sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Câmara pede proteção policial para ex-gerente da Petrobras

Atendendo a pedido da liderança do DEM, a Câmara dos Deputados encaminhou nesta sexta-feira (12) ao Ministério da Justiça pedido de proteção policial para a ex-gerente executiva da Petrobras, Venina Velosa da Fonseca, que, segundo o jornal "Valor Econômico", avisou a presidente da Petrobras, a petista Graça Foster, sobre irregularidades em contratos e licitações da empresa. Para a oposição, a medida se justifica porque depois de ter alertado o comando da estatal ela foi transferida de País e depois acabou demitida. De acordo com o jornal, Venina Velosa da Fonseca, que foi subordinada do ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, um dos acusados por desvios na estatal, enviou denúncias por e-mail à presidente da Petrobras, e ao diretor que substituiu Costa, José Carlos Cosenza. Os alertas são referentes a desvios que somam bilhões de reais em três áreas da empresa. As primeiras denúncias de Venina Fonseca referiam-se a pagamentos de R$ 58 milhões. 

FAB suspende contratos com empresa dos Estados Unidos que pagou propina a oficiais

A Força Aérea Nacional (FAB) decidiu nesta sexta-feira (12) suspender a execução dos contratos que mantinha com a empresa americana Dallas Airmotive, que admitiu ter pagado propina a comandantes da corporação em Roraima. A medida valerá até o total esclarecimento das denúncias apresentadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Em nota, a FAB afirma que, se as acusações forem comprovadas, ela irá rescindir os contratos e pedirá o ressarcimento cabível do valor deles. A FAB também instaurou um inquérito policial militar para apurar o envolvimento dos oficiais, que ainda não foram identificados. "Ressaltamos que a FAB repudia atitudes desta natureza e atua firmemente para coibir desvios de conduta de seu efetivo", diz ainda a nota. A companhia Dallas Airmotive, que faz manutenção de motores de avião, admitiu à Justiça americana que pagou propina a oficiais da FAB (Força Aérea Brasileira) e ao governo de Roraima entre 2008 e 2012. Na época, o governador era José de Anchieta Júnior (PSDB). A empresa concordou em pagar uma multa de US$ 14 milhões por ter desrespeitado leis americanas contra corrupção em países estrangeiros. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (11) pelo jornal americano "The Wall Street Journal". A propina foi paga por funcionários e representantes da Dallas Airmotive que faziam negócios na América Latina. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos confirmou o caso e diz que a empresa agora colabora com as autoridades. Oficiais da força aérea do Peru e de uma província na Argentina também teriam recebido propina. Para repassar o dinheiro, foram fechados contratos com empresas de fachada, entre outros métodos. Pela manhã, a FAB informou, em nota, que soube pela imprensa do acordo firmado entre a Dallas Airmotive e o Departamento de Justiça Americano que cita o fornecimento de propina a militares do seu efetivo.

Ações da Petrobras despencaram mais 6,6% e a bolsa fechou a pior semana desde 2012

A forte aversão ao risco no Exterior agravada pela derrocada das ações da Petrobras levou o principal índice da Bolsa brasileira a fechar em queda de mais de 3% nesta sexta-feira (12), na sua pior semana desde maio de 2012. O desempenho também refletiu a alta do dólar, que chegou a operar acima de R$ 2,67 no dia, mas amenizou o avanço durante a tarde, diante de atuações do Banco Central. Mesmo assim, a moeda americana renovou seu maior valor em mais de nove anos. O Ibovespa perdeu 3,73% no dia, para 48.001 pontos –menor nível desde 26 de março, quando atingiu 47.965 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,541 bilhões. Na semana, o índice recuou 7,68%. É o pior desempenho semanal desde o período entre 14 e 18 de maio de 2012. Apenas em dezembro, a desvalorização chega a 12,28%. Boa parte da perda é refletida nas ações da Petrobras, que caíram pelo quinto dia nesta sexta-feira após o jornal Valor Econômico revelar que uma gerente da companhia advertiu a atual diretoria de uma série de irregularidades em contratos da empresa muito antes do início da Operação Lava Jato. Partidos de oposição se manifestaram a favor da demissão da presidente da empresa, a petista Graça Foster. As ações preferenciais da Petrobras, sem direito a voto, fecharam o dia valendo R$ 10,11 cada uma, após caírem 6,56%. É o menor preço dos papéis desde 11 de agosto de 2004, quando custavam R$ 10,09. Já os papéis ordinários da petroleira, com direito a voto, cederam 5,78%, para R$ 9,46 – mais baixa cotação desde os R$ 9,27 registrados em 8 de dezembro de 2003. "Uma possível troca da diretoria toda da Petrobras daria um pouco mais de credibilidade à empresa, com certeza. Mas os problemas da companhia não seriam resolvidos só com isso", disse Filipe Machado, analista da Geral Investimentos. "Sobre o balanço, não tem como acreditar em números não auditados, especialmente quando a empresa está no meio de uma crise de credibilidade", diz Julio Hegedus, economista-chefe da Lopes Filho: "Há muita influência política dentro da Petrobras. O caso denunciado pelo 'Valor' hoje apenas corroborou isso". O economista acredita que o rating da Petrobras está sob ameaça de ser rebaixado e que isso gera cautela sobre a nota de risco do País: "Geralmente, a nota da empresa espelha o rating do País, se ela cai, aumenta ainda mais a chance de corte na avaliação do Brasil, o que só vai piorar o cenário". Para Machado, a Bolsa também foi afetada pelo menor número de estrangeiros no mercado de ações nacional, afugentados pela insistente desvalorização nos preços das commodities – em especial do petróleo, que renovou seu menor valor em cinco anos e meio nesta sexta-feira.

Executivos da Petrobras são alvo de oito processos na CVM


Executivos da Petrobras são alvo de oito processos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abertos em razão das denúncias de corrupção investigadas no âmbito da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. A informação foi dada por três fontes com conhecimento do assunto. Há atualmente 17 ações protocoladas no órgão regulador envolvendo a petroleira, mas nem todos estão ligados ao Petrolão do PT. A CVM começou a investigar o assunto formalmente em outubro, quando vieram a público detalhes do esquema de corrupção. "A investigação começou quando houve impacto do noticiário nas ações e o reconhecimento da própria empresa de que havia uma investigação interna", disse uma das fontes. A ação da CVM busca detectar se diretores e membros do conselho de administração deixaram de cumprir com dever fiduciário e lealdade à Petrobras, ao não relatar irregularidades das quais tiveram conhecimento. Nesta sexta-feira, reportagem do jornal Valor Econômico revelou que a gerente Venina Velosa da Fonseca alertou diretores da gestão de José Sérgio Gabrielli e Graça Foster sobre irregularidades em contratos firmados pela estatal com prestadoras de serviço. Segundo as fontes, as investigações da CVM envolvem também as empresas que prestaram serviços de auditoria independente à Petrobras. Punições podem incluir advertência, multa e proibição para ocupar cargos em empresas de capital aberto por até 20 anos.

STF nega liberdade a lobista e executivos de empreiteiras


O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, negou nesta sexta-feira liberdade ao lobista Fernando Baiano e a executivos e presidentes de empreiteiras presos durante a Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Em decisões individuais, Zavascki rejeitou os pedidos de habeas corpus de Eduardo Hermelino Leite, vice-presidente da Camargo Correa; José Aldemário Pinheiro Filho, presidente da OAS; Ricardo Pessoa, presidente da UTC; Dalton Avancini, presidente da Camargo Correa; e Gerson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix. O lobista Fernando Baiano, apontado como o operador do PMDB na trama criminosa, o diretor-presidente da Área Internacional da OAS, Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Eduardo Leite e José Adelmário pediram para serem colocados em liberdade a partir da extensão do benefício concedido por Zavascki ao ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, no último dia 2. Em seu recurso, a defesa de Baiano alegou que ele está preso sob os mesmos fundamentos de Duque, já que é acusado, assim como Duque, de ter desviado e lavado recursos da Petrobras e recolhido propina de até 3% sobre os valores dos contratos. A defesa chegou a formular tabelas para apontar a semelhança das decisões do juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, que determinou as prisões, e dos veredictos do Tribunal Regional da 4ª Região, que havia negado anteriormente os pedidos de liberdade. O ministro, porém, rejeitou também esses pedidos.

Sob pressão, a Petrobras adia de novo a publicação de novo balanço


O conselho da Petrobras não chegou a um consenso sobre o resultado financeiro do 3º trimestre e, com isso, a divulgação será adiada novamente, disse à Bloomberg uma fonte com acesso direto à informação. Segundo a fonte, o conselho só aprovou o resultado operacional, que deverá ser divulgado ainda nesta sexta-feira (12). A informação da fonte é de que os conselheiros não chegaram a um consenso sobre as baixas contábeis provocadas pelos casos investigados de corrupção. Ela informa ainda que a Petrobras se prepara para não precisar captar recursos no mercado de dívidas em 2015. 

Senador Aloysio Nunes Ferreira para Lula X9: "Não há papel higiênico suficiente no mundo para limpar a sujeira do PT"


Os ataques a oposição feitos na noite de quarta-feira pelo ex-presidente e alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr. em seu livro "Assassinato de reputações") em discurso na abertura da segunda etapa do 5º Congresso do PT, foram rebatidos na tarde de quinta-feira, na tribuna do Senado, pelo líder do PSDB , Aloysio Nunes Ferreira (SP). O tucano chamou as declarações de Lula de “pérolas” e disse que ele subestima o sentimento de indignação da grande maioria dos brasileiros do bem que não aceitam a corrupção e querem um Brasil decente. "Não senhor ex-presidente! Não nos interessa saber a cor do papel higiênico que se usa nos palácios. Mas eu lhe digo que nem todo papel higiênico do mundo seria capaz de limpar a sujeira que fizeram na Petrobras nesses últimos 12 anos", respondeu Aloysio Nunes Ferreira. O líder do PSDB admitiu que está pessimista diante da grande crise política e econômica que deve ser deflagrada quando os nomes dos envolvidos na operação Lava-Jato vierem a público. Lembrou que Lula X9 exaltou a criação de instrumentos de controle como uma distinção dos governos do PT, três dias depois de o ex-ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, ter se despedido do cargo dizendo que os sistemas de fiscalização das estatais são extremamente frouxos e deficientes. Depois também de o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ter dito que a Petrobras - que tinha a presidente Dilma à frente do Conselho de Administração - teve uma administração desastrosa. "E a base do governo continua agindo como se estivesse tudo bem, nada viu, nada acontece, está tudo normal. Aí vem Lula, na sua condição de totem dessa religião idólatra em que se transformou o PT, lançar suas bênçãos sobre a história recente do País", ironizou Aloysio Nunes Ferreira, completando: "Outra pérola de Lula em seu discurso foi dizer que a indignação contra a corrupção é coisa da direita. Como se fosse de esquerda roubar dinheiro público". Sobre a declaração de Lula de que “os tucanos arrecadam dinheiro como se fosse Criança Esperança. Não tem empresário”, o líder do PSDB disse que a legislação permitindo a doação de empresas privadas foi aprovada após a CPI que levou ao impeachment do ex-presidente Collor. Segundo o tucano, essa é a legislação em vigor, mas que o problema do PT é a corrupção política, que pratica a modalidade de sujar dinheiro limpo, e limpar dinheiro sujo. O problema, disse, não advém do financiamento de campanha, “se transformou numa modalidade de exercício do poder, compra de apoios através do Mensalão e agora do Petrolão”. "Em todas as formas de financiamento existem pessoas desonestas. Na análise das contas da presidente Dilma descobriram um pagamento de R$ 24 milhões a uma empresa de eventos que tinha como sócio um motorista que ganha R$ 2 mil e mora numa casa de subúrbio e tem entre os seus clientes os Correios e a Petrobras. O dono dessa empresa já tinha recebido dinheiro do celebérrimo Marcos Valério", criticou Aloysio Nunes Ferreira.

Gás de cozinha e condominial fica mais caro na noite desta sexta-feira

A Petrobras vai aumentar à meia-noite de hoje o preço da venda do GLP (o gás de cozinha) no granel – modalidade de consumo de comércios, indústrias e condomínios residenciais. O percentual de reajuste será em torno de 15%, no Rio de Janeiro, e de 18% em São Paulo. Os preços internacionais do GLP estão em queda desde setembro e, no mês passado, atingiram um patamar abaixo do preço cobrado pela Petrobras – a média da tonelada de GLP vinda do Golfo do México sai hoje 14% mais barata do que a produzida pela encrencada estatal brasileira. Com a alta, a distância de preços aumentará ainda mais. O aumento terá impacto na inflação. Mais um pepino para a nova equipe econômica. 

PT-SP pede ajuda a Vaccari para quitar dívidas de Padilha


O presidente estadual do PT em São Paulo, Emídio de Souza, disse nesta sexta-feira que as dívidas acumuladas do partido com o fracasso da campanha eleitoral do ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao governo do Estado, somam entre 25 e 30 milhões de reais. Emídio indicou que conta com a ajuda do Diretório Nacional do PT para quitar o débito. Ele disse que conversa diariamente com o tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto – citado no escândalo da Petrobras como intermediador de propinas ao partido. "Esse filho não é de nenhum de nós individualmente", afirmou, durante encontro que reuniu dirigentes petistas de todo o país na capital paulista. O dirigente garantiu que a dívida será paga e que o montante devido não comprometerá as atividades do partido. Questionado sobre a possibilidade de o PT nacional não assumir os custos da campanha de Padilha, Emídio voltou a defender o socorro financeiro. Ele argumentou que as campanhas paulistas "nunca se pagam sozinhas". "A campanha de São Paulo é parte da nacional e nós somos um partido só", disse. Sobre os impactos da Operação Lava Jato da Polícia Federal na arrecadação do partido, Emídio ressaltou que as pessoas mais indicadas para responder eram os tesoureiros, mas admitiu que as revelações foram prejudiciais. Vaccari foi apontando em delações premiadas como o elo do PT com o esquema para recebimento de propina, inclusive em forma de doações registradas na Justiça Eleitoral. No entanto, ele segue com seu cargo no PT e nega as acusações.

Justiça Federal aceita denúncia contra Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e mais sete


O juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, aceitou nesta sexta-feira denúncia contra o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e outras sete pessoas, entre elas o vice-presidente da construtora Engevix, Gerson de Mello Almada, dois diretores da empreiteira, Newton Prado Júnior e Carlos Eduardo Strauch Albero, e Enivaldo Quadrado, que já havia sido condenado por lavagem de dinheiro no escândalo do Mensalão do PT. Com a decisão do juiz, também passam a ser réus Waldomiro de Oliveira (laranja de Youssef na MO Consultoria), Carlos Alberto Pereira da Costa (gestor de empresas de Youssef) e Luiz Roberto Pereira (ex-diretor da Engevix). Nesta quinta-feira, o Ministério Público Federal apresentou denúncia contra 36 pessoas, 22 delas ligadas a empreiteiras. Desse total, nove pessoas tiveram as denúncias aceitas hoje, e as demais ainda serão analisadas pelo juiz nos próximos dias. Esta foi a primeira acusação contra uma empreiteira acolhida pela Justiça no escândalo do Petrolão do PT. Em sua decisão, Moro afirma haver indícios de crimes como o de organização criminosa e lavagem de dinheiro, justifica a manutenção das prisões de executivos da empreiteira Engevix e determina o agendamento, para o próximo ano, dos primeiros depoimentos para que testemunhas revelem detalhes do Petrolão do PT. Ele também relata o funcionamento do cartel de empreiteiras, conhecido como “Clube do Bilhão”, que atuava na fraude e combinação de licitações na Petrobras e no pagamento de propina a ex-funcionários da estatal. “Os agentes públicos, entre eles o ex-Diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, tinham o papel relevante e não turbar o funcionamento do cartel e ainda de tomar as providências para que a empresa definida pelo Clube de empreiteiras para vencer a licitação fosse de fato escolhida para o contrato”, diz o magistrado. Ao receber a denúncia e transformar os suspeitos em réus, Moro descreve como a construtora Engevix tentou burlar a Justiça com a apresentação de contratos e notas fiscais falsas ao longo da Lava Jato e diz que depoimentos de réus que assinaram acordos de delação premiada e documentos apreendidos pelos policiais federais apontam que Gerson de Mello Almada, vice-presidente da construtora, seria na empreiteira “o principal responsável pelo esquema criminoso”. No escritório do executivo, a polícia apreendeu documentos que apontam a existência do “Clube do Bilhão” e de papéis que corroboram os acertos para fraudar licitações da Petrobras. “Em relação aos agentes da Engevix Engenharia, há diversas razões especificadas na denúncia para a imputação, como o depoimentos dos colaboradores, o envolvimento deles na celebração dos contratos fraudulentos, o fato de figurarem em comunicações eletrônicas com o grupo dirigido por Alberto Youssef ou o próprio resultado da busca e apreensão”, diz o juiz. Em decorrência do esquema criminoso, os dirigentes da Engevix pagavam pelo menos cerca de 1% sobre o valor dos contratos e aditivos à Diretoria de Abastecimento da Petrobrás, comandada à época por Paulo Roberto Costa. Na decisão em que confirma o recebimento da denúncia, o juiz Sergio Moro determinou que o dia 3 de fevereiro de 2015 seja reservado para os primeiros depoimentos de testemunhas de acusação envolvendo a Engevix. Na data deverão ser ouvidos Leonardo Meirelles, apontado como testa de ferro do doleiro Alberto Youssef; João Procópio, considerado pelos policiais como "laranja" do doleiro; e a ex-contadora Meire Poza, que, conforme revelou VEJA, deu detalhes à Justiça sobre como as empreiteiras que tinham negócios com a Petrobras forjavam a contratação de serviços para desviar dinheiro. Em fevereiro também serão ouvidos Augusto Ribeiro, da empresa Toyo Setal e que revelou, em acordo de delação premiada, que parte da propina recolhida pela quadrilha foi repassada para o caixa do PT por meio de "doações oficiais" entre 2008 e 2011; e Júlio Gerin Camargo, que afirmou em depoimento à Justiça Federal que o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como o operador do PMDB no escândalo do Petrolão do PT, exigiu, em 2005, propina de 40 milhões de dólares para conseguir um contrato para a sul-coreana Samsung. Ao todo, já haviam sido propostas dez ações penais resultantes da operação Lava Jato. O Ministério Público Federal contabiliza que, no megaesquema de corrupção desvendado pela Operação Lava Jato, havia pelo menos três núcleos de atuação da organização criminosa: dirigentes das empreiteiras, empregados de alto escalão da Petrobrás e profissionais de lavagem de dinheiro.

Eduardo Cunha diz que nova CPI da Petrobras é inevitável


Candidato à presidência da Câmara em 2015, o deputado federal reeleito Eduardo Cunha (PMDB-RJ) afirmou nesta sexta-feira que considera "inevitável" a instalação de uma nova Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o escândalo de corrupção na Petrobras. Conhecido desafeto da presidente Dilma Rousseff (PT), o peemedebista era integrante da atual comissão que apresentou na quarta-feira um relatório sem pedir o indiciamento de ninguém pelos desvios da estatal. "No momento em que aconteceram as delações premiadas esta CPMI morreu. Está morta porque não há o que fazer. Vai investigar algo que não conhece", disse o parlamentar, referindo-se principalmente aos depoimentos do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, nos quais foram citados parlamentares envolvidos no esquema. "Conhecidas as delações, acho inevitável ter outra CPMI. Até porque, quem fez esta, conhecendo as delações, quer continuar a investigar", completou Eduardo Cunha. Nesta sexta-feira, o deputado reuniu-se com parlamentares mineiros para pedir apoio à sua candidatura à presidência da Casa. Antes do evento, Cunha encontrou-se com o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), com o governador de Minas Gerais, Alberto Pinto Coelho (PP), e com o governador eleito, Fernando Pimentel (PT). Apesar de estar em plena campanha para presidir a Câmara, ele ressaltou que foram apenas visitas de "caráter pessoal". Eduardo Cunha deve disputar a presidência da Casa contra Arlindo Chinaglia (PT-SP), nome do Palácio do Planalto. 

Justiça sequestra R$ 600 milhões de empresas do cartel de trens


A Polícia Federal informou nesta sexta-feira que obteve o sequestro de 600 milhões de reais depositados nas contas de cinco multinacionais e uma empresa brasileira denunciadas à Justiça por envolvimento no cartel que, segundo as investigações, fraudou concorrências do sistema metroferroviário de São Paulo. São elas Siemens, Alstom, Mitsui, CAF, Bombardier/DaimlerChrysler e T'Trans. O pedido de bloqueio dos valores foi realizado junto ao relatório final do inquérito nº 99/2014, entregue à 6ª Vara da Justiça Criminal Federal no início deste mês. Ao todo, a PF indiciou 33 pessoas por crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, formação de cartel, crime licitatório, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. O Supremo Tribunal Federal ainda vai decidir se arquiva ou dá continuidade às investigações que apuram a possível participação de políticos no esquema. Constam nos autos acusações contra os deputados federais Rodrigo Garcia (DEM-SP) e José Aníbal (PSDB-SP).

MAIS UMA DESSE TAL DE "MAIS MÉDICOS", OCORRIDA EM PORTO ALEGRE

Um desses "médicos intercambistas", formado na Venezuela, foi detido pela Brigada Militar, às 3 horas da madrugada, no Centro de Porto Alegre, em pleno surto psicótico, e levado pela polícia militar ao Hospital Psiquiátrico São Pedro! Quando a coordenação da então Secretaria da Saúde - a neotrotskista petista e anti-manicomial Sandra Fagundes descobriu, foram dadas ordens para imediata remoção do médico intercambista surtado do Hospital Psiquiátrico São Pedro para internação do mesmo em uma clínica privada. Quem paga a conta? Ora, o cidadão brasileiro. Desde quando médico intercambista tem que ser atendido em rede privada? Tem que ser atendido no SUS, a grande maravilha do SUS, conforme o alcaguete Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr. em seu livro "Assassinato de reputações").

Eletrobras aprova operação para sanar dívida de R$ 8,5 bilhões com a Petrobras


A Eletrobras informou nesta sexta-feira que seu Conselho de Administração aprovou a repactuação de dívidas de suas distribuidoras com a Petrobras no valor de cerca de 8,5 bilhões de reais, dos quais 3,2 bilhões de reais correspondem ao fornecimento de gás e 5,3 bilhões ao fornecimento de óleo. A companhia disse em comunicado que as dívidas já estão reconhecidas em balanços de distribuidoras de energia e serão pagas em 120 parcelas mensais e sucessivas a partir de fevereiro de 2015. O saldo devedor será corrigido pela taxa de juros Selic. A Eletrobras tem garantia da União para pagamento de 4,2 bilhões de reais, valor que corresponde a uma dívida da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) com a Eletrobras, ou seja, valor que não foi repassado para a estatal para a compra de combustível ao contrário do que deveria ter acontecido. A CDE assumiu desde 2012 obrigações da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), o que subsidiou a compra de óleo para as termelétricas dos sistemas isolados da região Norte. Mas a CDE deixou de repassar para a Eletrobras parte dos valores destinados à compra do óleo. A Eletrobras informou que as operações dependem da aprovação de órgãos competentes, e instrumentos contratuais precisam ser assinados entre as partes envolvidas. Não está claro como a companhia receberá os créditos da CDE. Mas, para respeitar os termos do pagamento da dívida com a Petrobras, terá que receber pelo menos parte dos valores do Tesouro Nacional até fevereiro de 2015. O conselho da Eletrobras aprovou também a celebração de termo de repactuação de dívida da CDE de 4,2 bilhões de reais, em que o fundo reconhecerá ser devedor das distribuidoras da companhia Amazonas Energia (AM), Boa Vista (RR) e Ceron (RO). Além disso, a estatal busca o reconhecimento de outros créditos referentes ao reembolso de custos de combustíveis no valor de 4,3 bilhões de reais com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O Conselho de Administração da Eletrobras se reuniu na quinta-feira para discutir um possível acordo com o governo para reforçar o caixa da Petrobras em meio ao escândalo revelado pela Operação Lava Jato. Por meio de uma engenharia financeira, a Petrobras venderia no mercado títulos lastreados em uma dívida de 8,5 bilhões de reais da Eletrobras. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, reforçou que os títulos seriam emitidos pela Petrobras com base em documento assinado pela Eletrobras, com garantia do Tesouro. De acordo com ele, a emissão deveria sair ainda neste ano. A dívida da Eletrobras vem da compra de combustíveis da Petrobras para operar usinas térmicas na região Norte, ainda não interligadas ao sistema elétrico nacional. Cerca de 70% do débito (6 bilhões de reais) deveria ser financiado com recursos da Conta de CDE. Mas, a partir de negociações feitas pelo governo, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) tomará medidas para viabilizar a quitação dessa parcela da dívida.

Oposição cobra imediata demissão da petista Graça Foster




Em meio à revelação de que a presidente da Petrobras, Graça Foster, foi alertada sobre os desvios na estatal, a oposição intensifica a pressão pelo imediato afastamento da executiva à frente da companhia. Os líderes oposicionistas também defendem a substituição de toda a diretoria da Petrobras – medida também sugerida nesta semana pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.  “É inadmissível que não se promova uma mudança radical na Petrobras", afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). "Se não há participação direta (no esquema), há o crime de omissão, de conivência e de cumplicidade. Não há como tolerar essa passividade do governo com relação aos gestores da Petrobras”, continuou.  Reportagem do Valor Econômico publicada nesta sexta-feira revela que uma gerente da estatal alertou Graça e seu antecessor, José Sérgio Gabrielli, sobre as irregularidades em contratos firmados pela estatal com prestadoras de serviço. Em email a Graça, Venina Velosa da Fonseca relata que chegou a ser ameaçada com uma arma e que suas filhas também corriam perigo. Ela foi expatriada para a Ásia e, mais recentemente, afastada do cargo juntamente com os funcionários suspeitos de envolvimento na Operação Lava Jato.  “As denúncias são gravíssimas e provam, com os e-mails, que a Graça foi alertada sobre as irregularidades. Há muito tempo ela deixou de ter condições mínimas de dirigir a empresa", avaliou o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE). "A oposição tem insistido que a presidente da República renove a diretoria da Petrobras, para que a empresa possa ter um comando sem histórico de relação com as denúncias", continuou. O líder do PPS na Câmara dos Deputados, Rubens Bueno (PR), endossou o coro. "É um enredo estarrecedor. Não há mais qualquer desculpa para a permanência de Graça Foster na Presidência da Petrobras. Se tiver o mínimo de juízo, a presidente Dilma tem a obrigação de demitir sua protegida e toda a diretoria da empresa. Se não o fizer, vai sinalizar que também faz parte da quadrilha que saqueou a Petrobras", afirmou em nota. "Estamos vivendo um dos momentos mais trágicos que eu me lembro de ter conhecido. Como é que a diretoria da Petrobras não foi demitida, ou pelo menos afastada?”, questionou o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Nesta semana, o governo fez uma força-tarefa para blindar Graça Foster. Após Rodrigo Janot ter feito um pedido público pela demissão da cúpula da Petrobras, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, se apressou para sair em defesa da atual diretoria da estatal e disse que nem a presidente da companhia nem os atuais diretores da empresa deixarão seus cargos. De acordo com Cardozo, não há suspeitas nem indícios de qualquer envolvimento de Foster com o escândalo do Petrolão do PT. Agora, após a nova revelação, não houve manifestações do ministro.

Ministro Luis Fux diz que Supremo só deve julgar no processo do Petrolão os políticos que se reelegeram


O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta sexta-feira que políticos não reeleitos envolvidos no esquema de corrupção na Petrobras, o Petrolão do PT, devem ser julgados na Justiça comum. Para o ministro, já é "ponto pacífico" na mais alta corte do país que os inquéritos contra políticos com foro privilegiado devem voltar à primeira instância caso eles fiquem sem mandato. "Não podemos antecipar opiniões, mas se houver exaurimento do mandato se perde a prerrogativa de foro privilegiado e os autos baixam para a Justiça comum", afirmou Fux antes de chegar a evento de comemoração do Dia Nacional do Ministério Público na sede da instituição em Curitiba (PR). Entre políticos pilhados no esquema operado pelo doleiro Alberto Youssef estão o deputado Luiz Argôlo (SD-BA) e André Varga (sem partido-PR), que teve o mandato cassado na quarta-feira. Nenhum dos dois se reelegeu. O juiz Sérgio Moro, responsável pelos casos em primeira instância, enviou as provas contra eles ao STF para análise do ministro Teori Zavascki. Na hipótese defendida por Fux, os autos contra Vargas e Argolo voltariam a ser analisados por Moro a partir do ano que vem. Mais de quarenta políticos, incluindo o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), e a ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), foram citados como beneficiários do esquema em depoimentos do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que fecharam acordos de delação premiada. Fux alertou, porém, que o relator do caso no STF pode entender que há uma conexão tão "imbricada" dos políticos que ficaram sem mandato com crimes praticados por detentores de foro privilegiado que os casos podem permanecer no Supremo. "O desmembramento pode ocorrer no curso do processo. Se o político perde a prerrogativa, o processo é desmembrado e baixam os autos. Salvo se as provas forem tão imbricadas que o relator entenda necessário julgar tudo em conjunto", afirmou. Fux classificou como um "absurdo" a esperança de executivos de empreiteiras, expressa em manuscritos apreendidos pela Polícia Federal, de que teriam mais chance de escapar dos crimes investigados se o caso dependesse do ministro Teori Zavascki. "Isso é tão absurdo. Nem comento um negócio desses", afirmou. O ministro elogiou o trabalho da Procuradoria da República no Paraná e do juiz Sérgio Moro na Operação Lava Jato. "Analiso com muita admiração o trabalho realizado pelo Ministério Público, minucioso, técnico, que tem dado resultado. Tanto que sem qualquer instrumento de coerção o Ministério Público tem sido procurado para receber delações premiadas. Acho o juiz Moro absolutamente excepcional, um belíssimo juiz, que é bom caráter e exerce com bastante competência sua função", afirmou.

Gerente da Petrobras alertou Gabrielli e Graça Foster sobre desvios. Ou: O retrato de Lula na parede

Os diretores da Petrobras tanto da gestão de José Sérgio Gabrielli quanto de Graça Foster foram alertados por uma gerente sobre as irregularidades em contratos firmados pela estatal com prestadoras de serviço, segundo reportagem do jornal Valor Econômico publicada nesta sexta-feira. Venina Velosa da Fonseca era gerente da diretoria de Abastecimento comandada por Paulo Roberto Costa e começou a suspeitar de superfaturamento nos idos de 2008. Desde que começou a fazer alertas e a juntar documentos, foi expatriada para a Ásia e, mais recentemente, afastada do cargo juntamente com os funcionários suspeitos de envolvimento na Operação Lava Jato. Em email a Graça, a gerente relata que chegou a ser ameaçada com uma arma e que suas filhas também corriam perigo. Venina, que é geóloga na estatal desde a década de 1990, começou a suspeitar que havia problemas quando percebeu que os gastos com pequenos contratos de prestação de serviços avançaram de 39 milhões para 133 milhões de reais em 2008, sem razão aparente. Em sua apuração interna, a gerente detectou que a estatal estava pagando por serviços de comunicação que nem sequer estavam sendo prestados. Sua primeira atitude foi informar Paulo Roberto Costa, seu superior direto, e pedir mais rigor na fiscalização dos contratos. Costa, relata Venina, apontou para o retrato de Lula em sua sala e perguntou: “Você quer derrubar todo mundo?”. A gerente então encaminhou as denúncias ao presidente Gabrielli, que, depois de auditoria interna, acabou demitindo o diretor de comunicação, Geovanne de Morais. A gerente prosseguiu com suas investigações e apurou o que viria a ser um braço do esquema de desvio de dinheiro e cartel de empreiteiras mostrados hoje pela Lava Jato. Em e-mail a Graça, que ainda era diretora de Gás e Energia, a funcionária aponta irregularidades em contratos bilionários referentes a Abreu e Lima, além de questionar o fato de acordos de tão alto valor serem firmados com dispensa de licitação. Em retorno, obteve o silêncio de Graça. O desgaste interno fez com que Venina fosse transferida para o escritório da Petrobras em Cingapura, em 2009, onde ela foi afastada da área operacional e direcionada a um curso de especialização. Em 2011, já de volta ao Brasil, tornou a escrever para Graça, a quem confidenciou que sentia vergonha de trabalhar na empresa. “Diretores passam a se intitular e a agir como deuses e a tratar pessoas como animais”, escreveu. Em 2012, depois de ficar cinco meses no Rio sem nenhuma atribuição, voltou ao escritório da estatal em Cingapura. Foi então que levantou novas suspeitas de superfaturamento de compra de combustível que a Petrobras fazia no país asiático. Venina informou a sede sobre suas descobertas, mas novamente foi ignorada. De volta ao Brasil em 2014, a gerente fez uma apresentação sobre as irregularidades apuradas na Ásia e sugeriu a criação de uma área de controle interno para conter perdas nos escritórios internacionais, mas nada foi feito. Em 19 de novembro, Venina foi afastada da empresa juntamente com outros funcionários suspeitos de envolvimento na Lava Jato. Ficou sabendo sobre seu afastamento por meio da imprensa. No dia seguinte, escreveu um e-mail à presidente da estatal. “Desde 2008, minha vida se tornou um inferno. (…) Ao lutar contra isso, fui ameaçada e assediada. Até arma na minha cabeça e ameaça às minhas filhas. Levei o assunto às autoridades competentes da empresa, inclusive Jurídico e Auditoria, o que foi em vão. (…) Voltei a me opor ao esquema que parecia existir no projeto Rnest (Abreu e Lima). Novamente fui exposta a todo tipo de assédio. Ao deixar a função, fui expatriada, e o diretor hoje preso levantou um brinde, apesar de dizer ser pena não poder me exilar por toda a vida”. Em nota, a Petrobras informou que aprimorou processos de compra e venda de combustível em seus escritórios internacionais e que, em auditoria, não encontrou “nenhuma não conformidade” nas operações entre 2012 e 2014. Sobre Abreu e Lima (Rnest), a empresa afirma que realizou apurações e enviou relatório aos órgãos de controle e autoridades competentes. A empresa não se posicionou sobre a razão do afastamento da funcionária.

É BOM PARAR ANTES DE COMEÇAR, DILMA! Denúncias atingem Jaques Wagner, candidato a ser um dos homens fortes de Dilma no futuro governo

O governador da Bahia, Jaques Wagner, candidato a ser um dos homens fortes do segundo governo Dilma, pode ser engolfado pelo caso Petrobras. Não custa lembrar que ele é originário do sindicalismo petroleiro. Reproduzo trecho de texto da Folha sobre as denúncias feitas por Venina Velosa da Fonseca.

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A ex-gerente também alertou a atual presidente da estatal, Graça Foster, e o atual diretor de Abastecimento, José Carlos Cosenza — que substituiu o delator Paulo Roberto Costa —, de acordo com mensagens internas da Petrobras a que o “Valor” teve acesso. Venina prestará depoimento ao MPF (Ministério Público Federal) em Curitiba, no âmbito na Operação Lava Jato, na próxima semana. A Petrobras divulgou nota nesta sexta-feira em que afirma que todas as informações enviadas pela funcionária foram apuradas. A empresa não confirma se Foster e Cosenza receberam os e-mails publicados pelo jornal. Os alertas são referentes a desvios em três áreas da empresa.
Relembrando
Conforme a Folha publicou na ocasião, Venina denunciou naquele ano (em 2009) que o então gerente de Comunicação da área de Abastecimento, Geovane de Morais, havia autorizado irregularmente gastos milionários sem qualquer comprovação da efetiva prestação de serviços, com fortes indícios de desvio de recursos. Baiano de Paramirim, Morais é ligado ao grupo político petista oriundo do movimento sindical de químicos e petroleiros do Estado, do qual fazem parte Wagner e Rosemberg Pinto, então assessor especial do presidente de Sérgio Gabrielli, que também é da Bahia. Após as denúncias divulgadas pela Folha, uma auditoria interna realizada na Petrobras constatou as suspeitas de fraudes e desvio de recursos nos pagamentos autorizados por Morais. Duas produtoras de vídeo que trabalharam nas campanhas do ex-governador Jaques Wagner e de duas prefeitas do PT receberam R$ 4 milhões da Petrobras em 2008, sem licitação, em projetos autorizados por Morais. Como gerente de Comunicação da área de Abastecimento, Morais era subordinado ao ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, delator e pivô do atual escândalo de corrupção na Petrobras. (…) Por Reinaldo Azevedo

O “plano” para anular a investigação… Ou: O que é crime e o que não é

Leiam o que vai no Globo. Volto em seguida:

A Polícia Federal apreendeu na residência do presidente da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, seis páginas de anotações manuscritas com estratégias das empreiteiras para anular a Operação Lava-Jato. Nas anotações constam metas de um “Projeto Tojal” ao custo total de R$ 3,5 milhões. Entre os pontos mencionados estavam trechos como “trazer a investigação para o STF”, “estudar o acordo”, “fragilizar” ou “eliminar” as colaborações premiadas firmadas e “campanha na imprensa para mudar a opinião pública” .
As informações fazem parte da denúncia feita pelo Ministério Público Federal contra Ricardo Pessoa e dirigentes da empreiteira Camargo Corrêa, que estão entre as 36 pessoas acusadas na primeira remessa de denúncias dos crimes envolvendo a Petrobras que foram encaminhadas à Justiça Federal do Paraná. O juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal, decidirá sobre as denúncias. Se aceitá-las, os denunciados passam a ser réus.
De acordo com o MPF, na casa de Pessoa havia também documentos de transferência de dinheiro para a offshore RFY Import e Export, uma das offshores usadas pelo doleiro Alberto Youssef.
Em depoimento à Polícia Federal, Pessoa admitiu que pagou R$ 2,4 milhões em dois contratos de consultoria à empresa D3TM, que pertence ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. A PF suspeita que esses contratos eram mais um dos que serviam para dar aparência de legitimidade ao recebimento de propina, como os já encontrados e firmados entre empreiteiras e quatro empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef. A D3TM ainda e Duque ainda estão sob investigação.
Os procuradores afirmam que Pessoa era o líder do cartel das empreiteiras. Era ele quem passava mensagens ou ligava para os demais dirigentes de empreiteiras para marcar e combinar as reuniões, que aconteciam no escritório da UTC – a maioria delas no Rio de Janeiro.
(…)
Voltei
Não vamos confundir alhos com bugalhos. Há o que é crime, e há o que não é. Que havia um esquema de roubalheira na Petrobras, havia. Que uma quadrilha operava lá dentro, isso é evidente. Que ela tinha conexão com partidos políticos, idem. Que a cúpula da empresa está enterrada até o talo, isso também parece certo. E não é menos claro que empreiteiras participassem do esquema. Havia chantagem? Era só por vontade? Tudo tem de ser apurado. E os responsáveis têm de ser punidos.
Mas vamos com calma. Todo mundo tem direito de tentar se defender. Ilegal é superfaturar obras. Ilegal é fazer cartel. Ilegal é pagar propina. Ilegal é financiar caixa dois de partido etc. Mas tentar anular uma operação policial ou da Justiça pelas vias legais, bem, isso não é, por óbvio, ilegal. É parte do direito de defesa.
Uma empreiteira, ou todas, não pode ser acusada de transgredir a lei quando tenta se defender, apontado supostas inconsistências na denúncia ou na ação da Polícia e da Justiça. Isso é do estado de direito. Não vamos jogar a criancinha limpa junto com a água suja. Corruptos e corruptores têm de ir para a cadeia, mas o direito de defesa continua inviolável. Por Reinaldo Azevedo

Vá embora, Graça! Deixe em paz o patrimônio do povo brasileiro!

Há mais de quatro meses venho cobrando aqui, sistematicamente, a demissão de Graça Foster, presidente da Petrobras. Ainda que nenhuma suspeita houvesse contra ela; ainda que tivesse um passado impoluto como as flores; ainda que fosse um verdadeiro gênio da raça na área administrativa, esta senhora deveria ter caído no começo de agosto, quando ficou evidente que tivera acesso prévio a questões que lhe seriam feitas na CPI. Mais do que isso: ficou comprovado que um grupo se reuniu no gabinete da presidência da estatal para combinar a maneira de fraudar a legitimidade da Comissão Parlamentar de Inquérito. Há um vídeo a respeito. É inquestionável. Trata-se de um fato comprovado, não de uma suspeita.

De agosto a esta data, Graça tem visto minguar a sua reputação; de agosto a esta data, o passado de Graça tem sido reescrito por fatos nada abonadores; de agosto a esta data, a técnica com fama de competente e irascível tem-se mostrado apenas mais um quadro do PT na Petrobras, lá instalado não com a missão de moralizar a empresa, mas de salvar a pátria dos companheiros.
Nesta sexta-feira, ficamos sabendo que uma executiva da Petrobras — seu nome: Venina Velosa da Fonseca — denunciou tanto à diretoria anterior da estatal como à atual a existência de um esquema de roubalheira na empresa. E o que fez a diretoria anterior? Nada! E o que fez a atual? Nada também! De quebra, as acusações de Venina atingem, e com bastante verossimilhança, o governador da Bahia, Jaques Wagner, candidato a ser um dos homens fortes do governo Dilma.
A presidente da República não pode assistir, inerme, à desconstituição da Petrobras sem tomar uma medida drástica. É preciso, e com urgência, criar uma espécie de gabinete de crise — composto, também, de técnicos sem quaisquer vinculações com a estatal — para enfrentar a turbulência.
Se o episódio da CPI não fosse grave o bastante para inviabilizar a permanência de Graça, há o caso, escandaloso por si, da empresa holandesa SMB Offshore. Em fevereiro, VEJA denunciou que a gigante havia pagado propina a intermediários na Petrobras em operações de aluguel de navios. Em março, a presidente da estatal concedeu entrevista negando quaisquer irregularidades; no mês passado, ela as admitiu, afirmando que tinha conhecimento das falcatruas desde meados do ano. Graça só se esqueceu de que a Petrobras é uma empresa de economia mista e de que seus acionistas merecem satisfação. Esse seu comportamento servirá de prova contra a empresa em ações múltiplas nos Estados Unidos contra a estatal, que pode assumir proporções bilionárias.
Não! Graça não é a moralizadora de que a Petrobras precisa. Graça é apenas a moralizadora de que o PT precisa. E, a esta altura, está muito claro que os interesses do PT e da Petrobras não se misturam. Ao contrário: a cada dia fica mais claro que o que é bom para a Petrobras é ruim para o PT e que o que é ruim para o PT é bom para a Petrobras. Vá embora, Graça! Deixe em paz o patrimônio do povo brasileiro. Por Reinaldo Azevedo

Diretoria da Petrobras foi avisada por gerente sobre a roubalheira, e não fez nada, só perseguiu a funcionária

Venina foi ameaçada de morte, inclusive com arma apontada na cabeça 
Defendida pela presidente petista Dilma Rousseff, a atual diretoria da Petrobras recebeu diversos alertas de irregularidades em contratos da estatal muito antes do início da Operação Lava-Jato, em março deste ano, e não apenas deixou de agir para conter desvios que ultrapassaram bilhões de reais como destituiu os cargos daqueles que trabalharam para investigar as ilicitudes e chegou a mandar uma denunciante para fora do país. As irregularidades foram comprovadas através de centenas de documentos internos da estatal obtidos pelo Valor Econômico. Elas envolvem o pagamento de R$ 58 milhões para serviços que não foram realizados na área de comunicação, em 2008, passam por uma escalada de preços que elevou de US$ 4 bilhões para mais de US$ 18 bilhões os custos da Refinaria Abreu e Lima e atingem contratações atuais de fornecedores de óleo combustível das unidades da Petrobras no exterior que subiram em até 15% os custos. As constatações de problemas nessas áreas foram comunicadas para a presidente da estatal, Graça Foster, e para José Carlos Cosenza, que substituiu o delator Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento e é responsável pela Comissão Interna de Apuração de desvios na estatal. Para a petista Graça Foster foram enviados e-mails e documentos comunicando irregularidades ocorridas tanto antes de ela assumir a presidência, em 2012, quanto depois. A presidente foi informada a respeito de contratações irregulares na área de comunicação da Diretoria de Abastecimento, sob o comando de Paulo Roberto Costa, e de aditivos na Abreu e Lima, envolvendo o "pool" de empreiteiras da Operação Lava-Jato. Em 2014, foram remetidas a Graça denúncias envolvendo os escritórios da estatal no Exterior. Nenhuma providência foi tomada com relação a esse último caso, ocorrido sob a sua presidência. Cosenza, que em depoimento à CPI mista da Petrobras, em 29 de outubro passado, declarou nunca ter ouvido falar em desvios de recursos na estatal em seus 34 anos na empresa, também recebeu, nos últimos cinco anos, diversos e-mails e documentos com alertas a respeito dos mesmos problemas. As advertências de que os cofres da Petrobras estavam sendo assaltados partiram de uma gerente que foi transferida para a Ásia. Venina Velosa da Fonseca está na estatal desde 1990, onde ocupou diversos cargos. Ela começou a apresentar denúncias quando era subordinada a Paulo Roberto como gerente executiva da Diretoria de Abastecimento, entre novembro de 2005 e outubro de 20009. Afastada da estatal, em 19 de novembro, Venina vai depor ao Ministério Público, em Curitiba, onde tramita o processo da Lava-Jato. As suspeitas da geóloga tiveram início em 2008, quando ela verificou que os contratos de pequenos serviços - chamados de ZPQES no jargão da estatal - atingiram R$ 133 milhões entre janeiro e 17 de novembro daquele ano. O valor ultrapassou em muito os R$ 39 milhões previstos para 2008 e a gerente procurou Paulo Roberto Costa para reclamar dos contratos que eram lançados em diferentes centros de custos, o que dificultava o rastreamento. Segundo ela, o então diretor de Abastecimento apontou o dedo para o retrato do presidente Lula e perguntou se ela queria "derrubar todo mundo". Em seguida, Paulo Roberto Costa disse que a gerente deveria procurar o diretor de comunicação, Geovanne de Morais, que cuidava desses contratos. Venina encaminhou a denúncia ao então presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. Ele instalou comissão sob a presidência de Rosemberg Pinto para apurar o caso. Assim como Geovanne, Gabrielli e Rosemberg são do PT da Bahia. Esse último foi eleito deputado estadual pelo partido. O relatório da comissão apurou que foram pagos R$ 58 milhões em contratos de comunicação para serviços não realizados. Além disso, foram identificadas notas fiscais com o mesmo número para diversos serviços, totalizando R$ 44 milhões. Dois fornecedores de serviços tinham o mesmo endereço. São as empresas R. A. Brandão Produções Artísticas e Guanumbi Promoções e Eventos. Ambas na rua Guanumbi, 628, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. O caso foi remetido para a Auditoria. Geovanne foi demitido, mas entrou em licença médica, o que evitou que fosse desligado imediatamente da Petrobras, onde permaneceu por mais cinco anos. Em 3 de abril de 2009, Venina enviou um e-mail para Graça Foster pedindo ajuda para concluir um texto sobre problemas identificados na estatal. Na época, Graça era Diretora de Gás e Energia.
Paralelamente aos problemas na área de comunicação com contratos milionários sem execução de serviços, Venina verificou uma escalada nos preços para as obras em Abreu e Lima que elevou os custos para US$ 18 bilhões e fomentou dezenas de aditivos para empreiteiras. Os contratos para as obras na refinaria continham cláusulas pelas quais a Petrobras assumia os riscos por eventuais problemas nas obras e arcava com custos extras. Para executá-las, eram feitos aditivos e as empreiteiras suspeitas de cartel no setor venceram boa parte das concorrências. Apenas na fase 2 das obras da refinaria havia a previsão de contratações de US$ 4 bilhões junto a empreiteiras. Num ofício de 4 de maio de 2009, Venina criticou a forma de contratação que, em pelo menos quatro vezes naquela etapa, dispensou as licitações e, em várias ocasiões, beneficiou as empresas da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi), entidade que tem firmas acusadas na Lava-Jato como associadas, como a UTC Engenharia e a Toyo Setal. "Entendemos que não devemos mitigar o problema, mas resolvê-lo pela adoção de medidas corretas, ou seja, com o início das licitações em Abreu e Lima", disse a gerente. Documento interno da Petrobras de 2009 mostra que Venina fez 107 Solicitações de Modificação de Projetos (SMPs), o que resultaria numa economia de R$ 947,7 milhões nas obras da refinaria. Mas as sugestões da gerente não foram aceitas. Outra sugestão não atendida foi a de acrescentar uma cláusula chamada "single point responsibility" nos contratos pela qual a construtora se tornaria responsável por eventuais problemas nas obras da refinaria, devendo arcar com os gastos. Mas a área de Serviços, comandada, na época, por Renato Duque, manteve os contratos no formato antigo, sem essa cláusula, transferindo os ônus para a estatal. Duque foi preso pela Polícia Federal na Lava-Jato e Pedro Barusco, seu ex-subordinado na estatal, que também é citado em vários documentos, fez um acordo de delação premiada para devolver US$ 97 milhões obtidos no esquema. As obras de terraplenagem da refinaria levaram a gastos exponenciais. Elas foram contratadas, em junho de 2007, por R$ 429 milhões junto a um consórcio formado por Camargo Corrêa, Galvão Engenharia, Construtora Queiroz Galvão e Construtora Norberto Odebrecht. Em seguida, vários aditivos foram autorizados pela Diretoria de Engenharia da Petrobras e assinados por Cosenza, presidente do Conselho da Refinaria. Um e-mail obtido pelo Valor PRO mostra que ele foi alertado sobre o aumento nos custos das obras de terraplanagem em Abreu e Lima. O desgaste de fazer as denúncias e não obter respostas fez com que Venina deixasse o cargo de gerente de Paulo Roberto Costa, em outubro de 2009. No mês seguinte, a fase 3 de Abreu e Lima foi autorizada. Em fevereiro de 2010, a geóloga foi enviada para trabalhar na unidade da Petrobras em Cingapura. Chegando lá, lhe pediram que não trabalhasse e foi orientada a fazer um curso de especialização. Em 7 de outubro de 2011, Venina escreveu para Graça Foster, na época, diretora de Gás e Energia: "Do imenso orgulho que eu tinha pela minha empresa passei a sentir vergonha". "Diretores passam a se intitular e a agir como deuses e a tratar pessoas como animais. O que aconteceu dentro da Abast (Diretoria de Abastecimento) na área de comunicação e obras foi um verdadeiro absurdo. Técnicos brigavam por formas novas de contratação, processos novos de monitoramento das obras, melhorias nos contratos e o que acontecia era o esquartejamento do projeto e licitações sem aparente eficiência". Na mensagem, Venina diz que, após não ver mais alternativas para mudar a situação, iria buscar outros meios e sugere apresentar a documentação que possui a Graça. "Parte dela eu sei que você já conhece. Gostaria de te ouvir antes de dar o próximo passo", completa, dirigindo-se à então diretora de Energia e Gás. Em 2012, a geóloga voltou ao Rio, onde ficou por cinco meses sem nenhuma atribuição. A alternativa foi retornar a Cingapura, agora, como chefe do escritório.

Em 25 de março de 2014, Venina encaminhou um e-mail a Cosenza sobre perdas financeiras em operações internacionais da estatal que ela identificou a partir do trabalho em Cingapura. A Petrobras comercializa combustível para navios, denominados bunkers. As unidades da estatal no Exterior recebem óleo combustível feito no Brasil e fazem a mistura com outros componentes para atender à exigências de qualidade para vendê-los a outros países. As perdas ocorrem quando previsões no ponto de carga não refletem o que foi descarregado. Além desse problema de medição das quantidades de combustível, Venina verificou outro fato ainda mais grave. Negociadores de bunkers estavam utilizando padrões anormais para a venda à estatal. Eles compravam bunkers a um preço e revendiam a valores muito maiores para a Petrobras. A geóloga contratou um escritório em Cingapura que obteve cópias das mensagens das tratativas entre os bunkers com "fortes evidências" de desvios. Mesmo após a denúncia dessas práticas, esses negociadores não foram descredenciados. Pelo contrário, eles mantiveram privilégios junto à estatal, como garantia de vendas para a Petrobras mesmo quando estavam ausentes ou em férias. Esses problemas da Petrobras no Exterior foram comunicados em outro e-mail a Cosenza, em 10 de abril de 2014. Nele, está escrito que as perdas podem chegar a 15% do valor da carga de petróleo e óleo combustível. Esse percentual equivale a milhões de dólares, considerando que apenas o escritório de Cingapura pagou dividendos de US$ 200 milhões, em 2013. O lucro líquido da unidade atingiu US$ 122 milhões até outubro deste ano. Novamente, não houve resposta por parte do diretor sobre o que fazer com relação a perdas de milhões de dólares. Na tentativa de obter uma orientação da direção da estatal, Venina fez, em 27 de maio, uma apresentação na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, sobre as perdas envolvendo a comercialização de combustível no Exterior. Nela, foi alertado que a prática se disseminou pelas unidades da estatal, atingindo vários países. Em junho, Venina propôs a criação de uma área de controle de perdas nos escritórios da empresa no exterior. Nada foi feito. Uma última mensagem sobre o assunto foi enviada em 17 de novembro. Dois dias depois, a direção da Petrobras afastou Venina do cargo. Após fazer centenas de alertas e recomendações sobre desvios na empresa, ela foi destituída pela atual diretoria, sem saber qual a razão, ao lado de vários funcionários suspeitos na Operação Lava-Jato. A notícia lhe chegou pela imprensa, em 19 de novembro. Um dia depois, a geóloga escreveu um e-mail para Graça Foster. "Desde 2008, minha vida se tornou um inferno, me deparei com um esquema inicial de desvio de dinheiro, no âmbito da Comunicação do Abastecimento. Ao lutar contra isso, fui ameaçada e assediada. Até arma na minha cabeça e ameaça às minhas filhas eu tive". A geóloga não detalhou no e-mail para Graça o que aconteceu, mas teve a arma apontada para si, no bairro do Catete. Não lhe levaram um tostão, mas houve a recomendação de que ficasse quieta. "Tenho comigo toda a documentação do caso, que nunca ofereci à imprensa em respeito à Petrobras, apesar de todas as tentativas de contato de jornalistas. Levei o assunto às autoridades competentes da empresa, inclusive o Jurídico e a Auditoria, o que foi em vão", continuou.
Em seguida, ela reitera que se opôs ao esquema de aditivos na Abreu e Lima. "Novamente, fui exposta a todo tipo de assédio. Ao deixar a função, eu fui expatriada, e o diretor, hoje preso, levantou um brinde, apesar de dizer ser pena não poder me exilar por toda a vida", disse, referindo-se a Paulo Roberto Costa. "Agora, em Cingapura, me deparei com outros problemas, tais como processos envolvendo a área de bunker e perdas, e mais uma vez agi em favor da empresa (...). Não chegaram ao meu conhecimento ações tomadas no segundo exemplo citado, dando a entender que houve omissão daqueles que foram informados e poderiam agir." A geóloga termina a mensagem fornecendo seu telefone a Graça. 

Standard & Poor's rebaixa nota de risco da empresa AES Sul

A agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou nesta quinta-feira (11) as notas de crédito atribuídas na Escala Nacional Brasil à AES Sul Distribuidora Gaúcha de Energia S.A. ("AES Sul") de 'brAA-' para 'brA+', incluindo seu rating de crédito corporativo de longo prazo. Também foram rebaixados os ratings de curto prazo da empresa na mesma escala de 'brA-1' para 'brA-2'. A perspectiva do rating de crédito de emissor de longo prazo foi alterada de "estável" para "negativa". "Ao mesmo tempo, rebaixamos de 'brAA-' para 'brA+' o rating atribuído à segunda emissão de debêntures da AES Sul e de 'brA-1' para 'brA-2' o rating de curto prazo de sua segunda emissão de notas promissórias", diz a agência em nota. De acordo com a Standard & Poor's, o rebaixamento dos ratings da AES Sul leva em consideração a estratégia agressiva de financiamento da empresa para fazer frente às necessidades de capital de giro, baseadas em dívidas de curto prazo, que levou a uma deterioração em sua posição de liquidez: "A maior necessidade de capital de giro da empresa foi ocasionada pela exposição involuntária aos preços elevados do mercado spot e também pelo atraso em receber da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) os ressarcimentos pelos descontos incidentes sobre as contas de luz dos clientes rurais e de baixa renda durante o ano de 2014". Também nesta quinta-feira, a Standard & Poor's elevou a nota da Lupatech na escala global, de 'CCC-' para 'CCC', após reavaliar sua qualidade de crédito. A Lupatech é empresa brasileira fornecedora de produtos e serviços para o setor de petróleo e gás. A companhia concluiu em 30 de setembro de 2014 seu programa de reestruturação, o que contribuiu para essa elevação. Também foram elevados os ratings na Escala Nacional Brasil, de 'brCCC-' para 'brCCC'". No início de dezembro, a agência de classificação de risco Moody's rebaixou o rating individual da Petrobras, medido pelo critério BCA (Baseline Credit Assessment), de Baa3 para Ba1. A agência cita a possibilidade de algum problema pontual de caixa da empresa em meio às investigações da operação Lava Jato da Polícia Federal. Essa nota não é a avaliação global de emissor da companhia, principal referência para o mercado, mas representa o risco de gestão da empresa desconsiderando o suporte de seu maior acionista, o governo brasileiro, segundo a agência. O rating (nota) global de emissor da Petrobras foi mantido em Baa2, com perspectiva negativa. A Eletrobras, principal geradora estatal de energia, também teve a sua avaliação individual de risco (nota que desconsidera o controlador; no caso, o governo brasileiro) rebaixada pela agência americana Standard & Poor's de classificação de risco. A alegação da agência foi uma piora no seu endividamento.

O julgamento do mensalão acabou há meros nove meses. E já nasceu o novo “Bebê de Rosemary”

Rosemary - espanto com o bebê
Pode parecer que faz tempo, leitor amigo, mas, neste sábado, amanhã, faz apenas nove meses que o julgamento do mensalão acabou no Supremo. E já temos o “Bebê de Rosemary” aí. O demónio da corrupção nos persegue.  As denúncias daquele escândalo começaram a vir a público em 2005.  Até março deste ano, quem sabe um tanto otimistas ou ingênuos, escrevíamos todos: “O mensalão é o maior escândalo político da história brasileira”. E era verdade — ao menos do que se conhecia até ali. Ocorre que o “maior escândalo político da história brasileira” se desenvolvia na Petrobras. Enquanto os mensaleiros larápios eram denunciados, processados, julgados e condenados, uma quadrilha assaltava a estatal para distribuir prebendas a políticos e a partidos e satisfazer apetites de enriquecimento.
Nesta quinta, o Ministério Público divulgou a lista dos primeiros 36 denunciados, 22 deles funcionários de seis empreiteiras: OAS, Camargo Corrêa, UTC Engenharia, Engevix, Mendes Júnior e Galvão Engenharia. Vem muito mais por aí. Esse primeiro lote é aquele que gravitava em torno de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento e, confessadamente, homem do PP no esquema — embora ele tenha dito à Polícia e ao MP que a maior parte da propina que passava pelo seu controle era mesmo remetida ao PT. Ainda faltam os denunciados dos demais núcleos. O petista Renato Duque, por exemplo, ex-diretor de Serviços, e Pedro Barusco, seu braço direito — aquele que aceitou devolver R$ 253 milhões do dinheiro roubado —, devem estar na leva seguinte.
E, ora, ora, ainda faltam os políticos para tornar esse prato bem apimentado. Os nomes foram enviados ao STF e, tudo indica, ao STJ, que é o foro especial por prerrogativa de função de governadores, por exemplo. Fico, sim, um tanto espantado com a ousadia dessa gente. Nada intimidou a canalha ou lhe conferiu um senso maior de, vá lá, prudência ao menos. O assalto aos cofres públicos era, com efeito, organizado, metódico, sistemático. Como uma orquestra.
Só nessa leva, os procuradores apontam 154 atos de corrupção e 105 operações de lavagem de dinheiro. O cálculo que fazem das propinas e danos provocados à Petrobras, até agora, chega a quase R$ 1,5 bilhão. Num encontro de petistas, na quarta, Lula voltou a espancar os fatos e o bom senso. Afirmou que só o PT é alvo de investigação. E ironizou: “Parece que os tucanos arrecadam dinheiro como se fosse Criança Esperança. Não tem empresário”. Não sei se notam: nessa fala do Apedeuta, há uma espécie de admissão das falcatruas, mas com a sugestão de que os adversários também fazem sacanagem, como se isso pudesse servir de desculpa. Não pode!
Lula gosta de vociferar pelos cotovelos contra a imprensa, acusando-a de tratar o PT como se este tivesse inventado a corrupção. Nunca ninguém disse essa tolice. Mas parece inequívoco que o centro nervoso dos dois maiores escândalos da história é mesmo o PT. Que coisa esse partido! No poder há 12 anos, parece sentir uma atração irresistível pelas sombras, Mas depois me ocorre que partidos não são pessoas e que, pois, estão livres das compulsões. Partido tem é propósito — e o dos petistas já ficou muito claro no mensalão e no petrolão.
Acho que cumpre ser mais prudente doravante e chamar o petrolão de “maior escândalo conhecido da República”. Eu nunca duvido da capacidade que têm os companheiros de nos surpreender. Eles sempre podem mais. Por Reinaldo Azevedo