sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Dólar fecha em alta e mantém-se no maior valor em nove anos

Em alta pelo sexto dia seguido, a moeda norte-americana fechou nesta sexta-feira acima de R$ 2,56 e manteve o maior valor em nove anos. O dólar comercial encerrou a semana vendido a R$ 2,563, com alta de 0,1%. O valor é o mais alto desde 20 de abril de 2005, quando a cotação tinha fechado em R$ 2,564. O dia foi marcado pela volatilidade no mercado financeiro. No início da manhã, a cotação chegou a ultrapassar R$ 2,58, mas a alta desacelerou nas horas seguintes. O dólar acumula alta de 3,42% em novembro e de 8,73% no ano. Nos últimos meses, as tensões associadas ao cenário internacional e às eleições presidenciais fizeram o dólar disparar. No Exterior, o Federal Reserve (Fed), Banco Central norte-americano, reduziu os estímulos monetários à maior economia do planeta, fazendo o dólar disparar em todo o mundo. Na semana passada, o Fed encerrou as injeções de dólares na economia mundial. No mercado interno, o dólar subiu nas semanas anteriores à reeleição da presidente petista Dilma Rousseff. Em 27 de outubro, dia seguinte ao segundo turno, a moeda chegou a fechar em R$ 2,523, cotação superada na quinta-feira. Nos dias posteriores, a moeda norte-americana passou a oscilar bastante, acumulando sessões de alta e de queda, mas voltou a subir consistentemente desde a última sexta-feira (31).

Brasil vai ficar sem teste para diagnosticar tuberculose latente

O teste da tuberculina, também chamado de PPD, usado para diagnosticar tuberculose latente, ou seja, antes dos sintomas da doença aparecerem, vai deixar de ser fabricado. O Ministério da Saúde divulgou nota técnica para programas estaduais e municipais indicando as condutas a serem adotadas na falta do teste. O PPD é feito em pessoas com maior risco de contrair tuberculose, com quem mora com infectados e pessoas que têm HIV/Aids, para detectar a infecção latente e tratar antes que a pessoa adoeça. Segundo o Ministério da Saúde, o País ainda está abastecido do PPD, e a falta do teste não vai comprometer o Programa Nacional de Tuberculose. A pasta afirma que está em contato com a Organização Mundial da Saúde para buscar alternativas para o problema. Em 2013, a incidência de tuberculose registrou 35 casos por 100 mil habitantes, 21,17% menor do que em 2003, quando esta taxa era 44,4 por 100 mil. O número de casos novos teve redução de 10,5%, passando de 78.606, em 2003, para 70.372 casos novos registrados em 2013. Considerado importante problema de saúde pública, a tuberculose é uma doença causada pelo bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis), que afeta vários órgãos do corpo, mas principalmente os pulmões. É transmitida pelo ar, quando o paciente tosse ou espirra. Os principais sintomas são tosse prolongada, geralmente mais de três semanas, com ou sem catarro, cansaço, emagrecimento, febre e suor noturnos. Em 1993, a OMS declarou a tuberculose como uma emergência global.

Estados Unidos dobram número de tropas no Iraque

O presidente americano, Barack Obama

O governo dos Estados Unidos autorizou nesta sexta-feira o envio de mais 1.500 militares para o Iraque. As tropas devem auxiliar as forças de segurança que lutam contra os terroristas do Estado Islâmico (EI), sem se envolver em batalhas. Segundo o Pentágono, os soldados irão treinar, dar assessoria ao Exército iraquiano. A medida elevará para 2.900 o contingente militar dos Estados Unidos no território iraquiano. O governo americano afirmou que o reforço atende a um pedido do Iraque. O Pentágono destacou que os novos enviados terão a missão de erguer diversas bases ao redor do país. Cada instalação terá a capacidade de fornecer treinamento para militares iraquianos e curdos. De acordo com o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, Obama enviará ao Congresso americano um pedido de 5,6 bilhões de dólares (mais de 14 bilhões de reais) para financiar operações no Exterior, incluindo 1,6 bilhão de dólares para treinar e equipar tropas iraquianas. A solicitação é feita mais de quatro anos depois de o presidente Barack Obama ter anunciado oficialmente o fim da guerra no Iraque, que consumiu mais de 800 bilhões de dólares dos cofres americanos. Na última terça-feira, as eleições de meio mandato impuseram ao presidente uma dura derrota com os republicanos passando a controlar o Senado a partir do ano que vem. O Congresso nas mãos da oposição deve impôr ainda mais dificuldades a Barack Obama em seus dois últimos anos no poder. "Acreditamos que este pedido é uma oportunidade para o Congresso e a administração trabalharem juntos para fornecer os recursos adicionais que são necessários para dizimar e derrotar de uma vez o Estado Islâmico. Estamos confiantes de que poderemos trabalhar com os congressistas para assegurar este financiamento", afirmou Shaun Donovan, diretor financeiro da administração Obama.

O petista Tarso Genro enfia a mão em mais 230 milhões de reais dos depósitos judiciais, e a OAB petezada fica quietinha

No apagar das luzes, o peremptório governador petista do Rio Grande do Sul, o "grilo falante" e tenente artilheiro e poeta de mão cheia Tarso Genro, sem qualquer constrangimento, enfiou a mão mais uma vez no fundo dos depósitos judiciais, dinheiro que pertence às partes e fica depositado em juízo. Tarso Genro meteu a mão em R$ 230 milhões de depósitos judiciais, e além disso sacou mais R$ 362 milhões do caixa único e outros R$ 941 milhões de empréstimos. É dinheiro para espetar na conta e deixar para seu sucessor, José Ivo Sartori, pagar. A herança maldita que Tarso Genro não contou nesta sexta-feira ao governador eleito José Sartori cresceu geometricamente no mês aque acaba de terminar, outubro. Se ainda existir algum pedacinho de ponta de cobertor, o petista "grilo falante" Tarso Genro ainda se apoderará de mais R$ 1,5 bilhão do caixa único, abastecido inclusive pelos inesgotáveis depósitos judiciais, para pagar o 13º e contas de final de festa. Depósitos judiciais e caixa único, da mesma forma que empréstimos, são valores que precisam ser devolvidos. Mas, todo mundo sabe que não voltarão aos seus proprietários originais. Apesar do gigantesco assalto aos depósitos judiciais não se ouve um único protesto de parte da OAB, o sindicato petista na área jurídica.

E a vaca tossiu.... A petista Dilma ameaça os direitos do trabalhador; estão no alvo o seguro-desemprego, abono salarial e auxílio-doença


O ministro da Fazenda, o petista Guido Mantega, já defenestrado do cargo, afirmou nesta sexta-feira que o governo Dilma está finalizando os estudos que resultarão em uma “redução importante” das despesas. Estão no foco desses ajustes um corte nas despesas de benefícios como o seguro-desemprego, auxílio-doença e abono salarial, que tiveram crescimento acelerado nos últimos anos. Os cortes também envolverão a redução de subsídios financeiros, se o ciclo de crescimento econômico for retomado. Segundo o ministro, o BNDES está entre os alvos: "A redução de despesas significa dar um subsídio menor nos empréstimos que são feitos por exemplo no BNDES", afirmou o ministro. O banco estatal tem uma série de programas de financiamento com juros abaixo da taxa básica Selic, incluindo a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), e vem recebendo injeções de recursos do Tesouro Nacional. Depois de fazer uma apresentação em evento em São Paulo, o ministro disse que o papel dos bancos públicos no crédito é "fundamentalmente" anticíclico e lembrou que na fase mais aguda da crise financeira internacional, o crédito privado secou e foi preciso que os bancos públicos assumissem um protagonismo. "O papel dos bancos públicos é anticíclico. Quando faltou crédito no Brasil durante 2008 e 2009, os bancos públicos saíram a campo com mais crédito e taxas de juros menores. Depois, em 2009 e 2010, os privados reagiram, recompondo o equilíbrio anterior. Nos últimos anos, voltou a diminuir o crédito. A estratégia não é fazer com que os bancos públicos tenham mais crédito que os privados. Apenas é uma estratégia anticíclica", explicou. Segundo ele, o governo tem que caminhar para um aumento gradual do superávit primário: "A estratégia macroeconômica para iniciarmos esse novo ciclo de expansão é um ajuste tanto da política fiscal quanto da política monetária". "Do ponto de vista da política fiscal temos que caminhar para um aumento gradual do primário, em relação ao resultado de 2014", afirmou: "Para isso nós temos agora que fazer uma redução das despesas, uma redução importante das despesas". Os comentários do ministro ocorrem em um quadro de profunda deterioração das contas públicas, com déficit primário recorde em setembro. O governo precisa revisar sua meta de superávit primário para este ano e deve fazer o mesmo para 2015. Mesmo assim, serão necessários cortes de despesas para equilibrar as contas. Em sua apresentação, o ministro disse que o desafio agora é “fazer a transição para a economia pós-políticas anticíclicas”, em preparação para um novo ciclo de expansão da economia mundial e brasileira. Mantega disse que também é preciso recuperar a receita e lembrou que com uma melhora da atividade econômica, cujas condições “estão dadas” segundo ele, isso ocorrerá naturalmente.  Do lado da política monetária, o ministro disse que o objetivo para a inflação é “uma convergência ao centro da meta”, de 4,5%, apontando a seca deste ano como uma fator de pressão sobre os preços dos alimentos e as tarifas de energia. "É uma economia pós-crise, com menos estímulos", resumiu, classificando como um “novo ciclo de expansão da economia”, mas deixando claro que os estudos não estão concluídos. Sobre o reajuste do preço da gasolina, em 3%, e do diesel, em 5%, a avaliação é que o impacto na inflação seja de 0,1%. No acumulado dos 12 meses encerrados em outubro, o IPCA está em 6,59%, acima do teto da meta, que é de 6,5%.  Ao falar do cenário econômico, Mantega afirmou que, apesar das dificuldades, o governo deve conseguir fazer um saldo fiscal positivo (superávit) em 2014. Sobre sua saída, reforçou que não sabe quando acontecerá e evitou fazer comentários sobre possíveis substitutos: "Não sou a melhor pessoa para comentar o nome desses possíveis ministros".

MarcioZimmermann diz que não recebeu convite para continuar no governo Dilma

O secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia (MME), Márcio Zimmermann

No governo desde 2005, o secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia, Márcio Zimmermann, afirmou nesta sexta-feira que, por enquanto, não existe nenhum convite para permanecer no novo mandato da presidente Dilma Rousseff. Se nada mudar, o engenheiro da Eletrobras diz que se reapresentará à Eletrosul, em Santa Catarina, no dia 2 de janeiro. "Se fui para o ministério foi porque alguém me convidou. Se você tem agora um novo governo, não existe nenhum convite e eu estou voltando para a minha empresa (Eletrosul). Dia 2 de janeiro estou indo me apresentar, senão descontam do meu salário", afirmando que deve voltar à sua base porque pretende continuar na ativa. O executivo, entretanto, não descartou permanecer no governo Dilma caso receba um convite até 31 de janeiro, quando termina seu contrato. Zimmermann chegou ao governo do PT em 2005, ainda no primeiro mandato do presidente Lula, para ocupar a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia. Em março de 2010, foi promovido ao cargo de ministro das Minas e Energia após a saída de Edison Lobão, que deixou o governo na época para se candidatar ao Senado. Com a volta de Lobão ao comando do ministério, em 2011, ele assumiu a Secretaria Executiva da pasta. Desde então vem atuando como interino do ministro. Lobão tem se mantido afastado da pasta desde que VEJA revelou o nome dele entre os beneficiários do esquema de desvios da Petrobras comandado pelo ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa. Embora muitos dêem como certa a saída de Lobão da pasta, Zimmermann evitou comentar os rumores de que o ministro estaria demissionário. Minas e Energia é visto como a "pasta enxaqueca" pois, além de escândalos envolvendo a Petrobras, o País enfrenta um momento de grave crise energética que resultará quase certamente em apagões e racionamento entre janeiro e fevereiro.

Ministério Público do Rio de Janeiro quer ouvir delator do petrolão sobre presidente da Transpetro

Paulo Roberto Costa, o delator do petrolão

O Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro solicitou à Justiça Federal no Paraná que autorize o depoimento do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que cumpre prisão domiciliar, em um inquérito que apura "incompatível aumento de renda" do presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado - indicado para o cargo pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e citado na Operação Lava Jato. "Indispensável a oitiva de Paulo Roberto da Costa" , afirma a promotora Glaucia Maria da Costa Santana no inquérito aberto em 2010 para apurar "suposta evolução patrimonial incompatível com a renda do presidente da Transpetro". Ao lado do doleiro Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa é um dos principais alvos da Lava Jato. Ele fez um acordo de delação premiada e citou pelo menos 32 parlamentares como beneficiários de propinas no esquema de corrupção da Petrobras. A promotora não cita o nome de Sérgio Machado no pedido, mas a ele se refere dentro do inquérito instaurado em 2010 - quando Machado já presidia a subsidiária da Petrobras, responsável pela transporte de petróleo e derivados da estatal. Indicado por Renan, ele ocupou até a segunda-feira da semana passada a presidência da Transpetro, quando pediu afastamento do cargo após ter seu nome envolvido na Lava Jato. Paulo Roberto Costa afirmou em depoimento no dia 8 de outubro à Justiça Federal, em Curitiba, que recebeu de Machado 500.000 reais em dinheiro, referente a propinas atrasadas, na negociação de um navio. Machado, segundo o delator, entregou o montante no próprio apartamento do ex-presidente da Transpetro, no Rio de Janeiro. Titular da 6ª Promotoria de Cidadania do Rio de Janeiro, a promotora solicitou ao juiz federal Sérgio Moro, que preside as ações penais da Lava Jato - que resultaram na prisão de Costa - a autorização para ouvir Paulo Roberto Costa em sua casa.

Rússia invade o leste da Ucrânia com mais de 30 tanques

Separatista pró-Rússia monta guarda em vilarejo próximo a Donetsk, no leste da Ucrânia

Uma coluna russa com 32 tanques e trinta caminhões cruzou a fronteira com a Ucrânia pelo leste do país, denunciou nesta sexta-feira o governo ucraniano. Segundo Kiev, os caminhões estavam carregados com munição e soldados enviados por Moscou. Os veículos teriam passado pelas cidades de Lugansk e Krasny Luch. "Trinta e dois tanques, 16 obuses e 30 caminhões militares Kamaz com tropas entraram na Ucrânia oriundos da Rússia", afirmou o porta-voz do Exército ucraniano, Andriy Lysenko. “O abastecimento de equipamentos militares e mercenários russos continua nas linhas de frente”, acrescentou. A Otan declarou em um comunicado que está investigando as alegações feitas por Kiev. Para a aliança militar, a confirmação da denúncia seria “mais um indício da agressão russa e seu envolvimento direto com o objetivo de desestabilizar a Ucrânia”. Anteriormente, Moscou havia tentado desclassificar a denúncia feita pela chancelaria do Canadá a respeito da movimentação de tropas na fronteira com a Ucrânia. Para o governo Putin, as alegações eram “sem fundamento” e foram feitas “sem nenhuma prova factual”. Aproximadamente 4.000 pessoas já morreram desde o início dos conflitos entre as forças de segurança ucranianas e os separatistas pró-Rússia. Um frágil cessar-fogo entre as partes foi aprovado no dia 5 de setembro, mas centenas morreram em confrontos depois desta data. O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, tem acusado os rebeldes de romper o pacto. Uma eleição realizada no último fim de semana nas regiões controladas pelos separatistas estabeleceu governos paralelos ao mantido por Kiev. Embora o pleito não tenha validade perante a comunidade internacional, a Rússia comunicou que reconhece os resultados. Na terça-feira, Porosehnko ordenou o deslocamento de tropas e reforçou a presença do Exército em regiões consideradas fundamentais para os separatistas pró-Rússia. Poroshenko informou que unidades foram designadas para proteger Mariupol, Berdyansk, Carcóvia e o norte da região de Lugansk. Analistas temem que a escalada militar no leste ucraniano faça com que a região volte a ser palco de violentos conflitos.

HSBC demite 800 funcionários no Brasil - Aécio Neves ganhou a eleição?!!!!

Com 22 mil funcionários, HSBC era o sétimo maior banco em operação no Brasil até junho

O HSBC, segundo maior banco estrangeiro em atividade no Brasil, demitiu cerca de 800 funcionários nos últimos três dias no País, afirmou nesta sexta-feira o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Foram cerca de 100 cortes apenas em Curritiba (PR) e outros 40 cortes no centro administrativo do banco em São Paulo (SP), com previsão de novas demissões nesta sexta-feira. O HSBC era o sétimo maior banco em operação no Brasil em junho, com ativos de 163,3 bilhões de reais e cerca de 22 mil funcionários, de acordo com dados do Banco Central.

Equipe Marussia demite funcionários e encerra atividades na Fórmula 1

Fora dos GPs dos Estados Unidos e do Brasil, a Marussia anunciou o fim de suas atividades na Fórmula 1 nesta sexta-feira. Com problemas financeiros, a equipe não resistiu à crise, demitiu cerca de 200 funcionários e encerrou um ciclo que durou quase três anos. Apesar das esperanças de voltar à categoria em Abu Dhabi, última prova do ano, o grupo de administradores que passou a tomar conta da equipe não conseguiu novos compradores e as dividas não foram quitadas, determinando assim o fim da escuderia. A equipe foi criada em 2010, inicialmente chamada de Virgin. Comprada e passando a utilizar o nome Marussia a partir de 2012, a equipe não teve grandes mudanças em relação ao desempenho e alcançou seu melhor momento na categoria neste ano, com a nona colocação de Jules Bianchi, que rendeu os primeiros pontos da história da equipe. A partir daí, a Marussia começou a se complicar com a crise financeira e passou por momento muito conturbado no GP do Japão, com o acidente de Bianchi. Sem condições de manter seus negócios, a equipe passou a ser comandada por um grupo de administradores no dia 27 de outubro. "Não é preciso dizer que é profundamente lamentável que uma empresa com um grande número de fãs no automobilismo britânico e mundial teve de encerrar os negócios e fechar as suas portas. Infelizmente não há solução que poderia ser alcançada para permitir o negócio continuar na sua forma atual. Gostaríamos de agradecer a todos os funcionários pelo seu apoio durante este difícil processo", disse Geoff Rowley, um dos administradores do grupo que tomou o comando da Marussia.

Mais um capítulo da fraude eleitoral do PT, ministro Guido Mantega diz que corte de despesas pode atingir subsídios do BNDES

Mantega falou a jornalistas após seminário promovido pela FGV em São Paulo

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu nesta sexta-feira que o governo vai diminuir subsídios ao crédito privado via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo o ministro, os ajustes também devem afetar benefícios cada vez mais caros aos cofres públicos como seguro-desemprego, abono salarial e auxílio-doença – que hoje custam 70 bilhões de reais por ano à União - e pensão por morte – 90 bilhões de reais anuais. Mantega não deu detalhes sobre as medidas que serão adotadas, e também não disse quando elas entram em vigor. Ele explicou, no entanto, que correm mais riscos os programas de financiamento do BNDES concedidos às empresas, com juros abaixo da taxa básica (Selic, hoje em 11,25% ao ano). A entidade tem recebido expressivas injeções de recursos do Tesouro Nacional para arcar com esses gastos e, por isso, eles devem ser reduzidos. O ministro atribuiu a maior participação dos bancos públicos na economia brasileira aos efeitos da crise de 2008, mas afastou a possibilidade de que isso seja uma política de governo. “Em um primeiro momento, houve falta total de crédito. Daí ativamos os bancos públicos para compensar essa falta, enquanto os privados ficaram em uma posição mais conservadora”, afirmou. Mantega acredita que esse quadro deve mudar em breve, com a melhora na economia e o consequente "destravamento" do crédito das instituições privadas. Diferente de sua postura antes das eleições, Mantega usou boa parte de sua fala para reforçar a necessidade de se fazer ajustes na política fiscal e monetária no ano que vem. “Estamos aqui trabalhando para fazer esse ajuste nas contas de 2014 para que se reflita nas contas de 2015. Para que o ano comece com menos pressão de alguns custos na economia. O desafio será fazer essa transição de um período de crise, de uma política anticíclica para uma preparação para um novo ciclo de expansão que virá.”

Gigantes da tecnologia compram energia eólica

Aerogeradores no Parque Eólico de Osório, no Rio Grande do Sul

Google, Microsoft e Yahoo têm optado por comprar energia eólica para abastecer seus centros de dados espalhados pelos Estados Unidos. A estratégia é estabelecer contratos antecipados e de longo prazo diretamente com empresas geradoras. O objetivo é garantir fonte segura e limpa de energia a um preço combinado por um período extenso. Desta forma, as empresas querem evitar a volatilidade dos valores por companhias de outras fontes de energia. O Yahoo, por exemplo, assinou contrato em outubro com a OwnEnergy e será abastecido por campos eólicos das Grandes Planícies. O Google acertou com empresas dos Estados americanos de Iowa, Oklahoma e Texas. A Microsofot adquiriu energia eólica para abastecer seus centro de dados no Texas e em Illinois. O Google é a empresa de tecnologia líder no consumo de energia limpa. Ela tenta se abastecer de energia inteiramente renovável e ressalta que os acordos são fundamentais para a ampliação de sua participação no setor. “Como adquirimos mil megawatts de energia eólica renovável para os nossos centros de dados, pode-se dizer que usar Google é como praticar kitersurfing na internet”, disse um porta-voz da companhia.

PCC tem "filiais" em doze Estados e no Distrito Federal

Marcola, o principal líder do PCC

A Polícia Civil do Distrito Federal, em parceria com agentes de três Estados, desarticulou nesta sexta-feira um núcleo do Primeiro Comando da Capital (PCC) que atuava em Brasília e cidades do entorno no Distrito Federal, sob as ordens de integrantes da organização que estão detidos nos presídios de Belém 1 e Parelheiros, em São Paulo. Catorze mandados de prisão preventiva foram cumpridos, mas treze tinham como alvos integrantes do grupo que já estavam encarcerados. As autoridades vão pedir à Justiça a transferência dos envolvidos - inclusive da cúpula paulista - para unidades federais de segurança máxima e a inclusão de todos no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). De acordo com as investigações, o PCC já tem presença em cadeias de ao menos treze unidades da federação. A "filial" candanga se formou em presídios de cidades goianas pobres muito próximas de Brasília, como Águas Lindas de Goiás e Luziânia. Atuava principalmente no tráfico de drogas, além de furtos e roubos para financiar a compra de carregamentos de armas e entorpecentes vindos do Paraguai, Bolívia e Peru. Há a suspeita de que os criminosos também tenham envolvimento na explosão de caixas eletrônicos. Nos últimos meses, um carregamento de uma tonelada de maconha, importada pelo grupo, foi apreendida no Distrito Federal. A operação desta sexta-feira, batizada de Tabuleiro, foi posta em curso porque o grupo planejava para os próximos dias o resgate de dois integrantes que estão no presídio de Águas Lindas de Goiás. A facção do Centro-Oeste recebeu o nome de PLD (Paz, Liberdade, Direito) e copia a estrutura, a hierarquia e os rituais da nave-mãe paulista. Para se associar, é necessário ter um padrinho na organização, que responde pelos atos do afilhado no crime. Deve-se seguir à risca o estatuto da "matriz", sob pena de julgamento pelos chefes. Os aceitos ganham matrícula e proteção. Para financiar ações criminosas, bancar famílias de companheiros presos e pagar propina a agentes públicos em presídios, pagam mensalidade - "cebolas" - de 400 reais e rifas de 30 reais. Nesta sexta-feira, dez contas bancárias usadas para receber o dinheiro foram bloqueadas. A Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco) do Distrito Federal, com apoio de agentes de Goiás, Ceará e São Paulo, identificou 27 integrantes. Na tarde desta sexta-feira, quatro ainda estavam foragidos. Os demais serão alvos de ações nos próximos dias, a depender das investigações. Houve buscas em ao menos nove locais. Nos presídios paulistas, foram apreendidos celulares. O delegado Fábio Souza, chefe da Deco, adiantou que as autoridades de cada Estado vão pedir a transferência dos presos às respectivas varas de execuções penais. A partir daí, o "bonde" para presídios federais terá de ser negociado com o Ministério da Justiça. O objetivo é que os integrantes fiquem ao menos um ano nas unidades, com possibilidade de prorrogação por igual período. Questionado, Souza afirmou que estão sendo tomadas em todos os Estados envolvidos precauções para evitar rebeliões e ataques em represália ao eventual encaminhamento dos chefes da organização. "Não queremos nenhum deles aqui. Esperamos que o Judiciário rapidamente se manifeste", disse, acrescentando que o grupo montou uma cadeia de comando e tem planos de expansão. Pedro Antônio da Silva Júnior, o "Jovem", preso em Belém 1, Rafael Nogueira Moraes, o "Ramires", que cumpre pena em Parelheiros, e José Humberto da Silva, o "Trovão", detido em Fortaleza, são apontados como os chefes do PCC que davam ordens à célula do Distrito Federal. Segundo os investigadores, os três mantinham contato por meio de advogados e visitantes com Marcos Willians Camacho, o "Marcola", principal líder da facção no Brasil, hoje preso na Penitenciária de Presidente Venceslau, em São Paulo. Preso em Luziânia (GO), José Flávio Félix Barbosa, o "Paraíba", coordenava os presidiários, impondo a disciplina do PCC. Os presos vão ser indiciados por integrar organização criminosa, crime cuja pena prevista varia de oito a vinte anos de prisão.

Obras vão garantir água a São Paulo em 2015, diz Alckmin

Ponto de captação que leva a água do volume morto da Represa Jaguari-Jacareí ao túnel 7 do Sistema Cantareira, na divisa entre os municípios Joanópolis e Piracaia, no interior de São Paulo

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse nesta sexta-feira, em Boituva, no interior de São Paulo, que o governo não depende apenas das chuvas para evitar que a crise hídrica se estenda até 2015. "Estamos fazendo obras. Além de interligar os sistemas que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo, vamos ter a água do Sistema São Lourenço, que iremos trazer de Juquitiba, a 80 quilômetros (da capital paulista)", disse. Esse sistema só deve começar a fornecer água para a Grande São Paulo em 2017: "Agora estamos investindo no reúso, um trabalho importante que vai permitir o reaproveitamento da água". Mesmo reafirmando que a pior fase da crise hídrica já passou com a volta das chuvas no Estado de São Paulo, o governador alertou que, além dos investimentos em obras, ainda é preciso economizar água: "Foi a maior seca dos últimos 84 anos e atingiu principalmente a Região Nordeste do Estado, onde fica o Sistema Cantareira". Alckmin garantiu que a dependência do sistema está sendo reduzida: "Antes, o Cantareira representava metade do abastecimento da Grande São Paulo e hoje representa só um quarto. Nós tirávamos 33 metros cúbicos por segundo e agora reduzimos para 19. Com mais um metro cúbico que vamos captar do Guarapiranga, será reduzido para 18 metros cúbicos". De acordo com o governador, os reservatórios que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo estão sendo interligados para evitar que falte água quando um dos sistemas fica comprometido, como ocorreu com o Cantareira. Ele disse que o governo estadual também ajuda os municípios a enfrentar a crise hídrica, lembrando que o governo liberou recursos para ajudar no abastecimento de Itu, em grave racionamento desde fevereiro deste ano. Alckmin esteve em Boituva, região de Sorocaba, para entregar 178 apartamentos da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) para famílias de baixa renda. O governador anunciou a duplicação da Rodovia Raposo Tavares (SP-270), no trecho entre Itapetininga a Ourinhos. O trecho de 204 quilômetros não será concedido à iniciativa privada e não terá pedágio, pois vai ser feito pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). O projeto será concluído até o final deste ano e a obra será licitada no início de 2015. O governador esteve em Sorocaba também para a assinatura da doação da área em que será construído um hospital regional. A unidade terá 250 leitos, sendo 96 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e dez salas de cirurgias. A obra será iniciada no início de 2015, com prazo de 24 meses. Alckmin confirmou que seu governo estuda a redução de secretarias, mas negou que a da Agricultura vá ser extinta. Uma petição pública circula pela internet coletando assinaturas contra a possível extinção da pasta. "Nem sei de onde vêm esses boatos. A Secretaria da Agricultura é das mais antigas e importantes, e São Paulo é a terra do agronegócio. Temos 25 secretarias e estamos avaliando para reduzir uma ou outra, mas não a de Agricultura" afirmou, sem mencionar as pastas que podem ser extintas: "Estamos avaliando com cautela, sempre na linha de reduzir gastos para aumentar os investimentos". Quando se deslocava de carro do heliponto da cidade para o local do evento, o governador presenciou um acidente à frente do veículo que o levava. Um motociclista se perdeu ao passar uma lombada e ele e sua acompanhante foram ao solo. Alckmin, que é médico, pediu ao motorista que parasse o carro e foi atender as vítimas, ficando ao lado delas até a chegada da viatura do serviço de resgate.

Como Dilma quer censurar a imprensa. Ou: A conversa mole de monopólios e oligopólios. Ou ainda: A ameaça nada velada, e estúpida, ao grupo Globo

Dilma concedeu uma entrevista a oito jornalistas de veículos impressos, inclusive a Folha. Aprendi, lendo o jornal que, “no que se refere”, como ela mesma diria, à mídia, ela não quer controle de conteúdo. Seus alvos seriam o monopólio e o oligopólio. Ah, bom!

Sempre que se diz algo assim, eu pergunto: mas quem tem o monopólio ou o oligopólio de quê? O PT quer, sim, a censura — chama a isso de “controle social” —, mas a represidenta diz se contentar com a “regulação econômica”. O que é isso? Ela não diz. Não dizendo, tanto melhor! Ganha a simpatia de grupos que têm a esperança de entrar no setor e espera contar com a mansidão daqueles que podem vir a ser prejudicados. Em certo sentido, a melhor coisa que o PT pode fazer para “controlar a mídia” é manter a permanente ameaça de… controle da mídia, entenderam?
Aí leio o seguinte trecho na Folha:
“Perguntada sobre o conceito de monopólio incluir a chamada propriedade cruzada, quando um mesmo grupo econômico possui rádios, TVs e jornais, a presidente disse: ‘Não só a propriedade cruzada. Tem inclusive um desafio, que é saber como fica a questão na área das mídias eletrônicas. O que é livre mercado total? Tenderá a ser a rede social, eu acho’”.
É claro que o primeiro nome que vem à cabeça é o grupo Globo: TV aberta, TV por assinatura, rádio, revista, jornal, portal eletrônico… Muito bem! O grupo enfrenta concorrência em todas essas áreas. Tem a liderança na TV aberta? Tem. Mas perde para o UOL nos portais, para a Folha nos jornais, para a VEJA nas revistas e para um monte de emissoras, inclusive Jovem Pan, nas rádios. Nas TVs, inclusive a cabo, está muito longe de exercer o monopólio.
No caso, que mal a dita “propriedade cruzada” causa à liberdade de expressão ou à concorrência? Resposta: nenhum! Com o advento da Internet, que trouxe as redes sociais, as TVs nos portais — que se multiplicam —, os sites, os blogs, falar em “monopólio ou oligopólio” é má-fé ou burrice. E eu aprendi a não tratar essa gente como burra.
Que mudança Dilma quer fazer? Vai posar de Cristina Kirchner? Exigirá, por exemplo, que as rádios do grupo Globo sejam repassadas a algum empresário amigo do petismo? Forçará as emissoras a escolher a TV aberta ou por assinatura? Ela já tem em mente a lista de nababos para entrar em negócios já consolidados? Mais: não fossem as outras fontes de renda na área de comunicação, que grupo hoje manteria jornal impresso?
Esse não é um reclamo do povo, mas de grupelhos a soldo, que hoje vivem da propaganda oficial de estatais e da administração direta.
Isso é conversa para boi dormir. Das duas uma: ou o governo quer manter a eterna ameaça no ar para contar com a bonomia dos que pretendem se preservar do ataque oficial, ou Dilma quer, sim, o controle de conteúdo, forçando a divisão de empresas para entregar aos amigos do poder — esse mesmo poder que, hoje, já financia os amigos.
Insisto: quero saber o que Dilma considera “monopólio e oligopólio”. Sem que ela explique, afirmo que suas considerações não passam de trapaça intelectual. Por Reinaldo Azevedo

Mensaleiro José Dirceu mata o trabalho no primeiro dia de prisão domiciliar






Um dia depois de receber autorização para deixar o Centro de Progressão Provisória (CPP) e passar a cumprir o restante da pena a que foi condenado em regime domiciliar, o mensaleiro José Dirceu não compareceu ao escritório do advogado José Gerardo Grossi, onde vinha dando expediente desde que obteve o direito de trabalho externo. Pelas regras do regime aberto divulgadas na quarta-feira, o apenado Dirceu terá prazo de 90 dias para "comprovar que exerce trabalho honesto" ou "justificar suas atividades".  Numa rápida conversa com Grossi na terça-feira, o bandido petista mensaleiro José Dirceu disse que gostaria de permanecer por mais algum tempo no emprego atual. Ele ganha R$ 2,1 mil por mês para organizar a biblioteca do escritório do advogado. O mensaleiro petista foi condenado a 7 anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa. O bandido petista mensaleiro José Dirceu recebeu autorização para cumprir pena em regime domiciliar do Supremo Tribunal Federal   porque, com a soma dos 142 dias remidos por trabalho e estudo, completou um sexto da pena na cadeia. No final da manhã de quarta-feira, Grossi, que arrumou a boquinha para o mensaleiro, disse que não vê problema numa eventual mudança de rotina de trabalho de José Dirceu. Para ele, o importante é que o trabalho seja feito de forma adequada. Pelas regras do semi-aberto, José Dirceu tinha que cumprir horários fixos: trabalhar das 9 às 17 horas, de segunda à sexta-feira. No regime de prisão domiciliar, o horário de trabalho pode ser redefinido pelas partes. A obrigação do mensaleiro é estar em casa de segunda à sexta-feira das 22 horas até às 5 horas do dia seguinte. José Dirceu terá ainda que permanecer em casa em tempo integral nos sábados, domingos e feriados. O ex-ministro não pode deixar Brasília sem autorização da Vara de Execuções Penais e Medidas Alternativas (Vepema). Também não pode frequentar bares, andar armado e nem manter contato com outros réus condenados no mensalão, entre outras restrições. José Dirceu deve morar com a mulher num apartamento no Sudoeste e, depois, se mudar para uma mansão que teria alugado no Lago Sul. Ninguém conhece a fonte de recursos desse bandido petista mensaleiro. Todo mundo sabe que ele não trabalha. Então, de onde tira dinheiro para alugar assim com tanta facilidade mansões em Brasília?

Dilma recebe jornalistas e tenta se desvincular de resolução antidemocrática e violenta do PT. Mas não consegue. Leu este blog, mas não fez a coisa certa! Ou: Como o PT e o diabo gostam!

Já tinham me falado que a presidente Dilma lê meu blog. Não acreditei. Pode ser… Será? Na quarta-feira à noite, publiquei aqui um texto em que se lia o seguinte:

“Se a presidente Dilma quer realmente dar uma demonstração de que está disposta a se comportar como chefe de Estado — daqui para a frente ao menos —, não como chefe de facção, comece por repudiar a resolução aprovada pela Executiva Nacional do PT, que é virulenta, rancorosa e autoritária. Se Dilma quer realmente uma conversa maiúscula, comece por censurar o seu partido, que associa a pauta de reformas, de forma confessa, à tentativa de criar a hegemonia política.” Segue imagem.
Dilma repúdio resolução
Eis que, no dia seguinte, ela diz o que segue a oito jornalistas de veículos impressos, segundo leio na Folha.
“Dilma foi questionada pela Folha sobre a beligerante resolução petista quando falava sobre suas promessas de diálogo com a oposição. “Eu não represento o PT. Represento a Presidência. A opinião do PT é a opinião do partido, não me influencia. Represento o país, não sou presidente do PT, sou presidente dos brasileiros.”
A resolução, aprovada pela Executiva Nacional do partido na segunda-feira (3), associou Aécio a “forças neoliberais” com nostalgia da ditadura militar, ao racismo e ao machismo. Para a presidente, é uma queixa partidária.”
Ah, não, represidenta, assim não! É muito pouco! Até porque o partido que associa os adversários ao mal — e que insinua, por óbvio, que não são oponentes políticos, mas inimigos do Brasil — vai constituir, obviamente, o núcleo duro do governo.
Há mais a dizer: o que vai na resolução do PT é, na prática, uma síntese da campanha petista, de que Dilma foi protagonista. Ou ela não afirmou que o oponente era adversário do salário mínimo e defensor de medidas amargas? Ou ela não insinuou mais de uma vez que o oponente desrespeitava as mulheres? De resto, não entendi a expressão “queixa partidária”. Queixa de quem? O PT, o vencedor, se queixa do vencido agredindo-o, é isso?
De resto, essas barbaridades nem são o elemento mais grave da resolução. O principal está em outro lugar — e, tudo indica, não se tratou do assunto na entrevista. No texto, o partido afirma que a reforma política é a oportunidade de uma “revolução cultural” para a construção da hegemonia política. Para quem conhece a teoria em que se ancora tal pretensão, o que se confessa ali é a tentação de eliminar os adversários ou cooptar as forças políticas, subordinando-os todos ao mesmo ente de razão.
O “não tenho nada com isso” de Dilma não tem lugar na política. Até porque, para governar, ela irá buscar os quadros do PT, não é?, com tudo o que ele representa: suas convicções, suas crenças, suas militância, seus horizontes. Se o partido emite uma resolução que agride os fundamentos da democracia e confessa tentações totalitárias, ou ela a repudia com clareza ou se torna sua procuradora.
Eu sou aborrecidamente lógico, e o discurso de Dilma é logicamente aborrecido. Uma chefe de Estado nas suas condições precisa de muito mais do que isso.
Não me convence, não me mobiliza, nem sequer me estimula. Dilma está pedindo que esqueçam a sua atuação na campanha. E ela atuou como o PT e o diabo gostam.
Não dá para esquecer. Por Reinaldo Azevedo

Produção de veículos cai 9% em outubro

Setor automotivo registra recuo de 16% na produção de veículos no acumulado do ano

A produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no mercado brasileiro atingiu 293.300 unidades em outubro, queda de 2,5% sobre setembro e recuo de 9% sobre o mesmo mês do ano anterior, informou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), nesta quinta-feira. Com o resultado de outubro, o setor registra baixa de 16% na produção no acumulado do ano, para 2,68 milhões de unidades. Já as vendas de automóveis atingiram juntas 306.859 unidades em outubro, alta de 3,6% na comparação com setembro e recuo de 7,1% ante outubro de 2013. No acumulado de janeiro a outubro deste ano, os emplacamentos chegaram a 2,83 milhões unidades, baixa de 8,9% sobre igual período do ano passado. Afetada pela retração do mercado argentino, a exportação da indústria despencou 54,6% em outubro sobre um ano antes, para 23.503 veículos. No ano, as vendas externas do setor acumulam queda de 40,4%, para 284.810 unidades. A previsão da Anfavea para as exportações é de 401.000 veículos, o que seria uma queda de 29% sobre 2013. O desempenho está longe da previsão da entidade, de queda de 10% na produção de 2014, para 3,339 milhões de veículos, e recuo de 5,4% nas vendas, para 3,564 milhões de unidades. "Mantemos as projeções, mas confesso que estamos com viés negativo, pois sabemos da dificuldade de se licenciar 3,564 milhões de unidades", disse o presidente da Anfavea, Luiz Moan. Segundo ele, as vendas do início de novembro estão mostrando média por dia útil de 15.000 unidades, ante nível de 13.000 em outubro. 

Eduardo Gaievski, petista pedófilo, estuprador de menininhas, ex-assessor do governo Dilma, sofre nova condenação por estupro

Eduardo André Gaievski

O ex-assessor especial da Presidência da República, o petista Eduardo Gaievski, pedófilo estuprador serial de menininhas, foi condenado a dez anos e seis meses de prisão por dois estupros de vulnerável, que é a prática sexual com menores de 14 anos de idade. A sentença do juiz Christian Reny Gonçalves, do fórum de Realeza (PR), foi proferida na terça-feira. O petista Gaievski, que era responsável na Casa Civil da Presidência da República, sob o comando da petista Gleisi Hoffman, justamente pela condução das políticas governamentais de políticas da infância, e que está encarcerado, já havia sido condenado em setembro a 18 anos e um mês de prisão por estupro de vulnerável, estupro presumido e estupro qualificado. O ex-assessor petista responde a outros 15 processos semelhantes. Somada, a pena dele pode ultrapassar os 350 anos de prisão. O petista pedófilo estuprador serial Gaievski foi prefeito de Realeza (PR) e, no Palácio do Planalto, cuidava de políticas para saúde e para crianças e adolescentes, como a prevenção ao uso do crack. Ele chegou à Presidência por intermédio da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que era ministra da Casa Civil de Dilma Rousseff. Gaievski deixou o cargo no governo em agosto de 2013, quando foram reveladas as acusações de abuso sexual de menores.

Petistas derrotados deixam dívida de R$ 40 milhões, no partido do Petrolão isso não deve ser problema

Alexandre Padilha (PT-SP), Gleisi Hoffman (PT-PR), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Agnelo Queiroz (PT-DF)

Derrotados já no primeiro turno das eleições, os candidatos do PT aos governos de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Distrito Federal amargam não apenas a rejeição dos eleitores, mas também dívidas milionárias de campanha. Levantamento com base nas prestações de conta divulgadas na noite de terça-feira pelo Tribunal Superior Eleitoral mostra que Alexandre Padilha, Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann e Agnelo Queiroz fecharam a corrida eleitoral com saldo negativo superior a 40 milhões de reais. Somente Padilha acumula 24,7 milhões de reais em dívidas – o petista gastou 40,2 milhões de reais, mas arrecadou apenas 15,5 milhões. A fracassada campanha do ex-ministro da Saúde gastou praticamente o mesmo valor que a do governador reeleito Geraldo Alckmin (PSDB), mas arrecadou menos da metade. E resultou em uma histórica derrota para o PT no Estado. Além de garantir mais quatro anos à frente do Palácio dos Bandeirantes, Alckmin saiu da disputa com 621 reais em caixa. Após quatro anos de uma administração atrapalhada, com denúncias de corrupção sempre rondando o Palácio do Buriti, Agnelo Queiroz nem sequer chegou ao segundo turno da disputa no Distrito Federal: obteve 307.500 votos. Para isso, contudo, gastou 18,4 milhões de reais. Ou seja, cada voto "custou" ao petista 60 reais – o maior valor dentre os quatro. Na sequência está a senadora Gleisi Hoffmann, que gastou praticamente 30 reais por voto recebido. Lindbergh Farias ocupa a terceira posição, com o custo de 24 reais por voto. Já Padilha "gastou" 11,50 reais para cada um dos 3.888.584 votos que recebeu em São Paulo. Mais da metade do dinheiro arrecadado pelos candidatos foi gasta com empresas de publicidade e gráficas para criação e impressão de material de campanha. Padilha pagou ainda 1,6 milhão de reais com assessoria de imprensa. Lindbergh desembolsou 720.000 reais com consultoria. Gleisi gastou 120.000 reais com uma empresa de contabilidade. Agnelo torrou mais de 3 milhões de reais só com produtoras de vídeos. E não foram apenas os petistas derrotados que saíram da campanha endividados: o governador eleito na Bahia, Rui Costa (PT), saiu da corrida eleitoral com uma dívida de cerca de 13 milhões de reais. Já na campanha mineira, o cenário foi diferente para o PT: o partido investiu pesado na campanha de Fernando Pimentel ao governo. O petista arrebanhou uma das maiores arrecadações nas disputas estaduais (53,4 milhões de reais) - e derrotou o tucano Pimenta da Veiga no primeiro turno. O candidato do PSDB amargou ainda uma dívida de 2,7 milhões de reais.

Justiça cassa liminar que proibia uso de bala de borracha pela Polícia Militar de São Paulo

A Justiça de São Paulo suspendeu nesta quinta-feira a liminar que proibia a Polícia Militar de usar balas de borracha para conter manifestantes. A decisão partiu da 3ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo pelas mãos do desembargador Ronaldo Andrade, relator do processo. A proibição, em primeira instância, atendia pedido da Defensoria Pública. “Não há comprovação de abusos em profusão a justificar a intervenção judicial. O que se tem nos autos são casos isolados de violência e a tentativa policial de manter a ordem e evitar que manifestações pacíficas perdessem essa característica e fossem tomadas pela violência”, ressaltou o relator na decisão. "A utilização de armas letais e não letais é admitida para preservação da vida e integridade física dos policiais”, acrescentou Andrade. A suspensão da liminar tem validade até o julgamento do mérito da ação. A decisão é resposta a um recurso da Procuradoria do Estado contra decisão da 10ª Vara da Fazenda Pública da Capital, que em outubro proibiu o uso do armamento. A ordem judicial de primeira instância, proferida em ação proposta pela Defensoria Pública, havia imposto prazo de 30 dias para o cumprimento, sob pena de multa diária de 100.000 reais. Para o relator, caso o uso de balas de borracha fosse vetado, a Polícia Militar não poderia intervir de forma a garantir a proteção do patrimônio público e a integridade física dos agentes de segurança. “A utilização de armas letais e não letais são admitidas para a preservação da vida e integridade físicas dos policiais, sendo certo que eventuais abusos devem ser punidos e, principalmente, evitados, mas não se pode conceber que o policial seja obrigado a colocar sua vida em risco sem o direito de legitimamente se defender", afirmou. "Não se pode ignorar que em manifestações populares há a presença de manifestantes bem intencionados e pacíficos, contudo também há a presença daqueles que se aproveitam da oportunidade para o vandalismo e para a prática de outros crimes". A Defensoria Pública de São Paulo ingressou com a ação em abril deste ano contra o uso das balas de borracha e teve a resposta em 24 de outubro, quando conseguiu a proibição em 1ª instância. No documento, o juiz Valentino Aparecido de Andrade, da 10ª Vara da Fazenda Pública da Capital, avaliou que a Polícia Militar não estava preparada para lidar com os protestos de 2013.

Justiça Eleitoral cassa mandato do governador de Roraima

Chico Rodrigues, eleito por Roraima

O Tribunal Regional Eleitoral de Roraima cassou na quarta-feira o mandato do governador Chico Rodrigues (PSB), derrotado na disputa pela reeleição este ano. Por três votos a dois, os juízes da corte acolheram uma representação da coligação de oposição "Pra Roraima voltar a ser feliz" e do Partido Progressista (PP), que aponta irregularidades nos gastos da campanha do então candidato, em 2010. Na época, Chico Rodrigues era vice de José de Anchieta Júnior (PSDB), cabeça da chapa, que renunciou ao cargo neste ano para concorrer a uma vaga no Senado e, por isso, foi excluído da ação — ele não foi eleito. Segundo a representação, houve contratação de pessoal de forma irregular e o pagamento dos gastos foi feito em espécie. Também houve aquisição e distribuição de camisetas além do permitido. A relatora do processo, a juíza Clara Mota, afirmou que a cassação só surtirá efeito após o julgamento dos embargos de declaração. "Nessa ocasião, poderá ser definida ainda a forma de preencher o cargo do governador. Poderá ser por eleições indiretas ou pela posse do segundo colocado nas eleições de 2010, Neudo Campos e a então candidata a vice, Marília Pinto, como foi decidido pelo pleno", disse a juíza. A assessoria de Chico Rodrigues informou que ele vai recorrer da decisão. Em nota, Chico Rodrigues disse ter "estranhado" a atitude do tribunal, tendo em vista que faltam menos de 60 dias para o fim do mandato, o que, segundo ele, "pode gerar uma instabilidade na população do Estado". Ele ainda afirmou que seguirá com as suas atividades no governo normalmente. Nas eleições deste ano, Chico Rodrigues perdeu a disputa pelo governo do Pará para Suely Campos (PP), mulher do ex-governador e ex-deputado federal Neudo Campos.

Ex-presidente do Barcelona é condenado a dois anos de prisão

Josep Lluis Nuñez, Presidente do Barcelona de 1978 a 2000

Josep Lluis Nuñez, presidente do Barcelona de 1978 a 2000, deverá ser preso em Barcelona nos próximos dias. Ele e seu filho, Josep Lluis Navarro, respondem a processo por suborno de fiscais de impostos e cumprirão pena de dois anos e dois meses. O fiscal anticorrupção Emilio Sánchez Ulled afirmou que o ex-cartola cometeu crime por mais de dez anos e concluiu que o prejuízo causado aos cofres públicos espanhóis pela sonegação de impostos da família Nuñez é de aproximadamente 13 milhões de euros (41 milhões de reais). Durante seus 22 anos na presidência do Barcelona, Nuñez, assistido pelo holandês Johan Cruyff como técnico, conquistou 27 títulos (entre eles seis do campeonato espanhol e um da Liga dos Campeões). Recentemente, o também ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell, renunciou após acusação de sonegação de 9 milhões de euros (cerca de 28 milhões de reais) na contratação do atacante Neymar, além de pagar altos valores não declarados para Neymar, para a empresa N&N, do pai do jogador. O clube teve de pagar 13 milhões de euros (41 milhões de reais) para ter sua situação regularizada no fisco. Até estrelas da liga espanhola tiveram problemas na Justiça. Em maio, Lionel Messi (Barcelona), Xabi Alonso (Real Madrid) Iker Casillas (Real Madrid), e David Villa (ex-Atlético de Madrid) foram acusados de fraudes fiscais. Somando a dívida dos quatro, o valor total passou dos 40 milhões de euros (cerca de 125 milhões de reais).

O esquerdista muçulmano Obama enviou carta secreta ao Irã sobre combate ao Estado Islâmico

Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano

O presidente dos Estados Unidos, o esquerdista americano Barack Obama, enviou uma carta secreta ao verdadeiro chefe do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, sobre o combate ao grupo terrorista Estado Islâmico (EI). Segundo o Wall Street Journal, na correspondência, o presidente americano salientou o interesse comum em conter o avanço dos jihadistas e afirmou que a cooperação entre os Estados Unidos e o Irã na luta contra o Estados Islâmico estava atrelada ao acordo sobre o programa nuclear da República Islâmica. “A correspondência ressalta que Obama vê o Irã como importante (seja em um potencial papel construtivo ou negativo) para sua emergente campanha diplomática e militar para tirar o Estado Islâmico dos territórios tomados nos últimos seis meses”, afirma a reportagem, citando pessoas com conhecimento sobre a carta como fonte da informação. Segundo o Wall Street Journal, funcionários do governo americano se recusaram a falar sobre o tema, mas integrantes da administração do esquerdista muçulmano Obama não negaram a existência da correspondência ao serem questionados por diplomatas estrangeiros nos últimos dias. O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse nesta quinta-feira que a política americana para Teerã não foi alterada. Sem comentar diretamente a correspondência, ele afirmou que os Estados Unidos discutiram a campanha contra o Estado Islâmico com o Irã à margem das negociações sobre o programa nuclear. “Os Estados Unidos não vão cooperar militarmente com o Irã em nenhum esforço. Não vamos compartilhar inteligência com eles. Mas o interesse deles na questão é algo que tem sido amplamente comentado e que em algumas ocasiões foi discutido à parte de outras conversas”, ressaltou o porta-voz. O presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, declarou em entrevista coletiva que não confia nos políticos iranianos e não acha saudável a inclusão de Teerã na luta contra os jihadistas do EI. A pressão de Obama por um acordo nuclear com o Irã enfrentará mais resistência depois das eleições desta semana, que deram aos republicanos o controle do Senado, aumentando o poder de tanto bloquear um acordo como impor novas sanções contra o país persa. Já foram apresentadas propostas sobre novas punições no Senado. A Casa Branca não informou os aliados americanos no Oriente Médio – incluindo Israel, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos – sobre a carta, informa a reportagem. Os líderes desses países manifestam preocupação crescente de que os Estados Unidos estejam planejando suavizar suas demandas na negociação sobre o programa nuclear. A partir de domingo, o secretário de Estado americano, John Kerry, deve iniciar negociações diretas sobre a questão nuclear com o chanceler iraniano, Javad Zarif, em Omã, no Golfo Pérsico.

Bope acha 3 toneladas de drogas e armas enterradas ao lado do Galeão

Drogas estavam escondidas no meio da mata na Ilha do Governador

Policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) apreenderam nesta quinta-feira cerca de três toneladas de drogas, cinco fuzis e um notebook enterrados em um matagal próximo à cabeceira da pista do Aeroporto Internacional do Galeão, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Ninguém foi preso. Os policiais descobriram a localização dos materiais a partir do desdobramento de uma operação de combate ao tráfico de drogas na favela Parque das Missões, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Em varreduras feitas na comunidade, a tropa de elite da PM colheu informações de que a droga chegava ao local por meio da Ilha do Governador. Acondicionadas em tonéis e sacos plásticos, as drogas eram enterradas numa área de matagal pertencente ao aeroporto, e, portanto, de propriedade federal. O esconderijo ficava a cerca de 200 metros da cabeceira 10 do terminal 2 do Galeão. Apesar da proximidade com o aeroporto, o Bope suspeita que a droga não desembarcava de aeronaves, mas de embarcações que navegavam pela Baía de Guanabara. A polícia avaliou que era mais fácil ter acesso ao esconderijo pelo mar do que por terra. Uma das hipóteses é de que um grupo deixava as drogas no esconderijo, e outro vinha buscá-las para abastecer a região da Baixada Fluminense. No final de maio, duas semanas antes do início da Copa do Mundo, VEJA revelou uma série de problemas de segurança em aeroportos de todo o País. A conclusão foi registrada em dois relatórios feitos pela Polícia Federal, que reprovou dos 16 aeroportos testados em mais de 50% dos itens analisados. Um desses documentos era especificamente sobre o Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, e dizia que traficantes armados atuavam livremente ali dentro. O relatório da Polícia Federal mapeou oito pontos vulneráveis, um deles na via que leva à área de apoio do aeroporto, onde uma solitária cancela desativada era a única barreira de segurança: “Há acesso irrestrito a qualquer veículo, tornand­o-se um potencial alvo de atentados”, descreveram os agentes no documento interno.

Petrobras e o governo da petista Dilma anunciam aumento de 3% na gasolina

Logo da Petrobrás

A Petrobras e o governo da petista Dilma Rousseff informaram no início da noite desta quinta-feira que reajustaram o preço de venda da gasolina em 3% e o do diesel em 5% nas refinarias, a partir da zero hora desta sexta-feira. Em comunicado ao mercado, a estatal informou que "os preços da gasolina e do diesel sobre os quais incide o reajuste anunciado não incluem os tributos federais Cide e PIS/Cofins e o tributo estadual ICMS". O aumento, que era amplamente esperado pelo mercado, é considerado pequeno frente às necessidades da estatal e às perdas acumuladas no ano. Embora deva dar algum alívio para o caixa da estatal, a alta dos preços deve pressionar a inflação, que já está rondando acima do teto da meta do governo em doze meses. Uma analista avalia que, contudo, o impacto será limitado. "O impacto do aumento da gasolina no IPCA não deve ser muito alto. Aumento de 3% é na refinaria, mas na bomba será menos, então diminui a pressão", afirmou Flavio Serrano, economista sênior do Espírito Santo Investment Bank. "Com esse aumento da gasolina, o IPCA deve fechar novembro com inflação em torno de 0,6%", acrescentou. O reajuste certamente vai refletir nas bombas de gasolina, uma vez que o governo não anunciou nenhuma compensação tributária simultaneamente, como fez em outras ocasiões. O índice de reajuste da gasolina para o consumidor final deve ser menor, pois a gasolina dos postos tem mistura de 25% de etanol anidro, mais barato que o combustível fóssil. Calcula-se que o aumento nos postos deve ser de pouco mais de 2%, e do diesel de 4%, considerando também a diluição do aumento na refinaria ao longo da cadeia do setor de combustíveis, segundo uma fonte do segmento. O aumento anterior da gasolina ocorreu em novembro de 2013, quando a gasolina subiu 4%, e o diesel, 8%. A alta de preços dos combustíveis deve dar algum fôlego para a empresa que tem um dos maiores planos de investimento do mundo corporativo, com dívida crescente, fator que levou a agência de classificação de risco Moody's a rebaixar o rating da Petrobras em outubro. Com o reajuste desta quinta-feira, a gasolina deverá ficar 4% mais cara no Brasil em relação ao mercado externo, e o diesel vai ficar na paridade, segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). "Fiquei impressionado porque o reajuste foi muito baixo para as necessidades da Petrobras. Só para ter uma idéia, para recuperar as perdas da estatal de janeiro a setembro deste ano, tinha que reajustar 20% para a gasolina e 20% para o diesel", afirmou o diretor do CBIE, Adriano Pires, um crítico do atual governo. "É um desgaste muito grande porque eles reajustaram com um percentual mínimo. O controle da inflação prevaleceu e eles não tiveram condições de dar o aumento que precisaria", completou: "O mercado vai até gostar um pouco, mas estavam esperando mais, algo em torno de 5% para a gasolina e 7% para o diesel". A política de preços da Petrobras prevê reajustes anuais capazes de equilibrar os valores cobrados no Brasil com aqueles praticados no Exterior. Desde 2012, os reajustes são alvo de intensos debates no Palácio do Planalto. Primeiramente, foram represados como forma de conter o avanço inflacionário. Mas, diante dos prejuízos bilionários que a empresa passou a acumular com o congelamento, o governo se viu obrigado a autorizar reajustes, ainda que moderados. Sem a elevação dos preços, é a diretoria de Abastecimento da estatal que absorve a diferença entre os valores pagos com a importação de gasolina e aqueles cobrados no Brasil. Na teoria, a política de preços da estatal deve ser definida por sua diretoria executiva, e passa por aprovação do Conselho de Administração. Contudo, na prática, como a elevação está fortemente ligada ao avanço da inflação, a decisão deixou de ser técnica e se tornou política.

PT lança contra-ataque à candidatura de Eduardo Cunha

Deputado Eduardo Cunha PMDB/RJ

A três meses das eleições para a presidência da Câmara dos Deputados, o PT decidiu reagir ao lançamento da candidatura de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e acelerar a campanha em torno de um nome do partido. Em um contra-ataque à estratégia de Cunha, que nesta semana procurou lideranças partidárias em busca de apoio, deputados petistas confirmaram que vão lançar candidatura própria e já dão corpo à ação, com a criação de uma comissão para angariar votos. O grupo será formado por ex-presidentes da Casa e por nomes influentes do PT. A decisão foi tomada na tarde desta quinta-feira, durante reunião da bancada petista na Câmara. Ao longo de quatro horas, os deputados discutiram como poderiam minar a candidatura de Eduardo Cunha. O temor do PT ao peemedebista não é escondido: “Nós somos o partido do governo e temos o PMDB como aliado. Mas jamais vamos concordar com qualquer candidatura que signifique oposição”, disse o líder do PT, deputado Vicentinho (SP). Um dos discursos mais acalorados dentro do encontro foi feito pelo deputado Amaury Teixeira (PT-BA). Mesmo a portas fechadas, era possível ouvir a preocupação dele: “Não adianta o governo ficar operando como se o Eduardo Cunha fosse da base”, afirmou. A comissão será composta pelos ex-presidentes da Câmara Arlindo Chinaglia (PT) e Marco Maia (RS) – ambos cotados para reassumir o posto em 2015 -, pelo ex-líder do PT, José Guimarães (CE), pelo secretário-geral do PT, Geraldo Magela, e pelo líder Vicentinho. O grupo vai buscar se aproximar de aliados desde já, tendo conversas individuais com representantes partidários. Neste primeiro momento, os petistas preferem não anunciar quem será o candidato do partido - mas não abrem mão do posto. Internamente, o entendimento é que, por ser a maior bancada, com 70 deputados eleitos, o PT deve ter o comando da Casa. No entanto, o sentimento entre os congressistas é que não pode haver uma hegemonia do PT no governo federal e também na Câmara, que representa o segundo na linha sucessória ao presidente da República, atrás somente do vice-presidente.  Ainda que seja líder do PMDB, o maior partido aliado ao governo petista, Eduardo Cunha causou dor de cabeça à presidente Dilma Rousseff e tornou-se desafeto do Palácio do Planalto neste ano. Pela atuação do deputado, por exemplo, por pouco Dilma não sofreu uma das maiores derrotas no Congresso Nacional em torno da medida provisória que regulamentava o sistema portuário brasileiro. O deputado também conseguiu adiar a votação do Marco Civil da Internet até às vésperas de encontro da Organização das Nações Unidas (ONU), onde a presidente tinha como meta apresentar a lei como uma resposta à espionagem norte-americana – a matéria só foi aprovada após ser adequada às reivindicações do parlamentar carioca. Mais recentemente, Eduardo Cunha encabeçou a formação de um “blocão” de deputados para pressionar o Palácio do Planalto. O grupo, composto inclusive por parlamentares aliados, foi retomado nesta semana para discutir o apoio à campanha do candidato à presidência da Câmara. Embora a transferência de votos não seja automática, a aliança pode reunir 152 votos para o peemedebista, equivalente a mais de 25% da composição da Casa.

Ministro nega interferência para Ipea segurar dados sobre miséria

Marcelo Neri, ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e ex-presidente do Ipea

Após receber críticas em função da forma com que o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) vem conduzindo a divulgação de indicadores de desigualdade social, o ministro Marcelo Neri, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, a que o Ipea é subordinado, defendeu a decisão da entidade de só divulgar os números depois das eleições. “Foi uma decisão legítima, e, por outro lado, (se os dados fossem divulgados) as críticas seriam de outro tipo, de que o Ipea estaria fazendo propaganda oficial”, afirmou a jornalistas em evento em São Paulo. Segundo Neri, o Ipea foi cuidadoso para não interferir no processo eleitoral. Ele reforçou que a decisão foi tomada antes de se conhecer os dados da Pnad. “O Ipea foi zeloso. Foi um cuidado com a própria instituição. Não tive nenhuma interferência e tive que respeitar”, disse. Curiosamente, em 2010, dados favoráveis ao governo da Pnad foram divulgados entre o primeiro e segundo turno, o que também gerou uma série de críticas. A declarações de Neri foram feitas um dia após a divulgação de dados da Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (Pnad), que mostram que o número de miseráveis no Brasil avançou pela primeira vez desde 2003. Conforme os resultados, que constam no banco de dados Ipeadata, houve um acréscimo de 3,68% no total de indivíduos considerados abaixo da linha da pobreza, ou indigentes — passaram de 10.081.225 em 2012 para 10.452.383 no ano passado, ou seja, mais de 371.000 pessoas entraram para o grupo de miseráveis no período. Para Neri, esse aumento é uma “flutuação estatística”, pois está dentro da margem de erro. Ex-presidente do Ipea, Neri negou a possibilidade de que esse crescimento mostre que programas sociais do governo, como o Bolsa Família, tenham alcançado um “teto”. “Isso é suposição. Tem que descer pro dado, ver o impacto do programa”, disse. “Não acho que as políticas tenham atingido um teto ou piso, e não acho que a macroeconomia contaminou as Pndas”, afirmou, citando dados favoráveis da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) e da Pnad Contínua. A análise social da Pnad é feita anualmente pelo Ipea. Contudo, neste ano, o instituto optou por adiar a divulgação do levantamento alegando seu impacto no cenário eleitoral. No mês passado, um de seus diretores, Hérton Araújo, pediu exoneração por não concordar com o adiamento da divulgação para depois das eleições. Exaltado, Neri disse que chamou Araújo para conversar e sugeriu publicar dados da Pnad por vias particulares, não públicas, como o Ipea. Em vez de ressaltar os dados sobre a miséria, Neri preferiu destacar números positivos da Pnad, como o crescimento de 3,5% na média da renda domiciliar per capita no último ano e de 5,5% entre 2011 e 2013, bem acima do crescimento econômico do período. “Se o Ipea tivesse divulgado esses números seria a crítica oposta”, disse. Em setembro, o site de VEJA revelou que outro estudo engavetado pelo instituto, e que levava em conta a análise de dados da declaração do Imposto de Renda, mostrava que a concentração de riqueza havia aumentado no Brasil entre 2006 e 2012. A análise, ainda preliminar, apontava, entre outros dados, que os 5% mais ricos do País detinham, em 2012, 44% da renda. Segundo Neri, o estudo não foi “engavetado”, mas não publicado pelo Ipea por opção do autor. “O bem-estar geral da nação pela especificação usada nesse estudo aumentou”, disse, ponderando que é preocupante que a desigualdade tenha caído menos. Questionado sobre a indicação do próximo ministro da Fazenda e se continua no governo Dilma, Neri se limitou a dizer que estas são decisões particulares da presidente Dilma Rousseff (PT).
VEJA

MTST volta a bloquear ruas na capital paulista

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MTST) protestam na avenida Jacu Pêssego, na zona leste da capital paulista, na tarde desta quinta-feira (06). Eles pedem moradia na região de Cidade Tiradentes, no extremo leste da cidade

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto voltou a provocar a bloquear ruas de São Paulo nesta quinta-feira. Conforme o líder Guilherme Boulos havia prometido no último grande ato do movimento, no qual ameaçou "montar barricadas de fogo nas principais vias da capital", o grupo incendiou uma fileira de pneus no meio da Avenida Francisco Morato, na Zona Oeste de São Paulo. Simultaneamente, um outro ato também organizado pelo MTST fechava a Avenida Jacu Pessego, na Zona Leste. Segundo a Polícia Militar, em torno de 300 pessoas participaram do protesto. Para dispersar o grupo, os policiais usaram balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. A Polícia Militar informou que os protestos começaram por volta das 18 horas. O MTST reivindica que a prefeitura leve adiante acordos firmados com o movimento. Faixas e cartazes carregados pelos manifestantes citavam o nome do secretário municipal de Habitação, José Floriano, que, segundo eles, não cumpriu os compromissos acertados com o grupo. Partiparam do ato integrantes das invasões Chico Mendes, Numa Pompílio e Estaiadinha. "A prefeitura se comprometeu a analisar os terrenos que o movimento indicou e dar a resposta até o fim de outubro, no máximo. Mas, recorrentemente, os acordos têm sido descumpridos. Hoje são só duas mobilizações. Mas isso vai se intensificar nos próximos dias se a prefeitura não entender o recado", afirmou Boulos, retomando o tom de ameaça de seus discursos. Em maio deste ano, ele havia prometido um "junho vermelho" caso as autoridades não atendessem às suas reivindicações. Em nota, a Secretaria Municipal de Habitação informou que atende "com frequência" a liderança do grupo, mas destacou que não privilegia um movimento específico.

Dilma recebe parlamentares petistas em busca de aproximação

A presidente Dilma Rousseff se reuniu com aliados

A presidente Dilma Rousseff se reuniu na noite desta quinta-feira com deputados e senadores petistas no Palácio da Alvorada. O encontro, que durou cerca de uma hora e meia, também teve a participação de ministros e de quatro governadores eleitos pelo partido. O objetivo principal do evento foi aproximar Dilma de sua base partidária no Congresso. Não houve discursos: Dilma conversou com convidados individualmente e em grupos. Ela tirou fotografias com diversos deles e disse que, apesar de estar cansada por causa da exaustiva campanha eleitoral, está disposta a ampliar o diálogo com os aliados. Apesar do encontro informal, os parlamentares elogiaram a disposição da presidente em recebê-los, o que ocorreu poucas vezes até agora. A falta de diálogo com a base aliada é uma das características mais criticadas do governo no Congresso. "O contato social cria um bom ânimo", disse após o encontro vice-presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). O deputado José Guimarães (PT-SP) também gostou do coquetel: "A presidente foi muito atenciosa com nós todos. Cada um que chegava ela perguntava como estava. Acho que é um novo momento", disse ele. O evento mais significativo do dia para os petistas, entretanto, ocorreu mais cedo, quando os senadores da sigla que terão mandato pelos próximos quatro anos foram a São Paulo e se reuniram com o ex-presidente e alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr. em seu livro "Assassinato de Reputações"). O líder petista tratou das dificuldades que a base pode encontrar a partir de 2015, quando a oposição vai estar fortalecida na Casa com a chegada de nomes como José Serra (PSDB-SP), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Ronaldo Caiado (DEM-GO).

Justiça rejeita denúncia do Ministério Público contra jogador Adriano

Justiça rejeitou denúncia contra o jogador Adriano

A Justiça do Rio de Janeiro rejeitou denúncia do Ministério Público contra o jogador Adriano por associação para o tráfico. A juíza Maria Tereza Donatti, da 29ª Vara Criminal, decidiu, nesta quinta-feira, que não tem fundamento a acusação apresentada na terça-feira passada, assinada pelos promotores Homero das Neves Freitas Filho, Alexandre Murilo Graça e Marcio José Nobre de Almeida. Os promotores denunciaram o jogador pelo envolvimento na compra de duas motos de alta cilindrada, em 2007, utilizadas para ações criminosas por um traficante da Vila Cruzeiro – onde Adriano cresceu. Os advogados de defesa do atleta arguiram inocência do jogador e classificaram como “pleito descabido” o pedido do MP de apreensão do passaporte de Adriano. Quando houve a denúncia, o jogador estava na França, negociando sua contratação com o Le Havre, clube da segunda divisão. Em sua decisão, a magistrada considerou que a denúncia "contém vícios insanáveis, carecendo de lastro probatório mínimo a comprovar a imputação". Quanto ao crime de tráfico de drogas, ela destacou que inexistem indícios da efetiva utilização das referidas motocicletas, visando ao tráfico de entorpecentes. A juíza escreveu ainda que houve precipitação dos promotores, “deixando de formular adequadamente a acusação, violando a possibilidade de defesa dos denunciados, além de tê-la oferecido sem indícios mínimos de autoria”. É o caso de se perguntar: muito bem, e os promotores não serão denunciados por tamanha incompetência?

Dilma encampa projeto petista de regulação da imprensa

Na semana em que a Executiva do PT publicou resolução em que faz diversos ataques à oposição e prega a regulação dos meios de comunicação em prol da hegemonia do partido, a presidente Dilma Rousseff admitiu que pretende abrir um “processo de discussão” sobre a regulação econômica da imprensa. Disse que não sabe ainda como será esse processo, mas afirmou que “isso jamais poderá ser feito sem consultar a sociedade”. Sobre a resolução do partido, a presidente afirmou: “Eu não represento o PT, represento a Presidência da República”. “A opinião do PT é a opinião do partido, não me influencia. Não sou presidente do PT, sou presidente dos brasileiros”, disse Dilma, segundo o jornal Folha de S. Paulo. “Liberdade de imprensa é uma pedra fundadora da democracia. E a liberdade de expressão talvez seja a maior coisa que emergiu da democracia”, disse. “Democracia é o direito de todo mundo ter uma opinião mesmo que não concorde com ela”, prosseguiu. Na sequência, Dilma afirmou que “outra coisa é confundir isso com a regulação econômica do setor”. “Essa é uma outra discussão. Diz respeito a monopólios. Em qualquer setor econômico, seja energia, petróleo, tem regulações e a mídia não pode ter?”, questionou. Assim como o controle de conteúdo, o fim do que o PT classifica como “monopólio dos meios de comunicação” sempre foi bandeira defendida nos projetos do partido para regulação da imprensa. Ou seja, além de voltar sua artilharia contra os grandes grupos de comunicação, sempre alvo dos irados discursos petistas contra a imprensa, o partido busca golpear a receita publicitária dos veículos de informação – o que poderia redundar, no futuro, no controle indireto do conteúdo pelo governo. Desde que assumiu o Planalto, a presidente vinha mantendo distância do projeto petista de controle da imprensa: sepultou, inclusive, o projeto de lei para “regulação das comunicações” elaborado pela legenda durante o governo Lula, e que trazia na raiz o embrião autoritário da censura.

IBGE resiste a assédio de Mercadante e não vai rever dados sobre miséria. Ou: Instituto dá uma aula básica, elementar, ao doutor em economia… Chega a ser um vexame!

O governo Dilma chegou àquela fase em que decide brigar com a régua porque não gosta do que ela aponta. Acha que o mal está no metro, não na coisa medida. O IBGE passou a ser alvo do assédio explícito de dois ministros do governo Dilma: Aloizio Mercadante, da Casa Civil, e Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Muito a seu estilo — gosta de falar antes e ponderar depois —, Mercadante anunciou, tudo indica que por conta própria, que o IBGE iria rever os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), que orientaram a síntese feita pelo IPEA, que levaram à conclusão de que houve um aumento da miséria de 2012 para 2013. Pois é… Informa João Carlos Magalhães, na Folha Online, que o instituto não vai rever dado nenhum. O ministro não aceita, por exemplo, que tenha subido o número de miseráveis, que passaram de 10,08 milhões, em 2012, para 10,45 milhões em 2013. Esses dados foram represados durante as eleições. Mercadante acredita que parte das pessoas que estão entre os sem-renda simplesmente deixaram de declará-la. Segundo ele, essa informação são incongruentes com dados sobre patrimônio. Disse o ministro: “Nós queremos que o IBGE analise com mais profundidade a amostra. Porque todos os outros índices mostram que a pobreza caiu, e esse indicador de renda zero pode ter algum problema metodológico. [...] Estamos fazendo essa advertência". Em nota, o IBGE deu uma pequena aula sobre amostra e estatística para o economista Mercadante — um pouco humilhante, eu diria, mas ele merece: “Por (a Pnad) ser amostral, o total de indivíduos sem declaração de rendimentos tem flutuação anual diferenciada. Além disso, uma parcela também anualmente distinta dos informantes se recusa a prestar informação sobre a renda. Os métodos para os cálculos com a variável renda e as demais variáveis devem, portanto, considerar as possíveis flutuações existentes nas variáveis utilizadas. A Pnad 2013 seguiu a sua metodologia de coleta das informações como planejada e seus resultados não serão revisados pelo IBGE”. Chego a ficar com um pouco de pena de Mercadante. O IBGE, em síntese, está dizendo quatro coisas óbvias ao doutor em economia:
1: o método já leva em conta os que decidem omitir a sua renda;
2: se omissões dessa natureza aconteceram em 2013, dado que o método é o mesmo, também aconteceram em 2012;
3: só se podem confrontar grandezas dessa natureza empregando-se o mesmo método;
4: quer dizer que Mercadante aprova o método de 2012 (que chegou a menos miseráveis) — e o de anos anteriores, mas não o de 2013 (que chegou a mais)? Ocorre que o método é o mesmo;
5: estaria sugerindo o ministro que o método serve quando serve ao proselitismo do governo e não serve quando ele não sai bem na fita?
Ainda bem que o IBGE decidiu resistir ao assédio. A qualidade da contestação é rasteira. Por Reinaldo Azevedo