domingo, 16 de novembro de 2014

DIRETOR-GERAL DE DESENVOLVIMENTO COMERCIAL DA 3ª MAIOR EMPRESA DE LIXO DO BRASIL É PRESO NA OPERAÇÃO LAVA JATO


A 7ª fase da operação Lava-Jato, intitulada “Juízo Final”, foi deflagrada na última sexta-feira (14/11/2014) a partir de informações e investigações ensejadas pelas delações premiadas do doleiro Alberto Youssef, de Paulo Roberto Costa  e dos executivos Julio Camargo e Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, ambos da Toyo Setal. Os mandados de prisão temporária e preventiva, de busca e apreensão e de condução coercitiva de pessoas investigadas pela operação Lava-Jato foram autorizados pela 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, em decisão do juiz federal Sérgio Moro, na última segunda-feira, 10 de novembro de 2014, às 11:07.
Três dias após a autorização da Justiça Federal, Othon Zanoide de Moraes Filho, poderoso diretor-geral de desenvolvimento comercial da empresa de lixo VITAL ENGENHARIA AMBIENTAL S/A, pertencente ao Grupo Queiroz Galvão, com sede no Rio de Janeiro, e que opera nos municípios de Belo Horizonte (MG), São Luis (MA), Natal (RN), Foz do Iguaçu (PR), São Paulo (SP), entre outras cidades brasileiras, foi preso temporariamente pela Polícia Federal em sua casa no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. A VITAL ENGENHARIA AMBIENTAL S/A está posicionada entre as três maiores empresas nos segmentos de serviços de limpeza pública e de tratamento de resíduos no Brasil, e foi citada nas investigações da Operação Lava Jato a partir de emails de doleiro Alberto Youssef, apontado como operador do esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propinas conhecido como Petrolão. Ainda no Rio de Janeiro foram presos temporariamente Otto Garrido Sparenberg, diretor de operações da Iesa Óleo & Gás, o agente federal Jayme Alves de Oliveira Filho, e o ex-diretor da Petrobras, o petista Renato de Souza Duque. O diretor-presidente da CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S/A, Idelfonso Colares Filho, com pedido de prisão temporária, entregou-se na sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro. No Brasil, na 7ª fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e no Distrito Federal. Mais de 300 policiais federais e 50 servidores da Receita Federal participaram da operação. Estão presos executivos de nove das maiores empresas do Brasil. A lista completa voce pode ler aqui. O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, concluiu que parte das empreiteiras investigadas na sétima fase da Operação Lava Jato entregou notas fiscais falsas e contratos fraudulentos para justificar os repasses às empresas de fachada, comandadas pelo doleiro Alberto Youssef. A conclusão consta na decisão, assinada no dia 10 de novembro, que determinou as prisões executadas na sexta-feira (14). Após receber as informações sobre os repasses às empreiteiras e empresas subcontratadas pelo doleiro, Moro pediu que as investigadas apresentassem defesa. Segundo o juiz, parte das empresas omitiu os dados ou apresentou documentos falsos para justificar os serviços, que não foram executados.
“No mínimo, apresentando a documentação falsa em juízo, deveriam ter esclarecido o seu caráter fraudulento. Jamais poderiam simplesmente apresentar documentos fraudados ao Judiciário, sem desde logo esclarecer a natureza deles. Se as empreiteiras, ainda em uma fase inicial da investigação, não se sentiram constrangidas em apresentar documentos falsos ao Judiciário, forçoso reconhecer que integridade das provas e do restante da instrução encontra-se em risco, sem uma contramedida”, disse o juiz. Na mesma decisão, Moro cita que a Polícia Federal informou que Meire Pozza, ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, foi coagida por um emissário ligado a uma das empreiteiras investigadas.
Em depoimento à Comissão Parlamentara Mista de Investigação (CPMI) da Petrobras, Meire disse que emitia notas fiscais falsas em nome das empresas que mantinham relações com Youssef. A Revista Veja de 17 de agosto de 2014 listou as empresas que deram dinheiro a Meire Poza.
A CPMI do Congresso Nacional já havia se pronunciado para “convocar” Othon Zanoide de Moraes Filho para prestar depoimento. Documentos da Operação Lava Jato da Polícia Federal mostram que o doleiro Alberto Youssef intermediou doação para deputados e diretórios do PP e do PMDB. As negociações foram flagradas pela Polícia Federal com quebra de sigilo de emails do doleiro Youssef. Em um dos endereços eletrônicos atribuído a Youssef ele trata de doações com Othon Zanoide de Moraes Filho. No email em questão, o doleiro Youssef trata com Othon Zanoide de Moraes Filho de dados bancários e emissão de recibos de contribuições eleitorais. O PP nacional aparece em uma conversa entre Youssef e o diretor comercial da empresa de lixo Othon Zanoide de Moraes Filho como destinatário de uma doação de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) que deveria ser registrada em nome da VITAL ENGENHARIA AMBIENTAL S/A. O diretório do PP ainda aparece em outra troca de e-mails entre os dois como beneficiário de R$ 2.040.000,00 (dois milhões e quarenta mil reais). Junto ao TSE o PP informa ter recebido R$ 2.240.000,00 (dois milhões e duzentos e quarenta mil reais) da VITAL ENGENHARIA AMBIENTAL S/A. Ou seja, o PP foi corrompido pelo regime petista com dinheiro do Petrolão, que passou por empresa lixeira. Na terça-feira dia 10/11/2014, às 11:07, o juiz federal Sérgio Moro em seu “Despacho/Decisão” do Processo Nº 5073475-13.2014.404.7000/PR fez constar que “trata-se de representação da autoridade policial por medidas de investigação e por medidas coercitivas relacionadas a assim denominada Operação Lavajato”. Em breve síntese, na Operação Lavajato, foram identificados quatro grupos criminosos dedicados principalmente à prática de lavagem de dinheiro e de crimes financeiros no âmbito do mercado negro de câmbio. Os quatro grupos seriam liderados pelos supostos doleiros Carlos Habib Chater, Alberto Youssef, Nelma Mitsue Penasso Kodama e Raul Henrique Srour. A investigação, com origem nos inquéritos 2009.7000003250-0 e 2006.7000018662-8, tinha por objeto inicial supostas operações de lavagem de produto de crimes contra a Administração Pública e que teriam se consumado com a realização de investimentos industriais, com recursos criminosos, na cidade de Londrina/PR. Este crime de lavagem, consumado em Londrina/PR, se submete à competência da 13ª Vara Federal de Curitiba, tendo dado origem à ação penal 5047229-77.2014.404.7000, na qual figuram como acusados Carlos Habib Chater, Alberto Youssef e subordinados. A partir de interceptação telefônica autorizada em 11/07/2013 no processo 5026387-13.2013.404.7000, passou-se a investigar o grupo criminoso dirigido por Carlos Habib Chater e a, a partir dele, foram identificados os outros grupos criminosos, em decorrência de transações comuns. Entre os grupos criminosos, merece destaque o dirigido por Alberto Youssef. Incidentalmente, foram descobertas relações dele com Paulo Roberto Costa, ex-Diretor de Abastecimento da Petróleo Brasileiro S/A – Petrobras. 

Advogado diz que lobista do PMDB no Petrolão não vai se entregar, Interpol já está na caçada do foragido

O "empresário" Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano - procurado pela Polícia Federal pela suspeita de atuar como lobista e operador do PMDB no esquema de corrupção e pagamento de propinas na Petrobras, o Petrolão - não pretende se entregar às autoridades da Operação Lava Jato. Segundo o advogado criminalista Mário de Oliveira Filho, que defende Fernando Baiano, a estratégia é ingressar com pedido de habeas corpus perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) para tentar derrubar o decreto de prisão expedido pela Justiça Federal em Curitiba, base da Operação Juízo Final, sétima fase da Lava Jato. Fernando Baiano está sob suspeita da Polícia Federal porque teria distribuído propinas a agentes públicos e valores para partidos políticos sobre porcentuais de contratos bilionários da estatal petrolífera. O PMDB exercia o controle da Área de Internacional da Petrobras. A prisão de Fernando Baiano em regime temporário foi ordenada no dia 10. A Polícia Federal vasculhou o endereço do "empresário", no Rio de Janeiro, e apreendeu documentos e computadores. A Polícia Federal lançou o nome de Fernando Baiano na difusão vermelha, o índex dos mais procurados do planeta, segundo registros da Interpol - a Polícia Internacional que mantém conexões com quase 200 países.

Delator afirma que lobista agia em nome de ex-diretor

 Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras

O executivo de empreiteira Júlio Camargo, um dos delatores da Operação Lava Jato, revelou que o homem apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção na Petrobras, Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, agia em nome de Nestor Cerveró, ex-diretor de Internacional da estatal. Indicado pelos peemedebistas ao cargo em 2005, Cerveró é protagonista do caso da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que causou prejuízo de 792 milhões de dólares à estatal, segundo o Tribunal de Contas da União. "Fernando Soares mantinha um compromisso de confiança com o diretor de Internacional, Nestor Cerveró", afirmou Camargo, delator da área empresarial da Lava Jato, ao citar uma cobrança de propina feita em uma intermediação de aquisição de sondas de perfuração para a Petrobras. O ex-diretor de Internacional da Petrobras é agora o foco das investigações. Cerveró esteve no centro do caso Petrobras quando a presidente Dilma Rousseff afirmou em março que aprovou a compra de Pasadena — em 2006, quando presidia o Conselho de Administração da estatal — com base em um parecer falho elaborado por ele. O Ministério Público Federal sustenta que Baiano, "em razão de sua proximidade com Nestor Cerveró, intercedia ilegalmente, já que de outro modo não se obteria a contratação, em favor de terceiros para que a Petrobras firmasse com eles contratos que dependiam da área internacional". A Procuradoria, que atua na investigação da Lava Jato, faz referência ao contrato de compra das sondas de perfuração e afirma que houve cobrança de propina e, ao que tudo indica, "repassado parte do valor para a Diretoria de Internacional". Júlio Camargo, que atuava pela Toyo Setal — uma das treze empresas acusadas de cartel na Petrobras — indicou aos investigadores o roteiro da propina, inclusive nomes de instituições financeiras, onde estão sediadas e valores depositados nas "inúmeras contas" que Baiano mantinha no Exterior. Uma delas, na Suiça, aberta em nome da offshore Harley, cujo domínio econômico está em nome do operador do PMDB. O executivo citou ainda o pagamento feito por ele para Baiano por meio de uma conta que tinha no banco Winterbothan, no Uruguai. O delator da Toyo Setal sugeriu que Cerveró era um dos beneficiários e disse que os extratos bancários da conta poderão confirmar o fato — em uma delação premiada, mais do que fazer acusações, o importante é provar o que se diz a fim de que o delator tenha o benefício da redução de pena. Camargo, em sua delação, deu detalhes de empresas abertas pelo operador do PMDB no Exterior. Um caso foi o pagamento de 8 milhões de dólares para Baiano em duas empresas registradas em seu nome — a Techinis Engenharia e Consultoria recebeu depósito de 700.000 reais; a Hawk Eyes Administração de Bens, 2,6 milhões de reais. Outras transferências foram realizadas. Além de Camargo, um executivo da Toyo, Augusto Mendonça de Ribeiro Neto, afirmou também em delação premiada que o ex-diretor de Serviços e Engenharia, o petista Renato Duque, recebeu propina referente às obras das refinarias Repav (São José dos Campos), Repar (Paraná) e Replan (Paulínia, SP), no complexo petroquímico Comperj (RJ) e nos gasodutos Cabiúnas e Gasoduto Urucu Manaus. Segundo os investigadores, os executivos narraram "todo o esquema de cartelização, lavagem e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, confirmando não só a participação de Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, mas das demais empreiteiras e ainda o envolvimento do petista Renato Duque, diretor de Serviços da Petrobras, e Fernando Soares, vulgo Fernando Baiano, outro operador encarregado de lavagem e distribuição de valores a agentes públicos". "É inquestionável a ativa participação de Renato Duque, Pedro Barusco e Fernando Soares nos fatos criminosos em apuração", afirma a Procuradoria.

Crime de responsabilidade - editorial do Estadão pede responsabilização de Dilma e Lula pelo crime de responsabilidade, é o impeachment

Quando começou a vir à luz o conteúdo das investigações da Operação Lava Jato, lançada pela Polícia Federal em março deste ano para apurar a corrupção dentro da Petrobrás, houve quem previsse que a dimensão dessa encrenca poderia comprometer a realização das eleições presidenciais. Esse vaticínio catastrófico era obviamente exagerado. Mas os acontecimentos dos últimos dias revelam que esse escândalo sem precedentes não apenas compromete indelevelmente a imagem da maior empresa brasileira e da cúpula do partido que controla o governo federal há 12 anos - inclusive o ex-presidente Lula e a presidente reeleita Dilma Rousseff, como mostramos em editorial de sexta-feira -, mas pode ser só a ponta de um gigantesco iceberg. Para ficar apenas nos acontecimentos mais importantes dessa semana: a empresa holandesa SBM Offshore, fornecedora da Petrobrás, fez um acordo com o Ministério Público de seu país pelo qual pagará US$ 240 milhões em multas e ressarcimentos para evitar processo judicial por ter feito "pagamentos indevidos" para obter contratos no Brasil e em outros dois países. No Brasil, a CGU iniciou investigações sobre as suspeitas de que cerca de 20 funcionários da Petrobrás teriam aceitado suborno da empresa holandesa. Na quinta-feira, a auditoria PricewaterhouseCoopers anunciou que não vai assinar o balanço contábil do terceiro trimestre da Petrobrás - cuja divulgação foi por essa razão adiada - enquanto não conhecer as conclusões das investigações internas da empresa sobre o escândalo, por temer o impacto do desvio de recursos sobre os ativos da petroleira. Trata-se de uma precaução raramente adotada por firmas de auditoria - o que demonstra a gravidade da situação da Petrobrás. Na sexta-feira, a Operação Lava Jato iniciou nova fase, colocando 300 policiais em ação em cinco Estados - São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais - mais o Distrito Federal, para cumprir 85 mandados de prisão ou de busca contra executivos de empreiteiras e outros investigados por crimes de organização criminosa, formação de cartel, corrupção, fraude à Lei de Licitações e lavagem de dinheiro. Para começar, prenderam no Rio de Janeiro o ex-diretor de Serviços da Petrobrás, Renato Duque, indicado para o cargo por José Dirceu. Enquanto isso, chega a cerca de uma dezena o número de investigados da Lava Jato que reivindicam o benefício da delação premiada, numa demonstração de que quem tem o rabo preso no escândalo já percebeu que a casa caiu e a melhor opção é entregar os anéis para salvar os dedos, como já fizeram o ex-diretor Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef. Diante das surpreendentes proporções do esquema de corrupção armado dentro da maior estatal brasileira com o objetivo de carrear recursos para o PT e seus aliados, não surpreende que os dois presidentes da República no poder durante o período em que toda essa lambança foi praticada soubessem perfeitamente o que estava ocorrendo. Em 2010 - Lula presidente e Dilma chefe da Casa Civil -, o Palácio do Planalto, por meio de veto aos dispositivos da lei orçamentária que bloqueavam os recursos, liberou mais de R$ 13 bilhões para o pagamento de quatro contratos de obras da Petrobrás, inclusive R$ 6,1 bilhões para a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. O TCU havia chegado à conclusão de que esses custos estavam superfaturados, mas Lula e Dilma entenderam que era preferível tocar as obras. Só essa decisão comprova a responsabilidade desses políticos por um escândalo que deixa o Caso Collor no chinelo. De fato, está registrada no Diário Oficial da União a prova documental da conivência de dois presidentes da República com a corrupção na Petrobrás. É um escândalo de dimensões mastodônticas que envolve todas as diretorias operacionais da estatal, dezenas de executivos de empreiteiras e outro tanto de políticos de praticamente todos os partidos mais importantes da base governista no desvio de recursos estimados em pelo menos uma dezena de bilhões de reais. Somente alguém extremamente ingênuo, coisa que Lula definitivamente não é, poderia ignorar de boa-fé o que se passava sob suas barbas. Já Dilma Rousseff de tudo participou, como ministra de Minas e Energia e da Casa Civil e, depois, como presidente da República. Devem, todos os envolvidos no escândalo, pagar pelo que fizeram - ou não fizeram.

Ainda a intervenção militar e os que tentam me dar algumas aulas… Ou: Eu não combato petralhas porque eu aceite ditaduras, eu os combato porque não as aceito!

Sou imensamente grato a alguns defensores da “intervenção militar” que resolveram me contar “como é de fato o Brasil”, me dar aulas (!?!?!) sobre o “Foro de São Paulo” (pra mim?) e me advertir sobre a minha “ingenuidade”… Um deles, fazendo piada involuntária, escreveu: “Você não sabe como são os petralhas, Reinaldo…”. Ninguém deve ter lhe contado que eu sou o criador da palavra. Agradeço, mas dispenso as lições. Não! Gente defendendo ou justificando intervenção militar não escreve no meu blog nem na área de comentários. Se alguma opinião assim escapou, vou cortar.

O blog é meu! É feito para defensores da democracia, das liberdades civis, dos direitos individuais — tudo aquilo que governos militares, em qualquer tempo e em qualquer lugar, jamais garantiram. É claro que um regime civil não significa a certeza desses fundamentos. Mas só regimes civis podem provê-los. E não porque militares sejam homens maus. É que eles são treinados para a guerra, não para a política. Há gente com vontade de defender “intervenção militar ou golpe?” À vontade!!! Há milhares de blogs desesperados para ter leitores. No meu, não! “Ah, mas as pessoas têm o direito de ter essa opinião…” E eu disse que não têm??? Só não quero na minha casa. É simples.
Ora, ora… Eu não combato os petralhas com tanta energia porque aceite ditaduras… Eu os combato justamente porque não as aceito. Mas notem: não é que eu rejeite só a ditadura dos petralhas e de outros esquerdistas. Eu rejeito todas as ditaduras, inclusive a dos petralhas e de outros esquerdistas.
Eu escrevi no sábado dois textos sobre a manifestação. No primeiro, em que lastimo a estupidez dos que pedem intervenção militar, afirmei que ainda escreveria um outro, destacando os aspectos virtuosos do protesto. Alguns tontos me acusam de querer me comportar como dono da agenda. Uma ova!
Se eu me sentisse assim, iria atuar de modo político, fazendo vista grossa para aquele carro de som só para não criticar um “aliado”. Ocorre que um defensor de intervenção militar é tão meu adversário intelectual como um petralha. Não tenho apreço nem por um nem por outro. Gente que vai à rua pedir a ação dos quartéis é, lamento!, aliada objetiva do PT e das esquerdas. Estudem o conceito de “aliado objetivo”. Não quero ser dono de nada nem me sinto líder de coisa nenhuma. Eu sou apenas dono da minha opinião. E eu a expresso. E ponto.
Tolices
Há pessoas me recomendando obsessivamente que leia o Artigo 142 da Constituição, como se eu já não o tivesse citado dezenas de vezes no blog. Há um arquivo nesta página, santo Deus! Mas lhes faço a vontade e reproduzo o caput:
“Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem".
Sim, as Forças Armadas podem ser convocadas para a garantia da ordem interna, desde que sua presença seja solicitada por um dos Poderes da República. Aliás, aconteceu durante a Copa do Mundo, não é mesmo? Não cabe aos militares brasileiros cuidar da política.
Também deixem os bobalhões de conversa mole. Já fiz duas palestras no Comando Militar do Sudeste e duas no Clube Militar. Mantenho diálogo sereno e profissional com militares, mas não sou carpideira. Os generais que conheço estão empenhados em garantir que as Forças Armadas cumpram o seu papel constitucional e devem encarar com um profundo tédio essa bobajada.
Há ainda aqueles que juram que nunca mais voltarão a me ler porque critiquei esses delírios golpistas. A democracia existe para isso. Se eu não sirvo, certamente encontrarão uma página do seu agrado. As minhas opiniões sempre são claras, inequívocas e com zero de ambiguidade. O fato de eu criticar as tolices ilegais da Comissão da Verdade ou a conversão em heróis de facínoras como Carlos Lamarca ou Carlos Marighella, por exemplo, não autoriza ninguém a inferir que eu ache que a política e o poder devam ser exercidos por fardados. Acaba de ser lançado meu quinto livro. Há milhares — literalmente — de textos meus neste blog. Não há um só, um único que seja, que autorize essa leitura. ISSO É O QUE OS PETRALHAS GOSTARIAM QUE EU ESCREVESSE. Porque são golpistas, pretendem que seus adversários intelectuais ou morais também o sejam, mas do outro lado.
Comigo, não! Eu defendo uma democracia liberal-conservadora — avessa, portanto, tanto a petralhas e seus asseclas como a intervenções e golpes militares. Há quem nunca mais queira visitar meu blog por isso? Paciência!
Agora os Bolsonaros
Não ataquei a moralidade de ninguém. De novo: o arquivo do blog está aí, e qualquer um pode pesquisar o que escrevi, inclusive sobre aquela bobagem do kit gay. É bem provável que eu tenha cuidado do assunto antes do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Critiquei, sim, uma fala ambígua de outro Bolsonaro, Eduardo (deputado eleito), segundo quem “não é o momento de pedir intervenção militar”. De fato, não é. Nem agora nem depois!!! Não há esse momento a não ser segundo o que prescreve a Constituição, não é mesmo? E também lamentei que tenha se deixado fotografar com um revólver — e pouco me importa a sua profissão. Numa manifestação política, há coisas que são descabidas. E ponto!
Eu não sou político nem faço política. Quando gosto, digo “sim”; quando não gosto, digo “não”. E jamais pergunto se o meu “sim” ou o meu “não” atendem a esse ou àquele interesses, a essa ou àquela perspectivas.
Os dias vindouros serão densos. Já bastam as hostes da desqualificação petralha e esquerdopata, de que boa parte da imprensa se faz porta-voz, para tentar inibir os que defendem valores como decência e ética. Se os zumbis querem defender intervenção ou golpe militar, que marquem seus próprios atos e não conspurquem a marcha dos que estão nas ruas pedindo democracia, não golpe.
“Ah, os petralhas vão gostar de ler você criticando parte dos manifestantes…” Os petralhas que se danem! Não são meus juízes. Ainda que me aplaudissem, eu continuaria a ter por eles o mesmo desprezo que tenho quando me atacam.
Em matéria de princípios, não tergiverso nem negocio. Se alguém quer ditadura, é meu adversário, pouco me importa se é comuna ou anticomuna. Quem ainda não entendeu isso, deixo claro, ainda não me entendeu. Por Reinaldo Azevedo

Pela primeira vez desde a redemocratização, jornalismo trata com desdém protestos de milhares de pessoas, que só cobram… decência! É que os brasileiros que trabalham não têm pedigree militante

Vivemos realmente dias interessantes. Desde a redemocratização do País, é a primeira vez que milhares de pessoas saem às ruas tendo de enfrentar a franca hostilidade da maioria da imprensa e até de humoristas chapas-brancas — como se fosse possível fazer humorismo a favor sem que o palhaço se comporte como mero áulico. Até o bobo da corte, como é sabido, tinha mais independência do que a pletora de engraçadinhos patrocinados. Afinal, o bobo era o único que podia fazer piada com o rei… Os de hoje em dia só sabem ironizar os… inimigos do rei.

Sim, uns poucos tolos pediram intervenção militar. Já disse o que penso a respeito. Mas a esmagadora maioria foi à rua cobrar a apuração de crimes contra o patrimônio público, exigir o impeachment de Dilma (se ficar provado que ela sabia das falcatruas) e, oram vejam, protestar contra o controle da mídia — que vem a ser justamente a pauta oposta à dos esquerdistas que marcharam na quinta-feira, sob a liderança da CUT e de Gilherme Boulos, chefão do MTST — a entidade e o movimento são vermelhos por fora, mas têm a chapa branca por dentro.
Os que defendem abertamente a censura à imprensa, no entanto, foram tratados com reverência e delicadeza pela… imprensa! Os que se opõem a controles, bem, estes estão sendo francamente hostilizados, com uma abordagem jocosa, com esgares óbvios de preconceito. Sugiro aos manifestantes, no entanto, que ignorem a patrulha e deixem os jornalistas em paz. Seus respectivos leitores saberão fazer a coisa certa. O único controle admissível para a imprensa é o público. A liberdade de imprensa não é um bem que se defenda em benefício de jornalistas. A gente defende a liberdade de imprensa é em benefício do País. Adiante.
Manifestações de defensores da ordem democrática também são meio chatas, não é?, para certo jornalismo. A turma não quebra nada, nem bem público nem bem privado; não busca o confronto físico com a Polícia Militar — ao contrário: até a aplaude, o que deixa os esquerdistas da imprensa, digamos, “absurdados”. Também não se trata, assim, de um desfile de culturas alternativas, de tribos, de comportamentos de exceção, de minorais, de militantes profissionais.
Nada disso! Nas ruas, estavam aquelas pessoas que a Marilena Chaui e boa parte da imprensa odeiam: gente comum, que trabalha, que estuda, que é obrigada a ganhar o próprio sustento — e, por essa razão, tem especial predileção para protestar aos sábados. São pessoas que não têm as mesmas facilidades dos militantes da CUT ou do MTST. Estes podem armar o circo em plena quinta-feira porque o pão já está mesmo garantido pelas tetas públicas.
Onde já se viu gente comum; que não pertence a nenhum movimento social; que não se organiza em nome de nenhuma minoria influente; que, percebe-se, nem tem muito traquejo em manifestação porque costuma estar empenhada demais em prover o próprio sustento, sem tempo para se comportar como esbirro de grupelhos militantes; que recolhe seus impostos; que faz funcionar a máquina perdulária do estado… Onde já se viu gente assim ousar sair às ruas?
Cumpre ridicularizá-la; tratá-la como um bando de primitivos; tirar o sarro de sua agenda; evidenciar o seu reacionarismo; hostilizá-la como expressão do atraso. Não é porque essa gente é a parcela do Brasil que financia o circo do estatismo; não é porque essa gente é diariamente espoliada por marginais do poder; não é por isso tudo que essa gente, agora, vai achar que deve ter também o direito de voz. Como quer o ainda ministro Gilberto Carvalho, a obrigação do governo é conversar com os movimentos sociais de esquerda. Os indignados com a roubalheira que se danem.
Vem coisa por aí
Os histéricos que se acalmem! A Operação Lava Jato, até agora, ainda não chegou aos políticos. Vai chegar. É possível que a penca de prisões acabe resultando em novos processos de delação premiada.
Ainda que amplos setores da imprensa só reconheçam a legitimidade de protestos que carregam a bandeira vermelha, terão de aceitar, cedo ou tarde (pior se for tarde), que os que pagam a conta têm o direito de reclamar da qualidade do serviço.
Para esclarecer
Há gente fazendo uma lambança dos diabos. Tenho escrito aqui que o eventual impeachment de Dilma precisa de provas. Aí alguns insistem: “Mas elas já existem…”. Ainda não são do nosso conhecimento. VEJA noticiou — assim como os demais veículos de comunicação — que Alberto Youssef afirmou que Lula e Dilma sabiam de tudo. É fato que ele tenha dito isso. Mas é preciso que venha à luz a materialidade dessa afirmação, entenderam? “Ah, Reinaldo, mas o que você acha?” Eu acho que não havia como eles não saberem. Mas um processo requer mais do que, digamos, essa obviedade lógica.
E, ficando provado que a presidente sabia, ela vai se aposentar mais cedo. Sem traumas institucionais. Não adianta Cardozo ter faniquito. Os cretinos que chamam de “golpista” a manifestação em favor do impeachment precisam saber que o impedimento tem prescrição legal. Logo, não pode ser golpe o que se ancora na legalidade democrática. Quando alguém fala em “impeachment” fala também em legalidade. É elementar!
A crise é de fôlego, estejam certos. Quanto à hostilidade de parte considerável da imprensa, dizer o quê? Jornalistas não podem ser molestados. Que façam o seu trabalho, bom ou mau. É o leitor, o telespectador, o ouvinte ou o internauta que escolhem este ou aquele veículos. A melhor forma de protestar contra áulicos ou maledicentes é mudando de jornal, de revista, de canal, de blog, de rádio… Por Reinaldo Azevedo

Quando se tem um ministro da Justiça como José Eduardo Cardozo, a gente entende por que a Petrobras afunda num mar de lama. Este senhor perdeu o senso de ridículo!

Sou crítico de muitos ministros deste governo, mas há dois sobre os quais sinto certa vergonha de escrever: Gilberto Carvalho e José Eduardo Cardozo. São duas figuras patéticas, bisonhas, ridículas. Carvalho é candidato a qualquer coisa no PT — restando algum juízo a Dilma, ela o chuta do Palácio. Já Cardozo tem a ambição de ocupar um lugar no Supremo, uma piada grotesca, eu sei, mas verdadeira. Muito bem! Na sexta-feira, todos percebemos a terra tremer com a prisão de um monte de empreiteiros e assemelhados, num dia apelidado por policiais federais de “Juízo Final”. É claro que a temperatura da crise subiu muito. Cardozo resolveu, então, conceder no sábado uma entrevista coletiva. E meteu, como sempre, os pés pelos pés.

A Polícia Federal é subordinada ao Ministério da Justiça, mas tem autonomia garantida em lei para efetuar suas investigações. O ministro não pode e não deve ser previamente avisado. Segundo disse, ficou sabendo da operação no fim da madrugada, quando já tinha sido deflagrada. Aí, então, teria telefonado para a presidente Dilma, que está em viagem, e recebido instruções. Certo. Cabia a Cardozo dar uma entrevista? Acho que sim.
Mas para dizer o quê? O que seria óbvio numa democracia convencional: que a Polícia Federal tem autonomia no seu ofício, que o governo espera que tudo tenha sido feito dentro das regras, que tem a esperança de que as acusações dos advogados de que seus clientes tiverem direitos agravados não precedam etc. Mas foi isso o que fez o ministro de Dilma que acha que se pode trocar facilmente a canga pela toga? Não!
Resolveu vociferar impropérios contra adversários políticos. E disparou: “A oposição não pode usar as prisões para criar um terceiro turno eleitoral”. Mas quem é que está agindo assim? Ele não disse. É impressionante que um ministro da Justiça faça uma acusação com esse peso sem citar nomes. O que Cardozo pretende?
Quer dizer que ou a oposição aplaude a ação do governo ou será tentativa de disputar o “terceiro turno”? Eu estou errado ou esse que se pretende futuro ministro do Supremo acha que, ao vencer uma eleição, um partido também retira dos derrotados o direito de se comportar como adversários? A afirmação é de uma irresponsabilidade impressionante, sobretudo porque um ministro da Justiça não acusa, mas age.
Cardozo — não posso ver a sua figura sem me lembrar da doce metáfora que Dilma lhe dispensou: um dos “Três Porquinhos… — está acostumado a não ter limites. Afirmou a jornalistas que Dilma deu sinal verde para levar adiante as investigações… Como, excelência? Quer dizer que, se ela tivesse dado sinal vermelho, aí tudo seria paralisado? Ela nem dá nem deixa de dar sinal verde. A Polícia Federal não obedece a esse tipo de comando.
Cardozo deu outra resposta deliciosa quando indagado sobre a suposta participação de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, nos escândalos da Lava Jato: “Eu não faço isso com amigos, não faço com inimigos. Vamos olhar os fatos e investigá-los”. Bem… Inimigo do ministro Vaccari não é. Só restou o papel de “amigo”…
A entrevista de Cardozo foi um despropósito. Chega a ser estarrecedor que, um dia depois daquela penca de prisões — incluindo a de Renato Duque, ex-operador do PT —, este senhor venha a público para tentar passar um pito na… oposição!!! É espantoso a solenidade com que ignora a importância do cargo que ocupa.
Disputar terceiro turno, meu senhor? O que o Brasil se pergunta é quanto do dinheiro roubado da Petrobras foi parar no primeiro e no segundo turnos, não é mesmo?
Comporte-se de modo mais decoroso, meu senhor! Por Reinaldo Azevedo

Justiça nega habeas corpus para mais seis presos na Lava Jato

A Justiça Federal rejeitou neste domingo mais seis pedidos de liberdade para os executivos presos na sétima etapa da Operação Lava Jato. No sábado, outros cinco pedidos de habeas corpus haviam sido indeferidos. A decisão é da desembargadora plantonista Maria de Fátima Freitas Labarrère, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região de Porto Alegre. Os investigados que tiveram o pedido de limilar rejeitados foram o presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho; o diretor financeiro da OAS, Mateus Coutinho de Sá Oliveira; o advogado da OAS, Alexandre Portela Barbosa; o vice-presidente da Engevix, Gerson de Mello Almada; e os diretores técnicos da Engevix, Carlos Eduardo Strauch Albero e Milton Prado Júnior. No sábado, os habeas corpus analisados e indeferidos foram do diretor vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Hermelino Leite; do presidente da Camargo Corrêa, Dalton dos Santos Avancini; do presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa, João Ricardo Auler; do diretor presidente da área de internacional da construtora OAS, Agenor Medeiros; e do funcionário da OAS, José Ricardo Nogueira Breghirolli. Na decisão, a desembargadora manteve o argumento da Justiça Federal de que as detenções foram necessárias para impedir que os acusados atrapalhassem a investigação da Polícia Federal. Neste domingo, os 23 presos na Superintedência da Polícia Federal em Curitiba passaram por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal na capital paranense. Depois do procedimento, os acusados voltaram para o cárcere e aguardam ser chamados para prestar depoimentos. Eles estão encarcerados em um espaço onde ficam as duas celas do prédio. Alguns tiveram que dormir em colchões no chão e comeram a comida fornecida pela polícia. Advogados dos presos, que chegaram a reclamar da falta de acesso imediato aos clientes, afirmaram que apesar do espaço pequeno para tanto preso, não houve reclamações por parte deles quanto às condições do local.

Petrobrás pode causar fuga de investidor estrangeiro, diz jornal

Os problemas na Petrobras, com denúncias de corrupção e prisão de executivos da companhia e de empreiteiras prestadoras de serviços, levantam preocupação mais ampla nos investidores estrangeiros, que detêm boa parte das ações e bônus da petroleira brasileira, destaca o The New York Times. A possibilidade de que as denúncias de corrupção na Petrobras sejam a faísca inicial para desencadear um incêndio maior no Brasil não pode ser descartada, de acordo com o maior jornal dos Estados Unidos. O Times destaca que a Petrobras se endividou muito recentemente por meio de captação de recursos no mercado externo e os investidores estrangeiros, sobretudo dos Estados Unidos, estão entre os grandes compradores de papéis. Nos últimos cinco anos, a Petrobras vendeu US$ 51 bilhões em bônus no Eexterior, cerca de 25% de todas as emissões de dívida corporativa do Brasil, segundo o jornal. O veículo cita que a gestora Pimco, da Califórnia, é a maior detentora de papéis da dívida da Petrobras. A Fidelity é a segunda maior detentora e a Oppenheimer, a quarta. "A Petrobras é um investimento central em mercados emergentes", ressalta o Times. Economistas estimam, de acordo com o jornal, que estrangeiros financiaram cerca de metade do programa de investimento da petroleira. Poucas companhias de países emergentes atraíram tantos investidores estrangeiros como a Petrobras, ressalta o jornal. A empresa foi vista como um referencial para investidores que estavam em busca de exposição a países emergentes com alto crescimento e possibilidade de rentabilidade elevada, enquanto nos Estados Unidos os juros estavam próximos de zero. O cenário, porém, mudou, ressalta o Times em sua reportagem. Os países emergentes reduziram o ritmo de crescimento e, diante da perspectiva de elevação das taxas de juros nos Estados Unidos, o dólar se fortaleceu. A possibilidade de que a Petrobras seja um fator a desencadear uma venda maior de ativos financeiros no Brasil não pode ser deixada de lado, diz o texto. "O temor é que o pânico gerado pela venda de papéis de uma empresa ou país possa se alastrar rapidamente", de acordo com o Times. O jornal destaca que, por enquanto, este parece não ser o caso no Brasil, pois na sexta-feira, em meio a todos os problemas, a bolsa brasileira caiu apenas 1%. De qualquer modo, avalia que este risco não pode ser deixado de lado.

Emirados Árabes Unidos listam Irmandade Muçulmana como grupo terrrorista

Os Emirados Árabes Unidos designaram formalmente a Irmandade Muçulmana e suas afilhadas locais como grupos terroristas, noticiou no sábado a agência de notícias estatal WAM, citando um decreto do governo. O Estado do Golfo Árabe também designou a Frente Nusra e o Estado Islâmico, cujos militantes estão combatendo o presidente sírio, Bashar al-Assad, como organizações terroristas, junto com outros grupos militantes xiitas, como o movimento Houthi, no Iêmen.

Luxuoso Hotel Fasano foi usado de refúgio por alvo do Lava Jato

Com a prisão decretada, o vice-presidente da Mendes Junior, Sérgio Cunha Mendes, informou à Polícia Federal que iria se entregar. O motivo: não queria ser transportado para a superintendência da Polícia Federal em Curitiba no avião da polícia. Sérgio Cunha Mendes desembarcou na cidade na madrugada do sábado, 15, em jatinho particular, e já esta preso. Os pedidos de prisão de 20 executivos das nove maiores empreiteiras do País - quatro deles de seus bilionários presidentes - trouxe cenas inusitadas, como a do jatinho, já comparada à cena do filme Titanic, quando o navio afunda e o violinista continua tocando. A última notícia sobre o paradeiro de Fernando Soares, o Fernando Baiano, foi dada por seu advogado, Mário de Oliveira Filho. Segundo ele, seu cliente fez cooper numa praia do Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca, na manhã de sexta-feira, 14. Ao saber que a Polícia Federal o procurava, teria pego um avião rumo a São Paulo, onde teria "reuniões". Questionado, o advogado não informou se o lobista se entregará. Operador do PMDB na Petrobras, embora com imóveis em seu nome, Fernando Baiano não tinha endereço fixo. Segundo os investigadores, ele morava em hotéis, que ia trocando conforme se sentia desprotegido. A Polícia Federal nunca conseguiu identificar seu paradeiro, o que permitiu que fizesse cooper pela manhã sem ser descoberto. As investidas da Polícia Federal na casa dele e da irmã não tiveram sucesso. Fernando Baiano representa no Brasil um grupo espanhol com atuação nas áreas de infraestrutura e energia. Segundo o pedido de prisão enviado pelo Ministério Público Federal à Justiça, ele cobrava propinas para obter contratos na Diretoria Internacional da Petrobras, comandada até 2012 pelo diretor Nestor Cerveró. A Polícia Federal também não conseguiu capturar o ex-diretor presidente da Queiroz Galvão, Ildefonso Colares Filho, que acabou se entregando no fim da noite. Investigadores descobriram que ele se escondeu em vários hotéis e, no dia em que teve a prisão decretada, seu refúgio foi o luxuoso hotel Fasano, na orla de Ipanema, no Rio de Janeiro. Agentes da Polícia Federal chegaram a ir até lá, mas Colares Filho já havia saído. O Fasano é o preferido de celebridades. Já se hospedaram nele Jennifer Lopez, Madonna, Lady Gaga, Taylor Lautner e Kate Perry, por exemplo. As diárias chegam a custar R$ 5 mil. Até às 13 horas de sábado não haviam se entregado Dalton dos Santos Avancini (presidente da Camargo Correa) e João Carlos Auler, da Camargo Correia. Eduardo Leite, vice-presidente da Camargo, deve se entregar logo. 

Delatores falam em propina de R$ 200 milhões para PT e PMDB

Operadores dos dois principais partidos do governo teriam recebido ao menos R$ 200 milhões em propinas na Petrobras para viabilizar contratos com empreiteiras. Conforme delatores do esquema de corrupção na estatal, os pagamentos foram feitos ao ex-diretor de Serviços, o petista Renato Duque, apontado como integrante do esquema do PT que teria como operador o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, e a Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado pela Polícia Federal como lobista do PMDB, que indicou Nestor Cerveró para a diretoria da Petrobras. Detalhes sobre o pagamento de suborno, que seria uma pre-condição para obter obras na companhia petrolífera, foram revelados aos investigadores da Operação Lava Jato pelos executivos Júlio Camargo e Augusto Ribeiro, da Toyo Setal, em troca de eventual redução de pena. Nos depoimentos, eles revelam os valores e as empresas usadas para o repasse do dinheiro aos dois investigados. O relato do delator deu base à sétima fase da Lava Jato, batizada de " Juízo Final", deflagrada sexta-feira, quando a cúpula das maiores empreiteiras do País e o ex-diretor de Serviços e Engenharia da Petrobras, o petista Renato Duque, indicado pelo PT, foram presos. Fernando Baiano está foragido e teve o nome incluído na lista de procurados da Interpol. Conforme as investigações, os fornecedores da Petrobras pagavam aos operadores até 3% de propina para conseguir contratos superfaturados, mediante fraude a licitações. Parte desses recursos seria repassada aos partidos da base aliada do governo. Segundo os depoimentos, Fernando Baiano recebeu ao menos US$ 40 milhões (R$ 104 milhões) para viabilizar o fornecimento de sondas de perfuração. A negociação foi feita com a Diretoria Internacional da Petrobras, sob o comando do ex-diretor Nestor Cerveró. O lobista teria influência na área. Outros R$ 95 milhões teriam sido pagos ao petista Renato Duque e um de seus subordinados na estatal, o então gerente Pedro Barusco, para que "arranjassem" contratos para construtoras em ao menos cinco grandes obras. Segundo as investigações, as propinas eram pagas pelas empresas Treviso, Auguri e Piemonte, de Júlio Camargo, contratadas pelas empreiteiras como intermediárias junto à Petrobras. Parte da comissão recebida por elas era transferida ao petista Renato Duque e Soares, conforme os depoimentos feitos na delação. À força-tarefa encarregada das investigações, Camargo disse que o grosso dos pagamentos ao petista Renato Duque foi feito no Exterior, em contas indicadas por ele. Uma delas estava em nome da offshore Drenos, mantida no Banco Cramer, na Suíça. Segundo o executivo, também foi pago suborno em espécie, no Brasil, por meio de empresas controladas pelo doleiro Alberto Youssef, responsável por lavar dinheiro do esquema. Autoridades suíças já informaram ao Brasil a apreensão de US$ 20 milhões em nome de Barusco. Para direcionar à Camargo Corrêa uma obra de R$ 1 bilhão na refinaria paulista de Henrique Lage (Repav), Camargo diz ter pago R$ 6 milhões para o petista Renato Duque e Barusco, a maior parte no Exterior. Segundo ele, Eduardo Leite, vice-presidente da empreiteira, sabia dos repasses ilegais. Na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, o delator contou ter azeitado a contratação do Consórcio Interpar, formado pelas empresas SOG, Mendes Júnior e Skaska. "Houve solicitação de pagamento de vantagem indevida pelo petista Renato Duque e Barusco do valor aproximado de R$ 12 milhões", declarou. Na refinaria paranaense, Augusto Ribeiro disse que os valores pagos ao petista Renato Duque e Barusco pelo cartel de empreiteiras, chamado por ele de "clube", foi de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões entre 2008 e 2011. Segundo os executivos houve pagamento de propinas para a construção de gasodutos pela Toyo (Cabiúnas) e pela Camargo Correa (Urucu-Manaus). Nesses casos, a soma dos repasses seria de R$ 5 milhões.

STF manda cortar salários acima do teto

O Supremo Tribunal Federal decidiu cortar, no início de outubro, salários de servidores públicos que recebem acima do teto constitucional, hoje fixado em R$ 29.462. Embora já seja proibido receber mais do que o teto desde 2003, quem recebia vencimentos superiores obteve na Justiça decisões para garantir a remuneração integral dos salários. Com a decisão do Supremo, as decisões podem cair. Segundo os ministros, a regra deve ter eficácia imediata e repercussão geral, ou seja, terá de ser aplicada em todos os processos em andamento. O caso foi parar no Supremo por causa de um recurso do governo de Goiás. O Estado questionava um acórdão do Tribunal de Justiça que impedia o corte de vencimentos de aposentados e pensionistas militares que recebiam acima do teto. São Paulo. No Estado de São Paulo, o teto é o salário do governador, que é R$ 20,6 mil. Além da Universidade de São Paulo (USP), outras categorias do funcionalismo público poderão ser afetadas pelos cortes, como policiais militares. A Procuradoria-Geral do Estado afirmou que os salários dos servidores estão disponíveis no Portal de Transparência do Estado e sempre investiga se surge um ganho acima do teto. O órgão diz também que a queda de liminares depende da análise caso a caso.

Papa fala aos médicos e ondena aborto e eutanásia e adverte: jogar com a vida é pecado

O papa Francisco durante uma cerimônia no Vaticano

O papa Francisco advertiu neste sábado que uma “falsa compaixão” não deve justificar a realização de um aborto ou a prática da eutanásia. Afirmou ainda, ao falar na Associação de Médicos Católicos da Itália, que “brincar com a vida é um pecado contra Deus”. “O pensamento dominante às vezes sugere uma “falsa compaixão” para justificar o auxílio a uma mulher para realizar um aborto, um ato de dignidade fazer uma eutanásia, uma descoberta científica ‘produzir’ uma criança e considerar isso um direito e não um dom”, ressaltou o pontífice. “Tenham cuidado, por que experimentar e jogar com a vida é um pecado contra Deus, o criador”. Francisco não mencionou nenhum caso em particular, mas, recentemente, o chefe do órgão do Vaticano responsável por temas de bioética condenou a decisão de uma americana de recorrer ao suicídio assistido depois de ser diagnosticada com câncer. O monsenho Ignacio Carrasco de Paula, em entrevista à agência italiana Ansa, afirmou: "Essa mulher pôs fim a sua vida achando que morreria com dignidade, mas isso é um erro. Suicídio não é uma coisa boa”. Neste sábado, o papa ressaltou que pôr fim à vida de um doente é dizer não a Deus, e pediu aos médicos que, em casos assim, tomem “decisões corajosas, contracorrente”. “Vossa missão como médicos os põe em contato com muitas formas de sofrimento e, portanto, encorajo-os a serem bons samaritanos, tendo cuidado especial com os idosos, os enfermos e os portadores de deficiências”. Sobre o aborto, o pontífice pontuou que não se trata de um problema religioso ou filosófico, mas científico, porque envolve uma vida humana. “Não é lícito acabar com ela para resolver um problema”, disse. “Trata-se de um conceito que não pode mudar com o avanço dos anos, pois, no pensamento antigo ou moderno, matar significa sempre o mesmo”, acrescentou. Francisco lamentou também que, em um momento de grandes progressos científicos, que aumentam a possibilidade de cura de várias doenças, tenha ocorrido a diminuição da capacidade de cuidar das pessoas, sobretudo, dos que mais sofrem ou são frágeis. “As conquistas da ciência e da medicina podem contribuir para a melhoria da vida humana na medida em que não se afastem das raízes éticas dessas disciplinas”.

Operação da Polícia Federal atinge "coração financeiro" do sistema eleitoral do País

O escândalo de corrupção que levou à prisão de executivos de grandes construtoras e tornou mais evidente a estreita relação entre esse ramo empresarial e políticos de todos os partidos. Levantamento feito pelo site de VEJA mostra que as nove construtoras implicadas nessa etapa da Operação Lava Jato da Polícia Federal desembolsaram mais de 610 milhões de reais nas campanhas de 2010 e 2014. Foram 310,6 milhões no pleito de quatro anos atrás e, de acordo com os dados preliminares do Tribunal Superior Eleitoral, 301,3 milhões neste ano – todas doações legais. A lista das empresas é composta por Odebrecht, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Iesa, UCT, Andrade Gutierrez, OAS, Engevix e pela Galvão Engenharia. Historicamente, os empreiteiros mantêm uma proximidade com o poder – no plano federal e estadual, independentemente de partidos. Operações como a Lava Jato ajudam a explicar os motivos. No caso da Petrobras, contratos firmados com a estatal – que, por um decreto presidencial, não precisa respeitar a lei de licitações – eram superfaturados. Isso permitia que recursos desviados alimentassem uma engrenagem financeira do doleiro Alberto Yousseff, responsável por distribuir recursos para políticos. PT, PP e PMDB faziam o rateio da propina. As eleições são parte do calendário financeiro das grandes empreiteiras. Em um mercado com alto grau de competitividade, nenhum empresário aplica milhões de reais em um investimento se não tiver perspectiva de obter ganhos ainda maiores. E os números deixam claro que o apoio financeiro aos candidatos compensa: apenas em 2013, e levando em conta somente as obras contratadas pelo governo federal (o que exlui estatais como a Petrobras), essas nove empreiteiras receberam mais de 3 bilhões de reais de dinheiro público. Especialmente em áreas mais técnicas e de maiores empreendimentos, é consenso que não bastam bons serviços e um custo adequado para firmar contratos com o governo: é preciso ter intermediários – que, por sua vez, não costumam agir por interesses republicanos. Apesar da infindável lista de escândalos envolvendo obras públicas, os corruptores normalmente escapavam ilesos e aptos a firmar novos contratos milionários com o governo. Nesse sentido, a Lava Jato pode estabelecer um marco positivo ao levar acusados de corrupção para a cadeia.Os custos eleitorais elevados e o papel do Estado como maior tocador de obras no País tornam possível o escambo promíscuo: as empresas dependem do governo para ter grandes lucros e os partidos não conseguem manter suas campanhas sem as vultosas doações empresariais. O cientista político Rubens Figueiredo, da Universidade de São Paulo, diz que uma medida estrutural teria um efeito benéfico imediato: diminuir o poder dos governantes. "Os políticos brasileiros do alto escalão estão entre os mais poderosos do mundo. Somos a sétima economia do planeta, temos uma carga tributária de 38%, uma concentração fantástica de recursos no governo federal e um controle pequeno. Esse é ambiente que mais favorece esse tipo de prática de corrupção", analisa. Para Figueiredo, a difusão de parcerias público-privadas (PPPs) ajudaria a combater a corrupção: "Seria uma medida espetacular para diminuir drasticamente a possibilidade de corrupção e os valores envolvidos. Porque o Estado seria quase uma agência reguladora dos investimentos privados", diz ele. Problema: os políticos que têm poder para alterar esse sistema foram eleitos por ele. E abrir mão do próprio poder não é uma tarefa das mais fáceis para um governante.

Empreiteiro relata a existência de "clube" para ganhar as obras da Petrobras

Um dos executivos que aceitaram fazer o acordo de delação premiada com os investigadores da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, confessou que havia um "clube" de empreiteiras para ganhar as licitações da Petrobras. Em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, diretor da Toyo Setal, disse que pagou até 60 milhões de reais em propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobras, o petista Renato Duque, um dos presos pela Polícia Federal na sétima fase da operação. O petista Duque teria subido na hierarquia da Petrobras, onde era funcionário de carreira sem grande destaque, graças ao deputado cassado e bandido petista mensaleiro José Dirceu. De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público ao juiz Sérgio Moro, responsável pela investigação, as empreiteiras envolvidas no esquema participavam de um cartel para distribuir entre si os contratos com órgãos públicos, principalmente oriundos da Petrobras. Segundo os procuradores, parte dos desvios de recursos públicos eram repassados a partidos políticos por meio do doleiro Alberto Youssef. No depoimento de delação, Mendonça Neto ressaltou que havia entendimento prévio entre o petista Duque, então diretor de Serviços da Petrobras, de que os contratos que fossem resultantes do clube "deveriam ter contribuições ao clube". O diretor também disse que negociou diretamente com o petista Renato Duque e "acertou pagar a quantia de 50 e 60 milhões de reais, o que foi feito entre 2008 a 2011". Em nota, Alexandre Lopes, advogado do petista Renato Duque, disse que a prisão de seu cliente "é injustificada e desproporcional", pois ele não reponde a uma ação penal. Os executivos de empreiteiras presos na sexta-feira estiveram prestando depoimento à Polícia Federal neste sábado.
Sétima fase da operação Lava Jato

TRF4, EM PORTO ALEGRE, REPELE OS PEDIDOS DE HABEAS CORPUS APRESENTADOS PELOS BILIONÁRIOS PRESOS EM CURITIBA NO ESCÂNDALO DO PETROLÃO

O TRF4, que tem sede em Porto Alegre,  rejeitou, neste sábado, três pedidos de habeas corpus de dirigentes de empreiteiras presos na sexta-feira na sétima fase da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. As decisões foram proferidas pela desembargadora Maria de Fátima Freitas Labarrère, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), de Porto Alegre. Nas petições, as defesas de Eduardo Emerlino Leite, diretor da Camargo Correa, e de Agenor Franklin Magalhaes Medeiros e Jose Ricardo Nogueira Breghirolli, ligados a OAS, alegaram que os decretos de prisão são ilegais por não fundamentarem as participações dos acusados dos fatos. Os advogados de Eduardo Emerlino, que ainda não teve prisão confirmada pela Polícia Federal, também alegaram questões de saúde para pedir que a prisão preventiva seja transformada em domiciliar. Segundo eles, o investigado é portador de hipertensão arterial de "difícil controle, chegando a registrar picos de 19 por 10 [mmHg (milímetros de mercúrio)]". Nas decisões, a desembargadora indeferiu as liminares para libertá-los por entender que não há constrangimento ilegal nas prisões, determinadas pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal, de Curitiba.

PROTESTO – O Brasil não aceita mais ser um país de pessoas honradas molestadas por ladrões. Golpistas da Petrobras e de outras estatais na cadeia!!! Ou: “Fora, petralhas!”

A esmagadora maioria tomou a rua em nome de boas causas, como o repúdio ao controle da mídia (Arquivo Pessoal)
A esmagadora maioria tomou a rua em nome de boas causas, como o repúdio ao controle da mídia (Arquivo Pessoal)
Dez mil pessoas pelo menos — segundo estima a Polícia Militar — participaram de um ato de protesto contra os desmandos do governo Dilma, que teve como epicentro a Paulista, em frente ao Masp, e se espalhou depois pela avenida. Para quem viu a coisa a muitos andares do solo, o cálculo parece modesto. Os organizadores falam em 50 mil, e, nesse caso, certamente há exagero. Quem sabe a média… Mas isso, já escrevi aqui ontem, importa menos: o protesto seria legítimo ainda que houvesse 10 pessoas. Mas havia, no mínimo, 10 mil. Assim, prova-se que o senhor Guilherme Boulos, o chefão da esquerda barra-pesada, estava errado. Os que cobram um governo decente, o que parece ofender o rapaz, são bem mais do que meia dúzia. E também podem ocupar as ruas. E, como se sabe, ninguém estava na Paulista para responder a uma lista de chamada do MTST, sob o risco de punição.
A esmagadora maioria das palavras de ordem se inscreve absolutamente dentro do leque democrático. E nem poderia ser diferente. Quem está saindo às ruas para protestar é gente decente e ordeira, que respeita as regras do jogo democrático, que acata os fundamentos do Estado de direito, que se subordina aos primados de uma sociedade plural. Golpistas, como sabemos, são os ladrões que se apoderaram da Petrobras em nome de um projeto de poder. Uns bobalhões pediram intervenção militar? Pediram, sim! E foram repudiados pela maioria, tanto é que sua caravana de idéias mambembes teve de marchar sozinha.
A imprensa, como destacou o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) — presente ao ato como cidadão, sem subir em carro de som —, dá a essas pessoas um peso que não têm. E o faz por viés ideológico. Parece ofender a sensibilidade de certo jornalismo que alguém possa ocupar as ruas portando a bandeira do Brasil e cartazes com as cores pátrias. Parece que protesto sem bandeiras vermelhas já nasce ilegítimo.
"Fora, Petralhas" já é um clássico nos protestos dos defensores da democracia. Sinto orgulho! (Arquivo Pessoal)
“Fora, Petralhas” já é um clássico nos protestos dos defensores da democracia. Sinto orgulho! (Arquivo Pessoal)
PetralhasA palavra “petralhas” já é um clássico nos protestos contra o PT e contra as esquerdas. É claro que isso se explica, não é? Criei o vocábulo, que foi parar em dicionário, e a história me dá razão. Chamei “petralhas”, desde o primeiro momento, os petistas que justificavam o roubo de dinheiro público em nome de um projeto de poder, como se avançar contra o erário em nome de uma suposta causa fosse moralmente superior a roubar para enriquecer. Não é! Eu diria que é até pior porque mais cínico.
Desde o início, já lá se vão 12 anos (!!!), alertei que nem todo petista é petralha, mas só petistas são petralhas. Há pessoas que levam a sério a, digamos, metafísica partidária e não se contentam com o rumo que as coisas tomaram? Há, sim! Mas não têm nem voz nem vez no partido. E por que continuam? Não sou especialista em comportamento humano nem me aventuro a especular sobre motivações subjetivas.
Há gente que se torna dependente de uma causa e que não consegue pensar fora de um enquadramento coletivo. Lamento muito por elas porque acho isso triste. Vejo muitos jovens capazes — rapazes e moças — abduzidos por seitas. Estou certo de que isso atende a alguma causa que é de fundo psíquico. Quando tomo conhecimento de que até o Estado Islâmico abriga hoje mais de dois mil ocidentais, oriundos, na maioria das vezes, de países ricos da Europa, eu me dou conta do poder que têm os vigaristas de vampirizar os sonhos de justiça dos jovens. Mas não vou me perder nisso agora.
Justiça
Os que foram às ruas cobram justiça e punição para os ladrões que assaltam a República. Os desmandos e o cinismo tomaram tal proporção que é preciso dizer um “Basta!”. Nos dias que correm, um protesto que reúne 10 mil pessoas é, sim, muito bem-sucedido. E, reitero, à diferença da patuscada armada pelo MTST e pela CUT na quinta-feira, ali não havia relações de subordinação e de chefia. Eram pessoas que se juntavam espontaneamente, obedecendo apenas ao comando da própria vontade. Um dos cartazes me parece especialmente bom, exibido por um garoto. Este:
Eis aí uma boa palavra de ordem: um partido não é a sociedade (Marcelo Gonçalves/FolhaPress)
Eis aí uma boa palavra de ordem: um partido não é a sociedade (Marcelo Gonçalves/FolhaPress)
É isto: “Mais Brasil, menos PT”. A sociedade está começando a se cansar de ver um partido tomar o seu lugar. O que é a roubalheira na Petrobras senão a consequência de uma ação política que substituiu os interesses da empresa, do Brasil e de seus acionistas — a esmagadora maioria formada de trabalhadores — pelos interesses de uma legenda e de seus sócios no poder? É crescente o número de pessoas que não aceita mais trocar a eficiência e a dignidade pelas migalhas que o petismo se orgulha de distribuir para 50 milhões de miseráveis — sim, MISERÁVEIS — que dependem do Bolsa Família para, ao menos, comer. O país quer, sim, que o programa de assistência aos muito pobres se transforme numa política de Estado, não na suposta benesse de um partido.
Chega da mentira escandalosa de que, para distribuir alguma renda — bem pouca! —, é preciso conviver com os assaltantes do poder. Não é, não! Desde 2002, os petistas vinham com a ladainha falsa de que seus adversários queriam privatizar a Petrobras, o que sempre foi mentira. Eis aí: quem mesmo tratou a Petrobras como se fosse o quintal de um lupanar?
Manifestante pede impeachment de Dilma. Não há nada de errado nisso desde que haja as provas
Manifestante pede impeachment de Dilma. Não há nada de errado nisso desde que haja as provas
Impeachment de Dilma
Os falsos democratas fingem se assustar com a palavra de ordem “impeachment de Dilma”, como se fosse expressão de um golpismo. É mesmo? Então quero ver a tese desenvolvida. Golpismo por quê? Já escrevi aqui muitas vezes e reitero no ponto: IMPEACHMENT, SIM, SE FICAR PROVADO QUE ELA SABIA DA ROUBALHEIRA EM CURSO NA PETROBRAS. Mas, para que se chegue lá, é preciso que se investigue, que se colham as provas e que se proceda ao devido processo legal. É certamente esse o pressuposto dos que pedem a saída de Dilma.
Quando se fala e se escreve a palavra “impeachment”, está-se falando de um procedimento legal, previsto na ordem democrática brasileira e que integra o conjunto de possibilidades de um Estado de Direito. A lei que permite a deposição de um chefe de Estado por crime de responsabilidade, a 1.079, não é nova; é de 1950, a mesma que afastou Collor do poder quando a Câmara aceitou a denúncia.
Se ficar provado que a presidente Dilma Rousseff sabia de tudo — ou, ao menos, de parte da lambança —, ela terá de deixar o poder porque lhe faltará autoridade para governar o país. “E se isso acontecer?” O vice assume, ora! Não é inédito nem segredo para nós. E se a denúncia tragar também o vice? Aí o presidente da Câmara assume interinamente e se marcam novas eleições — se o duplo impedimento ocorrer nos dois primeiros anos —, ou o Congresso indica o novo chefe do Executivo na hipótese de ocorrer no biênio final. Em qualquer hipótese, esse mandato termina no dia 31 de dezembro de 2018; em outubro desse ano, haverá eleições presidenciais, com ou sem impeachment.
É isso mesmo: notem que dou tratamento meramente burocrático a essa possibilidade porque, afinal, o Estado de Direito prescreve as saídas para o impedimento presidencial. Impeachment sem provas? Aí, obviamente, não!
Na manifestação deste sábado na Paulista, em São Paulo, houve caravanas de pessoas de outras cidades e até de outros Estados. O Brasil não quer ser mais um país de pessoas honradas submetidas à vontade de ladrões.
Golpistas na cadeia! Por Reinaldo Azevedo