadores, Jorge Rafael Videla (morto em maio de 2013) e o cachaceiro Bignone, admitiram que assassinaram 8 mil civis com o argumento de “defender o estilo de vida cristão e ocidental” da Argentina. Em 1985, durante “O Nuremberg argentino” – julgamento durante o governo de Raul Alfonsín dos militares responsáveis por crimes contra a Humanidade – Bignone foi julgado e condenado à prisão. Mas, em 1990 foi indultado pelo então presidente Carlos Menem (1989-99). Nove anos depois foi detido graças à uma brecha no indulto, que não contemplava a anistia pelos sequestros de crianças. Em 2004, com a revogação das Leis de Perdão no Parlamento – e a confirmação dessa medida na Corte Suprema em 2007 – Bignone tornou-se o alvo de novos processos. Durante um tempo, pela idade, conseguiu prisão domiciliar. Mas, em 2011 foi transferido para uma prisão comum. “O Julgamento dos Operários” é a denominação que os organismos de direitos humanos argentinos deram ao julgamento dos militares, policiais e integrantes da Guarda-Costeira envolvidos no assassinato de 32 líderes sindicais e operários (e alguns parentes desses trabalhadores) de fábricas da zona norte da Grande Buenos Aires, além da tortura de outros 28 em 1977. As vítimas eram funcionários dos estaleiros Astarsa e Mestrina, das fábricas de cerâmicas Cattáneo e Lozadur e da metalúrgica Bopavi.

O petista Arlindo Chinaglia diz que delação de doleiro é "vazamento seletivo"

Escalado pelo ex-presidente e alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr.) para rebater as acusações feitas pelo doleiro Alberto Youssef, o deputado federal petista Arlindo Chinaglia, líder do governo na Câmara durante o período em que Paulo Roberto Costa foi nomeado diretor de Abastecimento da Petrobras, apresentou dados que negam trecho do depoimento do doleiro. À Justiça Federal do Paraná, Youssef disse que Lula cedeu à pressão de partidos aliados para a nomeação de Costa e que antes da indicação a pauta do Congresso foi  travada por três meses. Segundo Arlindo Chinaglia, nos três meses que antecederam a nomeação de Youssef, a Câmara votou 4 projetos de emendas à Constituição, 37 medidas provisórias, três projetos de lei, oito projetos de decreto legislativo, 8 projetos de resolução. O Senado, no mesmo período, votou 35 medidas provisórias, 11 projetos legislativos, 55 projetos de decreto legislativo, um projeto de resolução e 259 requerimentos de informações e auditorias. "Isso demonstra que qualquer depoimento tem que ser verificado", disse o deputado. Chinaglia lançou dúvidas sobre as intenções do juiz Sérgio Moro, responsável pelo processo: "Chama muita atenção que em um período de eleição, apesar da determinação do Supremo e da Procuradoria Geral da República para que o processo corra em sigilo, um juiz de primeira instância chame dois depoentes e divulgue o teor de forma seletiva sem o devido direito de resposta, atingindo pessoas e instituições. Não acredito que ele queira ser cabo eleitoral mas parece que quer ser". Segundo ele, a bancada do PT vai procurar o ministro Teori Zavaski, responsável pelo processo no Supremo, e o procurador geral da República, Rodrigo Janot, para estudar a possibilidade de tomar providências em relação à divulgação dos depoimentos. Ou seja, o PT quer usar o Poder Judiciário a seu favor na campanha eleitoral, quando está sob os holofotes da roubalheira do esquema do Petrolão, o Mensalão II do PT.

Dilma diz que Fernando Henrique Cardoso foi "preconceituoso" e pede onda de votos; ela está promovendo uma guerra

Em seu segundo dia de visita ao Nordeste, a presidente e candidata Dilma Rousseff (PT) criticou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por classificar seus eleitores de "ignorantes" e desinformados". Em visita a Aracajú, no Sergipe, Dilma discursou na tarde desta quinta-feira para irrisórias duas mil pessoas em um ginásio no centro da cidade onde "repudiou" o que chamou de "uma liderança do PSDB ligada a Aécio" que foi "totalmente preconceituosa e elitista". Dilma e aliados admitiram que o 2º turno será acirrado e fizeram um apelo aos nordestinos para que convençam quem não votou ou anulou o voto no último domingo  para ajudar a aumentar a vantagem petista na região. Ou seja, a esperança do petismo, em desespero, é conseguir arrematar os votos dos eleitores que anularam, ou simplesmente não foram votar. A presidente petista desembarcou na capital de Sergipe no começo da tarde e fez carreata pelas ruas de Aracaju, acompanhada pelo governador reeleito do Estado, Jackson Barreto (PMDB), e do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). Em Sergipe, a petista teve o sexto maior porcentual de votação no País, com 54,91% dos votos válidos contra 22,7% de Aécio Neves (PSDB)  e 18,56% de Marina Silva (PSB). Ou seja, é outro grotão onde ela conseguiu vitória de Pirro. Logo no começo de seu discurso, no Espaço Emmes, na zona sul, Dilma aproveitou foi para o ataque e  criticou Fernando Henrique Cardoso e o PSDB por tentar dividir o Brasil em dois pólos, justamente o que ela está fazendo. "O Nordeste nos últimos 12 anos mudou para melhor e cresceu acima do Brasil. Acho que meus adversários estão desinformados e pensam que vocês (nordestinos) pararam no tempo e são iguais ao que eram 15 anos atrás", afirmou. A candidata citou uma série de números e dados que, segundo ela, comprovam que o Nordeste "mudou para melhor", como os programas Luz PARA Todos, Pronatec, Prouni e Minha Casa Minha Vida. "Eu e Lula cumprimos a nossa palavra de diminuir a desigualdade aqui no Nordeste. Nós temos muito orgulho disso", disso. A presidente voltou a associar o PSDB do adversário Aécio Neves ao que chamou de "conservadorismo" e conclamou o povo nordestino a "lutar pelas conquistas dos últimos 12 anos". "Meu adversário tem uma mania. Tudo que é certo no nosso governo ele diz que vai continuar e fazer melhor. Mas por que não fizeram antes, quando tiveram condições", indagou.

Dilma diz que Fernando Henrique Cardoso foi "preconceituoso" e pede onda de votos; ela está promovendo uma guerra

Em seu segundo dia de visita ao Nordeste, a presidente e candidata Dilma Rousseff (PT) criticou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por classificar seus eleitores de "ignorantes" e desinformados". Em visita a Aracajú, no Sergipe, Dilma discursou na tarde desta quinta-feira para irrisórias duas mil pessoas em um ginásio no centro da cidade onde "repudiou" o que chamou de "uma liderança do PSDB ligada a Aécio" que foi "totalmente preconceituosa e elitista". Dilma e aliados admitiram que o 2º turno será acirrado e fizeram um apelo aos nordestinos para que convençam quem não votou ou anulou o voto no último domingo  para ajudar a aumentar a vantagem petista na região. Ou seja, a esperança do petismo, em desespero, é conseguir arrematar os votos dos eleitores que anularam, ou simplesmente não foram votar. A presidente petista desembarcou na capital de Sergipe no começo da tarde e fez carreata pelas ruas de Aracaju, acompanhada pelo governador reeleito do Estado, Jackson Barreto (PMDB), e do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). Em Sergipe, a petista teve o sexto maior porcentual de votação no País, com 54,91% dos votos válidos contra 22,7% de Aécio Neves (PSDB)  e 18,56% de Marina Silva (PSB). Ou seja, é outro grotão onde ela conseguiu vitória de Pirro. Logo no começo de seu discurso, no Espaço Emmes, na zona sul, Dilma aproveitou foi para o ataque e  criticou Fernando Henrique Cardoso e o PSDB por tentar dividir o Brasil em dois pólos, justamente o que ela está fazendo. "O Nordeste nos últimos 12 anos mudou para melhor e cresceu acima do Brasil. Acho que meus adversários estão desinformados e pensam que vocês (nordestinos) pararam no tempo e são iguais ao que eram 15 anos atrás", afirmou. A candidata citou uma série de números e dados que, segundo ela, comprovam que o Nordeste "mudou para melhor", como os programas Luz PARA Todos, Pronatec, Prouni e Minha Casa Minha Vida. "Eu e Lula cumprimos a nossa palavra de diminuir a desigualdade aqui no Nordeste. Nós temos muito orgulho disso", disso. A presidente voltou a associar o PSDB do adversário Aécio Neves ao que chamou de "conservadorismo" e conclamou o povo nordestino a "lutar pelas conquistas dos últimos 12 anos". "Meu adversário tem uma mania. Tudo que é certo no nosso governo ele diz que vai continuar e fazer melhor. Mas por que não fizeram antes, quando tiveram condições", indagou.

Armínio Fraga afirma no debate com o petista Guido Mantega na Globo News: "tem muita coisa que não está dando certo"

É preciso reconhecer que tem muita coisa que não está dando certo na política econômica, afirmou nesta quinta-feira, 9, o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, em debate na GloboNews. "Acredito que o modelo que temos hoje aqui fracassou. Ele está esticando a corda. A economia está com uma situação fiscal muito preocupante, perdeu transparência, o governo vem adotando critérios cada vez mais flexíveis de contabilidade. É um quadro que precisamos corrigir", afirmou Arminio Fraga. A economia mundial vem se recuperando, mas o Brasil é um dos países que crescem menos, afirmou Fraga. "Não é uma recuperação pujante, mas a economia mundial vem se recuperando. E nós, desses países que crescem de zero a 7%, estamos no zero. Então minha preocupação é que o Brasil tem que trabalhar para ficar acima da média", afirmou, lembrando que o Brasil é um país em desenvolvimento. Armínio Fraga criticou ainda o uso dos bancos públicos pelo governo: "Bancos públicos têm o seu papel, mas sinto falta é de mais critério. Entendo um banco público fazendo programa emergencial, acho que isso é perfeito. Não entendo gastar dinheiro com Petrobras, grandes empresas privadas, com acesso ao mercado". Segundo ele, a infraestrutura é uma barreira ao crescimento no Brasil e devia ser uma grande oportunidade. "Muito dinheiro foi distribuído a preço subsidiado para empresas e tudo mais. O fato é que o investimento está caindo, esse é o fato concreto. Então acho que está precisando haver um modelo que gere juro mais baixo para todo mundo, não só para quem toma dinheiro no BNDES", afirmou.

Negado pedido dos Correios para notificação de Aécio Neves

A Justiça Federal do Distrito Federal negou nesta quinta-feira, 9, o pedido dos Correios para notificar judicialmente o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. A estatal alegava que o tucano havia atingido a honra objetiva da empresa por ter afirmado, entre outras declarações, que os Correios cometeram um crime ao não entregar o material de campanha em Minas Gerais de Aécio Neves e o do candidato do PSDB ao governo estadual, Pimenta da Veiga, que foi derrotado no domingo. Para instruir o pedido de notificação judicial, segundo a Justiça, os Correios juntaram documentos que comprovariam a regularidade da prestação dos serviços contratados pelo comitê do tucano. Entre os documentos, estão relatórios com o histórico de postagem das correspondências no período de 1º de julho a 30 de setembro deste ano. A estatal pretendia, com a notificação judicial, que o Poder Judiciário informasse a Aécio Neves que os Correios estariam aptos a ajuizar a ação de danos morais sofridos e ação penal para proteção de sua honra objetiva, caso o candidato continuasse a fazer manifestações de igual teor, em quaisquer meios de comunicação. Em sua decisão, a juíza federal substituta Célia Regina Ody Bernades, da 21ª Vara Federal do Distrito Federal, afirmou que o acesso ao Judiciário é uma "garantia constitucional não condicionada a prévio aviso". "A ECT pode, a qualquer momento, ajuizar ação de reparação civil dos danos morais que entender ter sofrido ou adotar as cabíveis medidas de natureza penal, independentemente de a parte ré ter sido ou não notificada judicialmente. Além disso, nada obsta que, mesmo tendo havido a notificação, a ECT venha a requerer o que entender devido a título de reparação do abalo à honra objetiva". Para a magistrada, a notificação dos Correios é "inócua". A juíza disse na decisão que a medida é desnecessária para a garantia de direitos e considerou ainda o pedido "processualmente inadmissível". "Por tudo quanto vem de ser dito, indefiro a petição inicial e declaro extinto o processo, sem resolução de mérito", decidiu. De fato, a notificação judicial pretendida pela direção petista dos Correios era mera jogadinha político-eleitoral para a torcida. Os ordinários continuam usando a empresa com interesse político-partidário.

Pela primeira vez, Aécio Neves aparece à frente de Dilma numericamente: 46% a 44% — ou 51% a 49% dos votos válidos

É… Nunca antes na história “destepaiz”, dois institutos de pesquisa coincidiram tanto, não é? Depois de enormes divergências ao longo do primeiro turno e de ambos terem errado para valer, parece que Ibope e Datafolha ajustaram seus critérios e leram do mesmo modo a vontade popular. Se a eleição fosse hoje, dizem, o tucano Aécio Neves teria 46% dos votos no primeiro turno, e a petista Dilma Rousseff, 44%. Nos dois, “brancos, nulos ou nenhum” somam 10%. Assim, os candidatos têm também o mesmo número de votos válidos: 51% para ele e 49% para ela. É a primeira vez na corrida presidencial que Aécio aparece à frente de Dilma.

O Ibope ouviu 3.010 eleitores no dias 7 e 8. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-01071/014. O Datafolha ouviu 2.879 eleitores nos dias 8 e 9. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-01068/2014. Em ambos, a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
Para lembrar: no primeiro turno, Dilma obteve 41,59 dos votos válidos, e Aécio, 33,55%. A ser como dizem Ibope e Datafolha, Dilma ganhou, até agora, apenas 2,41 pontos; Aécio avançou muito mais: 12,45 pontos.
Na quarta-feira, o Instituto Paraná também divulgou um levantamento. Nesse caso, a diferença em favor de Aécio Neves é bem maior: 45% a 39%, com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou para menos. Nos válidos, a disputa estaria 54% a 46%. O PT, obviamente, está em pânico, o que explica a violência no horário eleitoral.
Ibope e Datafolha  publicaram também os números sobre a avaliação do governo Dilma. No primeiro instituto, ele é considerado bom ou ótimo por 39% dos entrevistados; é regular para 33% e ruim ou péssimo para 27%. No segundo, o índice de ótimo e bom também é de 39%, e há uma divergência no regular — 38% — e ruim ou péssimo: 22%. 
Vamos ver, agora, quando os institutos começarão a divergir e quem chegará mais perto do resultado das urnas. Por Reinaldo Azevedo

Aécio Neves acena para Marina Silva, mas deixa claro que não vai abrir mão das propostas que o elegeram para o segundo turno

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), candidato à Presidência, indicou nesta quinta-feira (9) que não abrirá mão da proposta de redução da maioridade penal em casos de crimes graves para obter o apoio de Marina Silva (PSB) no segundo turno das eleições. O tucano afirmou que uma aliança no segundo turno deve ser feita tendo como base "o essencial": "O essencial hoje é a mudança". "O caso não é de abrir mão de propostas. É aprimorarmos. Se formos reconstruir o projeto desde o início, não estamos fazendo uma aliança. Aliança tem que acontecer em torno do essencial. O essencial hoje é a mudança. E eu, pela vontade de grande parte dos brasileiros, tenho a responsabilidade de conduzir essa mudança", disse Aécio Neves, em coletiva de imprensa em seu comitê no Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro. Em carta endereçada aos partidos que compuseram sua coligação, Marina Silva afirma que o apoio ao tucano dependerá da resposta que ele der às sugestões apresentadas por seu grupo político. Ela e seus aliados exigem do tucano uma sinalização clara à esquerda, o que inclui o abandono de uma de suas principais bandeiras de campanha, a proposta de redução da maioridade penal, hoje de 18 anos. O senador voltou a defender a redução da maioridade penal para casos de crimes graves, após a avaliação do Ministério Público e da Justiça. O senador disse que a alteração atingiria apenas 1% das infrações cometidas por jovens entre 16 e 18 anos. O tucano afirmou, contudo, ver mais convergências do que divergências entre seu plano de governo e o de Marina Silva.

Aécio Neves viaja a Recife para receber o apoio de Renata Campos

Enquanto negocia a entrada da ex-senadora Marina Silva (PSB-AC) no palanque no segundo turno da eleição presidencial, o candidato Aécio Neves (PSDB) vai a Recife neste sábado (11) para selar o apoio da ex-primeira-dama de Pernambuco, Renata Campos, viúva do ex-presidenciável Eduardo Campos, que morreu no dia 13 de agosto, em um acidente aéreo em Santos, no litoral de São Paulo. Aécio Neves cumprirá na capital pernambucana uma extensa agenda ao lado do governador eleito, Paulo Câmara (PSB), e do prefeito Geraldo Júlio (PSB). Câmara e Júlio já assumiram a coordenação da campanha dele no Estado e transferiram para o candidato a estrutura do comitê estadual do PSB. Nesta sexta-feira (10) Aécio Neves tem compromissos em Salvador ao lado do prefeito Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM), o ACM Neto. A cúpula da campanha do candidato do PSDB a presidente acredita na “transferência massiva” de votos de Marina Silva para ele em Pernambuco (ela venceu no Estado).

Ex-diretor da Petrobras chama delator de "dedo-duro", isso é uma tradição no PT, Romeu Tuma Jr. diz que Lula era um alcaguete do Dops paulista na ditadura militar

Ex-diretor de Engenharia e Serviços da Petrobras, Renato Duque informou que vai acionar na Justiça, por crime contra a honra, contra o ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, por apontá-lo como beneficiário de propina em esquema de corrupção na estatal. Segundo ele, uma ação será ajuizada ainda nessa sexta-feira, 10, pois o delator o acusou "falsamente, e sem apresentar provas", de participar de um esquema ilícito envolvendo empreiteiras. "Se ele (Paulo Roberto) falou alguma coisa no meu nome, vai ser processado. Não quero saber se ele tem tornozeleira, se ele é dedo-duro, não importa. Ele vai ser processado e vai ter de responder ao que está falando", declarou, acrescentando: "Tenho minha consciência tranquila, sei o que fiz e o que não fiz". Em depoimento à Justiça Federal, após firmar acordo de delação premiada para obter redução de pena, Paulo Roberto afirmou que Duque recebia "valores" de fornecedores da Petrobras. Segundo ele, empreiteiras pagavam o equivalente 3% do valor dos contratos ao PT. O esquema teria participação do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. Questionado, o delator disse que Duque era um dos dirigentes que recebiam recursos ilegais. "Dentro da Área de Serviços, tinha o diretor petita Renato Duque, que foi indicado pelo ministro da Casa Civil, José Dirceu. E ele tinha essa ligação com o João Vaccari dentro desse processo do PT", afirmou. Paulo Roberto apontou também o ex-diretor Internacional, Néstor Cerveró, como um dos beneficiados. A tradição de delação no PT é grande. A começar pelo seu chefe maior, Lula, apontado como alcaguete do Dops paulista durante a ditadura militar por Romeu Tuma Jr.

Aécio Neves diz que aceita sugestões para programa de governo, mas não abdica do que acredita

O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, afirmou nesta quinta-feira, 9, que seu programa de governo é "uma obra em permanente construção", mas disse que não pode abdicar do que acredita, ao ser questionado se faria concessões em troca do apoio da terceira colocada no primeiro turno, Marina Silva (PSB). "Todas as sugestões que puderem aprimorar o nosso programa serão muito bem-vindas. Quando se busca um apoio no segundo turno, ele não pode nos levar também a abdicar daquilo que acreditamos que seja essencial para o País", disse o tucano a jornalistas nesta quinta-feira no Rio de Janeiro. Emissários de Marina Silva vão entregar à campanha de Aécio Neves nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro, um documento em que a ex-candidata condiciona o seu posicionamento individual ao tucano no segundo turno a uma lista de compromissos. A posição de Marina Silva pode, inclusive, divergir da postura adotada pela Rede Sustentabilidade, partido que ela tentou criar no ano passado, que se posicionou de modo “absolutamente consensual” contra a presidente Dilma Rousseff (PT), que tenta a reeleição e enfrenta Aécio Neves no segundo turno, e “a favor das mudanças que o Brasil precisa realizar”. O tucano reiterou que vê mais semelhanças do que diferenças entre as propostas de Marina Silva e as do PSDB. "Há muito mais convergência entre aquilo que tenho ouvido e lido em relação a propostas não oficiais ainda da candidata Marina Silva, de pessoas de seu círculo, muito mais afinidades do que divergências, mas não recebi ainda essas propostas", disse o tucano. Aécio Neves insistiu que qualquer sugestão programática deve ser no sentido de aprimorar o programa de governo dos tucanos: "Se formos buscar reconstruir um projeto desde o início, nós não estamos fazendo uma aliança. A aliança tem que acontecer em torno do essencial, e o essencial hoje é a mudança". "Estou extremamente feliz e honrado com apoios que recebi até aqui... Eu não sou mais o candidato do PSDB ou da nossa aliança inicial, eu sou o candidato da força da mudança, da força que quer encerrar esse ciclo perverso", disse ele, referindo-se ao atual governo.

Ferreira Gullar é eleito para Academia Brasileira de Letras

O poeta maranhense Ferreira Gullar foi eleito nesta quinta-feira o novo ocupante da cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras (ABL), vaga que era do poeta Ivan Junqueira, morto em 3 de julho por falência múltipla dos órgãos. O poeta disputou o posto com o escritor José William Vavruk, que já havia concorrido à cadeira 36, ocupada desde setembro de 2013 por Fernando Henrique Cardoso, José Roberto Guedes de Oliveira, membro-fundador da Academia Indaiatubana de Letras, e Ademir Barbosa Júnior, mestre em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP). O maranhense recebeu 36 dos 37 votos possíveis -- o que não foi para ele ficou em branco. Os ocupantes anteriores da cadeira que agora pertence a Gullar foram Silva Ramos, fundador – que escolheu como patrono o poeta Tomás Antônio Gonzaga –, Alcântara Machado, Getúlio Vargas, Assis Chateaubriand e João Cabral de Melo Neto. O novo “imortal” — Ferreira Gullar, cujo nome verdadeiro é José de Ribamar Ferreira, nasceu em São Luís do Maranhão em 10 de setembro de 1930. Aos 18 anos, passou a frequentar os bares da cidade, então tomados por jovens que passavam as tardes lendo poesia. A influência funcionou: poucos anos depois, eles fez as suas primeiras investidas no mundo da literatura com poemas experimentais, reunidos em seu livro de estréia, "A Luta Corporal", de 1954. O volume contribuiu para o surgimento de um novo movimento literário no Brasil, o concretismo, de que Gullar foi participante e, mais tarde, dissidente. Em 1959, o poeta deu origem ao movimento neoconcreto, de que fizeram parte artistas como Lygia Clark e Hélio Oiticica. Às vésperas do golpe militar, o maranhense se afastou dos neoconcretistas e começou a escrever poemas políticos, sendo processado, preso e exilado até 1977. Com a sua volta ao Brasil, passou a escrever para jornais e lançou livros como Na Vertigem do Dia, Toda Poesia (José Olympio Editora, 1980) e Barulhos (José Olympio Editora, 1987).

Aécio Neves diz: "O castelo de cartas do PT está desabando"

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, durante coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (09), no Rio de Janeiro

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, durante coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (09), no Rio de Janeiro (Ricardo Moraes/Reuters)
A campanha do PSDB está pronta para explorar maciçamente cada novo capítulo do esquema de corrupção da Petrobras. Quando chegou a seu comitê de campanha no Rio de Janeiro, para onde convocou uma entrevista coletiva no fim da tarde desta quinta-feira, Aécio Neves pediu aos jornalistas para fazer uma introdução antes de responder a perguntas. Em pauta, o principal assunto do dia: os depoimentos do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor Paulo Roberto Costa, afirmando que a propina abastecia o partido da presidente Dilma Rousseff. A crítica do candidato foi firme: "Chego à conclusão de que esse esquema é algo institucionalizado pelo PT. Não é a oposição que está falando, são duas pessoas envolvidas na organização criminosa. Em qualquer país do mundo, seria o maior escândalo da história. O Brasil não pode se acostumar com isso".
Considerando o assunto "extremamente grave", Aécio pediu que todas as informações sobre o caso cheguem aos brasileiros e prometeu, se eleito, qualificar a gestão pública do país. "Meu compromisso será com os resultados, não com a companheirada”, afirmou, em referência ao termo usado pelos petistas para definir os correligionários. Confiante com a vitória e ironizando os institutos de pesquisas de intenções de votos que não identificaram sua passagem para o segundo turno com facilidade, o peessedebista disse que os ataques que já vem sofrendo de Dilma mostram o "desespero" de uma presidente que caminha para ser derrotada. "O que eu vejo é que esse castelo de cartas no que se transformou o governo do PT está desabando. E nós estamos prontos para colocar, no lugar, uma edificação sólida", afirmou.

Grupo Espirito Santo declara falência

Outras empresas do Grupo Espírito Santo ainda aguardam a decisão da justiça de Luxemburgo

Outras empresas do Grupo Espírito Santo ainda aguardam a decisão da justiça de Luxemburgo (Mario Proenca/Bloomberg/Getty Images/VEJA)
Após uma série de empréstimos mal-sucedidos, o Espirito Santo Financial Group (ESFG), holding da família Espírito Santo que controlava o Banco Espírito Santo (BES), e sua subsidiária Espírito Santo Financière decretaram falência nesta quarta-feira. A decisão foi tomada depois que um tribunal rejeitou um pedido de proteção contra credores. Antes disso, as empresas tentaram aprovar um plano de reestruturação e mudança de gestão junto ao Tribunal de Luxemburgo, mas ele foi rejeitado em 3 de outubro. Outras empresas do Grupo Espírito Santo, como a Espirito Santo International e a RioForte, holding não-financeira do grupo português, aguardam ainda a decisão da Justiça de Luxemburgo, de acordo com o jornal português Diário Econômico. Nesta sexta-feira, haverá uma nova audiência, em que deve ser considerado o pedido de falência e nomeado um ou mais liquidantes. No primeiro semestre, o BES reportou um prejuízo de quase 3,6 bilhões de euros (10,54 bilhões de reais), muito impactado pela derrocada do império corporativo da família Espírito Santo. As perdas levaram o banco central português a anunciar no início de agosto o plano de resgate de 4,9 bilhões de euros (14,35 bilhões de reais) para o BES. Mesmo tendo recebido esse montante, o tribunal classificou a recuperação do ESFG como "impossível". 
O BES, que já foi um dos maiores de Portugal, vem sendo arrastado por um turbilhão de problemas em suas holdings controladoras desde maio. A origem das preocupações é a Espírito Santo International (ESI), principal acionista do grupo, detendo a 100% da Rioforte. Esta, por sua vez, é dona de 49% do ESFG, o maior acionista do BES, com 25% de participação. A insolvência da ESI afeta diretamente o emaranhado de empresas do grupo — sobretudo porque todas estão muito interligadas. 

Na Bahia, Dilma afirma que o PSDB "ignorou o Nordeste"

Dilma com lideranças políticas em Salvador (BA)

Dilma com lideranças políticas em Salvador (BA) (Ichiro Guerra/Divulgação)
Na terceira escala de seu tour pelo Nordeste, a presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) voltou nesta quinta-feira a atacar o PSDB, partido de seu adversário neste segundo turno, Aécio Neves. Em um encontro com prefeitos e vereadores baianos, em Salvador, ela pediu um esforço adicional para impedir que o PSDB volte ao poder. Acusou os tucanos de “usar e abusar” da indústria da seca quando estevam no poder – e acusou o partido de ignorar os estados nordestinos.
"Eles nunca tiveram um projeto para essa região do país. Nunca olharam para ela. Deixaram anos e anos a fio sem investimento em infraestrutura, sempre usaram e abusaram da indústria da seca e não tentaram resolver o problema a fundo, que era garantir água", afirmou a presidente, que estava acompanhada de aliados como o governador eleito da Bahia, Rui Costa (PT).
A presidente também criticou diretamente o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que será ministro da Fazenda em um eventual governo de Aécio Neves. "Ele não gosta do salario mínimo. Ele acha que para resolver os problemas do Brasil eles têm de diminuir o salario mínimo porque o salário mínimo está excessivo. Isso é um escândalo", disse ela. "Essa é uma conversa velha e eu vim aqui dizer que não só eu agradeço, mas eu respeito extremamente essas pessoas, esses cidadãos, essas cidadãs que votaram em mim. Eu tenho certeza que aqui no Nordeste, está uma parte essencial do Brasil, que, sem o Nordeste e a Bahia, não seria a nação que nos amamos", afirmou. 
Medo - O governador da Bahia, Jaques Wagner, retomou o discurso do medo contra os tucanos, a quem ele, como Dilma, acusou de fomentarem o ódio ao Nordeste. "Quem será o próximo objeto do ódio deles? Eu tenho medo, porque quem me conhece sabe: eu acho que antes de tudo nós temos que preservar a democracia brasileira. Não vale tudo numa eleição". O petista também afirmou que o PSDB quer o "fim" do PT. "Nós somos adversários políticos do PSDB, mas não queremos a morte do PSDB como eles querem a morte do PT e do nosso projeto", disse ele. Ainda nesta quinta-feira, a presidente deve visitar Aracaju (SE) e Maceió (AL). Nesta quarta, ela esteve em Teresina (PI) e João Pessoa (PB).
Aracaju - Em Aracaju, a presidente esteve em outro ato com lideranças regionais e militantes petistas. Ela praticamente repetiu o discurso feito em Salvador e disse que o crescimento do poder de consumo dos nordestinos "incomoda os ricos". Dilma citou nominalmente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao mencionar uma declaração dele sobre os eleitores menos informados, que tendem a votar em Dilma.

Esquema na Petrobras envolvia cartel de empreiteiras, diz Paulo Roberto Costa

CPI mista da Petrobras recebe ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, no Congresso Nacional, em Brasília (DF) - 17/09/2014

CPI mista da Petrobras recebe ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, no Congresso Nacional, em Brasília (DF) - 17/09/2014 (Ueslei Marcelino/Reuters)
No depoimento que prestou nesta quarta-feira à Justiça, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa revelou que a organização criminosa que operava na estatal era muito mais sofisticada do que parecia. Segundo ele, havia um cartel de grandes empreiteiras que escolhia as obras, decidia quem as executaria e fixava os preços.  Era como se a companhia tivesse uma administração paraestatal. 
Paulo Roberto Costa listou oito empreiteiras envolvidas no cartel: Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Galvão Engenharia, Iesa, Engevix, Mendes Junior e UTC – e os nomes de seus interlocutores em cada uma delas.
As empreiteiras superfaturavam os custos e repassavam até 3% do valor dos contratos para os “agentes políticos”. No caso da diretoria de Abastecimento, comandada por Paulo Roberto Costa,o dinheiro desviado era dividido entre o PT, o PMDB e o PP. Confira a seguir trechos do depoimento: “Na realidade o que acontecia dentro da Petrobras, principalmente a partir de 2006 para frente, era um processo de cartelização.  “Ficou claro para mim esse, entre aspas, acordo prévio entre as companhias em relação às obras. Existia claramente e isso me foi dito pelas empresas que havia uma escolha de obras dentro da Petrobras e fora da Petrobras. Por exemplo, usina hidrelétrica de tal lugar, neste momento qual empresa  está mais disponível para fazer? E essa cartelização obviamente resulta num delta preço (diferença de preço) excedente". “Na área de petróleo e gás, essas empresas, normalmente, entre os custos indiretos e seu lucro, o chamado BDI, elas normalmente colocam algo entre 10 e 20%. O que acontecia especificamente nas obras da Petrobras? Por hipótese, o BDI era 15%? Então se colocava em média 3% a mais. E esses 3% eram alocados para agentes políticos. Em média, 3% de ajuste político.”

Em depoimento à Justiça, Paulo Roberto Costa desvenda engrenagem do petrolão

CPI mista da Petrobras recebe ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, no Congresso Nacional, em Brasília (DF) - 17/09/2014

CPI mista da Petrobras recebe ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, no Congresso Nacional, em Brasília (DF) - 17/09/2014 (Ueslei Marcelino/Reuters)
Esquema operava em todo o governo – Paulo Roberto Costa disse à Justiça que o esquema de loteamento político está espalhado por todos os órgãos de governo. Por isso, as empreiteiras nunca se recusaram a pagar propina.  “Essas empresas tinham interesses em outros ministérios capitaneados por partidos. E, como falei, essas empresas são as mesmas que participam de várias outras obras, quer sejam ferrovias, rodovias, aeroportos, portos, usinas hidrelétricas, etc. etc.. saneamento básico, Minha Casa Minha Vida... Ou seja, todos os programas, nos ministérios, têm políticos de partidos. Se você cria um problema de um lado, pode-se criar problema do outro. No meu tempo lá, eu não lembro de nenhuma empresa ter deixado de pagar. Houve alguns atrasos das empresas do cartel, mas deixar de pagar nunca deixaram.”
Tesoureiro do PT administrava a propina – Costa deu o nome dos operadores dos partidos que recebiam e administravam o dinheiro desviado da estatal. Ele afirma que a propina do PT era administrada pelo tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, que tratava diretamente com o então diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque. O operador da propina que cabia ao PMDB era o lobista Fernando Soares, também conhecido como Fernando Baiano. “Dentro do PT a ligação que o diretor de serviços tinha era com o tesoureiro na época do PT, o senhor João Vaccari. A ligação era diretamente com ele. Do PMDB, da Diretoria Internacional (comandada por Nestor Cerveró), o nome que fazia essa articulação toda chama Fernando Soares.”
Candidato ao governo do RJ pediu dinheiro a Costa - A pedido do Ministério Público, Paulo Roberto deu explicações sobre uma planilha apreendida pela Polícia Federal em que aparecia uma lista de empreiteiras que, por meio dele, ajudariam nas eleições. Ele diz que a planilha se referia, especificamente, a empresas que poderiam fazer doações para a campanha de um candidato ao governo do Rio de Janeiro nas eleições deste ano.  O nome do candidato não foi citado.
“Teve um candidato ao governo do Rio de Janeiro que me procurou, eu já tinha saído da Petrobras. Foi no início de 2014 e o objetivo era que eu preparasse pra ele um programa de governo na área de energia e infraestrutura de um modo geral. Participei de umas três reuniões com esse candidato e foi listada uma série de empresas que poderiam contribuir com a campanha que ele estava concorrendo. Ele me contratou para fazer o programa de energia e infraestrutura de modo geral. Listou uma série de empresas. Algumas que eu tinha contato e outras, não. Hope RH não conheço. Mendes Júnior conheço, UTC conheço, Constran nunca tive contato, Engevix conheço, IESA conheço e Toyo Setal conheço. Foi solicitado que houvesse a possibilidade de essas empresas participarem da campanha (...) Era uma candidatura para o Rio de Janeiro.”
Tentáculos na Transpetro - O ex-diretor  afirma que o esquema também funcionava em pelo menos uma das subsidiárias da Petrobras, a Transpetro, cujo presidente, Sergio Machado, é indicado do PMDB. Paulo Roberto diz ter recebido das mãos do próprio Sergio Machado 500.000 reais, a título de propina pela contratação de navios – ele diz que recebeu porque se tratava de um negócio que precisava também do aval de sua diretoria. Sergio Machado preside a Transpetro até hoje. “A Transpetro tem alguns casos de repasse para políticos (...) Recebi uma parcela da Transpetro. Recebi, se eu não me engano, 500.000 reais. (Quem pagou) foi o presidente da Transpetro, Sergio Machado (...) Foi devido à contratação de alguns navios e essa contratação depois tinha que passar pela Diretoria de Abastecimento (...) Esse valor me foi entregue diretamente por ele (Sérgio Machado) no apartamento dele, no Rio de Janeiro.”  
PT liderava rateio da propina - Costa também afirmou que a maior parte da propina cobrada na Diretoria de Abastecimento era dividida entre o PP e o PT. Ela afirma que dos 3% pagos pelas grandes empreiteiras por contratos fechadas com a Diretoria de Abastecimento, 1% ia para o PP e 2% iam para o PT. O ex-diretor revelou que a parcela que cabia ao caixa petista era administrada pela Diretoria de Serviços, encarregada de organizar as principais licitações da Petrobras, e comandada por Renato Duque, indicado do PT, que tinha como padrinho o mensaleiro José Dirceu.
“Dos contratos da área de Abastecimento, dos 3%, 2% eram para atender o PT através da diretoria de serviço. Outras diretorias, como Gás e Energia e como Exploração e Produção, também eram (do) PT. Então se tinha PT na Exploração e Produção, PT na Diretoria de Gás e Energia e PT na área de Serviços. O comentário que pautava lá dentro da companhia é que nesse caso os 3% ficavam diretamente para o PT. O que rezava dentro da companhia é que esse valor seria integral para o PT. A Diretoria Internacional tinha indicação do PMDB. Então tinha recursos que eram repassados para o PMDB na diretoria Internacional.”
Cartel de empreiteiras - O ex-diretor informou ainda que  a organização criminosa que operava na estatal era muito mais sofisticada do que parecia. Segundo ele, havia um cartel de grandes empreiteiras que escolhia as obras, decidia quem as executaria e fixava os preços.  Era como se a companhia tivesse uma administração paraestatal. 
Costa listou oito empreiteiras envolvidas no cartel: Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Galvão Engenharia, Iesa, Engevix, Mendes Junior e UTC – e os nomes de seus interlocutores em cada uma delas. As empreiteiras superfaturavam os custos e repassavam até 3% do valor dos contratos para os “agentes políticos”. No caso da diretoria de Abastecimento, comandada por Paulo Roberto Costa,o dinheiro desviado era dividido entre o PT, o PMDB e o PP. “Na realidade o que acontecia dentro da Petrobras, principalmente a partir de 2006 para frente, era um processo de cartelização", afirmou.
“Ficou claro para mim esse, entre aspas, acordo prévio entre as companhias em relação às obras. Existia claramente e isso me foi dito pelas empresas que havia uma escolha de obras dentro da Petrobras e fora da Petrobras. Por exemplo, usina hidrelétrica de tal lugar, neste momento qual empresa  está mais disponível para fazer? E essa cartelização obviamente resulta num delta preço (diferença de preço) excedente", prosseguiu. “Na área de petróleo e gás, essas empresas, normalmente, entre os custos indiretos e seu lucro, o chamado BDI, elas normalmente colocam algo entre 10 e 20%. O que acontecia especificamente nas obras da Petrobras? Por hipótese, o BDI era 15%? Então se colocava em média 3% a mais. E esses 3% eram alocados para agentes políticos. Em média, 3% de ajuste político.”
Esquema financiou 'várias' campanhas em 2010 - Segundo Paulo Roberto, as “empresas do cartel” tinham pleno conhecimento de que a propina servia para abastecer políticos e campanhas eleitorais. O ex-diretor da Petrobras afirmou que, nas eleições de 2010, o esquema financiou “várias” campanhas. Por impedimento legal,  o ex-diretor não pode revelar quais.
A propina do PP - Indicado pelo PP para a diretoria de Abastecimento, Paulo Roberto ficou milionário. Em apenas uma de suas contas no exterior foram encontrados 26 milhões de dólares.  Ele e o doleiro Alberto Youssef ficavam com um pedaço da cota de propina destina ao partido. “Do 1% que era para o PP, em média, obviamente que dependendo do contrato podia ser um pouco mais um pouco menos, 60% iam para o partido, 20% era para despesas, nota fiscal, envio, etc., e os 20% restantes eram repassados 70% pra mim e 30% para Janene ou Alberto Youssef (...) Eu recebia em espécie, normalmente na minha casa ou no shopping, ou no escritório depois que eu abri a companhia minha de consultoria (...) Normalmente (quem entregava era) ou Alberto Youssef ou Janene.”

Petrolão envolvia gente "de cima", diz Youssef à Justiça

O doleiro Alberto Youssef em depoimento

O doleiro Alberto Youssef em depoimento (VEJA)
O doleiro Alberto Youssef também prestou depoimento à Justiça – e também fez revelações surpreendentes. Disse que o esquema de desvios de dinheiro na Petrobras começou em 2005, comandado pelo o ex-deputado federal José Janene. O parlamentar, já morto, também foi envolvido no esquema do mensalão.

1% para o PP – 
A empresa que não topasse pagar 1% para o PP, segundo Youssef, não assinava o contrato. "Ela ganhava a obra. Se não pagasse, tinha ingerência política e do próprio diretor", disse o doleiro.Empresas dividiam pacote de obras – 
O doleiro revelou como funcionava a divisão de grandes obras da Petrobras. Ele informou que participou diretamente de várias dessas reuniões com as grandes empreiteiras, antes mesmo da licitação. "O conhecimento que tenho é que existia um acerto entre as empresas, não na questão das licitações, mas sim quando saía um pacote de obras na Petrobras. As empresas, elas entre elas, tratavam de se relacionarem e obterem quem ia ser o ganhador daquela obra", disse Youssef.
Doleiro aponta as empresas – O doleiro também confirmou os nomes de todas as empresas e dos diretores com quem negociou. A lista do doleiro inclui as empresas OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa, Galvão Engenharia, Engevix, Odebrecht, UTC, Jaraguá, Odebrecht e Tomé Engenharia, entre outras.
"Havia muitas pessoas acima de Costa" – Youssef afirmou que havia muitas pessoas no esquema acima de Paulo Roberto Costa na organização criminosa, incluindo “agentes públicos”. Advertido pelo juiz de que não poderia citar nomes de pessoas com foro privilegiado (deputados, senadores, ministros, presidente da República), ele não pode identificar a quem se referia. Na hierarquia da empresa, a diretoria de Abastecimento está subordinada à presidência da estatal, que responde ao ministro das Minas e Energia e, acima deste, o presidente da República.
“Em primeiro lugar quero deixar claro que não sou o mentor nem o chefe desse esquema. Na acusação diz que sou mentor e chefe da organização criminosa. Eu não sou. Eu sou apenas uma engrenagem desse assunto que ocorria na Petrobras. Tinha gente muito mais elevada acima disso, inclusive acima de Paulo Roberto Costa, no caso agentes públicos. Esse assunto ocorria nas obras da Petrobras e eu era um dos operadores”, disse Youssef

Supremo exclui ICMS do cálculo de tributos

O Supremo Tribunal Federal concluiu na noite de quarta-feira o julgamento sobre a inclusão ou não do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na base de cálculos de tributos sobre faturamento de empresas. Com sete votos contra dois, o Supremo decidiu por tirar o imposto, decisão que foi contra o interesse da União. Na prática, a decisão pode reduzir o valor devido à Receita Federal. O caso, que já se estendia desde 1999, vale especificamente para  a Auto Americano S.A. Distribuidora de Peças, mas abre um precedente contrário ao Fisco para dezenas de ações semelhantes em tramitação na Justiça. Outros processos semelhantes estão praticamente prontos para julgamento. Calcula-se que se a União fosse derrotada em todos esses casos pendentes, o impacto aos cofres públicos seria de 250 bilhões de reais, em valores atualizados. O Supremo deve julgar em breve outro recurso que discute a inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS e Cofins.

Embargo russo não impulsionou exportação de carne bovina em setembro

Rússia agora é o principal destino da carne bovina brasileira

Rússia agora é o principal destino da carne bovina brasileira (Dario Lopez-Mills/AP/VEJA)
As exportações de carne bovina do Brasil recuaram em setembro tanto em faturamento quanto em volume, mas um aumento dos embarques para a Rússia ajudou a evitar uma queda ainda maior, informou nesta quinta-feira a Abiec, associação que reúne as indústrias exportadoras do país. Os embarques de setembro totalizaram 564,9 milhões de dólares, redução de 9% ante setembro de 2013. O volume embarcado foi de 118,2 mil toneladas no mês passado, queda de 16,3% na comparação anual. Ante agosto, a queda nas exportações foi de 12% em faturamento e 11,8% em volume. "Mesmo com uma pequena retração nas exportações no mês de setembro, estamos confirmando a expectativa de crescimento constante ao longo do ano. Nossa perspectiva para os três últimos meses continua positiva", disse o presidente da Abiec, Antônio Jorge Camardelli, em nota, sem detalhar o que levou à queda. Na contramão das exportações do setor, os embarques para a Rússia (principal destino da carne bovina brasileira) cresceram no mês passado. Em setembro de 2014, foram enviadas para à Rússia 35,1 mil toneladas, com faturamento de 153 milhões de dólares, alta de 13% e 25%, respectivamente. "Os números positivos já podem ser reflexos da habilitação de novas plantas para exportação, anunciada em agosto último, confirmando expectativas de crescimento das vendas para o mercado russo", disse a Abiec, em nota. Em agosto, o diretor-executivo da Abiec, Fernando Sampaio, disse em entrevista à Reuters que as exportações deveriam ser maiores no segundo semestre em comparação ao primeiro. O governo russo anunciou em agosto que aumentaria as importações de carne e laticínios do Brasil, depois dos embargos impostos aos produtos americanos e europeus, em meio à crise da Ucrânia.
Ano -  As exportações de carne bovina do Brasil nos primeiros nove meses do ano acumulam alta de quase 11% em faturamento (para 5,3 bilhões de dólares) e cerca de 7% em volume (1,164 milhão de toneladas) na comparação com 2013. "Hong Kong e Rússia continuam sendo os principais importadores da carne bovina brasileira, com crescimentos constantes ao longo do ano", disse a entidade, em nota. Cada um dos dois destinos comprou mais de 1 bilhão de dólares em carne bovina do Brasil este ano. A Abiec estima que a indústria feche 2014 com recordes, acima de 1,8 milhão de toneladas e receita perto de 8 bilhões de dólares.

Em nota, PT ataca "vazamento" de depoimento de ex-diretor da Petrobras

CPI mista da Petrobras recebe ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, no Congresso Nacional, em Brasília (DF) - 17/09/2014

CPI mista da Petrobras recebe ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, no Congresso Nacional, em Brasília (DF) - 17/09/2014 (Ueslei Marcelino/Reuters)
A direção nacional do PT se manifestou nesta quinta-feira sobre as declarações do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, à Justiça Federal. Entre as várias revelações que fez, Paulo Roberto Costa afirmou que a propina do PT no esquema do Petrolão era administrada pelo tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto – e que o partido ficava com a maior parte do dinheiro cobrado na Diretoria de Abastecimento. Ele afirmou que, dos 3% pagos pelas grandes empreiteiras por contratos fechadas com a diretoria, 1% ia para o PP e 2% iam para o PT. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou que repudia “com veemência e indignação” as declarações “caluniosas” do ex-diretor da Petrobras. Por meio de nota, Falcão afirmou que o PT “desmente a totalidade das ilações de que o partido teria recebido repasses financeiros originados de contratos com a Petrobras”. “Todas as doações para o Partido dos Trabalhadores seguem as normas legais e são registradas na Justiça Eleitoral”, diz o texto. O partido ainda afirma que “estranha” a repetição de vazamentos de depoimentos no Judiciário e ressaltou que não há provas para as acusações. “Lamentamos que estejam sendo valorizadas  as palavras do investigado, em detrimento de qualquer indício ou evidência comprovada”, disse. De acordo com Falcão, a Direção Nacional do PT, por intermédio dos advogados, analisa a adoção de medidas judiciais. 
Confira a seguir a íntegra da nota:
O PT repudia com veemência e indignação as declarações caluniosas do réu Paulo Roberto Costa, proferidas em audiência perante o mesmo juiz que, anteriormente, acolhera seu depoimento, sob sigilo de Justiça, no curso de um processo de delação premiada. O PT desmente a totalidade das ilações de que o partido teria recebido repasses financeiros originados de contratos com a Petrobras. Todas as doações para o Partido dos Trabalhadores seguem as normas legais e são registradas na Justiça Eleitoral. A Direção Nacional do PT estranha a repetição de vazamentos de depoimentos no Judiciário, tanto mais quando se trata de acusações sem provas. Lamentamos que estejam sendo valorizadas  as palavras do investigado, em detrimento de qualquer indício ou evidência comprovada. A Direção Nacional do PT, por intermédio de seus advogados, analisa a adoção de medidas judiciais cabíveis. Rui Falcão - Presidente Nacional do PT  

A presidente Dilma tem o dever moral e constitucional de cobrar que a candidata Dilma seja mais responsável e pare de dizer mentiras

Eu não quero falar com a candidata Dilma Rousseff, que concorre à Presidência da República pelo PT. Sou tolerante. Sei que aqueles que disputam eleições são meio falastrões às vezes. Encantam-se com o som da própria voz e acabam falando uma sandice ou outra. Eu quero falar é com a presidente Dilma Rousseff. Eu quero é falar com aquela senhora que, mesmo disputando votos, continua a ser a suprema mandatária do País; continua com todas as prerrogativas quase imperiais de que dispõe um chefe do Executivo em nosso país; continua a gozar dos benefícios verdadeiramente milionários, pagos por nós, que garantem a alguém na sua condição mais do que a segurança e o conforto necessários.

Se a um candidato ou candidata se podem tolerar certos deslizes, da presidente da República é preciso cobrar responsabilidade, decência, verdade. Em visita à Bahia, Dilma fez duas coisas detestáveis, perigosas, nesta quinta-feira. 
Num ato de campanha em Salvador, depois de ter concedido uma entrevista absurda, Dilma resolveu demonizar Armínio Fraga, que será ministro da Fazenda de Aécio Neves caso este se eleja. Leiam:
“Uma coisa muito grave é quando eles implicam com o salário mínimo. Implicar com o salário mínimo é a maior característica desse ministro; aliás, desse senhor que foi presidente do Banco Central durante o governo Fernando Henrique Cardoso, que aparece como eventual ministro da Fazenda, que não vai ser. Ele não gosta do salário mínimo. Eles acham que têm que reduzir o salário mínimo para resolver as questões sociais do Brasil. Isso é a típica proposta que fez com que o país quebrasse três vezes. Isso é um escândalo”.
A fala da candidata Dilma é mentirosa. A da presidente Dilma é irresponsável. Atenção, senhores representantes da Justiça Eleitoral e do Ministério Público Eleitoral: nos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso, o mínimo teve valorização real — descontada a inflação, pelo IPCA — de 85,04%; nos oito anos de Lula, foi um pouco maior: 98,32%; nos quatro anos de Dilma, deverá ser de apenas 15,44%.
Destaco outro fato, leitores. Pela lei em vigência, o ano de 2015 será o último no qual será adotada a atual fórmula de correção do salário mínimo: variação da inflação do ano anterior e do PIB de dois anos antes. Isso foi definido pelo Congresso Nacional no início de 2011. O partido Solidariedade e Aécio Neves já apresentaram projeto que estende a atual fórmula até 2019 — um ano depois do fim do próximo mandato. Sabem quem decidiu combater o texto nos bastidores? O PT. O PT de Dilma Rousseff. Eu estou lidando com fatos.
Mas isso ainda nem foi o pior que fez a candidata Dilma Rousseff, esquecendo-se de que é também a presidente Dilma Rousseff, ela decidiu jogar brasileiros contra brasileiros; ela decidiu investir numa forma muito particular de guerra civil; ela decidiu hostilizar as regiões Sudeste e Sul do Brasil numa entrevista a uma rádio na Bahia.
Afirmou:
“Eles estão fazendo uma oposição ridícula entre Sudeste e Nordeste em termos de votos meus [...] O Sudeste não é oposto ao Nordeste. Então é uma visão absolutamente preconceituosa e elitista, dizendo que os meus votos são dos ignorantes e, os dos ilustrados, são deles. É um desrespeito. Como eles não andam no meio do povo, como eles não dão importância para o povo brasileiro, eles querem desqualificar o povo brasileiro”
Não! Quem está promovendo essa oposição é a própria Dilma. O que seus adversários apontam, aí, sim, é que ela faz a política do medo e aterroriza a população mais pobre com mentiras como a do salário mínimo.
Se existe preconceito, ele está embutido na fala da petista. A presidente Dilma tem o dever de cobrar que a candidata Dilma não tente vencer a eleição no berro, opondo todos contra todos. A presidente Dilma tem o dever de cobrar que a candidata Dilma seja mais responsável. A presidente Dilma tem o dever de cobrar que a candidata Dilma pare de promover a guerra entre os brasileiros. Por Reinaldo Azevedo

Marina Silva quer transformar sua derrota em vitória e faz política do fato consumado. Aí, não dá!

Estava previsto que Marina Silva anunciasse nesta quinta-feira seu apoio ao tucano Aécio Neves. Ela o faria depois de reunião com os partidos que sustentaram a sua candidatura. No começo da madrugada, ela recuou e decidiu não participar do encontro. Em vez disso, juntou-se a um grupo da Rede e elaborou uma carta com exigências ao candidato tucano. Depois de ela própria ter dito que mais de 60% do eleitorado cobram mudança, sinalizando adesão a Aécio Neves e de esse comportamento ter sido saudado por muita gente, ela deu vários passos para trás.

Agora Marina Silva quer que o candidato tucano se comprometa a não dar apoio a um projeto de seu vice, Aloysio Nunes Ferreira, que permite que, em casos excepcionais, menores possam ser responsabilizado por crimes hediondos. Ela também exige que o candidato se comprometa a combater um projeto de lei que transfere para o Congresso a responsabilidade sobre demarcação de terras indígenas. E quer ainda que ele se comprometa com metas de reforma agrária propostas pelo MST. E, claro!, que adote o tal crescimento com sustentabilidade.
Líderes da Rede estão dizendo nos bastidores que a urgência não é de Marina Silva, mas de Aécio Neves. O texto ainda vai adiante: afirma que o desejo de mudança “foi tragado para dentro da velha polarização PT x PSDB” e que, “nessa encruzilhada, nenhum dos caminhos aponta para uma saída política de profundidade, capaz de reduzir as desigualdades sociais promovendo a plena cidadania”.
Não dá! Bem, não sei o que vai fazer Aécio Neves, mas acho que Marina Silva deveria se lembrar que ela obteve 22.176.619 votos, e Aécio Neves, 34.897.211. Na prática, a candidata pretende que o programa que foi derrotado nas urnas se sobreponha ao que chegou à frente. Mais: as pesquisas eleitorais apontam hoje que, com ou sem Marina Silva, Aécio Neves venceria a disputa.
Eis Marina Silva: é uma liderança política que, tudo indica, pretende chegar sozinha ao poder. O que ela quer? Ganhar no tapetão? Impor o seu programa por intermédio da vitória de outro? Isso não é negociação, mas política do fato consumado.
Esse negócio de Marina Silva ter pouco apreço à palavra empenhada em nome da coerência conduz a uma contradição sem saída. Noto que Aécio Neves, para o seu próprio bem, jamais avançou o sinal e nunca pediu apoio a Marina. Ela é que decidiu se antecipar, para recuar em seguida.
Em 2010, ela já foi por aí e declarou a sua neutralidade. Não sei se Serra teria vencido com o seu apoio e não especulo. Uma coisa é certa: tivesse dependido dela, não teria conseguido do mesmo jeito. Marina só aceita fazer acordos políticos desde que o outro ceda. Isso explica muita coisa.
De resto, como esquecer: o MST é aquele movimento presidido por João Pedro Stédile, que subiu no palanque para demonizá-la, prometendo manifestações diárias caso ela se elegesse.Por Reinaldo Azevedo

ATENÇÃO - ATENÇÃO - OUÇA A INTEGRA DO DEPOIMENTO DE PAULO ROBERTO COSTA NA JUSTIÇA FEDERAL, É ESTARRECEDOR, O PT COMANDOU UM GIGANTESCO ASSALTO NA PETROBRAS, O PETROLÃO PAGOU A CAMPANHA FEDERAL DA PETISTA DILMA

"Homem da mala" citado pela contadora Meire Poza é operador do bandido petista mensaleiro José Dirceu

Personagem do escândalo de corrupção do Petrolão revelado por Meire Poza, ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, o jornalista petista Breno Altman é muito ligado a José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil do governo Lula condenado por chefiar a quadrilha do Mensalão do PT. Altman inclusive acompanhou José Dirceu à Polícia Federal, em São Paulo, quando o ex-ministro se entregou para cumprir sua pena de prisão na penitenciária da Papuda, em Brasília. Segundo a ex-contadora do doleiro preso há seis meses pela Operação Lava Jato, Breno Altman atuava como o “homem da mala”, entregando-lhe R$ 15 mil mensais, em espécie, para o pagamento de multa fixada pelo Supremo Tribunal Federal para o doleiro Enivaldo Quadrado, um dos condenados por integrar a quadrilha do mensalão. A oposição concluiu que esse fato é mais uma prova de que José Dirceu, chefe de Altman, comandava de fato a quadrilha do Mensalão do PT no governo Lula – o maior escândalo de corrupção da História, antes, é claro, do Petrolão revelado pela Operação Lava Jato, cujas dimensões parecem maiores e que ainda estão sendo apuradas pela Justiça. Breno Altman fez muitos desafetos na esquerda brasileira, que o acusam de “tombos” sucessivos, inclusive quando foi dono de uma editora, Scritta, que fracassou. Ele fez carreira aliando-se ao ex-prefeito de Santos (SP), David Capistrano Filho (PT), conhecido sanitarista, já falecido. Atualmente, além de prestar serviços a José Dirceu, o jornalista tem um site chamado “Opera Mundi”. Breno Altman se aproximou de José Dirceu, de quem hoje é principal “operador”, por causa de uma dívida de campanha de US$ 90 mil do ex-ministro junto a Capistrano. O jornalista, que deverá ser convocado para depor na CPMI do Petrolão, é de uma terceira geração de comunistas. O pai, Max Altman, um ex-industrial ligado ao PCB, continua no PT. Breno começou na APML (Ação Popular Marxista-Leninista), foi para o PCB e integrou o grupo de prestistas que migrou para o PT com David Capistrano. Altman é neto de Ralph Zumbano, um dos grandes nomes do boxe no Brasil, e sobrinho de boxeador Éder Jofre.

STF nega pedido de CPI e da petista Dilma para ter acesso à delação premiada de Paulo Roberto Costa

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, negou pedido da CPI mista da Petrobrás, da presidente Dilma Rousseff (PT) e do governador do Ceará, Cid Gomes (PROS), para ter acesso à íntegra da delação premiada feita pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa. O pedido do presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), foi feito na segunda-feira, 6, após Zavascki ter homologado, na semana passada, as cláusulas do acordo com Paulo Roberto Costa, que lhe permitiu deixar a carceragem da Polícia Federal em Curitiba (PR) para cumprir pena em regime domiciliar no Rio de Janeiro. O pedido de Dilma foi feito por meio do ministro da Justiça, o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo. Na resposta ao pedido da CPI mista, Zavascki disse que já enviou à comissão toda a documentação que estava em suas mãos referente ao caso, exceto a relativa à delação premiada. Na decisão que chegou à comissão ao meio dia desta quinta-feira, 9, o ministro do STF citou artigo da lei de 2013 que disciplina a delação premiada segundo a qual "o acordo só deixa de ser sigiloso assim que recebida a denúncia" pela Justiça. Argumentação idêntica foi usada para negar os pedidos de José Eduardo Cardozo e de Cid Gomes. Desde o dia 29 de agosto, Paulo Roberto Costa revelou em sucessivos depoimentos o esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobrás. Ele envolveu nomes de 32 deputados e senadores e um governador que teriam recebido propina. No despacho que homologou o acordo, da semana passada, Zavascki informa que "há elementos indicativos de possível envolvimento de várias autoridades detentoras de prerrogativa de foro perante tribunais superiores,  inclusive parlamentares federais, o que atrai a competência do Supremo Tribunal Federal". A CPI, o Executivo Federal e o governador argumentavam que, logo após a homologação do acordo de delação premiada, eles poderiam ter acesso à íntegra dos depoimentos. Há duas semanas, uma comitiva da CPI reuniu-se com Zavascki, com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e com o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, para pedir às autoridades cópia das declarações de Costa. O grupo recebeu de Zavascki e Janot a promessa de que vão ter acesso. Mas não ficou claro no encontro em qual momento processual isso vai ocorrer: se após a homologação do acordo de delação ou somente em um momento posterior, na apresentação das denúncias criminais pelo Ministério Público Federal. Um dia antes do encontro, o juiz federal do Paraná Sérgio Moro, responsável por conduzir os processos e inquéritos da Operação Lava Jato, havia negado pedido para a CPI ter acesso à delação. Após a negativa de Zavascki, a CPI mista ameaça entrar no próprio Supremo com um mandado de segurança a fim de que o plenário da Corte decida sobre se a CPI tem ou não direito à íntegra dos depoimentos de Paulo Roberto Costa.

Tesoureiro do PT operava propina da Petrobras, diz Costa; quadrilha operava ainda neste ano

No depoimento que prestou nesta quarta-feira à Justiça, o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, deu o nome dos operadores dos partidos que recebiam e administravam o dinheiro desviado da estatal. Ele afirma que a propina do PT era administrada pelo tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, que tratava diretamente com o então diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque. O operador da propina que cabia ao PMDB era o lobista Fernando Soares, também conhecido como Fernando Baiano: “Dentro do PT a ligação que o diretor de serviços tinha era com o tesoureiro na época do PT, o senhor João Vaccari. A ligação era diretamente com ele. Do PMDB, da Diretoria Internacional (comandada por Nestor Cerveró), o nome que fazia essa articulação toda chama Fernando Soares".

O esquema operando em 2014
A pedido do Ministério Público, Paulo Roberto deu explicações sobre uma planilha apreendida pela Polícia Federal em que aparecia uma lista de empreiteiras que, por meio dele, ajudariam nas eleições. Ele diz que a planilha se referia, especificamente, a empresas que poderiam fazer doações para a campanha de um candidato ao governo do Rio de Janeiro nas eleições deste ano. O nome do candidato não foi citado.
“Teve um candidato ao governo do Rio de Janeiro que me procurou, eu já tinha saído da Petrobras. Foi no início de 2014 e o objetivo era que eu preparasse pra ele um programa de governo na área de energia e infraestrutura de um modo geral. Participei de umas três reuniões com esse candidato e foi listada uma série de empresas que poderiam contribuir com a campanha que ele estava concorrendo. Ele me contratou para fazer o programa de energia e infraestrutura de modo geral. Listou uma série de empresas. Algumas que eu tinha contato e outras, não. Hope RH não conheço. Mendes Júnior conheço, UTC conheço, Constran nunca tive contato, Engevix conheço, IESA conheço e Toyo Setal conheço. Foi solicitado que houvesse a possibilidade de essas empresas participarem da campanha (…) Era uma candidatura para o Rio de Janeiro".
Transpetro
O ex-diretor afirma que o esquema também funcionava em pelo menos uma das subsidiárias da Petrobras, a Transpetro, cujo presidente, Sergio Machado, é indicado do PMDB. Paulo Roberto diz ter recebido das mãos do próprio Sergio Machado 500 mil reais, a título de propina pela contratação de navios – ele diz que recebeu porque se tratava de um negócio que precisava também do aval de sua diretoria. Sergio Machado é presidente da Transpetro até hoje. “A Transpetro tem alguns casos de repasse para políticos (…) Recebi uma parcela da Transpetro. Recebi, se eu não me engano, 500.000 reais. (Quem pagou) foi o presidente da Transpetro, Sergio Machado (…) Foi devido à contratação de alguns navios e essa contratação depois tinha que passar pela Diretoria de Abastecimento (…) Esse valor me foi entregue diretamente por ele (Sérgio Machado) no apartamento dele, no Rio de Janeiro".
Rateio da propina
Paulo Roberto Costa também afirmou que a maior parte da propina cobrada na Diretoria de Abastecimento era dividida entre o PP e o PT. Ela afirma que dos 3% pagos pelas grandes empreiteiras por contratos fechadas com a Diretoria de Abastecimento, 1% ia para o PP e 2% iam para o PT. O ex-diretor revelou que a parcela que cabia ao caixa petista era administrada pela Diretoria de Serviços, encarregada de organizar as principais licitações da Petrobras, e comandada por Renato Duque, indicado do PT, que tinha como padrinho o mensaleiro José Dirceu.
“Dos contratos da área de Abastecimento, dos 3%, 2% eram para atender o PT através da diretoria de serviço. Outras diretorias, como Gás e Energia e como Exploração e Produção, também eram (do) PT. Então se tinha PT na Exploração e Produção, PT na Diretoria de Gás e Energia e PT na área de Serviços. O comentário que pautava lá dentro da companhia é que nesse caso os 3% ficavam diretamente para o PT. O que rezava dentro da companhia é que esse valor seria integral para o PT. A Diretoria Internacional tinha indicação do PMDB. Então tinha recursos que eram repassados para o PMDB na diretoria Internacional.”
Cartel de empreiteiras
O ex-diretor informou ainda que a organização criminosa que operava na estatal era muito mais sofisticada do que parecia. Segundo ele, havia um cartel de grandes empreiteiras que escolhia as obras, decidia quem as executaria e fixava os preços. Era como se a companhia tivesse uma administração paraestatal.
Costa listou oito empreiteiras envolvidas no cartel: Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Galvão Engenharia, Iesa, Engevix, Mendes Junior e UTC – e os nomes de seus interlocutores em cada uma delas. As empreiteiras superfaturavam os custos e repassavam até 3% do valor dos contratos para os “agentes políticos”. No caso da diretoria de Abastecimento, comandada por Paulo Roberto Costa,o dinheiro desviado era dividido entre o PT, o PMDB e o PP. “Na realidade o que acontecia dentro da Petrobras, principalmente a partir de 2006 para frente, era um processo de cartelização”, afirmou.
“Ficou claro para mim esse, entre aspas, acordo prévio entre as companhias em relação às obras. Existia claramente e isso me foi dito pelas empresas que havia uma escolha de obras dentro da Petrobras e fora da Petrobras. Por exemplo, usina hidrelétrica de tal lugar, neste momento qual empresa está mais disponível para fazer? E essa cartelização obviamente resulta num delta preço (diferença de preço) excedente”, prosseguiu. “Na área de petróleo e gás, essas empresas, normalmente, entre os custos indiretos e seu lucro, o chamado BDI, elas normalmente colocam algo entre 10 e 20%. O que acontecia especificamente nas obras da Petrobras? Por hipótese, o BDI era 15%? Então se colocava em média 3% a mais. E esses 3% eram alocados para agentes políticos. Em média, 3% de ajuste político.”
Esquema financiou “várias” campanhas em 2010
Segundo Paulo Roberto, as “empresas do cartel” tinham pleno conhecimento de que a propina servia para abastecer políticos e campanhas eleitorais. O ex-diretor da Petrobras afirmou que, nas eleições de 2010, o esquema financiou “várias” campanhas. Por impedimento legal, o ex-diretor não pode revelar quais.
A propina do PP
Indicado pelo PP para a diretoria de Abastecimento, Paulo Roberto ficou milionário. Em apenas uma de suas contas no exterior foram encontrados 26 milhões de dólares. Ele e o doleiro Alberto Youssef ficavam com um pedaço da cota de propina destina ao partido. “Do 1% que era para o PP, em média, obviamente que dependendo do contrato podia ser um pouco mais um pouco menos, 60% iam para o partido, 20% era para despesas, nota fiscal, envio, etc., e os 20% restantes eram repassados 70% pra mim e 30% para Janene ou Alberto Youssef (…) Eu recebia em espécie, normalmente na minha casa ou no shopping, ou no escritório depois que eu abri a companhia minha de consultoria (…) Normalmente (quem entregava era) ou Alberto Youssef ou Janene.”