sábado, 18 de outubro de 2014

O alcaguete Lula critica a imprensa: a brasileira e a estrangeira

O ex-presidente e alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr.) comparou neste sábado a trajetória que levou à eleição de Fernando Collor em 1989 como presidente da República à situação do candidato do PSDB, Aécio Neves. Lula disse que a imprensa instigou o povo contra sua candidatura e a favor de Collor na época, e que agora adota o “mesmo comportamento”. "Esse País muitas vezes comete equívoco. Em 1989, com medo de mim, do Ulysses Guimarães, do Leonel Brizola, do Mário Covas, muitas vezes instigado pela imprensa, esse País escolheu o (Fernando) Collor como presidente da República, dizendo que era o novo. E vocês sabem o que aconteceu nesse País. E o que a gente está vendo? É o mesmo comportamento. A imprensa brasileira, possivelmente na mão da elite, não admite nenhum governante que olhe para os mais pobres", disse o X9 Lula, aos gritos, sem mencionar o fato de que Collor hoje apóia o governo Dilma. "Eu era muito radical na época, nem a barba eu aparava. O povo até poderia ter medo de mim, mas o Ulysses era um homem de bem, o Brizola e Mário Covas tinham história, tinham tantos outros, mas, instigado pela imprensa, que tentava negar a política naquela época, o povo elegeu o Collor", disse o alcaguete Lula. Ele ainda fez duros ataques à imprensa internacional, citando a revista inglesa “The Economist”: "Se não bastasse a imprensa brasileira, é a revista The Economist pedindo voto para o adversário. É a revista mais importante do setor financeiro internacional, daqueles achacadores e que são exploradores. Essa revista que defende os bancos não quer a Dilma e sim o Aécio. Que o Aécio seja o candidato dos banqueiros, ótimo, mas a Dilma é a candidata do povo brasileiro. Não vai ter banqueiro brasileiro ou estrangeiro para dizer quem é bom para a gente votar. Eles têm que saber que o povo brasileiro não é gado". Logo ele, que há pouco tempo exaltava os ganhos que os bancos tinham tido nos governos do regime petralha, os maiores de toda a história. E logo ele, cujo partido recebeu as maiores doações dos bancos.

Dilma admite desvios no esquema de corrupção da Petrobras: ‘Houve, viu?’

A presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, admitiu neste sábado, pela primeira vez, que houve desvio de dinheiro público no esquema de corrupção na Petrobras citado em depoimentos de delação premiada pelo ex-dirigente da estatal Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef. Em entrevista coletiva no Palácio da Alvorada, Dilma afirmou que faria “o possível” para que os valores desviados sejam devolvidos aos cofres públicos. A presidente também demonstrou que o tom da campanha até o segundo turno da eleição continuará sendo de ataques contra o adversário Aécio Neves (PSDB). "Eu farei todo o meu possível para ressarcir o País. Se houve desvio de dinheiro público, nós queremos ele de volta. Se houve, não; houve, viu?" — afirmou a presidente, que não costuma admitir erros. Ela, no entanto, disse não saber estimar o valor do desvio. "Daqui para frente, a não ser que eu seja informada pelo Ministério Público ou pelo juiz, não tenho medida nenhuma a tomar, não é o presidente que processa. Eu tomarei todas as medidas para ressarcir tudo e todos, mas ninguém sabe ainda o que deve ser ressarcido, porque a chamada delação premiada, onde tem os dados mais importantes, não foi entregue a nós. Até eu pedi, como vocês sabem, tanto ao Ministério Público, quanto para o ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, mas ambos disseram que estava sob sigilo", disse Dilma. O órgão regulador do mercado americano, a Segurity Exchange Comission, abriu investigação para saber se o escândalo na Petrobras prejudicou acionistas. Beneficiado pela delação premiada, Paulo Roberto envolveu políticos do PT, do PMDB e do PP, base aliada do governo. As denúncias começaram a partir da Operação Lava-Jato, deflagrada em março pela Polícia Federal, para investigar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 10 bilhões ilegalmente. Sobre a citação do ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra, morto em março deste ano, na delação premiada de Paulo Roberto Costa, como receptor de propina para que esvaziasse a CPI da Petrobras em 2009, Dilma disse que não iria “comemorar” o vazamento seletivo, que antes havia atingido apenas partidos da base aliada, inclusive o PT. A presidente defendeu que todos os integrantes de partidos que tenha praticado “mal feitos” têm de pagar. "É interessante notar que os vazamentos seletivos acontecem para todos os lados. Isso não é bom, não vou aqui comemorar nada, só acho que o pau que bate em Chico, bate em Francisco. Essa é uma lei, né?" - pontuou Dilma. "Não acho que alguém no Brasil tenha a primazia da bandeira da ética. O retrospecto do PSDB não lhe dá essa condição, acho que não dá a partido nenhum. Todos os integrantes de partido que tenham cometido crime, delito, mal feito, têm de pagar por isso. Ninguém está acima de qualquer suspeita no Brasil", completou. De acordo com o jornal “O Estado de S.Paulo”, Paulo Roberto Costa afirmou na delação que o esquema de corrupção na estatal repassou R$ 1 milhão à campanha da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), em 2010. O marido da senadora, o atual ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e na época ministro de Planejamento, Orçamento e Gestão do governo Lula, foi quem teria recebido o dinheiro. Questionada se pretende amenizar os ataques contra o adversário tucano após ações no Tribunal Superior Eleitoral e críticas nos bastidores de integrantes da Corte em relação ao tom bélico da campanha, a presidente negou que o TSE tenha feito qualquer intervenção em sua campanha, alegando que as ações ainda não foram julgadas e, apesar de dizer que o baixo nível deve ser “superado”, deu demonstrações de que devem prevalecer os ataques a Aécio Neves nessa reta final. "Eu não concordo que o TSE teve qualquer intervenção na minha campanha. Gostaria de saber onde e quando. Acho que isso ainda será julgado. Eu acredito que o que é baixo nível da campanha é algo que deve ser completamente superado", disse Dilma.

Volume de água do São Francisco é o pior desde o início das medições, há 83 anos

O volume de água do rio São Francisco - tecnicamente chamado de vazão. A baixa está em relatórios estatísticos e fica clara quando se estuda o volume de água despejado no rio pelas represas das usinas. Na hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia, por exemplo, o volume devolvido ao rio caiu 23% na comparação da média dos anos entre 1931 e 1992 com a média entre 1993 e 2012. Não se pode dizer com certeza a causa: se pelo uso da água para abastecimento de uma população crescente, pela irrigação - a autorizada e a clandestina - ou pela terra que desliza das encostas desmatadas. Quando se olha o estado de degradação do rio, a sensação é que ele é vítima de tudo isso ao mesmo tempo. A estiagem dos últimos três anos é um agravante: acentua a evaporação nos seis Estados por onde passa. O rio corre hoje com 49 metros cúbicos de água por segundo. Trata-se do pior volume nos 83 anos de medição em seu leito e uma fração do volume normal, que é de 2,8 mil metros cúbicos por segundo. Os mineiros, especialmente os que vivem no norte do Estado, estão alarmados com os efeitos da estiagem no rio. Quem bem sintetiza a dimensão do estranhamento que tomou conta das pessoas é a empresária Janice Fiúza Figueira. Ela tem 80 anos e está impressionada: “Os antigos, quando eu era criança, falavam de uma seca que deixou o rio coberto de areia. Eu mesma nunca tinha visto nada assim”. Com a água se esvaindo, um cenário de desolação se instala. Não há trecho que escape. Na cidade de Iguatama, que se intitula a primeira a ser banhada pelas águas do "Velho Chico", nível do rio é tão baixo que forma poças. Em São Roque de Minas, quase ao sul do Estado, a nascente no Parque Nacional da Serra da Canastra secou. O ponto de partida do São Francisco não é um único veio de água, mas a reunião de vários nascedouros que se encontram para formar um córrego. A primeira nascente, mais robusta, que desce de uma serra, secou no fim de setembro pela primeira vez. O fenômeno foi um duro golpe no meio ambiente combalido. Entre julho e agosto, um incêndio consumiu 70% da vegetação nativa do parque. O silêncio na reserva, as árvores carbonizadas, as cinzas na vegetação rasteira e o ir e vir assustado de animais raros - do lobo-guará, do tamanduá-bandeira, do gavião do Chile - dão mais dramaticidade à nascente seca. A 150 quilômetros dali, em Iguatama, que se autointitula primeira cidade banhada pelo São Francisco, a cena é estarrecedora. No alto da ponte que corta o rio há uma imensa carranca - careta simbólica, esculpida em madeira, que é colocada nos barcos do São Francisco para espantar os maus espíritos da natureza. Sob a ponte, porém, percebe-se que o amuleto de pouco adiantou. O rio se transformou numa extensa poça barrenta, intercalada por ilhas de terra, lixo e galhos secos. Na tarde de quarta-feira, 8 de outubro, depois de ver uma foto do local no Facebook, o funcionário público Enilson Antônio da Silva, 49 anos, dirigiu 40 minutos de Lagoa da Prata, onde mora, à ponte de Iguatama. Lá, ficou perambulando, atônito. “Pensei que fosse montagem de computador e quis ver com meus olhos”, disse. “Como pode um rio desse tamanho ficar assim?” Um dos cenários mais impressionantes fica escondido na estrada de terra que liga os municípios de São Francisco, Pedra de Maria da Cruz e Januária, no extremo norte. Nas margens da estrada há uma floresta de árvores totalmente secas. Não há uma gota de água sob as pontes, incluindo na do Córrego Arrozal, afluente do São Francisco. O córrego virou estrada. “Ele é perene, nunca secou”, diz o agricultor João Gonçalo da Silva, o João Novelo, 56 anos: “Se não fossem as cisternas, a criação morreria de sede".

No ponto mais baixo da campanha, Lula comanda show de baixarias em Minas Gerais

Em um comício realizado em Belo Horizonte neste sábado - sem a presença de Dilma Rousseff -, o ex-presidente e alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr) ultrapassou os limites da inconsequência e comandou um show de baixarias e ofensas desmedidas contra Aécio Neves. Foi o ponto mais baixo da campanha até aqui. E não apenas desta campanha: desde 1989 o Brasil não assistia a um festival de ataques como os que o PT hoje protagoniza em uma campanha. Lula não apenas se utiliza das mesmas armas de que foi alvo na campanha contra Collor, como vai ainda mais longe. No comício, o ex-presidente citou o nome de Aécio Neves muito mais que o de Dilma, que se tornou personagem secundário dos discursos. A ordem era atacar, sem tréguas. Em um discurso precedido por insultos pessoais ao tucano, Lula disse que Aécio Neves usa violência contra as mulheres, por "experiência de vida", e a tática de "partir para cima agredindo". Ao comentar a estratégia do tucano contra Dilma Rousseff, o ex-presidente insinuou que Aécio Neves costuma bater em mulheres. "A tática dele é a seguinte, vou partir para a agressão. Meu negócio com mulher é partir para cima agredindo", afirmou Lula. O ex-presidente também classificou Aécio Neves de "filhinho de papai" e "vingativo". E o comparou a Fernando Collor. O mesmo Fernando Collor que hoje divide palanques com Dilma, como há uma semana, em Alagoas. Lula ainda voltou a mencionar o episódio em que o adversário deixou de soprar o bafômetro em uma bliz no Rio de Janeiro. O ato deste sábado deixou claro que a tática do PT na reta final da campanha, após o revés de Dilma Rousseff no debate do SBT, na quinta-feira, será a de expor a presidente Dilma como uma vítima das "grosserias" de Aécio Neves. Foi o que fez Lula neste sábado. "O comportamento dele não é o comportamento de um candidato. É o comportamento de um filhinho de papai que sempre acha que os outros têm de fazer tudo para ele, que olha com nariz empinado. Eu não sei se ele teria coragem de ser tão grosseiro se o adversário dele fosse um homem", disse o presidente. O ex-presidente comparou Aécio Neves a Fernando Collor porque, segundo ele, a eleição do ex-presidente (aliado do PT) foi fruto da pressão da mídia e de um falso discurso do "novo". "Em 1989, com medo de mim, com medo do Ulysses, do Brizola, com medo do Mário Covas, muitas vezes instigado pela imprensa, este País escolheu o Collor como presidente da República dizendo que era o novo. E vocês sabem o que aconteceu neste País". Lula também disse que Aécio Neves age como Carlos Lacerda, o estridente líder da oposição a Getúlio Vargas, ao mencionar o "mar de lama" para "esconder o próprio rabo". O petista afirmou que, quando governou Minas Gerais, o tucano perseguiu professores de forma mais intensa do que a ditadura. "Não conheço, em nenhum momento da história, nem no regime militar, um momento em que os professores foram tão perseguidos como foram em Minas Gerais", afirmou Lula. No vale-tudo, Lula tentou até subverter o tempo: indagou o que Aécio Neves fazia quando Dilma foi presa por enfrentar a ditadura - ignorando que, na época, o tucano tinha apenas dez anos de idade. Inacreditavelmente, Lula tentou definir o adversário com uma frase que resume de forma precisa a tática do PT: "É muito grave, porque as pessoas se acham no direito de desrespeitar os outros com muita facilidade e depois ir para a imprensa se passar de vítima. Não é possível". Mais cedo, antes de Lula entrar no palanque, o mestre de cerimônias do comício leu uma carta de uma psicóloga petista que atribui a Aécio Neves a prática de espancar mulheres e de uso de drogas, além de classificá-lo como "ser desprezível", "cafajeste" e "playboy mimado". Ela afirma que o tucano tem um "transtorno mental". Depois, o rapper Flávio Renegado, que discursou já na presença de Lula, do governador eleito Fernando Pimentel e de parlamentares petistas, disse que Aécio Neves costumava fazer festinhas regadas a "pó royal", uma gíria para cocaína. Durante o discurso de Lula, grande parte da militância presente emplacou um grito de "Aécio cheirador", sob a complacência de Lula - o mesmo que, minutos antes, se orgulhara de nunca ter agido de forma desrespeitosa em nenhuma das campanhas eleitorais das quais participou.

Pela primeira vez, a petista Dilma se vê obrigada e admite desvios monumentais de recursos públicos na Petrobras

A presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, viu-se obrigada e admitiu neste sábado que "houve desvio" na Petrobras, conforme denúncias do ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa. Foi a primeira vez que a presidente petista confirmou a existência de desvio. A confirmação pela candidata ocorreu durante entrevista coletiva na tarde deste sábado, no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, transformado em comitê eleitoral. "Se houve desvio de dinheiro público queremos ele de volta. Se houve não, houve, viu?", afirmou ela. Dilma afirmou também que o governo pretende pedir o ressarcimento de todos os recursos desviados pelo esquema comandado por Paulo Roberto Costa, com recursos desviados por meio de construtoras para financiar partidos políticos - entre eles, o PT, o PMDB e o PP. "Eu tomarei todas as medidas para ressarcir tudo e todos", disse: "Farei todo o possível para ressarcir o País". Se ela não fez nada durante 12 anos, o que iria fazer agora?

Aécio Neves critica campanha do PT em Porto Alegre e vai acionar Justiça para desmentir acusações

O candidato à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves, voltou a criticar neste sábado o tom adotado pela campanha da presidente Dilma (PT) e disse que o seu partido vai acionar a Justiça Eleitoral para desmentir acusações veiculadas na propaganda petista. Aécio cumpriu agenda em Porto Alegre junto com José Ivo Sartori (PMDB), que disputa com Tarso Genro (PT) o governo gaúcho. Ninguém desconstrói com mentiras algo que é concreto. Na verdade, a presidente, lamentavelmente, talvez pelo desespero que tem tomado conta da sua candidatura, infelizmente, talvez também pela distância que tem das questões de Minas Gerais, a cada momento solta dados absolutamente incorretos", afirmou o tucano, acrescentando ainda que a presidente se esquiva das discussões em torno gestão do PT no governo federal. "O fracasso na gestão do Estado Nacional, com as obras como sempre inacabadas ou paralisadas, muitas com sobre preço, e várias sob denúncia de pagamento de propinas". Aécio Neves falou também a respeito dos indicadores sociais que, segundo o tucano, pararam de crescer. “O governo fracassou também na melhoria dos nossos indicadores sociais. O inimaginável aconteceu. O analfabetismo voltou a crescer no Brasil, são coisas inimagináveis. Existe hoje uma crise no Ipea [Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas] em relação aos dados que vêm sendo divulgados pelo governo, que, segundo algumas denúncias, não correspondem exatamente aos dados do próprio Ipea".

Prefeitura de Belo Horizonte sob comando petista empregou ex-marido de Dilma

Além do irmão Igor Rousseff, o ex-marido da presidente Dilma (PT) Cláudio Galeno de Magalhães Linhares integrou o quadro da prefeitura de Belo Horizonte como funcionário comissionado. Ele exerceu cargo de confiança por cinco anos durante a administração do petista Fernando Pimentel (PT), recém-eleito governador de Minas Gerais, e de seu sucessor e então aliado Marcio Lacerda (PSB). Galeno atuou como consultor técnico especializado, nomeado para atuar diretamente no gabinete do prefeito, com salário que chega hoje a R$ 13.569,68. A nomeação do ex-marido de Dilma ocorreu em maio de 2005. Quatro anos depois, em janeiro de 2009, quando o mandato de Pimentel se encerrou, ele foi exonerado do cargo. Galeno voltou à prefeitura em abril de 2009, já na administração do recém-eleito Lacerda, dessa vez como gerente de primeiro nível da Gerência de Acompanhamento de Colegiados. O salário para esse cargo atualmente é de R$ 8.544,04. Segundo reportagem do Correio Braziliense, na gestão de Lacerda, que em seu primeiro mandato era apoiado pelo PT e pelo PSDB, Galeno integrou o Comitê Governamental de Gestão Participativa e também o Conselho Fiscal da Belotur, empresa municipal de turismo. Ele saiu da prefeitura em 5 de julho de 2010, data da publicação de sua exoneração no Diário Oficial do Município. Dilma Rousseff, Cláudio Galeno e Fernando Pimentel, que foi também ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior da presidente, eram amigos da época de juventude em Belo Horizonte. Na década de 1960, eles militavam no Comando de Libertação Nacional (Colina), organização de esquerda que combateu a ditadura militar. Galeno e Dilma se casaram em 1967, em um cartório civil com a presença de familiares e poucos amigos. O casamento não durou mais de dois anos. Em 1969, os dois militantes, já na clandestinidade, fugiram da capital mineira para o Rio de Janeiro. Pouco depois, Galeno foi para o Rio Grande do Sul, a pedido do Colina, e Dilma continuou no Rio de Janeiro. O militante participou, no ano seguinte, de sequestro de avião em Montevidéu, no Uruguai, e ficou refugiado em Cuba. Assim como Dilma, Galeno se casou novamente.

Os negócios dos Crivella

O senador Marcelo Crivella (à esq.), pouco antes de embarcar com a família e o sócio do filho (ao lado dele), Jon Phelps

O senador Marcelo Crivella (à esq.), pouco antes de embarcar com a família e o sócio do filho (ao lado dele), Jon Phelps (Reprodução/VEJA)
A campanha do senador e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus Marcelo Crivella para o governo do Rio de Janeiro retrata um homem simples, de vida franciscana, que doa tudo o que recebe com as vendas de seus discos e livros para um projeto social na Bahia. O próprio senador declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) patrimônio relativamente modesto para um campeão de vendas de discos gospel - 739.000 reais. Longe da propaganda eleitoral, no entanto, a vida de Crivella e de sua família não é tão trivial assim. Donos de dois imóveis na Flórida, nos Estados Unidos, e adeptos de confortos como jatos executivos e carros importados, os Crivella são homens de negócios. Desde o ano passado, dedicam-se a turbinar uma rede de escolas adquirida por um grupo americano e presidida pelo filho do senador, Marcelo Hodge Crivella, de 29 anos.
A rede comandada pelo jovem filho do senador é a Seven, que apregoa ter 10.000 alunos. Não é pequena, mas alimenta planos de se tornar ainda maior, multiplicando o número de filiais e espalhando-se pela América Latina. Para concretizar tal plano, os americanos já enviaram ao Brasil, por meio de uma offshore sediada em Luxemburgo, 64 milhões de reais. Crivella, o pai, aposta alto na empreitada. E não vê problema nem mesmo em se utilizar de suas prerrogativas como parlamentar e ministro da Pesca - cargo que ocupou de 2012 a 2014 - para impulsioná-la.
Na manhã de 10 de outubro de 2013, cinco executivos da empresa que comprou a Seven - a Full Sail, uma rede de ensino de computação e games sediada na Flórida - foram retidos no aeroporto de Manaus em sua primeira escala no Brasil, rumo ao Rio de Janeiro, onde fariam reuniões de trabalho. O motivo: dos cinco passageiros do jato Legacy prefixo N53NA, apenas quatro tinham visto de negócios. O quinto, Deepak A. Kumar, vice-presidente da Seven, tinha autorização para fazer turismo, mas o comandante do jato declarara que estavam todos ali a trabalho. Com o impasse instalado, os americanos se comunicaram com os Crivella - e o ministro imediatamente começou a trabalhar para liberá-los. Coube ao secretário-executivo do ministério, Átila Maia, enviar um ofício ao subsecretário-geral das comunidades brasileiras no exterior, embaixador Sérgio Danese, pedindo urgência na solução do imbróglio. "A pedido do ministro Marcelo Crivella, amigo do empresário norte-americano que mantém investimentos na área de educação no Brasil (...), muito agradeceria a Vossa Excelência a gentileza de instruir a divisão competente a emitir, com urgência, autorização para a liberação dos cinco passageiros", explicava a carta. "Conforme informação da Chefia da Polícia Federal em Brasília, o assunto já foi esclarecido." No mesmo dia, todos foram liberados.
Reprodução/VEJADocumento Ministério da Pesca
Documento Ministério da Pesca

Documento Ministério da Pesca
Não foi a primeira vez que Crivella fez um pedido do gênero aos serviços diplomáticos. Naquele mesmo dia, enquanto tentava liberar a entrada dos parceiros comerciais do filho no Brasil, seus antigos funcionários no Senado solicitavam ao Ministério das Relações Exteriores a emissão de dois vistos de entrada para designers americanos que a Seven estava trazendo para participar de um evento no país. Nesse caso, a interferência do ministro era necessária por causa dos prazos. Segundo e-mail enviado pelo gabinete do senador Eduardo Lopes, suplente de Crivella, ao Itamaraty, os designers tinham de desembarcar no Brasil impreterivelmente até o dia 23 de outubro - em 13 dias, portanto. Pedido feito, pedido atendido.
A história da associação entre o filho de Marcelo Crivella e os americanos é nebulosa. Formado em psicologia, Marcelinho trabalhava na área de licenciamento de marcas da Record, emissora controlada pelo bispo Edir Macedo, manda-chuva da Universal e tio de Crivella-pai, até ingressar na Seven, em junho de 2011. Seu dono era então o empresário Leandro Almeida, evangélico como Crivella. No mês seguinte, os americanos da Full Sail se aproximaram de Almeida com uma oferta de compra. A negociação se desenrolou de setembro de 2011 a novembro de 2012, quando foi fechada a venda de 80% da empresa por cerca de 100 milhões de reais. Feito o negócio, a Seven passou a ser controlada pela Artemis Distribution Lux, S.A, empresa que é a ponta final de uma cadeia de offshores. Criada em junho de 2012 em Luxemburgo, ela tem como principal acionista a Artemis Distribution Partners Canada - que por sua vez, é da Artemis Distribution LLC, de Delaware, paraíso fiscal em território americano. Nos documentos da associação, todas essas empresas aparecem ligadas a Jon Phelps, dono e fundador da Full Sail.
O negócio previa que Almeida mantivesse 20% da Seven e continuasse à frente da operação. Mas, assim que assinou contrato, ele foi excluído da sociedade, proibido de entrar nas escolas - e até hoje, não teria recebido nenhum centavo, embora a Artemis já tenha injetado na Seven 64 milhões de reais, conforme mostram atas públicas da rede de escolas. Hoje, o empresário move um processo contra os americanos - Crivella-filho, apesar de presidente, não é sócio da empresa - na Justiça do Rio. Na ação há e-mails, fotos e documentos que contam a história da tumultuada sociedade e revelam a proximidade forjada entre os americanos e Crivella-filho ao longo da negociação de aquisição.Outro conjunto de documentos, a que VEJA teve acesso, mostra ainda que, entre 2012 e 2013, as famílias Crivella e Phelps fizeram várias viagens e passeios nos Estados Unidos - especialmente pela Flórida, onde a mulher do senador, Sylvia Jane, tem dois imóveis. Numa dessas viagens, em janeiro de 2012, posaram todos para fotos em frente ao DC-3 mantido pelo dono da Full Sail - um avião que é o xodó de Phelps e figura no logotipo do grupo. Marcelinho, por sua vez, postava no Instagram fotos da viagem - como a que aparece em frente a um Camaro amarelo e entrando num jato executivo.
Entre um passeio e outro, os sócios da Seven aproveitavam o cacife do pai de Marcelinho para promover o próprio negócio. Entre março e abril, o filho de Crivella esteve no gabinete do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, para pedir patrocínio a um evento da Seven, a conferência de games CG Extreme. Saiu de lá com patrocínio de 120.000 reais e apoio da prefeitura para o evento. "Com o amigo prefeito do Rio hoje falando sobre grandes novidades para nossa cidade esse mês. Prefeito confirmou sua presença. E você, tá esperando o que?”, escreveu Marcelinho na legenda da foto com Paes que publicou no Instagram. Em outra ocasião, em junho de 2013, Phelps chegou até a pedir ajuda ao filho do senador para tentar marcar uma visita da presidente Dilma Rousseff à Full Sail em sua próxima viagem oficial aos Estados Unidos. A visita nunca aconteceu, mas a parceria entre eles deu frutos, e a Seven se engajou na pré-campanha de Crivella ao governo do Rio.
Num e-mail enviado a funcionários da Seven em 31 de julho do ano passado, Crivella-filho distribuiu tarefas e deu instruções sobre como montar a página do senador-candidato na internet. "Explorar imagens de que Crivella é um homem de família - casado há mais de 25 anos com Jane. Vamos trabalhar para passar o Garotinho logo!!", diz um trecho da mensagem. Procurado por VEJA, Marcelinho afirmou que os funcionários da Seven que hoje trabalham na campanha já se desligaram da empresa. Crivella-pai, por sua vez, nega qualquer relação entre a campanha e a empresa do filho.
Fabiano Silva/VEJACasa da família Crivella em Orlando (EUA)
Casa da família Crivella em Orlando (EUA)
​Embora a família Crivella tenha dois imóveis nos Estados Unidos, nenhum deles está registrado no nome do senador. O primeiro é um apartamento de 194 metros quadrados na região sul de Orlando, comprado pela mulher de Crivella, Sylvia Jane, em abril de 2011, e avaliado em 250.000 dólares pelos sites locais de busca de imóveis. O segundo é uma casa num condomínio do outro lado da cidade, também com valor estimado em cerca de 250.000 dólares. Crivella informa que o primeiro imóvel foi comprado por sua mulher com recursos próprios, já que Sylvia é escritora e tem uma loja de iogurtes. A casa, segundo ele, foi adquirida no ano passado pela filha, Débora - que mora na Flórida e trabalha na Full Sail, a dona da Seven no Brasil.
O senador diz ter ajudado na compra, contraindo um empréstimo junto ao Banco do Brasil - do qual, contudo, não revela o valor. Embora Crivella afirme que a operação está registrada em sua declaração de Imposto de Renda, ela não consta da declaração enviada ao TSE. Advogados ouvidos por VEJA afirmam que ele teria de ter declarado o empréstimo ao tribunal.

No ponto mais baixo da campanha, Lula comanda show de baixarias em Minas Gerais

Luiz Inácio Lula da Silva participa de comício com Fernando Pimentel (PT),governador eleito do estado de Minas Gerais em primeiro turno, na praça Duque de Caxias, Belo Horizonte (MG)

Lula participa de comício com Fernando Pimentel (PT),governador eleito do estado de Minas Gerais em primeiro turno, na praça Duque de Caxias, Belo Horizonte (MG) (Alex Douglas/O Tempo/Folhapress)
Em um comício realizado em Belo Horizonte neste sábado - sem a presença de Dilma Rousseff -, o ex-presidente e alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr) ultrapassou os limites da inconsequência e comandou um show de baixarias e ofensas desmedidas contra Aécio Neves. Foi o ponto mais baixo da campanha até aqui. E não apenas desta campanha: desde 1989 o Brasil não assistia a um festival de ataques como os que o PT hoje protagoniza em uma campanha. Lula não apenas se utiliza das mesmas armas de que foi alvo na campanha contra Collor, como vai ainda mais longe. No comício, o ex-presidente alcaguete citou o nome de Aécio Neves muito mais que o de Dilma, que se tornou personagem secundário dos discursos. A ordem era atacar, sem tréguas. Em um discurso precedido por insultos pessoais ao tucano, Lula disse que Aécio Neves usa violência contra as mulheres, por "experiência de vida", e a tática de "partir para cima agredindo". Ao comentar a estratégia do tucano contra Dilma Rousseff, o ex-presidente insinuou que Aécio Neves costuma bater em mulheres. "A tática dele é a seguinte: vou partir para a agressão. Meu negócio com mulher é partir para cima agredindo", afirmou Lula. O ex-presidente também classificou Aécio Neves de "filhinho de papai" e "vingativo". E o comparou a Fernando Collor. O mesmo Fernando Collor que hoje divide palanques com Dilma, como há uma semana, em Alagoas. Lula ainda voltou a mencionar o episódio em que o adversário deixou de soprar o bafômetro em uma bliz no Rio de Janeiro. O ato deste sábado deixou claro que a tática do PT na reta final da campanha, após o revés de Dilma Rousseff no debate do SBT, na quinta-feira, será a de expor a presidente Dilma como uma vítima das "grosserias" de Aécio Neves. Foi o que fez Lula neste sábado. "O comportamento dele não é o comportamento de um candidato (...) . É o comportamento de um filhinho de papai que sempre acha que os outros têm de fazer tudo para ele, que olha com nariz empinado. Eu não sei se ele teria coragem de ser tão grosseiro se o adversário dele fosse um homem", disse o presidente. O ex-presidente comparou Aécio Neves a Fernando Collor porque, segundo ele, a eleição do ex-presidente (aliado do PT) foi fruto da pressão da mídia e de um falso discurso do "novo". "Em 1989, com medo de mim, com medo do Ulysses, do Brizola, com medo do Mário Covas, muitas vezes instigado pela imprensa, este País escolheu o Collor como presidente da República dizendo que era o novo. E vocês sabem o que aconteceu neste País". Lula também disse que Aécio Neves age como Carlos Lacerda, o estridente líder da oposição a Getúlio Vargas, ao mencionar o "mar de lama" para "esconder o próprio rabo". O petista afirmou que, quando governou Minas Gerais, o tucano perseguiu professores de forma mais intensa do que a ditadura. "Não conheço, em nenhum momento da história, nem no regime militar, um momento em que os professores foram tão perseguidos como foram em Minas Gerais", afirmou Lula. No vale-tudo, Lula tentou até subverter o tempo: indagou o que Aécio Neves fazia quando Dilma foi presa por enfrentar a ditadura - ignorando que, na época, o tucano tinha apenas dez anos de idade. Inacreditavelmente, Lula tentou definir o adversário com uma frase que resume de forma precisa a tática do PT: "É muito grave, porque as pessoas se acham no direito de desrespeitar os outros com muita facilidade e depois ir para a imprensa se passar de vítima. Não é possível". Mais cedo, antes de Lula entrar no palanque, o mestre de cerimônias do comício leu uma carta de uma psicóloga petista que atribui a Aécio Neves a prática de espancar mulheres e de uso de drogas, além de classificá-lo como "ser desprezível", "cafajeste" e "playboy mimado". Ela afirma que o tucano tem um "transtorno mental". Depois, o rapper Flávio Renegado, que discursou já na presença de Lula, do governador eleito Fernando Pimentel e de parlamentares petistas, disse que Aécio Neves costumava fazer festinhas regadas a "pó royal", uma gíria para cocaína. Durante o discurso de Lula, grande parte da militância presente emplacou um grito de "Aécio cheirador", sob a complacência de Lula - o mesmo que, minutos antes, se orgulhara de nunca ter agido de forma desrespeitosa em nenhuma das campanhas eleitorais das quais participou.

Dilma só é melhor do que Aécio quando fala sozinha. Ou: Não restou ao PT nada além do ódio, do rancor, do ressentimento e da pancadaria. Se vencer a eleição, como vai governar?

Eu realmente não havia me dado conta de como Dilma Rousseff tinha ido bem no debate Jovem Pan-UOL-SBT. Só percebi isso quando ela apareceu falando sozinha no horário eleitoral do PT. Dizendo de outro modo: Dilma é realmente a melhor opção que o Brasil tem para a Presidência, desde que se ignore a alternativa, que é Aécio Neves. Na propaganda do PT, nós a vemos como atua no Palácio: sem ninguém para contestá-la. É o melhor para ela. E o pior para o Brasil. Foi certamente assim que ela interveio no setor elétrico e provocou um dos maiores desastres da história na área.

É claro que a edição do debate que está no ar é uma peça publicitária destinada a fraudar os fatos. Os petistas, sem exceção, reconhecem que Dilma foi massacrada por Aécio Neves e acham que, mais uma esfrega daquela, e a vaca vai para o brejo. É por isso que o partido, nas redes sociais e na imprensa, com a ajuda de Lula, passou a dizer que Aécio Neves foi violento “com uma mulher”, que o agressivo foi ele, que o tucano deveria ser mais respeitoso… Ou por outra: como é homem, deveria receber calado as ofensas planejadas por João Santana, um homem.
No PT, há quem reconheça que a violência também embute um risco considerável: nunca se sabe quando se passa do ponto. Mas essa gente considera que não há outra saída. Isso, provavelmente, é conversa de quem gosta de ver correr sangue e prefere se eximir da responsabilidade moral da escolha que fez. O fato é que o PT está levando a retórica eleitoral para um ponto de exacerbação do qual é difícil voltar. Parece que Dilma não considera que, se reeleita, terá de governar depois. O ódio que está inoculando na política gera resíduos que ficarão aí por muito tempo, quem sabe para sempre.
Mesmo o PT fazendo a campanha mais odienta e mais odiosa de sua história, os bate-paus do partido, como o tal Guilherme Boulos — cuja máscara definitivamente caiu, revelando a sua condição de militante —, têm a cara de pau de acusar os adversários de promover a violência. Pior: num artigo na Folha, o coxinha radical sugere que, se Dilma vencer, haverá vingança. Boulos está se oferecendo para ser o “califa” Abu Bakr al-Bagdhadi do PT. A ignorância e o primitivismo desse rapaz, vertidos em sua logorreia aparentemente sábia, chegam a impressionar. Se, um dia, ele resolver cortar nossa cabeça em praça pública, saberá explicar que é ele a cortar, como a mão de Deus, mas que a culpa é nossa.
Dilma e o PT introduziram o vale-tudo nessa campanha. Eles não têm limites mesmo — nunca tiveram! Muito se fala da “baixaria” que Collor levou ao ar em 1989, ao apelar a Miriam Cordeiro, a mãe de Lurian, filha de Lula. Baixaria, sim, não tenhamos dúvida! Mas poucos se esquecem de que, já naquele ano, a rede de difamação petista, inclusive a da imprensa, espalhou pelos quatro ventos que o adversário era viciado em cocaína — sim, este mesmo Collor que, hoje, é aliado do PT. É que ainda não havia as redes sociais para multiplicar o boato.
Em 1994, o PT já tinha montado o seu primeiro grande “bunker” — podem pesquisar — para difamar adversários. Isso não é novo no partido. Grupos operaram nas sombras em todas as demais campanhas. Ou não surgiu, em 2010, dentro do comitê oficial de Dilma, uma súcia clandestina, encarregada de fabricar um dossiê contra Serra? E a operação de 2006, com os aloprados?
Essa gente nunca teve limites. E não terá, dentro ou fora do poder. Essa turma se julga acima da moralidade comum e acha que tudo lhe é permitido. Não sei até onde eles vão, mas uma coisa é certa: em outubro de 2014, Aécio é o Brasil que não tem medo do PT. Por Reinaldo Azevedo

Nova pesquisa Sensus mostra Aécio Neves à frente de Dilma, com 56,4% dos votos válidos

Pesquisa ISTOÉ/Sensus realizada entre a terça-feira 14 e a sexta-feira 17 mostra a consolidação da liderança de Aécio Neves (PSDB) sobre a petista Dilma Rousseff no segundo turno da sucessão presidencial. De acordo com o levantamento, o tucano soma 56,4% dos votos válidos, contra 43,6% da presidenta. Uma diferença de 12,8 pontos percentuais, que representa cerca de 19,5 milhões de votos. Se fossem considerados os votos totais, Aécio teria 49,7%; Dilma, 38,4%; e 12% dos eleitores ainda se manifestam indecisos ou dispostos a votar em branco. A pesquisa indica que nessa reta final da disputa os dois candidatos já são bastante conhecidos pelos eleitores. O índice de conhecimento de Dilma é de 94,4% e de Aécio, de 93,3%. “Com os candidatos mais conhecidos, a tendência é a de que o voto fique mais consolidado”, afirma Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus. O levantamento, que ouviu 2.000 eleitores de 24 Estados, revela também a liderança de Aécio Neves quando não é apresentado ao eleitor nenhum candidato. Trata-se da chamada resposta espontânea. Nesse quesito, o tucano foi citado por 48,7% dos entrevistados e a petista, que governa o País desde janeiro de 2011, por 37,8%. Realizada em 136 municípios, a pesquisa ISTOÉ/Sensus também constatou que a campanha petista não conseguiu reduzir o índice de rejeição à candidata Dilma Rousseff. Quase metade do eleitorado, 45,4%, afirma que não admite votar na presidenta de maneira alguma. Com relação ao tucano, segundo o levantamento, a rejeição é de 29,9%. “Isso significa que a margem de crescimento da candidata Dilma é menor do que a de Aécio”, avalia Guedes. Os números mostram, segundo a pesquisa, uma forte migração para o senador tucano dos votos que foram dados a Marina Silva (PSB) no primeiro turno. “Hoje estamos juntos em torno de um programa para mudar o Brasil”, disse Marina na sexta-feira 17, ao se encontrar com Aécio em evento público na zona oeste de São Paulo. Desde 1989, quando o Brasil voltou a eleger diretamente o presidente da República, é a primeira vez que um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar começa a última etapa da disputa na liderança. A pesquisa Istoé/Sensus divulgada no sábado 11 já apontava esse movimento, quando revelou que Aécio estava com 52,4% das intenções de voto. Na última semana, os levantamentos que são feitos diariamente pelo comando das duas campanhas também mostraram a liderança de Aécio. É com base nessas consultas que tanto o PT como o PSDB planejam a última semana de campanha. E tudo indica que o tom será cada vez mais quente. No PT há uma divisão. Um grupo sustenta que a campanha deve aumentar o tom dos ataques contra Aécio e outro avalia que a presidenta deva imprimir um ritmo mais propositivo à campanha. O mais provável, no entanto, é que a campanha de Dilma continue a jogar pesado contra o tucano. Segundo Humberto Costa, líder do PT no Senado, o partido vai insistir na tese de que é necessário “desconstruir a candidatura tucana”. “Não basta ficar defendendo nosso governo”, disse o senador na sexta-feira 17. Claro, trata-se de um indicativo de que a campanha de Dilma vai continuar usando do terrorismo eleitoral. “Se deu certo contra Marina, deverá dar certo contra Aécio”, afirmou Costa. No QG dos tucanos, a ordem é não deixar nada sem resposta e continuar mostrando ao eleitor os inúmeros casos de corrupção que marcam as gestões petistas, particularmente os quatro anos do governo de Dilma. “Não podemos nos colocar como vítimas. O que precisamos é mostrar nossas propostas, mas em nenhum momento deixar de nos defender com veemência das armações feitas pelos adversários”, disse um dos coordenadores da campanha de Aécio Neves. “Marina tentou apenas fazer a campanha propositiva e acabou atropelada pela máquina de calúnias do PT.” Nessa última semana de campanha, Aécio vai intensificar a agenda em Minas e no Nordeste, principalmente na Bahia, em Pernambuco e no Ceará. Não está descartada a possibilidade de que os nomes de novos ministros venham a ser divulgados pelo candidato.

Aécio Neves passa a petista Dilma Rousseff no Rio Grande do Sul

Pesquisa Ibope divulgada nesta sexta-feira (17) aponta os seguintes percentuais de votos válidos na corrida presidencial apenas com eleitores do Rio Grande do Sul:
Aécio Neves (PSDB) - 51%
Dilma Rousseff (PT) - 49%
O resultado mostra a tendência de que o eleitor de Sartori (PMDB), que está com 60% contra 40% do petista Tarso Genro, descarregue votos no tucano. A pesquisa foi encomendada pelo Grupo RBS. Para calcular esses votos, são excluídos da amostra os votos brancos, os nulos e os eleitores que se declaram indecisos. O procedimento é o mesmo utilizado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial da eleição. Se forem incluídos os votos brancos e nulos e dos eleitores que se declaram indecisos, os votos totais da pesquisa estimulada com eleitores do RS são:
Aécio - 44%
Dilma - 43%
Brancos e nulos - 7%
Não sabe ou não respondeu - 6%
O Ibope entrevistou 1.008 eleitores em 60 municípios do Estado entre os dias 14 e 16 de outubro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%, o que quer dizer que, se levada em conta a margem de erro de três pontos para mais ou para menos, a probabilidade de o resultado retratar a realidade é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral com o número RS-00029/2014 e no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-01107/2014.

ENORME COMÍCIO DE AÉCIO NEVES EM SALVADOR

Paulo Roberto Costa era quase ministro quando Operação Lava Jato estourou

Dilma Rousseff nega agora, mas por um triz o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa deixou de ser nomeado ministro das Cidades. Ele esteve entre os indicados do Partido Progressista (PP) para substituir o ministro Aguinaldo Ribeiro, em reunião na Casa Civil da Presidência ocorrida em 11 de março passado. Ribeiro deixaria o cargo seis dias depois (17), data da Operação Lava Jato, que prendeu o ex-diretor. Paulo Roberto Costa estava entre os nomes levados pelo PP a Dilma. Mas, consultado pela Casa Civil do Planalto, ele declinou da indicação. A Polícia Federal descobriu troca de mensagens, no celular do doleiro Alberto Youssef, atestando o convite que o ex-diretor da Petrobras esnobou. Ciro Nogueira, presidente do PP, disse que levou a Aloizio Mercadante (Casa Civil) opções “de alto nível” para substituir Aguinaldo Ribeiro. Da reunião sobre opções para ministro das Cidades participaram o líder do PP na Câmara, Eduardo da Fonte (PE), e a ministra Ideli Salvatti. (Claudio Humberto)

PT tenta proibir divulgação de pesquisa presidencial feita só em Minas Gerais

A campanha da presidente Dilma Rousseff pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que uma pesquisa de intenções de voto encomendada pelo PSDB não seja divulgada. A pesquisa é realizada pelo instituto GPP Planejamento e Pesquisa e tem previsão de divulgação para sábado, 18. O pedido foi protocolado no início da noite desta sexta-feira, 17, e distribuído ao ministro Admar Gonzaga. A alegação da campanha petista é de que há suposta irregularidade na pesquisa, que tem abrangência específica no Estado de Minas Gerais. Os advogados apontam ausência de indicador dos fatores de ponderação por grau de instrução e grau econômica. Em liminar, a campanha de Dilma pede que a pesquisa, que foi registrada no último dia 13, não seja publicada. A pesquisa da GPP não é a primeira a ser questionada pelo PT. Em decisões liminares anteriores, os ministros do TSE já determinaram que o Instituto Paraná e que o Sensus Data World Pesquisa e Consultoria enviassem à campanha de Dilma informações sobre as pesquisas realizadas, mas os questionamentos foram feitos após a divulgação dos resultados.

TSE cancela reprise de propaganda de Dilma por ataque à honra de Aécio Neves

AECIO NEVES E DILMA ROUSSEFF EM DEBATE NA TV BANDEIRANTES - SP - 14/10/2014
Um dia após decidir adotar uma postura mais rígida em relação às propagandas dos candidatos a Presidência da República, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concedeu na noite desta sexta-feira uma liminar para suspender uma propaganda da campanha da presidente Dilma Rousseff (PT). A candidatura de Aécio Neves havia questionado o programa que foi ao ar ontem, por ter a honra dele ofendida pela adversária. O programa exibido ontem, portanto, não pode ser reprisado no horário eleitoral até o julgamento do mérito da questão pelo TSE. Na peça da campanha da petista, o narrador afirma: “Compare. Enquanto Dilma modernizou aeroportos para o Brasil receber 203 milhões de passageiros ao ano, Aécio só fez dois em Minas. Um deles, na fazenda que era da própria família e a chave ficava nas mãos de seu tio. Na dúvida em quem votar, é melhor comparar.” A defesa de Aécio sustenta que a propaganda adversária leva o eleitor a crer que o tucano “estaria fazendo uso de bem público para favorecer sua família”. Segundo ela, tal indução é equivocada, uma vez que é notório que o “terreno (foi) desapropriado em favor da coletividade”. Em sua decisão, o ministro Tarcísio Vieira de Carvalho Neto, relator do processo, citou o fato de que, na noite de quinta-feira (16), o TSE mudou o entendimento para evitar ataques durante os programas na TV e no rádio. “O horário eleitoral foi concebido pelo legislador e é regiamente pago com o esforço do contribuinte (nada tem de gratuito, a não ser para o candidato!), não para ser um locus de ataques e ofensas recíprocas, de índole pessoal, mas sim para a divulgação e discussão de ideias e de planos políticos, lastreados no interesse público e balizados pela ética, pelo decoro e pela urbanidade”, afirmou o magistrado. Para o ministro, ainda que seja válida a primeira parte da propaganda, em que a campanha de Dilma fala da modernização dos aeroportos, não se pode dizer o mesmo da segunda, quando fala do adversário. Ele disse que a forma como foi concebida a peça “denota ofensa de caráter pessoal que, potencializada, pode ensejar, em tese, até mesmo a caracterização de crime”. “Dizer que o candidato adversário só fez dois aeroportos, um deles na fazenda da própria família, e que as chaves ficam nas mãos do seu tio não me parece crítica inserida no espectro de incidência de um debate servil à democracia, nos novos moldes interpretativos fixados pelo Tribunal Superior Eleitoral para o segundo turno das Eleições Presidenciais de 2014″, concluiu o ministro, ao determinar a paralisação imediata do programa. Um dos advogados da campanha de Aécio, Flávio Costa, afirmou nesta sexta-feira que a mudança de orientação do TSE “deixa ainda todos em estado de atenção”. “Qual será a interpretação e o caminho das decisões é uma história a ser contada”, afirmou. De acordo com Costa, a campanha não deixou de recorrer ao TSE “em um dia sequer” no segundo turno. Só no dia de hoje, a campanha do tucano levou duas representações à Corte eleitoral para suspender trechos da propaganda de Dilma. Segundo ele, uma das representações é referente a relação entre o candidato Aécio Neves e o teste do bafômetro. A segunda é contra o reprise de trecho de debate eleitoral do primeiro turno veiculado na Rede Globo que mostra a então candidata Marina Silva debatendo com o tucano.

TSE suspende trecho de propaganda de Dilma

O Tribunal Superior Eleitoral suspendeu, na quinta-feira, trecho de propaganda da candidata petista à reeleição Dilma Rousseff, veiculada no rádio na manhã de quarta-feira. A propaganda disse que o candidato Aécio Neves (PSDB) intimidava e perseguia jornalistas que criticavam seu governo em Minas Gerais. Com a concessão da liminar pedida por Aécio Neves, o trecho, considerado ofensivo, foi suspenso. O presidente do tribunal, Dias Toffoli, acrescentou ainda que casos semelhantes que chegarem à Corte serão tratados da mesma forma. Ele salientou que estava sendo criada, a partir da decisão, uma jurisprudência para a questão e que as campanhas políticas devem ser "programáticas e propositivas", e não baseadas em ataques entre os candidatos. O candidato do PSDB solicitou também um direito de resposta a ser veiculado em dois programas. Essa questão, porém, não foi posta em julgamento na sessão.

Doleiro Youssef diz que doação para o PT era propina do Petrolão

Crime perfeito: em depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público, o doleiro Alberto Youssef relatou que as “doações legais” das empreiteiras foram a fórmula criada para esconder a propina

Crime perfeito: em depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público, o doleiro Alberto Youssef relatou que as “doações legais” das empreiteiras foram a fórmula criada para esconder a propina (BG PRESS/VEJA)
Antes de qualquer coisa, fique registrado que a presidente Dilma Rousseff dá como verdade o que Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, vem revelando à Justiça em seu processo de delação premiada. Também estejamos todos de acordo que a presidente aceita como verdadeiras as notícias publicadas pela imprensa sobre o escândalo do Petrolão. Foi com base no que leu sobre um depoimento de Paulo Roberto Costa no UOL, o site noticioso da Folha de S.Paulo, que ela fez a seguinte afirmação diante de milhões de brasileiros que assistiam pelo SBT ao seu debate com Aécio Neves na semana passada: “Candidato, há pouco saiu no UOL o seguinte, que o ex-diretor da Petrobras afirmou ao Ministério Público Federal que o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra recebeu propina para esvaziar uma CPI da Petrobras... Por isso é que eu digo, candidato, quando a gente verifica que o PSDB recebeu propina... O que importa, candidato? Importa investigar”. Agora, leiamos o que Aécio Neves afirmou no mesmo debate sobre o mesmo escândalo com base nas mesmas fontes que Dilma Rousseff usou: “Por que o seu partido impediu que o senhor Vaccari (João Vaccari Neto, tesoureiro do PT) fosse à CPI depor? Ele é responsável por transferir recursos para a sua campanha... pelo menos 4 milhões de reais foram transferidos, com a assinatura do senhor Vaccari,... para sua conta de campanha. Vamos investigar logo”.

ATENÇÃO - ATENÇÃO - Nova pesquisa Istoé/Sensus dá 13 pontos de vantagem para Aécio

Pesquisa ISTOÉ/Sensus mostra o candidato tucano com 56,4% das intenções de voto e a petista com 43,6%
Votos válidos
Aécio Neves: 56,4%
Dilma Roussef: 43,6%
Diferença - 13 pontos
Pesquisa estimulada
Aécio, 49,7%
Dilma, 38,4%
Indecisos e brancos, 12%
O levantamento, que ouviu 2.000 eleitores de 24 Estados, revela também a liderança de Aécio Neves quando não é apresentado ao eleitor nenhum candidato. Trata-se da chamada resposta espontânea. Nesse quesito, o tucano foi citado por 48,7% dos entrevistados e a petista, que governa o País desde janeiro de 2011, por 37,8%. A pesquisa Istoé/Sensus divulgada no sábado 11 já apontava esse movimento, quando revelou que Aécio estava com 52,4% das intenções de voto. Na última semana, os levantamentos que são feitos diariamente pelo comando das duas campanhas também mostraram a liderança de Aécio. É com base nessas consultas que tanto o PT como o PSDB planejam a última semana de campanha. E tudo indica que o tom será cada vez mais quente.

Marcelo Neri, presidente do Ipea, perde mais do que o bom senso; perde também a vergonha

A desmoralização a que vem sendo submetido o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) não tem precedentes: é inédita, é escandalosa, é vexaminosa. Seu atual presidente, Marcelo Neri, foi muito depressa do patético para o ridículo. Qual é o ponto? O Instituto decidiu adiar para depois do segundo turno a sua avaliação dos microdados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2013. A justificativa é que a publicação fere a Lei Eleitoral. Talvez seja a maior mentira jamais contada por ali. Para que serve essa avaliação? Para demonstrar se o número de pobres e miseráveis caiu, cresceu ou ficou na mesma. Pesquisadores independentes que trabalharam com os dados do IBGE constataram que a miséria parou de cair no País em 2013.

Ocorre que a erradicação da miséria é um dos bordões da campanha eleitoral de Dilma Rousseff, e a divulgação dos números, certamente, não seria bom para ela. Ocorre que o Ipea é um órgão de estado: não pertence a governo ou partido. A decisão do Ipea levou Herton Araújo, diretor de Estudos e Políticas Sociais, a pedir demissão.
Lei Eleitoral?
A justificativa é escandalosamente mentirosa. A Lei Eleitoral está aqui . Desafio Neri a demonstrar qual é o artigo que proíbe a divulgação do estudo. Não existe! É espantoso que ele não se envergonhe de divulgar uma mentira tão clamorosa. Para tanto, é preciso perder mais do que o bom senso; é preciso perder também a vergonha.
Leia a nota do Ipea
O Ipea, por meio de sua Diretoria Colegiada, deliberou, em reunião realizada na primeira semana do mês de agosto, sobre procedimentos referentes à publicação de estudos durante o período eleitoral.
O Instituto vem mantendo normalmente a publicação de periódicos e obras enviadas para editoração até 5 de julho –data em que passaram a valer restrições estabelecidas a agentes públicos na Lei das Eleições (9.504/1997)–, mas suspendeu até 26 de outubro a divulgação de estudos não periódicos produzidos neste ínterim. A decisão baseou-se no entendimento de que uma instituição de pesquisa de Estado não deveria, neste período, suscitar acusações de favorecimento a um ou outro candidato.
Nomeado diretor posteriormente, o Sr. Herton Ellery Araújo não havia participado da deliberação. Durante a reunião de Diretoria Colegiada realizada na última quinta-feira, 9 de outubro, o Sr. Araújo procurou convencer os demais membros do colegiado a rever a decisão, restando vencido. Por discordar desta interpretação da lei eleitoral, o Sr. Araújo colocou o cargo à disposição.
Assessoria de Imprensa e Comunicação do Ipea
Por Reinaldo Azevedo