sábado, 10 de janeiro de 2015

Governo do PT entra na disputa pela presidência da Câmara com o objetivo claro de esfrangalhar o PMDB

O Palácio do Planalto decidiu entrar na eleição para presidente da Câmara com o objetivo de eleger o petista Arlindo Chinaglia (SP) contra o candidato do PMDB, Eduardo Cunha (RJ). Ministros com gabinete no Planalto, como o trotskista Pepe Vargas (Relações Institucionais) e o também trotskista Miguel Rossetto (Secretaria-Geral), além de Jaques Wagner (Defesa) e Cid Gomes (Educação), vêm procurando parlamentares de todos os partidos para pedir votos em Chinaglia no dia 1º de fevereiro. O argumento usado é de que é preciso fortalecer os partidos menores, criando blocos que no futuro possam se tornar legendas grandes. É o caso do PSD, que procura aglutinar uma série de siglas para se transformar no Partido Liberal (PL), cujo sonho é alcançar mais de 70 deputados favoráveis ao Planalto, ultrapassando em tamanho tanto o PMDB quanto o PT. 


A estratégia do governo traçada para esta eleição repete o modelo de distribuição de cargos de primeiro escalão neste segundo mandato da presidente Dilma Rousseff: diminuir o poder do principal aliado, o PMDB, e pulverizá-lo entre os outros partidos da base, a exemplo do grupo dos ministros Gilberto Kassab (Cidades), do PSD, e Cid Gomes (Educação), do PROS. Os ministros têm dito aos deputados com os quais conversam que o País vai atravessar um ano difícil e que o melhor seria ter um aliado do Planalto na presidência da Câmara. Em todos os contatos é dito também que um Legislativo sem confrontos torna mais fácil até a liberação do dinheiro das emendas parlamentares, visto que será menor o risco de aprovação por parte da Câmara de projetos que possam comprometer o Orçamento futuro. Além disso, outro instrumento para influenciar a eleição são os cargos de segundo escalão. Dilma só começará a preencher os principais, como as presidências e diretorias de estatais, autarquias e delegacias regionais, a partir de fevereiro, depois da escolha do nome que vai presidir a Câmara pelos próximos dois anos. Se o vencedor for Chinaglia, como quer o Planalto, será preciso oferecer algo a mais para o PMDB, que tenderá a tumultuar a gestão petista no início do semestre. Por fora da polarização PT/PMDB, corre a única candidatura da oposição: a do líder do PSB na Câmara, deputado Júlio Delgado (MG). Ele tem apoio oficial do PSDB. O mineiro se apresenta como o único independente, pois seu partido não tem nenhuma indicação no governo para ocupação de ministérios ou de estatais. Segundo ele, Chinaglia é candidato "chapa branca" e Eduardo Cunha um "pseudo adversário". Pelos cálculos dos partidários de cada candidato, Eduardo Cunha hoje teria de 260 a 270 votos, Chinaglia de 170 a 180 e Júlio Delgado entre 80 e 100. O petista afirmou que não é candidato do governo, e que o fato de ser do PT, o mesmo partido da presidente da República, é apenas uma coincidência. Ele chegou a dizer que se o Planalto o ajudar, será derrotado, visto que há um sentimento anti-PT dentro da Câmara. Mas reclamou do fato de Eduardo Cunha ter, segundo ele, levado para a disputa à Câmara um clima de pós-eleição. Já o líder peemedebista recusa o rótulo de adversário do Planalto: "Não é nem contrária ao Planalto nem a favor. É uma candidatura de independência da Casa". 

Conselho Mundial Judeu avisa, a vida judáica corre perigo na França


El Congreso Mundial Judío, con sede en Nueva York, emitió llamó a los ciudadanos franceses a salir a las calle en señal de protesta por los ataques terroristas en su país, y señaló que el secuestro ocurrido en una tienda judía en París pone en peligro la vida de la comunidad. El presidente del Congreso Mundial Judío (WJC), Ronald Lauder, espera una reacción de repulsa ciudadana e institucional similar a la que generó el atentado a la redacción de la publicación satírica Charlie Hebdo hace dos días. "Igual que hace dos días mucha gente decía 'Je suis Charlie' en sus redes sociales, esperemos que la gente ahora diga 'Je suis Juif de France' (yo soy judío de Francia) o algo similar", dice Lauder. Lauder considera que el secuestro al supermercado judío sucedido en París, donde fueron asesinados cuatro rehenes además de ser abatido el secuestrador, vulnera a "la tercera comunidad judía más larga del mundo" y la más grande de Europa, con 600 mil personas. "La vida judía en Francia no tendrá futuro si esta amenaza letal de los terroristas islámicos no es afrontada de manera rápida y efectiva", añade el comunicado, que asegura que muchos judíos están yéndose de Francia por el auge del antisemitismo. El Congreso Mundial Judío ha recordado otros ataques a la comunidad judía en Europa, como el sucedido en un colegio judío de Toulouse (Francia) en 2012 y el del Museo Judío de Bruselas en 2014, en los que "un lugar judío es deliberadamente elegido para generar pánico y para matar a gente inocente". "De no haber sido por la profesional y valiente intervención de la Policía francesa, una masacre de mayor escala podría haber sucedido", añadió Lauder. 

Jornal Jerusalem Post revela os nomes dos judeus assassinados pelo terrorista islâmico no supermercado kosher de Paris


Jewish organization names fatalities as Yoav Hattab, Philippe Braham, Yohan Cohen and Francois-Michel Saada.
Yohan Cohen (L) and Yoav Hattab (R), two victims of attack on kosher shop in Paris

The names of the four victims of Friday’s standoff at a kosher supermarket in Paris were released on Saturday by the Conseil Représentatif des Institutions juives de France (CRIF), a national organization representation French Jewry. According to witnesses, Yohan Cohen (22), Philip Braham (40), Francois-Michel Saada (60s) and Yoav Hattab (21), were were shot in the early stages of the seven-hour standoff at the HyperCacher kosher market, which ended when police stormed the shop and killed the hostage taker — a 32-year-old man identified as Amedi Coulibaly. Some media reports have identified Hattab as the son of the Chief Rabbi of Tunisia. A picture on his Facebook page shows him with a man bears something of a resemblance to Chief Rabbi Haim Bittan, although it is not clear if they are the same person and no link has been confirmed at this time. Cohen was a resident of the Parisian suburb of Sarcelles, widely known as Little Jerusalem for its large Jewish population and studied at the Lycée ORT high school in Villiers-le-Bel. Friends on Facebook described Cohen, who worked in the store, as strong and smart with a “heart of gold” as well as a calm person who rarely got angry and “always had a smile on his face.” A witness, who did not identify Cohen by name, told France’s BFM-TV how one of the victims was shot in the head after struggling to wrest away one of the attackers’ guns. Other reports named Cohen as the one who attempted to confront the attackers. Jeremie Agou, a regular shopper at the Hyper Cacher, told The Jerusalem Post that he saw Cohen every week when buying his groceries and that he felt “a little traumatized” after the shooting. “It could have been me,” he said, adding that his office was located adjacent to the site of a shooting of policewoman Clarissa Jean-Philippe on Thursday and had been placed under lockdown by security forces. Both attacks made a “big impression” and like many French Jews he is reevaluating his future there. “If it happened there it can happen anywhere,” he told the Post, adding that while he “always saw my future in Israel, now [the attack] makes it even more pressing and I'm pushing my parents to sell their house and buy in Israel.” However, he refused to hide, even if he is more circumspect when he walks the streets, as hiding would be a victory for terror, Agou said. “We are not going to hide at home.” he said. Jewish Agency chairman Natan Sharansky recently told the Post that fifty thousand French Jews inquired regarding aliya in 2014. Almost seven thousand French Jews out of a population of six hundred thousand immigrated to Israel last year, double the number that arrived the previous year. Following Friday’s attack, the worst against a Jewish target in France since the 2012 shooting attack at Toulouse’s Otzar HaTorah school which also killed four, some Twitter users began posting the hashtag #JeSuisJuif, French for I am a Jew.

Sociólogo Jean-Pierre Le Goff diz que a esquerda permitiu a implantação do terrorismo islâmico na França



Para o sociólogo francês Jean-Pierre Le Goff, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) e autor de diversos livros, desde a década de 80 correntes da esquerda francesa têm sido condescendentes com o avanço do islamismo extremista pelo medo de ser acusada de racista. Movimento que ganhou força com o medo incutido pela extrema direita. Para Le Goff, após uma trégua de união nacional que deve ser curta, a extrema-direita receberá impulso e deverá chegar até ao segundo turno das eleições presidenciais. Quais são os efeitos imediatos do atentado? "A unidade do país é incontornável. Não vejo quem possa ser contra, num primeiro momento, ao ataque, que foi feito pelo terrorismo islâmico. Não foi a maioria dos muçulmanos que vivem no país e que condenaram o atentado. Uma minoria, mas há um medo de se atacar o problema dos extremistas para não ser tachado como islamofóbico. Perdemos um certo bom senso. O espírito francês foi atingido no seu âmago que é o humor, a liberdade de expressão, a democracia. Seja de direita ou de esquerda, sabe-se que houve um ataque contra o pensamento. É altamente simbólico porque atacaram a caricatura, que é uma paixão nacional".
Veja a entrevista:
- Não era esperado um atentado de maior porte depois de uma série de ataques recentes?
- É verdade que há uma série de ataques desde 2012, quando em Toulouse (sudoeste da França), um atirador matou três crianças judias e um rabino em uma escola judaica. Como conseguir combater isso é um desafio porque a França recebe muitos muçulmanos. Ao se negar esse problema, é o extremismo que vence.
- Onde será preciso atuar?
- Nesse primeiro momento, é preciso atuar com a polícia, contraespionagem na França. Precisa-se de uma repressão porque a democracia foi atacada. Ainda há um medo de falar em islamofobia, de se estigmatizar. Michel Houellebecq teve dificuldades ao lançar um romance (“Soumission”, que mostra a França dirigida por um muçulmano em 2022 depois do fim do segundo mandato de Hollande e numa coalizão republicana que bate Marine le Pen) em que mostra um presidente muçulmano que não é um terrorista, mas um moderado. Ele foi criticado como se não pudesse falar nisso. Desde que o livro saiu, foi visto como islamofóbico por muitos.
- O presidente François Hollande experimenta níveis baixíssimos de popularidade. Quais os efeitos políticos desse atentado?
- Em um primeiro momento, haverá a união de todos, e isso favorece Hollande. Mesmo Sarkozy e Marine le Pen disseram que foi o atentado foi obra do movimento jihadista e não muçulmano, mas isso não vai durar muito. Se os problemas não forem atacados, mesquitas vão ser incendiadas. Nas próximas eleições, o Front Nacional (direita) vai ter um ótimo desempenho, com certeza vai chegar ao segundo turno das eleições presidenciais. Depois, se não houver uma resposta clara sobre a situação do islamismo e a laicidade, a extrema direita será mais favorecida.
- O extremismo muçulmano é um problema francês ou europeu?
- Da Europa como um todo e da França, em particular. Aqui na França, vimos uma clara escalada da influência extremista muçulmana em alguns subúrbios de Paris. Muitas pessoas dizem que não querem se integrar. Houve recentes manifestações contra judeus. Há uma inquietude na sociedade francesa e na Europa. Existem hoje cerca de mil franceses que foram arregimentados e partiram para a Síria para serem treinados como jihadistas. Relaxamos em vários aspectos. Nos anos 80, correntes dentro do Partido Socialista hesitaram sobre se deviam permitir que as meninas usassem véus em escolas (polêmica conhecida como caso de Creil). Na década de 90, vimos pregadores de um Islã fundamentalista virem para a França e instalarem mesquitas sem que nada fosse feito. Há cerca de dez anos, quando Martine Aubry era prefeita de Lille-Sud, houve uma grande polêmica porque grupos extremistas passaram a controlar a hora de homens e de mulheres entrarem em uma piscina pública e houve demora das autoridades de pôr fim ao caso. O Front Nacional (extrema direita) explorou esse medo que já existia, mas não o criou. Ou o Islã se integra à França, à Europa, com uma islamização republicana europeizante, ou islamiza-se a Europa.
Ou seja, rigorosamente, ele admite que a Europa já está islamizada. E agora está pagando o preço, que é a perda da liberdade. 

Verão deve terminar com chuvas abaixo da média no centro-sul do Brasil

A expectativa de que as chuvas de verão amenizariam a queda dos reservatórios no centro-sul do Brasil não se concretizou. Um sistema de alta pressão vindo do Oceano Atlântico, que atua em boa parte do país desde o fim de dezembro, reduziu a média de chuvas no Sudeste, no Centro-Oeste e no Nordeste em janeiro, único mês em que os índices poderiam ficar acima do normal. Para fevereiro e março, as previsões também não são animadoras, indicando que o país terá o quarto ano seguido com verão menos chuvoso que a média. Chamado de Asas (Alta Subtropical do Atlântico Sul), o sistema responsável pela falta de chuvas no Nordeste, no Centro-Oeste e em parte do Sudeste (Minas Gerais, Espírito Santo e norte do Estado do Rio de Janeiro) se intensificará neste fim de semana.


Nos próximos dez dias, as chuvas também ficarão escassas no Estado de São Paulo e no sul do Estado do Rio de Janeiro, piorando a situação dos reservatórios de usinas hidrelétricas e dos sistemas de abastecimento de água da Grande São Paulo. Normalmente com ocorrência no meio da porção sul do Oceano Atlântico, a Asas teve o centro deslocado para a costa brasileira desde a semana do Natal. Nesta semana, o centro da área de alta pressão aproximou-se ainda mais do litoral fluminense, elevando a temperatura para a casa dos 40 graus no Rio de Janeiro. A Asas funciona como um tampão que bloqueia frentes frias e impede a formação de nuvens pelo calor. Uma corrente de vento que sopra do alto da atmosfera impede que a evaporação gere nuvens pesadas do tipo cumulus nimbus, que são associadas às chuvas. Esse sistema de alta pressão é o mesmo que provocou o bloqueio atmosférico do início de 2014, levando à queda dos reservatórios em todo o Centro-Sul e gerando a crise hídrica em São Paulo. O deslocamento da área de alta pressão traz outra consequência: a água que falta no Centro-Oeste e no Sudeste sobra na Região Sul. Desde o fim de dezembro, quando a Asas se aproximou do País, o Rio Grande do Sul enfrenta uma série de temporais, que provocaram a cheia do Rio Uruguai. "Na verdade, o sistema de alta pressão deslocou o canal de umidade para o Paraguai, o norte da Argentina e o Sul do Brasil", explica o diretor-geral da Metsul Meteorologia, Eugenio Hackbart.

França continua a caçada por cúmplices de terroristas islâmicos


A polícia francesa e os serviços secretos de inteligência concentram forças na caçada por qualquer cúmplice dos três terroristas que mataram dezessete pessoas em dois dias no país, segundo o site da rede britânica BBC. A principal procurada é Hayat Boumeddiene, mulher do terrorista islâmico Amedy Coulibaly, que matou quatro pessoas em um mercado judeu kosher na zona leste de Paris na sexta-feira e executou uma policial no dia anterior em Montrouge, no sul da cidade. Ela é terrorista islâmica também, com treinamento militar. O terrorista Coulibaly foi morto em uma ação da polícia no mercado, mas Hayat escapou do lugar no momento da invasão policial. A mulher terrorista também é apontada como a acompanhante de Coulibaly no ataque à policial na quinta-feira, quando os dois foram descritos pela polícia como “armados e perigosos”. O procurador da república François Molins, afirmou que a investigação da polícia teria como foco a identificação dos cúmplices dos terroristas, que incluem também os irmãos terroristas islâmicos Cherif e Said Kouachi, responsáveis pelo atentado contra o semanário Charlie Hebdo e mortos pela polícia em uma gráfica em que eles haviam se entrincheirado em Dammartin-en-Goële, perto de Paris. Molins afirmou também que as autoridades francesas buscam saber como as ações criminosas foram financiadas e que tipo de instrução e ajuda os terroristas tiveram, na França ou de outros lugares do mundo. Segundo o procurador, dezesseis pessoas foram detidas para interrogatório, incluindo a esposa de um dos irmãos Kouachi e outros membros de sua família. Na noite de sexta-feira, foi divulgada a lista do armamento encontrado após uma inspeção da polícia na gráfica em que se esconderam os irmãos Kouachi: lança-foguetes M82, fuzis Kalashnikov, pistolas russas Tokaref, calibre 9mm, colete tático com munição e faca, dinamites. A Al Qaeda na Península Arábica (AQAP), a célula mais ativa e perigosa da rede terrorista, assumiu a autoria do atentado ao semanário. Isso é coerente com o que os extremistas disseram à designer Corinne Rey no dia do ataque ao Charlie Hebdo. Também é consistente com o que Cherif Kouachi declarou em entrevista à emissora francesa BFM TV, já dentro da fábrica em Dammartin-en-Goële onde estava entrincheirado: ele afirmou ser leal a Anwar al-Awlaki, americano de origem árabe que fundou a AQAP.

Em imagem divulgada pelo jornal francês Le Monde, Hayat aparece em um campo de treinamento de jihadistas em Cantal

Muitos milhares de pessoas vão às ruas em cidades francesas para protestar contra o terrorismo islâmico, você já imaginou isso acontecer no Brasil?


A grande manifestação marcada para este domingo em Paris a favor da liberdade de expressão e em homenagem às vítimas dos ataques que enlutaram a França nos últimos dias foi precedida por vários atos neste sábado. Milhares de pessoas foram às ruas em várias cidades do país, informaram fontes policiais. Em Pau, sudoeste, ao menos 30.000 pessoas realizaram uma passeata silenciosa. Em Orleans, centro, mais de 20.000 se reuniram, enquanto em Nice, a sudoeste, na beira do Mediterrâneo, cerca de 23.000 manifestantes foram contabilizados. As autoridades francesas anunciaram uma mobilização adicional de 500 militares na região de Paris dentro do plano antiterrorista Vigipirate visando à manifestação de domingo. Segundo o porta-voz do ministério da Defesa, o coronel Gilles Jaron, os soldados se somarão aos efetivos da polícia e serão 1.100 no total neste sábado e 1.350 no domingo, em Paris e arredores. De acordo com o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, o plano de alerta antiterrorismo na região parisiense, elevado na quarta-feira passada, será mantido nas próximas semanas. "Dado o contexto, estamos expostos a riscos. É importante, portanto, que o plano Vigipirate (de alerta), que foi aumentado na região de Paris e que foi alvo de medidas particulares no resto do país, seja reforçado no curso das próximas semanas", afirmou o ministro ao final de uma reunião de crise no palácio presidencial. Ele também confirmou que a França adotou todas as medidas necessárias para garantir a segurança nas manifestações pela liberdade de expressão previstas para este domingo. Entre os dirigentes que já confirmaram presença nas manifestações estão a alemã Angela Merkel, o italiano Matteo Renzi, o espanhol Mariano Rajoy e o britânico David Cameron. O primeiro-ministro turco Ahmet Davutoglu também confirmou presença. Enquanto isso, as forças de segurança francesas continuam procurando a terrorista islâmica Hayat Boumeddiene, a companheira de Amedy Coulibaly, o jihadista terrorista islâmico que na quinta-feira matou uma policial e na sexta-feira foi abatido pela polícia depois da tomada de reféns em um mercado de produtos judeus no leste da Paris, no qual matou quatro reféns. Os autores do massacre no jornal satírico Charlie Hebdo, os irmãos terroristas islâmicos Cherif e Said Kouachi, e Coulibaly, foram eliminados na sexta-feira em duas ações realizadas quase simultaneamente pelas forças de ordem. Desde o atentado contra o semanário, na quarta-feira, até o fim da tomada de reféns, nesta sexta-feira, morreram 17 pessoas em diferentes ataques na França, além dos três terroristas islâmico atacantes, e pelo menos 20 pessoas ficaram feridas.

Morre o cineasta italiano Franceso Rosi


O cineasta italiano Francesco Rosi, vencedor do Grande Prêmio do Festival de Cannes em 1972 com "O Caso Mattei", morreu neste sábado, aos 92 anos. O diretor e roteirista, que estava há dias acamado por causa de uma bronquite, morreu enquanto dormia. Rosi nasceu em 15 de novembro de 1922 em Nápoles e entrou para o mundo do espetáculo depois de estudar Direito. Começou no teatro e seguiu para o cinema, tornando-se assistente de Luchino Visconti no filme "A Terra Treme", em 1948. Sua colaboração com Visconti se prolongou em outros projetos, como no filme "Belíssima", do qual foi roteirista. Era considerado um dos mestres dos filmes de investigação e, em 1961, sua obra "Salvatore Giuliano", sobre o bandido siciliano, foi sucesso internacional. Em 1963, ganhou o Leão de Ouro de Veneza com o longa "As Mãos sobre a Cidade", com Rod Steiger. O Festival de Berlim concedeu a ele o Urso de Ouro por sua carreira em 2009, e a Mostra de Veneza deu o Leão de Ouro pelo mesmo motivo em 2012.

Cauda do avião da Air Asia é retirada do fundo do mar de Java

Parte da cauda do avião da AirAsia foi retirada do fundo do mar de Java, duas semanas após o acidente com o voo 8501 que vitimou 162 pessoas. A estrutura de metal com a palavra “Asia” escrita foi levada à superfície com o auxílio de balões infláveis e espera-se que possa conter a caixa preta da aeronave. Até o momento, contudo, o equipamento não foi localizado e os investigadores não descartam a possibilidade de a caixa preta ter saído da cauda do avião durante a tragédia aérea. Os destroços da aeronave retirados do mar estavam a uma profundidade de 30 metros e foram colocados sobre um navio que ajuda nas buscas. Na sexta-feira, sons foram ouvidos debaixo d’água a um quilômetro do local onde a cauda do avião foi encontrada, no que poderia ser um sinal emitido pela caixa preta. No entanto, os investigadores não têm a confirmação de que os sons eram mesmo do equipamento e consideram que poderiam vir de outra fonte. O diretor de operações da agência nacional de busca e resgate da Indonésia, Suryadi Bambang Supriyadi, afirma que as autoridades ainda estão focadas em encontrar a parte principal da fuselagem do avião, onde acredita-se que a maioria dos corpos das vítimas estejam. Diversos objetos foram localizados na região por meio de sonares, mas não foram explorados com o apoio de mergulhadores. “É por isso que as famílias estão esperando”, afirmou, “Elas estão chorando há 14 dias”. O voo 8501 caiu há duas semanas no mar de Java em viagem a Cingapura, vindo de Surabaya, na Indonésia. No último contato por meio de rádio, os pilotos pediram para alterar a altitude em que o avião viajava para tentar escapar ao mau tempo. A permissão foi negada e quatro minutos depois a aeronave desapareceu do radar. Na sexta-feira, outros quatro corpos foram localizados pelas equipes de busca, todos eles ainda afivelados aos assentos do avião. Ao todo, já foram encontradas 48 pessoas que estavam no voo 8501.

Quando é que o "governo paralelo" da Oposição vai dizer ao país qual a solução para impedir que empreiteiras corruptas sejam perdoadas pelo atual governo "para que o Brasil não pare"?



É assustador o silêncio da Oposição diante da escalada promovida pelo governo contra o Ministério Público Federal, contra a Polícia Federal e contra a Justiça Federal para que seja promovido um acordo de ocasião com empreiteiras corruptas, para que elas sejam minimamente prejudicadas, voltando a funcionar normalmente após o pagamento de uma multa. Isso é uma imoralidade! O secretário executivo da Controladoria Geral da União (CGU) teve o desplante de afirmar ao O Globo de hoje que efetivamente pressionou a Força Tarefa da Operação Lava Jato para que o consórcio do crime fizesse um acordo coletivo com a Justiça, pagando uma multa para poder continuar apto a realizar obras públicas. "O processo punitivo leva à declaração de inidoneidade. E a experiência que tivemos com a Delta e a Gautama (construtoras punidas em escândalos anteriores) é que a declaração de inidoneidade provoca uma grande possibilidade de fechar a empresa", disse o secretário executivo da CGU, Carlos Higino. Higino sugeriu a fixação de multas às empreiteiras como punição máxima em âmbito administrativo. Com isso, as empresas teriam que devolver aos cofres públicos uma quantia em dinheiro, mas se livrariam da punição mais drástica: a declaração de inidoneidade. Ainda bem que o MPF entendeu que não seria possível limitar as punições a multas às empresas que até o momento não aceitaram colaborar com as investigações. Por enquanto, a maioria das construtoras apenas aceita reconhecer parte das acusações e pagar uma indenização. Elas não querem acabar com o esquema criminoso. Elas não querem revelar o nome dos políticos envolvidos. Elas querem continuar operando da mesma forma criminosa. De outro lado, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, veio hoje ao Estadão defender a mesma imoralidade: um acordo de leniência com as empreiteiras para minimizar o impacto da Operação Lava Jato na economia. Segundo ele, o instrumento evitaria que as empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras, muitos delas com diretores ainda presos, sejam proibidas de firmar contratos com o poder público. 
Leiam, abaixo, trecho da entrevista de Luiz Adams, um dos cotados para ocupar vaga no STF, dada hoje ao Estadão:
- Em termos jurídicos, o que pode ser feito para recuperar a imagem da Petrobrás? 
- As respostas a Petrobras está dando. A empresa criou uma gerência de risco, iniciou um processo de auditagem interna com dois escritórios, está fazendo um processo de depuração muito grande. Uma das soluções que está ao alcance das outras empresas envolvidas é buscar os acordos de leniência com a administração. Do ponto de vista da administração, atendidos os requisitos da lei, não há por que não haver esse acordo. 
- Quais são os requisitos?
- Reconhecimento do ilícito, ações de colaboração com as investigações, comprometimento com eventual necessidade de ressarcimento e regras de compliance que a empresa adote para evitar situações futuras. 
- O acordo de leniência é visto como uma saída para que não se deixe de contratar com as empreiteiras envolvidas?
- É uma alternativa que a lei oferece às empresas. Atendidos esses quatro requisitos, a administração tem a tendência de acatar um acordo e isso reduz penas, afasta a inidoneidade e permite que a empresa possa continuar (contratando com o Poder Público). Qual é a lógica disso? Você não vai levar ao limite de uma empresa fechar por causa de um funcionário, de dois funcionários ou mesmo de alguém que praticou um desvio. As empresas têm um conjunto de empregados, cadeias produtivas que devem ser preservadas. De novo: é uma iniciativa da empresa. 
Vejam o número de absurdos proferidos por esta autoridade da República em meia dúzia de linhas. Que respostas a Petrobras está dando? Não demitiu a diretoria, apesar das inúmeras provas de acobertamento. Esta diretoria de compliance é chapa branca. É nomeada pelas raposas da Petrobras. A empresa de auditoria internacional continua sem assinar o balanço da empresa.As empresas não estão fechando por causa de um ou dois funcionários. Os donos estão presos! Os diretores estão presos! Os gerentes estão presos. São estruturas inteiras dedicadas à corrupção. Mas onde está a Oposição? Onde está o "governo paralelo"? Onde estão os especialistas do PSDB, DEM, PSB para proporem uma solução para estas empresas? Devem ter seus bens confiscados e leiloadas para interessados que as comprem? Devem repassar as carteiras de obras públicas e os investimentos que possuem em sociedade com o governo para empresas internacionais? O que deve ser feito? O que a Oposição faria se fosse governo, pois esta é a essência de um "governo paralelo". Chega de ver partidos com fundações para, em vez de abrigar técnicos, ficar pagando esqueletos familiares de políticos aposentados. Queremos ver o dinheiro público dos fundos partidários empregando gente que pense o Brasil e não a manutenção das suas boquinhas e tetinhas. Os 51 milhões de eleitores continuam fazendo Oposição para uma Oposição que até agora não se manifestou com soluções diante da grave crise nacional, nem mesmo diante deste deprimente espetáculo de tentativa de salvação do esquema de corrupção que tomou conta da Petrobras. (CoroneLeaks)

CGU quer "salvar" empreiteiras corruptas do Petrolão para que o país "não pare".


A Controladoria-Geral da União tentou fazer um acordo com a força-tarefa do Ministério Público Federal encarregada da Operação Lava-Jato para limitar punições às empreiteiras envolvidas em fraudes na Petrobras, evitando que elas fossem declaradas inidôneas e, consequentemente, ficassem impedidas de fechar novos contratos com o governo federal. A proposta, revelada ao GLOBO por uma das autoridades que acompanha as investigações, foi rejeitada pela força-tarefa. O acordo foi encarado pelos investigadores como uma tentativa do governo de salvar empresas que estão à frente de grandes obras públicas no País. A proposta foi apresentada a um grupo de procuradores da República pelo secretário executivo da Controladoria-Geral, Carlos Higino, no fim do mês passado. Higino sugeriu a fixação de multas às empreiteiras como punição máxima em âmbito administrativo. Com isso, as empresas teriam que devolver aos cofres públicos uma quantia em dinheiro, mas se livrariam da punição mais drástica: a declaração de inidoneidade. Mas o Ministério Público Federal entendeu que não seria possível limitar as punições a multas às empresas que até o momento não aceitaram colaborar com as investigações. Por enquanto, a maioria das construtoras apenas aceita reconhecer parte das acusações e pagar uma indenização. Um possível acordo com a CGU sem um entendimento prévio com o Ministério Público não garantiria, no entanto, que as empreiteiras se livrariam de ações penais, nem mesmo de uma eventual tentativa do Ministério Público Federal de, pela via judicial, pedir que as empresas envolvidas ficassem impedidas de fazer qualquer contrato com o governo. Ao GLOBO, Higino confirmou a tentativa de entendimento. "O processo punitivo leva à declaração de inidoneidade. E a experiência que tivemos com a Delta e a Gautama (construtoras punidas em escândalos anteriores) é que a declaração de inidoneidade provoca uma grande possibilidade de fechar a empresa", disse. Durante a negociação, Higino e seus auxiliares argumentaram que seria melhor aplicar multas às empreiteiras agora e receber o dinheiro o mais brevemente possível. Uma punição mais drástica, no curso normal dos processos penais e administrativos, poderia chegar tarde demais, segundo esse raciocínio. Na conversa, os representantes da CGU alegaram que algumas empreiteiras poderiam entrar em crise financeira e não teriam dinheiro nem mesmo para ressarcir parcialmente os prejuízos. A insolvência poderia até contaminar o sistema financeiro, especialmente bancos que abrigam negócios das empresas. Higino disse que não buscava um acordo coletivo. A idéia, segundo ele, seria negociar acordos individuais conforme as peculiaridades de cada caso. Ele argumenta que a idéia não é proteger a empresa do risco financeiro. Mas evitar que uma punição severa resulte em perda total para os cofres públicos. "A idéia é evitar uma vitória de Pirro, quebra-se a empresa e não se recupera um tostão para o serviço público", afirmou Higino.

Os procuradores Orlando Martello, Deltan Dallagnol e Eduardo Pelella, do MPF
As duas partes não chegaram a um consenso, mas as tratativas prosseguem. Se quiser, a Controladoria-Geral pode fazer acordos de leniência com as empreiteiras independentemente da opinião dos procuradores. A chancela prévia do Ministério Público evitaria futuras contestações jurídicas das decisões sobre as empreiteiras, e ainda facilitaria a adesão das empresas. Em outra frente, procuradores da força-tarefa dependem também da Controladoria-Geral e do Tribunal de Contas da União para calibrar as punições às empresas que decidirem colaborar com as investigações nos processos penais. Sem algum tipo de compensação em âmbito administrativo, algumas empresas poderiam se sentir pouco estimuladas a colaborar na esfera penal. Desde que foram alvo da sétima fase da Operação Lava-Jato, as empreiteiras vêm tentando em várias frentes negociar um acordo para atenuar suas punições. Representantes das empresas procuraram o Ministério Público Federal para negociar o pagamento conjunto de R$ 1 bilhão de multa. Em troca queriam um abrandamento das penas. Os procuradores recusaram. Para eles, só seria possível fazer acordo se os executivos decidissem contar o que sabem sobre os desvios de dinheiro na Petrobras. Em uma conversa com parlamentares, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, chegou a declarar que não havia hipótese de aceitar acordo coletivo com as empreiteiras. O procurador até ironizou a iniciativa. Para ele, a iniciativa seria uma espécie de “cartel da leniência”. Em dezembro, Janot afirmou que o Ministério Público está atuando para não deixar ninguém impune: "Ninguém se beneficiará de ajustes espúrios. Isso todos temos de ter certeza. A resposta para aqueles que assaltaram a Petrobras será firme. A decisão é ir fundo nas responsabilizações civil e criminal". Mesmo diante das condições estabelecidas pelo Ministério Público Federal, as empreiteiras continuaram numa busca incessante por uma alternativa a punições máximas. Entre os papéis apreendidos na Engevix, em novembro passado, a Polícia Federal encontrou uma anotação em que o autor faz referência à urgência de um acordo. Para o autor do documento, Janot e o ministro Teori Zavascki, do Supremo, dificilmente adotariam medidas extremas. “Janot e Teori sabem que não podem tomar a decisão. Pode parar o País”, diz a anotação, de 6 de novembro. Nas últimas semanas surgiram rumores de que pelo menos duas das grandes empresas estão com dificuldades para pagar dívidas e contrair novos empréstimos. As dificuldades aumentaram depois que a Petrobras anunciou, em 30 de dezembro, que as 23 investigadas na Lava-Jato estão proibidas de participar de novas licitações e serão alvos de processos individuais.

Dono da UTC liga caixa de campanha de Dilma ao petrolão


Um bom resumo do que vai pela cabeça dos empreiteiros presos pela Operação Lava-Jato está em um manuscrito de seis folhas de caderno obtido por VEJA. Ele foi escrito pelo engenheiro baiano Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia. VEJA confirmou a autoria do documento por meio de um exame grafotécnico feito pelo perito Ricardo Molina, da Unicamp. É a primeira manifestação de um integrante do clube do bilhão desde a prisão. O documento contém queixas contra os antigos parceiros de negócios e ameaças veladas a políticos. Em um dos trechos, o empreiteiro liga os contratos sob suspeita assinados entre as empreiteiras e a Petrobras ao caixa de campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff. Nas entrelinhas do manuscrito fica evidente o desconforto dos empreiteiros de estarem sendo, pelo menos até agora, os bodes expiatórios da complexa rede de corrupção armada na Petrobras. Eles têm razão. Nas denúncias oferecidas pelo Ministério Público Federal e aceitas pelo juiz Sergio Moro, o esquema de corrupção na Petrobras parece ser apenas o conluio de empreiteiros gananciosos com meia dúzia de diretores venais da Petrobras. Nada mais longe da verdade. Como Paulo Roberto Costa revelou com toda a clareza, tratava-se de um esquema de desvio de dinheiro para partidos e campanhas políticas organizado pelo partido no poder, o PT. Entende-se, portanto, a insistência de Ricardo Pessoa em lembrar que em sua concepção e funcionamento o esquema na Petrobras era político. As empreiteiras entraram como a solução para o problema de como entregar o dinheiro aos parlamentares e candidatos da base aliada do governo do PT. Pessoa cita nominalmente o tesoureiro do comitê de Dilma Rousseff, o deputado petista Edinho Silva (SP): “Edinho Silva está preocupadíssimo. Todas as empreiteiras acusadas de esquema criminoso da Operação Lava-Jato doaram para a campanha de Dilma”. Arremata com outra pergunta desafiadora, referindo-se ainda ao caixa do comitê eleitoral da presidente: “Será se (sic) falarão sobre vinculação campanha x obras da Petrobras?”. O empreiteiro faz chiste com o que já foi descoberto até agora e afirma que o volume de dinheiro desviado na diretoria de Paulo Roberto Costa é “fichinha” perto de outros negócios da Petrobras que também teriam servido à coleta de propina.

PT E PMDB QUEREM SÓ PIZZAIOLO NO CONSELHO DE ÉTICA


Enrolados até o pescoço com Petrolão, o PT e PMDB se movimentam para assumir o comando do Conselho de Ética da Câmara a fim de pôr água nas investigações. No PT, ganha força o nome do deputado federal Sibá Machado (AC), testa de ferro do governo na CPMI da Petrobras. Já o PMDB cogita lançar Mauro Lopes (MG), autor do requerimento que arquivou o processo de cassação contra Rodrigo Bethlem (PMDB-RJ). Wladimir Costa (SD-PA) também é cotado ao cargo no Conselho. Ele trabalhou para salvar Luiz Argôlo (SD-BA) e Jaqueline Roriz (PMN-DF). O deputado Mauro Lopes ganhou pontos no PT após ter faltado sessão em que o ex-vice-presidente da Câmara, o petista André Vargas, foi cassado. Além de assumir presidência do Conselho de Ética, os partidos querem mudar a composição dos membros atuais, considerada “linha dura”. O presidente Ricardo Izar (PSD) diz preferir largar a disputa à reeleição a ficar no Conselho com “membros indicados para frear investigações”.

Montadoras demitem 12.400 trabalhadores em 2014


O setor automotivo demitiu 12.400 trabalhadores no Brasil em 2014, o maior volume de desligamentos desde 1998, quando a economia mundial sofreu os impactos da crise da Rússia, que fez com que a indústria automobilística cortasse 22.000 vagas no País. A projeção é da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Apenas em dezembro houve a redução de 1,6 mil vagas. De acordo com a Anfavea, o efetivo caiu de 158.733 pessoas em dezembro de 2013 para 144.623 trabalhadores no fim do ano passado, voltando aos níveis de emprego de 2011. Este ano, os primeiros sinais dados pelo setor não são nada favoráveis: janeiro começou com 800 demissões na Volkswagen e 260 na Mercedes-Benz, ambas em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Mesmo assim, o presidente da instituição, Luiz Moan Júnior, manifestou otimismo na apresentação das projeções da entidade para este ano na quinta-feira. O executivo disse que os desligamentos foram “casos pontuais” e descartou “demissões iminentes”. “O que está acontecendo é um processo de negociação individual. Por parte das demais associadas, não tenho nenhuma informação de que tenha um processo iminente de demissão”, afirmou Moan. Ainda de acordo com a Anfavea, a produção de veículos caiu 15,3% em 2014, para 3,146 milhões de veículos, o menor patamar desde 2009. Já as vendas recuaram 7,15% no ano passado, para 3,498 milhões de unidades, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Em porcentual, foi a maior queda anual registrada pela indústria automobilística em doze anos. Em relação à produção, a estimativa da Anfavea para este ano é de um expansão de 4,1%, para 3,276 milhões de veículos. Esta projeção de recuperação parcial, no entanto, embute uma projeção de que as vendas de veículos continuem em 3,498 milhões de unidades, mesmo montante registrado em 2014. Para as exportações, a entidade prevê um aumento de 1% neste ano, depois de uma queda de 41% no ano passado. Também há a expectativa de que a participação de carros importados nas vendas internas caiu de 17,6% para 16%. Alarico Assumpção Jr, presidente da Fenabrave, reforça que não deve haver demissões em massa na ponta de vendas, nas concessionárias. Isso porque desde o ano passado o setor já vem se ajustando à queda da demanda, fazendo cortes necessários. “Para 2015 já estamos esperando um ano difícil, de crescimento quase nulo, volta do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), ou seja, é um cenário traçado, só faremos correções e nos ajustaremos ao longo do dia a dia”, disse. Ele estima que o preço médio do automóvel deva subir entre 3,5% e 5% com a volta da alíquota cheia do IPI. Mas, janeiro ainda deve ser um mês de preços baixos nas concessionárias devido ao volume de estoques elevados vindo do ano passado, ainda com impostos menores.