quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Neca Setubal, aliada de Marina Silva, declara apoio a Aécio Neves

Neca Setúbal (Maria Alice Setúbal) socióloga e educadora, responsável pelo programa de governo de Marina Silva

Neca Setúbal (Maria Alice) socióloga e educadora, responsável pelo programa de governo de Marina Silva ( Sergio Lima/Folhapress)
A coordenadora do programa de governo e amiga de Marina Silva, Maria Alice Setubal, a Neca, divulgou mensagem nesta quarta-feira, declarando apoio e voto a Aécio Neves, que disputa o Palácio do Planalto pelo PSDB. "Quero esclarecer que seguirei o posicionamento de Marina Silva, que no último domingo anunciou seu voto e apoio ao candidato Aécio Neves em um discurso claro e consistente", escreveu Neca, que é herdeira do Banco Itaú, em seu perfil no Facebook. Ela escreveu ainda que o apoio "tem como base princípios programáticos comuns às propostas das duas campanhas". Por ser de uma família de banqueiros, Neca foi um dos alvos favoritos dos ataques petistas no primeiro turno contra Marina. Em um dos programas de TV, a campanha de Dilma Rousseff chegou a afirmar que a ex-senadora era "sustentada por banqueiros". 

CNI aponta que o nível de confiança da indústria é a menor em 15 anos

Falta de confiança é "generalizada em todos os portes e segmentos de empresas", diz CNI

Falta de confiança é "generalizada em todos os portes e segmentos de empresas", diz CNI (Jefferson Bernardes/VEJA)
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), caiu 0,7 ponto em outubro em relação a setembro e atingiu 45,8 pontos, o menor patamar de toda a série histórica, iniciada em 1999. Esse é o sétimo mês consecutivo em que o índice fica abaixo da linha divisória dos 50 pontos, o que indica falta de confiança. Os indicadores da pesquisa variam de zero a cem pontos. Segundo o levantamento, a falta de confiança é "generalizada em todos os portes e segmentos de empresas". As indústrias de médio porte registraram a menor confiança, com 44,3 pontos, seguidas pelas de pequeno porte, com 45,9 pontos. Já o indicador das grandes indústrias foi de 46,5 pontos neste mês. Por segmento, a indústria de transformação teve a menor confiança, com 45,1 pontos, uma queda de 0,7 ponto ante setembro. A indústria da construção teve  recuo de 0,6 ponto no indicador no período, para 46,5 pontos. A indústria extrativa, cujo índice foi de 48,1 pontos neste mês, teve a maior redução frente a setembro: 2,5 pontos. A pesquisa foi feita entre 1º e 10 de outubro com 2.662 empresas de todo o país, das quais 1.019 são de pequeno porte, 992 são médias e 651 são de grande porte.

Aprovação de Obama atinge nível mais baixo de seu governo

A poucos dias das eleições legislativas dos Estados Unidos, uma pesquisa mostra um cenário desfavorável aos democratas. Segundo levantamento encomendado pelo jornal The Washington Post e pela rede ABC News, a administração Barack Obama atingiu o índice mais baixo desde que ele assumiu o cargo, em 2009. Apenas 40% dos entrevistados aprovam o presidente, um ponto a menos do que o verificado no levantamento realizado em setembro, enquanto 51% reprovam seu governo. Os 9% restantes não souberam responder. A margem de erro é de 3,5%. A mesma pesquisa mostrou que os cidadãos estão insatisfeitos com a liderança do presidente e com a política em geral. Dois em cada três americanos consideram que os Estados Unidos não estão seguindo o caminho certo, e seis em cada dez afirmaram que nem o presidente nem os membros republicanos do Congresso mostraram possuir um plano claro de governança. Quando perguntados sobre o que pensam a respeito dos dois principais partidos do país, os entrevistados foram impiedosos. Os democratas só receberam 39% de aprovação, o índice mais baixo em 30 anos, e pela primeira vez uma maioria, 51%, reprovou o partido. Já os republicanos só receberam 33% de aprovação. Segundo o Washington Post, muitos democratas temem que a impopularidade do presidente possa afetar o desempenho de candidatos do partido nas eleições de 4 de novembro, em que estão em jogo todos os 435 assentos da Câmara dos Deputados, 33 das 100 cadeiras do Senado e a chefia de 38 governos estaduais. Quando avaliada apenas a área econômica, a administração Obama obteve um resultado um pouco melhor, com 44% de aprovação e 51% de reprovação. Já pelas ações tomadas contra a ameaça representada pelos terroristas do Estado Islâmico, o presidente viu sua aprovação cair vertiginosamente em pouco tempo. No final de setembro, a aprovação nesta área chegava a 50%; agora, está em 35%. O pior resultado para o democrata, no entanto, foi registrado quando os pesquisadores abordaram o tema da imigração. Só 29% dos entrevistados aprovam as ações do presidente nessa área – uma queda de nove pontos percentuais em relação à pesquisa realizada em setembro. O levantamento mostrou ainda que o eleitorado republicano está mais motivado para votar na eleição de novembro. Entre os republicanos, 77% afirmaram que estão determinados a irem às urnas, contra 63% entre os democratas. As eleições de meio de mandato, como a que vai ocorrer em novembro, costumam ser vistas como uma espécie de "referendo" para avaliar a confiança no partido que ocupa a Presidência. Ao responder à pesquisa, 62% dos eleitores disseram que não vão levar em conta o desempenho do presidente na hora de votar. Mas, entre aqueles que consideram o presidente um fator em jogo, a maioria afirma que vai usar o voto para mandar um recado para a Casa Branca. Entre os eleitores republicanos, o índice chega a 46%. Entre os democratas, são 30% os que querem enviar uma mensagem de apoio a Obama por meio das urnas.

Aécio Neves se reúne com lideranças evangélicas em São Paulo

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, durante comício de campanha

Aécio Neves, durante comício de campanha (Rodolfo Buhrer/Reuters)
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, participou na manhã desta quarta-feira de um encontro com cerca de 400 lideranças evangélicas no bairro da Liberdade, na capital paulista. Entre os presentes estavam membros da Assembleia de Deus e da igreja Sara Nossa Terra. O senador eleito por São Paulo, José Serra, também participou do evento, que aconteceu no clube Hakka, a portas fechadas – segundo um dos membros da campanha, a pedido das próprias igrejas, que devem formalizar o apoio ao tucano em um grande ato público até o início da próxima semana.

Vendas de fertilizantes têm recorde no Brasil com demanda de sojicultores

A comercialização de fertilizantes no Brasil atingiu um recorde mensal de quase 4 milhões de toneladas em setembro, apagando a melhor marca da história do setor registrada em outubro de 2013, com a forte demanda de produtores de soja, que deverão plantar uma área jamais vista no País na temporada 2014/15. O volume de fertilizantes entregues ao consumidor final atingiu 3,9 milhões de toneladas no mês passado, crescimento de 9,4% na comparação com o mesmo período de 2013, segundo os últimos dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). O total comercializado superou a marca de 3,8 milhões de toneladas, de outubro do ano passado - normalmente, as entregas em agosto, setembro e outubro costumam ser as maiores do ano, quando os produtores estão se preparando para semear a safra de verão, a maior do País. "Isso para atender esta safra agora, plantio de soja e milho, basicamente... Para plantio de algodão tem alguma coisa também", afirmou nesta quarta-feira o diretor-executivo da Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil, Carlos Florence. Ele acrescentou que não houve antecipação de compras de adubos para a segunda safra de milho, que tem sido maior que a de verão nos últimos anos, por conta dos preços baixos do cereal, que têm deixado produtores cautelosos. No acumulado do ano, as entregas de fertilizantes no Brasil cresceram 7,3% ante janeiro e setembro de 2013, para 23,7 milhões de toneladas, caminhando para superar o recorde do ano passado em 2014, de 30,7 milhões de toneladas. O plantio de soja no Brasil, que tem puxado as vendas de adubos, deverá ficar entre 30,6 milhões e 31,8 milhões de hectares em 2014/15, alta entre 1,4 e 5,5% na comparação com 2013/14, segundo o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado no início do mês. Em condições normais de clima, o País poderia colher entre 88,83 milhões e 92,41 milhões de toneladas, superando o recorde de 86,1 milhões de toneladas de 2013/14, segundo a Conab. O diretor-executivo da Anda disse que a relação de troca de adubo por soja piorou para o produtor com a queda do preço da commodity em função da grande safra dos Estados Unidos, mas ressaltou que o produto entregue recentemente foi comprado quando a situação estava mais favorável ao sojicultor. Assim, ele acredita que as entregas em outubro poderão repetir os patamares vistos no mesmo mês do ano passado. Apesar da margem menor dos agricultores, Florence não acredita que eles vão reduzir a aplicação do insumo, uma vez que maiores produtividades decorrentes de uma boa adubação podem ajudar nas contas diante de uma queda de preços da commodity. Com o Mato Grosso semeando área recorde, as entregas em setembro no Estado somaram 644 mil toneladas. No acumulado do ano, as entregas no Estado somaram 4,74 milhões de toneladas, crescimento de 9% na comparação anual. Segundo Florence, o agricultor poderia até postergar um pouco o recebimento do fertilizante, por causa da falta de chuva para o plantio, que tem atrasado os trabalhos, mas ainda assim os volumes entregues estão elevados nas próximas semanas. Em setembro, produtores do Rio Grande do Sul receberam 590 mil toneladas de fertilizantes (2,9 milhões de toneladas no acumulado do ano). O Paraná veio em terceiro nas entregas em setembro, com 474 mil toneladas (3,14 milhões de janeiro a setembro).

TCU pode suspender pagamentos de obras do Comperj

Complexo Petroquímico do Rio Janeiro (Comperj), em Itaboraí

Complexo Petroquímico do Rio Janeiro (Comperj), em Itaboraí (Genilson Araújo Silva/VEJA)
O Tribunal de Contas da União pode suspender os pagamentos de contratos de 3,8 bilhões de reais relativos às obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), um dos maiores projetos da Petrobras. O tribunal deu início na tarde desta quarta-feira à leitura do voto do ministro José Jorge, que trata da gestão das obras do Comperj, que incluem construções que estavam sendo administradas pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, que está no centro de um escândalo de corrupção envolvendo o desvio de verbas da petroleira. O relatório, no entanto, não chegou a ser julgado em função de um pedido de vistas do ministro Bruno Dantas. Ele argumentou que não teve a oportunidade de ler com profundidade o processo. Segundo Jorge, uma auditoria identificou que foram tomadas decisões sem o devido suporte em análises estruturadas de risco, o que leva à conclusão de que a gestão do projeto por parte da estatal foi "temerária". Chamou a atenção também do relator as contratações de "grande vulto" que foram tomadas sem licitação para antecipar conclusão de obras. E, apesar de terem sido feitas contratações em regime de urgência, elas não foram entregues no prazo. "Contratações foram antieconômicas, efetivadas por valores superiores às estimativas de custos", disse o ministro. Os ministros do TCU sugeriram ao relator adotar uma medida cautelar para impedir que novos gastos sejam feitos. Jorge informou que vai estudar essa possibilidade, mas quer primeiro ver a real necessidade da ação para evitar mais atrasos em uma obra que já está fora do prazo. O Tribunal de Contas da União acompanha obras no Comperj, como a construção e montagem de tubovias desde 2012, ano em que foi detectada suposta irregularidade em licitação. O relator Jorge avaliou que há indícios de que a construção das tubovias, da Unidade de Coqueamento Retardado e da Central de Desenvolvimento de Plantas de Utilidade - todas obras sob a coordenação da diretoria de Abastecimento -  superaram as estimativas de custo. Segundo relatório do tribunal, essas obras atingem o montante “chamativo” de 7,6 bilhões de reais. "É estranho que tenhamos contratos de 7,6 bi de reais sem licitação no departamento de Paulo Roberto Costa", disse Jorge a jornalistas após a sessão. O relatório do TCU aponta ainda que a estimativa inicial do custo de conclusão de todo o complexo, de 8,4 bilhões de dólares, hoje chega a 47,7 bilhões de dólares, cabendo 85% desse valor diretamente à estatal.

Datafolha: Aécio tem 51%, e Dilma, 49%

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira mostra que o cenário continua o mesmo em relação à rodada anterior, finalizada no último dia 9 de outubro: o candidato do PSDB, Aécio Neves, tem 51% dos votos válidos (excluídos brancos e nulos), e a presidente Dilma Rousseff (PT) tem 49%. Como a margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, eles estão em empate técnico.

STJ mantém obrigação de disponibilidade de turbinas de hidrelétrica Santo Antônio

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça rejeitou pedido da Santo Antônio Energia e manteve a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) referente à exigência de disponibilidade das turbinas da hidrelétrica no Rio Madeira durante 99,5% do tempo. Com isso, a empresa continuará sendo penalizada quando não atingir o chamado "Fator de Indisponibilidade" (FID) exigido pela agência. A Santo Antônio Energia vem argumentando que esse índice de disponilidade das máquinas somente pode ser aplicado quando a usina estiver em plena operação, e não durante o período de motorização, quando ainda tem uma quantidade limitada de turbinas. Segundo cálculos da concessionária, se não houver uma mudança nessa exigência durante a motorização, a empresa pode ser onerada em cerca de 2,3 bilhões de reais até 2021. A empresa também está recorrendo dessa questão junto à Aneel e aguarda ainda julgamento por parte da agência. A Santo Antônio Energia tem entre seus sócios Caixa FIP Amazônia Energia (20%), a SAAG Investimentos (12,4%), a Odebrecht Energia (18,6%), Furnas (39%), do Grupo Eletrobras, e Cemig Geração e Transmissão (10%), do grupo Cemig.

Consultoria Macrométrica, com base no modelo Nate Silver, afirma que Aécio Neves será presidente com 52% dos votos

Projeção realizada pela consultoria Macrométrica, do ex-diretor do Banco Central, Francisco Lopes, indica que o candidato do PSDB, Aécio Neves, deve vencer a presidente Dilma Rousseff (PT) na disputa do segundo turno por quatro pontos percentuais de diferença, mais do que apontam as primeiras pesquisas no segundo turno e do que as projeções feitas no primeiro turno, mas ainda assim em confronto acirrado. Pelas contas da consultoria de Francisco Lopes, ex-diretor do Banco Central, serão cerca de 4,2 milhões de votos a mais, contingente equivalente aos eleitores de Goiás. Em agosto, na véspera do acidente que matou o então candidato do PSB, Eduardo Campos, a Macrométrica projetou a vitória de Aécio Neves por uma diferença de 2,6 pontos percentuais. Para isso, usou o modelo de análise do editor-chefe do site "FiveThirtyEight", Nate Silver, famoso por acertar o resultado em todos os 50 Estados na eleição presidencial americana de 2012. Com a morte de Eduardo Campos, Aécio Neves caiu para terceira posição com a entrada de Marina Silva na disputa, e as projeções passaram a apontar a vitória da candidata do PSB no segundo turno por 53,1% a 46,9%. Na nova projeção, que já leva em conta a conversão dos votos de Marina Silva no segundo turno, Aécio Neves chegará com 51,9% e Dilma com 48,1%. De acordo com a análise de Macrométrica, o percentual de votos não comprometidos caiu de 32,1% no primeiro turno para 10% nas primeiras pesquisas do Ibope e do Datafolha. Aécio Neves também registrou um fator de conversão de 71% contra 29% de Dilma.

Grupo português utiliza seus veículos de comunicação no Brasil para bater forte em Aécio Neves

O Ongoing Strategy Investments é um grupo empresarial português com operações nas áreas de telecomunicações, media e tecnologia, especialmente em Portugal e no Brasil. No Brasil, a Ongoing tem 29,9% do grupo EJESA, empresa que publica o jornal Brasil Econômico e os jornais Meia Hora e O Dia. Uma das executivas mais destacadas no grupo é a ex-mulher do bandido petista mensaleiro José Dirceu, Evanise Santos. Em Abril de 2012, o grupo comprou o portal IG. A Ongoing detém também participações no Banco Espírito Santo e no Espírito Santo Financial Group. A holding Espírito Santo Financial Group (ESFG), que tinha o controle do Banco Espírito Santo (BES), anunciou na semana passada que decretou falência, depois que o tribunal de Luxemburgo rejeitou o pedido de gestão controlada. Outras empresas da família Espírito Santo – a Rio Forte, que gerou o rombo de 900 milhões de euros na Portugal Telecom e a Espírito Santo International aguardam a decisão da justiça de Luxemburgo, onde tem sede.

Milton Nascimento recebe alta hospitalar após realizar cateterismo

O cantor e compositor Milton Nascimento recebeu alta na manhã desta quarta-feira, 15, no Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, depois de fazer um cateterismo. Segundo informações do boletim médico do hospital, a internação já estava programada e faz parte da avaliação cardiológica de Milton Nascimento. Ainda de acordo com o informe, o artista tem sido examinado no Incor desde agosto deste ano, sob coordenação do Dr. Sérgio Timerman. Em agosto deste ano, Milton Nascimento passou mal enquanto se apresentava ao lado de Criolo, no HSBC Brasil, em São Paulo. O músico sofreu uma queda de pressão, ocorrida durante a performance da música Ponta de Areia, uma de suas canções mais conhecidas. O show precisou ser interrompido e a apresentação que seria realizada no dia seguinte, no mesmo local, foi remarcada.

MInistro Gilson Dipp diz que delação premiada não pode ser compartilhada com CPI

O ministro Gilson Dipp, do Superior Tribunal de Justiça, afirmou nesta quarta-feira que o teor do acordo da delação premiada do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, à Polícia Federal, e trecho do conteúdo do depoimento dele, não podem ser compartilhadas com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada no Congresso para apurar as acusações do executivo contra agentes políticos. “Esse acordo não pode ser compartilhado com qualquer instituição enquanto há a investigação”, afirmou. “Ela (delação) possibilita que a polícia e o Ministério Público investiguem para a obtenção de prova”, disse. O sigilo deve durar até o recebimento da denúncia a ser formulada pela Polícia Federal e o Ministério Público à Justiça. Por envolver políticos em exercício de mandato, segundo Dipp, a denúncia deve ser entregue ao Supremo Tribunal Federal. “Pela primeira vez um acordo de colaboração premiada está se dando dentro do Supremo Tribunal Federal, em uma ação em que parte desse acordo diz respeito a agentes políticos com foro privilegiado”, afirmou. O ministro convocou coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira para comentar a legislação sobre delação premiada, na qual afirmou que o acordo vale para que se investigue formação de “organizações criminosas”. De acordo com o Dipp, a delação é resguardada enquanto se apura novos avanços da investigação e se caracteriza apenas no caso de formação dessa organizações. “A colaboração é um acordo de vontades entre o acusado e seu defensor com o Ministério Público e/ou a polícia para que, voluntariamente, se esclareça alguns fatos e circunstancias que possam levar a autoria mais ampla de crimes, coautoria, recuperação de bens, localização, por exemplo, de uma pessoa sequestrada”, disse. O magistrado do Superior Tribunal de Justiça afirmou ainda que apenas quando a ação for entregue ao Supremo é que o conteúdo total da delação poderá ser compartilhada e tornada pública integralmente. Até lá, na avaliação do ministro, a CPI não poderá ter acesso à delação do ex-diretor da Petrobras. Caberá ao Supremo também decidir se reúne as diversas ações penais envolvendo a Petrobras em um único processo penal. “O acordo é uma reserva de jurisdição. Ela poderá ser compartilhada mais adiante, mas não enquanto estiver no andamento da investigação”, disse.

Se STF não mudar maioria já formada, haverá ainda mais roubalheira nas estatais e mais caixa dois

É espantoso que, dados os dias que vivemos, vejamos políticos na televisão — e aconteceu isso ainda na terça-feira — a defender o fim do financiamento privado de campanhas políticas, asseverando, de forma indireta, que as sem-vergonhices em curso no Brasil, muito especialmente Petrobras, derivam do fato de não haver financiamento público no País. É uma piada grotesca, na qual, infelizmente, embarcam amplos setores da imprensa, a Ordem dos Advogados do Brasil, ONGs que se dizem favoráveis à moralidade na vida pública e, infelizmente, a maioria do STF — que, se não mudar, caminha para considerar inconstitucional o financiamento privado. Será, sem dúvida, uma decisão notável porque, a ser assim, o País está fora da lei que ele mesmo votou há muitos anos. Realizamos, então, sete eleições diretas, depusemos um presidente, demos posse à oposição, tudo ao arrepio da Constituição! Eu fico aqui a bradar para que me expliquem, e não há quem possa fazê-lo: o que a safadeza em curso na maior estatal brasileira tem a ver com financiamento de campanha? O dinheiro que foi roubado na Petrobras — e, segundo Paulo Roberto Costa, o método é o mesmo em toda a administração pública — destinava-se mesmo ao processo eleitoral? Foi só para fazer caixa de partidos? No dia em que o Tesouro arcar com o custo bilionário das campanhas — em parte, já o faz —, então os diretores nomeados para as estatais não mais obedecerão a orientação partidária? Então os que não conseguiam ser decentes com a legislação anterior passarão a se comportar de acordo com os as novas regras? Tenham paciência! Enquanto o governo federal puder nomear livremente 25 mil pessoas — e Estados e municípios, outros muitos milhares —; enquanto um Estado gigante e seus tentáculos estatais estiverem a estrangular o País; enquanto a lógica for a da vitória das urnas para se apoderar da coisa pública, acreditem: não há saída. Instituir o financiamento público vai apenas sangrar um pouco mais os cofres. Paulo Roberto já contou como atuava, por exemplo, a diretoria de Serviços da Petrobras, então sob o comando do PT: a fraude começava já na pré-seleção das empresas que fariam determinada obra. A nova lei eleitoral seria capaz e coibir isso? No dia em que se proibir o financiamento privado de campanha, a consequência óbvia será apenas o aumento exponencial do caixa dois. O dinheiro que hoje está por dentro se somará àquele que já está por fora. Os países que proíbem o financiamento privado são as exceções, não a regra. E deve haver um bom motivo para isso, que não o excesso de sagacidade ou de moralidade.

Aécio Neves diz que, para sair do buraco, é preciso tirar o PT do poder

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, rebateu nesta quarta-feira, 15, as críticas de sua adversária, a presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, sobre sua gestão no governo de Minas Gerais. Depois de ironizar a petista destacando que ela conhece muito pouco o Estado em que nasceu, ele lembrou um provérbio que diz que se alguém quer sair de um buraco, a primeira coisa a fazer é parar de cavar: "Então, a primeira coisa que precisamos fazer para sair do buraco é tirar o PT do poder". Ao falar sobre a gestão de sua adversária neste segundo turno da corrida presidencial, Aécio Neves disse não saber a razão que leva Dilma a querer vencer este pleito: "Vencer pra quê? Ninguém sabe para qual caminho ela vai levar o Brasil". O tucano convocou a presidente a fazer uma campanha propositiva nesta reta final de segundo turno. "Convido Dilma a deixar o gueto da difamação, da calúnia e da infâmia, vamos discutir o Brasil em alto nível, com propostas para a geração de emprego e para a retomada do crescimento", emendou. O presidenciável tucano disse que essa campanha, "talvez influenciada pelo seu marqueteiro e pelo desespero, de desconstrução, ódio e rancor, não leva a nada". E, ao citar as propostas que pretende levar à arena política, disse que, se for eleito, quer ser conhecido como o presidente que revolucionou a educação no Brasil. Na rápida entrevista coletiva, Aécio Neves disse que, nesta quarta-feira, no Dia do Professor, assumia o compromisso com a educação e com a valorização da categoria. Este tema, aliás, foi usado pela campanha petista, no horário eleitoral do rádio, para criticar a gestão do tucano em Minas Gerais. Antes de participar do ato político, Aécio Neves assinou o documento da Abrinq, de compromissos com a infância e juventude. E disse que foi um dos mais importantes documentos que tinha assinado nesta campanha. No evento, que lotou o auditório de um clube da capital, o então candidato do PSDC à Presidência, José Maria Eymael, também estava presente para dar o seu apoio à candidatura de Aécio. O deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), que foi vice na chapa de Marina Silva, também compareceu, além de tradicionais aliados como o governador reeleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador eleito José Serra.

Cientistas inventam bateria de recarga rápida e vida útil de 20 anos

Cientistas da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura, anunciaram nesta quarta-feira, 15, que inventaram uma bateria de íons de lítio capaz de atingir 70% de sua capacidade em dois minutos de recarga e que dura até 20 anos, uma vida útil dez vezes maior que a atual. “Esta descoberta tem grande impacto em todas as indústrias, especialmente para os carros elétricos, já que os consumidores têm que suportar as contínuas recargas e uma vida útil pequena das baterias”, afirmou a universidade em comunicado. O professor Chen Xiaodong, diretor da equipe de pesquisa, disse que as novas baterias permitirão aos motoristas de carros elétricos fazer sua recarga em cinco minutos, o mesmo tempo gasto, mais ou menos, para encher o tanque de veículos movidos à gasolina. “Além disso, essa descoberta terá outro impacto importante, pois poderemos reduzir drasticamente os resíduos tóxicos gerados pelas baterias, já que as nossas duram dez vezes mais que a geração atual”, acrescentou o professor Chen. Os pesquisadores da universidade de Cingapura utilizaram um novo material gel de dióxido de titânio ao invés do tradicional grafite utilizado no pólo negativo (ânodo) das baterias de íons de lítio. A equipe transformou o dióxido de titânio em nanotubos, que são milhares de vezes mais finos que o cabelo humano, o que permite uma recarga muito mais rápida. Chen comentou que uma empresa está realizando testes e que a nova bateria chegará ao mercado nos próximos dois anos.

Líder do PT acha "muito difícil" votação na CPI mista da Petrobrás antes do 2º turno

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), afirmou nesta tarde que considera "muito difícil" realizar uma sessão da CPI mista da Petrobrás para votar requerimentos antes do segundo turno das eleições. Os oposicionistas pressionaram na terça-feira o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB), para convocar para esta quarta-feira uma reunião administrativa a fim de tentar chamar o tesoureiro do PT, João Vaccari, e o ex-diretor de Serviços Renato Duque, ambos citados por Paulo Roberto Costa como envolvidos no esquema de propina ao partido. A oposição também pretende aproveitar a reunião já marcada para a próxima quarta-feira, 22, em que vai ouvir o atual diretor de Abastecimento da estatal, José Carlos Cosenza, para chamar também o doleiro Alberto Youssef, cuja convocação já tinha sido aprovada pela CPI. Cabe ao presidente da CPI fazer a convocação da sessão administrativa. Contudo, para ocorrer a votação é necessário haver a presença de, pelo menos, 17 parlamentares. Sem a presença de integrantes da base aliada, a oposição sozinha não consegue garantir o quórum suficiente. Vital chegou a sugerir que se aproveite a reunião marcada para a semana que vem para tentar, se tiver quórum, transformá-la em votação de requerimentos. "Na semana da eleição, acho muito difícil (realizar uma sessão para se votar requerimentos). Se houver sessão, vamos participar, mas acho difícil haver condições para se transformar em sessão de votação", afirmou. Para o líder do PT, a oposição quer usar a CPI para estabelecer uma disputa política às vésperas do segundo turno. "É claro, eles (a oposição) sabem que não vão ter nenhum resultado de se fazer uma sessão da CPI agora, a não ser a disputa política", criticou.

O alcaguete Lula diz que Aécio Neves mente e nega ter feito convite a Armínio Fraga

O ex-presidente e alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr) divulgou nota nesta quarta-feira, 15, para negar que tenha convidado o então presidente do Banco Central, Armínio Fraga, para continuar no cargo quando venceu as eleições de 2002. Para Lula, Aécio "mentiu no debate da TV Bandeirantes". "Nunca fiz esse convite. É lamentável um candidato falsificar fatos históricos em um debate para a Presidência da República", escreveu o ex-presidente e X9 Lula. A possibilidade de permanência de Armínio Fraga no posto ou a sua colaboração com o governo do PT foi noticiada algumas vezes pela imprensa durante a campanha presidencial de 2002. As reportagens informavam que o comando do PT considerava importante esta sinalização para dar credibilidade ao novo governo. A informação, porém, nunca foi confirmada oficialmente por Lula nem por Armínio. Em 13 de dezembro de 2002, dia em que anunciou Henrique Meirelles como seu presidente do Banco Central, Lula agradeceu publicamente a Armínio Fraga pelo seu comportamento e o trabalho em parceria com Antônio Palocci, que chefiava a equipe de transição.

Enfermeira de Dallas com Ebola é transferida para hospital em Atlanta

A segunda enfermeira de Dallas que contraiu o vírus Ebola da primeira pessoa a ser diagnosticada com a doença nos Estados Unidos será transferida para o Hospital da Universidade de Emory, em Atlanta, nesta quarta-feira, disse a secretária nacional de Saúde e Serviços Humanos, Sylvia Burwell. A enfermeira viajou em um vôo comercial no dia anterior ao que começou a apresentar sintomas da doença, afirmou o diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, Tom Frieden, acrescentando que ela "não deveria ter viajado em um vôo comercial". Mas Frieden acredita que o risco para os passageiros que compartilharam o vôo da Frontier Airlines na segunda-feira com a enfermeira é "muito baixo", porque ela não vomitou no vôo e não estava sangrando. "Estamos colocando margens extras de segurança e é por isso que estamos contatando quem estava naquele vôo", disse. Frieden afirmou em teleconferência que a enfermeira tinha viajado para Ohio antes de saber que uma outra enfermeira do hospital estava com Ebola. As duas enfermeiras trataram de um liberiano que morreu no hospital Texas Health Presbyterian devido à doença. Frieden disse que a profissional de saúde, que foi diagnosticada com Ebola na terça-feira, vinha monitorando a si mesma por sintomas de Ebola e não relatou o fato de que a temperatura subiu ligeiramente antes de voltar para Dallas.

Michel Temer tenta atrair PMDB gaúcho para Dilma, inutilmente

A presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, e o vice, Michel Temer, durante evento na cidade de Jales, no interior paulista

A presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, e o vice, Michel Temer, durante evento na cidade de Jales
O vice-presidente Michel Temer (PMDB) tem tido um papel secundário até agora na campanha à reeleição. Dilma Rousseff nem mesmo costuma conversar com ele sobre estratégias eleitorais. Mas, no segundo turno, toda ajuda é válida: por isso, o peemedebista foi despachado para o Rio Grande do Sul com uma missão. Nesta quinta-feira, ele vai fazer um tour por cinco cidades do Estado na tentativa de atrair os peemedebistas para a campanha presidencial do PT. A tarefa é árdua - o PMDB gaúcho tem um histórico de oposição aos petistas. No primeiro turno desta eleição, a ala gaúcha da sigla se aliou a Marina Silva. Agora, caminha majoritariamente com Aécio Neves - inclusive porque o candidato do PMDB ao governo estadual, Ivo Sartori, disputa contra Tarso Genro (PT) e já declarou apoio ao tucano.

As barbaridades que Dilma disse sobre o ensino técnico, inclusive o de SP. Chamou 217 ETECs e 63 FATECs, com 288 mil estudantes, de “experimentais”. E o crime contra a educação cometido no primeiro ano do governo Lula

Já tratei deste assunto aqui na segunda-feira, ao analisar uma propaganda do PT, e terei de voltar a ele. A candidata do PT, Dilma Rousseff, disse, no debate da Band, algumas coisas cabeludas sobre o ensino técnico, inclusive o de São Paulo, o que evidencia um desconhecimento do assunto imperdoável para alguém na sua posição. Chegou a chamar as ETECs e as FATECs do Estado — respectivamente, as escolas profissionalizantes dos ensinos médio e superior — de “programas experimentais”. É uma barbaridade!

Dilma voltou a veicular uma inverdade espantosa, que está em sua propaganda eleitoral, sobre o ensino técnico no Brasil. Segundo ela, o governo FHC proibiu — imaginem vocês! — a construção de novas escolas. É uma mentira que começou a ser propagada em 2006. O parágrafo 5º da Lei 9.649, do governo FHC, estabelecia apenas que as escolas técnicas deveriam ser criadas pela União, mas em pareceria com estados e municípios.
Façam uma pesquisa. Como lembrei aqui na segunda de manhã, no governo FHC, foi instituído o Programa de Expansão da Educação Profissional (Proep), com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Além de criar novas escolas técnicas estaduais e comunitárias, houve recursos para modernizar as federais já existentes. As matrículas nesses estabelecimentos cresceram 41% nos dois últimos anos do governo FHC. Eu estou apenas lidando com fatos. Mais. No horário eleitoral e no site da campanha, o PT diz que as gestões petistas criaram “422 escolas técnicas”, e isso seria o triplo do que se fez em cem anos.
Pois é… Sabem quantas escolas técnicas geridas com dinheiro do estado existem só em São Paulo, que Dilma chamou no debate da Band de “experimentais”??? São 217 ETCs e 63 FATECs. Reitero: eu estou falando apenas de São Paulo. Há mais: como provou em 2010 Paulo Renato Souza, que fora ministro da Educação de FHC, entre 1998 e 2002, o governo tucano aprovou 336 projetos de escolas técnicas: 136 para o segmento estadual, 135 para o comunitário e 65 para as escolas técnicas federais. A partir de janeiro de 2003, primeiro mês do governo Lula, o Proep foi interrompido. Em 2004, o Ministério da Educação devolveu ao BID US$ 94 milhões não utilizados! Um crime!
Às vésperas da eleição de 2006, sem ter nada a oferecer na área, o governo petista retomou 32 projetos do Proep (de um total de 232 interrompidos), federalizou-os e saiu cantando vitória.
Isso que estou a afirmar aqui são apenas dados factuais. Os candidatos têm o direito de vender o seu peixe, e os leitores, o direito de saber a verdade. Atacar e se defender politicamente é do jogo. Mas mentir é falta grave.
Mais: o “Pronatec”, de Dilma, pesquisem, significou uma bela surrupiada no programa que o então candidato José Serra apresentou em 2010, que ele chamou de “Protec” — inspirado justamente nas FATECs e ETECs de São Paulo. A petista nem havia tocado nesse assunto em seu programa. Ok, antes copiar uma boa ideia do que ter um original e ruim.
O que não vale é esconder que o governo do PT jogou no lixo, em 2003, o programa de escolas técnicas que estava em curso; que o retomou a toque de caixa, de forma atrapalhada, em 2006 e que o partido só acordou para a realidade depois da eleição de 2010. Dilma chama de experimental uma rede de ETECs que conta com 221 mil alunos, distribuídos em 132 cursos e em 217 unidades, e uma rede de FATECs que soma 67 mil estudantes, com 67 cursos e 63 faculdades. Atenção! ETECs e FATECs são escolas de alta performance, não escolinhas mais-ou-menos para engordar estatísticas.
E tudo isso sem um tostão do governo federal. Só com o dinheiro dos paulistas. Por Reinaldo Azevedo

Mas, afinal de contas, quem criou o Bolsa Família? Resposta: foi FHC! Afirmar que foi Lula é fraudar a história

Olhem aqui: já tratei deste assunto dezenas de vezes neste blog. Quem criou o Bolsa Família foi FHC, não Lula. “Mas o programa tinha esse nome, Reinaldo?” Não! Quem lhe deu esse apelido foi, sim, o chefão petista. Mas uma coisa não passa a ser outra porque alguém lhe mudou o nome. Como diria Julieta, a adolescente maluquete de Shakespeare, a rosa continuaria a cheirar bem se tivesse outro nome, não é mesmo? Dilma precisa ler Shakespeare. Dilma precisa ler.

Precisa ler, inclusive, o texto da Medida Provisória que impôs a unificação dos programas de transferência de renda criados por FHC, em outubro de 2003, depois convertida na Lei 10.836, de 9 de janeiro de 2004. Transcrevo:“programa de que trata o caput tem por finalidade a unificação dos procedimentos de gestão e execução das ações de transferência de renda do Governo Federal, especialmente as do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Educação – “Bolsa Escola”, instituído pela Lei n.° 10.219, de 11 de abril de 2001, do Programa Nacional de Acesso à Alimentação – PNAA, criado pela Lei n.° 10.689, de 13 de junho de 2003, do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Saúde – “Bolsa Alimentação”, instituído pela medida provisória n.° 2.206-1, de 6 de setembro de 2001, do Programa Auxílio-Gás, instituído pelo Decreto n.° 4.102, de 24 de janeiro de 2002, e do Cadastramento Único do Governo Federal, instituído pelo Decreto n.° 3.877, de 24 de julho de 2001.
Já que é assim, fotografo (clique na imagem se quiser ampliá-la).
Lei Bolsa Família
Fica claro que o Bolsa Família é a unificação do Bolsa Escola, criado em abril de 2001; do Bolsa Alimentação, criado em setembro de 2001, e do Auxílio Gás, criado em janeiro de 2002. Até o Fome Zero de Lula, inventado em junho de 2003, entrou na história, sem nunca ter existido. Mais: o texto deixa claro que a unificação do cadastro dos assistidos também já havia começado — a lei é de junho de 2001.
Atenção! À diferença do que disse Dilma, aqueles programas alcançavam cinco milhões de famílias — não de pessoas! Portanto, já chegavam a algo em torno de 25 milhões de indivíduos. O PSDB não fez propaganda do programa na eleição de 2002 porque pareceu ao partido que seria uma forma de exploração eleitoreira da pobreza. O PT não tem esses pruridos.
Reconhecimento
No evento de lançamento do Bolsa Família, na presença do então governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, Lula reconheceu que foi este quem lhe deu a ideia de juntar tudo num programa só. O petista o elogia por isso e diz que o estado está avançado na concessão desses benefícios. Acreditem no vídeo, não em mim. Está lá no meu blog.
Petistas costumam dizer também que os tucanos são contra o programa que eles próprios criaram e que o consideram uma esmola, que deixaria o povo preguiçoso. Mais uma vez, é preciso corrigir a história.
No dia 9 de abril de 2003, ao lado de Ciro Gomes, seu ministro da Integração Nacional, Lula fez o seguinte discurso contra o Bolsa Família:
Eu, um dia desses, Ciro [Gomes, ministro da Integração Nacional], estava em Cabedelo, na Paraíba, e tinha um encontro com os trabalhadores rurais, Manoel Serra [presidente da Contag - Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura], e um deles falava assim para mim: “Lula, sabe o que está acontecendo aqui, na nossa região? O povo está acostumado a receber muita coisa de favor. Antigamente, quando chovia, o povo logo corria para plantar o seu feijão, o seu milho, a sua macaxeira, porque ele sabia que ia colher, alguns meses depois. E, agora, tem gente que já não quer mais isso porque fica esperando o ‘vale-isso’, o ‘vale-aquilo’, as coisas que o Governo criou para dar para as pessoas.” Acho que isso não contribui com as reformas estruturais que o Brasil precisa ter para que as pessoas possam viver condignamente, às custas do seu trabalho. Eu sempre disse que não há nada mais digno para um homem e para uma mulher do que levantar de manhã, trabalhar e, no final do mês ou no final da colheita, poder comer às custas do seu trabalho, às custas daquilo que produziu, às custas daquilo que plantou. Isso é o que dá dignidade. Isso é o que faz as pessoas andarem de cabeça erguida. Isso é o que faz as pessoas aprenderem a escolher melhor quem é seu candidato a vereador, a prefeito, a deputado, a senador, a governador, a presidente da República. Isso é o que motiva as pessoas a quererem aprender um pouco mais.
Segundo Lula, como veem, “antigamente, quando chovia, o povo logo corria para plantar o seu feijão, o seu milho, a sua macaxeira, porque ele sabia que ia colher, alguns meses depois. E, agora, tem gente que já não quer mais isso porque fica esperando o ‘vale-isso’, o ‘vale-aquilo’, as coisas que o Governo criou para dar para as pessoas.”
Ou seja, o petista achava que programa de bolsa deixava o povo vagabundo. É que, em abril de 2003, ele ainda queria implementar o seu Fome Zero, que nunca saiu do papel.
Se outra prova faltasse, no ano 2000, num programa na TV, Lula ataca todas as concessões que o governo fazia aos pobres, considerando-as esmolas que, segundo ele, compravam a sua consciência. Vejam.
No debate, Dilma chamou de fabulação a história de que foi FHC quem criou o Bolsa Família. Foi, sim! Afinal, Romeu seria Romeu ainda que tivesse outro nome. A rosa teria igual perfume ainda que fosse conhecida por outro substantivo. E o Bolsa Família já era o Bolsa Família quando era chamado de modo diferente, no governo tucano. E atendia 25 milhões de pessoas, não cinco milhões.
Isso tudo são apenas fatos comprovados e documentados. Por Reinaldo Azevedo

AÉCIO FOI O MELHOR NO DEBATE. E COM FOLGA. SE VENCEU, AÍ, QUEM DIZ, É O ELEITOR. OU: SOBRE A VIOLÊNCIA

Por ocasião de debates anteriores, já observei neste blog que existe uma diferença entre ser o melhor e vencer o debate. Não adianta ter tido o desempenho mais robusto se o telespectador achar o contrário. Que Aécio teve uma performance superior à de Dilma no confronto da TV Bandeirantes da noite desta terça, isso me parece evidente. Seja porque argumentou com mais clareza — Dilma não é exatamente uma grande oradora —, seja porque procurou falar do país que teremos, não daquele que tivemos. Não que o PSDB precise se envergonhar de sua história. Afinal, um partido que tem no currículo o Plano Real, a estruturação do SUS e a criação dos programas depois apelidados de “Bolsa Família” pode se orgulhar de seu passado. Ocorre que o bem e o mal que tucanos e petistas fizeram ao Brasil ficaram para trás. Servem, sim, para instruir o futuro, mas não mais do que isso. Infelizmente — e lamento pelo país —, o PT luta apenas para contar uma versão dessa história — a sua. Parece não ter mais nada a oferecer.

O embate, desta feita, foi duro. O momento mais tenso foi quando Aécio pediu que Dilma olhasse nos seus olhos e disparou: “Não seja leviana. A senhora está sendo leviana”. A petista se calou. Ela o havia acusado de construir um aeroporto em terras de familiares, o que, de fato, é falso, já que a área tinha sido desapropriada. Tanto é assim que o Ministério Público recusou a denúncia criminal, e o Tribunal Superior Eleitoral proibiu que a campanha de Dilma explorasse o assunto no horário eleitoral.
A petista sacou o aeroporto quando ficou sem resposta diante das evidências de corrupção na Petrobras. Aécio acusou a adversária de não demonstrar indignação e cobrou uma, como direi?, inverdade que ela vive repetindo: a de que demitiu Paulo Roberto Costa da Petrobras. Não! Ele é que pediu demissão, e a ata que registra a sua saída o saúda pelos serviços prestados. O tucano poderia ter lembrado, adicionalmente, que ela deu um novo emprego a Nestor Cerveró depois que ele já havia deixado a empresa: o de diretor financeiro da BR Distribuidora. Segundo Costa e Alberto Youssef, Cerveró era o operador do PMDB na estatal.
Dilma  usou também o Mapa da Violência para afirmar que, na gestão Aécio, o índice de homicídios disparou em Minas. É falso. Ele governou o Estado entre 2003 e 2010. No período, segundo o Mapa, os mortos por 100 mil habitantes caíram em Belo Horizonte de 57,6 para 34,9; no Estado, de 20,6 para 18,1. Não acreditem em mim, mas no documento citado por Dilma. Eles estão aí abaixo.
Mapa da Violência - totais
Mapa violência - as capitais
Porto em Cuba
Dilma se enrolou para explicar o financiamento, pelo BNDES, de um porto em Cuba. Não disse, afinal de contas, por que os dados dessa operação são considerados secretos. Afirmou que a ação foi benéfica para empresas brasileiras, sem conseguir explicar por que os portos aqui no nosso país estão em petição de miséria.
Mais uma vez, voltou a ser assombrada pela inflação e pela frase de seu secretário de política econômica, que sugeriu que os brasileiros trocassem carne por ovo ou frango. A candidata deixou boa parte dos telespectadores boiando quando afirmou que a inflação se explica em razão de um “choque de oferta” de carne e energia. Em português, ela quis dizer que esses são produtos escassos neste momento, mas que tudo vai passar. Curioso! O governista Delfim Netto já dava essa explicação em abril deste ano. Estamos em outubro. Naquele caso, o choque de oferta era de outros produtos. Pois é… De choque de oferta em choque de oferta, a inflação vai ficando. A ser assim, alguém ainda nos sugerirá que troquemos os ovos pelas moscas.
Mas isso tudo foi fichinha perto do espetáculo de sandices “no que se refere”, como diria Dilma, ao Bolsa Família e ao ensino técnico. 
Há eleitores que votam em quem tem o melhor desempenho? Se há, Aécio pode comemorar. Até porque pegou Dilma no contrapé quando afirmou que parecia um debate entre dois candidatos de oposição. Afinal, ali estava a petista a prometer mudanças se reeleita. O que nunca entendi é por que não começa a mudar agora. Afinal, ela já é presidente da República. Por Reinaldo Azevedo

Governo Dilma barra convocação de tesoureiro do PT na CPI do Petrolão

Reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras para análise do plano de trabalho e de requerimentos - (14/05/2014)

Reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras para análise do plano de trabalho e de requerimentos 
Deputados e senadores governistas barraram nesta terça-feira a tentativa da oposição de convocar o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, para prestar esclarecimentos à CPI da Petrobras. Vaccari foi apontado pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa como um dos responsáveis pelo duto montado para desviar recursos para políticos e partidos governistas – PT, PMDB e PP. Oficialmente, o comando do colegiado alegou que não haveria quórum suficiente para aprovar os requerimentos e que ainda busca uma alternativa. A oposição reclamou: “Está claro que estão querendo segurar a ida do Vaccari. Mas alguma coisa tem de acontecer até a próxima semana. A gente quer uma sessão relevante antes das eleições”, disse o deputado Mendonça Filho (PE), líder do DEM na Câmara dos Deputados. “É evidente que a base do governo está agindo para evitar a ida do tesoureiro. E é mais evidente ainda que a base recebe orientação da presidente Dilma Rousseff, que tenta a reeleição”, afirmou o deputado Antônio Imbassahy (BA), líder do PSDB na Câmara. Os parlamentares decidiram se reunir nesta terça-feira após as novas revelações feitas à Justiça Federal por Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef. De acordo com Costa, o PT ficava com a maior parte do rateio da propina e o responsável por captar esse dinheiro era João Vaccari Neto. Ainda segundo o ex-diretor da Petrobras, Vaccari negociava diretamente com o então diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. No encontro realizado no gabinete do presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), os parlamentares pediram uma reunião emergencial para aprovar a convocação de Duque e Vaccari, cujos pedidos de audiência já foram apresentados, além de agendar a audiência do doleiro Youssef, que já teve a convocação aprovada, para o dia 22. Ness data, também está marcado o depoimento de José Carlos Consenza, diretor de Abastecimento que substituiu Paulo Roberto Costa na estatal. Vital prometeu entrar em contato com os líderes governistas para checar a viabilidade de uma convocação ainda nesta semana, mas admite ser “difícil” por causa das eleições. Como o colegiado é formado em sua maioria por deputados e senadores aliados do Palácio do Planalto, a presença desses parlamentares é obrigatória para que seja atingido o quórum mínimo para as votações. “Não há nenhum tipo de pressão. A função de investigação do Congresso Nacional não pode ser contaminada por um processo eleitoral que, em quinze dias, pode trazer consequências que não sejam aquilo que é dever do Congresso, que é apurar de forma limpa e imparcial os fatos”, disse. Nesta quarta-feira, Vital do Rêgo deve ingressar com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal para ter acesso à íntegra das delações premiadas.

Relator pede cassação do mandato de Luiz Argôlo

O deputado federal Luiz Argôlo (SDD-BA)

O deputado federal Luiz Argôlo (SD-BA) (Divulgação/Câmara dos Deputados/VEJA)
O deputado Marcos Rogério (PDT-RO), relator do processo contra o deputado Luiz Argôlo (SD-BA) no Conselho de Ética da Câmara, recomendou nesta terça-feira a cassação do mandato do parlamentar. Argôlo responde a dois processos por quebra de decoro parlamentar pelas revelações de sua estreita relação com o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato. Ele é acusado de receber dinheiro em troca de favores ao doleiro e de ter usado recursos da Câmara para viajar e se encontrar com Youssef. O parecer deve ser votado na próxima quarta-feira porque os deputados Pastor Eurico (PSB-PE) e José Carlos Araújo (PSD-BA) pediram vista do caso. Após ser analisado pelo Conselho de Ética, o parecer segue para análise do plenário da Casa. Segundo o relatório, Argôlo atuava "ora como cliente de Alberto Youssef, recebendo dinheiro para si próprio e outros beneficiários, ora como sócio". No documento, ele afirma que o parlamentar intermediava contatos com empresas e pedia ajuda ao doleiro para interferir em licitações. "Suas relações com Alberto Youssef, longe de serem apenas referentes à venda de um imóvel, envolveram tráfico de influência, a prática de negócios e pagamentos ilícitos, bem como possivelmente corrupção e lavagem de dinheiro. Tais atividades levaram o representado ao cometimento de atos claramente contrários à ética e ao decoro parlamentar."

Aécio Neves domina completamente o debate da Rede Bandeirantes

Sem os demais concorrentes para dispersar o duelo, o primeiro debate entre Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), na noite desta terça-feira, na Rede Bandeirantes, foi amplamente dominado pelo candidato de oposição, e marcado por trocas de acusações e pouca discussão de propostas para o futuro governo. A candidata petista Dilma Rousseff adotou uma estratégia maluca, de ataque constante aos governos de Aécio Neves em Minas Gerais. Ou seja, desqualificou o Estado mineiro completamente, em todas as áreas. Isso deve ter funcionado de maneira desastrosa para ela, que nasceu em Minas Gerais. Talvez já tenha adotado esse caminho sabendo dos resultados das últimas pesquisas, que apontam para uma derrota dela em Minas Gerais por uma lavada neste segundo turno. Os candidatos centraram suas falas em críticas a gestões passadas de ambos ou de seus partidos. Dilma abriu o debate afirmando que Aécio votou contra a CMPF, que ao ser extinta retirou R$ 260 bilhões para a saúde. A candidata à reeleição também acusou Aécio Neves de, quando governador de Minas Gerais, ter desviado R$ 7,6 milhões da saúde no Estado, o que gerou a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta no Tribunal de Contas de Minas Gerais. O tucano rebateu afirmando que o Ministério da Saúde do próprio governo petista considera Minas Gerais como o Estado com melhor qualidade de atendimento em saúde no Sudeste. Outra tônica do debate girou em torno das discussões sobre quem fala a verdade. Aécio Neves afirmou que a campanha petista foi marcada por mentiras e acusações "cruéis". Dilma devolveu o ataque afirmando que a propaganda tucana distorce a realidade ao reivindicar a paternidade do Bolsa Família. "Isso é fabulação", disse a presidente. A alta da inflação foi munição para Aécio Neves acusar Dilma de "fracassar na política econômica" do País. O tucano citou a recomendação do secretário da Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, de que a população consuma mais ovos e aves ao invés de carne devido à alta dos preços. "A senhora disse que a inflação está sobre controle e não está. É preciso ter humildade para confessar que vocês fracassaram', afirmou o tucano. Já Dilma fez referência ao ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, indicado por Aécio Neves como ministro da Fazenda em um eventual governo do PSDB, e criticou a gestão de Fernando Henrique Cardoso por deixar estourar o teto da meta de inflação por duas vezes. A petista questionou a escolha: "Como o senhor quer que eu acredite que, com a mesma receita e o mesmo cozinheiro, vocês vão entregar um prato diferente do que já entregaram para o Brasil?" O embate ficou acalorado quando Aécio Neves centrou fogo nas denúncias de corrupção na Petrobras, enquanto Dilma atacou com a polêmica sobre a construção de um aeroporto na cidade de Cláudio, próximo a uma fazenda de familiares do tucano. "A senhora está sendo leviana, candidata", respondeu Aécio Neves, utilizando a mesma expressão que empregou no debate da Rede Globo contra a então candidata à Presidência pelo PSOL, Luciana Genro. A petista Dilma ainda acusou Aécio Neves de nepotismo, afirmando que ele emprega parentes no governo de Minas Gerais: "Desafio o senhor a citar um parente meu no governo federal". "A senhora mente aos brasileiros para ficar no governo. A senhora fica na obrigação agora de dizer onde trabalha minha irmã", rebateu o senador, que ainda classificou a gestão petista como "mar de lama". Na sequência, os candidatos discutiram políticas para combate à violência contra a mulher. Dilma destacou os avanços a partir da Lei Maria da Penha e o tucano criticou a falta de transferência de recursos para os Estados investirem no tema. O senador questionou o financiamento do governo federal a porto de Cuba. Dilma respondeu que a obra é considerada estratégica para o mundo e fará aumentar as exportações, acusando o ex-governador de tratar o assunto com "leviandade". A paternidade do Bolsa Família voltou a elevar o tom da discussão. Aécio Neves insistiu em relacionar o programa à iniciativa anterior do PSDB, enquanto Dilma rebateu acusando o tucano de criar uma fábula sobre a origem do projeto.