terça-feira, 28 de outubro de 2014

Pizzolato é libertado e critica processo do Mensalão do PT: "Foi injusto, esconderam provas"

"Não fugi. Salvei minha vida". Quem declarou isso foi o bandido petista mensaleiro Henrique Pizzolato ao deixar a prisão de Modena nesta terça-feira, às 20h30, e insistir que está "com sua consciência tranquila". Caminhando lentamente e perdido em busca de sua esposa que chegaria instantes depois, ele perambulava pelo estacionamento da prisão Sant Anna de Modena sem destino, enquanto era indagado por jornalistas. Na tarde desta terça-feira, o Tribunal de Bolonha rejeitou um pedido do governo brasileiro de extraditar Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil e condenado a doze anos e sete meses no caso do Mensalão. O mensaleiro mais covarde de todos, que não teve coragem para encarar a prisão. Mais gordo, mais envelhecido e carregando três sacolas com seus pertences, ele não economizou ataques ao Brasil e chegou a dizer que "nem sabia" que Dilma Rousseff havia vencido a eleição. Antes, dentro da corte, num púlpito debaixo da frase estampada na parede do tribunal "A Lei é igual para todos", Pizzolato insistiu que era inocente. Sua liberação foi comemorada pela família. Quem não escondia sua emoção era João Haas, sogro de Pizzolato. "Henrique chorou copiosamente", disse Haas, que acompanhou o julgamento ao lado de sua filha Andrea, mulher do ex-diretor. Ele, porém, fez questão de sair ao ataque contra Dilma: "O PT e a presidente Dilma abandonaram Pizzolato. Espero que agora o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, coloque a mão na consciência. Eu estou resgatando minha família, que foi estraçalhada pelo STF". Após a decisão, Andrea e Pizzolato se abraçaram. Ao deixar a prisão, Pizzolato falou pela primeira vez desde que foi condenado, há um ano.
- Como o sr. se sente?
- Por favor, me dêem um pouco de paz. Vocês já fizeram o trabalho de vocês. Eu não pedi para vocês trabalharem.
- O sr. tem rancor em relação a alguém?
- Não, tenho indiferença. O rancor não leva nada a ninguém. Rancor para que? Para ficar doente, para eu ficar mal? Eu tenho é pena das pessoas que fizeram isso. Das pessoas que agem com prepotência, que têm soberba. Quanto a essas pessoas, eu tenho pena e sou indiferente.
- Quem agiu com soberba?
- Se você adivinhar um, ganha um fusca.
- O sr. acha que foi injustiçado?
- O sr tem dúvida?  Eu fiz meu trabalho no Banco do Brasil e o banco não encontrou nenhum erro no meu trabalho. O banco sempre disse que não sumiu um centavo. Não é um banco pequeno, é o maior banco da América Latina. É um banco que tem nove sistemas de controle. Na minha diretoria, tinha compliance, tinha uma diretoria de controle, tinha auditoria interna, auditoria externa, tinha conselho fiscal, tinha conselho de administração, tinha comissão de valores mobiliários, tinha tribunal de contas da união, tinha assembléia de acionistas, e como o banco tem ações em Nova York, tinha que prestar contas inclusive ao sistema americano. Ninguém encontrou um centavo que tivesse desviado em dez anos. O que que vocês acham?
- O sr. se sente abandonado por alguém? Seu sogro acusou Dilma.
- Ele é maior de idade e fala por ele.
- O sr. recebeu apoio do PT.
- Não pedi.
- O sr. ficou feliz com a reeleição de Dilma?
- Nem sabia. Obrigado pela novidade.
- Valeu a pena fugir?
- Eu não fugi, eu salvei minha vida. Qualquer um teria feito isso.Você acha que salvar a vida não vale a pena?
- O sr. estava sendo ameaçado?
- O que você acha?
- O senhor estava sendo ameaçado de morte então?
- Não sei, pergunte aos brasileiros, o que eles fizeram.
- A quem o senhor recomenda que a gente pergunte isso?
- Aos 210 milhões de brasileiros
- Quem que ameaçou o senhor?
- Ninguém me ameaçou. Eu não preciso de ameaça. Eu sei ler as coisas.
- O que o senhor pretende fazer a partir de agora?
- Agora, eu pretendo, dormir.
- O que o sr. acha da Justiça italiana?
- Muito melhor que a brasileira. Aqui, o juiz não se deixa comandar pela imprensa. Aqui, o que vale é a prova e a lei. Aqui não se faz como no Brasil que esconde documentos de um inocente.
- Modena é uma cidade que lhe deu sorte?
- Modena é infelizmente, primeiro eu gostava de Modena por causa do Pavaroti, pelo vinagre balsâmico, pelo Lambrusco, pela paisagem, pela arquitetura belíssima, tantas obras de arte e muito pelos advogados que foram bravos e fizeram o seu trabalho, e conseguiram mostrar a verdade sobre os fatos.
- Permanecerá na cidade?
- Não tenho certeza, mas longe não irei.
- Ficará na Itália, certamente...
Mas existem muitos lugares belos aqui, a Itália é belíssima. Eu gosto daqui. Se vocês querem saber o que pretendo fazer, no dia 15 do próximo mês vai fazer cem anos da morte do irmão do meu avô...
- No Vêneto?
- No norte do Vêneto, no Monte Beluno, e o meu avô sempre quis encontrar o lugar onde ele foi ferido, pois sua família sofreu muito. E eu lhe prometi que encontraria uma forma de ir até lá. E agora tenho três coisas a fazer: pagar essa promessa com meu avô, depois, quem sabe, irie até Padre Pio orar e agradecer a padre Pio, pois Deus me deu uma sorte grandíssima, uma mulher que eu não sei se é um anjo ou uma santa, que me ajudou e esteve sempre comigo a vida inteira e vou orar um pouco por toda essa gente que pensa que se pode resolver os problemas com armas, com a raiva, com a injustiça. (a mulher é comunista)
- A sua consciência está limpa?
- Limpíssima. E nunca perdi uma noite de sono por causa da minha consciência
- Agora falta uma parte que é o passaporte em nome do seu irmão. O que lhe pode acontecer por isso?
- Não sei. Isso não compete a mim. Pergunte às autoridades, você que têm estado faz tanto tempo aqui.
- O senhor acha que valeu a pena ter vindo para cá, pois alguns dos réus do Mensalão já estão deixando a prisão?
- Não sei. Cada um toma a decisão de acordo com sua cabeça. Eu agradeço a Deus, que sempre esteve comigo e me ajudou. Deu-me a luz a paz e estou feliz.
- Como foram esses seis meses na prisão?
- Eu não fiquei na prisão.
- O que o senhor considera que era o Cárcere Santana?
- Melhor do que passar oito anos no Brasil sem poder sair de casa sem ser agredido por alguém. Sem ser torturado nas ruas.
- Melhor a cadeia aqui, em Modena?
- Muito melhor a cadeia em Modena, pois aqui ninguém me agredia quando uma notícia falsa aparecia uma notícia no jornal, ou uma televisão dizia mentiras. Isso não se faz com as pessoas As pessoas quer têm a mídia nas mãos devem saber que um dia poderão também eles passar por isso, tornar-se prisioneiro em sua própria casa. Passei oito anos sem poder sair de minha casa. Por que se saía, eu sabia que não podia pegar um elevador, porque tantas vezes um vizinho não me olhava na cara. Outras vezes quando eu ia fazer compras podia ser agredido por uma coisa que eu não sabia.
- Você ainda pensa que seu processo foi um processo político?
- Foi um processo injusto, um processo mentiroso. Esconderam as provas e é lamentável que isso aconteça em pleno século XX. A Polícia Federal, o Instituto Nacional de Criminalística, disse claríssimo que eu não tinha nada a ver com aquilo. Preferiram outras opções.
NÃO É MESMO UM POBRE COITADINHO?!!!!

Câmara dos Deputados derruba o decreto bolivariano de Dilma Rousseff, que pretendia implantar a ditadura petista no Brasil

O governo da petista Dilma Rousseff perdeu a primeira votação na Câmara dos Deputados depois da reeleição. A oposição conseguiu o apoio de partidos da base, como PMDB e PP, e conseguiu aprovar o projeto do líder do DEM, deputado federal Mendonça Filho (PE), que susta o decreto da presidente que criou a Política Nacional de Participação Social (Decreto 8.243/14). A decisão final será tomada pelo Senado, para onde seguirá o projeto (PDC 1491/14). O decreto presidencial causa polêmica no Congresso desde junho. Até mesmo o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves, já chegou a se pronunciar em Plenário contra a norma por considerar que ela invade prerrogativas do Congresso. Henrique Eduardo Alves disse que a sessão que derrubou o decreto foi histórica e comemorou a “manifestação de altivez e democracia desta Casa”. Apenas o PT, o PCdoB, o Psol e parte do Pros ficaram ao lado do governo e tentaram inviabilizar a votação com a apresentação de requerimentos – todos os demais partidos se uniram à oposição. Foram necessárias duas horas e meia de discussão para vencer a obstrução imposta pelos três partidos, mas o decreto presidencial acabou derrotado em uma votação simbólica. A líder do PCdoB, deputada federal Jandira Feghali (RJ), minimizou o resultado. “Estou vendo uma certa alegria no Plenário pela possibilidade de derrotar o decreto, como se isso fosse uma derrota retumbante do governo, mas depois da vitória retumbante da presidente Dilma isso é uma coisa menor”, disse a líder. Para ela, o tema dos conselhos populares pode ser retomado em um projeto de lei. O decreto que a Câmara sustou cria um sistema de participação chefiado pela Secretaria-Geral da Presidência da República. Estão previstos um conselho permanente; comissões temáticas; conferências nacionais periódicas; uma ouvidoria pública federal; mesas de diálogo; fóruns interconselhos; audiências e consultas públicas; e ambiente virtual de participação social. A intenção é permitir que as entidades influenciem as políticas e os programas de governo e consolidar a participação como um método de governo, sem qualquer previsão constitucional, usurpando poderes que só podem ser atribuídos pelo eleitor. Não agradou ao Congresso o ponto do decreto que dá ao secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, o poder de indicar os integrantes das instâncias de participação e definir a forma de participação. Mendonça Filho disse que o projeto tem viés autoritário. “Impõe, via decreto presidencial, um modelo de consulta à população que é definido pelo Poder Executivo. É uma forma autocrática, autoritária, passando por cima do Parlamento, do Congresso Nacional, da Casa do Povo, de estabelecer mecanismos de ouvir a sociedade”, criticou. Já o líder do PSDB, deputado Antonio Imbassahy (BA), disse que o decreto inverte a lógica da democracia representativa. “Com esse decreto, a presidente Dilma quer que a escolha dos representantes do povo seja feita pelo governo do PT”, disse. Durante a discussão, deputados do PT e do PSol disseram várias vezes que a oposição pretendia criar um “terceiro turno eleitoral” durante a votação do projeto para sustar o decreto de participação. Para o líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), o decreto apenas fortalece um conjunto de conselhos. “Ele melhora e amplia a participação da sociedade no controle da gestão pública”, declarou. Ao realizar votações na semana que sucedeu o segundo turno das eleições, o Plenário da Câmara quebrou a tradição das últimas eleições. Em 2002, 2006 e 2010, o Plenário só voltou a realizar votações na segunda semana depois do resultado das urnas.

Vice-presidente da empreiteira Camargo Corrêa alega hipertensão e se afasta de empresa

Apontado pelos investigadores da Operação Lava Jato como contato do doleiro Alberto Youssef na construtora Camargo Corrêa, o executivo Eduardo Leite pediu licença do cargo de vice-presidente Comercial das empresas Construções e Comércio Camargo Corrêa e Camargo Corrêa Construções e Participações na semana passada. Leite alegou problemas de saúde. Seus advogados entregaram inclusive à Justiça Federal atestado médico afirmando que ele sofre de hipertensão. Assinada pelos advogados Antônio Cláudio Mariz de Oliveira e Jorge Urbani Salomão a petição à Justiça afirma que Leite “está afastado das suas funções junto à empresa em que trabalha para tratar de um problema de saúde que o acomete, conforme declaração médica que ora se junta”. O atestado, assinado pelo médico Roberto S. Zeballos, informa que o executivo é portador de “hipertensão arterial de difícil controle”. O clínico geral assinala, ainda: “No momento, estou tendo dificuldades de ajustar seus medicamentos em função de importante estresse profissional". Ele lembra que, em agosto de 2013, Leite passou por um episódio semelhante e chegou a ser internado. “Por estes motivos, recomendo o afastamento provisório de suas atividades profissionais por pelo menos 45 dias até nova avaliação”, conclui o médico. Além de justificar seu afastamento do cargo, os advogados afirmaram à Justiça que Leite está a disposição para colaborar com as investigações e, inclusive, citaram o endereço do executivo. “Eduardo Leite está à disposição da Justiça, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal para quaisquer esclarecimentos”, declarou o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira. Em uma das audiências da Lava Jato realizada em setembro, o advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, que atuava como procurador de Youssef em suas empresas de fachada, informou que Eduardo Leite era um dos contatos do doleiro Alberto Youssef na construtora Camargo Corrêa. O depoimento foi de encontro às suspeitas da Polícia Federal, que já havia interceptado trocas de mensagens entre Youssef, o empresário Márcio Bonilho, e uma outra pessoa que utilizava o apelido “Leitoso”, que seria um executivo da Camargo Corrêa. Leite, contudo, não é réu em nenhuma ação da Lava Jato. Além das funções na empreiteira, Eduardo Leite afastou-se dos cargos estatuários em outras quatro empresas, incluindo o de presidente do Conselho de Administração da Empresa Sistema Produtor São Lourenço, que firmou a parceria público-privada (PPP) com o governo do Estado de São Paulo para a construção do Sistema São Lourenço. O sistema envolve a construção de áreas para captação, armazenamento e tratamento de água para atender o oeste e o sudoeste da Grande São Paulo, atingindo cerca de 1,5 milhão de pessoas. A previsão é de que ele esteja concluído em 2018.

PSDB quer comissão externa para acompanhar internação de Alberto Youssef

O deputado Nilson Leitão (PSDB-MT) disse nesta terça-feira que vai apresentar ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, o pedido de criação de uma comissão externa para acompanhar a internação do doleiro Alberto Youssef, delator do esquema de corrupção na Petrobras. O pedido, segundo Nilson Leitão, tem a assinatura de 17 líderes partidários. Para ele, é fundamental que os parlamentares ajudem a proteger o doleiro, que se tornou peça-chave das investigações e teria implicado a cúpula do Palácio do Planalto no esquema, segundo reportagem da revista Veja. Youssef foi preso na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, e agora coopera com as investigações. Ele foi internado no sábado, em Curitiba, com problemas cardiológicos. Desde então, vários boatos surgiram na internet sobre a condição do doleiro. “Essa Casa tem o poder de proteger esse delator, que denunciou a presidente da República e o ex-presidente junto com toda a diretoria da Petrobras", disse Nilson Leitão.

Facebook chega a 1,35 bilhão de usuários no mundo

A rede social Facebook  divulgou nesta terça-feira o seu balanço do terceiro trimestre, no qual informou ter 1,35 bilhão de usuários mensais, um crescimento de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior. Desse total, 1,12 bilhão acessam a rede por meio de dispositivos móveis, uma alta de 29%. A empresa tem atualmente 864 milhões de usuários ativos mensais, crescimento de 19% em relação ao mesmo mês do ano passado; esse número é de 703 milhões nas plataformas móveis, o equivalente a 39% de crescimento em um ano. O Facebook disse que as receitas nos três meses encerrados em 30 de setembro totalizaram US$ 3,2 bilhões, ante US$ 2,02 bilhões  no mesmo período do ano passado, um crescimento de 59%. A média dos analistas previa receitas de US$ 3,12 bilhões. O lucro líquido foi de US$ 806 milhões (US$ 0,30 por ação) no terceiro trimestre do ano, após um lucro de US$ 425 milhões no mesmo período de 2013 (US$ 0,17 por ação). A receita operacional alcançou US$ 3,203 bilhões no terceiro trimestre deste ano, de US$ 2,016 bilhões no mesmo período de 2013. Excluídos itens extraordinários, o lucro foi de US$ 1,149 bilhão no terceiro trimestre deste ano (US$ 0,43 por ação), comparável a um lucro de US$ 666 milhões, ou US$ 0,27 por ação, no mesmo período do ano passado. Analistas previam um lucro de US$ 0,40 por ação e uma receita de US$ 3,12 bilhões. A receita com publicidade foi de US$ 2,96 bilhões no terceiro trimestre deste ano, com crescimento de 64% em relação ao mesmo período de 2013. Os anúncios móveis representaram 66% das receitas com publicidade do Facebook, acima dos 49% das receitas com anúncios do mesmo período de 2013.

Papa Francisco diz que Teoria da Evolução não é incompatível com fé

O papa Francisco reconheceu as Teorias do Big Bang e da Evolução como corretas e disse que elas não são incompatíveis com a existência de um criador. As declarações foram feitas na segunda, 27, em evento na Pontifícia Academia de Ciências, no Vaticano. “Quando lemos no Gênesis (primeiro livro da Bíblia) sobre a criação, corremos o risco de imaginar que Deus tenha agido como um mago, com uma varinha mágica capaz de criar todas as coisas. Mas não é assim”, disse. Em seguida, ele ressaltou que a Teoria do Big Bang, a explicação mais aceita pela comunidade científica atualmente para explicar a origem do mundo, não se opõe à necessidade de existência do criador divino. O papa demonstrou concordar com a Teoria da Evolução e lembrou, entretanto, que ela “requer que, antes, os seres tenham sido criados”. “Deus criou os humanos e permitiu que se desenvolvessem seguindo leis internas que deu a cada um para que alcançassem sua realização”, afirmou Francisco. Órgão de atuação independente da Igreja – apesar de, na maior parte, ser financiado por ela –, a Pontifícia Academia de Ciências foi fundada em 1603, sob o nome de Academia dos Linces. É formada por 80 pesquisadores de todo o mundo, todos nomeados vitaliciamente pelo papa. Na atual plenária, aberta no dia 24 e encerrada ontem, os cientistas discutiram justamente “a evolução do conceito de natureza”.

Lucro da Odontoprev cresce 5% no 3º trimestre, a R$ 45,2 milhões

A operadora de planos odontológicos Odontoprev teve lucro líquido de 45,2 milhões de reais no terceiro trimestre, alta de 5% na comparação anual, informou a operadora de planos odontológico nesta terça-feira. No período, a receita líquida avançou 6,7%, a 288 milhões de reais, enquanto o preço médio por cliente cresceu 4,5%, para 16,1 reais. Além da melhora operacional, também impulsionou o resultado a adição de 84 mil clientes, nos segmentos corporativo e de pequenas e médias empresas.

SulAmérica tem lucro trimestral de R$ 119,8 milhões

A seguradora SulAmérica anunciou nesta terça-feira que teve lucro de 119,8 milhões de reais no terceiro trimestre, alta de 2,3% ante o apurado em igual período de 2013. A companhia viu suas receitas totais somarem 4,42 bilhões de reais no período, avanço de 11,8% em um ano, puxados pelos prêmios de seguros de 3,512 bilhões de reais, avanço de 9,7% na comparação anual. O destaque foi o segmento de saúde e odontológico, o mais importante da companhia, com aumento de 12,5%. O controle das despesas administrativas, que cresceram 8,3% no comparativo anual, abaixo do ritmo das receitas, para 305,1 milhões de reais, ajudou a compensar pressões sobre a sinistralidade. O índice de sinistralidade, que mede a relação das despesas com pagamento de seguros em relação às receitas, subiu 0,9 ponto percentual, para 76,5%, afetado sobretudo por maiores despesas com cobertura de planos de saúde. Além disso, a SulAmérica viu sua receita financeira trimestral dar um salto de 34,1%, para 176,6 milhões de reais, refletindo o efeito de maiores taxas de juros sobre os títulos públicos detidos pela companhia. Com isso, a rentabilidade sobre o patrimônio da SulAmérica cresceu 1,3 ponto percentual sobre um ano antes, para 14,9%.

PSB terá que devolver mais de R$ 1 milhão em São Paulo

Seguindo parecer da Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo, o Tribunal Regional Eleitoral, na sessão desta terça-feira, 28, reprovou a prestação de contas do Diretório Estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB), referente à campanha das eleições de 2010. Com isso, o partido foi condenado à suspensão do repasse das cotas do fundo partidário pelo período de doze meses. A decisão ainda impôs a intimação do partido para recolhimento da quantia de R$ 1,026 milhão ao Tesouro, tendo em vista regra que impõe devolução à União dos gastos irregulares de recursos do Fundo Partidário, ou no caso de ausência de sua comprovação. As medidas foram determinadas após as contas do PSB apresentarem “diversas irregularidades”, segundo a Procuradoria Eleitoral. O Diretório Estadual do PSB em São Paulo não apresentou extrato de conta bancária específica para as eleições desde sua abertura até 30 de junho, bem como entre os dias 5 de novembro e o encerramento da conta, no dia 8 de novembro, informa a Procuradoria. O Diretório também omitiu receita em sua prestação de contas. Foi verificada também a falta de trânsito de recursos pela conta bancária específica da campanha. Além dessas irregularidades, houve divergência de CNPJ de um doador, bem como de identificação de alguns doadores. Também se constatou a ocorrência de gastos de natureza não eleitoral e omissão de despesas no montante de R$ 181.968,50. Outras irregularidade observadas foram a ausência de identificação do montante de R$ 896.560,00, provenientes do diretório estadual do partido, a omissão de despesa de campanha em relação a bens e serviços e ausência de comprovação da regularidade dos gastos eleitorais, realizados com a receita de R$ 1.026.000,00, provenientes do Diretório Nacional do PSB. O procurador regional eleitoral substituto Paulo Thadeu Gomes da Silva, em sua manifestação, asseverou a gravidade das irregularidades do partido, como omissão de receita, ocorrência de gastos de natureza não eleitoral e omissão de despesa de campanha em relação a bens e serviços. O procurador ressaltou que o Tribunal “já se manifestou pela desaprovação das contas em caso semelhante”.

Petistas dizem que Lula ajudará na escolha de ministro da Fazenda

Lideranças petistas de São Paulo acreditam que a presidente Dilma Rousseff precisará fazer concessões para conduzir a economia, o que incluiria um nome mais palatável ao mercado e ao setor produtivo no comando do ministério da Fazenda. Essa visão, dizem, reconstruiria a credibilidade da presidente e contribuiria para a retomada dos investimentos e do crescimento econômico. Na missão de achar o que alguns chamam "do Meirelles da Dilma", afirmam que o ex-presidente e alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de Reputações") deve ter papel relevante. Os interlocutores reforçam que o fato de a reeleição ter sido obtida com dificuldade torna urgente a retomada do diálogo entre Dilma e os setores econômicos. Não à toa, a presidente assim que reeleita falou em construir as pontes para a recuperação econômica. Para o PT, a importância de costurar um entendimento com a sociedade em geral é fundamental para a continuidade do projeto de 2018, liderado por Lula. Os nomes ventilados até o momento para a Fazenda - Luiz Carlos Trabuco, Henrique Meirelles e Nelson Barbosa - são figuras que Lula gosta e costuma defender. Além disso, tiveram boa aceitação nos mercados, tendo em vista a reação positiva dos ativos nesta terça-feira. O atual chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, também é cotado. As fontes ligadas ao PT de São Paulo tomam o cuidado de ponderar, entretanto, que, apesar da participação do ex-presidente na composição do ministério, Dilma dará a palavra final. A decisão da presidente só deve vir após seu período de descanso de 4 ou 5 dias na Bahia, a partir deste final de semana.
Para um dirigente petista próximo a Dilma, Lula "será ouvido e aconselhará" na escolha do novo ministro. "Ela vai consultá-lo, mas quem definirá será a presidente", afirmou. Já na avaliação de fonte bastante ligada a Lula, uma indicação do ex-presidente para o cargo de ministro da Fazenda "é muito importante. Diria definitiva", comentou. "Lula pensa em composição e certamente tem em sua mente nomes que poderiam ajudar o novo governo na gestão da economia", comentou. O presidente nacional do partido, Rui Falcão, já sinalizou que aceitaria um nome de fora da sigla para comandar a Fazenda, embora tenha ponderado que "a linha econômica tem que ser mantida" e que o partido precisa ser ouvido nas decisões. A grande dificuldade de reeleição da presidente foi uma consequência da sua falta de interlocução com muitos setores da sociedade, como movimentos sociais, trabalhadores e empresários, além do seu estilo autossuficiente, avaliou uma fonte próxima a Lula. Em função disso, uma das principais lições que o medo da derrota deve inspirar a Dilma é que precisa adotar uma postura mais flexível e conciliadora para governar no segundo mandato. Lula gosta de apertar a mão das pessoas e sente satisfação em conversar com os interlocutores, inclusive dirigentes de companhias. No caso de Dilma, esse diálogo foi bem mais raro. "Ganhamos as eleições, mas foi difícil de emplacar a candidata para boa parte da sociedade", comentou a fonte. No dia seguinte à eleição, Rui Falcão reconheceu a importância do ex-presidente Lula no novo governo, inclusive para lidar com as dificuldades políticas que virão com a nova composição do Congresso. O presidente petista disse que "ninguém recruta o Lula", mas ressaltou que o ex-presidente terá um papel importante no próximo governo. "Ele vai ajudar muito", afirmou, referindo-se às possíveis dificuldades de articulação política. A presença de Lula no palanque da vitória ao lado de Dilma já sinaliza a disposição de influenciar mais sua afilhada política neste segundo mandato e consolidar seu nome para 2018. Em 2010, quando teria tudo para celebrar a vitória de sua sucessora, Lula preferiu se recolher e disse que a "festa era dela". Já em 2014, o ex-presidente, fundador do partido e seu maior símbolo, mudou a estratégia e decidiu participar da comemoração que trouxe o discurso de "diálogo" e "mudança".

Senado aprova aumento salarial e mudança das carreiras na Polícia Federal

O plenário do Senado aprovou nesta terça-feira, 28, a Medida Provisória 650, que trata da reestruturação das carreiras da Polícia Federal e concede reajuste de 15,8% (dividido em parcelas para 2014 e 2015) para agentes, escrivães, papiloscopistas e peritos federais agrários. Se não fosse aprovado nesta terça-feira, o texto perderia validade. A MP também passa a exigir curso de nível superior completo para o acesso à carreira de Policial Federal. Atualmente, agentes, escrivães e papiloscopistas são considerados servidores de nível médio na carreira, apesar de os concursos para esses cargos exigirem formação de nível superior desde 1996. Com a edição da MP, os concursos poderão contar também com análise de títulos, além das provas de conhecimento e aptidão física que já são aplicadas. Com o aumento, os policiais em inicio de carreira, que ganhavam R$ 7.514,33 antes da MP, passaram a receber 8.416,05 em junho deste ano e chegarão a R$ 8.702,20 em janeiro de 2015. Os da classe especial, que ganhavam R$ 11.879,08, estão recebendo R$ 13.304,57 e passarão a receber R$ 13.756,93 em 2015. Como não houve modificação no texto que tramitou nas duas Casas Legislativas, a proposta passa a vigorar imediatamente e foi promulgada após a aprovação da matéria em plenário. No dia 8 de outubro, a Câmara rejeitou, durante votação em plenário, uma emenda que aumentava as exigências para o ingresso na carreira de delegado da PF. A emenda previa que, para fazer parte da carreira, delegados da Polícia Federal precisam ser bacharéis em direito e comprovar pelo menos três anos de atividade jurídica ou policial. Para não criar atrito com os delegados, o governo editou no último dia 14 a MP 657, com as alterações que foram rejeitadas na emenda da Câmara à MP 650. A categoria chegou a ameaçar uma paralisação na semana passada.

Ex-integrantes do EI narram selvageria do grupo

Três ex-integrantes do Estado Islâmico capturados por combatentes curdos na Síria relataram à CNN episódios de coação, tortura e uso de drogas promovidos pelo grupo terrorista. A rede americana conversou com os três em uma prisão localizada em uma área controlada pelos curdos. As entrevistas foram divulgadas com a ressalva de que não há como confirmar as versões apresentadas pelos homens – apesar de estarem de acordo com as barbáries que o próprio grupo terrorista faz questão de mostrar ao mundo, como uma arma para aterrorizar inimigos. O primeiro prisioneiro, identificado como Suleiman, afirmou ter sido forçado a entrar para o EI, por temer pela segurança de sua família. Ele confessou ter participado da detonação remota de um carro bomba perto de uma base curda e disse ter recebido 3.600 dólares (quase 9.000 reais) pela tarefa. “Eles disseram que estavam lutando pelo Islã e pela justiça. Eles mentiram para nós. Aproveitaram-se das nossas mentes e da nossa pobreza”. O segundo prisioneiro a conversar com a reportagem da CNN tinha apenas 19 anos. Kareem disse ter recebido 2.000 dólares para integrar as fileiras do Estado Islâmico na Síria por mais de um ano. Ele mostrou cicatrizes na barriga e no braço, resultado de ferimentos a bala. “Eles nos davam drogas alucinógenas, assim nos faziam ir para a batalha sem se importar se iríamos viver ou morrer”. Ele contou que o grupo prometeu mulheres para vários integrantes e disse que muitos eram estrangeiros, o que dificultava a comunicação. Disse ter visto muitas decapitações. “Tudo tem que seguir o que o Estado Islâmico determina. Até mulheres que não cobrem o rosto têm a cabeça cortada”. Para um ex-professor e pai de dois filhos que também foi apresentado como um terrorista do EI capturado, o jornalista americano pergunta o que aconteceria com ele se caísse nas mãos dos jihadistas. “Seu destino seria a morte. E há diferentes formas de morrer – eles iriam torturá-lo, certamente, talvez o decapitassem ou cortassem suas mãos. Não iriam apenas dar um tiro em sua cabeça”. O jornal The New York Times entrevistou ex-reféns do grupo terrorista, testemunhas que viram como os sequestrados eram tratados, familiares e amigos das vítimas e até um ex-membro do EI para descobrir como é a vida de alguém que enfrenta constantemente a ameaça de morrer nas mãos dos jihadistas. A reportagem afirma que o americano James Foley – o primeiro a ter a cabeça decepada em um vídeo gravado e divulgado como uma ameaça aos Estados Unidos – e outros reféns eram continuamente espancados e submetidos à forma de tortura conhecida como “simulação de afogamento”. “Durante meses, eles eram mal alimentados e ameaçados de execução por um grupo, para em seguida serem transferidos para outro grupo que trazia doces para eles e cogitavam libertá-los”, diz o texto. O jornal também aponta que muitos reféns, incluindo Foley, buscam algum conforto no Islã e chegam a mudar o nome original para nomes muçulmanos. Alguns apenas fingiam, para tentar se livrar dos abusos dos extremistas, mas outros pareciam verdadeiramente convertidos, como seria o caso de Foley, segundo testemunhas. Poucos conseguiam permanecer fiéis às suas próprias crenças, como foi o caso de outro jornalista americano, o judeu Steven Sotlof, que chegou a dizer aos terroristas que não estava se sentindo bem para poder secretamente praticar o jejum. Segundo o NYT, mais de vinte estrangeiros, de doze países, chegaram a estar nas mãos de grupos extremistas na Síria. Em vários casos, o sequestro é realizado por um grupo que depois repassa as vítimas para outras organizações terroristas. Muitos europeus foram libertados em troca de resgates milionários. Três permaneceriam nas mãos do Estado Islâmico, dois americanos e um britânico. Os americanos seriam Peter Kassig e uma mulher que não foi identificada, e o britânico é John Cantlie, que aparece como uma espécie de ‘repórter’ em vídeos de propaganda dos jihadistas.

Conselho de Ética aprova cassação de Luiz Argôlo, parceiro do doleiro Youssef

O deputado federal Luiz Argôlo (SDD-BA)

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira o pedido de cassação do deputado federal Luiz Argôlo (SD-BA), flagrado em conversas interceptadas pela Polícia Federal com o doleiro Alberto Youssef, pivô da Operação Lava-Jato, que investiga um megaesquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propina a políticos. No decorrer das investigações, o colegiado ouviu Meire Poza, a ex-contadora do doleiro, que confirmou que o deputado baiano mantinha contato com empresas que destinaram dinheiro para o esquema – segundo ela, Argôlo recebia os recursos em dinheiro vivo. No parecer final, o relator, Marcos Rogério (PDT-RO), afirmou que Argôlo atuava como cliente de Youssef, “recebendo dinheiro para si próprio e outros beneficiários, até como sócio, intermediando contratos dele com empresas e tendo suas operações financiadas pelo doleiro”, e que as relações envolviam tráfico de influência, prática de negócios e pagamentos ilícitos. O relatório final foi aprovado por 13 votos a quatro. Saíram em defesa de Argôlo os deputados Mauro Lopes (PMDB-MG), Sérgio Brito (PSD-BA), Roberto Teixeira (PP-PE) e Wladimir Costa (PMDB-PA). Em tumultuada sessão, Costa disse estar “convencido da inocência” do parlamentar baiano e alegou a ausência de provas materiais contra ele, embora a PF tenha interceptado conversas entre Argôlo e o doleiro – a ex-contadora também disse que o deputado ganhou um helicóptero de presente de Youssef. “Ao agente político não há necessidade de percepção de valores para o crime. O crime de corrupção passiva se permite apenas no ato de solicitar vantagens”, rebateu o relator. O Conselho de Ética iniciou a investigação contra o deputado baiano em junho, mas o processo avançou a passos lentos por causa da Copa do Mundo e das eleições, que paralisaram o Congresso. Para que perca o mandato, o caso agora tem de ser analisado pelo plenário da Câmara dos Deputados. Ainda não há data para a sessão – depende do presidente da Casa, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), pautar o processo. Antes, Argôlo ainda pode recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), como fez André Vargas (Sem partido-PR), também alvo de apuração sobre o relacionamento com o doleiro Youssef. Investigado desde o final de abril, Vargas se aproxima de sair impune pela sequência de adiamentos na comissão. Nesta terça, o caso foi adiado pela terceira vez. Embora estejam no fim do mandato, os deputados têm total interesse em fugir da cassação: se não perderem o cargo, não ficarão inelegíveis por oito anos, consequência imposta pela Lei da Ficha Limpa. Ou seja, se não sofrerem condenações judiciais, poderiam disputar as eleições municipais de 2016.

Ex-ministro do governo petista vira réu por falsidade ideológica

Alfredo Nascimento, ministro dos Transportes, durante visita em Natal (RN)

O Supremo Tribunal Federal decidiu nesta terça-feira abrir ação penal contra o presidente nacional do Partido da República (PR), o ex-ministro Alfredo Nascimento, pelo crime de falsidade ideológica. A decisão, tomada por três votos a dois pela Primeira Turma do STF, transforma o parlamentar em réu. Ex-ministro dos Transportes, Nascimento deixou o primeiro escalão do governo federal na chamada “faxina ética” promovida pela presidente Dilma Rousseff. No final do mandato da petista, porém, o partido exigiu a troca do ministro César Borges pelo técnico Paulo Sérgio Passos em uma negociação que envolvia o apoio da sigla – e pouco mais de um minuto de tempo na propaganda eleitoral obrigatória – ao projeto de reeleição da presidente. Em 2014, Alfredo Nascimento foi eleito deputado federal pelo Amazonas. No julgamento desta terça-feira, os ministros entenderam que há indícios de participação do parlamentar na omissão de dinheiro nos gastos finais da campanha dele ao Senado, em 2006. Na nova fase, desta vez em ação penal, será verificada a consistência das provas e o grau de responsabilidade do congressista na fraude. De acordo com a acusação, a campanha de Alfredo Nascimento sonegou 15.000 reais do total de 1,6 milhão de reais gastos na corrida pelo Senado, há oito anos. Segundo o Ministério Público, o senador omitiu a compra de banners e cartazes de sua prestação de contas eleitoral. Em sua defesa, para tentar se livrar da acusação de falsidade ideológica, Nascimento disse que não tinha conhecimento das irregularidades e que não determinou que se burlassem os documentos apresentados à justiça eleitoral. “As campanhas eleitorais sempre serão vulneráveis a atos de má-fé”, alegou a defesa ao sustentar a tese de que o senador não tinha conhecimento da fabricação dos materiais de campanha não declarados à Justiça Eleitoral. “Não há qualquer prova, sequer indícios, que corrobore a afirmação de que o defendente teve algum contato, direto ou indireto, com a empresa que elaborou os materiais, que tenha solicitado e efetuado o pagamento dos mesmos”, disse a defesa.

STF autoriza prisão domiciliar para o bandido petista mensaleiro José Dirceu

José Dirceu deixa o Centro de Progressão Penitenciária (CPP), em Brasília (DF), em seu primeiro dia de trabalho no escritório de advocacia de José Gerardo Grossi

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, autorizou nesta terça-feira que o ex-chefe da Casa Civil, o bandido petista mensaleiro José Dirceu, condenado no julgamento do Mensalão do PT, possa cumprir o restante da pena de sete anos e 11 meses em regime domiciliar. Relator do processo do Mensalão, Barroso confirmou o benefício ao mensaleiro pelo fato de o mensaleiro ter trabalhado e estudado na cadeia e, com isso, aberto caminho para o abatimento de parte dos dias da sentença. Ele permaneceu menos de um ano atrás das grades. José Dirceu teria direito a progredir para o regime aberto apenas em março de 2015, mas os estudos na cadeia, os livros lidos e trabalhos tanto na Papuda quanto no escritório do criminalista José Gerardo Grossi deram a ele o direito de acelerar a migração para um regime mais benéfico. Como no Distrito Federal não há casas de albergado, estabelecimentos próprios para condenados a regime aberto, a Justiça garante aos detentos nessa condição que sejam beneficiados com prisão domiciliar. Na próxima semana, José Dirceu deve comparecer à Vara de Execuções Penais do Distrito Federal para receber instruções sobre o cumprimento da pena em regime aberto. Para cumprir a pena em casa, o condenado deve, via de regra, assumir o compromisso de morar no endereço declarado e avisar qualquer mudança, permanecer recolhido das 21 horas até as 5 horas da manhã e ficar recluso nos domingos e feriados por período integral nos primeiros meses da pena. Em maio, durante mais uma tentativa de desqualificar as condenações proferidas pelo STF no julgamento do Mensalão, a defesa do ex-ministro da Casa Civil chegou a apresentar recurso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), acusando o Estado brasileiro de violação de direitos. O mensaleiro, condenado a sete anos e 11 meses pelo crime de corrupção ativa, pedia ainda que a Comissão recomendasse ao Brasil a realização de um novo julgamento para José Dirceu, sob a alegação de que foi desrespeitado o princípio do duplo grau de jurisdição.

Executivo de empreiteira acerta acordo de delação sobre a Petrobras

Um executivo investigado sob suspeita de ter pago propina para obter contratos na Petrobras decidiu fazer um acordo de delação premiada com os procuradores que atuam na Operação Lava Jato, segundo três pessoas que atuam na investigação. É Júlio Camargo, executivo da Toyo-Setal, empresa que tem contratos de cerca de R$ 4 bilhões com a estatal. Ele é o primeiro dos executivos das grandes empresas a assinar um acordo de delação e deve revelar detalhes sobre como funcionava o esquema de divisão de obras da Petrobras entre as empreiteiras. Camargo fechou o acordo na última semana, para tentar obter uma pena menor. O executivo teria ficado assustado com os detalhes revelados pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, em sua delação premiada. A advogada de Camargo, Beatriz Catta Preta, já havia atuado na delação premiada de Costa e é considerada uma especialista nesse tipo de acordo. O nome de Camargo foi citado pelo ex-diretor da Petrobras em um documento apreendido pela Polícia Federal na casa dele, no qual ele enumera o nome de executivos de fornecedores da Petrobras e a disposição de cada um para contribuir para uma campanha política. Após o nome de Camargo, Costa anotou: “Começa (a) ajudar a partir de março”. A campanha política era a do candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PT, Lindbergh Farias, que acabou derrotado. Aparecem também no documento os nomes de Mendes Junior, Engevix e UTC Constran. As empresas negam que tenham feito contribuições ilegais para as campanhas.

Dilma precisa de um dicionário. Ou: Odorico Paraguaçu baixou na represidenta

Eu tinha pensado, confesso, numa intenção um tanto cabotina, em dar de presente a Dilma Rousseff o meu quinto livro, que vai ser lançado no mês que vem. Mas mudei de ideia depois de assistir a duas de suas entrevistas, uma à TV Globo e outra à TV Record. Deixarei meu livro pra lá. Enviarei à represidenta um dicionário. Pode ser o Aurelião, o Houaiss ou o Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa, que já traz a palavra “petralha”, uma criação deste escriba, que o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, detesta. Ele acha que isso é cultura do ódio. Entendo. Cultura do amor é afirmar que o adversário, se for eleito, vai extinguir o Bolsa Família. Mas, agora, deixo isso de lado. À Globo, mostrando que sua gestão não é dada apenas à contabilidade criativa, Dilma afirmou que, durante a campanha, seu governo foi atacado “diuturna e noturnamente”. À Record, disse que, se a crise hídrica que há em São Paulo ocorresse em algum governo da situação, eles, os seus apoiadores, seriam criticados “diuturna e noturnamente”. Escreveu o poeta Olavo Bilac que a língua portuguesa é, “a um tempo, esplendor e sepultura”. No caso de Dilma, falta o esplendor. A represidenta acha que “diuturno” quer dizer aquilo que acontece “de dia”, daí que “diuturnamente” seria o contrário de “noturnamente”, palavra que, de resto, não existe. O conjunto da obra é digno de Odorico Paraguaçu, o lendário prefeito criado por Dias Gomes. Faz sentido: a forma como o governo usou o Bolsa Família na eleição fez de boa parte do Brasil uma verdadeira Sucupira, não é mesmo? Lula sempre espancou a língua portuguesa com notável desenvoltura. Nunca ninguém deu muita bola porque se sabe que, embora muito inteligente, teve, de fato, pouca instrução formal. Não é o caso de Dilma, que, ao menos frequentou os bancos universitários. Se ela quer falar como povo, que tire então o “diuturno” do seu vocabulário; se quer recorrer ao vocabulário dos mais instruídos, então precisa se instruir. Em tempo: “diuturno” quer dizer aquilo que dura muito tempo, que se prolonga, que subsiste. Na origem, a palavra latina “diuturnos” estava, sim, relacionada a “dia”, mas entendido como um período de 24 horas. Está decidido. Meu presente para Dilma será o “O Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa”. Por Reinaldo Azevedo

Quero ser governado pela “Vovó Dilma”. Ou: “Não pega porque é do povo brasileiro!”

Bronca da vovó: "Não pega que é do povo brasileiro"
Bronca da vovó: “Não pega que é do povo brasileiro”
Eu sempre fico muito encantado quando políticos decidem mostrar, assim, o seu “lado humano”, especialmente depois de falar com, como direi?, especialistas em imagem. Vi com atraso, mas vi, o perfil de Dilma Rousseff no Fantástico. O vídeo está aqui. A partir dos 9min, vejam lá, a “represidenta” acabou fazendo humor involuntário. Ao comentar a sua doçura de avó, ela contou como é rigorosa em separar o público do privado; ela deixou claro como não mistura as coisas; evidenciou, com terna gravidade, que, com ela, as duas esferas não se confundem. Afinal, isto é uma República! E como ela deixou isso claro? Com a fábula contada sobre o netinho, Gabriel, de 4 anos. Disse a presidente que, no andar térreo do Palácio do Alvorada, só há coisas públicas, inclusive uma bola de cristal — que certamente não anda a mostrar o futuro… — na qual o garoto gosta de mexer. Mas a avó não deixa, não! De jeito nenhum! E ela reproduz, então, a conversa que tem com o infante: “Não pega que é do povo brasileiro. Ele tem medo do povo brasileiro atualmente. Acha o povo brasileiro perigosíssimo (…) Ele adora pegar a bola de cristal, mas o povo brasileiro não deixa”.
Huuummm…
Já sei! Vamos criar, então, a “Lei Gabriel” do governo Dilma, não é? Quero ser governado, entre 2015 e 2018, pela Vovó Dilma. Em que consiste? A “nona” vai demitir todos os apaniguados das estatais. Os cargos de direção só serão exercidos por técnicos de carreira, independentemente de suas vinculações partidárias. Imaginem se a doce senhora decidisse que as estatais só seriam governadas segundo o lema da avó: “Diretor, não pega que é do povo brasileiro”. E se a presidente Dilma, em vez de ter nomeado Nestor Cerveró diretor financeiro da BR Distribuidora, tivesse dito à turma da Petrobras: “Não pega porque é do povo brasileiro”? Imaginem se aquela multidão que exerce cargos de confiança nas estatais, nas autarquias, na administração direta e indireta… Imaginem se essa gente toda tivesse do “povo brasileiro” o medo que, segundo Dilma, tem Gabriel. Seria muito bom que esses valentes também considerassem “perigosíssimo” esse “ente” chamado… “povo brasileiro”.
Ocorre que assim seria se assim fosse. Dilma só passou a admitir que algo de errado havia acontecido na Petrobras quando o seu marqueteiro lhe apresentou números evidenciando que o escândalo na Petrobras poderia lhe tirar a reeleição; quando estava claro, por A mais B que, a coisa, como se diz, “havia pegado”; quando se tornou evidente que o tal “povo brasileiro” — que não é dono só daquela bolota de cristal do palácio, mas também da Petrobras — estava mesmo indignado. Antes disso, Dilma preferiu adotar o discurso fácil e mentiroso de que criticavam os desmandos na estatal só os que queriam privatizá-la. Pessoalmente, eu não veria nada demais que a vovó Dilma fosse um pouco mais relaxada com a criança. Aos quatro anos, Gabriel não ameaça o povo brasileiro, por quem, acho, tem de ser estimulado a sentir amor, não medo. Já a administração pública, ah, esta sim…
A presidente poderia, por exemplo, não ter usado o Bolsa Família para ganhar votos e, pior de tudo, tomar votos. Seu lema, em relação a uma política de Estado, poderia ser este: “Não pega porque é do povo brasileiro”. Dilma me obriga a encerrar assim: ela pode ser mais presidente, isto é, mais permissiva, com o seu netinho. E que seja mais vovó com a coisa pública: “Não pega porque é do povo brasileiro”. Por Reinaldo Azevedo

Dilma acha que a sua vitória se deve à sabedoria dos que votaram nela e que o triunfo de Alckmin, Aécio e Serra em São Paulo se deve à ignorância do povo paulista

O governo está em plena, como dizer?, “ofensiva de mídia”. Nesta segunda, a “represidenta” concedeu duas entrevistas: uma ao “Jornal da Record”, da TV Record, e a outra, quase em seguida, ao “Jornal Nacional”, da TV Globo. De substancial — ou quase isso — disse a mesma coisa em ambos, repetindo não apenas fragmentos de raciocínio, mas também expressões: “o recado das eleições é a mudança”; vai investigar a Petrobras “doa a quem doer”, vai fazer um governo inclusivo, com especial atenção “às mulheres, aos negros, aos jovens”; será a presidente de todos os brasileiros… E vai por aí. No JN, ela se mostrou calma e pacífica, mas se irritou, foi visível, com a repórter Adriana Araújo, da Record, que conduziu a entrevista com extrema competência e correção. Não tem jeito: a represidenta gosta é que lhe abram o microfone para falar. Qualquer tentativa de diálogo verdadeiro, ainda que absolutamente pacífico, é logo rechaçada ou com grosserias intimidadoras ou com raciocínios tortos. Todos sabem que age desse modo com subordinados — os tais dos seus “homens meigos”. A entrevista com Adriana, muito mais reveladora, teve o condão de deixar claro, por culpa exclusiva de Dilma, que a disposição para o diálogo da governanta é conversa para boi dormir. Já chego lá. Antes, algumas considerações. Os mercados derreteram ontem, e o dólar subiu às alturas. Não foi surpresa para ninguém. Ou foi: se isso acontecia com o boato de que Dilma poderia ganhar a eleição, veio o fato. É possível que, em movimentos de curto prazo, haja uma subida ou outra? É. Mas o que importa é a trajetória, que é descendente. Guido Mantega, o único ministro demitido no cargo de que se tem notícia, disse não ver nada demais e afirmou que as Bolsas caíram no mundo inteiro, bobagem que Dilma repetiu na entrevista da Record. Falso, é claro! Houve quedas mínimas mundo afora, nada comparável à despencada havida no Brasil. Criativo na análise, não apenas na contabilidade, Mantega afirmou que a reeleição de Dilma significa aprovação da política econômica do governo. Fazer o quê? O país não está nessa pindaíba por acaso. Foi preciso, ao longo dos anos, uma incompetência verdadeiramente metódica, determinada, convicta. Como os mercados derretem, então é preciso falar. Mas falar o quê? Dilma, claro, não adiantou que medidas pretende tomar na área econômica. Até porque, gente, quando ela tiver alguma ideia, talvez revele. De resto, nesse caso, “o que fazer” está intimamente atrelado a “quem vai fazer”. E já está claro que não será Guido Mantega, aquele que afirmou que a política econômica foi aprovada nas urnas. Adriana cumpriu a sua obrigação e perguntou qual será o perfil do próximo ministro da Fazenda, citando, por exemplo, Luiz Trabuco, presidente do Bradesco, lembrado frequentemente como um possível nome. Dilma ficou irritada e tentou ridicularizar a repórter: “Você está lançando um nome, Adriana?”. Falando certamente com os, como direi?, serviçais que estavam fora da câmera, ironizou: “Ela está lançando nome…”. Ouve-se um pequeno alarido de solidariedade com a chefia, como a dizer: “Oh, que absurdo!”. Sabem como é aquela truculência burocrática da servidão… A repórter reagiu muito bem e deixou claro que seu papel era perguntar. Perfeito. Mas furiosa mesmo Dilma ficou quando Adriana tocou nos quase oito milhões de votos a mais que Aécio Neves teve em São Paulo. Por que teria acontecido no estado com a maior economia do país, com a maior população?… Dilma disse, então, coisas realmente estupefacientes. Indagou por que a repórter não lhe perguntava sobre os 11 milhões de votos a mais que teve no Nordeste, ao que respondeu a jornalista: “Eu lhe pergunto então…”. A Dilma que até ali vinha falando em diálogo, em inclusão, em superar as diferenças, descambou para o eleitoralismo mais tosco e afirmou que não podia compreender que São Paulo vivesse a maior crise de água do Brasil e ninguém tocasse no assunto, sugerindo, o que é uma mentira descarada, que a imprensa estaria a proteger o governo do Estado. E emendou para espanto dos fatos e da língua portuguesa: “Fosse com qualquer governo da situação, nós seríamos criticados diuturna e noturnamente”. Sugiro a vocês que façam uma pesquisa nos arquivos na imprensa paulista sobre o assunto. A insistência beirou o terrorismo. A represidenta que diz querer a união, que afirma ser preciso superar as divergências do período eleitoral, que anuncia ser a palavra “diálogo” a mais importante do seu segundo mandato, decidiu pautar a imprensa contra um governo de oposição, atribuindo a sua derrota no Estado, vejam vocês!, às deficiências do jornalismo — esse mesmo, diga-se, que a protege das barbeiragens cometidas, aí sim, no setor elétrico. Vale dizer: Dilma acha que fez tudo certo; que os que não votaram nela só estavam mal informados e que o papel da boa imprensa é atacar seus adversários. Mais: para a represidenta, ela venceu no Nordeste em razão dos méritos do seu governo, e a oposição deu uma lavada em São Paulo em razão dos deméritos do que os petistas chamam “mídia”. Ou por outra: a sua reeleição é prova de sabedoria da população; já as vitórias estrondosas de  Geraldo Alckmin, José Serra e Aécio Neves em São Paulo provam a ignorância do povo paulista. Digamos, o que é escandalosamente falso, que a imprensa realmente tivesse omitido informações sobre a crise hídrica. Será que os paulistas não teriam percebido ao abrir a torneira? O PT perdeu, em São Paulo, três turnos da eleição insistindo nessa tecla: o primeiro e único para o governo do Estado e os dois outros para a Presidência. Dilma está querendo disputar o quarto turno. Eis a presidente que afirma querer o diálogo. Fica evidente: a exemplo de seu partido, ela também não esquece nada nem aprende nada. Por Reinaldo Azevedo

Justiça italiana faz o óbvio, antevisto aqui em fevereiro, e nega a extradição de Pizzolato; petistas respiram aliviados

A Corte de Bolonha, na Itália, negou nesta terça-feira o pedido, feito pelo governo brasileiro, de extradição do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado a 12 anos e sete meses de prisão no processo do mensalão. O homem foi solto ainda nesta terça-feira. Nunca acreditei na extradição, como vocês sabem. Deixei isso claríssimo aqui no dia 5 de fevereiro. O malandro tem dupla cidadania, brasileira e italiana. E ele é um criminoso no Brasil e na Itália. Em dois países. Em dois idiomas. Pudesse ter uma terceira, vocês já sabem… Que vocação a desse senhor, não é mesmo? O poeta latino Horácio, nascido onde hoje é a Itália, país em que Pizzolato foi preso, dizia que aquele que cruza o oceano muda de céu, mas não de espírito. Isso quer dizer, leitor, que a pessoa sempre leva consigo aquilo que ela essencialmente é. Pizzolato cometeu no Brasil os crimes de peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Para entrar na Itália, recorreu a documentos e passaporte falsos, usando o nome de um irmão morto. O Brasil, que já tem movimento de sem-terra, movimento de sem-teto, movimento do sem sei-lá-o-que, também tem o MSL: Movimento dos Sem-Limites. Atenção! Ele não foi preso pelas autoridades italianas por causa dos R$ 76 milhões desviados do fundo Visanet, do Banco do Brasil, para a sem-vergonhice mensaleira. Ele foi preso porque recorreu a documentos falsos para entrar na Itália. Se não tivesse cometido crime nenhum naquele país, teria continuado livre, leve e solto. Considerando a dinheirama viva que estava com ele — 15 mil euros mais US$ 20 mil —, não parece que estivesse passando por um aperto. Sem contar que este valoroso senhor jamais deixou de receber a aposentadoria de R$ 25 mil como ex-funcionário do Banco do Brasil. Isso corresponde a quase 8 mil euros. Considerando que o salário médio na Itália está na faixa dos 900 euros, dá para levar uma vida boa. Para ser preso na Itália por causa do mensalão, seria preciso que a Justiça de lá abrisse um processo e o condenasse pelos crimes cometidos aqui. A hipótese é remotíssima. A extradição era improvável porque, afinal, ele também era um cidadão italiano que não havia cometido crime nenhum por lá. Preso por ter entrado em solo italiano com documento falso, a extradição dificilmente seria concedida. Não foi. O governo brasileiro vai fingir que o quer de volta e vai recorrer. Vai perder de novo. E cumpre, sim, lembrar o caso Cesare Battisti. O Brasil se negou a extraditar o terrorista, embora ele tivesse sido condenado na Itália pelo assassinato de três pessoas. Será que, ao se negar a entregar Pizzolato, os italianos estão apenas se vingando? Não! Battisti, que também entrou no Brasil com documento falso, não tinha cidadania brasileira, e Pizzolato tem cidadania italiana. No caso do terrorista, o Tratado de Extradição vigente entre os dois países obrigava a entrega; no caso de Pizzolato, não. O governo brasileiro chamou a prisão de Pizzolato de “operação conjunta”. Falso. Foram os italianos que prenderam o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, em razão do crime cometido na Itália. Os petistas respiram aliviados. A volta de Pizzolato seria como a saída de um zumbi do armário. Ele desmoraliza as versões fantasiosas que os petistas tentam consolidar sobre o mensalão. Se mensaleiros como José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino fizeram suas vaquinhas indecentes para supostamente pagar multa, Pizzolato — que, na prática, era chefiado pelo trio — deixa claro que não tinha problemas financeiros. Viveu vida de rico na Europa. Comprou nada menos de três apartamentos só no litoral da Espanha — dois deles avaliados em R$ 3 milhões. Por que será que seus chefes posam de coitadinhos? A virtude que os petistas mais apreciam em Delúbio é a sua capacidade de aguentar tudo calado, de não denunciar ninguém, de ser um homem do partido — é, em suma, a encarnação cara de pau. Já deu para perceber que Pizzolato é de outra natureza: não aguenta o tranco. Tem queixo de vidro. Agora, vai poder ficar na Itália gozando de seu patrimônio e de sua doce  aposentadoria. Também para esse petista, o crime compensou. Por Reinaldo Azevedo

Dilma não tem direito a lua de mel, diz senador Aloysio Nunes Ferreira

Um dia depois da derrota de Aécio Neves na disputa presidencial, o candidato a vice da chapa tucana, Aloysio Nunes Ferreira, afirmou que a presidente Dilma Rousseff “não tem direito à lua de mel” e prometeu fazer oposição “firme” e “sem transigência”. Aloysio e Aécio Neves foram eleitos senadores em 2010 – o primeiro, por São Paulo, e o segundo por Minas Gerais – e retornam às atividades parlamentares após o fim das eleições. ”Não tem por que diminuir a intensidade da oposição. Ela (Dilma) não tem direito à lua de mel que todo governante recém-eleito tem quando tem novo mandato”, afirmou o senador. “Nós vamos trabalhar para cobrar aquilo que ela prometeu (na campanha), para revelar aquilo que ela escondeu. Ela não terá trégua da nossa parte.” Para Aloysio, o PSDB deixou as eleições deste ano “com um mandato”: o de endurecer a oposição. Com a derrota de Aécio Neves, o PSDB está focado a partir de agora em manter o tom duro de oposição a Dilma usado ao longo da campanha eleitoral. O partido tem como objetivo levar ao Congresso um discurso afinado com o adotado pelo partido principalmente em São Paulo, onde capitalizou praticamente sozinho o sentimento antipetista dos eleitores. Além de Aécio Neves e Aloysio Nunes Ferreira, o PSDB contará com outros nomes combativos da sigla para defender essa nova postura, como José Serra (SP), Alvaro Dias (PR) e Tasso Jereissati (CE). Em 2015, a bancada do PSDB no Senado será menor: a legenda conta hoje com doze parlamentares e terá dez membros a partir do ano que vem. Na Câmara dos Deputados, onde o PSDB aumentou sua bancada (saltou de 44 para 57 parlamentares), o partido já se articula para fortalecer a oposição. Nesta terça-feira, representantes de partidos do bloco oposicionista se reuniram na casa do deputado Mendonça Filho (DEM-PE) para começar a alinhar discursos e traçar estratégias. ”Nós não vamos afrouxar as nossas convicções. Quem ganha governa. Quem perde fiscaliza”, disse o deputado reeleito Duarte Nogueira (PSDB-SP), participante do encontro em Brasília: “Nossa oposição vai ser muito intensa e durante todo o mandato de Dilma. Vamos cobrá-la dos compromissos assumidos". Alguns parlamentares são céticos sobre a disposição de Dilma em dialogar com a bancada oposicionista no segundo mandato. O deputado Marcus Pestana, presidente do PSDB em Minas Gerais, disse que a presidente “não tem vocação para o diálogo” e é dona de uma “índole autoritária”. ”Em momento algum a presidente propôs um diálogo com a oposição. Ela não teve a humildade de mencionar nada em relação aos 48 milhões de eleitores que a rejeitaram e o que fez foi um discurso em que reafirma a continuidade”, afirmou o deputado mineiro. “E não acho que depois de certa idade as pessoas mudem. Não creio nessa conversão súbita, não creio que mude sua índole autoritária. Nossa oposição não vai titubear em vocalizar o desejo de metade do Brasil”, afirmou. Para Duarte Nogueira, conversar com a oposição seria “um bom começo” da presidente. O tucano sugeriu que Dilma fizesse o mesmo que o ex-presidente e alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr. em seu livre "Assassinato de Reputações") em sua gestão, mantendo canais de diálogo com representantes de fora da base aliada. “Se ela (Dilma) quiser, para efeito de início de diálogo, pode sentar para conversar com a gente para explicarmos as nossas teses, que podem ser unidas às idéias que ela já tem. Fica aqui minha sugestão”, afirmou.

Reforma política: a tentação bolivariana de Dilma, que pode nem terminar o mandato, agora visa a quebrar o PMDB

O PT conseguiu quatro mandatos com a Constituição que aí está. Ficará, se Dilma conseguir encerrar o próximo período, 16 anos no poder. E se prepara, um tanto alheio à realidade, para fazer uma reforma que busque eternizá-lo no poder. Não vai conseguir. Mesmo com o país dividido, mesmo tendo obtido apenas 38% dos votos, com uma abstenção recorde; mesmo estando quase exilado às faixas de renda do país hoje mais dependentes dos benefícios estatais, os petistas se acham na condição de liderar uma reforma política contra o Congresso. Que os peemedebistas não duvidem um só segundo: o partido, embora o principal aliado do petismo, é o principal alvo das tentações totalitárias dos companheiros. Em seu discurso, Dilma afirmou que pretende encaminhar a reforma política via plebiscito, que é como colocar o carro adiante dos bois; que é como fazer o rabo abanar o cachorro. Repetiu a sua intenção nas duas entrevistas concedidas até agora. No seu modelo ideal, fazem-se um plebiscito e uma constituinte exclusiva para a reforma. Em favor da tese, alega ter recebido uma petição de movimentos sociais com oito milhões de assinaturas. Ocorre que mais de 80 milhões deixaram de votar na represidenta. Perceberam a desproporção? Fazer uma constituinte exclusiva corresponde a montar uma assembléia só com a finalidade de fazer a reforma, que será, obviamente, distorcida pelos ditos movimentos sociais, que nada mais são do que braços do PT. Pior: se os constituintes podem elaborar o texto e ir para casa, não terão compromisso nenhum com os seus efeitos. É claro que, desse processo, resultaria um modelo tendente a fortalecer os fortes e a enfraquecer os fracos. O partido quer, por exemplo, financiamento público de campanha. Ora, como seria distribuído esse dinheiro? Teria de obedecer necessariamente aos votos obtidos na eleição anterior. Vale dizer: quem hoje dispõe de uma vantagem tenderia a carregá-la para o futuro. O PT tem também especial predileção pelo voto em lista. Quer encher o Congresso com os seus burocratas sem rosto. Se propostas como essas vencem um plebiscito, os congressistas estariam obrigados a aceitá-las. “Ah, mas se é a vontade da maioria…” Bem, propostas as mais asquerosas e fascistoides podem contar com o apoio da maioria sem que a democracia saia ganhando com isso, não é mesmo? Proponha pena de morte e mutilações para bandidos perigosos, e isso tende a contar com a anuência popular. Quem disse que é bom? O PMDB resiste à tentação totalitária da senhora Dilma Rousseff e faz muito bem! Até porque a legenda está na mira dos companheiros. Eles sabem que o partido dificilmente deixará de ter um candidato próprio nas próximas eleições. A única forma decente de conciliar uma participação mais direta com os pressupostos da democracia representativa é fazer a reforma com o auxílio de referendo. Aí, sim: o Congresso vota uma reforma, e a população diz se aceita ou não a mudança. Fora desse modelo, o que se tem é tentação golpista. O golpismo das urnas, que substituiu os tanques no neoautoritarismo em  curso em vários países da América Latina. Dilma que não venha posar de bolivariana. A gente nem sabe se ela termina o mandato, certo? A Venezuela,  a Bolívia e o Equador não são aqui. Por Reinaldo Azevedo

Saab vai montar 15 caças Gripen no Brasil

Ao menos 15 dentre os 36 caças Gripen que a Força Aérea Brasileira (FAB) comprou do grupo de armamento Saab serão montados no Brasil, informou nesta segunda-feira (27) Lennart Sindahl, chefe da divisão de Aeronáutica da indústria sueca. A assinatura do contrato para a venda de 36 aviões militares de nova geração, por US$ 5,4 bilhões (R$ 13,4 bilhões), foi divulgada também nesta segunda-feira. Um contrato de cooperação inclui ainda transferência de tecnologia à indústria nacional nos próximos 10 anos. Segundo Sindahl, que repassou a informação à imprensa durante uma entrevista por telefone, entre as 15 aeronaves que serão montadas totalmente no Brasil estão 8 que serão de duas posições (biplace), usado para o treinamento de pilotos. O desenvolvimento e a produção deste modelo do novo Gripen com dois assentos será realizado em conjunto entre a empresa brasileira Embraer e a Saab. O contrato assinado entre o governo brasileiro e a Saab inclui 28 unidades do Gripen NG de apenas um assento e mais 8 de duas posições. O Brasil é o primeiro comprador do Gripen NG de dois assentos. O governo da Suécia já encomendou cerca de 60 aviões do novo modelo, mas todos com apenas um banco. Sindahl assinalou que as demais aeronaves, que serão montadas na Suécia, terão também ajuda brasileira, seja com peças, seja com mão de obra. Uma equipe de técnicos, engenheiros e mecânicos brasileiros irá à Suécia atuar conjuntamente no trabalho. "A montagem final de ao menos 15 será feita no Brasil. Mas é claro que as peças e suprimentos da indústria brasileira vão estão incluídos em muito mais do que estas 15 aeronaves, o maior número que puder, certamente. O restante será montado conjuntamente com equipes brasileiras e suecas na Sueca. Então, as mãos brasileiras estarão na construção de mais do que estas 15 aeronaves", assinalou ele. "Não vamos duplicar os fornecedores ou os suprimentos. As aeronaves que serão montadas tanto no Brasil quanto na Suécia terão as mesmas peças", afirmou, salientando que o país possui uma base industrial de tecnologia aeronáutica de suceso. As entregas dos aviões estão previstas para ocorrer entre 2019 e 2024. Ele não especificou um cronograma de montagens e nem quando será finalizada a primeira aeronave no Brasil. Os aviões bipostos devem ficar para o final do plano de entrega. "Estamos muito felizes e orgulhosos por termos sido selecionados para este contrato", acrescentou. O preço que o Brasil pagará, previsto no contrato final, é quase US$ 1 bilhão superior ao previsto em dezembro de 2013, quando o governo brasileiro escolheu o modelo sueco em uma disputa denominada "FX-2". Na época, a proposta apresentada pela Saab era considerada a mais barata entre as concorrentes e estava em US$ 4,5 bilhões. Conforme o executivo da Saab, a mudança no valor refere-se a "adaptações para as necessidades brasileiras" da aeronave, como modificações na parte de aviônica e exigências para a comunicação eletrônica e via rádio. A disputa do "FX-2" incluía o caça Rafale da empresa francesa Dassault e o F/A-18 Super Hornet americano. Atualmente, o Gripen é utilizado pela Aeronáutica da Suécia, República Tcheca, Hungria, África do Sul e Tailândia.

Com Dilma reeleita, Brasil vira 3º emergente mais vulnerável

O Brasil ocupa agora o terceiro lugar no ranking de vulnerabilidade entre os países emergentes, elaborado pela consultoria inglesa Oxford Economics, atrás apenas da Turquia e da África do Sul. Em comparação com o ranking de abril, quando foi publicado pela primeira vez, o Brasil subiu uma posição entre as economias emergentes mais vulneráveis. Em relatório publicado nesta segunda-feira, 27, a consultoria diz que essa piora no ranking deve-se à economia estagnada e aos crescentes déficits fiscal e externo. “A perspectiva irá se deteriorar mais ainda com a reeleição de Dilma Rousseff”, afirma o economista-sênior da Oxford Economics, Simon Knapp, que assina o relatório. “Apesar de o Brasil não ser o mais vulnerável no ranking, o fato é que a reeleição de Dilma Rousseff significa que a séria piora nos fundamentos econômicos do Brasil nos últimos anos é agora menos provável de ser endereçada de uma forma positiva". Além do Brasil, outro país que viu sua posição piorar entre os emergentes mais vulneráveis foi a China, mas o analista da Oxford Economics ressalta que o governo chinês ainda dispõe de muitos recursos para enfrentar até os choques mais severos. Por outro lado, a Polônia, a Malásia e a Indonésia melhoraram de posição, ou seja, tornaram-se menos vulneráveis em comparação com o ranking de abril. Sobre o risco de Dilma Rousseff não encaminhar soluções para a piora nos fundamentos, a Oxford Economics alerta que isso poderá resultar em saída grande de capital estrangeiro do Brasil ou uma redução do fluxo de investimento estrangeiro direto, os quais são necessários para financiar o crescente déficit em conta corrente do País. A Oxford Economics reduziu, em abril, sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 1,4% para zero em 2014 e de 2,1% para 0,9% em 2015, mas alerta que o número final de expansão do PIB em 2015 poderá ser ainda menor.

Tabaré Vázquez tem 47,2% dos votos no Uruguai até o momento

O candidato Tabaré Vázquez, da Frente Ampla, lidera as eleições presidenciais no Uruguai, realizadas no domingo, de acordo com resultados preliminares. O resultado final das eleições para presidente e para o parlamento deve ser publicado durante a semana. Será realizado um segundo turno, em 30 de novembro, se nenhum dos candidatos à Presidência obtiver a maioria absoluta dos votos. Neste caso, Vázquez vai enfrentar Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional, que teve 30,5% dos votos, até o momento. O candidato do Partido Colorado, Pedro Bordaberry, ficou em terceiro lugar, com 12,7% dos votos. Para o diretor da consultora de pesquisa Factum, Eduardo Bottinelli, "é muito difícil reverter esses resultados. Esse cenário é muito favorável à vitória de Tabaré Vázquez". O atual presidente, Pepe Mujica, vai integrar o Senado quando sair do cargo, em 1º de março. Em relação à composição parlamentar, a Frente Ampla está na iminência de manter a maioria no Congresso. A coligação ganhou 15 dos 30 assentos no Senado e a vitória de Vázquez pode pender a balança em seu favor, porque o vice-presidente preside o Senado. Não está claro, contudo, se a Frente Ampla vai manter as 99 cadeiras na Câmara dos Deputados. "Se eles alcançaram a maioria vai ser por uma margem muito pequena", afirmou Bottinelli, que acrescentou que a diferença pode ser de apenas um voto.

Recomposição da base na Câmara é prioridade, afirma o PT

Com o encolhimento da bancada do PT na Câmara nesta eleição e com a fragmentação da Casa em 28 partidos, a primeira tarefa do segundo governo Dilma Rousseff será recompor sua base de sustentação e tentar formar uma maioria de deputados que lhe garanta força para aprovar suas promessas de campanha, entre elas a reforma política. A principal promessa defendida por Dilma em seu discurso de vitória, por exemplo, será alvo de intensa disputa. Embora deputados de todos os partidos propaguem a necessidade de uma reforma política, os termos para essas proposta opõem um bloco liderado pelo PT e as demais siglas da Casa. O PMDB, maior partido aliado, é contrário ao fim do financiamento empresarial das campanhas, bandeira histórica de petistas. As duas legendas também estão em lados opostos sobre a convocação de um plebiscito para que a população indique as diretrizes dessa reforma. O PT quer esse tipo de consulta popular, enquanto os peemedebistas rechaçam a idéia e argumentam que o melhor é que um referendo deve ser convocado após a discussão no Congresso para chancelar as decisões. A eleição de um número maior de bancadas nanicas, dizem deputados, também deve dificultar a votação de itens como a cláusula de barreira - mecanismo pelo qual partidos que não alcancem um desempenho mínimo nas eleições não podem ter representação no Parlamento. "É um diálogo que teremos que fazer. A decisão tomada pelo povo (nas eleições) foi nessa direção", diz o ex-presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), um personagem do baixo-clero. Já o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) defende que o tema seja tratado pelo Congresso antes das eleições municipais de 2016. A viabilidade da aprovação de uma reforma política é questionada até mesmo por petistas. "Com esta correlação de forças, não acredito na aprovação da reforma política. Não temos número para aprovar uma medida como esta", declarou o deputado Sibá Machado (PT-AC), atual vice-líder da bancada, outro representante do baixo-clero, que acredita que o assunto tende a se "esfriar" nos próximos meses. Já prevendo as dificuldades com o Congresso no próximo mandato de Dilma, o PT tem pressionado para que o Palácio do Planalto reforce sua articulação política. Além do ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, lideranças do partido defendem que outros nomes de peso, como o do governador da Bahia, Jaques Wagner, sejam escalados para ajudar nas negociações com os deputados. Fora as legendas que apoiaram a reeleição de Dilma, como o PMDB, PSD, PR e PP, petistas apostam que é possível recuperar o suporte de deputados do PTB e até mesmo dissidências do PSB, siglas que apoiaram oposicionistas. "Parte do PSB estará disposta a compor com o governo", diz Zarattini (PT-SP). Um reforço da equipe responsável pelo diálogo do Palácio do Planalto com o Congresso também é necessário, avaliam petistas, devido à eleição para a presidência da Câmara para o próximo biênio. Desafeto do Planalto, o líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ), pavimenta sua candidatura e deve enfrentar um nome indicado pelo PT, rompendo um acordo de revezamento no comando da Casa que remonta a 2006. "É normal e natural que a gente tenha o direito de indicar um candidato", afirma Marco Maia, um dos petistas cotados a concorrer no ano que vem.

Eduardo Cunha diz que PT não poderá ocupar o comando do Congresso

Um dia após a presidente Dilma Rousseff (PT) ser reeleita, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), considerou que o PT não poderá ocupar o comando do Congresso na próxima legislatura. Nesta eleição, o PT conquistou a maior bancada da Câmara com 70 deputados, quatro a mais do que o PMDB, segundo no ranking. As duas legendas fizeram um acordo em 2010, pelo qual ficou acertado um rodízio entre os dois partidos na presidência da Câmara. Eduardo Cunha falou sobre o próximo mandato que se iniciará a partir de fevereiro de 2015, tendo na pauta a disputa pelos principais cargos da Mesa Diretora da Câmara, entre eles, a presidência. "Se a gente teve uma eleição acirrada e se a gente quer buscar uma conciliação, não tem sentido você defender que o partido que ganhou a eleição fique também com o comando do Congresso porque seria uma hegemonização do poder na mão no PT", afirmou. "Acho que a Casa não aceitará isso. Acho até que, para quem quer buscar conciliação, não é de bom alvitre a gente manter uma concentração num único partido de tanto poder", acrescentou o deputado ao citar o primeiro discurso da presidente Dilma após ser reeleita. Segundo ele, outro tema que estará na ordem do dia, logo no início do próximo mandato, é a reinstalação da CPI da Petrobras que, na avaliação dele, deve ser encerrada em dezembro, sem trazer nenhum resultado. O deputado considerou, no entanto, que a iniciativa não deve gerar atritos com o PT: "É inevitável uma nova CPI da Petrobras. Certamente, no início da próxima legislatura provavelmente, essa CPI continuará de outra forma". O parlamentar também analisou o impacto que a divulgação da delação feita pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa poderá ter no próximo ano: "Não sei se vai comprometer a governabilidade, mas certamente vai tumultuar o processo do parlamento". Para o líder do PMDB, a legenda também deverá buscar se unir a outras na Casa para formar uma bancada, com objetivo de conquistar espaços estratégicos como presidência de comissões e relatorias. "Os blocos vão se formar, se não ficará absolutamente ingovernável o processo legislativo", ressaltou. Ao falar sobre atuação desse bloco, o peemedebista recorreu a um tom "pacificador", nesse primeiro momento: "Queremos ser ouvidos pelo governo para ter influência no que vai acontecer. Nossa tendência é tentar curar um pouco as cicatrizes, distensionar um pouco o processo".

Renan e Eunício divergem de Dilma e defendem reforma política por referendo

Caciques do PMDB do Senado decidiram contrariar a intenção da presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) de defender como prioridade para um novo mandato a votação de uma reforma política com a realização de um plebiscito. O líder do PMDB do Senado, Eunício Oliveira (CE), e o presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmaram nesta segunda-feira, 27, serem favoráveis à aprovação da reforma, mas por meio de um referendo. "O Congresso pode fazer a reforma e, ao fazê-la, tem 30 dias para aprovar um referendo", afirmou o líder do PMDB. Ele disse que não é preciso esperar o novo Congresso tomar posse, em fevereiro de 2015, para se discutir e votar as eventuais mudanças. "Quem define eleição no Brasil são as resoluções eleitorais e as pesquisas, não são as leis", criticou ele, ao destacar que, na sua defesa de uma reforma política, expressa o sentimento da maioria da bancada do Senado. No plebiscito, primeiro é realizada uma consulta popular que vai opinar sobre quais temas da reforma o Congresso terá de abordar. No referendo, por sua vez, os deputados e senadores aprovam as mudanças e depois a população é consultada para saber se as aceita ou não. Derrotado nas eleições ao governo do Ceará no domingo, 26, após vencer no primeiro turno, Eunício Oliveira defendeu a aprovação de uma profunda reforma que aborde dois principais pontos. A primeira sugestão dele é impedir a divulgação de pesquisas de intenção de voto a menos de 20 dias da votação. O segundo ponto é proibir a fixação de regras por meio de resoluções ou portarias da Justiça Eleitoral - tais normas seriam firmadas apenas por lei aprovada pelo Congresso, que teria de ser referendada para vigorar. Mais cedo, o presidente do Senado divulgou nota em que também discordou de Dilma e defende a necessidade de se aprovar uma reforma política por meio de referendo. "Entendo, entretanto, que o melhor caminho é o Congresso Nacional aprovar a reforma - caso contrário poderá pagar caro pela omissão - e submetê-la a um referendo popular, como fizemos na proibição de venda de armas e munições", destacou. A discussão sobre a melhor forma para se aprovar uma mudança nas regras do jogo político-eleitorais - se plebiscito, como quer Dilma, ou referendo, como defendem os peemedebistas - já opôs a presidente e integrantes da cúpula do PMDB em meados do ano passado, após os protestos que tomaram conta do País. Em julho passado, a idéia de fazer um plebiscito foi abortada com a ajuda do PMDB. Os líderes partidários usaram como álibi a falta de tempo para se organizar para fazer a consulta popular para valer para as eleições de 2014.

Premiê de Israel vai acelerar construção de 1.000 novas casas para colonos

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, irá acelerar os planos de construção de cerca de 1.000 novas casas para colonos em Jerusalém Oriental, informou uma autoridade do governo nesta segunda-feira, uma medida para apaziguar um aliado de coalizão sem agravar ainda mais uma desavença com Washington. O partido ultranacionalista Lar Judeu, liderado pelo ministro da Economia, Naftali Bennett, vem fazendo ameaças veladas de encerrar sua parceria política com Netanyahu a menos que ele concorde com seu pedido de construção de 2.000 novas residências em assentamentos na Cisjordânia ocupada. Mas Netanyahu, poucas horas antes da abertura da sessão parlamentar do inverno local, contornou a exigência. A fonte governamental disse que o premiê ordenou “que se leve adiante o planejamento de cerca de 1.000 novas unidades em Jerusalém – aproximadamente 400 unidades em Har Homa e 600 em Ramat Shlomo”. Não houve clamor popular por sua construção, e Pepe Alalu, membro esquerdista do comitê de planejamento e zoneamento da municipalidade de Jerusalém, afirmou que os projetos propostos nos dois assentamentos, em áreas da Cisjordânia que Israel capturou na Guerra dos Seis Dias de 1967 e que foram anexadas à cidade, não são novos. “Os planos existem há muito tempo”, declarou Alalu, acrescentando que não foram emitidos alvarás de construção.

Lobão vai à polícia fazer queixa contra perseguições e ameaças, ele avisa: "Estou na lista negra do PT"

O cantor Lobão afirmou nesta segunda-feira que é "vítima de uma perseguição organizada pelo PT". Lobão disse que o País vive uma ditadura do "ame ou deixe-o" e que está tendo dificuldades para fazer shows por causa da militância petista. Além disso, o músico falou que suas páginas têm sido invadidas por hackers e que seu nome consta em uma "lista negra do PT". No Facebook, um evento chamado "Festa de Despedida do Lobão" chegou a receber 179 mil confirmações de presença. "A gente publica uma série de coisas e as pessoas retiram do contexto apenas uma situação. Eu publiquei nos meus perfis do Facebook e Twitter que os black blocs divulgaram o endereço antigo da minha casa e que iam botar minha cabeça numa estaca. Também publiquei que estou sendo boicotado nos meus shows – a cada dez, oito caem pelas minhas posições políticas. Minhas páginas caem há mais de dois anos por hackers, estou na lista negra do PT, que disse que eu sou inimigo do povo e da pobreza. Baseado nisso tudo, comentei com amigos que se continuasse assim, seria difícil continuar no Brasil. Não consigo achar nenhum tipo de significado real de como isso se transforma numa cobrança, como se eu tivesse prometido e não cumprido. Isso beira o absurdo. Estamos numa ditadura do Brasil ame-o ou deixe-o. Tive de ir à polícia fazer queixa, meu advogado praticamente me obrigou a fazer isso. Ontem, por exemplo, teve um vizinho que disse no Twitter que eu estava com a janela aberta e a luz acesa e que era para furarem a minha parede. São coisas que transcendem a brincadeira. Estamos numa questão doutrinária de não haver diálogo com o contraditório. Isso é bem claro na postura do PT. Você vira chacota, as pessoas não estão levando em conta o âmago da questão. Cabe a mim esclarecer de uma maneira absolutamente estoica. Eu preciso falar isso, mesmo sabendo que não encontrarei eco do que eu estou tentando explicar". Mas, Lobão avisa que não irá amenizar suas críticas ao PT: "Eu não tenho que amenizar as críticas. Eu estou pedindo socorro, inclusive à polícia. As pessoas que estão me ofendendo, chamando de escravocrata, cheirador, rei da suruba. São coisas inclusive inconstitucionais. Eu vou aliviar o quê? Eu simplesmente declarei a minha preferência de voto pelo Aécio Neves, só isso. Existe algum problema nisso? Qual o problema que tem nisso?" Ele também assegura que não pretende mudar em endereço em face das ameaças dos petralhas: "Não. Eu tenho o direito de ir e vir. Se acontecer alguma coisa, o primeiro responsável é o próprio governo. É ele que está no governo e me insere dentro da lista negra, incita a militância à violência física e difamação. Sou cidadão, pago imposto, exijo minha integridade. Vou ficar na minha, e se acontecer alguma coisa, será uma merda horrorosa. Bom pra mim. Não tenho medo nenhum. Estou no meu direito. É um absurdo o que está acontecendo. O que é isso, uma ditadura? Se você não convive com o contraditório, está com o pé dentro da ditadura. O governo é imaculado, não se pode tecer críticas ao governo!" E concluiu: "Pessoalmente não, são covardes. Esses caras fazem muito alarde na internet. Na vida real sou muito querido. Faço questão de sair na rua, as pessoas param, faço selfie com todo mundo, farei questão de continuar assim. Não sou bandido, não estou fazendo nada demais. Na verdade é uma coisa muito engraçada, você está no meio de uma crise sem precedentes no governo brasileiro, e a grande atração da comemoração petista é cobrar se eu fico ou não fico no Brasil. Isso é muito sintomático".