domingo, 14 de dezembro de 2014

Petrobras pagou US$ 25 milhões extras à SBM para Lula inaugurar navio-plataforma e fazer campanha eleitoral de Dilma



A primavera transforma Amsterdã num festivo e multicolorido jardim de tulipas, mas naquela noite Peter van Leusden estava mais atento ao tráfego na sua caixa postal eletrônica do que às celebrações na cidade. Às 21h33m, o investigador do serviço de informações da Receita holandesa recebeu o e-mail que aguardava, enviado por Jonathan Taylor, um ex-executivo da SBM, fornecedora da Petrobras. Três semanas antes, a SBM confessara à Receita e ao Ministério Público da Holanda ter repassado US$ 102,2 milhões ao seu representante no Rio de Janeiro, Julio Faerman, em pagamentos de propinas a dirigentes da empresa estatal sobre contratos de navios e plataformas marítimas. O e-mail de Taylor era incisivo: "Caro Peter, funcionários da Petrobras que estão claramente conectados a Julio Faerman, predominantemente como aparentes fornecedores de informações que não deveriam estar fornecendo a ele, e /ou indivíduos de influência dentro da Petrobras (...)" Seguiu listando 13 nomes. Um dos citados foi Renato Duque, ex-diretor de Engenharia e Serviços da estatal, que chegou a ser preso no mês passado sob acusações de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência com políticos do Partido dos Trabalhadores. Também foram relacionados: José Miranda Formigli Filho, José Antônio de Figueiredo, Paulo Carneiro, Cleison Pinto, Mauro Mendes, Osmond Coelho; Ricardo Serro, Tuerte Armaral Rolim, Alexandre Valladares Quintino dos Santos, Gilvan D' Amorim, Nilton Oliveira e Roberto Gonçalves. Dias antes, o investigador holandês recebera de Taylor uma lista manuscrita com sete nomes. Não conseguiu entender a tortuosa caligrafia — “talvez, nossos pobres olhos ou sua escrita", ironizou, ao pedir para o informante decifrá-la. Taylor, que estava em Atyrau, onde o rio Ural separa a Europa da Ásia, então respondeu: “Depois de um par de horas pesquisando o disco rígido, posso confirmar que os nomes na lista são os seguintes funcionários da Petrobras: José Miranda Formigli Filho, José Antonio de Figueiredo, Paulo Carneiro; Marco Antonio Maddalena, Leonardo Vilain, Ricardo Serro e Mario Nigri Klein."



O fisco holandês passou a dispor de uma coletânea de nomes. Quatro dirigentes da Petrobras (Formigli, Figueiredo, Carneiro e Serro) figuravam em duas listas de “conectados” ao agente da SBM no Rio. Esses documentos integram o processo local e foram divulgados recentemente pelo Correctiv, organização mantida por jornalistas da Europa e dos Estados Unidos. A empresa da Holanda alega não poder comentar “gravações e/ou dados obtidos ou retidos de forma ilegal por um ex-funcionário que esteve envolvido nas etapas iniciais das nossas investigações internas". Informações como as listas “não representam os fatos da maneira que a empresa os entendia na ocasião ou como os entende agora”. O executivo, acrescentou, “tenta extorquir a SBM". Já a Petrobras informou que encaminhou “imediatamente às autoridades públicas” todas as informações que recebeu da Holanda “para que aprofundassem as apurações". Julio Faerman, o representante carioca da SBM, era reconhecido na Petrobras por gravitar em torno deles. Movia-se na sede da avenida Chile, também, em visitas a Jorge Zelada, diretor Internacional, e ao principal subordinado de Renato Duque na Engenharia e Serviços, o gerente-executivo Pedro Barusco. Mês passado, Barusco se apresentou ao Ministério Público Federal no Rio. Entregou arquivos, contas bancárias e se comprometeu a fazer uma confissão completa em troca de atenuação de penalidades. Surpreendeu ao dizer que possuía US$ 97 milhões no exterior, dos quais US$ 20 milhões na Suíça — já bloqueados. As relações de Barusco e Duque com Faerman eram mais densas desde 2009, quando recorreram a ele para realizar uma operação mais coerente com a política partidária do que com a natureza da Petrobras, a produção de petróleo e gás. Na época, o governo preparava a candidatura de Dilma Roussef, então na chefia da Casa Civil, para disputar sucessão presidencial de 2010. Desfrutando de popularidade recorde, numa conjuntura de inflação baixa (4,3%) e crescimento acelerado (7,5%), Lula planejava capitalizar o impulso da Petrobras na exploração do pré-sal. Acionado, José Sérgio Gabrielli, presidente da estatal que frequentava a propaganda televisiva do PT com estrela vermelha na lapela do paletó, formatou um calendário de eventos para o ano seguinte. Escolheu o período entre o primeiro e o segundo turnos eleitorais para o “batismo” do navio-plataforma P-57. Tudo legitimável como parte da comemoração dos 57 anos da Petrobras. Só havia um problema: faltava combinar com a SBM a entrega antecipada da plataforma. Naquele outubro de 2009, enquanto Gabrielli e a bancada do PT se ocupavam no desmonte de uma CPI no Congresso, Duque e Barusco formalizaram o pedido a Faerman. A Petrobras queria a P-57 no outubro seguinte, “de forma a possibilitar o início da produção em 2010" — justificou-se. Faerman não demorou com a resposta da SBM: possível era, mas a custos extras. Começou o balé da negociação com os funcionários Mario Nigri Klein, Ricardo Amador Serro, Antonio Francisco Fernandes Filho e Carlos José do Nascimento Travassos. Terminou em abril de 2010, seis meses antes do prazo de entrega, quando o diretor Renato Duque aprovou o gasto extraordinário, sob recomendação de José Antônio de Figueiredo e Barusco. Como previsto, Lula comandou o “batismo” da P-57 em Angra dos Reis na quinta-feira 7 de outubro de 2010. Talvez não soubesse, mas esse evento no calendário eleitoral custou à Petrobras US$ 25 milhões extras no orçamento. Nessa época, a Petrobras estava sob pressão do Tribunal de Contas da União que insistia em fiscalizar os gastos com plataformas marítimas. O TCU via urgência em casos como o da P-57, cuja aquisição acontecera sem que a estatal tivesse “ao menos, uma ideia ou conceito acerca do objeto (do contrato) ou seu valor". Para o tribunal, a direção da estatal comprou uma plataforma marítima no valor de US$ 1,2 bilhão sem ter sequer “um projeto básico ou orçamento detalhado”. Durante 20 meses, os auditores federais solicitaram estimativas, planilhas eletrônicas e memórias de cálculo dos custos das plataformas P-57, da SBM, e P-55, do consórcio Queiroz Galvão, UTC e IESA. Gabrielli negava, alegando sigilo. Um dia, mandou ao TCU caixas com planilhas impressas. Era só papel. Sem as memórias de cálculo eletrônicas, não haveria auditoria. Até sair da presidência da Petrobras, em 2012, Gabrielli conseguiu evitar a abertura dos custos das plataformas ao tribunal de contas. 
AS PRINCIPAIS COMISSÕES PAGAS PELA SBM:
P-57
Localização: Opera no campo de Jubarte, na Bacia de Campos. Valor do contrato:US$ 1,22 bilhão. Prazo de execução: 6 anos. Contrato assinado em 02/2008. Propina:US$ 36,3 milhões
Marlim Sul
Localização: Opera no campo de Marlim Sul, em Campos. Valor do contrato: US$ 799, 5 milhões. Contrato assinado em 03/2003. Prazo de execução: 10,5 anos.Propina: US$ 18,1 milhões
Capixaba
Localização: Opera no campo de Baleia Franca, em Campos. Valor do contrato: US$ 1,769 bilhão. Prazo de execução: 15,7 anos. Contrato assinado em 04/2005. Propina:US$ 15,8 milhões
Brasil
Localização: Desmobilizada. Estava em Roncador (Campos). Valor do contrato: US$ 719,5 milhões Prazo de execução: 11,3 anos. Contrato assinado em 06/2001. Propina :US$ 14,5 milhões
Anchieta
Localização: Opera no campo de Baleia Azul, em Campos. Valor do contrato: US$ 2,606 bilhões. Prazo de execução: 30 anos. Contrato assinado em 01/99. Propina:US$ 9,9 milhões.

Polícia turca prende jornalistas; manifestantes pedem liberdade de imprensa

Vários jornalistas foram detidos hoje (14) durante uma operação em curso na Turquia contra o movimento liderado por Fethullah Gules, apontado pelo partido do governo como “Estado paralelo”. Entre os detidos estão Ekrem Dumanli, editor do jornal Zaman, e Hidayer Karac, presidente do grupo de comunicação Samanyolu, ambos com ligações com o movimento de Gulen. O ex-chefe das operações antiterroristas de Istambul, Tufan Erfuder, também foi preso. Alguns produtores de séries de televisão também foram detidos e estão sob custódiia da Direção Geral de Segurança na capital. Mais de 500 pessoas fazem manifestação na tarde de hoje em frente ao edifício da Direção Geral de Segurança e exigem a liberação dos detidos. O vice-primeiro-ministro da Turquia, Numan Kurtulmus, confirmou a operação, afirmando, no entanto, que “não é apropriado fazer comentários neste momento”. A operação está em curso em 13 províncias da Turquia e, segundo a imprensa local, a polícia vai executar 32 mandados de prisão. As detenções tiveram início dois dias depois de ter sido difundido, por meio da rede social Twitter, uma mensagem que revelava que o governo estava preparando uma operação policial contra 150 jornalistas próximos ao movimento de Gulen. Desde que a mensagem foi difundida, centenas de pessoas começaram a concentrar-se em frente à sede do jornal Zaman. Na manhã desta domingo, quando a polícia entrou no edifício para prender Dumanli, os manifestantes gritaram palavras de ordem: “a liberdade de imprensa não pode ser silenciada”. “Tudo isto é um golpe contra a liberdade de imprensa. Deus está com a verdade e os oprimidos. Estes dias vão passar. Temos de defender a democracia”, disse Dumanli no momento da detenção. O editor pediu também aos jornalistas para noticiarem a operação policial sem medo. “As democracias têm um preço. Se este é o preço, então estamos dispostos a pagar pelo nosso povo”, afirmou o presidente do grupo de comunicação Samanyolu, Hayrettin Karaca. O movimento islamita de Gutel foi, no passado, o principal aliado do presidente Tayyip Erdogan e do Partido do Desenvolvimento. Depois de divergências políticas, Gutel exilou-se nos Estados Unidos.

Dilma comemora o aniversário com a filha e o neto


A presidente petista Dilma Rousseff passou o aniversário, neste domingo, 14, na zona sul de Porto Alegre na companhia da família, antes de retornar a Brasília. Ela completou 67 anos. Dilma chegou à capital gaúcha na noite de sexta-feira, 12, e não teve agenda oficial durante o fim de semana. O tempo que passou na cidade foi dedicado à filha, Paula, e ao neto, Gabriel. Durante o dia, a movimentação em frente ao prédio onde Dilma tem um apartamento, na Vila Assunção, foi pequena. A maior parte do staff da Presidência esteve concentrada nas proximidades da casa do ex-marido de Dilma, Carlos Araújo, que fica no mesmo bairro. De acordo com uma fonte próxima à presidente, Dilma almoçou com a família na casa de Araújo. Depois, passou na residência da filha e na sequência se dirigiu ao Aeroporto Salgado Filho, onde o avião presidencial a aguardava. Ela voltou a Brasília neste domingo. Ano passado, Carlos Araújo ofereceu um jantar para Dilma no seu aniversário. O evento teve a participação de músicos tradicionalistas gaúchos. A passagem de Dilma pela capital gaúcha neste fim de semana foi reservada e discreta. Ela não fez aparições públicas nem falou com a imprensa. A presença de curiosos e simpatizantes nos arredores de sua casa também foi pequena. Segundo a assessoria de imprensa da Presidência, nesta segunda-feira, dia 15, Dilma tem agenda em Brasília. Às 15 horas ela recebe representantes da organização terrorista e clandestina Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e às 19h30 participa da posse da diretoria e do Conselho Fiscal da Confederação Nacional da Agricultura.

ROUBALHEIRA DO PT DESTRÓI PETROBRAS - Estatal perdeu R$ 610 bilhões desde 2003. O valor pagaria 25 anos de Bolsa Família

 

Abalada pelas investigações de corrupção e, mais recentemente, pela queda da cotação do petróleo, a Petrobras não pára de sofrer os efeitos no preço de suas ações. Sua cotação afundou tanto que na sexta-feira passou a valer na Bolsa de Valores o mesmo que no primeiro ano do governo Lula, como se estivesse paralisada há 11 anos. A estatal brasileira vale hoje menos do que antes do anúncio das descobertas do pré-sal. Para os investidores do mercado financeiro, é como se as reservas gigantes de petróleo, anunciadas em novembro de 2007, tivessem perdido todo o valor. No auge da cotação da empresa, em 21 de maio de 2008, seu valor a preços de hoje, já considerando a inflação, era de R$ 737 bilhões. De lá para cá, queimou-se no mercado R$ 610 bilhões. Para se ter uma idéia da dinheirama, é como se a companhia tivesse perdido toda a produção anual de Portugal. Ou quatro vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do Uruguai. 



Em seu auge, em maio de 2008, a estatal chegou a ser cotada a R$ 737 bilhões, em valores corrigidos pela inflação, mas sofreu com a crise global, com a falta de reajuste da gasolina e com os escândalos de corrupção e hoje é avaliada em R$ 127 bilhões. Toda essa perda não se deve apenas ao inferno astral do momento. As perdas começaram logo em 2008, por causa da crise financeira global. No ano passado, a Petrobras teve outra grande perda porque não pôde reajustar os preços da gasolina para não pressionar a inflação. Em 2014, a cotação estava começando a se recuperar, quando as notícias de corrupção atingiram a empresa. Foi assim que na sexta-feira a estatal passou a valer R$ 127 bilhões. Os números já ajustados pela inflação foram compilados pela consultoria Economática. Aplicar a inflação é importante porque traz o passado para os preços de hoje, como diz o gerente da consultoria, Einar Rivero. Dá o real poder de compra do dinheiro. “O dólar hoje está caro ou está barato? Eu digo que está barato porque vale R$ 2,60. Olhando o dólar de 2002 e aplicando a inflação do período eu teria de ter R$ 8,25 de hoje para comprar dólares. Está barato". No caso das ações da Petrobras, não há quem arrisque dizer se o papel está caro ou barato. São muitas as incertezas em relação à empresa, que ainda podem jogar os preços mais para baixo. Não se sabe, por exemplo, o impacto no balanço da companhia quando reconhecer – se reconhecer – as propinas pagas e denunciadas por ex-diretores. Nem sequer o balanço auditado do terceiro trimestre foi publicado e, se isso não for feito até 31 de janeiro, alguns bilhões em dívidas terão de ser pagos antecipadamente. A empresa ainda enfrenta uma ação movida por acionistas minoritários que pedem indenizações milionárias na Justiça americana. Para complicar, os preços do petróleo estão em níveis que, no curto prazo, ajudam o caixa da companhia, mas se permanecerem por muito tempo na faixa dos US$ 60 podem inviabilizar investimentos – até mesmo no pré-sal. (Estadão)

Só na P-57 que Lula disse que era uma "caixa branca e transparente", Petrobras pagou propina de U$ 36,3 milhões


“Bem-vindos ao futuro’’ — anunciava a faixa amarrada ao casco rubro-negro do navio-plataforma da Petrobras. Flutuando a cem metros do cais, impressionava pelo tamanho, equivalente a um comboio de 26 ônibus, pela largura, similar à de um campo de futebol, e ainda pela altura, igual à de um prédio de trinta e cinco andares. Suando dentro de um agasalho laranja, com capacete branco, Lula nem parecia se importar com o sol em Angra dos Reis (RJ), naquela quinta-feira 7 de outubro de 2010. Era um presidente à caça de votos para eleger sua candidata à sucessão, Dilma Rousseff (PT). Apenas noventa e seis horas antes, no primeiro turno eleitoral, ela conquistara 47,6 milhões de votos, com 14,5 pontos à frente do adversário José Serra (PSDB). Lula queria a Petrobras e o pré-sal na propaganda da candidata do PT. José Sérgio Gabrielli, presidente da estatal, atendeu: antecipou em dois meses o "batismo" da plataforma P-57 e marcou a festa para a semana entre os dois turnos eleitorais, quando a companhia completava 57 anos. O navio ganhou um nome, "Apolônio de Carvalho" — homenagem a um comunista sergipano, fundador do PT, cuja biografia foi marcada pela voluntária participação na Guerra Civil Espanhola e na Resistência Francesa contra o fascismo. Diante do colosso mecânico, projetado para extrair óleo e gás de 22 poços interligados a 1.300 metros no fundo do mar, Lula fez o elogio da transparência nos negócios da estatal: — Já teve presidente que falava que a Petrobras era uma caixa preta, que ninguém sabia o que acontecia lá dentro — criticou.— No nosso governo ela é uma caixa branca, e transparente. Nem tão assim, mas é transparente. A gente sabe o que acontece lá dentro. E a gente decide muitas das coisas que ela vai fazer.  Cinquenta meses depois, sobram evidências de que era mesmo uma caixa preta de negócios com dinheiro público. Nela, a plataforma P-57 era simbólica: sua construtora, a holandesa SBM, pagou US$ 36,3 milhões em propinas para obter o contrato da Petrobras, de US$ 1,2 bilhão. 


Os documentos da SBM enviados à procuradoria e ao fisco da Holanda detalham pagamentos de propinas a dirigentes da Petrobras, entre 2005 e 2011, por seu agente no Rio de Janeiro, Julio Faerman, o registro de US$ 36,3 milhões pela venda da plataforma P-57, Foi o maior valor que pagou no Brasil em casos de corrupção, admitiu a empresa em um acordo com a promotoria da Holanda e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Os inquéritos abrangiam despesas ilícitas da SBM no Brasil, Angola e Guiné Equatorial, disfarçadas de comissões de vendas. De cada dez dólares, sete foram direcionados ao Brasil. "Esses pagamentos constituem crimes graves de corrupção nos setores público e privado", definiu o Ministério Público da Holanda ao anunciar um acordo de leniência com a SBM nos mês passado. A empresa vai pagar US$ 240 milhões em multas, até dezembro de 2016. A Receita e o Ministério Público holandeses confirmaram pagamentos de propinas “a partir de empresas" do agente de vendas da SBM no Rio de Janeiro "para funcionários do governo brasileiro". As descobertas — ressalvaram —"resultaram de meios de investigação inacessíveis à SBM". Do lado brasileiro as investigações mal começaram.

Em 2012, auditores da empresa holandesa recomendaram interrogatórios do agente no Rio de Janeiro para elucidar a divisão das “comissões”, entre outros aspectos do caso, e sugeriram o fim das relações com Julio Faerman. A SBM confessou ter distribuído US$ 102,2 milhões em subornos a dirigentes da Petrobras, no período de 2005 e 2011. Em troca, obteve 13 contratos de fornecimento de sistemas e serviços — os mais relevantes no conjunto de US$ 26,7 bilhões em negócios realizados com a estatal durante os últimos cinco anos da administração Lula e no primeiro ano do governo Dilma. Dias atrás, um diretor da empresa holandesa apresentou um resumo do caso em Brasília, na Controladoria Geral da União (CGU). Os pagamentos ilegais oscilavam, em geral, entre 3% e 5%, mas houve casos em que alcançaram 10% do valor total do contrato, como ocorreu, por exemplo, no contrato do projeto e suprimento do sistema de ancoragem (turret) da plataforma P-53 para a Bacia de Campos. O agente da SBM no Brasil era Julio Faerman. Carioca de 75 anos, ele entrou na Petrobras por concurso, com diploma de engenheiro eletricista. Mais tarde, com a efervescência na exploração da Bacia de Campos, trocou o emprego na estatal pela representação de marcas estrangeiras de equipamentos e serviços para o setor de óleo e gás — entre elas a SBM. Com escritório perto da sede da estatal, no Centro do Rio de Janeiro, ele desfrutava do trânsito livre e da intimidade de alguns dirigentes, que o tratavam por Julinho. Afável e discreto, chamava a atenção de executivos estrangeiros pela longeva capacidade de influenciar o comando da Petrobras na escolha de empresas privadas para contratação direta, via carta-convite. Numa disputa entre as empresas americanas, Sofec e Imodoco, e a SBM, o representante da Sofec jogou a toalha e desabafou, depois de várias reuniões da comissão de licitação: — Disse estar impressionado com a parcialidade — contou uma testemunha, ressaltando: — Isso aconteceu 25 anos atrás. Julio Faerman vislumbrou em 2004 uma chance para a SBM no Atlântico Sul, com a decisão do governo Lula de avançar no pré-sal. Dona de uma história de mais de três séculos na engenharia naval holandesa, ela se tornara uma das poucas companhias com capacidade para projetos de plataformas marítimas (do tipo FPSO) que produzem, armazenam e transferem petróleo e gás a navios cargueiros. Era o veículo adequado para um trabalho inédito, a grande profundidade e a mais de 100 quilômetros de distância da costa, sem muitos recursos logísticos para escoamento da produção. Logo a Petrobras se tornou o principal cliente da SBM. Seguiram-se seis anos lucrativos para a companhia e seu agente no Rio de Janeiro, com uma dezena de empreendimentos somando US$ 27,6 bilhões. Entre 2005 e 2011, ela passou a dominar 34% do total de contratos da Petrobras em plataformas. Há dois anos, quando a SBM se sentiu pressionada por um ex-executivo que ameaçava revelar a corrupção, Julio Faerman foi morar em Londres. São múltiplas as evidências de que a diretoria da SBM na época conhecia os motivos e o destino das propinas. As investigações mais recentes conduzidas na Holanda mostram um fluxo constante de pagamentos ilegais, a partir de 2005, por três empresas criadas por Julio Faerman no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas (a Jandell Investiments Ltd., a Journey Advisors Co. Ltd. e a Bien Faire Inc.). Numa quarta, a Hades Production Inc., partilhava o controle com o sócio carioca Luis Eduardo Barbosa da Silva. Na contabilidade oficial, a companhia holandesa remunerava duas empresas do Rio de Janeiro onde Faerman era sócio, a Faercom e a Oildrive , esta dividida com Barbosa da Silva. Na vida real, o dinheiro fluía do caixa de subsidiárias da SBM em Marly (Suíça), Mônaco, Houston (EUA) e Schiedam (Holanda) diretamente para contas da Jandell, Journey Advisors e Bien Faire em bancos no Brasil (HSBC) e na Suíça (Jacob Safra e Pictet and Cie.). A partir daí, Julio Faerman se encarregava da distribuição.  Na diretoria da SBM só não viu quem não quis. Auditorias internas demonstram que bandeiras vermelhas poderiam ter sido erguidas na companhia desde o primeiro pagamento, de US$ 8,1 milhões, feito em 2005 pela subsidiária de Mônaco. Entre outras razões, porque os contratos para representação no Brasil eram com a Faercom e a Oildrive, do Rio de Janeiro, mas quem recebia eram as empresas de Julio Faerman em paraísos fiscais, que nunca tiveram participação nos acordos com a SBM. A remuneração ao agente no Rio de Janeiro variou entre 1% e 10% do valor dos contratos da SBM com a Petrobras, bem acima da média do mercado mundial de plataformas. Nesse setor, intermediários costumam receber 0,5%, excepcionalmente até 1% da venda ou aluguel. Alguns pagamentos foram crescentes, como no caso do aluguel do navio Capixaba, com capacidade para 100 mil barris diários, ancorado no Parque das Baleias, na Bacia de Campos. No outono de 2005, a Petrobras alugou o equipamento da SBM ao custo de US$ 1,8 bilhão, por 16 anos. Nos primeiros 63 meses desse contrato a companhia holandesa fez cinco “ajustes” na remuneração do agente no Rio de Janeiro, que passou de 3,5% para 4% em setembro de 2010. Houve pagamentos extraordinários, um deles de US$ 1 milhão, justificado na contabilidade de Amsterdã por uma palavra: "Reestruturação". O recorde em transferências de dinheiro da SBM para empresas de Julio Faerman aconteceu na negociação para a venda da plataforma P-57. Na manhã de quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007, a empresa holandesa e seu agente carioca fizeram um acordo com previsão explícita de “uma taxa de 3%" a ser aplicada “a todos os pagamentos feitos pela Petrobras e recebidos pela SBM”, após o desconto de tributos e taxas. Isso ocorreu um ano antes da holandesa assinar o contrato de venda à Petrobras do projeto de engenharia, aquisição e construção da plataforma. Na tarde de quinta-feira, 31 de janeiro de 2008, a diretoria-executiva da estatal brasileira referendou a compra da P-57. Na manhã seguinte, Faerman acompanhou a assinatura do contrato de US$ 1,2 bilhão. Depois, partiu para um fim de semana tranquilo. Garantira US$ 36,3 milhões na sua parceria com “funcionários do governo brasileiro", como constataram o Ministério Público e a Receita da Holanda. Negócio obscuro, na avaliação do Tribunal de Contas da União, que trinta e dois meses mais tarde o presidente Lula exaltaria em praça pública como exemplo da transparência na Petrobras. ( O Globo )

Petrobras rescinde contrato de obra com a Galvão Engenharia

A Petrobras rescindiu o contrato de construção da fábrica de fertilizantes de R$ 3,9 bilhões que está construindo em Três Lagoas (MS), na divisa com São Paulo. A unidade, que deveria ter sido entregue em setembro deste ano, foi projetada para ser uma das maiores plantas de fertilizantes do mundo. No entanto, as obras estão paralisadas devido à insolvência do consórcio UFN3. O prazo previsto para junho de 2015 poderia ser adiado para 2016. O consórcio, responsável pela construção da unidade é formado pela Galvão Engenharia e Sinopec Petroleum do Brasil. A GDK deixou o consórcio em 2012, repassando seus 33% no empreendimento à Galvão, mas uma liminar da Justiça obriga a Petrobras a pagar a dívida da Galvão em 15 dias. A Galvão é uma das empresas envolvidas no escândalo da Petrobras e executivos da construtora estão entre os indiciados por corrupção pelo Ministério Público Federal após as investigações da Operação Lava-Jato. O consórcio, que deve R$ 400 milhões a fornecedores e prestadores de serviços, tem até 18 de dezembro para responder ao comunicado de rescisão feito na última segunda-feira pela Petrobras. A paralisação da obra foi admitida oficialmente pela estatal na última terça-feira em reunião de representantes do UFN3 e da estatal com a prefeita de Três Lagoas, Márcia Moura (PMDB). Segundo a prefeita, o não-cumprimento de cláusulas contratuais e a paralisação das obras, sem o pagamento de 5,3 mil operários, foram os principais motivos alegados pela estatal para rescindir o contrato. Na quinta-feira passada, 2.776 operários aceitaram receber parte do acerto trabalhista, mas outros 2,5 mil trabalhadores rejeitaram a proposta do consórcio, por isso, a Justiça bloqueou R$ 80 milhões em bens do UFN3 para garantir o pagamento dos trabalhadores.

E tem mais

dirceu
Dirceu: em breve, outras consultorias
O contrato de consultoria de quase 900 000 reais de José Dirceu com a Camargo Corrêa, descoberto agora no bojo da Lava-Jato, não era o único que o ex-ministro tinha com empreiteiras. Pelo menos outros dois vão aparecer. Por Lauro Jardim

Das redes às ruas

facebook
Facebook: o preferido dos brasileiros
A F/Nazca acaba de concluir uma pesquisa, ainda inédita, que retrata a influência da internet no engajamento e na informação do brasileiro sobre movimentos sociais e políticos. Obtidos em 2 600 entrevistas em 144 municípios, os números mostram que sete em cada dez internautas foram primeiramente informados sobre o assunto nas redes sociais. Além disso, a pesquisa indica que a maioria dos que adere a estes movimentos na internet também o faz na “vida real”. Em 2014, 26% dos internautas apoiaram alguma causa na internet e 21% deles fizeram o mesmo nas ruas. A mesma pesquisa constatou que 94% dos internautas brasileiros usam ao menos uma rede social. A líder, claro, é o Facebook, acessado por 88% dos internautas. Já o Instagram, utilizado por 9% dos internautas em 2013, chegou a 17% em 2014 e se tornou tão relevante quanto o Twitter, que caiu de 22% para 17%. O Google+ foi a rede que mais emagreceu: de 43% em 2013 para 33% em 2014. A maior ascensão detectada pela pesquisa é a do WhatsApp. Era usado por apenas 7% dos internautas brasileiros no ano passado e chegou a 37% em 2014. Por Lauro Jardim

A delação premiada do homem que entregava dinheiro desviado da Petrobras para corruptos do PT, PMDB e PP.

Abaixo, a matéria completa de Veja que mostra o "delivery" de propina paga com dinheiro roubado da Petrobras. Clique nas imagens para ampliar e ler.


 

 
 
 

 

ELLE TENTOU ESCAPAR DE TODO JEITO, MAS FOI INTIMADO NA PISTA DO AEROPORTO DE CONGONHAS, E LULA TERMINOU INDO DEPOR ESTA SEMANA NA POLÍCIA FEDERAL EM BRASÍLIA, NO INQUÉRITO DO MENSALÃO DO PT

A Polícia Federal ouviu o ex-presidente Lula sobre o Mensalão. Lula foi intimado na condição de testemunha para falar no inquérito 00012/2014. O procedimento foi aberto em função das declarações de Marcos Valério Fernandes de Souza, que relacionou Lula ao caso. Na noite do último dia 3, Lula recebeu na pista do Aeroporto de Congonhas a carta precatória assinada pelo delegado federal Rodrigo Luis Sanfurgo de Carvalho, chefe da área de repressão a crimes financeiros e desvio de recursos públicos em São Paulo. O depoimento deveria ocorrer nesta segunda, 15, às 9h00. Já no momento da intimação, Lula avisou que iria à sede da PF em Brasília. Cumpriu a promessa no dia 9 (terça-feira).

AIRBUS DE DILMA É CHAMADO NA FAB DE "VASSOURÃO"

Militares ganham pouco, ralam muito, são maltratados, sobretudo quem serve no Grupo de Transportes Especiais (GTE), responsável pelos aviões utilizados pela Presidência da República, mas conseguem se divertir. Mostrando que esculacho não garante respeito, militares da FAB ridicularizam grosserias rotineiras de que são alvo chamando o jatão Airbus, que transporta Dilma Rousseff, de “Vassourão”. Dilma está longe de ser uma Miss Simpatia a bordo dos aviões da FAB. A vingança veio a jato: passaram a se referir a ela como “Bruxa”. Os apelidos “Bruxa” e “Vassourão” são oficialmente negados, mas em setores da cúpula da FAB é assim que se referem a Dilma e ao Airbus. O batismo do avião de Dilma segue a designação do velho Boeing 707 da FAB, já em desuso, chamado de “Sucatão” pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O jato presidencial também é chamado de Air Force 51, Airbus 51 e FAB 51.

Ato oficial do PT a favor de Dilma reúne "multidão" de 70 pessoas no vão do MASP


Em meio a maior crise do primeiro governo, a presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) recebeu na tarde deste sábado oapoio de militantes petistas na Avenida Paulista, no Centro de São Paulo. Cerca de 70 pessoas se reuniram no vão livre do Masp e por 20 minutos discursaram a favor da presidente. O grupo também levou faixa em apoio à deputada federal Maria do Rosário (PT-RS). Os primeiros manifestantes chegaram por volta das 14 horas , mas só às 15h30 ocorreram os discursos. Eles reafirmaram as bandeiras petistas a favor de uma constituinte exclusiva para a reforma política e repudiaram declarações recentes do deputado federal Jair Bolsonaro. O ato contou com a participação de membros do diretório paulista que tentam organizar uma grande caravana para ir a posse da presidente Dilma, em janeiro. Essa é a multidão que o PT consegue reunir. 

Endividado, Brasil retira candidatura em eleição para juiz da corte da ONU

Endividado e com uma influência abalada, o Brasil foi obrigado a retirar seu candidato na escolha dos novos juízes do Tribunal Penal Internacional. Na sexta-feira, o brasileiro Leonardo Brandt não conseguiu votos suficientes na ONU e o Itamaraty foi forçado a abandonar a corrida. Membro fundador do TPI, o governo tinha conseguido colocar entre os juízes da entidade logo em seus primeiros dias a brasileira Silvia Steiner.  Hoje, a situação do País é diferente. O Brasil deve US$ 76,8 milhões ao orçamento regular da secretaria da ONU, além de outros US$ 87,3 milhões para as operações de paz dos capacetes azuis. Se não bastasse, o Brasil também deve US$ 6 milhões que são destinados para os tribunais internacionais criados pelas Nações Unidas, a maioria deles com sede em Haia; 75% do passivo da corte ocorre por conta dos atrasos no pagamento do Brasil e, se o dinheiro não for pago, o Brasil será suspenso do Tribunal, não tendo direito a entrar com processos ou mesmo se defender. Ainda assim, o governo mantinha a candidatura de Leonardo Brandt para um cargo de juiz na entidade. Diplomatas encarregados das relações com a ONU chegaram a recomendar que a candidatura não fosse apresentada, diante do constrangimento da dívida. Ainda assim, a cúpula da chancelaria optou por levar adiante a candidatura.  Um total de seis postos estavam sendo disputados e 18 nomes foram apresentados por diversos países. Na rodada que eliminou o brasileiro, o Itamaraty conseguiu menos votos que Timor Leste e Suécia. Foram eleitos até agora um coreano, polonês, alemão, francês e congolês. Uma última vaga será definida na segunda-feira.

No meio de uma tremenda crise, a petista Dilma se refugia em casa, em Porto Alegre, para o seu aniversário de 67 anos

A presidente da República, a petista Dilma Rousseff (PT), está na capital gaúcha desde a noite desta sexta-feira, 12, sem compromissos oficiais. Ela veio à cidade passar seu aniversário junto à família. Durante a manhã deste sábado houve movimentação do staff da Presidência e da polícia local na frente do prédio onde Dilma tem um apartamento na zona sul de Porto Alegre. A presença dela, no entanto, não atraiu curiosos. Foi uma manhã tranquila nas proximidades da residência localizada no bairro Vila Assunção. Dilma não fez nenhuma aparição pública nem falou com a imprensa. A presidente petista completa 67 anos neste domingo, em meio a uma tremenda crise que envolve a Petrobras e todas as obras do governo federal. Ela não tem agenda de trabalho na capital gaúcha e passará o fim de semana na companhia da filha, Paula, do neto, Gabriel, e do ex-marido, Carlos Araújo.