segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Delatores implicam atual diretor da Petrobras em esquema

O doleiro Alberto Youssef em depoimento

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef acusaram o atual diretor de Abastecimento da estatal, José Carlos Cosenza, de participação no esquema de cobrança de propinas a fornecedores da petrolífera. As acusações serviram de base às perguntas feitas durante os interrogatórios dos diretores presos das empreiteiras suspeitas de participar do Petrolão, como ficou conhecido o esquema de desvio de recursos dos cofres da estatal para o bolso de políticos e partidos. Os depoimentos vieram a público nesta segunda-feira. "Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef mencionaram a existência de pagamento de comissões pelas empreiteiras que mantinham contratos com a Petrobras, tendo como beneficiários além deles próprios, os diretores Duque, Cerveró e Cosenza, bem como alguns agentes políticos. Tem conhecimento destes pagamentos e de quem eram seus beneficiários?", perguntou o delegado Agnaldo Mendonça Alves aos executivos interrogados no fim de semana. Othon Zanoide de Moraes Filho e Ildefonso Colares Filho, diretores da Queiroz Galvão, e Newton Prado Júnior e Carlos Eduardo Strauch Aubero, diretores da Engevix, negaram o pagamento de propina a qualquer pessoa ou a participação em cartel para fraudar licitações e combinar propostas à estatal. Eles responderam às perguntas da Polícia Federal de forma evasiva, confirmaram que mantinham contatos com Youssef, mas não explicaram repasses feitos pelas empresas às firmas do doleiro. Prado Júnior chegou a afirmar que os contratos com o doleiro foram firmados pelos sócios da Engevix: "Foi um contrato que foi orientado pelos sócios. O objeto do contrato é consultoria em nível estratégico e empresarial que foi prestada no nível dos sócios, ou seja, seria prestada diretamente aos sócios". Interrogados nesta segunda-feira, José Adelmário Pinheiro Filho, Mateus Coutinho de Sá Oliveira, José Ricardo Nogueira Breghirolli, Alexandre Portela Barbosa e Agenor Franklin Magalhães Medeiros, diretores da OAS, preferiram ficar em silêncio. Os executivos serão ouvidos até terça-feira, quando vencem os prazos de prisão de 17 presos. Ou seja, esses executivos podem pegar penas superiores à do operador do Mensalão do PT, o publicitário mineiro Marcos Valério. 

Petrolão – A ameaça do clube do bilhão

Por Robson Bonin, na VEJA.com: A sétima etapa da Operação Lava Jato, que levou à prisão alguns dos maiores empreiteiros do país, confirma a existência de um lado ainda mais obscuro da quadrilha que atuava na Petrobras. Além de subornar políticos e corromper funcionários públicos para desviar bilhões da estatal, o cartel de empreiteiras, denunciado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef, estava ameaçando testemunhas do caso em uma tentativa flagrante de atrapalhar as investigações da polícia. Foi esse, aliás, um dos motivos que levaram o juiz Sérgio Moro a decretar a prisão dos empresários na sexta-feira passada. Em setembro, VEJA revelou que a contadora Meire Poza, uma das principais colaboradoras da investigação policial, havia sofrido ameaças diretas de emissários das empreiteiras. A ação, típica das organizações mafiosas, está registrada no despacho assinado por Moro.

Num encontro ocorrido em julho deste ano na praça de alimentação de um shopping em São Paulo, um homem identificado como Edson tentou convencer Meire Poza a aceitar os serviços de um escritório de advocacia contratado pelas empreiteiras envolvidas no escândalo de desvio de dinheiro de obras da Petrobras. A gravação da conversa não deixa dúvidas sobre as más intenções do grupo, claramente incomodado com o avanço das investigações da polícia, e muito preocupado com a colaboração de Meire. A intenção era intimidá-la. Edson, um suposto advogado, se dizia representante das empreiteiras Camargo Corrêa, OAS, UTC e Constran, justamente os alvos principais das prisões realizadas pela Polícia Federal na sexta-feira passada. A conversa começa descontraída, amigável, e vai evoluindo para a ameaça. Prestativo, ele se põe à disposição para ajudar, dar apoio jurídico, mas a oferta é recusada. Em um tom de voz linear, o emissário passa a revelar os verdadeiros propósitos do encontro: “Sabemos que tem uma filha, que são somente vocês duas”, diz. No mesmo tom linear, lembra que Meire pertence a um “grupo fechado” e que, como pessoa de confiança de Alberto Youssef, não pode sair desse grupo ou recusar a ajuda de seus clientes. E vai ao ponto central do problema: “Dona Meire, o importante é não falar demais! De repente, uma palavra mal colocada pode ser perigoso, pode ser prejudicial”. Meire tenta se esquivar das ameaças, diz que está começando a não gostar do rumo da conversa, mas o advogado é ainda mais direto: “A senhora pode, sem querer, ir contra grandes empresas, políticos, construtoras. As maiores do país, a senhora entendeu?”.
O despacho das prisões, assinado pelo juiz Sérgio Moro, revela a íntegra da gravação e mostra que a intenção de ameaçar a contadora era clara. “O interlocutor prossegue ainda tentando convencer Meire a aceitar a ‘ajuda’ do grupo, mencionando que a mesma faria parte de um grupo fechado de pessoas que se ajudam, indicando claramente as técnicas de persuasão para que a mesma pudesse ser ‘controlada’ pela organização criminosa”, registra o despacho. Percebendo um sinal de nervosismo na contadora, ele avança, pergunta se Meire acha que ainda tem alguma coisa a acrescentar para a polícia e que tipo de acordo ela pretende fazer. Ela diz que não sabe como procederá. E o advogado vai direto ao ponto mais uma vez: “A gente não pode deixar que a senhora não aceite essa ajuda”. Diante da pressão, Meire finalmente reage. Afirma que se sente ameaçada, que não quer ajuda das empreiteiras e encerra a conversa com um recado: “O senhor provavelmente vai estar lá com os seus clientes, com a Camargo (Corrêa), com a UTC, com a Constran, com a OAS… Manda todo mundo ir tomar…”.
Entre os alvos do “juízo final”, como a ação foi batizada, está o advogado Carlos Alberto da Costa e Silva, que foi preso temporariamente e ainda teve seu escritório vasculhado pelos agentes. Meire Poza disse aos policiais que conheceu o porta-voz das ameaças no escritório do advogado Costa Silva, segundo ela o responsável por coordenar uma equipe de advogados contratados pelas empreiteiras. Procurado por VEJA em setembro, Costa Silva admitiu ter conversado com Meire, mas negou qualquer relação com as empreiteiras. Em nota encaminhada a VEJA, a UTC, que também controla a Constran, confirmou que o escritório de Costa Silva atuava no seu quadro jurídico. Costa Silva foi preso na Operação Anaconda, em 2003, acusado de participar de um esquema de venda de sentenças judiciais em São Paulo. E o tal Edson? “Não conheço, nunca ouvi falar". A memória, ao que parece, não é o ponto forte do advogado. Por Reinaldo Azevedo

Graça admite só agora escândalo que VEJA revelou em fevereiro e que ela própria negou em março. Vá pra casa, minha senhora!

É… Quando Dilma Rousseff vai demitir Graça Foster? Ou quando Graça Foster vai se demitir? Quando essa gente vai ter um pouco de bom senso? Por que escrevo essas coisas?

Em fevereiro, a VEJA denunciou que a empresa holandesa SBM havia pagado propina para funcionários e intermediários da Petrobras. A revista, claro!, apanhou da canalhada. No fim de março, Graça anunciou com solenidade que a empresa havia feito uma investigação interna e não havia encontrado nada de errado.
Na semana passada, o Ministério Público da Holanda aplicou uma multa de US$ 240 milhões à SBM por propinas pagas mundo afora, inclusive… no Brasil, em negócios com a Petrobras!
E eis que acontecem, então, milagres. O ministro Jorge Hage, da Corregedoria-Geral da União, revela que há, sim, uma investigação em curso. É mesmo? E, mais surpreendente, Graça Foster revela hoje que a Petrobras, de fato, tinha conhecimento do pagamento de propina desde meados do ano.
É? Alguém foi punido? Algum funcionário foi preventivamente afastado? Providências foram tomadas? É razoável que a confirmação oficial da roubalheira parta do Ministério Público da Holanda? Disse:“Passadas algumas semanas, alguns meses [da investigação interna da Petrobras], eu fui informada de que havia, sim, pagamentos de propina para empregado ou ex-empregado de Petrobras. Imediatamente, e imediatamente é “imediatamente”, é que informamos a SBM de que ela não participaria de licitação conosco enquanto não fosse identificada a origem, o nome de pessoas que estão se deixando subornar na Petrobras. E é isso que aconteceu, tivemos uma licitação recente, para plataformas nos campos de Libra e Tartaruga Verde, e a SBM não participou.”
É pouco e errado, minha senhora! Quem estava informado sobre tudo isso? A Petrobras não é patrimônio seu, mas do povo brasileiro.
Esta senhora falou ainda outra coisa estranha. Disse não haver nenhuma “informação avassaladora” que justifique rompimento de contrato com empreiteiras. Epa! Eu também me oponho a que se paralisem todas as obras ou a que se rompam todos os contratos. Mas daí a dizer que não existem “informações avassaladoras” vai uma distância imensa.
Graça não considera “avassalador” que um mero estafeta do PT, como Pedro Barusco, aceite devolver R$ 252 milhões? Ela não considera “avassalador” que uma única empresa, a Toyo Setal, confesse ter pagado pelo menos R$ 154 milhões a dois diretores?
Graça, ouça um bom conselho, eu lhe dou de graça, como dizia Chico Buarque: vá para casa,  peça demissão, facilite a vida da presidente. Seu tempo acabou. Por Reinaldo Azevedo

Auditoria da Petrobras culpa Gabrielli, Cerveró e Paulo Roberto Costa por prejuízo de U$ 792 milhões na compra de Pasadena; resultado será encaminhado ao Ministério Público e Polícia Federal para providências legais


A auditoria interna da Petrobrás reconheceu a responsabilidade do ex-presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, e dos ex-diretores Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró nas irregularidades relacionadas à compra da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006. Também foram responsabilizados outros dez ex-funcionários da estatal e mais dois executivos estrangeiros, vinculados à empresa belga Astra Oil, ex-sócia da Petrobrás na refinaria de Pasadena. Os executivos foram citados em uma relação de funcionários e ex-funcionários envolvidos com as denúncias de corrupção investigadas pela auditoria da estatal. O relatório foi apresentado aos integrantes do Conselho de Administração da estatal na última sexta-feira, após oito meses de apurações. A compra da refinaria de Pasadena foi finalizada em 2012. O negócio começou a ser investigado em 2013 pelo Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União com base em reportagem do Estado que revelou a discrepância entre o valor pago pela empresa belga Astra pela refinaria, em 2005, e o desembolso total efetuado pela Petrobrás pelo empreendimento. Em julho deste ano, o TCU apontou que a negociação causou prejuízo de US$ 792 milhões à estatal. Também foram apresentados relatórios de duas outras auditorias internas, referentes às obras da Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Nessas obras, gerentes e executivos de subsidiárias da Petrobrás teriam participado de irregularidades apontadas pelas auditorias.  Ao menos oito funcionários que ainda trabalham na estatal foram relacionados em uma lista de responsáveis que serão alvo de processo administrativo da companhia. "Foi apresentado uma relação de nomes de envolvidos. Tem muita gente da ativa envolvida, gerentes, executivos de subsidiárias", informou a fonte, que pediu anonimato. A partir de agora eles serão alvo de processo punitivo e poderão ser exonerados dos cargos executivos. Os relatórios produzidos pela companhia serão encaminhados à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, e poderão embasar ações judiciais contra os executivos e ex-funcionários. A companhia definiu que irá buscar o ressarcimento dos prejuízos causados pelos desvios e atos de corrupção de seus funcionários e ex-funcionários. Entretanto, até o momento, não há qualquer processo aberto ou decisão pela abertura de ações contra os executivos citados nos relatórios. O ex-presidente da Petrobrás, o petista José Sérgio Gabrielli, e o ex-diretor Internacional da empresa, Nestor Cerveró, ainda não foram informados sobre o relatório das auditorias em que são responsabilizados, juntamente com outros 13 funcionários, por prejuízos com a compra de Pasadena: "A Petrobrás não me comunicou nada. Geralmente, as decisões do conselho são publicadas em fato relevante. Essa não foi. Não sei o que foi decidido, então não posso comentar". Já o advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, atribui qualquer responsabilidade por prejuízos com Pasadena ao conselho de administração da empresa, que, na época da compra da refinaria texana era presidido pela presidente da República, Dilma Rousseff. "Essa decisão interna segue a mesma linha que a do Tribunal de Contas da União, que responsabilizou a diretoria e não o conselho, como prevê o estatuto social da empresa. Estão rasgando o estatuto", afirmou Ribeiro.

Aécio Neves insta a petista Dilma a pedir desculpas pela corrupção na Petrobras e no seu governo






A seguir a mensagem postada por Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, sobre o agravamento das denúncias sobre a corrupção na Petrobras, comandada por ela desde 2003 como ministra das Minas e Energia, presidente do Conselho de Administração, ministra chefe da Casa Civil e presidente da República: "Só agora, após as eleições, confrontada com a gravidade dos fatos, a presidente Dilma Rousseff reconhece publicamente a existência de corrupção na Petrobras. E surpreende o País ao reagir ao noticiário como se fosse apenas uma espectadora, uma cidadã indignada, como se o seu governo não tivesse nenhuma responsabilidade com o que ocorreu na empresa nos últimos anos. Como se não tivesse sido ela a presidente do Conselho de Administração da Petrobras, responsável pela aprovação de inúmeros negócios, hoje sob investigação. Durante a campanha eleitoral, a candidata Dilma tentou virar as costas para a realidade das denúncias. Agora, é a presidente Dilma que tenta se afastar da mesma realidade ao agir como se a Petrobras não fizesse parte do seu governo. Agindo assim, a presidente zomba da inteligência dos brasileiros, além de desrespeitar a Polícia Federal, ao tentar convencer o País de que as investigações só ocorrem graças à decisão ou permissão do governo. Esquece, mais uma vez, que a Polícia Federal é uma instituição do Estado brasileiro e não do governo, serve ao País e não aos interesses do governo.  Durante a campanha eleitoral, convidei a candidata Dilma Rousseff a pedir desculpas ao Brasil pelo que acontecia na empresa, o que ela se negou a fazer. Agora que reconhece, ainda que tardiamente, a existência de corrupção, faço novamente o mesmo convite: Presidente, a senhora não acha que está na hora de pedir desculpas ao País pelo que o seu governo permitiu que ocorresse com a Petrobras?"

AGENDA DE EX-DIRETOR LIGA LOBISTA FORAGIDO DO PMDB A TRANSPETRO

Sergio Machado Transpetro
A ligação entre Fernando Soares, o Fernando Baiano, operador do PMDB no esquema de propinas na estatal, e a subsidiária Transpetro aparece em anotações na agenda do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, delator da Operação Lava Jato, revelam segundo investigação da Polícia Federal. No caderno apreendido na casa de Costa, em março, quando a operação foi deflagrada, as anotações em sequência “FB” e “Navios” são interpretadas pelos policiais como Fernando Baiano e subsidiária da estatal, respectivamente. O registro indica também a data da reunião, com quem seria o encontro, assuntos e os valores de propina na Petrobrás tratados entre o réu confesso do esquema de corrupção e o suposto operador do PMDB. Fernando Baiano está foragido. A Polícia Federal aposta que essa nova frente de investigação possa atingir o presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado, que chegou ao cargo em 2004 por indicação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Machado está na mira das novas etapas da Lava Jato desde 8 de agosto, quando o delator afirmou em depoimento ter recebido em mãos R$ 500 mil de Machado. O pagamento, ocorrido em 2012, seria referente a uma propina por locação de navios, cuja negociação fora intermediada pela diretoria de Abastecimento da Petrobrás, sob o comando de Paulo Roberto Costa. Segundo eles, todos os grandes contratos da estatal tinham cobrança de propina de até 3% em um esquema de loteamento de diretorias na estatal pelo PT, PMDB e PP, que abasteceu também o PSDB e o PSB. No mesmo item de assuntos a ser tratado no suposto encontro com “FB”, o delator da Lava Jato anotou siglas e nomes de executivos e empresas que se tornaram alvo da fase Juízo Final, a sétima da Operação Lava Jato. A Polícia Federal está convencida de que as iniciais QG são de Queiroz Galvão, uma das empreiteiras sob suspeita da Juízo Final. O nome entre parêntesis é do executivo Ildefonso Colares, preso na sexta-feira. Os investigadores suspeitam que “R$ 3,0” significa R$ 3 milhões. Há ainda a anotação “Engevix (Gerson)”. Trata-se de Gerson Almada, outro dos 23 detidos na carceragem da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Em um dos computadores da empresa Costa Global, aberta em 2012 pelo ex-diretor de Abastecimento, depois que ele saiu da Petrobrás, o nome de Fernando Soares, o Baiano, aparece associado a valores. Em um deles, o montante é de R$ 2,1 milhões. O registro foi anexada ao despacho do juiz federal Sérgio Moro nos pedidos de prisão da Lava Jato. Por sua assessoria, Sergio Machado declarou “ser mentirosa e absurda a acusação feita contra si por Paulo Roberto Costa”. O criminalista Mário de Oliveira Filho, que defende Baiano, foi enfático: “O sr. Fernando não é lobista, nem operador do PMDB, mas representante no Brasil de duas empresas espanholas". Já a Engevix, “por meio de seus advogados e executivos, prestará todos os esclarecimentos que forem solicitados”, diz em nota. A Queiroz Galvão não respondeu à reportagem até a conclusão desta edição.

INCÉNDIO NO PETISMO - Conselho da Petrobras pede punição do ex-presidente Sérgio Gabrielli pela compra da refinaria de Pasadena

Foto: Zeca Ribeiro / Ag. Câmara

O Conselho de Administração da Petrobrás encaminhou ao Ministério Público pedido de abertura de ação civil contra 15 funcionários e ex-funcionários da estatal. O pedido inclui o ex-presidente da estatal, o petista José Sérgio Gabrielli, e teria sido motivado pela compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). A atual presidente da Petrobrás, a também petista Graça Foster, não desmentiu a decisão do conselho, mas disse, nesta segunda-feira, 17, que não iria comentar o caso. “Não vou comentar qualquer decisão do Conselho de Administração”, limitou-se a dizer a executiva, durante a coletiva de imprensa. A compra da refinaria de Pasadena foi finalizada em 2012. O negócio começou a ser investigado em 2013 pelo Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União com base em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo que revelou a discrepância entre o valor pago pela empresa belga Astra pela refinaria, em 2005, e o desembolso total efetuado pela Petrobrás pelo empreendimento. Em julho deste ano, o Tribunal de Contas da União apontou que a negociação causou prejuízo de US$ 792 milhões à estatal. Além de Gabrielli estaria entre os 15 funcionários citados pelo conselho o ex-diretor da área Internacional, Nestor Cerveró. Ele foi demitido da estatal em março deste ano, dias depois de a presidente Dilma Rousseff ter afirmado ao Estado que a aquisição da refinaria foi feita com base em um relatório elaborado por Cerveró. Em 2006, quando a primeira metade da refinaria foi comprada, Dilma era ministra da Casa Civil do governo do alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de Reputações") e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, que deu aval para a aquisição. Em março deste ano, a presidente afirmou ter tomado a decisão com base em um parecer técnico “falho” e “incompleto”.

Senador Aloysio Nunes Ferreira engrossa o tom e diz que Dilma se beneficiou de desvios na Petrobras

Aloysio Nunes durante encontro com líderes do Democratas, em São Paulo

O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), disse nesta segunda-feira que a presidente Dilma Rousseff se beneficiou diretamente dos desvios na Petrobras revelados pela Operação Lava Jato. “A presidente se beneficiou politicamente porque esse esquema de corrupção da Petrobras, a exemplo do mensalão, é uma forma de formar maioria parlamentar, arrumar apoio político para sua eleição, de somar tempo de rádio e televisão”, disse ele. Apesar de ressalvar que não há provas de enriquecimento pessoal da chefe do governo, o tucano afirmou que a corrupção na Petrobras mostra que os desvios eram parte do método petista de governar, uma espécie de “política de estado para formar maioria parlamentar”. Aloysio esteve numa passeata que pedia o impeachment da presidente, em São Paulo, no sábado. Ele diz, entretanto, que é preciso produzir provas “muito contundentes” antes de iniciar um eventual processo de cassação. O tucano também afirmou que a base aliada não terá argumentos para impedir novamente a convocação do petista Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, que foi preso na sexta-feira. “Depois dos fatos desse último fim de semana, penso que a base governista não terá condições políticas nem morais de impedir aquilo que nós já tentamos fazer na semana passada, que é a convocação de Renato Duque, Sérgio Machado e Leonardo Meirelles”. Sérgio Machado é o diretor licenciado da Transpetro. Meirelles é diretor do Labogen, um laboratório do doleiro Alberto Yousseff que era usado para movimentar dinheiro sujo. Na semana passada, a base aliada manobrou para impedir a convocação do trio. Já o líder do governo no Congresso, senador José Pimentel (PT-CE), descartou aprovar um requerimento de convocação de Renato Duque. Antes mesmo de saber se o depoente pretende colaborar, o senador disse que a convocação seria inútil: “Tenho clareza de que simplesmente transportar de um ponto para outro um preso eu entendo que essa não é a melhor forma de investigar”, afirmou.

Não temos "informações avassaladoras" para suspender contratos com empreiteiras, diz a petista Graça Foster; o que é "avassalador" para ela?

A presidente da Petrobras Maria das Graças Silva Foster responde perguntas sobre o escândalo de corrupção na estatal, ao lado do Diretor Financeiro Almir Barbassa, durante entrevista coletiva no Rio de Janeiro - 17/11/2014

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, defendeu nesta segunda-feira que são necessárias “informações avassaladoras” de crimes para justificar o encerramento de contratos com fornecedores suspeitos de corrupção, como empreiteiras. Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira, no Rio de Janeiro, a presidente da estatal foi questionada a respeito das providências que serão tomadas para combater casos recentes de corrupção e desvio de recursos, como o da holandesa SBM e o das empreiteiras brasileiras investigadas na operação Lava Jato. “Não vamos interromper contratos com a SBM nem com outras empreiteiras trabalhando conosco até que tenhamos informações que sejam tão avassaladoras que justifiquem que encerremos contratos”, afirmou a petista Graça Foster. O que será que significa "avassalador" no dicionário petralha? Ao ser questionada pelo site de VEJA a detalhar o que seriam tais informações “avassaladoras”, Graça foi socorrida na resposta pelo diretor de Exploração e Produção da estatal, José Formigli: “No caso da SBM, a presidente recebeu uma ligação e nós recebemos uma carta onde a empresa diz que recebeu informações do Ministério Público holandês de que havia tais depósitos (propina) em contas na Justiça. Isso é uma prova avassaladora, porque é a própria empresa dizendo”. Antes disso, a Petrobras tinha negado qualquer pagamento de propina. No primeiro semestre, uma comissão de apuração da estatal concluiu em prazo recorde, de 41 dias, que não houve crime no caso da SBM. Mas, conforme revelou VEJA, o Ministério Público holandês fechou acordo por meio do qual a empresa pagará 240 milhões de dólares à Justiça de seu país para se livrar de processo por corrupção pelo pagamento de subornos a executivos da estatal para a assinatura de contratos. Com o acordo no Judiciário holandês, a petista Graça Foster ajustou o discurso e, enfim, reconheceu nesta segunda-feira que houve propina, mas diz que até hoje não sabe para “quem nem quando”. “Fizemos visitas à Holanda, aos Estados Unidos, para tentar obter informações e nomes, sem sucesso. Até hoje não sabemos quem nem quando”, afirmou. As revelações de superfaturamento e ilícitos penais obrigaram a estatal a refazer os cálculos de ativos em demonstrações contábeis divulgadas periodicamente, por exigência de auditores da consultoria PriceWaterhouseCoopers. A executiva evitou detalhar eventuais ações para reaver o dinheiro desviado e nem se comprometeu com uma data para a divulgação do balanço do terceiro trimestre. “A estratégia é confidencial. Não posso antecipar algo que por si só poderia trazer antídotos ao próprio sucesso”, afirmou. Contudo, em fato relevante protocolado junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa afirmou que pretende divulgar os resultados em 12 de dezembro. O atraso na publicação de demonstrações financeiras não foi o único problema originado pelos crimes investigados. A presidente disse ainda que a Petrobras contratou por 6 milhões de reais o escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe e, por 5 milhões de dólares, o escritório americano Gibson, Dunn & Crutcher, com a justificativa de que ambos vão auxiliar nas investigações internas de irregularidades na estatal. A Petrobras também estuda a abertura de mais cargos como tentativa de coibir esquemas de corrupção, como a criação de uma Diretoria de Compliance. A estatal já possui uma gerência de auditoria interna e o Conselho Fiscal, com capacidade de fazer tais investigações, mas Graça defende que uma diretoria teria papel diferente. “Teria uma convergência maior de processos da companhia além de muitas outras participações”, afirmou. Apontado como um dos motivos que levaram a auditoria a não aprovar o balanço da Petrobras, o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, deve retornar ao trabalho em breve, segundo a petista Graça Foster. A presidente afirmou que, passados os 31 dias de licença do executivo, ele "deverá retornar à empresa". Graça Foster disse que foi Machado quem pediu o afastamento temporário e que caberá a ele a decisão de retornar. "Caso as investigações não estejam concluídas, Sérgio Machado tomará as decisões que ele entende que sejam as melhores para a Petrobras", afirmou Graça Foster. Sérgio Machado foi afastado do cargo após a denúncia feita pelo ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, de que teria recebido do presidente da Transpetro o montante de 500 mil reais. O executivo é indicação do PMDB na estatal. A petista Graça Foster disse ainda que "o clima é tenso" dentro da empresa desde que foi deflagrada a Operação Lava Jato. "Essa é uma situação diferente, nova, dentro da Petrobras. Para nós, faz com que saiamos do estado natural. Ao mesmo tempo estimula a buscar todos os instrumentos de governança. O clima fica tenso, mas temos o dever de buscar mais recursos para que não aconteça de novo", afirmou Graça. Apesar das paralisações em Abreu e Lima, a presidente negou que as denúncias estejam atrapalhando os trabalhos da empresa. "Se tivéssemos a empresa parada não teríamos batido os recordes de produção que batemos. Esta empresa não parou", disse. Nunca antes jamais em toda a história deste País tinha se visto coisa igual como neste regime petralha, e desde o primeiro governo do alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista, durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de Reputações").

O Ministério Público da Itália recorre por extradição do bandido petista mensaleiro Pizzolato

O Ministério Público da Itália apresentou um recurso nesta segunda-feira contra a decisão da Corte de Bolonha de negar a extradição do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, o bandido petista mensaleiro Henrique Pizzolato, condenado a doze anos e sete meses de prisão no julgamento do mensalão. A Procuradoria italiana entendeu que o mensaleiro precisa cumprir a pena no Brasil e discordou da conclusão do tribunal de que as prisões brasileiras não têm condições de assegurar a integridade física de Pizzolato. No recurso, o Ministério Público italiano argumentou que não se pode generalizar a situação dos presídios do país, apontando como exemplo o caso dos mensaleiros presos no Complexo da Papuda, em Brasília, que não sofreram até agora nenhum incidente. A defesa de Pizzolato apresentou relatórios da ONU e da Anistia Internacional para convencer os juízes italianos da insalubridade do sistema prisional brasileiro. Com o recurso, o processo será enviado à Corte de Cassação de Roma, e uma audiência deve ser agendada em meados de 2015. Até lá, Pizzolato é considerado um homem livre. Pizzolato, que tem dupla cidadania, planejou a sua fuga para a Itália enquanto o julgamento do mensalão ainda corria. Produziu documentação falsa em nome do irmão, morto em 1978, para tirar um novo passaporte e conseguiu escapar do cumprimento da pena no Brasil. Em fevereiro deste ano, a polícia italiana descobriu o seu paradeiro e o prendeu na casa de um sobrinho na cidade de Maranello, no norte da Itália. Ele foi levado para a prisão de Módena, de onde saiu em outubro após decisão da corte de Bolonha.

Interpol lança lista com procurados por crimes ambientais

Criminosos ambientais procurados pela Interpol

A Interpol (polícia internacional) divulgou nesta segunda-feira a primeira lista de sua história de fugitivos acusados de cometer crimes ambientais. O objetivo das autoridades é obter informações que possam levar ao paradeiro dos nove foragidos mais procurados pela Justiça internacional. Segundo Stefano Carvelli, chefe da unidade de investigação da Interpol, os crimes cometidos pelos suspeitos são apenas a ponta de um esquema que mobiliza entre 70 a 213 bilhões de dólares anuais. Um relatório publicado pela Interpol no início deste ano apontou que muitos dos crimes ambientais possuem ligações com organizações terroristas, como o grupo somali Al Shabab. A agência salienta que os fugitivos são perigosos e não devem ser interpelados pessoalmente. A lista de foragidos da Interpol é um dos frutos de uma investigação sobre 139 suspeitos procurados em 36 países. A Operação Infra-Terra, esforço de 23 investigadores, elevou o perfil da unidade de crimes ambientais da agência e poderá fornecer pistas sobre outras atividades ilícitas de jurisdição internacional, já que as rotas usadas para crimes ambientais, como o tráfico de marfim, também costumar servir para outros delitos, como o tráfico internacional de armas. Futuramente, a Interpol pretende criar subdivisões geográficas para monitorar com maior precisão os crimes contra a natureza. Entre os criminosos procurados pela Interpol está o holandês Nicolaas Antonius Cornelis Maria Duindam, procurado pela Justiça brasileira por tráfico de espécies nativas do país. Também há crimes relacionados a pesca e desmatamento ilegal e tráfico de marfim.

Ministério Público Eleitoral entra com recurso contra escolha de Gilmar Mendes para relatar contas de Dilma

Ministro Gilmar Mendes profere seu voto no julgamento de ação contra cotas raciais na UnB

A Procuradoria-Geral Eleitoral recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral contra a decisão de redistribuir livremente o processo de prestação de contas da campanha à reeleição de Dilma Rousseff. O processo que reunia os dados de arrecadação e despesas da campanha da presidente-candidata em 2014 estava a cargo do ministro Henrique Neves, que deixou o tribunal na última quinta-feira. Com isso, diz o Ministério Público Eleitoral, o caso deveria ser repassado a um ministro da mesma classe de Neves, ou seja, da classe dos advogados indicados para compor a Corte, e não indiscriminadamente a qualquer magistrado do TSE. De acordo com o parecer do Ministério Público Eleitoral, a prestação de contas deveria sair da responsabilidade do ministro Gilmar Mendes, que herdou o processo de Henrique Neves, e passar para as mãos do ministro-advogado Admar Gonzaga. Em tempo: Gonzaga foi um dos principais integrantes do núcleo jurídico da campanha da petista nas eleições de 2010.

Ex-diretor de Dilma na Petrobrás, Nestor Cerveró abre ação responsabilizando Dilma pela roubalheira na Refinaria Pasadena

O ex-diretor foi nomeado por Lula e mantido por Dilma, tudo por indicação do PMDB. Ao botá-lo para fora, tentando transformá-lo em bode expiatório, o diretor deu mostras de que não cairia sozinho e tentaria levar Dilma junto. Depois das prisões de Paulo Roberto Costa e Renato Duque, o próximo diretor da Petrobras a colocar as barbas de molho é o notório Nestor Cerveró, conforme conta esta tarde o jornalista Lauro Jardim, Veja. Leia mais: "Além de ter seu nome citado nas delações premiadas por relacionar-se com o lobista Fernando Baiano, Cerveró terá que se defender no âmbito da CGU. A defesa de Cerveró foi comunicada este mês de uma nova investigação aberta em Brasília. A CGU questiona dois pontos: movimentações financeiras atípicas de Cerveró nos anos de 2005, 2006 e 2011; e a compra de uma casa na Região Serrana por 100 000 reais e a posterior venda por 850 000 reais. A defesa de Cerveró afirma ter argumento para todos os questionamentos. A defesa de Cerveró partiu para uma estratégia que, de tão ousada, parece quase impossível de prosperar. Silenciosamente, entrou com uma ação na Comissão de Ética Pública da Presidência transferindo a responsabilidade pela compra da refinaria de Pasadena para Dilma Rousseff. Para a defesa de Cerveró, se houve gestão temerária na Petrobras, cabe a Dilma – ex-presidente do Conselho de Administração – responder por ela".

Após escândalos, Petrobras pretende criar diretoria para aumentar controle interno

Em resposta às denúncias de corrupção da Operação Lava Jato, a Petrobras quer criar uma diretoria de governança corporativa e compliance, com o objetivo de aumentar o controle sobre os acordos fechados pela estatal. Em teleconferência a investidores, a presidente da estatal, Graça Foster, disse que a proposta foi apresentada ao conselho de administração na reunião da última sexta-feira e teve apoio unânime. A executiva mencionou isso ao elencar 66 ações de gestão realizadas recentemente e encaminhadas aos auditores externos da PricewaterhouseCoopers (PwC) e aos escritórios de advocacia contratados para realizar investigações independentes acerca das denúncias da Lava Jato. “Queremos mais do que o reconhecimento técnico que conquistamos ao longo de décadas, queremos respeito à governança da nossa companhia, que é a Petrobras”, afirmou a petista Graça Foster.

Com o sinal verde do conselho, a diretoria executiva se reuniu nesta segunda-feira, para tratar da concepção da proposta com a qual entende que serão mitigados riscos e assegurado o cumprimento de leis e regulamentos internos e externos. “Estamos imbuídos da certeza de que precisamos ter reconhecimento da nossa capacidade de governar”, afirmou a executiva.
Balanço
A declaração da petista Graça Foster ocorre três dias após adiamento da divulgação do balanço do terceiro trimestre. Ainda em teleconferência, a presidente da companhia afirmou que a empresa precisará de “mais tempo” para divulgar os resultados financeiros. Ela disse que esse tempo será usado no ajuste das demonstrações contábeis, já que delações feitas pelo ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef “revelaram uma série de informações que podem impactar os dados”. A previsão é de que o balanço seja anunciado em 12 de dezembro.
Paulo Roberto Costa e Youssef fizeram diversas denúncias de casos de corrupção na Petrobras em audiência na Justiça do Paraná, no dia 8 de outubro. Além de citar a necessidade de ter mais tempo para os ajustes contábeis, Graça ressaltou que a empresa precisará dar continuidade à investigação dos dois escritórios de advocacia independentes. Por Reinaldo Azevedo

Sem mudar a cultura do estatismo, “Compliance” na Petrobras vira cumplicidade

A presidente da Petrobras, Graça Foster, anunciou em teleconferência nesta segunda-feira, em que tratou dos resultados da empresa no terceiro trimestre, que a estatal vai criar uma diretoria de governança corporativa e compliance para aumentar a transparência e o controle interno sobre contratos. 

O que quer dizer “compliance”? Falta-nos uma palavra correspondente em português. Precisamos recorrer a um conjunto delas: trata-se de adesão a normas pré-estabelecidas de boa governança, que vão das leis que regem o País às regras do Regimento Interno da companhia. Segundo a petista Graça Foster, o Conselho de Administração já aprovou a proposta. De fato, é espantoso que a maior empresa brasileira e uma das maiores do mundo ainda não disponha dessa estrutura. Mas será que vai funcionar?
Eis o busílis. Sabemos, e temos exemplos recentes, que gigantes mundiais corromperam autoridades de vários países mundo afora. Para citar dois famosos, há a Siemens, que é alemã, e a SBM, que é holandesa. Assim, a gente percebe que empresas privadas também estão sujeitas a cometer ilicitudes — afinal, as empreiteiras que aparecem como corruptoras no escândalo da Petrobras são privadas.
Mas calma lá. Não vamos misturar alhos com bugalhos. Os agentes da Siemens, da SBM e das empreiteiras, todos eles agiram, sim, fora do arcabouço legal para tentar beneficiar seus respectivos negócios, ainda que à margem da lei. E devem responder por isso. Os que atuaram na Petrobras também aviltaram a legalidade, mas para fazer o contrário dos outros: a Petrobras perdeu! Os agentes privados quiseram aumentar o lucro de suas respectivas companhias; os larápios da Petrobras atentaram contra o patrimônio da empresa, que é público.
A minha questão de fundo: numa estatal com as características da Petrobras — ou, mais largamente, nas estatais brasileiras —, é possível haver um real sistema de Compliance? Faço uma pergunta objetiva, mas que soará como ironia: também essa diretoria estará sujeita a interferências partidárias?
O que pode uma estrutura de Compliance contra a nomeação, por partidos políticos, de diretores de Serviço, da Área Internacional, de Refino ou de Gás, por exemplo? Teria como saber se, no valor de um determinado contrato, há uma majoração de 3% ou 4%, que serão revertidos, depois, em propina? Se é para a Petrobras continuar uma empresa majoritariamente estatal — e ela vai continuar porque não há força política relevante com coragem de chamar as coisas pelo nome —, então é preciso mudar as regras para nomear os diretores.
E não apenas da Petrobras. O mesmo tem de valer para todas as estatais. Alguém pode me explicar uma boa razão para que um partido político queira a direção de uma hidrelétrica? Com que propósito? Para defender um credo, uma ideologia, uma convicção. Se não for para fazer caixa, serve pra quê?
Ora, como vocês leram aqui, um único gerente ligado ao petista Renato Duque, ex-diretor de Serviços, aceitou devolver US$ 97 milhões no processo de delação premiada — ou R$ 252 milhões. Um único membro médio da quadrilha toipa devolver um quarto de bilhão! E certamente não morrerão na pindaíba. O que devemos pensar de seus respectivos chefes?
Proponho uma outra questão: as agências reguladoras no Brasil deveriam ser uma espécie de representação técnica, neutra, arbitrando demandas que envolvem serviços públicos em nome da sociedade. E é do interesse da sociedade que os prestadores de serviços lucrem com a atividade, ou não poderão investir; que a cidadania seja atendida, ou o Estado não cumpre a sua função. Trata-se de um trabalho muito próximo disso a que se chama “compliance”.
O que fez o petismo com as agências? Transformou-as em cabide de empregos de militantes políticos ou loteou os cargos entre partidos da base aliada. Deixaram de servir a sociedade e hoje servem a arranjos de poder.
Sim, a diretoria de Compliance pode, sim, significar um pequeno avanço. Mas o buraco, definitivamente, é muito mais embaixo. O verdadeiro mal está na forma como o petismo e seus agregados ocupam o Estado brasileiro e seus entes. Hoje, essa estrutura não serve às necessidades da população, mas aos interesses de um partido político. É assim que o PT entende a tomada do poder. Isso não é uma acusação vazia ou uma hipótese conspiratória. Tal visão de mundo está consolidada em seus documentos e em suas resoluções.
Enquanto os companheiros estiverem no comando, o Estado e seus tentáculos servirão aos objetivos do companheiros, com ou sem diretoria de Compliance.
O balanço
Graça Foster informou ainda que a empresa não está em condições de fornecer já o balanço do terceiro trimestre. Dá a entender que precisa aguardar os desdobramentos das delações. Com a devida vênia, o cheiro que emana dessa decisão não é bom. Afinal, com ou sem corrupção, o resultado obtido é o resultado obtido, né, dona Graça? Por acaso a percentagem da corrupção será abatida da coluna de despesas? Será acrescida à de lucro líquido? O dinheiro que será devolvido vai se somar à conta corrente da Petrobras? Acho que não, né?
Há coisas que parecem não ter cura. No dia em que a presidente da Petrobras anuncia a criação de uma diretoria de Compliance, ela não explica por que não se divulgam os dados do balanço.
Essa gente não aprende nada nem esquece nada. E nós pagamos o pato. Por Reinaldo Azevedo

STJ nega habeas corpus a cinco executivos presos na Lava Jato

O desembargador convocado Newton Trisotto, do Superior Tribunal de Justiça, rejeitou pedidos de habeas corpus apresentados pela defesa de cinco executivos da construtora OAS e manteve a prisão do presidente da empreiteira, José Aldemário Pinheiro Filho, do advogado Alexandre Portela Barbosa, de José Ricardo Nogueira Breghirolli, de Mateus Coutinho de Sá Oliveira e do diretor-presidente da Área Internacional da empresa, Agenor Franklin Magalhães Medeiros. Todos eles foram presos durante a sétima fase da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou pelo menos 10 bilhões de reais. Com a manutenção das prisões dos executivos, o caso deve ser levado pelos advogados de defesa ao Supremo Tribunal Federal. Todos eles já haviam feito os pedidos de liberdade ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que também negou o pleito. No fim de semana, a desembargadora plantonista Maria de Fátima Freitas Labarrère, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região de Porto Alegre, havia rejeitado pedidos de liberdade de onze presos na Lava Jato sob a alegação de que as detenções eram necessárias para impedir que os acusados atrapalhassem a investigação da Polícia Federal. Isso é o que se chama extrema velocidade na Justiça brasileira. Em três dias um caso chega ao Supremo Tribunal Federal, depois de passar todas as instâncias judiciais. 

Dilma e o discurso ornitorrinco: bota ovo e tem bico, mas é mamífero. E ainda esconde uma glândula venenosa. Ou: Polícia Federal nunca investigou algo de tal dimensão

Lá da Austrália, uma terra de fauna muito peculiar, como sabemos, Dilma tentou, acreditem, faturar com o escândalo da Petrobras — aquele mesmo que, segundo Alberto Youssef, era do seu conhecimento. Aquele mesmo para o qual, segundo Augusto Nardes, ministro do TCU, seu governo fora advertido. Fez um discurso mais exótico do que um ornitorrinco. O bicho semiaquático é mamífero, mas bota ovo e tem bico. E ainda esconde uma glândula de veneno.

No discurso ornitorrinco de Dilma, a gente entende que há ao menos uma coisa boa: o País nunca mais será o mesmo, segundo ela. Haverá, garante, uma “mudança no Brasil para sempre”. Ao destrinchar, ainda que à sua moda, o que quis dizer, lá veio a conversa mole de que toda a sem-vergonhice decorre do financiamento privado de campanha. 
É mesmo, é? Que conversinha perigosa, não? Bancos também doam, não é? E, nesse caso, eles são regulados diretamente pelo governo federal — pelo Banco Central. E aí, presidente? Também há relações de troca, ou só os empreiteiros é que são malvadões? Isso é conversa para enganar trouxas. Mas o objetivo do meu post aqui é outro. Vou aqui contestar uma tolice veiculada pela presidente e seus porta-vozes informais na imprensa. Querem fazer com que a investigação pareça uma virtude do governo: “Ah, esse, sim, combate a corrupção!”. Opa! Calma lá! Em primeiro lugar, como sempre, há o nó lógico: quer dizer que o governo Dilma chegará ao auge da moralidade no dia em que se descobrir um escândalo por dia? Ora, presidente, se país rico é país sem pobreza; país decente é país sem ladrões em postos de comando. Ou a senhora pretende nos convencer de que é o excesso de larápios flagrados pela Polícia Federal que evidencia o triunfo da moral?
Em segundo lugar, o PT está no poder desde 2003, e os ladrões pintaram e bordaram durante quase 12 anos. No período, a senhora foi a czarina da área energética — inclusive presidente do Conselho da Petrobras. Se a senhora insiste que o financiamento de campanha é a origem de todos os males, devo entender que o dinheiro sujo financiou, inclusive, a sua campanha? Nesse caso, devo considerar o seu mandato legítimo?
Dilma voltou à ladainha de escândalos do passado que não foram investigados. Ah, presidente… Quando um tal Pedro Barusco, um simples gerente e estafeta do petista Renato Duque, ex-diretor de serviços, admite devolver US$ 97 milhões – R$ 252 milhões –, a gente começa a ter uma noção do tamanho do assalto. Nunca houve nada dessa dimensão no País e é difícil acreditar que tenha havido no mundo.
E a própria Dilma, tentando se livrar da confusão, confessa: é tramóia envolvendo partidos – muito especialmente o seu partido. De fato, nunca se investigou algo desse tamanho antes porque, afinal, o PT ainda não havia chegado ao poder para produzir… algo desse tamanho! Por Reinaldo Azevedo

O Supremo, a política prestes a cair de vez na clandestinidade mafiosa e a conversa mole dos ruminantes intelectuais

Falta apenas um voto — o ministro Gilmar Mendes pediu vista — para que o Supremo bata o martelo e jogue de vez o financiamento de campanha na clandestinidade. Aí, sim, a política brasileira cairá de vez nas malhas de uma verdadeira máfia. E isso será feito com o concurso de elegantes senhores togados e com a colaboração dos estúpidos e dos vigaristas. A que me refiro? A OAB entrou com uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra a doação de empresas privadas a campanhas eleitorais. O verdadeiro patrocinador da causa, já demonstrei aqui em meu blog, é Luís Roberto Barroso, que deveria ter tido o bom senso de não votar. Mas votou mesmo assim. Não me espanta. Adiante! A tese mentirosa, ridícula mesmo, é que a roubalheira que está em curso na Petrobras, por exemplo, só existe porque as empresas fazem doações a partidos e, depois, cobram a compensação. Assim, caso se as impeça, na lei ao menos, de doar, então acaba a safadeza. Não sei qual será o voto de Gilmar Mendes, mas suponho que ele dirá “não” a essa besteira perigosa.

Quem acredita nisso ou é um asno intelectual ou é um asno moral. Não há uma terceira alternativa. Vocês sabem quanto custou, em valores declarados, só a campanha dos 513 deputados que foram eleitos ou reeleitos? R$ 733 milhões. A dos 27 senadores, outros R$ 124 milhões. Essa conta não inclui os gastos dos que foram malsucedidos. Estimativas de setembro do TSE apontavam que as campanhas majoritárias — Presidência, governos de Estado e Senado — chegariam a R$ 4,4 bilhões. Acrescentando-se a esse total o gasto dos deputados eleitos, já chegamos a R$ 5,133 bilhões. Atenção! Eu afirmo e dou fé: os candidatos costumam, não todos, claro!, gastar muito mais do que declaram. Querem saber? Uma campanha eleitoral, no conjunto, roça os R$ 10 bilhões.
De onde vai sair esse dinheiro? De doações de pessoas físicas? É piada! Dos cofres públicos? A cada quatro anos, vai-se abrir um rombo no Tesouro de R$ 10 bilhões? Daí a dois anos, vêm as eleições municipais: mais quantos bilhões? Aí cabe a pergunta evidente: as campanhas eleitorais ficarão mais baratas? Até poderia: seria preciso, entre outras coisas, acabar com essa excrescência que é o horário eleitoral gratuito — e, assim, se aposentariam os cineastas do gênero “campanha” — e instituir o voto distrital puro. Como nada disso vai acontecer, os custos continuarão na estratosfera, e não haverá doações privadas ou financiamento público que consigam dar conta dos gastos.
Sabem a quem os políticos vão apelar? Às empresas, sim, senhores! Só que, a prevalecer a decisão do Supremo, toda doação que fizerem será clandestina. No dia em que empreiteiras não puderem mais fazer doações legais a partidos, não haverá mais gente como Paulo Roberto Costa, Renato Duque ou Nestor Cerveró na Petrobras e em outras estatais? No dia em que as empresas não puderem mais fazer doações, os partidos políticos deixarão de indicar diretores de estatais e de autarquias? No dia em que as empresas não puderem mais fazer doações, não mais existirão, a transitar nas sombras, figuras como João Vaccari Neto, o tesoureiro do PT?
Ao contrário: aí, sim, é que a roubalheira vai correr solta como nunca antes na história “destepaiz”. Se, hoje, jornalistas podem se divertir tentando saber quanto esta ou aquela empreiteiras doaram e quanto pagaram ao esquema, essa conta não mais existirá. Para todos os efeitos, a coluna da doação será “zero”. Ah, estou doido para ver o custo das campanhas cair a um terço, com todo mundo fingindo que acredita. Para que isso fosse verdade, seria preciso que João Santana, por exemplo, também aceitasse ganhar… um terço!
Que o jornalismo e o colunismo a soldo sustentem essa estupidez, vá lá. Afinal, ganham para isso. Que a presidente Dilma tenha repetido a tolice de que a mãe da safadeza é o financiamento privado de campanha, vá lá, ela está, afinal de contas, tentando tirar o seu mandato da reta. Que gente com um mínimo de discernimento embarque nessa falácia, bem, nesse caso, dizer o quê? Sugerir que estude um pouco de lógica elementar. E que mude a dieta alimentar… Humanos não produzem a enzima celulase e não ficam mais inteligentes comendo capim. Por Reinaldo Azevedo

Caramba! Dois executivos de uma única empresa confessam ter pagado R$ 154 milhões em propina aos operadores do PT e do PMDB na Petrobras. Atenção! Parte do dinheiro, segundo eles, foi depositada em contas secretas no Exterior

Quando aquela capa de VEJA veio a público, no dia 24 de outubro, não era só a confissão da roubalheira na Petrobras que chamava a atenção. Havia outra bomba: no âmbito da delação premiada, o doleiro Alberto Youssef se prontificara a ajudar a Polícia Federal a chegar a contas secretas que o PT manteria no Exterior. Se a informação for confirmada, o partido pode ter seu registro cassado. Youssef estaria mentindo? Então vamos ver. Dois executivos da Toyo Setal, que também fizeram delações premiadas — Augusto Mendonça Neto e Júlio Camargo —, confessaram ter pagado entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões de propina a Renato Duque, diretor de serviços da Petrobras e um dos homens do PT na empresa, e US$ 40 milhões a Fernando Soares — o correspondente a R$ 104 milhões — , que é apontado como o intermediário do PMDB. Vocês leram direito: dois executivos de uma empresa confirmam ter pagado só a dois diretores propinas que chegam, no mínimo, a R$ 154 milhões. Imaginem agora o tamanho do esquema, quantos eram os envolvidos e a que volume pode chegar a roubalheira. Segundo Mendonça Neto e Camargo, o petista Renato Duque, em parceria com Pedro Barusco, gerente de serviços e seu braço direito, receberam R$ 6 milhões por obras na Revap (Refinaria Henrique Lage); R$ 3 milhões pelo gasoduto Cabriúna 2; R$ 2 milhões pelo Gasoduto Urucu, em Manaus, e R$ 32 milhões pela refinaria Presidente Getúlio Vargas, no Paraná. Atenção! Segundo a dupla, parte desse dinheiro foi paga no Brasil, em reais; parte foi depositada no Exterior. A Polícia Federal conseguiu bloquear, vejam que mimo!, US$ 20 milhões numa conta que Barusco tem na Suíça. A engenharia, de fato, se tornou uma profissão muito lucrativa, né? A Fernando Soares, que está foragido e apontado como homem do PMDB, os executivos da Toyo Setal dizem ter pagado o correspondente a US$ 40 milhões pela compra de duas sondas de perfuração. O método foi o mesmo: parte saiu em reais, parte foi depositada no Exterior, em contas secretas. À Polícia Federal, forneceram números de contas bancárias e data dos depósitos. Os R$ 154 milhões, segundo contaram, foi a propina necessária para que a Toyo Setal fechasse nove contratos com a Petrobras. Ao Fantástico, o advogado Mário de Oliveira Filho acusou a ilegalidade da decretação da prisão de Soares e disse que ele não vai se entregar. Segundo Oliveira, a defesa encaminhará um pedido de habeas corpus à Justiça para suspender a prisão. Afinal, diz ele, seu cliente nunca se negou a colaborar com a investigação. Pois é… Por que, num processo de delação premiada, em que a inverdade não só impede qualquer benefício como agrava a pena, os dois mentiriam? Convenham: só a verdade poderá beneficiá-los. Eis aí o que se fez na Petrobras ao longo dos anos do mandarinato petista. Por Reinaldo Azevedo

Procuradoria fecha delação premiada com empreiteiras na Lava Jato, a primeira é a Toyo Setal

O Ministério Público Federal fechou com o grupo Toyo Setal o primeiro acordo de delação premiada com empresas envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras investigado na Operação Lava Jato. As companhias do Toyo Setal possuem contratos de mais de R$ 4 bilhões com a estatal. O acordo também envolve o pagamento de indenização aos cofres públicos, de cerca de R$ 70 milhões. O compromisso de delação agora depende de aprovação da Justiça para ter validade. Dois executivos do Setal, Augusto de Mendonça Neto e Julio Camargo, já haviam assinado delações individuais com a Procuradoria. Os dois afirmaram terem entregue R$ 30 milhões em propina para a diretoria de serviços da Petrobras, comandada pelo petista Renato Duque entre 2003 e 2012, a era petralha, no regime petista. As autoridades apontam o petista Duque como o principal operador do PT. O acordo complicará a situação de empreiteiras que tenham participado de crimes com o grupo Toyo Setal. A a Procuradoria quer usar a legislação contra cartéis, que confere apenas ao primeiro delator a chance de obter todos os benefícios legais da delação premiada, como a redução de penas. Porém, as construtoras poderão fazer novos acordos sobre crimes que não envolvam o Toyo Setal.

Gerente petista da Petrobras fecha acordo de delação premiada e vai devolver 97 milhões de dólares que tinha em conta na Suiça

O braço direito do ex-diretor de serviços da Petrobras, o petista Pedro Barusco, fechou um acordo de delação premiada com procuradores federais da Operação Lava Jato no qual se comprometeu a devolver US$ 97 milhões, o equivalente a R$ 252 milhões hoje. Pedro Barusco foi gerente-executivo de engenharia da Petrobras e, como o seu chefe, o então diretor de serviços, o petista Renato Duque, chegou ao cargo por indicação do então ministro-chefe da Casa Civil, o bandido petista mensaleiro José Dirceu (PT). O petista Renato Duque foi preso na última sexta-feira e está na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Barusco escapou por ter feito o acordo para contar o que sabe em troca de uma pena menor. Autoridades suíças bloquearam US$ 20 milhões que ele tem num banco do país. Sem citar nomes, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que um funcionário da Petrobras apanhado na Lava Jato se comprometera a devolver US$ 100 milhões. Duque e Barusco são considerados pelos investigadores da Lava Jato como os principais operadores do PT na Petrobras no período entre 2003 a 2012, ou seja, a década de domínio da organização criminosa petista. O ex-diretor de abastecimento, Paulo Roberto Costa, disse à Justiça que 3% do valor líquido dos contratos assinados pela diretoria do petista Duque eram repassados ao PT. A diretoria de serviços cuidava de projetos e licitações de grandes obras, como a refinaria Abreu e Lima e o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro). O custo dessas obras deve superar os R$ 200 bilhões. Dois delatores da Lava Jato, os executivos Julio Camargo e Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, da Toyo Setal, disseram ter pago R$ 95 milhões aos petistas Duque e a Barusco em nome de empreiteiras para conseguir os contratos de cinco obras. O montante de US$ 97 milhões é o maior valor a ser devolvido nos pactos de delação já assinados na Lava Jato. Também é o maior valor já recuperado pelo governo brasileiro em operações contra a corrupção. No caso de desvios do ex-prefeito Paulo Maluf, por exemplo, o País conseguiu reaver US$ 32 milhões. Ou seja, Paulo Maluf é um batedorzinho de carteira de terceira categoria diante da roubalheira dos petistas. O jornalista Paulo Francis, que morreu atormentado por um processo judicial movido pela diretoria da Petrobras, por ter dito que os vagabundos da estatal petrolífera brasileira tinham todos contas secretas na Suíça, tinha toda razão. Ainda se descobrirá muito mais nessas investigações.