sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Petrobrás reabre licitação de módulos dos replicantes encomendados à Iesa e convida só empresas estrangeiras

A consequência mais negativa para a indústria brasileira de todos os escândalos envolvendo os contratos da Petrobrás começou a se tornar realidade. Poucas semanas depois de excluir 23 grandes empreiteiras de seu cadastro, a estatal reabriu uma licitação importante, a dos módulos para os FPSOs replicantes, convidando apenas empresas estrangeiras. São encomendas de US$ 700 milhões que estavam com a Iesa, Charqueadas, Rio Grande do Sul. A prefeitura, empresas e trabalhadores da região tentaram transferir a encomenda para outra empresa, mas os governos federal e estadual omitiram-se. A lista inclui predominantemente companhias de China e Cingapura, como a Keppel Fels, dona do estaleiro BrasFels, em Angra dos Reis (RJ), mas também traz empresas de outros países, como a Cobra, da Espanha, e a Modec, do Japão. O contrato em questão é na verdade o mesmo que pertencia à Iesa, contando com 24 módulos a serem instalados em seis dos oito FPSOs replicantes (P-66, P-67, P-68, P-69, P-70 e P-71), voltados ao pré-sal. A Iesa vinha fazendo as obras no estaleiro de Charqueadas, no Rio Grande do Sul, mas passou por diversas dificuldades financeiras, até precisar pedir recuperação judicial, o que atrasou os projetos e levou à rescisão do contrato por parte da Petrobrás. E assim vai para o vinagre a pretensão populista do alcaguete Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") de promover a indústria naval no Brasil, com total índice de nacionalização de seus componentes. Essa política populista só gerou bucaneiros no setor petrolífero e não deixa um ganho sequer para a economia nacional e para a tecnologia desenvolvida no País. 

Procuradoria pede cassação de mandato de vice-presidente do PTB

Vice-presidente nacional do PTB, o deputado federal eleito Benito Gama foi alvo de um pedido de cassação do diploma e do mandato pela Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) da Bahia por abuso de poder e irregularidades na prestação de contas. A ação, assinada pelos procuradores Ruy Mello e Mário Medeiros, teve como base reportagem da Folha publicada em setembro do ano passado, durante a campanha eleitoral. Benito Gama contratou aliados políticos como prestadores de serviços e distribuiu entre eles R$ 2,2 milhões, dinheiro da campanha. Estão na lista ex-vereadores, ex-prefeitos e pastores evangélicos. Cada um recebeu até R$ 300 mil para subcontratar serviços para a campanha. Essa contratação indireta de serviços, porém, é vedada pela legislação, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Os dados foram obtidos na prestação de contas parcial do candidato. Na prestação final, divulgada em outubro de 2014, o deputado divulgou gastos de R$ 6 milhões, sendo 75% desse valor com "contratação de serviços de terceiros". Mesmo com a campanha mais cara entre os deputados federais eleitos pela Bahia em 2014, Gama obteve 71.372 votos e foi o último dos 23 eleitos em sua coligação. 


Os procuradores argumentam que Gama adquiriu bens e serviços da campanha por meio de terceiros e não os declarou na prestação de contas. Segundo eles, o candidato "burlou, sem reservas, os ditames legais" para "fugir do controle" dos gastos eleitorais. "A campanha do candidato repassou a lideranças políticas vultosas quantias, a fim de obter apoio e retorno eleitoral, tudo sob o pretexto de prestação de serviços", argumentaram os procuradores na ação. A apuração da Procuradoria identificou 30 pessoas que confirmaram ter recebido dinheiro para a campanha do candidato em vários municípios baianos. Todas declararam que receberam o dinheiro para exercer a função de coordenadores da campanha e contratar pessoas para ações como pintura de muros, afixação de publicidade e distribuição de santinhos. As testemunhas ouvidas também confirmaram gastos com aquisição de materiais de campanha – sendo que essas informações foram omitidas na prestação de contas do candidato. Segundo os procuradores, os gastos de campanha de Benito Gama "desequilibraram o pleito, pois o aporte financeiro irregular colocou o candidato eleito em posição vantajosa aos demais concorrentes". 

Agência de risco Fitch anuncia que irá rebaixar a nota de mais empreiteiras brasileiras

Mais construtoras brasileiras devem dar calote em compromissos financeiros e ter suas notas rebaixadas nos próximos meses, afirmou nesta sexta-feira (9) a agência internacional de classificação de risco Fitch. A agência destacou que tem ficado cada vez mais difícil às empresas do setor ter acesso a linhas de crédito e receber pagamentos por projetos executados. A Fitch disse ainda que a decisão da construtora OAS de não pagas obrigações financeiras na semana passada apesar de ter um caixa estimado em R$ 1 bilhão abriu um precedente ruim para as companhias de engenharia e construção do Brasil". A Fitch ressaltou que todas as construtoras brasileiras tiveram suas notas colocadas em perspectiva negativa em novembro do ano passado. Recentemente, a construtora OAS, investigada na operação Lava Jato da Polícia Federal, sofreu uma série de rebaixamentos por agências de classificação de risco. Na última quinta-feira (8), a S&P - que já tinha feito um corte da nota da empresa no último dia 5 – rebaixou a avaliação da empresa para D, que reflete alta probabilidade de "default" (calote). Na quarta-feira (7) foi a vez de a Fitch – que também já rebaixara a nota da OAS no dia 2– cortar a nota da empresa também para nível "D". A Moody's, outra agência de classificação de risco, também rebaixou notas da OAS no último dia 5.

Com dois calotes seguidos em apenas três dias, a empreiteira OAS já deixou de pagar R$ 117,8 milhões a investidores no Brasil e no exterior. A empresa entrou numa grave crise financeira depois que seu crédito secou por causa da Operação Lava Jato. Na última segunda-feira (5), a OAS não pagou R$ 101,8 milhões em debêntures (títulos de dívida) que venceriam apenas em 2016, mas foram antecipadas por causa da crise da empresa. Outros R$ 16 milhões em juros de papéis no Exterior já não tinham sido honrados na sexta-feira (2). A empreiteira tem mais obrigações vencendo no final deste mês e em abril. A estratégia da empresa é não pagar bancos e investidores e preservar seu caixa para garantir o andamento de suas obras. A idéia é fazer isso enquanto tenta vender seus ativos para pagar dívidas. Após os calotes, três agências de classificação de risco já rebaixaram a empresa (Fitch, S&P e Moody's). Os bônus da OAS no Exterior, que já vinham sendo negociados com descontos característicos de empresas em "default", viraram pó e estavam cotados por apenas 10% do seu valor na segunda-feira. São autênticos micos. Por meio de nota, a empresa informou que "ambas as suspensões de pagamentos estão em linha com o anunciado plano de reestruturação de dívidas que será levado aos credores". A OAS contratou assessores para preparar um plano de renegociação de sua dívida de R$ 7,9 bilhões com credores. Metade dessa dívida está nas mãos de investidores estrangeiros. No Brasil, o maior credor é o Bradesco, com R$ 900 milhões. O plano, que deve ser apresentado nos próximos dias, está sendo preparado pela G5 Evercore, na área financeira, e pelos escritórios Mattos Filho e White & Case, no campo jurídico. Desde que a Operação Lava Jato ganhou corpo, a situação da OAS vem piorando a cada dia. Uma das empresas acusadas de subornar diretores da Petrobras para conseguir contratos, a empreiteira passou a receber com atraso não apenas da estatal, mas de outros órgãos do governo. Na semana passada, a Petrobras anunciou que não vai permitir a participação das 23 empresas investigadas na Lava Jato em novos projetos. Com o presidente José Adelmário Pinheiro Filho e os principais diretores na cadeia desde novembro, o dono da OAS, César Mata Pires, nomeou novos executivos. Elmar Varjão assumiu a presidência da OAS Engenharia e Fábio Yonamine a presidência da OAS Investimentos. O grupo, que surgiu na Bahia, tem a terceira maior construtora do País.

Comissão da Petrobras culpa ex-diretores do regime petralha por "falhas" no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro

A Petrobras enviou à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), nesta sexta-feira (9), nota informando que a comissão responsável por apurar as irregularidades na construção da refinaria Comperj apontou responsabilidades dos ex-diretores da empresa, Paulo Roberto Costa e o petista Renato Duque, no caso. O comunicado foi emitido atendendo a pedido da CVM de esclarecimentos em relação à reportagem "Auditoria aponta prejuízo de R$ 1 bilhão à Petrobras", publicada pela Folha nesta segunda-feira (5). A reportagem informa que o prejuízo de R$ 1 bilhão foi causado pela compra de equipamentos precipitadamente, antes de a empresa ter aprofundado os estudos econômicos sobre a refinaria. Alguns desses equipamentos não deverão mais ser usados. Segundo a reportagem, os dois ex-gestores estão na lista dos responsabilizados pelas falhas nas contratações de empreiteiras feitas para a construção do empreendimento. De acordo com o texto, funcionários informaram aos apuradores terem sofrido pressão dos então diretores para acelerar as compras do equipamento. A Petrobras reafirma na nota, ainda, ter enviado o relatório da auditoria para a Polícia Federal do Paraná, o Ministério Público Federal, a Controladoria Geral da União e a Comissão de Valores Mobiliários, depois de concluída a apuração, o que aconteceu em novembro de 2014. 


Paulo Roberto Costa foi diretor de abastecimento da Petrobras entre 2004 e 2012. Sob tal diretoria está a gestão das refinarias. Ele foi preso em março na Operação Lava Jato e é réu em ações penais que investigam lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. Como aceitou fazer delação premiada, passou a cumprir, em outubro, prisão domiciliar enquanto aguarda julgamento. O petista Renato Duque dirigiu a área de serviços, responsável por contratar fornecedores, entre 2003 e 2012. Ele foi preso em novembro na sétima etapa da Operação Lava Jato, e está em liberdade graças a um Habeas Corpus concedido pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal. Procurados pela reportagem, ambos haviam afirmado que as contratações apontadas como irregulares em auditoria sobre o Comperj foram aprovadas em escalões superiores da estatal. Por meio de nota, Duque informara que os contratos do Comperj foram aprovados de forma colegiada pela diretoria executiva da Petrobras, após pareceres favoráveis do departamento jurídico da companhia. O advogado de Costa, João Mestieri, havia afirmado que o relatório mostra que "a auditoria foi feita de um modo que ignora o processo de aprovação de contratos na Petrobras". 

A petista Dilma indica tenente-brigadeiro que pilota Airbus presidencial para vaga no STM

O tenente-brigadeiro-do-ar Joseli Camelo, responsável pelas viagens da presidente petista Dilma Rousseff, será indicado para assumir a vaga da Aeronáutica no Superior Tribunal Militar. Ele deixou nesta sexta-feira (9) a Secretaria de Coordenação e Assessoramento Militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência. De acordo com Camelo, o comandante do Aeronáutica, Juniti Saito, assinou nesta sexta-feira a sua indicação, que será apresentada à Dilma. A presidente deverá chancelá-la e publicá-la no Diário Oficial da União. Camelo irá ocupar a vaga do ministro José Américo, que se aposenta em 13 de janeiro. 


Saito deixará o cargo em breve. Na quarta-feira (7), a petista Dilma Rousseff nomeou o brigadeiro Nivaldo Luiz Rossato para o comando da Força. Camelo era o segundo nome de uma lista tríplice apresentada à presidente para o posto. Camelo deverá ainda ser sabatinado pelo Senado quando os parlamentares voltarem ao trabalho, em fevereiro. Os senadores podem vetar a sua indicação, mas, historicamente, é raro que isso aconteça. O militar atuou na secretaria do GSI por 12 anos, desde o primeiro mandato do ex-presidente e alcaguete Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações"), quando também pilotava o avião presidencial. No primeiro governo Dilma, ele passou a comandar as operações de deslocamento por ar da presidente petista e a acompanhar em todas as viagens. Camelo será substituído pelo tenente-brigadeiro-do-ar Luiz Alberto Pereira Bianchi, que há quatro anos pilota o avião presidencial. Ele continuará como comandante da aeronave e assumirá a responsabilidade por planejar e coordenar as viagens. Segundo Camelo, nos 12 anos em que trabalhou com os presidentes petistas, ele voou a 92 países e realizou quase dez mil horas de vôo. "Agora vou virar um juiz. Sempre serei justo", disse. Questionado sobre a extinção da justiça militar, Camelo afirmou que não acredita em seu fim. "A Justiça Militar é o fórum mais antigo do País. Acho que dificilmente ela acabará. Ainda é muito importante para o País", disse. Camelo afirmou que são muitas as histórias que ele presenciou nestes 12 anos mas não quis detalhar nenhuma. "O que me marca é o lado humano. Por estarmos perto do presidente, a gente acaba tendo o privilégio de conhecer um pouco mais. E assim a gente admira mais. Porque, olha, esse pessoal trabalha muito", afirmou. Segundo o militar, Dilma é uma pessoa muito afável e que gosta de ler durante as viagens. Ele se despediu da presidente na tarde desta sexta-feira, antes da cerimônia de transmissão de cargo que aconteceu no Palácio do Planalto. "Conversamos amenidades e ela agradeceu pelo meu trabalho prestado", disse. Já Bianchi contou que a presidente Dilma tem medo de turbulências, "como qualquer outra pessoa". "Ela vai sempre na cabine para conversar com a gente, para ver o que estamos fazendo. Acho que isso a acalma. E é bom também conversar", disse. O Airbus A320 da Presidência da República é conhecido no meio militar como "Vassourão". 

Justiça suspende o aumento da passagem de ônibus em Belo Horizonte

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais suspendeu na tarde desta sexta-feira (9) o reajuste das tarifas de ônibus de Belo Horizonte, ocorrido há duas semanas. A tarifa havia subido 8,5%, em média. O comunicado da Justiça mineira saiu no momento em que cerca de 250 integrantes do Movimento Passe Livre e outros movimentos sociais, segundo a Polícia Militar, iniciavam um novo protesto contra o reajuste no centro de Belo Horizonte. A decisão, no entanto, não teve relação direta com a manifestação, embora várias entidades que dela participam tenham ingressado com ações na Justiça para tentar reverter o aumento de R$ 2,85 para R$ 3,10 – válido para 80% das linhas de Belo Horizonte. O desembargador Elias Camilo Sobrinho, da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, determinou a suspensão dos efeitos da portaria da BHTrans (empresa municipal que gerencia o transporte e o trânsito) que reajustou as tarifas alegando que a decisão liminar, nesse caso, é "recomendável" para que o passageiro não corra risco de prejuízo. As ações que pedem a anulação do reajuste apelam a vários argumentos diferentes, mas a 1ª Vara da Fazenda Municipal de Belo Horizonte havia mantido o reajuste tarifário. Os usuários entraram com recurso contra essa decisão. Entre os motivos alegados contra o aumento estão dois reajustes ocorridos no mesmo ano (abril e dezembro), realizados pela BHTrans e não pelo prefeito Marcio Lacerda (PSB), e também o aumento acima da inflação acumulada do período. "O desembargador Elias Camilo entendeu que estão presentes os pressupostos que autorizam a concessão da liminar e entendeu ser recomendável a suspensão do aumento até decisão definitiva do presente recurso, tendo em vista o risco de lesão aos consumidores do transporte público municipal", informou o Tribunal de Justiça. 

Filas gigantescas na Venezuela, desde a madrugada, para a compra de qualquer coisa

As filas estão aumentando nos supermercados venezuelanos, com alguns consumidores aparecendo antes do amanhecer na busca por produtos que vão de frango a sabão para lavar roupas, no momento em que a redução do ritmo de entregas, por causa de feriados, piora a falta de mercadorias no país. As filas em mercados e farmácias nesta sexta-feira (9) davam a volta no quarteirão, com as pessoas em alguns casos chegando antes do amanhecer sob o olhar das tropas da Guarda Nacional, enviadas para manter a ordem. Líderes empresariais asseguraram que a situação vai melhorar nos próximos dias, pois os distribuidores retornarão dos feriados de fim do ano, muitas vezes prolongados. Porém, alguns consumidores culpam as políticas econômicas socialistas do ditador do país, Nicolás Maduro, pelo problema. "A verdade é que eu não sei o que o governo está fazendo. Piora a cada dia", disse o entregador Elizio Velez, de 65 anos, que chegou às 5 horas da manhã num grande supermercado no leste de Caracas para comprar frango e papel higiênico. "Isso é insano, parece o fim do mundo", afirmou ele, notando que as soldados haviam disparado tiros por causa de confusão na fila. O sistema de controle cambial de mais de uma década da Venezuela tem apresentado há anos dificuldades de prover dinheiro suficiente para garantir níveis adequados de importação, levando a problemas no abastecimento de insumos, maquinário e bens de consumo. Maduro, que culpa a "guerra econômica" dos opositores pela situação, disse em dezembro que planejava fazer mudanças no sistema, sem entrar em detalhes. Filas nos mercados da cidade fronteiriça de San Cristóbal nesta semana começaram a partir das 3 horas da manhã e continuavam até as 22 horas, enquanto consumidores na litorânea Punto Fijo começaram a dormir em redes do lado de fora do principal shopping. "Estou procurando por tudo, pelo preço que eu encontrar. Desde dezembro estou caçando papel higiênico porque na minha casa não temos nenhum", disse Giovanny Chacon, morador de San Cristóbal: "Passamos o Natal e o Ano-Novo sem papel higiênico". Economistas acreditam que as reformas econômicas de Maduro vão incluir uma desvalorização do bolívar, o que faz os importados ficarem mais caros e aumenta a inflação. Os preços subiram 64% no período de 12 meses até novembro.

Brasília desiste de sedia Olimpíada Universitária devido à falta de verba

A Universíade de 2019, os Jogos Olímpicos Universitários, não acontecerá mais em Brasília. De acordo com a Federação Internacional de Esportes Universitários (FISU), o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, informou que não terá possibilidade de manter a competição internacional por falta de verba. Rolemberg disse que, se a cidade estivesse em melhores condições financeiras, sediaria o evento, pois o enxerga como positivo para o local. Com isso, a 30ª edição da Universíade, até o momento, não tem uma sede. O ministro do Esporte, George Hilton, e o presidente da Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU), Luciano Cabral, afirmaram estarem desapontados com a situação e buscarão uma nova sede para manter a realização da competição no Brasil. De acordo com a FISU, o processo de candidatura para novas cidades-sede foi reaberto e a entidade analisará se Brasília sofrerá alguma consequência pela desistência do torneio.

Governo petista de Dilma Rousseff atrasa o pagamento das bolsas de pós-gradução da Capes

Alunos de pós-graduação que são financiados com recursos da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) estão com as bolsas de estudo atrasadas. Os atrasos são raros, mas afetam muitos estudantes, de todo o País. Os bolsistas dependem do dinheiro para pagar as contas. Para receber a bolsa, muitos têm que se dedicar exclusivamente à pesquisa, diz Tamara Naiz, presidente da Associação Nacional dos Pós-Graduandos. É o caso, por exemplo de Diego de Melo, 28, doutorando em Zootecnia pela Universidade Federal do Ceará desde 2010. "Eu e todos os meus colegas de mestrado e doutorado bolsistas Capes, até hoje, 9 de janeiro, não recebemos as nossas bolsas", diz. Tamara também conta que a bolsa – que não tem um mecanismo de reajuste anual – teve seu último aumento em 2013 e que o reajuste daquele ano não teria compensado as perdas para a inflação, fazendo com que o benefício tenha se desvalorizado ao longo dos anos. As bolsas de mestrado e doutorado pagas pela instituição são de R$ 1.500,00 e R$ 2.200,00 mensais, respectivamente. "Os pós-graduandos estão envolvidos em 90% das pesquisas feitas no País. Sem o pós-graduando não há pesquisa nem desenvolvimento científico no Brasil", diz Tamara. "A bolsa de novembro, que foi paga em dezembro, também atrasou. Recebi com dois dias de atraso. No mês passado não pagaram todos de uma vez: foi aos poucos", conta Thatiane Oliveira, pós-doutoranda da UFMG, que estuda o prejuízo cognitivo causado pela falta de vitaminas. Ela conta ter um amiga com bolsa da Capes no Exterior que também está sofrendo com o atraso: "Eu ainda tenho o suporte de família e amigos. E ela que está lá sozinha?" "Eu não pretendo continuar morando em um país que não me valoriza. Não temos direito nem a 13º nem férias", diz Thatiane. O MEC, ao qual a Capes é ligada, reconheceu o problema: "A legislação referente a este beneficio estabelece o quinto dia útil do mês, portanto ontem (08/01), para o pagamento. O MEC trabalha junto ao Ministério da Fazenda para regularizar o fluxo financeiro e solucionar o problema". 

Candidato do PT à Câmara vai se reunir com Alckmin

O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que disputa a presidência da Câmara dos Deputados, disse nesta sexta-feira (9) que vai se reunir com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) na próxima segunda-feira (12). O objetivo é tentar criar pontes para garantir votos da oposição e discutir temas de interesse do Estado. O PSDB apoia a candidatura do deputado Júlio Delgado (PSB-MG). Mas o petista aposta que pode levar votos de tucanos caso a disputa vá para o segundo turno contra o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Chinaglia diz que busca apoio de membros da oposição contando com a redução da temperatura do debate eleitoral. "A disputa na Câmara dos Deputados, é claro, passa por identidades. Mas não podemos agir na Câmara como se tivéssemos um longo passado pela frente. Essencialmente, tentar trazer para dentro da Câmara aquilo que foi a disputa presidencial ou a disputa eleitoral Brasil a fora", disse Chinaglia, em almoço com deputados fluminenses de cinco partidos (PT, PR, PC do B, PROS, PSD) no restaurante La Fiorentina, no Leme, zona sul do Rio de Janeiro. O deputado disse que Eduardo Cunha "não conseguiu ser o candidato da oposição". "Em que pese o esforço, isso não funcionou", disse ele. Apesar disso, deu declarações que contrariam interesse da oposição. O petista afirmou que uma nova CPI sobre Petrobras dependeria de "fatos determinados". Ele disse que o ideal seria esperar o fim das investigações para a criação da comissão. "Proposta de CPI não pode ser desafio. Propor CPI não tira nem dá credibilidade. Mas se cumprir as exigências regimentais, tem que instaurar", disse Chinaglia. 


Eduardo Cunha defendeu na quinta-feira (8) que o PMDB assine a proposta de nova CPI. A declaração foi dada após a divulgação do depoimento do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o "Careca", em que seu nome é citado como destino de dinheiro repassado pelo doleiro Alberto Youssef. Chinaglia não quis comentar as citações a Eduardo Cunha em depoimentos da operação Lava-Jato. Ele afirmou que o peemedebista "lançou dúvidas" à sua campanha e à de Delgado ao atribuir o vazamento de informações a adversários na disputa pela presidência da Câmara. "Não minimizo os depoimentos. Se o depoente de uma delação premiada não prova o que está falando, não tem redução de pena", disse o petista, que não quis comentar a situação de Eduardo Cunha.

Câmara dos Estados Unidos aprova ampliação de oleoduto, contrariando o presidente muçulmano Barack Obama

A Câmara dos Representantes (Deputados) dos Estados Unidos aprovou, nesta sexta-feira (9), a ampliação do oleoduto Keystone XL, apesar da ameaça de veto feita pelo presidente democrata Barack Obama. A Câmara, controlada pelos republicanos, aprovou por 266 votos a 153 a medida que determina a ampliação do oleoduto. O Senado, que também é controlado pela oposição, discutirá o assunto na próxima segunda-feira (12). A ampliação do oleoduto se tornou uma prioridade para o partido Republicano, que assumiu a maioria do Congresso americano nas últimas semanas. "Nós não deveríamos estar discutindo o oleoduto, nós deveríamos estar o construindo", disse o líder republicano na Câmara Kevin McCarthy. No entanto, a Casa Branca anunciou que pretende manter o veto. "Caso a proposta seja apresentada ao presidente, ele vai vetá-la", afirmou o porta-voz Eric Schultz. A discussão sobre a ampliação do oleoduto, que vai do Canadá até o México, surgiu em 2008 e tem provocado atritos entre Obama e o Congresso. A implementação do projeto teria um custo de US$ 7 bilhões (aproximadamente R$ 18 bilhões, uma mixaria diante de obras da Petrobras no regime petralha).

Terrorista islâmico Abu Hamza é condenado à prisão perpétua nos Estados Unidos

Um tribunal de Nova York condenou nesta sexta-feira (9) à prisão perpétua o clérigo terrorista islâmico Mustafa Kamel Mustafa, conhecido com Abu Hamza, que em maio do ano passado foi declarado culpado por 11 crimes de terrorismo. Conhecido por seus discursos fanáticos contra o Ocidente realizados na mesquita de Finsbury Park, em Londres, Abu Hamza foi extraditado para os Estados Unidos do Reino Unido em 2012. Entre os crimes pelos quais foi declarado culpado, em 19 de maio, dois prevêem pena máxima de prisão perpétua: fazer reféns e conspirar para realizar sequestros.

O acusado "não se arrependeu em nenhum momento e, se ficasse em liberdade, o mundo não seria um lugar seguro", disse a juíza federal Katherine Forrest, ao ler a sentença em um tribunal de Manhattan. A Justiça dos Estados Unidos concluiu que o extremista participou do sequestro de 16 turistas no Iêmen em 1998 e apoiou a jihad (guerra santa) no Afeganistão entre 2000 e 2001, além de ter conspirado para criar um campo de treinamento de jihadistas em Oregon. "A sangrenta transformação de Abu Hamza de clérigo a condenado, de imã a preso, se encerrou", disse em comunicado o procurador federal do distrito do sul de Nova York, Preet Bharara, após o resultado do julgamento.

FRANÇA CONTINUA A CAÇADA À TERRORISTA HAYAT BOUMEDDIENE, COMPANHEIRA DO TERRORISTA MORTO AMEDY COULIBALY


Inflação oficial fechou dentro do teto máximo previsto pelo governo, 6,41%

O ano de 2014 fechou com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação, dentro do teto da meta do governo. O índice subiu 0,78% em dezembro e encerrou o ano com alta acumulada de 6,41%. A meta oficial era de 4,5%, com margem de dois pontos para mais ou menos. Esses números da inflação, naturalmente, são amplamente mentirosos, como sabe qualquer aposentado deste País, porque os remédios subiram de preço mais de 20%. A carne está com o preço na estratosfera, um quilo de picanha pode valer até 100 reais ou mais, como em Florianópolis. E por aí vai.....O Brasil do petralhismo está virando uma grande Argentina, uma grande Venezuela. É o objetivo estratégico do Foro de São Paulo.

Pepe e Padilha recebem de novo a missão de junta petistas e peemedebistas no Rio Grande do Sul

Os ministros petista Pepe Vargas e Eliseu Padilha receberam a missão de "apaziguar e harmonizar" PMDB e PT no Rio Grande do Sul. O pedido é de Dilma. Pepe Vargas, ministro das Relações Institucionais, faz parte agora do novo "núcleo duro" do regime petralha, Dilma constituiu esse núcleo no seu entorno composto por gente da organização clandestina revolucionária trotskista DS - Democracia Socialista, grupelho que habita o PT. Esta tentativa já havia sido feita antes. Em janeiro de 2003, quando se completava um ano de governo Germano Rigotto, o PMDB convocou um congresso estadual para a cidade de Tramandaí. Alguns dias antes, o então vereador Sebastião Melo reuniu seu "coletivo" (chamado "André Foster"), no escritório de um de seus seguidores, em edifício na Avenida Praia de Belas, em Porto Alegre, e no meio da reunião perguntou ao grupo de cerca de 50 pessoas qual deveria ser a posição no congresso partidário. Informou então que já havia um documento do partido para ser aprovado no congresso, escrito pelo então presidente da Fundação Ulysses Guimarães, João Carlos Brum Torres (o Caçapava, que era também secretário estadual de Planejamento). Foi pedido que ele mostrasse o tal documento. Lido por um dos participantes da reunião, o documento foi tachado como "uma traição" ao partido, porque apontava claramente que o PMDB poderia fazer coligação com o PT para a eleição à prefeitura de Porto Alegre de 2004. No PT, o assunto já tinha sido praticamente resolvido. Em reunião fechada no auditório do Colégio Rosário, durante um fim de semana, a DS (grupelho trotskista) havia resolvido que o candidato a prefeito seria Miguel Rossetto, atual ministro chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, tendo um peemedebista como vice. Isto foi apontado na reunião e ficou deliberado que um participante da mesma escreveria o documento do "Coletivo André Foster". O documento foi escrito em poucos minutos e levou o seguinte título: "O rei está pelado". No mesmo era denunciada a traição partidária. Foi distribuído em Tramandai entre os militares do partido de todo o Estado, e isso gerou uma revolta grande. Tão grande que João Carlos Brum Torres viu-se obrigado a subir à tribuna e retirar a apreciação de seu documento. O congresso estadual do PMDB decidiu que o PMDB podia fazer qualquer coligação, menos com o PT, visto como seu grande inimigo no Estado. Isto foi noticiado pela imprensa nacional e gerou a revolta de petistas no Palácio do Planalto. O então todo-poderoso "primeiro ministro" José Dirceu ligou para o governador e exigiu retratação, sob pena de retaliação ao Rio Grande do Sul. Não adiantou nada, não dava para revogar a decisão do congresso partidário. Agora parece que a jogada será tentada de novo, com personagens levemente diferentes, mas na essência com a mesma intenção. É quase certo que não aparecerá ninguém, desta vez, para dizer que "o rei está pelado". Não é de hoje que o PT tenta hegemonizar a política do Rio Grande do Sul. Nunca conseguiu porque sempre encontrou pela sempre o PMDB e os peemedebistas. Não é por acaso que o partido está pela quarta vez no governo do Estado, desde a redemocratização do Brasil, na década de 80. O que parece diferente agora é que há uma disposição muito maior entre as lideranças peemedebistas para a rendição histórica. Nada que "bons negócios" não consigam.   

Janir Branco confirmado superintendente do superporto de Rio Grande

Assim que retornar dos Estados Unidos, o que acontecerá dentro de dez dias, o chefe da Casa Civil de Sartori, Márcio Biolchi, examinará com o governador o nome do sucessor de Jair Branco, seu secretário Adjunto. Janir, ex-prefeito de Rio Grande, irá para a superintendência do superporto, o único porto marítimo do Rio Grande do Sul.

Ministro Eliseu Padilha insiste com proposta de concessão do Salgado Filho, de Porto Alegre, para empreiteira que construa novo Aeroporto 20 de Setembro, e nada é por acaso


As principais lideranças do PMDB no Rio Grande do Sul estiveram com o governador José Ivo Sartori e alguns dos seus auxiliares diretos na reunião que pediu o ministro da Aviação, o deputado federal gaúcho Eliseu Padilha. O ministro quis expor as metas do governo federal para a área, cujo foco, a mando da presidente petista Dilma Rousseff, será a integração nacional via aeroportos e aviação. No Rio Grande do Sul, a prioridade é a questão do aeroporto metropolitano. Eliseu Padilha trabalha com a hipótese de conceder o Salgado Filho para os empreiteiros que aceitem também construir o Aeroporto Internacional 20 de Setembro, enquanto ampliam pista e terminais de Porto Alegre. O ministério da Aviação possui verbas orçadas, disponíveis, para este ano, de R$ 4 bilhões. O governo federal petista também trabalha com a hipótese de que o Ministério da Aeronáutica se interesse pelo Aeroporto 20 de setembro, levando para lá a base aérea de Canoas, liberando-a para desafogar o Salgado Filho de alguns dos seus vôos. Ninguém diz explicitamente, mas o plano real é o seguinte: o empreiteiro que ganhar a concessão para construir o novo aeroporto em Portão ficaria também com o Salgado Filho, com a obrigação de aumentar a extensão de sua pista; isto somente será possível com a remoção de no mínimo dois milhões de toneladas de lixo que estão no aterro de lixo da zona norte, localizado na cabeceira da pista do aeroporto; esse aterro tem um estoque de 15 milhões de toneladas de lixo; a remoção do lixo é indispensável para a consolidação do solo (o terreno com lixo é fofo e produz gás); já não saíram a ampliação da pista e a construção do restante da avenida Severo Dullius por causa da inevitável necessidade de remoção do lixo estocado na área; o lixão-aterro da zona norte já foi condenado pela Justiça Estadual e precisa ter uma solução; a prefeitura de Porto Alegre já deu os primeiros passos, emitindo decreto que declarou a área do aterro como de interesse público para desapropriação e com a realização do primeiro passo para a realização de uma PPP que instalaria usina de queima de lixo e geração de energia elétrica no local (essa usina queimaria as 1.300 toneladas diárias produzidas em Porto Alegre e também o lixo estocado no aterro da zona norte, em torno de 15 milhões de toneladas; estima-se que a cada três toneladas queimadas é possível geral um megawatt de energia elétrica); a limpeza da área, o que é uma obrigação imposta pela Justiça à prefeitura, e a remoção da base aérea de Canoas, ou para o atual aeroporto Salgado Filho, ou para o ano aeroporto 20 de Setembro, permitiria liberar uma gigantesca área, que vai da Avenida Sertório, até Canoas, gerando a construção praticamente de uma cidade nova na região, atraindo investimentos de muitos bilhões de dólares. Nada é de graça nos planos das autoridades públicas. É isso que está por trás do plano que o agora ministro Eliseu Padilha está colocando em ação a toda pressa com a prefeitura de Porto Alegre e o governo do Rio Grande do Sul. Negócios são a alma da política.

Ministro Joaquim Levy recorre ao Facebook para reforçar decisão de aperto fiscal e volta a falar em aumento de impostos


Em sua primeira semana como ministro da Fazenda, Joaquim Levy aproveitou um debate promovido no Facebook, nesta sexta-feira, para reforçar que sua prioridade na nova posição é diminuir os gastos públicos. Em respostas a internautas ele falou que o ajuste fiscal é o primeiro passo para o controle da inflação e a promoção do crescimento. "Para a gente segurar a inflação, é preciso que o governo não gaste demais. Se a gente fizer isso agora, vamos poder ter a inflação caindo no ano que vem", escreveu, depois de dizer que janeiro promete ser um mês de alta de preços, mas que o Banco Central, "guardião" do dinheiro do brasileiro, em suas palavras, vai cuidar para que ela não ultrapasse o teto da meta de 6,5% em 2015 e convirja para 4,5% em 2016. "Para a economia voltar a crescer, temos de fazer algumas arrumações e isso pode mexer em alguns preços. Os economistas chamam isso de mudança nos preços relativos e ela é importante para acomodar a economia em um novo caminho de crescimento. Mas o mais importante é que o Banco Central, que é o guardião do valor do seu dinheiro, está atento e vai continuar cuidando para que a inflação esteja no caminho de não só ficar abaixo do teto, como expliquei acima, até o final de 2015, mas também para ela voltar para o objetivo de não passar de 4,5% em 2016", respondeu a um das 422 questões que os internautas enviaram. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2014 em 6,41%, conforme divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os custos com habitação, em especial energia elétrica, e alimentação foram os que mais pesaram no bolso do consumidor no ano passado. O resultado ficou bem próximo do teto da meta oficial (6,5%). Em outra resposta Levy fala sobre a necessidade de "acertar algumas coisas, para retomar o crescimento e mesmo o aumento do emprego". Depois, mencionou a importância de fortalecer "a convicção de que o governo não pode gastar mais do que arrecada". Também cita a possível diminuição do volume de empréstimos com juros baratos para algumas empresas. "Empréstimo barato também é pago pelo contribuinte e tem que ser dado só em situações muito especiais", comentou. Ele explicou que o corte de gastos anunciado na quinta-feira se dará especialmente na máquina pública, mas não respondeu se o cronograma de concursos públicos, ou a convocação de quem já passou nas provas, sofrerá alterações em 2015. O ministro da Fazenda voltou a falar sobre o possível aumento de impostos neste ano. "A gente provavelmente terá que pensar em rebalancear alguns impostos, até porque alguns foram reduzidos há algum tempo. E essa receita está fazendo falta", afirma. Ele tenta, porém, ponderar a notícia dizendo que se houver alguma mudança na carga tributária, ela será feita com "cuidado" e "depois de esgotadas outras possibilidades". Levy também comentou que agora a equipe econômica está fazendo seu dever de casa: "Estamos no caminho certo e, dessa vez a gente está tentando acertar as coisas bem antes de estar numa crise. Como diz um amigo meu, estamos podendo consertar o telhado em dia de sol".

CPFL e Cymi vencem leilão de transmissão de energia


O primeiro leilão de transmissão de 2015, que aconteceu nesta sexta-feira, teve dois lotes sem interessados e outros dois arrematados pela espanhola Cymi Holding e pela CPFL Geração. O principal lote, A, que conectará parques eólicos localizados na Bahia para o escoamento da energia elétrica ao Sistema Interligado Nacional, ficou com a Cymi, que apresentou um lance de Receita Anual Permitida de 144,6 milhões de reais, que representa um deságio de 1,51% ante o máximo permitido. Já a CPFL Geração, do grupo CPFL Energia, levou o lote I, em São Paulo, com deságio de 32,59%. A empresa receberá uma RAP de 10,8 milhões de reais por ano quando o empreendimento estiver em operação. Formado pela subestação Morro Agudo, o lote I reforçará o suprimento de energia às cargas da região nordeste da CPFL. Os outros lotes na disputa, F, em Rondônia, e J, em Goiás, não receberam lances no certame. Considerando os quatro lotes oferecidos para licitação no certame, as linhas de transmissão somavam 905 quilômetros e os investimentos que totalizariam 1,7 bilhão de reais. O mercado já esperava cautela por parte dos investidores diante das taxas de retorno possíveis na disputa, que não estariam de acordo com o aumento da percepção de risco.

Brasil colhe safra recorde de 192,8 milhões de toneladas em 2014


O Brasil colheu um volume recorde de 192,8 milhões de toneladas de grãos em 2014, resultado 2,4% maior do que o registrado em 2013, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número, porém, é 0,9% menor do que o estimado em novembro do ano passado. A produção nacional da soja, que também atingiu um volume recorde, alcançou 86,4 milhões de toneladas, crescendo 5,8% em relação a 2013. Para 2015, a safra de grãos estimada é de 202,9 milhões de toneladas, 5,2% superior ao total obtido em 2014. Segundo o IBGE, este aumento deve-se às maiores produções previstas para as regiões Nordeste (24,7%), Sudeste (10,5%) e Sul (7,5%). Dentre os 26 principais produtos, 15 apresentaram alta na estimativa de produção em relação ao ano anterior, por exemplo, algodão herbáceo em caroço (26%), arroz sem casca (3,3%), batata-inglesa 3ª safra (24,6%), café canephora (22,2%), milho em grão 2ª safra (3,9%), soja em grão (5,8%) e trigo em grão (8%). Outros 11 produtos tiveram produção menor que o visto em 2013, tais como aveia em grão (23,0%), café arábica (15,6%), cana-de-açúcar (6,7%), cevada em grão (19,7%) e laranja (8,8%). A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também divulgou nesta sexta-feira sua previsão para a safra 2014/2015. O Brasil deverá produzir um recorde de 202,2 milhões de toneladas de grãos, mas a safra poderá ser ainda maior se as produções de soja e de milho melhorarem, disse o presidente da Conab, Rubens Rodrigues dos Santos. Nesta sexta-feira, a entidade aumentou ligeiramente a previsão para a safra de soja no atual ciclo para um recorde de 95,92 milhões de toneladas ante 95,80 milhões de toneladas divulgado em dezembro. Na safra de 2013/2014, o País produziu 86,12 milhões de toneladas. A previsão para a primeira safra de milho também foi revisada para cima de 78,69 milhões para 79,05 milhões de toneladas, enquanto a previsão para a safra de trigo, cuja colheita está praticamente encerrada, caiu para 5,90 milhões de toneladas ante para 5,95 milhões de toneladas divulgado anteriormente. A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, avaliou nesta sexta-feira que o quadro internacional de queda nos preços das commodities, especialmente a soja, ainda não serão sentidos pelos produtores. "Nos últimos 12 meses, apesar da soja ter tido uma desvalorização de 12,5%, isso foi compensado pela valorização do dólar. Uma coisa matou a outra", observou, dizendo que a situação "fez com que os produtores ficassem numa situação confortável". Kátia Abreu, contudo, estimou que pode haver aumento nos custos de produção, mas que isto só será sentido na próxima safra porque a atual está "praticamente vendida", o que não ocorre com o milho, especialmente o grão produzido no Mato Grosso. "Os preços do milho (no mercado externo) inviabilizam as exportações do Mato Grosso, onde os preços estão acima do mínimo do governo, que é de 13,52 reais", disse. Além dos tipos de grãos pesquisados, as estimativas da Conab e do IBGE diferem em termos de metodologia, critérios para a amostragem e época do levantamento. Enquanto a Conab trabalha com ano-safra, que vai de abril a março do ano seguinte, o IBGE usa anos-civis, de janeiro a dezembro.

Roseana Sarney deixou dívida de R$ 1,1 bilhão no Maranhão


O governo Flávio Dino (PCdoB) anunciou nesta sexta-feira que a administração de sua antecessora no Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), deixou 1,105 bilhão de reais em dívidas acumuladas, um rombo maior que as previsões iniciais. O valor foi calculado pela equipe de Dino, que já havia previsto corte de despesas. De acordo com o governo do Maranhão, o saldo bancário ao fim da gestão Roseana é de 24 milhões de reais. Os valores foram apresentados a jornalistas em São Luís (MA) nesta manhã, pelos secretários Marcelo Tavares (Casa Civil) e Cynthia Mota (Planejamento). Eles estimaram que as dívidas correspondem a cerca de 10% do Orçamento do Maranhão em 2015. Só os gastos de janeiro devem consumir cerca de 893 milhões de reais. Pelo Twitter, Dino afirmou que os dados financeiros do Estado "lhe foram negados" durante o período de transição pela equipe de Roseana e Arnaldo Melo – o presidente da Assembleia Legislativa assumiu um mandato-tampão com a renúncia da ex-governadora em dezembro do ano passado. O governador do PCdoB afirmou que "tomará as medidas cabíveis". O governo pretende congelar R$ 800 milhões (30%) previstos para custeio da máquina pública. De acordo com o secretário da Casa Civil, Marcelo Tavares, parte da dívida deixada pelo governo Roseana Sarney se refere ao não pagamento de precatórios, desde 2012, que somam 555 milhões de reais. “O Maranhão tinha o hábito de pagar seus precatórios em dia, o que deixou de acontecer a partir de 2012”, disse o secretário. Neste mês, a gestão de Flavio Dino terá que arcar com o pagamento da primeira parcela de um empréstimo contraído com o Bank of America no valor de 110 milhões de reais. O primeiro mês do ano também prevê compromissos de 423 milhões de reais deixados como gastos reconhecidos pelo governo de Roseana Sarney, mas ainda não pagos efetivamente.

Conheça o grupo que treinou um dos terroristas islâmicos de Paris

Militantes da Al-Qaeda ouvem a condenação com penas de prisão que variam entre 4 a 10 anos, sob a acusação de formação de um grupo armado para realizar ataques contra militares, prédios do governo e os interesses estrangeiros, em Sanaã, no Iêmen
A Al Qaeda na Península Arábica (AQPA), com sede no instável Iêmen, onde um dos dois suspeitos (Said Kouachi) do massacre do jornal Charlie Hebdo teria sido treinado, é, segundo os Estados Unidos, o braço mais ativo e perigoso da Al Qaeda. Nascido em janeiro de 2009 da fusão das facções saudita e iemenita da Al Qaeda, o grupo figura na lista de organizações terroristas de Washington, que prometeu 10 milhões de dólares (mais de 26 milhões de reais) por qualquer informação que conduza à localização de seu líder, o iemenita Naser al-Whaychi, e de outras sete pessoas da cúpula do grupo. Whaychi proclamou em julho de 2011 sua adesão a Ayman al-Zawahiri, novo chefe da Al Qaeda após a morte de Osama Bin Laden em um ataque das forças especiais americanas em maio de 2011, no Paquistão. A AQPA reivindicou nos últimos anos atentados importantes, tanto no Iêmen quanto no Exterior, incluindo uma tentativa de explodir um avião americano no dia de Natal de 2009. Além disso, o grupo convocou em várias ocasiões seus partidários a atacar a França, integrante da coalizão internacional que combate a organização terrorista Estado Islâmico (EI) no Iraque e envolvida na África contra os jihadistas. A revista da AQPA em inglês, chamada "Inspire", lançada com o objetivo de despertar vocações de lobo solitário no Exterior, convocou seus partidários a cometer atentados na França e colocou em 2013 o editor da Charlie Hebdo, Stéphane Charbonnier, em sua lista de pessoas que deveriam ser mortas. Mais conhecido como Charb, o editor e cartunista morreu no atentado de quarta-feira contra a sede da revista, junto com outras onze pessoas. Segundo um funcionário americano, Said Kouachi viajou ao Iêmen em 2011, onde foi formado no manejo das armas pesadas por membros da Al Qaeda, antes de voltar à França. A AQPA reivindicou vários atentados nos últimos anos. Em novembro de 2010, reivindicou a autoria do envio de pacotes-bomba aos Estados Unidos e a explosão de um avião de carga dois meses antes em Dubai. Em 2009, um suicida da AQPA quase matou o ministro saudita do Interior, Mohamed ben Nayef, detonando os explosivos que carregava em sua presença. Em território iemenita, o grupo extremista sunita realiza regularmente mortíferos ataques contra as forças de ordem. A AQPA aproveitou o enfraquecimento do governo, em 2011, após uma insurreição popular contra o ex-presidente Ali Abdullah Saleh, para reforçar seu poder no país, sobretudo no sul. O novo governo, liderado pelo presidente Abd Rabo Mansur Hadi realizou uma ofensiva militar em maio que os empurrou a zonas montanhosas de difícil acesso, ajudado pelos Estados Unidos, que enviou drones para bombardear regularmente o grupo. No fim de 2012, seu número dois, o saudita Said al-Shehri, morreu em um destes ataques. Em 2011, Anwar al-Aulaqi, um imã radical iemenita nascido nos Estados Unidos que chegou ao topo na hierarquia do AQPA, também foi abatido por um drone.

Auditoria põe em xeque ex-executivos da Portugal Telecom


A Portugal Telecom (PT) SGPS endividou-se em 2014 sem ter necessidade para manter os 897 milhões de euros aplicados na holding Rioforte, pertencente ao falido Grupo Espírito Santo (GES), concluiu a PriceWaterhouseCoopers (PwC). A análise da auditoria põe em xeque o ex-vice-presidente financeiro Luís Pacheco de Melo e o ex-presidente executivo da empresa Henrique Granadeiro, que, segundo a PwC, sabiam das operações financeiras em títulos podres. O calote do investimento na Rioforte causou uma crise no processo de fusão da empresa com a brasileira Oi no ano passado e a continuidade da união dos dois grupos tem sido questionada por acionistas da PT. A auditoria concluiu que Melo, ex-presidente financeiro, "tinha o dever de informar pontual e oportunamente os membros da Comissão Executiva (CE) e da Comissão de Auditoria", das operações contratadas "com impacto relevante na sua posição de tesouraria", o que não ocorreu. A auditora também atribui a Granadeiro, ex-presidente executivo, o dever "de se manter informado" daquelas operações, "solicitando em tempo útil e de forma adequada informação ao vice-presidente financeiro". "Não posso julgar ninguém, mas os fatos são claríssimos. O Banco Espírito Santo (BES) ocultou a situação financeira relevante sobre a Rioforte. Independentemente da análise da PwC, houve na prática uma má gestão dos executivos à época", disse Rafael Mora, vice-presidente da RS Holding, dona da rede de mídia Ongoing (acionista da PT). O conselho de administração da PT SGPS contratou, em agosto, a PwC para analisar as aplicações em tesouraria da companhia em entidades do GES. A medida ocorreu depois que a PT SGPS tomou o calote de 897 milhões de euros da Rioforte. Após a descoberta do empréstimo, os termos da fusão entre a Oi e a operadora brasileira foram revisados. A PT SGPS detém 25,6% da Oi, que, por sua vez, é dona da operadora PT Portugal. Originalmente, a fatia dos portugueses era de 37,4%. A PT foi alvo de buscas policiais em uma investigação sobre suspeitas de fraude qualificada, com foco em aplicações financeiras realizadas pela companhia.

MORRERAM QUATRO REFÉNS NA OPERAÇÃO POLICIAL CONTRA O SUPERMERCADO KOSHER ASSALTADO PELO TERRORISTA ISLÂMICO, MORTO NA INVASÃO DAS FORÇAS DE SEGURANÇA. A MULHER TERRORISTA QUE O ACOMPANHAVA FUGIU

'Hacktivist' group Anonymous says it will avenge Charlie Hebdo attacks by shutting down jihadist websites

Hacker group Anonymous have released a video and a statement via Twitter condemning the attacks on Charlie Hebdo, in which 12 people, including eight journalists, were murdered. The video description says that it is "a message for al-Qaeda, the Islamic State and other terrorists", and was uploaded to the group's Belgian account. In the clip, a figure wearing the group's symbolic Guy Fawkes mask is seated in front of a desk with the hashtag #OpCharlieHebdo - which stands for Operation Charlie Hebdo - featured on screen. The figure, whose voice is obscured says: "We are declaring war against you, the terrorists." They add that the group will track down and close all accounts on social networks related to terrorists in order to avenge those who have been killed. This is backed up with a statement entitled "a message to the enemies of freedom of expression" posted to Pastebin, the hacker collective offered their condolences to "the families of the victims of this cowardly and despicable act". They write "freedom of expression has suffered inhuman assault ... and it is our duty to react". Anonymous are a group comprised of activists and hackers who claim to defend and protect democracy. In the past the group have carried out cyber attacks on government, religious, and corporate websites by distributed denial-of-service (DDoS) attacks which attempt to overwhelm an online service with traffic from numerous sources so that users can no longer access it.

IRMÃOS TERRORISTAS ISLÂMICOS QUE ATACARAM O JORNAL CHARLIE HEBDO, NA QUARTA-FEIRA, E MATARAM 10 JORNALISTAS, JÁ ESTÃO COM SUAS 50 VIRGENS NO PARAÍSO. ELES FORAM MORTOS PELA SEGURANÇA FRANCESA NO POVOADO DE DAMMARTIN EN GOELLE

Por que o Ocidente ainda tem de pedir desculpas ao Islã? Ou: Vagabundos morais flertam com o terror. Ou ainda: “Islamofobia” uma ova!

Volto ao trabalho na segunda, mas antecipo um texto que, dado o que leio por aí, me parece necessário. O terrorismo islâmico sequestrou boa parcela da consciência do Ocidente. Antes que se impusesse por intermédio da brutalidade e da barbárie, seus agentes voluntários e involuntários fizeram com que duvidássemos dos nossos próprios valores. Antes que matassem nossas crianças, nossos soldados, nossos jornalistas, nossos chargistas, nossos humoristas, atacaram, com a colaboração dos pusilânimes do lado de cá, os nossos valores. “Nossos, de quem, cara-pálida?”, perguntará um dos cretinos relativistas do Complexo Pucusp. Os do Ocidente cristão e democrático. Mesmo gozando de merecidas férias, comprometido principalmente com o nascer e o pôr do sol, acompanhei o que se noticiou no Brasil e no mundo sobre o ataque covarde ao jornal francês “Charlie Hebdo”, que deixou 12 mortos na França. Na nossa imprensa e em toda parte, com raras exceções, a primeira preocupação, ora vejam!!!, era não estimular a “islamofobia”, uma mentira inventada pela máquina de propaganda dos centros culturais de difusão do Islã no Ocidente. Nota à margem: a “fobia” (se querem dar esse nome) religiosa que mais mata hoje é a “cristofobia”. Todo ano, mais ou menos 100 mil cristãos são assassinados mundo afora por causa de sua religião. E não se ouve a respeito um pio a Orientes e Ocidentes.

Uma curiosidade intelectual me persegue há tempos: por que cabe ao Ocidente cristão combater a suposta “islamofobia”? Por que as próprias entidades islâmicas também não se encarregam no assunto? Sim, muitas lideranças mundo afora repudiaram o ataque ao jornal francês, mas sugerindo, com raras exceções, nas entrelinhas, que se tratava de uma resposta injusta e desproporcional a uma ofensa que de fato teria sido desferida contra o Islã e o Profeta. E então chegamos ao cerne na questão.
Sou católico. As bobagens e ignorâncias que se dizem contra a minha religião — e já faz tempo que o ateísmo deixou de ser um ninho de sábios —, com alguma frequência, me ofendem. E daí? Há muito tempo, de reforma em reforma, o catolicismo entendeu que não é nem pode ser estado. A religião que nasceu do Amor e que evoluiu, sim, para uma organização de caráter paramilitar, voltou ao seu leito, certamente não tão pura e tão leve como nos primeiros tempos, maculada por virtudes e vícios demasiadamente humanos, mas comprometida com a tolerância, com a caridade, com a pluralidade, buscando a conversão pela fé.
Não é assim porque eu quero, mas porque é: o islamismo nasce para a guerra. Surge e se impõe como organização militar. Faz, em certa medida, trajetória contrária à do catolicismo ao se encontrar, por um tempo ao menos, com a ciência, mas retornando, pela vontade de seus líderes, ao leito original. Sim, de fato, ao pé da letra, há palavras de paz e de guerra, de amor e de ódio, de perdão e de vingança tanto no Islã como na Bíblia. De fato, também no cristianismo, há celerados que fazem uma leitura literalista dos textos sagrados. E daí? Isso só nos afasta da questão central.
Em que país do mundo o cristianismo, ainda que por intermédio de seitas, se impõe pela violência e pelo terror? Em que parte da terra a Bíblia é usada como pretexto para matar, para massacrar, para… governar? É curioso que diante de atos bárbaros como o que se viu na França, a primeira inclinação da imprensa ocidental também seja demonstrar que o Islã é pacífico. Desculpem-me a pergunta feita assim, a seco: ele é “pacífico” onde exatamente?
Em que país islâmico, árabe ou não, os adeptos dessa fé entendem que os assuntos de Alá não devem se misturar com os negócios de estado? À minha moda, sou também um fundamentalista: um fundamentalista da democracia. Por essa razão, sempre que me exibem a Turquia como exemplo de um país majoritariamente islâmico e democrático, dou de ombros: não pode ser democrático um regime em que a imprensa sofre perseguição de caráter religioso — ainda que venha disfarçada de motivação política, não menos odiosa, é claro!
Cabe às autoridades islâmicas, das mais variadas correntes, fazer um trabalho de combate à “islamofobia”. E a fobia será tanto menor quanto menos o mundo for aterrorizado por fanáticos. Ora, não é segredo para ninguém que o extremismo islâmico chegou ao Ocidente por intermédio de “escolas” e “centros de estudo” que fazem um eficiente trabalho de doutrinação, que hoje já não se restringe a filhos de imigrantes. A pregação se mistura à delinquência juvenil, atraída — o que é uma piada macabra — pela “pureza” de uma doutrina que não admite dúvidas, ambiguidades e incertezas.
Ainda voltarei, é evidente, muitas vezes a esse assunto, mas as imposturas vão se acumulando. Há, sim, indignação com o ocorrido, mas não deixa de ser curioso que a imprensa ocidental tenha convocado os chargistas a uma espécie de reação. Sim, é muito justo que estes se sintam especialmente tocados, mas vamos com calma! O que se viu no “Chalie Hebdo” não foi um ataque ao direito de fazer desenhos, mas ao direito de ter uma opinião distinta de um primado religioso que, atenção!, une todas as correntes do Islã.
É claro que um crente dessa religião tem todo o direito de se ofender quando alguém desenha a imagem do “Profeta” — assim como me ofendo quando alguém sugere que Maria não passava de uma vadia, que inventou a história de um anjo para disfarçar uma corneada no marido. Ocorre que eu não mato ninguém por isso! Ocorre que não existem líderes da minha religião que excitam o ódio por isso. Se um delinquente islâmico queima uma Bíblia, ninguém explode uma bomba numa estação de trem.
E vimos, sim, a reação dos chargistas, mas, como todos percebemos, quase ninguém se atreveu a desenhar a imagem do “Profeta” — afinal de contas, como sabemos, isso é proibido, não é? Que o seja em terras islâmicas, isso é lá problema deles, mas por que há de ser também naquelas que não foram dominadas pelos exércitos de Maomé ou de onde eles foram expulsos?
Tony Barber, editor para a Europa do “Financial Times”, preferiu, acreditem, atacar o jornal francês. Escreveu horas depois do atentado: “Isso (a crítica) não é para desculpar os assassinos, que têm de ser pegos e punidos, ou para sugerir que a liberdade de expressão não deva se estender à sátira religiosa. Trata-se apenas de constatar que algum bom senso seria útil a publicações como como ‘Charlie Hebdo’ ou ‘Jyllands-Posten’ da Dinamarca, que se propõem a ser um instrumento da liberdade quando provocam os muçulmanos, mas que estão, na verdade, sendo apenas estúpidos”.
Barber é um vagabundo moral, um delinquente, e essa delinquência se estende, lamento, ao comando do “Financial Times”, que permitiu que tal barbaridade fosse publicada. Alguém poderia perguntar neste ponto: “Mas onde fica, Reinaldo, o seu compromisso com a liberdade de expressão se acha que o texto de Barber deveria ser banido do Financial Times?”. Respondo: a nossa tradição, que fez o melhor do que somos, não culpa as vítimas, meus caros. Barber usa a liberdade de expressão para atacar os fundamentos da… liberdade de expressão.
Todas as religiões podem ser praticadas livremente nas democracias ocidentais porque todas podem ser igualmente criticadas, inclusive pelos estúpidos. Mas como explicar isso a um estúpido como Barber, um terrorista que já está entre nós? Por Reinaldo Azevedo