sábado, 13 de dezembro de 2014

Inventário da RFFSA só deve acabar em 2015

O processo de inventário da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA) está previsto para acabar daqui um mês. O prazo original era dezembro de 2013, mas foi prorrogado pelo Ministério dos Transportes por mais dois anos, dado o volume de trabalho e processos que parece não ter fim. Tudo indica que, mais uma vez, o prazo será estendido. Por meio da Lei de Acesso à Informação, a Inventariança da RFFSA informou que a nova expectativa de encerramento do inventário é dezembro de 2015. Todo o patrimônio da Rede que não foi repassado para as concessionárias de ferrovias voltou para as mãos da União. Para se ter uma idéia, a quantidade de imóveis devolvidos ao governo chega a 49.533 unidades, sendo 24.010 terrenos e 25.523 prédios. Em muitos desses prédios vivem ex-funcionários da própria empresa, mas muitos estão em estado de abandono ou foram simplesmente invadidos. Milhares de processos trabalhistas se acumulam na AGU, formando um contencioso civil e trabalhista sem data para ser concluído.

Ex-diretores da Petrobras interferiam em licitações

Relatórios internos da Petrobras apontam indícios de que ex-diretores da estatal interferiam e faziam ajustes nas listas de empresas a serem convidadas para licitações, segundo informações divulgadas há pouco pelo Jornal Nacional, da Rede Globo. O relatório estudou 30 licitações e ouviu 71 pessoas. De acordo com o documento, mais da metade das licitações ficou as empresas investigadas na Operação Lava Jato. O relatório afirma que os ex-diretores Paulo Roberto Costa e Renato Duque acompanhavam passo a passo as licitações e que teriam interferido na escolha das empresas que iriam participar da construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e acabaram tomando decisões que tornaram mais elevados os custos da construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Outra investigação interna da Petrobras, relacionada com as obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, cita o nome de Venina da Fonseca, ex-gerente da estatal, que trabalhava com Paulo Roberto Costa. Matéria publicada na sexta-feira pelo jornal "Valor Econômico" relatava que Venina alertou Graça Foster, atual presidente da estatal, em mensagens eletrônicas, sobre várias irregularidades que estavam acontecendo. 

Ministério Público Federal afirma que petista Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, "captou" 650 milhões de propina em oito anos


A força-tarefa do Ministério Público Federal avalia que já dispõe de elementos suficientes para afirmar que a Diretoria de Serviços da Petrobrás, na gestão do ex-diretor Renato Duque - nome indicado pelo PT -, captou cerca de R$ 650 milhões em propinas sobre contratos fechados de 2004 a 2012 com as seis empreiteiras que são alvo do primeiro pacote de denúncias criminais da Operação Lava Jato. Segundo o executivo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, um dos delatores do esquema de corrupção na estatal, às vezes o dinheiro de propinas era tão volumoso que precisava ser transportado em carro-forte, por orientação do petista Renato Duque. O ex-diretor chegou a ser preso pela Polícia Federal, mas foi solto por liminar do Supremo Tribunal Federal. Mendonça agia em nome da Setal Óleo e Gás, empreiteira do cartel que negocia acordo de "leniência" (suavização) com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão antitruste do governo federal dominado pelo PT. No acordo que firmou com a Procuradoria da República, documento que compreende 19 anexos, o executivo dedicou um capítulo inteiro ao petista Renato Duque e ao “pagamento de propinas”. Nesse trecho, ele se compromete a revelar “todos os fatos relacionados aos acordos voltados à redução/supressão da competitividade, com prévio acerto do vencedor, de preços, condições, divisão de lotes nas licitações e contratações da Petrobrás”. O acordo de "colaboração" (a delação premiada) é um contrato. Ao assinar o termo, em setembro, o executivo se dispôs a apontar as formas como se concretizava a entrega de propinas. Ele se compromete a devolver R$ 10 milhões a título de multa compensatória por danos causados contra a administração pública - a primeira parcela de R$ 2,5 milhões foi quitada em 10 de novembro. O restante será quitado em sete parcelas até 20 de julho de 2015. Segundo Mendonça, o então diretor de Serviços “orientava três coisas” - pagamentos em dinheiro, depósitos em contas no Exterior e repasses para o PT. “O contato com o partido era o Vaccari”, diz o delator, em referência a João Vaccari, tesoureiro do PT. Para “mascarar” os desvios de parte dos contratos, Renato Duque, segundo o delator, mandava fazer uso de notas frias de empresas de fachada ligadas ao Grupo Delta. Após longa investigação, que reuniu documentos e outros depoimentos, os procuradores se convenceram do envolvimento direto de Renato Duque e vão acusá-lo por corrupção passiva, organização criminosa e outros crimes: “Os corruptores que mantinham contratos com a estatal ofereceram e prometeram vantagens indevidas, notadamente aos então diretores de Abastecimento e de Serviços, Paulo Roberto Costa e Duque". O cálculo da Operação Lava Jato para chegar aos R$ 650 milhões destinados à diretoria de Renato Duque é feito a partir do montante global de propinas até aqui apurado, R$ 971 milhões - valor que se quer recuperar para os cofres públicos e relativo ao total desviado na área de Abastecimento em contratos das seis empreiteiras citadas nas primeiras denúncias. Cerca de R$ 270 milhões ficaram com a diretoria de Paulo Roberto Costa. O restante foi canalizado para a Diretoria do petista Renato Duque, que arrecadava 2% em contratos das demais áreas - Abastecimento (cota do PP), Internacional (do PMDB), Exploração e Produção; e Óleo e Gás, ambas da cota petista. “O valor de quase R$ 1 bilhão corresponde aos 3% de propina paga em função dos contratos da área de Abastecimento”, disse o procurador Deltan Dallagnol. A Operação Lava Jato apurou que as comissões pagas nessa área, sob controle do PP, alcançaram 3% sobre contratos com 16 empresas do cartel - 2% teriam sido destinados à Diretoria de Serviços, que cuida dos processos de contratação, concorrência e fiscalização, e 1% para Abastecimento.

Google fechará escritório de engenharia na Rússia em discordância com novas leis no país

O Google tem planos de fechar seu escritório de engenharia na Rússia em meio à repressão sobre a liberdade na internet e a uma lei sobre as práticas de manipulação de dados, disse o “Wall Street Journal”. O jornal disse que a empresa de buscas na internet pode manter no país alguns funcionários para auxiliar nas vendas, parcerias de negócios, suporte ao usuário, marketing e comunicação. Em julho, o Parlamento russo aprovou uma lei para forçar sites que armazenam dados pessoais de cidadãos russos que guardem essas informações dentro do país. A exigência é um movimento do Kremlin com a justificativa que é “para proteção de dados”, mas que os críticos veem como um ataque às redes sociais. A lei foi aprovada logo após novas regras terem estabelecido que blogs que atraiam mais de 3.000 visitas diárias deveriam se registrar com uma repartição governamental de vigilância de sites e depois da aprovação de um regulamento que permite que sites sejam fechados sem uma ordem judicial.

Museu Oscar Niemeyer vai expôr obras de arte apreendidas na Operação Lava-Jato

Dezesseis obras de arte apreendidas pela Polícia Federal durante a Operação Lava-Jato serão expostas pelo Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, no início do ano que vem. Entre as pinturas, encontradas na casa e no escritório da doleira Nelma Kodama, há trabalhos assinados por Di Cavalcanti, Cícero Dias e Iberê Camargo. Em todo o mundo, é considerada comum a prática de comprar arte para lavar dinheiro. Kodama, conhecida como a “Dama do Mercado”, foi condenada a 18 anos de prisão em outubro por organização criminosa, evasão de divisas, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Segundo a assessoria de imprensa do MON, as 16 pinturas chegaram à instituição em maio e farão parte de uma mostra que reunirá todas as aquisições recentes da entidade. Apesar de as telas estarem incluídas na exposição, prevista para fevereiro, ainda não são de propriedade do museu. A pedido da Secretaria Estadual de Cultura, a entidade apenas mantém a guarda temporária. — Colocamos a reserva técnica do MON à disposição, pois o museu possui condições de salvaguardar este patrimônio de grande valor artístico até que a Justiça determine o destino delas — disse Paulino Viapiana, secretário da Cultura. — Contamos com profissionais com preparo técnico adequado para conduzir e realizar este trabalho de conservação e para efetuar as pesquisas necessárias para a verificação de autenticidade e procedência das obras — completou a diretora artística, Estela Sandrini. Além de Di, Cícero e Iberê, há trabalhos de Aldemir Martins, Orlando Teruz, Claudio Tozzi, David Cymrot, Gerardenghi, Gomide, Heitor dos Prazeres, Mario Gruber e Tony Koegl. Uma das obras era atribuída a Renoir, mas peritos constataram que a informação era incorreta. Para serem expostas, as obras passaram por um processo de higienização e, hoje, estão numa sala com temperatura (20 graus) e umidade constantes. A direção do museu tem interesse em mantê-las de forma definitiva em seu o acervo, mas a decisão cabe à Justiça. No Rio de Janeiro, o Museu Nacional de Belas Artes guarda obras da coleção do banqueiro Salvatore Cacciola. Em São Paulo, o MAC-USP mantém o acervo do também banqueiro Edemar Cid Ferreira, envolvidos em escândalos.

Cartel de empreiteiras do Petrolão ficou com mais da metade do Comperj, diz comissão da Petrobras


Os maiores valores contratados para as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) correspondem a empresas participantes do cartel do Petrolão que está sendo investigado na Operação Lava Jato. Sete das 16 empresas apontadas como principais integrantes do esquema abocanharam 58% do valor contratado: Toyo Setal (13%), Construtora Norberto Odebrecht (12%), UTC (10%), Queiroz Galvão (10%), Andrade Gutierrez (8%), Iesa (4%) e Engevix (1%). Esta é a conclusão da Comissão Interna de Apuração da Petrobras que avaliou 30 contratos firmados, no valor de R$ 21,8 bilhões, que representam 77% do total já contratado. Em nove dos 30 contratos foram identificadas sucessivas revisões de estimativa de custos e preços após abertura das propostas, com justificativas inconsistentes. De acordo com a Comissão, as contratações feitas nem sempre seguiam o cronograma da obra. Muitas licitações foram feitas antes dos próprios projetos básicos. Além disso, com a justificativa de ampliar o leque de fornecedores, foram incluídas empresas sem capacidade para entregar o serviço. Um dos exemplos é o da construtora Delta, que liderou o Consórcio Itaboraí, teve nota 2,1 no certame, muito abaixo da nota mínima exigida pela Petrobras, que é de 6,5. O contrato teve de ser rescindido por baixo desempenho. De quatro "convites" feitos à Delta para participar de licitações, a empresa assinou dois contratos, ambos rescindidos por mau desempenho. A Toyo-Setal assinou dois contratos - um por convite e outro por inexigibilidade de licitação. A Jaraguá assinou dois contratos. Nenhuma das duas conseguiu concluir as obras e o mesmo aconteceu com a TKK Engenharia. De acordo com a Comissão, os convites permitiam mais flexibilidade na formação de consórcios, pois apenas a líder do grupo tinha de efetivamente estar na lista de "convidadas". A Comissão ressalta que a rescisão de contrato com o consórcio da Delta levou à paralisação das obras do HDT de Nafta. A Petrobras reestudou o projeto e concluiu que era antieconômico. Com a desistência, equipamentos no valor de R$ 32,7 milhões estão encostados e sem uso. Além disso, a Delta reduziu drasticamente o número de trabalhadores alegando que tinha "produtividade arrojada" e a MPE cortou diversas vantagens trabalhistas que tinham sido acertadas com os trabalhadores. De 17 projetos analisados, 11 tiveram licitação feita antes do projeto básico ter sido concluído. O Consórcio TE-AG (Techint e Andrade Gutierrez), por exemplo, segundo a Comissão, foi contratado numa negociação direta. A primeira licitação ocorreu em 2008, quase dois anos antes do projeto básico. Não bastasse isso, foram programadas unidades externas que, depois, tiveram de ser abrigadas em instalações. O custo de "hibernação" passou de R$ 1 bilhão. Segundo o gerente Marcelino Simão Tuma, ouvido pela Comissão, empresas abandonaram contratos por terem sido "mal convidadas" - não tinham condição de executar o projeto. Muitas não tinham sequer "nada a ver com o objeto a ser contratado". Foi no Comperj que a Petrobras contratou a Pragmática, empresa de consultoria da família do então diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Cosa. O contrato foi de R$ 1,085 milhão por um ano de prestação de serviço de qualificação profissional e desenvolvimento de fornecedores. Muitas das empresas indicadas não conseguiram cumprir seus contratos. Também nas obras do Comperj houve farra de aditivos contratuais. A Alusa obteve contrato no valor de R$ 1,460 bilhão, mas acabou recebendo 47% a mais (R$ 688,6 milhões) devido a 15 aditivos. Em um consórcio entre a Alusa e a MPF , o valor de R$ 235,7 milhões recebeu 10 aditivos. O prazo da obra era de 720 dias e os aditivos deram mais 1.007 dias. O preço inicial foi aumentado em R$ 6,433 milhões. A CNEC WorleyParsons Engenharia fechou contrato de R$ 4,5 milhões e prazo de 630 dias. Os aditivos prolongaram mais 560 dias e elevaram o valor em 1,311 milhões. O contrato foi encerrado por decurso do prazo. De acordo com as investigações internas, uma das construtoras fechou contrato de R$ 819,8 milhões por 440 dias e apresentou preço 37% menor do que o custo estimado pela estatal. Acabou assinando contrato sob alegação de "estar entre as maiores construtoras do País". Até maio passado, a empresa havia firmado 13 aditivos, que aumentaram o valor em R$ 360 milhões. No relatório encaminhado ao Ministério Público Federal no Paraná, que centraliza as investigações da Operação Lava-Jato, são atribuídas responsabilidades por irregularidades a Carlos Frederico Trevia, gerente de relacionamento e comunicação; Francisco Pais, que foi assistente do ex-diretor petista Renato Duque; Heyder de Moura Carvalho Filho; Jansem Ferreira da Silva, Jairo Luis Bonet, José Eduardo Loureiro, Luiz Alberto Gaspar Domingues, Paulo Cezar Amaro Aquino e Roberto Gonçalves, além do ex-diretor Paulo Roberto Costa e do gerente Pedro Barusco Filho. 

Crise na Petrobras causa atrasos nos pagamentos a estaleiros de Niterói e provoca demissão de 600 operários


As investigações da Operação Lava-Jato da Polícia Federal e as denúncias que pairam sobre a Petrobras criaram um clima de incerteza e colocaram em xeque o futuro da indústria naval de Niterói. Segundo o secretário municipal de Indústria Naval, Milton Carlos Lopes, a estatal tem atrasado pagamentos aos estaleiros da cidade, em consequência de revisões contratuais e de documentações recusadas por exigências rígidas dos órgãos de controle, o que já provocou a demissão de cerca de 600 trabalhadores, o equivalente a 5% da força de trabalho da cidade, que conta com 12 mil metalúrgicos. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, as empresas mais afetadas pelos problemas da Petrobras e que tocam obras da estatal são os estaleiros Mauá, Eisa Petro-Um, Brasa, UTC e Enaval. "A maior parte dessas empresas não pagou a primeira parcela do 13º salário dos trabalhadores. Elas não têm dinheiro em caixa. O setor passa hoje por uma falta de liquidez grande em razão das empresas que têm contrato com a Petrobras não receberem em dia. Tem atraso até de seis meses nesses pagamentos. Em consequência disso, há também atraso nos salários dos trabalhadores. Alguns estaleiros já estão recorrendo a empréstimos de banco", comentou Milton Carlos Lopes, que encaminhou à Câmara Municipal um pedido de audiência pública para discutir a crise da indústria naval da cidade. Segundo o secretário, o estaleiro mais afetado pela crise da Petrobras é o Mauá, na Ponta D’Areia, que demitiu 35 trabalhadores na semana passada. A empresa conta com a encomenda de um total de 15 navios de transporte de petróleo da Transpetro, dos quais mais da metade estariam com as obras atrasadas — o estaleiro entregou apenas quatro embarcações e outras três estão em fase de acabamento final. A subsidiária da Petrobras tem recusado efetuar pagamentos ao estaleiro por causa de casos frequentes de falta de documentação. "A secretaria já notificou o estaleiro e pediu esclarecimentos sobre os frequentes atrasos salariais dos funcionários", disse o secretário. Fundado em 1846, pelo então Barão de Mauá, o estaleiro ainda enfrenta dívidas trabalhistas de R$ 10 milhões, segundo investigações da Procuradoria do Trabalho de Niterói. O procurador Patrick Maia Merísio ajuizou duas ações contra a empresa: "O atraso no pagamento dos salários e a falta de contribuição no FGTS afeta pelo menos mil trabalhadores do estaleiro". O secretário de Indústria Naval também demonstra preocupação de que a ação da Policia Federal possa repercutir em estaleiros da cidade como o UTC, que é alvo da inquérito, e o Brasa, controlado pelo grupo Sinergy e pela holandesa SBM Offshore, que é investigada por pagamento de propina a funcionários da Petrobras. Ambos empregam 2.450 trabalhadores. A presidente da Petrobras, Graça Foster, chegou a afirmar que a SBM está impedida de participar de licitações da Petrobras enquanto não esclarecer para quem pagou propina na estatal. Contudo, garantiu que os contratos em andamento com a SBM não serão interrompidos. Segundo Edson Rocha, presidente do Sindicato dos metalúrgicos de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, o estaleiro Brasa, que deve concluir até fevereiro a construção de dois módulos para plataformas da Petrobras, demitiu cerca de 560 trabalhadores desde julho. "Isso é reflexo da falta de trabalho, de novas encomendas da Petrobras ao estaleiro. Estamos preocupados porque o Brasa ainda tem 1600 trabalhadores", comentou o presidente do sindicato, que admitiu temer que o estaleiro fique impedido de entrar em novas licitações da estatal por ter a SBM como sócia e que ocorram mais demissões. Rocha disse ainda que o mesmo risco paira sobre a unidade da UTC de Niterói, que conta com 850 funcionários. O sócio-proprietário da empresa, Ricardo Pessoa, foi preso na Lava-Jato, sob a acusação de coordenar um “clube” de empreiteiras que teria participação num cartel de fornecedores da Petrobras. "A UTC está finalizando a obra de dois módulos de plataformas de petróleo até fevereiro. Depois disso, há uma grande incerteza sobre a possibilidade de o estaleiro conseguir novas encomendas da Petrobras e manter os trabalhadores", disse Rocha. (O Globo)

Analistas prevêem que Petrobras terá nota de crédito rebaixada

O novo adiamento da divulgação do balanço financeiro da Petrobras referente ao terceiro trimestre representa golpe irreversível na imagem da companhia, avaliam analistas do mercado financeiro. Os especialistas dão como certas a perda do grau de investimento, espécie de selo de qualidade que serve de referência para o investidor, e novas quedas nas ações da empresa. Sem essa chancela dada pelas agências de classificação de risco, o custo da empresa para levantar recursos tenderia a aumentar. "A empresa já perdeu completamente a credibilidade do investidor, e a não divulgação das demonstrações contábeis é um arranhão inestimável para sua imagem e para o Brasil. Se sua alta relação entre dívida e geração de caixa já tornava dificílimo captar recursos no mercado, agora ficou impossível. Não vejo qualquer possibilidade de sucesso na manobra lastreada em dívida da Eletrobras garantida pelo Tesouro", afirmou Alexandre Wolwacz, diretor da escola de investimentos Leandro&Stormer, em referência à estratégia elaborada pelo governo para reforçar o caixa da empresa. Para Wolwacz, as empresas de classificação de risco têm sido “bastante tolerantes” com a Petrobras: "Divulgar balanço é a regra básica do mercado, o que a empresa está fazendo é inadmissível para o mercado". Na avaliação de Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora, divulgar um balanço não auditado já seria ruim para a credibilidade da companhia, mas não cumprir essa promessa “ultrapassa todos os limites”. "O mais dramático é que a expectativa para esse balanço era positiva, uma vez que a companhia está produzindo mais e operando mais plataformas. Infelizmente, quaisquer informações que sejam divulgadas daqui para frente não terão mais relevância, pois estarão muito descoladas do presente", disse Figueredo. Para Wolwacz, o adiamento da divulgação acentuará a queda das ações na Bolsa. "Antes, considerava-se que R$ 13,00 era um bom preço para comprar. Os investidores começaram a mirar os R$ 10,00. Daqui pra frente, a situação fica dramática porque o alvo será abaixo de R$ 5,00", explicou ele. A queda das ações resulta em perda de valor de mercado, um dos fatores decisivos para determinar o peso no índice de referência da Bolsa, o Ibovespa. Com uma influência menor no indicador, os chamados fundos passivos – que acompanham exatamente a composição do índice – serão obrigados a vender mais ações da Petrobras. "Será um círculo vicioso de quedas nas ações, que podem chegar a um patamar muito baixo", disse Wolwacz. Para o professor Gilberto Braga, do Ibmec-RJ, a avaliação entre os investidores e as agências de classificação de risco piora sem a publicação: "Passa uma insegurança para o mercado. Ou seja, nem o balanço é consenso dentro da empresa. O rating pode cair, pois não há nem um parecer do auditor".

Executiva e geóloga que alertou a direção da Petrobras sobre o Petrolão foi a principal assessora de Paulo Roberto Costa durante quatro anos



A geóloga Venina Velosa da Fonseca foi, durante muitos anos, considerada braço direito do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Na condição de gerente executiva da diretoria dele, ela era, na prática, a pessoa mais importante depois de Costa. Podia até substituir interinamente o chefe, e participava de praticamente todas as reuniões com fornecedores. Tinha, portanto, um ponto de vista privilegiado do que se passava na Diretoria de Abastecimento. Venina foi gerente executiva da área corporativa do Abastecimento entre 2005 e 2009, período em que foram superfaturados parte dos contratos com empreiteiras investigados na Operação Lava-Jato para a construção de projetos como a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Entre março de 2008 e julho de 2009, ela também foi integrante do conselho de administração da refinaria, que era presidido por Costa. "Só ocupa esse cargo quem tem a confiança do diretor e um bom pistolão político", diz um executivo da Petrobras que pede para não se identificar. Geóloga formada pela Universidade Federal de Ouro Preto, Venina é mais conhecida como ocupante de cargos executivos do que técnicos na Petrobras. Concursada, ela ingressou na estatal em 1990 como geóloga no Distrito de Exploração e Produção da Amazônia. Logo assumiu cargos de gerência na área de meio ambiente e segurança. Em 1999, no governo Fernando Henrique, ela passou a atuar na área de gestão da Diretoria de Gás e Energia, onde começou a trabalhar com Paulo Roberto Costa, na época gerente geral de Logística. Com a posse de Lula, Paulo Roberto Costa virou diretor de Abastecimento e, em 2005, levou Venina para ser sua principal auxiliar. Executivos da Petrobras que trabalharam com Venina se surpreenderam ontem com as denúncias dela. Como assinava tudo junto com Paulo Roberto Costa, ela era vista como alguém alinhada ao grupo dele. Segundo outro executivo da Petrobras que pediu para não se identificar, Venina de fato teve uma briga com Paulo Roberto Costa em 2009. Nessa época, ela teria sofrido as ameaças que relatou. Afastada da gerência executiva do Abastecimento, a geóloga foi enviada para o posto em Cingapura, em fevereiro de 2010. No mês passado, perdeu o cargo de diretora presidente da subsidiária da Petrobras em Cingapura como resultado da investigação de comissão interna sobre os contratos da Refinaria Abreu e Lima. No prédio em que mora, no Flamengo, a informação é de que ela ainda está em Cingapura e mantém o apartamento fechado. "Venina sempre foi vista como ligada a Costa, mas isso não é suficiente para desqualificar o que ela diz. Ela realmente estava muito próxima de tudo o que aconteceu", diz esse executivo. Na Petrobras, Venina é descrita como uma executiva ágil, discreta e “boa cumpridora de ordens”. Ela também seria muito hábil para lidar com a ingerência política na estatal. No fim do governo Lula, quando Graça Foster era diretora de Gás e Energia sob as bênçãos da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, Paulo Roberto Costa disputava com Graça a pretensão de substituir o então presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. Para uma fonte, Venina sabia que Graça tinha mais chances, e a procurou para tentar se desvincular do grupo de Paulo Roberto Costa. Mas não foi correspondida.

Ex-gerente da Petrobras diz que propina esteve "em mais de 60 contratos"

Em depoimento na Operação Lava Jato, o ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco, disse que ele e o ex-diretor de Serviços, o petista Renato Duque, receberam propina da estatal durante cinco anos “em mais de 60 contratos”. De acordo com Barusco, ele recebeu indevidamente US$ 97 milhões entre 2005 e 2010, e disse que o petista Duque tinha participação ainda maior na divisão do dinheiro. O ex-gerente da Petrobras afirmou que o diretor da área internacional da Petrobras até 2012, Jorge Luiz Zelada, também recebeu propinas. Pedro Barusco garantiu que está devolvendo “quase tudo” que recebeu.

Braço-direito de Youssef negocia acordo de delação premiada, afirma revista Veja



O responsável pela distribuição da propina desviada dos cofres da Petrobras para políticos, Rafael Ângulo Lopez, braço-direito do doleiro Alberto Youssef, está negociando um acordo de delação premiada com as autoridades da Operação Lava Jato, segundo a revista "Veja". De acordo com a publicação, Lopez possui registros de todas as operações que fez a mando de Youssef, que já fez sua delação. Ainda segundo a "Veja", Lopez viajava por todo o País em vôos comerciais com grande quantidade de cédulas amarradas ao próprio corpo para fazer a entrega de dinheiro em domicílio aos participantes do esquema e nunca foi pego em nenhuma fiscalização. Na lista de políticos que segundo a publicação receberam dinheiro em espécie das mãos do auxiliar de Youssef, estão o ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB-AL), João de Abreu, chefe de gabinete da ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (PMDB), e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Os políticos já foram citados anteriormente nas investigações e negam ter participado de irregularidades.


Segundo a reportagem, Collor recebeu R$ 50 mil em um apartamento no bairro da Bela Vista, em São Paulo. Já Roseana, segundo a revista, recebeu R$ 900 mil no Palácio dos Leões, sede do governo do Maranhão, intermediada por um auxiliar. Ainda de acordo com a "Veja", o auxiliar registrou uma entrega de R$ 500 mil a Vaccari Neto. Ela teria sido feita em duas ocasiões em 2012, na sede nacional do PT em São Paulo. A reportagem também cita propina de R$ 150 mil entregue ao ministro das Cidades durante o primeiro governo de Dilma Rousseff, Mário Negromonte (PP-BA), em seu apartamento funcional em Brasília, de R$ 200 mil para o deputado Nelson Meuer (PP-PR) no aeroporto de Curitiba, de R$ 600 mil a Luiz Argôlo (SD-BA), entregue no aeroporto de São José dos Campos, e de R$ 150 mil ao deputado cassado André Vargas (ex-PT), também entregue em seu apartamento funcional da capital federal. 

Ex-gerente da Petrobras negociou pagamentos em esquema operado por Youssef

Demitido em 2013, o ex-gerente de Comunicação da Diretoria de Abastecimento da Petrobras, Geovanne de Morais, intermediou a negociação de pagamentos no valor de R$ 1,795 milhão para a empresa Muranno Brasil Marketing por meio do esquema criminoso operado pelo doleiro Alberto Youssef. A negociação com a Muranno teve participação também de Silas Oliveira Filho, gerente de Comércio de Álcool e Oxigenados da Petrobras. Geovanne de Morais foi acusado de pagar fornecedores por serviços não realizados por Venina Velosa Fonseca, funcionária da Petrobras demitida em novembro após ter seu nome incluído no relatório da Comissão Interna de Apuração, que investigou irregularidades em contratos da refinaria Abreu e Lima. Os sócios da Muranno, Luciana Mantelmacher e Ricardo Marcelo Vilani, alegam que mantiveram negócios com a estatal sem contrato, todos relacionados a eventos de marketing da Fórmula Indy entre 2004 e 2008. A investigação ainda está em curso. Vilani afirmou que teria ficado com saldo a receber pelos serviços prestados na Fórmula Indy e que só recebeu em 2010 depois de conversar com Paulo Roberto Costa. O doleiro Alberto Youssef teria ficado encarregado de fazer os pagamentos e fez contato com Vilani. Os depósitos para a Muranno - R$ 815 mil e R$ 980 mil, ambos no dia 22 de dezembro de 2010 - foram feitos pela empresa Sanko Sider. Os sócios da Sanko Sider admitiram na Justiça que a empresa foi usada para repassar dinheiro de propina a pedido do Consórcio Nacional Camargo Corrêa. O nome da Muranno apareceu também nas planilhas feitas pela Sanko Sider, que recebia os pagamentos do consórcio e relacionava em planilha o que era "repasse" de propina. Aparentemente, a conta da Muranno não era controlada por Alberto Youssef, embora tenha recebido depósitos provenientes do suposto esquema criminoso. Os sócios da Muranno ingressaram com habeas corpus na Justiça no mês passado. O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal do Paraná, responsável pela investigação da Operação Lava Jato, extinguiu o pedido e argumentou que, até aquele monto, não havia qualquer indício de que os sócios da Muranno poderiam ser presos. "A mera existência de investigação criminal que, nas circunstâncias, se justifica, não é causa suficiente para habeas corpus", observou Moro. 

STF julga reclamações contra Moro


A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal deve analisar na sessão da próxima terça-feira (16) duas Reclamações ajuizadas na Corte por investigados na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, contra o juiz Sergio Fernando Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR). O relator das reclamações, que tramitam em segredo de justiça, é o ministro Teori Zavascki. Zavascki preside a Turma, da qual participam os ministros Celso de Mello, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia. A Lava-Jato investiga suposto esquema de corrupção na Petrobras, com a suspeita de formação de cartel por empreiteiras, fraude à licitação, corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsificação de documentos, entre outros crimes. Os processos são as ações RCL 18875 e 18930. 

Correa desenha manobra política para remover limite à reeleição no Equador

A exemplo de seus colegas ditadores da Venezuela, Bolívia e Nicarágua, o presidente equatoriano, o esquerdopata Rafael Correa, procura maneiras constitucionais de permanecer no poder pelo maior tempo possível e tenta aprovar mudanças na Constituição que permitam a reeleição ilimitada. Em outubro, a Corte Constitucional, formada basicamente por indicados por Correa, decidiu permitir que as alterações na Constituição possam ser feitas pela Assembléia Nacional sem a necessidade de passar por um referendo. Entre as 17 mudanças propostas, está a que retira o limite de dois mandatos para ocupantes de qualquer cargo escolhido majoritariamente - incluindo, e principalmente, para presidente. Aos 51 anos, reeleito no ano passado no primeiro turno, com 57% dos votos, Correa está no poder já há sete anos. Depois de um primeiro mandato, a nova Constituição permitiu que ficasse no cargo por mais dois anos e oito meses em uma espécie de mandato-tampão, até as eleições de 2013, feitas sob os princípios da nova Carta. O presidente permanece no Palácio de Carondelet, sede do governo do Equador, até 2017, mas já mira o futuro. A idéia de que se abra espaço para reeleições indefinidas não pega bem entre os equatorianos, mas o presidente tem ignorado as críticas. As pesquisas no país mostram que 65% da população é contra a reeleição ilimitada e 73% quer que as mudanças constitucionais passem por um referendo, mas o governo não tem dado atenção às pressões. “Está se fazendo a modificação dessa maneira por uma razão, se for feita por consulta popular, o governo perde. E sabe disso”, afirma o constitucionalista Rafael Oyarte. “O governo equatoriano move-se muito com base em pesquisas. Se achassem que poderia ganhar, sem a menor dúvida o fariam”. Uma mudança aprovada por consulta popular entra em vigor assim que seu resultado é publicado. Emendas aprovadas pela Assembléia Nacional precisam passar por duas votações, com intervalo de um ano. A próxima será apenas em dezembro de 2015. “O governo sabe que perde agora uma consulta popular, mas que pode ganhar uma reeleição”, afirma Oyarte. Coube a um grupo de parlamentares apresentar as propostas de mudança constitucional, passando ao largo do referendo e garantindo que a maioria esmagadora da Aliança País, do ditador Correa - que tem 107 das 137 cadeiras da Assembleia - aprove os desejos do presidente. Isso apesar da previsão legal de que, por serem mudanças estruturais, deveriam passar por referendo, interpretação derrubada pela Corte Constitucional. “Esse é um governo que se legitima muito nas urnas. O próprio presidente repete a quem o critica: ‘Vão às urnas e disputem comigo’. As pesquisas mostram que a maioria quer a consulta popular, o governo deveria ser sensível a isso”, afirma Ruth Hidalgo, diretora da ONG Participação Cidadã: “Um governo com convicção democrática deveria estar preparado para enfrentar esse tema em uma consulta popular". Ruth questiona a capacidade de seu país lidar com a reeleição sem restrições. Afirma que a lei eleitoral não garante equidade no uso de recursos para propaganda e o tribunal eleitoral não é independente. “Quando se tem um aparato legal, normativo, que não promove participação equitativa, há um processo defeituoso, desigual e vai ganhar quem está no poder”, diz. Nas ruas de Quito e Guayaquil, mesmo quem defende o presidente tem dificuldade de aceitar a idéia de não haver limites para o poder presidencial. Inabalável, Correa atribui as críticas a “setores da oposição”. Guillermo Lasso, empresário que ficou em segundo lugar nas eleições de 2013, é um dos coordenadores da campanha contra a reeleição ilimitada. Correa usa o fato para dizer que essa é uma pauta da direita equatoriana.

Veja a mais nova lista do dinheiro sujo do Petrolão; a sede do PT era a caverna do Ali Babá

Leia, abaixo, a lista dos políticos que receberam propinas do Petrolão, conforme delação de Rafael Lopez para a revista Veja que circula hoje:
João Vaccari Neto, tesoureiro nacional do PT, dentro da sede do Partido - R$ 500 mil
Ex-presidente Fernando Collor, rua dos Ingleses 308, R$ - R$ 50 mil.
Ex-governadora Roseana Sarney, Palácio dos Leões - R$ 900 mil.
Ex-ministro Mário Negromonte, SQS 311, bloco A - R$ 150 mil.
Deputado Luiz Argôlo, Aeroporto de São José dos Campos - R$ 600 mil.
Deputado Nelson Meurer, Aeroporto Afonso Pena - R$ 200 mil.
Deputado André Vargas, PT, SQS 302, Bloco II - R$ 150 mil.
O caso mais escabroso é o de João Vaccari Neto, tesoureiro nacional do PT, porque além do dinheiro sujo entregue por Rafael Lopez, ele também recebeu de modo permanente e sistemático parcelas em espécie, remessas para contas no Exterior e doações oficiais, conforme Augusto de Mendonça Neto, executivo da empresa Toyo Setal. Os detalhes dos pagamentos eram combinados dentro da sede do PT em São Paulo. No caso das entregas dos R$ 500 mil por parte de Rafael, elas foram feitas com apoio de carro blindado e na companhia de José Alberto Piva Campana, da Toshiba, que foi quem pagou tudo. A sede do PT era a caverna do Ali Babá.

Empreiteiras investigadas têm recursos do FI-FGTS


Beneficiárias de financiamentos do FI-FGTS, as empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato da Polícia Federal foram questionadas pela Caixa Econômica Federal sobre o nível de envolvimento no esquema de corrupção. Oito das dez maiores construtoras brasileiras foram citadas na operação que investiga esquema de lavagem e desvio de dinheiro envolvendo a Petrobras. Algumas delas são sócias do FI-FGTS ou possuem financiamento com recursos do fundo. Os advogados das construtoras garantiram à Caixa Econômica Federal que as empresas sob investigação fazem parte das holdings, mas não têm contratos isolados com o FI-FGTS. Por exemplo: a Polícia Federal investiga a Odebrecht, grupo que mais tem negócios com o fundo, cerca de R$ 4 bilhões. Das 15 empresas do grupo, as duas que têm participação do fundo (Ambiental e Transport) não estão sendo investigadas pela Polícia Federal, garantem. Na carteira de negócios da unidade de transporte estão grandes empreendimentos, como as rodovias Dom Pedro (SP) e BR-163 (MT), o Aeroporto Internacional do Galeão e a Linha 6 do metrô de São Paulo. A Odebrecht Energia é uma das sócias da Santo Antônio Energia, concessionária da Hidrelétrica Santo Antônio, no Rio Madeira (RO). No mês passado, a reunião do comitê de investimento do FI-FGTS foi cancelada por falta de quórum: a bancada do governo alegou que não poderia participar, quatro horas antes do início do encontro. Nos bastidores, alguns integrantes do comitê disseram que o governo não queria aprovar a operação que favorecia à Queiroz Galvão, empresa investigada na operação Lava Jato. “Evitaram o desgaste da divulgação de que o dinheiro do trabalhador estava sendo repassado para uma empresa investigada por corrupção”, disse um integrante do FI-FGTS. A sociedade entre a Queiroz Galvão Energias Renováveis, braço do grupo que é ligado à produção de energia alternativa, e o FI-FGTS foi aprovada em dezembro de 2013. Mas, como o desembolso dos recursos, destinados à ampliação de parques eólicos no Nordeste não foi feito nos nove meses seguintes, é preciso um novo aval do comitê.

Vaccari diz ao partido que secou a fonte de contribuições das empresas por causa do Petrolão


O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, recomendou na sexta-feira (12) "criatividade" ao partido para bancar a festa de posse da presidente Dilma Rousseff. Reunido com petistas, ele admitiu que a explosão da Operação Lava Jato, aliada à crise internacional, afugenta potenciais colaboradores. E, queixando-se da falta de recursos, sugeriu que os diretórios municipais do PT se cotizem para garantir público na festa de posse da presidente, no dia 1º de janeiro. "Os doadores estão com medo", disse Francisco Rocha, o "Rochinha". De acordo com participantes, Vaccari fez questão de frisar que seu nome não está entre os denunciados pelo Ministério Público Federal por participação no esquema na Petrobras. Mais uma vez, negou irregularidades. Ele reconheceu, porém, impacto na arrecadação do partido. Informou que a redução, em cerca de 20%, provocará significativa perda de receita no ano que vem. A crise provocada pelo escândalo na Petrobras foi o tema principal do encontro, que reuniu as correntes que compõem a chapa que controla o partido. Na reunião, Vaccari defendeu o financiamento público de campanha eleitoral como forma de combate à corrupção. Para ele, o partido arrecadaria mais caso fosse aprovada uma fórmula que mescla financiamento público e teto de contribuição de pessoa física (em R$ 100 mil). "O problema é que todos os doadores estão presos", lamentou um dirigente petista. O anúncio de vacas magras ocorre num momento em que coordenadores das campanhas estaduais pedem socorro ao comando nacional. O coordenador do comitê de Alexandre Padilha, derrotado na disputa ao governo de São Paulo, Emídio Souza, calcula em R$ 30 milhões a dívida da campanha. Segundo ele, o prejuízo é do partido. Vaccari discorda. Ao deixar a discussão, o presidente do PT, Rui Falcão, brincou ao comentar sua pauta. Numa menção a termos como "revitalização", afirmou: "Nunca falei tanto ré'".

Efeitos do Petrolão: Petrobras não sabe mais quanto vale, quanto deve, quanto terá que pagar por ações na Justiça, e por isso não consegue fechar balanço


O caos na Petrobras é causado pela união inabalável entre Graça Foster e Dilma Rousseff. Parece haver um pacto entre as duas. Enquanto as vendas aumentaram R$ 6 bilhões no terceiro trimestre, a dívida cresceu R$ 29 bilhões no ano. É o caos na maior empresa do País. Sob o argumento de ocorrência de "novos fatos", em especial relacionados às denúncias reveladas na Operação Lava Lato, a Petrobras adiou de novo a divulgação de suas demonstrações financeiras do terceiro trimestre. A empresa informara que apresentaria nesta sexta-feira (12) o balanço sem o aval dos auditores independentes. O prazo para a apresentação das contas auditadas acabara em 14 de novembro, segundo as leis que regulam as empresas de capital aberto. A Petrobras não conseguiu cumprir o prazo legal porque a PwC (PricewaterhouseCoopers), sua auditoria externa, recusou-se a assinar as demonstrações, depois das denúncias de corrupção reveladas pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa à Justiça envolvendo gestores da empresa. Para receber de novo o aval da PwC, a empresa está sendo obrigada a dar baixa de valores acrescentados a seus ativos atribuídos a pagamento de propina. Mas ainda não há data para que as contas auditadas sejam apresentadas. A divulgação sem aval de auditoria atenderia à exigência de alguns contratos com credores, o que tinha como prazo o dia 30. Caso não conseguisse, vencimentos de dívidas seriam antecipados. Foi negociada com credores nova data como limite para essa apresentação - 31 de janeiro. Já as demonstrações auditadas devem ser apresentadas até novembro de 2015. A companhia divulgou só algumas informações, sem revelar lucro e geração de caixa, que medem sua saúde financeira. A receita de vendas cresceu 7%, de R$ 82,3 bilhões no segundo trimestre, para R$ 88,4 bilhões no terceiro. Em nove meses, o avanço foi de 9%, de R$ 223,8 bilhões para R$ 252,2 bilhões.  O crescimento, diz a empresa, foi resultado de maior exportação de petróleo e do aumento na demanda por derivados, no mercado interno. Entre julho e setembro, o preço do petróleo caiu quase 14%, de US$ 110,00 para US$ 95,00. Ponto de preocupação do mercado, a dívida cresceu 8% em três meses, de R$ 241,3 bilhões para R$ 261,4 bilhões. A Petrobras citou, como determinantes do adiamento, a denúncia do Ministério Público Federal contra 36 pessoas supostamente envolvidas no escândalo, a citação da empresa em ação coletiva, movida por minoritários nos Estados Unidos, e os depoimentos de ex-dirigentes da Toyo Setal em delação premiada. A empresa também alegou o fato de ter recebido notificação sobre investigação em andamento na SEC (órgão regulador do mercado de capitais americano).

Caixa Econômica Federal vai mudar regras de aporte do FI-FGTS, hoje dominado por disputas políticas


A Caixa Econômica Federal quer implementar um novo modelo para mudar o processo de decisão dos membros do comitê de investimento do bilionário FI-FGTS, o segundo maior investidor de infraestrutura do País, atrás apenas do BNDES. O comitê é palco de disputas políticas que travaram neste ano aportes do fundo, que usa o dinheiro dos trabalhadores. A última reunião de 2014 está marcada para a próxima semana. A Caixa Econômica Federal, responsável pela administração do fundo, pretender criar uma pontuação prévia dos projetos que têm interesse em receber recursos do FI-FGTS com base em critérios como o setor econômico, a região do País, a geração de empregos. A metodologia deve permitir também uma descentralização da aplicação de recursos em algumas atividades em detrimento a outras. Por exemplo: a área de energia recebeu muito mais aporte nos últimos anos do que saneamento. Seria uma forma de qualificar os projetos para que eles tenham uma tramitação acelerada no comitê. O fundo pode aplicar os recursos de duas formas: comprando dívidas ou participação acionária. Neste ano, o FI-FGTS tinha sinal verde para aplicar o volume recorde de até 10 bilhões de reais - o que representaria grande incremento à carteira de 31,5 bilhões de reais. A previsão foi feita com base na necessidade de financiamento estimada em 200 bilhões de reais às empresas que ganharam as concessões oferecidas pelo governo federal. No entanto, desde janeiro, o comitê (com 12 indicações - seis do governo, três dos trabalhadores e três dos empregadores) aprovou apenas um relatório final de aporte de 630 milhões de reais à concessionária CCR - que tem como acionistas Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Soares Penido - para recuperação da Rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro. Antes de passar pelo crivo do comitê, as propostas de investimento do fundo passam por análise técnica da Caixa Econômica Federal. O banco também contrata assessorias externas. Quando o projeto chega nas mãos dos membros do comitê, porém, as justificativas para adiar a votação nem sempre têm o mesmo rigor técnico e muitas vezes são fruto de pressões políticas. Nenhum integrante tem poder para aprovar uma proposta sozinho - são necessários nove votos dos doze membros -, mas eles conseguem paralisar as votações e atrasar a liberação de recursos.

Falida, equipe Marussia leiloa carros e equipamentos na internet


A temporada de 2014 foi a última da Marussia na disputa pelo Campeonato Mundial de Fórmula 1. Falida, a equipe russa tentará atenuar o prejuízo financeiro por meio de um leilão via internet, no qual até os carros utilizados na principal categoria do automobilismo, pilotados pelo britânico Max Chilton e pelo francês Jules Bianchi, estarão à venda. Em crise financeira e sem encontrar um comprador, a Marussia encerrou suas atividades no começo de novembro e demitiu aproximadamente duzentos funcionários. O leilão dos equipamentos do time será realizado por um site especializado de 16 a 18 de dezembro e no dia 21 de janeiro. Os compradores vão encontrar uma grande quantidade de artigos à venda no leilão, de carros a volantes, passando por pneus e macacões. A equipe entrou na Fórmula 1 na temporada de 2010 com o nome de Virgin e, dois anos depois, foi rebatizada como Marussia. Uma das últimas corridas da equipe aconteceu no Grande Prêmio do Japão, em outubro, marcado pelo grave acidente sofrido por Bianchi, que segue inconsciente em um hospital na França. Em Mônaco, ao chegar na nona colocação, ele marcou os dois primeiros e únicos pontos da equipe em sua história na F1.

Filha de Roberto Jefferson é eleita presidente nacional do PTB com discurso de forte crítica ao governo Dilma

A deputada federal Cristiane Brasil foi eleita ontem presidente nacional do PTB. A convenção saiu em Brasília. Cristiane é filha de Roberto Jefferson, que está preso pelo envolvimento no Mensalão do PT. A nova presidente pronunciou discurso de veementes críticas ao governo da petista Dilma, muito embora suas bancadas na Câmara e no Senado apóiem o Planalto. O senador Armando Monteiro, Pernambuco, aliás, será empossado na semana que vem no cargo de ministro do Desenvolvimento.

FAB suspende contrato de grupo que pagou propina a comandantes

A Força Aérea Brasileira (FAB) decidiu nesta sexta-feira (12) suspender a execução dos contratos que mantinha com a empresa americana Dallas Airmotive, que admitiu ter pagado propina a comandantes da corporação em Roraima. A medida valerá até o total esclarecimento das denúncias apresentadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Em nota, a FAB afirma que, se as acusações forem comprovadas, ela irá rescindir os contratos e pedirá o ressarcimento cabível do valor deles. A FAB também instaurou um inquérito policial militar para apurar o envolvimento dos oficiais, que ainda não foram identificados. “Ressaltamos que a FAB repudia atitudes desta natureza e atua firmemente para coibir desvios de conduta de seu efetivo”, diz ainda a nota. A companhia Dallas Airmotive, que faz manutenção de motores de avião, admitiu à Justiça americana que pagou propina a oficiais da FAB e ao governo de Roraima entre 2008 e 2012. Na época, o governador era José de Anchieta Júnior (PSDB). A empresa concordou em pagar uma multa de US$ 14 milhões (R$ 37 milhões) por ter desrespeitado leis americanas contra corrupção em países estrangeiros. 

Gerente que vai devolver US$ 97 milhões diz que seu chefe, o petista Duque, recebia propina ainda maior

Pelo visto, aconteceu uma das coisas que o PT tanto temia. Pedro Barusco, ex-gerente de serviços da Petrobras, braço-direito do petista Renato Duque, que era o diretor da área, contou tudo — ou, vá lá, contou muito do que sabia e do que fez. Barusco está bastante doente, e consta que sua família o estimulou a dizer a verdade. O fato é que, no bojo do acordo de delação premiada, ele se dispôs a devolver a fabulosa quantia de US$ 97 milhões — mais de R$ 253 milhões.

Segundo informa o Painel da Folha, o gerente afirmou que Duque tinha participação ainda maior na roubalheira — o que é, convenham, verossímil, já que era o chefe. Só Duque? Não! Segundo disse Barusco, Jorge Luiz Zelada —  diretor da área Internacional da Petrobras que substituiu Nestor Cerveró e ficou no cargo até 2012 — também estava no esquema. Duque e Zelada negam.
Segundo Barusco, havia ordem na orgia. Escreve o Painel: “’Na divisão de propina entre o declarante e Renato Duque, em regra Duque ficava com a maior parte, isto é, 60%, e o declarante com 40%’, afirma o relatório do depoimento. ‘Quando havia a participação de um operador, Renato Duque ficava com 40%, o declarante com 30%, e o operador, com 30%’”.
Parece que Barusco decidiu mesmo ser sincero: ele contou que continuou a receber propina mesmo depois de ter saído da empresa, em 2010, quando já trabalhava na iniciativa privada.
O juiz Sérgio Moro já afirmou que Duque mantém uma fortuna em contas secretas no Exterior. Em sendo verdade, sempre será preciso, no seu caso, saber se era para si ou para a organização à qual pertence: o PT. Convém não esquecer que é um homem da esfera de influência de José Dirceu.
Duque, funcionário de carreira da Petrobras, era visto pelos especialistas da estatal como um engenheiro medíocre. A chegada de seu partido ao poder lhe abriu a vereda para o topo. Ah, sim: vamos, para efeito de raciocínio, fingir que a gente acredita no homem. Então ele tem um braço-direito que admite ter levado uma bolada de quase US$ 100 milhões, e ele, o chefe, nunca havia desconfiado de nada? Tenham paciência! Por Reinaldo Azevedo

Graça ataca autora das denúncias para continuar com o nariz fora d’água. Ou: Querem saber como seria o país comandado pelo PT e sem oposição? Olhem para a Petrobras!

Graça Foster, presidente da Petrobras, tenta se manter com a cabeça fora d’água. Se conseguir, pior para a estatal. As ações voltaram a despencar nesta sexta-feira. Sim, caiu o preço do barril do petróleo, como é sabido. É a razão da hora. A questão é saber onde estava a empresa brasileira quando veio esse fator conjuntural. Resposta: no fundo do poço. A agonia parece não ter fim, e Dilma, a nefelibata, finge que não é com ela. Só que é.

Nesta sexta, o comando da estatal resolveu agir como de costume. Diante das evidências — e evidências são — de que fora advertida das lambanças como diretora e como presidente da empresa, Graça mobilizou a sua turma para desqualificar a acusadora, Venina Velosa da Fonseca — que teria até ameaçado seus chefes porque perdeu um posto importante.
A questão aí não é “de quem”, mas “do quê”. Sim, é sempre bom saber o nome do autor de uma denúncia. A pessoa pode ter interesse objetivo quando faz uma acusação. Se uma grave ilegalidade está sendo apontada, no entanto, é ainda mais relevante saber se estamos diante de uma verdade ou de uma mentira.
Fato 1: a roubalheira na Petrobras aconteceu.
Fato 2: Venina advertiu Graça (pouco importam as suas intenções).
Fato 3: Graça não tomou nenhuma providência.
Nem ela nem o presidente que a antecedeu, José Sérgio Gabrielli, que vai se agigantando, a cada dia, como o chefe de uma casa de horrores. Que ironia! A Petrobras serviu de cavalo de batalha dos petistas nas eleições de 2002, 2006 e 2010. Lá vinha, invariavelmente, a mentira em tom de ameaça: “Os tucanos querem privatizar a Petrobras…”. Eis aí: essa Petrobras que temos é aquela privatizada pelo PT. O que lhes parece?
Se o preço do barril de petróleo cair mais um pouco — ou, vá lá, se vier a se estabilizar no atual patamar, a Petrobras estará ainda mais encalacrada do que hoje. Todo o chamado “Plano de Negócios” do pré-sal vai para a cucuia. Os males que o PT causou ao setor de energia no Brasil não serão corrigidos num tempo curto. O partido errou no diagnóstico, errou no prognóstico, errou na operação. E coroa a falta de competência com a evidência de que comandou, com certeza, a gestão mais corrupta da história da empresa. Procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato esperam ouvir Venina nos próximos dias.
Ainda não há uma data agendada para o depoimento.
Balanço
A situação é de tal sorte difícil para a empresa que ela teve de adiar de novo o balanço do terceiro trimestre. Estamos a 18 dias do fim do quatro trimestre. A PwC (PricewaterhouseCoopers), como se sabe, se negou a assinar os demonstrativos em razão das sem-vergonhices que vieram à luz. A empresa teria de dar baixa em seus ativos dos valores carreados para a corrupção. Mas quanto? Eis o busílis. A estatal anunciou que recorreria a outros auditores. Mas, pelo visto, a coisa não anda fácil. O novo prazo agora é 31 de janeiro.
Cabeça erguida?
Lula pede que seus “companheiros” ergam a cabeça e estufem o peito de orgulho. Mas a Petrobras não deixa. A rigor, a empresa é a síntese e o sumo da forma como esses patriotas governaram o Brasil.
Encerro com uma provocação àquela banda — ou àquele bando — do jornalismo que deu agora para demonizar políticos e eleitores de oposição. Na maior estatal brasileira, o PT foi senhor absoluto por 12 anos. O resultado é o que se vê.
Ou por outra: se vocês querem saber como é um governo petista sem resistência, olhem para a Petrobras. É o que os companheiros gostariam de fazer com o Brasil. Por Reinaldo Azevedo

Propina em domicílio

As revelações do homem que entregava dinheiro desviado da Petrobras na casa de deputados, senadores, governadores, ministros e até na sede nacional do PT

Robson Bonin e Hugo Marques
Money delivery: Acompanhado de seus advogados, Rafael Ângulo Lopez negocia um acordo de delação premiada com a Justiça. Durante anos, ele distribuiu dinheiro desviado da Petrobras a “clientes” famos do esquema de corrupção
Money delivery: Acompanhado de seus advogados, Rafael Ângulo Lopez negocia um acordo de delação premiada com a Justiça. Durante anos, ele distribuiu dinheiro desviado da Petrobras a “clientes” famos do esquema de corrupção (Jefferson Coppola/VEJA)
Depois de tantas revelações sobre engenharias corruptas complexas de sobrepreços, aditivos, aceleração de obras e manobras cambiais engenhosas, a Operação Lava-Jato produziu agora uma história simples e de fácil entendimento. Ela se refere ao que ocorre na etapa final do esquema de corrupção, quando dinheiro vivo é entregue em domicílio aos participantes. Durante quase uma década, Rafael Ângulo Lopez, esse senhor de cabelos grisalhos e aparência frágil da fotografia acima, executou esse trabalho. Ele era o distribuidor da propina que a quadrilha desviou dos cofres da Petrobras. Era o responsável pelo atendimento das demandas financeiras de clientes especiais, como deputados, senadores, governadores e ministros. Braço-direito do doleiro Alberto Youssef, o caixa da organização, Rafael era “o homem das boas notícias”. Ele passou os últimos anos cruzando o País de Norte a Sul em vôos comerciais com fortunas em cédulas amarradas ao próprio corpo sem nunca ter sido apanhado. Em cada cidade, um ou mais destinatários desse Papai Noel da corrupção o aguardavam ansiosamente. Os vôos da alegria sempre começavam em São Paulo, onde funcionava o escritório central do grupo. As entregas de dinheiro em domicílio eram feitas em endereços elegantes de figurões de Brasília, Recife, Porto Alegre, Curitiba, Maceió, São Luís. Eventualmente ele levava remessas para destinatários no Peru, na Bolívia e no Panamá. Discreto, falando só o estritamente necessário ao telefone, não deixou pistas de suas atividades em mensagens ou diálogos eletrônicos. Isso o manteve distante dos olhos e ouvidos da Polícia Federal nas primeiras etapas da operação Lava-Jato. Graças à dupla cidadania — espanhola e brasileira —, Rafael usava o passaporte europeu e ar naturalmente formal para transitar pelos aeroportos sem despertar suspeitas. Ele cumpria suas missões mais delicadas com praticamente todo o corpo coberto por camadas de notas fixadas com fita adesiva e filme plástico, daqueles usados para embalar alimentos. A muamba, segundo ele disse à polícia, era mais fácil e confortável de ser acomodada nas pernas. Quando os volumes era muito altos, Rafael contava com a ajuda de dois ou três comparsas. A rotina do trabalho permitiu que o entregador soubesse mais do que o recomendável sobre a vida paralela e criminosa de seus clientes famosos, o que pode ser prenúncio de um grande pesadelo. É que Rafael tinha uma outra característica que poucos sabiam: a organização. Ele anotava e guardava comprovantes de todas as suas operações clandestinas. É considerado, por isso, uma testemunha capaz de ajudar a fisgar em definitivo alguns figurões envolvidos no escândalo da Petrobras. VEJA apurou que o entregador já se ofereceu para fazer um acordo de delação premiada, a exemplo do seu ex-patrão. Veja dois dos destinatários da proprina que Rafael Ângulo Lopez transportava.

EMPRESA DE FILHO DE MINISTRO MERCADANTE FATURA R$ 148 MILHÕES


A Petra Energia S/A, que tem como vice-presidente Pedro Barros Mercadante Oliva, filho do ministro Aloízio Mercadante, faturou R$ 148,1 milhões do governo federal entre 2013 e 2014, quando o petista se transformou no poderoso chefe da Casa Civil. Segundo o Sistema Integrado de Informações Financeiras do Governo Federal (Siafi), a verba foi empenhada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, que foi comandado pelo mesmo Aloizio Mercadante nos anos de 2011 a 2012. Da verba empenhada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do ministério, R$ 47,1 milhões já foram pagos à Petra Energia. Em 2013, o ministério empenhou R$ 42,8 milhões para a Petra Energia em agosto, e mais R$ 47,6 milhões no mês seguinte, setembro. Fundada em 2008 para explorar petróleo e gás, a Petra virou a maior concessionária de blocos de terra do País, tem áreas em Minas Gerais, Maranhão e Amazonas. O presidente da Petra, Roberto Viana, já perfurou 16 poços na Bacia de São Francisco (MG), e tem expandido negócios para a África. Não é fantástico? É outro Ronaldinho dos negócios no mundo petista.