segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Haddad, candidato do PIP, já está em franca campanha para 2016. Ou: Inspiração ou borborigmo?

Oba! Hoje é dia de tratar aqui da imprensa. Faz sentido. Afinal, quando se transforma em notícia quem noticia, a gente também instrui as pessoas, para citar frase atribuída a Bismark, sobre o modo como se fazem os jornais e as salsichas. Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, concorre à reeleição pelo PIP, a sua sigla informal. É o “Partido da Imprensa Petista”. O PT é a sua sigla oficial. O PIP é a de adoção.

O homem está num vídeo da Folha afirmando que, embora leigo, tomaria medidas diferentes das adotadas pelo governo de São Paulo no caso da crise da água. Ele não disse quais, não tratou de sua viabilidade técnica, não evidenciou compromisso com qualquer estudo a respeito, nada disso… Disse apenas que seria diferente. Sabem? Para Haddad, o ciclofaixista, esse negócio de água é, assim, um troço subjetivo, um “jeito de corpo” (como diria Caetano Veloso nos velhos tempos), uma sensação, quase um arrepio… Que importa que a Sabesp disponha de técnicos, de expertise, de uma experiência consolidada? Sim, claro, ela pode ser contestada. Mas que seja, então, com elementos igualmente técnicos.
Haddad não precisa de nada disso. Basta que ele sinta uma coisa diferente. Pode ser uma inspiração divina, pode ser um borborigmo. Não interessa. Se é Haddad, tanto faz se ele dá à luz a grande obra ou um mero “pum”.
No Estadão, o vídeo é outro: numa cidade emporcalhada por pichações, ele aparece de spray na mão, num túnel da região da Avenida Paulista, participando de uma grafitagem organizada pela Prefeitura. É que, ali, artistas de rua tinham feito um desenho, apagado depois por estudantes de uma faculdade que queriam divulgar um evento.
As escolas de São Paulo estão na pindaíba.
As creches de São Paulo estão na pindaíba.
A saúde de São Paulo está na pindaíba.
Mas Haddad, o Jânio Quadros com sotaque de esquerda, resolveu desenhar um Pato Donald — o que também traduz, creio, uma idade mental — na parede do túnel, posando de tio prafrentex, moderninho, alinhado com as modernas tribos urbanas, saca? Se ele chegar a mostrar a cueca, pensarei seriamente na hipótese de ir fumar maconha no Uruguai…  Agora só falta vestir Haddad um colant e sair cidade afora alisando o selim, com um capacetinho descolado.
Pode parecer incrível, meus caros, mas 2016 já começou. E não será fácil enfrentar o candidato do PIP: o Partido da Imprensa Petista. É um péssimo gestor, mas grafita muros e tem ideias íntimas sobre água. Por Reinaldo Azevedo

Gilberto Carvalho por um fio: se ele não cai, quem fica na corda bamba é Dilma

Miguel Rossetto, que já foi duas vezes ministro do Desenvolvimento Agrário, é cotado para o lugar de Gilberto Carvalho na Secretaria-Geral da Presidência da República. Parece que Dilma vai acatar a minha sugestão e pôr na rua o seu ministro da Confusão Institucional. Na semana passada, enquanto a presidente falava em um entendimento nacional, Carvalho pregava, na prática, a guerra com o que ele chama “mídia”. Sempre foi um procurador dos interesses de Lula no Planalto; nunca esteve a serviço de Dilma, que não gosta dele.

E olhem que Rossetto não é exatamente uma flor “no que se refere” a olores ideológicos. É ligado à Democracia Socialista, uma corrente de esquerda, de sotaque trotskista, que só aderiu ao PT em 1986. No mapa ideológico ao menos, está à esquerda do próprio Carvalho.
A questão, no fim das contas, nem é de ideologia, mas de disciplina. Carvalho se move sem pedir licença, fala o que lhe dá na telha e se comporta como se fosse chefe de Dilma. Afinal, ele é da turma que considera a autoridade do partido acima da autoridade do Estado e do governo. Se, no PT, ele é mais do que ela — e é —, então manda mais no país. Sem contar que é a voz, os braços, os olhos, os ouvidos e a língua de Lula no Palácio.
Se Dilma não puser Carvalho na rua, será muito difícil governar. E saiba, presidente: estamos falando do maior hortelão da República. Ninguém planta “notícias”, inclusive aquelas que Vossa Excelência não gosta de ler, com a habilidade deste misto de sacristão e tiranete. Se ele não cai, quem fica na corda bamba é Dilma. Se fica, passará os próximos quatro anos conspirando em favor da volta de Lula. Por Reinaldo Azevedo

Toffoli encaminha pedido de auditoria sobre apuração das eleições, é um joguinho de cena

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Dias Toffoli, enviou nesta segunda-feira à Secretaria de Tecnologia do tribunal, setor responsável pela apuração das eleições, o pedido do PSDB de auditoria especial do resultado da eleição presidencial. Segundo o TSE, caberá ao secretário de Tecnologia, Giuseppe Gianino, prestar informações sobre a necessidade e viabilidade do pedido. Após o parecer do secretário, o pedido voltará para a presidência do tribunal para ser analisado, individualmente, por Toffoli, ou pelo plenário. Na semana passada, ao protocolar o pedido, o partido disse que tem “absoluta confiança” de que o tribunal garantiu a segurança do pleito, mas pretende tranquilizar eleitores que levantaram, por meio das redes sociais, dúvidas em relação à lisura da apuração dos votos. O pedido apresentado pelo PSDB foi ao velho estilo da esquerda cor de rosa, cheia de punhos de renda e luvas de pelica. Já começou por ter sido a representação errada e sem vontade. O que o PSDB deveria ter pedido era a suspensão imediata da promulgação dos resultados da eleição e a realização de um amplo inquérito do gigantesco crime de terrorismo sobre o eleitorado brasileiro. Não há crime maior no Brasil do que a coação sobre o eleitor, que é a fonte maior do poder no País, de acordo com a Constituição. Provas desta gigantesca e orquestrada ação terrorista petralha é o que não faltam pelo País inteiro. Mas, o PSDB, como um partido que tem vergonha de deixar de ser de esquerda, não tem peito para isto. E aí convalida o terrorismo eleitoral, convalida a maior fraude eleitoral bolivariana já realizada no Brasil. Essa é a real. E o TSE, nitidamente petista e bolivariano, está morrendo de rir.

Justiça ouvirá testemunhas no Exterior para esclarecer operações de Youssef

Crime perfeito: em depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público, o doleiro Alberto Youssef relatou que as “doações legais” das empreiteiras foram a fórmula criada para esconder a propina

A Justiça Federal do Paraná autorizou a convocação de sete testemunhas que moram no Exterior para prestar depoimento em uma das ações penais resultantes da Operação Lava Jato da Polícia Federal, que desvendou um esquema de corrupção que movimentou mais de 10 bilhões de reais. Foram convocados operadores e funcionários de bancos envolvidos nas operações criminosas do grupo comandado pelo doleiro Alberto Youssef. O objetivo é esclarecer o funcionamento do esquema de lavagem de dinheiro do bando. Os depoimentos foram solicitados por João Procópio de Almeida Prado, um dos auxiliares de Youssef. Segundo as investigações, Prado movimentava o dinheiro "lavado" pelo doleiro no Exterior. Prado e Youssef são réus em ação penal por lavagem de dinheiro, em que também são feitas acusações contra a doleira Nelma Kodama e contra os irmãos Leandro e Leonardo Meirelles, sócios do laboratório farmacêutico de fachada Labogen. Entre as operações investigadas estão transações fictícias registradas em nome do laboratório. A quadrilha utilizava empresas de fachada espalhadas pelo mundo para esconder dinheiro no Exterior e trazer recursos para o País. De acordo com a decisão do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal do Paraná, as testemunhas podem ajudar a esclarecer as diversificadas operações articuladas pela quadrilha do doleiro fora do País. Na Suíça, foram convocados executivos do mercado financeiro. Foi intimado Alessandro Seralvo, um funcionário do banco PKB, citado no inquérito como a pessoa que manipulou dados, contas e informações. Eric Kunz, outro funcionário do PKB, também foi alvo de convocação porque manipulou contas utilizadas nos esquemas criminosos. Duas testemunhas moram em Cingapura: Martin de Cruz é citado pela Polícia Federal como responsável pela criação de "duas empresas no Exterior", utilizadas para transações ilícitas, e Leenah Ng teria ligação com empresas utilizadas no Exterior. Do Panamá, foi intimada Ida de Rodriguez. De Londres, na Inglaterra, foi chamado Michael Reason, um advogado envolvido na montagem de empresas utilizadas nas operações criminosas. Também foi intimada Wyman Leung, de Hong Kong, envolvida em transações investigadas pela Polícia Federal. Os depoimentos vão ser formalmente requisitados por pedidos de cooperação jurídica internacional, enviados para o Judiciário de cada país.

Kaká termina casamento com Carol Celico

Kaká e Carol Celico, em São Paulo, no aniversário do filho Luca, em junho

Kaká, atacante do São Paulo e da seleção brasileira, terminou o casamento com Carol Celico. O casal tem dois filhos, Luca, de cinco anos, e Isabela, de três, e entre namoro e casamento ficaram 12 anos juntos. Em junho, o casal chegou a desmentir a separação, depois de ter comprado um apartamento novo em São Paulo. Kaká fica no são Paulo até o fim da temporada e se transfere no começo de 2015 para o Orlando City, time que vai integrar a principal divisão do futebol nos Estados Unidos, a Major League Soccer (MLS).

Por hegemonia, PT retoma a pressão pelo controle da imprensa

A imprensa ideal do PT: sob o comando do partido

A Executiva Nacional do PT reuniu-se nesta segunda-feira pela primeira vez após a reeleição da presidente Dilma Rousseff – e deixou claro que o partido não encampou a promessa de “diálogo” feita pela petista no discurso depois de constatada sua vitória nas urnas. Resolução aprovada durante a reunião retoma a pressão por uma antiga obsessão do PT: o controle da imprensa. O texto afirma ser "urgente" a construção da "hegemonia", e que por isso é preciso realizar a reforma política e o que o partido chama de "regulação" dos meios de comunicação, termo utilizado pelos petistas para mascarar uma intenção bastante clara: controlar o que é veiculado pela imprensa no país. O tom da resolução é de combate àqueles que o PT encara como inimigos a serem calados. "É urgente construir hegemonia na sociedade, promover reformas estruturais, com destaque para a reforma política e a democratização da mídia", diz um trecho do documento. O apelo é reforçado mais de uma vez. Depois de serem surpreendidos pelos protestos de 2013 e pelo fim do monopólio petista nas manifestações de rua, os comandantes do partido também pedem um diálogo maior com diferentes grupos: no documento aprovado nesta segunda-feira, eles afirmam que é preciso "compor uma ampla frente onde movimentos sociais, partidos e setores de partidos, intelectuais, juventudes, sindicalistas" possam “debater e articular ações comuns". Depois de uma campanha eleitoral marcada pela agressividade de que o partido da presidente fez uso para não deixar o poder, outro trecho da resolução acusa a campanha tucana dos crimes mais graves que a Executiva conseguiu listar: "A oposição, encabeçada por Aécio Neves, além de representar o retrocesso neoliberal, incorreu nas piores práticas políticas: o machismo, o racismo, o preconceito, o ódio, a intolerância, a nostalgia da ditadura militar". A resolução reforça a narrativa construída com eficiência incomparável pela máquina petista nestas eleições, segundo a qual o tucano desrespeita as mulheres e foi agressivo com a chefe da nação. Mesmo quando parece fazer uma autocrítica, a resolução descamba para os clichês típicos do partido. O texto afirma, por exemplo, que a eleição de 2014 foi a "mais difícil já disputada" pelo PT. Mas, na frase seguinte, em vez de reconhecer os desvios na Petrobras, culpa o "vendaval de acusações". O texto, de oito páginas, afirma que os petistas precisam ser mais proativos na resposta às acusações de corrupção. Culpando o inimigo de sempre, o partido pede atenção porque "setores da direita vão continuar premiando delatores".

"Não há mais espaço para o governo tratorar", diz deputado federal peemedebista

O deputado Lúcio Vieira Lima, um rebelde do PMDB

Enquanto o irmão Geddel Viera Lima (PMDB) foi atropelado por um candidato aliado ao PT na disputa pela única vaga da Bahia para o Senado, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB) ganhou projeção nestas eleições, justamente pelo posicionamento combativo que tem adotado contra o governo federal. Candidato da Bahia mais votado para a Câmara dos Deputados, Vieira Lima integra a ala rebelde do PMDB – e chegou a sugerir o fim da aliança com a presidente Dilma Rousseff no pleito deste ano. Agora, defende que o partido não ocupe nenhum ministério da petista para não tornar incoerente a bandeira de lançar candidatura própria na disputa presidencial de 2018. Para o parlamentar baiano, a primeira semana pós-eleições evidencia que a presidente Dilma terá de cumprir a promessa de abrir espaço para o diálogo – o que não fez nos quatro primeiros anos de governo. “A presidente não foi eleita pela maioria do povo brasileiro. Quando se tem uma diferença tão pequena, as urnas sinalizam que o País não quer esse governo centralizador e totalitário. Sinalizam, sim, que quer um governo do diálogo”, afirma o deputado. “Não há mais espaço para o governo tratorar”, continua. Leia a entrevista concedida por ele ao site de VEJA.
De onde vem a insatisfação do PMDB com o governo? Quando Michel Temer defendia a reedição da aliança com Dilma, ele reconhecia que o PMDB não era valorizado. Mas dizia pretender que nesse segundo governo as coisas mudassem, que o PMDB começasse a ser ouvido e participasse efetivamente da construção de políticas públicas e da execução delas. Execução, aliás, que nunca foi possível porque o PMDB sempre ocupou ministérios periféricos. Então, no primeiro mandato, o PT ficava com o bônus, e o PMDB, com o ônus. Nós éramos chamados apenas para aprovar projetos, e, depois, eventuais bônus das políticas públicas eram atribuídos ao PT. Foi alertado ao Temer que a aliança estava trazendo prejuízos, e isso foi refletido nas eleições. Apesar de o partido ter eleito sete governadores, efetivamente saiu prejudicado: diminuiu a bancada na Câmara e importantes candidatos a governador da cúpula do partido perderam a eleição, como o Eduardo Braga (AM), o Henrique Alves (RN) e o Eunício Oliveira (CE). O PMDB estava apoiando um projeto hegemônico do PT, um projeto que só cuidava do crescimento deles.
Qual ministério o PMDB gostaria de ganhar agora? Eu defendo que o PMDB não tenha ministérios, embora quem vá conduzir esse processo seja o Temer. Hoje o PMDB já anuncia que terá candidatura própria para a Presidência em 2018. Só existe uma candidatura de situação ou de oposição. Se nós estivermos ocupando cargos no governo, não poderemos ter uma candidatura de oposição. A única opção que teria é uma candidatura do governo, mas o PT não costuma abrir mão para outros partidos. Então já começa aí o contrassenso. Para sinalizar para as bases que nós teremos candidatura própria em 2018, a primeira coisa que se tinha de fazer é não ter cargos no governo. Se não, é um projeto que já nasce morto, em que ninguém vai acreditar.
Nesse ano, o PMDB encabeçou um ‘blocão’, ao lado de partidos da base e de oposição. Para o novo mandato da Dilma, há ideia da reedição do ‘blocão’? O objetivo do blocão, assim como o da apresentação de candidatura própria para a presidência da Casa, é preservar a autonomia do Legislativo. E, se necessário for para que o Legislativo se valorize sem estar à reboque do Palácio do Planalto, eu acho que é uma opção fazer blocão ou tomar qualquer atitude para ter independência. A Dilma prometeu dialogar, mas não fez mudança alguma. A sinalização dada agora nesse início de governo é para a mesma prática. Não é à toa que a Câmara já retomou os trabalhos com a derrubada do decreto da criação de conselhos, que não é em absoluto nada contra a presidente Dilma ou o Planalto. Mas, já que está querendo começar um governo novo com ideias novas, e como isso é fruto de um governo velho e criado sem qualquer diálogo com o Parlamento, o bom senso recomenda retirar a matéria. Aí seria uma boa sinalização de disposição para o diálogo.
As eleições deste ano foram marcadas pelos votos em branco e nulos, além de um grande apoio à oposição. Esse resultado muda o comportamento do Congresso? Claro. Agora nós temos mais legitimidade. A presidente não foi eleita pela maioria do povo brasileiro. Ela não teve grande aprovação e logicamente isso é uma sinalização clara de que se quer uma oposição firme e forte. O PMDB sempre conversa com a oposição, tanto pelo seu tamanho quanto pela história que representa, e da mesma forma dialoga com o PT. Quando se tem uma diferença tão pequena para a presidente Dilma, as urnas sinalizam que o país não quer esse governo centralizador e totalitário. Sinalizam, sim, que quer um governo do diálogo, com uma coalizão efetiva, e quer a execução das políticas públicas. Sinalizam, ainda, que não há mais espaço para o governo tratorar. Agora é preciso espaço para conversar. O PT saiu da eleição declarando que vai mudar e dialogar. Cabe a ele cumprir o que está dizendo.
O PMDB é criticado pelo fisiologismo e pelo interesse por cargos. Como fazer acreditar que por trás desse posicionamento não está o interesse na reforma ministerial? O PMDB é tido como símbolo do fisiologismo por ser o maior partido. Não estou dizendo que não pratique isso, mas que todos os partidos praticam igualmente. Isso não é do PMDB, e sim da vida partidária do país, até porque os governos querem que isso continue porque é interessante para eles. Mensalão e petrolão nada mais são do que uma prática fisiológica de tentar ter o Congresso sob controle via cargos ou por vantagens. Mas as atitudes vão fazer a diferença. Por isso que eu defendo que o PMDB não tenha nenhum cargo e que não use a presidência da Casa para indicar ministros.
O senhor foi o deputado mais votado da Bahia. O resultado pode ser atribuído ao estilo combativo? É um mosaico, um conjunto de fatores. O jeito combativo ajuda, sim, porque a população identifica que tem alguém para lutar por ela. Eu também busco dar uma atenção especial ao eleitorado. Eu usei muito as redes sociais para interagir com as pessoas. Eu tenho um jeito que é muito acessível e os eleitores se sentem à vontade para me abordar. Eu procuro me comportar como um cidadão comum, então eles me veem efetivamente como um representante deles.

Estado Islâmico crucifica 12 homens no nordeste da Síria

Membros do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) executaram e crucificaram doze homens na província de Deir ez Zor, no nordeste da Síria, informaram ativistas nesta segunda-feira. O Observatório Sírio de Direitos Humanos afirma que a ação ocorreu no domingo. Três homens foram decapitados nas ruas do bairro de Al Hadimiya, na cidade de Deir er Zor, capital da província de mesmo nome. Dois deles foram acusados pelos extremistas de serem leais ao regime de Bashar al Assad. O terceiro foi apontado como integrante de um grupo rebelde contrário ao EI. Após a execução, eles foram crucificados em uma praça da cidade. Outras nove pessoas foram mortas na cidade de Al Bukamal, na mesma província e que faz fronteira com o Iraque. Segundo a agência estatal de notícias Sana, as vítimas foram assassinadas a tiros e crucificadas. Todos eram membros de facções inimigas do EI, afirmou o Observatório Sírio. Também na Síria, jihadistas anunciaram nesta segunda-feira a tomada de um campo de gás na província central de Homs. É a segunda instalação de gás capturada pelo grupo terrorista em uma semana – o campo de gás de Sha'ar, que já havia sido controlado pelo EI em julho, voltou para as mãos dos jihadistas na última quinta-feira. No Iraque, os jihadistas massacraram mais 36 membros de uma tribo que resistiu por semanas na província de Anbar, no oeste do país. "Eles foram mortos a tiros em Ramadi", afirmou Hamdan al-Nimrawi, da tribo Albu Nimr. Mais de 200 membros da tribo já haviam sido executados na semana passada. Entre as vítimas estavam dezenas de mulheres e crianças, cujos corpos foram jogados em um poço. A tribo Albu Nimr, que apesar de ser sunita como o EI, se opõe aos extremistas e é aliada do governo iraquiano. Seus membros haviam imposto resistência contra o grupo, mas passou a sofrer derrotas por falta de munição, alimentos e combustível.

Venda de automóveis avança 3,57% em outubro

Linha de montagem de carros da Ford em São Bernardo do Campo, São Paulo

As vendas de automóveis, veículos comerciais leves, caminhões e ônibus somaram 306.875 unidades em outubro e o mês passado foi o segundo melhor de 2014, perdendo apenas para as 312.619 unidades destes veículos comercializadas em janeiro deste ano. O total emplacado no mês passado representa uma alta de 3,57% ante setembro, mas uma queda de 7,06% em relação aos 330.187 veículos de outubro de 2013, informou nesta segunda-feira a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). No acumulado do ano, foram 2,833 milhões de veículos, queda de 8,91% na comparação com as 3,110 milhões de unidades emplacadas de janeiro a outubro de 2013. As vendas de autos e comerciais leves somaram 291.412 unidades em outubro, baixa de 7,04% ante as 313.472 unidades emplacadas em igual mês do ano passado e aumento de 3,15% em relação ao total de 282.510 veículos de setembro. No acumulado do ano, foram comercializadas 2,695 milhões de unidades de autos e comerciais leves, baixa de 8,69% ante o acumulado de janeiro a outubro de 2013, quando haviam sido comercializados 2,952 milhões de veículos. Em outubro deste ano, as vendas de caminhões e ônibus atingiram 15.463 unidades - 12.298 caminhões e 3.165 ônibus -, alta de 12,04% em relação às 13.801 unidades de setembro e recuo de 7,49% na comparação com outubro de 2013, com 16.715 veículos emplacados à época. No acumulado de 2014, as vendas desses veículos pesados atingiram 137.846 unidades, queda de 13,12% em relação ao total de 158.670 unidades de igual período de 2013. Se forem somados motocicletas, implementos rodoviários, máquinas agrícolas e outros veículos emplacados, o total de veículos comercializados em outubro de 2014 chegou a 448.709 unidades, alta de 2,71% ante as 436.877 unidades de setembro e recuo de 5,83% comparativamente aos 476.488 veículos de outubro de 2013. No acumulado de 2014, os emplacamentos totais de veículos somaram 4,218 milhões de unidades, 7,77% inferiores às 4,574 milhões de unidades de igual período de 2013. A Fenabrave informou ainda que a Fiat ficou na liderança entre as montadoras em outubro, com 59.899 veículos leves comercializados, ou 20,55% de participação, seguida da General Motors, com 51.421 veículos (17,65%) e da Volkswagen, com 49.128 autos e comerciais leves, ou 16,86%. O Fiat Palio conquistou a liderança entre os carros, com 16.622 unidades vendidas em outubro e a motocicleta Honda CG 150 continua como o veículo motorizado mais vendido do país, com 30.753 unidades emplacadas em outubro.

Setor de etanol enfrenta pior crise em 30 anos, só no governo da petista Dilma 26 usinas fecharam as portas no Estado de São Paulo

Somente em Sertãozinho, duas usinas encerraram as atividades e uma está em recuperação judicial

O setor de produção de etanol passa pela pior crise em 30 anos. A consultoria MBF Agribusiness aponta que houve uma sobrecarga de endividamento entre os produtores de etanol em 2006, que apostaram que na produção do biocombustível como substituto do petróleo. Consequentemente, os custos de produção aumentaram e o preço final do combustível caiu. A situação se agravou em 2008, com a crise financeira internacional, que reduziu a oferta de crédito para as empresas brasileiras e estrangeiras. A falta de gestão em grande parte das empresas e o congelamento dos preços da gasolina também prejudicaram a competitividade do etanol, afetando em cheio as usinas paulistas. O Estado de São Paulo responde por cerca de 60% da plantação da cana-de-açúcar no Brasil. Nos últimos quatro anos, 26 usinas encerraram as atividades na região. Sertãozinho (SP) é um dos principais centros de tecnologia e produção de álcool e açúcar do País, com histórico de crescimento de 10% ao ano entre 2003. Mas das sete usinas instaladas na cidade, duas fecharam e uma está em recuperação judicial. Sem encomendas dos produtores de etanol, 500 metalúrgicas extinguiram 10 mil postos de trabalho e reduziram o faturamento pela metade. “Caímos do 4º para o 54º lugar no índice Firjan de desenvolvimento municipal, que mede a qualidade de emprego, renda, saúde e educação entre 5 mil municípios. A cidade ainda é muito dependente da cana”, afirma o secretário de Indústria e Comércio de Sertãozinho, Carlos Roberto Liboni. O cenário também é desfavorável para os cerca de 2 mil pequenos fornecedores de cana-de-açúcar das usinas de Sertãozinho. A seca deste ano reduziu a produtividade de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo de até 90 toneladas por hectare para 71 toneladas por hectare. Com menos matéria-prima, parte dos produtores de etanol encerrou a safra antecipadamente, em outubro, em vez de novembro. O diretor da Canaoeste, Manoel Ortolan, explica que muitas empresas estão vendendo ou arrendando parte de suas terras para grupos internacionais para evitar novos endividamentos: “Esperamos que o governo anuncie o aumento de 25% para 27,5% da adição de etanol na gasolina em 2015. Seria uma alta de 1,2 bilhão de litros".

Petrobras e PPSA assinam acordo sobre produção de jazida

Início da produção comercial de Tartaruga Verde e Tartaruga Mestiça está programado para 2017

A Petrobras e a PPSA (Pré-Sal Petróleo) assinaram Acordo de Individualização da Produção (AIP) da jazida compartilhada de Tartaruga Mestiça, localizada na porção sul da Bacia de Campos. O acordo estabelece as regras da execução conjunta das operações de desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural da área, bem como as participações de cada uma das partes. A PPSA assina o acordo na qualidade de representante da União, pois a área não contratada da jazida compartilhada localiza-se no Polígono do pré-sal. A jazida compartilhada de Tartaruga Mestiça encontra-se parcialmente na área sob o contrato de concessão BM-C-36 (operado pela Petrobras, com 100% de participação) e parcialmente em uma área não contratada no Polígono do pré-sal. Localiza-se a aproximadamente 125 km de Macaé (RJ), em lâmina d'água entre 650 e 1.200 metros, e irá produzir óleo e gás. "O acordo define a Petrobras como operadora da jazida compartilhada, bem como prevê mecanismos de redeterminação das participações originalmente estabelecidas à medida que novas informações técnicas forem obtidas", informou a Petrobras, em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O tratado, assinado na última sexta-feira, e o plano de desenvolvimento de Tartaruga Mestiça ainda serão sujeitos à aprovação da Agência Nacional de Petróleo (ANP). "Com a aprovação da ANP e o posterior início da produção, será garantida à União, por meio da PPSA, uma parcela do volume produzido de petróleo e gás natural", acrescentou a estatal petroleira. O desenvolvimento de Tartaruga Mestiça ocorrerá em conjunto com o campo de Tartaruga Verde (100% da Petrobras) e prevê a instalação de uma Unidade Estacionária de Produção do tipo FPSO, plataforma em formato circular, além da perfuração de poços produtores e injetores. O início da produção comercial do FPSO de Tartaruga Verde e Tartaruga Mestiça, por meio de poço no campo de Tartaruga Verde, está programado para 2017, conforme previsto pelo Plano de Negócios e Gestão para o período de 2014 a 2018. Já o início da produção comercial do campo de Tartaruga Mestiça está programado para o primeiro semestre de 2018.

Tarifa de transporte coletivo sobe 4 vezes mais do que preço do carro

Tarifa de ônibus no país subiu 711,29% nos últimos 20 anos

Andar de carro ficou proporcionalmente mais barato do que usar ônibus, trem, metrô ou barcas nas grandes capitais do Brasil. Em 20 anos, as tarifas de transporte coletivo subiram 685%, enquanto abastecer um automóvel com gasolina ou álcool ficou 423% mais caro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Se comparado à valorização do preço do carro, a diferença é ainda maior. Desde a estabilização da moeda, a alta foi de 158,36%, menos da metade da inflação média do País no período (365,58%). "Nos últimos dez anos, claramente o transporte público ficou mais caro para a população. Essas decisões são tomadas no âmbito econômico. Não se discute mobilidade e o financiamento das cidades. Temos que segurar a inflação e aí o preço da gasolina não sobe. E a bomba cai nas mãos dos prefeitos", disse Carlos Henrique Ribeiro do Carvalho, do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea). Incentivos fiscais, como taxas baixas para a aquisição de veículos, e o congelamento do preço da gasolina ajudam a entender este cenário. A política que privilegia a classe média em detrimento de quem não possui carro também é visível na comparação com o preço da tarifa de ônibus, responsável por 86,6% do transporte coletivo do País. Neste caso, nas últimas duas décadas, a alta foi de 711,29%. Vale lembrar que, em anos de eleição, a tarifa permanece a mesma, mas no primeiro ano de governo vem a conta. Os transportes têm peso parecido ao da alimentação no orçamento das famílias, principalmente no caso dos mais pobres. Segundo estudo do Ipea, com base em dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), de 2009, os 10% mais pobres comprometem 21,83% do orçamento doméstico com transportes, contra 13,83% dos 10% mais ricos.

Beltrame confirma que fica na Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro

 Coletiva de José Mariano Beltrame, secretário de Segurança do Rio de Janeiro

O secretário estadual de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, confirmou nesta segunda-feira que vai permanecer à frente da pasta no próximo mandato do governador reeleito Luiz Fernando Pezão (PMDB). Sua manutenção era esperada, mas ainda não havia sido confirmada. Em rápida conversa com jornalistas, Beltrame respondeu apenas "continuo" ao ser indagado se permaneceria no cargo. E completou dizendo que está finalizando "um diagnóstico de cada UPP (atualmente são 38 Unidades de Polícia Pacificadora) para fazer efetivas ações para concretizar cada vez mais este projeto". "Temos que fazer com que os territórios fiquem libertos. Essa é nossa luta e isso que vamos continuar fazendo", afirmou durante a inauguração de uma Companhia Destacada da Polícia Militar em Nilópolis, na Baixada Fluminense. O delegado federal José Mariano Beltrame é o secretário estadual de Segurança que mais tempo permaneceu no cargo desde a redemocratização. Ele assumiu o posto no começo do governo Sérgio Cabral (PMDB), em 2007. Pezão garantiu que Beltrame terá autonomia para continuar os projetos de segurança pública: "O secretário Beltrame prestou um serviço à segurança pública do Estado que nenhum outro secretário prestou. Fico muito feliz que ele tenha aceitado o convite e continue à frente da secretaria de Segurança". O governador garantiu que ainda há "uma série de planos e ações para serem implementados": "Vamos solidificar as UPPs e olhar para a Região Metropolitana".

Balança tem pior resultado para outubro em 16 anos

Navios e containers no terminal BTP, no Porto de Santos

A balança comercial brasileira registrou déficit de 1,17 bilhão de dólares em outubro, informou nesta segunda-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Trata-se do pior resultado para o mês de outubro em dezesseis anos, quando o resultado negativo foi de 1,44 bilhão de dólares, em outubro de 1998. No acumulado de janeiro a outubro, o déficit somou 1,87 bilhão de dólares. As exportações no ano somam 191,96 bilhões de dólares e as importações, 193,83 bilhões de dólares. Os analistas do mercado financeiro, consultados pelo Banco Central para o boletim Focus, ainda estimam um superávit comercial de 2 bilhões de dólares em 2014. Apesar de ruim, o resultado do mês passado veio melhor que o esperado pela mediana dos especialistas consultados pela Reuters, cuja projeção era de déficit de 1,4 bilhão de dólares. O resultado negativo é a diferença entre 18,33 bilhões de dólares das exportações e de 19,51 bilhões de dólares em importações. Em setembro, o país havia registrado déficit de 939 milhões de dólares, também o pior resultado para o mês em dezesseis anos. As exportações brasileiras tiveram queda de 19,7% em outubro quando comparadas com a média diária de outubro de 2013. Apenas as vendas externas de manufaturados caíram 30,3% no período. Também houve queda na exportação de óleos combustíveis, automóveis de passageiros e aviões. O grupo de produtos básicos teve uma retração de 15,4%, queda puxada por soja em grão, minério de ferro, milho em grão e minério de cobre. Nos semimanufaturados, houve um recuo de 1%, principalmente por conta de óleo de soja em bruto, ouro em forma semimanufaturada e açúcar em bruto. As vendas brasileiras em outubro para a União Europeia caíram 40,4%, recuo explicado principalmente pela plataforma de petróleo embarcada no ano passado — operação que não se repetiu em outubro de 2014. As exportações para a Ásia tiveram queda de 25%, sendo que para a China caíram 43,8%. Para o Mercosul, o recuo foi de 22,2% e, para Argentina, de 35,9%. Os embarques no mês passado para os Estados Unidos caíram 0,3%. Ainda segundo o MDIC, as importações de combustíveis e lubrificantes tiveram queda de 36,2% em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado. A retração ocorreu, de acordo com o ministério, devido à queda dos preços e das quantidades embarcadas de óleos combustíveis, nafta, petróleo, gás natural e carvão. No segmento de bens de consumo, a queda foi 14% no mês passado, puxada por automóveis de passageiros, móveis, máquinas e aparelhos de uso doméstico e objetos de adorno. As importações de bens de capital caíram 12% e as de matérias-primas e intermediários tiveram recuo de 9,3%. As compras brasileiras da União Europeia diminuíram 17,8% e as provenientes do Mercosul tiveram retração de 12,7%. Os produtos vindos da Argentina tiveram queda de 15,5%, enquanto as importações brasileiras vindas dos Estados Unidos apresentaram uma redução de 10,1%. No caso da Ásia, a queda foi de 8,6%.

Queixas contra negativas de planos de saúde crescem 440% em três anos

O número de negativas dos planos de saúde para atendimento a clientes comunicadas à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aumentou cerca de cinco vezes entre 2010 e 2013, segundo dados obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo. No ano passado, o órgão recebeu a notificação de mais de 72.000 casos de clientes de convênios médicos que não conseguiram aval para procedimentos. Há quatro anos, esse número foi de pouco mais de 13.000, o que representa uma alta de 440% em três anos. Para André Longo, diretor-presidente da ANS, duas questões ajudam a explicar o crescimento de negativas por parte dos planos. Por um lado, o cidadão está buscando mais os seus direitos e reclamando mais para a agência. “Hoje em dia já estamos recebendo mais queixas do que todos os Procons do País”, diz. “Por outro, o número de beneficiários de planos vem aumentando e algumas operadoras têm dificuldades de acompanhar essa demanda”. Longo também cita as regras criadas em 2011 pela ANS que definiram prazos máximos para atendimento. “Mais de um terço das reclamações por negativas de cobertura se refere aos prazos descumpridos”, afirma. Mesmo considerando o aumento no número de beneficiários no período analisado, as negativas também cresceram proporcionalmente. Em 2010, quando o País tinha 45,1 milhões de beneficiários de convênios médicos, a média foi de uma negativa para cada 3.365 clientes. Em 2013, quando o número de clientes de planos passou para 50,5 milhões de pessoas, a proporção de recusas de atendimento foi de uma para cada 697 beneficiários. “As pessoas estão conhecendo melhor os canais de reclamação, mas não se pode negar que as operadoras estão tentando diminuir o acesso aos tratamentos para reduzir custos”, diz Carlos Thadeu de Oliveira, gerente técnico do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec): “”As operadoras já orientam médicos a minimizarem a demanda por exames e outros procedimentos. Quando os profissionais não acatam isso, eles tentam negar a cobertura". Os dados também mostram que as operadoras de planos de saúde brasileiras acumularam dívida de cerca de 925 milhões de reais com a ANS por multas recebidas devido a negativas de cobertura ou outras irregularidades praticadas contra clientes nos últimos cinco anos. Entre 2009 e 2013, foram aplicadas 8.335 autuações contra as empresas, em um total de 1,09 bilhão de reais em penalidades. Desse montante, foram pagos aproximadamente 167 milhões de reais, correspondentes a 2.125 multas. Os números incluem somente as autuações já transitadas em julgado, ou seja, as penalidades que foram mantidas mesmo após as empresas entrarem com recurso em todas as instâncias. Nos casos de não pagamento, a ANS se vê obrigada a entrar na Justiça para pedir a execução da dívida, o que pode demorar anos.

Executivos do banco mais antigo do mundo são presos por ocultar prejuízos

Banco Monte dei Paschi. Também foram presos o ex-CEO Antonio Vigni e o ex-CFO do Gianluca

Três ex-executivos do banco Monte dei Paschi, considerado o mais antigo do mundo, foram presos na última sexta-feira por esconderem um contrato de derivativos que ajudou a ocultar perdas financeiras da instituição. O ex-presidente Giuseppe Mussari, o ex-CEO Antonio Vigni e o ex-CFO Gianluca Baldassarri foram condenados a três anos e meio de prisão e ao pagamento dos danos. O Banco Central da Itália impôs uma multa de 5 milhões de euros aos executivos. O presidente da autoridade monetária italiana, Ignazio Visco, afirmou em discurso que as dificuldades do banco, fundado em 1492, estavam em grande parte relacionadas com episódios de má administração. O contrato de derivativos foi encontrado na sede do Monte dei Paschi, em Siena, depois que os executivos deixaram o banco, em 2012, por causa de seu desempenho financeiro ruim. Os prejuízos causados pela má gestão e por possíveis fraudes foram enormes. O Banco Central Europeu informou em outubro que o Monte dei Paschi precisou levantar 2,1 bilhões de euros para compensar um déficit em fundos que poderiam ser utilizados caso houvesse uma crise financeira ou uma severa desaceleração econômica. O Monte dei Paschi registrou o maior déficit entre os 130 bancos analisados pelo Banco Central Europeu. A instituição rebateu dizendo que contratou o UBS e o Citigroup como consultores financeiros para ajudá-la a elaborar um plano para aumentar o capital e avaliar “todas as alternativas estratégicas”. As alternativas podem incluir, sobretudo, uma fusão com um banco mais consolidado.

Justiça veta acesso da Petrobras a inquérito sobre empreiteiras

CPI mista da Petrobras recebe ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, no Congresso Nacional, em Brasília (DF) - 17/09/2014

O juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal do Paraná, negou pedido da Petrobras para ter acesso a investigações em andamento que apuram o desvio de verbas da estatal. A petrolífera queria vista integral de inquéritos, originados pela Operação Lava Jato, que apuram esquemas de corrupção praticados com envolvimento de executivos da Petrobras e de prestadores de serviço da estatal. "Embora legítimo o interesse da empresa requerente, uma vez que tais inquéritos destinam-se a apurar a possível prática de crimes ocorridos em seu âmbito de atuação, o acesso prematuro pode prejudicar as investigações, já que compromete o necessário sigilo", afirmou o juiz na decisão.  Esses inquéritos são desdobramentos da operação que já originou dez ações penais. Um dos processos trata da lavagem de dinheiro desviado da refinaria Abreu e Lima, construída pela Petrobras em Pernambuco. O doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa são réus neste caso, que é público e pode ser acompanhado integralmente pela petrolífera. Mas a operação identificou outros esquemas criminosos que ainda estão em etapa de investigação e, por isso, permanecem sob sigilo. Ainda assim, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal vão opinar se a Petrobras deve ter acesso a inquéritos preliminares sobre a atuação dos executivos das empreiteiras na apropriação ilícita de recursos da petrolífera. Depois dos pareceres, o juiz tomará a decisão final. Também foi rejeitado pedido da Petrobras para tomar depoimento do ex-diretor Paulo Roberto Costa, delator do megaesquema de corrupção que desviava verbas da petrolífera para o bolso de políticos e partidos. Os advogados da Petrobras tinham requisitado que Costa respondesse a perguntas "de forma escrita e sigilosa". Mas o juiz também entendeu que investigações criminais em andamento poderiam ser prejudicadas pela "intervenção prematura" de uma investigação administrativa.

Refinaria Abreu e Lima recebe licença de operação

Refinaria Abreu e Lima

A Refinaria do Nordeste (Rnest), também conhecida como Refinaria Abreu e Lima, recebeu a licença ambiental para entrar em operação. A informação foi confirmada nesta segunda-feira pela agência estadual de meio ambiente de Pernambuco. A refinaria da Petrobras está entre as principais pedras no sapato da estatal: além de obras atrasadas, ela é alvo de investigações da Polícia Federal que integram a Operação Lava Jato. A Polícia Federal apura um esquema de corrupção envolvendo a Petrobras, conforme revelou VEJA, que envolve parlamentares e ministros. Estima-se que o esquema tenha drenado 10 bilhões de reais dos cofres públicos. Além disso, um relatório apresentado pelo Tribunal de Contas da União, no fim de setembro, aponta para um superfaturamento de 367 milhões de reais nas obras do empreendimento. Embora a refinaria receba a licença de operação, uma fonte diz que a Petrobras, provavelmente, não entregará combustível da Rnest antes do início do próximo ano. Isso porque a estatal não notificou as distribuidoras de combustíveis oficialmente, até agora, de que a refinaria produzirá. As distribuidoras têm até o terceiro dia útil de cada mês para registrar pedidos para o mês seguinte. Para a fonte, os prazos estão muito apertados para que seja possível registrar pedidos para dezembro. "Está muito em cima da hora. Normalmente, a Petrobras faria este comunicado um pouco antes", afirmou.

Presidente da Transpetro se afasta da direção da estatal, por exigência da PriceWaterhouseCoopers

Transpetro

Após ter o nome citado nas investigações da Operação Lava Jato como um dos integrantes do esquema de corrupção na Petrobras, o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, pediu licença do cargo nesta segunda-feira. Em depoimento à Justiça Federal, o ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, relatou que recebeu de Machado 500.000 reais de propina referentes a uma licitação de navios. Em nota, Sérgio Machado afirma que ficará afastado por 31 dias, sem receber salário. "Tomo a iniciativa de afastar-me temporariamente para que sejam feitos, de forma indiscutível, todos os esclarecimentos necessários", diz o texto. Sérgio Machado afirmou em reunião com diretores na tarde desta segunda-feira que está sendo "injustiçado". Coitadinho!!!!! "Apesar de toda uma vida honrada, tenho sido vítima nas últimas semanas de imputações caluniosas feitas pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, cujo teor ainda não foi objeto sequer de apuração pelos órgãos públicos competentes. A acusação é francamente leviana e absurda, mas mesmo assim serviu para que a auditoria externa da PriceWaterhouseCoopers apresentasse questionamento perante o Comitê de Auditoria do Conselho de Administração da Petrobras", segue a nota. "Trata-se de um gesto de quem não teme investigações. Pretendo com isso, também, evitar eventuais atrasos na divulgação do balancete do terceiro trimestre da Petrobras. Estou certo do pleno rigor e lisura de minha gestão na Transpetro, e tranquilo quanto ao curso das investigações. Tenho todo o interesse de que tudo seja averiguado rapidamente", encerra. Ex-senador, Sérgio Machado é afilhado político do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB). Por causa do seu envolvimento, a presidente petista Dilma Rousseff já havia cogitado demiti-lo do cargo. Por que ainda não o fez? O PMDB, no entanto, impediu a exoneração, alegando que o mesmo tratamento fosse dado aos petistas também citados na Lava Jato, como o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. Na semana passada, Vaccari disse que deixaria o posto no conselho de administração da Itaipu. O afastamento imediato de Sérgio Machado foi uma das exigências impostas pela PriceWaterhouseCoopers para realizar a auditoria de contratos da subsidiária de transporte e logística da Petrobras. A Price é uma auditora independente que avaliza os balanços comerciais e financeiros da estatal. Nos bastidores, o PMDB acredita que ele deve sair de cena temporariamente até que a investigação comprove a sua inocência, para depois reaver o cargo. Tudo jogo de cena!!!

Ministério Público Federal entra na Justiça para que médicos cubanos recebam diretamente do governo brasileiro

Médicos cubanos desembarcam no Aeroporto Internacional de Guarulhos; 150 médicos cubanos farão treinamento de três semanas para participarem do Programa Mais Médicos do Governo Federal

O Ministério Público Federal em Brasília cobrou, em dois pareceres enviados à Justiça, que o governo brasileiro pague diretamente os profissionais cubanos participantes do programa Mais Médicos, sem a intermediação do governo cubano ou da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Ao contrário dos médicos de outras nacionalidades, que recebem 10.000 reais mensais, os cubanos ganham uma bolsa de 1.000 dólares por mês (cerca de 2.500 reais) por meio de um convênio firmado entre o Estado brasileiro e a OPAS. Em dois pareceres encaminhados à Justiça, a procuradora da República Luciana Loureiro Oliveira acata parcialmente duas ações que pedem a anulação do programa. Uma delas foi movida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), um dos órgãos mais críticos ao programa, que foi vitrine de campanha da presidente reeleita Dilma Rousseff (PT). Os pareceres são datados de 14 e 15 de outubro, antes do segundo turno das eleições, mas só foram divulgados nesta segunda-feira. Nos documentos, a procuradora afirma que os termos do acordo com a OPAS não deixam claro quanto cada médico recebe do governo brasileiro. Segundo ela, a própria União diz "não saber em que efetivamente estão sendo gastos os recursos públicos brasileiros", e destaca o montante de 510 milhões de reais repassados à OPAS em 2013, para trazer os médicos da ilha dos irmãos Castro. "Malgrado a importância da motivação e das finalidades do Programa Mais Médicos para o Brasil, além das inegáveis contribuições que os médicos da ilha de Cuba podem trazer para o desenvolvimento e o aprimoramento das ações do Sistema Único de Saúde, entendemos que a viabilização da vinda de tais profissionais cubanos, nos termos em que pactuados com a OPAS, se mostra francamente ilegal e arrisca o erário a prejuízos até então incalculáveis, exatamente por não se conhecer o destino efetivo dos recursos públicos brasileiros empregados no citado acordo", informa o parecer. 

Jornalismo de panfleto: a onda de satanização da oposição na imprensa paulistana

A força do governismo — ou, para ser mais preciso, do petismo — na imprensa é avassaladora. Muito maior do que na sociedade. Nas urnas, vocês viram o resultado: Dilma venceu por uma diferença de pouco mais de três pontos. Muito cuidado com o que você lê. Muito cuidado com o que você vê. Muito cuidado com o que você ouve — sim, também com o que você lê aqui. Eu não quero nem preciso que você acredite em mim; eu quero que você tenha compromisso com os fatos. É por isso que este blog existe. No sábado, 2.500 pessoas, segundo a PM, se reuniram na Paulista para cobrar uma auditoria na eleição; muitas delas pediram, sim, o impeachment de Dilma se comprovado que ela sabia da roubalheira na Petrobras, conforme sustenta Alberto Youssef, no âmbito da delação premiada. Bem, caso isso fique mesmo evidente, é claro que a presidente terá de sair. Mas, antes, será preciso provar. Muito bem: alguns poucos gatos-pingados, no protesto, chegaram a pedir uma intervenção militar, o que é, obviamente, uma tolice. Eram tão poucos os que assim se manifestavam que tanto o repórter da Folha como o do Estadão entrevistaram a mesma pessoa. Foi o bastante para que a questão ganhasse enorme destaque nos dois veículos. Ainda nesta segunda, o Estadão decidiu ouvir o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) a respeito do assunto, como se isso fosse relevante.  Tenta-se colocar em quem se manifesta contra a roubalheira e a truculência a pecha de golpista. Veículos de comunicação, o que é asqueroso, não têm se distinguido das páginas do PT nas redes sociais. O protesto de sábado se organizou em favor da auditoria e, reitero, do impeachment caso fique comprovado que Dilma sabia de tudo. Esse procedimento é nojento. Um bando de brucutus resolveu atacar a editora Abril com camisetas da Dilma. Era composto, inequivocamente, de pessoas que faziam a campanha da petista. Ninguém tratou, porque seria mesmo incorreto, todos os dilmistas como fascitóides que não respeitam a liberdade de imprensa, ainda que a pregação do partido na TV desse azo a atos violentos. Mas basta que duas ou três pessoas, num ato de eleitores de oposição — às vezes, uma —, digam uma bobagem para que esta se transforme no centro das atenções. A luta que as oposições têm pela frente não será fácil. Terão de enfrentar a propaganda do governo federal e a disposição clara, já manifesta, de setores da grande imprensa, alinhados com o partido do poder, de desmoralizar a resistência. Cumpre lembrar aqui uma vez mais: em ditaduras, também há governos, mas só nas democracias existe oposição. Desrespeitá-la corresponde a atacar o cerne do próprio regime de liberdades públicas. Os senhores editores têm de ficar atentos para impedir que grandes veículos de comunicação se transformem em panfletos partidários — na hipótese, é claro, de que eles próprios não sejam panfletários. Por Reinaldo Azevedo

Petrolão: STF vai denunciar ou abafar?



Um mês depois de homologar o acordo de delação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, o ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava-Jato no STF, ainda não determinou a abertura de inquérito contra políticos suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção na estatal. Em quase cem depoimentos da delação premiada, Costa apontou o dedo para pelo menos 28 deputados, senadores, governadores, entre outras autoridades. As declarações do ex-diretor, já confirmadas em parte pelo doleiro Alberto Youssef, devem botar contra a parede grande número de políticos e inflamar ainda mais o clima no Congresso nesta fase após a reeleição de Dilma Rousseff. Pela gravidade das acusações, o surgimento de nomes vinculados às fraudes será mais um ingrediente na crise que só cresce desde a primeira vez em que Costa foi preso, em março. As revelações de Costa atingem PT, PMDB, PP, PSB, SD e PSDB, entre outros partidos. Cada um em uma situação específica. Costa e Youssef também denunciaram grandes empreiteiras e contratos bilionários delas com a Petrobras. Só em um dos casos, Costa confessou ter recebido US$ 23 milhões da Odebrecht, o equivalente à soma dos empréstimos que, segundo o STF, o lobista Marcos Valério simulou para abastecer os dutos do mensalão. A empresa nega. Para procuradores e delegados, as investigações principais nem começaram. "Se for comprovado o envolvimento dos parlamentares, isso vai ter uma repercussão muito forte no Congresso, que é o espaço próprio para se discutir essas questões político-partidárias", disse o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Alexandre Camanho. Investigadores suspeitam que parte do esquema da Petrobras era reproduzido em outros órgãos. Nas investigações já começam a aparecer referências ao Dnit e à Eletrobras, entre outras frentes de investigação que devem ser abertas. Costa continua disposto a colaborar, o que pode prolongar a tensão no Congresso e na Petrobras. — O compromisso dele é colaborar com a investigação — afirmou João de Baldaque Mestiere, um dos advogados de Paulo Roberto Costa.

Petição na Casa Branca que denuncia o Foro de São Paulo e pede ajuda para tirar o PT do poder já tem 65 mil assinaturas

Petição na Casa Branca pedindo saída do PT do poder já tem mais de 65 mil assinaturas.

Uma petição criada no site da Casa Branca para que o governo de Barack Obama se posicione a respeito da “expansão do comunismo bolivariano promovido pelo governo Dilma Rousseff” já conta com mais de 65 mil assinaturas. Clique aqui para conferir. De acordo com a petição, existe um plano petista, capitaneado pelo Foro de São Paulo, para estabelecer o regime comunista no Brasil. O autor ressalta que a reeleição da presidenta Dilma no último dia 26 de outubro foi vista pela comunidade internacional como “democrática”, mas, além dos expoentes do Judiciário terem sido escolhidos pelo PT, houve ameaças explícitas contra beneficiários de programas sociais. As pessoas foram induzidas a pensar que os benefícios conquistados seriam cortados caso não reelegessem Dilma. A petição conclama a Casa Branca a se posicionar, pois “o Brasil não quer ser, e não será, uma nova Venezuela e os Estados Unidos devem ajudar os que querem promover a democracia e liberdade no Brasil”, finaliza.

João Vaccari Neto, o tesoureiro do PT, já avisa aos mais chegados que vai ser preso

Tesoureiro do PT, João Vaccari Neto (Roosewelt Pinheiro/ABr)

Tesoureiro do PT no escândalo do Petrolão do governo Dilma, assim como Delúbio Soares desempenhou o mesmo papel no Mensalão do governo Lula, João Vaccari Neto conhece profundamente a extensão de mais esse escândalo de corrupção na era petista. Talvez isso explique sua iniciativa de prevenir a família e amigos mais chegados que terá a mesma sorte de Delúbio: ele acha que acabará na prisão. Segundo denúncias na Operação Lava Jato, Vaccari seria o principal interlocutor do PT e dos governos Dilma e Lula no esquema corrupto. Vaccari é acusado de criar empresa-fantasma para ocultar operações que lhe renderam grandes quantias, por meio de negócios simulados. A Polícia Federal estima que o esquema envolvendo o doleiro Alberto Youssef, parceiro de Vaccari, “lavou” R$ 10 bilhões surrupiados. João Vaccari é velho conhecido do Ministério Público, que o acusa de grossas maracutaias na Bancoop, cooperativa de bancários de São Paulo.

Partidos nanicos negociam formação de bloco parlamentar para a eleição na Câmara dos Deputados

Em uma Câmara dos Deputados pulverizada em 28 partidos, as 10 siglas “nanicas” tentam formar um bloco parlamentar para ter peso na eleição para a presidência da Casa no próximo biênio - uma disputa que pode colocar em rota de colisão as duas maiores legendas da base de apoio da presidente Dilma Rousseff. Peemedebista e petistas afirmam que, se formalizada, a nova força política será cobiçada pelos candidatos que, nos bastidores, tentam viabilizar seus nomes. Juntos, PHS, PTN, PRP, PMN, PEN, PSDC, PTC, PT do B, PSL e PRTB elegeram 24 deputados. O PHS, fundado em 1997, teve o melhor resultado e conquistou cinco cadeiras. “As conversas estão bem adiantadas e é uma questão de sobrevivência para os pequenos partidos”, avalia o deputado Luis Tibé, líder do PTdoB: “Se o bloco não se concretizar será horrível para nós". O líder do PMDB, deputado federal Eduardo Cunha (RJ), foi lançado na semana passada pela bancada peemedebista candidato ao comando da Câmara. O PT, que fez a maior bancada neste ano e elegeu 77 deputados, também articula lançar um nome, o que deve romper um acordo de revezamento entre os dois partidos que foi iniciado em 2006. Desafeto do governo por ter liderado rebeliões na Câmara, Cunha tenta se colocar como candidato “do tapete”, que tenta construir alianças de baixo para cima. Já contando com a oposição do Planalto, conquistar o apoio “no varejo” dos nanicos ganhou importância na sua estratégia para ser eleito. “Na composição do novo Congresso Nacional vai ser fundamental a capacidade de aglutinar”, avalia o deputado Leonardo Picciani (RJ), aliado próximo a Eduardo Cunha: “É fundamental ter esse diálogo para que eles se somem à candidatura do Eduardo". Cunha tem tentado se cacifar como uma alternativa capaz de valorizar a Câmara e prestigiar os deputados, discurso que deve fazer parte das negociações para atrair os nanicos. “Não adianta ter força na eleição e depois não ser prestigiado”, diz Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), outro articulador próximo ao líder peemedebista. “Se o PT não dá importância a um partido do tamanho do PMDB, imagine que importância dará aos demais partidos”, conclui. Um dos cotados a sair candidato pelo PT, o vice-presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (SP), concorda que os “nanicos” terão peso, mas pondera que ainda é preciso avaliar o grau de unidade que eles conseguirão formar entre si. Montar um bloco que dê força política aos dez menores partidos da Câmara também tem por objetivo formar um grupo que atue contra propostas de uma reforma política que possa criar barreiras para que as pequenas legendas tenham representação na Casa. Um dos pontos que os partidos nanicos não querem ver aprovados, por exemplo, é a cláusula de barreira, mecanismo pelo qual um partido que não alcançar determinado porcentual de votos não chega ao Parlamento. “É preciso discutir, mas sem barrar a existência dos pequenos partidos”, afirma o líder do PTdoB.

Partidos que surgiram após governo Collor terão maior "bancada" da Câmara

A Câmara dos Deputados que toma posse em 2015 será a mais pulverizada desde a redemocratização. Não apenas pelo número recorde de 28 agremiações partidárias com cadeiras na Casa. É que os partidos surgidos depois de 1990 nunca tiveram tanto espaço e poder. As novas siglas somarão 143 deputados federais - mais do que o dobro do que elegeram em 2010. Pela primeira vez, os partidos pós-Collor terão, juntos, a maior bancada da Câmara. A pulverização do poder vai se traduzir em maior participação dos nanicos nas decisões do Congresso Nacional. Deverão ocupar posições importantes tanto na Mesa Diretora quanto nas comissões. A outra consequência é que o preço da governabilidade vai ficar mais caro. “Os 39 ministérios não serão suficientes para acomodar todo mundo”, ironiza o professor Marco Antonio Teixeira, da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP). Para o governo isso é um problema político e aritmético. Embora quase nunca o líder governista possa contar com todos os votos dos partidos aliados, em tese ele alcançava maioria com a soma das bancadas eleitas em 2010 por PT, PMDB, PP, PDT e PR. Agora, essa soma está 51 cadeiras menor. Seus 225 deputados estão longe do número mágico de 257 votos, que equivale à maioria absoluta. Ao ganho de poder dos emergentes corresponde uma perda de representação dos partidos históricos. Dentre aqueles que elegeram deputados na primeira eleição após o fim da ditadura, em 1986, quase todos ficarão menores. São os casos de PMDB, que elegeu 12 deputados federais a menos, do PT (menos 18), do PDT (menos 9), do PR (menos 7), do DEM (menos 21), do PP (menos 5) e PCdoB (menos 5). Outros dois não encolhem nem crescem: PSDB e PSB. Só o PTB crescerá: 4 deputados a mais. Mesmo assim, todas as siglas históricas serão menores do que já foram um dia, com exceção do PSB (34 deputados é seu recorde). O PT reelegeu Dilma Rousseff presidente, mas teve, em 2014, seu pior desempenho na eleição para a Câmara dos Deputados desde 1998. A maior bancada petista foi a de 2002, na primeira eleição do ex-presidente e alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, no seu livro "Assassinato de reputações"): 91 deputados - porque o então presidente X9 puxou votos para o partido em todo o País. Hoje, a ala petista é 23% menor do que aquela. Mas o problema não está só na base governista. É também da oposição. A bancada do PSDB está 45% menor do que chegou a ser em 1998. O auge dos tucanos foi na reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Desde então o partido entrou em declínio. Só parou de cair este ano por causa da boa votação do candidato da legenda à Presidência, Aécio Neves. O candidato a presidente não só puxa votos como “doa” alguns para a legenda de seu partido, por causa do erro de alguns eleitores ao votar. A maior decadência, porém, continua sendo a do DEM. Quando se formou, em 1986, desgarrando-se do PDS, o então PFL elegeu 118 deputados. Nesta eleição, fez uma bancada 81% menor do que aquela: 22. Quando comungava o poder com o PSDB, o PFL/DEM chegou a eleger a maior bancada da Câmara dos Deputados, em 1998. Hoje é a 9ª. Em números absolutos, o PMDB é o mais decadente. Elegeu quase duas centenas a menos de deputados do que em 1986, o ponto alto do partido. Porém, mesmo com uma bancada 75% menor do que aquela, os peemedebistas são favoritos para presidir a Câmara. Operando como “dono” de uma S/A, o líder do partido, Eduardo Cunha, deve alavancar os 66 votos do PMDB e transformá-los em maioria - por meio de alianças com outras siglas minoritárias. Desafeto do Palácio do Planalto, Cunha foi lançado na semana passada pela bancada peemedebista para a presidência da Casa. Para demonstrar sua força, impingiu uma derrota ao governo, em votação que anulou o decreto da presidente Dilma Rousseff que regulamentava a criação de conselhos populares. Editado no fim de maio, o decreto instituía a Política Nacional de Participação Social e o Sistema Nacional de Participação Social. O revés no Congresso, dois dias após a reeleição da petista, gerou preocupação do Palácio do Planalto com as propostas que impliquem custos ao governo em um momento em que tenta emitir sinais de credibilidade ao mercado. Ao proibir o entra e sai de deputados nas legendas, o Supremo Tribunal Federal acertou de um lado e errou de outro, afirma o professor Marco Antonio Teixeira. O Supremo, segundo ele, deixou aberta a janela da criação de novos partidos para burlar a fidelidade partidária. Eles se multiplicaram desde então. Por isso, “a reforma política não é uma panacéia, mas uma necessidade”, afirma o professor da FGV.